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  • Fevereiro laranja: saiba mais sobre a leucemia

    Fevereiro laranja: saiba mais sobre a leucemia

    No Brasil, aproximadamente 10 mil novos casos de leucemia surgem todos os anos, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer.

    A doença pode se manifestar em qualquer idade, mas é o tipo de câncer mais frequente entre crianças e adolescentes, representando cerca de 30% de todos os casos de câncer infantil.

    Conversamos com o oncologista Thiago Chadid para esclarecer como a leucemia se desenvolve, quais são os principais sinais de alerta, os fatores de risco envolvidos e como funcionam os tratamentos disponíveis atualmente.

    O que é leucemia?

    A leucemia é um tipo de câncer que se origina nas células do sangue, mais especificamente na medula óssea, local onde são produzidas as células sanguíneas.

    Ela ocorre quando uma célula precursora sofre uma mutação genética e passa a se multiplicar de forma desordenada, originando células anormais que não cumprem adequadamente suas funções.

    As células defeituosas, normalmente da série branca, se acumulam na medula óssea e na corrente sanguínea, prejudicando a produção das células normais, como os glóbulos vermelhos, as plaquetas e os leucócitos saudáveis. Como resultado, o organismo passa a apresentar alterações na imunidade, maior risco de infecções, anemia e sangramentos.

    Vale apontar que, diferente de outros tipos de câncer, a leucemia não forma uma massa ou tumor sólido, pois se desenvolve nas células do sangue e da medula óssea, espalhando-se pela corrente sanguínea.

    Como surgem as leucemias na medula óssea

    Na medula óssea existem células precursoras, também chamadas de células-tronco hematopoéticas. Elas são responsáveis por produzir todas as células do sangue e dão origem a três grandes grupos, conforme aponta Thiago Chadid:

    • Série branca, que atua na defesa do organismo;
    • Série vermelha, que forma os glóbulos vermelhos, responsáveis por levar oxigênio para todo o corpo;
    • Série plaquetária, que produz as plaquetas, importantes para a coagulação do sangue.

    A série branca está diretamente ligada ao sistema imunológico. A partir dessas células precursoras surgem vários tipos de células de defesa, entre elas os linfócitos, que se dividem principalmente em linfócitos T e linfócitos B.

    Os linfócitos T atuam de forma direta no combate a tumores, bactérias e outros agentes estranhos ao organismo. Já os linfócitos B são responsáveis pela produção de anticorpos, que ajudam a neutralizar infecções.

    Além dos linfócitos, existem outras células da série branca que participam de processos inflamlórios e reações alérgicas, formando um sistema de defesa bastante complexo.

    A leucemia surge quando ocorre uma mutação nas células precursoras da série branca. A partir dessa alteração, as células passam a se multiplicar de forma descontrolada e deixam de exercer corretamente a função de defesa.

    Quais os tipos de leucemia?

    As leucemias são classificadas em dois grandes grupos, de acordo com a linhagem acometida:

    • Leucemias mieloides, que afetam a linhagem mieloide, responsável pela formação de diferentes células do sangue, como neutrófilos, monócitos, eosinófilos, basófilos e plaquetas;
    • Leucemias linfoides, que atingem a linhagem linfóide, responsável pela produção dos linfócitos, células fundamentais para o funcionamento do sistema imunológico.

    Além dessa divisão, as leucemias também são classificadas conforme a velocidade de evolução da doença, segundo Thiago:

    • Leucemias agudas, nas quais as células doentes se multiplicam rapidamente e os sintomas costumam surgir em pouco tempo;
    • Leucemias crônicas, que apresentam crescimento mais lento e podem permanecer assintomáticas por longos períodos.

    De acordo com o oncologista, as leucemias crônicas têm prognóstico mais favorável do que as agudas, pois evoluem de forma lenta. Já as leucemias agudas são mais graves, com multiplicação rápida e descontrolada das células, podendo causar complicações circulatórias e maior risco de trombose.

    Independentemente do tipo, todas as leucemias compartilham uma característica central: as células leucêmicas são disfuncionais.

    Mesmo quando o exame de sangue mostra um número elevado de leucócitos, essas células não são capazes de exercer adequadamente sua função de defesa, o que compromete o sistema imunológico.

    Além disso, as células anormais passam a ocupar espaço na medula óssea, prejudicando a produção das células saudáveis. Com o tempo, ocorre redução dos glóbulos vermelhos e das plaquetas, o que pode levar à anemia, sangramentos frequentes e aumento do risco de infecções.

    Fatores de risco para a leucemia

    Os fatores de risco para a leucemia ainda não explicam totalmente a origem da doença, mas diversos estudos indicam que determinadas condições e exposições aumentam a chance de desenvolvimento de alguns tipos específicos.

    Entre os principais fatores de risco conhecidos, o Ministério da Saúde destaca:

    • Exposição ao benzeno, substância presente na gasolina e amplamente utilizada na indústria química, associada à leucemia mieloide aguda e crônica e à leucemia linfoide aguda;
    • Radiação ionizante, como raios X e raios gama, especialmente quando relacionada a procedimentos médicos como a radioterapia. O risco varia conforme a idade, a dose e o tempo de exposição;
    • Quimioterapia, sobretudo algumas classes de medicamentos utilizadas no tratamento do câncer e de doenças autoimunes, relacionada principalmente à leucemia mieloide aguda e à leucemia linfoide aguda;
    • Exposição ao formaldeído, comum em ambientes industriais (química, têxtil, entre outras) e na área da saúde, como hospitais e laboratórios;
    • Trabalho na produção de borracha, associado ao aumento do risco de diferentes tipos de leucemia;
    • Exposição a agrotóxicos e solventes, além de infecção pelos vírus das hepatites B e C, fatores relacionados ao aumento do risco de leucemia;
    • Síndrome mielodisplásica e outras doenças do sangue, que podem evoluir para leucemia mieloide aguda;
    • Idade avançada, fator de risco importante para a maioria dos tipos de leucemia. A exceção é a leucemia linfoide aguda, mais frequente em crianças;
    • Tabagismo, associado principalmente ao aumento do risco de leucemia mieloide aguda.

    Segundo Thiago, a predisposição genética é relativamente rara, estimada em cerca de 4 a 5% dos casos de leucemia.

    Quais os sintomas de leucemia?

    A leucemia pode ser assintomática no início e ser descoberta em exames de rotina. À medida que evolui, podem surgir sintomas como:

    • Cansaço e fraqueza;
    • Febre persistente;
    • Perda de peso e sudorese noturna;
    • Infecções frequentes e de difícil controle;
    • Sangramentos fáceis, hematomas e manchas na pele;
    • Anemia e queda das plaquetas.

    Nas leucemias agudas, a evolução pode ser muito rápida, ocorrendo em dias ou semanas. Em alguns casos, sem tratamento imediato, o quadro pode levar ao óbito em pouco tempo, segundo Thiago.

    Já nas crônicas, a doença costuma ser descoberta por acaso em check-ups e acompanhada por muitos anos, às vezes sem necessidade de tratamento imediato.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da leucemia começa, normalmente, com um hemograma, que pode mostrar alterações como aumento ou redução dos leucócitos, anemia e queda das plaquetas. Em alguns casos, também aparecem células imaturas no sangue.

    Para confirmar o diagnóstico, é necessário o exame da medula óssea, por meio do mielograma e, quando indicado, da biópsia de medula óssea. Eles permitem avaliar a quantidade, o tipo e o grau de maturação das células sanguíneas.

    Após a confirmação, podem ser realizados exames complementares, como imunofenotipagem, citogenética e testes moleculares, que identificam o subtipo da leucemia, alterações genéticas específicas e ajudam a definir o melhor tratamento.

