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  • Fentanil: por que essa substância está por trás de tantas overdoses? 

    Fentanil: por que essa substância está por trás de tantas overdoses? 

    Considerado um dos opioides mais potentes utilizados na medicina, o fentanil ganhou notoriedade mundial após ser associado a um grande número de overdoses e mortes.

    Medicamento amplamente utilizado em hospitais para controle da dor intensa e sedação de pacientes, quando administrado por profissionais treinados e em doses adequadas, o fentanil é uma ferramenta importante e segura em diversas situações clínicas.

    O problema surge quando a substância é utilizada sem supervisão médica ou misturada a outras drogas. Devido à sua potência extremamente elevada, pequenas quantidades podem ser suficientes para provocar intoxicações graves, parada respiratória e morte.

    Nos últimos anos, o fentanil tornou-se um dos principais responsáveis por mortes relacionadas a opioides em diversos países, especialmente nos Estados Unidos.

    O que é o fentanil?

    O fentanil é um opioide sintético, desenvolvido para atuar no controle da dor intensa. Ele pertence à mesma classe de medicamentos da morfina, mas possui potência muito superior.

    Estima-se que o fentanil seja cerca de:

    • 50 vezes mais potente que a heroína;
    • 50 a 100 vezes mais potente que a morfina.

    Na prática médica, costuma ser utilizado em situações como:

    • Sedação de pacientes internados;
    • Procedimentos anestésicos;
    • Controle da dor pós-operatória;
    • Tratamento de dores intensas em pacientes selecionados.

    O medicamento pode ser administrado por diferentes vias, como:

    • Intravenosa;
    • Intramuscular;
    • Transdérmica (adesivos);
    • Outras apresentações específicas.

    Por que o fentanil é tão potente?

    O fentanil possui alta afinidade pelos receptores opioides presentes no sistema nervoso central. Isso significa que pequenas quantidades já são capazes de produzir efeitos muito intensos.

    Como consequência:

    • Doses mínimas podem causar sedação profunda;
    • Pequenos erros de dosagem podem ser perigosos;
    • O risco de overdose é elevado.

    Essa é uma das principais razões pelas quais o uso recreativo é considerado extremamente arriscado.

    Como o fentanil age no organismo?

    O medicamento se liga aos receptores opioides presentes no cérebro e em outras regiões do sistema nervoso.

    Essa ação provoca:

    • Alívio da dor;
    • Sensação de bem-estar;
    • Relaxamento;
    • Sonolência;
    • Redução da atividade respiratória.

    Embora o efeito analgésico seja desejado em contextos médicos, a diminuição da respiração é justamente a principal causa das complicações fatais associadas ao uso recreativo.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Mesmo quando utilizado corretamente, o fentanil pode causar efeitos adversos.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Sonolência intensa;
    • Tontura;
    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Confusão mental;
    • Sensação de euforia;
    • Prisão de ventre.

    No uso recreativo, esses efeitos tendem a ser mais intensos devido à dificuldade de controlar a dose consumida.

    O maior perigo: a respiração

    A complicação mais grave associada ao fentanil é a chamada depressão respiratória. Nessa situação, a respiração se torna:

    • Mais lenta;
    • Mais superficial;
    • Menos eficiente.

    Com isso, a quantidade de oxigênio que chega aos órgãos diminui progressivamente. Nos casos mais graves, a pessoa pode parar completamente de respirar, necessitando de ventilação mecânica e suporte intensivo.

    Grande parte das mortes associadas ao fentanil ocorre por esse mecanismo.

    O que é uma overdose por fentanil?

    A overdose acontece quando a quantidade da substância ultrapassa a capacidade do organismo de tolerá-la.

    Os sinais podem incluir:

    • Sonolência extrema;
    • Dificuldade para despertar;
    • Respiração lenta ou ausente;
    • Pupilas muito contraídas;
    • Lábios ou extremidades arroxeadas;
    • Perda de consciência.

    A overdose por fentanil é uma emergência médica e exige atendimento imediato.

    Misturar fentanil com outras drogas aumenta o risco?

    Sim, e aumenta de forma significativa. O perigo aumenta quando o fentanil é combinado com substâncias que também deprimem o sistema nervoso central, como:

    • Álcool;
    • Benzodiazepínicos;
    • Outros opioides;
    • Medicamentos sedativos.

    Além disso, o fentanil também pode estar presente em drogas ilícitas sem que o usuário saiba.

    Há registros de contaminação de substâncias como:

    • Cocaína;
    • Heroína;
    • Drogas sintéticas.

    Nessas situações, o risco de overdose aumenta consideravelmente.

    O fentanil pode causar dependência?

    Sim. O potencial de dependência do fentanil é elevado.

    O uso repetido pode levar ao desenvolvimento de:

    • Tolerância (necessidade de doses maiores para obter o mesmo efeito);
    • Dependência física;
    • Dependência psicológica.

    Quando a substância é interrompida abruptamente, podem surgir sintomas de abstinência, como ansiedade, agitação, dores corporais e mal-estar intenso.

    Existe tratamento para intoxicação por fentanil?

    Sim. O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível.

    Uma das principais medidas é o uso da naloxona.

    Naloxona para tratamento de overdose de fentanil

    A naloxona é um medicamento capaz de reverter temporariamente os efeitos dos opioides. Ela pode restaurar a respiração e salvar vidas em situações de overdose.

    Dependendo da gravidade, também podem ser necessários:

    • Oxigênio suplementar;
    • Ventilação mecânica;
    • Monitorização contínua;
    • Cuidados intensivos.

    Por que o fentanil tem causado tantas mortes?

    Diversos fatores explicam o aumento dos casos de overdose.

    Entre eles:

    • Potência extremamente elevada;
    • Pequenas quantidades podem ser fatais;
    • Mistura com outras drogas;
    • Dificuldade de identificar sua presença;
    • Uso sem conhecimento da dose real consumida.

    Em muitos casos, a pessoa acredita estar consumindo outra substância, sem saber que ela contém fentanil.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda médica imediatamente se uma pessoa apresentar:

    • Sonolência extrema;
    • Dificuldade para acordar;
    • Respiração lenta ou ausente;
    • Perda de consciência;
    • Lábios arroxeados;
    • Suspeita de overdose.

    Nessas situações, cada minuto pode fazer diferença.

    Veja também: Medo de anestesia geral é comum, mas o que diz a medicina?

    Perguntas frequentes sobre fentanil

    1. O fentanil é um medicamento?

    Sim. É utilizado na medicina para controle da dor intensa, sedação e anestesia.

    2. Por que ele é considerado tão perigoso?

    Porque é extremamente potente e pode provocar depressão respiratória grave mesmo em pequenas quantidades.

    3. O uso recreativo pode causar overdose?

    Sim. O risco é elevado e pode ocorrer mesmo com doses aparentemente pequenas.

    4. Quais são os principais sinais de overdose?

    Sonolência intensa, perda de consciência, respiração lenta e lábios arroxeados estão entre os sinais mais comuns.

    5. Existe antídoto para o fentanil?

    Sim. A naloxona pode reverter temporariamente os efeitos dos opioides.

    6. O fentanil causa dependência?

    Sim. O potencial de dependência física e psicológica é alto.

    7. Quando procurar atendimento de emergência?

    Sempre que houver suspeita de overdose ou sinais de dificuldade respiratória.

    Veja também: Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer

  • Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer 

    Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer 

    As drogas ilícitas não dão trégua ao coração. Em alguns casos, os efeitos são quase imediatos e podem ser fatais. Substâncias como cocaína e crack aceleram os batimentos, elevam a pressão arterial e aumentam o risco de arritmias. O resultado pode ser um infarto fulminante, mesmo em quem nunca teve histórico de problemas cardíacos.

    O uso frequente dessas substâncias também cobra um preço alto: pressão alta crônica, sobrecarga do sistema cardiovascular e maior risco de acidente vascular cerebral (AVC). Para se ter uma ideia, estudos mostram que a cocaína está ligada a cerca de um quarto dos infartos em pessoas com menos de 45 anos.

    Como as drogas afetam o coração

    Coração saudável e drogas ilícitas não combinam. Além da dependência química, cada substância provoca danos específicos ao sistema cardiovascular.

    Cocaína, crack e anfetaminas

    Essas drogas estimulantes aceleram o ritmo cardíaco (taquicardia), elevam a pressão e aumentam o risco de arritmias perigosas. Também podem causar vasoespasmo, um aperto súbito nas artérias, que reduz o fluxo de sangue para o coração.

    “Essa combinação de espasmo na artéria, pressão elevada e coração acelerado pode levar a um infarto fulminante e morte mesmo em pessoas jovens e sem histórico de doenças cardíacas. Em quem já tem doença no coração, o risco é ainda maior”, alerta a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein.

    Maconha recreativa

    Apesar da fama de mais leve, a maconha também oferece riscos. Pode aumentar a pressão, favorecer arritmias, prejudicar a circulação e facilitar a formação de coágulos. Tudo isso eleva o risco de infarto e AVC.

    “É importante ressaltar que a maconha é diferente da canabis medicinal”, explica a médica.

    “Enquanto a maconha como droga tem elevadas quantidades de THC (tetrahidrocanabinol), responsável pelos efeitos psicotrópicos da droga e também por grande parte dos efeitos nocivos sobre o sistema cardiovascular, a canabis medicinal possui concentração mais elevada de CBD (canabidiol) que tem propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e ansiolíticas”, conta.

    Álcool associado a drogas ilícitas

    O combo álcool com drogas potencializa o perigo. No caso da mistura de cocaína com álcool, o corpo forma compostos químicos que elevam ainda mais o risco de inflamação, arritmias e infarto.

    Drogas injetáveis (heroína)

    Substâncias como heroína, quando aplicadas por via injetável, aumentam o risco de infecções graves no coração. Isso ocorre porque bactérias presentes nas seringas podem atingir as válvulas cardíacas, causando uma condição chamada endocardite.

    “O consumo de drogas é um perigo real para o coração. As drogas podem provocar danos irreversíveis independente de idade ou antecedentes cardiovasculares”, alerta a especialista.

    Leia mais: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

    Doenças cardíacas relacionadas ao uso de drogas

    • Miocardite: inflamação do músculo cardíaco, que pode evoluir para cardiomiopatia (enfraquecimento do coração) e levar à insuficiência cardíaca;
    • Endocardite: infecção que atinge a camada interna do coração (endocárdio) e suas válvulas. Além de danificar as válvulas, pode gerar coágulos que se deslocam para o cérebro (AVC) ou pulmões (embolia pulmonar).

    Quem tem mais risco de endocardite?

    A endocardite pode afetar qualquer pessoa, como aquelas que usam drogas ilícitas, mas alguns grupos são ainda mais vulneráveis:

    • Pessoas com doenças nas válvulas cardíacas;
    • Quem tem cardiopatias congênitas;
    • Pessoas com histórico de febre reumática;
    • Indivíduos que passaram por procedimentos odontológicos, como extração de dentes;
    • Pessoas com imunidade baixa ou que usam dispositivos como marcapassos.

    Perguntas frequentes sobre drogas e coração

    1. É verdade que a cocaína pode causar infarto em pessoas jovens?

    Sim. A cocaína pode provocar infarto fulminante mesmo em pessoas sem doenças cardíacas prévias.

    2. A maconha faz mal para o coração?

    Sim. A maconha recreativa pode aumentar a pressão arterial, o risco de arritmias, infarto e AVC. É diferente da cannabis medicinal, que tem outra composição e uso controlado.

    3. O que é vasoespasmo?

    É um estreitamento súbito das artérias, que reduz o fluxo sanguíneo para o coração. Ele é comum após o uso de drogas como cocaína e crack.

    4. Drogas injetáveis podem causar doenças no coração?

    Sim. O uso de drogas injetáveis aumenta o risco de endocardite infecciosa, uma infecção grave das válvulas cardíacas.

    5. Misturar drogas com álcool aumenta os riscos?

    Sim. A combinação potencializa os efeitos nocivos e aumenta muito as chances de inflamação, arritmias e infarto fulminante.

    6. O que é miocardite?

    É uma inflamação do músculo cardíaco, que pode ser causada pelo uso de drogas e evoluir para insuficiência cardíaca.

    7. Quem já tem problema no coração corre mais risco com o uso de drogas?

    Sim. Pessoas com doenças cardíacas pré-existentes são ainda mais vulneráveis e podem sofrer complicações fatais.

    Leia também: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular