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  • Fisioterapia pélvica na gravidez: quando é indicada e como funciona? 

    Fisioterapia pélvica na gravidez: quando é indicada e como funciona? 

    A fisioterapia pélvica na gravidez é uma especialidade que ajuda a fortalecer e melhorar a coordenação dos músculos do assoalho pélvico, estrutura responsável por sustentar órgãos como o útero, a bexiga e o intestino.

    Durante o período, as mudanças hormonais intensas e o aumento natural do peso do bebê acabam sobrecarregando a região, o que pode favorecer desconfortos como escapes de urina, sensação de peso e dores na bacia.

    A fisioterapia pélvica também atua diretamente na preparação para o parto, trabalhando a consciência corporal e a flexibilidade muscular importantes para o momento do nascimento.

    O melhor é que a prática pode ser iniciada em qualquer fase da gestação e oferece benefícios tanto para as mulheres que desejam o parto normal quanto para aquelas que têm indicação de cesárea.

    Para que serve a fisioterapia pélvica na gravidez?

    A fisioterapia pélvica na gravidez serve principalmente para fortalecer e dar flexibilidade aos músculos do assoalho pélvico, ajudando o corpo da mulher a se adaptar de forma saudável às transformações da gestação e a se preparar para o parto, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Entre alguns dos principais benefícios da prática, é possível destacar:

    1. Prevenção e o tratamento da perda involuntária de urina

    O aumento do peso do útero e as alterações hormonais podem enfraquecer os músculos responsáveis por controlar a uretra. Com a fisioterapia pélvica, a gestante aprende a ativar a musculatura nos momentos de maior pressão, como ao tossir, espirrar ou pegar peso, ajudando a evitar os desconfortáveis escapes de urina que são tão comuns na gravidez.

    2. Alívio das dores nas costas e na bacia

    Conforme a barriga cresce, o corpo passa por várias mudanças de postura e equilíbrio, o que pode causar dores na lombar, na bacia e até na região do cóccix. Os exercícios ajudam a melhorar a postura, estabilizar as articulações e aumentar a mobilidade da pelve, trazendo mais conforto no dia a dia e um alívio natural das dores.

    3. Preparação do corpo para o parto normal

    Para as mulheres que desejam o parto vaginal, a fisioterapia pélvica ajuda a desenvolver a consciência corporal e o relaxamento da musculatura do assoalho pélvico, facilitando a passagem do bebê pelo canal de parto. Ele também ajuda a gestante a entender melhor como fazer força no momento do nascimento.

    4. Redução do risco de lesões musculares profundas

    Ao trabalhar a elasticidade e a coordenação dos músculos mais profundos da região pélvica, a fisioterapia ajuda a proteger o períneo durante o parto, o que diminui risco de lacerações mais graves, segundo Andreia. A prática também favorece uma recuperação pós-parto mais confortável para a gestante.

    5. Prevenção do prolapso dos órgãos pélvicos

    A sobrecarga constante da gravidez sobre o assoalho pélvico pode enfraquecer a musculatura ao longo do tempo, aumentando o risco de prolapsos, situação em que órgãos como a bexiga ou o útero perdem sustentação. O fortalecimento preventivo ajuda a proteger a região e a reduzir as chances da gestante apresentar a complicação no futuro.

    6. Melhora do conforto no contato íntimo

    Durante a gravidez, algumas mulheres podem sentir dor ou desconforto nas relações sexuais por causa da tensão muscular na região íntima. Segundo Andreia, a fisioterapia pélvica ensina técnicas de relaxamento que ajudam a aliviar o sintoma. Já nos casos de sensação de flacidez, o fortalecimento muscular pode contribuir para melhorar a sensibilidade e o conforto local.

    Como é feita a fisioterapia pélvica para gestantes?

    A princípio, para fazer a fisioterapia pélvica na gravidez, é importante uma avaliação detalhada da musculatura e da postura da mulher.

    Durante as sessões, o fisioterapeuta utiliza uma combinação de técnicas e ferramentas que ajudam a desenvolver a força, a coordenação e, principalmente, a propriocepção — que, como explica Andreia, é a capacidade de perceber e ter consciência da localização e do movimento dos músculos pélvicos sem precisar olhar para eles.

    As principais técnicas e etapas incluem:

    1. Exercícios de consciência corporal

    O primeiro passo da fisioterapia pélvica é ajudar a gestante a conhecer melhor o próprio corpo e entender como controlar a musculatura da região pélvica.

    Muitas mulheres, por exemplo, acabam fazendo o movimento contrário ao esperado quando tentam simular a força do parto, contraindo a musculatura em vez de relaxar. Durante as sessões, ela aprende a identificar, ativar e movimentar os músculos corretos de forma mais consciente.

    2. Fortalecimento dos músculos da região pélvica

    O trabalho da fisioterapia é focado nos diferentes grupos musculares que sustentam a região íntima e os órgãos pélvicos, como aponta Andreia:

    • Diafragma pélvico (mais interno): onde se trabalha o músculo elevador do ânus, um músculo grande e único com vários feixes, para garantir que ele seja forte o suficiente para sustentar o peso crescente do útero e do bebê;
    • Diafragma urogenital (mais superficial): localizado na região do períneo, que tem um formato de losango angulado, englobando a uretra, a entrada da vagina e o ânus. Os exercícios aqui treinam os músculos menores responsáveis por garantir a continência urinária e fecal.

    Os exercícios são feitos de forma gradual e personalizada, respeitando as necessidades de cada gestante.

    3. Treino para contrair e também relaxar

    Ao contrário do que você pode imaginar, a fisioterapia pélvica não trabalha apenas o fortalecimento muscular. A gestante também aprende a relaxar a região no momento certo, o que é necessário para o bom funcionamento do corpo.

    O relaxamento também pode facilitar a urina, a evacuação e a passagem do bebê durante o parto vaginal.

    4. Exercícios de mobilidade e alívio das dores

    Com o crescimento da barriga, a postura e o equilíbrio do corpo mudam bastante, aumentando as chances de dores na lombar e na bacia. Por isso, a fisioterapia includes exercícios de mobilidade pélvica e alongamentos que ajudam a melhorar os movimentos das articulações da região, trazendo um alívio natural das dores e mais conforto para a gestante.

    5. Uso de recursos complementares, quando necessário

    Em algumas situações específicas, e sempre com avaliação profissional, o fisioterapeuta pode utilizar recursos complementares, como estímulos elétricos leves feitos com aparelhos delicados. Os estímulos ajudam a paciente a perceber melhor a musculatura que precisa ser trabalhada, facilitando os exercícios e o controle da região pélvica.

    Quando começar as sessões?

    As sessões de fisioterapia pélvica podem ser iniciadas em qualquer momento da gestação, inclusive no início ou antes dela. Contudo, Andreia explica que a procura costuma se intensificar a partir da segunda metade da gravidez, quando o volume abdominal aumenta e os desconfortos físicos ficam mais evidentes.

    Portanto, se você não começou no início, a segunda metade da gestação é o momento ideal para procurar ajuda e garantir o papel analgésico e preparatório da fisioterapia.

    Quando a fisioterapia pélvica não é indicada?

    A fisioterapia pélvica é uma prática segura e recomendada para a maioria das gestantes. Inclusive, grávidas que apresentam comorbidades comuns como diabetes gestacional, hipertensão ou restrição de crescimento fetal (RCF) podem fazer as sessões normalmente, desde que as condições estejam devidamente controladas e acompanhadas pelo médico.

    Contudo, Andreia explica que existem contraindicações obstétricas específicas em que a fisioterapia pélvica não é indicada, frequentemente associadas à necessidade de repouso ou ao risco de infecções e sangramentos. São elas:

    • Incompetência istmocervical: casos avançados com risco de parto prematuro, onde a gestante precisa de repouso e deve evitar qualquer esforço físico;
    • Bolsa rota (amniorrexe prematura): quando a bolsa estoura antes do tempo, pois há um alto risco de infecção no útero, inviabilizando o uso de exercícios e de eletrodos intravagnais;
    • Placenta prévia: quando a placenta está posicionada na parte baixa do útero, cobrindo o colo. Qualquer estímulo ou movimento na região pode provocar sangramentos graves;
    • Descolamento prematuro de placenta: uma condição de emergência com risco de hemorragia que exige repouso absoluto e cuidados médicos imediatos.

    Antes de iniciar qualquer sessão de fisioterapia pélvica, lembre-se que a gestante precisa da liberação do médico obstetra, para garantir que a gravidez não apresenta nenhum dos fatores de risco.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. A fisioterapia pélvica dói?

    Não, pois os exercícios e técnicas são aplicados respeitando o limite de conforto da gestante. É comum sentir o cansaço muscular natural do exercício, mas nunca dor. Caso sinta desconforto, o fisioterapeuta adapta a conduta imediatamente.

    2. Quem vai fazer cesárea também pode fazer fisioterapia pélvica?

    Com certeza. A sobrecarga do peso do bebê, do útero e da placenta sobre o assoalho pélvico é exatamente a mesma, independentemente do tipo de parto. A fisioterapia ajuda a evitar escapes de urina durante a gestação e previne dores e flacidez no pós-parto.

    3. Quantas vezes por semana devo fazer as sessões?

    Normalmente, o recomendado é fazer 1 a 2 vezes por semana no consultório, com duração média de 50 minutos. Além disso, o fisioterapeuta costuma passar uma rotina de exercícios simples de poucos minutos para a gestante realizar em casa diariamente.

    4. Posso fazer os exercícios de fortalecimento sozinha em casa?

    Apenas os exercícios que já foram ensinados e liberados pelo seu fisioterapeuta. Fazer contrações de forma errada ou sem coordenação pode tensionar a musculatura em excesso, gerando o efeito oposto, como dor na relação íntima ou dificuldade para urinar.

    5. A fisioterapia pélvica induz ou antecipa o parto?

    Não. Os exercícios convencionais de fortalecimento e conscientização não têm capacidade de provocar o parto prematuro. Pelo contrário, as técnicas são planejadas para proteger o corpo da mãe ao longo de todas as semanas gestacionais.

    6. Quando devo parar de fazer as sessões na gravidez?

    Se a gestação seguir saudável e sem intercorrências, as sessões podem ser realizadas até a semana do parto. Na reta final, o foco do profissional muda quase totalmente para exercícios de mobilidade, respiração e posições de alívio para o dia do nascimento.

    7. Quem tem a placenta baixa pode fazer fisioterapia pélvica?

    Depende do tipo. Se for uma placenta prévia (que cobre totalmente o colo do útero), a fisioterapia pélvica é estritamente contraindicada pelo risco de hemorragias graves. Se for apenas uma placenta de inserção baixa que não obstrui o colo, o obstetra avaliará se libera ou não os exercícios de forma bem leve.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação