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  • Ansiedade causa esquecimento? Sinais de que a sua mente está sobrecarregada

    Ansiedade causa esquecimento? Sinais de que a sua mente está sobrecarregada

    Se você é uma pessoa que convive com a ansiedade, já deve ter notado que alguns lapsos de memória podem acontecer no dia a dia, especialmente em períodos de maior estresse. É comum, por exemplo, esquecer onde deixou as chaves, o que ia dizer no meio de uma conversa ou ter dificuldade para lembrar um compromisso ou uma tarefa.

    Na maioria dos casos, os pequenos esquecimentos são temporários e funcionam como um alerta de que a mente está sobrecarregada. A ansiedade mantém o cérebro em estado constante de alerta, fazendo com que grande parte da atenção fique voltada para preocupações, medos e pensamentos repetitivos.

    Assim, pode ficar mais difícil se concentrar, registrar novas informações e recuperar lembranças com facilidade.

    Como a ansiedade afeta a memória?

    Quando você está passando por uma crise de ansiedade ou vive sob estresse constante, o corpo entende que você está em uma situation de perigo e o cérebro estimula a produção de hormônios como o cortisol e a adrenalina.

    De acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann, uma reação química que coloca você em um estado de alerta total, voltando todas as energias para a sobrevivência.

    Quando permanece elevado por longos períodos, o cortisol pode afetar o funcionamento do hipocampo, região do cérebro responsável pela formação e pelo armazenamento das memórias. Consequentemente, a capacidade de registrar e recuperar informações pode ficar temporariamente prejudicada.

    Ainda, a ansiedade consome grande parte da energia mental com preocupações, medos e pensamentos repetitivos. Com a atenção constantemente voltada para possíveis ameaças ou problemas, fica mais difícil se concentrar no que está acontecendo no momento.

    Assim, o cérebro pode não registrar adequadamente algumas informações, o que favorece esquecimentos, dificuldades de concentração e a sensação de branco mental no cotidiano.

    Principais sinais de esquecimento por ansiedade

    Em casos de ansiedade intensa, é comum que a atenção e a concentração fiquem prejudicadas, o que pode causar falhas como:

    • Esquecer onde guardou objetos comuns como chaves ou celular;
    • Ter brancos na mente no meio de conversas ou reuniões;
    • Entrar em um cômodo da casa e não lembrar o que ia fazer ali;
    • Apresentar muita dificuldade para se concentrar em leituras ou explicações;
    • Esquecer compromissos importantes anotados recentemente;
    • Sentir muita dificuldade para fixar nomes de pessoas recém-apresentadas;
    • Perder o fio da meada ao tentar realizar uma tarefa simples do dia a dia;
    • Levar muito mais tempo para absorver e aprender informações novas.

    “Não é um problema definitivo, ou seja, não há uma morte do neurônio naquela região, mas sim um acometimento que chamamos de funcional. Ele volta ao normal com o tratamento”, explica Luiz.

    Como diferenciar a ansiedade de problemas mais graves?

    Para quem já está ansioso, perceber que a memória está falhando pode causar medo de que isso seja o início de uma doença neurológica grave, como o Alzheimer. No entanto, existem algumas diferenças entre os lapsos causados pelo estresse emocional e os problemas cognitivos mais profundos:

    • A atenção é o principal problema: na ansiedade, a mente fica ocupada com preocupações e acaba registrando menos informações. Por isso, quando alguém relembra o contexto, a pessoa consegue se lembrar do que aconteceu;
    • A orientação permanece preservada: uma pessoa ansiosa pode esquecer compromissos ou datas, mas sabe onde está e reconhece normalmente as pessoas ao seu redor. Em doenças neurodegenerativas, podem surgir dificuldades para se localizar ou reconhecer pessoas conhecidas;
    • O raciocínio continua funcionando: a ansiedade pode causar distrações, mas não costuma comprometer a capacidade de resolver problemas ou realizar tarefas do dia a dia;
    • Os sintomas variam com o estresse: os lapsos de memória tendem a piorar em períodos mais difíceis e melhorar quando a ansiedade está controlada. Já nas doenças neurodegenerativas, a perda de memória costuma ser progressiva;

    Um detalhe importante é que quem convive com ansiedade normalmente consegue notar os esquecimentos e se preocupa com eles. Em muitos casos de demência, são os familiares que percebem as mudanças primeiro.

