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  • Caxumba ainda existe? Saiba como reconhecer e prevenir

    Caxumba ainda existe? Saiba como reconhecer e prevenir

    A caxumba é uma infecção viral bastante conhecida por causar inchaço no rosto, especialmente na região próxima às orelhas. Antes da vacinação em larga escala, era uma doença muito comum na infância. Hoje, graças à vacina tríplice viral, os casos diminuíram drasticamente, mas surtos ainda podem acontecer, principalmente em locais com baixa cobertura vacinal.

    Apesar de geralmente ser uma doença leve e autolimitada, a caxumba pode causar complicações, sobretudo em adolescentes e adultos. Por isso, entender como ela se transmite, quais são os sintomas e quando é preciso buscar atendimento médico é fundamental.

    O que é a caxumba?

    A caxumba é causada por um vírus da família Paramyxoviridae, do gênero Rubulavirus. Trata-se de uma infecção viral sistêmica cuja manifestação mais característica é a parotidite, ou seja, a inflamação das glândulas parótidas.

    O período de incubação varia de 12 a 25 dias (em média 16 a 18 dias). A doença geralmente começa com sintomas inespecíficos, como:

    • Febre;
    • Dor de cabeça;
    • Mal-estar;
    • Fadiga;
    • Dores musculares;
    • Perda de apetite.

    Em até 48 horas, surge o aumento doloroso das glândulas salivares, principalmente das parótidas. O inchaço pode ser:

    • Unilateral;
    • Bilateral (mais comum).

    O inchaço pode durar até 10 dias.

    Como ocorre a transmissão?

    A caxumba é altamente contagiosa e se transmite por:

    • Gotículas respiratórias (tosse, espirro ou fala);
    • Contato direto com saliva;
    • Objetos contaminados.

    O vírus começa a ser eliminado antes mesmo dos sintomas aparecerem. A pessoa pode transmitir a doença cerca de:

    • 2 dias antes do início do inchaço;
    • Até 5 dias após o surgimento da parotidite.

    Ambientes fechados e com contato próximo, como escolas, universidades e quartéis, favorecem surtos.

    Mesmo pessoas vacinadas podem adoecer, principalmente muitos anos após a vacinação. No entanto, a vacina reduz significativamente a gravidade e o risco de complicações.

    Quais são os principais sintomas?

    A manifestação clássica é a parotidite dolorosa, caracterizada por:

    • Inchaço entre a orelha e o ângulo da mandíbula;
    • Dor ao mastigar;
    • Sensibilidade local;
    • Vermelhidão no ducto da glândula dentro da boca.

    Outros achados em exames de sangue podem incluir:

    • Leucopenia com linfocitose relativa;
    • Aumento da amilase sérica.

    Cerca de 15% a 20% dos casos podem ser sem sintomas, especialmente em adultos.

    Complicações da caxumba

    Embora geralmente seja benigna, a caxumba pode causar complicações, mesmo quando o inchaço das glândulas não é evidente.

    1. Orquite

    É a complicação mais comum em homens após a puberdade, ocorrendo em 15% a 30% dos casos sintomáticos.

    Pode causar:

    • Febre alta;
    • Dor testicular intensa;
    • Inchaço e vermelhidão do escroto.

    Pode ser unilateral ou bilateral. A atrofia testicular pode ocorrer em 30% a 50% dos casos não vacinados. A infertilidade é rara, mas o risco aumenta quando há acometimento bilateral.

    2. Ooforite

    Inflamação dos ovários, ocorre em cerca de 5% das mulheres após a puberdade e pode causar:

    • Dor abdominal inferior;
    • Febre;
    • Vômitos.

    3. Complicações neurológicas

    Antes da vacinação, a caxumba era uma das principais causas de meningite viral.

    Pode causar:

    • Meningite asséptica (1% a 10% dos casos);
    • Encefalite;
    • Surdez neurossensorial.

    Na maioria das vezes, a meningite evolui de forma benigna.

    4. Outras complicações

    Mais raramente, podem ocorrer:

    • Pancreatite;
    • Miocardite;
    • Artrite;
    • Tireoidite;
    • Mastite;
    • Nefrite.

    Como é feito o diagnóstico?

    Em situações de surto, o diagnóstico pode ser clínico, baseado no quadro típico de parotidite.

    A confirmação laboratorial pode ser feita por:

    • RT-PCR para detecção do RNA viral (swab bucal);
    • Sorologia com detecção de IgM.

    O swab bucal deve ser coletado preferencialmente até o terceiro dia após o início do inchaço.

    Em pessoas vacinadas, o IgM pode ser negativo, dificultando a confirmação laboratorial.

    Casos suspeitos devem ser notificados às autoridades de saúde.

    Tratamento

    Não existe antiviral específico para caxumba. O tratamento é sintomático e envolve:

    • Analgésicos e antitérmicos;
    • Compressas frias ou mornas nas parótidas;
    • Repouso;
    • Suporte escrotal e compressas frias em casos de orquite.

    O paciente deve permanecer em isolamento respiratório por 5 dias após o início da parotidite.

    Prevenção

    A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). A introdução da vacina levou a uma redução superior a 99% dos casos em diversos países.

    Alta cobertura vacinal reduz:

    • O número de casos;
    • A duração dos surtos;
    • A gravidade da doença;
    • A taxa de complicações.

    O que esperar

    O prognóstico é geralmente excelente. A maioria das pessoas se recupera completamente.

    Complicações graves são raras, especialmente em populações amplamente vacinadas. A surdez permanente é incomum, mas pode ocorrer.

    Confira: Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer

    Perguntas frequentes sobre caxumba

    1. Caxumba é uma doença grave?

    Na maioria dos casos, não. É autolimitada, mas pode causar complicações em adolescentes e adultos.

    2. Quem já teve caxumba pode ter novamente?

    É raro, pois a infecção geralmente confere imunidade duradoura.

    3. A vacina protege totalmente?

    A vacina é altamente eficaz, mas não garante 100% de proteção. Ainda assim, reduz a gravidade da doença.

    4. Adultos podem ter caxumba?

    Sim. E, nessa faixa etária, o risco de complicações é maior.

    5. Caxumba pode causar infertilidade?

    É raro. O risco aumenta em casos de orquite bilateral.

    6. Quando devo procurar médico?

    Se houver dor intensa, febre alta persistente ou sinais de complicação neurológica.

    7. É preciso afastar da escola?

    Sim. Recomenda-se isolamento por 5 dias após início da parotidite.

    Veja mais: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda