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  • Janela fértil: o que é e como calcular para quem quer engravidar? 

    Janela fértil: o que é e como calcular para quem quer engravidar? 

    Ao longo do ciclo menstrual, ocorre uma série de mudanças hormonais que preparam o corpo para uma possível gravidez. os hormônios atuam de forma coordenada para estimular o amadurecimento do óvulo e preparar o útero para a implantação.

    Durante esse processo, existe um período específico em que a fertilidade aumenta significativamente: a janela fértil.

    A ovulação marca o ponto central do intervalo, momento em que o ovário libera o óvulo, que permanece viável por cerca de 24 horas. Como os espermatozoides podem sobreviver no organismo por até cinco dias, o período em que a gravidez pode ocorrer é ampliado.

    Se você está planejando ter um bebê, ou mesmo deseja conhecer melhor o próprio corpo e evitar uma gravidez não planejada, entender como a janela fértil funciona pode te ajudar a tomar decisões mais conscientes ao longo do ciclo.

    O que é janela fértil?

    A janela fértil é o período do ciclo menstrual em que as chances de engravidar são maiores. Ela acontece ao redor da ovulação, que é o momento em que o ovário libera um óvulo pronto para ser fecundado.

    Mesmo que o óvulo sobreviva por apenas cerca de 24 horas, os espermatozoides podem permanecer vivos no organismo por até cinco dias, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Por isso, a janela fértil não se limita a um único dia, mas a um intervalo que inclui alguns dias antes da ovulação e, em alguns casos, o dia seguinte.

    Na prática, isso significa que relações sexuais que acontecem alguns dias antes da ovulação ainda podem resultar em gravidez, já que os espermatozoides podem permanecer no trato reprodutivo aguardando a liberação do óvulo.

    Como calcular a janela fértil?

    O cálculo da janela fértil gira em torno do dia da ovulação. Como o óvulo sobrevive por cerca de 24 horas e os espermatozoides podem permanecer vivos por até 5 dias, o período fértil não se limita a um único dia, mas inclui alguns dias antes e o próprio dia da ovulação.

    Para calcular, o primeiro passo é entender a duração do ciclo menstrual, que corresponde ao intervalo entre o primeiro dia de uma menstruação e o dia anterior da próxima. A partir dessa duração, é possível estimar o momento da ovulação, que normalmente acontece cerca de 14 dias antes da próxima menstruação. Por exemplo:

    • Ciclo de 28 dias, a ovulação tende a ocorrer por volta do 14º dia;
    • Ciclo de 30 dias, por volta do 16º;
    • Ciclo de 31 dias, por volta do 17º dia.

    A partir disso, a janela fértil é calculada voltando cerca de 5 dias a partir da data da ovulação e incluindo o próprio dia em que ela ocorre. Assim, em um ciclo de 31 dias, por exemplo, a janela fértil costuma ficar entre o 12º e o 17º dia do ciclo. Andreia lembra que a contagem sempre começa no primeiro dia da menstruação, que é considerado o dia 1.

    A ginecologista aponta que, como o ciclo pode variar de um mês para o outro, a orientação mais comum é manter relações sexuais a cada 2 ou 3 dias, o que aumenta as chances de que haja espermatozoides viáveis durante a ovulação, sem gerar ansiedade com cálculos exatos.

    Sinais do corpo durante a janela fértil

    Durante a janela fértil, o corpo costuma apresentar alguns sinais naturais que indicam que a ovulação está próxima ou acontecendo, como:

    • Aumento do muco cervical, que fica mais transparente, elástico e escorregadio, semelhante à clara de ovo;
    • Aumento da libido;
    • Leve dor ou desconforto na parte inferior do abdômen (dor do meio);
    • Aumento discreto da temperatura corporal basal após a ovulação;
    • Resultado positivo nos testes hormonais de LH;
    • Possível sensibilidade nas mamas.

    Quantos dias dura a janela fértil?

    A janela fértil costuma durar entre 5 e 6 dias ao longo do ciclo menstrual, pois os espermatozoides podem sobreviver por até 5 dias dentro do organismo e o óvulo vive cerca de 24 horas após a ovulação

    Por isso, a janela fértil inclui:

    • Os 3 a 5 dias antes da ovulação;
    • O dia da ovulação;
    • E, em alguns casos, até 1 dia depois

    Na prática, mesmo que a ovulação aconteça em um único dia, o período fértil é mais longo por causa da sobrevivência dos espermatozoides.

    Como aumentar as chances de engravidar na janela fértil?

    Para aumentar as chances de engravidar durante a janela fértil, é importante alinhar o momento das relações com o período em que o corpo está mais propício à fecundação, além de adotar alguns cuidados simples no dia a dia, como:

    • Ter relações de 2 a 3 dias antes da ovulação, e não apenas no dia exato;
    • Manter uma frequência regular, preferencialmente em dias alternados (dia sim, dia não);
    • Observar o muco cervical, que fica transparente, elástico e semelhante à clara de ovo;
    • Utilizar testes de ovulação para identificar o aumento do hormônio LH;
    • Evitar lubrificantes comuns que podem prejudicar a mobilidade dos espermatozoides;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes como ácido fólico e zinco;
    • Reduzir o estresse, já que ele pode interferir no equilíbrio hormonal.

    No geral, para quem está tentando engravidar, Andreia recomenda manter relações regulares por alguns meses antes de iniciar uma investigação. A chance de gravidez por ciclo, mesmo em condições ideais, gira em torno de 25%, então é normal que leve algum tempo para acontecer.

    Quem toma anticoncepcional tem uma janela fértil?

    Pessoas que tomam anticoncepcional hormonal corretamente não tem janela fértil, pois os métodos como a pílula, o adesivo, o anel vaginal e a injeção inibem a ovulação. Sem a liberação do óvulo, não existe o período fértil como ocorre em um ciclo natural.

    Além disso, os métodos também deixam o muco cervical mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides, e alteram o revestimento do útero, reduzindo as chances de implantação.

    No entanto, vale apontar que se o anticoncepcional não for usado corretamente, seja por esquecer comprimidos, tomar fora do horário ou interromper o uso, pode acontecer a ovulação. Nesses casos, existe risco de gravidez, mas não se trata de uma “janela fértil” previsível como em ciclos naturais.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Como calcular a janela fértil em um ciclo de 28 dias?

    Em um ciclo regular de 28 dias, a ovulação geralmente ocorre no 14º dia. A janela fértil compreende os 3 dias antes e os 3 dias depois dessa data.

    2. É possível engravidar fora da janela fértil?

    Biologicamente, não. A gravidez só ocorre se houver um óvulo disponível. No entanto, como a ovulação pode atrasar ou adiantar, é difícil ter 100% de certeza de quando a janela termina.

    3. O teste de ovulação de farmácia é confiável?

    Sim, ele é bastante preciso ao detectar o aumento do hormônio LH, que acontece cerca de 24 a 36 horas antes da ovulação.

    4. Quantas vezes devo ter relação na janela fértil para engravidar?

    O recomendado é manter relações em dias alternados (dia sim, dia não). Isso garante um bom estoque de espermatozoides sem diminuir a qualidade do sêmen.

    5. O que acontece com o corpo se o óvulo não for fecundado?

    O óvulo se desintegra, os níveis de hormônios caem e o revestimento do útero é descartado, resultando na menstruação.

    6. A amamentação impede a janela fértil?

    Nem sempre. Embora a amamentação exclusiva possa inibir a ovulação em algumas mulheres, ela não é um método contraceptivo garantido. A janela fértil pode retornar a qualquer momento.

    7. O que é a temperatura basal e como ela indica a janela fértil?

    A temperatura basal é a temperatura do corpo logo ao acordar. Após a ovulação, ela sobe cerca de 0,3°C a 0,5°C devido à progesterona. Ela não avisa quando a janela começa, mas confirma que a ovulação já ocorreu.

    8. É possível ovular duas vezes no mesmo mês?

    Sim, mas isso acontece em um intervalo de 24 horas (o que pode gerar gêmeos bivitelares). O corpo não inicia um novo processo de ovulação dias depois, pois os hormônios da segunda fase do ciclo impedem uma nova liberação de óvulos.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    A fertilização in vitro, também chamada de FIV, é uma das principais técnicas de reprodução assistida e consiste na fecundação do óvulo pelo espermatozoide em laboratório, seguida da transferência do embrião para o útero.

    Ela pode ser indicada em diferentes situações, como infertilidade masculina, alterações hormonais e até idade materna mais avançada.

    Para entender como a técnica funciona, as taxas de sucesso e quanto custa no Brasil, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é fertilização in vitro (FIV)?

    A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida em que a fecundação (ou seja, a união do espermatozoide com o óvulo) acontece em laboratório, de forma controlada.

    Segundo a ginecologista Andreia, o objetivo é formar embriões que depois são transferidos para o útero, o que pode aumentar as chances de gravidez quando existem questões que dificultam a gestação natural.

    A médica explica que a indicação da fertilização in vitro normalmente ocorre depois da investigação das causas da infertilidade, já que alguns problemas podem ser tratados e permitir a gravidez de forma natural.

    Quando o tratamento inicial não resolve a situação, costumam ser testadas técnicas mais simples, como a indução da ovulação ou a inseminação artificial. Se os métodos não funcionarem, a FIV passa a ser considerada uma alternativa mais avançada.

    Como a fertilização in vitro é feita?

    A fertilização in vitro (FIV) acontece em etapas bem organizadas, como um passo a passo. O processo envolve desde a preparação do corpo até a formação do embrião e a confirmação da gravidez. Entenda como funciona:

    1. Estimulação ovariana

    O tratamento de FIV começa com a estimulação dos ovários, segundo Andreia. A paciente utiliza hormônios, normalmente injetáveis e, às vezes, combinados com medicamentos orais, para estimular a produção de vários óvulos no mesmo ciclo — diferente do ciclo natural, em que normalmente apenas um óvulo é liberado.

    A fase costuma durar entre 8 e 14 dias, em que o crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassonografias e exames hormonais. Quando atingem o tamanho ideal, aplica-se uma medicação para finalizar o amadurecimento dos óvulos e programar a coleta.

    2. Coleta dos óvulos

    Cerca de 34 a 36 horas após a medicação final, acontece a coleta dos óvulos, também chamada de punção folicular. O procedimento é feito por via vaginal, com uma agulha guiada por ultrassom.

    A paciente fica sedada para que seja mais confortável, não há cortes na pele e o processo costuma durar entre 15 e 20 minutos. Depois da coleta, os óvulos são encaminhados ao laboratório para avaliação.

    3. Coleta dos espermatozoides

    No mesmo dia, ocorre a coleta do sêmen do parceiro ou o uso de amostra de banco de sêmen, quando necessário. Na maioria das vezes, a coleta é feita por masturbação.

    Em situações específicas, pode ser necessária a retirada direta dos espermatozoides dos testículos ou do epidídimo. No laboratório, o material é preparado para selecionar os espermatozoides com melhor qualidade.

    4. Fertilização em laboratório

    Com óvulos e espermatozoides prontos, acontece a fecundação, que pode ser feita de duas formas, segundo Andreia:

    • FIV convencional: óvulos e espermatozoides ficam juntos em uma placa, permitindo a fecundação espontânea;
    • ICSI: um espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo, técnica usada principalmente quando há fator masculino importante ou uso de óvulos congelados.

    Depois disso, os especialistas acompanham quais óvulos foram fecundados e começaram a se desenvolver como embriões.

    5. Desenvolvimento dos embriões

    Os embriões ficam em incubadoras especiais, com temperatura e condições controladas. O desenvolvimento é monitorado todos os dias.

    Geralmente, os embriões são acompanhados até o estágio de blastocisto, entre o 5º e o 7º dia após a fecundação. Em alguns casos, podem ser feitos testes genéticos antes da transferência. Os embriões mais adequados são então escolhidos.

    6. Transferência embrionária e teste de gravidez

    Na transferência embrionária, um ou mais embriões são colocados no útero com um cateter fino. O procedimento é rápido, normalmente não precisa de anestesia e segue critérios médicos relacionados à idade, qualidade embrionária e histórico do casal.

    Se existirem embriões viáveis excedentes, eles podem ser congelados para uso futuro. Depois da transferência, Andreia explica que o recomendado é esperar cerca de 10 a 14 dias para fazer o exame de sangue beta-hCG, que confirma se houve implantação e início da gravidez.

    Os cuidados antes, durante e depois da FIV

    Antes do início do tratamento, costuma ser feita uma avaliação médica completa, com exames hormonais, investigação de infecções, análise da saúde reprodutiva e revisão do histórico clínico. Eles são importantes para entender se existem fatores que possam interferir na fertilidade ou no sucesso do procedimento.

    Segundo Andreia, são realizados os seguintes exames antes da FIV:

    • Exames hormonais para avaliar a função reprodutiva;
    • Investigação de infecções que possam interferir na fertilidade ou na gestação;
    • Ultrassom transvaginal para análise do útero e dos ovários;
    • Histerossalpingografia para avaliação das tubas uterinas;
    • Espermograma para análise da qualidade do sêmen no parceiro;
    • Avaliação clínica geral, incluindo histórico de saúde e doenças pré-existentes.

    Também é importante manter o peso adequado, suspender o tabagismo e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. Normalmente, pode ser necessária a suplementação de ácido fólico.

    Após a transferência embrionária, a continuidade do acompanhamento médico continua sendo necessário para favorecer a implantação do embrião e o início adequado da gestação. O profissional pode recomendar evitar esforço físico nos primeiros dias, ficar em repouso e realizar o exame de beta-hCG no período indicado para confirmação da gravidez.

    Já após a transferência do embrião para o útero, a recomendação habitual envolve repouso relativo nas primeiras horas ou dias, sem necessidade de imobilização prolongada. A rotina leve costuma ser liberada conforme orientação médica.

    Se o teste de gravidez apresentar resultado positivo e a evolução inicial ocorrer de forma satisfatória, a gestação passa a ser acompanhada no pré-natal habitual.

    Qual é a taxa de sucesso da fertilização in vitro?

    A taxa de sucesso da fertilização in vitro (FIV) pode variar bastante, de acordo com a idade da mulher, a causa da infertilidade, a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, além do histórico clínico de cada pessoa.

    De acordo com Andreia, em mulheres com menos de 35 anos, as taxas de sucesso costumam variar entre 40% e 50% por ciclo, com redução progressiva após os 40 anos.

    Também é importante considerar que as chances podem aumentar após mais de uma tentativa. Em alguns casos, a taxa acumulada de sucesso após três ciclos pode ultrapassar 60%, especialmente em pacientes mais jovens.

    Todo o processo costuma durar entre um mês e um mês e meio por tentativa, e, em alguns casos, são necessários vários ciclos até que a gestação seja alcançada.

    Diferenças entre a fertilização in vitro e a inseminação artificial

    A fertilização in vitro (FIV) e a inseminação artificial são técnicas de reprodução assistida usadas quando há dificuldade para engravidar, mas elas funcionam de formas diferentes e têm indicações específicas. A principal diferença está no local onde ocorre a fecundação e na complexidade do procedimento.

    • Na inseminação artificial: o sêmen é preparado em laboratório e introduzido diretamente no útero para facilitar o encontro com o óvulo. Aqui, a fecundação ocorre naturalmente dentro do corpo da mulher, tornando o processo mais simples e menos invasivo;
    • Já na FIV: os óvulos são coletados e fertilizados em ambiente laboratorial, e somente após a formação do embrião é que ocorre a transferência para o útero. Por ser mais complexa, a FIV é geralmente indicada quando outros métodos falham ou em casos de infertilidade mais severos.

    A escolha entre os métodos depende da causa da infertilidade, da idade da paciente e da avaliação médica individual.

    Quando a fertilização in vitro pode ser indicada?

    A fertilização in vitro costuma ser indicada quando há fatores ligados à fertilidade feminina, masculina ou ao casal que tornam a gravidez natural mais difícil, além de outras situações específicas que podem interferir na concepção.

    Entre os fatores femininos que podem indicar a FIV, é possível destacar:

    • Alterações nas tubas uterinas, como obstrução, ausência ou sequelas de infecções pélvicas e hidrossalpinge;
    • Endometriose severa;
    • Baixa reserva ovariana ou idade materna mais avançada;
    • Distúrbios ovulatórios de difícil controle;
    • Falência ovariana prematura;
    • Histórico de abortos de repetição;
    • Necessidade de testes genéticos nos embriões.

    Já entre os fatores masculinos, estão:

    • Baixa concentração de espermatozoides;
    • Alterações importantes na motilidade ou na morfologia dos espermatozoides;
    • Azoospermia, com necessidade de retirada dos espermatozoides diretamente dos testículos;
    • Situações após vasectomia, quando existe desejo de paternidade;
    • Necessidade de técnicas complementares, como a ICSI, para melhorar a fecundação.

    A fertilização in vitro também pode ser recomendada para:

    • Casais formados por mulheres, com possibilidade de gestação compartilhada e uso de sêmen de doador;
    • Casais masculinos, com uso de óvulos doados e útero de substituição, conforme as normas médicas vigentes.

    Em todos os casos, a indicação deve ser feita após avaliação especializada, considerando a história clínica, os exames e os objetivos reprodutivos de cada pessoa ou casal.

    Existem riscos (ou efeitos colaterais) da FIV?

    A estimulação hormonal utilizada na fertilização in vitro pode causar algumas reações relacionadas ao aumento dos níveis hormonais e aos próprios procedimentos envolvidos, como aponta Andreia:

    • Distensão abdominal;
    • Cólicas;
    • Retenção de líquidos;
    • Sensibilidade mamária;
    • Alterações de humor;
    • Síndrome da hiperestimulação ovariana, condição rara, mas potencialmente grave, que exige acompanhamento médico próximo;
    • Pequenos sangramentos ou desconfortos após a punção ovariana, procedimento considerado seguro, mas que pode apresentar riscos pontuais.

    Quanto custa a fertilização in vitro no Brasil?

    Um ciclo completo de fertilização in vitro (FIV) no Brasil costuma ter custo médio entre R$ 20 mil e R$ 45 mil.

    O valor pode variar conforme o preço dos medicamentos, que geralmente representam parte significativa do tratamento, além do uso de técnicas adicionais, como ICSI, testes embrionários ou outros procedimentos laboratoriais, e também da clínica escolhida.

    Em situações mais complexas, que exigem recursos extras ou múltiplas etapas, o custo total pode ultrapassar R$ 80 mil.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Existe uma idade limite para fazer a FIV?

    No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda a idade máxima de 50 anos para a mulher. Acima disso, o tratamento só é permitido com autorização médica específica e avaliação de riscos de saúde.

    2. Bebês de FIV são saudáveis como os de gestação natural?

    Sim, não há evidências científicas de que a técnica aumente o risco de malformações. Eles se desenvolvem exatamente da mesma forma.

    3. O tratamento de FIV dói?

    A etapa mais sensível é a punção folicular (coleta de óvulos), mas ela é realizada sob sedação leve, então a paciente dorme e não sente dor. As injeções hormonais diárias são subcutâneas, com agulhas bem finas, semelhantes às de insulina.

    4. Posso escolher o sexo do bebê na FIV?

    No Brasil, a seleção de sexo por motivos sociais é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Ela só é permitida em casos raros para evitar a transmissão de doenças genéticas ligadas ao sexo (como a hemofilia).

    5. Posso trabalhar normalmente durante o processo?

    Na maioria dos dias, sim. O afastamento costuma ser necessário apenas no dia da punção folicular e, às vezes, um pequeno repouso no dia da transferência embrionária.

    6. Posso usar óvulos de uma doadora (Ovodoação)?

    Sim. No Brasil, a doação deve ser anônima (exceto em casos de parentesco de até 4º grau) e não pode ter caráter comercial. É a principal alternativa para mulheres com menopausa precoce ou baixa reserva ovariana.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    O consumo de álcool, mesmo em situações sociais, pode atrapalhar os planos de quem está planejando ter filhos. Isso acontece porque o álcool interfere no equilíbrio hormonal, pode afetar a ovulação e dificultar a regularidade do ciclo menstrual — que são fatores importantes para a fertilidade feminina.

