Seja para tratar infecções ou doenças crônicas, os medicamentos fazem parte do dia a dia e ajudam a melhorar a saúde e o bem-estar, desde que usados da forma certa e com orientação de um profissional.
O problema é que diversas pessoas utilizam os remédios como uma solução rápida para qualquer dor, febre ou mal-estar. Com isso, os riscos do uso errado acabam sendo ignorados, o que favorece a automedicação, um hábito cada vez mais comum no Brasil.
De acordo com uma pesquisa do Datafolha, 77% dos brasileiros costuma tomar remédios sem orientação médica, sendo que quase metade faz isso pelo menos uma vez por mês.
Para completar, cerca de um quarto dos brasileiros se automedica com frequência ainda maior, chegando a usar medicamentos todos os dias ou ao menos uma vez por semana.
Afinal, o que é automedicação?
A automedicação é o hábito de usar remédios por conta própria, sem orientação de um médico ou outro profissional de saúde. Isso inclui:
- Tomar medicamentos indicados por amigos ou familiares;
- Reaproveitar receitas antigas;
- Tomar sobras de tratamentos anteriores;
- Escolher o remédio apenas com base nos sintomas.
No Brasil, cerca de 35% dos medicamentos são adquiridos nas farmácias por pessoas que estão se automedicando, o que aumenta os riscos de efeitos colaterais, erros no tratamento e problemas mais graves para a saúde.
Quais são os riscos da automedicação?
Usar remédios sem orientação profissional pode causar problemas imediatos e também consequências a longo prazo, como:
1. Reações alérgicas
Alguns medicamentos podem provocar reações alérgicas inesperadas, mesmo em pessoas que nunca tiveram alergia antes. Em casos mais graves, as reações podem colocar a vida em risco. Os sintomas mais comuns incluem:
- Coceira na pele;
- Vermelhidão ou manchas;
- Inchaço nos lábios, olhos ou rosto;
- Falta de ar ou dificuldade para respirar;
- Chiado no peito;
- Tontura ou sensação de desmaio.
2. Resistência aos remédios
A resistência medicamentosa é quando micro-organismos, como bactérias, vírus, fungos ou parasitas, deixam de responder aos medicamentos usados para combatê-los. Com isso, remédios que antes funcionavam passam a ter pouco ou nenhum efeito, dificultando o tratamento das doenças.
O problema surge, principalmente, pelo uso incorreto dos medicamentos, como automedicação, doses erradas, interrupção do tratamento antes do tempo indicado ou uso sem necessidade.
A resistência medicamentosa torna as infecções mais difíceis de tratar e representa um risco sério para a saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
3. Intoxicação
O uso de doses maiores do que o recomendado ou a combinação de vários medicamentos sem orientação pode causar intoxicação — o que sobrecarrega órgãos como fígado e rins e pode causar sintomas como náuseas, vômitos, confusão mental e, em casos graves, falência de órgãos.
4. Dependência
Alguns medicamentos, principalmente analgésicos, calmantes e relaxantes musculares, podem causar dependência quando usados com frequência. Com o tempo, a pessoa passa a precisar de doses maiores para obter o mesmo efeito, o que aumenta ainda mais os riscos.
5. Interação medicamentosa
A interação medicamentosa acontece quando dois ou mais remédios são usados ao mesmo tempo e interferem um no efeito do outro. Isso pode reduzir a eficácia do tratamento ou aumentar o risco de efeitos colaterais e reações adversas.
6. Efeitos colaterais intensos
Sem orientação médica, os efeitos adversos podem ser mais frequentes e intensos, como:
- Náuseas e vômitos;
- Dor no estômago ou queimação;
- Diarreia ou constipação;
- Tontura e dor de cabeça;
- Sonolência excessiva ou agitação;
- Aumento da pressão arterial;
- Alterações no ritmo do coração;
- Cansaço intenso;
- Irritação na pele ou coceira.
7. Agravamento do quadro
O uso de um remédio inadequado pode piorar a doença em vez de ajudar. Quando o remédio não é indicado para o problema, os sintomas tendem a aumentar, a infecção pode avançar e o estado de saúde pode se tornar mais sério.
Para completar, a automedicação pode atrasar o início do tratamento correto, fazendo com que a doença avance sem controle. Isso torna a recuperação mais lenta, exige tratamentos mais complexos e aumenta o risco de complicações, internações e danos à saúde.
O que deve ser evitado?
Independentemente do medicamento, o uso precisa ser feito com cuidado e responsabilidade. Por isso, é importante evitar algumas atitudes no dia a dia:
- Uso de remédios indicados por amigos, familiares ou vizinhos;
- Reaproveitamento de receitas antigas ou sobras de tratamentos anteriores;
- Alteração da dose por conta própria;
- Mistura de medicamentos sem orientação profissional;
- Uso de antibióticos para tratar gripe, resfriado ou outras viroses;
- Ignorar efeitos colaterais ou reações adversas;
- Armazenamento e compartilhamento de antibióticos.
Vale destacar que, durante um tratamento, o uso dos medicamentos não deve ser interrompido antes do tempo indicado, mesmo que os sintomas melhorem. Isso pode impedir a cura, fazer a doença voltar e aumentar o risco de resistência aos remédios, principalmente aos antibióticos.
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Perguntas frequentes
Automedicação pode causar dependência emocional?
Sim, algumas pessoas passam a usar medicamentos sempre que sentem desconforto, criando uma dependência psicológica e dificultando outras formas de cuidado com a saúde.
Medicamentos naturais também oferecem riscos?
Sim. Os produtos naturais, chás e fitoterápicos também têm substâncias ativas que podem causar efeitos colaterais, interações e contraindicações, especialmente quando usados sem orientação.
Remédios vencidos ainda funcionam?
Os remédios vencidos podem perder eficácia ou se tornar perigosos. O uso pode não tratar a doença e ainda causar reações adversas.
Qual o risco de misturar remédio com álcool?
O álcool pode reduzir o efeito do medicamento ou aumentar seus efeitos colaterais, afetando o fígado, o sistema nervoso e o coração.
Por que seguir horários de remédios é tão importante?
Os horários mantêm a quantidade certa do medicamento no organismo. Atrasos ou esquecimentos reduzem a eficácia do tratamento.
Como identificar que um medicamento não está funcionando?
Quando os sintomas persistem, pioram ou surgem novos sinais após o início do uso, é importante procurar orientação profissional para reavaliar o tratamento.
Como reduzir o hábito da automedicação?
Buscar orientação profissional, evitar estoques de medicamentos em casa e entender que nem todo sintoma exige remédio são passos importantes para reduzir esse hábito.
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