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  • Exames de sangue: como pequenas alterações podem indicar tendência futura? 

    Exames de sangue: como pequenas alterações podem indicar tendência futura? 

    Os exames de check-up, importantes em todas as fases da vida, funcionam como um rastreamento preventivo, capaz de mostrar como o corpo está funcionando por dentro, mesmo quando não existe nenhum sintoma visível. Na prática, eles permitem identificar pequenas alterações que, ao longo do tempo, indicam tendências importantes para a saúde.

    Antes de algum problema de saúde se manifestar, o organismo costuma passar por uma fase silenciosa, em que alguns exames de sangue apresentam alterações de forma discreta: a glicemia pode subir aos poucos, a insulina pode aumentar mesmo com valores ainda considerados normais e o colesterol LDL pode se elevar gradualmente, por exemplo.

    Mesmo um resultado que aparece dentro dos valores de referência do laboratório pode, na verdade, indicar uma tendência de risco que só se manifestará daqui a alguns anos, como o desenvolvimento de resistência à insulina, diabetes tipo 2, formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose) e aumento do risco de eventos cardiovasculares.

    Por que exames dentro do normal podem indicar tendência de problemas?

    Os exames de sangue têm valores de referência medidos a partir de estudos com grandes grupos de pessoas consideradas saudáveis. Eles formam uma faixa que mostra o que é mais comum dentro da população, mas isso não significa que a medida é individualizada.

    Uma vez que cada pessoa apresenta um organismo diferente, influenciado por fatores como idade, alimentação, nível de atividade física e até genética, um resultado dentro do considerado “normal” pode não refletir, necessariamente, o melhor estado de saúde para aquela pessoa.

    Em muitos casos, ele apenas indica que ainda não existe uma alteração evidente, mas não exclui a presença de um desequilíbrio em fase inicial.

    Além disso, pequenas variações dentro da faixa podem ser importantes, especialmente quando analisadas ao longo do tempo. Um marcador que sempre esteve em um nível mais baixo e começa a subir, mesmo permanecendo dentro do normal, pode indicar uma mudança no funcionamento do corpo.

    Importante: apenas um médico pode interpretar corretamente os resultados dos exames, considerando todo o contexto clínico, o histórico de saúde e os possíveis sintomas. Os exames de sangue não devem ser analisados de forma isolada ou sem orientação.

    Quais alterações silenciosas podem indicar riscos no futuro?

    Existem várias alterações nos exames que não causam sintomas no começo, mas já indicam uma tendência de risco para o desenvolvimento de doenças no futuro, como:

    1. Glicemia de jejum no limite superior

    A glicemia de jejum mede a quantidade de açúcar no sangue após um período sem alimentação. Quando o valor começa a se aproximar do limite superior da faixa de referência, mesmo ainda sendo considerado normal, pode indicar que o organismo já está tendo mais dificuldade para controlar a glicose.

    Ao longo do tempo, o aumento gradual pode estar relacionado ao início da resistência à insulina, um dos primeiros sinais de alterações no metabolismo, que pode evoluir para pré-diabetes e diabetes se não houver acompanhamento adequado.

    A glicemia de jejum é considerada alta quando os níveis estão entre 100 e 125 mg/dL (pré-diabetes) ou a partir de 126 mg/dL (diabetes), após pelo menos 8 horas sem comer.

    2. Insulina alta (hiperinsulinemia)

    A insulina é o hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nas células. Quando o pâncreas produz em excesso, pode indicar que o corpo está precisando produzir mais insulina para manter a glicemia normal, o que caracteriza a resistência à insulina. Normalmente, ele está associado ao sobrepeso, obesidade e dieta rica em açúcares.

    O quadro pode existir por anos sem sintomas e está diretamente ligado ao aumento de gordura abdominal, alterações no colesterol e maior risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

    A insulina é considerada alta (hiperinsulinemia) quando os níveis em jejum superam 24,9 µU/mL.

    3. Colesterol LDL alto

    O LDL, conhecido como colesterol ruim, é um tipo de colesterol que, quando está em níveis elevados, pode se acumular nas paredes das artérias, formando placas de gordura. Com o tempo, isso dificulta a passagem do sangue e aumenta o risco de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC.

    O colesterol LDL é considerado elevado quando está acima de 160 mg/dL, de acordo com referências gerais. No entanto, a meta ideal varia conforme o risco cardiovascular de cada pessoa: em indivíduos de alto risco, valores acima de 70 mg/dL (ou até mesmo acima de 50 mg/dL) já podem ser considerados elevados e precisam de atenção.

    4. Colesterol HDL baixo

    O HDL é conhecido como colesterol bom, pois ajuda a remover o excesso de gordura das artérias, levando-o de volta ao fígado. Quando os níveis de HDL estão baixos, o organismo perde parte dessa proteção natural, favorecendo o acúmulo de colesterol nos vasos e aumentando o risco cardiovascular.

    O colesterol HDL (“bom”) é considerado baixo quando está abaixo de 40 mg/dL em homens e abaixo de 50 mg/dL em mulheres.

    5. PCR ultrassensível alto

    A proteína C reativa (PCR) ultrassensível é um marcador de inflamação no organismo, usada principalmente para avaliar o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame. Quando está elevada, pode indicar a presença de uma inflamação crônica de baixo grau, que não causa sintomas visíveis, mas afeta o funcionamento do corpo.

    Em geral, valores acima de 3 mg/L (ou 0,3 mg/dL) estão associados a um maior risco cardiovascular.

    6. Triglicerídeos elevados

    Os triglicerídeos são um tipo de gordura presente no sangue, frequentemente influenciados pela alimentação, especialmente pelo consumo excessivo de açúcares e carboidratos refinados.

    Quando estão elevados, podem indicar um desequilíbrio metabólico e estão associados à resistência à insulina, ao acúmulo de gordura no fígado e ao aumento do risco cardiovascular.

    Os triglicerídeos são considerados elevados quando os níveis sanguíneos superam 150 mg/dL (em jejum) ou 175 mg/dL (sem jejum), sendo considerados perigosos acima de 500 mg/dL.

    7. Homocisteína

    A homocisteína é um aminoácido produzido naturalmente pelo organismo durante o metabolismo da metionina, presente nas proteínas.

    Quando os níveis no sangue estão elevados, podem causar danos às paredes dos vasos sanguíneos, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC) e também estando associados a alterações cognitivas, como o Alzheimer.

    A homocisteína passa a ser um sinal de alerta quando os níveis no sangue ficam acima de 15 µmol/L. O ideal é manter os valores abaixo de 9 µmol/L, ou no máximo até 12 µmol/L, para reduzir riscos.

    Quando procurar um médico para avaliar tendências?

    Você não precisa esperar algum sintoma, como cansaço excessivo, sede constante ou tonturas, para procurar um médico.

    Com o acompanhamento periódico, o especialista consegue criar um histórico de comparação, avaliando como os exames se comportam ao longo do tempo e identificando pequenas mudanças que poderiam passar despercebidas em uma análise isolada.

    Com isso, é possível adotar mudanças no dia a dia, ajustando hábitos como a alimentação, a prática de atividade física, a qualidade do sono e o controle do estresse. Muitas vezes, medidas simples já são suficientes para melhorar os resultados dos exames e evitar a progressão de alterações que poderiam evoluir para doenças no futuro.

    Veja também: Micro-hábitos diários: por que eles têm tanto impacto na saúde a longo prazo?

    Perguntas frequentes

    1. Com qual frequência repetir os exames para acompanhar as tendências?

    Para quem está com os níveis excelentes, um check-up anual costuma ser suficiente. No entanto, se o seu médico identificou uma tendência de subida em marcadores como colesterol ou glicada, ele pode sugerir repetir os testes a cada 3 ou 6 meses para monitorar se as mudanças de hábito estão funcionando.

    2. Por que comparar os exames atuais com os de anos anteriores?

    Porque a variação individual importa mais que a média. Se sua glicose subiu de 80 para 95 em dois anos, há uma tendência de alta que merece atenção, mesmo que ambos sejam “normais”.

    3. O estresse pode alterar os exames de sangue?

    Sim. O estresse crônico eleva o cortisol, que por sua vez pode aumentar a glicose e a inflamação no corpo, mascarando ou criando tendências negativas.

    4. Pequenas alterações no fígado (TGP) sempre indicam doença?

    Nem sempre, mas aumentos leves e constantes podem ser o primeiro sinal de gordura no fígado (esteatose), muitas vezes antes de aparecer no ultrassom.

