A gastrite é uma inflamação, infecção ou desgaste da mucosa interna que protege o estômago contra o próprio ácido digestivo, o que torna a parede do estômago mais sensível e vulnerável a lesões.
Ela pode aparecer de forma repentina, sendo chamada de gastrite aguda, ou se desenvolver lentamente e permanecer por meses ou anos, caracterizando a gastrite crônica.
A condição pode surgir por diferentes causas, desde a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, considerada uma das mais comuns, até o uso frequente de medicamentos anti-inflamatórios ou hábitos alimentares que irritam o estômago.
Identificar a gastrite logo no início permite tratar a causa corretamente, aliviar os sintomas mais rapidamente e evitar complicações, como feridas no estômago (úlceras) e inflamações mais graves. Pensando nisso, listamos os sintomas mais comuns da condição e quando você deve procurar um médico. Confira!
1. Dor ou queimação abdominal
A dor ou a queimação acontece porque o ácido do estômago entra em contato direto com a parede inflamada, provocando uma sensação de ardor que pode piorar ou melhorar logo após a alimentação, dependendo da pessoa e do tipo de gastrite.
É o sinal mais comum da gastrite e costuma aparecer na parte superior do abdôrem, conhecida como a “boca do estômago”. Em alguns casos, o desconforto aparece quando o estômago está vazio, enquanto em outros pode surgir após refeições mais pesadas, ácidas ou gordurosas.
2. Náuseas e os vômitos
A inflamação da mucosa altera o processo normal da digestão e o funcionamento do estômago, tornando a digestão mais lenta e desconfortável. Como consequência, pode surgir uma sensação frequente de enjoo, especialmente após as refeições ou em períodos prolongados de jejum.
Em crises mais intensas, podem ocorrer episódios de vômito, já que o organismo tenta eliminar o conteúdo que está causando irritação.
3. Sensação de estufamento
Mesmo após uma refeição pequena, pode surgir a sensação de ter comido em excesso. Isso acontece porque a gastrite deixa a digestão mais lenta, fazendo com que os alimentos permaneçam por mais tempo no estômago, o que provoca pressão, desconforto e inchaço abdominal.
4. Arrotos frequentes (eructação)
Com a digestão prejudicada, pode ocorrer uma produção maior de gases ou a ingestão de ar devido ao desconforto abdominal. Isso leva a arrotos frequentes, muitas vezes acompanhados de um gosto ácido ou amargo na boca.
5. Perda de apetite
A associação entre a alimentação e o desconforto faz com que o cérebro reduza naturalmente a vontade de comer. Além disso, a sensação constante de estômago cheio diminui o interesse pelas refeições, podendo causar perda de peso sem intenção.
6. Indigestão
A indigestão, ou dispepsia, é a sensação de que a comida não foi bem digerida. Nessa situação, surge um desconforto persistente durante ou logo após as refeições, que pode incluir peso no estômago, queimação leve, estufamento e sensação de digestão lenta.
Muitas pessoas descrevem a impressão de que o alimento “fica parado” no estômago por mais tempo do que o normal.
7. Azia ou a sensação de queimação no peito
A azia pode surgir quando o conteúdo ácido do estômago irrita a região superior do sistema digestivo. A sensação é de queimação que pode subir do estômago em direção ao peito ou à garganta, especialmente após refeições volumosas ou ao deitar logo depois de comer.
8. Mau gosto na boca ou o gosto ácido frequente
A acidez aumentada e a digestão prejudicada podem causar um gosto amargo ou ácido na boca, principalmente após arrotos ou ao acordar. O sintoma pode vir acompanhado de azia ou leve refluxo.
9. Alterações nas fezes (em casos erosivos)
Quando a gastrite provoca pequenos sangramentos na mucosa do estômago, o sangue digerido pode deixar as fezes muito escuras, pastosas e com odor forte, condição conhecida como melena. É um sintoma mais grave que precisa de atendimento médico.
Quando procurar um médico?
Se você apresentar desconforto abdominal, queimação ou náuseas por mais de uma semana, é importante marcar uma consulta médica. O uso de remédios para diminuir os sintomas pode mascarar uma infecção por H. pylori, por exemplo, que precisa de antibióticos para ser tratada.
Também é necessário ficar atento a alguns sinais de alerta, que podem indicar que a gastrite está se tornando mais grave, como:
- Perda de peso sem explicação;
- Dificuldade para engolir;
- Anemia sem causa conhecida;
- Vômitos frequentes ou persistentes.
Se surgirem sintomas como vômito com sangue, fezes muito escuras (pretas) ou desmaio, procure atendimento médico imediatamente.
Como confirmar se é gastrite?
O diagnóstico da gastrite é feito a partir de uma análise dos sintomas e do histórico de saúde, incluindo hábitos alimentares, uso de medicamentos, consumo de álcool e presença de estresse.
Como a infecção pela bactéria Helicobacter pylori é uma das causas mais comuns da gastrite, podem ser solicitados exames para investigar a presença da bactéria, como:
- Exame de sangue;
- Exame de fezes;
- Teste respiratório (teste do sopro).
Quando é preciso uma confirmação mais precisa, o médico pode indicar uma endoscopia digestiva alta, exame que permite visualizar diretamente o interior do estômago por meio de uma pequena câmera introduzida pela boca.
Durante o procedimento, também pode ser realizada uma biópsia, que consiste na coleta de uma pequena amostra do tecido para análise, ajudando a confirmar a inflamação e identificar a causa do problema.
Em quadros leves, o diagnóstico pode ser feito inicialmente com base nos sintomas e na avaliação clínica. Mas, quando os sintomas persistem, pioram ou surgem sinais de alerta, os exames contribuem para confirmar a gastrite e orientar o tratamento adequado.
Leia também: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?
Perguntas frequentes
1. O que causa a gastrite?
As causas mais comuns são a infecção pela bactéria H. pylori, o uso frequente de anti-inflamatórios (como ibuprofeno), o consumo excessivo de álcool e o estresse severo (gastrite de estresse).
2. O que é a bactéria H. pylori?
É uma bactéria que sobrevive no ambiente ácido do estômago e causa inflamação crônica, sendo a principal responsável por úlceras e gastrites persistentes.
3. Quem tem gastrite pode tomar café?
O ideal é evitar, especialmente com o estômago vazio. A cafeína estimula a produção de ácido gástrico, o que irrita a parede do estômago.
4. Gastrite tem cura?
Sim, especialmente a aguda. A crônica pode ser controlada com dieta e medicação, e se a causa for a H. pylori, a erradicação da bactéria costuma resolver o problema.
5. Qual a diferença entre gastrite e úlcera?
A gastrite é uma inflamação na superfície da mucosa. A úlcera é uma ferida mais profunda, como um “buraco” na parede do estômago ou duodeno.
6. Como saber se é gastrite ou refluxo?
A gastrite costuma causar dor e desconforto na região do estômago, enquanto o refluxo provoca queimação que sobe para o peito ou garganta. Apenas a avaliação médica pode diferenciar com segurança.
7. Ficar muito tempo em jejum piora a gastrite?
Pode piorar. O estômago continua produzindo ácido mesmo sem alimento, o que pode aumentar a irritação da mucosa inflamada.
8. A gastrite é contagiosa?
A gastrite em si não é contagiosa, mas a bactéria H. pylori, uma das causas da doença, pode ser transmitida por contato com saliva ou alimentos contaminados.


