Categoria: Prevenção & Longevidade

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  • GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Os agonistas de GLP-1, como a tirzepatida, atuam imitando e potencializando a ação de hormônios intestinais liberados após as refeições. Eles atuam na comunicação entre o intestino e o cérebro, aumentando a sensação de saciedade e diminuindo o impulso por certos alimentos — incluindo doces e preparações ricas em açúcar e gordura.

    Com isso, a pessoa passa a sentir menos necessidade de comer por prazer ou por impulso, consegue parar de comer mais cedo e tem mais facilidade para reconhecer o momento em que já está satisfeita.

    No caso de pessoas com compulsão alimentar, ao reduzir a intensidade dos pensamentos constantes sobre comida e a busca por recompensa imediata, os agonistas de GLP-1 ajudam a diminuir episódios de perda de controle.

    Como o GLP-1 atua no cérebro para reduzir a compulsão alimentar?

    Os agonistas de GLP-1 atuam nos sinais químicos do cérebro que controlam a fome e a saciedade. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, eles avisam ao cérebro que o corpo já recebeu energia suficiente, ajudando a reduzir a fome.

    Os injetáveis também diminuem a vontade e o prazer de comer certos alimentos, especialmente os mais calóricos e ricos em gordura. Isso acontece porque eles reduzem a ação da dopamina, um neurotransmissor ligado ao sistema de recompensa, fazendo com que comer deixe de gerar aquela sensação intensa de satisfação.

    A cardiologista explica que, entre as áreas cerebrais envolvidas está o hipotálamo, que funciona como o centro de controle da fome e da saciedade, ajudando a sinalizar o momento de parar de comer. Outra região importante é o sistema mesolímbico, responsável pela sensação de recompensa.

    Ao modular a liberação de dopamina nessa área, o GLP-1 reduz o prazer associado à comida e, consequentemente, diminui os episódios de compulsão alimentar.

    Fenômeno do food noise

    O food noise, ou ruído alimentar, são pensamentos constantes e compulsivos sobre comida, mesmo quando a pessoa não está com fome. Elas tornam ainda mais difícil manter o controle alimentar, levando à vontade de comer por impulso e à sensação de perda de controle diante da comida.

    Um estudo publicado na Nature Medicine mostrou como o fenômeno aparece no cérebro e como pode ser reduzido por medicamentos de nova geração, como a tirzepatida, comercializado como Mounjaro.

    Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia observaram a atividade cerebral de pessoas com compulsão alimentar e identificaram um padrão específico ligado ao desejo intenso por comida. Em uma paciente que usava tirzepatida, esse padrão e os pensamentos compulsivos praticamente desapareceram.

    Com o tempo, a atividade cerebral ligada ao food noise voltou a aumentar, sugerindo possível redução do efeito do medicamento no cérebro. Ainda assim, o estudo reforça que os agonistas de GLP-1 atuam diretamente nos mecanismos da compulsão alimentar e abrem caminho para tratamentos mais focados no controle desses impulsos.

    Há risco de o paciente substituir a compulsão por outros comportamentos?

    De acordo com Juliana, resultados preliminares indicam que não há uma relação direta de substituição de uma compulsão por outro comportamento.

    Alguns estudos observacionais mostram que pacientes em uso de GLP-1 também tendem a reduzir a vontade de consumir álcool e de fumar, já que o medicamento atua no sistema geral de recompensa do cérebro, e não apenas na alimentação.

    Porém, quando a comida é usada como principal válvula de escape emocional, a redução do comportamento pode causar ansiedade, o que reforça a importância de acompanhamento adequado.

    O que acontece com a compulsão alimentar após a suspensão do GLP-1

    Depois da suspensão do GLP-1, o efeito do medicamento no cérebro vai diminuindo aos poucos. Com isso, a fome, o food noise e a compulsão alimentar podem voltar, principalmente se não houver acompanhamento.

    Por isso, o GLP-1 ajuda no controle dos sintomas enquanto está em uso, mas não substitui mudanças de hábitos nem o acompanhamento médico, psicológico e nutricional, que são fundamentais para manter os resultados a longo prazo.

    O controle da compulsão ajuda a proteger o coração?

    A resposta é sim. A compulsão alimentar costuma envolver ingestão rápida e excessiva de calorias, o que favorece picos de glicemia, inflamação sistêmica e acúmulo de gordura visceral.

    Quando a compulsão é controlada, Juliana explica que há maior estabilidade dos níveis de açúcar no sangue, redução da inflamação e melhora da resistência à insulina.

    Os fatores, em conjunto, contribuem para a manutenção da perda de peso e para a redução do risco cardiovascular a longo prazo.

    Veja mais: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Qual a diferença entre compulsão alimentar e bulimia?

    Na compulsão alimentar não há comportamentos compensatórios, como vômitos ou uso de laxantes, o que ocorre na bulimia.

    Quais são os principais sintomas da compulsão alimentar?

    Os principais sintomas da compulsão alimentar envolvem comer rapidamente, ingerir grandes quantidades mesmo sem fome, comer até sentir desconforto físico e sentir culpa ou vergonha após os episódios.

    Como é feito o diagnóstico da compulsão alimentar?

    O diagnóstico é clínico, feito por profissional de saúde, com base na frequência dos episódios e nos comportamentos associados.

    Com que frequência os episódios precisam ocorrer para caracterizar o transtorno?

    Normalmente, ao menos uma vez por semana, por três meses ou mais, segundo critérios clínicos.

    A compulsão alimentar tem cura?

    Não se fala em cura, mas em controle. Com tratamento adequado, é possível reduzir episódios e melhorar a relação com a comida.

    Quem pode usar medicamentos à base de GLP-1?

    Pessoas com obesidade, sobrepeso associado a comorbidades ou diabetes tipo 2, sempre com indicação médica.

    O GLP-1 pode ser usado por tempo prolongado?

    Em muitos casos, sim, desde que haja acompanhamento médico e avaliação regular dos benefícios e riscos.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • 8 doenças que você pode pegar por não lavar bem frutas e verduras 

    8 doenças que você pode pegar por não lavar bem frutas e verduras 

    Lavar frutas, verduras e legumes pode parecer um detalhe simples da rotina, mas pular essa etapa, ou fazê-la de forma inadequada, pode trazer consequências sérias para a saúde. Todos os anos, milhões de pessoas no mundo desenvolvem doenças causadas por alimentos contaminados, muitas delas evitáveis com cuidados básicos de higiene.

    Bactérias, parasitas e vírus invisíveis a olho nu podem estar presentes em alimentos crus ou mal manipulados. Quando ingeridos, eles podem causar desde quadros leves de diarreia até infecções graves, especialmente em crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa.

    Por que a higienização correta dos alimentos é tão importante?

    Alimentos crus, especialmente frutas, verduras e legumes, podem entrar em contato com:

    • Fezes de animais;
    • Água contaminada;
    • Solo com parasitas;
    • Superfícies e mãos contaminadas durante o manuseio.

    Sem a higienização adequada, esses microrganismos permanecem nos alimentos e podem causar doenças transmitidas por alimentos (DTAs), também conhecidas como infecções ou intoxicações alimentares.

    8 doenças que você pode pegar por não higienizar alimentos corretamente

    1. Salmonelose

    Causada pela bactéria Salmonella, é uma das infecções alimentares mais comuns no mundo.

    Principais sintomas:

    • Diarreia;
    • Febre;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos.

    A contaminação ocorre principalmente por alimentos crus ou mal lavados, como verduras, além de ovos e carnes malcozidos.

    2. Hepatite A

    A hepatite A é uma infecção viral transmitida pela via fecal-oral, frequentemente associada à ingestão de água ou alimentos contaminados.

    Principais sintomas:

    • Cansaço;
    • Náuseas;
    • Dor abdominal;
    • Pele e olhos amarelados (icterícia).

    Verduras, frutas e alimentos crus mal higienizados são fontes frequentes de transmissão.

    3. Giardíase

    A giardíase é causada pelo parasita Giardia lamblia, muito comum em regiões com saneamento básico inadequado.

    Principais sintomas:

    • Diarreia persistente;
    • Gases e distensão abdominal;
    • Dor abdominal;
    • Perda de peso.

    A contaminação ocorre principalmente por água e alimentos crus mal lavados.

    4. Amebíase

    Causada pelo parasita Entamoeba histolytica, a amebíase pode variar de quadros leves a formas graves.

    Principais sintomas:

    • Diarreia com muco ou sangue;
    • Dor abdominal;
    • Febre;
    • Em casos graves, acometimento do fígado.

    Frutas e verduras contaminadas são uma importante via de transmissão.

    5. Toxoplasmose

    A toxoplasmose é causada pelo parasita Toxoplasma gondii e merece atenção especial em gestantes.

    Principais sintomas:

    • Muitas vezes assintomática;
    • Febre;
    • Dor muscular;
    • Aumento de gânglios.

    A ingestão de alimentos crus ou mal higienizados contaminados com o parasita é uma das formas de transmissão.

    6. Listeriose

    A listeriose é causada pela bactéria Listeria monocytogenes e pode ser grave em grupos de risco.

    Principais sintomas:

    • Febre;
    • Dor muscular;
    • Náuseas;
    • Em gestantes, risco para o feto.

    Pode estar presente em alimentos crus, mal lavados ou mal armazenados.

    7. Infecção por Escherichia coli (E. coli)

    Algumas cepas da bactéria E. coli causam infecções intestinais graves.

    Principais sintomas:

    • Diarreia intensa (às vezes com sangue);
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos.

    A contaminação ocorre por alimentos crus, especialmente verduras e frutas mal higienizadas.

    8. Ascaridíase e outras verminoses

    Vermes intestinais, como Ascaris lumbricoides, podem ser adquiridos pela ingestão de ovos presentes em alimentos contaminados.

    Principais sintomas:

    • Dor abdominal;
    • Náuseas;
    • Perda de apetite;
    • Em casos graves, obstrução intestinal.

    Como higienizar os alimentos corretamente?

    A higienização correta de frutas, verduras e legumes é uma das medidas mais importantes para prevenir doenças transmitidas por alimentos. Esse processo envolve duas etapas diferentes, que muitas pessoas confundem: lavar e desinfetar. As duas são necessárias.

    1. Lave bem os alimentos em água corrente

    O primeiro passo é sempre a lavagem:

    • Retire folhas externas muito sujas ou danificadas
    • Lave um alimento por vez, em água corrente potável
    • Esfregue suavemente a superfície com as mãos
    • Use escova em legumes mais firmes

    Essa etapa remove sujeiras visíveis, terra, ovos de parasitas e parte dos microrganismos. Não elimina vírus e bactérias sozinha.

    2. Faça a desinfecção com solução clorada

    Após lavar, é necessário desinfetar os alimentos que serão consumidos crus.

    Como preparar a solução correta:

    • Use água sanitária própria para alimentos ou hipoclorito de sódio;
    • Siga as proporções indicadas no rótulo;
    • Deixe imerso por 10 a 15 minutos;
    • Mantenha totalmente submerso.

    Esse tempo elimina:

    • Bactérias (como Salmonella e E. coli);
    • Parasitas (como Giardia e ovos de vermes);
    • Vírus (como hepatite A).

    3. Enxágue novamente em água potável

    Após a desinfecção:

    • Retire da solução;
    • Enxágue bem;
    • Escorra e armazene em recipiente limpo.

    Atenção: vinagre ou sal não higienizam

    Vinagre e água com sal não eliminam microrganismos que causam doenças. Não substituem o processo de desinfecção.

    Cuidados extras importantes

    • Lave sempre as mãos;
    • Higienize utensílios e superfícies;
    • Separe alimentos crus de prontos;
    • Gestantes, idosos e imunossuprimidos precisam de cuidado redobrado;
    • Evite alimentos crus fora de casa quando não há garantia de higiene.

    Leia também: Desmaiar de calor é perigoso? Saiba por que acontece e o que fazer

    Perguntas frequentes sobre doenças relacionadas à falta de higienização

    1. Só lavar com água é suficiente?

    Não. A lavagem remove sujeiras, mas a desinfecção é necessária para eliminar microrganismos.

    2. Vinagre substitui o cloro?

    Não. Não há evidência de eficácia contra parasitas e bactérias.

    3. Crianças correm mais risco?

    Sim. Crianças, idosos, gestantes e imunossuprimidos são mais vulneráveis.

    4. Alimentos orgânicos também precisam ser lavados?

    Sim. A origem não elimina risco de contaminação.

    5. Posso pegar essas doenças em casa?

    Sim. Tanto em casa quanto fora.

    6. Congelar os alimentos mata microrganismos?

    Não necessariamente. A higienização continua essencial.

    7. Quando procurar um médico?

    Em casos de diarreia persistente, sangue nas fezes, febre alta ou sinais de desidratação.

    Leia mais: Desmaiar de calor é perigoso? Saiba por que acontece e o que fazer

  • Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura 

    Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura 

    Ter uma cirurgia marcada costuma gerar ansiedade, e não apenas pelo procedimento em si. Antes de entrar no centro cirúrgico, o corpo passa por uma série de adaptações, e o coração é um dos órgãos que mais sente esse impacto. A anestesia, a dor, a perda de sangue e o estresse do pós-operatório aumentam a demanda cardíaca, e por isso a avaliação prévia é fundamental.

    O que muita gente não sabe é que existe um verdadeiro checklist de segurança para garantir que o coração esteja preparado para enfrentar esse momento. Quando seguidos, esses cuidados reduzem o risco de complicações e tornam a recuperação mais tranquila.

    Por que o coração precisa de um checklist antes da cirurgia

    Toda cirurgia gera estresse fisiológico. Durante o procedimento, ocorrem alterações hormonais, variações da pressão arterial, aceleração dos batimentos e maior demanda de oxigênio pelo coração.

    Na maioria das pessoas saudáveis, isso é bem tolerado. Mas pacientes com pressão alta, diabetes, histórico de doenças cardíacas, colesterol alto ou idade mais avançada podem ter risco aumentado de complicações como:

    • Infarto
    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca aguda
    • AVC

    Por isso, garantir que o coração está em ordem para operar é uma das etapas mais importantes do preparo cirúrgico.

    Checklist cardíaco pré-operatório: o que avaliar antes de operar

    É importante que essa avaliação seja feita assim que a cirurgia for marcada. Assim há tempo suficiente para pedir exames, ajustar medicações ou investigar sintomas.

    A seguir, um checklist objetivo do que deve ser avaliado pelo médico:

    1. Histórico de doenças cardíacas

    Se a pessoa já teve:

    • Infarto
    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca
    • Doença coronariana
    • Stent ou angioplastia
    • AVC prévio

    A avaliação cardiológica é obrigatória.

    2. Fatores de risco

    Mesmo sem doença cardíaca conhecida, alguns fatores aumentam o risco cirúrgico:

    • Pressão alta
    • Diabetes
    • Colesterol alto
    • Obesidade
    • Tabagismo
    • Idade acima de 50–60 anos

    Essas condições precisam estar controladas antes da cirurgia.

    3. Sintomas recentes

    Sinais de alerta que exigem consulta imediata:

    • Dor no peito
    • Falta de ar
    • Cansaço sem explicação
    • Inchaço nas pernas
    • Palpitações
    • Tonturas ou desmaios

    4. Exames necessários

    Dependendo do caso, o cardiologista pode solicitar:

    • Eletrocardiograma
    • Ecocardiograma
    • Teste ergométrico
    • Monitorização de arritmias
    • Exames laboratoriais específicos

    O objetivo é detectar alterações que possam impactar a cirurgia.

    5. Ajustes de medicação

    Medicamentos como anticoagulantes e anti-hipertensivos podem precisar de ajustes. Mas é importante jamais suspender por conta própria.

    6. Tipo de cirurgia

    Cirurgias de maior porte (abdominais, ortopédicas extensas, vasculares) exigem preparo mais rigoroso. Mesmo em cirurgias pequenas, porém, o coração precisa ser avaliado se houver fatores de risco.