    Tratamento de leucemia

    Nas leucemias agudas, o tratamento costuma ser mais agressivo e precisa ser iniciado rapidamente, segundo Thiago. Os principais métodos incluem:

    • Quimioterapia intensiva, com o objetivo de eliminar as células leucêmicas e permitir a recuperação da medula óssea;
    • Transplante de medula óssea, indicado em alguns casos para reduzir o risco de recaída e aumentar as chances de cura.

    Nas leucemias crônicas, o tratamento normalmente é mais brando e individualizado, podendo incluir:

    • Medicamentos orais, que ajudam a controlar a doença ao longo do tempo;
    • Terapias-alvo, como inibidores de tirosina-quinase e anticorpos monoclonais, que atuam diretamente nas células alteradas.

    Em alguns pacientes crônicos, principalmente nos estágios iniciais e sem sintomas, pode ser adotada apenas a estratégia de acompanhamento regular, sem necessidade de tratamento imediato.

    Acompanhamento pós-tratamento

    Após o tratamento da leucemia, o acompanhamento médico contínuo é fundamental para identificar sinais precoces de retorno e lidar com possíveis efeitos tardios do tratamento, contribuindo para preservar a saúde e a qualidade de vida do paciente ao longo do tempo.

    De forma geral, o acompanhamento inclui:

    • Consultas médicas periódicas, voltadas à avaliação clínica e ao esclarecimento de dúvidas;
    • Exames de sangue regulares, utilizados para acompanhar o funcionamento da medula óssea e identificar alterações iniciais;
    • Exames complementares, solicitados quando há necessidade de investigação adicional;
    • Monitoramento de sintomas, como cansaço, febre ou sangramentos, que devem ser relatados ao médico;
    • Apoio psicológico e emocional, importante para lidar com os impactos físicos e emocionais da doença;
    • Atualização vacinal e cuidados gerais de saúde, com foco na prevenção de infecções e outras complicações.

    A rotina de acompanhamento pode variar conforme o tipo de leucemia, o tratamento realizado e as condições individuais de cada paciente, sempre seguindo orientação médica.

    É possível prevenir a leucemia?

    Na maioria dos casos, a leucemia não pode ser prevenida, pois muitas pessoas que desenvolvem a doença não apresentam fatores de risco conhecidos ou modificáveis, segundo o Ministério da Saúde.

    Mesmo assim, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco, como:

    • Não fumar, já que o tabagismo aumenta o risco de leucemia mieloide aguda e de vários outros tipos de câncer;
    • Reduzir a exposição ocupacional a substâncias químicas, como solventes e agentes comprovadamente cancerígenos, sempre que possível;
    • Utilizar equipamentos de proteção individual no trabalho, para diminuir o contato com substâncias nocivas;
    • Buscar orientação em serviços de saúde, especialmente em casos de tratamento prévio com quimioterapia ou radioterapia.

    Leucemia tem cura?

    Nas leucemias crônicas, o foco do tratamento costuma ser o controle da doença, e não a cura definitiva. Muitos pacientes convivem com a leucemia por vários anos, mantendo boa qualidade de vida, de forma semelhante ao acompanhamento de doenças crônicas como diabetes ou hipertensão.

    Nas leucemias agudas, de acordo com o tipo da doença, o diagnóstico precoce e a resposta ao tratamento, pode haver possibilidade de cura, principalmente quando o transplante de medula óssea é indicado. Após um período prolongado sem sinais da doença, o paciente pode ser considerado curado.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    A leucemia é hereditária?

    Na maioria dos casos, não. Apenas uma pequena parcela das leucemias tem relação direta com fatores genéticos herdados. Ter um familiar com leucemia não significa, necessariamente, que a doença irá se desenvolver.

    A leucemia pode voltar após o tratamento?

    Em alguns casos, a leucemia pode reaparecer, situação conhecida como recaída. O risco varia conforme o tipo da doença, as alterações genéticas envolvidas e a resposta inicial ao tratamento. Por esse motivo, o acompanhamento médico após o término da terapia é fundamental.

    Leucemia é contagiosa?

    Não, a leucemia não é uma doença contagiosa e, portanto, não ocorre transmissão por contato físico, saliva, sangue ou convivência diária. É uma doença relacionada a alterações celulares internas.

    Leucemia pode afetar outros órgãos?

    As células leucêmicas circulam pelo sangue e podem se acumular em órgãos como baço, fígado e linfonodos, causando aumento de volume e desconforto. As complicações também podem ocorrer em razão de infecções ou sangramentos.

    Atividade física é permitida durante o tratamento de leucemia?

    A atividade física leve a moderada pode ser benéfica, desde que liberada pelo médico. Exercícios ajudam na recuperação, no controle do cansaço e no bem-estar emocional, respeitando sempre as limitações individuais.

    Quando procurar um médico por suspeita de leucemia?

    A procura por avaliação médica é indicada diante de sintomas persistentes como cansaço intenso, febre sem causa aparente, sangramentos frequentes, manchas roxas, infecções recorrentes ou alterações em exames de sangue de rotina.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Câncer agressivo: o que significa e quais fatores determinam

    Câncer agressivo: o que significa e quais fatores determinam

    Quando o assunto é câncer agressivo, é comum associar o termo a uma sentença definitiva — algo que não pode ser controlado. No entanto, na medicina, a expressão tem um significado mais técnico e precisa ser entendida com calma.

    O termo “agressivo” não quer dizer, necessariamente, que o câncer não tem tratamento, mas sim que apresenta um comportamento biológico mais rápido e imprevisível do que outros tipos.

    Para entender como ele é caracterizado e quais fatores determinam esse perfil, conversamos com o oncologista Thiago Chadid. Confira!

    O que define um “câncer agressivo”?

    Na oncologia, dizer que um câncer é “agressivo” significa que o tumor cresce rápido e se espalha com facilidade, de acordo com Thiago. Em termos simples, as células cancerígenas se dividem e se espalham rapidamente, invadindo tecidos vizinhos e, em alguns casos, alcançando outras partes do corpo (metástase) em menos tempo do que o esperado.

    A agressividade está relacionada à biologia do tumor, que pode variar bastante de um paciente para outro. Alguns tumores crescem de forma lenta, permanecendo localizados por meses ou anos, enquanto outros apresentam comportamento acelerado, mesmo em estágios iniciais.

    A análise da agressividade é feita por meio de exames histopatológicos e moleculares, que permitem observar características como:

    • Taxa de proliferação celular (Índice Ki-67): o Ki-67 é uma proteína presente em células de divisão. Um índice Ki-67 elevado indica que as células estão se multiplicando rapidamente, o que normalmente está associado a tumores mais agressivos;
    • Grau histológico: avalia o quanto as células cancerosas se diferenciam das células normais do tecido de origem. Um grau baixo (bem diferenciado) aponta que as células se parecem mais com as normais e o tumor tende a ser menos agressivo. Já um grau alto (pouco ou indiferenciado) indica que células são muito anormais e o tumor tende a ser mais agressivo;
    • Presença de mutações genéticas: análises moleculares identificam alterações no DNA que podem conferir ao tumor características de maior agressividade, como um crescimento acelerado ou resistência a certos tratamentos;
    • Marcadores tumorais específicos: incluem proteínas ou outras substâncias que podem ser medidas e que fornecem informações prognósticas (como o futuro da doença) e preditivas (como o tumor responderá a um tratamento específico). Exemplos incluem os receptores hormonais (como estrogênio e progesterona) e o HER2 no câncer de mama, que influenciam diretamente o plano de tratamento.

    Thiago ainda ressalta que agressividade é diferente de estágio. Um tumor pode ser biologicamente agressivo e, mesmo assim, ter ótimo prognóstico se for diagnosticado em fase inicial. Por outro lado, um tumor com baixo grau de agressividade pode ter prognóstico ruim caso seja diagnosticado em estágio avançado, com metástase ou invasão extensa.

    A agressividade está ligada ao tamanho do tumor?

    A agressividade nem sempre está associada ao tamanho do tumor, afinal um pequeno pode ser altamente agressivo, enquanto outro, grande, pode crescer lentamente e não apresentar risco imediato de metástase.

    O tamanho do tumor é apenas um dos critérios avaliados no estadiamento do câncer. O que realmente define a agressividade é o comportamento biológico — isto é, como as células se multiplicam, interagem e resistem ao tratamento.

    Vamos a um exemplo:

    • Um câncer de mama triplo negativo tende a ser mais agressivo, mesmo que detectado em tamanho reduzido;
    • Já alguns cânceres de próstata podem permanecer indolentes (sem sintomas e com crescimento lento) por anos, sem necessidade de intervenção imediata.

    Portanto, a avaliação da agressividade depende de uma combinação de fatores clínicos, laboratoriais e genéticos, e não apenas das dimensões do tumor.

    Quais tipos de câncer são considerados mais agressivos?

    Cada tipo de câncer tem suas particularidades, e até dentro de uma mesma categoria há variações no comportamento. Alguns evoluem devagar e permanecem controlados por muito tempo, enquanto outros se desenvolvem de forma acelerada e tendem a se espalhar com mais facilidade.

    Entre os que costumam ter uma progressão mais rápida e maior risco de metástase, é possível apontar:

    • Câncer de pâncreas: costuma ser diagnosticado tardiamente, pois no início provoca poucos sintomas. É um dos tumores com maior capacidade de invadir tecidos vizinhos e de formar metástases precoces;
    • Câncer de pulmão de pequenas células: apresenta multiplicação acelerada das células e alto risco de se espalhar para outros órgãos logo nas fases iniciais, exigindo tratamento intensivo;
    • Câncer de fígado (hepatocarcinoma): tende a evoluir de forma rápida, especialmente em pessoas com doenças hepáticas crônicas, como cirrose ou hepatite viral;
    • Câncer de mama triplo negativo: por não ter receptores hormonais nem a proteína HER2, responde menos a terapias específicas e costuma crescer de forma mais veloz, exigindo quimioterapia como base do tratamento;
    • Leucemias agudas: provocam uma produção descontrolada de células imaturas na medula óssea, comprometendo rapidamente a formação normal do sangue e exigindo início imediato do tratamento;
    • Glioblastoma multiforme: é um tumor cerebral de crescimento rápido, com alto risco de reaparecimento mesmo após cirurgia e tratamento complementar.

    Um câncer agressivo é sinônimo de incurável?

    O diagnóstico de um câncer agressivo não significa ausência de cura. Na prática, ele indica apenas que o tumor cresce e se espalha mais rápido, exigindo um tratamento ágil e bem direcionado. Isso não elimina as chances de controle ou cura, apenas torna o acompanhamento mais intenso.

    Com o avanço da medicina oncológica, existem diversas formas eficazes de combater tumores agressivos, de acordo com o tipo e o estágio da doença, como:

    • Quimioterapia combinada: utiliza diferentes medicamentos para atingir as células cancerígenas em várias fases do ciclo celular, ajudando a desacelerar ou interromper sua multiplicação. É uma das principais estratégias para tumores de crescimento rápido;
    • Terapias-alvo: agem de forma precisa sobre mutações específicas que alimentam o crescimento do tumor, bloqueando os mecanismos que permitem que ele se desenvolva e se espalhe;
    • Imunoterapia: estimula e fortalece o sistema imunológico do paciente, permitindo que o próprio corpo reconheça e destrua as células cancerígenas de forma mais eficiente;
    • Radioterapia: utiliza doses controladas de radiação para destruir células tumorais em áreas localizadas, reduzindo o risco de recidiva. Pode ser usada antes ou depois da cirurgia, ou associada a outros tratamentos;
    • Cirurgia oncológica: busca remover completamente o tumor e os tecidos afetados, quando isso é possível e seguro. Ela costuma ser combinada a outras terapias para garantir melhor resultado e prevenir o retorno da doença.

    Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento contínuo, mesmo um câncer classificado como agressivo pode ser controlado e ter um bom prognóstico.

    Como saber se o câncer está avançando rapidamente?

    Os sintomas variam conforme o tipo de câncer, mas alguns sinais podem indicar avanço rápido:

    • Crescimento visível de nódulos ou massas;
    • Dor persistente e de difícil controle;
    • Perda de peso involuntária;
    • Cansaço extremo;
    • Febre sem causa aparente;
    • Alterações em exames de sangue ou imagem em curto intervalo.

    Os indícios não confirmam sozinhos a agressividade, mas exigem avaliação médica imediata.

    O papel do diagnóstico precoce

    Independentemente do tipo ou da agressividade do câncer, o diagnóstico precoce é o fator que mais influencia no sucesso do tratamento. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controle e de cura.

    Manter os exames em dia, observar sintomas que persistem e conhecer o histórico familiar são atitudes que fazem diferença. Programas de rastreamento, como mamografia, exame de próstata, colonoscopia e Papanicolau, permitem detectar alterações ainda no início, antes que se tornem invasivas ou causem sintomas.

    Por isso, mantenha sempre os exames de rotina em dia e procure atendimento médico ao notar qualquer alteração no corpo que persista por mais de algumas semanas. Pequenas mudanças, como um nódulo, sangramento inesperado, perda de peso sem explicação ou dor contínua, devem ser investigadas.

    Leia também: Quais os principais fatores de risco para câncer?

    Perguntas frequentes

    Câncer agressivo é o mesmo que câncer avançado?

    Não! O termo “agressivo” se refere à velocidade com que o tumor cresce e se multiplica, enquanto “avançado” indica o estágio da doença, ou seja, o quanto ela se espalhou.

    Um câncer pode ser agressivo, mas estar em fase inicial, da mesma forma que um câncer de crescimento lento pode ser descoberto em estágio avançado. Assim, os dois conceitos são diferentes e exigem abordagens distintas.

    Todo câncer agressivo forma metástase?

    Nem sempre. Na verdade, apesar do câncer agressivo ter maior potencial para se espalhar, nem todos desenvolvem metástases — e isso depende da biologia do tumor, do tempo até o diagnóstico e da resposta ao tratamento.

    Quando a doença é identificada precocemente, é possível conter o avanço e evitar que as células afetem outros órgãos.

    Qual é a diferença entre prevenção e rastreamento do câncer?

    A prevenção significa adotar medidas para reduzir o risco de desenvolver a doença, como não fumar, manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas regularmente. Já o rastreamento consiste em realizar exames regulares em pessoas sem sintomas, com o objetivo de detectar o câncer em fases iniciais.

    Enquanto a prevenção atua para evitar o aparecimento da doença, o rastreamento possibilita o diagnóstico precoce, quando as chances de cura são muito maiores.

    É verdade que o câncer pode voltar depois de tratado?

    Sim, e isso é chamado de recidiva. Pode acontecer meses ou anos após o tratamento, dependendo do tipo de câncer, do estágio inicial e da resposta ao tratamento. Essa é uma das razões de que, mesmo após o fim do tratamento, o paciente deve manter um acompanhamento regular com um especialista.

    O que posso fazer hoje para reduzir meu risco de câncer no futuro?

    Adotar hábitos saudáveis no dia a dia é uma das melhores maneiras de prevenir o câncer e outras condições crônicas. Isso envolve medidas como:

    • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
    • Manter uma alimentação rica em frutas, legumes e grãos integrais;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Proteger-se do sol e usar sempre filtro solar;
    • Manter o peso adequado;
    • Realizar exames preventivos de acordo com a idade e o histórico de saúde, como mamografia e papanicolau;
    • Evitar a exposição a agentes cancerígenos no trabalho;
    • Manter o calendário vacinal atualizado.

    Os cuidados ajudam a reduzir significativamente o risco de desenvolver câncer, fortalecem o organismo e contribuem para uma vida mais saudável e equilibrada.

    Confira: Câncer de próstata: veja por que você precisa ficar de olho