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  • Dormir sem calcinha realmente faz bem para a saúde íntima? Ginecologista responde

    Dormir sem calcinha realmente faz bem para a saúde íntima? Ginecologista responde

    Quando o assunto é saúde íntima feminina, uma das recomendações mais conhecidas é dormir sem calcinha. A ideia é deixar a região íntima mais ventilada durante a noite, reduzindo o acúmulo de calor e umidade e ajudando a preservar o equilíbrio natural da flora vaginal. Mas afinal, será que o hábito realmente faz diferença?

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quando dormir sem calcinha pode trazer benefícios para a saúde íntima e quais cuidados são realmente importantes para prevenir infecções e irritações na região.

    Dormir sem calcinha traz benefícios?

    De acordo com Andreia, não existem evidências científicas que comprovem que dormir sem calcinha melhore a saúde íntima, diminua a incidência de corrimentos ou evite infecções. A recomendação principal dos ginecologistas é o conforto: a mulher deve escolher a opção com a qual se sente melhor.

    No entanto, para quem se adapta bem ao hábito, deixar a região livre durante a noite pode trazer algumas vantagens práticas para o bem-estar da vulva, como:

    • Melhora a ventilação local: a região íntima passa o dia todo abafada por calças, shorts e tecidos sintéticos. Dormir sem calcinha ajuda a diminuir a umidade natural e o calor acumulado na região ao longo do dia;
    • Reduz o atrito na pele: ficar sem a peça íntima elimina a fricção constante de elásticos e costuras na virilha, o que ajuda a prevenir a foliculite (inflamação dos folículos pilosos) e a irritação em peles mais sensíveis;
    • Evita o acúmulo de suor: em noites mais quentes, a ausência de tecido diminui a sudorese local, mantendo a pele da região mais seca e confortável.

    Afinal, dormir com calcinha causa candidíase?

    O hábito de dormir com calcinha não está associado ao desenvolvimento da candidíase, uma infecção causada pela proliferação excessive do fungo Candida, que faz parte da microbiota natural da vagina. Segundo Andreia, a condição costuma surgir quando ocorre um desequilíbrio no ambiente vaginal, causado por:

    • Uso de antibióticos, que matam as bactérias boas que competiam com o fungo;
    • Baixa na imunidade ou estresse elevado;
    • Alterações na flora intestinal, provocadas por má alimentação, alergias ou intolerâncias alimentares;
    • Diabetes descontrolada.

    A única relação que a roupa íntima pode ter com o fungo é o abafamento, pois a Candida gosta de ambientes quentes e úmidos.

    Se você dorme com uma calcinha de tecido sintético (como lycra e microfibra) ou usa protetores diários de plástico, a região esquenta e sua mais. Isso não cria o fungo, mas pode criar um ambiente confortável para ele se multiplicar se a flora já estiver desequilibrada.

    Qual o melhor tipo de calcinha para dormir?

    O melhor tipo de calcinha para dormir é a calcinha de algodão de modelagem confortável. O algodão é uma fibra natural que permite a transpiração da pele, evitando o acúmulo de calor e umidade na região vulvar durante a noite.

    Ao escolher a peça ideal para a hora de dormir, vale a pena considerar alguns detalhes:

    • Prefira calcinhas de algodão, um tecido respirável que absorve a umidade e ajuda a manter a região íntima mais arejada;
    • Escolha modelos sem costura (corte a laser), que reduzem o atrito na pele e podem diminuir o risco de irritações e foliculite;
    • Opte por calcinhas mais folgadas para dormir, como os modelos caleçon ou boyshort, que costumam ser mais confortáveis;
    • Evite peças muito apertadas ou com elásticos que marquem a pele, pois elas podem causar desconforto durante a noite;
    • Sempre que possível, deixe o fio dental para o dia a dia e prefira modelos que ofereçam maior cobertura durante o sono.

    Para garantir mais conforto, evite dormir com calcinhas que tenham o fundo de plástico ou sejam confeccionadas com tecidos impermeáveis. Também não é recomendado usar protetores diários de calcinha durante a noite, exceto quando houver indicação específica ou durante o período menstrual.

    Quem deve evitar dormir sem calcinha?

    Não existe nenhuma contraindicação formal para dormir sem calcinha, mas Andreia destaca que se a paciente estiver menstruada ou com algum corrimento intenso, pode ser desconfortável abrir mão da proteção.

    O bem-estar no dia a dia também deve ser levado em consideração. Se dormir sem calcinha causa sensação de insegurança, frio ou desconforto, não há motivo para insistir no hábito. Afinal, uma boa noite de sono depende do conforto físico e emocional, e não da presença ou ausência da roupa íntima.

    Para os casos de candidíase de repetição, dormir sem calcinha também não apresenta benefícios comprovados. Segundo Andreia, parte dos fungos pode permanecer nas camadas mais profundas do epitélio vaginal sob a forma de hifas.

    Em alguns casos, o episódio agudo é tratado corretamente, eliminando os fungos da superfície, mas as hifas que persistem nas camadas profundas podem voltar a proliferar, dando origem a um novo episódio da infecção.

    A ginecologista explica que, para reduzir o risco de recorrência, existem novas opções terapêuticas além dos tratamentos convencionais. Uma delas é o uso do LED azul, tecnologia que, segundo a especialista, atua nas camadas profundas do tecido vaginal e pode complementar o manejo de pacientes com candidíase de repetição.

    Higiene íntima adequada para o dia a dia

    A higiene íntima deve ser estritamente externa, englobando a vulva, os pequenos e grandes lábios, o clitóris e a entrada vaginal. Como a parte interna da vagina é autolimpante e mantém seu próprio equilíbrio bacteriano, você não precisa lavar o canal vaginal nem utilizar duchas, sabonetes ou qualquer outro produto em seu interior.

    Para o dia a dia, Andreia dá algumas recomendações:

    • Lave a região íntima apenas uma vez ao dia, utilizando um sabonete hidratante ou um produto específico para a higiene íntima;
    • Evite sabonetes muito adstringentes ou que ressequem a pele, como alguns sabonetes de glicerina, pois eles podem remover a proteção natural da região;
    • Não exagere na higiene íntima, já que o excesso de limpeza pode favorecer o ressecamento e alterar o equilíbrio natural da vulva;
    • Use lenços umedecidos apenas como complemento, principalmente após evacuar ou em dias de maior secreção vaginal;
    • Após utilizar o lenço umedecido, seque delicadamente a região caso ela permaneça úmida.

    Se além da dúvida sobre o uso da calcinha você estiver sentindo sintomas como coceira intensa, queimação ao urinar, vermelhidão na vulva ou corrimento com cor e cheiro incomuns, é fundamental consultar um ginecologista.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. Pode dormir com calcinha de renda?

    Não é o ideal. A renda é um tecido sintético que não deixa a pele respirar, retendo calor e suor. Para dormir, prefira calcinhas 100% algodão.

    2. Usar shorts de pijama sem calcinha faz mal?

    Não. Desde que o short seja de um tecido leve e respirável (como o algodão) e esteja limpo, é uma excelente alternativa para ventilar a região sem precisar ficar totalmente nua.

    3. Estou grávida, posso dormir sem calcinha?

    Sim, pode. Durante a gravidez, é comum o aumento da secreção vaginal. Se você se sentir confortável e o lençol estiver limpo, dormir sem calcinha ajuda a manter a região seca e arejada.

    4. Posso dormir com a mesma calcinha que usei o dia todo?

    Não. A calcinha usada ao longo do dia acumulou suor, descamação da pele e secreções naturais. Se optar por dormir de calcinha, vista sempre uma peça limpa antes de deitar.

    5. Como ventilar a região íntima se eu não conseguir dormir sem calcinha?

    Basta usar uma calcinha de algodão um tamanho maior que o seu (mais larguinha) ou optar por cuecas femininas estilo boxer de algodão, que não apertam a virilha.

    6. Qual o sabonete ideal para lavar a região íntima antes de dormir?

    Sabonetes neutros, hidratantes ou específicos para a região íntima. Evite sabonetes muito adstringentes, como os de glicerina em barra, pois eles ressecam demais a mucosa, removendo a proteção natural da pele e causando efeito rebote (aumento da secreção).

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Candidíase oral (sapinho): por que aparecem placas brancas na boca? 

    Candidíase oral (sapinho): por que aparecem placas brancas na boca? 

    A candidíase oral, conhecida popularmente como sapinho, é uma infecção causada por fungos do gênero Candida, especialmente a Candida albicans. Esse microrganismo já vive naturalmente na boca, mas em determinadas situações pode se multiplicar de forma excessiva, levando ao aparecimento de lesões características.

    O sapinho é mais comum em bebês, idosos e pessoas com imunidade mais baixa, mas pode ocorrer em qualquer fase da vida. Na maioria dos casos, é uma condição benigna e tratável, desde que identificada corretamente.

    O que é a candidíase oral

    A candidíase oral é uma infecção fúngica que afeta a mucosa da boca, incluindo língua, bochechas, gengivas e céu da boca. Ela ocorre quando há um desequilíbrio na microbiota oral, permitindo o crescimento excessivo da Candida.

    Esse crescimento leva ao surgimento de placas esbranquiçadas, que são a principal característica da doença.

    Principais sintomas do sapinho

    Os sintomas podem variar de leves a mais intensos, dependendo do caso.

    Entre os mais comuns estão:

    • Placas brancas na língua, gengiva ou bochechas;
    • Sensação de ardor ou queimação;
    • Dor ao engolir, em casos mais avançados;
    • Vermelhidão na mucosa oral;
    • Alteração do paladar.

    Em bebês, pode haver dificuldade para mamar e irritabilidade.

    Por que a candidíase oral acontece

    A candidíase oral surge quando há condições que favorecem o crescimento do fungo.

    Entre os principais fatores estão:

    • Uso de antibióticos, que alteram a flora normal da boca;
    • Imunidade baixa;
    • Diabetes mal controlado;
    • Uso de próteses dentárias mal higienizadas;
    • Uso de corticoides inalados sem higiene adequada;
    • Boca seca (xerostomia).

    Esses fatores criam um ambiente propício para a proliferação da Candida.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    Alguns grupos são mais propensos a desenvolver candidíase oral:

    • Bebês, devido ao sistema imunológico imaturo;
    • Idosos, especialmente usuários de próteses;
    • Pessoas com doenças crônicas, como diabetes;
    • Pacientes com imunossupressão;
    • Pessoas em uso de certos medicamentos.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é geralmente clínico, baseado na observação das lesões características na boca.

    Em alguns casos, o profissional de saúde pode realizar exames complementares, como coleta de material para análise.

    Na maioria das situações, porém, a avaliação clínica é suficiente.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento da candidíase oral costuma ser simples e eficaz.

    As principais abordagens são:

    • Antifúngicos tópicos, aplicados diretamente na boca;
    • Antifúngicos orais, em casos mais extensos;
    • Correção dos fatores de risco, como ajuste de próteses e controle de doenças.

    Além disso, manter boa higiene oral é fundamental para a recuperação.

    Como prevenir a candidíase oral

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de desenvolver sapinho:

    • Manter boa higiene bucal;
    • Higienizar próteses dentárias corretamente;
    • Enxaguar a boca após uso de corticoides inalados;
    • Controlar doenças como diabetes;
    • Evitar uso desnecessário de antibióticos.

    Veja mais: ‘Doença do beijo’: sintomas e tratamento da mononucleose infecciosa

    Perguntas frequentes sobre candidíase oral

    1. O que é sapinho?

    Sapinho é o nome popular da candidíase oral.

    2. Candidíase oral é contagiosa?

    Em geral, não é altamente contagiosa, mas pode ser transmitida em algumas situações.

    3. Dói?

    Pode causar desconforto e ardor, especialmente em casos mais intensos.

    4. Precisa de tratamento?

    Sim. O tratamento ajuda a eliminar o fungo e aliviar os sintomas.

    5. Antibióticos podem causar?

    Sim. Eles podem alterar a flora da boca e favorecer o crescimento da Candida.

    6. Pode voltar?

    Sim. Se os fatores de risco persistirem, pode haver recorrência.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver placas persistentes, dor ou dificuldade para se alimentar.

    Veja mais: Candidíase vaginal: o que é, causas, sintomas e como tratar

  • Candidíase vaginal: o que é, causas, sintomas e como tratar

    Candidíase vaginal: o que é, causas, sintomas e como tratar

    Coceira intensa, corrimento branco e vermelhidão na área vaginal são alguns dos principais sintomas de candidíase, uma infecção fúngica causada predominantemente por espécies do gênero Candida — especialmente a Candida albicans.

    Normalmente, ela surge quando há um desequilíbrio na flora vaginal, que permite a proliferação excessiva do fungo, e pode impactar diretamente a qualidade de vida. Por isso, é fundamental saber reconhecer os sinais precocemente e buscar orientação médica para confirmar o diagnóstico.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck para esclarecer as principais dúvidas sobre a condição, como ela se manifesta e os métodos de tratamento. Confira!

    O que é candidíase vaginal?

    A candidíase vulvovaginal é uma infecção causada por fungos do gênero Candida, especialmente a Candida albicans, que vive naturalmente no corpo humano, principalmente na boca, no intestino e na região genital.

    No entanto, em situações de desequilíbrio, como baixa imunidade, uso de antibióticos ou alterações hormonais, o fungo pode se multiplicar em excesso e causar a infecção. Apesar do Candida albicans ser o principal responsável pela condição, Ana Paula Beck aponta que outras espécies, como a C. glabrata, também possam estar envolvidas — principalmente em casos complicados ou recorrentes.

    Causas da candidíase vaginal

    A candidíase surge quando há desequilíbrio na flora vaginal, o que favorece o crescimento excessivo do fungo. Entre os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento da candidíase estão:

    • Uso frequente de antibióticos, que reduzem a flora vaginal protetora;
    • Alterações hormonais, como gravidez, uso de anticoncepcionais ou reposição hormonal;
    • Diabetes mal controlado;
    • Imunossupressão (HIV, quimioterapia, uso de corticoides);
    • Estresse e noites mal dormidas, que enfraquecem a imunidade;
    • Roupas íntimas sintéticas e apertadas, que aumentam a umidade e o calor local.

    “O fungo é parte da microbiota vaginal normal em até 20% das mulheres assintomáticas, mas pode causar doença quando há desequilíbrio local ou sistêmico”, complementa Ana Paula Beck.

    Quais são os sintomas da candidíase vaginal?

    Os sintomas da candidíase são bastante característicos, mas podem variar de intensidade de pessoa para pessoa. Segundo Ana Paula, os sinais mais comuns incluem:

    • Coceira intensa (prurido vulvar), normalmente é o sintoma mais incômodo;
    • Corrimento branco e espesso: com aspecto semelhante ao leite coalhado, sem odor;
    • Ardência e dor ao urinar;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Irritação, vermelhidão e inchaço na vulva;
    • Possíveis fissuras e escoriações na pele da região íntima.

    Como diferenciar candidíase de outras infecções vaginais?

    Para diferenciar a candidíase de outras infecções vaginais, é importante observar as características de cada uma. A ginecologista Ana Paula Beck aponta:

    • Candidíase: pH vaginal geralmente normal (<4,5), corrimento branco e grumoso, sem odor;
    • Vaginose bacteriana: corrimento acinzentado e com odor desagradável (semelhante a peixe);
    • Tricomoníase: corrimento amarelado ou esverdeado, espumoso, pH elevado (>4,5), e sintomas como dor abdominal.

