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  • Perfuração do útero pelo DIU pode acontecer? Entenda complicação rara

    Perfuração do útero pelo DIU pode acontecer? Entenda complicação rara

    O DIU, ou dispositivo intrauterino, é um pequeno dispositivo em formato de T que é posicionado na cavidade uterina, atuando de maneira contínua para impedir a fecundação. Apesar de ser considerado um dos métodos contraceptivos mais seguros para prevenir a gravidez, ele não é totalmente isento de complicações.

    A perfuração uterina é uma ocorrência bastante rara, mas que pode ocorrer devido a fatores anatômicos individuais, infecções ativas ou alterações na própria espessura do órgão, comuns durante a amamentação e a menopausa.

    Normalmente, a complicação acontece no momento da inserção pelo médico, embora o dispositivo também possa migrar de forma tardia decorrente de contrações do próprio organismo.

    O DIU realmente pode perfurar o útero?

    O DIU realmente pode perfurar o útero, mas é uma complicação extremamente rara, ocorrendo em cerca de 1 a 2 casos a cada mil inserções. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a perfuração costuma acontecer durante o próprio procedimento de colocação do dispositivo, principalmente quando existem características anatômicas que tornam a inserção mais difícil.

    Durante a inserção, quando o colo do útero é muito estreito ou quando o útero apresenta um formato ou posicionamento que dificulta o procedimento, o aplicador pode exercer uma pressão excessiva sobre a parede uterina. Nesses casos, a direção da perfuração pode acompanhar a inclinação natural do útero, que tende a estar voltado para a frente ou para trás.

    Em situações ainda mais raras, a perfuração pode acontecer por migração tardia do DIU. Isso ocorre quando o dispositivo fica muito próximo da parede do útero e, ao longo do tempo, pequenas contrações naturais acabam promovendo um deslocamento gradual, fazendo com que ele penetre na musculatura uterina.

    Em quais situações a perfuração do útero pode acontecer?

    Os principais fatores de risco que aumentam as chances de uma perfuração uterina incluem:

    • Útero com aderências: condições como endometriose, doença inflamatória pélvica ou cicatrizes de cirurgias podem deixar o útero mais rígido e dificultar a inserção do DIU;
    • Menopausa e climatério: a redução dos hormônios pode tornar o útero menor e menos elástico, aumentando a delicadeza do procedimento;
    • Amamentação: durante a lactação, alterações hormonais podem deixar a parede do útero mais fina, elevando o risco de complicações na inserção;
    • Pós-parto recente: logo após o parto, o útero ainda está em recuperação e mais sensível, o que pode aumentar o risco de perfuração ou expulsão do DIU;
    • Infecções uterinas ativas: processos infecciosos podem deixar os tecidos mais frágeis e suscetíveis a lesões durante o procedimento.

    Como saber se o DIU perfurou o útero?

    O principal sinal de alerta para uma possível perfuração uterina é o desaparecimento do fio de controle do DIU. Quando ocorre a perfuração, o dispositivo pode atravessar a parede do útero e migrar para a cavidade pélvica ou abdominal, fazendo com que o fio deixe de ser visualizado pelo médico durante o exame ginecológico, segundo Andreia.

    Nem sempre a ausência do fio significa que houve uma perfuração, mas ela é um dos sinais que merecem investigação. Para realizar o diagnóstico, o ginecologista pode solicitar alguns exames:

    • Ultrassonografia pélvica ou transvaginal para verificar se o DIU continua dentro do útero;
    • Raio-X da pelve ou do abdômen caso o dispositivo não seja visualizado na ultrassonografia.

    Como o DIU possui uma estrutura radiopaca (visível ao raio-X), o exame consegue localizá-lo na cavidade abdominal, diferenciando a perfuração de uma simples expulsão inadvertida durante a menstruação.

    Quais são os sintomas de uma perfuração uterina?

    A perfuração uterina pode não causar sintomas imediatamente, e muitas mulheres não percebem que ela aconteceu. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

    • Cólica pélvica intensa e persistente, que não melhora com analgésicos comuns;
    • Sangramentos intensos, hemorrágicos ou escapes primitivos que ocorrem logo após o procedimento;
    • Dores profundas e desconforto na região pélvica durante ou após o contato íntimo.

    Em casos raros onde a perfuração causa uma infecção, podem surgir sintomas como febre, calafrios, mal-estar geral e corrimento vaginal com odor forte.

    O que acontece se o DIU perfurar o útero?

    O tratamento depende da extensão da perfuração e da localização do dispositivo. Andreia explica que o DIU que está deslocado ou fora do útero precisa ser removido. Quando se encontra na cavidade abdominal, ele deixa de exercer a sua função contraceptiva e passa a atuar como um corpo estranho, podendo provocar inflamações, aderências e, em alguns casos, infecções.

    Na maioria das situações, a retirada é feita por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões no abdômen. Após a retirada do dispositivo, a maioria das mulheres se recupera completamente sem consequências para a fertilidade ou para a saúde reprodutiva.

    Se a paciente desejar continuar usando o método, um novo DIU pode ser inserido posteriormente, muitas vezes com o auxílio da histeroscopia, que permite a visualização direta da cavidade uterina para garantir o posicionamento adequado do dispositivo.

    Perfuração do útero por DIU deixa sequelas ou causa infertilidade?

    Na maioria dos casos, a perfuração uterina cicatriza espontaneamente. Como o útero é formado por uma musculatura espessa e resistente, a ginecologista explica que o próprio órgão tende a se contrair e fechar a pequena lesão, sem a necessidade de pontos.

    As complicações são incomuns, mas podem ocorrer se a perfuração atingir um vaso sanguíneo importante ou algum órgão próximo, o que exige avaliação e tratamento adequados. Quando tratada corretamente, a perfuração uterina normalmente não deixa sequelas e não costuma comprometer a fertilidade da mulher.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. O que acontece com o DIU depois que ele perfura o útero?

    Uma vez que ele atravessa a parede muscular, ele “cai” na cavidade pélvica ou abdominal. Ele pode ficar solto perto do útero, se alojar perto da bexiga ou do intestino, ou o próprio organismo pode criar uma capa de tecido inflamatório ao redor dele para tentar isolar o corpo estranho.

    2. O DIU perfurado perde o efeito anticoncepcional?

    Sim, perde totalmente. Para funcionar, o DIU (seja de cobre ou hormonal) precisa estar obrigatoriamente dentro da cavidade uterina, liberando íons ou hormônios no local correto para impedir a chegada dos espermatozoides. Na cavidade abdominal, ele não oferece nenhuma proteção contra a gravidez.

    3. Quanto tempo depois de uma perfuração posso colocar outro DIU?

    Geralmente, os médicos recomendam aguardar de 1 a 3 meses para que o útero esteja completamente cicatrizado e desinflamado.

    4. O que é um DIU “normoposicionado”?

    É o termo técnico que aparece no laudo do seu ultrassom para dizer que o DIU está no lugar perfeito. Significa que ele está centralizado dentro da cavidade do útero, com as hastes em formato de “T” voltadas para o fundo do órgão, garantindo 100% de sua eficácia.

    5. Posso fazer atividades físicas ou ter relações se suspeitar que o DIU deslocou?

    O ideal é repousar até consultar o médico. Se você estiver sentindo cólicas fortes, sangramento ou não achar o fio, suspenda atividades físicas intensas e relações sexuais.

    6. Usar DIU de cobre ou DIU hormonal (Mirena ou Kyleena) muda o risco de perfurar?

    Não, o tipo de DIU não altera o risco de perfuração. O risco está diretamente ligado ao formato do aplicador, à força mecânica utilizada e à anatomia do útero da paciente no momento da inserção.

    7. Há risco de o DIU perfurado se movimentar pelo corpo e chegar ao coração ou pulmão?

    Não, isso é um mito anatômico. O DIU não entra na corrente sanguínea. Uma vez que ele perfura o útero, ele fica restrito à cavidade peritoneal, que é o espaço dentro do abdômen que abriga os órgãos digestivos e pélvicos.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

  • DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Com eficácia comparada à laqueadura, o DIU de cobre é um método contraceptivo de longa duração, que pode prevenir uma gravidez por até 10 anos. Por não conter hormônios, ele pode ser utilizado pela maioria das pessoas — inclusive aquelas que têm condições de saúde que contraindicam o uso de hormônios.

    Para entender como ele funciona, quando é indicado e as vantagens e desvantagens do método, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira, a seguir!

    O que é e como funciona o DIU de cobre?

    O DIU de cobre, ou dispositivo intrauterino, é um pequeno objeto em formato de T, feito de plástico flexível e revestido por fios ou anéis de cobre. Ele é colocado dentro do útero por um profissional de saúde em um procedimento rápido, geralmente realizado no consultório.

    Assim como o DIU hormonal, o DIU de cobre não impede a ovulação, mas a pessoa não engravida porque as condições para fecundação e implantação não acontecem. O mecanismo de ação do dispositivo é o seguinte:

    • O cobre libera íons que criam um ambiente inflamatório controlado no útero, tornando-o hostil para os espermatozoides;
    • A inflamação impede que os espermatozoides sobrevivam tempo suficiente para chegar até o óvulo;
    • O muco cervical também fica mais hostil, dificultando ainda mais a mobilidade dos espermatozoides;
    • Além disso, caso ocorra fecundação, o endométrio (camada interna do útero) fica impróprio para a implantação do embrião.

    A duração do DIU varia de acordo com o modelo, podendo durar de 5 a 10 anos. Isso significa que não é necessário o controle diário com anticoncepcionais, e se a pessoa decidir engravidar, basta retirar o dispositivo — a fertilidade retorna rapidamente.

    Vale apontar que o DIU de cobre não é abortivo. Ele simplesmente dificulta que espermatozoides encontrem o óvulo e que um possível embrião se implante.

    Como é feita a colocação do DIU de cobre?

    A colocação do DIU de cobre é um procedimento simples, rápido e realizado no consultório do ginecologista.

    Durante o procedimento, a mulher fica deitada na posição ginecológica, e o médico utiliza um espéculo para visualizar o colo do útero. A região é higienizada e a cavidade uterina é medida para garantir que o DIU será posicionado corretamente.

    Depois, o dispositivo é introduzido cuidadosamente pelo colo do útero até o interior da cavidade uterina. Quando o DIU é liberado, ele se abre em formato de T e permanece ali, oferecendo proteção contraceptiva imediata.

    Ao final, ficam apenas dois fios finos no colo do útero, que servem para verificar se o dispositivo está no lugar e facilitar a retirada no futuro.

    Algumas mulheres podem sentir cólica ou desconforto durante a inserção, mas os sintomas normalmente são leves e passageiros. Após o procedimento, a recomendação é evitar relações sexuais e o uso de absorvente interno por alguns dias, além de retornar ao médico para acompanhamento.

    E a remoção?

    A remoção do DIU de cobre também é rápida e feita em consultório, sem necessidade de anestesia. O médico localiza os fios no colo do útero e puxa suavemente o dispositivo, que sai em poucos segundos. A mulher pode sentir apenas uma cólica leve e passageira.

    O DIU pode ser retirado a qualquer momento, seja porque terminou o prazo de validade, por desejo de engravidar ou por troca de método. A fertilidade retorna logo após a remoção, permitindo a gestação já no ciclo seguinte.

    Cuidados após a colocação do DIU de cobre

    Para reduzir quaisquer riscos de complicações, logo após a inserção, Andreia aponta que o recomendado é realizar um ultrassom para confirmar a posição correta do DIU.

    No primeiro ano, o ideal é repetir o exame a cada seis meses e, a partir do segundo ano, fazer a checagem anualmente ou sempre que houver sintomas como dor intensa ou sangramento anormal.

    Quando o DIU de cobre é indicado?

    O DIU de cobre é indicado especialmente para pessoas que desejam um método contraceptivo de longa duração. De acordo com Andreia, por não ter hormônio, o dispositivo pode ser utilizado pela maioria das pacientes — inclusive aquelas que têm doenças que contraindicam hormônios.

    O dispositivo pode ser inserido logo após o parto ou após um aborto, desde que não haja contraindicações específicas. Ele também é uma opção acessível, já que está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

    De acordo com o Ministério da Saúde, o DIU de cobre pode ser usado até como contracepção de emergência, desde que seja colocado em até 5 dias após uma relação sexual desprotegida. Isso o torna mais eficaz que a pílula do dia seguinte, com a vantagem de continuar protegendo por anos.

    Vantagens do DIU de cobre

    • Tem eficácia superior a 99% e pode durar de 5 a 10 anos;
    • Não contém hormônios, não altera o ciclo menstrual, não engorda e não interfere na libido;
    • A fertilidade retorna imediatamente após a retirada;
    • Pode ser usado por mulheres com contraindicação de hormônios;
    • Está disponível gratuitamente pelo SUS;
    • Também pode ser usado como contracepção de emergência se colocado até 5 dias após a relação.

    Desvantagens do DIU de cobre

    Uma das principais desvantagens do DIU de cobre, de acordo com Andreia, é o aumento do fluxo menstrual e das cólicas. Como ele provoca uma reação inflamatória no útero, o fluxo tende a aumentar e, em mulheres que já têm cólicas, as dores podem se intensificar.

    Além disso, outras desvantagens devem ser consideradas, como:

    • O ciclo pode se prolongar, em alguns casos levando à anemia;
    • Existe maior risco relativo de infecção uterina;
    • Há chance rara de gravidez ectópica;
    • Pode ser expulso espontaneamente, sobretudo no primeiro ano.

    Outra complicação possível que Andreia destaca, e vale para todos os DIUs, é a perfuração uterina. Isso acontece quando o dispositivo atravessa a parede do útero e migra para a cavidade abdominal. O risco é baixo, mas requer atenção.

    Leia mais: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

    Possíveis efeitos colaterais

    • Sangramento irregular nos primeiros ciclos;
    • Menstruações mais longas e volumosas;
    • Cólicas menstruais mais fortes;
    • Corrimento ou desconforto leve (geralmente passageiro).

    Essas alterações são comuns nos primeiros meses, mas tendem a melhorar entre 3 e 6 meses. Se houver febre, dor intensa ou sangramento muito forte, é importante procurar atendimento médico.

    Quais as contraindicações do DIU de cobre?

    Apesar de ser seguro e indicado para a maioria das mulheres, o DIU de cobre não é recomendado em algumas situações específicas. Entre as contraindicações absolutas, estão:

    • Gravidez confirmada ou suspeita;
    • Câncer de colo do útero ou de endométrio;
    • Infecções genitais ativas;
    • Malformações uterinas que impeçam a colocação do DIU;
    • Alergia ao cobre;
    • Sangramentos uterinos de origem desconhecida.

    Já as contraindicações relativas incluem:

    • Doenças de coagulação;
    • Doenças relacionadas ao HIV em estágio avançado;
    • Histórico de doença trofoblástica gestacional.

    Confira: Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre DIU de cobre

    1. O DIU de cobre é abortivo?

    Não. Ele age antes da fecundação e é classificado pela OMS como método não abortivo.

    2. O DIU de cobre altera o ciclo menstrual?

    Sim, pode aumentar o fluxo e a duração da menstruação. Em alguns casos, pode causar anemia.

    3. O DIU de cobre dói para colocar?

    Pode causar cólicas leves ou moderadas, mas geralmente passageiras.

    4. Qual é a eficácia do DIU de cobre?

    Tem eficácia superior a 99%, comparável à laqueadura, mas é reversível.

    5. Quanto custa o DIU de cobre?

    É gratuito pelo SUS. Na rede privada, custa de R$150 a R$600 com o procedimento incluso.

    6. DIU de cobre engorda?

    Não. Por não conter hormônios, não afeta o peso nem o metabolismo.

    7. O DIU de cobre pode sair sozinho?

    Raramente, e costuma ocorrer no primeiro ano de uso. É importante acompanhamento médico.

    8. O DIU de cobre pode ser usado no pós-parto?

    Sim, pode ser colocado logo após o parto, desde que não haja infecção ou complicações.

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