Tag: acantose nigricans

  • Acantose nigricans: mancha escura no pescoço pode ser sinal de alerta 

    Acantose nigricans: mancha escura no pescoço pode ser sinal de alerta 

    Manchas escuras e espessadas na região do pescoço ou das axilas costumam gerar preocupação. Muitas vezes, as pessoas acreditam que se trata apenas de sujeira ou falta de higiene. No entanto, quando a pele apresenta aspecto aveludado e mais grossa, pode estar diante de um quadro chamado acantose nigricans.

    Na maioria dos casos, essa alteração está relacionada à resistência à insulina e à obesidade. Porém, em situações mais raras, pode ser um sinal de doenças hormonais ou até de câncer. Por isso, entender suas causas e características é fundamental para saber quando investigar.

    O que é acantose nigricans

    A acantose nigricans é uma alteração cutânea caracterizada por:

    • Escurecimento da pele;
    • Espessamento;
    • Aspecto aveludado;
    • Localização predominante em áreas de dobra.

    As regiões mais acometidas são:

    • Parte posterior do pescoço;
    • Axilas;
    • Virilha;
    • Dobras sob as mamas.

    As lesões costumam ter bordas pouco definidas e podem evoluir de manchas planas para placas palpáveis.

    Principais causas

    A acantose nigricans pode ter diferentes origens.

    1. Resistência à insulina e obesidade (forma mais comum)

    É a causa mais frequente. O excesso de insulina circulante estimula receptores semelhantes ao fator de crescimento (IGF-1), o que promove a proliferação de queratinócitos e fibroblastos.

    A perda de peso e o controle glicêmico costumam levar à melhora das lesões.

    2. Distúrbios endócrinos

    Pode estar associada a:

    • Síndrome dos ovários policísticos;
    • Hipotireoidismo;
    • Acromegalia;
    • Síndrome de Cushing;
    • Doença de Addison;
    • Síndromes graves de resistência à insulina.

    3. Uso de medicamentos

    Alguns medicamentos podem desencadear o quadro, como:

    • Glicocorticoides sistêmicos;
    • Anticoncepcionais orais combinados;
    • Hormônio do crescimento;
    • Insulina injetável;
    • Ácido nicotínico;
    • Inibidores de protease;
    • Estrogênios.

    Em muitos casos, as lesões melhoram após suspensão da medicação.

    4. Forma hereditária

    Pode ocorrer como traço autossômico dominante, manifestando-se na infância.

    5. Acantose nigricans maligna

    É rara, mas pode estar associada principalmente a:

    • Adenocarcinomas gastrointestinais, especialmente gástricos;
    • Câncer de próstata, mama e ovário;
    • Mais raramente pulmão e linfoma.

    Os sinais de alerta são:

    • Início súbito;
    • Evolução rápida;
    • Prurido intenso;
    • Múltiplas queratoses seborreicas (sinal de Leser-Trélat);
    • Espessamento palmar (“tripe palms”).

    Em parte dos casos, a alteração cutânea surge antes do diagnóstico do câncer.

    6. Outras variantes

    • Forma acral, mais comum em pessoas com pele escura;
    • Forma unilateral (nevoide);
    • Forma autoimune, associada a lúpus e outras doenças autoimunes.

    Como a doença se desenvolve

    O mecanismo mais comum envolve:

    • Ativação de receptores de IGF-1 por níveis elevados de insulina;
    • Proliferação de queratinócitos e fibroblastos;
    • Espessamento da pele (epiderme);
    • Hiperqueratose.

    Na forma maligna, fatores de crescimento produzidos pelo tumor estimulam diretamente a pele.

    Quadro clínico

    As pessoas geralmente apresentam:

    • Manchas escuras e espessadas;
    • Aspecto aveludado;
    • Localização em dobras;
    • Eventual coceira.

    Em crianças, o pescoço é o local mais acometido.

    Em casos raros, pode atingir:

    • Mucosa oral;
    • Nariz;
    • Esôfago;
    • Laringe;
    • Mamilos.

    Visualmente, não é possível diferenciar apenas pela aparência as formas benignas das malignas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é principalmente clínico. A investigação pode envolver:

    • Avaliação para resistência à insulina;
    • Dosagem de hemoglobina glicada;
    • Rastreamento para diabetes;
    • Investigação de neoplasias quando houver sinais suspeitos.

    Em casos selecionados, pode ser necessária biópsia de pele ou exames de imagem.

    Tratamento

    A acantose nigricans é um sinal clínico, não uma doença isolada. O tratamento depende da causa.

    Controle metabólico

    • Perda de peso;
    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física;
    • Controle glicêmico;
    • Uso de sensibilizadores à insulina, como metformina, quando indicado.

    Suspensão de medicamentos desencadeantes

    Quando a pessoa está usando remédios que podem provocar a acantose nigricans, o médico pode suspender o uso e indicar outros medicamentos.

    Tratamentos dermatológicos

    Podem melhorar o aspecto estético, mas com resultados variáveis:

    • Retinoides tópicos;
    • Lactato de amônio;
    • Análogos da vitamina D;
    • Peelings químicos;
    • Laser;
    • Dermabrasão.

    Na forma maligna, a melhora pode ocorrer após tratamento do tumor.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure atendimento se houver:

    • Escurecimento súbito e rápido da pele;
    • Lesões extensas ou com prurido;
    • Perda de peso inexplicada;
    • Suspeita de diabetes;
    • Histórico familiar de câncer.

    Confira: Diabetes MODY: o tipo raro que muita gente tem sem saber

    Perguntas frequentes sobre acantose nigricans

    1. Acantose nigricans é sujeira?

    Não. Trata-se de alteração da pele, não relacionada à higiene.

    2. Sempre indica diabetes?

    Não, mas é fortemente associada à resistência à insulina.

    3. Pode aparecer em crianças?

    Sim, especialmente em casos de obesidade ou predisposição genética.

    4. Toda acantose é câncer?

    Não. A forma maligna é rara.

    5. Clareadores resolvem?

    Não tratam a causa, apenas podem melhorar o aspecto superficial.

    6. Emagrecer melhora?

    Sim, em muitos casos a perda de peso reduz as lesões.

    7. Precisa fazer biópsia?

    Nem sempre. Geralmente o diagnóstico é clínico.

    Veja mais: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir