Na Copa do Mundo de 2026, realizada na América do Norte, a Fifa instituiu pausas obrigatórias de três minutos para hidratação em todos os jogos. A medida foi adotada para proteger a saúde dos atletas diante do calor extremo e do estresse térmico registrados nas cidades-sede, mas será que ela é realmente necessária para preservar a saúde dos jogadores?
A decisão, que inclui pausas mesmo em estádios com teto retrátil e controle climático interno, dividiu opiniões entre jogadores, técnicos, torcedores e comentaristas esportivos. Para alguns, a interrupção quebra o ritmo dinâmico do futebol e é usada apenas para a inserção de propagandas e comerciais pelas emissoras detentoras de direitos.
Já os especialistas em saúde apoiam a medida como necessária para evitar problemas como desidratação, queda no rendimento físico e cognitivo, exaustão pelo calor e, nos casos mais graves, insolação, uma condição médica grave que pode colocar a vida dos atletas em risco.
Afinal, o que acontece com o corpo do jogador sob calor extremo?
Quando o jogador se expõe ao calor extremo e ao esforço físico intenso, a temperatura interna do corpo sobe rapidamente, podendo passar dos 39°C. Para tentar resfriar o organismo, o cérebro desvia o fluxo de sangue dos músculos e dos órgãos internos em direção à pele, estimulando a produção de suor.
Com menos sangue e oxigênio chegando aos músculos, o rendimento físico despenca e a exaustão surge muito mais rápido. Ao mesmo tempo, o suor excessivo faz o atleta perder litros de água e eletrólitos essenciais, principalmente sódio e potássio.
Quando a reposição de líquidos não acontece da forma adequada, o organismo pode perder a capacidade de controlar a própria temperatura, aumentando os riscos de desidratação, câimbras, tontura, queda da pressão arterial, confusão mental e redução dos reflexos, fatores que comprometem tanto o desempenho esportivo quanto a segurança do atleta em campo.
Riscos da desidratação no futebol
Durante uma partida intensa de 90 minutos sob calor extremo, um jogador de futebol pode perder entre 2 e 4 litros de água através do suor. Quando a perda não é compensada a tempo, o corpo entra em estado de desidratação, podendo causar problemas como:
1. Queda no rendimento físico e aparecimento de cãibras
À medida que o corpo perde água pelo suor, diminui o volume de sangue em circulação, de modo que o coração precisa trabalhar mais para levar oxigênio e nutrientes até os músculos. O atleta começa a sentir o cansaço mais cedo, perde força e velocidade nas arrancadas e encontra mais dificuldade para manter o mesmo ritmo durante toda a partida.
Além disso, a perda de eletrólitos, principalmente sódio e potássio, favorece o surgimento de cãibras musculares, que podem limitar os movimentos e prejudicar o desempenho em campo.
2. Diminuição da concentração e dos reflexos
Mesmo uma perda moderada de líquidos pode reduzir a concentração, prejudicar a tomada de decisões e aumentar o tempo de reação. Na prática, o jogador pode errar mais passes, demorar para responder às jogadas e apresentar pior coordenação motora.
Com os reflexos comprometidos e o cansaço acumulado, o risco de lesões e de acidentes durante a partida também aumenta.
3. Exaustão pelo calor
Se o esforço físico continua e a reposição de líquidos não acontece, o organismo começa a ter dificuldade para controlar a própria temperatura. A exaustão pelo calor costuma causar sintomas como:
- Tontura e sensação de vertigem;
- Dor de cabeça intensa;
- Náuseas ou vômitos;
- Fraqueza extrema;
- Sensação de desmaio;
- Suor intenso e pele fria ou úmida.
Se não houver uma intervenção rápida, o quadro pode evoluir para uma situação ainda mais grave.
4. Insolação
A insolação, também conhecida como intermação ou choque térmico por esforço, é a complicação mais grave provocada pelo calor excessivo e acontece quando o corpo perde a capacidade de se resfriar sozinho, fazendo com que a temperatura interna aumente rapidamente e possa ultrapassar os 40°C.
Nessa situação, o cérebro e outros órgãos importantes começam a deixar de funcionar corretamente, e o atleta pode apresentar confusão mental, dificuldade para falar, desorientação, convulsões e até perder a consciência.
Sem atendimento médico imediato para reduzir a temperatura do corpo e repor os líquidos perdidos, o calor continua causando danos ao organismo, podendo levar à falência de órgãos e, nos casos mais graves, colocar a vida em risco.
O que os jogadores devem beber durante a pausa?
Como o suor elimina grandes quantidades de sais minerais, os jogadores costumam consumir bebidas isotônicas, que ajudam a recuperar rapidamente o sódio e o potássio perdidos, além de fornecerem carboidratos que repõem a energia dos músculos de forma imediata.
Já a água é uma forma complementar para ajudar na reidratação e no resfriamento do corpo, mas é a combinação com os eletrólitos dos isotônicos que previne as cãibras, evita a queda de pressão e garante que o organismo continue funcionando em alto rendimento até o fim da partida.
Como funciona a regra da pausa para hidratação da FIFA?
Em torneios anteriores, a interrupção para hidratação só era autorizada quando o índice de calor e umidade (WBGT) ultrapassava 32°C. Na Copa do Mundo de 2026, as pausas passaram a ser obrigatórias em todas as partidas, independentemente da temperatura, do horário do jogo ou da existência de teto retrátil e controle climático no estádio.
Cada pausa dura três minutos e acontece duas vezes por jogo: por volta dos 22 minutos do primeiro tempo e dos 67 minutos da partida, aproximadamente na metade de cada etapa.
Durante o período, os jogadores permanecem na beira do gramado para se hidratar com água e isotônicos, enquanto as comissões técnicas podem transmitir orientações rápidas antes da retomada da partida.
A pausa melhora o jogo?
Do ponto de vista físico, a pausa para hidratação ajuda os jogadores a manterem o desempenho durante a partida, mesmo que alguns torcedores sintam que ela interrompe o ritmo do jogo.
Quando o atleta começa a desidratar, o cansaço aumenta rapidamente e o rendimento cai. Ao oferecer três minutos para repor água, eletrólitos e energia, a pausa oferece dois benefícios importantes:
- Mantém a intensidade da partida: jogadores bem hidratados conseguem correr, acelerar e manter a força física por mais tempo, evitando que o jogo fique lento nos minutos finais por causa da exaustão;
- Melhora a qualidade técnica: a hidratação ajuda o cérebro a funcionar melhor, preservando a concentração, os reflexos e a capacidade de tomar decisões rápidas, o que contribui para passes mais precisos, menos erros e um futebol mais dinâmico.
Ao mesmo tempo, a interrupção também acaba funcionando como uma pausa tática. Os treinadores aproveitam para orientar a equipe, corrigir o posicionamento e fazer adjustments na estratégia antes de a bola voltar a rolar.
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Perguntas frequentes
1. A pausa para hidratação na Copa de 2026 acontece em todos os jogos?
Sim, a Fifa determinou que a parada é obrigatória em todas as partidas da competição, independentemente do clima ou do local.
2. O tempo da pausa é descontado do jogo?
Não. O cronômetro continua rodando e o árbitro adiciona os três minutos integralmente ao tempo de acréscimo de cada etapa.
3. Por que apenas o intervalo de 15 minutos não é suficiente?
Porque em condições de esforço extremo o corpo precisa de reidratação a cada 15 ou 20 minutos para evitar que a temperatura interna suba a níveis perigosos.
4. Beber apenas água pura resolve o problema durante o jogo?
Não totalmente. A água reidrata, mas não repõe os sais minerais que o jogador perdeu em grandes quantidades através do suor.
5. Qual é o principal sinal de que um jogador está gravemente desidratado?
A ausência repentina de suor mesmo sob esforço intenso, acompanhada de confusão mental, tontura extrema ou desmaio.
6. O que é a hiponatremia no esporte?
É a diluição excessiva de sódio no sangue, que acontece quando o atleta bebe água pura em excesso sem repor os sais minerais perdidos.
7. Quantos quilos um jogador pode perder em uma partida sob calor extremo?
Um atleta de elite pode perder entre 2 e 4 quilos de peso corporal em um único jogo, correspondendo quase totalmente à perda de água.
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