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  • Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    O açúcar está presente em muitos alimentos do dia a dia, inclusive produtos sem sabor doce, como molhos prontos, pães industrializados, iogurtes aromatizados e cereais matinais. Por isso, é comum consumir mais do que o necessário sem perceber — o que favorece picos de glicemia, maior liberação de insulina e acúmulo de gordura abdominal.

    O coração é um dos principais órgãos afetados pelo consumo exagerado de açúcar, porque alterações na glicemia elevam os triglicerídeos, aumentam a inflamação e dificultam o funcionamento das artérias, favorecendo o surgimento de pressão alta, infarto e outras doenças cardiovasculares.

    Açúcar é carboidrato, mas um carboidrato simples

    Antes de tudo, é importante lembrar que carboidratos são a principal fonte de energia do corpo, responsáveis por sustentar funções básicas, alimentar o cérebro, movimentar músculos e garantir que processos metabólicos ocorram de forma adequada ao longo do dia.

    No entanto, existem diferentes tipos de carboidratos, e cada um exerce impacto distinto sobre a glicemia e o metabolismo.

    O açúcar é um carboidrato simples, pobre em nutrientes e rapidamente absorvido pelo corpo, o que provoca oscilações bruscas de glicose. Por ser metabolizado de forma muito rápida, ele aumenta a demanda de insulina e, quando o consumo é frequente, aumenta o risco de desenvolver resistência insulínica.

    Os carboidratos complexos, por outro lado, estão presentes em alimentos como aveia, quinoa, feijões, batata, mandioca e arroz integral e chegam ao organismo acompanhados de fibras, vitaminas e minerais. Isso faz com que a digestão seja mais lenta, evitando picos de glicose no sangue e mantendo energia estável ao longo do dia. Eles são fundamentais numa rotina de alimentação saudável.

    Como o consumo elevado de açúcar afeta o sistema cardiovascular?

    O consumo elevado de açúcar provoca uma sobrecarga progressiva no sistema cardiovascular por diferentes caminhos metabólicos.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, a oferta elevada de glicose obriga o pâncreas a liberar grandes quantidades de insulina e, com o tempo, as células passam a responder menos ao hormônio, fenômeno conhecido como resistência insulínica. Quando isso ocorre, aumentam os riscos de:

    • Diabetes tipo 2;
    • Aumento do peso;
    • Aumento do triglicerídeos e colesterol LDL, e diminuição do HDL;
    • Problemas neurológicos.

    A cardiologista também aponta que o excesso de glicose no sangue é convertido em gordura e depositado na circulação, o que contribui para formação de placas de gordura (aterosclerose). Além disso, todas as mudanças aumentam a inflamação do corpo, deixando as artérias mais rígidas e fáceis de machucar.

    Os picos de açúcar também danificam o revestimento dos vasos, estimulam moléculas pró-inflamatórias e favorecem a ruptura de placas já existentes, processo ligado a muitos casos de infarto e AVC. A glicose em excesso ainda se liga a proteínas em um processo chamado glicação, aumentando a rigidez dos vasos e piorando a circulação.

    Qual a diferença entre açúcar natural e açúcar adicionado?

    A principal diferença entre o açúcar natural e o adicionado está na origem e no efeito no organismo, mesmo que ambos sejam carboidratos.

    Açúcar natural: é o açúcar que já está presente nos alimentos de forma intrínseca, como na estrutura das frutas, dos vegetais e do leite. Ele vem acompanhado de fibras, vitaminas e minerais, que modulam a absorção da glicose e diminuem o impacto na glicemia. O organismo também metaboliza esse tipo de açúcar de maneira mais lenta, o que ajuda a manter níveis energéticos estáveis.

    Açúcar adicionado: corresponde ao colocado durante o preparo industrial, culinário ou doméstico, presente em refrigerantes, doces, bolos, biscoitos, sucos prontos e inúmeros ultraprocessados. Ele entra no sangue de forma muito rápida, provocando picos de glicose e aumentando a produção de insulina — o que favorece as condições já apontadas.

