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  • Dormir de cabelo molhado: dá gripe, mofa o travesseiro ou quebra o fio? 

    Dormir de cabelo molhado: dá gripe, mofa o travesseiro ou quebra o fio? 

    Se você costuma lavar o cabelo à noite, provavelmente já foi dormir alguma vez sem esperar os fios secarem completamente. A falta de tempo, o cansaço ou até o hábito podem fazer com que o cabelo molhado vá direto para o travesseiro. Mas será que a prática realmente faz mal?

    Quando você deita com o cabelo ainda úmido, os fios permanecem em contato com o travesseiro durante várias horas, o que pode criar condições favoráveis para alguns microrganismos e piorar problemas dermatológicos em pessoas predispostas. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, dormir de cabelo molhado faz mal?

    Se o hábito é frequente, dormir com o cabelo molhado pode prejudicar os fios e favorecer alguns problemas no couro cabeludo. Ao se deitar com o cabelo ainda úmido, os fios ficam em contato com o travesseiro por várias horas durante o sono.

    A combinação de umidade, calor e pouca ventilação pode favorecer a proliferação de alguns microrganismos. Para completar, o cabelo molhado fica mais vulnerável aos danos provocados pelo atrito com a fronha.

    Com o tempo, o hábito pode contribuir para a quebra dos fios, o surgimento de pontas duplas e o aumento do frizz. Em pessoas que já apresentam problemas no couro cabeludo, como a dermatite seborreica, permanecer com a região úmida por muito tempo também pode piorar sintomas como coceira, vermelhidão e descamação.

    Mito ou verdade: dormir de cabelo molhado causa gripe ou resfriado?

    É um mito! A gripe e o resfriado são infecções respiratórias causadas por vírus. A gripe é provocada pelos vírus influenza, enquanto diferentes tipos de vírus podem causar resfriados, incluindo os rinovírus.

    Para desenvolver uma infecção respiratória, é necessário entrar em contato com o vírus responsável. O cabelo molhado, sozinho, não causa a doença.

    A confusão pode acontecer porque dormir com os fios úmidos pode causar uma sensação desagradável de frio, principalmente em ambientes com temperaturas mais baixas.

    Além disso, manter o travesseiro constantemente úmido pode favorecer a presença de ácaros e fungos. Para quem sofre com rinite alérgica ou asma, a exposição aos alérgenos pode contribuir para sintomas como espirros, congestão nasal e tosse, que tendem a ser confundidos com um resfriado.

    O cabelo molhado pode favorecer fungos no travesseiro e no couro cabeludo?

    Durante a noite, parte da água presente nos fios passa para a fronha e para o travesseiro. Quando a situação ocorre com frequência e o material não seca adequadamente, a umidade pode criar condições favoráveis para a proliferação de fungos e outros microrganismos.

    No couro cabeludo, permanecer com a região úmida e abafada por várias horas também pode favorecer problemas em pessoas predispostas, principalmente quando já existe alguma condição dermatológica.

    Um exemplo é a dermatite seborreica, problema relacionado a vários fatores, incluindo a ação do fungo Malassezia, que vive naturalmente na pele. A doença pode causar descamação, coceira, vermelhidão e oleosidade no couro cabeludo.

    Por outro lado, dormir com o cabelo molhado, sozinho, não causa micose no couro cabeludo. A tinha do couro cabeludo (tinea capitis), por exemplo, é uma infecção causada por fungos dermatófitos e ocorre após o contato com o agente causador.

    Dormir de cabelo molhado quebra ou danifica os fios?

    A resposta é sim, pois o cabelo fica mais vulnerável quando está molhado, o que aumenta a possibilidade de danos mecânicos.

    A água provoca mudanças temporárias na estrutura do fio e faz com que ele fique mais inchado e elástico. Quando ele é puxado, penteado ou submetido ao atrito, pode sofrer danos com maior facilidade.

    Durante o sono, a pessoa muda de posição várias vezes e o cabelo entra constantemente em contato com a fronha. O atrito pode favorecer:

    • Quebra dos fios;
    • Formação de pontas duplas;
    • Aumento do frizz;
    • Desgaste da cutícula, camada mais externa do fio;
    • Aparência mais ressecada e sem brilho.

    O risco tende a ser maior quando o hábito é frequente ou quando o cabelo já está fragilizado por descoloração, tintura, alisamento ou uso excessivo de fontes de calor.

    Dormir de cabelo molhado piora das alergias respiratórias?

    O hábito pode piorar os sintomas de alergias respiratórias em algumas pessoas, mas não porque o cabelo molhado cause alergia diretamente.

    Na verdade, a umidade no cabelo e no travesseiro favorecem a presença e a proliferação de fungos e ácaros, que contribuem para sintomas como espirros, nariz entupido, coriza, coceira no nariz e tosse, principalmente em quem já convive com rinite alérgica ou asma.

    O que fazer se não der para secar o cabelo antes de dormir?

    Se você não tiver tempo para secar o cabelo, algumas medidas ajudam a diminuir a umidade e os danos aos fios, como:

    • Retire o excesso de água com uma toalha: antes de usar o secador ou deixar o cabelo terminar de secar naturalmente, pressione a toalha delicadamente sobre os fios para retirar o excesso de água. Evite esfregar ou torcer o cabelo, pois os fios ficam mais frágeis quando estão molhados e podem quebrar com maior facilidade;
    • Prefira uma toalha de microfibra: o material absorve bem a água e gera menos atrito nos fios. A toalha de microfibra também pode ajudar a diminuir o frizz e os danos provocados pela fricção durante a secagem;
    • Use o secador: quando não houver tempo para esperar a secagem natural, o secador pode ser uma boa alternativa. Prefira temperaturas mornas ou frias e evite manter o aparelho muito próximo do couro cabeludo ou parado por muito tempo na mesma região;
    • Aplique um protetor térmico: se for usar o secador com ar quente, passe um protetor térmico antes da secagem. O produto forma uma camada de proteção nos fios e ajuda a diminuir os danos provocados pela exposição ao calor;
    • Evite prender o cabelo molhado: fazer coque, rabo de cavalo ou trança enquanto os fios ainda estão úmidos pode aumentar a tensão sobre a fibra capilar e favorecer a quebra. O ideal é esperar o cabelo secar antes de prender;
    • Mantenha o travesseiro seco e higienizado: se a fronha ou o travesseiro ficarem úmidos, deixe-os secar completamente antes de usá-los novamente. Também é importante trocar e lavar a fronha regularmente para evitar o acúmulo de suor, oleosidade, células mortas e microrganismos.

    As fronhas de cetim ou seda também podem diminuir o atrito com os fios durante o sono, mas trocar o tecido da fronha não elimina os possíveis problemas relacionados à umidade. O ideal continua sendo dormir com o cabelo seco ou retirar o máximo possível de água antes de se deitar.

    Quando procurar um dermatologista?

    Vale procurar um dermatologista quando surgirem alterações persistentes ou intensas no couro cabeludo, como:

    • Coceira forte ou que não melhora;
    • Descamação intensa;
    • Vermelhidão ou ardência;
    • Feridas ou crostas no couro cabeludo;
    • Bolinhas com pus;
    • Áreas com falhas no cabelo;
    • Queda de cabelo acima do habitual;
    • Dor ou sensibilidade no couro cabeludo.

    O dermatologista poderá avaliar a causa dos sintomas e indicar o tratamento adequado. Dependendo do diagnóstico, podem ser recomendados xampus específicos, medicamentos antifúngicos, antibióticos ou outros tratamentos.

    Veja também: Queda de cabelo: o que causa e quando é preocupante?

    Perguntas frequentes

    1. Pode dormir de cabelo úmido ou precisa estar 100% seco?

    O ideal é que esteja 100% seco. Mesmo levemente úmido, o abafamento contra o travesseiro já é suficiente para enfraquecer o fio e criar fungos.

    2. Secar com secador antes de dormir faz menos mal do que dormir molhado?

    Sim, o secador é muito menos prejudicial. Usando protetor térmico e ar morno ou frio, você evita o risco de micoses e a quebra por atrito.

    3. Dormir de touca de cetim com o cabelo molhado resolve o problema?

    Não. A touca vai abafar ainda mais a umidade na raiz, acelerando a proliferação de fungos e bactérias.

    4. Quantas vezes por semana o travesseiro deve ser trocado se eu dormir de cabelo molhado?

    Se isso acontecer com frequência, a fronha deve ser trocada diariamente e o travesseiro deve ser higienizado ou exposto ao sol regularmente.

    5. Lavar o cabelo à noite sempre faz mal?

    Não, desde que você seque completamente os fios e o couro cabeludo antes de se deitar.

    6. Qual é o tempo mínimo que devo esperar entre lavar o cabelo e ir dormir?

    O tempo varia conforme o volume do cabelo, mas o recomendado é lavar pelo menos 2 a 3 horas antes de se deitar caso vá secar ao natural.

    7. A umidade do cabelo pode causar espinhas na pele do rosto?

    Sim, a umidade transferida para a fronha facilita o acúmulo de bactérias que, em contato com o rosto à noite, podem obstruir os poros e piorar a acne.

    Leia mais: Alopecia: como tratar e prevenir a queda de cabelo