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  • Dieta cetogênica: como funciona, riscos e quem não pode fazer

    Dieta cetogênica: como funciona, riscos e quem não pode fazer

    Conhecida como dieta keto ou dieta cetose, a dieta cetogênica ficou popular por reduzir drasticamente o consumo de carboidratos e aumentar a ingestão de gorduras, mantendo uma quantidade moderada de proteínas. Ela é utilizada principalmente para promover a perda de peso e melhorar alguns parâmetros metabólicos.

    Apesar da fama, a dieta cetogênica não é indicada para todo mundo e precisa de alguns cuidados. Antes de mudar a alimentação, vale a pena entender como ela funciona, quais alimentos são permitidos e os possíveis riscos. Confira!

    O que é a dieta cetogênica e como funciona?

    A dieta cetogênica é um padrão alimentar que reduz de maneira drástica o consumo de carboidratos, que passam a representar menos de 5% das calorias consumidas ao longo do dia. Para compensar a redução, a alimentação passa a ser rica em gorduras e inclui uma quantidade moderada de proteínas.

    Segundo a médica nutróloga Priscila Ligeiro Esper, o objetivo da dieta é provocar uma mudança no metabolismo. Como o organismo recebe muito pouca glicose, que normalmente é a principal fonte de energia das células, o corpo passa a buscar outra alternativa para continuar funcionando.

    Nesse momento, ocorre um processo conhecido como cetose, em que o fígado transforma parte da gordura em corpos cetônicos, substâncias que passam a fornecer energia para vários órgãos, incluindo o cérebro. A mudança faz com que o organismo utilize principalmente a gordura armazenada e a gordura consumida na alimentação como combustível.

    O que comer e o que evitar na dieta cetogênica?

    A manutenção da cetose depende diretamente da escolha dos alimentos. Como o limite de carboidratos é muito baixo, qualquer excesso pode interromper o processo e fazer o organismo voltar a utilizar a glicose como principal fonte de energia.

    Segundo Priscila, a alimentação costuma priorizar alimentos naturais ricos em gorduras e proteínas, como:

    • Carnes bovinas, suínas, aves e peixes;
    • Ovos;
    • Frutos do mar;
    • Queijos;
    • Azeite de oliva;
    • Óleo de coco;
    • Manteiga;
    • Abacate;
    • Castanhas, as nozes e as amêndoas;
    • Vegetais com baixo teor de carboidratos, como alface, rúcula, espinafre, couve, brócolis, couve-flor, abobrinha, pepino e repolho.

    Já os alimentos ricos em carboidratos ficam bastante limitados, como:

    • Pães;
    • Massas;
    • Farinhas;
    • Bolos;
    • Biscoitos;
    • Doces;
    • Refrigerantes;
    • Sucos adoçados;
    • Arroz;
    • Feijão;
    • Aveia;
    • Milho;
    • Mandioca;
    • Batata;
    • Batata-doce;
    • Cenoura em grandes quantidades;
    • Abóbora;
    • Maior parte das frutas, principalmente banana, manga, uva e maçã.

    A dieta cetogênica emagrece mesmo?

    A dieta cetogênica costuma promover perda de peso, principalmente durante as primeiras semanas. Segundo Priscila, parte da perda inicial acontece pela redução dos estoques de glicogênio, que armazenam água no organismo.

    Com a diminuição das reservas de glicogênio, o corpo também elimina parte da água acumulada, o que faz a balança registrar uma queda rápida no início da dieta.

    Depois, com a manutenção da cetose, o organismo passa a utilizar a gordura como principal fonte de energia, o que também contribui para o emagrecimento. Como a alimentação é rica em gorduras e proteínas, também é comum sentir menos fome ao longo do dia e consumir menos calorias de forma espontânea, já que os nutrientes aumentam a sensação de saciedade e retardam o esvaziamento do estômago.

    Vale destacar que, apesar de eficiente, a perda de peso depende de vários fatores, como qualidade da alimentação, quantidade de calorias ingeridas, prática de atividade física e características individuais.

    Segundo Priscila, por ser uma dieta restritiva, é extremamente difícil mantê-la por muito tempo. A grande restrição de alimentos dificulta refeições em família, eventos sociais, viagens e até a rotina de trabalho. Como consequência, a maioria das pessoas abandonam a dieta após alguns meses e recuperam parte ou todo o peso perdido.

    Quais são os riscos e os efeitos colaterais?

    A dieta cetogênica pode oferecer benefícios para algumas pessoas quando existe indicação médica, mas também apresenta riscos que precisam ser considerados antes do início.

    Segundo a médica nutróloga Priscila, um dos principais pontos de atenção é o aumento dos níveis de colesterol e de outras gorduras no sangue, principalmente quando a alimentação inclui grandes quantidades de carnes gordurosas, embutidos e gorduras saturadas.

    Durante os primeiros dias da dieta, também podem surgir sintomas conhecidos popularmente como “gripe cetogênica”, que incluem:

    • Dor de cabeça;
    • Fadiga;
    • Tontura;
    • Fraqueza;
    • Dificuldade de concentração;
    • Náuseas e irritabilidade enquanto o organismo se adapta à redução dos carboidratos.

    A baixa ingestão de fibras também pode favorecer a prisão de ventre quando a alimentação não inclui vegetais suficientes.

    Além dos efeitos físicos, a restrição alimentar pode afetar o bem-estar emocional, causando ansiedade, o estresse, a irritabilidade, as mudanças de humor e a frustração, principalmente quando existe dificuldade para seguir a dieta por longos períodos.

    Quem não deve fazer a dieta cetogênica?

    A dieta cetogênica não é indicada para todas as pessoas e deve ser iniciada apenas com orientação de um profissional de saúde.

    Priscila aponta que pessoas com ansiedade, estresse frequente ou histórico de transtornos alimentares podem apresentar maior dificuldade para lidar com uma alimentação tão restritiva. A exclusão de diversos alimentos pode aumentar a sensação de culpa e favorecer episódios de compulsão alimentar.

    As pessoas com colesterol alto ou alterações importantes no perfil lipídico precisam de uma avaliação cuidadosa antes de iniciar a dieta, já que o consumo elevado de gorduras pode piorar o quadro em alguns casos.

    A orientação profissional também é importante para pessoas com doenças crônicas, gestantes, lactantes, idosos e adolescentes, já que as necessidades nutricionais variam de acordo com cada fase da vida e cada condição de saúde.

    Segundo a especialista, o plano alimentar ideal deve sempre considerar o estado de saúde, os hábitos de vida, os objetivos e a possibilidade de manter a alimentação de forma saudável ao longo do tempo.

    Qual é a diferença entre a dieta cetogênica e a dieta low carb?

    A principal diferença está na quantidade de carboidratos permitida e no objetivo de cada estratégia alimentar. De acordo com Priscila, a dieta cetogênica limita os carboidratos a menos de 5% das calorias consumidas diariamente. A redução é tão intensa que o organismo entra em cetose e passa a utilizar a gordura como principal fonte de energia.

    A dieta low carb também reduz os carboidratos, mas de maneira muito mais flexível. Dependendo do plano alimentar, os carboidratos podem representar entre 10% e 40% das calorias diárias. Por causa dessa diferença, a alimentação permite uma quantidade maior de frutas, legumes, verduras, grãos e outros alimentos ricos em carboidratos.

    Na prática, a dieta low carb costuma ser mais fácil de manter por longos períodos, já que oferece uma alimentação mais variada e menos restritiva. A dieta cetogênica, por outro lado, exige um controle muito maior da alimentação para manter o organismo em cetose e costuma apresentar um índice maior de abandono ao longo do tempo.

    Confira: Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo leva para o organismo entrar em cetose?

    Na maioria dos casos, a cetose começa entre dois e sete dias após a redução intensa dos carboidratos. O tempo varia de acordo com o metabolismo, o nível de atividade física e a quantidade de carboidratos consumida diariamente.

    2. É possível ganhar massa muscular fazendo dieta cetogênica?

    É possível, mas o processo pode ser mais difícil para algumas pessoas. Como os estoques de glicogênio ficam reduzidos, alguns praticantes de musculação percebem queda no desempenho, principalmente em treinos de alta intensidade.

    3. Quem faz dieta cetogênica pode consumir bebidas alcoólicas?

    O consumo não é recomendado, principalmente durante a fase de adaptação. Além de fornecer calorias, muitas bebidas alcoólicas contêm carboidratos e podem dificultar a manutenção da cetose.

    4. A dieta cetogênica pode causar deficiência de vitaminas?

    Pode. Como vários grupos de alimentos ficam bastante limitados, existe maior risco de ingestão insuficiente de vitaminas, minerais e fibras quando o cardápio não é bem planejado.

    5. A prática de atividade física é obrigatória durante a dieta?

    Não, a perda de peso pode acontecer apenas com a mudança da alimentação. Ainda assim, a prática regular de exercícios ajuda a preservar a massa muscular, melhora o condicionamento físico e contribui para a saúde de forma geral.

    6. A dieta cetogênica pode alterar o ciclo menstrual?

    Pode. A perda rápida de peso e as mudanças hormonais relacionadas à restrição alimentar podem provocar alterações menstruais em algumas mulheres, principalmente quando a dieta é muito restritiva.

    7. Como sair da dieta cetogênica sem recuperar o peso?

    A reintrodução dos carboidratos deve acontecer de forma gradual. Aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras, como frutas, legumes, verduras e grãos integrais, ajuda o organismo a se adaptar novamente e reduz o risco de recuperar rapidamente o peso perdido.

    Confira: Café da manhã sem lactose: saiba o que comer numa dieta saudável

  • Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

    Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

    Você já começou uma dieta super restritiva e desistiu na segunda semana? Se a resposta for sim, o problema pode não ser a força de vontade, mas sim a falta de orientação profissional adequada. Não é simples mudar hábitos antigos, como uma alimentação desregrada ou o sedentarismo, mas tentar fazer tudo sozinho costuma tornar o processo ainda mais difícil.

    De acordo com um estudo publicado na JAMA Network Open, embora mais adultos tenham tentado perder peso nos Estados Unidos entre 1999 e 2016, o sobrepeso e a obesidade continuaram aumentando, inclusive entre quem dizia estar em processo de emagrecimento, possivelmente por adotarem estratégias inadequadas ou pouco consistentes ao longo do tempo.

    Quando o processo é feito com orientação profissional, é possível ter um plano alimentar mais adequado à rotina, ao corpo e aos objetivos de cada pessoa, tornando as mudanças mais fáceis de manter ao longo do tempo.

    Por que iniciar uma dieta sem acompanhamento pode trazer riscos à saúde?

    Cada corpo funciona de um jeito diferente, e seguir dietas da moda ou indicações da internet desconsidera fatores como idade, histórico de saúde, rotina, nível de atividade física e necessidades nutricionais.

    Sem orientação, é comum cortar nutrientes importantes, exagerar em restrições ou seguir cardápios que não combinam com a rotina nem com o estado de saúde. Com o tempo, isso pode causar problemas como:

    • Deficiências nutricionais: quando o organismo deixa de receber vitaminas, minerais e proteínas essenciais para o funcionamento do corpo, o que pode levar a fraqueza, queda de cabelo, unhas quebradiças e baixa imunidade;
    • Cansaço excessivo e falta de energia: já que dietas muito restritivas reduzem a ingestão de calorias e nutrientes necessários para manter disposição nas atividades do dia a dia;
    • Alterações no metabolismo: fazendo com que o corpo passe a gastar menos energia, o que dificulta a perda de peso e favorece o efeito sanfona;
    • Desequilíbrios hormonais: que podem afetar o sono, o humor, o ciclo menstrual e até a saúde reprodutiva;
    • Problemas gastrointestinais: como constipação, inchaço, gases e desconforto abdominal, devido à baixa ingestão de fibras ou à exclusão inadequada de grupos alimentares;
    • Maior risco de compulsão alimentar: já que restrições exageradas aumentam a fome, a ansiedade e a chance de episódios de exagero alimentar.

    Vale destacar que os problemas nem sempre aparecem de forma imediata, mas podem se desenvolver aos poucos, de maneira silenciosa, comprometendo a saúde e dificultando ainda mais uma perda de peso saudável.

    Erros mais comuns quando a dieta é feita por conta própria

    Quando a dieta é feita por conta própria, alguns erros aparecem com mais frequência e podem atrapalhar tanto os resultados quanto a saúde, como:

    • Seguir dietas prontas da internet: copiando cardápios ou desafios que não levam em conta as necessidades do próprio corpo, a rotina diária ou o histórico de saúde;
    • Exagerar nas restrições: cortando alimentos importantes, como carboidratos ou gorduras, acreditando que isso vai acelerar o emagrecimento, quando na prática só aumenta a fome e o cansaço;
    • Pular refeições ou comer muito pouco: o que pode desregular o metabolismo e aumentar a chance de exageros mais tarde;
    • Focar apenas no peso da balança: sem prestar atenção em sinais do corpo, como fraqueza, tontura, irritação e queda de energia;
    • Ignorar a própria rotina: tentando seguir horários e preparações que não combinam com o dia a dia, o que torna a dieta difícil de manter.

    Outras formas de tentar perder peso também ganharam espaço ao longo dos anos, incluindo práticas nada saudáveis e que podem fazer mal à saúde, como o uso de laxantes e remédios sem prescrição médica.

    Dietas restritivas não ajudam a emagrecer de forma saudável

    Quando a dieta é muito restritiva, a perda de peso até pode acontecer no começo, mas normalmente não de forma saudável. Isso porque cortar muitos alimentos ou reduzir demais as calorias faz o corpo entrar em estado de alerta, diminuindo o gasto de energia e aumentando a sensação de fome.

    Com isso, surgem sintomas como fome intensa, cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração.

    Além disso, as dietas restritivas são difíceis de manter por um longo tempo, uma vez que a privação constante aumenta a vontade de comer e eleva o risco de episódios de exagero alimentar, o que favorece o efeito sanfona.

    Quais os sinais de que dieta está prejudicando o corpo?

    No dia a dia, é importante ficar atento a alguns sinais de que a dieta está fazendo mais mal do que bem ao corpo, como:

    • Cansaço constante e falta de energia, mesmo após dormir bem;
    • Fome excessiva ou perda total do apetite, mostrando desequilíbrio na alimentação;
    • Tonturas, fraqueza ou dores de cabeça frequentes, principalmente ao longo do dia;
    • Irritação, ansiedade ou mudanças de humor, que podem surgir com restrições exageradas;
    • Queda de cabelo e unhas fracas, sinais de falta de nutrientes importantes;
    • Alterações no intestino, como constipação, diarreia ou inchaço;
    • Dificuldade de concentração, prejudicando tarefas simples do dia a dia.

    Ao notar os sintomas, o ideal é rever a alimentação e buscar orientação profissional para evitar problemas à saúde.

    Quando procurar um nutricionista antes de começar uma dieta?

    O ideal é procurar um nutricionista antes mesmo de iniciar qualquer dieta, especialmente quando existe o objetivo de perder peso de forma saudável. Com uma reeducação alimentar, é possível aprender a fazer escolhas mais adequadas, respeitando as necessidades do corpo, a rotina e as preferências individuais.

    O acompanhamento se torna ainda mais importante se você já tentou outras dietas e desistiu, tem dificuldade para manter mudanças na alimentação ou apresenta condições de saúde, como alterações hormonais, problemas gastrointestinais, diabetes, hipertensão ou colesterol alto.

    Também é indicado buscar um nutricionista quando existem dúvidas sobre o que comer, medo de errar, histórico de dietas muito restritivas ou episódios de compulsão alimentar.

    Com orientação de um nutricionista, o plano alimentar é ajustado à rotina, às preferências e às necessidades do corpo, tornando o processo mais seguro, equilibrado e fácil de manter ao longo do tempo.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    1. Perder peso rápido significa perder gordura?

    Nem sempre. Em dietas muito restritivas, parte do peso perdido vem de água e massa muscular, não de gordura. Isso prejudica o metabolismo e dificulta manter o resultado no longo prazo.

    2. Preciso cortar carboidrato para emagrecer?

    Não, pois os carboidratos fazem parte de uma alimentação equilibrada e são importantes para fornecer energia ao corpo. O que influencia o emagrecimento é o excesso de consumo e a escolha de fontes pouco nutritivas.

    3. Por que a fome aumenta depois de alguns dias de dieta restritiva?

    O corpo reage à falta de energia liberando hormônios que estimulam a fome. Isso faz parte de um mecanismo natural de sobrevivência.

    4. É normal sentir irritação e ansiedade durante a dieta?

    Quando há restrição exagerada de alimentos e energia, alterações de humor são comuns e indicam que a abordagem pode não estar adequada.

    5. O efeito sanfona pode prejudicar a saúde a longo prazo?

    Sim, as oscilações frequentes de peso estão associadas a alterações metabólicas, maior risco cardiovascular e maior dificuldade para emagrecer novamente.

    6. O metabolismo fica mais lento após várias dietas?

    Isso pode acontecer, pois repetidas restrições podem levar o organismo a gastar menos energia, tornando a perda de peso cada vez mais difícil.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?