    5. Ácido úrico no limite superior pode ser um problema?

    Sim. Além do risco de gota, níveis altos de ácido úrico estão frequentemente ligados à hipertensão e problemas metabólicos futuros.

    6. Qual médico procurar para avaliar essas tendências?

    Um clínico geral ou um endocrinologista são os profissionais mais indicados para interpretar as variações metabólicas e hormonais de forma preventiva.

    Confira: Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

  • Por que exames de rotina salvam vidas? 

    Por que exames de rotina salvam vidas? 

    Fazer exames de rotina não é apenas uma formalidade médica. Trata-se de uma das estratégias mais eficazes de prevenção e longevidade. Ao contrário do que muita gente pensa, cuidar da saúde não significa agir apenas quando algo está errado. Exames preventivos ajudam a detectar doenças silenciosas, a avaliar o funcionamento dos órgãos e a ajustar hábitos de vida antes que pequenas alterações se transformem em problemas.

    Com a rotina acelerada e a falta de sintomas aparentes, é comum adiar consultas e exames. Mas o corpo nem sempre dá sinais claros de que algo não vai bem. Condições como hipertensão, diabetes, colesterol alto e doenças renais, por exemplo, podem evoluir de forma silenciosa por anos. Quando são descobertas tardiamente, o tratamento tende a ser mais complexo e as chances de reversão, menores.

    Prevenir é sempre mais eficaz do que tratar

    Os exames de rotina permitem diagnósticos precoces e aumentam significativamente a possibilidade de sucesso nos tratamentos. Além de detectar doenças crônicas, eles ajudam a acompanhar a resposta do organismo a medicamentos, terapias e mudanças de estilo de vida.

    De modo geral, o check-up avalia parâmetros vitais como pressão arterial, batimentos cardíacos, peso e índice de massa corporal. Exames laboratoriais complementam essa análise e fornecem um retrato detalhado da saúde. O hemograma completo, por exemplo, identifica alterações nas células do sangue e ajuda a diagnosticar infecções, anemias e distúrbios imunológicos.

    Os testes de glicemia e colesterol são igualmente importantes, pois revelam riscos para doenças cardiovasculares e metabólicas. Já os exames de função hepática e renal avaliam o desempenho do fígado e dos rins, órgãos essenciais para o equilíbrio do organismo. O objetivo é simples: encontrar qualquer sinal de descompasso antes que ele evolua para algo mais grave.

    Exames que não podem faltar no seu check-up

    A lista de exames varia de acordo com a idade, o sexo e o histórico familiar, mas há alguns considerados fundamentais para qualquer pessoa.

    • O hemograma completo é um deles, pois avalia glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Alterações nesses parâmetros podem indicar desde infecções até distúrbios hematológicos
    • O perfil lipídico, que mede colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos, permite entender o risco de acúmulo de gordura nas artérias e a probabilidade de doenças cardíacas
    • A glicemia de jejum e a hemoglobina glicada são usadas para acompanhar o metabolismo da glicose e identificar casos de resistência à insulina ou diabetes em fase inicial
    • Os exames de função renal, como ureia e creatinina, e os testes hepáticos, como TGO e TGP, ajudam a identificar sobrecargas provocadas por medicamentos, alimentação inadequada ou consumo excessivo de álcool
    • Além desses, exames de urina e fezes são simples, mas oferecem informações valiosas sobre o funcionamento dos rins, bexiga e intestinos
    • Para mulheres, o Papanicolau e a mamografia são fundamentais para a detecção precoce de cânceres ginecológicos
    • Já para os homens, o exame de PSA auxilia na avaliação da saúde da próstata

    Lembrando que, dependendo da idade, o médico também pode incluir exames de rotina hormonais, de tireoide, densitometria óssea, eletrocardiograma ou ultrassonografia de abdômen.

    Quando fazer os exames e com que frequência

    A periodicidade ideal dos exames de rotina depende de cada pessoa, mas, em geral, adultos saudáveis devem realizar um check-up pelo menos uma vez por ano. Em pessoas com fatores de risco, como histórico familiar de doenças crônicas, sedentarismo, tabagismo ou obesidade, o acompanhamento pode ser semestral.

    Na juventude, os exames costumam ter foco no desenvolvimento físico, na saúde sexual e na prevenção de infecções. A partir dos 30 anos, é importante monitorar colesterol, glicose e função hormonal.

    Depois dos 40, o foco se amplia para a saúde cardiovascular, renal e hepática. Já na maturidade, acima dos 60 anos, o acompanhamento deve incluir avaliações ósseas, cognitivas e metabólicas, além de exames de imagem mais específicos.

    Mesmo quem se sente bem precisa entender que ausência de sintomas não é sinônimo de saúde plena. O objetivo do check-up é justamente encontrar desequilíbrios que ainda não se manifestaram.

    Um investimento que melhora a qualidade de vida

    Fazer exames de rotina regularmente não serve apenas para detectar doenças. Serve também para entender o corpo, ajustar hábitos e prevenir complicações futuras. Os resultados ajudam o médico a orientar mudanças de alimentação, sono e rotina de exercícios. Pequenas correções de estilo de vida, baseadas em dados concretos, são capazes de prevenir até 80% das doenças crônicas mais comuns.

    Além disso, o acompanhamento constante reduz gastos com internações e medicamentos, melhora a produtividade e aumenta o bem-estar geral. A prevenção é sempre mais barata, segura e eficaz do que o tratamento.

    Vale lembrar que os exames também são aliados importantes de quem já faz algum tipo de tratamento. Eles permitem verificar se o medicamento está funcionando, se há efeitos colaterais e se o organismo está respondendo bem às intervenções médicas.

    Check-up personalizado e saúde preventiva

    Cada pessoa é única e o check-up deve refletir essa individualidade. Médicos costumam considerar fatores como idade, gênero, hábitos, histórico familiar e estilo de vida antes de definir quais exames serão solicitados.

    Por exemplo, alguém com histórico familiar de câncer de mama deve iniciar a mamografia antes dos 40 anos, enquanto pessoas com predisposição a doenças cardíacas podem precisar de acompanhamento cardiológico mais frequente.

    Essa abordagem personalizada é o que torna a saúde preventiva tão eficaz. Ela não se limita a detectar doenças, mas a criar um mapa completo da vida do paciente, permitindo que as decisões médicas sejam tomadas de forma proativa.

    Veja mais: Check-up cardíaco: quais exames fazer e com que frequência

    Perguntas e respostas sobre exames de rotina

    1. Por que os exames de rotina são tão importantes?

    Eles permitem identificar doenças em estágios iniciais, muitas vezes antes de surgirem sintomas. Isso aumenta as chances de tratamento eficaz, reduz complicações e ajuda a manter a saúde sob controle. Fazer check-ups regularmente é uma forma prática de prevenção e de acompanhamento do próprio corpo.

    2. Quais exames não podem faltar em um check-up?

    O hemograma completo, os testes de glicemia e colesterol e os exames de função renal e hepática são os mais básicos. Também é importante incluir urina e fezes, que ajudam a avaliar rins, bexiga e intestinos. Mulheres devem realizar Papanicolau e mamografia, enquanto homens precisam acompanhar o PSA, que avalia a saúde da próstata.

    3. Com que frequência devo fazer esses exames?

    A recomendação geral é fazer um check-up anual, mas quem tem fatores de risco, como histórico familiar de doenças, obesidade ou tabagismo, pode precisar de acompanhamento a cada seis meses. O médico é quem define o intervalo mais adequado para cada caso.

    4. Mesmo sem sintomas, preciso fazer exames?

    Sim. Muitas doenças evoluem de forma silenciosa, como diabetes, hipertensão e colesterol alto. A ausência de sintomas não significa ausência de problemas. Por isso, os exames preventivos são fundamentais para detectar alterações precoces e agir antes que se tornem graves.

    5. Os resultados dos exames ajudam a melhorar a qualidade de vida?

    Com certeza. Eles oferecem informações concretas sobre o funcionamento do organismo e ajudam o médico a orientar ajustes de alimentação, sono e rotina de exercícios. Pequenas mudanças baseadas nos resultados podem prevenir até 80% das doenças crônicas mais comuns.

    6. Os exames de rotina são os mesmos para todas as pessoas?

    Não. Cada pessoa tem um perfil de saúde diferente. A idade, o histórico familiar e o estilo de vida influenciam na escolha dos exames. O check-up ideal é personalizado, adaptado às necessidades individuais para garantir uma prevenção mais eficiente.

    Confira: Exames urológicos após os 40 anos: quais o homem deve fazer?

  • Exames de rotina para homens: como cuidar da saúde urológica?

    Exames de rotina para homens: como cuidar da saúde urológica?

    Infecções de urina, pedras nos rins, infertilidade e até mesmo câncer são apenas alguns dos problemas de saúde que podem surgir ao longo da vida do homem. E, apesar da resistência em procurar atendimento médico no dia a dia, manter exames de rotina ajuda a identificar alterações antes que se tornem graves e afetem a qualidade de vida.

    O acompanhamento preventivo envolve consultas periódicas com o urologista e exames que avaliam o funcionamento dos rins, bexiga, próstata e hormônios — identificando precocemente possíveis alterações. Além disso, cuidar da saúde urológica traz benefícios que vão muito além da prevenção de doenças, influenciando também na energia, vida sexual e bem-estar geral.

    Afinal, quando o homem deve começar a ir ao urologista?

    A saúde urológica deve ser acompanhada ao longo de toda a vida, e não apenas na maturidade.

    Nos primeiros meses de vida, se houver suspeita médica, o pediatra pode encaminhar o bebê para avaliação com o urologista. Nessa fase, podem ser identificadas condições como fimose, hidrocele e criptorquidia (quando os testículos não descem para o escroto).

    Durante a puberdade, o corpo passa por intensas mudanças hormonais — momento ideal para orientar o adolescente sobre sexualidade, prevenção de ISTs e infertilidade. Também podem surgir infecções urinárias e alterações hormonais.

    Já na vida adulta, especialmente a partir dos 40 anos, os cuidados precisam ser mais frequentes. Nessa fase, aumentam os riscos de doenças como câncer de próstata, e o foco passa a ser a prevenção e o diagnóstico precoce de disfunções urinárias e sexuais.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU):

    • Homens sem histórico familiar de câncer de próstata devem iniciar os exames anuais aos 50 anos;
    • Homens com histórico familiar da doença devem começar aos 45 anos.

    Quais são os exames urológicos que o homem deve fazer?

    Segundo o urologista Willy Baccaglini, a saúde urológica é ampla e pode envolver aspectos da vida sexual, urinária e geral do homem. Alguns exames, porém, são mais comuns a partir dos 40 anos:

    Ultrassonografia de próstata

    A ultrassonografia prostática utiliza ondas sonoras para visualizar a glândula prostática e estruturas próximas, como a bexiga e as vesículas seminais. O exame avalia o tamanho e volume da próstata e ajuda a diagnosticar condições como hiperplasia benigna (aumento da próstata) e prostatite (inflamação).

    PSA total

    O PSA total (Antígeno Prostático Específico) é um exame de sangue que mede a quantidade dessa proteína produzida pela próstata. Níveis elevados podem indicar inflamação, infecção ou câncer de próstata, mas nem sempre significam algo grave.

    Willy explica que a frequência do exame deve ser definida pelo urologista conforme o perfil e o histórico de cada paciente, não sendo obrigatoriamente anual.

    Exame de urina simples

    O exame de urina avalia o trato urinário e detecta sinais de infecção, sangue, proteínas ou cristais. Nos homens, ajuda a identificar infecção urinária, cálculos renais, prostatite e até doenças renais crônicas.

    “Não há recomendação formal de exames de rotina para bexiga e rins em todos os homens, mas testes de acompanhamento podem identificar doenças precocemente”, observa Willy.

    Creatinina e ureia

    Esses exames avaliam a função renal, medindo a eficiência dos rins na filtragem do sangue. Alterações podem indicar insuficiência renal, desidratação ou sobrecarga por uso excessivo de medicamentos ou proteínas. São importantes especialmente para quem usa remédios contínuos ou tem histórico de doenças renais.

    Testosterona total e livre

    A testosterona é o principal hormônio masculino, regulando funções como libido, massa muscular, força e humor. A redução dos níveis pode causar fadiga, queda de desejo sexual e disfunção erétil. O exame ajuda a identificar a andropausa e outros distúrbios hormonais precocemente.

    Exames complementares

    O urologista pode solicitar outros exames, como hemograma completo, glicemia, colesterol e função hepática, além de exames de imagem (ultrassom ou ressonância) quando há suspeita de inflamação, tumores ou alterações mais graves.

    Quando o exame de toque retal é necessário?

    O toque retal é um procedimento rápido e indolor que permite avaliar o tamanho e a consistência da próstata. É essencial para detectar alterações como aumento benigno ou câncer.

    “O exame de toque ainda é necessário, principalmente em programas de detecção precoce do câncer de próstata”, explica Willy. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) orienta que a decisão sobre o exame seja compartilhada entre médico e paciente.

    Homens negros ou com histórico familiar devem iniciar o acompanhamento urológico aos 45 anos, conforme recomendação da SBU.

    Com que frequência os exames urológicos devem ser feitos?

    A recomendação geral é realizar os exames anualmente a partir dos 40 anos, mas a frequência pode variar conforme histórico familiar e fatores de risco. Na ausência de alterações, o intervalo entre as consultas pode ser maior, segundo orientação do especialista.

    Sinais de alerta para procurar atendimento médico

    Mesmo com exames regulares, é importante observar sinais que exigem avaliação imediata:

    • Sangue na urina ou no esperma;
    • Dor ou ardência ao urinar;
    • Jato urinário fraco ou interrompido;
    • Vontade frequente de urinar à noite;
    • Dores na lombar ou na pelve;
    • Disfunção erétil persistente.

    Outros cuidados para manter a saúde urológica em dia

    • Beba bastante água: hidratar-se ajuda a eliminar toxinas, melhora a função dos rins e reduz o risco de infecções urinárias e cálculos renais;
    • Alimente-se bem: prefira frutas, verduras e grãos integrais; evite excesso de sal, álcool e alimentos processados;
    • Pratique atividade física: melhora a circulação, ajuda no controle de peso e protege a saúde cardiovascular e renal;
    • Não segure a urina: isso favorece o crescimento de bactérias e sobrecarrega a bexiga;
    • Tenha uma vida sexual segura: use preservativos e previna ISTs;
    • Durma bem e reduza o estresse: o equilíbrio emocional e o descanso são fundamentais para a saúde hormonal.

    “A saúde deve ser acompanhada de forma proativa, buscando cultivar saúde e não apenas tratar doenças. Alimentação, atividade física, sono e saúde mental são os quatro pilares principais”, reforça Willy.

    Confira: Infecção urinária: sintomas, causas e tratamento

    Perguntas frequentes sobre exames de rotina para homens

    1. Por que homens não vão ao médico?

    O medo de descobrir doenças, o constrangimento e a falta de informação fazem com que muitos homens evitem consultas. Segundo a SBU, 46% dos homens só procuram atendimento quando têm sintomas — o que aumenta o risco de diagnósticos tardios, como o câncer de próstata.

    2. O câncer de próstata tem sintomas visíveis?

    Nos estágios iniciais, não. Quando os sintomas aparecem, o tumor já pode estar avançado. Os principais sinais são dificuldade para urinar, jato fraco, sangue na urina ou no sêmen e dor na pelve.

    3. O uso frequente de medicamentos para ereção é perigoso?

    Sim, se feito sem orientação médica. O uso excessivo pode mascarar doenças cardíacas e causar dependência psicológica. Em pessoas com problemas cardiovasculares, pode provocar queda de pressão e arritmias.

    4. Como é feita a biópsia da próstata e quando ela é indicada?

    A biópsia é indicada quando exames como PSA ou toque retal apontam alterações. O procedimento é feito com agulha fina guiada por ultrassom transretal, sob anestesia local. Fragmentos da próstata são analisados em laboratório para verificar a presença de células cancerígenas.

    5. O que significa PSA alto e o que fazer?

    Um PSA elevado não indica automaticamente câncer. Pode ser causado por inflamações, infecções ou aumento benigno. O médico avaliará o histórico, poderá repetir o exame ou solicitar outros testes, como ultrassom ou ressonância.

    6. Existe algum preparo antes do exame de urina?

    Sim. O ideal é coletar a primeira urina da manhã (ou após 2 horas sem urinar), higienizar a região íntima e descartar o primeiro jato. Evite relações sexuais 24 a 48 horas antes e também exercícios físicos intensos.

    Leia também: Sintomas de próstata aumentada que não devem ser ignorados e quando procurar um urologista