Responsável pela erradicação ou controle significativo de diversas doenças infecciosas em todo o mundo, como poliomielite, sarampo e tétano, a vacinação é uma das maiores conquistas da saúde pública.
Por meio dela, milhões de vidas são protegidas todos os anos — reduzindo hospitalizações, complicações graves e mortes que antes faziam parte da rotina de muitas famílias.
Para se ter uma ideia, além de proteger quem recebe a vacina, a imunização também ajuda a proteger toda a comunidade. Quando muitas pessoas estão vacinadas, a circulação dos vírus e bactérias diminui, criando uma barreira coletiva que protege idosos, bebês e pessoas com o sistema imunológico mais fragilizado.
Atualmente, no Brasil, a política de vacinação é responsabilidade do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde.
O que são vacinas?
As vacinas são preparações biológicas desenvolvidas para ensinar o sistema imunológico a reconhecer e combater vírus e bactérias antes que provoquem doenças. Elas contêm partes dos microrganismos ou versões enfraquecidas e inativadas, suficientes para estimular a defesa do organismo sem causar a infecção.
Na prática, elas funcionam como uma espécie de treinamento para o organismo: ao serem aplicadas, as vacinas induzem a produção de anticorpos e células de memória sem causar a doença — garantindo que, em um eventual contato real com o microrganismo, o corpo consiga reagir de maneira eficaz.
Impacto das vacinas na saúde pública
Antes da vacinação em larga escala, doenças como varíola, poliomielite, sarampo e difteria causavam epidemias frequentes, altas taxas de mortalidade e sequelas permanentes. Muitas famílias conviviam com perdas evitáveis e com limitações de saúde que comprometiam a qualidade de vida por toda a vida.
Com a chegada das campanhas de imunização, milhões de vidas passaram a ser protegidas, o número de internações caiu e as pessoas começaram a viver mais e viver bem.
Além de proteger quem recebe a vacina, a vacinação também contribui para a proteção de toda a população. Ao reduzir a circulação de vírus e bactérias na população, elas criam uma proteção indireta que beneficia pessoas mais vulneráveis, como bebês, idosos e indivíduos com o sistema imunológico comprometido.
Como as vacinas funcionam no organismo?
As vacinas funcionam estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater agentes causadores de doenças antes que eles provoquem infecções graves.
Os imunizantes aproveitam um mecanismo natural de defesa do próprio organismo, preparando o corpo para reagir de forma rápida e eficiente em contatos futuros com vírus ou bactérias.
De forma simples, o processo acontece assim:
- O corpo está constantemente exposto a germes presentes no ambiente, como vírus e bactérias;
- A pele, as mucosas e as vias respiratórias atuam como barreiras iniciais, tentando impedir a entrada desses microrganismos;
- Quando um agente causador de doença consegue ultrapassar essas barreiras, o sistema imunológico entra em ação.
Cada microrganismo possui partes específicas, chamadas de antígenos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, quando o organismo entra em contato com um antígeno pela primeira vez, o sistema imunológico precisa de tempo para reconhecê-lo e produzir anticorpos. Durante esse período, a pessoa pode ficar doente.
As vacinas contêm versões enfraquecidas ou inativadas desses microrganismos, ou informações para que o próprio corpo produza o antígeno. A exposição não causa a doença, mas estimula o sistema imunológico a responder, produzindo anticorpos e células de memória.
Com isso, o organismo aprende a reconhecer o agente causador da doença, passa a produzir anticorpos específicos e mantém células de memória ativas, prontas para agir quando necessário.
Em um contato posterior com o microrganismo verdadeiro, a resposta do sistema imunológico ocorre de forma muito mais rápida e eficaz, evitando a doença ou reduzindo sua gravidade. Algumas vacinas exigem mais de uma dose para reforçar essa memória e garantir proteção duradoura.
Imunidade coletiva (ou de rebanho)
A imunidade coletiva acontece quando uma grande parte da população está vacinada contra uma determinada doença. Com isso, a circulação de vírus e bactérias diminui de forma significativa, dificultando a transmissão entre as pessoas.
Isso é especialmente importante para quem não pode ser vacinado, como bebês muito pequenos, pessoas com o sistema imunológico comprometido ou que apresentam alergias graves a componentes de algumas vacinas.
Quando a maioria está imunizada, o risco de exposição a agentes causadores de doenças se torna muito menor. E, apesar de nenhuma vacina oferecer proteção total, a imunidade coletiva reduz de maneira importante a ocorrência de surtos e epidemias.
Vacinas são seguras e eficazes!
Antes de serem oferecidas à população, todas as vacinas passam por testes rigorosos para garantir que sejam seguras e eficazes. Os testes incluem estudos clínicos realizados em várias etapas, e apenas as vacinas que cumprem padrões elevados de qualidade e segurança recebem autorização para uso.
As vacinas podem causar alguns efeitos leves e passageiros, como dor no local da aplicação, febre ou mal-estar. No entanto, eles costumam ser temporários e bem menos graves do que as doenças que elas ajudam a prevenir, que podem provocar complicações sérias, deixar sequelas e até levar à morte.
Como funciona o calendário vacinal no Brasil?
O calendário vacinal no Brasil é organizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e faz parte das ações do Sistema Único de Saúde, o SUS. Ele reúne as vacinas recomendadas para proteger a população ao longo de todas as fases da vida, desde o nascimento até a terceira idade.
Atualmente, o Calendário Nacional de Vacinação contempla 19 vacinas oferecidas gratuitamente na rede pública, que protegem contra diversas doenças graves e potencialmente fatais, como poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, coqueluche, hepatites, meningites e outras infecções importantes.
As vacinas incluem:
- BCG;
- Hepatite B;
- Pentavalente (Penta);
- Poliomielite inativada;
- Rotavírus;
- Pneumocócica 10-valente (Pneumo 10);
- Meningocócica C;
- Febre amarela;
- Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
- Tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela);
- DTP (difteria, tétano e coqueluche);
- Hepatite A;
- Varicela;
- Difteria e tétano adulto (dT);
- Meningocócica ACWY;
- HPV quadrivalente;
- dTpa;
- Covid-19;
- Pneumocócica 23-valente (Pneumo 23).
Além da vacinação de rotina, o Ministério da Saúde coordena campanhas nacionais ao longo do ano, em parceria com estados, municípios e o Distrito Federal.
Atualmente, são realizadas três principais campanhas de vacinação:
- Vacinação contra a Influenza, voltada especialmente para grupos prioritários;
- Campanha de multivacinação, que busca atualizar a caderneta de vacinação digital de crianças e adolescentes menores de 15 anos;
- Vacinação contra a COVID-19, que ocorre de forma contínua ao longo do ano.
O calendário é estruturado para atender diferentes grupos da população, incluindo recém-nascidos e crianças, adolescentes, adultos, gestantes e idosos.
Existem contraindicações para a vacinação?
Existem algumas contraindicações para a vacinação, mas elas são pouco frequentes. Na maioria dos casos, as vacinas podem ser aplicadas com segurança, desde que sejam seguidas as orientações do calendário vacinal e as recomendações dos profissionais de saúde.
As principais contraindicações ocorrem em casos específicos, como:
- Alergia grave (anafilaxia): pessoas que já tiveram uma reação alérgica grave após uma dose anterior da vacina ou a algum componente da fórmula, como gelatina, neomicina ou proteína do ovo, dependendo do tipo de vacina;
- Imunossupressão severa: pessoas com o sistema imunológico muito enfraquecido, como pacientes em quimioterapia pesada, não devem receber vacinas feitas com vírus vivos ou bactérias atenuadas, como febre amarela, tríplice viral e BCG, pois existe o risco de a própria vacina causar a doença.
Além disso, existem algumas contraindicações temporárias. Nesses casos, a vacinação não é cancelada, apenas adiada até que a situação esteja controlada:
- Doenças agudas com febre: quando há febre moderada ou alta, o recomendado é aguardar a recuperação antes da vacinação;
- Gestação: vacinas com vírus vivos costumam ser evitadas durante a gravidez, enquanto vacinas inativadas, como Influenza, Hepatite B e dTpa, são indicadas para proteger a gestante e o bebê.
