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  • Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva no mundo. A condição ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste internamente o útero, cresce fora do local habitual, podendo provocar dor pélvica, alterações menstruais e dificuldades para engravidar.

    A doença se manifesta de formas diferentes em cada mulher e, em alguns casos, pode evoluir para formas mais complexas, como o endometrioma, um tipo de cisto que se forma no ovário a partir do acúmulo de tecido endometrial e sangue antigo, frequentemente associado à endometriose ovariana.

    Em muitos casos, o endometrioma é identificado durante exames de imagem, como o ultrassom, e pode surgir tanto em mulheres com sintomas quanto em pacientes que realizam investigação ginecológica de rotina.

    O que é endometrioma e como ele se forma?

    O endometrioma, popularmente conhecido como “cisto de chocolate”, é um tipo específico de cisto no ovário que surge como uma complicação da endometriose. Ele se desenvolve quando células semelhantes ao tecido endometrial se implantam na superfície ou no interior dos ovários e passam a responder aos estímulos hormonais do ciclo menstrual.

    A cada ciclo menstrual, as células também sofrem sangramento, assim como ocorre com o endométrio dentro do útero. No entanto, por estarem fora do local habitual, o sangue não encontra saída e se acumula progressivamente, formando uma cavidade preenchida por um líquido espesso, de coloração escura.

    Com o passar do tempo, o cisto pode crescer e comprimir o tecido ovariano saudável ao redor, reduzindo a reserva de folículos e prejudicando a função do ovário. Em casos mais avançados, o endometrioma pode afetar os dois ovários simultaneamente, agravando ainda mais o impacto sobre a fertilidade.

    Causas do endometrioma

    As causas exatas do endometrioma ainda não são completamente entendidas, mas acredita-se que o problema esteja relacionado aos mesmos mecanismos que levam ao desenvolvimento da endometriose.

    Uma delas é a menstruação retrógrada, um processo em que parte do sangue menstrual retorna pelas tubas uterinas e chega à cavidade pélvica. Os fragmentos de tecido endometrial podem se fixar nos ovários e passar a responder aos hormônios do ciclo menstrual.

    Com o tempo, os sangramentos repetidos desses focos podem levar ao acúmulo de sangue antigo dentro do ovário, formando o cisto característico do endometrioma.

    Além da menstruação retrógrada, outros fatores também podem estar envolvidos no surgimento da condição, como:

    • Predisposição genética;
    • Alterações no sistema imunológico;
    • Processos inflamatórios na região pélvica;
    • Fatores hormonais.

    A presença de endometriose é considerada o principal fator associado ao desenvolvimento do endometrioma.

    Quais os sintomas do endometrioma?

    O endometrioma nem sempre causa sintomas, especialmente no início. Mas, quando eles aparecem, costumam estar relacionadas à própria endometriose e ao processo inflamatório provocado pela doença. Os mais comuns incluem:

    • Dor pélvica (dor na parte baixa da barriga);
    • Cólica menstrual forte, que pode piorar com o tempo;
    • Dor durante ou após a relação sexual;
    • Dificuldade para engravidar;
    • Sensação de peso ou pressão na parte inferior do abdômen;
    • Inchaço abdominal em alguns casos.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, em alguns casos, o cisto pode romper ou causar torção do ovário, causando uma dor súbita e muito intensa no abdômen. Nessas situações, a especialista explica que a paciente deve procurar atendimento médico rapidamente.

    Como é feito o diagnóstico do endometrioma?

    O diagnóstico do endometrioma costuma ser feito por meio da ultrassonografia pélvica ou transvaginal, que é um exame de imagem bastante utilizado na avaliação ginecológica.

    De acordo com Andreia, o endometrioma é considerado um cisto de ovário complexo, porque não corresponde a um cisto simples relacionado à ovulação. Ele possui um conteúdo espesso formado por sangue antigo, resultado dos sangramentos repetidos do tecido endometrial fora do útero.

    Por isso, o cisto apresenta características muito típicas no ultrassom, o que permite ao médico levantar uma forte suspeita diagnóstica durante o exame. Em muitos casos, apenas a ultrassonografia já é suficiente para identificar o cisto e orientar o acompanhamento.

    Depois da identificação, a abordagem do médico, seja apenas acompanhamento ou tratamento, depende de fatores como o tipo de cisto, o tamanho da lesão e os sintomas apresentados pela paciente.

    Qual o tratamento de endometrioma?

    O tratamento do endometrioma depende de fatores como tamanho do cisto, os sintomas apresentados e o desejo de engravidar da mulher.

    Quando o endometrioma é pequeno e não provoca sintomas importantes, o médico pode optar apenas pelo acompanhamento periódico com ultrassom. Nesse caso, o objetivo é observar se o cisto permanece estável ou se apresenta crescimento ao longo do tempo.

    Para mulheres que não estão tentando engravidar, pode ser indicado tratamento hormonal, normalmente com pílula anticoncepcional ou outros métodos hormonais. Ele ajuda a reduzir a atividade da endometriose e pode controlar os sintomas, como dor pélvica e cólicas intensas.

    Quando a cirurgia é indicada?

    De acordo com Andreia, a cirurgia é indicada em algumas situações específicas, como:

    • O endometrioma tem mais de 6 cm de diâmetro;
    • Há ruptura do cisto, causando dor aguda intensa;
    • A paciente está tentando engravidar, especialmente quando há indicação de cirurgia para tratar a endometriose;
    • O tratamento clínico não apresenta resposta adequada;
    • Existem sintomas persistentes, como dor pélvica importante.

    Durante o procedimento, o objetivo principal é retirar o cisto e preservar ao máximo o tecido saudável do ovário. Como o endometrioma é uma doença benigna, a retirada completa do ovário costuma ser evitada sempre que possível.

    Endometrioma pode voltar após o tratamento?

    Mesmo após uma cirurgia bem realizada, se a paciente voltar a menstruar, Andreia explica que existe risco de formação de um novo endometrioma. Isso acontece porque a condição está relacionada à endometriose, que pode continuar ativa ao longo dos ciclos hormonais.

    Durante a gravidez, por exemplo, o eixo hormonal fica temporariamente bloqueado e a menstruação não ocorre, o que reduz a chance de recorrência naquele período.

    Mas, depois do retorno dos ciclos menstruais, o risco volta a existir. A realização de um tratamento prévio não impede completamente o reaparecimento da doença. A endometriose tende a deixar de evoluir apenas após a chegada da menopausa.

    Endometrioma pode virar câncer?

    O endometrioma é uma condição benigna, não sendo considerada um câncer. Na grande maioria dos casos, o cisto permanece benigno ao longo do tempo e não evolui para um tumor maligno.

    Mas, em casos extremamente raros, o endometrioma pode se transformar em câncer de ovário, especificamente tipos como o carcinoma de células claras ou endometrioide. A situação é incomum e costuma estar associada a fatores como idade mais avançada, presença de endometriose de longa duração ou alterações suspeitas observadas em exames de imagem.

    Por isso, é necessário manter o acompanhamento ginecológico regular, com avaliação clínica e realização de exames de imagem, o que permite observar o comportamento do cisto ao longo do tempo, identificar possíveis mudanças e definir, quando necessário, o tratamento mais indicado.

    Endometrioma tem cura?

    O endometrioma pode ser tratado e removido, principalmente por meio de cirurgia quando há indicação. No entanto, ele está ligado à endometriose, uma condição crônica que pode reaparecer ao longo do tempo.

    Mesmo após a retirada do cisto, existe a possibilidade de surgirem novos focos de endometriose ou de ocorrer a formação de outro endometrioma, especialmente se a paciente continuar menstruando.

    Por esse motivo, o tratamento do endometrioma costuma ter como objetivo controlar os sintomas, evitar a progressão da doença e preservar a função dos ovários, especialmente em mulheres que desejam engravidar.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a diferença exata entre endometriose e endometrioma?

    A endometriose é a doença onde o tecido endometrial cresce fora do útero. O endometrioma é uma consequência específica da doença: é um cisto que se forma nos ovários quando o tecido se instala ali. Portanto, quem tem endometrioma tem, obrigatoriamente, endometriose.

    2. Por que o endometrioma é chamado de “cisto de chocolate”?

    Porque o sangue acumulado dentro do cisto não tem para onde sair. Com o tempo, ele oxida e se torna marrom e espesso, ficando com o aspecto visual de chocolate derretido.

    3. É possível ter endometrioma e não sentir nenhuma dor?

    Sim. Algumas mulheres descobrem o cisto por acaso em exames de rotina. O tamanho do cisto nem sempre é proporcional à dor: cistos pequenos podem doer muito e cistos grandes podem ser silenciosos.

    4. Quem tem endometrioma pode engravidar naturalmente?

    Sim, é possível. Porém, o endometrioma pode dificultar a gestação por afetar a qualidade dos óvulos, impedir a ovulação ou causar obstruções nas tubas. Muitas mulheres precisam de ajuda especializada ou cirurgia prévia.

    5. A cirurgia para retirar o endometrioma prejudica a reserva ovariana?

    Existe esse risco. Ao retirar a cápsula do cisto, uma parte do tecido ovariano saudável (e seus óvulos) pode ser removida junto. Por isso, a decisão cirúrgica deve ser muito bem planejada, especialmente se a mulher deseja engravidar.

    6. Quem tem endometrioma pode praticar exercícios físicos?

    Sim, o exercício libera endorfinas (analgésicos naturais) e ajuda a reduzir os níveis de estrogênio no corpo. No entanto, durante crises de dor, atividades leves como ioga e caminhada são as mais recomendadas.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

  • Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

    Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

    A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais discutidas atualmente, e ainda assim, uma das mais subdiagnosticadas. Muitas mulheres convivem durante anos com cólicas incapacitantes, dor pélvica constante ou dificuldade para engravidar sem imaginar que esses sintomas podem estar ligados a uma condição que exige acompanhamento especializado.

    A doença afeta mulheres em idade fértil e pode comprometer rotina, bem-estar e saúde reprodutiva. A boa notícia é que, com informação, diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, preservar a fertilidade e manter qualidade de vida.

    O que é endometriose?

    A endometriose é uma doença ginecológica crônica e benigna. Ela acontece quando o tecido endometrial (que reveste o útero) cresce fora dele, em locais onde não deveria. Esses implantes podem surgir na pelve, ovários, intestino, bexiga e outros órgãos próximos.

    É relativamente comum: estima-se que entre 5% e 10% das mulheres em idade fértil tenham endometriose.

    Os diferentes tipos de endometriose

    A endometriose pode se manifestar de maneiras distintas. Por isso, é classificada em três grupos principais:

    1. Endometriose peritoneal

    Pequenos implantes distribuídos na superfície do peritônio (a membrana que reveste a pelve).

    2. Endometriose ovariana

    Forma cistos chamados endometriomas, geralmente repletos de conteúdo espesso e escuro.

    3. Endometriose profunda

    O tecido cresce mais profundamente, podendo atingir paredes de órgãos pélvicos e infiltrar 5 mm ou mais.

    Por que a endometriose acontece?

    A causa exata ainda não é totalmente compreendida, mas existem teorias importantes.

    Menstruação retrógrada (teoria de Sampson)

    Parte do sangue menstrual retorna pelas trompas para a pelve, carregando células do endométrio que se implantam em locais indevidos. Como nem todas as mulheres desenvolvem endometriose, acredita-se que fatores hormonais e imunológicos também participem.

    Metaplasia celômica

    Sugere que células da pelve poderiam se transformar em tecido semelhante ao endometrial.

    Provavelmente, mais de uma teoria atua ao mesmo tempo.

    Principais sintomas

    A endometriose é conhecida por causar sintomas que variam bastante, desde quadros silenciosos até dores intensas.

    Os mais comuns são:

    • Dor pélvica crônica;
    • Cólicas fortes (dismenorreia);
    • Dor durante a relação sexual;
    • Alterações intestinais ou urinárias cíclicas;
    • Dificuldade para engravidar.

    Muitas mulheres levam anos até receber o diagnóstico, porque esses sintomas podem ser confundidos com outras condições.

    Como é feito o diagnóstico

    O primeiro passo é uma avaliação clínica cuidadosa:

    • Investigação dos sintomas;
    • Exame ginecológico, que pode identificar nódulos dolorosos ou pouca mobilidade uterina.

    Depois, exames complementares ajudam a confirmar o quadro e mapear a extensão da doença:

    • Ultrassom pélvico e transvaginal com preparo intestinal;
    • Ressonância magnética.

    Quando a suspeita persiste ou há necessidade de tratamento cirúrgico, pode ser indicada uma videolaparoscopia, que permite visualizar e tratar os focos da doença ao mesmo tempo.

    Tratamento e controle

    A endometriose é crônica e necessita acompanhamento contínuo. O objetivo do tratamento é:

    • Reduzir a dor;
    • Controlar a progressão da doença;
    • Preservar a fertilidade.

    A escolha depende da gravidade, localização dos focos, idade e desejo de gestar.

    Tratamento clínico

    O mais comum, baseado em hormônios que bloqueiam a ovulação e diminuem o estímulo estrogênico:

    • Progestagênios;
    • Anticoncepcionais hormonais combinados;
    • DIU hormonal.

    Efeitos colaterais leves podem ocorrer, como alterações de humor ou ganho de peso.

    Tratamento cirúrgico

    Indicado quando:

    • Os sintomas não melhoram com o tratamento clínico;
    • Há endometriomas grandes;
    • Existe comprometimento intestinal ou urinário;
    • A infertilidade está relacionada à doença.

    A cirurgia é feita por videolaparoscopia e remove os focos da endometriose.

    Terapias complementares

    • Fisioterapia pélvica;
    • Psicoterapia.

    Essas abordagens ajudam a lidar com a dor e o impacto emocional.

    A endometriose é uma doença complexa, mas tratável. Com diagnóstico precoce, acompanhamento ginecológico e tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, proteger a fertilidade e levar uma vida plena.

    Cólicas muito intensas, dor pélvica persistente e dificuldade para engravidar merecem avaliação e, quanto antes, melhor.

    Confira: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

    Perguntas frequentes sobre endometriose

    1. Endometriose tem cura?

    Não, mas pode ser controlada. Muitas mulheres ficam sem sintomas com tratamento adequado.

    2. Toda dor menstrual forte é endometriose?

    Não. Mas cólicas incapacitantes devem sempre ser investigadas.

    3. Quem tem endometriose consegue engravidar?

    Sim. Algumas mulheres têm dificuldade, mas muitas engravidam de forma natural ou com apoio médico.

    4. O DIU hormonal ajuda?

    Sim, pode aliviar sintomas ao reduzir o estímulo hormonal sobre os focos da doença.

    5. A videolaparoscopia é sempre necessária?

    Não. Só quando os exames não esclarecem o diagnóstico ou há necessidade terapêutica.

    6. A endometriose volta após a cirurgia?

    Pode voltar, porque a doença é crônica. Por isso o acompanhamento é contínuo.

    7. Dor durante o sexo é normal?

    Não. Dor na relação sexual é um sintoma importante e deve ser investigado.

    Veja também: Endometriose: o que é e os tratamentos disponíveis

  • Endometriose: o que é, principais sintomas e tratamentos  

    Endometriose: o que é, principais sintomas e tratamentos  

    A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns entre mulheres em idade fértil, mas ainda é cercada de dúvidas e diagnóstico difícil. Estima-se que milhões de brasileiras convivam com a condição, muitas vezes sem saber, já que os sintomas podem ser confundidos com cólicas menstruais comuns.

    A seguir, você vai entender o que é a endometriose, quais são os principais sintomas, como ela afeta a fertilidade e quais os tratamentos disponíveis com a explicação da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é endometriose?

    A especialista explica que a camada interna do útero se chama endométrio, e é ela que descama na menstruação.

    “A endometriose é a presença desse tecido em um lugar que não é o habitual. Qualquer lugar pode ter endometriose. Existem locais mais comuns e outros mais raros, mas já temos relatos até de endometriose pulmonar, ou seja, um pedacinho de endométrio no pulmão”, explica a médica.

    “Então, se está fora do útero, é endometriose. Está fora do lugar, já chamamos de endometriose”.

    A questão é que esse tecido fora do útero continua respondendo aos hormônios do ciclo menstrual.

    “Ou seja, toda vez que o endométrio no útero descama na menstruação, esse foco de endometriose que está em outro lugar também sangra, porque o hormônio chega lá e estimula esse sangramento. O problema é que ele sangra em um local onde não há extravasamento, não há um canal de liberação. Então, esse lugar forma uma inflamação e uma fibrose crônica, porque não tem para onde escoar”.

    E é daí que vêm os sintomas, que variam conforme a localização dos focos, sendo dor e infertilidade os mais comuns.

    “É uma doença que, na grande maioria das vezes, cursa com dor: cólica menstrual, dor na relação sexual, dor que pode não ter relação com o ciclo menstrual, às vezes dor para urinar, tudo depende da localização do foco. Algumas mulheres não têm dor, mas podem ter infertilidade”.

    Leia também: Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Causas da endometriose

    Ainda não existe uma única explicação definitiva para a doença. Um dos fatores conhecidos é a chamada menstruação retrógrada, quando parte do sangue menstrual volta pelas trompas para a cavidade pélvica.

    Segundo a médica, quase todas as mulheres vão ter esse fenômeno. “Algumas não desenvolvem endometriose, outras sim. Existe uma teoria de que quem tem endometriose apresenta um sistema imunológico que não consegue limpar esses focos adequadamente”, conta.

    Principais sintomas da endometriose

    A endometriose é uma condição inflamatória que, na maioria das vezes, causa dor.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Cólica menstrual intensa e progressiva;
    • Dor pélvica fora do período menstrual;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Dor ao urinar ou evacuar, dependendo da localização dos focos;
    • Infertilidade em alguns casos.

    “Mesmo uma mulher sem dor, mas que está investigando infertilidade porque tenta engravidar e não consegue, precisa investigar endometriose”, ressalta a especialista.

    Um ponto importante destacado pela médica é que não há relação direta entre intensidade da dor e a gravidade da doença. Mulheres com poucos focos podem ter dor intensa, enquanto outras com lesões extensas podem sentir pouco desconforto.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico da endometriose pode ser desafiador, já que exames comuns muitas vezes não mostram a doença.

    O ultrassom transvaginal simples não identifica bem os focos, que podem ser pequenos e discretos. Por isso, os médicos pedem exames mais específicos, como:

    • Ultrassom transvaginal com preparo intestinal: semelhante ao preparo de colonoscopia, pois isso melhora a visualização dos focos;
    • Ressonância magnética com preparo intestinal: permite mapear lesões profundas de endometriose.

    Esses exames ajudam a definir a extensão e localização da doença, o que é essencial para planejar o tratamento.

    Endometriose e infertilidade

    Muitas mulheres descobrem a doença durante a investigação da infertilidade. Os focos podem comprometer a fertilidade de diferentes formas:

    • Obstruindo as trompas;
    • Alterando a ovulação nos ovários;
    • Distorcendo o endométrio e dificultando a implantação;
    • Criando um ambiente inflamatório desfavorável para o desenvolvimento de uma gestação.

    “A infertilidade pode ter origem tubária, ovariana, uterina ou até cervical. Muitas vezes, encontramos mais de um fator ao investigar. E é fundamental lembrar: a investigação deve sempre incluir o casal, porque podem existir fatores masculinos também”, ressalta a ginecologista.

    Tratamentos para endometriose

    O tratamento depende do grau da doença, dos sintomas e do desejo de engravidar.

    Tratamento clínico

    A endometriose é uma doença que depende dos hormônios para acontecer. Por isso, o tratamento clínico busca bloquear a menstruação e reduzir a ação hormonal sobre os focos. As opções de tratamento são:

    • Anticoncepcional hormonal contínuo;
    • DIU hormonal com progesterona;
    • Implantes hormonais;
    • Pílulas específicas para endometriose;
    • Analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor.

    “Quando bloqueio a menstruação, evito também que os focos de menstruação retrógrada continuem acontecendo. Isso ajuda a estacionar a progressão da endometriose”, explica a médica.

    Tratamento cirúrgico

    Quando os sintomas persistem ou em casos de infertilidade, pode ser indicada a cirurgia.

    A videolaparoscopia é a técnica mais utilizada. “Ela é muito mais vantajosa porque a câmera amplia o campo de visão, permitindo ver focos escondidos em lugares difíceis de acessar”, diz a ginecologista.

    Dependendo da localização, pode ser necessário atuar também no intestino ou na bexiga, em conjunto com outros especialistas.

    Se desconfia de endometriose, procure um médico

    A endometriose é uma doença crônica que pode afetar a qualidade de vida e a fertilidade da mulher. O diagnóstico precoce ajuda a controlar os sintomas e cuidar da fertilidade. Por isso, quem tem sintomas que indiquem endometriose deve procurar o médico.

    Com tratamento adequado, seja clínico ou cirúrgico, é possível ter alívio da dor, melhora na fertilidade e mais qualidade de vida.

    Perguntas frequentes sobre endometriose

    1. Toda cólica menstrual forte é sinal de endometriose?

    Não. A cólica pode ser comum, mas se for intensa, progressiva ou incapacitante, deve ser investigada por um médico.

    2. A endometriose tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas o tratamento ajuda a controlar a doença e os sintomas.

    3. A doença sempre causa infertilidade?

    Não. Nem todas as mulheres com endometriose vão ter dificuldade para engravidar, mas a condição aumenta o risco.

    4. O que piora a endometriose?

    A estimulação hormonal pela menstruação é o principal fator de piora para a doença.

    5. Anticoncepcional ajuda a tratar?

    Sim. O uso contínuo pode bloquear a menstruação e controlar os focos.

    Leia também: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

  • Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

    Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

    A endometriose é uma doença que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e, muitas vezes, impacta diretamente a qualidade de vida. Dados do Ministério da Saúde mostram que 1 a cada 10 mulheres sofre com a doença, que provoca dor intensa, cólicas que não passam com analgésicos comuns e até mesmo dificuldade para engravidar.

    Embora o tratamento clínico seja a primeira escolha, em alguns casos a cirurgia se torna necessária para aliviar sintomas e preservar a fertilidade.

    O que é a endometriose e quais são os sintomas

    A ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que a endometriose acontece quando o tecido que normalmente reveste o útero, chamado endométrio, aparece em locais fora dele. Esses focos de tecido continuam respondendo aos hormônios do ciclo menstrual, o que pode gerar inflamação e dor.

    Segundo a médica, os sintomas mais comuns são cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual, desconforto para urinar ou evacuar e, em alguns casos, dificuldade para engravidar. “Algumas mulheres não sentem dor, mas podem enfrentar infertilidade”, destaca Andreia.

    Quando a cirurgia de endometriose é indicada

    Em um primeiro momento, o tratamento de endometriose pode ser feito com medicamentos que bloqueiam a menstruação e estabilizam os níveis hormonais, além do uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Mas, quando os sintomas não são controlados ou há infertilidade, o tratamento cirúrgico para endometriose é considerado.

    “A cirurgia consiste em buscar os focos de endometriose, que muitas vezes causam fibrose. Às vezes, a gente nem enxerga os focos, porque estão escondidos dentro dessas fibroses. Então, precisamos abrir essas fibroses, retirar todos os focos e limpar o local”.

    Os focos podem atingir diferentes órgãos. “Às vezes, a endometriose está no ovário, formando endometriomas (cistos com conteúdo sanguinolento), às vezes em ligamentos atrás do útero, às vezes no intestino ou na bexiga. Quando acomete o intestino, pode ser necessário operar em conjunto com o cirurgião coloproctologista para retirar o pedaço afetado”.

    Como a cirurgia de endometriose é feita

    A videolaparoscopia, método menos invasivo, é a mais utilizada. “A maioria das cirurgias de endometriose é feita por videolaparoscopia. Ela é muito mais vantajosa porque a câmera amplia o campo de visão do cirurgião, permitindo ver focos escondidos em lugares difíceis de acessar”, detalha a médica.

    “Com os instrumentos da laparoscopia, conseguimos chegar atrás do útero, perto dos ligamentos – locais comuns de lesão – com muito mais precisão do que na cirurgia aberta. Por isso, para endometriose, a cirurgia é sempre laparoscópica”.

    Em alguns casos, após a cirurgia, a menstruação pode ser bloqueada temporariamente com medicamentos que simulam uma menopausa induzida, geralmente por seis meses, para reduzir o risco de recorrência da doença.

    Recuperação e cuidados após a cirurgia de endometriose

    O pós-operatório é um momento de dúvidas para muitas pacientes, mas tende a ser bem mais simples do que em procedimentos abertos. “A recuperação da laparoscopia é sempre mais tranquila do que a da cirurgia aberta, porque não há necessidade de cicatrizar todas as camadas da parede abdominal”.

    O tempo de internação é curto. “Em geral, a alta acontece entre 24 e 48 horas. A paciente precisa manter repouso relativo por até 14 dias, não dirigir, não pegar peso, não fazer exercício físico. Depois disso, é liberada gradualmente para as atividades diárias. Normalmente, entre 7 e 14 dias já está retomando as tarefas mais simples”, conta a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Endometriose e infertilidade: por que a cirurgia pode ajudar

    Além do controle da dor, uma das razões para operar é a preservação da fertilidade. A médica explica que a endometriose pode comprometer diferentes partes do sistema reprodutor da mulher.

    “A infertilidade pode acontecer porque o foco de endometriose na tuba uterina obstrui a passagem do espermatozoide ou do óvulo, porque o ovário altera a ovulação ou porque o útero distorce o endométrio e atrapalha a implantação. Também pode ser pelo processo inflamatório crônico que altera a qualidade do ambiente reprodutivo”, detalha a especialista.

    Por isso, a cirurgia é, em muitos casos, importante para mulheres que desejam engravidar e não conseguem. A médica lembra, porém, que a busca pelas causas da infertilidade devem ir além da endometriose.

    “A investigação de infertilidade deve sempre incluir o casal, porque podem existir fatores masculinos também”.

    Perguntas frequentes sobre cirurgia de endometriose

    1. Quando a cirurgia de endometriose é indicada?

    A cirurgia é indicada quando os sintomas são intensos, não melhoram com medicamentos ou quando há comprometimento da fertilidade. Também pode ser recomendada em casos de endometriose profunda, que atinge órgãos como intestino e bexiga.

    2. Qual a diferença entre cirurgia aberta e videolaparoscopia para endometriose?

    A cirurgia aberta é mais invasiva, com cortes maiores e recuperação mais lenta. Já a videolaparoscopia é feita com pequenas incisões e câmera, e isso permite que o médico consiga visualizar melhor o local de cirurgia, uma recuperação mais rápida e um risco menor de complicações.

    3. Quanto tempo dura a recuperação da cirurgia de endometriose?

    Depende da técnica utilizada e da gravidade dos focos de endometriose retirados. Em geral, na videolaparoscopia a recuperação inicial leva de 2 a 4 semanas.

    4. A cirurgia de endometriose cura a doença definitivamente?

    Não. A cirurgia ajuda a remover os focos da endometriose e aliviar os sintomas, mas a doença pode voltar. Por isso, em muitos casos é necessário tratamento complementar com acompanhamento médico.

    5. É possível engravidar após a cirurgia de endometriose?

    Sim. Muitas mulheres conseguem engravidar após a cirurgia, especialmente quando era a endometriose que estava dificultando a fertilidade. No entanto, cada caso deve ser avaliado individualmente pelo ginecologista.

    6. Quais cuidados devo ter após a cirurgia de endometriose?

    É importante seguir as orientações médicas, evitar esforços físicos nas primeiras semanas e fazer as consultas médicas de acompanhamento. Em alguns casos, pode ser indicado tratamento hormonal para reduzir as chances de retorno da doença.