    Como o coração é protegido durante a cirurgia

    Durante a operação, o anestesista monitora:

    • Pressão arterial
    • Frequência cardíaca
    • Oxigenação
    • Ritmo elétrico cardíaco

    O manejo cuidadoso da dor, dos fluidos e da anestesia ajuda a evitar sobrecarga.

    Cuidados com o coração no pós-operatório

    Após a cirurgia, ainda existe risco de:

    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca
    • Infarto
    • Complicações respiratórias

    Por isso, o acompanhamento médico é indispensável. Reabilitação cardíaca, fisioterapia, boa hidratação e controle da dor ajudam na recuperação.

    Checklist final: estou pronto para a cirurgia?

    Você está mais preparado quando:

    • Exames estão atualizados
    • Sintomas foram avaliados
    • Fatores de risco estão controlados
    • Medicações foram ajustadas pelo médico
    • Cardiologista liberou o procedimento

    Isso não elimina totalmente o risco, mas reduz as chances de complicações.

    Veja também: Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista

    Perguntas frequentes sobre avaliação cardiológica antes de cirurgias

    1. Preciso de cardiologista mesmo para cirurgias pequenas?

    Sim. Quem tem fatores de risco ou sintomas deve ser avaliado mesmo em procedimentos simples.

    2. A cirurgia pode ser adiada por causa do coração?

    Sim, especialmente se houver sintomas, exames alterados ou risco cardíaco elevado.

    3. Já tive infarto. Posso fazer cirurgia?

    Pode, desde que o cardiologista avalie o tempo desde o evento e solicite exames necessários.

    4. Quais complicações cardíacas podem ocorrer na cirurgia?

    Infarto, arritmias, insuficiência cardíaca e AVC estão entre as mais comuns.

    5. Preciso suspender meus remédios antes de operar?

    Somente com orientação médica, principalmente anticoagulantes.

    6. Idosos têm risco maior?

    Sim. Idade avançada aumenta a probabilidade de fatores de risco associados.

    7. Quando devo procurar o cardiologista?

    Assim que a cirurgia for marcada, mesmo que você se sinta bem.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Doação de sangue: quem pode, quem não pode e por que é tão importante doar 

    Doação de sangue: quem pode, quem não pode e por que é tão importante doar 

    Em hospitais de todo o país, todos os dias, pessoas dependem de transfusões de sangue para sobreviver. São vítimas de acidentes, pacientes em cirurgias, pessoas com câncer, doenças hematológicas, complicações no parto e tantas outras situações em que o sangue faz a diferença entre a vida e a morte.

    Apesar disso, os estoques de sangue costumam operar no limite, especialmente em feriados prolongados, períodos de frio ou férias. Doar sangue é um gesto simples, rápido e seguro, mas que ainda gera muitas dúvidas e receios. Entender por que a doação é tão importante e quem pode donar ajuda a transformar solidariedade em ação concreta.

    Por que doar sangue é tão importante?

    O sangue não pode ser fabricado em laboratório. Ele só pode ser obtido por meio da doação voluntária.

    Cada bolsa de sangue coletada pode beneficiar até quatro pessoas diferentes, já que o material é separado em componentes como:

    • Concentrado de hemácias;
    • Plaquetas;
    • Plasma;
    • Crioprecipitado.

    Esses componentes são usados em situações como:

    • Cirurgias de grande porte;
    • Tratamentos oncológicos;
    • Acidentes graves;
    • Anemias severas;
    • Transplantes;
    • Complicações obstétricas.

    Sem doadores regulares, hospitais simplesmente não conseguem atender a demanda.

    Quem pode doar sangue?

    De forma geral, muitas pessoas podem doar, desde que atendam a alguns critérios básicos de segurança, tanto para quem doa quanto para quem recebe.

    Requisitos básicos para doar sangue

    Você pode doar sangue se:

    • Tem entre 16 e 69 anos. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis;
    • Pesa no mínimo 50 kg;
    • Está em boas condições de saúde;
    • Dormiu pelo menos 6 horas na noite anterior;
    • Está alimentado (evitar alimentos gordurosos antes da doação);
    • Não ingeriu bebida alcoólica nas últimas 12 horas;
    • Apresenta documento oficial com foto.

    A triagem inclui uma entrevista confidencial e rápida, além da verificação de sinais vitais.

    Quem não pode doar sangue?

    Algumas condições impedem a doação de forma temporária ou definitiva, para proteger o receptor.

    Impedimentos temporários

    Você precisa aguardar um período se:

    • Está com febre, gripe ou infecção;
    • Teve diarreia recente;
    • Fez tatuagem ou piercing nos últimos 12 meses;
    • Fez endoscopia, colonoscopia ou cirurgia recente;
    • Está grávida ou até 90 dias após o parto;
    • Amamenta (em alguns casos, por período determinado);
    • Usou antibióticos recentemente;
    • Tomou algumas vacinas específicas (o tempo varia conforme a vacina).

    Após o período indicado pelo hemocentro, a doação pode ser liberada.

    Impedimentos definitivos

    Algumas doenças impedem a doação de forma permanente, pois podem ser transmitidas pelo sangue ou comprometer a segurança do receptor.

    Algumas delas são:

    • HIV/Aids;
    • Hepatite B ou C;
    • Doença de Chagas;
    • HTLV;
    • Uso de drogas injetáveis ilícitas.

    Essas restrições não são julgamento, mas medidas de proteção em saúde pública.

    Doar sangue faz mal para quem doa?

    Não. A doação é segura quando realizada em locais autorizados.

    O corpo repõe o volume de sangue em poucas horas e os glóbulos vermelhos em algumas semanas. A quantidade retirada é pequena e não causa prejuízo à saúde de pessoas saudáveis.

    Após a doação, recomenda-se:

    • Ingerir bastante líquido;
    • Evitar esforço físico intenso no mesmo dia;
    • Manter o curativo por algumas horas.

    Por que os estoques de sangue vivem baixos?

    Alguns fatores contribuem:

    • Medo ou desinformação;
    • Falta de tempo;
    • Campanhas concentradas apenas em datas específicas;
    • Redução de doadores em períodos frios ou feriados.

    Por isso, doadores regulares são essenciais para manter os bancos abastecidos o ano todo.

    Doar sangue é um ato de cidadania

    Mais do que solidariedade, doar sangue é um compromisso coletivo. Ninguém sabe quando vai precisar, mas todos podem ser a chance de alguém continuar vivendo.

    A doação regular garante que o sistema funcione mesmo em momentos de emergência.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre doação de sangue

    1. Doar sangue engorda ou emagrece?

    Não. A doação não altera peso gordura corporal.

    2. Posso doar se tiver pressão alta?

    Sim, desde que esteja controlada e for liberado na triagem.

    3. Quem tem diabetes pode doar?

    Depende do tipo e do controle. O hemocentro avalia caso a caso.

    4. Quantas vezes por ano posso doar?

    Homens: até 4 vezes ao ano;
    Mulheres: até 3 vezes ao ano.

    5. A doação dói?

    A picada é rápida e geralmente pouco dolorosa.

    6. Posso trabalhar depois de doar?

    Sim, desde que evite esforço físico intenso no mesmo dia.

    7. Preciso estar em jejum?

    Não. Apenas evite alimentos gordurosos antes da doação.

    Confira: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

  • ‘Comida de verdade’: veja o que mudou na nova pirâmide alimentar americana

    ‘Comida de verdade’: veja o que mudou na nova pirâmide alimentar americana

    O governo dos Estados Unidos divulgou novas diretrizes alimentares que propõem mudanças na forma como os norte-americanos devem se alimentar nos próximos anos. As orientações, apresentadas pelo secretário de saúde Robert F. Kennedy Jr., reforçam a importância de consumir mais proteínas e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e de açúcar adicionado.

    Publicadas a cada cinco anos pelo Departamento de Agricultura e pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos, as diretrizes servem como base para programas federais de nutrição, como a merenda escolar.

    Nesta nova versão, o foco está na chamada “comida de verdade”, com incentivo ao consumo de proteínas, gorduras consideradas saudáveis e laticínios integrais, além de regras mais flexíveis sobre o consumo de bebidas alcoólicas.

    Apesar de manter recomendações já conhecidas, as novas orientações defendem uma alimentação mais simples e menos industrializada. A seguir, vamos entender quais foram as principais mudanças e no que devemos prestar atenção.

    O que mudou na nova pirâmide alimentar americana?

    A nova Diretriz Alimentar Americana 2025–2030 tem como base o lema “comida de verdade” (eat real food). Em relação às versões anteriores, a pirâmide alimentar passou por mudanças importantes, conforme aponta a cardiologista Juliana Soares:

    • Mudança na base da pirâmide: os alimentos prioritários passam a ser proteínas de alta qualidade, gorduras saudáveis e vegetais, substituindo o modelo anterior centrado em carboidratos;
    • Redução do topo da pirâmide: carboidratos processados e grãos refinados, que antes ocupavam a base, agora aparecem em menor quantidade;
    • Aumento da recomendação de proteína: o consumo diário recomendado subiu de 1,2 g para 1,6 g por quilo de peso corporal, com incentivo à ingestão de proteína em todas as refeições;
    • Revisão do papel das gorduras saturadas naturais: alimentos como ovos e carnes passam a ser aceitos dentro do padrão de comida real, mantendo-se o limite de até 10% de gordura saturada diária;
    • Liberação dos laticínios integrais: desde que sem açúcar, laticínios integrais podem ser consumidos, diferentemente das diretrizes anteriores, que priorizavam versões desnatadas ou light;
    • Posicionamento claro contra ultraprocessados: pela primeira vez, o documento recomenda explicitamente evitar alimentos ultraprocessados, ricos em conservantes, corantes e aditivos;
    • Tolerância zero ao açúcar adicionado: a diretriz afirma que nenhuma quantidade de açúcar adicionado é considerada saudável ou necessária;
    • Mudança na recomendação sobre álcool: foi retirado o limite diário de consumo. A orientação atual é beber menos ou não beber para uma melhor saúde, sem incentivo ao consumo de álcool.

    As recomendações nutricionais do governo dos Estados Unidos têm efeito direto sobre a alimentação de milhões de crianças atendidas por escolas públicas e programas de assistência alimentar.

    As atualizações nas diretrizes podem modificar os critérios de financiamento federal e influenciar os alimentos oferecidos nas refeições escolares.

    As novas diretrizes incentivam a dieta carnívora?

    As diretrizes não incentivam uma dieta carnívora, ao contrário do que muitas interpretações sugerem. Segundo Juliana, o que ocorreu foi o aumento da recomendação de consumo de proteína, que passou de 1,2 para 1,6 g por quilo de peso corporal, além de uma abordagem mais flexível em relação às gorduras de origem animal.

    Isso não significa que as pessoas devem excluir vegetais, frutas, fibras e outros nutrientes de origem vegetal, que continuam sendo fundamentais para a saúde. A confusão surge porque, ao reduzir o espaço ocupado por carboidratos refinados, as proteínas acabam ganhando mais destaque visual no prato.

    A diretriz recomenda proteínas de alta qualidade, mas reforça a necessidade de micronutrientes fornecidos pelos vegetais.

    Mudanças têm gerado opiniões diferentes

    As novas diretrizes representam uma quebra importante em relação às recomendações seguidas nas últimas décadas. Durante muito tempo, a principal orientação era reduzir o consumo de gorduras, especialmente as de origem animal, dando espaço às chamadas dietas com baixo teor de gordura.

    De acordo com Juliana, um dos pontos que mais gerou discussão foi a mudança na forma de olhar para as gorduras naturais. Alimentos como ovos e manteiga, que eram proscritos nas diretrizes anteriores, agora passam a ter espaço, desde que dentro de um contexto de alimentação baseada em alimentos in natura.

    Além disso, especialistas alertam que dar mais espaço às proteínas, principalmente as de origem animal, pode levar a um consumo maior de calorias e favorecer ganho de peso, além de sobrecarregar os rins em algumas pessoas.

    Ao mesmo tempo, a menor presença de grãos integrais pode reduzir a ingestão de fibras e de nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.

    Para completar, a recomendação de eliminar o açúcar adicionado da alimentação também despertou debate. Apesar de diversos profissionais da saúde concordarem que reduzir o açúcar é importante para a saúde, a orientação ainda encontra resistência, especialmente da indústria de alimentos ultraprocessados.

    Diretrizes estão alinhadas com as evidências científicas atuais?

    As pesquisas mais recentes mostram que as gorduras presentes em alimentos naturais, como ovos e laticínios integrais, não são tão prejudiciais quanto se acreditava. Quando eles fazem parte de uma alimentação equilibrada, sem excesso de calorias e açúcar, o impacto negativo para a saúde tende a ser menor, conforme explica Juliana.

    Hoje, o risco cardiovascular está mais relacionado a processos inflamatórios e à resistência à insulina, que são estimulados principalmente pelo consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcares refinados, como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, doces industrializados e embutidos.

    De acordo com a cardiologista, os ultraprocessados costumam conter grandes quantidades de gordura trans, sódio e aditivos químicos — o que provoca alterações importantes no metabolismo, prejudicando o funcionamento do organismo.

    Com o tempo, essas alterações podem danificar a parte interna das artérias, processo conhecido como disfunção endotelial. Isso contribui para o aumento da pressão arterial e para a formação de placas de gordura, que podem levar a problemas graves, como infarto e AVC.

    Além disso, os ultraprocessados favorecem o ganho de peso, pois têm muitas calorias e poucos nutrientes. O consumo frequente de calorias vazias aumenta o risco de obesidade, que é um fator associado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Qual a diferença entre as diretrizes americanas e o Guia Alimentar para a População Brasileira?

    O Guia Alimentar para a População Brasileira tem forte base científica e é reconhecido internacionalmente por focar no grau de processamento dos alimentos. A principal recomendação sempre foi priorizar alimentos in natura e minimizar o consumo de ultraprocessados, o que segue alinhado com as evidências mais atuais em saúde.

    Enquanto o guia americano traz um olhar mais técnico, voltado para macronutrientes e aspectos bioquímicos da alimentação, o guia brasileiro valoriza o ato de comer, o preparo das refeições e o respeito à cultura alimentar do país, com destaque para combinações tradicionais como arroz e feijão.

    Nesse contexto, para a população brasileira, Juliana explica que o Guia Alimentar Nacional continua sendo uma referência mais segura e adequada, e se encaixa melhor na realidade cultural e social do Brasil.

    Quais recomendações práticas resumem uma alimentação cardioprotetora hoje?

    Uma alimentação cardioprotetora envolve escolhas simples no dia a dia, como aponta Juliana:

    • Priorizar alimentos de origem vegetal, com variedade de vegetais e frutas;
    • Reduzir ao máximo o consumo de alimentos ultraprocessados;
    • Utilizar gorduras de boa qualidade, como azeite de oliva e oleaginosas;
    • Garantir ingestão adequada de fibras;
    • Diminuir o consumo de sódio;
    • Reduzir o consumo de açúcar;
    • Incluir uma fonte de proteína em todas as refeições para aumentar a saciedade e ajudar no controle da insulina.

    Além das orientações, vale destacar que manter regularidade nas refeições e atenção ao tamanho das porções também faz diferença para a saúde do coração. Comer com calma, respeitar os sinais de fome e saciedade e evitar longos períodos em jejum ajudam a manter o metabolismo mais equilibrado.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    Qual o papel das proteínas na saúde cardiovascular?

    As proteínas ajudam na saciedade, no controle do açúcar no sangue e na manutenção da massa muscular. Quando escolhidas de forma adequada, como carnes magras, ovos, peixes, leguminosas e laticínios sem açúcar, contribuem para uma alimentação mais equilibrada.

    Gordura faz mal para o coração?

    Depende do tipo de gordura. Gorduras trans e excesso de gordura presente em alimentos ultraprocessados são prejudiciais. Já gorduras naturais e de boa qualidade, como azeite de oliva, oleaginosas e gorduras presentes em alimentos naturais, podem fazer parte de uma alimentação saudável quando consumidas sem exageros.

    Qual a importância das fibras na alimentação cardioprotetora?

    As fibras ajudam a controlar o colesterol, melhoram o funcionamento do intestino e reduzem picos de açúcar no sangue. Uma alimentação rica em fibras contribui diretamente para a saúde do coração e do metabolismo.