O que NÃO é contraindicação
Muitas vezes, as pessoas deixam de se vacinar por motivos que não impedem a imunização, tais como:
- Uso de antibióticos ou pomadas tópicas;
- Resfriados leves ou coriza sem febre;
- Histórico familiar de eventos adversos;
- Alergias leves (que não causem anafilaxia);
- Fase de amamentação (com raríssimas exceções, como a vacina da febre amarela em bebês muito pequenos).
Antes de qualquer aplicação, os profissionais de saúde realizam uma triagem. É importante informar sobre o histórico de alergias e o uso de medicamentos contínuos.
Como está a cobertura vacinal no Brasil?
Após um período crítico entre 2016 e 2022, o Brasil voltou a registrar avanços na cobertura vacinal. De acordo com dados do Ministério da Saúde referentes ao primeiro semestre de 2025, houve aumento na cobertura de 15 das 16 principais vacinas do calendário nacional de imunização infantil.
Isso é resultado especialmente da estratégia de vacinação nas escolas (implementada em cerca de 74% dos municípios brasileiros), que ajudou a aplicar mais de 1 milhão de doses em crianças e adolescentes ao longo de 2025.
Mas, apesar dos números estarem subindo, muitas vacinas que precisam de múltiplas doses (como a da poliomielite) ainda estão abaixo da meta de 95%. Na prática, isso significa que a proteção coletiva ainda não está completa, o que aumenta o risco de doenças que já estavam controladas voltarem a circular, como o sarampo.
Como se vacinar?
Você pode se vacinar gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde em todo o país, basta procurar uma unidade de saúde e levar o cartão de vacinação.
As UBS oferecem vacinas para todas as idades, acompanhando o calendário vacinal desde a infância até a vida adulta e a fase idosa, garantindo proteção ao longo de toda a vida.
Importante: a ausência do cartão de vacinação não impede que você seja vacinado. No entanto, é importante informar ao profissional de saúde quais vacinas você lembra de ter tomado e, sempre que possível, procurar atualizar o cartão para facilitar o acompanhamento das doses futuras e manter o controle adequado da vacinação.
Leia mais: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger
Perguntas frequentes
Vacinas podem causar efeitos colaterais?
Sim, algumas vacinas podem causar reações leves e temporárias, como dor no local da aplicação, febre baixa ou mal-estar. Os efeitos costumam passar em poucos dias, e reações graves são muito raras. O risco das doenças é muito maior do que o das vacinas.
O mercúrio contido nas vacinas faz mal à saúde?
Não. Em algumas vacinas, um derivado do mercúrio foi utilizado como conservante em frascos com várias doses, com a função de impedir a contaminação por bactérias e fungos após a abertura do frasco. As quantidades usadas sempre foram muito pequenas e controladas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, esse tipo de mercúrio não se acumula no organismo e é eliminado rapidamente pelo corpo. Por isso, o uso foi considerado seguro, sem evidências de danos à saúde nas doses presentes nas vacinas.
Uma vacina pode fazer o bebê ficar doente?
Não, as vacinas não causam a doença que previnem. O que pode acontecer é o bebê ter reações leves, como febre ou irritação, que tendem a desaparecer em poucos dias.
Tomar a mesma vacina duas vezes faz mal?
Não! Se você não tem certeza sobre quais vacinas já foram tomadas ou quando a caderneta de vacinação foi perdida, o mais indicado é procurar uma unidade de saúde. No local, a equipe de vacinação avalia a situação e orienta sobre quais doses são necessárias.
Quais são as doenças que as vacinas previnem?
As vacinas ajudam a prevenir diversas doenças, como sarampo, poliomielite, rubéola, tétano, coqueluche, hepatites, meningites, febre amarela, varicela, gripe, covid-19, entre outras infecções graves.
Vacinas enfraquecem o sistema imunológico?
Não, as vacinas fortalecem o sistema imunológico, pois ensinam o corpo a se defender melhor contra vírus e bactérias.
Vacinas causam autismo?
Não, isso é um mito! Não existe comprovação científica que relacione vacinas ao autismo.
É seguro tomar mais de uma vacina no mesmo dia?
Sim, é seguro e recomendado tomar mais de uma vacina no mesmo dia, pois isso ajuda a manter a carteira de vacinação em dia.
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