    E as bebidas alcóolicas não afetam apenas as mulheres, sabia? O consumo também pode impactar a fertilidade dos homens, interferindo na produção e na qualidade dos espermatozoides.

    Mas será que existe uma quantidade segura de álcool quando a ideia é engravidar? Para tirar essa dúvida, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Como o álcool afeta a fertilidade?

    O consumo de álcool pode interferir na fertilidade tanto de mulheres quanto de homens, especialmente quando acontece de forma frequente ou em grandes quantidades.

    Na fertilidade feminina

    Nas mulheres, o álcool pode afetar diretamente o equilíbrio hormonal, necessário para a ovulação e para a regularidade do ciclo menstrual. O consumo frequente pode aumentar o número de ciclos sem ovulação, reduzindo as chances de gravidez.

    Além disso, o álcool pode prejudicar a qualidade do endométrio, tecido responsável por receber o embrião. Quando esse tecido não está saudável, a implantação se torna mais difícil, mesmo quando a ovulação ocorre normalmente.

    Na fertilidade masculina

    Nos homens, o álcool interfere na produção de testosterona e pode reduzir a quantidade e a qualidade dos espermatozoides. Isso inclui diminuição da concentração, da motilidade e alterações na forma dos espermatozoides, fatores importantes para a fecundação.

    O consumo excessivo também pode afetar a função sexual, levando a dificuldades de ereção e redução da libido, o que pode dificultar ainda mais a concepção.

    Período pré-concepcional e gestação

    Durante a metabolização no fígado, o álcool libera toxinas e radicais livres, substâncias que, segundo Andreia, causam danos às células e comprometem o funcionamento normal do organismo.

    Elas interferem no desenvolvimento adequado dos tecidos, prejudicam processos celulares importantes e aceleram o envelhecimento celular, o que pode impactar diretamente a saúde reprodutiva e outras funções do corpo.

    No período pré-concepcional, o consumo de álcool pode desregular hormônios, aumentar a chance de ciclos sem ovulação e comprometer a qualidade do endométrio, que é o tecido responsável por receber o embrião. Isso reduz as chances de a gravidez acontecer de forma natural.

    Já durante a gestação, os riscos são ainda maiores, uma vez que tudo que a gestante consome também chega ao bebê. Mesmo pequenas doses de álcool podem afetar o desenvolvimento fetal, especialmente do sistema nervoso central.

    Por isso, a orientação durante a gravidez é evitar completamente o consumo de álcool, priorizando a saúde da mãe e do bebê desde o início.

    Quais os riscos do consumo de álcool na gravidez?

    Durante a gravidez, o álcool é capaz de atravessar a placenta, fazendo com que o feto seja exposto às mesmas substâncias ingeridas pela mãe, inclusive toxinas que podem prejudicar o desenvolvimento.

    Um dos principais riscos é a síndrome alcoólica fetal, condição associada ao consumo frequente e elevado de álcool. Ela pode causar problemas como:

    • Alterações no desenvolvimento do sistema nervoso central;
    • Atraso no crescimento físico do bebê;
    • Dificuldades de aprendizagem ao longo da infância;
    • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor;
    • Alterações comportamentais e cognitivas.

    Além disso, o consumo de álcool durante a gestação também está associado a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e outras complicações que podem afetar a saúde do bebê a curto e longo prazo.

    Existe quantidade segura de álcool?

    Não existe uma quantidade segura de álcool, especialmente durante a gravidez. As evidências científicas mostram que qualquer quantidade pode oferecer riscos, já que o álcool atravessa a placenta e chega diretamente ao bebê, podendo afetar o desenvolvimento, principalmente do sistema nervoso.

    De acordo com Andreia, no período de planejamento da gravidez, o efeito do álcool é considerado dose-dependente, ou seja, quanto maior a quantidade e a frequência do consumo, maior o risco para a fertilidade.

    Mesmo assim, não há um limite totalmente seguro estabelecido, de modo que a recomendação mais prudente para quem deseja engravidar é reduzir ao máximo ou suspender o consumo de álcool.

    E depois da gravidez?

    Durante a amamentação, o álcool ingerido pela mãe passa para o leite materno e pode ser consumido pelo bebê, já que o organismo do recém-nascido ainda não consegue metabolizar a substância de forma adequada.

    O consumo frequente ou em grandes quantidades pode interferir no sono, no comportamento e no desenvolvimento do bebê, além de reduzir a produção de leite em algumas mulheres, de acordo com estudos. Por isso, a orientação geral é evitar o consumo de álcool durante a amamentação.

    Quando suspender o álcool ao planejar uma gestação?

    Se você planeja engravidar, a recomendação é suspender o consumo de álcool pelo menos três meses antes de engravidar, segundo Andreia.

    O período é importante porque permite que o organismo se recupere dos efeitos do álcool, ajudando a regular os hormônios, melhorar a qualidade dos óvulos e favorecer um ambiente uterino mais saudável para a implantação do embrião.

    Na maioria dos casos, os impactos do álcool sobre a fertilidade tendem a ser reversíveis após a interrupção do consumo, principalmente quando não há uso frequente ou em grandes quantidades. Ainda assim, a ginecologista aponta que podem existir sequelas irreversíveis em uma parcela pequena das pacientes.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    Como o álcool interfere no ciclo menstrual?

    O álcool pode elevar os níveis de estrogênio e testosterona, o que desregula os picos de LH e FSH, importantes para a ovulação, podendo causar ciclos anovulatórios (sem óvulo).

    Parei de beber hoje, quanto tempo leva para o corpo “limpar”?

    Para os homens, o ciclo de produção de novos espermatozoides leva cerca de 72 a 90 dias. Para as mulheres, o impacto hormonal pode começar a ser revertido no ciclo seguinte à abstinência.

    Qual o efeito do álcool no leite materno?

    O álcool passa livremente do sangue para o leite materno, mantendo concentrações semelhantes em ambos. Ele pode alterar o odor e o sabor do leite, levando à rejeição pelo bebê, além de reduzir a produção de leite ao inibir o reflexo de ejeção (ocitocina).

    No pequeno, pode causar sonolência excessiva, irritabilidade e até atrasos no desenvolvimento motor.

    Quanto tempo o álcool leva para sair do leite materno?

    O tempo de eliminação depende do peso da mãe e da quantidade ingerida. Em média, o organismo leva de 2 a 3 horas para eliminar uma dose padrão (uma taça de vinho ou uma lata de cerveja).

    O nível de álcool no leite cai conforme o nível no sangue diminui; portanto, “bombear e descartar” o leite não acelera a saída do álcool do organismo.

    Beber durante a amamentação pode afetar o ganho de peso do bebê?

    Sim, o consumo regular de álcool pela lactante pode reduzir a ingestão de leite pelo bebê em até 20% em cada mamada, o que pode comprometer o ganho de peso e o crescimento saudável.

    O álcool ajuda o bebê a dormir melhor?

    Não. Embora o álcool tenha efeito sedativo inicial, ele fragmenta o sono do bebê. O lactente acorda mais vezes, tem um sono de menor qualidade e pode apresentar sonolência excessiva de forma perigosa (letargia).

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • 7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    Desde a saúde hormonal até o estilo de vida do casal, a gravidez é um processo que depende de uma série de fatores para acontecer de forma natural e segura — incluindo idade, equilíbrio hormonal, qualidade dos óvulos e espermatozoides e hábitos do dia a dia, como alimentação, sono e consumo de álcool.

    Quando algo não vai bem em algum desses pontos, as chances de engravidar podem diminuir, o que torna importante entender quais fatores podem atrapalhar a fertilidade. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas. Confira!

    O que pode prejudicar a fertilidade da mulher?

    1. Idade

    Com o passar dos anos, ocorre uma redução natural da quantidade e da qualidade dos óvulos, o que diminui progressivamente as chances de engravidar e aumenta o risco de complicações durante a gestação, como abortamentos e dificuldades no desenvolvimento fetal, segundo Andreia.

    2. Infecções sexualmente transmissíveis

    As infecções sexualmente transmissíveis podem causar inflamações e lesões nas tubas uterinas ou no útero, dificultando o encontro do óvulo com o espermatozoide e reduzindo as chances de gravidez.

    3. Hábitos de vida prejudiciais

    O consumo frequente de bebidas alcoólicas, o tabagismo, a privação de sono, o estresse intenso e outros hábitos prejudiciais aumentam a produção de radicais livres no organismo. Isso favorece inflamações e o desgaste das células.

    Com o tempo, esse processo pode comprometer a qualidade dos óvulos, alterar o equilíbrio hormonal e reduzir as chances de engravidar, afetando diretamente a fertilidade feminina.

    4. Doenças crônicas

    A presença de condições como pressão alta e diabetes nem sempre dificultam o engravidar, mas podem interferir no andamento da gestação.

    Elas aumentam o risco de abortos, perdas fetais e outras complicações durante a gravidez, o que acaba impactando a fertilidade de forma mais ampla e a chance de levar a gestação até o final de maneira saudável.

    5. Doenças autoimunes

    As doenças autoimunes são condições em que o sistema imunológico, responsável por defender o corpo contra vírus, bactérias e outros agentes externos, passa a atacar por engano células e tecidos saudáveis do próprio organismo.

    Elas podem interferir na fertilidade feminina, principalmente por aumentar o risco de abortamento. Em alguns casos, também podem reduzir o potencial de engravidar.

    6. Peso corporal em excesso

    O excesso de peso pode interferir diretamente na fertilidade feminina, especialmente quando está associado à síndrome dos ovários policísticos.

    O aumento da gordura corporal favorece alterações hormonais, como maior resistência à insulina e elevação de hormônios androgênicos, o que pode desregular o ciclo menstrual e dificultar ou até impedir a ovulação.

    Com isso, as chances de engravidar diminuem e aumentam os riscos de ciclos menstruais irregulares e dificuldade para engravidar, o que faz do controle do peso um ponto importante para quem deseja planejar uma gestação.

    7. Baixo peso extremo

    O baixo peso extremo também pode prejudicar a fertilidade feminina, pois a falta de gordura corporal compromete a produção adequada de hormônios essenciais para o ciclo menstrual e a ovulação.

    Quando o organismo não dispõe de energia suficiente, ele pode “desligar” funções consideradas não prioritárias, como a reprodução, levando à ausência ou irregularidade da menstruação.

    Anticoncepcionais prejudicam a fertilidade?

    De acordo com Andreia, o uso de anticoncepcionais não prejudica a fertilidade. Após parar o método, a mulher volta ao nível de fertilidade esperado para a idade e para o momento hormonal em que se encontra.

    A principal exceção pode ocorrer com o anticoncepcional injetável trimestral, que, por ser um método de depósito, pode levar mais tempo para ser totalmente metabolizado pelo organismo.

    Nesses casos, o retorno da ovulação e da fertilidade pode demorar alguns meses, mas de forma temporária, sem impacto permanente na capacidade de engravidar.

    Quando é importante investigar a fertilidade?

    A investigação da fertilidade é indicada quando a gravidez não acontece após um período de tentativas regulares. Para mulheres com menos de 35 anos, Andreia recomenda procurar avaliação após um ano tentando engravidar sem sucesso. Já para mulheres com 35 anos ou mais, esse período diminui para seis meses.

    A investigação também pode ser indicada antes do prazo em casos de ciclos menstruais irregulares, histórico de doenças ginecológicas, infecções, abortos repetidos ou quando o casal apresenta fatores de risco conhecidos.

    Como é feita a investigação da fertilidade?

    A investigação da fertilidade é feita de forma gradual e sempre considerando o casal. Cerca de 40% dos casos envolvem fatores femininos e masculinos ao mesmo tempo, segundo Andreia, por isso a avaliação de ambos é importante.

    No homem, a investigação costuma ser mais simples e começa, na maioria das vezes, com o espermograma, exame que analisa a quantidade, a mobilidade e a qualidade dos espermatozoides.

    Na mulher, a avaliação acontece passo a passo, observando o canal cervical, a cavidade uterina, as tubas e a ovulação. Entre os exames mais utilizados, estão:

    • Dosagem do hormônio anti-mülleriano, para avaliar a reserva folicular;
    • Ultrassonografia, para acompanhar a ovulação e o funcionamento dos ovários;
    • Histerossalpingografia, para analisar a forma da cavidade uterina e a permeabilidade das tubas.

    Como parte da avaliação envolve procedimentos mais invasivos, o processo não começa de imediato. Primeiro, é orientado um período de tentativas de gravidez e, apenas quando a infertilidade é confirmada, a investigação completa é iniciada.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O ciclo menstrual irregular pode dificultar engravidar?

    Sim, os ciclos irregulares costumam indicar alterações hormonais ou falhas na ovulação, o que reduz as chances de concepção natural.

    2. Infecções ginecológicas podem afetar a fertilidade?

    Sim, algumas infecções, especialmente infecções sexualmente transmissíveis, podem causar inflamações e cicatrizes nas tubas uterinas ou no útero, dificultando a gravidez.

    3. É possível melhorar a fertilidade com mudanças no estilo de vida?

    Sim, a alimentação equilibrada, o sono adequado, o controle do peso, a redução do álcool e do estresse contribuem para melhorar a saúde reprodutiva e aumentar as chances de gravidez.

    4. É possível engravidar mesmo com ovulação irregular?

    Sim, é possível, mas as chances costumam ser menores. Com acompanhamento médico e ajuste do tratamento, muitas mulheres conseguem regular a ovulação e engravidar.

    5. Quanto tempo leva para engravidar após parar o anticoncepcional?

    Na maioria dos casos, a ovulação retorna nos primeiros meses após a suspensão, permitindo tentativa de gravidez logo em seguida.

    6. Quando procurar ajuda especializada?

    É indicado procurar um especialista quando a gravidez não ocorre dentro do período esperado de tentativas ou quando há histórico de ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou abortos repetidos.

    7. O uso de medicamentos contínuos pode afetar a fertilidade?

    Alguns medicamentos podem interferir no ciclo menstrual ou na ovulação, por isso é importante informar o médico sobre o uso contínuo de qualquer medicação.

    8. É possível engravidar após os 40 anos?

    Sim, é possível, mas as chances são menores e os riscos aumentam, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quando é indicado

    Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quando é indicado

    No Brasil e no mundo, cada vez mais mulheres estão escolhendo esperar mais alguns anos para viver a maternidade.

    Para se ter uma ideia, dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados Estatísticos (Seade) mostram que a quantidade de gestações em mulheres com mais de 40 anos aumentou 64% entre 2010 e 2022.

    Como parte do planejamento familiar, que ajuda a mulher a decidir com mais calma quando deseja engravidar, é comum considerar alternativas para preservar a fertilidade ao longo do tempo, e uma delas é o congelamento de óvulos.

    Ela permite guardar óvulos em uma fase de maior qualidade, aumentando as chances de uma gestação futura. Para entender como o procedimento funciona, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Afinal, o que é o congelamento de óvulos?

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação de oócitos, é um procedimento médico que permite preservar a fertilidade feminina para o futuro. A técnica consiste em coletar e congelar óvulos em uma fase em que ainda apresentam boa qualidade, para que possam ser utilizados no futuro.

    A opção é usada tanto por mulheres que desejam adiar a maternidade por motivos pessoais ou profissionais quanto por aquelas que precisam passar por tratamentos médicos que podem afetar a fertilidade.

    Segundo Andreia, a decisão pode partir da própria mulher ou surgir após orientação médica, a depender do contexto clínico e dos objetivos reprodutivos.

    Com o passar do tempo, a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem de forma natural. A mulher já nasce com um número limitado de óvulos e, ao longo dos anos, a reserva vai sendo reduzida, especialmente após os 35 anos, o que pode dificultar uma gravidez futura.

    Com o congelamento, é possível preservar óvulos em uma fase mais favorável da vida reprodutiva, reduzindo os impactos do envelhecimento natural sobre a fertilidade

    Como funciona o congelamento de óvulos?

    O processo do congelamento de óvulos é dividido em etapas bem definidas, como:

    1. Estimulação ovariana

    Durante cerca de 10 a 14 dias, a mulher utiliza medicamentos hormonais, normalmente injetáveis, para estimular os ovários a produzirem mais óvulos no mesmo ciclo. Nesse período, são realizados exames de sangue e ultrassons para acompanhar o crescimento dos folículos e ajustar as doses dos hormônios.

    Segundo Andreia, é um tratamento de alto custo e que exige acompanhamento rigoroso por equipe especializada.

    2. Acompanhamento médico

    Ao longo da estimulação, o médico avalia a resposta do organismo, garantindo que os óvulos estejam se desenvolvendo adequadamente e que o procedimento ocorra com segurança. Isso é feito por meio de exames de ultrassom e testes hormonais, o que permite avaliar o crescimento dos folículos e ajustar as doses dos medicamentos quando necessário.

    3. Coleta dos óvulos

    Quando os óvulos atingem o tamanho e a maturidade ideais, a coleta é realizada por meio de um procedimento invasivo, com aspiração guiada por ultrassonografia, como explica Andreia.

    Caso a resposta ovariana seja muito baixa, o procedimento pode ser cancelado, pois a coleta de poucos óvulos não justifica os riscos envolvidos. Em geral, a mulher recebe alta no mesmo dia.

    4. Avaliação em laboratório

    Após a coleta, os óvulos são encaminhados ao laboratório, onde passam por uma análise criteriosa. Os especialistas avaliam quais óvulos estão maduros e em condições adequadas para serem congelados, assegurando maior qualidade no armazenamento.

    5. Congelamento dos óvulos

    Os óvulos selecionados são congelados por meio de uma técnica chamada vitrificação. O método utiliza temperaturas extremamente baixas e um congelamento rápido, o que ajuda a preservar a estrutura e a qualidade das células.

    6. Armazenamento

    Depois de congelados, os óvulos são armazenados em tanques de nitrogênio líquido, em condições controladas e seguras. Eles podem permanecer preservados por muitos anos, até que a mulher decida utilizá-los para tentar engravidar.

    Quantos óvulos costumam ser coletados no procedimento?

    A quantidade de óvulos coletados no procedimento pode variar bastante de uma mulher para outra. Em média, costumam ser coletados entre 8 e 15 óvulos por ciclo, mas esse número depende de fatores como idade, reserva ovariana, resposta aos hormônios e condições de saúde.

    Em mulheres mais jovens, geralmente a resposta à estimulação é melhor, o que pode resultar em um número maior de óvulos. Já em idades mais avançadas, a quantidade pode ser menor, e em alguns casos pode ser indicado realizar mais de um ciclo de estimulação para aumentar as chances de sucesso no futuro.

    Quando o congelamento de óvulos é indicado?

    O congelamento de óvulos é indicado em diferentes situações, principalmente quando há o desejo de preservar a fertilidade para o futuro. Entre as principais, Andreia destaca:

    • Desejo de adiar a maternidade por razões pessoais, profissionais ou financeiras, sem abrir mão da possibilidade de engravidar no futuro;
    • Ausência de um parceiro no momento, apesar do desejo de ter filhos em outra fase da vida;
    • Necessidade de iniciar tratamentos médicos, como quimioterapia, radioterapia ou cirurgias ginecológicas, que podem comprometer a função ovariana;
    • Diminuição da reserva ovariana identificada em exames, mesmo em mulheres mais jovens;
    • Histórico familiar de menopausa precoce, o que pode indicar risco aumentado de perda antecipada da fertilidade;
    • Doenças ginecológicas, como endometriose, que podem afetar a qualidade ou a quantidade dos óvulos ao longo do tempo.

    Efeitos colaterais do congelamento de óvulos

    Podem surgir alguns efeitos colaterais, principalmente durante a fase de estimulação dos ovários. Nesse período, a mulher pode sentir dor de cabeça, inchaço na barriga e nos membros, além de uma sensação de peso ou desconforto no baixo ventre.

    Após a coleta dos óvulos, esse inchaço costuma diminuir aos poucos e, na maioria dos casos, desaparece entre cinco e 14 dias, especialmente após a chegada do próximo ciclo menstrual.

    Existe limite de idade para congelar os óvulos?

    Não existe um limite de idade fixo para realizar o congelamento de óvulos, segundo Andreia, mas é fundamental considerar que a resposta ovariana diminui progressivamente com o passar dos anos. A mulher nasce com um número limitado de óvulos, que já começa a reduzir ainda durante a vida intrauterina.

    Portanto, quanto mais jovem a mulher, melhor costuma ser a qualidade dos óvulos. De modo geral, o recomendado é realizar o congelamento até os 35 anos de idade.

    Após essa idade, o procedimento ainda pode ser realizado, mas a quantidade e a qualidade dos óvulos tendem a diminuir com o tempo, o que pode reduzir as chances de sucesso. Por isso, a avaliação médica individual é fundamental para orientar sobre o melhor momento e as reais possibilidades de cada mulher.

    Quais as taxas de sucesso do congelamento de óvulos?

    Diversos fatores podem influenciar nas taxas de sucesso, segundo Andreia. Quando há um parceiro fixo, é possível realizar a fertilização e optar pelo congelamento do embrião.

    Na ausência de parceiro, os óvulos são criopreservados e a fertilização ocorre apenas no futuro. Durante os processos de congelamento e descongelamento, parte dos óvulos pode não sobreviver, embora as técnicas atuais apresentem índices elevados de preservação.

    Vale destacar que o congelamento de óvulos não garante uma gravidez futura. O caminho até a gestação envolve várias etapas, cada uma com suas próprias taxas de sucesso, incluindo a coleta dos óvulos, a fertilização, a implantação do embrião no útero e a evolução da gravidez.

    Mesmo após um teste positivo, ainda existe risco de aborto espontâneo, que ocorre em cerca de 25% das gestações, inclusive em mulheres sem fatores de risco conhecidos.

    Riscos do congelamento de óvulos

    Os riscos do congelamento de óvulos são considerados baixos, principalmente quando o procedimento é realizado por uma equipe especializada. Ainda assim, como qualquer tratamento médico, podem existir alguns pontos de atenção:

    • Inchaço abdominal, dor de cabeça e sensação de peso no baixo ventre durante a estimulação dos ovários;
    • Desconforto após a coleta dos óvulos;
    • Pequeno risco de sangramento ou infecção após a punção;
    • Em casos raros, síndrome de hiperestimulação ovariana, condição potencialmente grave, caracterizada por aumento exagerado dos ovários.

    Por isso, é importante que o procedimento seja realizado em uma clínica especializada, com equipe médica experiente e acompanhamento adequado em todas as etapas, garantindo mais segurança para a paciente

    Existem contraindicações?

    Não existem contraindicações absolutas para o congelamento de óvulos, mas algumas situações exigem uma avaliação médica mais cuidadosa antes do procedimento, como:

    • Gravidez em curso;
    • Condições de saúde que estejam descompensadas;
    • Presença de cistos ovarianos de grande volumes;
    • Casos de reserva ovariana muito baixa.

    Além disso, mulheres que precisam iniciar com urgência um tratamento oncológico podem não ter tempo suficiente para realizar a estimulação hormonal necessária para a coleta dos óvulos. Por isso, a decisão deve sempre ser individualizada, considerando o estado de saúde, o momento de vida e a orientação de uma equipe médica especializada.

    Quanto custa o congelamento de óvulos?

    O custo do congelamento de óvulos no Brasil varia bastante, podendo ficar entre R$ 10 mil e R$ 30 mil, além da taxa anual de manutenção, que costuma girar em torno de R$ 1,5 mil. O valor final depende da clínica escolhida e dos medicamentos hormonais necessários para o procedimento.

    De acordo com Andreia, o processo inclui despesas com hormônios, exames, acompanhamento médico, procedimento de coleta e taxa de manutenção mensal dos óvulos congelados, que ficam armazenados em clínicas especializadas.

    Todos os fatores devem ser discutidos de forma detalhada antes da decisão, permitindo uma escolha consciente e alinhada às expectativas reais.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Como é feita a seleção do óvulo para uma tentativa de engravidar?

    Quando a mulher decide utilizar os óvulos congelados, eles são descongelados em laboratório e avaliados pelos embriologistas. Apenas os óvulos que sobrevivem bem ao descongelamento e apresentam boa aparência celular são utilizados.

    Em seguida, ocorre a fertilização em laboratório, normalmente por técnica de fertilização in vitro, e os embriões formados passam por nova avaliação antes da transferência para o útero.

    2. Congelar os óvulos muito jovem aumenta o risco de menopausa precoce?

    Não, o congelamento de óvulos não acelera a menopausa nem reduz de forma significativa a reserva ovariana. Os óvulos coletados seriam naturalmente perdidos ao longo do tempo, pois a mulher perde óvulos todos os meses, mesmo sem ovular. O procedimento apenas aproveita óvulos que já seriam descartados pelo organismo.

    3. Por quantos anos os óvulos podem ficar congelados?

    Com a técnica de vitrificação, os óvulos podem permanecer congelados por muitos anos, sem que exista um prazo máximo estabelecido pela ciência. O armazenamento em nitrogênio líquido mantém as células preservadas, conservando suas características e qualidade mesmo após décadas.

    4. O procedimento exige afastamento do trabalho?

    Na maioria dos casos, não. Durante a estimulação, a rotina pode ser mantida normalmente. No dia da coleta, costuma ser indicado repouso, mas muitas mulheres retomam atividades leves no dia seguinte.

    5. É possível congelar óvulos mais de uma vez?

    Sim, algumas mulheres realizam mais de um ciclo de congelamento para aumentar o número de óvulos armazenados, especialmente quando a resposta ovariana é menor.

    6. O que acontece se a mulher decidir não usar os óvulos congelados?

    A mulher pode optar por continuar armazenando, descartar os óvulos ou, em alguns casos, doá-los para pesquisa ou para outras pessoas, conforme permitido pela legislação e pelas normas éticas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • ‘Bebês Ozempic’: como os análogos do GLP-1 impactam a fertilidade?

    ‘Bebês Ozempic’: como os análogos do GLP-1 impactam a fertilidade?

    Inicialmente criados para o tratamento de diabetes tipo 2, os remédios análogos do GLP-1, como o Ozempic, também se tornaram populares para a perda de peso. Eles funcionam imitando a ação de um hormônio produzido no intestino, responsável por controlar a glicose no sangue e aumentar a sensação de saciedade.

    Mas, nos últimos anos, com o crescimento acelerado do uso dos medicamentos, começaram a surgir relatos curiosos sobre outros possíveis efeitos: mulheres que antes enfrentavam dificuldades para engravidar acabaram gestando após o início do tratamento. Nas redes sociais, o fenômeno ganhou um apelido que rapidamente viralizou — os chamados “bebês Ozempic”.

    Mas, afinal, existe relação entre os agonistas de GLP-1 e a fertilidade? Para esclarecer as principais dúvidas (e trazer orientações), conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que são os agonistas do GLP-1 e como eles funcionam?

    O GLP-1 (glucagon-like peptide-1) é um hormônio produzido pelo intestino logo após as refeições. Ele ajuda a controlar os níveis de glicose no sangue ao estimular a liberação de insulina, reduzir a secreção de glucagon e retardar o esvaziamento gástrico. Também aumenta a sensação de saciedade, favorecendo a redução natural da ingestão de calorias.

    Como o GLP-1 é rapidamente degradado pelo organismo, surgiram os agonistas do GLP-1 (GLP-1 RAs), medicamentos que imitam sua ação, mas permanecem ativos por mais tempo, trazendo efeitos prolongados no controle metabólico e no auxílio ao emagrecimento.

    Um dos mais conhecidos é a semaglutida (Ozempic). Além do efeito metabólico, ela atravessa a barreira hematoencefálica e age em áreas do cérebro relacionadas ao craving (compulsão por comida), reduzindo o apetite e o comportamento compulsivo.

    Como resultado, a pessoa tende a comer menos, perder peso e melhorar condições associadas, como resistência à insulina e síndrome metabólica — fatores que impactam diretamente a saúde reprodutiva e a fertilidade feminina.

    Como a obesidade e o metabolismo influenciam a fertilidade feminina?

    A obesidade é um dos principais fatores que afetam a fertilidade. O excesso de gordura corporal contribui para o desequilíbrio hormonal, pois o tecido adiposo também produz hormônios. Isso pode levar a ciclos irregulares, ausência de ovulação e dificuldade para engravidar.

    Outro ponto é a resistência à insulina, comum em mulheres com sobrepeso/obesidade. Quando o corpo não responde bem à insulina, ele produz mais hormônio, o que aumenta a produção de androgênios (hormônios masculinos). Esse desequilíbrio atrapalha o amadurecimento e a liberação do óvulo.

    Exemplo frequente é a síndrome dos ovários policísticos (SOP), que afeta cerca de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva: ciclos irregulares, anovulação e impacto na fertilidade.

    Nesse cenário, os análogos de GLP-1 podem auxiliar ao:

    • Reduzir o peso corporal;
    • Melhorar a sensibilidade à insulina;
    • Reequilibrar os hormônios sexuais;
    • Favorecer o retorno da ovulação.

    Segundo Andreia, mulheres com SOP que emagrecem (especialmente com obesidade) muitas vezes restabelecem o equilíbrio hormonal apenas com a perda de peso, voltando a menstruar regularmente após meses de amenorreia. Por isso, a perda de peso é parte fundamental do tratamento, e o uso de GLP-1 pode ser uma abordagem útil — sempre com orientação profissional.

    Os agonistas do GLP-1 podem interferir no anticoncepcional?

    Até o momento, não há evidências robustas de redução da eficácia da pílula anticoncepcional em usuárias de agonistas do GLP-1.

    No entanto, esses fármacos alteram a motilidade gastrointestinal e podem retardar a absorção de medicamentos orais, inclusive contraceptivos. Na prática, as pílulas costumam ter dose suficiente para manter a eficácia, mesmo com absorção mais lenta.

    Ainda assim, recomenda-se considerar métodos que não dependam da via oral (DIU, implantes, adesivos, anéis, injetáveis) durante o uso de GLP-1, sobretudo em quem não deseja engravidar.

    Existe risco para o bebê ao engravidar durante o uso de GLP-1?

    Faltam dados de segurança na gestação; portanto, não se recomenda o uso de agonistas do GLP-1 durante a gravidez.

    Se a mulher descobrir que está grávida enquanto usa Ozempic ou similares, deve interromper imediatamente e procurar orientação médica. O mesmo cuidado vale para a lactação, pois não se sabe se o medicamento é excretado no leite materno.

    Em gestação planejada, recomenda-se suspender com antecedência:

    • Versões diárias: alguns dias podem bastar;
    • Versões semanais (ex.: semaglutida): cerca de duas semanas para eliminação;
    • Ainda assim, prefere-se suspender 1 a 2 meses antes de tentar engravidar.

    Engravidei tomando Ozempic. E agora?

    Interrompa o uso imediatamente e procure seu médico. Não há estudos controlados em gestantes, e os efeitos sobre o desenvolvimento fetal são incertos.

    Para gestantes com diabetes tipo 2, uma alternativa é a metformina, medicamento amplamente estudado e considerado seguro na gestação. Ela não promove perda de peso, mas auxilia no controle da resistência insulínica.

    Veja também: Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Perguntas frequentes

    Tomar Ozempic pode atrapalhar quem já está tentando engravidar?

    De forma direta, não. Porém, o medicamento não deve ser usado na gravidez pela falta de dados de segurança. Se estiver em fase ativa de tentativas, suspenda o uso 1–2 meses antes de buscar a concepção.

    Os agonistas do GLP-1 são indicados como tratamento para infertilidade?

    Não. Eles não são indutores de fertilidade. Foram desenvolvidos para diabetes tipo 2 e aprovados para obesidade. O benefício na fertilidade é indireto: melhora metabólica, menor resistência insulínica e perda de peso tendem a favorecer a ovulação.

    Existe diferença entre o efeito do Ozempic e de outros agonistas do GLP-1 na fertilidade?

    Os efeitos de classe são semelhantes (controle glicêmico, menor apetite, perda de peso). A semaglutida (Ozempic/Wegovy) costuma ser mais potente para emagrecimento do que a liraglutida, o que pode trazer impacto indireto maior na ovulação devido à maior redução ponderal.

    Quero engravidar, mas tenho diabetes tipo 2. O que fazer?

    Converse com seu ginecologista/endócrino. Em geral, substitui-se GLP-1 por fármacos com segurança estabelecida na gestação, como metformina ou, em alguns casos, insulina, antes de tentar engravidar.

    Resistência à insulina sem SOP também afeta a fertilidade?

    Sim. Mesmo sem SOP, a hiperinsulinemia pode elevar andrógenos ovarianos e prejudicar a ovulação. O manejo do peso, da resistência insulínica e do estilo de vida ajuda a restabelecer ciclos ovulatórios.

    Leia também: Ozempic na gravidez: por que não é seguro usar