    Comer tarde da noite prejudica o coração?

    Pode prejudicar, principalmente quando as refeições noturnas são grandes e ricas em gordura e açúcar. O hábito de comer muito tarde pode atrapalhar o metabolismo, o sono e o controle do peso, fatores importantes para a saúde cardiovascular.

    Farinha de mandioca e derivados podem ser consumidos?

    Podem ser consumidos em pequenas quantidades. A mandioca faz parte da cultura alimentar brasileira, mas o consumo excessivo pode aumentar a ingestão de carboidratos refinados.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Os benefícios dos agonistas do GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, podem ir muito além da perda de peso e do controle do açúcar no sangue.

    De acordo com estudos recentes, as canetas emagrecedoras apresentam impacto no perfil lipídico, reduzindo principalmente os níveis de triglicerídeos e do colesterol ruim (LDL), além de ajudarem na manutenção ou até em um leve aumento do colesterol bom (HDL).

    Mas afinal, como isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para explicar como essas medicações influenciam o metabolismo das gorduras e qual é o papel da perda de peso nesse processo. Confira!

    Canetas emagrecedoras e colesterol: como elas melhoram o perfil lipídico?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, os agonistas do GLP-1 atuam em diferentes frentes do metabolismo, envolvendo tanto o fígado quanto o intestino.

    No fígado, a medicação reduz a produção de VLDL, uma lipoproteína de muito baixa densidade responsável pelo transporte de triglicerídeos, o que diminui a quantidade de gordura liberada na circulação.

    No intestino, o retardo do esvaziamento gástrico e da absorção de gorduras após as refeições ajuda a evitar picos de gordura no sangue.

    Juliana explica que a melhora do perfil lipídico acontece, principalmente, como consequência da perda de peso. Com o emagrecimento, ocorre melhora da resistência à insulina, tornando o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    Contudo, também existem evidências de que os agonistas do GLP-1 exercem um efeito direto na redução do processo inflamatório do organismo e da inflamação do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, o que contribui de forma adicional para a melhora dos níveis de colesterol.

    As canetas emagrecedoras substituem os remédios para colesterol?

    Os agonistas do GLP-1 podem ajudar a melhorar os exames de colesterol, mas não substituem os medicamentos usados no tratamento.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, as estatinas, que são os remédios específicos para controlar o colesterol, têm um efeito muito mais efetivo. Em alguns casos, conseguem reduzir até 50% dos níveis de colesterol ruim, enquanto os agonistas do GLP-1 promovem uma redução em torno de 10%.

    No caso dos triglicerídeos, as canetas emagrecedoras costumam ter um efeito mais significativo. Mesmo assim, as estatinas continuam sendo a principal opção para o tratamento do colesterol.

    Por isso, é necessário manter o uso das estatinas sempre que houver indicação médica, mesmo durante o tratamento com agonistas do GLP-1.

    Quem tem colesterol normal também se beneficia?

    Mesmo em pacientes com colesterol normal e em uso de estatinas, a adição dos agonistas do GLP-1 demonstrou impacto na redução do risco de infarto e AVC.

    Segundo Juliana, isso acontece principalmente devido à ação anti-inflamatória, à melhora da função do endotélio, que corresponde à parede interna dos vasos sanguíneos, e à melhora da pressão arterial.

    Tudo isso contribui para um benefício cardiovascular positivo, mesmo quando os níveis de colesterol já estão controlados.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Por que emagrecer melhora o colesterol?

    A perda de peso melhora a resistência à insulina e torna o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    É seguro usar GLP-1 junto com estatina?

    Sim, quando indicado pelo médico. As medicações atuam por mecanismos diferentes e podem se complementar.

    Quanto tempo leva para notar melhora nos exames?

    As mudanças costumam aparecer de forma gradual, acompanhando a perda de peso ao longo dos meses.

    Qual a diferença entre colesterol LDL e HDL?

    O LDL é conhecido como colesterol ruim, pois pode se acumular nas artérias. O HDL é chamado de colesterol bom, pois ajuda a remover o excesso de gordura da circulação.

    A alimentação influencia muito nos níveis de colesterol?

    Sim, o consumo excessivo de gorduras saturadas, ultraprocessados e açúcar pode elevar os níveis de colesterol e triglicerídeos.

    Com que frequência o colesterol deve ser avaliado?

    A periodicidade depende do perfil de risco, mas geralmente a avaliação ocorre pelo menos uma vez por ano ou conforme orientação médica.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

  • Emagrecer rápido demais faz mal ao coração? Entenda o papel das canetas emagrecedoras

    Emagrecer rápido demais faz mal ao coração? Entenda o papel das canetas emagrecedoras

    Independentemente do método escolhido, o emagrecimento acelerado e sem orientação médica pode trazer uma série de riscos para a saúde.

    Quando a perda de peso ocorre de forma brusca, o coração precisa lidar com alterações no volume de sangue, na pressão arterial e na disponibilidade de energia — o que pode aumentar o risco de tonturas, queda de pressão e alterações no ritmo cardíaco.

    Com a popularização dos remédios agonistas de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, o quadro merece uma atenção ainda mais especial. Vamos entender mais a relação, a seguir.

    Emagrecer rápido demais faz mal para o coração?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, apesar do emagrecimento a longo prazo trazer benefícios para o sistema cardiovascular, devido a redução da gordura corporal, uma perda de peso muito rápida pode promover uma situação de estresse agudo para o organismo.

    A perda acelerada de peso pode levar à falta de nutrientes importantes, como potássio e magnésio, que são essenciais para o funcionamento do coração. Também pode ocorrer a perda excessiva de massa muscular, e como o coração é um músculo, ele também pode ser afetado.

    Para completar, quedas súbitas de pressão arterial, tonturas e alterações no ritmo cardíaco podem surgir no processo, especialmente quando o organismo é submetido a um estresse metabólico intenso.

    O uso de canetas emagrecedoras aumenta o risco?

    Os agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, atuam no organismo reduzindo o apetite, aumentando a sensação de saciedade e retardando o esvaziamento gástrico. Com isso, a ingestão de alimentos tende a diminuir de forma significativa, o que favorece a perda de peso.

    Segundo Juliana, se a dose for aumentada de maneira muito rápida ou se o paciente simplesmente deixar de comer por não sentir fome, e a perda de peso ultrapassar o limite recomendado (como mais de 1 kg por semana), pode ocorrer uma perda desproporcional de massa magra em vez de gordura, o que não é saudável.

    Por isso, esse tipo de medicamento deve ser usado com orientação médica, com ajuste das doses e atenção ao ritmo da perda de peso. O acompanhamento profissional garante uma alimentação adequada, preserva nutrientes essenciais e permite o monitoramento do organismo ao longo do tratamento, como explica Juliana.

    Como saber se o corpo está emagrecendo rápido demais?

    O organismo costuma dar indícios quando a perda de peso acontece em uma velocidade inadequada para o metabolismo. Alguns sintomas podem indicar que o emagrecimento está ocorrendo de forma acelerada demais, como:

    • Fadiga excessiva e tontura, que podem indicar desidratação ou hipoglicemia;
    • Queda intensa de cabelo, relacionada ao choque metabólico;
    • Irritabilidade e falta de energia, causadas pela deficiência de nutrientes que afetam o funcionamento do cérebro;
    • Flacidez acentuada, associada à perda excessiva de massa muscular;
    • Formação de cálculos biliares, conhecidos como pedras na vesícula, que ocorre porque a bile se torna mais concentrada durante perdas de peso muito rápidas.

    Se os sinais surgirem, é importante procurar avaliação médica para reavaliar a estratégia de emagrecimento e ajustar o ritmo da perda de peso.

    Por que emagrecer com equilíbrio é fundamental?

    Quando o emagrecimento é feito de forma gradual, o corpo consegue se adaptar melhor às mudanças. Isso ajuda a preservar a massa muscular, manter vitaminas e minerais em níveis adequados e evitar sobrecarga para o coração.

    A perda de peso mais lenta também contribui para manter a pressão arterial estável, reduzir o risco de alterações no ritmo do coração e deixar o metabolismo funcionando de forma mais equilibrada.

    Com acompanhamento médico e nutricional, o processo se torna mais seguro, sustentável e benéfico para a saúde ao longo do tempo.

    Perguntas frequentes

    Por que o emagrecimento com GLP-1 costuma ser mais eficiente?

    Além de reduzir a quantidade de alimentos ingeridos, os medicamentos atuam em áreas do cérebro ligadas à fome e ao prazer alimentar. Isso ajuda a diminuir a vontade de comer em excesso, principalmente alimentos calóricos, facilitando a adesão ao tratamento.

    Qual é um ritmo considerado seguro de emagrecimento?

    De modo geral, a perda de até 0,5 a 1 kg por semana costuma ser considerada mais segura, pois permite que o organismo se adapte sem sobrecarga.

    Quem pode usar agonistas do GLP-1 para emagrecer?

    O uso costuma ser indicado para pessoas com sobrepeso ou obesidade, especialmente quando há doenças associadas, como diabetes ou resistência à insulina. A indicação deve ser sempre médica.

    Existem riscos cardiovasculares com o uso do GLP-1?

    Quando bem indicado e acompanhado, o tratamento tende a trazer benefícios cardiovasculares, principalmente em pessoas com excesso de peso e diabetes.

    O que acontece se o medicamento for suspenso?

    Sem mudanças sustentáveis nos hábitos, pode ocorrer retorno do apetite e recuperação do peso. Por isso, o tratamento deve fazer parte de uma estratégia mais ampla.

    A perda de massa muscular afeta a saúde do coração?

    Sim! Como o coração é um músculo, perdas excessivas de massa muscular refletem em menor reserva energética e podem comprometer o desempenho cardiovascular.

    Desidratação durante o emagrecimento pode afetar o coração?

    Pode. A desidratação altera o volume de sangue circulante, o que pode causar tonturas, queda de pressão e sobrecarga cardíaca.

  • Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Se você começou o tratamento com os agonistas de GLP-1, como Mounjaro e Ozempic, já deve ter percebido que um dos principais efeitos do medicamento é a diminuição do apetite. Depois da refeição, o cérebro entende que o corpo está satisfeito e já comeu em quantidade adequada — o que contribui para o processo de emagrecimento.

    No entanto, mesmo comendo pouco, o corpo continua precisando de energia, proteínas, vitaminas e minerais para funcionar bem. Por isso, manter uma alimentação equilibrada é importante para evitar deficiências e garantir uma perda de peso mais saudável.

    Por que as canetas emagrecedoras diminuem a fome?

    Os agonistas de GLP-1 são capazes de imitar a ação de um hormônio chamado GLP-1, produzido naturalmente pelo intestino após as refeições, de acordo com a cardiologista Juliana Soares.

    O hormônio age no cérebro, enviando sinais de saciedade, fazendo com que a pessoa se sinta satisfeita mais rapidamente, mesmo comendo menos.

    A especialista também aponta que os medicamentos agem na via da recompensa, ligada à dopamina, reduzindo o estímulo associado a alimentos muito calóricos, como doces e gorduras. Com isso, a vontade de consumir esse tipo de alimento diminui, assim como pensamentos obsessivos e episódios de compulsão alimentar.

    Por que é importante comer bem mesmo sem sentir fome?

    Quando a ingestão de alimentos e calorias é reduzida de forma excessiva, o corpo interpreta isso como falta de energia.

    Segundo Juliana, do ponto de vista metabólico, ocorrem adaptações: se a ingestão cai de maneira abrupta e desequilibrada, o organismo entra em modo de economia, reduzindo a taxa metabólica basal e queimando menos calorias em repouso.

    Ao se alimentar regularmente, o organismo recebe o sinal de que há energia disponível, o que ajuda a manter a queima de gordura mais eficiente. Além disso, o corpo precisa manter estabilidade nos níveis de glicemia.

    Quando a pessoa fica muito tempo sem comer e depois ingere alimentos, principalmente ricos em açúcar, pode ocorrer hipoglicemia reativa, com sintomas como tontura e mal-estar.

    Para completar, os agonistas de GLP-1 podem deixar o intestino mais lento, e o intestino precisa de fibras e água para funcionar bem. Quando a alimentação não é adequada, o funcionamento intestinal fica prejudicado, aumentando efeitos colaterais como o intestino preso.

    Riscos de comer pouco para a saúde

    Uma alimentação inadequada pode trazer diversos riscos para a saúde, especialmente quando ocorre sem orientação profissional. Entre os principais, estão:

    • Redução da taxa metabólica basal, fazendo o corpo gastar menos energia em repouso;
    • Perda de massa muscular e aumento do risco de sarcopenia;
    • Deficiências de vitaminas e minerais, como ferro, cálcio e vitaminas do complexo B;
    • Queda de cabelo, unhas fracas e pele mais ressecada;
    • Desequilíbrios hormonais e alterações no ciclo menstrual;
    • Episódios de hipoglicemia, com tontura, fraqueza e mal-estar;
    • Aumento da fadiga e da sensação de cansaço no dia a dia;
    • Piora do funcionamento intestinal, com constipação;
    • Maior risco de efeito sanfona após a interrupção de dietas ou medicações;
    • Impacto negativo na saúde mental, com maior irritabilidade e dificuldade de concentração.

    Quais alimentos priorizar durante o tratamento com canetas emagrecedoras?

    Com a diminuição do apetite e a saciedade mais rápida, Juliana aponta que é importante escolher alimentos que concentrem muitos nutrientes em pequenas porções.

    Por isso, a alimentação deve priorizar proteínas magras, como frango, peixe, ovos, iogurtes proteicos ou whey protein, que ajudam a preservar a massa muscular e manter o corpo funcionando bem.

    Também é importante incluir fibras de fácil digestão. Como o estômago e o intestino ficam mais lentos, vegetais cozidos costumam ser melhor tolerados do que folhas cruas, ajudando o intestino a funcionar melhor.

    Para garantir energia ao longo do dia, vale incluir carboidratos complexos, como batata-doce e quinoa, que liberam energia de forma gradual e evitam picos de açúcar no sangue.

    Por fim, beber água regularmente, além de água de coco ou isotônicos quando necessário, ajuda a prevenir a desidratação, já que a sensação de sede pode diminuir durante o uso dessas medicações.

    Como ajustar as porções e os horários das refeições?

    Quando a fome diminui de forma intensa, alguns ajustes são necessários para manter a nutrição adequada e evitar desconfortos ao longo do dia:

    • Manter a regularidade das refeições, evitando pular horários, mesmo com porções menores;
    • Priorizar porções reduzidas, porém com alimentos de alta densidade nutricional;
    • Mastigar bem os alimentos, já que o esvaziamento gástrico fica mais lento;
    • Evitar refeições próximas ao horário de dormir;
    • Realizar a última refeição, preferencialmente, até três horas antes de deitar;
    • Respeitar os sinais de saciedade e parar de comer ao se sentir satisfeito;
    • Evitar insistir na alimentação após a saciedade, prevenindo náusea e azia.

    Lembre-se: o tratamento precisa de acompanhamento nutricional

    Durante e após o uso dos agonistas de GLP-1, o acompanhamento com nutricionista é importante para garantir uma perda de peso mais saudável. Ele ajuda a evitar perda de massa muscular, falta de nutrientes e episódios de hipoglicemia.

    Além disso, o nutricionista auxilia na manutenção dos resultados ao longo do tempo, reduzindo o risco de reganho de peso após a suspensão da medicação e ajudando a lidar com possíveis efeitos colaterais por meio de uma alimentação adequada e suplementação quando necessário.

    Confira: Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona

    Perguntas frequentes

    Para que servem os agonistas de GLP-1?

    Os medicamentos são usados principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Eles auxiliam no controle do peso, na redução da glicemia e na melhora de fatores metabólicos associados, como resistência à insulina.

    É normal sentir menos sede durante o tratamento?

    Pode acontecer. Os agonistas de GLP-1 também podem reduzir a percepção da sede, aumentando o risco de desidratação se a ingestão de líquidos não for mantida de forma consciente.

    As canetas emagrecedoras afetam o intestino?

    Sim, eles retardam o esvaziamento gástrico e podem deixar o intestino mais lento, o que aumenta o risco de constipação, especialmente quando a ingestão de fibras e água é baixa.

    Exercício físico é recomendado durante o uso do medicamento?

    Com certeza, desde que orientado. A prática adequada de exercícios ajuda a preservar músculos, melhorar o metabolismo e potencializar os resultados do tratamento.

    Os agonistas de GLP-1 causam dependência?

    Não causam dependência química, mas o uso deve ser bem indicado e acompanhado, pois a interrupção sem estratégia pode dificultar a manutenção dos resultados.

    Quem não deve usar agonistas de GLP-1?

    Pessoas com algumas condições específicas, como histórico de certos tipos de câncer de tireoide ou pancreatite, devem ser avaliadas cuidadosamente pelo médico antes do uso.

    Quais os possíveis efeitos colaterais das canetas emagrecedoras?

    Os efeitos colaterais mais comuns dos agonistas de GLP-1 incluem náusea, sensação de estômago cheio, refluxo, constipação intestinal e diminuição do apetite, principalmente no início do tratamento.

    Em alguns casos, também podem ocorrer tontura, desidratação e hipoglicemia, especialmente quando a alimentação não está adequada.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Canetas emagrecedoras e apneia do sono: como a perda de peso melhora a respiração noturna?

    Canetas emagrecedoras e apneia do sono: como a perda de peso melhora a respiração noturna?

    Não é apenas a obesidade e a resistência à insulina que estão associadas ao uso das canetas emagrecedoras (agonistas do GLP-1), como Ozempic e Mounjaro. Com o emagrecimento, ocorrem mudanças importantes no funcionamento do sistema respiratório, especialmente durante o sono, período em que a musculatura relaxa naturalmente.

    No caso de pessoas que convivem com apneia do sono, a perda de peso pode ajudar a melhorar a respiração durante a noite, já que a redução do acúmulo de gordura na região do pescoço, da língua e da garganta aumenta o espaço disponível para a passagem do ar.

    Isso reduz a chance de a via aérea se fechar durante o sono, fase em que os músculos ficam naturalmente mais relaxados. Vamos entender mais essa relação, a seguir.

    Afinal, o que é apneia do sono?

    A apneia do sono é um distúrbio em que a respiração para ou fica muito fraca várias vezes enquanto a pessoa dorme. Isso acontece porque a garganta se fecha parcial ou totalmente, dificultando a entrada de ar nos pulmões.

    Quando a oxigenação cai, o cérebro entra em alerta e provoca pequenos despertares para que a respiração volte ao normal, mesmo que a pessoa não acorde de forma consciente. Ao longo da noite, esse ciclo se repete muitas vezes, o que quebra o sono e impede um descanso profundo e reparador.

    Entre alguns dos principais sinais da condição, é possível destacar o ronco alto e frequente, sensação de cansaço ao acordar, sono excessivo durante o dia, dor de cabeça pela manhã e dificuldade de concentração costumam fazer parte do quadro.

    Qual a relação entre obesidade e apneia do sono?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, o excesso de peso aumenta a quantidade de tecido e de gordura em regiões estratégicas do corpo, como a garganta e a base da língua, o que interfere diretamente na passagem do ar durante o sono.

    Com o relaxamento natural da musculatura enquanto a pessoa dorme, o acúmulo de gordura na faringe facilita o fechamento da via aérea, bloqueando parcial ou totalmente a entrada de ar e provocando as pausas respiratórias típicas da apneia do sono.

    Para complementar, o excesso de gordura abdominal faz pressão sobre o diafragma, empurrando-o para cima e reduzindo a capacidade dos pulmões de se expandirem adequadamente.

    A limitação da respiração favorece ainda mais o colapso da via aérea durante a noite, contribuindo para o aparecimento e a piora da apneia do sono.

    O emagrecimento pode melhorar a respiração durante o sono?

    Quando ocorre a perda de peso e a redução da gordura na região do pescoço, o espaço da via aérea por onde o ar passa aumenta, facilitando a respiração. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, é como um encanamento que estava entupido e volta a permitir o fluxo normal de ar.

    Além disso, com menos gordura na região do pescoço, a faringe, que faz parte da via aérea, fica menos propensa a se fechar durante o relaxamento dos músculos ao longo do sono.

    Dessa forma, ocorre não apenas o aumento do diâmetro da via aérea e a redução do risco de colapso durante o relaxamento muscular, como também a diminuição da gordura abdominal contribui para uma melhor expansão pulmonar. Isso favorece a oxigenação do organismo e melhora a respiração durante o sono.

    O uso de canetas emagrecedoras pode reduzir o quadro de apneia do sono?

    O principal fator associado à melhora da apneia com o uso dos agonistas de GLP-1 é a perda de peso. Como as canetas emagrecedoras podem levar a uma perda de peso de até 20%, segundo Juliana, ocorre uma redução importante do índice de apneia e hipopneia em pessoas com sobrepeso.

    A cardiologista explica que, conforme estudos, a obesidade está associada a um estado inflamatório crônico nos tecidos do organismo, incluindo a região da garganta e a musculatura respiratória, o que contribui para a piora da apneia do sono.

    Como as medicações agonistas de GLP-1 também ajudam a reduzir esse processo inflamatório sistêmico, pode haver melhora da inflamação das vias aéreas e da apneia, mesmo quando a perda de peso não é tão expressiva.

    Contudo, são necessários mais estudos para esclarecer se existem efeitos diretos dos medicamentos sobre a apneia do sono que vão além do emagrecimento.

    Dormir bem protege o coração

    O sono de qualidade é fundamental para a saúde do coração, enquanto a apneia do sono atua como um fator de sobrecarga para o sistema cardiovascular.

    Durante os episódios de apneia, a respiração é interrompida, a oxigenação do organismo cai e o cérebro entra em estado de alerta, liberando grandes quantidades de adrenalina e cortisol.

    Juliana explica que o mecanismo leva ao aumento da frequência dos batimentos cardíacos, favorece a ocorrência de taquicardia e eleva a pressão arterial durante o sono. Com o passar do tempo, o processo pode causar problemas ao sistema cardiovascular.

    Quando o sono é contínuo e reparador, ocorrem menos picos de adrenalina, o que ajuda a reduzir a frequência cardíaca, a pressão arterial e o risco de infarto e AVC.

    Sinais de alerta durante o tratamento de apneia do sono

    À medida que a medicação com GLP-1 é usada e ocorre a perda de peso, alguns sinais precisam ser observados em pessoas com apneia do sono.

    Com o emagrecimento, a máscara do CPAP pode deixar de se ajustar bem ao rosto, causando vazamento de ar e redução da eficácia do tratamento. O CPAP, usado no tratamento da condição, funciona enviando uma pressão positiva para manter a via aérea aberta durante a noite.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, outro ponto de atenção é a sensação de que o ar do CPAP está vindo muito forte. Isso pode causar desconforto e até inchaço na barriga, como se o ar estivesse sendo engolido.

    O retorno do ronco ou da sonolência durante o dia também é um sinal importante. Muitas vezes, o tratamento é interrompido por impressão de melhora, mas a volta dos sintomas indica que a apneia do sono ainda precisa de acompanhamento médico.

    Veja também: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Quais são os principais sintomas da apneia do sono?

    Os principais sintomas incluem ronco alto e frequente, pausas na respiração durante o sono, sono não reparador, cansaço ao acordar, sonolência durante o dia e dificuldade de concentração.

    Quem tem mais risco de desenvolver apneia do sono?

    Pessoas com excesso de peso, circunferência do pescoço aumentada, histórico familiar, uso de álcool à noite e alterações anatômicas da garganta.

    A apneia do sono é uma doença grave?

    Sim, pois quando não tratada, a apneia do sono aumenta o risco de pressão alta, infarto, AVC, arritmias cardíacas e diabetes.

    A apneia do sono pode desaparecer com a perda de peso?

    Em alguns casos, ocorre melhora importante. Mesmo assim, o acompanhamento médico continua sendo necessário para avaliar a evolução do quadro.

    O que é o CPAP?

    O CPAP é um aparelho que envia ar sob pressão para manter a via aérea aberta durante o sono, evitando as pausas respiratórias.

    Como a apneia do sono é diagnosticada?

    O diagnóstico é feito por meio da polissonografia, exame que avalia a respiração, a oxigenação e o sono durante a noite.

    Quando procurar ajuda médica para a apneia do sono?

    Sempre que houver ronco intenso, pausas respiratórias observadas por outra pessoa, cansaço excessivo ao acordar ou sonolência durante o dia. O diagnóstico precoce evita complicações.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Canetas emagrecedoras: o que acontece com o metabolismo ao usar Mounjaro e Ozempic?

    Canetas emagrecedoras: o que acontece com o metabolismo ao usar Mounjaro e Ozempic?

    Os agonistas do GLP-1, também conhecidos como canetas emagrecedoras, são medicamentos que imitam a ação de um hormônio natural do corpo chamado GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), produzido pelo intestino após as refeições.

    Além de revolucionar o tratamento do diabetes, eles passaram a ser usados também no controle do peso, por ajudarem a regular a fome e a saciedade.

    No organismo, os agonistas GLP-1 estimulam a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduzem a liberação de um hormônio que aumenta a glicose e fazem com que o estômago esvazie mais devagar. A seguir, entenda melhor como esse processo acontece.

    O que acontece com o metabolismo durante o uso dos agonistas GLP-1?

    Com o uso dos agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, ocorre uma mudança na forma como o corpo regula a fome, a saciedade e o controle do açúcar no sangue.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, os medicamentos atuam aumentando a secreção de insulina quando a glicose está elevada, diminuindo a secreção do glucagon, hormônio responsável por estimular o fígado a liberar açúcar na corrente sanguínea, e retardando o esvaziamento do estômago.

    O processo envia ao cérebro uma sensação de saciedade após a ingestão dos alimentos e, como consequência, a pessoa sente menos fome ao longo do dia, fica satisfeita com porções menores e tem menos variações nos níveis de glicose.

    O equilíbrio metabólico favorece a redução do consumo calórico de forma natural e contribui para a perda de peso de maneira mais gradual, especialmente quando associado a hábitos saudáveis e acompanhamento de um médico.

    Como os agonistas GLP-1 ajudam a controlar a glicose?

    As canetas emagrecedoras auxiliam no controle dos níveis de glicose e da resistência insulínica de duas formas: direta e indireta.

    De forma direta, atuam no pâncreas, estimulando as células beta, responsáveis pela produção de insulina, e inibindo as células alfa, que produzem o glucagon, hormônio que estimula a liberação de açúcar na corrente sanguínea.

    Com isso, a medicação ajuda a ajustar e equilibrar os mecanismos metabólicos relacionados ao açúcar, contribuindo para melhor controle glicêmico e redução da resistência insulínica.

    Já de forma indireta, Juliana explica que eles favorecem a perda de peso. Como a resistência à insulina está muito ligada ao excesso de gordura, especialmente a gordura abdominal, a redução do peso melhora a sensibilidade do corpo à insulina. Com isso, a insulina passa a funcionar melhor e o controle do açúcar no sangue se torna mais eficiente.

    As canetas emagrecedoras também influenciam o gasto energético?

    As canetas emagrecedoras não aumentam o gasto energético de forma direta. Elas não fazem o corpo queimar mais calorias nem aceleram o metabolismo como alguns estimulantes. Segundo Juliana, o principal mecanismo de ação envolvido no GLP-1 é em relação à inibição do apetite e à diminuição da ingestão alimentar.

    Ao reduzir a fome, aumentar a saciedade e diminuir o impulso por comida, a pessoa passa a consumir menos calorias ao longo do dia. Esse consumo menor gera um déficit calórico, o que leva à perda de peso.

    Em alguns casos, pode ocorrer uma leve redução do gasto energético total, já que o corpo se adapta à perda de peso, o que é um mecanismo natural de defesa. Por isso, manter uma alimentação equilibrada e a prática de atividade física é importante para preservar a massa muscular e sustentar os resultados ao longo do tempo.

    Com o uso prolongado, o metabolismo se adapta às canetas emagrecedoras?

    Com o uso prolongado das canetas emagrecedoras, o metabolismo passa por algumas adaptações, o que é uma resposta natural do organismo à perda de peso. Juliana explica que o corpo sempre busca um estado de equilíbrio, chamado homeostase.

    Com o tempo, o organismo se adapta ao novo padrão de ingestão calórica e ao esvaziamento gástrico mais lento, que tende a melhorar parcialmente. Nesse momento, a perda de peso costuma se estabilizar.

    Quando chega o momento de suspender a medicação, a interrupção precisa ser gradual. Se a retirada for feita de forma brusca, os hormônios da fome aumentam rapidamente, o que pode levar ao reganho de peso. Por isso, o desmame correto, junto com mudanças de hábitos alimentares e de comportamento, é essencial para manter os resultados a longo prazo.

    Os efeitos metabólicos trazem benefícios ao coração?

    A perda de peso obtida com o uso adequado das medicações, por si só, já está associada à melhora da saúde cardiovascular.

    Estudos também mostram que os agonistas de GLP-1 estão ligados à redução do risco de eventos cardiovasculares, como infarto, AVC e morte cardiovascular.

    Entre os mecanismos envolvidos está a ação anti-inflamatória do GLP-1 na parede dos vasos sanguíneos, que ajuda a diminuir a inflamação responsável pela formação de placas que podem obstruir as artérias.

    As canetas emagrecedoras também contribuem para a melhora do perfil lipídico, com redução dos níveis de triglicerídeos e melhora do colesterol LDL. Em conjunto, os efeitos favorecem a proteção do coração e a saúde cardiovascular.

    Cuidados com o uso de agonistas de GLP-1

    Assim como todas os medicamentos, as canetas emagrecedoras devem ser usadas apenas com supervisão médica, que é capaz de auxiliar em processos como:

    • Avaliação se o medicamento é realmente indicado para cada pessoa;
    • Definição da dose inicial e dos ajustes ao longo do tratamento;
    • Orientação sobre o tempo adequado de uso;
    • Planejamento do desmame gradual da medicação, quando necessário;
    • Monitoramento de exames, como glicemia, perfil lipídico e outros marcadores metabólicos;
    • Apoio na mudança de hábitos alimentares e de estilo de vida, essenciais para manter os resultados.

    Para completar, Juliana aponta que é importante avaliar se o paciente tem alguma contraindicação ao uso da medicação, observar como os efeitos colaterais estão acontecendo, verificar se existe alguma alteração metabólica relevante ou perigosa e, principalmente, acompanhar os resultados.

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    Perguntas frequentes

    As canetas emagrecedoras causam perda de massa muscular?

    Sem acompanhamento adequado, pode ocorrer perda de massa muscular associada ao emagrecimento. Uma alimentação equilibrada e prática de exercícios, principalmente treino de força, ajudam a preservar músculos.

    Quais efeitos colaterais podem surgir?

    Os efeitos mais comuns das canetas emagrecedoras incluem náuseas, sensação de estufamento, azia e diminuição do apetite. Os sintomas costumam ser mais intensos no início e tendem a melhorar com o tempo.

    Qualquer pessoa pode usar canetas emagrecedoras?

    O uso depende de avaliação médica. A indicação considera histórico de saúde, presença de diabetes, obesidade, sobrepeso associado a comorbidades e possíveis contraindicações.

    Quanto tempo leva para perceber os primeiros resultados?

    Os primeiros efeitos costumam aparecer nas primeiras semanas, principalmente redução do apetite e maior saciedade. A perda de peso varia de pessoa para pessoa e depende da dose, da adesão ao tratamento e dos hábitos de vida.

    O uso das canetas emagrecedoras influencia o colesterol?

    O tratamento pode melhorar o perfil lipídico, com redução dos triglicerídeos e melhora do colesterol LDL, o que contribui para a saúde cardiovascular.

    As canetas emagrecedoras afetam o sistema digestivo?

    Sim, pois o esvaziamento do estômago ocorre de forma mais lenta, o que pode causar sensação de estufamento ou náuseas no início. Os efeitos tendem a diminuir com a adaptação do organismo.

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