    “Na maioria das vezes, isso não significa um problema neurológico, mas tem que avaliar, dependendo da a idade, do histórico familiar, dos sintomas que estão acontecendo”, destaca Luiz.

    O que fazer para melhorar a memória afetada pela ansiedade?

    Como os lapsos de memória causados pela ansiedade não são definitivos, a melhor forma de recuperar o foco e a capacidade de retenção é reduzir os níveis de estresse:

    • Praticar exercícios físicos regularmente: além de ajudar a reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, ela estimula a liberação de substâncias que melhoram o humor, a concentração e favorecem a memória;
    • Priorizar a higiene do sono: é durante o sono que o cérebro organiza e consolida as informações aprendidas ao longo do dia. Dormir mal pode prejudicar esse processo e aumentar os lapsos de memória. Por isso, vale a pena criar uma rotina de sono e evitar telas antes de dormir
    • Apostar em técnicas de respiração e mindfulness: a meditação e os exercícios de respiração ajudam a reduzir a ansiedade e a trazer a atenção para o momento presente. Com a mente mais calma, fica mais fácil se concentrar e lembrar das informações importantes;
    • Usar ferramentas de apoio: agendas, aplicativos de tarefas, blocos de notas e alarmes podem ajudar a aliviar a sobrecarga mental. Registrar compromissos e lembretes reduz a preocupação de esquecer algo importante
    • Fazer pausas ao longo do dia: passar horas seguidas realizando tarefas pode prejudicar a concentração. Pequenas pausas para descansar, beber água ou simplesmente respirar ajudam o cérebro a recuperar o foco e processar melhor as informações.

    Conforme você aprende a controlar os gatilhos da ansiedade e adota hábitos mais saudáveis, a sensação de névoa mental (brain fog) tende a diminuir, e a sua capacidade de concentração e memória volta ao normal.

    Quando é hora de procurar um médico?

    É importante buscar avaliação médica quando os esquecimentos se tornam frequentes, intensos ou começam a interferir nas atividades do dia a dia. Veja alguns sinais de alerta:

    • Dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples e habituais;
    • Esquecimento frequente de informações importantes ou acontecimentos recentes;
    • Confusão sobre datas, lugares ou situações;
    • Dificuldade para encontrar palavras durante conversas;
    • Mudanças de comportamento, personalidade ou humor sem causa aparente;
    • Perda de memória que piora progressivamente ao longo do tempo.

    Se os sintomas de ansiedade estiverem afetando a sua qualidade de vida, o seu sono, o seu trabalho ou os seus relacionamentos, também vale a pena procurar ajuda profissional. Um médico ou psicólogo pode avaliar o que está acontecendo e orientar o melhor caminho para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. Como saber se meu esquecimento é ansiedade ou Alzheimer?

    O esquecimento por ansiedade flutua (melhora nos dias calmos) e está muito ligado à distração. No Alzheimer, a perda de memória é progressiva, piora continuamente e vem acompanhada de desorientação no tempo, no espaço e perda de habilidades cotidianas.

    2. Tomar remédio para ansiedade melhora a memória?

    Sim, de forma indireta. Ao controlar os sintomas químicos da ansiedade, o cérebro sai do modo de alerta e os níveis de cortisol baixam, o que permite que a concentração e a memória voltem a funcionar de forma adequada.

    3. Vitamina para a memória ajuda no caso de ansiedade?

    Se não houver uma deficiência nutricional real (como falta de vitamina B12), os suplementos sozinhos não vão resolver o problema. O foco deve ser o controle do estresse e a regulação da ansiedade para que o cérebro volte a funcionar bem.

    4. O que é a névoa mental da ansiedade?

    É aquela sensação de que o pensamento está lento, confuso e que exige um esforço enorme para raciocinar. Ela acontece quando o cérebro está exausto de processar tantas preocupações e entra em um estado de fadiga.

    5. O estresse pós-traumático (TEPT) afeta a memória do dia a dia?

    Sim, de forma bastante intensa. O cérebro de quem sofre com TEPT permanece revivendo o trauma em segundo plano, consumindo a maior parte dos recursos cognitivos. Isso deixa pouca energia mental para reter informações simples e cotidianas.

    6. Qual profissional devo procurar primeiro se notar falhas de memória?

    O ideal é começar com um clínico geral ou um psicólogo/psiquiatra se você suspeita que a causa é o estresse. Caso o profissional perceba que os lapsos não condizem com um quadro de ansiedade, ele fará o encaminhamento para um neurologista.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Você esquece nomes, datas e objetos com frequência? Saiba se é normal e o que fazer

    Você esquece nomes, datas e objetos com frequência? Saiba se é normal e o que fazer

    Esquecer o nome de alguém que você acabou de conhecer, entrar em um cômodo sem lembrar o que foi fazer ou passar vários minutos procurando as chaves pela casa são situações comuns na rotina.

    Normalmente, os lapsos de memória estão ligados ao estilo de vida, como o estresse, as noites mal dormidas ou simplesmente a falta de atenção por fazer muitas coisas ao mesmo tempo.

    No entanto, quando as falhas de memória começam a se tornar frequentes, intensas ou passam a atrapalhar atividades simples da rotina, a neurologista Paula Dieckmann orienta procurar uma avaliação médica.

    Em casos mais raros, os esquecimentos podem estar relacionados a fatores emocionais, excesso de sobrecarga mental e até algumas condições de saúde que precisam de investigação. Vamos entender mais, a seguir.

    Esquecer nomes e objetos é normal?

    A resposta é sim, esquecer nomes e objetos de vez em quando é considerado normal, principalmente em períodos de estresse, ansiedade, excesso de tarefas, noites mal dormidas ou falta de atenção. Muitas vezes, o cérebro está sobrecarregado e acaba não registrando algumas informações direito.

    De acordo com Paula, quando você coloca o celular na mesa enquanto pensa em várias coisas ao mesmo tempo, por exemplo, o cérebro pode nem registrar direito aquele momento — e o que não foi registrado com atenção fica muito mais difícil de lembrar depois.

    Outra questão é que os nomes próprios são particularmente mais difíceis para o cérebro, porque não possuem uma associação direta com significado, então é comum esquecê-los. Na maior parte das vezes, a neurologista explica que isso faz parte do funcionamento normal da memória.

    O que pode causar o esquecimento frequente?

    O esquecimento frequente pode ter várias causas, e nem sempre está relacionado a um problema grave de memória. Normalmente, ele é resultado de:

    • Estresse e ansiedade;
    • Noites mal dormidas;
    • Sobrecarga mental e excesso de tarefas;
    • Falta de atenção no dia a dia;
    • Depressão;
    • Uso excessivo de álcool;
    • Uso de alguns medicamentos;
    • Deficiência de vitamina B12;
    • Alterações hormonais;
    • Envelhecimento natural.

    Quando o esquecimento pode ser sinal de algo grave?

    O esquecimento pode ser um sinal de alerta quando começa a acontecer com muita frequência, piora ao longo do tempo ou passa a atrapalhar atividades simples da rotina. Assim, fique atento se os lapsos de memória vierem acompanhados de:

    • Desorientação temporal ou espacial, como esquecer em que dia da semana está, em que ano vivemos ou se perder em trajetos conhecidos;
    • Dificuldade para realizar tarefas do dia a dia, como usar eletrodomésticos, cozinhar receitas familiares ou organizar contas;
    • Alterações na linguagem, como esquecer palavras simples com frequência ou trocar nomes por termos sem sentido;
    • Mudanças de comportamento e humor, incluindo apatia, agressividade, confusão ou paranoia sem motivo aparente;
    • Repetição excessiva de perguntas ou histórias em um curto período de tempo sem perceber.

    Se você ou um familiar notar que os sinais estão se tornando frequentes e prejudicando a qualidade de vida, é recomendável agendar uma consulta com um neurologista ou geriatra.

    Como melhorar a memória e a concentração?

    No dia a dia, some algumas mudanças na rotina podem ajudar o cérebro a funcionar melhor e reduzir os lapsos de memória do dia a dia, como:

    • Dormir entre 7 e 9 horas por noite para ajudar o cérebro a consolidar as memórias;
    • Evitar telas antes de dormir, já que a luz do celular e da TV pode atrapalhar o sono;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em ômega-3, frutas, verduras e vegetais escuros;
    • Beber água ao longo do dia, porque até a desidratação leve pode afetar a concentração;
    • Praticar atividade física regularmente para melhorar a oxigenação cerebral;
    • Controlar o estresse e a ansiedade, que podem prejudicar a atenção e a memória;
    • Fazer exercícios mentais, como leitura, palavras cruzadas, aprender um idioma ou tocar um instrumento;
    • Sair do “piloto automático” e estimular o cérebro com novas atividades e hábitos;
    • Evitar fazer muitas tarefas ao mesmo tempo, já que o excesso de estímulos reduz o foco;
    • Usar agendas, listas e lembretes para organizar a rotina e diminuir a sobrecarga mental.

    Além dos hábitos de vida, alguns medicamentos também podem prejudicar a memória, como calmantes, antialérgicos e certos remédios para pressão arterial. O consumo frequente de álcool também pode afetar a capacidade de lembrar informações.

    Por isso, ao perceber falhas de memória frequentes, é importante conversar com um médico para revisar os medicamentos e suplementos em uso, já que ajustes simples podem ajudar a melhorar a clareza mental.

    Veja também: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

    Perguntas frequentes

    1. É normal esquecer o que ia fazer ao entrar em um cômodo?

    Sim, e isso é conhecido como “efeito porta”. O cérebro entende a mudança de ambiente como um novo contexto e apaga informações irrelevantes do ambiente anterior para focar no novo.

    2. Qual a diferença entre esquecimento comum e Alzheimer?

    No esquecimento comum, você esquece um nome, mas lembra depois. No Alzheimer, a pessoa esquece a função de objetos (para que serve uma chave) ou não reconhece pessoas muito próximas.

    3. O uso excessivo de celular prejudica a concentração?

    Sim, o excesso de estímulos e o hábito de “rolar a tela” (scroll) treinam o cérebro para manter uma atenção superficial e fragmentada, o que prejudica o foco profundo.

    4. O que é névoa mental (brain fog)?

    É uma sensação de confusão e falta de clareza mental, comum em casos de estresse crônico, alterações hormonais (como na menopausa) ou após infecções virais.

    5. Café ajuda a estudar e lembrar melhor?

    A cafeína melhora o alerta e a atenção imediata, mas o excesso pode causar ansiedade e insônia, o que acaba prejudicando a memória a longo prazo.

    6. Quando devo levar um idoso ao médico por esquecimento?

    Quando ele começar a repetir a mesma história várias vezes, perder-se em locais conhecidos ou apresentar mudanças bruscas de personalidade.

    7. Qual exame detecta problemas de memória?

    O diagnóstico começa com testes neuropsicológicos (perguntas e tarefas) e pode incluir exames de sangue (para ver vitaminas e tireoide) e ressonância magnética do crânio.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas