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  • Pessoa ficou confusa de repente: o que pode estar acontecendo?

    Pessoa ficou confusa de repente: o que pode estar acontecendo?

    As disautonomias são um grupo de condições caracterizadas por alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar diversas funções involuntárias do organismo.

    Esse sistema regula atividades essenciais para a sobrevivência, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a digestão, a temperatura corporal e a produção de suor. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo de regulação, podem surgir sintomas variados, muitas vezes difíceis de explicar e que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Embora sejam menos conhecidas do que outras doenças neurológicas ou cardiovasculares, as disautonomias podem causar grande impacto no dia a dia e, em alguns casos, levar anos até serem corretamente diagnosticadas.

    O que é o sistema nervoso autônomo?

    O sistema nervoso autônomo funciona de forma automática, sem que a pessoa precise controlar conscientemente suas ações.

    Ele é responsável por ajustar continuamente funções importantes do organismo, como:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Respiração;
    • Digestão;
    • Temperatura corporal;
    • Produção de suor;
    • Funcionamento da bexiga.

    Por exemplo, quando uma pessoa se levanta da cama, o organismo precisa ajustar rapidamente a circulação sanguínea para garantir que o cérebro continue recebendo sangue adequadamente. Nas disautonomias, esse mecanismo pode não funcionar como deveria.

    O que são as disautonomias?

    O termo disautonomia engloba diversas doenças e síndromes que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo.

    Dependendo do tipo e da gravidade, a alteração pode comprometer apenas uma função específica ou afetar vários sistemas do organismo simultaneamente.

    É por isso que pacientes com disautonomia podem apresentar sintomas muito diferentes entre si.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Tontura ao levantar;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Fadiga intensa;
    • Palpitações;
    • Intolerância ao exercício;
    • Visão escurecida ao ficar em pé;
    • Sensação de “cabeça leve”;
    • Dificuldade de concentração.

    Muitos pacientes relatam piora dos sintomas após permanecerem em pé por períodos prolongados.

    Por que ocorre tontura ao levantar?

    Uma das manifestações mais comuns das disautonomias é a chamada intolerância ortostática.

    Normalmente, quando a pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, os vasos sanguíneos se contraem e a frequência cardíaca aumenta discretamente para manter o fluxo sanguíneo cerebral.

    Nas disautonomias, esse ajuste pode falhar.

    Como consequência, podem surgir:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Fraqueza súbita;
    • Sensação de desmaio;
    • Mal-estar importante.

    Em alguns casos, a pessoa pode realmente perder a consciência.

    A fadiga pode ser intensa?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes em muitas formas de disautonomia.

    Os pacientes frequentemente descrevem:

    • Cansaço desproporcional ao esforço realizado;
    • Sensação de energia reduzida ao longo do dia;
    • Piora após atividades físicas;
    • Dificuldade para retomar atividades habituais.

    Em alguns casos, a fadiga se torna mais limitante do que a própria tontura.

    Quais outros sintomas podem ocorrer?

    Como o sistema nervoso autônomo participa do funcionamento de diversos órgãos, os sintomas podem atingir vários sistemas do organismo.

    Sistema digestivo

    Podem ocorrer:

    • Náuseas;
    • Sensação de estômago cheio rapidamente;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Distensão abdominal.

    Controle da temperatura corporal

    Alguns pacientes apresentam:

    • Sensação excessiva de calor;
    • Intolerância ao calor;
    • Diminuição da transpiração;
    • Sudorese excessiva.

    Sistema urinário

    Podem surgir:

    • Urgência urinária;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.

    O que é a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)?

    Uma das formas mais conhecidas de disautonomia é a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).

    Nessa condição, ao assumir a posição em pé ocorre um aumento exagerado da frequência cardíaca, acompanhado de sintomas como:

    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Sensação de desmaio.

    O POTS é mais comum em mulheres jovens, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nos últimos anos, ganhou maior visibilidade devido ao aumento de casos observados após algumas infecções virais.

    Quando as disautonomias podem surgir?

    As causas são variadas e nem sempre podem ser identificadas. Entre as situações associadas estão as abaixo.

    1. Após infecções

    Alguns pacientes desenvolvem sintomas após doenças infecciosas.

    Isso foi observado após:

    • Mononucleose;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • Outras infecções virais.

    2. Doenças autoimunes

    Algumas doenças autoimunes podem afetar estruturas relacionadas ao sistema nervoso autônomo.

    3. Diabetes

    O diabetes de longa duração pode provocar lesão dos nervos autonômicos, condição conhecida como neuropatia autonômica diabética.

    4. Síndromes de hipermobilidade

    Condições como a síndrome de hipermobilidade articular e algumas formas da síndrome de Ehlers-Danlos podem estar associadas a disautonomias, especialmente ao POTS.

    5. Sem causa identificada

    Em muitos pacientes, não é possível determinar uma causa específica.

    As disautonomias podem ser confundidas com ansiedade?

    Sim. Muitos sintomas das disautonomias se sobrepõem aos de transtornos ansiosos, incluindo:

    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Sensação de mal-estar;
    • Tremores;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, alguns pacientes recebem inicialmente diagnóstico de ansiedade antes que a alteração autonômica seja identificada.

    Entretanto, as duas condições podem coexistir ou ocorrer de forma independente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    A avaliação costuma incluir:

    • Medição da pressão arterial;
    • Avaliação da frequência cardíaca;
    • Investigação dos sintomas relacionados à postura;
    • Exclusão de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes.

    Em alguns casos, exames específicos são necessários.

    Teste de inclinação (Tilt Test)

    O Tilt Test é um dos exames mais utilizados para investigar disautonomias.

    Durante o exame, a pessoa é colocada em diferentes posições enquanto a pressão arterial e a frequência cardíaca são monitoradas continuamente.

    O objetivo é avaliar como o organismo responde às mudanças de postura.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento varia conforme o tipo de disautonomia e a intensidade dos sintomas.

    Medidas não medicamentosas

    Frequentemente incluem:

    • Aumento da ingestão de líquidos;
    • Maior consumo de sal em casos selecionados, somente quando indicado pelo médico;
    • Uso de meias de compressão;
    • Exercícios físicos supervisionados;
    • Mudanças graduais de posição.

    Medicamentos

    Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos para ajudar a controlar sintomas relacionados à pressão arterial, frequência cardíaca ou intolerância ortostática.

    O tratamento deve sempre ser individualizado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Tonturas frequentes ao levantar;
    • Episódios de desmaio;
    • Palpitações recorrentes;
    • Fadiga incapacitante;
    • Intolerância ao exercício;
    • Sintomas persistentes sem explicação aparente.

    Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controle dos sintomas.

    Leia mais: Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Perguntas frequentes sobre disautonomias

    1. O que é uma disautonomia?

    É um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo.

    2. Disautonomia causa tontura?

    Sim. A tontura ao levantar é um dos sintomas mais comuns.

    3. Pode causar fadiga intensa?

    Sim. Em muitos pacientes, a fadiga é um dos sintomas mais limitantes.

    4. O que é POTS?

    É uma forma de disautonomia caracterizada pelo aumento exagerado da frequência cardíaca ao assumir a posição em pé.

    5. Pode surgir após infecções?

    Sim. Casos podem surgir após infecções virais como influenza, mononucleose e covid-19.

    6. Disautonomia é a mesma coisa que ansiedade?

    Não. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, tratam-se de condições diferentes.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando houver tonturas frequentes, desmaios, palpitações, fadiga persistente ou dificuldade para permanecer em pé sem mal-estar.

    Veja também: Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele

  • Delirium não é demência: entenda mais sobre esse tipo de confusão mental 

    Delirium não é demência: entenda mais sobre esse tipo de confusão mental 

    O delirium é um quadro neurológico caracterizado por confusão mental aguda, que surge de forma rápida e costuma variar ao longo do dia. Ele afeta a atenção, a consciência e o pensamento, sendo muito comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos e pessoas com doenças graves. Por isso, é considerado uma emergência clínica.

    Apesar da alta frequência, o delirium ainda passa despercebido em muitos casos. A identificação precoce é fundamental, pois o quadro está associado a maior mortalidade, internações mais longas e risco de perda funcional e cognitiva, principalmente quando não tratado adequadamente.

    O que é delirium

    O delirium é uma disfunção cerebral aguda e geralmente reversível, que ocorre quando o cérebro não consegue lidar adequadamente com um estressor clínico, como uma infecção, cirurgia ou alteração metabólica.

    Diferentemente da demência, que é progressiva e crônica, o delirium:

    • Surge de forma abrupta (em horas ou dias);
    • Apresenta curso flutuante ao longo do dia;
    • Pode melhorar quando a causa é tratada.

    As principais características são:

    • Alteração do nível de consciência;
    • Dificuldade de manter a atenção;
    • Pensamento desorganizado;
    • Desorientação no tempo e no espaço.

    O delirium pode ocorrer isoladamente ou em pessoas que já têm demência, situação conhecida como delirium sobreposto à demência.

    Epidemiologia e importância clínica

    O delirium é extremamente comum no ambiente hospitalar. Estudos mostram alta incidência em:

    • Idosos hospitalizados;
    • Pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI);
    • Pessoas no pós-operatório;
    • Pacientes com infecções ou doenças graves.

    Além do impacto imediato, o delirium está associado a:

    • Aumento da mortalidade;
    • Prolongamento do tempo de internação;
    • Maior risco de declínio funcional;
    • Piora cognitiva persistente;
    • Maior chance de institucionalização após a alta.

    Por esses motivos, o delirium é considerado um importante marcador de gravidade clínica.

    Causas e mecanismos do delirium

    O delirium resulta da combinação de fatores predisponentes e fatores precipitantes.

    Mecanismos fisiopatológicos

    Embora não exista um único mecanismo responsável, acredita-se que o delirium envolva:

    • Desequilíbrio de neurotransmissores, especialmente acetilcolina e dopamina;
    • Inflamação sistêmica e inflamação do sistema nervoso;
    • Alterações metabólicas;
    • Redução da perfusão cerebral.

    Essas alterações levam a uma disfunção temporária do funcionamento cerebral.

    Principais causas precipitantes

    • Infecções (urinárias, respiratórias, sepse);
    • Distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos;
    • Hipóxia;
    • Dor mal controlada;
    • Privação de sono;
    • Uso ou retirada abrupta de medicamentos (sedativos, opioides, anticolinérgicos);
    • Procedimentos cirúrgicos.

    Fatores de risco

    Alguns pacientes são mais vulneráveis ao delirium. Os principais fatores de risco são:

    • Idade avançada;
    • Demência prévia;
    • Déficit visual ou auditivo;
    • Imobilidade;
    • Desnutrição;
    • Múltiplas comorbidades;
    • Uso de muitos medicamentos ao mesmo tempo (polifarmácia).

    Quanto maior a fragilidade do paciente, menor é o estímulo necessário para desencadear o quadro.

    Tipos clínicos de delirium

    Delirium hiperativo

    • Agitação psicomotora;
    • Inquietação;
    • Alucinações;
    • Comportamento agressivo.

    Delirium hipoativo

    • Sonolência excessiva;
    • Apatia;
    • Lentificação psicomotora;
    • Pouca interação com o ambiente.

    Esse subtipo é frequentemente subdiagnosticado e está associado a pior prognóstico.

    Delirium misto

    Alterna períodos de agitação com fases de hipoatividade ao longo do dia.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do delirium é clínico e depende da observação cuidadosa do paciente.

    Os critérios incluem:

    • Início agudo;
    • Curso flutuante;
    • Alteração da atenção;
    • Alteração cognitiva adicional (memória, linguagem ou percepção).

    Ferramentas de triagem clínica auxiliam na detecção, principalmente em ambientes hospitalares.

    Exames complementares

    Exames laboratoriais e de imagem não confirmam delirium, mas são essenciais para identificar a causa subjacente, como:

    • Infecção;
    • Distúrbios metabólicos;
    • Hipóxia;
    • Sangramentos ou AVC.

    Tratamento do delirium

    O manejo do delirium se baseia em dois pilares principais: tratar a causa e controlar os sintomas.

    Tratamento da causa de base

    • Tratar infecções;
    • Corrigir distúrbios metabólicos;
    • Revisar e suspender medicamentos desnecessários;
    • Controlar dor e desconforto.

    Essa é a medida mais importante para a reversão do quadro.

    Manejo não farmacológico

    • Reorientação frequente do paciente;
    • Presença de familiares;
    • Estímulo ao ciclo sono–vigília;
    • Correção de déficits sensoriais (óculos, aparelhos auditivos);
    • Mobilização precoce.

    Tratamento medicamentoso

    Medicamentos são reservados para situações específicas, como:

    • Agitação intensa;
    • Risco para o paciente ou para a equipe;
    • Sofrimento importante.

    Nesses casos, antipsicóticos podem ser utilizados com cautela e avaliação individualizada.

    Prevenção do delirium

    A prevenção é uma das estratégias mais eficazes, especialmente em pacientes de risco.

    • Evitar polifarmácia;
    • Garantir hidratação e nutrição adequadas;
    • Estimular mobilidade;
    • Promover sono adequado;
    • Identificar precocemente sinais de confusão mental.

    Programas estruturados de prevenção reduzem significativamente a incidência de delirium hospitalar.

    Prognóstico

    O delirium é potencialmente reversível, mas o prognóstico depende de:

    • Rapidez no diagnóstico;
    • Controle da causa desencadeante;
    • Condição clínica prévia do paciente.

    Mesmo após a resolução do quadro, alguns pacientes, especialmente idosos, podem apresentar déficit cognitivo persistente.

    Perguntas frequentes sobre delirium

    1. Delirium é o mesmo que demência?

    Não. O delirium é agudo e flutuante, enquanto a demência é crônica e progressiva.

    2. Delirium pode ser prevenido?

    Sim. Medidas simples reduzem significativamente o risco, sobretudo em pacientes hospitalizados.

    3. Delirium é grave?

    Pode ser. Está associado a maior mortalidade e a diversas complicações.

    4. Todo paciente confuso tem delirium?

    Não, mas o delirium deve sempre ser considerado diante de confusão mental de início súbito.

    5. Idosos têm mais risco?

    Sim. A idade avançada é um dos principais fatores de risco.

    6. O delirium sempre melhora?

    Na maioria dos casos, sim, mas alguns pacientes mantêm sequelas cognitivas.

    7. Antipsicóticos curam o delirium?

    Não. Eles apenas controlam sintomas; a reversão depende do tratamento da causa.