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  • Pílula do dia seguinte: o que é, como funciona e por que ela não deve ser rotina

    Pílula do dia seguinte: o que é, como funciona e por que ela não deve ser rotina

    Você já ficou preocupada depois de uma relação sexual desprotegida ou de perceber que o método anticoncepcional falhou? A pílula do dia seguinte costuma ser uma das primeiras alternativas para reduzir o risco de gravidez, sendo um método de contracepção desenvolvido para situações específicas.

    Ele funciona principalmente atrasando ou impedindo a ovulação, dificultando o encontro entre o óvulo e o espermatozoide. Para que tenha a maior eficácia possível, o medicamento deve ser tomado o quanto antes após a relação sexual desprotegida, já que o efeito diminui com o passar das horas.

    Ainda assim, a pílula do dia seguinte não deve ser usada como um método anticoncepcional de rotina, porque oferece uma proteção menor do que outros métodos, como a pílula anticoncepcional, o DIU e o implante contraceptivo.

    O que é a pílula do dia seguinte?

    A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência indicado para evitar uma gestação indesejada após uma relação sexual desprotegida, falha do método habitualmente utilizado, como o rompimento da camisinha ou o esquecimento do anticoncepcional oral.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andrei Sapienza, a pílula consiste em uma alta dose concentrada de progesterona sintetizada, como o levonorgestrel, administrada em uma única dose. A principal ação da pílula é impedir ou atrasar a ovulação, evitando que o óvulo seja liberado pelo ovário e possa ser fecundado pelo espermatozoide.

    A eficácia depende do momento do ciclo menstrual em que a mulher toma o medicamento. Quando a ovulação já ocorreu, a pílula com levonorgestrel pode não conseguir evitar a gravidez.

    Como a pílula funciona?

    Para impedir a gravidez, a pílula do dia seguinte com levonorgestrel atua principalmente antes da ovulação:

    • Inibição ou atraso da ovulação: se a mulher ainda não ovulou no momento da relação sexual, a pílula impede ou adia a liberação do óvulo pelo ovário, fazendo com que não haja célula reprodutiva feminina disponível para o encontro com os espermatozoides;
    • Alteração do muco cervical: a pílula espessa o muco produzido no colo do útero, criando uma barreira física espessa que dificulta a mobilidade e a ascensão dos espermatozoides em direção à cavidade uterina;
    • Redução da mobilidade das tubas uterinas: o medicamento reduz o batimento ciliar no interior das tubas de Falópio, mecanismo responsável por transportar o óvulo até a cavidade uterina, desacelerando o processo e prejudicando o encontro das células reprodutivas;
    • Modificação do endométrio: ocorre uma alteração na parede interna do útero (endométrio), tornando o ambiente desfavorável para os processos iniciais da concepção.

    Andreia destaca que a pílula não interrompe uma gravidez já estabelecida e não impede o desenvolvimento de um embrião que já tenha sido implantado no útero. Logo, não é considerada um medicamento abortivo.

    Quando e como tomar corretamente?

    A pílula com levonorgestrel deve ser tomada o mais rápido possível após a relação sexual desprotegida. Quanto menor o intervalo entre a relação e o uso do medicamento, maior tende a ser a possibilidade de evitar a gravidez.

    O uso costuma ser recomendado preferencialmente nas primeiras 72 horas após a relação. O levonorgestrel ainda pode apresentar algum efeito quando utilizado mais tarde, mas a eficácia diminui com o passar do tempo.

    O comprimido pode ser ingerido com água e não precisa obrigatoriamente ser tomado junto com alimentos. Para quem costuma sentir náuseas, comer algo antes pode ajudar a diminuir o desconforto.

    Se ocorrer vômito poucas horas após a ingestão, pode ser necessário repetir a dose, pois o medicamento pode não ter sido completamente absorvido. Na situação, vale consultar a bula e buscar a orientação de um médico ou farmacêutico.

    Por que a pílula do dia seguinte não deve ser usada como método de rotina?

    A pílula do dia seguinte é uma opção segura para situações de emergência, mas não deve substituir os métodos contraceptivos usados regularmente, como o preservativo, o anticoncepcional oral, o DIU e o implante.

    1. A eficácia é menor do que a de outros métodos

    A pílula do dia seguinte apresenta maior eficácia quando é tomada o mais rápido possível após uma relação sexual desprotegida. Quanto mais tempo a mulher demora para usar o medicamento, menor tende a ser a proteção contra a gravidez.

    Um estudo publicado na revista científica The Lancet, com 1.955 mulheres, mostrou que a eficácia da contracepção de emergência varia de acordo com o intervalo entre a relação sexual e a tomada do medicamento:

    • até 12 horas: cerca de 99,5% de eficácia;
    • entre 13 e 24 horas: cerca de 95%;
    • entre 25 e 48 horas: cerca de 85%;
    • entre 49 e 72 horas: cerca de 58%.

    A eficácia também depende do momento do ciclo menstrual. A pílula com levonorgestrel atua principalmente atrasando ou impedindo a ovulação. Se a mulher estiver muito próxima de ovular ou se a ovulação já tiver ocorrido, a capacidade do medicamento de evitar a gravidez pode ser menor.

    2. Pode alterar o ciclo menstrual

    A pílula do dia seguinte contém uma dose de levonorgestrel capaz de interferir temporariamente no ciclo menstrual, de modo que a menstruação seguinte pode chegar alguns dias antes ou depois do esperado.

    Também podem ocorrer pequenos sangramentos fora do período menstrual. As alterações costumam ser passageiras e o ciclo tende a voltar ao padrão habitual.

    O uso repetido não causa infertilidade nem provoca danos permanentes ao ciclo menstrual. No entanto, recorrer frequentemente à contracepção de emergência pode tornar a data dos sangramentos menos previsível.

    3. Pode causar efeitos colaterais

    A pílula do dia seguinte costuma ser bem tolerada, mas pode provocar alguns efeitos colaterais após a ingestão, como:

    • Náusea e, em alguns casos, vômito;
    • Dor de cabeça;
    • Tontura;
    • Cansaço;
    • Dor ou desconforto abdominal;
    • Sensibilidade nas mamas;
    • Sangramento fora do período menstrual;
    • Alteração na data da próxima menstruação.

    Quando a necessidade de recorrer à contracepção de emergência se torna frequente, vale procurar um ginecologista para escolher uma opção mais adequada para prevenir a gravidez no dia a dia.

    Existem diferenças entre os tipos de pílula do dia seguinte?

    No Brasil, uma das opções mais conhecidas é o levonorgestrel, segundo Andreia. A dose recomendada para contracepção de emergência é de 1,5 mg, que pode ser encontrada em um único comprimido ou, dependendo da apresentação, dividida em dois comprimidos de 0,75 mg.

    Outro medicamento utilizado para a contracepção de emergência em alguns países é o acetato de ulipristal, que pode ser usado até 120 horas, ou cinco dias, após a relação sexual desprotegida. Ele não está disponível no Brasil.

    Quando fazer o teste de gravidez após tomar a pílula?

    A pílula do dia seguinte pode adiantar ou atrasar a próxima menstruação, então nem sempre a data esperada para o sangramento é suficiente para saber se o medicamento funcionou.

    Fazer um teste logo nos primeiros dias após a relação também pode apresentar um resultado negativo mesmo quando existe uma gravidez, pois o organismo ainda pode não ter produzido uma quantidade detectável do hormônio hCG.

    Uma orientação prática é realizar um teste de gravidez cerca de três semanas após a relação sexual desprotegida caso exista dúvida sobre a possibilidade de gestação. Também vale fazer o teste e procurar orientação médica quando a menstruação atrasar mais do que o habitual, principalmente se houver sintomas de gravidez.

    Perguntas frequentes

    1. Menores de idade podem comprar a pílula do dia seguinte sem receita?

    Sim. Não é necessária apresentação de receita médica e não há restrição de idade para a compra da contracepção de emergência em farmácias.

    2. A pílula do dia seguinte corta o efeito do anticoncepcional injetável ou do DIU?

    Não, ela não interfere no mecanismo do DIU nem anula a proteção das injeções contraceptivas já aplicadas.

    3. Como voltar a tomar a pílula anticoncepcional normal após usar a de emergência?

    Você deve continuar tomando a cartela de anticoncepcional de rotina normalmente nos horários habituais e usar preservativo até a chegada da próxima menstruação.

    4. Tomar pílula do dia seguinte causa infertilidade no futuro?

    Não. Não existe nenhuma evidência científica de que o uso emergencial afete a capacidade reprodutiva da mulher a longo prazo.

    5. Bebida alcoólica corta o efeito da pílula do dia seguinte?

    O álcool não anula o efeito direto do hormônio. No entanto, se o consumo provocar vômito dentro de 2 horas após a ingestão, o remédio será eliminado antes de ser absorvido.

    6. A pílula do dia seguinte protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)?

    Não. A pílula atua exclusivamente na prevenção da gravidez e não oferece nenhuma proteção contra HIV, sífilis, HPV ou outras ISTs.

    7. Existe alguma contraindicação absoluta para o uso da pílula de emergência?

    Por ser um tratamento ocasional e único, não há contraindicações absolutas, mas mulheres com histórico de trombose prévia ou doenças hepáticas graves devem buscar orientação médica urgente.

    8. A pílula do dia seguinte previne a gravidez em relações sexuais que ocorrerem DEPOIS de tomá-la?

    Não. O efeito da pílula atua apenas no coito desprotegido que já aconteceu. Relações sexuais posteriores exigem novos métodos de barreira, como a camisinha.

  • Mounjaro, diarreia, álcool: o que pode afetar o efeito da pílula anticoncepcional? 

    Mounjaro, diarreia, álcool: o que pode afetar o efeito da pílula anticoncepcional? 

    A pílula anticoncepcional atua no organismo feminino por meio da combinação de hormônios sintéticos, como o estrogênio e a progesterona, que impedem que o ovário libere um óvulo para ser fecundado. Só que, no dia a dia, o medicamento depende de uma rotina rigorosa de horários e o funcionamento do sistema digestivo e do fígado para funcionar corretamente.

    A seguir, com orientação da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, esclarecemos como o medicamento age no corpo e mostramos os principais fatores que podem reduzir a eficácia, desde esquecimentos e episódios de vômito ou diarreia até interações com alguns medicamentos.

    Como a pílula anticoncepcional atua no organismo?

    A pílula anticoncepcional, normalmente composta por estrogênio e progesterona sintéticos, é absorvida pelo trato gastrointestinal, entra na corrente sanguínea e passa pelo fígado, onde sofre o chamado metabolismo de primeira passagem. Depois, os hormônios seguem para a circulação e atuam em diferentes órgãos do sistema reprodutor feminino para evitar a gravidez.

    Primeiro, os hormônios presentes no medicamento agem no cérebro, mais especificamente no hipotálamo e na hipófise, reduzindo a liberação dos hormônios folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). Sem os estímulos, os ovários não amadurecem os folículos nem liberam um óvulo, impedindo que a ovulação aconteça.

    Ao mesmo tempo, a progesterona sintética torna o muco do colo do útero mais espesso e viscoso, formando uma barreira que dificulta a passagem dos espermatozoides em direção às trompas, onde normalmente ocorreria a fecundação.

    Por fim, a pílula provoca alterações no endométrio, camada que reveste o interior do útero, deixando-o menos preparado para receber um óvulo fecundado. Não é o principal mecanismo de ação do medicamento, mas também contribui para aumentar a eficácia do método.

    O que pode alterar o efeito da pílula anticoncepcional?

    1. Esquecer de tomar os comprimidos

    Quando a mulher atrasa ou esquece apenas um comprimido, a concentração dos hormônios no organismo diminui, mas, na maioria dos casos, ainda permanece dentro de uma faixa capaz de manter a proteção contra a ovulação, graças à margem de segurança do método.

    No entanto, Andreia destaca que o risco aumenta quando o esquecimento ultrapassa 48 horas ou envolve dois ou mais comprimidos consecutivos. Os níveis hormonais caem de forma mais significativa, reduzindo a eficácia do anticoncepcional e aumentando a chance de ocorrer a ovulação e, consequentemente, uma gravidez.

    Vale destacar que, apesar do corpo tolerar pequenas variações de horário, como duas horas para mais ou para menos, ultrapassar constantemente o limite começa a desgastar a estabilidade dos picos hormonais na corrente sanguínea. Com o tempo, a falta de regularidade reduz a eficácia do método.

    2. Problemas gastrointestinais (absorção)

    A pílula anticoncepcional precisa passar pelo sistema digestivo para que os hormônios sejam absorvidos corretamente e consigam fazer efeito no organismo. Quando acontece um episódio de vômito pouco tempo depois de tomar o comprimido, existe a possibilidade do medicamento ser eliminado antes mesmo de ser absorvido, fazendo com que aquela dose perca o efeito.

    A diarreia intensa também pode atrapalhar o processo, porque faz o intestino funcionar mais rápido do que o normal, aumentando o tempo que o organismo tem para absorver os hormônios da pílula.

    Como consequência, a eficácia do anticoncepcional pode diminuir e aumentar o risco de gravidez, principalmente se os episódios forem intensos ou persistirem por mais de um dia. Andreia destaca que é importante seguir as orientações da bula e utilizar um método contraceptivo de apoio, como a camisinha, até que a proteção seja restabelecida.

    3. Interações medicamentosas (metabolismo hepático e intestinal)

    Como o fígado e o intestino são os responsáveis por processar a pílula anticoncepcional, o uso de alguns medicamentos pode interferir na forma como o organismo absorve ou elimina os hormônios.

    Alguns antibióticos, por exemplo, podem causar diarreia ou alterar o funcionamento do intestino, dificultando a absorção da pílula. Já determinados anticonvulsivantes aceleram a metabolização dos hormônios no fígado, fazendo com que o anticoncepcional seja eliminado mais rapidamente pelo organismo e tenha a sua eficácia reduzida.

    O mesmo cuidado vale para alguns medicamentos usados no tratamento do HIV e para certos fitoterápicos, como a erva-de-são-joão, que também podem diminuir o efeito da pílula.

    Sempre que houver dúvida sobre a interação entre um medicamento e o anticoncepcional, a orientação é conversar com o médico ou farmacêutico e, se necessário, utilizar outro método contraceptivo, como a camisinha, durante o período indicado.

    4. Uso de canetas emagrecedoras, como Mounjaro ou Ozempic

    As canetas utilizadas para o tratamento da obesidade e do diabetes também podem exigir atenção de quem usa anticoncepcional oral. Segundo Andreia, os medicamentos retardam o esvaziamento do estômago para aumentar a sensação de saciedade, o que pode alterar a velocidade com que a pílula chega ao intestino e é absorvida pelo organismo.

    Em alguns casos, isso pode reduzir a quantidade de hormônios absorvida e comprometer a eficácia do método.

    A perda de peso causada pelas canetas também pode favorecer o retorno da fertilidade, principalmente em mulheres que tinham alterações hormonais relacionadas ao excesso de peso, como acontece em alguns casos de síndrome dos ovários policísticos (SOP).

    Quando a fertilidade aumenta e a eficácia da pílula é reduzida por falhas no uso ou por alterações na absorção, o risco de uma gravidez não planejada pode ser maior. Por isso, quem faz uso de canetas emagrecedoras deve conversar com o ginecologista para avaliar se o anticoncepcional oral continua sendo a melhor opção ou se outro método contraceptivo pode ser mais indicado.

    5. Consumo de álcool

    O consumo de bebidas alcoólicas, quando acontece com frequência, age como um agente tóxico que agride e lesa o epitélio interno do intestino. A parede intestinal danificada perde a capacidade de absorver os medicamentos corretamente, reduzindo silenciosamente a proteção da pílula anticoncepcional.

    6. Condições de saúde

    A saúde do fígado também influencia o funcionamento da pílula anticoncepcional, já que é no órgão que os hormônios do medicamento são metabolizados. Quando o fígado não está funcionando adequadamente, o processo pode ser alterado e comprometer a eficácia do método.

    Por exemplo, doenças como a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), hepatites e cirrose podem prejudicar a capacidade do fígado de processar os hormônios da pílula. Dependendo da gravidade do problema, isso pode modificar a quantidade de hormônio que circula no sangue e interferir na proteção contra a gravidez.

    Qual o melhor momento para tomar a pílula anticoncepcional?

    Em geral, Andreia recomenda tomar a pílula à noite, porque, se surgir algum efeito colateral leve, como enjoo, ele tende a passar despercebido durante o som. Isso costuma facilitar a adaptação ao anticoncepcional, principalmente nos primeiros meses de uso.

    Mesmo assim, não existe um horário obrigatório: se a mulher acredita que vai se lembrar com mais facilidade de tomar a pílula durante o dia, não há problema. O mais importante é criar uma rotina e tomar o comprimido sempre no mesmo horário.

    Leia mais: Esqueci de tomar a pílula, e agora? Ginecologista explica o que fazer em cada situação

    Perguntas frequentes

    1. Esqueci de tomar a pílula por um dia. O que devo fazer?

    Tome o comprimido esquecido assim que lembrar, mesmo que seja quase na hora da próxima dose, e siga tomando o restante no horário habitual. Não tome duas pílulas juntas para compensar.

    2. Posso tomar duas pílulas juntas se esquecer de tomar no dia anterior?

    Não é recomendado. Tomar uma dose dupla gera um excesso de hormônios desnecessário e não aumenta a eficácia da pílula que já foi esquecida por muito tempo.

    3. Chás ou remédios naturais podem cortar o efeito da pílula?

    Sim. O uso de fitoterápicos, especialmente a Erva-de-São-João, altera as enzimas do fígado e reduz comprovadamente a eficácia do anticoncepcional oral.

    4. Por que métodos não orais (como DIU ou implante) sofrem menos interferências?

    Porque eles liberam os hormônios diretamente na corrente sanguínea (ou agem localmente). Como não passam pelo estômago, intestino e fígado primeiro, não sofrem com vômitos, diarreias ou remédios que afetam a digestão.

    5. Qual a diferença da pílula não combinada (minipílula)?

    A pílula não combinada contém apenas um hormônio isolado, a progesterona. Ela também é de uso diário, sendo muito indicada para mulheres que têm contraindicação ao estrogênio.

    6. Quanto tempo leva para a pílula voltar a proteger após um esquecimento longo?

    Após passar de 48 horas de esquecimento, o eixo hormonal leva cerca de 7 dias tomando a pílula corretamente para ficar bloqueado de novo e garantir a proteção segura.

    7. A pílula protege nos dias de pausa da cartela?

    Sim, desde que você tenha tomado todos os comprimidos da cartela anterior corretamente e não atrase o início da próxima cartela. O bloqueio da ovulação se mantém na pausa.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • 7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    Na hora de escolher o anticoncepcional, o ginecologista precisa considerar uma série de fatores para garantir que a opção escolhida seja a mais adequada para cada mulher. O ideal é encontrar um método que seja seguro, confortável e compatível com a rotina da paciente, reduzindo as chances de efeitos colaterais e aumentando a satisfação com o uso.

    Só que, no dia a dia, nem sempre a adaptação acontece da forma esperada e é comum conviver com efeitos colaterais que persistem mesmo depois do período inicial de adaptação, afetando a qualidade de vida e o bem-estar.

    Além disso, como os hábitos de vida e a saúde também podem mudar com o tempo, um anticoncepcional que funcionava bem deixou de ser a melhor opção. Nesses casos, é importante conversar com o ginecologista para reavaliar a escolha e verificar se vale a pena fazer algum ajuste ou trocar de método.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quais sinais podem indicar que o anticoncepcional atual não está mais sendo a melhor alternativa para você. Confira!

    Sinais de que o método anticoncepcional não está adequado

    1. Náuseas e dores de cabeça constantes

    Se você sente enjoos ou dores de cabeça com frequência desde que começou a usar um anticoncepcional, pode ser um sinal de que o método não está se adaptando bem ao seu organismo. Os efeitos colaterais são relativamente comuns, mas eles não devem fazer parte da rotina.

    Segundo Andreia, em alguns casos, ajustes simples podem ajudar, como tomar o comprimido à noite, antes de dormir, para diminuir a percepção dos efeitos colaterais. No entanto, quando os sintomas persistem, a recomendação frequentemente é trocar o método anticoncepcional.

    2. Queda da libido

    Uma diminuição significativa do desejo sexual pode ocorrer com o uso de alguns métodos hormonais, como pílulas, injeções, implantes, anel vaginal e adesivos, devido às alterações nos níveis hormonais. Se isso estiver afetando o seu bem-estar ou os seus relacionamentos, vale a pena conversar com o ginecologista para avaliar outras opções.

    3. Sangramentos de escape frequentes

    Pequenos sangramentos fora do período menstrual podem acontecer com alguns métodos anticoncepcionais, principalmente aqueles que reduzem ou suspendem a menstruação. Normalmente, eles não representam nenhum problema de saúde, só que podem ser bastante incômodos quando persistem por muitos dias ou acontecem repetidamente.

    4. Dor ou desconforto durante a relação sexual

    Algumas mulheres podem perceber menos lubrificação vaginal após o início de determinados anticoncepcionais hormonais, o que pode tornar a relação sexual desconfortável ou até dolorosa. Caso isso aconteça com frequência, pode ser necessário avaliar outras opções.

    5. Esquecimentos frequentes da pílula

    Segundo Andreia, o melhor anticoncepcional é aquele que se encaixa na sua rotina. Se você costuma esquecer de tomar a pílula, por exemplo, a proteção contra a gravidez pode diminuir significativamente.

    Nesses casos, pode ser interessante conversar com o médico sobre métodos de longa duração, como o DIU ou o implante, que exigem menos cuidados diários.

    6. Mudanças intensas no humor

    Os hormônios presentes nos anticoncepcionais podem influenciar o humor de maneiras diferentes em cada pessoa. Andreia explica que, em geral, o bloco do eixo endócrino promovido pela pílula melhora a oscilação de humor, como nos casos de TPM.

    Contudo, algumas mulheres podem notar uma maior irritabilidade, tristeza, ansiedade ou sensação de apatia no dia a dia. Nesses casos, o médico pode orientar a troca se as mudanças estiverem afetando a qualidade de vida.

    7. Surgimento de novos problemas de saúde

    A saúde muda ao longo da vida, e um anticoncepcional que era adequado há alguns anos pode deixar de ser a melhor opção com o passar do tempo.

    O surgimento de condições como pressão alta, enxaqueca, diabetes ou obesidade, assim como o início do tabagismo, pode aumentar os riscos associados a determinados métodos contraceptivos, especialmente os hormonais.

    Por isso, é importante informar o ginecologista sobre qualquer mudança no seu estado de saúde durante as consultas de rotina.

    Qual o período de adaptação do organismo ao anticoncepcional?

    Os médicos costumam orientar que, sempre que possível, a mulher aguarde cerca de três meses antes de trocar o método anticoncepcional, de acordo com Andreia. É o período normal de adaptação do organismo, durante o qual muitos efeitos colaterais tendem a diminuir ou desaparecer.

    No entanto, não é necessário esperar pela consulta de rotina se aparecerem situações que precisem uma reavaliação mais rápida, como:

    • Efeitos colaterais intensos ou difíceis de tolerar;
    • Início de um medicamento de uso contínuo que possa interagir com o anticoncepcional e reduzir a sua eficácia;
    • Mudanças importantes no estado de saúde, como pressão alta, enxaqueca ou diabetes;
    • Dúvidas sobre a eficácia do método ou dificuldades para usá-lo corretamente.

    Dependendo da situação, pode ser necessário ajustar a dosagem hormonal, mudar a forma de uso ou até trocar o anticoncepcional por outro mais adequado ao perfil e às necessidades da paciente.

    Como escolher o método anticoncepcional ideal?

    A escolha do anticoncepcional deve levar em conta o histórico de saúde, o estilo de vida e as preferências de cada mulher. Segundo Andreia, costuma ser uma das primeiras conversas durante a consulta ginecológica, mesmo quando o objetivo é apenas um acompanhamento de rotina.

    O processo começa com uma avaliação completa da paciente, considerando fatores de risco, doenças já existentes, hábitos, rotina e vida sexual. Todas as informações ajudam a identificar quais métodos podem ser mais adequados e seguros para cada caso.

    Se não houver contraindicações, a paciente recebe orientações sobre as opções disponíveis, incluindo as vantagens, as desvantagens, a forma de uso e os possíveis efeitos colaterais. Como a maioria das mulheres não apresenta restrições importantes, a decisão final costuma ser compartilhada, levando em conta as necessidades, os planos reprodutivos e as preferências individuais.

    Em alguns casos, características da rotina também podem influenciar a recomendação. Por exemplo, mulheres que costumam esquecer a pílula podem se beneficiar de métodos de longa duração, como o DIU ou o implante.

    De acordo com Andreia, o método anticoncepcional deve ser reavaliado regularmente nas internacionais ginecológicas. Para auxiliar na escolha, os médicos utilizam os Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Contraceptivos, elaborados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    As diretrizes relacionam as condições de saúde da paciente às evidências científicas disponíveis para indicar quais métodos são mais seguros em cada situação.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes

    1. A escolha do anticoncepcional é baseada apenas na minha preferência?

    Não totalmente. Primeiro, o médico avalia quais métodos são seguros para você. Se não houver contraindicações, a escolha passa a ser feita de acordo com o seu estilo de vida, suas preferências e a facilidade de uso de cada método.

    2. Quais são os principais efeitos colaterais das pílulas anticoncepcionais orais?

    Como as pílulas orais precisam ser metabolizadas pelo fígado, os efeitos adversos mais comuns associados a elas incluem náuseas, dores de cabeça (cefaleia) e um aumento no risco de desenvolvimento de trombose.

    3. Sinto muitas náuseas ao tomar a pílula. Existe algo que eu possa fazer antes de mudar de método?

    Sim. Uma dica simples é mudar o horário da tomada para o período da noite, logo antes de dormir. Assim, você passa pelo pico de absorção do medicamento enquanto dorme, reduzindo a sensibilidade do organismo aos efeitos gastrointestinais. Se ainda assim persistir, a troca do método é recomendada.

    4. É verdade que o anticoncepcional diminui a libido?

    Sim, isso é muito comum em quase todos os métodos hormonais sistêmicos, como pílulas, injetáveis, anel vaginal, adesivos e implantes. Como os métodos agem inibindo a ovulação, eles acabam reduzindo os níveis de hormônios circulantes que estimulam o desejo sexual.

    5. Existe algum sintoma colateral que seja um sinal de alerta grave de saúde?

    Sintomas isolados provocados pelo anticoncepcional, como escapes ou dor de cabeça leve, não costumam ser graves. No entanto, sangramentos excessivamente intensos e dores agudas/fortes são sinais de alerta imediatos.

    6. O uso prolongado de anticoncepcional pode me deixar estéril?

    Não, a pílula ou outros métodos não prejudicam a fertilidade de base. Ao interromper o uso, o corpo volta a ter exatamente a fertilidade que você teria naturalmente para a sua idade e condição de saúde.

    7. Com que frequência devo avaliar se o meu método contraceptivo ainda é seguro?

    A avaliação deve ser feita em toda consulta ginecológica de rotina, que idealmente deve acontecer uma vez por ano.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • Enxaqueca: qual o melhor método anticoncepcional para evitar dor de cabeça? 

    Enxaqueca: qual o melhor método anticoncepcional para evitar dor de cabeça? 

    A escolha de um método contraceptivo nem sempre é simples, e pode ficar ainda mais delicada no caso de pessoas que convivem com enxaqueca. Com as flutuações hormonais, as crises podem se tornar mais frequentes ou intensas, especialmente quando há uso de métodos que contêm estrogênio.

    Além do desconforto, em alguns casos, como na enxaqueca com aura, o uso de determinados anticoncepcionais pode aumentar o risco de complicações, como o acidente vascular cerebral (AVC).

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou alguns critérios para ajudar a escolher o método contraceptivo mais adequado para cada mulher, de acordo com a sua saúde. A seguir, vamos entender melhor como isso funciona.

    Afinal, quem tem enxaqueca pode tomar anticoncepcional?

    Pessoas que convivem com enxaqueca podem usar anticoncepcional, mas nem todos os métodos são indicados. A escolha depende principalmente de dois fatores: a presença de aura e o tipo de hormônio presente no contraceptivo.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, existem critérios que classificam cada método de acordo com a condição de saúde da mulher. A escala vai de 1 a 4 e serve como o principal guia para o médico:

    • Categoria 1: totalmente indicado, podendo inclusive trazer benefícios;
    • Categoria 2: aceitável e seguro para o uso;
    • Categoria 3: não é totalmente contraindicado, mas exige cautela extrema e deve ser usado apenas se não houver outra opção;
    • Categoria 4: contraindicado (risco à saúde).

    Qual a relação entre o estrogênio e a enxaqueca?

    O estrogênio atua diretamente na sensibilidade do sistema nervoso e no funcionamento dos vasos cerebrais, sendo o principal gatilho hormonal para a enxaqueca, segundo Andreia. Quando passa pelo processo de metabolização no fígado, ele pode influenciar substâncias relacionadas à dor, como a serotonina, além de alterar a forma como os vasos se contraem e se dilatam.

    Como resultado, tanto o excesso circulante quanto a queda brusca dos níveis do hormônio no organismo podem desencadear crises, especialmente em mulheres mais sensíveis a essas variações.

    Além da dor, o uso do estrogênio também está associado a um aumento do risco de trombose, já que pode interferir na coagulação do sangue, o que se torna especialmente perigoso para quem tem enxaqueca com aura, devido à maior predisposição ao AVC.

    Por isso, métodos combinados que utilizam estrogênio são frequentemente substituídos por opções sem hormônios ou apenas com progesterona.

    Quais os métodos anticoncepcionais indicados para quem tem enxaqueca?

    De maneira geral, a prioridade é evitar o estrogênio, principalmente nos casos com aura, e optar por alternativas mais seguras, como aponta Andreia:

    1. DIU de cobre

    Por não possuir nenhum tipo de hormônio, é considerado o método mais seguro (categoria 1) para qualquer tipo de enxaqueca. Ele não interfere no ciclo hormonal, então não atua como gatilho para crises, embora possa aumentar o fluxo menstrual em algumas mulheres.

    2. DIU hormonal (Mirena e Kyleena)

    O DIU hormonal libera uma dose baixa de progesterona diretamente no útero, com uma absorção sistêmica mínima. Normalmente é classificado como categoria 2, sendo seguro inclusive para quem precisa evitar picos hormonais.

    3. Implante subdérmico

    O método libera apenas progesterona de forma contínua e constante, evitando as oscilações que costumam disparar a dor de cabeça. Por não conter estrogênio, é uma opção segura para reduzir o risco vascular associado às crises de enxaqueca.

    4. Pílulas de progesterona isolada (minipílula)

    Diferente das pílulas combinadas, as minipílulas não contém estrogênio. Elas são indicadas para mulheres que preferem o método oral, mas precisam de uma composição que não agrave as crises de dor ou aumente o risco de eventos mais graves, como o AVC.

    5. Métodos de barreira

    O uso de preservativos (masculinos ou femininos) também é uma alternativa livre de riscos para a enxaqueca, podendo ser utilizado isoladamente ou como complemento a outros métodos para garantir proteção extra contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

    Quais métodos devem ser evitados?

    Os métodos que devem ser evitados por quem tem enxaqueca são aqueles conhecidos como contraceptivos hormonais combinados, sendo eles:

    • Pílulas anticoncepcionais combinadas (estrogênio e progesterona);
    • Injetáveis mensais;
    • Anel vaginal;
    • Adesivo contraceptivo.

    Para mulheres com enxaqueca com aura, os métodos são frequentemente classificados como categoria 4 (contraindicados) pelos critérios médicos, pois o risco de um evento isquêmico supera qualquer benefício contraceptivo.

    Quando procurar um médico para trocar o método?

    A decisão de trocar o método contraceptivo deve sempre ser feito com um ginecologista, mas alguns sinais indicam que o método atual não está sendo adequado para o seu perfil, como:

    • Aumento na frequência ou na intensidade das crises após iniciar o método, com dores mais constantes, mais fortes ou mais difíceis de controlar com os remédios de costume;
    • Surgimento de aura, como pontos brilhantes na visão, visão embaçada, formigamento no corpo ou dificuldade para falar, mesmo que você nunca tenha tido esses sintomas antes;
    • Mudança no padrão da dor, como crises diferentes do habitual, com duração, localização ou características novas;
    • Presença de sinais de alerta vascular, como dor nas pernas, inchaço em apenas um lado do corpo ou falta de ar súbita, que podem indicar alterações na circulação;
    • Percepção de que as crises aparecem ou pioram durante a pausa da pílula, sugerindo relação com a queda hormonal.

    Mesmo que o método escolhido seja, em teoria, seguro (como os de progesterona isolada), Andreia esclarece que cada organismo reage de uma forma. Por isso, a avaliação deve sempre ser individualizada.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes

    1. O que é a “aura” na enxaqueca?

    São sintomas neurológicos que precedem a dor, como pontos brilhantes na visão, formigamento nas mãos ou dificuldade para falar.

    2. O que fazer se a enxaqueca piorar após começar o anticoncepcional?

    Você deve procurar seu ginecologista para reavaliar o método. Nunca suspenda o uso sem orientação médica para evitar uma gravidez indesejada.

    3. Posso usar pílula combinada se minha enxaqueca for sem aura?

    Médicos costumam evitar, mas para mulheres com menos de 35 anos e sem outros fatores de risco, pode ser aceitável sob supervisão rigorosa.

    4. O que é enxaqueca catamenial?

    É a enxaqueca que ocorre especificamente no período que antecede ou acontece durante a menstruação, causada pela queda nos níveis de estrogênio no sangue.

    5. Posso trocar de anticoncepcional várias vezes até acertar?

    Sim, mas cada troca exige um período de adaptação (em média, 3 meses). Trocas muito frequentes podem desregular o organismo e dificultar a identificação do que realmente está causando as dores.

    6. O excesso de peso interfere na escolha do anticoncepcional?

    Sim, pois o sobrepeso pode aumentar o risco vascular e influenciar o metabolismo hormonal. Nesses casos, médicos costumam preferir métodos com baixa dosagem hormonal, como o DIU ou o implante, para evitar sobrecarregar o sistema circulatório.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

  • Esqueci de tomar a pílula, e agora? Ginecologista explica o que fazer em cada situação

    Esqueci de tomar a pílula, e agora? Ginecologista explica o que fazer em cada situação

    A cartela da pílula anticoncepcional é organizada para que a mulher tome um comprimido por dia, sempre no mesmo horário, mantendo uma quantidade constante de hormônios no organismo para evitar a ovulação. Mas e se o alarme não tocar, a rotina mudar ou o esquecimento simplesmente acontecer?

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender o que fazer em cada situação e quando o esquecimento realmente representa um risco.

    Esquecer o anticoncepcional por um dia aumenta o risco de gravidez?

    Na maioria das vezes, o esquecimento de um único comprimido não é suficiente para aumentar significativamente o risco de gravidez, como explica Andreia.

    A pílula funciona mantendo níveis hormonais constantes no organismo para bloquear a ovulação. Quando há o esquecimento de um único comprimido, os níveis diminuem, mas normalmente não há tempo suficiente para que ocorra todo o processo de desenvolvimento folicular e ovulação.

    No entanto, isso também depende da formulação da pílula, já que existem diferentes combinações e doses hormonais.

    O risco pode ser um pouco maior em algumas situações, como no início da cartela (logo após a pausa), em pílulas com doses hormonais mais baixas ou quando há outros fatores associados, como vômitos, diarreia ou interação com medicamentos.

    O que fazer se esquecer tomar pílula anticoncepcional?

    A conduta varia principalmente conforme o tempo de atraso e a quantidade de comprimidos esquecidos, mas Andreia dá algumas orientações gerais:

    • Atraso de até 12 horas: tome o comprimido assim que lembrar e continue a cartela normalmente, mantendo os próximos comprimidos no horário habitual. Nessa situação, a eficácia do método costuma ser mantida;
    • Esquecimento de dois ou mais comprimidos seguidos: o risco de falha aumenta, então é indicado usar um método de barreira, como o preservativo, por pelo menos 7 dias, até que os níveis hormonais voltem a ser adequados para garantir a proteção contraceptiva.

