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  • Gordura subcutânea e gordura visceral: quais as diferenças e porque a visceral é tão perigosa para a saúde

    Gordura subcutânea e gordura visceral: quais as diferenças e porque a visceral é tão perigosa para a saúde

    O excesso de gordura corporal é um fator de risco primário para o desenvolvimento de uma série de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão, mas você sabia que o local em que o corpo armazena a gordura pode ser tão importante quanto a quantidade total presente?

    No nosso organismo, o tecido adiposo se distribui principalmente em dois depósitos diferentes: a gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele, e a gordura visceral, que se esconde nas profundezas da cavidade abdominal, envolvendo órgãos vitais como o fígado, o pâncreas e os intestinos.

    A gordura subcutânea pode incomodar mais do ponto de vista visual, já que é possível percebê-la com facilidade no espelho, mas é a gordura visceral que precisa de atenção. Por apresentar alta atividade metabólica, ela libera substâncias inflamatórias diretamente na corrente sanguínea, o que pode desencadear alterações associadas ao aumento do risco de doenças.

    Afinal, o que é gordura subcutânea e gordura visceral?

    O organismo armazena a gordura em diferentes regiões do corpo, e cada tipo pode ter funções e impactos diferentes para a saúde.

    Gordura subcutânea

    A gordura subcutânea é a gordura que fica logo abaixo da pele, sendo aquela camada mais superficial que pode ser vista no espelho ou sentida ao toque, quando você aperta a região do abdômen, das coxas, dos braços ou do quadril.

    Ela apresenta algumas funções no organismo, como:

    • Reserva de energia para o organismo;
    • Isolamento térmico, ajudando na manutenção da temperatura corporal;
    • Proteção mecânica contra impactos.

    Apesar de ser um incômodo estético, a gordura subcutânea costuma apresentar menor associação direta com riscos metabólicos graves quando comparada à gordura visceral.

    Gordura visceral

    A gordura visceral fica armazenada em regiões profundas da cavidade abdominal, envolvendo órgãos importantes como o fígado, o pâncreas e os intestinos. Diferentemente da gordura subcutânea, ela apresenta uma alta atividade metabólica e hormonal.

    Isso significa que ela não funciona apenas como reserva de energia, mas é responsável por liberar substâncias inflamatórias e hormônios que podem interferir no funcionamento do corpo.

    A liberação contínua dessas substâncias mantém o corpo em um estado de inflamação crônica, favorecendo alterações como aumento da pressão arterial, piora dos níveis de colesterol e aumento da glicose.

    Por que a gordura visceral é mais perigosa para a saúde?

    A gordura visceral costuma ser considerada mais preocupante porque ela não funciona apenas como reserva de energia, diferente da subcutânea. Por ficar localizada ao redor de órgãos importantes e apresentar alta atividade metabólica, ela libera substâncias inflamatórias e hormônios que podem interferir no equilíbrio do organismo.

    A liberação contínua mantém o corpo em um estado de inflamação crônica, o que pode favorecer alterações importantes, como:

    • Aumento da pressão arterial;
    • Elevação da glicose no sangue;
    • Piora dos níveis de colesterol;
    • Maior resistência à insulina;
    • Maior probabilidade de desenvolvimento de diabetes tipo 2.

    Como a gordura visceral fica bem próxima de órgãos importantes, tudo o que ela libera chega muito rápido ao fígado. É como se o organismo recebesse um estímulo constante para produzir mais açúcar no sangue e mais partículas de gordura, conhecidas como VLDL.

    Com o tempo, as partículas podem se acumular nas paredes das artérias, formando placas que dificultam a circulação do sangue, o que aumenta o risco de problemas cardíacos, incluindo infarto e AVC.

    Como saber se tenho gordura visceral acumulada?

    A medida da circunferência abdominal é o principal indicador da quantidade de gordura visceral presente no organismo. Quanto maior a medida da cintura, maior costuma ser o acúmulo de gordura visceral, o que pode aumentar o risco de problemas no coração, alterações no colesterol, pressão alta e outras questões metabólicas.

    Mesmo pessoas com aparência magra ou com peso dentro do considerado normal podem ter excesso de gordura interna na região abdominal.

    Além da medida da cintura abdominal, exames como a bioimpedância ajudam a estimar a composição corporal, enquanto exames de imagem (como ultrassom, tomografia ou ressonância) conseguem identificar com mais precisão a quantidade de gordura visceral. A indicação dos exames deve sempre partir de um profissional de saúde.

    Também vale atenção para fatores de risco associados, que podem aumentar a chance de acúmulo de gordura visceral, como sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, estresse frequente, sono irregular e histórico familiar de doenças metabólicas.

    Em caso de dúvida, a recomendação é procurar um profissional de saúde, que ajuda a identificar riscos precocemente e a orientar os exames necessários.

    O que causa o acúmulo de gordura na barriga?

    O acúmulo de gordura na região abdominal pode acontecer por vários motivos, normalmente sendo uma combinação de fatores como:

    • Excesso de açúcar e farinha branca, como doces, refrigerantes, pães e massas, que aumentam a insulina, que dá ordem ao corpo para estocar gordura na cintura;
    • Consumo de álcool, pois o corpo para de queimar gordura para processar o álcool, e esse excesso de calorias vai direto para a região abdominal;
    • Estresse alto, uma vez que o corpo libera cortisol, um hormônio que favorece o acúmulo de gordura especificamente entre os órgãos (visceral);
    • A falta de exercícios, que faz com que a energia que sobra seja estocada como gordura, em vez de ser usada pelos músculos;
    • Noites mal dormidas, que desregulam os hormônios da fome e aumentam a vontade de comer alimentos calóricos;
    • Mudanças hormonais, como a queda de estrogênio na menopausa (mulheres) e da testosterona (homens);
    • Alimentos ultraprocessados, pois as gorduras ruins e conservantes inflamam o organismo e incham a região abdominal.

    Quando os fatores permanecem presentes por muito tempo, o corpo acaba tendo mais tendência a acumular gordura na região da barriga.

    Quando procurar um médico ou nutricionista?

    É importante procurar um médico ou nutricionista principalmente se a medida da cintura estiver acima dos valores considerados seguros (acima de 94 cm para homens e 80 cm para mulheres) mesmo que o restante do corpo pareça magro.

    Além das medidas, outros sinais de alerta indicam que o acúmulo de gordura pode estar prejudicando a sua saúde interna:

    • Dificuldade para reduzir a gordura abdominal mesmo com boa alimentação e exercícios;
    • Cansaço frequente ou sono de má qualidade;
    • Alterações em exames, como glicose, colesterol ou pressão altos;
    • Manchas escuras em dobras da pele, que podem indicar resistência à insulina.

    O acompanhamento profissional ajuda a avaliar possíveis riscos, orientar exames quando necessário e indicar mudanças seguras na alimentação e no estilo de vida para proteger a saúde.

    Veja também: Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Como medir a circunferência abdominal corretamente?

    Use uma fita métrica e posicione-a na metade do caminho entre a última costela e a crista ilíaca (osso do quadril), geralmente na altura do umbigo. Meça com o corpo relaxado após soltar o ar.

    2. Qual o valor ideal da cintura para homens e mulheres?

    Para evitar riscos à saúde, o ideal é que as mulheres tenham menos de 80 cm e os homens menos de 94 cm. Valores acima de 88 cm (mulheres) e 102 cm (homens) indicam risco muito alto.

    3. Qual o melhor exercício para eliminar a gordura visceral?

    A combinação de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) com musculação. A gordura visceral é metabolicamente ativa e responde bem ao exercício físico regular.

    4. Por que as mulheres ganham mais barriga após a menopausa?

    A queda do estrogênio altera a distribuição de gordura no corpo feminino. A gordura que antes ia para coxas e glúteos passa a se concentrar na região abdominal.

    5. Fazer abdominais queima a gordura da barriga?

    Não. O exercício abdominal fortalece o músculo que está por baixo da gordura, mas não queima a gordura especificamente daquela região. A queima de gordura acontece no corpo como um todo através de déficit calórico.

    6. É possível remover a gordura visceral com lipoaspiração?

    Não. A lipoaspiração remove apenas a gordura subcutânea (aquela que fica logo abaixo da pele). A gordura visceral fica atrás da parede muscular, entre os órgãos, e só pode ser eliminada com dieta, exercícios e mudanças de hábitos.

    7. O jejum intermitente é bom para perder gordura visceral?

    Sim, o jejum intermitente pode ajudar a reduzir os níveis de insulina no sangue por períodos mais longos, o que facilita o acesso do corpo às reservas de gordura visceral para usar como combustível. Contudo, o ideal é que ele seja feito com acompanhamento médico.

    Confira: Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

  • Meça a sua cintura e altura e descubra se você está em risco de problemas cardíacos 

    Meça a sua cintura e altura e descubra se você está em risco de problemas cardíacos 

    Olhar apenas para o peso já não basta para entender o risco cardiovascular. O local onde a gordura se acumula no corpo diz muito sobre o que pode acontecer com o coração nos próximos anos. Quando o excesso se concentra na região abdominal, o perigo cresce. É aí que entra uma métrica simples, barata e rápida de usar em casa: a relação cintura/altura.

    Em vez de considerar apenas quilos, essa métrica mostra quanta gordura central a pessoa carrega em proporção ao seu tamanho. Na prática clínica e em estudos populacionais, essa medida tem se mostrado um marcador mais fiel do risco cardiometabólico do que o IMC em diversos contextos, justamente por refletir melhor a gordura visceral, aquela que se acumula em torno dos órgãos internos.

    O que é a relação cintura/altura e por que ela funciona

    A relação cintura/altura é obtida ao dividir a circunferência da cintura pela altura, ambos medidos nas mesmas unidades (centímetros ou metros). O ponto de corte mais aceito é 0,5. Se a cintura equivale a mais da metade da altura, há aumento relevante no risco de aterosclerose, hipertensão, diabetes tipo 2 e eventos cardíacos. É uma regra simples, intuitiva e aplicável a diferentes idades e biotipos.

    Evidências recentes reforçam sua importância. Um estudo mostrou que a distribuição de gordura, representada pela relação cintura/altura, foi mais eficaz em prever o surgimento de placas coronarianas do que o IMC (índice de massa corporal). Em pessoas com sobrepeso, uma relação acima de 0,5 esteve associada a um risco 2,7 vezes maior de desenvolver calcificação nas artérias.

    Esse achado ajuda a identificar quem, mesmo sem obesidade segundo o IMC, já acumula gordura abdominal suficiente para aumentar o risco cardiovascular. Essa lógica tem apoiado propostas de diagnóstico que consideram a obesidade não apenas pelo peso, mas também pela presença de gordura central e seus efeitos metabólicos.

    Como medir corretamente (e sempre da mesma forma)

    Para garantir precisão, a técnica deve ser padronizada. Fique em pé, com o abdômen relaxado e os pés na largura dos ombros. Encontre o topo do osso do quadril (crista ilíaca) e posicione a fita métrica nessa altura, paralela ao chão. A medida deve ser feita ao final de uma expiração normal, sem apertar a fita. Repita duas vezes e use a média.

    Passo a passo para medir em casa:

    • Meça a cintura em centímetros, com a fita no nível da crista ilíaca (logo acima do umbigo), após soltar o ar normalmente;
    • Meça a altura nas mesmas unidades;
    • Divida: cintura ÷ altura. Se o resultado for igual ou maior que 0,5, acenda o alerta e converse com seu médico.

    Esse hábito funciona como um “termômetro” mensal. Registre as medidas sempre no mesmo horário e local anatômico. Mudanças pequenas na técnica podem alterar o resultado e confundir comparações ao longo do tempo.

    Por que a gordura abdominal pesa mais no risco

    A gordura central é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que afetam o corpo todo. Elas prejudicam a ação da insulina, alteram o metabolismo das gorduras e tornam as artérias mais rígidas. Com o tempo, a pressão arterial sobe e a glicose passa a circular em níveis mais altos. Esse cenário acelera o aparecimento de placas que podem obstruir os vasos do coração.

    Duas pessoas com o mesmo IMC podem ter riscos bem diferentes se uma concentra gordura na cintura e a outra não. É justamente aí que a relação cintura/altura se destaca, pois captura essas diferenças invisíveis na balança. Em quem está com sobrepeso, ela antecipa sinais de risco antes de o corpo atingir a faixa de obesidade.

    Quem deve medir (e com que frequência)

    Todos os adultos se beneficiam de acompanhar a circunferência da cintura, mas o ganho de informação é ainda maior em pessoas com sobrepeso, histórico familiar de doenças cardíacas, pré-diabetes, hipertensão ou colesterol alto. Medir uma vez por mês é suficiente para acompanhar tendências, desde que o método seja sempre o mesmo.

    Para quem treina regularmente, essa métrica também é valiosa. Ela mostra se a perda de peso veio acompanhada de redução de gordura abdominal, dado mais relevante para o coração do que a variação na balança.

    O que fazer se sua relação cintura/altura está acima de 0,5

    O foco deve ser a perda de gordura visceral, de forma sustentável e sem estratégias extremas. Na alimentação, priorize alimentos in natura e minimamente processados, proteínas magras, grãos integrais, frutas, legumes e verduras. Ajuste porções e reduza bebidas açucaradas, ultraprocessados e álcool.

    Nos treinos, o ideal é combinar 150 minutos semanais de atividade aeróbica com duas sessões de exercícios de força. A musculação ajuda a manter a massa magra, melhora a sensibilidade à insulina e acelera a queima de gordura abdominal. Quem está parado pode começar com caminhadas regulares e aumentar gradualmente a intensidade, com orientação profissional.

    Além da alimentação e do movimento, o descanso também conta. Dormir bem e gerenciar o estresse ajuda a equilibrar hormônios que regulam o apetite e o metabolismo. Criar um horário fixo para dormir, reduzir telas à noite e incluir pausas ativas durante o dia fazem diferença real na balança e na saúde cardiovascular.

    Lembrando que a relação cintura/altura não substitui exames laboratoriais ou consultas médicas, mas complementa a avaliação clínica. Se o índice estiver alto, é importante verificar pressão arterial, colesterol, glicemia e hemoglobina glicada. Em alguns casos, o médico pode sugerir exames adicionais para avaliar precocemente o risco de obstrução das artérias.

    Confira: Sedentarismo faz mal ao coração? Veja em quanto tempo o risco aumenta

    Perguntas e respostas

    1. O que é a relação cintura/altura e por que ela importa?

    É o resultado da divisão da medida da cintura pela altura, nas mesmas unidades. Um valor igual ou acima de 0,5 indica risco maior de doenças cardiovasculares e metabólicas. A medida é mais precisa que o IMC para identificar gordura abdominal, especialmente a visceral.

    2. Como medir corretamente a cintura?

    Fique em pé, com o abdômen relaxado e pés afastados. Posicione a fita na altura do osso do quadril (crista ilíaca), paralela ao chão, e meça após expirar normalmente, sem apertar. Depois, divida cintura por altura.

    3. Por que a gordura abdominal é mais perigosa?

    Porque libera substâncias inflamatórias que aumentam a pressão, alteram a glicose e favorecem a formação de placas nas artérias. Mesmo quem tem peso normal pode ter risco alto se acumular gordura na região da cintura.

    4. Quem deve fazer essa medição e com que frequência?

    Todos os adultos, especialmente quem tem sobrepeso, colesterol alto, hipertensão ou histórico familiar de doença cardíaca. Uma medição mensal é suficiente.

    5. O que fazer se o índice estiver acima de 0,5?

    Ajustar alimentação, reduzir ultraprocessados e álcool, praticar exercícios aeróbicos e de força, dormir bem e controlar o estresse. Esses hábitos reduzem a gordura visceral e melhoram o perfil cardiovascular.

    6. A relação cintura/altura substitui o IMC ou exames médicos?

    Não. Ela complementa a avaliação, mas deve ser usada junto com exames como colesterol, glicemia e pressão arterial, sempre com orientação médica.

    Leia como: Gordura visceral: como ela se relaciona ao risco cardíaco?

  • Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Você já deve saber que o grau de obesidade é medido pelo índice de massa corporal (IMC), que compara peso e altura para indicar se a pessoa está dentro da faixa considerada saudável. Mas então, por que é tão importante medir a circunferência abdominal?

    O acúmulo de gordura na região abdominal não envolve apenas questões estéticas, estando diretamente relacionado a maior risco cardiovascular e a alterações metabólicas importantes.

    A circunferência da cintura permite identificar quando há excesso de gordura visceral, localizada entre órgãos como fígado e pâncreas, que é considerada uma das formas mais perigosas de acúmulo de gordura no corpo.

    Por que a gordura visceral é tão perigosa?

    A gordura visceral é aquela que se acumula dentro do abdômen, ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestinos. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, ela é responsável por produzir substâncias inflamatórias e hormônios que alteram diretamente o funcionamento do organismo, mantendo o corpo em um estado de inflamação persistente.

    A liberação contínua das substâncias mantém o organismo em um estado de inflamação crônica, favorecendo aumento da pressão arterial, piora do colesterol e elevação da glicose circulante.

    Como a gordura visceral está localizada entre órgãos vitais, os ácidos graxos liberados chegam rapidamente ao fígado, estimulando maior produção de glicose e de lipoproteínas de muito baixa densidade, que contribuem para a formação de placas nas artérias.

    A cardiologista ainda explica que o conjunto de alterações aumenta a resistência à insulina, favorece o acúmulo de gordura no fígado e cria um ambiente favorável ao desenvolvimento de diabetes tipo 2, aterosclerose, infarto e AVC.

    Importância da circunferência abdominal

    A medida da cintura abdominal é um indicador da quantidade de gordura visceral presente no organismo, segundo Juliana. Quanto maior a circunferência da cintura, maior tende a ser o acúmulo de gordura visceral e, por consequência, maior o risco de doenças cardiovasculares e alterações metabólicas.

    Mesmo pessoas com o peso aparentemente normal podem apresentar acúmulo significativo de gordura interna na região abdominal, o que aumenta a probabilidade de desenvolver hipertensão, diabetes tipo 2, colesterol alto e um estado de inflamação crônica.

    “Existem indivíduos que estão com IMC dentro da faixa da normalidade, porém eles têm uma quantidade de gordura desproporcionalmente distribuída, tendo mais gordura visceral. Então, se a circunferência abdominal estiver acima dos limites, mesmo com peso normal e IMC dentro do adequado, há risco cardiovascular aumentado”, explica Juliana.

    Vale apontar que essas alterações surgem de maneira gradual e muitas vezes sem sintomas, à medida que o organismo permanece exposto a inflamação persistente, circulação comprometida e desequilíbrios metabólicos prolongados.

    Qual é a medida ideal para homens e mulheres?

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os valores de referência são:

    Circunferência abdominal em mulheres

    • Ideal: menor que 80 cm;
    • Risco aumentado: entre 80 cm e 88 cm;
    • Alto risco: maior que 88 cm.

    Circunferência abdominal em homens

    • Ideal: menor que 94 cm;
    • Risco aumentado: entre 94 cm e 102 cm;
    • Alto risco: maior que 102 cm.

    O aumento da gordura visceral é influenciado por fatores que alteram o metabolismo e favorecem o acúmulo na região da cintura, como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, consumo frequente de bebidas alcoólicas e sono de má qualidade.

    A genética e o envelhecimento também interferem na distribuição da gordura corporal, facilitando o acúmulo com o passar dos anos.

    Como medir a circunferência abdominal em casa?

    A medição da circunferência abdominal em casa é simples e pode ser feita com uma fita métrica comum. Veja o passo a passo:

    1. Tire os sapatos e deixe a região da cintura livre de roupas, para que a fita encoste diretamente na pele;
    2. Fique em pé, com postura ereta, pés paralelos e afastados na largura do quadril, braços relaxados ao lado do corpo e abdômen solto, respirando normalmente;
    3. Passe a mão abaixo das costelas até encontrar a última costela fixa (10ª costela). Faça uma marca leve com caneta;
    4. Toque a parte mais alta do osso do quadril (crista ilíaca) e faça outra marca;
    5. Encontre o ponto médio entre as duas marcações; é ali que a circunferência deve ser medida;
    6. Passe a fita métrica ao redor do corpo na altura do ponto médio, certificando-se de que ela esteja paralela ao chão e não aperte a pele;
    7. Inspire e solte totalmente o ar, mantendo o abdômen relaxado, e então faça a leitura olhando a fita na altura dos olhos;
    8. Retire a fita e anote o valor encontrado em centímetros para acompanhar a evolução ao longo do tempo.

    Como reduzir a circunferência abdominal?

    A gordura visceral responde diretamente a fatores metabólicos e hormonais do dia a dia, então a redução da circunferência abdominal depende de mudanças na alimentação, na rotina de exercícios e no controle do estresse. Juliana recomenda as estratégias mais adequados:

    • Educação alimentar com menor ingestão de carboidratos refinados e açúcares;
    • Reduzir o consumo de doces, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados;
    • Aumento do consumo de fibras e proteínas, que prolongam a saciedade e ajudam no controle da glicose;
    • Prática regular de exercícios aeróbicos de intensidade moderada a alta, como caminhada rápida, corrida ou natação, favorecendo a queima de gordura visceral;
    • Inclusão de exercícios de força, como musculação e treinos de resistência, que aumentam a massa muscular e melhoram a sensibilidade à insulina;
    • Gerenciamento do estresse e manutenção de sono adequado, medidas que ajudam a regular o cortisol e evitam o acúmulo de gordura na região abdominal.

    Leia também: Gordura visceral: como ela se relaciona ao risco cardíaco?

    Perguntas frequentes

    A circunferência abdominal substitui o IMC?

    A circunferência abdominal não substitui completamente o IMC, mas é importante para complementar a avaliação. O IMC aponta a relação entre peso e altura, porém não indica onde a gordura está distribuída. Por exemplo, duas pessoas com IMC igual podem ter riscos diferentes, dependendo da presença de gordura visceral.

    Por isso, a circunferência da cintura é útil para identificar quem tem maior exposição ao risco, mesmo com peso aparentemente adequado.

    Por que o estresse aumenta a gordura abdominal?

    O estresse é responsável por elevar os níveis de cortisol, hormônio que favorece o acúmulo de gordura na cintura e aumenta o apetite, especialmente por alimentos calóricos. Quando o cortisol permanece alto por longos períodos, o organismo passa a armazenar mais gordura visceral, alterando a regulação da glicose, do colesterol e da pressão arterial.

    Beber álcool contribui para o aumento da barriga?

    O álcool interfere diretamente no metabolismo das gorduras, sobrecarrega o fígado e estimula o armazenamento de gordura na região abdominal.

    As bebidas alcoólicas também acrescentam calorias adicionais e favorecem o consumo exagerado de alimentos, criando um ambiente ideal para o aumento da circunferência abdominal.

    Reduzir a circunferência abdominal melhora o risco cardiovascular?

    Sim! Mesmo pequenas reduções já podem diminuir a pressão arterial, melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir triglicerídeos e diminuir a inflamação sistêmica.

    Como a gordura visceral é metabolicamente ativa, qualquer queda na sua quantidade reflete rapidamente em benefícios para o coração e para o metabolismo.

    Por que algumas pessoas têm tendência maior a acumular gordura na barriga?

    A predisposição ao acúmulo de gordura abdominal depende de fatores genéticos, hormonais e comportamentais. Algumas pessoas têm metabolismo que direciona mais gordura para a região da cintura, enquanto outras acumulam mais no quadril ou nas coxas. O envelhecimento e alterações hormonais, como a queda do estrogênio nas mulheres, também favorecem o aumento da gordura visceral.

    Quanto tempo leva para reduzir a circunferência abdominal?

    O tempo pode variar conforme alimentação, rotina de exercícios, sono e genética de cada pessoa. Alguns observam mudanças em poucas semanas, enquanto outras precisam de meses para notar redução significativa.

    O mais importante é manter consistência nas escolhas diárias, porque a gordura visceral responde de forma previsível ao conjunto de hábitos saudáveis, trazendo benefícios progressivos para o metabolismo e para o coração.

    Confira: 6 dicas para quem está começando a usar canetas emagrecedoras

  • Gordura visceral: como ela se relaciona ao risco cardíaco?

    Gordura visceral: como ela se relaciona ao risco cardíaco?

    Sabia que o acúmulo de gordura na região abdominal não está ligado apenas a questões estéticas? Na verdade, a obesidade abdominal é um dos principais marcadores de risco para doenças do coração e pode indicar que existe um excesso de gordura visceral — que é a gordura que se acumula entre os órgãos internos, como fígado e pâncreas.

    Ela é responsável por liberar uma série de substâncias inflamatórias no organismo, que promovem um estado de inflamação crônica e aumentam o risco de problemas cardiovasculares. Para entender melhor os riscos e os valores que podem indicar o acúmulo de gordura visceral, conversamos com a cardiologista Juliana Soares. Confira!

    Afinal, o que é gordura visceral?

    A gordura visceral é a gordura que se acumula dentro da cavidade abdominal, ao redor de órgãos internos como fígado, intestino, estômago e pâncreas. Ao contrário da gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele, ela está localizada em uma camada mais profunda e é muito mais perigosa do ponto de vista metabólico.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, a gordura visceral libera uma série de substâncias inflamatórias que promovem um estado de inflamação crônica, aumentando o risco de várias condições de saúde.

    Quanto maior o volume de gordura visceral, maior o risco cardiovascular — mesmo quando o peso total na balança não parece tão elevado. Por isso, medidas como circunferência abdominal são amplamente utilizadas na avaliação de risco cardíaco.

    Qual a diferença entre gordura visceral e gordura subcutânea?

    A gordura subcutânea é a gordura que fica logo abaixo da pele, e funciona como reserva de energia, protege contra impactos e ajuda no isolamento térmico do corpo. Ela costuma aparecer mais em áreas como quadris, coxas, glúteos e barriga — e, no geral, ela é menos perigosa para o metabolismo.

    A gordura visceral, por outro lado, está localizada em uma camada mais profunda e se acumula dentro do abdômen, entre os órgãos internos. Ela é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que alteram o funcionamento do organismo, aumentando o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, de acordo com Juliana.

    Riscos da gordura visceral para a saúde do coração

    A gordura visceral aumenta o risco cardiovascular porque promove um processo de inflamação crônica que altera a função das artérias e da circulação, interferindo no metabolismo, piorando o perfil de colesterol e aumentando a resistência à insulina. Tudo isso, em conjunto, favorece o desenvolvimento de:

    • Hipertensão arterial (pressão alta);
    • Rigidez das artérias;
    • Acúmulo de placas de gordura nas paredes dos vasos;
    • Piora do colesterol e dos triglicérides;
    • Maior risco de diabetes tipo 2;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Infarto agudo do miocárdio;
    • Acidente vascular cerebral (AVC).

    Vale ressaltar que as condições se instalam de forma lenta e silenciosa, conforme o organismo convive com níveis elevados de inflamação, má circulação e alterações metabólicas contínuas.

    Como medir a circunferência abdominal para estimar gordura visceral?

    A circunferência abdominal é a medida que funciona como marcador de risco cardiovascular porque reflete o acúmulo de gordura visceral. Diferentemente do IMC, que indica apenas a relação entre peso e altura, a circunferência abdominal mostra onde a gordura está concentrada — e quando ela está no abdômen, o risco metabólico e cardiovascular é maior.

    Os valores podem variar conforme as diretrizes, mas de forma geral, Juliana Soares aponta:

    • Mulheres: medidas de cintura acima de 80 cm já ligam o sinal de alerta; valores acima de 88 cm estão associados a risco cardiovascular aumentado;
    • Homens: medidas de cintura acima de 94 cm já representam atenção; valores superiores a 102 cm se relacionam a risco cardiovascular significativamente maior.

    É possível ter peso normal e alto risco cardíaco ao mesmo tempo?

    A resposta é sim. De acordo com Juliana, existe uma condição clínica chamada obesidade com peso normal, em que a pessoa pode ter um índice de massa corporal (IMC) dentro da faixa considerada normal e, ainda assim, apresentar excesso de gordura visceral — identificado pela circunferência abdominal aumentada.

    Pessoas nessa condição podem ter o mesmo risco metabólico e cardiovascular de quem apresenta obesidade.

    Como perder gordura visceral para proteger o coração?

    A redução da gordura abdominal é um processo que envolve uma série de mudanças no dia a dia, como:

    • Priorizar alimentos in natura, como hortaliças, frutas, legumes, grãos integrais e proteínas magras;
    • Reduzir o consumo de açúcar, farinhas refinadas, álcool e ultraprocessados, que favorecem picos de glicemia, aumento de inflamação e acúmulo de gordura abdominal;
    • Praticar atividade física regular, combinando exercício aeróbico e treino de força ao longo da semana, para aumentar o gasto energético e estimular o metabolismo;
    • Dormir bem, com horário definido e boa higiene do sono (ambiente adequado, luz reduzida, rotina previsível), para evitar alterações hormonais que favorecem a fome e o armazenamento de gordura;
    • Controlar o estresse de forma contínua, já que o cortisol elevado por longos períodos aumenta o acúmulo de gordura visceral e piora o risco metabólico.

    Atividades como caminhada, corrida leve, bike, dança, elíptico, natação e qualquer atividade aeróbica regular ajudam a reduzir a gordura visceral. Já o treino de força aumenta a massa muscular, melhora o metabolismo e facilita que o corpo queime gordura ao longo do dia.

    O Ministério da Saúde recomenda o mínimo de 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos semanais de atividade vigorosa para adultos. Além disso, ele indica incluir exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.

    Com a perda de peso, o corpo demora a se recuperar?

    O risco cardiovascular diminui relativamente rápido à medida que a gordura visceral começa a ser reduzida, segundo Juliana. Quando o organismo é submetido a mudanças positivas, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e ajustes de estilo de vida, a gordura é mobilizada com mais facilidade.

    Os benefícios metabólicos podem aparecer já nas primeiras semanas. Mesmo que o peso total demore mais para cair, só o fato de melhorar o estilo de vida já traz impacto positivo consistente para a saúde.

    Confira: 7 erros comuns que atrapalham a saúde do coração

    Perguntas frequentes

    1. A gordura visceral aumenta a pressão arterial?

    Sim, pois a gordura visceral libera substâncias inflamatórias que prejudicam a função vascular. As artérias vão perdendo elasticidade e ficam mais rígidas com o tempo, favorecendo o aumento da pressão arterial. O coração precisa fazer mais força para bombear sangue e isso, ao longo dos anos, desgasta o sistema cardiovascular.

    2. O álcool contribui para gordura abdominal?

    Sim! O álcool tem alto valor calórico, altera metabolismo de gordura no fígado e favorece acumulação de gordura visceral. Ele também aumenta o apetite, reduz a saciedade e facilita o consumo de calorias extras sem percepção clara.

    Com o tempo, o hábito de consumo frequente pode acelerar o acúmulo de gordura na região do abdômen e aumentar o risco metabólico.

    3. Cortar glúten reduz a gordura abdominal?

    Não necessariamente, pois o que reduz gordura abdominal é diminuir alimentos de alta carga glicêmica e calorias vazias. Algumas pessoas observam melhora ao retirar glúten apenas porque deixam de consumir alimentos muito refinados, como pizzas, massas e bolos, que são ricos em farinha branca.

    A mudança ocorre por causa da redução de carboidratos ultraprocessados, e não pelo glúten em si. O foco deve estar em reduzir o excesso de carboidratos refinados, com alimentação mais natural e equilibrada.

    4. Quando o inchaço abdominal deve ser investigado como gordura visceral?

    Quando o aumento do abdômen é persistente e não se relaciona apenas à retenção de líquidos pontual ou distensão após refeições. Se o volume permanece ao longo dos dias e semanas, existe probabilidade de estar relacionado a depósito de gordura visceral, e não a inchaço transitório. Nesses casos, é indicada uma avaliação clínica.

    5. Quando a gordura abdominal passa a ser um sinal de alerta?

    A gordura abdominal começa a preocupar quando o volume do abdômen aumenta de forma contínua, quando roupas deixam de servir na cintura ou quando há ganho de centímetros na circunferência abdominal, mesmo sem aumento significativo no peso total.

    Assim, sempre que houver percepção de mudança rápida do formato da barriga, o ideal é buscar avaliação clínica para medir a circunferência abdominal e revisar fatores de risco associados.

    6. Quando é necessário procurar atendimento de urgência?

    Procure um médico quando houver sintomas como falta de ar repentina, dor ou pressão no peito, palpitações intensas, tontura, sensação de desmaio ou mal-estar súbito. Eles podem indicar um evento cardiovascular e exigem atendimento imediato.

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