Febre, dor de garganta, olhos vermelhos ou diarreia. Em épocas de volta às aulas, esses sintomas costumam preocupar pais e responsáveis e, muitas vezes, o motivo é uma infecção por adenovírus. Trata-se de um vírus comum, especialmente em crianças, e que se espalha com facilidade em ambientes coletivos, como escolas e creches.
Na maioria dos casos, a infecção é leve e autolimitada. Ainda assim, por ser um vírus capaz de causar sintomas respiratórios, gastrointestinais e até oculares, o adenovírus merece atenção.
O que é o adenovírus
O adenovírus é um grupo de vírus da família Adenoviridae, com dezenas de sorotipos diferentes. Eles têm a capacidade de infectar vários tecidos do corpo humano, principalmente:
- Vias respiratórias;
- Olhos (conjuntiva);
- Trato gastrointestinal;
- Trato urinário (mais raramente).
A infecção por adenovírus é uma das causas mais frequentes de virose infantil, especialmente em crianças menores de 5 anos, embora adolescentes e adultos também possam ser infectados.
Por que o adenovírus aumenta com a volta às aulas?
A circulação do adenovírus tende a aumentar em períodos de maior convivência entre crianças. A volta às aulas cria um cenário ideal para transmissão porque envolve:
- Contato próximo e prolongado;
- Compartilhamento de brinquedos, materiais escolares e objetos;
- Higiene das mãos nem sempre adequada;
- Crianças pequenas levando as mãos à boca, nariz e olhos com frequência.
Além disso, o adenovírus é resistente no ambiente e consegue sobreviver por horas em superfícies, o que facilita a disseminação em salas de aula.
Como ocorre a transmissão
A transmissão do adenovírus acontece de várias formas:
- Contato direto com secreções respiratórias (tosse, espirro, saliva);
- Contato com superfícies contaminadas, seguido de mãos nos olhos, nariz ou boca;
- Via fecal-oral, especialmente nos quadros gastrointestinais;
- Água contaminada, como piscinas sem cloração adequada.
Por isso, surtos podem acontecer em escolas, creches, academias e até ambientes hospitalares.
Principais sintomas do adenovírus
Os sintomas variam conforme o sorotipo do vírus e o órgão mais afetado. Uma mesma criança pode apresentar mais de um tipo de manifestação.
Sintomas respiratórios (os mais comuns)
- Febre;
- Coriza;
- Tosse;
- Dor de garganta;
- Congestão nasal;
- Rouquidão.
Em alguns casos, pode causar quadros como faringite, amigdalite, bronquiolite ou pneumonia, especialmente em crianças pequenas.
Sintomas oculares
- Olhos vermelhos;
- Ardor ou sensação de areia nos olhos;
- Lacrimejamento;
- Secreção ocular.
O adenovírus é uma das principais causas de conjuntivite viral, que costuma ser altamente contagiosa.
Sintomas gastrointestinais
- Diarreia;
- Dor abdominal;
- Náuseas e vômitos;
- Febre associada.
Esses quadros são mais comuns em crianças menores e podem levar à desidratação se não houver atenção à hidratação.
Outros sintomas possíveis
- Mal-estar;
- Dor no corpo;
- Aumento de gânglios no pescoço;
- Cansaço.
Quando os pais devem ficar mais atentos
Na maioria das vezes, a infecção por adenovírus evolui bem e melhora sozinha em alguns dias. No entanto, é importante procurar avaliação médica se a criança apresentar:
- Febre alta persistente por mais de 3 dias;
- Dificuldade para respirar ou respiração acelerada;
- Recusa persistente de líquidos;
- Sinais de desidratação (pouca urina, boca seca, sonolência excessiva);
- Dor intensa nos olhos ou piora importante da conjuntivite;
- Prostração ou piora do estado geral.
Crianças pequenas, imunossuprimidas ou com doenças crônicas precisam de acompanhamento médico mais próximo.
Diagnóstico
O diagnóstico do adenovírus é, na maioria das vezes, clínico, baseado nos sintomas e no contexto epidemiológico (por exemplo, outros casos na escola).
Em situações específicas, podem ser solicitados exames, como:
- Testes virais em secreção respiratória;
- Exames de fezes, nos quadros gastrointestinais;
- Exames laboratoriais em casos mais graves ou hospitalizados.
Na prática, a identificação exata do vírus nem sempre é necessária, pois não muda o tratamento na maioria dos casos.
Tratamento: o que fazer em casa
Não existe tratamento antiviral específico para adenovírus em pessoas saudáveis. O cuidado é sintomático, focado em aliviar os sintomas e evitar complicações.
- Repouso;
- Boa hidratação;
- Controle de febre e dor, conforme orientação médica;
- Lavagem nasal com soro fisiológico nos sintomas respiratórios;
- Higiene ocular adequada nos casos de conjuntivite.
Antibióticos não são indicados, pois o adenovírus é um vírus, e não uma bactéria.
Prevenção: como reduzir o risco de transmissão
- Lavar as mãos com água e sabão com frequência;
- Ensinar as crianças a não levar as mãos aos olhos, boca e nariz;
- Não compartilhar objetos pessoais;
- Manter crianças sintomáticas em casa, quando possível;
- Higienizar brinquedos e superfícies;
- Evitar piscinas sem controle adequado de cloro.
Essas medidas ajudam não só contra o adenovírus, mas contra várias viroses comuns da infância.
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Perguntas frequentes sobre adenovírus
1. Adenovírus é perigoso?
Na maioria das crianças saudáveis, não. Geralmente causa infecção leve e autolimitada, mas pode ser mais grave em bebês, imunossuprimidos ou em casos raros de acometimento pulmonar.
2. Adenovírus é o mesmo que gripe?
Não. A gripe é causada pelo vírus Influenza. O adenovírus pode causar sintomas parecidos, mas é um vírus diferente.
3. Adenovírus dá conjuntivite?
Sim. Ele é uma das causas mais comuns de conjuntivite viral, geralmente muito contagiosa.
4. Criança com adenovírus pode ir à escola?
Em caso de febre, mal-estar importante, diarreia ou conjuntivite ativa, o ideal é manter a criança em casa para recuperação e para evitar transmissão.
5. Existe vacina contra adenovírus?
Não há vacina disponível para uso rotineiro na população geral. A prevenção depende principalmente de medidas de higiene.
6. Quanto tempo duram os sintomas?
Em geral, de 5 a 7 dias, podendo se estender um pouco mais em alguns casos.
7. Adultos também pegam adenovírus?
Sim. Adultos podem se infectar, geralmente com quadros mais leves, mas ainda assim podem transmitir o vírus.
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