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  • 7 dicas para prevenir o diabetes com alimentação 

    7 dicas para prevenir o diabetes com alimentação 

    O diabetes é uma condição crônica caracterizada pelo aumento da glicose no sangue, que acontece quando o organismo não produz insulina suficiente ou quando a insulina produzida não funciona corretamente.

    O hormônio é responsável por permitir a entrada do açúcar nas células para gerar energia. Quando ocorre falha no processo, a glicose se acumula no sangue.

    Existem principalmente dois tipos mais comuns: a diabetes tipo 1, de origem autoimune, e a diabetes tipo 2, muito associada ao estilo de vida, especialmente à alimentação e ao sedentarismo. A forma tipo 2 representa a maioria dos casos e pode ser prevenida ou controlada com hábitos saudáveis de vida.

    Por que a alimentação influencia diretamente no risco de diabetes?

    Os alimentos consumidos diariamente afetam os níveis de glicose no sangue, o funcionamento da insulina e o metabolismo como um todo.

    Uma dieta rica em açúcares, farinhas refinadas e produtos ultraprocessados pode provocar picos frequentes de glicemia, sobrecarregando o organismo e favorecendo o desenvolvimento da resistência à insulina, condição que aumenta o risco de diabetes tipo 2.

    O excesso calórico associado a escolhas alimentares pouco nutritivas também contribui para o ganho de peso, especialmente o acúmulo de gordura abdominal. A gordura visceral está ligada a alterações hormonais e inflamatórias que dificultam a ação da insulina, tornando mais provável o aumento persistente da glicose no sangue.

    Por outro lado, escolhas mais saudáveis no dia a dia contribuem para o melhor equilíbrio da glicose no sangue e para o funcionamento adequado da insulina.

    Como prevenir o diabetes a partir da alimentação?

    1. Consuma frutas, legumes e verduras preferencialmente crus

    Uma das principais orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira é adicionar alimentos in natura na rotina. O consumo regular de frutas, legumes e verduras contribui para o fornecimento de fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes importantes para o equilíbrio metabólico.

    A ingestão preferencial na forma crua preserva parte dos nutrientes e favorece maior saciedade, além de ajudar no controle da glicemia. O ideal é que o prato esteja o mais colorido possível, o que indica uma maior diversidade nutricional.

    2. Fique atento aos carboidratos de alto índice glicêmico

    O índice glicêmico é uma medida que indica a velocidade com que um alimento rico em carboidratos eleva a glicose no sangue após o consumo. Em termos simples, ele mostra se um alimento libera açúcar rapidamente ou de forma mais lenta na circulação.

    Alimentos com alto índice glicêmico, como pão branco, arroz refinado, doces e bebidas açucaradas, costumam provocar elevação rápida da glicose, o que pode exigir maior liberação de insulina pelo organismo.

    A preferência por versões integrais e pela combinação com fibras, proteínas ou gorduras saudáveis ajuda a reduzir a velocidade da absorção do açúcar e favorece maior equilíbrio glicêmico.

    3. Aumente o consumo de fibras

    As fibras alimentares são um tipo de carboidrato presente principalmente em alimentos de origem vegetal que o organismo não consegue digerir totalmente.

    Elas contribuem para o controle da glicose, pois ajudam a retardar a absorção dos carboidratos e favorecem o funcionamento intestinal. Alguns exemplos de alimentos ricos em fibras incluem:

    • Feijões (preto, carioca, branco, fradinho);
    • Lentilha;
    • Grão-de-bico;
    • Aveia (em flocos ou farelo);
    • Quinoa;
    • Chia;
    • Linhaça (dê preferência à triturada para melhor absorção);
    • Frutas com casca;
    • Brócolis e couve-flor;
    • Couve, espinafre e acelga;
    • Cenoura e beterraba (preferencialmente cruas).

    A ingestão adequada também contribui para o controle do colesterol e para a manutenção do peso.

    4. Inclua proteínas e gorduras boas na refeição

    A presença de proteínas magras e de gorduras saudáveis nas refeições ajuda a aumentar a saciedade, reduz a fome ao longo do dia e contribui para evitar oscilações nos níveis de glicose no sangue.

    Os nutrientes desaceleram a digestão dos carboidratos, favorecendo uma liberação mais gradual da glicose na corrente sanguínea e ajudando no equilíbrio metabólico.

    Alguns exemplos incluem carnes magras, ovos, laticínios com menor teor de gordura, azeite de oliva, abacate, castanhas, sementes e peixes ricos em ômega-3, como salmão, sardinha e atum.

    5. Controle as porções e horário das refeições

    A quantidade dos alimentos ingeridos e a regularidade das refeições influenciam bastante o controle da glicose. As pessoas que exageram nas refeições ou passam longos períodos sem comer podem apresentar variações importantes nos níveis de açúcar no sangue, com picos ou quedas bruscas da glicemia.

    O ideal é manter os horários das refeições mais organizados e ter atenção às porções. As refeições distribuídas ao longo do dia, com combinações equilibradas de carboidratos, proteínas, fibras e gorduras boas, costumam ajudar na estabilidade da glicose e no controle da saciedade.

    6. Evite o consumo de bebidas alcoólicas

    O consumo frequente das bebidas alcoólicas pode interferir no metabolismo da glicose e favorecer o ganho de peso. Muitas bebidas apresentam alto teor calórico e açúcar adicionado, fator que pode contribuir para o aumento da glicemia e para maior risco metabólico.

    Além disso, o álcool pode alterar a percepção da fome e da saciedade, levando a escolhas alimentares menos equilibradas. A moderação ou a redução do consumo tende a trazer benefícios para a saúde metabólica e para o equilíbrio geral do organismo.

    7. Reduza e evite o consumo de ultraprocessados

    Os alimentos ultraprocessados costumam conter excesso de açúcar, gorduras saturadas, sódio e diversos aditivos químicos, como corantes, conservantes e aromatizantes artificiais. O consumo frequente está associado ao ganho de peso, à resistência à insulina e ao aumento do risco de doenças metabólicas, incluindo a diabetes tipo 2.

    8. Beba bastante água

    A ingestão adequada de água ajuda no funcionamento geral do organismo, incluindo o metabolismo da glicose. A hidratação adequada auxilia no transporte de nutrientes, no funcionamento dos rins e na regulação de diversas funções corporais.

    Além disso, beber água ao longo do dia pode ajudar na sensação de saciedade e evitar a confusão entre sede e fome, situação relativamente comum. Uma dica é manter uma garrafinha de água sempre por perto, e usar lembretes no celular ou smartwatch para lembrar.

    Não esqueça das atividades físicas!

    Ao lado da alimentação, a prática de atividades físicas também é necessária para prevenir o diabetes tipo 2. Os exercícios ajudam o organismo a usar melhor a glicose como fonte de energia, melhoram a ação da insulina e contribuem para o controle do peso corporal, fatores importantes para reduzir o risco da doença.

    De acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação para adultos é realizar:

    • Entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada, como caminhada rápida, bicicleta ou dança;
    • Ou entre 75 e 150 minutos semanais de atividade intensa, como corrida ou treinos mais vigorosos. A combinação de diferentes intensidades também é válida.

    A OMS também orienta a inclusão de exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana, envolvendo grandes grupos musculares, como pernas, braços, costas e abdômen.

    Você não precisa começar com atividades muito intensas. Atividades como caminhada, bicicleta, dança, musculação ou qualquer exercício que proporcione movimento já traz vários benefícios quando feitos com regularidade.

    Quando procurar ajuda médica?

    É importante procurar um médico quando aparecem sinais que podem indicar alterações nos níveis de açúcar no sangue, como:

    • Sede excessiva ao longo do dia;
    • Vontade frequente de urinar;
    • Fome constante, mesmo após as refeições;
    • Cansaço frequente ou sem motivo claro;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Visão embaçada;
    • Dificuldade para cicatrizar feridas.

    Mesmo sem sintomas, os exames de rotina são importantes para acompanhar a glicose e avaliar a saúde metabólica. O acompanhamento médico pode te orientar quanto à alimentação, estilo de vida, atividades físicas e cuidados necessários para prevenir condições de saúde.

    Veja também: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?

    A principal diferença está na forma como o organismo lida com a insulina.

    Na diabetes tipo 1, o organismo praticamente não produz insulina. A condição costuma ter origem autoimune, ou seja, o próprio sistema imunológico ataca as células responsáveis pela produção do hormônio.

    Na diabetes tipo 2, a mais comum, o organismo ainda produz insulina, mas ela não funciona adequadamente ou é produzida em quantidade insuficiente. A condição está muito ligada aos hábitos de vida, principalmente à alimentação, ao excesso de peso e ao sedentarismo.

    2. O que é a pré-diabetes?

    A pré-diabetes é uma condição na qual os níveis de glicose no sangue estão mais altos que o normal, mas ainda não são suficientes para caracterizar a diabetes. Ela funciona como um sinal de alerta de que o organismo já apresenta dificuldade para controlar a glicose.

    3. Quem deve fazer o exame de rastreamento?

    Pessoas acima de 45 anos ou adultos de qualquer idade que estejam acima do peso e tenham um fator de risco adicional (como pressão alta ou histórico familiar).

    4. Quem tem diabetes pode comer frutas?

    Sim! Frutas são saudáveis, mas contêm frutose (açúcar natural). A dica é preferir frutas com casca e bagaço (fibras) e evitar sucos coados, que elevam a glicemia muito rápido.

    5. Produtos “diet” são liberados à vontade?

    É preciso ter cuidado, pois muitos produtos “diet” retiram o açúcar, mas aumentam a quantidade de gordura para manter o sabor e a textura, sendo muito calóricos. Além disso, alguns adoçantes em excesso podem causar desconforto intestinal.

    6. Como ocorre o diagnóstico da diabetes?

    O diagnóstico geralmente acontece por meio de exames de sangue que avaliam os níveis de glicose em jejum, a hemoglobina glicada ou o teste de tolerância à glicose.

    7. Quais complicações podem surgir sem controle da diabetes?

    Sem controle adequado, a doença pode afetar os olhos, os rins, o coração, os nervos e a circulação. O acompanhamento médico e os hábitos saudáveis ajudam a reduzir os riscos.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Índice glicêmico: o que é, como funciona e quais alimentos influenciam a glicose

    Índice glicêmico: o que é, como funciona e quais alimentos influenciam a glicose

    Se você é uma pessoa que convive com diabetes ou outra condição que precisa do controle da glicose, já deve saber que alguns alimentos podem elevar o nível glicêmico mais rápido do que outros depois de uma refeição.

    Mas, para entender esse efeito, vale observar a posição dos alimentos na escala do índice glicêmico — que é capaz de mostrar a rapidez com que eles aumentam o açúcar no sangue após o consumo.

    Os alimentos com índice glicêmico alto elevam a glicose rapidamente, enquanto alimentos com índice glicêmico baixo liberam o açúcar de forma gradual. A diferença influencia a saciedade, o controle do peso, o risco de diabetes e também a saúde do coração. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é índice glicêmico?

    O índice glicêmico (IG) é uma classificação usada para medir a velocidade com que um alimento rico em carboidratos aumenta a glicose no sangue após o consumo. Isso significa que quanto maior o índice glicêmico, mais rápida costuma ser a elevação da glicemia.

    Vale apontar que o índice não avalia a quantidade de carboidrato presente na porção consumida, apenas a velocidade com que a glicose chega à corrente sanguínea.

    Por isso, um alimento pode apresentar índice glicêmico alto e, ainda assim, não provocar grande impacto glicêmico quando ingerido em pequenas quantidades.

    Como o índice glicêmico funciona?

    Nem todo carboidrato se comporta da mesma maneira no corpo. Enquanto alguns alimentos são absorvidos rapidamente e elevam a glicose em pouco tempo, outros passam por uma digestão mais lenta, liberando energia de forma gradual.

    O índice glicêmico é usado justamente para entender a diferença, ajudando a entender quais alimentos elevam a glicose mais rápido e quais mantêm níveis mais estáveis. Ele é dividido em três faixas:

    • Alto índice glicêmico (≥ 70): alimentos com índice glicêmico alto são digeridos rapidamente. A glicose sobe rápido no sangue e, depois, costuma cair também com mais rapidez. Isso pode causar cansaço, fome precoce ou vontade de comer doce pouco tempo depois;
    • Médio índice glicêmico (56 – 69): alimentos desse grupo têm absorção moderada. Eles podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, principalmente quando consumidos com fibras, proteínas ou gorduras, que ajudam a reduzir o impacto na glicose;
    • Baixo índice glicêmico (≤ 55): alimentos com baixo índice glicêmico são absorvidos mais lentamente. A glicose sobe de forma gradual, o que ajuda a manter energia por mais tempo e maior sensação de saciedade.

    É importante ressaltar que o efeito de um alimento pode mudar conforme a forma de preparo e a combinação no prato. Por exemplo, refeições com fibras, proteínas e gorduras tendem a reduzir a velocidade de absorção da glicose, o que contribui para um equilíbrio maior ao longo do dia.

    Qual a diferença entre índice glicêmico e carga glicêmica de um alimento?

    O índice glicêmico e a carga glicêmica são formas de avaliar como os alimentos influenciam a glicose no sangue, mas cada um analisa um aspecto diferente.

    O índice glicêmico indica a velocidade com que os carboidratos de um alimento são digeridos e absorvidos, elevando a glicose após o consumo. Quanto maior o índice glicêmico, mais rápido costuma ocorrer esse aumento.

    A carga glicêmica, por sua vez, avalia dois pontos ao mesmo tempo: a velocidade de absorção e a quantidade de carboidrato presente na porção consumida. Logo, o cálculo dá uma visão mais próxima do impacto real do alimento na glicemia.

    Exemplo: um alimento pode ter índice glicêmico alto, mas carga glicêmica baixa se a quantidade de carboidrato for pequena. Por outro lado, um alimento pode apresentar índice glicêmico moderado ou até baixo, mas ter carga glicêmica elevada quando consumido em grandes quantidades.

    O que influencia o índice glicêmico de um alimento?

    O índice glicêmico do alimento pode mudar completamente dependendo de como ele é preparado, colhido ou acompanhado. É possível apontar os seguintes fatores:

    • Quantidade de fibras: alimentos ricos em fibras costumam ter digestão mais lenta, reduzindo a velocidade de absorção da glicose;
    • Grau de processamento: produtos refinados e ultraprocessados tendem a elevar a glicose mais rapidamente do que alimentos integrais ou naturais;
    • Forma de preparo: cozinhar demais, triturar ou amassar alimentos pode facilitar a absorção dos carboidratos;
    • Presença de proteínas e gorduras: os nutrientes retardam a digestão e ajudam a diminuir picos glicêmicos;
    • Tipo de carboidrato: carboidratos simples são absorvidos mais rápido do que carboidratos complexos;
    • Combinação dos alimentos: consumir carboidratos junto com fibras, proteínas e gorduras reduz o impacto glicêmico da refeição;
    • Quantidade consumida: porções maiores aumentam o efeito na glicose, mesmo quando o índice glicêmico não é elevado.

    Alimentos com baixo, médio e alto índice glicêmico

    Para te ajudar, listamos alguns exemplos de alimentos divididos por suas categorias de índice glicêmico (IG):

    Alimentos de baixo índice glicêmico

    • Feijão, lentilha e grão-de-bico;
    • Maçã, pera, morango e pêssego;
    • Aveia em flocos e quinoa;
    • Iogurte natural sem açúcar e leite;
    • Amendoim, castanhas e nozes;
    • Vegetais verdes (brócolis, espinafre, abobrinha);
    • Cereja e ameixa fresca.

    Alimentos de médio índice glicêmico

    • Arroz integral e arroz parboilizado;
    • Milho e cuscuz;
    • Uva, manga, mamão e abacaxi;
    • Batata cozida com casca;
    • Farinha de trigo integral;
    • Pipoca (sem adição de açúcar ou excesso de gordura);
    • Uva-passa e figo.

    Alimentos de alto índice glicêmico

    • Pão francês e pão de forma branco;
    • Arroz branco e tapioca;
    • Batata inglesa (especialmente purê ou assada);
    • Melancia e tâmara;
    • Açúcar de mesa, mel e refrigerantes;
    • Biscoitos de arroz e cereais matinais refinados;
    • Macarrão instantâneo e bolos feitos com farinha branca.

    Vale lembrar que índice glicêmico sozinho não define se um alimento é saudável ou não. Outros fatores também contam, como qualidade nutricional, quantidade consumida, forma de preparo e combinação com outros alimentos no prato.

    O mais importante é ser o equilíbrio na alimentação, priorizando alimentos naturais ou minimamente processados, ricos em fibras, vitaminas e minerais.

    Quem deve prestar mais atenção ao índice glicêmico?

    O monitoramento do índice glicêmico é importante para qualquer pessoa prevenir doenças metabólicas no futuro, mas ele é indispensável para grupos específicos cujo corpo tem dificuldade em lidar com oscilações bruscas de açúcar, como:

    • Pessoas com diabetes ou pré-diabetes;
    • Quem tem resistência à insulina ou síndrome metabólica;
    • Quem busca emagrecimento ou controle do peso;
    • Pessoas que querem evitar picos de glicose e manter energia mais estável ao longo do dia.

    Como montar refeições equilibradas?

    Primeiro de tudo, a ideia é combinar diferentes grupos de alimentos para garantir energia, saciedade e nutrientes importantes ao longo do dia, além de ajudar a evitar picos de glicose. Isso pode ser feito com pequenas escolhas no dia a dia, com:

    • Inclua uma fonte de carboidrato de preferência integral, como arroz integral, aveia, batata-doce ou pão integral;
    • Acrescente proteínas, como ovos, carnes, peixe, frango, tofu, feijão ou lentilha;
    • Não esqueça das fibras, presentes em verduras, legumes, frutas e grãos integrais;
    • Inclua gorduras boas, como azeite, castanhas, abacate ou sementes;
    • Evite excesso de alimentos ultraprocessados, açúcar e farinhas refinadas.

    Outra dica é misturar carboidratos com fibras, proteínas e gorduras ajuda a reduzir a velocidade de absorção da glicose, favorecendo maior saciedade e níveis de energia mais estáveis.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Comer alimentos de baixo índice glicêmico ajuda a emagrecer?

    Pode ajudar, porque costuma aumentar a saciedade e evitar picos de fome ao longo do dia. Ainda assim, o emagrecimento depende de uma alimentação equilibrada e do estilo de vida.

    2. Alimento doce sempre tem alto índice glicêmico?

    Nem sempre. Algumas frutas doces, por exemplo, têm fibras que reduzem a velocidade de absorção do açúcar. O impacto depende da composição e da quantidade consumida.

    3. Qual a diferença entre carboidratos simples e complexos?

    Os simples possuem cadeias moleculares curtas e são absorvidos rapidamente (energia imediata). Os complexos possuem cadeias longas e fibras,

    4. Como baixar o índice glicêmico de um pão francês?

    Uma dica é combiná-lo com fibras (alface), proteínas (ovo, frango) ou gorduras boas (azeite), o que atrasa a digestão total da refeição.

    5. O que acontece no corpo após comer um alimento de alto índice glicêmico?

    Ocorre um pico de glicose, seguido de um pico de insulina. Logo depois, a glicose cai bruscamente, o que pode causar tontura, sono e fome.

    6. Qual chocolate tem o menor índice glicêmico?

    O chocolate com alto teor de cacau (acima de 70%) tem IG baixo, pois possui mais gordura do cacau e menos açúcar. Já o chocolate ao leite ou branco tem IG alto.

    7. O índice glicêmico é igual para todo mundo?

    Não exatamente. Embora o valor do alimento seja padronizado, a resposta glicêmica é individual e depende da sua genética, flora intestinal, nível de atividade física e saúde do pâncreas.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Acantose nigricans: mancha escura no pescoço pode ser sinal de alerta 

    Acantose nigricans: mancha escura no pescoço pode ser sinal de alerta 

    Manchas escuras e espessadas na região do pescoço ou das axilas costumam gerar preocupação. Muitas vezes, as pessoas acreditam que se trata apenas de sujeira ou falta de higiene. No entanto, quando a pele apresenta aspecto aveludado e mais grossa, pode estar diante de um quadro chamado acantose nigricans.

    Na maioria dos casos, essa alteração está relacionada à resistência à insulina e à obesidade. Porém, em situações mais raras, pode ser um sinal de doenças hormonais ou até de câncer. Por isso, entender suas causas e características é fundamental para saber quando investigar.

    O que é acantose nigricans

    A acantose nigricans é uma alteração cutânea caracterizada por:

    • Escurecimento da pele;
    • Espessamento;
    • Aspecto aveludado;
    • Localização predominante em áreas de dobra.

    As regiões mais acometidas são:

    • Parte posterior do pescoço;
    • Axilas;
    • Virilha;
    • Dobras sob as mamas.

    As lesões costumam ter bordas pouco definidas e podem evoluir de manchas planas para placas palpáveis.

    Principais causas

    A acantose nigricans pode ter diferentes origens.

    1. Resistência à insulina e obesidade (forma mais comum)

    É a causa mais frequente. O excesso de insulina circulante estimula receptores semelhantes ao fator de crescimento (IGF-1), o que promove a proliferação de queratinócitos e fibroblastos.

    A perda de peso e o controle glicêmico costumam levar à melhora das lesões.

    2. Distúrbios endócrinos

    Pode estar associada a:

    • Síndrome dos ovários policísticos;
    • Hipotireoidismo;
    • Acromegalia;
    • Síndrome de Cushing;
    • Doença de Addison;
    • Síndromes graves de resistência à insulina.

    3. Uso de medicamentos

    Alguns medicamentos podem desencadear o quadro, como:

    • Glicocorticoides sistêmicos;
    • Anticoncepcionais orais combinados;
    • Hormônio do crescimento;
    • Insulina injetável;
    • Ácido nicotínico;
    • Inibidores de protease;
    • Estrogênios.

    Em muitos casos, as lesões melhoram após suspensão da medicação.

    4. Forma hereditária

    Pode ocorrer como traço autossômico dominante, manifestando-se na infância.

    5. Acantose nigricans maligna

    É rara, mas pode estar associada principalmente a:

    • Adenocarcinomas gastrointestinais, especialmente gástricos;
    • Câncer de próstata, mama e ovário;
    • Mais raramente pulmão e linfoma.

    Os sinais de alerta são:

    • Início súbito;
    • Evolução rápida;
    • Prurido intenso;
    • Múltiplas queratoses seborreicas (sinal de Leser-Trélat);
    • Espessamento palmar (“tripe palms”).

    Em parte dos casos, a alteração cutânea surge antes do diagnóstico do câncer.

    6. Outras variantes

    • Forma acral, mais comum em pessoas com pele escura;
    • Forma unilateral (nevoide);
    • Forma autoimune, associada a lúpus e outras doenças autoimunes.

    Como a doença se desenvolve

    O mecanismo mais comum envolve:

    • Ativação de receptores de IGF-1 por níveis elevados de insulina;
    • Proliferação de queratinócitos e fibroblastos;
    • Espessamento da pele (epiderme);
    • Hiperqueratose.

    Na forma maligna, fatores de crescimento produzidos pelo tumor estimulam diretamente a pele.

    Quadro clínico

    As pessoas geralmente apresentam:

    • Manchas escuras e espessadas;
    • Aspecto aveludado;
    • Localização em dobras;
    • Eventual coceira.

    Em crianças, o pescoço é o local mais acometido.

    Em casos raros, pode atingir:

    • Mucosa oral;
    • Nariz;
    • Esôfago;
    • Laringe;
    • Mamilos.

    Visualmente, não é possível diferenciar apenas pela aparência as formas benignas das malignas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é principalmente clínico. A investigação pode envolver:

    • Avaliação para resistência à insulina;
    • Dosagem de hemoglobina glicada;
    • Rastreamento para diabetes;
    • Investigação de neoplasias quando houver sinais suspeitos.

    Em casos selecionados, pode ser necessária biópsia de pele ou exames de imagem.

    Tratamento

    A acantose nigricans é um sinal clínico, não uma doença isolada. O tratamento depende da causa.

    Controle metabólico

    • Perda de peso;
    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física;
    • Controle glicêmico;
    • Uso de sensibilizadores à insulina, como metformina, quando indicado.

    Suspensão de medicamentos desencadeantes

    Quando a pessoa está usando remédios que podem provocar a acantose nigricans, o médico pode suspender o uso e indicar outros medicamentos.

    Tratamentos dermatológicos

    Podem melhorar o aspecto estético, mas com resultados variáveis:

    • Retinoides tópicos;
    • Lactato de amônio;
    • Análogos da vitamina D;
    • Peelings químicos;
    • Laser;
    • Dermabrasão.

    Na forma maligna, a melhora pode ocorrer após tratamento do tumor.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure atendimento se houver:

    • Escurecimento súbito e rápido da pele;
    • Lesões extensas ou com prurido;
    • Perda de peso inexplicada;
    • Suspeita de diabetes;
    • Histórico familiar de câncer.

    Confira: Diabetes MODY: o tipo raro que muita gente tem sem saber

    Perguntas frequentes sobre acantose nigricans

    1. Acantose nigricans é sujeira?

    Não. Trata-se de alteração da pele, não relacionada à higiene.

    2. Sempre indica diabetes?

    Não, mas é fortemente associada à resistência à insulina.

    3. Pode aparecer em crianças?

    Sim, especialmente em casos de obesidade ou predisposição genética.

    4. Toda acantose é câncer?

    Não. A forma maligna é rara.

    5. Clareadores resolvem?

    Não tratam a causa, apenas podem melhorar o aspecto superficial.

    6. Emagrecer melhora?

    Sim, em muitos casos a perda de peso reduz as lesões.

    7. Precisa fazer biópsia?

    Nem sempre. Geralmente o diagnóstico é clínico.

    Veja mais: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

  • Hemoglobina glicada: por que é tão importante no controle do diabetes?

    Hemoglobina glicada: por que é tão importante no controle do diabetes?

    Você sabia que mais de 10% da população adulta do Brasil convive com diabetes? A condição ocorre quando o organismo não produz insulina suficiente ou não consegue usar o hormônio de forma adequada, levando ao aumento do açúcar no sangue.

    Com o tempo, o excesso pode causar danos ao organismo, o que torna fundamental manter um acompanhamento regular para avaliar se a glicose está dentro dos valores ideais.

    Além do tratamento, exames como a hemoglobina glicada ajudam a avaliar como a glicose se comportou nos últimos meses. Vamos entender mais, a seguir.

    Para que serve o exame de hemoglobina glicada?

    A hemoglobina glicada, também chamada de HbA1c, é um exame de sangue que serve para avaliar como a glicose no sangue tem se comportado ao longo do tempo, principalmente nos últimos dois a três meses.

    De forma geral, o resultado revela uma média, mostrando se a pessoa costuma ficar com a glicose alta, normal ou baixa na maior parte do tempo.

    Isso acontece porque a glicose se liga à hemoglobina, que é a proteína do sangue responsável por transportar oxigênio, e essa ligação permanece durante toda a vida da célula do sangue, que dura cerca de 120 dias.

    “Ele é usado para diagnosticar o diabetes e também para acompanhar o controle da doença ao longo do tempo. O exame é feito a partir de uma amostra de sangue colhida como em qualquer exame de rotina”, explica a endocrinologista Denise Orlando.

    Qual a diferença entre a hemoglobina glicada e a glicemia de jejum?

    A principal diferença entre a hemoglobina glicada e a glicemia de jejum é o tipo de informação que cada exame oferece sobre o açúcar no sangue.

    A glicemia de jejum mostra quanto de glicose está circulando no sangue naquele momento específico em que o exame é feito, após um período sem comer, geralmente de oito a doze horas. Por isso, o resultado pode variar bastante de um dia para o outro, dependendo do que a pessoa comeu, do estresse, do sono, de infecções ou do uso de medicamentos.

    Já a hemoglobina glicada, por outro lado, avalia a média dos níveis de glicose nos últimos dois a três meses, mostrando como o açúcar no sangue se manteve ao longo do tempo, e não apenas em um único dia.

    “A hemoglobina glicada não sofre influência direta da alimentação nos dias anteriores, porque ela mostra a média da glicose ao longo de várias semanas. Por isso, é um exame que não exige jejum e é mais estável do que a glicemia em jejum”, explica Denise.

    Por que a hemoglobina glicada é tão importante no diabetes?

    A hemoglobina glicada é capaz de mostrar como o açúcar no sangue tem se comportado no dia a dia, e não só em um único momento, como acontece na glicemia de jejum.

    Como o exame mostra a média dos níveis de açúcar nos últimos dois a três meses, é possível saber se a pessoa tem ficado com a glicose elevada com frequência, mesmo quando as medições do dia a dia podem parecer normais.

    Isso faz toda a diferença porque os problemas do diabetes aparecem quando o açúcar fica alto por muito tempo. Quanto mais alta a hemoglobina glicada, maior o risco de complicações nos olhos, nos rins, nos nervos, no coração e nos vasos.

    “Um resultado dentro da meta significa que a glicose tem estado estável, o que reduz o risco de complicações. Ela ajuda médicos e pacientes a ajustarem o tratamento de forma mais eficaz, com base em um panorama mais completo”, aponta Denise.

    Quais os sintomas da hemoglobina glicada alta?

    A hemoglobina glicada alta, por si só, não causa sintomas diretos, mas indica que a glicose no sangue tem permanecido elevada por um período prolongado. Isso significa que o diabetes está mal controlado, mesmo que a pessoa não esteja sentindo nada de diferente no dia a dia.

    Quando a glicose fica alta por muito tempo, podem surgir sinais como:

    • Sede excessiva;
    • Vontade frequente de urinar;
    • Cansaço;
    • Visão embaçada;
    • Fome constante;
    • Perda de peso sem explicação.

    No entanto, muitas pessoas podem passar meses ou até anos com a hemoglobina glicada elevada sem apresentar sintomas evidentes, o que torna o exame ainda mais importante.

    Valores de referência da hemoglobina glicada

    Segundo Denise, os valores de hemoglobina glicada são interpretados da seguinte forma:

    • Abaixo de 5,7% — considerado normal;
    • Entre 5,7% e 6,4% — pré-diabetes;
    • Igual ou acima de 6,5% — diagnóstico de diabetes (confirmado com mais de um exame ou associado a outros critérios);

    Com que frequência fazer o exame de hemoglobina glicada?

    O recomendado é realizar o exame a cada três meses, principalmente quando houve mudança no tratamento, ajuste de medicamentos ou quando o diabetes não está bem controlado

    Quando o diabetes está estável e bem controlado, o exame pode ser solicitado a cada seis meses, de acordo com a orientação médica.

    Veja também: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

    Perguntas frequentes

    1. Quem deve fazer a hemoglobina glicada?

    Pessoas com diabetes, pré-diabetes, histórico familiar de diabetes, sobrepeso, hipertensão ou outras condições que aumentam o risco da doença.

    2. É preciso estar em jejum para fazer o exame?

    Não, a hemoglobina glicada pode ser feita em qualquer horário do dia, independentemente de ter se alimentado.

    3. A hemoglobina glicada pode variar de um dia para o outro?

    Não. Como ela mostra uma média de meses, pequenas variações diárias não alteram o resultado de forma significativa.

    4. A hemoglobina glicada substitui a glicemia de jejum?

    Não, os dois exames se complementam. A glicemia mostra o valor do momento, e a hemoglobina glicada mostra o histórico dos últimos meses.

    5. O que fazer se a hemoglobina glicada estiver alta?

    É preciso rever alimentação, atividade física e medicamentos com orientação médica para melhorar o controle da glicose.

    6. O exame pode indicar riscos de complicações do diabetes a longo prazo?

    Sim, quanto mais alta a hemoglobina glicada, maior o risco de complicações do diabetes, como problemas nos olhos, rins, nervos e coração. Manter a HbA1c dentro da meta ajuda a reduzir esse risco ao longo do tempo.

    7. A perda de peso pode reduzir a hemoglobina glicada?

    Sim, em muitas pessoas, emagrecer melhora a sensibilidade à insulina e ajuda a diminuir os níveis de glicose, refletindo na redução da hemoglobina glicada.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência 

    Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência 

    Enjoo persistente, dor abdominal, respiração ofegante e um hálito com cheiro de acetona podem parecer sintomas desconectados à primeira vista. No entanto, quando surgem em pessoas com diabetes, esses sinais podem indicar uma emergência médica grave: a cetoacidose diabética.

    Essa condição exige diagnóstico rápido e tratamento imediato. Quando não reconhecida a tempo, pode evoluir para coma e até levar à morte. Por isso, entender como ela surge, quais são os sintomas e quando procurar ajuda faz toda a diferença para salvar vidas.

    O que é a cetoacidose diabética?

    A cetoacidose diabética é uma complicação grave que afeta pessoas com diabetes mellitus, sendo mais comum em indivíduos com diabetes tipo 1, embora também possa ocorrer no diabetes tipo 2.

    Ela é caracterizada por três alterações principais:

    • Níveis muito elevados de glicose no sangue;
    • Aumento de corpos cetônicos;
    • Redução do pH sanguíneo, deixando o sangue ácido.

    A condição acontece quando há deficiência de insulina. Sem insulina suficiente, a glicose não consegue entrar nas células para ser usada como energia. O corpo, então, passa a quebrar gordura como alternativa, produzindo cetonas, substâncias ácidas que se acumulam no sangue e levam ao desequilíbrio metabólico.

    Principais sintomas da cetoacidose diabética

    Os sintomas costumam surgir de forma rápida e progridem em poucas horas ou dias.

    Sintomas iniciais (típicos do diabetes)

    • Sede excessiva;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Perda de peso.

    Sintomas associados à cetoacidose

    • Enjoo e vômitos;
    • Dor abdominal;
    • Fadiga intensa;
    • Confusão mental;
    • Hálito cetônico, com odor semelhante ao de acetona.

    Em quadros mais graves, podem ocorrer:

    • Sonolência excessiva;
    • Lentificação;
    • Coma;
    • Necessidade de suporte ventilatório.

    Alterações nos níveis de potássio também são comuns e podem levar a arritmias cardíacas, aumentando a gravidade do quadro.

    Quais são as causas da cetoacidose diabética?

    A cetoacidose diabética pode ocorrer tanto em pessoas já diagnosticadas com diabetes quanto ser a primeira manifestação da doença.

    Principais fatores desencadeantes

    • Infecções, especialmente urinárias e pulmonares;
    • Uso inadequado ou interrupção da insulina;
    • Falha no tratamento medicamentoso.

    A base do problema é sempre a deficiência de insulina, que pode ser:

    • Completa, no diabetes tipo 1;
    • Parcial, no diabetes tipo 2.

    Sem insulina suficiente, o organismo entra em um estado de descompensação metabólica grave.

    Como é feito o diagnóstico da cetoacidose diabética?

    O diagnóstico é baseado em critérios laboratoriais bem definidos.

    Critérios diagnósticos

    • Glicose no sangue maior que 250 mg/dL;
    • pH sanguíneo reduzido (acidose);
    • Presença de cetonas no sangue ou na urina.

    Exames laboratoriais também costumam mostrar:

    • Alterações nos níveis de sódio e potássio;
    • Sinais de desidratação;
    • Redução da função renal em casos mais graves.

    Tratamento da cetoacidose diabética

    A cetoacidose diabética é uma emergência médica e deve ser tratada em ambiente hospitalar.

    Primeira etapa: hidratação

    A hidratação endovenosa vigorosa (soro na veia) é sempre a primeira medida após o diagnóstico, independentemente da gravidade inicial.

    Uso de insulina

    A insulina intravenosa só deve ser iniciada se os níveis de potássio estiverem adequados.

    Se o potássio estiver abaixo de 3,5 mEq/L, ele deve ser corrigido antes da insulina.

    Outras medidas importantes

    • Reposição de bicarbonato e fosfato, quando indicado;
    • Monitorização rigorosa dos sinais vitais;
    • Exames laboratoriais frequentes;
    • Gasometria a cada 2 horas, para acompanhar o equilíbrio metabólico.

    Após a resolução da crise:

    • Reintrodução da dieta;
    • Retorno ao esquema de insulina subcutânea.

    Como prevenir a cetoacidose diabética?

    A prevenção está diretamente ligada ao controle adequado do diabetes.

    Medidas essenciais

    • Uso regular das medicações prescritas;
    • Acompanhamento médico periódico;
    • Ajuste adequado das doses de insulina;
    • Vacinação em dia, para reduzir o risco de infecções;
    • Evitar consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

    Reconhecer precocemente os sintomas e buscar atendimento rápido é fundamental para evitar complicações.

    Prognóstico da cetoacidose diabética

    A taxa de mortalidade varia entre 0,2% e 2,5%.

    O prognóstico é pior em:

    • Idosos;
    • Pacientes com comorbidades importantes;
    • Pessoas com alterações neurológicas graves.

    Por outro lado, pacientes que recebem tratamento precoce costumam apresentar boa recuperação, sem sequelas permanentes.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes sobre cetoacidose diabética

    1. Cetoacidose diabética é a mesma coisa que glicemia alta?

    Não. A glicemia alta é um dos critérios, mas a cetoacidose envolve acidose e produção de cetonas.

    2. Só quem tem diabetes tipo 1 pode ter cetoacidose?

    Não. É mais comum no tipo 1, mas pode ocorrer no tipo 2.

    3. Hálito com cheiro de acetona é sempre sinal de cetoacidose?

    Não sempre, mas é um sinal de alerta importante em pessoas com diabetes.

    4. A cetoacidose pode ser a primeira manifestação do diabetes?

    Sim. Em alguns casos, o diagnóstico do diabetes acontece durante a crise.

    5. Cetoacidose tem cura?

    Sim. Com tratamento adequado e rápido, a crise é revertida.

    6. Dá para prevenir completamente?

    Nem sempre, mas o bom controle do diabetes reduz muito o risco.

    7. Quando procurar atendimento médico?

    Ao surgirem enjoo, vômitos, dor abdominal, confusão mental ou hálito cetônico.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Pé diabético: o que é, sintomas e como tratar

    Pé diabético: o que é, sintomas e como tratar

    Pessoas que convivem com o diabetes sabem da necessidade de manter alguns cuidados diários. O controle inadequado da glicose no sangue ao longo dos anos pode causar complicações em diferentes partes do corpo — especialmente nos membros inferiores.

    Uma das consequências mais conhecidas é o pé diabético, uma condição que deforma, altera a circulação e também a sensibilidade do pé. Isso favorece infecções e aumenta o risco de amputação, de acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio. Vamos entender mais a fundo, a seguir!

    O que é pé diabético?

    O pé diabético é uma complicação que pode acontecer quando os níveis elevados de glicose no sangue afetam os nervos e os vasos sanguíneos dos pés, comprometendo a sensibilidade e a circulação. Com o tempo, pequenos machucados que passariam despercebidos em uma pessoa sem diabetes podem evoluir para feridas graves e até infecções.

    A condição é considerada uma das principais causas de amputação não traumática no mundo. Para se ter uma ideia, o Ministério da Saúde aponta que aproximadamente um quarto dos pacientes com diabetes desenvolvem úlceras nos pés e 85% das amputações de membros inferiores ocorrem em pacientes com diabetes.

    Vale apontar que pé diabético não se manifesta de um dia para o outro, sendo resultado de anos de glicemia alta, maus hábitos e falta de acompanhamento médico adequado. Isso reforça a importância do controle rigoroso do diabetes, o cuidado diário com os pés e o acompanhamento médico regular para prevenir complicações.

    Quais são as causas do pé diabético?

    O pé diabético é causado pela combinação de dois fatores principais, sendo eles:

    Neuropatia periférica

    A neuropatia periférica é o nome dado ao dano nos nervos que ligam o cérebro e a medula espinhal ao resto do corpo. Eles são responsáveis por controlar a sensibilidade, os movimentos e as funções automáticas, como a circulação e a digestão.

    No diabetes, o excesso de glicose no sangue agride os nervos com o tempo, principalmente os dos pés e das pernas — o que causa sintomas como formigamento, dormência, queimação, dor em pontadas e perda de sensibilidade.

    Quando a pessoa deixa de sentir dor nos pés, pequenos ferimentos passam despercebidos e podem evoluir para feridas graves e infecções.

    Má circulação (doença arterial obstrutiva)

    O diabetes favorece o acúmulo de gordura e inflamação nas paredes das artérias, formando placas que podem estreitar ou bloquear os vasos sanguíneos. Quando isso acontece, o sangue circula com dificuldade, especialmente nas pernas, no coração e no cérebro.

    Nos pés, a má circulação causa dor, feridas que demoram a cicatrizar e, em casos mais graves, pode levar à perda do membro — risco que aumenta ainda mais se houver infecção.

    Outros fatores

    O risco também pode ser maior devido a fatores como:

    • Uso de calçados inadequados, que causam atrito e pressionam áreas sensíveis dos pés;
    • Cortes malfeitos nas unhas, que podem gerar pequenas lesões e infecções;
    • Ressecamento da pele, que favorece rachaduras e feridas;
    • Tabagismo, que compromete a circulação e dificulta a cicatrização.

    Quais são os sintomas do pé diabético?

    Os sintomas de pé diabético variam conforme a gravidade, mas normalmente se desenvolvem de forma lenta e silenciosa. De acordo com Marcelo Dalio, o primeiro sintoma é a sensação de formigamento, que diminui conforme a pessoa perde a sensibilidade dos dedos dos pés — o que aumenta o risco de calos, deformidades e feridas.

    Outros sinais de alerta também podem ocorrer, como:

    • Pele seca, rachada ou com fissuras;
    • Feridas que demoram a cicatrizar, uma vez que a circulação sanguínea está prejudicada;
    • Inchaço e vermelhidão local;
    • Alterações na forma dos dedos ou no arco do pé;
    • Odor forte, secreção ou coloração escurecida na pele (sinais de infecção).

    Em casos mais graves, podem surgir úlceras abertas, infecções profundas e necrose. Nesses estágios, o risco de amputação é elevado.

    O pé diabético causa dor?

    Muitas pessoas costumam perder a sensibilidade, mas a dor pode aparecer em estágios iniciais da neuropatia ou quando há inflamação e infecção. Ela tende a surgir em forma de queimação, pontadas ou choques elétricos, principalmente à noite.

    A dor neuropática é causada por nervos lesionados e costuma ser persistente. Já a dor associada a feridas e infecções indica agravamento e exige tratamento médico urgente.

    Como é feito o diagnóstico do pé diabético?

    O diagnóstico é clínico e deve ser feito por um profissional de saúde, normalmente um endocrinologista, angiologista ou cirurgião vascular. O médico examina os pés em busca de feridas, calos, alterações de sensibilidade e sinais de má circulação.

    Em alguns casos, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) aponta que podem ser realizados exames complementares, como:

    • Exames laboratoriais: avaliam os níveis de glicemia, identificam possíveis infecções associadas e investigam doenças correlacionadas, como insuficiência renal;
    • Índice tornozelo-braço (ITB): mede a gravidade da obstrução arterial, embora possa ser impreciso em pessoas com diabetes devido à calcificação (endurecimento) das paredes arteriais;
    • Radiografia simples: auxilia na detecção de deformidades ósseas e sinais de osteomielite (infecção óssea);
    • Tomografia computadorizada e ressonância magnética: permitem diagnóstico mais detalhado das alterações ósseas e dos tecidos moles;
    • Angiotomografia computadorizada: fornece uma avaliação precisa da circulação sanguínea, sendo especialmente útil em casos de obstrução arterial.

    Tratamento de pé diabetico

    Nos casos em que já existem feridas, deformidades ou alterações estruturais nos pés, o tratamento de pé diabetico envolve medidas como:

    • Manter as feridas sempre limpas e cobertas, com curativos trocados diariamente para evitar contaminações. As lesões nunca devem ficar expostas;
    • Usar antibióticos conforme prescrição médica, em caso de infecção;
    • Evitar apoiar o pé lesionado no chão, reduzindo o risco de piora e facilitando a cicatrização;
    • Manter acompanhamento médico rigoroso, com equipe multidisciplinar (endocrinologista, angiologista, podólogo e enfermeiro).

    Quando o tratamento clínico não é suficiente ou a ferida apresenta maior gravidade, pode ser necessária intervenção cirúrgica, apontada pela SBACV:

    • Revascularização do membro, indicada quando há obstrução arterial. Pode ser realizada por meio de pontes arteriais (cirurgia aberta) ou técnicas endovasculares, como angioplastia (dilatação da artéria com balão), com ou sem colocação de stent;
    • Remoção de tecido necrosado, eliminando partes mortas ou infeccionadas para permitir a recuperação dos tecidos saudáveis;
    • Correção cirúrgica de deformidades ósseas, em casos sem infecção ativa, para estabilizar o pé e prevenir novas lesões;
    • Amputação, indicada apenas em situações extremas, como infecção óssea grave (osteomielite) ou necrose extensa. Pode envolver desde a retirada de um único dedo até a amputação parcial do pé ou abaixo do joelho, dependendo da gravidade do quadro.

    Quando procurar atendimento médico?

    Pessoas com diabetes devem procurar atendimento médico ao primeiro sinal de alteração nos pés, mesmo que pareça algo simples, como bolhas ou calos que não cicatrizam. A avaliação precoce evita complicações graves e pode impedir a evolução para infecções profundas ou amputações.

    Pessoas com histórico de úlceras, infecções anteriores ou má circulação também devem manter acompanhamento periódico com o médico.

    Convivendo com o pé diabético

    Além do acompanhamento médico, existem alguns cuidados diários que ajudam a proteger os pés e evitar complicações, como:

    • Realizar avaliações periódicas dos pés, observando a presença de feridas, rachaduras, calos, mudanças de cor ou temperatura;
    • Utilizar sapatos adequados, confortáveis e sem costuras internas, que protejam o pé contra atritos e machucados;
    • Adotar uma alimentação equilibrada, rica em fibras, vegetais e proteínas magras, ajudando no controle da glicemia e do peso corporal;
    • Praticar atividade física regular, sempre com liberação médica, para melhorar a circulação e reduzir a resistência à insulina;
    • Controlar a pressão arterial e o colesterol, fatores que influenciam diretamente a saúde vascular;
    • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, que prejudicam a circulação e retardam a cicatrização.

    Marcelo ainda ressalta que quem já apresenta complicações, perda de sensibilidade, calos ou feridas precisa de acompanhamento mais próximo, preferencialmente com profissional especializado em pé diabético ou cirurgião vascular.

    Atualmente, nesses casos, existem palmilhas e calçados adaptados que redistribuem a pressão e ajudam a reduzir o atrito, prevenindo novas lesões. Alguns cuidados diários de higiene também fazem diferença, como secar muito bem os espaços entre os dedos após o banho, evitar micoses e inspecionar os pés regularmente para identificar qualquer alteração de pele, calo ou início de ferida antes que evolua.

    Vale lembrar que pessoas com diabetes precisam ser orientadas sobre como cuidar dos pés diariamente, identificar feridas ou alterações logo no início e reconhecer sinais de alerta que exigem avaliação médica. A educação em saúde é a principal aliada na prevenção de complicações do diabetes.

    Veja mais: Diabetes autoimune latente do adulto (LADA): o ‘tipo 1,5’ do diabetes

    Perguntas frequentes

    O pé diabético tem cura?

    O pé diabético não tem cura definitiva, mas pode ser controlado e tratado. Com o controle rigoroso da glicemia, cuidados diários com os pés e acompanhamento médico multidisciplinar, é possível evitar novas feridas e impedir a progressão da doença.

    O tratamento adequado permite viver com segurança e conforto, reduzindo significativamente o risco de infecções e amputações.

    Por que pessoas com diabetes perdem a sensibilidade nos pés?

    A perda de sensibilidade ocorre por causa da neuropatia periférica diabética, resultado de danos aos nervos causados pelo excesso de glicose no sangue. Com o tempo, os nervos deixam de transmitir corretamente os estímulos de dor, calor e pressão.

    Assim, o paciente pode se machucar sem perceber — por exemplo, com um sapato apertado ou um corte ao aparar as unhas, e o ferimento evoluir para uma infecção grave.

    Tenho diabetes e surgiu uma ferida no pé, o que devo fazer?

    Qualquer ferida, por menor que pareça, deve ser tratada imediatamente por um profissional de saúde. É necessário manter a lesão limpa, coberta e trocada diariamente, além de evitar apoiar o pé machucado no chão. O uso de pomadas ou curativos caseiros sem orientação médica pode piorar o quadro, então não se automedique!

    Qual é o melhor sapato para quem tem pé diabético?

    O calçado ideal deve ser macio, sem costuras internas, com solado firme e bico arredondado. O objetivo é proteger o pé de traumas e evitar pontos de pressão.

    Sapatos ortopédicos sob medida, palmilhas anatômicas e meias de algodão sem costura também ajudam. Vale evitar o uso de saltos altos, sandálias abertas e chinelos, pois eles aumentam o risco de lesões.

    Quando é necessária a amputação no pé diabético?

    A amputação é indicada apenas em casos graves, quando há necrose extensa, infecção óssea irreversível (osteomielite) ou obstrução arterial severa sem possibilidade de revascularização, a fim de evitar que a infecção se espalhe para outras partes do corpo.

    Apesar de ser uma medida extrema, muitas amputações poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce, tratamento adequado e controle do diabetes.

    Leia também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

  • Síndrome metabólica: o que é, sintomas e como controlar 

    Síndrome metabólica: o que é, sintomas e como controlar 

    A síndrome metabólica é cada vez mais comum e silenciosa. Muitas pessoas só descobrem a condição após anos convivendo com pressão alta, açúcar elevado no sangue ou aumento da circunferência abdominal. O problema é que, quando esses fatores se somam, o impacto sobre o coração, vasos sanguíneos e metabolismo é muito maior do que cada um isoladamente.

    Hoje sabe-se que o estilo de vida é determinante para o surgimento e a evolução da síndrome metabólica, mas, mesmo sendo uma condição séria, ela é totalmente controlável e, em alguns casos, reversível, desde que feito um acompanhamento adequado.

    O que é a síndrome metabólica?

    A síndrome metabólica é a combinação de pelo menos três dos seguintes fatores:

    • Aumento da circunferência abdominal;
    • Pressão arterial elevada;
    • Glicose alta no sangue;
    • HDL baixo (colesterol “bom”);
    • Triglicerídeos elevados.

    Esses sinais mostram que o corpo está com dificuldade de controlar açúcar, gorduras e pressão arterial, e isso aumenta de forma significativa o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Por que ela é perigosa?

    A síndrome metabólica atua de forma silenciosa. Na maior parte do tempo, a pessoa não sente nada, mas o corpo já está sofrendo:

    • Excesso de açúcar circulando;
    • Inflamação crônica;
    • Sobrecarga dos vasos sanguíneos;
    • Aumento do estresse oxidativo.

    Com o tempo, essas alterações podem levar a:

    • Doenças cardíacas;
    • AVC;
    • Doença renal;
    • Esteatose hepática;
    • Diabetes tipo 2.

    O que causa a síndrome metabólica?

    O principal fator é o estilo de vida, mas a genética também tem peso.

    Entre as causas mais comuns estão:

    • Alimentação rica em gorduras ruins, açúcar e ultraprocessados;
    • Sedentarismo;
    • Sobrepeso e obesidade (especialmente gordura abdominal);
    • Histórico familiar;
    • Idade avançada.

    Como é feito o diagnóstico

    Avaliação clínica

    • História detalhada;
    • Exame físico;
    • Medida da pressão arterial;
    • Circunferência abdominal (alerta acima de 88 cm em mulheres e 102 cm em homens).

    Exames laboratoriais

    • Glicemia;
    • Colesterol;
    • Triglicerídeos.

    O médico reúne os resultados e confirma o diagnóstico quando há três ou mais fatores alterados.

    Tem cura? Como é o tratamento

    Sim, a síndrome metabólica pode ser revertida com mudanças consistentes no estilo de vida.

    As principais medidas incluem:

    • Alimentação equilibrada, rica em fibras e pobre em ultraprocessados;
    • Prática regular de exercícios físicos;
    • Perda de peso saudável;
    • Redução do consumo de álcool;
    • Abandono do tabagismo;
    • Acompanhamento médico periódico.

    Em alguns casos, o médico pode prescrever medicamentos para controlar:

    • Pressão arterial;
    • Colesterol;
    • Triglicerídeos;
    • Glicemia.

    Manifestações associadas

    Por estar relacionada à resistência à insulina e à hiperinsulinemia, outras condições podem aparecer junto com a síndrome metabólica:

    Acantose nigricans

    Manchas escurecidas, aveludadas e endurecidas, especialmente em axilas, virilhas e pescoço.

    Esteatose hepática

    Acúmulo de gordura nas células do fígado, que pode evoluir para inflamação e fibrose hepática.

    Hiperandrogenismo

    Em algumas pessoas, especialmente mulheres, pode causar hirsutismo (excesso de pelos), acne e irregularidade menstrual.

    Veja mais: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

    Perguntas frequentes sobre síndrome metabólica

    1. A síndrome metabólica é o mesmo que diabetes?

    Não. Mas ela aumenta muito o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

    2. É possível reverter totalmente a síndrome metabólica?

    Sim, especialmente quando o diagnóstico é precoce e o estilo de vida é corrigido.

    3. Só pessoas acima do peso têm síndrome metabólica?

    Não. Pessoas magras com acúmulo de gordura abdominal também podem desenvolver.

    4. Quais exercícios ajudam mais?

    O ideal é combinar aeróbico (como caminhada) com musculação para aumentar a sensibilidade à insulina.

    5. Preciso tomar remédios?

    Nem sempre. Mas quando os valores estão muito altos, o uso de medicamentos pode ser necessário.

    6. A circunferência abdominal é mesmo tão importante?

    Sim. A gordura abdominal é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias.

    7. A síndrome metabólica dá sintomas?

    Quase nunca no início, por isso é tão perigosa.

    Veja também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

  • Diabetes autoimune latente do adulto (LADA): o ‘tipo 1,5’ do diabetes 

    Diabetes autoimune latente do adulto (LADA): o ‘tipo 1,5’ do diabetes 

    O diabetes é uma das doenças crônicas mais conhecidas do mundo, mas existe uma forma menos falada que costuma surpreender até quem já convive com o diagnóstico: o LADA, o diabetes autoimune latente do adulto. Ele é chamado informalmente de “diabetes tipo 1,5” porque reúne características do tipo 1 e do tipo 2, e muitas vezes passa despercebido nos primeiros anos.

    Por causa dessa evolução lenta, muitas pessoas recebem tratamento inadequado por meses ou anos. Identificar o LADA precocemente faz toda a diferença para escolher o tratamento correto, preservar a função do pâncreas por mais tempo e evitar complicações a longo prazo.

    O que é o diabetes LADA?

    O diabetes LADA é uma forma de diabetes causada por uma reação autoimune: o sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis por produzir insulina. A destruição é lenta, e por isso os sintomas começam como no diabetes tipo 2, mas depois evoluem para a necessidade de insulina, como acontece no diabetes tipo 1.

    Por isso ele é considerado uma condição intermediária entre os dois tipos clássicos.

    Como é feito o diagnóstico

    A Sociedade de Imunologia para Diabetes estabelece três critérios para identificar o diabetes LADA:

    • Diagnóstico após os 30 anos;
    • Presença de anticorpos contra o pâncreas;
    • Não precisar de insulina nos primeiros 6 meses.

    No início, o LADA costuma ser confundido com diabetes tipo 2 porque:

    • A glicose sobe de forma mais leve;
    • Os medicamentos orais funcionam no começo;
    • Os sintomas podem ser discretos.

    Com o tempo, porém, o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina, e o controle da glicose começa a falhar, mesmo com tratamento adequado, um sinal de alerta importante.

    Por que o diabetes LADA acontece?

    O diabetes LADA tem origem genética e autoimune. Alguns genes aumentam o risco da doença, mas ainda não se sabe ao certo o que desencadeia a reação imunológica.

    Os fatores associados são:

    • Excesso de peso;
    • Tabagismo;
    • Sedentarismo;
    • Consumo excessivo de bebidas açucaradas;
    • Baixo peso ao nascer.

    Por outro lado, hábitos como atividade física regular, alimentação equilibrada e consumo de peixes ricos em ômega 3 parecem ter efeito protetor.

    Quão comum é o diabetes LADA?

    Mais do que se imagina: 5% a 15% dos adultos diagnosticados inicialmente com diabetes tipo 2 na verdade têm diabetes LADA.

    Em países como Reino Unido e outros da Europa, cerca de 10% dos adultos com diabetes apresentam essa forma autoimune.

    Como o corpo reage no diabetes LADA

    No LADA, o organismo produz anticorpos que atacam gradualmente as células produtoras de insulina (sem destruí-las tão rapidamente quanto no diabetes tipo 1).

    A doença mistura características dos dois tipos clássicos:

    • Autoimunidade semelhante ao tipo 1;
    • Evolução lenta inicial, semelhante ao tipo 2;
    • Ocorre em adultos, geralmente com peso normal ou levemente acima do ideal.

    Sintomas

    Os sintomas do diabetes LADA são semelhantes aos dos outros tipos de diabetes:

    • Sede excessiva;
    • Urinar com frequência;
    • Cansaço persistente;
    • Perda de peso sem motivo;
    • Visão embaçada;
    • Formigamento nos pés.

    Algumas pessoas podem permanecer sem sintomas por um tempo, descobrindo a doença apenas em exames de rotina.

    Exames para diagnosticar o diabetes LADA

    Além dos exames comuns para diabetes (glicemia, hemoglobina glicada, urina), o médico pode solicitar:

    • Anticorpos específicos, como o GADA (o mais comum);
    • Dosagem de peptídeo C, que mostra o quanto de insulina o corpo ainda produz.

    Pessoas com diabetes LADA costumam ter:

    • Peptídeo C em níveis intermediários;
    • Anticorpos positivos;
    • Pouca ou nenhuma resistência à insulina.

    Esses achados ajudam a diferenciar o diabetes LADA de diabetes tipo 1 e tipo 2.

    Tratamento

    O tratamento é personalizado e depende do estágio da doença.

    Inclui:

    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física regular;
    • Acompanhamento médico frequente.

    Medicamentos

    • Insulina: pode ser necessária logo no início ou apenas após alguns anos;
    • Agonistas de GLP-1 e inibidores de DPP-4: ajudam a preservar a função do pâncreas.

    Importante:

    Sulfonilureias devem ser evitadas, pois aceleram a perda das células produtoras de insulina.

    Por que reconhecer o diabetes LADA é tão importante?

    Um diagnóstico impreciso pode atrasar o tratamento adequado, aumentando o risco de complicações.

    Identificar o diabetes LADA permite:

    • Preservar a função do pâncreas por mais tempo;
    • Melhorar o controle da glicose;
    • Reduzir o risco de danos nos rins, olhos, coração e vasos;
    • Oferecer uma abordagem individualizada.

    Leia também: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

    Perguntas frequentes sobre LADA

    1. LADA é a mesma coisa que diabetes tipo 1?

    Não. Ambos são autoimunes, mas o LADA se desenvolve lentamente e aparece apenas em adultos.

    2. Quem tem LADA sempre vai precisar de insulina?

    A tendência é que sim, mas o momento varia de pessoa para pessoa.

    3. LADA pode ser confundido com diabetes tipo 2?

    Sim, e isso é muito comum. Por isso o diagnóstico correto é tão importante.

    4. LADA tem cura?

    Não, mas pode ser controlado com tratamento adequado.

    5. Exercícios ajudam no LADA?

    Sim. Atividade física melhora sensibilidade à insulina e ajuda no controle glicêmico.

    6. O que o peptídeo C indica?

    Ele mostra o quanto de insulina o corpo ainda produz.

    7. Alimentação pode substituir o tratamento medicamentoso?

    Não. É complementar, mas não substitui medicamentos quando o pâncreas já está comprometido.

    Leia mais: Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar

  • Hemoglobina glicada: o exame que revela a ‘memória’ da glicose 

    Hemoglobina glicada: o exame que revela a ‘memória’ da glicose 

    No mundo do diabetes, poucos exames são tão importantes quanto a hemoglobina glicada. Simples, rápido e realizado com uma coleta de sangue, ele é essencial para diagnosticar a doença e acompanhar se o tratamento está funcionando.

    Ao contrário da glicemia em jejum, que mostra apenas um retrato momentâneo, a hemoglobina glicada reflete a média da glicose no sangue nos últimos três meses.

    O que é a hemoglobina glicada?

    A hemoglobina é a proteína dos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio. Quando a glicose circula no sangue, parte dela se liga a essa proteína, formando a chamada hemoglobina glicada.

    O exame mede justamente essa ligação: quanto maior a glicose no sangue, maior será o valor encontrado.

    Para que serve o exame de hemoglobina glicada?

    O teste é utilizado para:

    • Diagnosticar diabetes;
    • Avaliar o controle da glicemia em pessoas com diabetes;
    • Monitorar se o tratamento está funcionando, seja com mudanças no estilo de vida ou medicamentos.

    Na prática, funciona como uma avaliação trimestral da glicemia no organismo.

    Como é feito o exame?

    Trata-se de um exame de sangue simples, feito em laboratório. Não é necessário jejum, e o resultado costuma sair em poucos dias.

    Valores de referência da hemoglobina glicada

    Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes e a American Diabetes Association (ADA):

    • Normal: abaixo de 5,7%;
    • Pré-diabetes: entre 5,7% e 6,4%;
    • Diabetes: 6,5% ou mais;
    • Meta de controle: em pessoas com diabetes, geralmente abaixo de 7% (podendo variar conforme orientação médica).

    Confira: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

    Perguntas frequentes sobre hemoglobina glicada

    1. Qual a diferença entre hemoglobina glicada e glicemia em jejum?

    A glicemia em jejum mostra a glicose apenas no momento da coleta. Já a hemoglobina glicada reflete a média dos últimos três meses.

    2. Quem deve fazer o exame?

    Pessoas com fatores de risco (obesidade, histórico familiar, pressão alta) e todos os já diagnosticados com diabetes.

    3. Precisa estar em jejum para fazer?

    Não. Esse é um dos diferenciais: pode ser feito em qualquer horário do dia.

    4. A hemoglobina glicada pode variar mesmo sem diabetes?

    Sim, pequenas variações são possíveis, mas valores acima de 6,5% costumam indicar diabetes.

    5. Qual é o valor ideal para quem já tem diabetes?

    Na maioria dos casos, manter abaixo de 7%. Contudo, a meta pode ser ajustada pelo médico, de acordo com idade e condições de saúde.

    6. O exame pode ser feito pelo SUS?

    Sim. O exame de hemoglobina glicada está disponível na rede pública de saúde.

    Leia também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

  • Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária? 

    Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária? 

    O tratamento do diabetes é um dos maiores desafios da endocrinologia moderna. A doença, que afeta milhões de pessoas, exige estratégias individualizadas para manter a glicose sob controle e reduzir o risco de complicações cardiovasculares, renais e neurológicas. Entre as principais abordagens, estão os medicamentos orais e a insulina injetável, cada um com papel específico.

    Mas, afinal, qual a diferença entre insulina e medicamentos orais para diabetes? Em quais casos cada um é mais indicado? Para esclarecer essas dúvidas, conversamos com o endocrinologista André Colapietro, que detalhou os mecanismos de ação, as indicações e os avanços recentes nos dois tratamentos.

    Qual a diferença entre insulina e medicamentos orais no tratamento de diabetes?

    A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e sua função é permitir que a glicose no sangue entre nas células para ser usada como energia. “Todas as pessoas sem diabetes produzem insulina”. Quando essa produção falha ou quando as células não respondem bem à insulina, como em casos de diabetes, ocorre a hiperglicemia, ou seja, o excesso de açúcar no sangue.

    No tratamento do diabetes, a escolha entre insulina e medicamentos orais depende do tipo e da gravidade da doença:

    • Medicamentos orais para diabetes: usados principalmente no diabetes tipo 2 inicial, quando o pâncreas ainda consegue produzir insulina. Eles atuam de formas diferentes, estimulando a produção de insulina, aumentando a sensibilidade das células ou eliminando o excesso de glicose pela urina.
    • Insulina injetável: indispensável no diabetes tipo 1, já que o organismo não produz o hormônio. Também pode ser necessária no diabetes tipo 2 mais avançado, em casos de diabetes gestacional ou quando há glicotoxicidade (níveis muito altos de glicose que “inibem” temporariamente o pâncreas).

    Ou seja, enquanto os medicamentos orais ajudam a aproveitar a insulina que o corpo ainda produz, a insulina aplicada substitui ou complementa essa produção quando ela é insuficiente.

    Como agem os medicamentos orais para diabetes?

    Os medicamentos orais usados no tratamento de diabetes são variados e atuam em diferentes mecanismos do metabolismo da glicose. Eles podem ser divididos em famílias de substâncias, cada uma agindo em uma frente distinta:

    • Aumentam a secreção de insulina: como as sulfonilureias e glinidas.
    • Melhoram a sensibilidade à insulina: exemplos clássicos são a metformina e a pioglitazona.
    • Promovem a excreção de glicose pela urina: como os inibidores de SGLT2, que ajudam o corpo a eliminar o excesso de açúcar.

    Essas classes podem ser usadas de forma isolada, mas também usadas em conjunto, segundo orientação médica. “Eles podem ser combinados em diferentes estratégias de tratamento”, reforça Colapietro.

    Qual é a função da insulina aplicada no tratamento de diabetes?

    A insulina injetável tem a função de substituir ou complementar a insulina que o corpo não consegue mais produzir em quantidade suficiente ou que não está sendo utilizada corretamente por resistência insulínica.

    “A insulina se liga a um receptor específico na membrana das células e ‘abre’ o transportador que permite a passagem da glicose do sangue para dentro da célula (para ser utilizada como fonte energética). Na ausência de insulina, esse transporte não ocorre, o que leva ao acúmulo de glicose no sangue”, detalha o endocrinologista.

    Isso significa que, enquanto os comprimidos atuam ajudando o corpo a lidar melhor com a glicose, a insulina é uma substituição direta, essencial em alguns tipos de diabetes.

    Diabetes tipo 1 e tipo 2: as diferenças nos tratamentos

    No diabetes tipo 1, o sistema imunológico destrói as células do pâncreas que produzem insulina. Como o corpo praticamente não consegue produzir o hormônio, a aplicação de insulina é indispensável desde o diagnóstico. Em alguns casos, medicamentos orais podem ser usados como complemento, mas a base do tratamento sempre será a insulina aplicada diariamente.

    Já o diabetes tipo 2 é caracterizado pela resistência insulínica, quando as células não utilizam bem a insulina produzida pelo corpo. O tratamento inicial combina mudanças no estilo de vida, como dieta equilibrada, exercícios físicos e perda de peso. Em paralelo, usam-se medicamentos orais que ajudam a controlar a glicose por diferentes mecanismos. Com o avanço da doença, pode ser necessária a aplicação de insulina para manter o controle glicêmico adequado.

    Assim, enquanto o diabetes tipo 1 exige insulina desde o início, no tipo 2 geralmente é possível começar com medidas mais conservadoras, mas há risco de evolução para a necessidade de insulina em estágios mais avançados. “Isso pode acontecer devido à progressão da doença (muitos anos de diagnóstico), por predisposição genética (algumas pessoas evoluem mais rapidamente) ou por refratariedade ao tratamento oral isolado (não ser possível atingir as metas seguras de controle glicêmico)”, explica o médico.

    Existem avanços no tratamento de diabetes?

    Nos últimos anos, o tratamento do diabetes evoluiu muito, tanto com relação aos medicamentos orais quanto nas formulações de insulina.

    “Os grandes destaques para os medicamentos orais são os que, além de ajudarem no controle glicêmico, têm boa segurança contra hipoglicemia, auxiliam na perda de peso e, o mais importante, reduzem risco cardiovascular e de doença renal crônica significativamente (ou seja, ajudam a glicemia, o peso, o coração e os rins)”.

    Já em relação à insulina, o médico explica que surgiram novas versões de ação prolongada, capazes de manter níveis mais estáveis de glicose sem grandes oscilações, além de insulinas ultrarrápidas, que atuam de forma mais precisa logo após a aplicação.

    Essas melhorias tornaram o tratamento mais confortável, reduziram efeitos colaterais e facilitaram a rotina de quem convive com a doença.

    De qualquer forma, o mais importante é o acompanhamento contínuo e a personalização do tratamento para garantir não apenas o controle da glicose, mas também a prevenção de complicações graves.

    Veja mais: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

    Perguntas e respostas

    1. Qual a principal diferença entre insulina e medicamentos orais no tratamento de diabetes?

    Os comprimidos ajudam o corpo a usar melhor a insulina que ele ainda produz, enquanto a insulina aplicada substitui ou complementa a produção natural quando ela não é suficiente.

    2. Em quais casos os medicamentos orais são indicados?

    São usados principalmente no diabetes tipo 2 inicial, quando o pâncreas ainda produz insulina, ajudando a controlar a glicose por diferentes mecanismos.

    3. Quem precisa usar insulina desde o início do tratamento?

    Pessoas com diabetes tipo 1 precisam de insulina desde o diagnóstico, pois o corpo praticamente não produz mais o hormônio.

    4. Pessoas com diabetes tipo 2 podem precisar de insulina?

    Sim. Com a progressão da doença ou quando os comprimidos deixam de controlar a glicemia, a aplicação de insulina pode se tornar necessária.

    5. Quais os avanços recentes nos tratamentos?

    Os medicamentos orais mais modernos ajudam também no peso, no coração e nos rins. Já as insulinas novas são mais estáveis e rápidas, trazendo mais segurança e praticidade.

    Leia mais: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos