Nos dias em que as temperaturas disparam e o calor fica difícil de suportar, é comum recorrer ao uso do ar-condicionado para deixar a casa mais agradável. Mas, para pessoas que convivem com rinite, asma ou sinusite, o alívio pode vir acompanhado de sintomas como espirros, coceira no nariz e a sensação de garganta seca.
De acordo com a alergista e imunologista Brianna Nicoletti, o ar-condicionado, por si só, não causa alergia, mas algumas condições relacionadas ao uso do aparelho podem favorecer a irritação das vias respiratórias, principalmente em pessoas mais sensíveis, desde a falta de limpeza até a baixa umidade do ambiente. Vamos entender mais, a seguir.
Afinal, o ar-condicionado causa ou piora a alergia?
O uso do ar-condicionado pode piorar os sintomas alérgicos em algumas pessoas, principalmente quando existem fatores ambientais que favorecem a irritação das vias respiratórias, como:
- Acúmulo de poeira, ácaros e fungos nos filtros do aparelho, principalmente quando a limpeza não é feita com regularidade;
- Ar mais seco, que pode irritar o nariz e a garganta e provocar desconforto nas vias respiratórias;
- Exposição ao ar frio, que pode desencadear broncoespasmo em pessoas com asma.
Na maioria das vezes, o problema está na falta de manutenção adequada do ar-condicionado.
“Sociedades médicas como ASBAI, AAAAI e ACAAI reforçam que sistemas de climatização podem até melhorar a qualidade do ar quando bem mantidos. Entretanto, quando negligenciados, passam a atuar como reservatórios de alérgenos”, complementa Brianna.
Falta de manutenção podem acumular poeira, ácaros e fungos
Quando a limpeza do ar-condicionado não é realizada com regularidade, a poeira presente no ambiente tende a ficar retida nos filtros do aparelho. Com o passar do tempo, aquele material acumulado pode se transformar em um local favorável para a presença de ácaros, fungos e outras partículas microscópicas.
Quando o aparelho é ligado, as partículas podem circular novamente pelo ambiente e ser inaladas, o que pode irritar as vias respiratórias e desencadear sintomas alérgicos, como espirros, coceira no nariz, coriza e congestão nasal.
De acordo com Brianna, os ácaros vivam principalmente em colchões e tecidos, mas seus alérgenos podem estar presentes na poeira doméstica que acaba sendo retida nos filtros. “Além disso, sistemas de climatização mal higienizados podem favorecer o crescimento de fungos, aumentando a liberação de esporos no ambiente”, esclarece a alergista.
O ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias?
O ar seco é um dos principais fatores de irritação para as vias respiratórias, afetando especialmente quem já possui sensibilidade ou doenças crônicas.
Segundo o Global Initiative for Asthma (GINA), a exposição ao ar mais frio pode provocar broncoconstrição, que é o estreitamento dos brônquios, levando a sintomas como tosse, chiado no peito e falta de ar em pessoas com asma.
A reação acontece porque o resfriamento das vias aéreas provoca alterações fisiológicas que favorecem a liberação de mediadores inflamatórios.
Já nos quadros de rinite, Brianna explica que o problema costuma estar mais relacionado ao ressecamento da mucosa nasal. O ar mais seco pode irritar o interior do nariz, provocar sensação de ardência e aumentar a congestão nasal, além de favorecer sintomas como coceira e espirros.
Por isso, quando o ar-condicionado é utilizado com temperaturas muito baixas ou por períodos prolongados, o desconforto respiratório pode se tornar mais frequente.
Existe uma temperatura ideal para quem tem alergia respiratória?
Não existe uma temperatura considerada ideal para prevenir as crises alérgicas. O mais importante é evitar temperaturas muito baixas e mudanças bruscas, que podem irritar as vias respiratórias.
Segundo as orientações das sociedades médicas, também é importante manter a umidade relativa do ar entre 30% e 50%. Níveis muito baixos podem ressecar o nariz e a garganta, enquanto níveis muito altos favorecem o crescimento de mofo.
Na prática, temperaturas entre 22 °C e 25 °C costumam ser consideradas mais confortáveis para pessoas com alergia respiratória, pois ajudam a evitar o ressecamento do ar e reduzem a irritação das vias aéreas.
Como fazer a manutenção correta do ar-condicionado?
A manutenção correta do ar-condicionado envolve alguns cuidados periódicos, como aponta Brianna:
- Realizar a limpeza quinzenal dos filtros, já que aquela é a parte do aparelho onde a poeira costuma se acumular com mais facilidade;
- Trocar os filtros quando necessário, de acordo com a recomendação do fabricante do equipamento;
- Fazer a manutenção técnica com um profissional, de forma regular, para verificar o funcionamento do sistema e realizar a higienização interna do aparelho;
- Inspecionar o aparelho para identificar sinais de umidade ou mofo, que podem favorecer o crescimento de fungos e a liberação de esporos no ambiente.
Além da manutenção do equipamento, também é importante manter o ambiente da casa limpo e ventilado, o que ajuda a reduzir a presença de partículas que podem desencadear sintomas alérgicos.
Ventilador é melhor para quem tem alergia?
Diferente do ar-condicionado, o ventilador não filtra o ar, apenas movimenta o que já está presente no ambiente. Segundo Brianna, quando existe poeira acumulada no ambiente, o ventilador pode ressuspender partículas alergênicas, como poeira e ácaros, aumentando a exposição das vias respiratórias e favorecendo sintomas alérgicos.
Já o ar-condicionado, quando recebe manutenção adequada, pode ajudar a reduzir a entrada de partículas externas e contribuir para uma melhor qualidade do ar no ambiente interno.
Por isso, para pessoas com alergia respiratória, o factor mais importante não costuma ser o tipo de aparelho, mas sim a limpeza, a manutenção e o controle da qualidade do ar no ambiente.
Veja também: Por que algumas pessoas têm alergia e outras não? Alergista explica
Perguntas frequentes
1. Por que sinto o nariz entupido ao ligar o aparelho?
O ar-condicionado retira a umidade do ambiente. Para tentar compensar o ressecamento, as mucosas nasais inflamam e produzem mais muco, gerando a sensação de entupimento (congestão).
2. O uso de umidificador junto com o ar-condicionado ajuda?
Sim, o umidificador ajuda a repor a umidade que o ar-condicionado retira, evitando o ressecamento da garganta e do nariz.
3. Como saber se o meu ar-condicionado está sujo?
Sinais comuns incluem odor de mofo ao ligar, espirros imediatos após o acionamento, demora para resfriar e ruídos anormais.
4. Crianças e bebês podem ficar no ar-condicionado?
Sim, mas a atenção deve ser redobrada com a hidratação nasal (soro fisiológico) e a temperatura, que não deve baixar de 24°C.
5. Qual a diferença entre alergia ao ar e sensibilidade ao frio?
A “alergia” geralmente é aos ácaros e fungos presentes no aparelho. A sensibilidade ao frio (rinite vasomotora) é uma reação física do corpo à temperatura baixa.
6. Filtro HEPA funciona para alérgicos?
Sim! Filtros do tipo HEPA (High Efficiency Particulate Air) são capazes de reter até 99,9% das impurezas, incluindo ácaros e pólen, sendo a melhor escolha para quem tem crises frequentes de asma ou rinite.
7. Posso usar óleos essenciais no ar-condicionado para melhorar a respiração?
Não é recomendado pingar óleos diretamente no filtro ou no aparelho, pois isso pode danificar o equipamento e proliferar fungos. O ideal é usar um difusor à parte no ambiente.
Confira: Mofo em casa: por que ele piora as alergias respiratórias?