    O diagnóstico definitivo pode ser feito pelo médico com exames laboratoriais, como a microscopia ou cultura de Candida.

    A candidíase só acontece durante a menstruação?

    A candidíase pode surgir em qualquer fase do ciclo menstrual. No entanto, muitas mulheres relatam sintomas mais intensos alguns dias antes da menstruação, possivelmente devido a alterações hormonais que favorecem o crescimento do fungo.

    Veja também: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Como é feito o diagnóstico de candidíase vaginal?

    O diagnóstico da candidíase vaginal é feito a partir da história clínica e do exame ginecológico. O médico avalia os sintomas relatados pela pessoa e observa características como corrimento, vermelhidão e lesões.

    Para confirmar, ele pode solicitar alguns exames, como:

    • Microscopia com KOH: mostra a presença do fungo Candida, como leveduras e filamentos (hifas ou pseudohifas);
    • Cultura vaginal: usada em casos de candidíase recorrente ou resistente;
    • Medição do pH vaginal: ajuda a diferenciar de outras infecções.

    É importante ressaltar que a automedicação pode mascarar sintomas e dificultar o diagnóstico. Por isso, procurar atendimento médico é fundamental quando os sintomas persistem.

    Como tratar a candidíase vaginal?

    O tratamento da candidíase geralmente é feito com antifúngicos, que podem ser aplicados direto na região íntima, como cremes e óvulos, ou tomados por via oral, como o remédio fluconazol. Em gestantes, a recomendação é usar apenas os medicamentos locais.

    Em casos causados por fungos diferentes do mais comum (Candida albicans), como a Candida glabrata, pode ser preciso usar outras opções, como cápsulas vaginais de ácido bórico ou outros medicamentos, de acordo com Ana Paula.

    Candidíase recorrente: o que é e por que acontece?

    A candidíase de repetição, também conhecida como candidíase recorrente, é quando uma pessoa tem quatro ou mais episódios de candidíase ao longo de um ano. De acordo com Paula, ela pode acontecer devido às seguintes situações:

    • Aumento dos níveis de estrogênio, tais como o uso de anticoncepcionais orais ou durante a gravidez;
    • Uso de antibióticos;
    • Diabetes;
    • Imunossupressão;
    • Uso de corticosteroides;
    • Predisposição genética.

    Em casos de candidíase de repetição, o médico pode indicar um tratamento mais longo: primeiro para controlar os sintomas e depois uma fase de manutenção, com fluconazol semanal por alguns meses. Mesmo assim, cerca de metade das mulheres pode ter nova recaída depois que o remédio é suspenso.

    “Novos agentes, como oteseconazol, estão aprovados pelo FDA nos Estados Unidos para prevenção de candidíase recorrente em mulheres que não estejam em planejamento de gravidez”, complementa a ginecologista.

    É possível prevenir a candidíase?

    Nem sempre é possível prevenir um quadro de candidíase, mas algumas mudanças de hábitos no dia a dia ajudam a diminuir o risco, como:

    • Evitar duchas vaginais e uso excessivo de sabonetes íntimos;
    • Optar por roupas íntimas de algodão e mais soltas;
    • Manter a região íntima seca sempre que possível;
    • Reduzir o consumo excessivo de açúcares, já que a glicose favorece a proliferação do fungo;
    • Usar antibióticos apenas quando realmente necessário e com acompanhamento médico;
    • Avaliar, junto ao ginecologista, outras opções de anticoncepcionais, caso haja relação com os episódios.

    Candidíase vaginal tem cura?

    Na maioria dos casos, sim. A ginecologista e obstetra Ana Paula explica que a candidíase aguda e não complicada costuma responder bem ao tratamento com antifúngicos, seja em creme vaginal (clotrimazol, miconazol) ou comprimido oral (fluconazol em dose única).

    Contudo, quando a candidíase é recorrente, o tratamento precisa ser mais longo, geralmente com antifúngico por semanas, seguido de doses de manutenção para evitar novas crises.

    Confira: Sabonete íntimo é necessário? Conheça os cuidados e quando usar

    Perguntas frequentes

    1. Candidíase é uma infecção sexualmente transmissível?

    A candidíase não é uma infecção sexualmente transmissível. Ela é causada pelo crescimento descontrolado do fungo Candida albicans, que vive naturalmente no corpo, devido a fatores que desequilibram a flora natural.

    A infecção pode ser transmitida durante a relação sexual, mas é um caso raro. O tratamento de parceiros só é indicado se houver sintomas, como coceira, irritação ou lesões, ou em casos de candidíase recorrente.

    2. A candidíase pode aparecer durante a gravidez?

    Sim, e é até mais comum nesse período, devido a alterações hormonais e diminuição da imunidade da gestante. O tratamento deve ser sempre feito com medicamentos tópicos, como cremes, já que os comprimidos orais não são recomendados para gestantes.

    3. Existe relação entre candidíase e estresse?

    Sim! O estresse intenso pode enfraquecer o sistema imunológico e alterar o equilíbrio da flora vaginal, facilitando o crescimento da Candida.

    Além disso, situações de estresse costumam vir acompanhadas de má alimentação, noites mal dormidas e uso excessivo de estimulantes, como café, o que pode aumentar ainda mais o risco de crises.

    4. Qual a relação entre candidíase e antibióticos?

    O uso de antibióticos de amplo espectro pode desequilibrar a flora natural da boca ou da vagina. Isso acontece porque o remédio elimina várias bactérias que normalmente controlam o crescimento de fungos, como a Candida.

    Quando essa “barreira protetora” some, o fungo encontra espaço para se multiplicar. Por isso, pessoas que usam antibióticos com frequência ou passam por tratamentos longos no hospital têm maior risco de desenvolver candidíase, seja na região íntima ou na boca.

    5. O uso de roupas apertadas aumenta o risco de candidíase?

    Sim, pois roupas muito justas e de tecido sintético dificultam a ventilação da região íntima, retêm calor e umidade — criando um ambiente perfeito para o crescimento do fungo. O ideal é usar calcinhas de algodão e evitar o uso prolongado de roupas como calças jeans muito justas ou biquínis molhados.

    6. Probióticos ajudam a prevenir a candidíase?

    Os probióticos podem ajudar a equilibrar a flora vaginal e intestinal, reforçando as bactérias de defesa. Ainda não existem evidências científicas fortes de que eles possam prevenir definitivamente a candidíase, mas algumas pesquisas indicam benefícios como redução da recorrência. Eles não substituem o tratamento médico, mas podem ser usados como complemento.

    7. Homens podem ter candidíase?

    A resposta é sim. O fungo Candida está presente em todos os corpos e, quando cresce em excesso, pode causar a infecção. A região da virilha, inclusive, é mais vulnerável por causa da umidade e das dobras de pele. Na maioria dos casos, a candidíase peniana surge após relação sexual sem preservativo com uma parceira infectada.

    Os sintomas podem ser sutis, mas incluem vermelhidão, placas brancas no pênis e coceira ou ardência. No surgimento dos sintomas, é importante procurar um médico para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado.

    8. Quais os primeiros sinais de candidíase?

    Os primeiros sinais mais comuns de candidíase costumam ser bem característicos, como:

    • Coceira intensa na região íntima, que pode piorar à noite ou após urinar;
    • Ardência ou queimação na vulva ou vagina;
    • Corrimento branco espesso e grumoso, parecido com leite talhado, geralmente sem odor forte;
    • Vermelhidão e inchaço na região genital;
    • Desconforto ou dor durante a relação sexual;
    • Em alguns casos, dor leve ao urinar.

    Leia também: Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo