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  • Câncer de boca e garganta tem cura? Conheça os sintomas e como é feito o tratamento

    Câncer de boca e garganta tem cura? Conheça os sintomas e como é feito o tratamento

    O câncer de boca e garganta, também conhecido como câncer de cavidade oral ou câncer de lábio, é um dos principais tipos de câncer de cabeça e pescoço. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para 2025 era de mais de 15 mil novos casos no Brasil.

    Apesar de mais frequente em homens acima dos 40 anos, a doença pode acometer pessoas de todos os gêneros e idades, especialmente quando há exposição prolongada a fatores de risco conhecidos — como o tabagismo, consumo de álcool e infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

    O que é o câncer de boca e garganta?

    O câncer de boca e garganta é um tipo de câncer que se desenvolve nas células que revestem a cavidade oral e a orofaringe. Ele faz parte do grupo dos cânceres de cabeça e pescoço e pode acometer diferentes estruturas, como lábios, gengivas, língua, assoalho da boca, céu da boca, amígdalas, faringe e parte posterior da língua.

    Na maioria dos casos, o tumor se origina nas células da mucosa, sendo classificado como carcinoma espinocelular, responsável por cerca de 90% dos diagnósticos. Ele tende a se desenvolver de forma silenciosa no início, o que contribui para o diagnóstico tardio em muitas pessoas.

    Tipos de câncer de boca e garganta

    Os cânceres de boca e garganta podem se manifestar de diferentes formas, sendo classificados de acordo com a origem das células, as características do tumor e a região afetada. Entre eles, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica aponta:

    Carcinoma de células escamosas

    O carcinoma de células escamosas é o tipo mais comum, responsável por cerca de 95% dos casos de câncer de cavidade oral e orofaringe. Ele tem origem nas células escamosas, células planas que revestem a boca e a garganta.

    Nos estágios iniciais, recebe o nome de carcinoma in situ, quando as células cancerígenas estão restritas à camada superficial do epitélio. Quando ocorre invasão das camadas mais profundas da mucosa, passa a ser classificado como carcinoma de células escamosas invasivo, condição associada a maior agressividade e risco de disseminação.

    Câncer de boca relacionado ao HPV

    Também classificado como carcinoma de células escamosas, esse tipo de câncer está associado à infecção por determinados subtipos do papilomavírus humano (HPV), pertencentes ao grupo HPV positivo.

    Ele ocorre com mais frequência em pessoas mais jovens, muitas vezes sem histórico de tabagismo ou consumo excessivo de álcool — e acomete principalmente a orofaringe, como amígdalas e base da língua.

    Carcinoma verrucoso

    O carcinoma verrucoso é uma forma rara de carcinoma de células escamosas, normalmente encontrada na gengiva ou na mucosa da bochecha. Ele apresenta crescimento lento e pode surgir inicialmente como uma lesão aparentemente benigna.

    Apesar de representar menos de 5% dos casos, ele costuma ser menos agressivo e raramente produz metástases. Ainda assim, pode se expandir localmente, atingindo tecidos vizinhos, o que torna necessária a remoção cirúrgica.

    Carcinoma das glândulas salivares menores

    O carcinoma das glândulas salivares menores se desenvolve nas pequenas glândulas salivares distribuídas pela mucosa da boca e da região próxima à garganta. Existem diferentes subtipos, entre eles:

    • Carcinoma adenoide cístico, de crescimento lento, com tendência a se disseminar ao longo dos nervos e apresentar recidivas tardias;
    • Carcinoma mucoepidermoide, o mais comum entre os tumores das glândulas salivares, geralmente originado nas parótidas, podendo variar de baixo a alto grau;
    • Adenocarcinoma, originado nas células glandulares. Quando acomete glândulas salivares menores, costuma ser de baixo grau e apresenta altas taxas de cura.

    Linfomas

    Os linfomas são cânceres que se originam nos glóbulos brancos e afetam o sistema linfático, componente essencial da defesa do organismo. Como estruturas como as amígdalas e a base da língua fazem parte do tecido linfóide, esse tipo de câncer também pode se iniciar nessas regiões da boca e da garganta.

    Quais os fatores de risco do câncer de boca e garganta?

    O tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de boca e garganta. O uso de cigarros, charutos, cachimbos ou qualquer produto derivado do tabaco provoca uma agressão contínua à mucosa da boca e da garganta.

    Quanto maior o tempo de exposição e a quantidade consumida ao longo dos anos, maior é o risco. Mesmo após a interrupção do hábito, o risco não desaparece imediatamente, diminuindo de forma gradual com o passar do tempo.

    Entre outros fatores de risco, é possível destacar:

    • Consumo frequente e excessivo de álcool: a ingestão regular de bebidas alcoólicas, principalmente em grande volume e por longos períodos, aumenta significativamente a chance de desenvolver a doença, sobretudo quando associada ao tabagismo;
    • Infecção pelo HPV (papilomavírus humano): o HPV tem se tornado um fator de risco cada vez mais importante, especialmente para os cânceres de orofaringe. Está relacionado principalmente à prática de sexo oral sem proteção e ao maior número de parceiros sexuais;
    • Obesidade: o excesso de peso está associado a alterações metabólicas e inflamatórias que podem aumentar o risco de diversos tipos de câncer, incluindo os de boca e garganta;
    • Exposição solar excessiva sem proteção: a exposição constante e prolongada ao sol, sem o uso de protetor solar labial, é o principal fator de risco para o câncer de lábio, especialmente o lábio inferior.

    De acordo com o oncologista Thiago Chadid, o câncer de boca e garganta sempre esteve, historicamente, ligado ao tabagismo e ao consumo de álcool, que continuam sendo as principais causas da doença em grande parte do mundo.

    No entanto, em países como Estados Unidos e nações do norte da Europa, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) passou a ser o principal fator de risco, superando o cigarro e o álcool. A estimativa é que cerca de 70% da população norte-americana já tenha tido contato com o vírus.

    No Brasil, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool ainda são os fatores de risco mais comuns, devido à alta exposição da população. Ainda assim, o HPV tende a ganhar espaço nos próximos anos, especialmente se não houver políticas eficazes de vacinação durante a infância e a adolescência.

    O uso de enxaguante bucal com álcool aumenta o risco?

    Ainda não há evidências suficientes de que o uso de enxaguantes bucais à base de álcool seja um fator de risco independente para o câncer de boca ou orofaringe.

    No entanto, Thiago Chadid explica que o principal problema, nesse contexto, está no contato direto do álcool com a mucosa oral, que atua como um agente irritante. O uso diário pode causar irritação contínua e favorecer o agravamento de lesões precursoras.

    Por isso, o recomendado é evitar enxaguantes bucais com álcool, especialmente quando utilizados com frequência. Existem versões sem álcool, consideradas menos agressivas, mas esse tipo de produto não é indispensável para a higiene bucal diária quando a escovação adequada e o uso regular do fio dental são mantidos.

    Quais os sintomas do câncer de boca e garganta?

    Os sintomas do câncer de boca e garganta podem variar conforme o tipo, a localização e o estágio do tumor. Em muitos casos, eles surgem de forma discreta no início, o que pode atrasar o diagnóstico.

    Entre os principais sintomas, estão:

    • Dor na boca ou na garganta que não melhora com o tempo;
    • Ferida ou lesão que sangra e não cicatriza;
    • Nódulo ou inchaço na parte interna da bochecha;
    • Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na língua, gengivas, amígdalas, céu da boca ou mucosa oral;
    • Dificuldade para mastigar ou movimentar a mandíbula;
    • Dificuldade para movimentar a língua, falar ou engolir;
    • Dormência na língua ou em outras áreas da boca;
    • Inchaço na mandíbula, que pode causar desconforto ao usar próteses dentárias;
    • Enfraquecimento ou dor nos dentes sem causa aparente;
    • Rouquidão persistente ou mudanças no tom de voz;
    • Presença de caroço ou nódulo no pescoço.

    Diante dos sinais de alerta, Thiago orienta procurar um otorrinolaringologista, um cirurgião de cabeça e pescoço ou um cirurgião bucomaxilofacial, profissionais capazes de avaliar as lesões e indicar uma biópsia quando necessário.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do câncer de boca e garganta é feito principalmente por meio da avaliação clínica e da observação direta das lesões, já que não existe um exame de rastreamento de rotina para a população geral.

    O primeiro passo é o exame físico detalhado da cavidade oral e do pescoço, em que o especialista observa a presença de feridas que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, úlceras, nódulos e assimetrias — além de palpar o pescoço em busca de linfonodos aumentados.

    Quando há suspeita da doença, alguns exames podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do tumor, como:

    • Exame clínico da boca e do pescoço, com inspeção visual das mucosas e palpação dos linfonodos cervicais;
    • Nasofibrolaringoscopia, exame feito com um aparelho fino e flexível introduzido pelo nariz, que permite visualizar a garganta, a laringe e a base da língua;
    • Biópsia, procedimento fundamental para a confirmação do diagnóstico, no qual um fragmento da lesão é retirado para análise em laboratório;
    • Tomografia computadorizada, utilizada para avaliar a extensão do tumor e o comprometimento de estruturas vizinhas;
    • Ressonância magnética, indicada para uma análise mais detalhada dos tecidos moles;
    • PET-CT, exame que ajuda a identificar metástases e a atividade do tumor no organismo.

    Rastreamento do câncer de boca e garganta

    Para pessoas consideradas de maior risco, como tabagistas, o oncologista Thiago Chadid orienta a realização de uma avaliação anual de cabeça e pescoço. A consulta inclui exame clínico detalhado da cavidade oral, da garganta e do pescoço e, quando necessário, a nasofibrolaringoscopia.

    Os exames de imagem, como tomografia computadorizada, ressonância magnética ou PET-CT, não são indicados para rastreamento, pois não conseguem identificar lesões muito iniciais. O diagnóstico precoce depende, principalmente, da observação direta das mucosas e da avaliação clínica criteriosa.

    Tratamento de câncer de boca e pescoço

    O tratamento depende do tipo de lesão, do estágio da doença e da profundidade do tumor. Quando uma lesão pré-maligna é identificada, a cirurgia costuma ser a base do tratamento, especialmente nos casos diagnosticados em fases iniciais. Thiago explica que a conduta indicada é a ressecção completa da lesão, com margens adequadas, sempre que possível.

    A boca e o pescoço são regiões delicadas, ricas em vasos sanguíneos e nervos. Mesmo cirurgias consideradas pequenas podem causar impacto funcional e estético.

    Em algumas situações, não é possível fechar a área operada com pontos, sendo necessário recorrer a enxertos ou permitir a cicatrização por segunda intenção, um processo mais lento e, muitas vezes, doloroso.

    Quando a lesão pré-maligna é removida de forma completa, o tratamento cirúrgico costuma ser suficiente, sem necessidade de quimioterapia ou radioterapia. Após a retirada, realiza-se o estadiamento, uma etapa para avaliar a profundidade do tumor, a qualidade das margens cirúrgicas e o risco de disseminação da doença.

    Quando o tumor cresce mais profundamente, não é retirado por completo ou apresenta risco de espalhamento para outras partes do corpo, o médico pode indicar tratamentos complementares, como radioterapia — sozinha ou em conjunto com a quimioterapia, para reduzir a chance da doença voltar.

    Em casos mais avançados, a imunoterapia pode ser usada no tratamento. Ela ajuda o próprio sistema de defesa do corpo a reconhecer e combater as células do câncer, aumentando as chances de controlar a doença.

    Câncer de boca e garganta tem cura?

    Quando a doença é identificada precocemente, as chances de cura costumam ser elevadas, e os tratamentos tendem a ser menos agressivos. No entanto, o câncer de boca e garganta pode se tornar bastante agressivo quando o diagnóstico ocorre em fases mais avançadas.

    Tumores mais profundos ou extensos apresentam maior risco de metástases, principalmente para os linfonodos do pescoço, além de órgãos como pulmões, ossos, fígado e pele, o que torna o tratamento mais complexo e pode comprometer o prognóstico. Isso ressalta a importância do diagnóstico precoce.

    É possível prevenir o câncer de boca e garganta?

    A maior parte dos casos pode ser prevenida com mudanças de hábitos e cuidados simples no dia a dia, como:

    • Evitar o tabagismo, em qualquer forma, incluindo cigarro, charuto, cachimbo e fumo sem combustão;
    • Reduzir ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente quando associado ao tabaco;
    • Manter boa higiene bucal e realizar acompanhamento odontológico regular;
    • Usar preservativo durante as relações sexuais, reduzindo o risco de infecção pelo HPV;
    • Vacinar-se contra o HPV, conforme orientação médica e faixa etária;
    • Proteger os lábios da exposição solar excessiva, utilizando protetor labial com filtro solar;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes;
    • Procurar avaliação médica ou odontológica diante de feridas na boca, rouquidão ou dor persistente que não cicatrizam em até duas semanas.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

    Perguntas frequentes

    Qual a população de risco para câncer de boca e garganta?

    A população de maior risco inclui pessoas que fumam ou já fumaram, consomem álcool com frequência, especialmente de forma associada ao tabagismo, e pessoas infectadas pelo HPV, principalmente os subtipos oncogênicos. A exposição solar crônica sem proteção, má higiene bucal e histórico familiar também elevam o risco.

    Como funciona o tratamento cirúrgico?

    A cirurgia busca remover completamente o tumor com margens de segurança. Dependendo da extensão, pode envolver estruturas importantes da boca ou garganta. Em alguns casos, é necessária reconstrução para preservar funções como fala, mastigação e deglutição.

    O câncer de boca e garganta pode causar caroço no pescoço?

    Sim, o surgimento de caroços endurecidos no pescoço pode indicar comprometimento dos linfonodos, um dos primeiros sinais de disseminação da doença. Todo nódulo persistente deve ser investigado.

    Quando a radioterapia é indicada?

    A radioterapia pode ser utilizada como tratamento principal ou complementar à cirurgia. É indicada quando há risco de recidiva, margens comprometidas ou tumores mais avançados. O tratamento é realizado ao longo de várias semanas.

    O tratamento afeta a fala e a alimentação?

    Pode afetar, dependendo do local e da extensão do tumor. Por isso, o acompanhamento com fonoaudiólogo e nutricionista é fundamental para recuperação funcional e qualidade de vida.

    Quando procurar um médico ou dentista?

    Sempre que houver feridas na boca, dor, rouquidão, dificuldade para engolir ou caroços no pescoço que persistam por mais de duas semanas. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento e o prognóstico.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

  • Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer 

    Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer 

    Quando se fala em vacinação, muita gente ainda pensa só em criança. Mas a verdade é que o calendário vacinal não termina na infância. Mesmo depois dos 18 anos, existem vacinas muito importantes para manter a saúde em dia e se proteger contra doenças sérias que podem dar muita preocupação.

    Além das anuais, como aquela contra a gripe, por exemplo, algumas vacinas para adultos precisam estar atualizadas.

    Quais vacinas todo adulto deve manter em dia?

    Segundo a infectologista Clara Buscarini, as vacinas essenciais para adultos no Brasil são:

    • DT (difteria e tétano);
    • Hepatite B;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • HPV;
    • Tríplice viral (SCR);
    • Febre amarela (para áreas de risco).

    “A vacinação contra difteria e tétano (dupla adulto, dT) é indicada para todos os adultos, com reforço a cada 10 anos. Já a hepatite B deve ser feita em três doses, caso o adulto nunca tenha se vacinado”, diz a médica. Por isso, é bom checar a carteirinha de vacinação de tempos em tempos.

    Outras vacinas também entram na lista em situações específicas. “A vacinação contra coqueluche é recomendada principalmente para gestantes, não sendo universal para todos os adultos”, explica.

    E no caso da vacina contra influenza (gripe), a recomendação é que grupos prioritários a tomem anualmente. “Isso inclui gestantes, puérperas, profissionais de saúde e pessoas com comorbidades. Ela fica disponível em campanhas ampliadas ou no sistema privado”, explica a especialista.

    No caso da vacina contra covid-19, o ideal é o reforço anual. “Desde 2021, a vacinação contra o SARS-CoV-2 tornou-se recomendação universal para adultos, com diferentes plataformas vacinais e reforços periódicos (geralmente anuais)”, diz a infectologista.

    E os idosos, precisam de alguma dose de vacina a mais?

    Sim. A infectologista destaca que, para pessoas acima dos 60 anos, a vacina pneumocócica (PPV23) é indicada para ajudar a proteger contra pneumonias graves.

    É importante saber que no serviço privado já estão disponíveis vacinas que não fazem parte do calendário do SUS ou não fazem parte para todos os grupos da população, mas podem ser recomendadas em casos específicos, como a da dengue e a do herpes zoster.

    Vacinas são iguais para homens e mulheres?

    Sim. “Não há esquemas vacinais distintos para homens e mulheres, exceto no contexto de gestantes”, explica a médica.

    Isso significa que, de modo geral, homens e mulheres seguem o mesmo calendário, mas as gestantes precisam receber orientações especiais para proteger também o bebê.

    Por que alguns adultos precisam repetir vacinas que já tomaram?

    Muita gente acredita que estar vacinado na infância é garantia de proteção para a vida toda. Mas não é bem assim.

    “A imunidade conferida por algumas vacinas pode diminuir ao longo do tempo. Além disso, mudanças nos calendários vacinais ao longo das décadas podem deixar lacunas de proteção em adultos”, explica a infectologista.

    Ela dá um exemplo importante: “Indivíduos vacinados contra sarampo entre 1963 e 1989 podem ter recebido vacinas menos eficazes ou esquemas incompletos. Por isso, em grupos de risco, como profissionais de saúde e viajantes internacionais, é recomendada a revacinação”.

    Outra situação mais específica é quando acontece um transplante de medula óssea. “A imunossupressão induzida pelo transplante exige a revacinação completa de adultos, independentemente do histórico vacinal, pois a imunidade adquirida anteriormente pode ser perdida após o procedimento”, detalha a médica.

    Vacinas para adultos quem têm doenças crônicas

    Pessoas que têm determinadas doenças crônicas precisam de uma atenção ainda mais especial para a vacinação, e a recomendação depende da condição clínica.

    “Pessoas com pressão alta e com diabetes devem seguir o calendário já mencionado. Mas pacientes com hepatopatias graves, por exemplo, precisam se vacinar também contra meningite C (ACWY preferencialmente) e meningite B”, orienta.

    Ou seja, nesses casos a avaliação deve ser individualizada pelo médico.

    É seguro tomar várias vacinas no mesmo dia?

    Muita gente tem receio, mas a resposta é sim, é seguro.

    “A administração de várias vacinas no mesmo dia é segura, não compromete a eficácia imunológica e é recomendada para garantir proteção oportuna contra doenças preveníveis”, diz a infectologista Clara Buscarini.

    A única exceção são as vacinas vivas atenuadas (como tríplice viral e febre amarela, por exemplo). “Se não forem aplicadas no mesmo dia, precisam ter um intervalo de pelo menos 28 dias entre elas para evitar interferência na resposta imunológica”, diz a especialista.

    O risco de não completar o calendário vacinal

    Segundo a médica, deixar vacinas de lado pode trazer várias consequências sérias:

    • Maior risco de ficar doente e ter complicações graves, especialmente no caso de pessoas com saúde mais vulnerável, como idosos e quem tem outras doenças;
    • Diminuição da proteção coletiva, também conhecida como imunidade de rebanho. Isso aumenta a chance de doenças já erradicadas ou controladas voltarem (como sarampo, rubéola e poliomielite), e coloca em risco quem não está vacinado ainda ou pessoas imunossuprimidas;
    • Transmissão para pessoas vulneráveis, como bebês, crianças, idosos e pessoas com problemas de imunidade;
    • Impacto no sistema de saúde: o tratamento de doenças preveníveis com vacina onera o sistema de saúde, aumenta o custo e sobrecarrega o sistema.

    “A manutenção de um esquema vacinal completo ao longo da vida adulta é muito importante para prevenir doenças imunopreveníveis e suas complicações”, reforça a infectologista.

    Perguntas frequentes sobre vacinação em adultos

    1. Adultos precisam vacinar todos os anos?

    Sim. Especialmente contra influenza e covid-19, que têm reforços anuais. Mas é importante ficar de olho no calendário vacinal para eventuais reforços de outras vacinas, como a de tétano, por exemplo.

    2. Qual vacina é obrigatória para viajar?

    A vacina contra febre amarela é exigida em viagens para áreas de risco ou países que solicitam o certificado internacional.

    3. Vacina contra HPV é só para adolescentes?

    Não. “Adultos com 20 anos ou mais, não vacinados anteriormente, podem receber três doses da HPV9”, lembra a médica.

    4. Posso tomar vacinas mesmo gripado?

    Depende. Quadros leves não contraindicam, mas em caso de febre alta é melhor adiar.

    5. Se eu perder uma dose, preciso reiniciar a vacinação?

    Não. O esquema pode ser retomado de onde parou, sem necessidade de começar tudo de novo.

    Leia também: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

  • Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Você provavelmente já ouviu falar do exame preventivo ginecológico. A questão é que muita gente associa esse cuidado apenas ao papanicolau, sendo que a prevenção vai muito além disso. Esse conjunto de exames ajuda a detectar alterações ginecológicas e é uma oportunidade de cuidar da saúde da mulher de forma integral.

    A ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que o ginecologista é reconhecido como médico generalista que cuida da saúde da mulher.

    “É claro que temos um foco na saúde feminina geniturinária, principalmente passando por três funções, a menstrual, a obstétrica e a sexual, mas na prevenção nós olhamos de forma mais abrangente e holística”, conta a especialista.

    O que é o exame preventivo ginecológico

    O exame preventivo é uma consulta voltada para avaliar diferentes aspectos da saúde feminina em cada fase da vida. Ele envolve desde a coleta do papanicolau, exame que identifica lesões causadas pelo HPV que podem evoluir para câncer de colo do útero, até exames de imagem e laboratoriais, de acordo com a idade e os fatores de risco de cada mulher.

    “O papanicolau é um exame para prevenção de uma doença, mas o preventivo é quando falamos de tudo da parte ginecológica, ou seja, vamos pensar em câncer de mama, câncer de útero, câncer de colo de útero e outros menos frequentes, como câncer de vagina e câncer de vulva”, explica a médica.

    O preventivo ginecológico também vai olhar outras doenças, como risco cardiovascular e risco de osteoporose. “Isso pensando na mulher que já tem uma certa idade de climatério”, explica a ginecologista.

    Quando começar a fazer o exame preventivo

    A recomendação é que toda mulher inicie o acompanhamento ginecológico após o início da vida sexual. Os exames solicitados, no entanto, variam de acordo com a idade e histórico familiar.

    “Nas mulheres mais jovens, o principal foco de atenção é naquelas doenças com maior prevalência na idade, como câncer de colo do útero. Já entre as mulheres que estão próximas do climatério, a prevenção se volta também para outras doenças, cuja incidência começa a aumentar nesse período da vida”.

    Ou seja, cada fase da vida tem seus focos de atenção e o acompanhamento deve ser adaptado.

    “Mulheres que começam a fazer o acompanhamento cedo costumam se manter nele ao longo das fases da vida: início da vida sexual, fase reprodutiva, filhos, climatério e menopausa. Em cada etapa, a forma de olhar muda, mas o acompanhamento é contínuo”, explica Andreia.

    Principais exames do preventivo

    • Papanicolau e HPV: para rastreamento de câncer de colo de útero;
    • Colposcopia e vulvoscopia: quando há alterações ou HPV positivo, permitem analisar lesões invisíveis a olho nu;
    • Ultrassom transvaginal: avalia útero, endométrio, miomas, ovários, cistos e pólipos;
    • Exames de mama: ultrassonografia em mulheres jovens e mamografia somada ao ultrassom a partir dos 40 anos;
    • Ressonância de mamas: em casos de prótese ou necessidade de avaliação detalhada;
    • Exames de sangue: hemograma, vitaminas, colesterol e glicemia;
    • Exames complementares no climatério: densitometria óssea (a partir de 50 anos), endoscopia e colonoscopia (a partir de 45 anos).

    Para mulheres com prótese de silicone, às vezes o ultrassom ou a mamografia são complementados com a ressonância magnética. “Usamos para ver principalmente detalhes na parte posterior da prótese ou mesmo da integridade da prótese”, explica a médica.

    Diferença entre SUS e saúde privada

    Os protocolos de rastreamento podem mudar dependendo se a mulher faz acompanhamento pelo sistema público ou privado.

    No setor privado, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos. Já no SUS, a oferta é diferente.

    “Como o SUS tem a preocupação em ser o melhor equilíbrio entre universal e integral, ele acaba oferecendo a mamografia a cada dois anos a partir dos 50 anos. Como não tem recurso para oferecer para todo mundo todo ano, essa é uma forma de garantir que esse exame seja oferecido para mais pessoas”, explica a médica.

    Como se preparar para o exame preventivo

    Não existe um grande mistério na preparação para o exame.

    “Orientamos que a mulher não tenha relação sexual 72 horas antes da coleta e não esteja menstruada, pois essas situações alteram o resultado”, diz a médica. “Isso não quer dizer que exista uma alteração real, mas pode mascarar o resultado normal e atrapalhar a investigação”.

    No climatério, pode haver atrofia genital intensa. “Se não houver contraindicação, às vezes é prudente preparar a vagina com estrogênio antes do papanicolau para evitar alterações nos resultados”, explica a especialista.

    Perguntas frequentes sobre o exame preventivo ginecológico

    1. A partir de que idade devo ir ao ginecologista?

    A ginecologista recomenda que a menina tenha pelo menos uma consulta inicial quando menstrua, para receber orientações. O outro momento é quando tem ou está prestes a ter a primeira relação sexual, para receber orientações sobre contracepção e começar os exames preventivos.

    2. Preciso ir ao ginecologista todo ano?

    Sim, o ideal é passar em consulta anualmente, pois o ginecologista consegue olhar a saúde da mulher de forma integral e solicitar os exames necessários para cada fase.

    3. O exame preventivo ginecológico inclui só o papanicolau?

    Não. Ele envolve também avaliação das mamas, útero, ovários e outros exames, dependendo da idade da mulher.

    4. Mulheres que nunca tiveram relação sexual precisam fazer?

    Não precisam fazer o papanicolau, mas devem ir ao ginecologista. A consulta é necessária de qualquer forma, porque não se previne só câncer de colo uterino, mas também câncer de mama, de útero, de ovários, além de avaliar vulva e vagina, incontinência urinária e outras condições.

    5. Quem tem prótese mamária precisa de exames diferentes?

    Sim. Às vezes, a ressonância é indicada para avaliar detalhes da prótese e integridade.

    6. O SUS oferece todos os exames do preventivo?

    O SUS segue protocolos próprios, que incluem papanicolau e mamografia a cada dois anos a partir dos 50, além de outros exames conforme a necessidade.

  • HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde 

    HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde 

    Você provavelmente já ouviu falar em HPV, mas talvez não saiba que esse vírus comum e silencioso está por trás de muitos casos de câncer. O HPV, por exemplo provoca câncer de colo de útero e, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres.

    A boa notícia é que existe uma forma eficaz e segura de se proteger: a vacina contra o HPV. Apesar disso, dúvidas, mitos e desinformação ainda impedem que essa proteção chegue a todos.

    Neste texto, com a ajuda da ginecologista Fernanda Caruso Fortunato Freire, você vai entender o que é o HPV, como se transmite, por que está ligado ao câncer e como a vacina contra HPV pode fazer toda a diferença.

    O que é HPV e por que ele preocupa

    O papilomavírus humano (HPV) é um vírus sexualmente transmissível muito comum que atinge a pele e as mucosas. Mesmo com preservativo, existe o risco de transmissão, já que o vírus pode estar em áreas não cobertas.

    “Estima-se que cerca de 600 milhões de pessoas no mundo estejam infectadas, e que 80% da população sexualmente ativa entre em contato com o HPV em algum momento da vida”, explica Fernanda.

    E o problema vai além das verrugas genitais causadas por ele. Alguns subtipos do vírus, especialmente os tipos 16 e 18, são responsáveis por mais de 70% dos casos de câncer do colo do útero no Brasil.

    Tudo começa com lesões que, se não forem acompanhadas e tratadas precocemente por um médico, podem evoluir para câncer.

    Sintomas do HPV

    Na maioria dos casos, o HPV não provoca sintomas visíveis, mas quando aparecem, costumam ser os abaixo.

    Em mulheres

    • Verrugas genitais na vulva, vagina, colo do útero ou ao redor do ânus;
    • Coceira ou desconforto na região íntima;
    • Lesões internas no colo do útero, que só são detectadas por exames como o Papanicolau.

    Em homens

    • Verrugas no pênis, escroto, virilha ou ao redor do ânus;
    • Coceira ou irritação na área afetada;
    • Lesões internas na uretra ou ânus, geralmente assintomáticas.

    Tanto em homens quanto em mulheres, o vírus pode estar presente mesmo sem sinais visíveis, por isso o acompanhamento médico e a vacina contra HPV são essenciais.

    Como funciona a vacina contra HPV

    A vacina contra HPV é feita com partículas semelhantes ao vírus, mas sem DNA, ou seja, ela não provoca infecção. “Essas partículas induzem o corpo a produzir anticorpos, que previnem a infecção pelo HPV e, consequentemente, o câncer”, explica Fernanda.

    No SUS, está disponível a vacina quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18. Já na rede privada, há também a versão nonavalente, com proteção contra mais subtipos (31, 33, 45, 52 e 58).

    A vacina contra HPV é indicada para pessoas entre 9 e 45 anos, sendo mais eficaz se aplicada entre 9 e 14 anos, antes do início da vida sexual.

    Qual a diferença entre a vacina do HPV do SUS e da rede particular?

    A principal diferença está na quantidade de tipos do vírus HPV que cada vacina protege.

    Vacina contra HPV no SUS

    A vacina oferecida é a quadrivalente, que protege contra quatro tipos de HPV (6, 11, 16 e 18). Os tipos 16 e 18 estão ligados à maioria dos casos de câncer de colo do útero, e os tipos 6 e 11 causam verrugas genitais.

    A vacina contra HPV no SUS é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e é aplicada em duas doses, com um intervalo de seis meses entre elas.

    Vacina contra HPV na rede privada

    Na rede privada, a vacina contra HPV é a nonavalente, que protege contra nove tipos do vírus. Além dos quatro cobertos pela vacina do SUS, ela também protege contra os tipos 31, 33, 45, 52 e 58. Isso oferece uma cobertura maior contra o câncer.

    O esquema de aplicação muda conforme a idade:

    • De 9 a 14 anos: duas doses
    • A partir dos 15 anos: três doses

    Tanto a vacina do SUS quanto a da rede privada são seguras e muito eficazes. A escolha depende da faixa etária, da orientação médica e da disponibilidade. O mais importante é se vacinar, pois essa é uma forma comprovada de prevenir o câncer de colo do útero, verrugas genitais e outros problemas causados pelo HPV.

    Vacina contra HPV para meninos

    Apesar da alta incidência de câncer de colo de útero causada pelo HPV, a vacina não é só para meninas. “Meninos devem ser vacinados sim!”, reforça a médica. A vacina contra HPV protege contra câncer de pênis, ânus, orofaringe e também contra verrugas genitais.

    Além da proteção individual, a vacina contra HPV em meninos ajuda a reduzir a circulação do vírus na população geral.

    Quantas doses de vacina contra HPV são necessárias?

    O esquema vacinal varia conforme a idade e a saúde da pessoa. Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos geralmente tomam duas doses. Acima dessa faixa ou em casos especiais, podem ser indicadas três doses.

    Vacina contra HPV não substitui o Papanicolau

    Mesmo quem está vacinado deve fazer o exame preventivo. “A vacina não cobre todos os tipos de HPV, então é importante manter o rastreamento regular”, alerta Fernanda.

    Já tive HPV, e agora?

    Se você já teve lesões por HPV, ainda pode se vacinar. “A vacina ajuda a reduzir o risco de recidivas e a prevenir outros tipos do vírus”, diz a ginecologista.

    Vacina contra HPV é segura?

    A vacina contra HPV é muito segura. Os efeitos colaterais mais comuns são leves, como dor no braço. Ela não causa infecção, não contém vírus vivo e não interfere na fertilidade.

    Fernanda ainda esclarece um mito comum: “Vacinar crianças não estimula a vida sexual precoce. Pelo contrário, é uma proteção antecipada para quando essa fase chegar”.

    Por que a cobertura da vacina contra HPV ainda é baixa?

    Apesar da oferta gratuita da vacina contra HPV no SUS, muitas pessoas não se vacinam. Para a médica, isso acontece por causa de fake news, mitos e desinformação.

    “Precisamos de mais educação em saúde e educação digital, para que as pessoas saibam avaliar o que leem nas redes sociais”, afirma.

    Vacinar é um ato de proteção individual e coletiva, e quanto mais cedo, melhor.

    Perguntas frequentes sobre vacina contra HPV

    1. A vacina contra HPV é segura?

    Sim. Ela é muito segura e tem poucos efeitos colaterais, como dor leve no braço. Não contém vírus vivo e não afeta a fertilidade.

    2. Qual a idade ideal para tomar a vacina contra o HPV?

    O ideal é entre 9 e 14 anos, antes da primeira relação sexual. Mas adultos até 45 anos também podem se vacinar.

    3. Homens também devem se vacinar?

    Com certeza. A vacina protege meninos contra cânceres de pênis, ânus e garganta, além de verrugas genitais.

    4. Quem já teve HPV pode se vacinar?

    Sim. Mesmo após o contato com o vírus, a vacina pode ajudar a evitar outros subtipos e reduzir o risco de recidivas.

    5. Onde posso tomar a vacina contra HPV de graça?

    Ela está disponível gratuitamente no SUS para as idades indicadas. Basta procurar um posto de saúde da sua cidade.

    6. Como fazer prevenção do câncer de colo de útero?

    A melhor forma de prevenção do câncer de colo do útero é visitar o médico com regularidade para fazer exames de rotina, além de tomar a vacina contra o HPV. Esses cuidados ajudam a detectar alterações ainda no início e a evitar infecções pelo vírus que causa a maioria dos casos da doença.