    O esquecimento em diferentes fases da cartela não costuma mudar drasticamente a conduta. Ainda assim, Andreia explica que o início da cartela merece mais atenção, especialmente após o intervalo sem hormônios, pois pode haver um risco um pouco maior em alguns casos.

    Importante: não é recomendado tomar comprimidos em excesso para compensar o esquecimento. Administrar duas pílulas ao mesmo tempo não aumenta a eficácia e pode elevar o risco de efeitos colaterais. O mais importante é retomar o uso correto da cartela a partir daquele momento.

    O que fazer no caso de pílula de uso contínuo (minipílula)?

    Diferente das pílulas combinadas, a minipílula (feita apenas de progesterona) precisa de maior atenção com o horário, pois ela não interrompe a ovulação em todas as mulheres e depende muito mais da regularidade do uso:

    • Atraso de até 3 horas: tome o comprimido assim que lembrar e continue o uso normalmente, mantendo os próximos no horário habitual. Nessa situação, a proteção contraceptiva costuma ser mantida;
    • Atraso maior que 3 horas: tome o comprimido assim que lembrar, continue a cartela normalmente e utilize um método de barreira, como o preservativo, por pelo menos 48 horas.

    Se você esqueceu de tomar a minipílula e teve relações sexuais desprotegidas nas últimas 72 horas, o risco de gravidez existe. Nesse caso, é recomendável entrar em contato com o ginecologista para avaliar a necessidade de contracepção de emergência (pílula do dia seguinte).

    Importante: vale ter atenção ao prazo de tolerância da marca da minipílula, pois o tempo de atraso permitido varia entre eles. As minipílulas tradicionais (como noretisterona), a tolerância é de apenas 3 horas. Já as minipílulas de desogestrel têm uma janela maior, de até 12 horas.

    Quando recorrer à pílula do dia seguinte?

    A contracepção de emergência, como a pílula do dia seguinte, não deve ser usada regularmente. Segundo Andreia, é um método com eficácia inferior à da pílula regular e maior incidência de efeitos colaterais, sendo mais indicado em situações de risco elevado, como relação sexual desprotegida sem uso de método contraceptivo.

    Após o uso, é necessário manter a tomada da pílula regular até o fim da cartela, mas utilizando preservativo em todas as relações até o ciclo seguinte, já que a carga hormonal da emergência pode alterar a ovulação. É normal sentir náuseas, dor de cabeça, sensibilidade nos seios e, principalmente, variações no ciclo menstrual.

    A menstruação pode atrasar alguns dias ou ocorrer um pequeno sangramento fora de hora. Se ela atrasar mais de uma semana, o ideal é fazer um teste de gravidez.

    Dicas para não esquecer de tomar o anticoncepcional

    Para evitar esquecimentos no dia a dia, algumas dicas podem ajudar:

    • Associe o uso a um hábito diário, como escovar os dentes ou fazer uma refeição;
    • Escolha um horário fixo que faça sentido na sua rotina;
    • Programe um alarme diário no celular;
    • Use aplicativos de lembrete para acompanhar a cartela;
    • Deixe a pílula em um lugar visível no dia a dia;
    • Leve um comprimido extra na bolsa para imprevistos;
    • Siga os dias indicados na cartela para não se perder na sequência.

    Se o esquecimento da pílula se tornar frequente, pode ser o momento de conversar com um ginecologista sobre a transição para métodos de longa duração, como DIU, por exemplo. Eles não dependem do uso diário, o que reduz significativamente o risco de falhas relacionadas à rotina.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. Tomei a pílula com 3 horas de atraso, corta o efeito?

    Para pílulas combinadas, não. Para minipílulas tradicionais, esse é o limite máximo de tolerância; por isso, use proteção extra por 48 horas.

    2. Vomitei logo após tomar a pílula, preciso tomar outra?

    Se o vômito ocorreu em até 4 horas após a ingestão, o corpo pode não ter absorvido o hormônio. Tome uma pílula extra de uma cartela reserva.

    3. Diarreia corta o efeito do anticoncepcional?

    A diarreia intensa (líquida e frequente) em menos de 4 horas após a tomada pode prejudicar a absorção. Se acontecer, considere como um esquecimento.

    4. Esqueci de tomar a pílula e tive um sangramento, é normal?

    Sim, a queda súbita de hormônios no organismo pode causar um “sangramento de escape”. Continue tomando a cartela normalmente.

    5. Bebida alcoólica corta o efeito da pílula?

    O álcool em si não corta o efeito, mas se ele causar vômitos ou fizer você esquecer de tomar o comprimido, a proteção fica comprometida.

    6. Como saber se a pílula que eu tomo é minipílula ou combinada?

    A pílula combinada possui dois hormônios (estrogênio e progestagênio), enquanto a minipílula possui apenas um. Verifique a composição na bula.

    7. Posso engravidar mesmo tomando a pílula do dia seguinte após o esquecimento?

    Sim, pois a pílula do dia seguinte reduz as chances, mas não é 100% eficaz, especialmente se a ovulação já tiver ocorrido no momento do esquecimento.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

  • Parou o anticoncepcional? Veja 8 mudanças que podem acontecer no seu corpo

    Parou o anticoncepcional? Veja 8 mudanças que podem acontecer no seu corpo

    A pílula anticoncepcional é um método que atua nos hormônios, alterando o funcionamento do ciclo menstrual, a ovulação e até sintomas como acne, cólicas e TPM. Quando usada de forma contínua, ela mantém os níveis hormonais estáveis, o que impede a ovulação e reduz as variações naturais do organismo.

    Quando você decide interromper o uso, seja por desejo de engravidar ou evitar os efeitos colaterais que podem surgir com o uso dos hormônios, o corpo inicia um processo de readaptação hormonal.

    As glândulas que estavam em repouso voltam a produzir estrogênio, progesterona e testosterona em níveis naturais, o que pode desencadear uma série de sintomas físicos e emocionais nos primeiros meses. Vamos entender mais, a seguir.

    O que acontece com os hormônios logo nos primeiros dias?

    Nos primeiros dias depois de parar a pílula, o corpo entra em uma fase de adaptação hormonal. Como o fornecimento de hormônios sintéticos é interrompido de uma vez, o organismo precisa voltar a funcionar por conta própria.

    Em até 48 horas, os hormônios do anticoncepcional deixam de circular, e a queda repentina pode causar um sangramento, que ainda não é uma menstruação de verdade, mas uma resposta do organismo à pausa.

    Ao mesmo tempo, o cérebro retoma a comunicação com os ovários para reiniciar o ciclo natural, preparando uma nova ovulação. Nesse período, também podem acontecer mudanças como aumento da libido e da oleosidade da pele, por causa da variação da testosterona, além de uma redução do inchaço, já que o corpo passa a eliminar mais líquidos.

    Reações do corpo após parar o anticoncepcional

    1. Surgimento da acne e aumento da oleosidade na pele

    A pílula anticoncepcional reduz a produção de hormônios andrógenos, como a testosterona, o que ajuda a controlar a oleosidade da pele e a diminuir a acne. Quando o uso é interrompido, a produção volta ao ritmo natural do corpo, o que pode aumentar a oleosidade e favorecer o aparecimento de espinhas, principalmente nas primeiras semanas.

    A intensidade pode variar de mulher para mulher, dependendo da sensibilidade hormonal e do histórico de pele, mas as alterações tendem a ser temporárias. No período, o ideal é manter a rotina de cuidados com a pele e, se necessário, consultar um dermatologista.

    2. Aumento do volume de queda de cabelo

    A mudança hormonal brusca pode antecipar a fase de queda dos fios, um processo chamado de eflúvio telógeno. É comum notar mais fios no ralo do banheiro ou na escova nos primeiros meses.

    O recomendado é manter uma alimentação rica em ferro e vitaminas e evitar dietas muito restritivas. A queda costuma estabilizar sozinha em até 6 meses.

    3. Redução do inchaço e da retenção de líquidas

    Os hormônios sintéticos, especialmente o estrogênio, favorecem o acúmulo de sódio e água. Sem eles, o corpo elimina o excesso de líquido mais facilmente, o que pode refletir em uma leve redução de peso e medidas.

    4. Aumento da libido

    Com o fim da supressão hormonal, os níveis de testosterona livre no sangue aumentam, o que melhora significativamente o desejo sexual e a lubrificação vaginal, que costumam ficar reduzidos durante o uso do anticoncepcional.

    5. Retorno das cólicas e desconforto abdominal

    A pílula impede a ovulação e afina o endométrio, então sem ela, o útero volta a produzir prostaglandinas (substâncias que causam contrações) para eliminar o revestimento uterino, resultando em cólicas e dores pélvicas. O uso de compressas mornas na região abdominal pode ajudar a relaxar a musculatura.

    6. Alterações de humor e sensibilidade

    As oscilações naturais do ciclo menstrual (aumentos e quedas de estrogênio e progesterona) voltam a acontecer. Isso pode trazer de volta os sintomas da TPM, como irritabilidade, ansiedade ou sensibilidade emocional antes da menstruação.

    7. Irregularidade no ciclo menstrual

    O corpo pode levar de 3 a 9 meses para regularizar o eixo hormonal. É comum que os primeiros ciclos sejam mais longos, mais curtos ou que a menstruação atrase até que a ovulação se estabilize. Uma dica é anotar as datas em um calendário ou aplicativo para monitorar o ritmo de retorno do ciclo.

    8. Maior sensibilidade nas mamas

    A variação hormonal natural, especialmente após a ovulação, pode causar retenção de líquido nos tecidos mamários, deixando os seios mais sensíveis, inchados e doloridos no período pré-menstrual.

    Em quanto tempo pode engravidar depois de parar o anticoncepcional?

    A gravidez pode ocorrer imediatamente após a interrupção do anticoncepcional, inclusive no primeiro mês sem o remédio. Como os hormônios sintéticos deixam o organismo em cerca de 48 horas, o corpo retoma rapidamente o processo de maturação dos folículos.

    Por isso, se a gravidez não for desejada, lembre-se de utilizar um método de barreira, como a camisinha, desde o primeiro dia de interrupção.

    Quando a falta de menstruação é um sinal de alerta?

    A falta de menstruação é considerada um sinal de alerta se o sangramento não aparecer após 3 meses (90 dias) da interrupção do anticoncepcional.

    Nesses casos, a ausência pode indicar que o corpo está tendo dificuldades para retomar o eixo hormonal sozinho ou que existe uma condição de saúde que a pílula estava apenas escondendo, como:

    • Gravidez;
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP);
    • Alterações na tireoide;
    • Menopausa precoce.

    Se você chegou aos 3 meses sem menstruar, ou se apresenta sintomas como excesso de pelos, queda de cabelo acentuada e acne persistente, procure um ginecologista para realizar exames de imagem (ultrassom) e dosagens hormonais.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo leva para a pílula sair do organismo?

    Os hormônios sintéticos deixam a corrente sanguínea em cerca de 48 horas após a última dose.

    2. É normal a menstruação atrasar depois de parar o anticoncepcional?

    Sim, é muito comum. O corpo pode levar de 3 a 6 meses para regularizar o ciclo hormonal natural.

    3. O que é amenorreia pós-pílula?

    É a ausência de menstruação por mais de 3 meses após interromper o método. Se isso ocorrer, deve-se investigar com um médico.

    4. O anticoncepcional causa infertilidade a longo prazo?

    Não, o uso prolongado não prejudica a capacidade reprodutiva da mulher. A pílula apenas “pausa” a fertilidade enquanto é usada.

    5. Posso parar a cartela no meio?

    O ideal é terminar a cartela atual para evitar sangramentos irregulares de escape, mas você pode parar a qualquer momento se desejar.

    6. O fluxo menstrual fica mais intenso sem a pílula?

    É comum, pois a pílula afina o endométrio (camada interna do útero). Sem ela, o corpo volta a produzir esse revestimento de forma natural, o que pode resultar em um fluxo mais volumoso e com mais dias de duração.

    7. Pode voltar a tomar a pílula se eu não me adaptar sem ela?

    Sim, você pode retomar o uso, mas o ideal é conversar com seu médico para entender se os sintomas de “não adaptação” são apenas passageiros da fase de transição (que dura cerca de 3 meses).

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames