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  • Primeira consulta ginecológica: quando deve acontecer e como é feita

    Primeira consulta ginecológica: quando deve acontecer e como é feita

    O desenvolvimento das mamas, a chegada da menstruação e as alterações hormonais são algumas das principais mudanças que ocorrem na puberdade — e, com elas, a importância da orientação, da prevenção e do cuidado contínuo com a saúde feminina.

    É comum ter dúvidas sobre o funcionamento do corpo, o ciclo menstrual, a higiene íntima, que podem ser orientadas na primeira consulta ginecológica. Diferente do que a maioria das jovens imagina, não se trata apenas de exames ou do início da vida sexual, mas de um cuidado que te ajuda a conhecer o próprio corpo.

    Mas afinal, quando a primeira consulta deve acontecer? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andréia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas sobre o momento e como ele é conduzido.

    Quando deve acontecer a primeira consulta ginecológica?

    A primeira consulta ginecológica deve acontecer, de preferência, no início da puberdade, quando surgem as primeiras mudanças no corpo, como o desenvolvimento das mamas ou a chegada da menstruação.

    Além disso, com o início da menstruação, a adolescente já passa a ter uma vida reprodutiva, o que torna ainda mais necessário o acompanhamento ginecológico com foco em orientação e prevenção.

    Mesmo na ausência de problemas, a consulta ajuda a esclarecer informações, promover o autoconhecimento e identificar precocemente qualquer alteração.

    E quando ela deve ocorrer antes?

    A primeira consulta ginecológica deve acontecer antes da puberdade sempre que surgirem sinais que não são esperados para a idade, como corrimento vaginal persistente, inflamações na região vulvar ou sangramentos genitais em crianças pequenas, que devem ser investigados por um médico.

    Ainda, em casos de suspeita de puberdade precoce, a consulta ginecológica pode ser necessária para investigar as causas, acompanhar o desenvolvimento e orientar a família.

    Nesses casos, o atendimento não tem relação com vida reprodutiva ou sexualidade, mas com o cuidado da saúde e do desenvolvimento infantil.

    Como é conduzida a primeira consulta ginecológica?

    Segundo Andreia, a primeira consulta ginecológica é, antes de tudo, um momento de acolhimento, orientação e escuta. O foco principal é orientar, prevenir e esclarecer dúvidas, sempre respeitando a idade, o desenvolvimento e a realidade de cada jovem.

    Logo no início da consulta, o ginecologista costuma abordar temas importantes, como:

    • Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs);
    • Cuidados com a saúde íntima e com a função sexual;
    • Métodos contraceptivos, quando indicado;
    • Espaço aberto para tirar dúvidas e receber orientações.

    Além das conversas iniciais, a consulta também inclui a avaliação de alguns fatores, como:

    1. Função menstrual

    Uma das etapas da consulta é a avaliação do ciclo menstrual, em que o médico investiga a idade da primeira menstruação, a regularidade do ciclo, o intervalo entre as menstruações, a duração e a quantidade do fluxo — além da presença de cólicas e de sinais de tensão pré-menstrual.

    Isso ajuda a identificar se o ciclo está dentro do esperado ou se existe alguma alteração que precise ser investigada.

    2. Antecedentes obstétricos

    Em pacientes que já engravidaram, Andreia aponta que também são avaliados os antecedentes obstétricos, como o número de gestações, a forma como ocorreram as gestações anteriores, o histórico de parto e a amamentação.

    Em adolescentes ou em pacientes sem histórico gestacional, essa etapa não faz parte da consulta.

    3. Antecedentes sexuais

    Quando faz sentido para a idade e para a realidade da paciente, o médico também conversa sobre a vida sexual, abordando questões como:

    • Idade da primeira relação;
    • Uso de preservativo;
    • Utilização de métodos contraceptivos;
    • Presença de dor ou sangramento durante as relações;
    • Possíveis alterações do desejo sexual.

    Caso a paciente informe que é virgem, essa parte da consulta não é realizada, e o atendimento segue focado em outros cuidados com a saúde.

    4. Anamnese geral

    Além das questões ginecológicas, a primeira consulta também inclui uma conversa mais ampla sobre a saúde como um todo. O médico costuma perguntar sobre doenças que a paciente já teve, cirurgias, uso de medicamentos, alergias, hábitos do dia a dia e histórico de doenças na família.

    Tudo isso ajuda a entender melhor o contexto de saúde de cada pessoa e permite orientar os cuidados de forma mais individual.

    Como é feito o exame ginecológico?

    O exame ginecológico é feito de forma simples, respeitando a idade, o histórico e o conforto da paciente. Andreia explica que, em adolescentes que nunca tiveram relação sexual, não é realizado exame ginecológico interno.

    Nesses casos, o médico avalia apenas a parte externa da região íntima e observa o desenvolvimento da puberdade, o que ajuda a entender em que fase a adolescente se encontra, se a menstruação deve surgir em breve e o que é esperado para naquele momento do crescimento.

    Quando a adolescente já iniciou a vida sexual ou está próxima disso, a consulta também inclui orientações sobre métodos contraceptivos e prevenção, sempre de acordo com a idade e a necessidade de cada paciente.

    Exame físico em quem nunca teve relação sexual

    Em pacientes que nunca tiveram relação sexual, é realizado o exame físico geral e o exame ginecológico dos órgãos genitais externos.

    Segundo Andreia, são avaliados o surgimento e desenvolvimento de pelos na área genital, o desenvolvimento mamário e a presença de lesões na vulva. Também é observada a integridade do hímen, para identificar possíveis alterações.

    Por exemplo, um hímen imperfurado pode causar dificuldade no escoamento da menstruação. Já um hímen microperfurado pode não provocar alterações menstruais, mas pode causar dificuldade na vida sexual.

    Também é examinada a região perianal, observando a presença de lesões, verrugas ou manchas.

    Exame físico em quem já teve relação sexual

    Pacientes que já tiveram relação sexual passam pela avaliação dos órgãos genitais externos e internos. A avaliação interna é feita por meio do exame especular, conhecido popularmente como “bico de pato”, que permite visualizar o colo do útero, o aspecto das paredes vaginais e a presença de corrimento.

    Além disso, pode ser realizado o toque vaginal, que permite avaliar o útero e os ovários, observando tamanho, superfície e a presença de possíveis tumorações.

    Exames preventivos e HPV

    Os exames preventivos, em geral, não são realizados na primeira consulta ginecológica, salvo em situações específicas, segundo Andréia.

    Atualmente, o rastreamento do câncer do colo do útero é feito, preferencialmente, por meio de testes biomoleculares para o HPV, seguindo as orientações do Ministério da Saúde.

    O teste para HPV é considerado mais preciso, pois consegue identificar com maior sensibilidade o risco de lesões que podem evoluir para câncer. Ele também ajuda a evitar biópsias desnecessárias e reduz a chance de deixar passar alterações importantes.

    Assim, o exame de Papanicolau passa a ter um papel complementar, sendo indicado principalmente quando o resultado para HPV é positivo.

    Por fim, vale lembrar que esses exames são indicados apenas para pacientes que já iniciaram a vida sexual.

    Orientações sobre higiene íntima na primeira consulta ginecológica

    A consulta ginecológica também inclui orientações sobre higiene íntima, sexualidade e autocuidado, sempre de forma individualizada.

    De maneira geral, não existem regras rígidas, mas algumas recomendações costumam ser feitas, como aponta Andreia:

    • Preferência por sabonetes neutros para a higiene íntima;
    • Uso de roupas e tecidos que não abafem nem aumentem o calor na região;
    • Utilização de protetor diário de calcinha apenas se houver conforto e ausência de sintomas, já que ele não é proibido quando não causa irritações.

    O mesmo vale para o uso de biquíni úmido. Enquanto algumas pessoas conseguem ficar com a peça molhada por mais tempo sem problemas, outras podem apresentar irritações em poucas horas.

    Por isso, as orientações devem sempre considerar como o próprio corpo reage e a experiência individual de cada paciente.

    Afinal, o que você deve perguntar na primeira consulta?

    Para te ajudar na primeira consulta e diminuir o receio, vale a pena anotar algumas dúvidas em um caderno ou no celular antes da consulta. Ter essas perguntas em mãos ajuda a aproveitar melhor o atendimento e a não esquecer assuntos importantes.

    Algumas sugestões de perguntas incluem:

    • O que é considerado normal no meu ciclo menstrual;
    • Quando devo me preocupar com atrasos, dores ou alterações no fluxo;
    • Como deve ser feita a higiene íntima no dia a dia;
    • O que é corrimento normal e quando ele deixa de ser esperado;
    • Quando é indicado usar métodos contraceptivos e quais são as opções;
    • Como se prevenir de infecções sexualmente transmissíveis;
    • Quando será necessário realizar exames ginecológicos;
    • Quais sinais indicam que devo procurar o ginecologista novamente.

    Lembre-se que a consulta é um espaço de conversa e acolhimento, então não existem perguntas bobas ou inadequadas. Quanto mais aberta for a troca, maior será a segurança para cuidar da própria saúde.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. É preciso estar depilada para a consulta?

    Não. O ginecologista é um profissional de saúde, não de estética. Os pelos são naturais e não atrapalham o exame ou a avaliação da saúde íntima.

    2. Pode ir ao médico se estiver menstruada?

    Depende. Se for apenas uma conversa, não há problema, mas se houver necessidade de exame físico ou coleta de preventivo, a menstruação pode interferir nos resultados. O ideal é marcar para uma semana após o término do ciclo.

    3. Precisa levar algum acompanhante?

    Se você for menor de idade, deve ir acompanhada por um responsável legal. No entanto, você tem o direito de ter um momento a sós com o médico para conversar com mais privacidade.

    4. A primeira consulta com o ginecologista dói?

    Não. Na maioria das vezes, a primeira consulta é apenas uma conversa. Se houver exame físico, ele é feito com delicadeza. O desconforto costuma ser mais causado pelo nervosismo do que pelo procedimento em si.

    5. Minha menstruação é muito irregular, isso é grave?

    Nos primeiros dois ou três anos após a primeira menstruação, é comum que o ciclo seja irregular enquanto o corpo ajusta os hormônios. O médico avaliará se está dentro do esperado.

    6. Com que frequência é importante voltar ao ginecologista?

    Geralmente, uma vez por ano para exames de rotina. Se houver alguma queixa específica (dor, coceira ou irregularidade), você deve retornar antes.

    7. O que é o exame Papanicolau?

    É uma raspagem suave de células do colo do útero para detectar precocemente o câncer ou lesões. Ele só é indicado para quem já iniciou a vida sexual.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Você provavelmente já ouviu falar do exame preventivo ginecológico. A questão é que muita gente associa esse cuidado apenas ao papanicolau, sendo que a prevenção vai muito além disso. Esse conjunto de exames ajuda a detectar alterações ginecológicas e é uma oportunidade de cuidar da saúde da mulher de forma integral.

    A ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que o ginecologista é reconhecido como médico generalista que cuida da saúde da mulher.

    “É claro que temos um foco na saúde feminina geniturinária, principalmente passando por três funções, a menstrual, a obstétrica e a sexual, mas na prevenção nós olhamos de forma mais abrangente e holística”, conta a especialista.

    O que é o exame preventivo ginecológico

    O exame preventivo é uma consulta voltada para avaliar diferentes aspectos da saúde feminina em cada fase da vida. Ele envolve desde a coleta do papanicolau, exame que identifica lesões causadas pelo HPV que podem evoluir para câncer de colo do útero, até exames de imagem e laboratoriais, de acordo com a idade e os fatores de risco de cada mulher.

    “O papanicolau é um exame para prevenção de uma doença, mas o preventivo é quando falamos de tudo da parte ginecológica, ou seja, vamos pensar em câncer de mama, câncer de útero, câncer de colo de útero e outros menos frequentes, como câncer de vagina e câncer de vulva”, explica a médica.

    O preventivo ginecológico também vai olhar outras doenças, como risco cardiovascular e risco de osteoporose. “Isso pensando na mulher que já tem uma certa idade de climatério”, explica a ginecologista.

    Quando começar a fazer o exame preventivo

    A recomendação é que toda mulher inicie o acompanhamento ginecológico após o início da vida sexual. Os exames solicitados, no entanto, variam de acordo com a idade e histórico familiar.

    “Nas mulheres mais jovens, o principal foco de atenção é naquelas doenças com maior prevalência na idade, como câncer de colo do útero. Já entre as mulheres que estão próximas do climatério, a prevenção se volta também para outras doenças, cuja incidência começa a aumentar nesse período da vida”.

    Ou seja, cada fase da vida tem seus focos de atenção e o acompanhamento deve ser adaptado.

    “Mulheres que começam a fazer o acompanhamento cedo costumam se manter nele ao longo das fases da vida: início da vida sexual, fase reprodutiva, filhos, climatério e menopausa. Em cada etapa, a forma de olhar muda, mas o acompanhamento é contínuo”, explica Andreia.

    Principais exames do preventivo

    • Papanicolau e HPV: para rastreamento de câncer de colo de útero;
    • Colposcopia e vulvoscopia: quando há alterações ou HPV positivo, permitem analisar lesões invisíveis a olho nu;
    • Ultrassom transvaginal: avalia útero, endométrio, miomas, ovários, cistos e pólipos;
    • Exames de mama: ultrassonografia em mulheres jovens e mamografia somada ao ultrassom a partir dos 40 anos;
    • Ressonância de mamas: em casos de prótese ou necessidade de avaliação detalhada;
    • Exames de sangue: hemograma, vitaminas, colesterol e glicemia;
    • Exames complementares no climatério: densitometria óssea (a partir de 50 anos), endoscopia e colonoscopia (a partir de 45 anos).

    Para mulheres com prótese de silicone, às vezes o ultrassom ou a mamografia são complementados com a ressonância magnética. “Usamos para ver principalmente detalhes na parte posterior da prótese ou mesmo da integridade da prótese”, explica a médica.

    Diferença entre SUS e saúde privada

    Os protocolos de rastreamento podem mudar dependendo se a mulher faz acompanhamento pelo sistema público ou privado.

    No setor privado, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos. Já no SUS, a oferta é diferente.

    “Como o SUS tem a preocupação em ser o melhor equilíbrio entre universal e integral, ele acaba oferecendo a mamografia a cada dois anos a partir dos 50 anos. Como não tem recurso para oferecer para todo mundo todo ano, essa é uma forma de garantir que esse exame seja oferecido para mais pessoas”, explica a médica.

    Como se preparar para o exame preventivo

    Não existe um grande mistério na preparação para o exame.

    “Orientamos que a mulher não tenha relação sexual 72 horas antes da coleta e não esteja menstruada, pois essas situações alteram o resultado”, diz a médica. “Isso não quer dizer que exista uma alteração real, mas pode mascarar o resultado normal e atrapalhar a investigação”.

    No climatério, pode haver atrofia genital intensa. “Se não houver contraindicação, às vezes é prudente preparar a vagina com estrogênio antes do papanicolau para evitar alterações nos resultados”, explica a especialista.

    Perguntas frequentes sobre o exame preventivo ginecológico

    1. A partir de que idade devo ir ao ginecologista?

    A ginecologista recomenda que a menina tenha pelo menos uma consulta inicial quando menstrua, para receber orientações. O outro momento é quando tem ou está prestes a ter a primeira relação sexual, para receber orientações sobre contracepção e começar os exames preventivos.

    2. Preciso ir ao ginecologista todo ano?

    Sim, o ideal é passar em consulta anualmente, pois o ginecologista consegue olhar a saúde da mulher de forma integral e solicitar os exames necessários para cada fase.

    3. O exame preventivo ginecológico inclui só o papanicolau?

    Não. Ele envolve também avaliação das mamas, útero, ovários e outros exames, dependendo da idade da mulher.

    4. Mulheres que nunca tiveram relação sexual precisam fazer?

    Não precisam fazer o papanicolau, mas devem ir ao ginecologista. A consulta é necessária de qualquer forma, porque não se previne só câncer de colo uterino, mas também câncer de mama, de útero, de ovários, além de avaliar vulva e vagina, incontinência urinária e outras condições.

    5. Quem tem prótese mamária precisa de exames diferentes?

    Sim. Às vezes, a ressonância é indicada para avaliar detalhes da prótese e integridade.

    6. O SUS oferece todos os exames do preventivo?

    O SUS segue protocolos próprios, que incluem papanicolau e mamografia a cada dois anos a partir dos 50, além de outros exames conforme a necessidade.