Quando bem indicados, os antidepressivos são importantes para o tratamento de transtornos como depressão e ansiedade, mas como qualquer medicamento, eles não estão livres de efeitos colaterais.
Um dos mais comuns é a perda de libido, que costuma se manifestar como dificuldade para sentir excitação, atraso ou ausência do orgasmo e, em alguns casos, dificuldade de ereção ou de lubrificação vaginal.
Apesar do desconforto no dia a dia, você não deve interromper o uso do medicamento por conta própria. O mais indicado é conversar com o médico responsável pelo tratamento para avaliar a situação e buscar alternativas.
Como os antidepressivos afetam a função sexual?
A maioria dos antidepressivos aumenta os níveis de serotonina no cérebro, uma substância que ajuda a regular o humor e promove a sensação de bem-estar. Em algumas pessoas, o aumento pode diminuir a ação da dopamina e da noradrenalina, neurotransmissores importantes para o desejo, a excitação e o prazer sexual.
Como consequência, podem surgir alterações como:
1. Redução da libido
Com a diminuição da atividade da dopamina, o cérebro pode apresentar mais dificuldade para despertar o interesse sexual e a sensação de prazer, o que leva à queda do desejo.
2. Alteração da resposta física ao estímulo sexual
O equilíbrio entre os neurotransmissores também influencia a resposta dos órgãos genitais, de modo que algumas mulheres podem apresentar redução da lubrificação vaginal, enquanto alguns homens podem ter mais dificuldade para obter ou manter a ereção.
3. Dificuldade para atingir o orgasmo
Os antidepressivos podem tornar mais lenta a comunicação entre os circuitos cerebrais envolvidos na resposta sexual. Por isso, a pessoa pode precisar de mais estímulo e mais tempo para atingir o orgasmo ou, em alguns casos, não conseguir alcançá-lo.
Principais sintomas de disfunção sexual por antidepressivos
A disfunção sexual relacionada ao uso de antidepressivos pode causar:
- Diminuição da libido ou perda do interesse sexual;
- Menor frequência de pensamentos e fantasias sexuais;
- Dificuldade para sentir excitação durante o contato íntimo;
- Redução da sensibilidade nos órgãos genitais;
- Diminuição da lubrificação vaginal;
- Dificuldade para obter ou manter a ereção;
- Atraso para atingir o orgasmo;
- Incapacidade de alcançar o orgasmo;
- Orgasmos menos intensos ou menos prazerosos;
- Sensação de desconexão emocional durante a atividade sexual.
“Muitas vezes o companheiro ou a companheira podem começar a imaginar coisas que não têm nada a ver: ‘Será que ele ou ela perdeu o desejo por mim?’, ‘Será que ele não se interessa mais?’, ‘Será que está acontecendo alguma coisa de errado com o meu corpo?’. E não é nada disso”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann.
Quais antidepressivos causam mais perda de libido?
Segundo o especialista, diversos antidepressivos podem causar alterações na função sexual, como diminuição da libido e dificuldade para atingir o orgasmo, tanto em homens quanto em mulheres.
No entanto, os efeitos não ocorrem em todos os pacientes e podem variar de acordo com o medicamento, a dose utilizada e as características individuais de cada pessoa.
As classes de medicamentos mais frequentemente associadas aos efeitos colaterais são os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), como fluoxetina, sertralina e escitalopram, e os Antidepressivos Tricíclicos (ADT), como amitriptilina e clomipramina.
O que fazer para melhorar a libido durante o tratamento?
Se você está convivendo com a perda de libido durante o tratamento, o primeiro passo é perder a vergonha e contar ao médico na próxima consulta. O psiquiatra pode, dependendo do caso, trocar o medicamento, ajustar a dose ou até associar outro remédio para amenizar o efeito colateral.
Ao mesmo tempo, também vale a pena adotar hábitos que favorecem a saúde física e emocional, como:
- Praticar atividade física regularmente: exercícios ajudam a melhorar a circulação sanguínea, aumentam a disposição e estimulam a liberação de substâncias relacionadas ao prazer e ao bem-estar, o que pode favorecer a libido;
- Manter uma boa rotina de sono: dormir entre sete e nove horas por noite contribui para o equilíbrio hormonal, reduz o cansaço e melhora a energia física e mental necessária para o interesse sexual;
- Controlar os níveis de estresse: técnicas de relaxamento, momentos de lazer e atividades prazerosas ajudam a diminuir a produção de cortisol, hormônio que, quando está elevado por longos períodos, pode reduzir o desejo sexual;
- Investir em uma alimentação equilibrada: uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, proteínas magras e gorduras saudáveis contribui para a saúde cardiovascular e hormonal, fatores importantes para a libido e para a resposta sexual.
Importante: nunca interrompa o tratamento por conta própria. Além de aumentar o risco de recaída da depressão ou da ansiedade, a sensação de suspensão repentina pode causar sintomas de abstinência e outros desconfortos. Qualquer mudança deve ser feita apenas com orientação médica.
A libido volta ao normal depois de parar o antidepressivo?
Na maioria dos casos, a libido tende a voltar ao normal após o término do tratamento e a eliminação do medicamento do organismo. Como as alterações na função sexual geralmente estão relacionadas à ação do antidepressivo sobre os neurotransmissores cerebrais, o desejo sexual e as respostas físicas costumam melhorar gradualmente após a suspensão da medicação.
O tempo para a recuperação varia de pessoa para pessoa, mas costuma levar de 2 a 4 semanas após a última dose.
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Perguntas frequentes
1. Qual médico devo procurar se tiver problemas sexuais com o remédio?
O próprio médico psiquiatra que receitou o antidepressivo é a pessoa ideal para avaliar a situação e ajustar a medicação.
2. Quanto tempo depois de começar o remédio a libido cai?
Normalmente, as alterações na função sexual começam a aparecer entre as primeiras 2 a 6 semanas de uso, que é o período em que o medicamento atinge sua concentração ideal no organismo.
3. Por que sinto menos sensibilidade nos órgãos genitais?
O excesso de serotonina causado pelo remédio altera os receptores nervosos periféricos, o que pode anestesiar levemente a sensibilidade física da região pélvica e genital.
4. O que é a anorgasmia causada por antidepressivos?
É a grande dificuldade ou a incapacidade total de atingir o orgasmo, mesmo que haja disposição física e excitação adequados.
5. O uso de lubrificante é indicado nesses casos?
Sim. Como os antidepressivos reduzem a lubrificação natural das mulheres, o uso de lubrificantes à base de água reduz o desconforto e facilita a relação.
6. Se eu reduzir a dose do remédio por conta própria a libido volta mais rápido?
Não faça isso. Diminuir a dose por conta própria não garante a volta imediata da libido e coloca você em alto risco de sofrer recaídas graves do seu transtorno psicológico.
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