Categoria: Mães, pais & bebês

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  • Como saber se eu estou com diabetes gestacional? 

    Como saber se eu estou com diabetes gestacional? 

    Embora na maior parte das vezes o diabetes gestacional desapareça depois do parto, ele exige atenção especial durante a gestação. Isso porque níveis elevados de glicose podem trazer riscos tanto para a mãe quanto para o bebê, muitos deles evitáveis com orientação médica, alimentação equilibrada e monitoramento regular.

    Venha entender mais sobre essa condição que atinge grávidas e como descobrir se você tem a doença.

    O que é diabetes gestacional?

    O diabetes gestacional acontece quando os níveis de açúcar no sangue ficam mais altos do que o esperado durante a gravidez.

    Ao contrário do diabetes tipo 1 ou tipo 2, que já existem antes da gestação, o diabetes gestacional surge apenas durante a gravidez e costuma desaparecer após o parto.

    Quando a mulher já tem diabetes antes de engravidar, o quadro é chamado de diabetes prévio ou pré-gestacional, e não diabetes gestacional.

    Por que o diabetes gestacional acontece?

    Durante a gestação, a placenta produz hormônios que dificultam a ação da insulina, fenômeno chamado de resistência à insulina. Essa resistência é normal, mas em algumas mulheres ela acontece de forma mais intensa.

    Quando o corpo não consegue compensar essa dificuldade, a glicose começa a se acumular no sangue, levando ao diabetes gestacional.

    Quem tem mais risco de desenvolver diabetes gestacional?

    Fatores de risco

    • Ter tido diabetes gestacional em outra gravidez;
    • Estar com sobrepeso ou obesidade;
    • Idade materna acima de 35 anos;
    • Histórico familiar de diabetes;
    • Outras doenças metabólicas (triglicérides altos, pressão alta);
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP).

    Alguns fatores são modificáveis; outros, não. Mas identificar o risco ajuda a planejar o acompanhamento adequado.

    Diagnóstico: como é feito?

    O diagnóstico ocorre durante o pré-natal.

    1. Primeira consulta (antes da 20ª semana)

    O médico solicita o exame de glicemia em jejum. Com esse resultado, é possível:

    • Diagnosticar diabetes prévio;
    • Diagnosticar diabetes gestacional;
    • Ou seguir avaliando até um exame confirmatório.

    2. Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) — 24ª a 28ª semana

    Indicado quando:

    • O pré-natal começou tardiamente;
    • A glicemia de jejum inicial foi normal.

    A gestante coleta o sangue em jejum, bebe uma solução de glicose, e novas coletas são feitas após 1h e 2h.

    Riscos para a mãe e para o bebê

    Riscos para a mãe

    • Pressão alta na gravidez (pré-eclâmpsia);
    • Parto prematuro;
    • Maior chance de cesariana;
    • Infecções urinárias e candidíase;
    • Risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.

    Riscos para o bebê

    • Crescimento exagerado no útero (macrossomia), principalmente acima de 4.000 g;
    • Prematuridade;
    • Malformações congênitas;
    • Hipoglicemia ao nascer;
    • Maior risco de obesidade e diabetes na vida adulta.

    Tratamento e cuidados

    Mesmo sendo um quadro que exige atenção, o diabetes gestacional pode ser controlado.

    Alimentação equilibrada

    • Pequenas refeições ao longo do dia;
    • Priorizar frutas, legumes, verduras e integrais;
    • Evitar doces e alimentos gordurosos.

    Atividade física

    Com autorização do obstetra, atividades físicas leves ajudam a controlar a glicose.

    Monitoramento da glicose

    O médico pode orientar medições regulares em casa.

    Uso de insulina

    Pode ser necessário quando dieta e exercícios não são suficientes. Os remédios antidiabéticos orais são reservados apenas para casos específicos.

    O parto

    Diabetes gestacional controlado (sem insulina)

    • O parto pode ser normal;
    • Pode ocorrer até 40 semanas, se mãe e bebê estiverem bem;
    • Cesárea pode ser indicada se o bebê estiver muito grande.

    Uso de insulina durante a gestação

    O parto pode ser antecipado para entre 38 e 39 semanas.

    Cuidados após o parto

    • Manter alimentação saudável e rotina de exercícios;
    • Interromper o uso de insulina após o parto (quando usada apenas na gestação);
    • Aferir glicemia em jejum nas primeiras 24 a 72 horas;
    • Repetir o Teste Oral de Tolerância à Glicose entre 6 e 12 semanas;
    • Manter acompanhamento médico.

    O diabetes gestacional costuma desaparecer, mas há maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 futuramente.

    Importância do acompanhamento

    O pré-natal é essencial para:

    • Diagnosticar cedo;
    • Reduzir riscos para mãe e bebê;
    • Ajustar o tratamento;
    • Monitorar o crescimento fetal.

    Seguir as orientações médicas é a melhor forma de garantir uma gestação segura.

    Leia também: Toxoplasmose: entenda a importância de evitar a doença na gestação

    Perguntas frequentes sobre diabetes gestacional

    1. O diabetes gestacional sempre desaparece depois do parto?

    Na maioria das vezes, sim. Mas o risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro aumenta.

    2. Ter diabetes gestacional significa que terei diabetes para sempre?

    Não. Mas é importante fazer acompanhamento.

    3. Posso ter parto normal?

    Sim, se o diabetes estiver controlado e o bebê não estiver muito grande.

    4. É possível evitar o diabetes gestacional?

    Não totalmente, mas manter peso saudável e praticar exercícios reduz o risco.

    5. O bebê sente algo durante o exame de teste oral de tolerância à glicose?

    Não. O teste é seguro.

    6. Se eu precisar de insulina, significa que meu diabetes é grave?

    Não necessariamente. Muitas vezes é apenas o método mais seguro para controlar a glicose.

    7. O diabetes gestacional pode voltar em outra gravidez?

    Sim, especialmente se houve fatores de risco persistentes.

    Confira: Perda gestacional: causas, tipos e cuidados necessários

  • Comer em frente a telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

    Comer em frente a telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

    Seja para colocar as notícias em dia ou para distrair as crianças durante as refeições, o uso de telas (celular, televisão ou tablets) enquanto se come se tornou rotina de várias famílias, ainda mais quando o dia a dia é atribulado.

    Pode até parecer prático, já que o ambiente fica silencioso e tudo parece fluir com menos esforço, mas o hábito interfere diretamente na forma como o cérebro percebe o ato de comer.

    Para se ter uma ideia, um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostrou que, quanto mais tempo os adolescentes passam diante de celulares, TVs ou tablets, pior tende a ser a alimentação deles. O uso prolongado de telas também está associado a um risco maior de sobrepeso e obesidade, além de menos atividade física, menos horas de sono e uma sensação geral de bem-estar mais baixa.

    Durante as refeições, isso é especialmente prejudicial, pois a atenção se desloca totalmente para a tela, e o contato com o prato fica superficial. A mente entra em modo automático, e você come mais do que precisa sem notar, criando um padrão que favorece o excesso de calorias ao longo do dia.

    O que o uso de telas faz com o cérebro durante a refeição?

    Quando você come olhando para uma tela, o cérebro passa a concentrar quase toda a atenção no conteúdo que está sendo visto ou ouvido. A refeição deixa de ser uma experiência sensorial completa, porque mastigar, sentir a textura dos alimentos, perceber o sabor e engolir deixam de ser processados com clareza.

    “Quando comemos distraídos, o único foco que temos é no que está sendo assistido ou jogado. Assim, o cérebro recebe menos informações sensoriais sobre o ato de comer (mastigar, engolir…) e, consequentemente, os sinais de saciedade demoram mais tempo para aparecer”, explica a nutricionista Mariana Del Bosco.

    No caso das crianças, o uso de telas durante a refeição ativa o sistema dopaminérgico, ligado à sensação de recompensa. O estímulo visual e sonoro é tão marcante que toda a atenção se volta para o conteúdo da tela, deixando a comida em segundo plano.

    A criança passa a perceber menos os sinais do próprio corpo, reduz a autorregulação e demora mais para identificar quando já está satisfeita. O resultado é uma refeição automática, com maior risco de comer além do necessário.

    Comer na frente de telas interfere na qualidade da alimentação

    Além de comer mais do que o necessário, a nutricionista explica que o hábito causa maior preferência por alimentos ultraprocessados e fáceis de consumir — durante um jogo, por exemplo, é muito mais simples comer um salgadinho ou biscoito do que um prato completo de comida.

    O impacto é ainda maior em crianças pequenas, pois nessa fase, elas ainda estão formando a base do comportamento alimentar. Quando a refeição acontece sempre acompanhada de distração, o cérebro aprende a associar comida a estímulos externos, o que dificulta a construção de uma relação saudável com os alimentos.

    Quais os riscos do hábito em crianças e adolescentes?

    Quando a atenção da criança e adolescente se volta exclusivamente para o celular, a TV ou o tablet, o ato de comer deixa de ser consciente, abrindo espaço para problemas como:

    • Comer além do necessário, já que os sinais de saciedade ficam mais difíceis de perceber;
    • Mastigação rápida e insuficiente, o que pode causar desconforto e piorar a digestão;
    • Preferência crescente por alimentos ultraprocessados, mais fáceis de consumir durante o uso de telas;
    • Redução do interesse por frutas, legumes e preparações que exigem mais atenção;
    • Associação entre comida e entretenimento, criando o hábito de comer por tédio e não por fome real;
    • Aumento do risco de sobrepeso e obesidade ao longo do tempo;
    • Dificuldade para desenvolver autonomia alimentar, especialmente nas fases iniciais da infância;
    • Piora da qualidade geral da dieta, com escolhas menos nutritivas e maior ingestão calórica.

    Vale apontar que os hábitos alimentares aprendidos na infância e na adolescência tendem a acompanhar a pessoa ao longo da vida, o que pode elevar o risco de problemas de saúde no futuro, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto e obesidade.

    Como criar um ambiente mais consciente na hora da refeição

    A redução do uso de telas durante as refeições pode ser feita com pequenas mudanças no cotidiano, que ajudam a transformar o momento da comida em algo mais tranquilo. Veja algumas dicas:

    • Fazer as refeições sempre à mesa, com todos sentados juntos, sem celular, TV ou tablet por perto;
    • Estabelecer horários fixos para comer, criando uma rotina previsível que ajuda a criança a entender quando é hora da refeição;
    • Servir porções menores no início, permitindo que a criança tenha autonomia para repetir se ainda estiver com fome;
    • Envolver a criança em conversas durante a refeição, perguntando sobre o dia ou pedindo que ela conte alguma história;
    • Usar pratos, copos e talheres infantis e coloridos, que chamem a atenção para o alimento e deixem o momento mais interessante;
    • Quando possível, convidar a criança para participar do preparo dos alimentos, o que aumenta o vínculo com a comida e estimula a curiosidade pelos ingredientes.

    “Lembrando que a criança aprende a comer por exemplificação, então é muito importante que ela consiga se basear nos pais”, complementa Mariana.

    Quando buscar orientação de um profissional de saúde

    A busca por orientação profissional pode ser necessária quando o uso de telas durante as refeições começa a interferir na rotina alimentar, no comportamento ou na saúde da criança ou do adolescente.

    Os ajustes no dia a dia costumam ajudar, mas alguns sinais mostram que o apoio de um nutricionista, pediatra ou psicólogo pode ser necessário, como:

    • Dificuldade constante de comer sem telas, com irritação intensa ou recusa alimentar quando o aparelho é retirado;
    • Aumento rápido de peso ou risco de sobrepeso e obesidade;
    • Perda de apetite ou preferência quase exclusiva por alimentos ultraprocessados;
    • Problemas frequentes de digestão, como dores abdominais, engasgos ou mastigação insuficiente;
    • Uso de telas em todas as refeições, mesmo após tentativas de mudança da rotina.

    O acompanhamento profissional ajuda a entender o comportamento alimentar, ajustar hábitos familiares e orientar estratégias adequadas para cada idade. Com o tempo, é possível criar uma relação mais saudável com a comida, prevenindo o surgimento de problemas futuros à saúde.

    Qual o tempo máximo recomendado de telas para crianças?

    Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o limite de tempo para crianças estarem em contato com esses aparelhos são determinados pela faixa etária, sempre com supervisão:

    • Menores de 2 anos: nenhum contato com telas ou videogames;
    • Dos 2 aos 5 anos: até uma hora por dia;
    • Dos 6 aos 10 anos: entre uma e duas horas por dia;
    • Dos 11 aos 18 anos: entre duas e três horas por dia.

    Para substituir o uso de telas, o ideal é incentivar esportes, brincadeiras ao ar livre e contato com a natureza. As atividades físicas e ambientes externos oferecem estímulos mais variados, ajudam a gastar energia, melhoram o humor e fortalecem a convivência com outras crianças.

    Leia também: Capacete para criança: por que ele é importante nos esportes?

    Perguntas frequentes

    Comer na frente de telas também é ruim para adultos?

    O comportamento afeta pessoas de todas as idades, pois a distração durante a refeição reduz a atenção plena ao alimento, aumenta a ingestão calórica e favorece escolhas menos nutritivas.

    Os adultos que comem diante de celulares ou televisões também têm maior risco de exagerar nas porções e sentir fome novamente pouco tempo depois. A ausência de presença na hora da comida prejudica qualquer faixa etária, apesar do impacto sobre o desenvolvimento infantil ser mais significativo.

    O que fazer quando a criança só aceita comer com tela?

    A mudança precisa ser gradual, já que a retirada brusca da tela pode gerar frustração intensa na criança. Uma dica é reduzir o tempo de exposição durante a refeição ou desligar a tela apenas em momentos específicos, aumentando esse intervalo progressivamente.

    Comer com tela pode prejudicar o sono?

    O uso frequente de telas, especialmente no período da noite, interfere no sono por causa da luz azul emitida pelos aparelhos, que reduz a produção de melatonina.

    Quando o hábito se associa às refeições tardias, o corpo recebe estímulos demais no momento em que deveria estar desacelerando. O cérebro permanece ativo, processando imagens e sons, e a digestão fica mais pesada, dificultando o adormecer.

    Como consequência, as crianças e adolescentes tendem a dormir mais tarde, ter despertares frequentes e apresentar cansaço durante o dia.

    Por que comer distraído prejudica a digestão?

    A mastigação reduzida é um dos efeitos imediatos da distração. Pedaços maiores chegam ao estômago, dificultando a digestão e aumentando a possibilidade de refluxo, gases e desconforto abdominal.

    Além disso, o corpo não entra totalmente no estado de “modo digestivo”, no qual hormônios e enzimas são liberados de forma mais eficiente. A refeição automática resulta em digestão mais lenta e incômoda.

    Qual o horário ideal do jantar das crianças à noite?

    O horário ideal do jantar das crianças à noite costuma ser cerca de três horas antes de dormir, porque o organismo precisa de tempo para digerir a refeição com calma, evitando refluxo, desconforto abdominal e sono agitado.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

  • Vacinação na gestação: o que grávidas podem (e não podem) tomar

    Vacinação na gestação: o que grávidas podem (e não podem) tomar

    A vacinação na gestação voltou a ganhar destaque entre médicos e autoridades de saúde, especialmente diante do aumento de casos de doenças respiratórias e infecciosas que podem trazer riscos para grávidas e bebês. Manter o calendário vacinal atualizado é uma das formas mais eficazes de reduzir complicações na gestação e garantir um início de vida mais protegido para o recém-nascido.

    Isso porque, ao se vacinar, a gestante não só fortalece o próprio sistema imunológico, que naturalmente fica mais vulnerável durante a gravidez, como também transfere anticorpos para o bebê ainda dentro do útero. Assim, o recém-nascido recebe uma proteção fundamental nos primeiros meses de vida, antes que ele possa tomar suas próprias vacinas.

    Por que é importante a vacinação durante a gestação?

    Vacinar-se na gravidez é seguro, eficaz e recomendado. A imunização protege tanto a mãe quanto o bebê, garantindo defesa contra infecções que podem causar complicações graves.

    Durante a gestação, o corpo da mulher passa por mudanças hormonais e imunológicas. Isso pode deixá-la mais vulnerável a infecções. Já o bebê depende da proteção materna até que seu sistema imunológico amadureça.

    Ao ser vacinada, a gestante produz anticorpos que atravessam a placenta e protegem o bebê dentro do útero e após o nascimento.

    Porém, nem todas as vacinas podem ser aplicadas nesse período, e por isso a orientação profissional é essencial.

    Vacinas recomendadas durante a gestação

    As vacinas abaixo são indicadas pelo SUS e são consideradas seguras para grávidas.

    Vacina contra a gripe (influenza)

    • Indicada em qualquer fase da gestação;
    • Grávidas não vacinadas têm maior risco de evoluir para formas graves da doença;

    Vacina dTpa (tríplice acelular adulto)

    • Protege contra difteria, tétano e coqueluche.
    • Essencial para prevenir coqueluche em recém-nascidos;
    • Para quem já recebeu dT anteriormente: 1 dose a partir da 20ª semana;
    • Para não vacinadas: esquema com 3 doses (dT + dTpa + dT);
    • Se não aplicada na gestação, recomenda-se no puerpério.

    Vacina contra hepatite B

    • Indicada para gestantes não vacinadas.
    • Esquema de 3 doses (0, 1 e 6 meses).
    • Pode ser completada mesmo se interrompida anteriormente.

    Vacina contra covid-19

    Recomendada em qualquer idade gestacional ou puerpério.

    Outras vacinas em situações especiais

    A critério médico, podem ser recomendadas em casos de risco:

    • Febre amarela: apenas para quem vive ou viajará para áreas endêmicas;
    • Meningococo: utilizada em bloqueio de surtos;
    • Pneumococo: indicada para gestantes de alto risco;
    • Raiva: profilaxia pós-exposição é permitida;
    • Poliomielite inativada: para não vacinadas que viajarão a áreas endêmicas.

    Vacinas contraindicadas durante a gestação

    Vacinas com vírus vivos atenuados não devem ser aplicadas, por risco teórico de transmitir a doença ao bebê.

    Contraindicadas

    • Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
    • Varicela (catapora);
    • HPV;
    • BCG (tuberculose);
    • Dengue.

    Se aplicadas antes de descobrir a gravidez, geralmente basta acompanhamento médico, não há necessidade de medidas adicionais.

    Mulheres que desejam engravidar devem aguardar 1 mês após a aplicação dessas vacinas.

    Vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR)

    Recém aprovada no Brasil (2024), protege contra bronquiolite no primeiro ano de vida. A aplicação durante a gestação tem como objetivo repassar anticorpos maternos ao bebê, o que reduz o risco de internação.

    Cuidados e orientações para gestantes

    Antes da gravidez

    • Atualizar o cartão de vacinas;
    • Evitar engravidar no primeiro mês após vacinas de vírus vivos.

    Durante o pré-natal

    • Revisar o histórico vacinal;
    • Receber orientações sobre vacinas indicadas e contraindicadas;
    • Seguir o calendário recomendado.

    Vacinar-se na gestação é uma forma simples e gratuita de proteger duas vidas ao mesmo tempo.

    Veja mais: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

    Perguntas frequentes sobre vacinação na gravidez

    1. É seguro tomar vacinas na gravidez?

    Sim. As vacinas recomendadas são seguras para mãe e bebê.

    2. O bebê realmente recebe anticorpos da mãe?

    Sim. Os anticorpos atravessam a placenta e protegem o recém-nascido nos primeiros meses.

    3. Posso tomar vacina contra gripe no primeiro trimestre?

    Sim. A influenza é indicada em qualquer fase da gestação.

    4. Tomei uma vacina contraindicada sem saber que estava grávida. E agora?

    Geralmente não é necessário fazer nada além do acompanhamento médico.

    5. A vacina dTpa é obrigatória?

    É fortemente recomendada para proteger o bebê da coqueluche.

    6. Posso tomar vacina de covid-19 grávida?

    Sim, a vacina de covid-19 é indicada em qualquer fase da gestação.

    7. Quais vacinas não posso tomar grávida?

    Contra sarampo, caxumba, rubéola, varicela, HPV, dengue e BCG, que são vacinas de vírus vivos atenuados.

    Leia também: Toxoplasmose: entenda a importância de evitar a doença na gestação

  • Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Por uma série de motivos, desde a busca por estabilidade profissional até mudanças nas expectativas culturais, muitas mulheres estão postergando a maternidade para uma faixa etária mais avançada. Desde 2006, o Brasil apresenta índices abaixo da reposição populacional — e a tendência de ter filhos mais tarde acompanha esse movimento.

    Mas afinal, o que define a idade materna avançada? Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o marco usado atualmente é a partir dos 35 anos. Depois dessa idade, o óvulo passa por um processo natural de envelhecimento celular, o que aumenta a chance de erros durante a divisão cromossômica e, consequentemente, o risco de alterações genéticas no bebê.

    Além disso, os riscos de complicações maternas também aumentam, como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional. Por isso, a gravidez tardia é considerada pelo Ministério da Saúde como uma gestação de risco, e demanda de alguns cuidados para preservar a saúde e o bem-estar da mãe e do bebê.

    O que acontece com o corpo após os 35 anos de idade?

    A partir dos 35 anos, o corpo feminino passa por mudanças naturais que afetam a fertilidade e o modo como a gravidez se desenvolve. A qualidade dos óvulos diminui de forma progressiva, porque cada célula ovariana envelhece ao longo da vida, acumulando pequenos danos que podem interferir na divisão cromossômica.

    A chance de ocorrer uma alteração genética aumenta justamente porque o óvulo precisa realizar um processo complexo de divisão para gerar um embrião saudável.

    A redução do número de óvulos também se torna mais acelerada após os 35, o que faz com que o ciclo menstrual possa variar e, em alguns momentos, ocorrer um mês sem ovulação. A fertilidade não desaparece, mas exige mais do organismo para manter o mesmo padrão de antes.

    O corpo, por outro lado, também apresenta maior probabilidade de conviver com condições crônicas, como hipertensão, diabetes ou alterações da tireoide, que tendem a surgir conforme o envelhecimento natural avança.

    O impacto das condições na gestação é relevante porque elas podem alterar o fluxo sanguíneo para a placenta, modificar a pressão arterial ou aumentar a chance de complicações obstétricas.

    A musculatura do útero e a elasticidade dos tecidos pélvicos passam por mudanças discretas ao longo do tempo, o que pode influenciar a evolução do trabalho de parto. O metabolismo também se torna um pouco mais lento, e o risco de ganho de peso involuntário aumenta, algo que interfere diretamente na saúde reprodutiva.

    Vale ressaltar que isso não significa que a gestação será problemática, mas que o cuidado precisa ser mais intenso. Diversas mulheres engravidam de forma saudável depois dos 35, desde que exista acompanhamento médico adequado, controle das condições clínicas e hábitos que favoreçam o bem-estar físico e emocional.

    Quais os riscos da gravidez tardia?

    A gravidez depois dos 35 anos pode ser totalmente saudável, mas o corpo passa por mudanças naturais que aumentam algumas chances de complicações, como apontam estudos:

    • A qualidade do óvulo diminui ao longo do tempo, o que aumenta a probabilidade de alterações cromossômicas no bebê. A trissomia do cromossomo 21 (síndrome de Down) é um exemplo que se torna mais frequente conforme a idade materna avança;
    • Risco de aborto espontâneo aumenta, porque um óvulo mais envelhecido tem maior chance de apresentar falhas na divisão celular, impedindo o desenvolvimento adequado do embrião;
    • Pressão alta tende a surgir com mais frequência, já que a probabilidade de hipertensão crônica cresce com o passar dos anos. A pré-eclâmpsia, que é uma forma grave de hipertensão na gestação, também se torna mais comum;
    • Diabetes gestacional aparece com mais facilidade, porque o metabolismo muda e o corpo pode ter mais dificuldade para controlar os níveis de glicose durante a gravidez;
    • Placenta pode apresentar alterações, como menor eficiência na passagem de oxigênio e nutrientes, o que favorece crescimento fetal abaixo do esperado;
    • Presença de doenças prévias, como problemas da tireoide, cardiopatias ou doenças autoimunes, é mais comum com o avançar da idade, o que exige acompanhamento mais próximo.

    É importante lembrar que o envelhecimento reprodutivo não é exclusivo das mulheres. À medida que os homens ficam mais velhos, os testículos também passam por mudanças estruturais e funcionais, o que pode afetar a qualidade do esperma.

    A produção de espermatozoides ocorre continuamente ao longo da vida, mas o processo também fica mais sujeito a falhas com o passar do tempo.

    Como deve ser o pré-natal da gravidez tardia?

    O pré-natal deve começar assim que a mulher descobrir a gravidez. Não é preciso esperar completar semanas específicas ou ter o primeiro ultrassom para iniciar o acompanhamento.

    Quanto mais cedo o pré-natal começar, maiores são as chances de identificar fatores de risco, corrigir deficiências nutricionais, ajustar medicamentos e orientar mudanças de estilo de vida que fazem diferença no desenvolvimento do bebê.

    Ele segue a mesma estrutura aplicada a qualquer gestação, mas com um olhar mais cuidadoso. Os exames não mudam, mas a avaliação clínica precisa ser ainda mais detalhada, já que aumenta a chance de a mulher apresentar alguma condição associada, segundo Andreia.

    Por isso, a anamnese é feita com mais atenção para identificar sinais de hipertensão, diabetes, alterações da tireoide ou outras comorbidades que podem surgir com mais frequência após os 35 anos.

    Gestantes com mais de 35 anos podem ter parto normal?

    A via de parto (normal ou cesárea) depende da avaliação individual de riscos e condições de saúde da mãe e do bebê. A idade materna avançada, por si só, não impede um parto vaginal. Contudo, Andreia explica que a probabilidade de cesariana tende a aumentar com a idade por dois motivos principais:

    • O bebê pode apresentar uma malformação que exige parto cirúrgico. Isso acontece quando alguma alteração estrutural impede a passagem segura pelo canal de parto ou quando há risco de sofrimento fetal durante o trabalho de parto;
    • A anatomia materna já está mais madura, o que pode dificultar o trabalho de parto. Observamos, por exemplo, maior incidência de desproporção cefalopélvica (quando a cabeça do bebê não se ajusta bem à bacia materna) e menor flexibilidade das articulações da pelve, algo que ocorre naturalmente com o passar dos anos.

    Durante o pré-natal, a gestante precisa receber informações claras sobre os riscos e benefícios de cada tipo de parto. O médico vai orientar e ajudar na decisão, sempre levando em conta o que é mais seguro para a mãe e para o bebê naquele momento da gestação.

    Vale ressaltar que a cesárea a pedido da paciente é permitida no Brasil, mas, por resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), só pode ser realizada a partir de 39 semanas completas de gestação, para evitar complicações respiratórias no recém-nascido.

    Cuidados para ter uma gravidez saudável

    Uma gravidez saudável depende de uma série de cuidados simples, que ajudam o corpo a passar por todas as mudanças da gestação com mais segurança:

    • Manter alimentação variada, fresca e equilibrada, priorizando preparações simples, porções regulares e alimentos ricos em vitaminas e minerais para apoiar o desenvolvimento do bebê e manter energia materna ao longo do dia;
    • Praticar atividade física regular liberada pelo obstetra, escolhendo exercícios seguros, como caminhada, hidroginástica ou yoga, que ajudam na circulação, no controle do peso e na redução de dores;
    • Manter a suplementação de ácido fólico conforme orientação profissional, garantindo níveis adequados do nutriente para a formação do tubo neural e para a prevenção de malformações;
    • Controlar doenças pré-existentes, como hipertensão, diabetes e alterações da tireoide, mantendo consultas frequentes e ajustes de medicação sempre que necessário;
    • Evitar cigarro e álcool, protegendo a placenta e reduzindo riscos como parto prematuro, baixo peso ao nascer e complicações respiratórias;
    • Usar medicamentos somente com orientação médica, respeitando as categorias de segurança e evitando substâncias que possam atravessar a placenta;
    • Manter sono adequado e rotina de descanso, permitindo que o corpo se recupere das alterações hormonais e físicas próprias da gestação;
    • Reduzir estresse com técnicas de relaxamento, apoio psicológico, atividades prazerosas e organização da rotina, já que o bem-estar emocional influencia diretamente o conforto materno;
    • Manter peso adequado antes e durante a gestação, acompanhando o ganho de peso ideal em cada trimestre para diminuir riscos metabólicos e obstétricos;
    • Hidratar o corpo ao longo do dia, consumindo água em quantidades suficientes para favorecer o volume sanguíneo aumentado da gestação e prevenir constipação, inchaço e tonturas.

    A gestante deve manter todas as consultas com o médico ao longo do pré-natal, porque é durante essas visitas que o profissional acompanha o crescimento do bebê, avalia a pressão arterial, monitora exames de sangue e urina e identifica precocemente qualquer alteração que possa exigir cuidados adicionais.

    Confira: ‘Bebês Ozempic’: como os análogos do GLP-1 impactam a fertilidade?

    Perguntas frequentes

    Grávida pode fazer atividade física?

    A prática de exercícios é recomendada para a maioria das gestantes, desde que liberada pelo obstetra. A atividade regular melhora a circulação, reduz dores lombares, auxilia no controle do peso, diminui riscos de diabetes gestacional e contribui para o bem-estar emocional.

    A orientação é dar preferência a caminhadas, hidroginástica, alongamentos e yoga, sempre com intensidade moderada. A única condição é respeitar limites do corpo e interromper a prática caso apareçam sinais como tontura, falta de ar importante ou dor abdominal.

    Quando a suplementação de ácido fólico deve começar?

    A suplementação deve ser iniciada assim que a mulher apresenta desejo de engravidar, porque o nutriente atua nos primeiros dias da gestação, antes mesmo do atraso menstrual. A formação do tubo neural ocorre muito cedo e depende de níveis adequados de ácido fólico para reduzir riscos de malformações.

    O ideal é manter o suplemento por pelo menos três meses antes da concepção e continuar durante o início da gravidez, sempre com supervisão médica.

    Gravidez tardia é sempre de alto risco?

    A idade acima de 35 anos é considerada fator que aumenta riscos obstétricos, mas não significa automaticamente que a gestação será complicada.

    A maior parte das mulheres tem uma gravidez saudável desde que mantenha acompanhamento adequado, bons hábitos de vida e controle de condições pré-existentes. A diferença é a necessidade de um cuidado maior, já que cresce a probabilidade de hipertensão e diabetes gestacional.

    Gestantes com doenças pré-existentes podem continuar usando medicamentos?

    A decisão depende do tipo de doença e da segurança de cada medicação, e o ideal é priorizar substâncias com estudos que comprovam segurança durante a gestação.

    A troca de classes de medicamentos é comum, como ocorre no tratamento da hipertensão, quando substâncias tradicionais são substituídas por opções compatíveis com a gestação. O controle adequado da doença costuma trazer mais benefícios do que o risco de manter a condição descontrolada.

    O que é aneuploidia e por que ocorre com mais frequência com a idade?

    A aneuploidia é uma alteração no número de cromossomos, resultado de falhas na divisão celular que formam óvulo ou espermatozoide. O fenômeno se torna mais comum conforme os gametas envelhecem, já que estruturas responsáveis por separar cromossomos podem não funcionar de maneira uniforme. A consequência pode ser síndrome de Down, síndrome de Turner e outras alterações cromossômicas.

    O pai mais velho também influencia em riscos genéticos?

    A idade masculina também pode influenciar na gravidez, embora o impacto seja menor que a idade feminina. A produção contínua de espermatozoides ao longo dos anos permite maior margem para erros durante a replicação genética. A consequência pode ser aumento de mutações espontâneas e riscos ligeiramente maiores de alterações no desenvolvimento.

    Quando procurar atendimento médico com urgência?

    Quadros como sangramento vaginal, dor abdominal intensa, febre, dor de cabeça persistente, visão turva, inchaço súbito e redução dos movimentos fetais exigem avaliação médica imediata.

    A recomendação é nunca esperar que sintomas intensos desapareçam sozinhos, já que intervenções rápidas evitam complicações tanto para mãe quanto para o bebê.

    É normal sentir mais cansaço na gravidez após os 35 anos?

    A sensação de cansaço pode ser mais intensa devido à combinação entre fatores hormonais e desgaste natural da idade. O corpo precisa se adaptar à gestação ao mesmo tempo em que lida com demandas profissionais, familiares e metabólicas.

    Uma dica é manter o cuidado com o sono, a alimentação e o descanso ao longo do dia, o que faz diferença no bem-estar geral.

    Leia também: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

  • Remédios na gravidez: o que pode e o que não pode tomar?

    Remédios na gravidez: o que pode e o que não pode tomar?

    A expectativa pela chegada do bebê convive, nas primeiras semanas de gravidez, com sintomas que podem afetar (e muito) o bem-estar materno, como náuseas, vômitos e dor de cabeça persistente. Eles variam de intensidade ao longo do dia e, muitas vezes, levantam dúvidas sobre quais remédios são realmente seguros durante a gestação e podem ser usados sem problemas.

    Antes de tudo, vale ressaltar que a orientação médica é indispensável, porque cada gestante possui necessidades específicas. Isso se aplica tanto aos medicamentos usados de forma ocasional quanto aos tratamentos contínuos de condições pré-existentes, como hipertensão, diabetes, epilepsia, transtornos de ansiedade ou depressão.

    Por que é preciso tanto cuidado ao tomar remédios na gravidez?

    Durante a gravidez, qualquer remédio ou substância usada pela gestante pode chegar ao bebê, porque compartilha o mesmo caminho que leva oxigênio e nutrientes pela placenta. Mesmo produtos que não atravessam diretamente a barreira podem causar efeito indesejado ao interferir no funcionamento do útero ou da própria placenta, podendo causar:

    • Malformações, atraso no desenvolvimento ou perda gestacional;
    • Alterar o funcionamento da placenta, reduzindo o fluxo de oxigênio e nutrientes e favorecendo baixo peso ao nascer;
    • Estimular contrações fortes do útero, diminuindo o suprimento de sangue para o bebê ou desencadeando parto prematuro;
    • Afetar o bebê de forma indireta, como quando a queda da pressão arterial materna reduz o fluxo de sangue para a placenta.

    Por tudo isso, cada medicamento precisa ser avaliado com cuidado, sempre levando em conta a saúde da mãe e a segurança do bebê.

    Como saber se o remédio é seguro na gravidez?

    Em termos de medicamentos, existe uma classificação de risco usada em todas as bulas, definida pela Anvisa, como explica a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. O objetivo é orientar médicos e gestantes sobre o que pode ou não ser usado durante a gestação, já que cada substância pode agir de maneira diferente no organismo da mãe e do bebê.

    A classificação funciona assim:

    • Categoria A: medicamentos com estudos em gestantes que não mostraram risco para o bebê. São considerados seguros durante a gravidez;
    • Categoria B: remédios testados em animais sem risco identificado, mas sem estudos completos em humanos; ou medicamentos que causaram algum efeito em animais, mas isso não se confirmou em estudos com gestantes;
    • Categoria C: medicamentos sem estudos suficientes em humanos e animais, ou com efeitos negativos observados em animais. Só devem ser usados quando o benefício para a mãe for maior que o risco potencial para o bebê;
    • Categoria D: medicamentos com risco fetal comprovado em humanos, mas que podem ser necessários em situações específicas, quando não existe alternativa mais segura e o tratamento é fundamental;
    • Categoria X: medicamentos que causam danos graves ao feto em estudos com animais ou humanos. São proibidos na gestação e também para mulheres que planejam engravidar.

    A classificação ajuda a orientar, mas não substitui a avaliação médica. De acordo com Andreia, se houver uma opção mais segura ou a possibilidade de aliviar os sintomas com métodos não medicamentosos, deve ser a prioridade durante a gravidez.

    Por exemplo, no caso de dor lombar, é possível utilizar um analgésico para aliviar o sintoma, mas antes vale considerar alternativas como fisioterapia, bolsa de água quente e outras medidas que não envolvem medicamentos.

    E as gestantes com condições preexistentes de saúde?

    No caso das gestantes que convivem com alguma condição de saúde, como hipertensão, diabetes ou transtornos de ansiedade e depressão, o uso de medicamentos muitas vezes é necessário para manter tudo sob controle. Parar o tratamento pode ser mais arriscado do que continuar com um remédio seguro, o que torna fundamental o acompanhamento médico.

    No caso de hipertensão, por exemplo, Andreia explica que já existem medicamentos considerados seguros na gravidez, como alfametildopa, propranolol e nifedipino. Se a gestante estiver usando outro tipo de remédio quando engravida, o médico faz a troca para uma opção mais adequada.

    O mesmo acontece em quadros de diabetes. A maioria dos remédios orais não é recomendada na gestação, com exceção da metformina. Quando a dieta não é suficiente para controlar a glicose, a insulina é usada porque não atravessa a placenta e não afeta o bebê.

    O ideal é sempre escolher medicamentos que já tenham estudos mostrando segurança na gravidez. Porém, em algumas situações, controlar a doença da mãe é tão importante que o médico pode precisar usar um remédio com menos dados disponíveis. Isso acontece porque deixar a condição sem tratamento pode trazer riscos ainda maiores.

    Nesses casos, a gestação é classificada como de alto risco e exige um acompanhamento mais próximo.

    Pode tomar remédios na amamentação?

    Mesmo que o remédio seja seguro na gravidez, ele pode se comportar de outra forma depois do parto, porque muitos medicamentos passam para o leite materno em maior ou menor quantidade.

    Como o bebê ainda tem um fígado e rins imaturos, ele pode ter dificuldade para eliminar certas substâncias. Por isso, cada situação precisa ser avaliada individualmente.

    Grávidas podem usar plantas medicinais?

    Mesmo produtos naturais podem apresentar riscos durante a gestação, e plantas medicinais, chás, óleos essenciais e suplementos de origem vegetal têm substâncias ativas que podem atravessar a placenta, estimular o útero, alterar a pressão arterial ou interferir no funcionamento da placenta. O fato de serem “naturais” não significa que são seguros.

    Algumas plantas podem causar náuseas, queda de pressão, aumento das contrações ou até risco de sangramento. Outras podem interagir com medicamentos que a gestante já usa. Como muitos desses produtos não têm estudos suficientes em gestantes, é difícil prever seus efeitos no bebê. A orientação é nunca usar qualquer produto sem orientação de um médico.

    Andreia ainda complementa que o mesmo vale para cosméticos, como tinturas de cabelo e outros produtos químicos. Como o couro cabeludo é muito vascularizado, a pele funciona como uma via de absorção e pode permitir a entrada desses compostos no organismo.

    Como aliviar os sintomas de gravidez?

    A gravidez pode trazer sintomas desconfortáveis, como náuseas, enjoos, dores de cabeça e azia. Quando eles se tornam mais intensos, o primeiro passo é avisar o médico, que vai avaliar a situação e orientar as melhores formas de alívio.

    Antes mesmo de considerar o uso de medicamentos, há medidas simples que podem ajudar, como:

    • Fazer refeições menores ao longo do dia;
    • Evitar longos períodos em jejum;
    • Priorizar alimentos leves, de fácil digestão;
    • Beber água em pequenas quantidades várias vezes ao dia;
    • Evitar cheiros fortes que pioram o enjoo;
    • Descansar em ambientes ventilados;
    • Elevar a cabeceira da cama para reduzir a azia;
    • Fisioterapia para aliviar as dores nas costas;
    • Bolsa de água quente para cólicas leves.

    As orientações costumam ajudar bastante, mas o médico pode indicar medicamentos seguros caso os sintomas persistam ou prejudiquem a rotina da gestante.

    Leia também: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

    Perguntas frequentes

    Grávidas podem usar Ozempic ou outros análogos de GLP-1?

    A orientação é evitar totalmente o uso de Ozempic, Wegovy, Mounjaro e outros medicamentos da família dos análogos de GLP-1 durante a gravidez. Ainda não existem dados suficientes sobre segurança em gestantes, e estudos feitos apenas em animais mostram alterações no desenvolvimento fetal, o que levanta dúvidas importantes.

    A gestante também não deve usar os medicamentos para controle de peso, já que a perda ponderal não é recomendada durante a gestação. Quando a mulher engravida usando GLP-1 sem saber, o medicamento deve ser suspenso e o obstetra informado para acompanhamento.

    Grávida pode tomar anti-inflamatório?

    O uso de anti-inflamatórios deve ser evitado, especialmente no fim da gestação, porque pode prejudicar a circulação fetal ao fechar precocemente o ducto arterioso, estrutura vital para o bebê antes do nascimento. Além disso, pode aumentar o risco de sangramento e afetar os rins do feto.

    Os analgésicos mais seguros, como paracetamol ou dipirona, são preferidos quando bem indicados pelo médico.

    Grávida pode usar ansiolítico ou antidepressivo?

    O tratamento de transtornos emocionais continua importante durante a gravidez, e interromper remédios abruptamente pode causar recaídas e prejuízo significativo à mãe e ao bebê. Existem medicações hoje consideradas seguras, como sertralina e fluoxetina, mas a escolha depende da avaliação psiquiátrica e obstétrica, sempre considerando risco e benefício.

    Grávida pode usar pomadas e cremes dermatológicos?

    As pomadas com corticoides leves normalmente são seguras quando usadas por períodos curtos. Já substâncias como retinoides são contraindicadas, inclusive na forma tópica. A pele pode absorver medicamentos, e a passagem para o bebê varia conforme o produto. O dermatologista e o obstetra costumam orientar cada caso.

    Grávida pode usar remédios para prisão de ventre?

    A constipação é muito comum na gestação, mas laxantes estimulantes devem ser evitados, porque podem aumentar o movimento do intestino de forma intensa e, teoricamente, estimular o útero. As opções mais seguras são os laxantes formadores de bolo fecal ou osmóticos, e tudo deve ser orientado pelo obstetra.

    A base do tratamento é aumentar o consumo de água e fibras, além de manter a prática de atividade física regular.

    Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar 

  • Toxoplasmose: entenda a importância de evitar a doença na gestação 

    Toxoplasmose: entenda a importância de evitar a doença na gestação 

    A toxoplasmose é uma infecção muito comum no mundo todo, geralmente silenciosa e sem grandes impactos para a maioria das pessoas. Durante a gestação, porém, ela ganha uma relevância completamente diferente. Isso porque, quando a mulher é infectada pela primeira vez enquanto está grávida, o parasita pode atravessar a placenta e atingir o bebê, o que gera uma série de complicações que variam de leves a graves.

    Graças ao pré-natal e a exames específicos, hoje é possível identificar precocemente quem já está imune, quem nunca teve contato com o parasita e quem pode ter adquirido a infecção recentemente. Essa diferenciação é essencial para decidir o tratamento adequado e reduzir o risco de transmissão para o feto.

    O que é toxoplasmose?

    A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii. Ele está presente no mundo inteiro, mas é mais comum em países tropicais. Em adultos saudáveis, costuma ser assintomática, porém na gestação pode trazer riscos ao bebê, principalmente quando a infecção ocorre pela primeira vez.

    Como ocorre a infecção

    O parasita tem dois tipos de hospedeiros:

    • Gatos: são os hospedeiros definitivos, pois é neles que o T. gondii se reproduz;
    • Humanos e outros animais: atuam como hospedeiros intermediários, onde o parasita vive, mas não completa seu ciclo.

    A infecção pode ocorrer por:

    • Consumir carne crua ou mal passada contaminada
    • Contato com fezes de gato infectado (como ao limpar a caixa de areia)
    • Ingestão de água ou alimentos contaminados
    • Transmissão vertical, quando a mãe adquire a infecção pela primeira vez na gestação e o parasita passa para o bebê

    Como é feito o diagnóstico

    Durante o pré-natal, o exame de sangue para toxoplasmose é essencial. Ele identifica dois tipos de anticorpos:

    • IgM – indica infecção recente
    • IgG – indica infecção antiga, mostrando que a pessoa já teve contato e está imune

    Com esses resultados, o médico classifica a gestante como:

    • Suscetível (nunca teve a infecção)
    • Imune
    • Com suspeita de infecção recente

    Quando há dúvida sobre o tempo da infecção, são feitos exames complementares, como:

    • Teste de avidez de IgG, que mostra há quanto tempo o organismo foi infectado
    • Amniocentese, que avalia se o bebê foi contaminado, buscando o DNA do parasita no líquido amniótico

    Tratamento e prevenção na gravidez

    O tratamento pode reduzir pela metade o risco de transmissão para o bebê quando a infecção é recente. Caso o feto já esteja infectado, são usados outros medicamentos específicos, sempre com acompanhamento rigoroso.

    Durante o tratamento, recomenda-se:

    • Exames de sangue frequentes
    • Ultrassonografias quinzenais para monitorar o bem-estar do bebê

    Como prevenir a toxoplasmose

    As medidas mais importantes são:

    • Evitar carne crua ou mal passada
    • Congelar carnes antes do preparo
    • Lavar bem frutas, verduras e legumes
    • Beber apenas água filtrada ou fervida
    • Usar luvas ao manipular carne crua, terra ou jardins
    • Evitar contato com fezes de gato
    • Alimentar gatos apenas com ração, nunca com carne crua
    • Limpar a caixa de areia diariamente, usando luvas

    Orientações importantes para gestantes

    • Fazer o teste de toxoplasmose na primeira consulta do pré-natal
    • Se for suscetível, repetir o exame mensalmente
    • Manter rigor nas medidas de higiene e alimentação
    • Gestantes imunes não precisam repetir os exames, mas devem manter cuidados básicos
    • A amamentação é segura, mesmo em casos de toxoplasmose

    Toxoplasmose congênita

    Acontece quando a mãe adquire toxoplasmose durante a gestação e o parasita atravessa a placenta. Pode causar:

    • Icterícia
    • Coriorretinite (inflamação nos olhos)
    • Convulsões
    • Atraso no desenvolvimento
    • Microcefalia ou calcificações cerebrais
    • Aumento do fígado e do baço

    Alguns bebês nascem sem sintomas, mas podem desenvolver problemas meses ou anos depois.

    Risco conforme o período da gestação

    • Início da gestação: menor chance de transmissão, mas maior gravidade (risco de aborto e sequelas)
    • 10 a 24 semanas: período de maior risco de complicações
    • Final da gestação: maior chance de transmissão, mas com menor gravidade

    Critérios para diagnóstico da toxoplasmose congênita

    O diagnóstico é confirmado quando há pelo menos uma das seguintes evidências:

    • DNA do parasita no líquido amniótico
    • Anticorpos IgM ou IgA reagentes até o 6º mês de vida e IgG reagente
    • IgG anti–T. gondii crescente em amostras seriadas nos primeiros 12 meses
    • IgG persistente após 12 meses
    • Mãe com toxoplasmose confirmada e bebê com sintomas compatíveis

    Confira: Teste do Pezinho: tudo o que os pais precisam saber

    Perguntas frequentes sobre toxoplasmose na gravidez

    1. Toda gestante com toxoplasmose passa a infecção para o bebê?

    Não. O risco depende do momento da infecção, mas o tratamento reduz significativamente a chance de transmissão.

    2. Quem já teve toxoplasmose pode engravidar sem riscos?

    Sim. Gestantes imunes (IgG positivo e IgM negativo) praticamente não têm risco de transmissão.

    4. Limpar a caixa de areia do gato é proibido na gravidez?

    Não é proibido, mas deve ser feita com luvas e diariamente, e preferencialmente por outra pessoa.

    5. Congelar a carne elimina o parasita?

    Sim. O congelamento adequado ajuda a eliminar os cistos.

    6. A toxoplasmose passa pelo leite materno?

    Não. A amamentação é segura.

    7. É possível ter toxoplasmose mais de uma vez?

    Reinfecções são raras, mas podem ocorrer em pessoas com imunidade muito comprometida.

    Veja mais: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

  • Eritroblastose Fetal: entenda o que é e o que ela pode causar no bebê

    Eritroblastose Fetal: entenda o que é e o que ela pode causar no bebê

    A Eritroblastose Fetal, também chamada de Doença Hemolítica Perinatal, é uma condição que tem a atenção dos médicos justamente por envolver algo que parece simples, mas não é: a compatibilidade entre o sangue da mãe e do bebê. Ela começou a ser melhor compreendida quando se descobriu que algumas gestantes desenvolviam anticorpos capazes de atacar as células sanguíneas do feto, o que levava a complicações que vão de icterícia a anemia grave.

    Com o aprofundamento dos estudos sobre o sistema Rh, ficou claro por que isso acontece e, principalmente, como evitar. Hoje, sabemos que a prevenção depende de identificar gestantes com esse risco e agir no momento certo. Conhecer esse mecanismo não só ajuda a garantir uma gravidez mais segura, como também evita problemas em futuras gestações.

    O que é a Eritroblastose Fetal

    A Eritroblastose Fetal, também chamada de Doença Hemolítica do Recém-nascido, acontece quando o sangue da mãe e do bebê não são compatíveis e o organismo materno passa a produzir anticorpos que destroem os glóbulos vermelhos do feto. O tipo mais comum dessa incompatibilidade é o sistema Rh.

    Durante a gestação ou no momento do parto, pode ocorrer uma pequena mistura de sangue entre mãe e bebê. Se o organismo materno reconhecer esse sangue como estranho, ele produz anticorpos em um processo chamado aloimunização.

    Esses anticorpos atravessam a placenta e atacam as células vermelhas do bebê, causando anemia, icterícia e, nos casos mais graves, inchaço generalizado e complicações que podem colocar a vida em risco.

    Como funciona a incompatibilidade Rh

    O fator Rh é definido pela presença ou ausência do antígeno D na superfície das hemácias:

    • Rh positivo (Rh+): possui o antígeno D
    • Rh negativo (Rh−): não possui o antígeno D

    A forma mais comum da doença ocorre quando a mãe é Rh negativo e o bebê é Rh positivo.

    Por que isso acontece?

    Na primeira gestação, normalmente não há risco para o bebê. Nessa fase, o organismo da mãe produz anticorpos do tipo IgM, que não atravessam a placenta.

    O problema aparece nas gestações seguintes. Isso porque o corpo da mãe aprende a reconhecer o sangue Rh positivo e passa a produzir anticorpos IgG, que conseguem atravessar a placenta e destruir as hemácias do feto, desencadeando a eritroblastose fetal.

    Quais são os sintomas no bebê?

    A intensidade dos sintomas depende do grau de destruição das hemácias. Os sinais mais comuns são:

    • Palidez, por causa da anemia
    • Icterícia (pele e olhos amarelados) nas primeiras 24 horas de vida
    • Aumento da frequência cardíaca e respiratória (taquicardia e taquipneia)
    • Inchaço generalizado (hidropisia fetal) nos casos graves
    • Aumento do fígado e do baço

    Quando o quadro é severo, o bebê pode precisar de tratamento imediato após o nascimento.

    Como é feito o diagnóstico?

    Durante o pré-natal, a gestante faz exames de sangue para identificar seu tipo sanguíneo e verificar se existe risco de incompatibilidade Rh.

    Se a mãe for Rh negativo e o pai Rh positivo, é necessário um acompanhamento mais detalhado para avaliar se houve produção de anticorpos. Em alguns casos, pode ser possível identificar o fator Rh do bebê ainda na gestação.

    O feto também pode ser monitorado por ultrassonografia com Doppler, exame que avalia o fluxo sanguíneo no cérebro e ajuda a detectar anemia.

    Após o nascimento, o bebê passa por exames que verificam:

    • Tipo sanguíneo
    • Presença de anticorpos
    • Níveis de bilirrubina (substância que causa icterícia)

    Qual é o tratamento?

    Casos leves

    Geralmente são tratados com fototerapia, um banho de luz especial que ajuda o corpo do bebê a eliminar o excesso de bilirrubina.

    Casos graves

    Podem exigir:

    • Transfusão de sangue após o nascimento
    • Transfusão intrauterina, realizada ainda durante a gestação para corrigir a anemia do feto

    Como prevenir a eritroblastose fetal

    A prevenção passa por um pré-natal regular, com realização dos exames indicados para identificar gestantes com risco de aloimunização.

    A principal medida preventiva é a aplicação da imunoglobulina anti-D (anti-Rh), que impede que o corpo da mãe desenvolva anticorpos contra o sangue do bebê.

    Ela deve ser aplicada:

    • Por volta da 28ª semana de gestação
    • Até 72 horas após o parto, caso o bebê seja Rh positivo

    Essa é a forma mais eficaz de garantir segurança para a gestação atual e para as próximas.

    Confira: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

    Perguntas frequentes sobre eritroblastose fetal

    1. A eritroblastose fetal pode aparecer na primeira gestação?

    Geralmente não. O risco é maior nas gestações seguintes, quando o corpo da mãe já produziu anticorpos capazes de atravessar a placenta.

    2. Toda mãe Rh negativo tem risco?

    O risco só existe se o bebê for Rh positivo. Por isso os exames de pré-natal são tão importantes.

    3. A imunoglobulina anti-D é segura?

    Sim. É um medicamento amplamente utilizado e considerado seguro para prevenir a doença.

    4. O bebê sempre desenvolve sintomas graves?

    Não. Há quadros leves que melhoram com fototerapia, mas casos graves exigem tratamento imediato.

    5. Como saber se o bebê está anêmico durante a gravidez?

    O médico pode avaliar o fluxo sanguíneo no cérebro do feto por meio de Doppler, que ajuda a identificar sinais de anemia.

    6. Se a mãe já recebeu imunoglobulina em uma gestação anterior, precisa repetir?

    Sim. A imunoglobulina deve ser aplicada em todas as gestações de risco.

    7. A doença pode ser totalmente evitada?

    Na maioria dos casos, sim, desde que a gestante faça pré-natal adequado e receba a imunoglobulina anti-D nos momentos indicados.

    Veja mais: Perda gestacional: causas, tipos e cuidados necessários

  • Perda gestacional: causas, tipos e cuidados necessários 

    Perda gestacional: causas, tipos e cuidados necessários 

    A perda gestacional, também chamada de abortamento, é um tema sensível, mas essencial de ser discutido com informação e acolhimento. Ela ocorre quando a gestação é interrompida antes de o bebê ter condições de sobreviver fora do útero.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), considera-se aborto quando a perda ocorre antes de 22 semanas, e o feto pesa menos de 500 g ou mede menos de 16,5 cm.

    Embora seja relativamente comum, muitos casos ainda são rodeados de silêncio, dúvida e culpa. No Brasil, o abortamento inseguro permanece como uma das principais causas de morte materna, reforçando a importância do acesso ao pré-natal adequado e à assistência médica segura.

    Quando o abortamento pode acontecer

    A perda gestacional pode ocorrer em diferentes momentos:

    • Abortamento precoce: até a 12ª semana (mais comum).
    • Abortamento tardio: entre a 13ª e 20ª semana, geralmente associado a causas específicas, como infecções ou alterações uterinas.

    Principais causas

    O abortamento pode ser classificado conforme sua causa:

    Abortamento provocado

    Quando a interrupção da gestação é intencional, com uso de medicamentos ou métodos externos.

    Abortamento espontâneo

    Acontece naturalmente. As causas mais frequentes incluem:

    • Alterações genéticas do embrião (responsáveis por cerca de 60% dos casos precoces);
    • Infecções maternas;
    • Alterações anatômicas do útero (miomas, malformações);
    • Doenças maternas não controladas (diabetes, hipertensão, doenças autoimunes);
    • Trombofilias e fatores imunológicos.

    Em muitos casos, a causa não é identificada e não é culpa da mulher.

    Tipos de abortamento

    1. Ameaça de abortamento

    Pequeno sangramento e cólicas leves, sem dilatação do colo. A gestação pode seguir normalmente. Conduta: repouso relativo, evitar relações sexuais, acompanhamento.

    2. Abortamento inevitável

    Sangramento intenso, dor forte e colo uterino dilatado. O ultrassom mostra o saco gestacional em expulsão.

    3. Abortamento incompleto

    Parte do conteúdo gestacional é expulsa; restos permanecem no útero. Pode haver sangramento persistente e risco de infecção. O tratamento, neste caso, é com um medicamento específico ou AMIU (aspiração manual intrauterina), método recomendado pela OMS.

    4. Abortamento completo

    Todo o conteúdo gestacional é eliminado naturalmente. Sangramento diminui e o útero volta ao tamanho normal. É necessário ultrassom para confirmar.

    5. Abortamento retido

    O embrião falece, mas não é expulso espontaneamente. Diagnóstico por ultrassom, sem batimentos cardíacos. O tratamento é feito com medicamentos ou procedimentos de esvaziamento uterino.

    6. Abortamento infectado

    Complicação grave. Pode surgir após qualquer tipo, especialmente em casos inseguros. Sintomas: febre, dor intensa, corrimento com mau cheiro, mal-estar. É uma emergência médica — requer internação, antibióticos e, às vezes, cirurgia.

    Tratamento

    O tratamento depende do tipo de abortamento e das condições clínicas da mulher. Pode envolver:

    • Uso de medicamentos;
    • AMIU, curetagem uterina ou aspiração a vácuo;
    • Internação em casos de infecção, hemorragia ou complicações;
    • Acompanhamento emocional após a perda.

    A conduta deve sempre ser definida por um profissional médico.

    Sinais de alerta: quando procurar o hospital

    Procure atendimento imediato se houver:

    • Sangramento vaginal intenso (um absorvente cheio por hora);
    • Dor abdominal forte e contínua;
    • Febre, corrimento fétido ou calafrios;
    • Fraqueza, tontura ou desmaio.

    Esses sinais indicam risco de complicações.

    Cuidado e acolhimento

    A perda gestacional é uma experiência dolorosa física e emocionalmente. O acompanhamento médico e psicológico é fundamental. Também é importante conversar sobre planejamento reprodutivo, prevenção de novas perdas e cuidados futuros.

    Leia também: Gravidez ectópica: saiba o que é e os sinais da gestação fora do útero

    Perguntas frequentes sobre perda gestacional

    1. Exercício físico pode causar abortamento?

    Não. Atividades comuns e seguras não provocam aborto espontâneo.

    2. Estresse pode causar perda gestacional?

    O estresse isoladamente não causa abortamento espontâneo.

    3. Após um abortamento, quando posso tentar engravidar novamente?

    Depois da recuperação física e emocional, com orientação médica. Muitas vezes, é possível tentar após um ou dois ciclos menstruais.

    4. Perda gestacional é hereditária?

    Na maioria dos casos, não. Mas algumas trombofilias podem ter componente familiar.

    5. Há como evitar um aborto espontâneo?

    Nem sempre. Mas manter doenças controladas, acompanhar no pré-natal e evitar infecções reduz riscos.

    6. Ter um aborto aumenta o risco de outros?

    Depende da causa. Muitas mulheres têm apenas um episódio e depois engravidam normalmente.

    7. Hemorragia sempre indica aborto?

    Não. Sangramentos leves no início da gestação são relativamente comuns — mas sempre devem ser avaliados.

    Veja também: Insuficiência istmocervical: o que é e por que merece atenção na gravidez

  • Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda 

    Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda 

    A vacinação infantil é uma das estratégias mais eficazes da medicina moderna para prevenir doenças graves, sequelas permanentes e mortes evitáveis. Nos primeiros anos de vida, o sistema imunológico ainda está se desenvolvendo, e as vacinas ajudam a criar defesas contra microrganismos capazes de causar infecções sérias, muitas delas antes responsáveis por surtos, epidemias e altas taxas de mortalidade infantil.

    No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente todas as vacinas recomendadas para crianças, seguindo o Calendário Nacional de Vacinação. Esse calendário é atualizado periodicamente pelo Ministério da Saúde e orienta quais doses devem ser aplicadas em cada idade, garantindo proteção adequada desde o nascimento até a adolescência.

    Por que vacinar é tão importante?

    Vacinas previnem doenças potencialmente fatais, como:

    • Poliomielite;
    • Sarampo;
    • Meningite;
    • Coqueluche.

    Além de proteger cada criança individualmente, a vacinação infantil contribui para a imunidade coletiva: quando a maior parte da população está vacinada, vírus e bactérias têm dificuldade para circular, o que também protege pessoas que não podem ser imunizadas.

    Manter a caderneta atualizada também é importante para:

    • Entrada em creches e escolas;
    • Acompanhamento pediátrico adequado;
    • Prevenção de surtos comunitários.

    O Programa Nacional de Imunizações (PNI) garante vacinas gratuitas para crianças, adolescentes, gestantes, adultos e idosos.

    Calendário de Vacinação Infantil (SUS)

    A seguir, o calendário básico atualizado de vacinação infantil conforme o Ministério da Saúde:

    Ao nascer

    • BCG: previne formas graves de tuberculose (meníngea e miliar);
    • Hepatite B (1ª dose): proteção inicial contra hepatite B. As demais doses fazem parte da pentavalente.

    2 meses

    • Pentavalente (1ª dose): difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenzae b;
    • VIP – Poliomielite inativada (1ª dose);
    • Pneumocócica 10-valente (1ª dose);
    • Rotavírus humano (1ª dose).

    3 meses

    • Meningocócica C (1ª dose).

    4 meses

    • Pentavalente (2ª dose);
    • VIP (2ª dose);
    • Pneumocócica 10-valente (2ª dose);
    • Rotavírus humano (2ª dose).

    5 meses

    • Meningocócica C (2ª dose).

    6 meses

    • Pentavalente (3ª dose);
    • VIP (3ª dose);
    • Influenza;
    • Covid-19 (1ª dose);
    • Tríplice viral — dose zero (implementada em regiões com aumento de sarampo).

    7 meses

    • Covid-19 (2ª dose).

    9 meses

    • Febre amarela;
    • Covid-19 (3ª dose);
    • Pfizer: 3 doses;
    • Moderna: esquema de 2 doses.

    12 meses

    • Pneumocócica 10-valente (reforço);
    • Meningocócica ACWY;
    • Tríplice viral (1ª dose).

    15 meses

    • DTP (1º reforço);
    • VIP — reforço;
    • Hepatite A (dose única);
    • Tetra viral: sarampo, caxumba, rubéola e varicela.

    4 anos

    • DTP (2º reforço);
    • Varicela (2ª dose);
    • Febre amarela (reforço, em áreas recomendadas).

    9 a 14 anos

    • HPV quadrivalente (dose única): protege contra o HPV, causador de verrugas genitais e vários cânceres (colo do útero, pênis, ânus e garganta).

    11 a 14 anos

    • Meningocócica ACWY — reforço: previne infecções graves causadas pelos tipos A, C, W e Y.

    Cuidados importantes

    • Levar sempre a caderneta de vacinação às consultas;
    • Manter acompanhamento com profissional de saúde;
    • Mesmo com atraso, vacinas devem ser colocadas em dia — nunca reiniciadas;
    • Reações leves são comuns: febre baixa, dor no local e irritabilidade;
    • Em caso de dúvidas, procure a UBS ou o pediatra.

    Confira: Meningite bacteriana: veja tipos, sintomas e como se prevenir

    Perguntas frequentes sobre vacinação infantil

    1. O que acontece se eu atrasar uma vacina?

    Ela deve ser aplicada o quanto antes. Não é necessário reiniciar o esquema.

    2. Bebês podem tomar várias vacinas no mesmo dia?

    Sim. Isso é seguro e recomendado.

    3. A vacina de febre amarela é para todas as crianças?

    Somente para quem vive em áreas onde o Ministério da Saúde recomenda.

    4. A vacinação infantil é obrigatória para entrada na escola?

    Sim. Instituições podem exigir caderneta atualizada.

    5. Por que algumas vacinas mudam ao longo dos anos?

    Porque o calendário é atualizado conforme novos estudos, surtos e necessidades epidemiológicas.

    6. Vacinas podem causar doenças?

    Não. Elas estimulam o sistema imunológico a criar proteção.

    7. Meu filho teve febre após a vacina. Isso é normal?

    Sim, é uma reação comum e tende a melhorar em 24–48 horas.

    Veja mais: Rotavírus: o que é, como se manifesta e por que a vacina é tão importante

  • Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer 

    Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer 

    Se tem um bebê a caminho, a futura mamãe já sabe que existe uma lista de cuidados que devem começar muito antes do parto. O pré-natal é o momento de acompanhar cada etapa da gestação, sendo importante para detectar precocemente qualquer alteração e reduzir os riscos de complicações.

    Mas afinal, quais exames no pré-natal são obrigatórios e quando devem ser feitos? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas.

    Como funciona o pré-natal?

    O pré-natal funciona como um conjunto de consultas e exames realizados durante toda a gestação, com o objetivo de monitorar a saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê.

    Os exames no pré-natal que são obrigatórios são definidos pelo Ministério da Saúde e estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Eles ajudam a detectar infecções, anemias, diabetes gestacional, incompatibilidades sanguíneas e outros problemas que, se tratados a tempo, evitam complicações graves.

    Andreia também explica que o pré-natal avalia se a paciente já possui alguma comorbidade que pode se agravar durante a gravidez, além de condições específicas do feto ou da placenta. Se surgir alguma complicação, ela é tratada de forma imediata.

    Além dos exames no pré-natal, o acompanhamento também envolve orientações sobre alimentação, atividade física, vacinas e saúde mental, garantindo uma gestação mais tranquila e segura.

    Quando começar o pré-natal?

    O ideal é iniciar o acompanhamento assim que a gravidez for descoberta, de preferência até a 12ª semana de gestação. Quanto mais cedo começar, maiores as chances de detectar alterações e garantir um tratamento eficaz. A ginecologista Andreia Sapienza orienta a frequência de consultas:

    • Uma consulta por mês até 32 semanas;
    • Depois, uma consulta a cada 15 dias até 36 semanas;
    • E duas consultas por semana até o parto.

    O recomendado é que a gestante realize no mínimo sete a dez consultas ao longo da gravidez, de acordo com Andreia.

    Durante as visitas, o médico pede e acompanha os resultados dos exames obrigatórios, faz o controle de peso, pressão arterial, altura uterina e batimentos cardíacos do bebê, além de orientar sobre vacinas e preparo para o parto.

    Quais são os exames obrigatórios do pré-natal?

    Os principais exames solicitados no início do pré-natal e que são repetidos em momentos específicos da gestação incluem:

    Ultrassonografia

    O ultrassom obstétrico é um dos primeiros exames realizados na gestação, importante para confirmar a gravidez, a idade gestacional, o número de bebês e os batimentos cardíacos. Ele utiliza ondas sonoras para gerar imagens do útero e do bebê em tempo real, sem exposição à radiação.

    Andreia esclarece a frequência e objetivo de cada ultrassom:

    • 1º ultrassom (muito precoce): confirma se a gestação está localizada dentro do útero, verifica a presença do saco gestacional, batimentos cardíacos e viabilidade inicial da gravidez;
    • Ultrassom morfológico do 1º trimestre (11 semanas a 13 semanas e 6 dias): avalia translucência nucal, osso nasal e ducto venoso, marcadores que auxiliam no cálculo de risco para síndromes genéticas, como a Síndrome de Down;
    • Ultrassom morfológico do 2º trimestre (entre 20 e 24 semanas): analisa detalhadamente a formação de cada órgão do bebê, detectando possíveis malformações estruturais.

    O ideal é que o ultrassom seja realizado pelo menos duas vezes no primeiro trimestre, podendo ser repetido com maior frequência conforme a necessidade clínica para monitorar a evolução da gestação.

    Tipagem sanguínea (ABO/Rh)

    A tipagem sanguínea identifica o grupo sanguíneo (A, B, AB ou O) e o fator Rh (positivo ou negativo), sendo importante para avaliar se há risco de incompatibilidade entre o sangue da mãe e do bebê. Se a gestante tem Rh negativo e o pai Rh positivo, o médico solicita o exame Coombs Indireto para verificar se o organismo da mãe está produzindo anticorpos contra o sangue do bebê.

    Se ele nascer com Rh positivo, a mãe deve receber uma vacina específica (imunoglobulina anti-D) em até três dias após o parto, para evitar complicações em gestações futuras.

    Hemograma completo

    O hemograma completo é um dos exames mais importantes do pré-natal e avalia a quantidade e a qualidade das células sanguíneas, permitindo identificar anemia, infecções e outros distúrbios que podem surgir na gestação.

    A anemia ferropriva, por exemplo, é comum durante a gravidez, uma vez que o corpo precisa de mais ferro para formar o sangue do bebê. Se não for tratada, ela pode causar cansaço extremo, baixo peso fetal e parto prematuro.

    Urina tipo 1 e urocultura

    Durante a gravidez, as infecções urinárias são mais frequentes devido às alterações hormonais e à pressão do útero sobre a bexiga. O exame de urina tipo 1 e a urocultura são capazes de detectar bactérias e inflamações — e podem ser repetidos no primeiro e no terceiro trimestre da gestação.

    Exames sorológicos

    As sorologias são solicitadas para identificar HIV, sífilis, hepatites B e C, citomegalovírus (CMV), toxoplasmose e rubéola. As infecções, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem causar aborto espontâneo, malformações fetais, parto prematuro ou infecção congênita.

    O ideal é que os exames sejam feitos logo no início da gestação e repetidos conforme a recomendação médica.

    Glicemia em jejum

    A glicemia de jejum mede a quantidade de açúcar no sangue e ajuda a identificar diabetes gestacional — uma condição que ocorre em aproximadamente 4% das gestações e pode causar complicações como parto prematuro, excesso de líquido amniótico e bebês grandes demais para a idade gestacional.

    Para fazer o exame, a gestante precisa ficar de 8 a 12 horas em jejum, tomando apenas água. Em alguns casos, o médico também pode pedir a curva glicêmica, que mede como o açúcar no sangue se comporta após a ingestão de uma solução com glicose.

    Parasitológico de fezes

    O exame parasitológico de fezes é feito para detectar a presença de parasitas intestinais que podem afetar diretamente a saúde da gestante e do bebê. Infecções como giardíase, amebíase e verminoses, por exemplo, podem causar anemia, perda de peso, desnutrição e má absorção de nutrientes — condições perigosas durante a gestação, pois comprometem o desenvolvimento fetal.

    Função da tireoide (TSH e T4 livre)

    A função da tireoide no pré-natal é avaliada para garantir que a gestante produza hormônios em níveis adequados para o próprio metabolismo e para o desenvolvimento neurológico do bebê. A presença de alterações, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo, pode causar aborto, parto prematuro, pré-eclâmpsia e comprometimento cognitivo fetal, mesmo antes de apresentarem sintomas evidentes.

    Teste de malária

    De acordo com orientações do Ministério da Saúde, o teste de malária é obrigatório para gestantes que vivem ou viajam para áreas de risco, especialmente na Região Amazônica. A doença pode ser grave durante a gravidez e causar aborto, parto prematuro e baixo peso ao nascer. A testagem deve ser feita mesmo sem sintomas.

    Exames indicados para o pai no pré-natal

    A saúde paterna também influencia no desenvolvimento do bebê, então é importante que o pai ou parceiro (adulto, jovem e adolescente) seja incentivado a participar do pré-natal e realizar exames de rotina, como:

    • Hemograma;
    • Tipagem sanguínea e fator Rh;
    • Testes rápidos para sífilis, HIV e hepatites B e C;
    • Eletroforese de hemoglobina;
    • Glicemia e lipidograma.

    Além de aproximar o pai do cuidado com o bebê, os exames ajudam a identificar infecções transmissíveis e evitam complicações na gestação.

    Exames complementares importantes

    Além da bateria de exames obrigatória, Andreia aponta alguns exames complementares importantes, como:

    • TOTG (teste oral de tolerância à glicose): feito no 2º trimestre, capaz de detectar o diabetes gestacional;
    • Streptococcus do grupo B: bactéria do canal vaginal que pode infectar o bebê no parto. Se detectada, é feita profilaxia com antibiótico no trabalho de parto;
    • Cardiotocografia e perfil biofísico fetal: usados para monitorar o bem-estar do bebê a partir da 28ª semana (mais útil depois da 34ª).

    Vacinas no pré-natal: quais são obrigatórias?

    Durante a gravidez, o sistema imunológico da mulher passa por uma série de alterações, o que a torna mais vulnerável a infecções. As vacinas recomendadas ajudam a proteger mãe e bebê de doenças graves, sendo elas:

    • Vacina contra tétano, difteria e coqueluche (dTPa): se a gestante nunca foi vacinada, deve iniciar o esquema o quanto antes. O foco principal é coqueluche, que causa surtos graves em bebês com menos de 1 ano;
    • Vacina contra hepatite B: indicada para gestantes não vacinadas anteriormente. São aplicadas três doses, garantindo proteção para mãe e bebê;
    • Vacina contra gripe (influenza): é recomendada para todas as gestantes, principalmente durante a campanha nacional de vacinação. A gripe pode causar complicações respiratórias mais graves na gravidez, e a imunização é segura em qualquer trimestre;
    • Covid-19: reduz o risco de formas graves da doença na gestante, que tem mais chance de complicações. Os anticorpos passam pela placenta e ajudam a proteger o bebê após o nascimento.

    Vírus sincicial respiratório: protege o bebê de bronquiolite e pneumonia nos primeiros meses de vida, causadas pelo VSR — um dos vírus que mais interna crianças pequenas. A recomendação atual é a vacinação entre 28 e 36 semanas de gestação, uma dose única a cada gravidez.

    De acordo com Andreia, o esquema vacinal depende do histórico da paciente, então o ideal é sempre seguir a orientação do médico obstetra.

    Pré-natal de alto risco: o que muda?

    Quando a mulher apresenta condições que aumentam o risco de complicações, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, obesidade, idade materna avançada ou gravidez de gêmeos, o acompanhamento precisa ser ainda mais cuidadoso.

    Nesses casos, o pré-natal de alto risco inclui consultas mais frequentes, exames especializados e, quando necessário, o suporte de profissionais de diferentes áreas — como cardiologista, endocrinologista, nutricionista e obstetra especializado em medicina fetal.

    Segundo Andreia, também podem ser solicitados os seguintes exames:

    • Exames cardíacos e renais (para gestantes com hipertensão);
    • Ajuste de insulina e controle de glicemia (em caso de diabetes);
    • Anticoagulação (em caso de lúpus ou risco elevado de trombose);
    • Cerclagem (ponto cirúrgico no colo do útero, para prevenir o parto prematuro ou abortamento tardio em gestantes com incompetência istmocervical).

    O objetivo é monitorar de perto tanto a saúde da mãe quanto o desenvolvimento do bebê, prevenindo situações que possam colocar a gestação em perigo. Com acompanhamento adequado, é possível reduzir complicações e garantir uma gravidez segura até o nascimento do pequeno.

    Veja mais: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

    Perguntas frequentes

    1. Quando devo começar o pré-natal?

    O ideal é iniciar o pré-natal assim que a gravidez for descoberta, de preferência até a 12ª semana de gestação. Quanto antes começar, melhor será o acompanhamento da saúde da mãe e do bebê. O início precoce permite detectar possíveis problemas logo no começo e ajustar hábitos de alimentação, suplementação e estilo de vida conforme as necessidades da gestação.

    Mesmo quem descobre a gravidez mais tarde deve procurar o médico imediatamente para iniciar o acompanhamento.

    2. É normal sentir enjoo, tontura e cansaço nas primeiras semanas de gravidez?

    Sim, os sintomas são comuns no início da gestação. Eles acontecem por causa das mudanças hormonais e do aumento da progesterona, que afeta o sistema digestivo e o equilíbrio do corpo. Apesar de desconfortáveis, eles tendem a melhorar a partir do segundo trimestre.

    Para aliviar os sintomas, o médico pode indicar ajustes na alimentação, fracionamento das refeições e hidratação adequada. Se os enjoos forem intensos e acompanhados de perda de peso, é importante avisar o especialista.

    3. Posso praticar atividade física durante a gravidez?

    Sim! A prática de exercícios leves e regulares é indicada na maioria das gestações saudáveis, como caminhadas, hidroginástica, yoga e alongamentos. Elas ajudam na circulação, reduzem dores nas costas e melhoram o bem-estar emocional.

    No entanto, procure conversar com o médico antes de iniciar qualquer atividade. O acompanhamento profissional garante segurança e evita sobrecarga física.

    4. É seguro fazer ultrassom com frequência?

    Sim, o ultrassom é um exame seguro de ser realizado com frequência, pois ele utiliza apenas ondas sonoras, sem radiação. Ele permite acompanhar o crescimento fetal, o desenvolvimento dos órgãos e a posição dentro do útero.

    A quantidade necessária deve ser determinada pelo médico, de acordo com as particularidades de cada gravide

    5. O que é considerado uma gravidez de alto risco?

    Uma gravidez é classificada como alto risco quando existem fatores que aumentam a probabilidade de complicações para a mãe ou para o bebê. Isso inclui doenças pré-existentes (como hipertensão, diabetes, lúpus ou problemas cardíacos), gestações múltiplas, histórico de partos prematuros, idade acima de 35 anos ou abaixo de 17, entre outros.

    Nessas situações, o acompanhamento deve ser mais frequente, com exames especializados e suporte de diferentes profissionais.

    6. Quais são os sintomas da pré-eclâmpsia?

    A pré-eclâmpsia é uma complicação grave caracterizada por pressão alta e presença de proteínas na urina após a 20ª semana de gestação. Os principais sintomas incluem:

    • Inchaço repentino nas mãos, rosto e pernas;
    • Forte dor de cabeça;
    • Visão turva ou embaçada;
    • Náuseas e tontura.

    A condição exige acompanhamento médico imediato, pois pode evoluir para eclâmpsia, que causa convulsões e risco de vida para a mãe e o bebê. O controle da pressão, repouso e medicamentos ajudam a evitar complicações e garantir a segurança até o parto.

    7. Como saber se estou com infecção urinária durante a gravidez?

    Os sintomas mais comuns de infecção urinária na gravidez são ardência ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro, urina turva ou com odor forte e, em casos mais graves, dor abdominal e febre.

    Durante o pré-natal, o exame de urina tipo 1 e a urocultura ajudam a detectar infecções mesmo sem sintomas. O tratamento é feito com antibióticos seguros para a gestação, que devem ser receitados por um médico.

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