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  • Foi picado por cobra, escorpião ou aranha? Saiba o que fazer agora

    Foi picado por cobra, escorpião ou aranha? Saiba o que fazer agora

    Os acidentes causados por animais peçonhentos seguem sendo um importante problema de saúde pública no Brasil. A combinação entre grande biodiversidade, clima favorável e expansão urbana para áreas naturais aumenta o risco de contato entre humanos e espécies capazes de inocular veneno. Todos os anos, milhares de pessoas procuram atendimento médico após picadas, especialmente por cobras, escorpiões e aranhas.

    Esses acidentes podem provocar desde reações locais leves até quadros graves e potencialmente fatais, exigindo atendimento rápido e conduta adequada. Saber identificar os principais tipos de acidentes, reconhecer sinais de gravidade e entender o que fazer — e o que não fazer — pode reduzir complicações e salvar vidas.

    Quais animais peçonhentos causam mais acidentes no Brasil?

    No Brasil, os acidentes mais relevantes do ponto de vista clínico e epidemiológico envolvem:

    • Cobras;
    • Escorpiões;
    • Aranhas.

    Outros animais também podem causar acidentes, como abelhas, lagartas, vespas, marimbondos, lacraias, arraias, bagres, águas-vivas e caravelas, mas os quadros mais graves estão associados principalmente aos três primeiros grupos.

    Acidentes ofídicos (picadas por cobras)

    Os acidentes ofídicos ocorrem após a mordedura de serpentes peçonhentas e são classificados conforme o gênero da cobra envolvida.

    Acidente botrópico

    É o tipo mais comum no Brasil, causado por serpentes do gênero Bothrops, como as jararacas.

    O veneno tem ação inflamatória e anticoagulante, provocando:

    • Dor e inchaço local;
    • Manchas arroxeadas na pele;
    • Sangramentos em gengivas, feridas e urina;
    • Risco de necrose no local da picada.

    Acidente crotálico

    Causado por serpentes do gênero Crotalus, como a cascavel. Geralmente há pouca dor no local. Os sintomas são:

    • Sonolência;
    • Visão turva;
    • Dificuldade para manter os olhos abertos;
    • Dor de cabeça;
    • Dores musculares;
    • Enjoo.

    Nos casos graves, pode ocorrer insuficiência respiratória.

    Acidente laquético

    Provocado por serpentes do gênero Lachesis, como a surucucu-pico-de-jaca. Apresenta manifestações semelhantes ao acidente botrópico e pode cursar com:

    • Dor abdominal intensa;
    • Vômitos;
    • Queda da pressão arterial;
    • Diminuição da frequência cardíaca.

    Acidente elapídico

    Relacionado às corais-verdadeiras (Micrurus). Pode causar:

    • Dor local;
    • Sonolência;
    • Visão borrada;
    • Pálpebras caídas.

    Nos casos graves, ocorre paralisia dos músculos respiratórios, com risco de morte se não houver tratamento rápido.

    Acidentes por aranhas

    Os acidentes por aranhas acontecem pela inoculação do veneno através das presas.

    Acidente loxoscélico

    Causado pela aranha-marrom, que não é agressiva e costuma picar de forma acidental. Os sintomas incluem:

    • Dor local;
    • Lesão de pele arroxeada com áreas pálidas;
    • Formação de bolhas com conteúdo sanguinolento.

    Em casos mais graves, podem surgir febre, mal-estar, dores no corpo, pele amarelada, anemia e presença de sangue na urina.

    Acidente fonêurico

    Provocado pela aranha-armadeira. Caracteriza-se por:

    • Dor intensa imediata;
    • Inchaço;
    • Vermelhidão;
    • Formigamento no local da picada.

    Acidente latrodéctico

    Causado pela viúva-negra, que também não costuma ser agressiva. Pode provocar:

    • Dor local;
    • Sudorese intensa;
    • Alterações da pressão arterial e da frequência cardíaca;
    • Tremores;
    • Espasmos e contraturas musculares.

    Acidentes escorpiônicos

    Os acidentes escorpiônicos ocorrem pela inoculação do veneno através do ferrão do escorpião. As principais espécies envolvidas no Brasil são:

    • Escorpião-amarelo;
    • Escorpião-marrom;
    • Escorpião-preto-da-amazônia.

    Inicialmente, há dor intensa no local, que pode irradiar pelo membro acometido, associada a formigamento, vermelhidão e sudorese.

    Com a progressão do quadro, podem surgir sintomas sistêmicos, como:

    • Sudorese intensa;
    • Agitação;
    • Tremores;
    • Náuseas e vômitos;
    • Salivação excessiva.

    Em casos mais graves, pode haver comprometimento cardíaco, com variações da pressão arterial e arritmias.

    Primeiros socorros após picada por animal peçonhento

    Após um acidente, a principal medida é procurar atendimento médico imediatamente. Enquanto isso, algumas orientações iniciais incluem:

    • Lavar o local da picada com água e sabão, se possível;
    • Manter o paciente em repouso;
    • Elevar o membro acometido;
    • Retirar anéis, pulseiras, relógios, calçados ou roupas apertadas;
    • Em acidentes com cobras, incentivar hidratação oral se o paciente estiver consciente;
    • Em acidentes com escorpiões e aranhas, compressas mornas podem ajudar a aliviar a dor.

    No serviço de saúde, o paciente será avaliado e, se indicado, receberá o soro específico (antiofídico, antiescorpiônico ou antiaracnídico).

    O que não fazer em caso de picada

    Algumas práticas populares devem ser evitadas, pois podem agravar o quadro:

    • Não fazer torniquete;
    • Não cortar, queimar ou espremer o local;
    • Não aplicar substâncias caseiras;
    • Não realizar curativos antes da avaliação médica;
    • Não “chupar o veneno”, pois isso não remove a toxina e aumenta o risco de infecção.

    Veja mais: Como a doença de Chagas é transmitida e por que ainda preocupa

    Perguntas frequentes sobre picadas por animais peçonhentos

    1. O que fazer primeiro após uma picada por animal peçonhento?

    A principal medida é procurar atendimento médico imediatamente. Como orientação inicial, pode-se lavar o local com água e sabão, manter o paciente em repouso e elevar o membro acometido, além de retirar anéis, pulseiras, relógios, calçados ou roupas apertadas da região afetada.

    2. Posso fazer torniquete para impedir o veneno de “subir”?

    Não. O torniquete não deve ser feito, pois pode interromper o fluxo sanguíneo e causar necrose do membro.

    3. É recomendado cortar, queimar, espremer ou “chupar” o local da picada?

    Não. Essas práticas não removem a toxina, podem piorar a lesão e ainda aumentam o risco de infecção. Também não se deve aplicar substâncias no local.

    4. Compressa fria ou quente: qual é indicada?

    No texto, a orientação é que, em acidentes com escorpiões e aranhas, compressas mornas podem ajudar a aliviar a dor.

    5. Quando o soro é necessário?

    No serviço de saúde, o paciente será avaliado e, se indicado, receberá o soro específico conforme o tipo de acidente, como soro antiofídico, antiescorpiônico ou antiaracnídico.

    6. Quais animais peçonhentos são citados como mais relevantes no Brasil?

    O texto cita como principais animais envolvidos em acidentes no país: cobras, escorpiões, aranhas, abelhas, lagartas, vespas, marimbondos, lacraias, arraias, bagres, águas-vivas e caravelas.

    7. O que devo evitar fazer antes de ser avaliado no serviço de saúde?

    O texto orienta evitar torniquete; não cortar, queimar, espremer ou aplicar substâncias no local; não realizar curativos antes da avaliação médica; e não “chupar o veneno”.

    Veja mais: Nariz sangrando: o que fazer na hora e quando procurar ajuda