Na reta final da gravidez, que acontece a partir da 28ª semana, tudo parece ganhar um ritmo diferente. E não é para menos: o bebê cresce rápido, a barriga fica mais evidente e o corpo trabalha dobrado para dar conta de tantas mudanças ao mesmo tempo.
Nesse momento, os cuidados são ainda mais importantes para garantir a saúde e bem-estar do neném e da futura mãe.
Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as principais mudanças do terceiro trimestre de gravidez, sintomas comuns e os exames mais recomendados. Confira!
Quando começa o terceiro trimestre de gravidez?
O terceiro trimestre de gravidez começa na 28ª semana e marca a fase em que o corpo intensifica o preparo para o nascimento. A partir desse ponto, o útero cresce de maneira mais acelerada, o bebê ganha peso rapidamente e a gestante pode perceber mudanças mais evidentes na respiração, no sono e no nível de cansaço diário. A compressão dos órgãos internos se torna maior, o que explica os principais sintomas do trimestre.
Ao mesmo tempo, o bebê entra em um período decisivo de desenvolvimento: pulmões, cérebro e sistema nervoso passam por etapas finais de maturação, e os movimentos se tornam mais fortes e definidos.
Por isso, mantenha as consultas regulares, o acompanhamento do crescimento fetal e os cuidados simples, como hidratação frequente e descanso, pois eles ajudam a atravessar essa etapa com mais conforto, enquanto o corpo se prepara para o parto.
Sintomas comuns do terceiro trimestre
No terceiro trimestre, os sintomas da gravidez tendem a ficar mais intensos porque o bebê cresce rapidamente e o útero ocupa grande parte do abdômen. Nessa fase, é comum apresentar:
- Falta de ar em atividades leves;
- Azia e queimação mais frequentes;
- Cansaço aumentado;
- Sono irregular;
- Inchaço nas pernas e nos pés;
- Maior vontade de urinar;
- Dores nas costas;
- Contrações de treinamento (Braxton Hicks);
- Aumento do corrimento;
- Sensação de pressão na região pélvica;
- Movimentos fetais mais fortes e regulares.
Vale apontar que, nessa fase, o crescimento acelerado do bebê aumenta a pressão sobre diversos órgãos e estruturas, o que pode gerar outros desconfortos frequentes.
As veias da pelve e do reto ficam mais comprimidas, aumentando o risco de hemorroidas, especialmente se você também tem prisão de ventre. O retorno venoso das pernas também fica mais lento, favorecendo o inchaço, a sensação de peso e as varizes.
Quando os sintomas não são normais?
Quando algo passa do limite do esperado, o principal sinal é o incômodo intenso da gestante. Andreia ressalta que cada sintoma precisa ser avaliado individualmente, mas alguns pontos merecem atenção especial:
- Se o inchaço nas pernas vier junto com inchaço no rosto, é preciso investigar pressão alta, já que a doença hipertensiva da gestação costuma aparecer no fim da gravidez;
- Quando a azia impede o sono ou provoca vômitos, a medicação costuma ser necessária para aliviar o desconforto;
- A falta de ar geralmente é leve, mas piora ao deitar de barriga para cima, porque o útero comprime a veia cava; por isso, recomenda-se dormir de lado ou com a cabeceira elevada.
Existem ainda condições que tornam tudo mais intenso, como a gestação de gêmeos ou excesso de líquido amniótico, que aumentam o tamanho da barriga e podem deixar a falta de ar acima do normal. Nesses casos, o acompanhamento deve ser direcionado às comorbidades associadas, sempre respeitando as necessidades de cada gestante.
Como o corpo muda durante o terceiro trimestre de gravidez?
No terceiro trimestre, o corpo passa por transformações aceleradas para acompanhar o ritmo de crescimento do bebê. Depois de atingir pouco mais de um quilo nos primeiros seis meses, o feto praticamente triplica de peso nos três meses finais, podendo chegar a aproximadamente três quilos ao término da gestação, de acordo com Andreia Sapienza.
Com isso, o organismo materno precisa se ajustar de forma contínua para acomodar o aumento de volume dentro do abdômen. A barriga cresce de maneira mais evidente, o útero ocupa quase toda a cavidade abdominal e o tronco passa a se projetar para a frente, modificando o eixo da coluna.
Isso altera a postura, aumenta a curvatura lombar e exige maior esforço dos músculos das costas, que ficam mais suscetíveis à dor e ao cansaço.
Paralelamente a isso, também ocorrem as seguintes mudanças:
- A musculatura abdominal se estende ao máximo, o que favorece a abertura das fibras e a formação de diástase;
- O útero elevado pressiona o estômago e o diafragma, causando azia, refluxo e sensação de falta de ar ao realizar pequenas atividades;
- Os intestinos ficam mais comprimidos e lentos, o que contribui para episódios de prisão de ventre e gases;
- A pelve passa por maior relaxamento ligamentar, preparando o corpo para o parto, o que pode desencadear dor no púbis e desconforto nos quadris;
- A circulação mais intensa e o aumento do volume sanguíneo favorecem sensação de calor constante;
- A pele do abdômen se distende rapidamente, provocando coceira e aumentando o risco de estrias;
- O peito cresce ainda mais, com maior sensibilidade e possível saída de colostro.
Andreia ainda aponta que uma mudança importante é o aumento da placenta, que acompanha o crescimento do bebê. Há uma relação proporcional entre os dois: conforme o feto ganha peso, a placenta também se expande. Em uma gestação a termo, ela pode chegar a aproximadamente 900 gramas.
Como está o bebê no terceiro trimestre?
Na fase final da gestação, o bebê passa por um período de crescimento muito rápido. É quando ele ganha peso, fortalece os órgãos e se prepara para nascer. Inclusive, o pequeno já reage ao ambiente e movimenta o corpo com mais força e coordenação, sendo possível observar:
- Resposta a variações de luz;
- Surgimento de fios de cabelo na cabeça;
- Chutes mais fortes e movimentos de alongar e flexionar braços e pernas;
- Dedos que agarram com mais firmeza;
- Acúmulo de gordura que deixa braços e pernas mais arredondados;
- Ossos cada vez mais firmes;
- Circulação plenamente estruturada;
- Sistema musculoesquelético pronto;
- Desenvolvimento acelerado de pulmões, cérebro e sistema nervoso.
No começo do terceiro trimestre, ele costuma medir cerca de 35 centímetros e pesar entre 1 e 2 quilos. Quando chega a hora do nascimento, normalmente tem entre 46 e 51 centímetros e um pouco mais de 3 quilos.
De acordo com Andreia, no final da gravidez, o ideal é prestar atenção diária aos movimentos do bebê. A recomendação mais usada é o mobilograma: a gestante observa os movimentos por cerca de 40 minutos a 1 hora, já que o bebê alterna períodos de sono e vigília nesse intervalo. Uma dica é comer algo leve antes, porque a alimentação costuma estimular a movimentação.
Exames recomendados no terceiro trimestre de gravidez
A partir das últimas semanas de gestação, o pré-natal se torna mais cuidadoso para garantir o bem-estar da mãe e do bebê. Segundo Andreia, alguns exames passam a ser especialmente importantes nessa fase, como:
- Sorologias repetidas no final da gestação: HIV, sífilis e hepatite C;
- Hemograma para avaliar anemia e outras alterações hematológicas;
- Urocultura para investigar infecções urinárias, mesmo quando assintomáticas;
- Exames complementares conforme comorbidades maternas, como diabetes;
- Pesquisa de estreptococo do grupo B entre 35 e 36 semanas, por meio de coleta com swab na entrada da vagina e do ânus.
Como diferenciar as contrações de treinamento e do trabalho de parto?
É normal, no período final da gravidez, apresentar contrações de treinamento, conhecidas como Braxton Hicks. Elas deixam a barriga dura, mas não causam dor e não seguem um ritmo. Aparecem de forma espaçada e desaparecem sozinhas.
Já as contrações de trabalho de parto doem, ficam ritmadas, ganham intensidade com o passar do tempo e não cessam. Se durarem cerca de uma hora com esse padrão, é importante procurar atendimento.
Quais cuidados favorecem o bem-estar durante o terceiro trimestre?
As recomendações de alimentação e hidratação seguem as mesmas ao fim da gravidez, sempre priorizando uma dieta baseada em alimentos in natura, com variedade de verduras, legumes e frutas.
A ingestão de água também deve ser reforçada, com pelo menos 2-3 litros por dia.
Para mulheres que desejam um parto espontâneo, permanecer ativa dentro dos limites habituais pode favorecer o início natural do trabalho de parto.
Importante: o consumo de álcool deve ser zero, pois não existe dose considerada segura durante a gestação.
Sinais que exigem atenção médica no terceiro trimestre
- Contrações fortes e regulares que não param após uma hora;
- Rompimento da bolsa com saída de líquido em grande quantidade;
- Sangramento vaginal intenso;
- Bebê muito quieto mesmo após alimentação e observação.
Para gestantes com pressão alta ou outras condições, podem existir sinais extras definidos pelo médico, como dor de cabeça intensa, alterações na visão ou dor abdominal forte.
Veja também: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados
Perguntas frequentes
É normal sentir falta de ar no terceiro trimestre?
Sim, a falta de ar leve é comum, mas se for intensa ou acompanhada de dor e tontura, procure atendimento médico.
Como saber se o bebê está se mexendo o suficiente?
Observe os movimentos por cerca de 40 minutos a 1 hora. Após alimentação leve, eles tendem a ficar mais evidentes.
O que é estreptococo do grupo B?
É uma bactéria comum na flora genital que pode ser transmitida ao bebê no parto. O teste identifica colonização para prevenir complicações.
Como aliviar dor lombar e azia?
Para dor lombar, alterne posições e faça alongamentos leves. Para azia, evite refeições grandes e não se deite logo após comer.
Posso fazer atividade física no terceiro trimestre?
Sim, com liberação médica e priorizando exercícios leves. Interrompa qualquer atividade que cause dor ou mal-estar.
Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames









