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  • Olhos vermelhos: o que pode ser e quando ir ao médico

    Olhos vermelhos: o que pode ser e quando ir ao médico

    Quem nunca acordou com os olhos um pouco vermelhos ou sentiu aquela irritação depois de um dia longo? A vermelhidão nos olhos é um sintoma muito comum e, na maioria das vezes, está ligada a cansaço, poeira ou uma irritação leve que se resolve sozinha.

    Contudo, é muito importante ficar atento a alguns sinais de alerta para entender quando a vermelhidão nos olhos deixa de ser um incômodo passageiro e se torna uma urgência médica. Entenda mais, a seguir.

    O que pode causar a vermelhidão nos olhos?

    As causas mais comuns de olhos vermelhos no dia a dia estão, na maioria das vezes, relacionadas a alterações da superfície ocular. Entre as principais, o oftalmologista Marcus Vinicius Takatsu aponta:

    • Conjuntivites (virais, bacterianas ou alérgicas), que costumam provocar vermelhidão associada a secreção, coceira, ardência ou sensação de areia nos olhos;
    • Síndrome do olho seco, frequentemente relacionada ao uso prolongado de telas, ambientes com ar-condicionado, vento ou poluição, causando irritação e hiperemia ocular;
    • Blefarite, inflamação crônica das bordas das pálpebras, que pode causar olhos vermelhos, ardência, sensação de peso e desconforto visual.

    A vermelhidão também pode decorrer de uma hemorragia subconjuntival, provocada pelo rompimento de pequenos vasos sanguíneos superficiais. A condição se manifesta como uma mancha vermelha intensa no olho, geralmente indolor e sem prejuízo da visão.

    Ela costuma ocorrer após esforços físicos, como tosse, espirros, vômitos ou levantamento de peso, além de traumas leves, como esfregar os olhos. Em alguns casos, pode estar associada ao uso de medicamentos, como aspirina e anticoagulantes, bem como a condições sistêmicas, incluindo hipertensão arterial e diabetes.

    Quando a vermelhidão nos olhos é preocupante?

    A vermelhidão nos olhos se torna preocupante quando surge de forma súbita, é intensa ou vem acompanhada de outros sinais e sintomas que podem indicar condições oculares mais graves, como:

    • Dor ocular profunda, diferente de simples ardência ou sensação de areia;
    • Fotofobia intensa, com grande desconforto à exposição à luz;
    • Redução da acuidade visual, mesmo que discreta ou de início súbito.

    Também é motivo de alerta quando a vermelhidão aparece após trauma ocular, exposição a produtos químicos, uso inadequado de lentes de contato ou quando não melhora após alguns dias, mesmo com cuidados básicos.

    “É necessário uma avaliação do oftalmologista para saber se é benigna ou está associado a alguma doença”, esclarece Marcus.

    Quando a vermelhidão nos olhos pode indicar glaucoma agudo ou uveíte?

    Tanto o glaucoma agudo de ângulo fechado quanto a uveíte são condições sérias onde a vermelhidão não é o único sintoma e costuma ser acompanhada de sinais de alarme bem definidos, como Marcus aponta:

    • Glaucoma agudo: olho muito vermelho, pupila dilatada e que quase não reage à luz, aspecto opaco ou sem brilho na córnea, dor forte no olho, podendo vir acompanhada de náuseas, além de visão embaçada com halos coloridos ao redor das luzes;
    • Uveíte anterior: olho vermelho principalmente ao redor da íris, pupila pequena, sensibilidade intensa à luz e dor no olho, que pode piorar ao tocar ou ao movimentar os olhos.

    Ambas as condições são consideradas emergências oftalmológicas e não devem ser confundidas com causas comuns e benignas de olho vermelho. A presença de dor intensa, alterações no tamanho ou na reação da pupila, sensibilidade exagerada à luz ou diminuição da visão indica a necessidade de avaliação oftalmológica imediata.

    Quem tem conjuntivite alérgica precisa de acompanhamento oftalmológico?

    Na maioria dos casos, a conjuntivite alérgica não representa risco direto para a visão. Ainda assim, o acompanhamento oftalmológico é fundamental para confirmar o diagnóstico, indicar o tratamento mais adequado e ajustar a terapia conforme a intensidade e a frequência dos sintomas.

    “A conjuntivite alérgica crônica leva a criança/adulto a coçar os olhos. O ato mecânico de coçar é o principal fator de risco ambiental para o desenvolvimento e progressão do ceratocone (ectasia da córnea), que pode levar à necessidade de transplante de córnea. Tratar a alergia é prevenir a cegueira por ceratocone”, explica Marcus.

    A avaliação médica também é importante para evitar o uso inadequado de colírios e orientar medidas de controle dos fatores desencadeantes, contribuindo para um melhor controle da condição.

    O uso de colírios pode aliviar a vermelhidão nos olhos?

    O uso de colírios ajuda a aliviar a vermelhidão nos olhos, desde que o colírio seja adequado para a causa do problema. No entanto, nem todo colírio é seguro para uso indiscriminado. De acordo com Marcus, colírios vasoconstritores, que “branqueiam” os olhos de forma rápida, podem mascarar doenças, causar efeito rebote e piorar a vermelhidão com o uso prolongado.

    Já colírios com antibióticos ou corticoides só devem ser utilizados com orientação médica, pois o uso inadequado pode agravar infecções, aumentar a pressão ocular ou provocar outras complicações.

    Por isso, apenas o oftalmologista pode avaliar o que está provocando a vermelhidão e indicar o produto mais seguro e eficaz para cada caso.

    Quando a vermelhidão nos olhos exige avaliação médica imediata?

    É fundamental procurar um pronto atendimento oftalmológico sempre que surgirem os seguintes sinais de alerta:

    • Dor ocular moderada a intensa, principalmente quando persistente ou de início súbito;
    • Perda de visão súbita ou redução importante da acuidade visual;
    • Histórico de trauma ocular, incluindo pancadas, acidentes ou contato com substâncias químicas;
    • Alterações na pupila, como deformidade, tamanho irregular ou ausência de reação à luz;
    • Presença de mancha branca na córnea, que pode indicar úlcera corneana;
    • Vermelhidão ocular em usuários de lentes de contato, situação associada a maior risco de infecções graves, como as causadas por Pseudomonas ou Acanthamoeba.

    Veja mais: Tempo seco pode piorar as alergias? Saiba o que fazer para se proteger

    Perguntas frequentes

    1. O uso excessivo de telas pode causar vermelhidão nos olhos?

    O uso prolongado de computadores, celulares e tablets reduz a frequência do piscar, o que favorece o ressecamento da superfície ocular. Isso leva à irritação e à dilatação dos vasos, resultando em olhos vermelhos, ardência e sensação de areia.

    2. Vermelhidão nos olhos pode estar relacionada ao uso de maquiagem?

    Sim, produtos vencidos, de baixa qualidade ou mal removidos podem causar irritação, alergias e inflamação da superfície ocular, resultando em vermelhidão. A higiene adequada dos olhos e dos pincéis de maquiagem é fundamental.

    3. Com que frequência é importante consultar um oftalmologista?

    Mesmo sem sintomas, a consulta oftalmológica regular é importante para avaliar a saúde dos olhos e detectar alterações precocemente. Em adultos, é recomendado uma avaliação periódica, especialmente após os 40 anos. Pessoas com doenças crônicas, histórico familiar de glaucoma ou uso de lentes de contato podem precisar de acompanhamento mais frequente.

    4. A exposição ao sol pode prejudicar os olhos?

    Sim, a exposição prolongada à radiação ultravioleta pode aumentar o risco de catarata, degeneração macular e pterígio. O uso de óculos de sol com proteção UV adequada é uma medida importante de prevenção.

    5. Quais cuidados simples ajudam a manter a saúde dos olhos?

    Manter boa higiene ocular, evitar coçar os olhos, usar colírios apenas com orientação médica, proteger os olhos do sol, descansar a visão ao longo do dia e realizar consultas oftalmológicas regulares são medidas simples que ajudam a manter a saúde dos olhos.

    Confira: Como identificar problemas de visão no dia a dia? Veja os principais sinais

  • Conjuntivite: o que é, sintomas, tipos e tratamentos

    Conjuntivite: o que é, sintomas, tipos e tratamentos

    Vermelhidão nos olhos, coceira e lacrimejamento excessivo são alguns dos principais sintomas de conjuntivite, uma inflamação que atinge a conjuntiva, a fina membrana transparente que recobre a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras.

    Por ter várias causas, o tratamento da conjuntivite pode variar bastante, então é importante procurar um oftalmologista logo nos primeiros sintomas para ter o diagnóstico correto. Na maioria dos casos, o quadro melhora em poucos dias — mas exige cuidados para evitar complicações e reduzir o risco de contágio.

    O que é conjuntivite?

    A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, uma membrana fina e transparente que recobre a parte branca dos olhos (esclera) e a face interna das pálpebras. Quando inflamada, a conjuntiva fica mais espessa, avermelhada e sensível — levando a sintomas como ardor, coceira, lacrimejamento e sensação de areia.

    O processo inflamatório pode ser causado por vírus, bactérias, substâncias químicas ou reações alérgicas. No geral, o quadro é autolimitado, mas requer atenção para evitar complicações e reduzir o risco de contágio. Quando provocada por agentes infecciosos, ela pode se espalhar facilmente por contato direto com secreções oculares ou objetos contaminados.

    Quais os tipos de conjuntivite?

    De acordo com a oftalmologista Maria Flávia Ribeiro, existem três principais tipos de conjuntivite:

    Conjuntivite viral

    É o tipo mais comum, normalmente provocada por adenovírus, os mesmos que causam gripes e resfriados. Por ser uma infecção viral, costuma começar em um olho e depois passar para o outro, causando vermelhidão, coceira, lacrimejamento e secreção mais líquida e transparente.

    Em alguns casos, a pessoa também pode sentir fotofobia e apresentar sintomas de gripe junto com a irritação nos olhos. A transmissão ocorre por contato com secreções oculares, mãos contaminadas ou objetos usados por alguém infectado (toalhas, travesseiros, maquiagem). Espalha-se com facilidade em locais fechados, escolas e ambientes de trabalho.

    Conjuntivite bacteriana

    Provocada por bactérias, é mais comum em crianças, mas pode afetar qualquer idade. Tende a causar secreção espessa, amarelada ou esverdeada, que muitas vezes gruda os cílios ao acordar. Os agentes mais comuns são Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. O contágio é por contato com secreções, mãos contaminadas ou itens pessoais.

    Conjuntivite alérgica

    Acontece quando o organismo reage a alérgenos como poeira, pólen, pelos de animais ou cosméticos. Não é contagiosa e é mais comum em quem já tem alergias respiratórias (rinite, asma). Os sintomas surgem logo após o contato com o agente: coceira intensa, olhos vermelhos, lacrimejamento, inchaço das pálpebras e ardor. Frequentemente vem acompanhada de espirros e nariz entupido. A secreção, quando presente, é clara e leve.

    Sintomas de conjuntivite

    • Vermelhidão intensa;
    • Coceira e sensação de areia nos olhos;
    • Lacrimejamento constante;
    • Secreção (aquosa, mucosa ou purulenta);
    • Inchaço das pálpebras;
    • Sensibilidade à luz (fotofobia);
    • Visão levemente borrada;
    • Desconforto ao piscar.

    Se houver secreção amarelada, dor intensa ou piora rápida, procure um oftalmologista para descartar complicações como úlcera de córnea.

    Conjuntivite é contagiosa?

    As conjuntivites viral e bacteriana são contagiosas e podem se espalhar por:

    • Toque direto nos olhos contaminados e depois em outras pessoas;
    • Compartilhamento de toalhas, fronhas ou maquiagem;
    • Gotículas expelidas pela tosse ou espirro;
    • Contato com superfícies contaminadas.

    Já a conjuntivite alérgica não é transmissível.

    Como é feito o diagnóstico de conjuntivite?

    O diagnóstico é clínico, com base nos sintomas e no exame ocular. O oftalmologista avalia a conjuntiva, o tipo de secreção e o inchaço. Em casos atípicos, graves ou recorrentes, podem ser solicitados:

    • Cultura de secreção ocular (identificar o agente causador);
    • Teste de fluoresceína (avalia lesões na córnea);
    • Exames alérgicos (em suspeita de alergia crônica).

    O diagnóstico adequado é essencial para definir o tratamento certo — uso inadequado de colírios pode piorar o quadro (por exemplo, antibióticos em conjuntivite viral ou alérgica).

    Tratamentos para conjuntivite

    O tratamento varia conforme o tipo; o objetivo é aliviar os sintomas e acelerar a recuperação.

    Conjuntivite viral

    Costuma melhorar sozinha com higiene ocular e compressas frias. Em alguns casos, podem se formar membranas ou pseudomembranas na conjuntiva tarsal, exigindo debridamento e colírios anti-inflamatórios sob orientação médica. Evite compartilhar itens pessoais e não use colírios por conta própria.

    Conjuntivite bacteriana

    Requer colírios ou pomadas antibióticas prescritos pelo oftalmologista. Siga o tempo indicado para evitar recorrência. Mantenha a higiene das mãos, não coce os olhos e não compartilhe objetos.

    Conjuntivite alérgica

    Tratada com colírios antialérgicos/anti-histamínicos. Em casos mais graves, podem ser necessários corticosteroides ou imunomoduladores (sempre com acompanhamento). Evite o alérgeno (poeira, pelos, perfumes, pólen) e use compressas frias e lavagem suave.

    Autocuidados para conjuntivite

    • Lave as mãos várias vezes ao dia;
    • Evite coçar os olhos;
    • Use lenços de papel descartáveis;
    • Lave fronhas, toalhas e panos com frequência;
    • Evite maquiagem e lentes de contato até o fim da inflamação;
    • Durma bem e mantenha-se hidratado;
    • Não use colírios sem prescrição.

    Quanto tempo dura uma crise de conjuntivite?

    Nas formas viral ou bacteriana, em média 7 a 10 dias. A alérgica pode durar mais, especialmente se houver contato contínuo com o agente e coceira. Se persistir por mais de duas semanas ou piorar, retorne ao oftalmologista.

    Conjuntivite pode deixar sequelas na visão?

    Na maioria das vezes, não. Tratada corretamente, não deixa sequelas permanentes. A visão pode ficar turva temporariamente. “Quando não é feito o tratamento adequado, pode haver sequelas visuais como membranas, infiltrados adenovirais, entre outros, que exigem tratamento mais prolongado”, explica Maria Flávia. Crianças, idosos e imunossuprimidos merecem atenção especial.

    Confira: 5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo depois de pegar conjuntivite eu deixo de transmitir para outras pessoas?

    Nas formas viral e bacteriana, o risco de contágio dura enquanto houver secreção — geralmente entre 7 e 14 dias. Mesmo com melhora dos sintomas, mantenha a higiene e evite compartilhar objetos até desaparecerem a secreção e a vermelhidão.

    2. Posso trabalhar ou estudar com conjuntivite?

    Não é recomendável durante a fase ativa da conjuntivite infecciosa. O ideal é ficar em casa de 5 a 7 dias (ou até a secreção desaparecer significativamente) para reduzir o contágio e favorecer a recuperação.

    3. A conjuntivite pode voltar depois de curada?

    Pode. É mais comum nas formas alérgicas (reexposição ao alérgeno). Na viral pode haver reinfecção por outro vírus; na bacteriana, recorrência pode ocorrer por higiene inadequada ou interrupção precoce do antibiótico.

    4. É normal sentir a visão embaçada durante a conjuntivite?

    Sim, de modo leve e temporário. Se o embaçamento for intenso, persistente ou acompanhado de dor forte e fotofobia, procure avaliação urgente para descartar comprometimento da córnea.

    5. Chá de camomila ajuda a tratar conjuntivite?

    Não há comprovação de eficácia. Compressas caseiras podem contaminar os olhos. Prefira gaze estéril e soro fisiológico conforme orientação médica.

    Leia também: Alergia à poeira doméstica: por que acontece e como aliviar os sintomas?