    Quanto ao tipo de açúcar, Juliana aponta que tanto o refinado quanto o presente em ultraprocessados elevam o risco cardiovascular. Os ultraprocessados costumam ter uma grande quantidade de açúcar “escondido”, além de gordura e sódio em níveis elevados.

    Qual a quantidade recomendada de açúcar por dia?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que o açúcar adicionado não ultrapasse 10% das calorias do dia, o que corresponde a cerca de 50 gramas em uma dieta de 2.000 calorias. Uma meta ainda mais saudável é manter abaixo de 5%, perto de 25 gramas por dia.

    Uma lata de refrigerante de 350ml, por exemplo, fornece cerca de 35g de açúcar, o que já supera a quantidade máxima recomendada.

    Quais alimentos concentram mais açúcar?

    Os ultraprocessados e industrializados são os alimentos que mais frequentemente apresentam altas concentrações de açúcar escondido ou adicionado, como:

    • Refrigerantes e bebidas adoçadas;
    • Sucos prontos e néctares;
    • Iogurtes saborizados;
    • Cereais matinais industrializados;
    • Barras de cereal industrializadas;
    • Granolas adoçadas;
    • Biscoitos recheados e wafers;
    • Molhos prontos, como ketchup e barbecue;
    • Pães de forma e pães industrializados;
    • Sobremesas prontas, como pudins e gelatinas industrializadas;
    • Energéticos;
    • Chás prontos adoçados;
    • Temperos prontos e caldos em cubo.

    Adoçantes são mais seguros?

    Os adoçantes podem ajudar a reduzir calorias, apoiar o controle do peso e facilitar o controle do diabetes. Contudo, algumas pesquisas indicam uma possível relação entre uso frequente de adoçantes e maior risco de problemas cardiovasculares, alterações no intestino e aumento da resistência à insulina.

    Por isso, segundo Juliana, a orientação é reeducar o paladar para diminuir a preferência por sabores muito doces e evitar o uso contínuo de adoçantes sempre que for possível.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes

    Frutas têm muito açúcar? Elas fazem mal?

    As frutas têm frutose, um açúcar natural acompanhado de fibras, água e micronutrientes que reduzem o impacto na glicemia. Por isso, elas fazem parte de uma alimentação saudável e ajudam na saciedade, no trânsito intestinal e na prevenção de doenças.

    O ideal é que elas sejam consumidas inteiras, ao longo do dia, variando cores e tipos, para garantir maior diversidade de nutrientes e melhor controle do açúcar no sangue.

    Açúcar mascavo é mais saudável que açúcar refinado?

    Como o açúcar mascavo passa por menos etapas de refinamento, ele preserva parte dos minerais da cana, como cálcio, potássio e ferro. Apesar disso, a quantidade de nutrientes é pequena para fazer diferença na saúde, e o valor calórico é praticamente igual ao do açúcar branco.

    Do ponto de vista metabólico, ambos causam o aumento da glicemia da mesma forma, então não existe benefício significativo para controle de peso, prevenção de diabetes ou saúde cardiovascular. A recomendação segue sendo reduzir o consumo total de açúcar, independentemente do tipo.

    Refrigerante zero açúcar é uma boa alternativa?

    O refrigerante zero açúcar tem menos calorias e não provoca picos glicêmicos, por isso não causa ganho de peso.

    Contudo, ela não é uma bebida saudável e a fórmula concentra aditivos, edulcorantes e acidulantes que, quando consumidos frequentemente, podem alterar microbiota intestinal, aumentar a preferência por sabores muito doces e favorecer escolhas alimentares piores ao longo do dia.

    Ela funciona como uma alternativa pontual, mas não deve substituir o consumo de água e sucos naturais.

    É possível sentir sintomas físicos ao reduzir açúcar?

    Sim, pois quando uma pessoa para de comer açúcar repentinamente, o organismo pode manifestar sinais físicos enquanto se adapta a uma menor oferta de glicose rápida.

    Os sintomas mais comuns incluem dor de cabeça, irritabilidade, aumento da fome, sensação de cansaço, dificuldade de concentração e vontade intensa de comer doces.

    A tendência é que o corpo se ajuste em poucos dias, ainda mais quando há aumento do consumo de frutas inteiras, proteínas, fibras e carboidratos complexos, que mantêm a glicemia mais estável. Caso os sintomas persistam por muito tempo, vale conversar com um profissional de saúde para avaliar o padrão alimentar.

    Açúcar pode causar retenção de líquido?

    O consumo excessivo de açúcar pode favorecer a retenção de líquido por estimular picos de insulina, hormônio que facilita a entrada de glicose nas células e também influencia a forma como o corpo lida com o sódio.

    Quando há muita insulina no sangue, o corpo passa a reter mais sal, e isso faz com que mais água fique acumulada nos tecidos, causando inchaço.

    Por que os doces dão sensação de prazer imediato?

    Os doces ativam rapidamente o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina e causando a sensação imediata de prazer. Além da dopamina, eles produzem a sensação momentânea de conforto emocional porque modulam serotonina, ligada ao humor e ao relaxamento.

    O efeito é curto e costuma vir seguido de queda de energia, o que leva muitas pessoas a repetir o consumo para recuperar bem-estar, criando um ciclo de desejo intenso por alimentos muito doces.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Hemoglobina glicada: o exame que revela a ‘memória’ da glicose 

    Hemoglobina glicada: o exame que revela a ‘memória’ da glicose 

    No mundo do diabetes, poucos exames são tão importantes quanto a hemoglobina glicada. Simples, rápido e realizado com uma coleta de sangue, ele é essencial para diagnosticar a doença e acompanhar se o tratamento está funcionando.

    Ao contrário da glicemia em jejum, que mostra apenas um retrato momentâneo, a hemoglobina glicada reflete a média da glicose no sangue nos últimos três meses.

    O que é a hemoglobina glicada?

    A hemoglobina é a proteína dos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio. Quando a glicose circula no sangue, parte dela se liga a essa proteína, formando a chamada hemoglobina glicada.

    O exame mede justamente essa ligação: quanto maior a glicose no sangue, maior será o valor encontrado.

    Para que serve o exame de hemoglobina glicada?

    O teste é utilizado para:

    • Diagnosticar diabetes;
    • Avaliar o controle da glicemia em pessoas com diabetes;
    • Monitorar se o tratamento está funcionando, seja com mudanças no estilo de vida ou medicamentos.

    Na prática, funciona como uma avaliação trimestral da glicemia no organismo.

    Como é feito o exame?

    Trata-se de um exame de sangue simples, feito em laboratório. Não é necessário jejum, e o resultado costuma sair em poucos dias.

    Valores de referência da hemoglobina glicada

    Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes e a American Diabetes Association (ADA):

    • Normal: abaixo de 5,7%;
    • Pré-diabetes: entre 5,7% e 6,4%;
    • Diabetes: 6,5% ou mais;
    • Meta de controle: em pessoas com diabetes, geralmente abaixo de 7% (podendo variar conforme orientação médica).

    Confira: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

    Perguntas frequentes sobre hemoglobina glicada

    1. Qual a diferença entre hemoglobina glicada e glicemia em jejum?

    A glicemia em jejum mostra a glicose apenas no momento da coleta. Já a hemoglobina glicada reflete a média dos últimos três meses.

    2. Quem deve fazer o exame?

    Pessoas com fatores de risco (obesidade, histórico familiar, pressão alta) e todos os já diagnosticados com diabetes.

    3. Precisa estar em jejum para fazer?

    Não. Esse é um dos diferenciais: pode ser feito em qualquer horário do dia.

    4. A hemoglobina glicada pode variar mesmo sem diabetes?

    Sim, pequenas variações são possíveis, mas valores acima de 6,5% costumam indicar diabetes.

    5. Qual é o valor ideal para quem já tem diabetes?

    Na maioria dos casos, manter abaixo de 7%. Contudo, a meta pode ser ajustada pelo médico, de acordo com idade e condições de saúde.

    6. O exame pode ser feito pelo SUS?

    Sim. O exame de hemoglobina glicada está disponível na rede pública de saúde.

    Leia também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos