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  • Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Na reta final da gravidez, que acontece a partir da 28ª semana, tudo parece ganhar um ritmo diferente. E não é para menos: o bebê cresce rápido, a barriga fica mais evidente e o corpo trabalha dobrado para dar conta de tantas mudanças ao mesmo tempo.

    Nesse momento, os cuidados são ainda mais importantes para garantir a saúde e bem-estar do neném e da futura mãe.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as principais mudanças do terceiro trimestre de gravidez, sintomas comuns e os exames mais recomendados. Confira!

    Quando começa o terceiro trimestre de gravidez?

    O terceiro trimestre de gravidez começa na 28ª semana e marca a fase em que o corpo intensifica o preparo para o nascimento. A partir desse ponto, o útero cresce de maneira mais acelerada, o bebê ganha peso rapidamente e a gestante pode perceber mudanças mais evidentes na respiração, no sono e no nível de cansaço diário. A compressão dos órgãos internos se torna maior, o que explica os principais sintomas do trimestre.

    Ao mesmo tempo, o bebê entra em um período decisivo de desenvolvimento: pulmões, cérebro e sistema nervoso passam por etapas finais de maturação, e os movimentos se tornam mais fortes e definidos.

    Por isso, mantenha as consultas regulares, o acompanhamento do crescimento fetal e os cuidados simples, como hidratação frequente e descanso, pois eles ajudam a atravessar essa etapa com mais conforto, enquanto o corpo se prepara para o parto.

    Sintomas comuns do terceiro trimestre

    No terceiro trimestre, os sintomas da gravidez tendem a ficar mais intensos porque o bebê cresce rapidamente e o útero ocupa grande parte do abdômen. Nessa fase, é comum apresentar:

    • Falta de ar em atividades leves;
    • Azia e queimação mais frequentes;
    • Cansaço aumentado;
    • Sono irregular;
    • Inchaço nas pernas e nos pés;
    • Maior vontade de urinar;
    • Dores nas costas;
    • Contrações de treinamento (Braxton Hicks);
    • Aumento do corrimento;
    • Sensação de pressão na região pélvica;
    • Movimentos fetais mais fortes e regulares.

    Vale apontar que, nessa fase, o crescimento acelerado do bebê aumenta a pressão sobre diversos órgãos e estruturas, o que pode gerar outros desconfortos frequentes.

    As veias da pelve e do reto ficam mais comprimidas, aumentando o risco de hemorroidas, especialmente se você também tem prisão de ventre. O retorno venoso das pernas também fica mais lento, favorecendo o inchaço, a sensação de peso e as varizes.

    Quando os sintomas não são normais?

    Quando algo passa do limite do esperado, o principal sinal é o incômodo intenso da gestante. Andreia ressalta que cada sintoma precisa ser avaliado individualmente, mas alguns pontos merecem atenção especial:

    • Se o inchaço nas pernas vier junto com inchaço no rosto, é preciso investigar pressão alta, já que a doença hipertensiva da gestação costuma aparecer no fim da gravidez;
    • Quando a azia impede o sono ou provoca vômitos, a medicação costuma ser necessária para aliviar o desconforto;
    • A falta de ar geralmente é leve, mas piora ao deitar de barriga para cima, porque o útero comprime a veia cava; por isso, recomenda-se dormir de lado ou com a cabeceira elevada.

    Existem ainda condições que tornam tudo mais intenso, como a gestação de gêmeos ou excesso de líquido amniótico, que aumentam o tamanho da barriga e podem deixar a falta de ar acima do normal. Nesses casos, o acompanhamento deve ser direcionado às comorbidades associadas, sempre respeitando as necessidades de cada gestante.

    Como o corpo muda durante o terceiro trimestre de gravidez?

    No terceiro trimestre, o corpo passa por transformações aceleradas para acompanhar o ritmo de crescimento do bebê. Depois de atingir pouco mais de um quilo nos primeiros seis meses, o feto praticamente triplica de peso nos três meses finais, podendo chegar a aproximadamente três quilos ao término da gestação, de acordo com Andreia Sapienza.

    Com isso, o organismo materno precisa se ajustar de forma contínua para acomodar o aumento de volume dentro do abdômen. A barriga cresce de maneira mais evidente, o útero ocupa quase toda a cavidade abdominal e o tronco passa a se projetar para a frente, modificando o eixo da coluna.

    Isso altera a postura, aumenta a curvatura lombar e exige maior esforço dos músculos das costas, que ficam mais suscetíveis à dor e ao cansaço.

    Paralelamente a isso, também ocorrem as seguintes mudanças:

    • A musculatura abdominal se estende ao máximo, o que favorece a abertura das fibras e a formação de diástase;
    • O útero elevado pressiona o estômago e o diafragma, causando azia, refluxo e sensação de falta de ar ao realizar pequenas atividades;
    • Os intestinos ficam mais comprimidos e lentos, o que contribui para episódios de prisão de ventre e gases;
    • A pelve passa por maior relaxamento ligamentar, preparando o corpo para o parto, o que pode desencadear dor no púbis e desconforto nos quadris;
    • A circulação mais intensa e o aumento do volume sanguíneo favorecem sensação de calor constante;
    • A pele do abdômen se distende rapidamente, provocando coceira e aumentando o risco de estrias;
    • O peito cresce ainda mais, com maior sensibilidade e possível saída de colostro.

    Andreia ainda aponta que uma mudança importante é o aumento da placenta, que acompanha o crescimento do bebê. Há uma relação proporcional entre os dois: conforme o feto ganha peso, a placenta também se expande. Em uma gestação a termo, ela pode chegar a aproximadamente 900 gramas.

    Como está o bebê no terceiro trimestre?

    Na fase final da gestação, o bebê passa por um período de crescimento muito rápido. É quando ele ganha peso, fortalece os órgãos e se prepara para nascer. Inclusive, o pequeno já reage ao ambiente e movimenta o corpo com mais força e coordenação, sendo possível observar:

    • Resposta a variações de luz;
    • Surgimento de fios de cabelo na cabeça;
    • Chutes mais fortes e movimentos de alongar e flexionar braços e pernas;
    • Dedos que agarram com mais firmeza;
    • Acúmulo de gordura que deixa braços e pernas mais arredondados;
    • Ossos cada vez mais firmes;
    • Circulação plenamente estruturada;
    • Sistema musculoesquelético pronto;
    • Desenvolvimento acelerado de pulmões, cérebro e sistema nervoso.

    No começo do terceiro trimestre, ele costuma medir cerca de 35 centímetros e pesar entre 1 e 2 quilos. Quando chega a hora do nascimento, normalmente tem entre 46 e 51 centímetros e um pouco mais de 3 quilos.

    De acordo com Andreia, no final da gravidez, o ideal é prestar atenção diária aos movimentos do bebê. A recomendação mais usada é o mobilograma: a gestante observa os movimentos por cerca de 40 minutos a 1 hora, já que o bebê alterna períodos de sono e vigília nesse intervalo. Uma dica é comer algo leve antes, porque a alimentação costuma estimular a movimentação.

    Exames recomendados no terceiro trimestre de gravidez

    A partir das últimas semanas de gestação, o pré-natal se torna mais cuidadoso para garantir o bem-estar da mãe e do bebê. Segundo Andreia, alguns exames passam a ser especialmente importantes nessa fase, como:

    • Sorologias repetidas no final da gestação: HIV, sífilis e hepatite C;
    • Hemograma para avaliar anemia e outras alterações hematológicas;
    • Urocultura para investigar infecções urinárias, mesmo quando assintomáticas;
    • Exames complementares conforme comorbidades maternas, como diabetes;
    • Pesquisa de estreptococo do grupo B entre 35 e 36 semanas, por meio de coleta com swab na entrada da vagina e do ânus.

    Como diferenciar as contrações de treinamento e do trabalho de parto?

    É normal, no período final da gravidez, apresentar contrações de treinamento, conhecidas como Braxton Hicks. Elas deixam a barriga dura, mas não causam dor e não seguem um ritmo. Aparecem de forma espaçada e desaparecem sozinhas.

    Já as contrações de trabalho de parto doem, ficam ritmadas, ganham intensidade com o passar do tempo e não cessam. Se durarem cerca de uma hora com esse padrão, é importante procurar atendimento.

    Quais cuidados favorecem o bem-estar durante o terceiro trimestre?

    As recomendações de alimentação e hidratação seguem as mesmas ao fim da gravidez, sempre priorizando uma dieta baseada em alimentos in natura, com variedade de verduras, legumes e frutas.

    A ingestão de água também deve ser reforçada, com pelo menos 2-3 litros por dia.

    Para mulheres que desejam um parto espontâneo, permanecer ativa dentro dos limites habituais pode favorecer o início natural do trabalho de parto.

    Importante: o consumo de álcool deve ser zero, pois não existe dose considerada segura durante a gestação.

    Sinais que exigem atenção médica no terceiro trimestre

    • Contrações fortes e regulares que não param após uma hora;
    • Rompimento da bolsa com saída de líquido em grande quantidade;
    • Sangramento vaginal intenso;
    • Bebê muito quieto mesmo após alimentação e observação.

    Para gestantes com pressão alta ou outras condições, podem existir sinais extras definidos pelo médico, como dor de cabeça intensa, alterações na visão ou dor abdominal forte.

    Veja também: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    É normal sentir falta de ar no terceiro trimestre?

    Sim, a falta de ar leve é comum, mas se for intensa ou acompanhada de dor e tontura, procure atendimento médico.

    Como saber se o bebê está se mexendo o suficiente?

    Observe os movimentos por cerca de 40 minutos a 1 hora. Após alimentação leve, eles tendem a ficar mais evidentes.

    O que é estreptococo do grupo B?

    É uma bactéria comum na flora genital que pode ser transmitida ao bebê no parto. O teste identifica colonização para prevenir complicações.

    Como aliviar dor lombar e azia?

    Para dor lombar, alterne posições e faça alongamentos leves. Para azia, evite refeições grandes e não se deite logo após comer.

    Posso fazer atividade física no terceiro trimestre?

    Sim, com liberação médica e priorizando exercícios leves. Interrompa qualquer atividade que cause dor ou mal-estar.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • 7 sintomas comuns na gravidez (e o que NÃO é normal)

    7 sintomas comuns na gravidez (e o que NÃO é normal)

    Não é novidade que a gravidez provoca uma série de mudanças no corpo, e nem sempre é fácil entender o que faz parte do processo natural e o que pode indicar algum problema.

    Os sintomas costumam surgir logo nas primeiras semanas, causando dúvidas especialmente em mamães de primeira viagem.

    Para te ajudar, nós conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer o que é comum na gravidez, o que merece avaliação e quando você deve ir ao pronto-socorro. Confira!

    Quais os sintomas comuns na gravidez?

    Existem vários sintomas considerados fisiológicos na gravidez, ou seja, fazem parte das mudanças naturais do corpo e não indicam uma doença.

    Segundo Andreia, cada gestante pode apresentar alguns sintomas e não outros, o que mostra como a experiência da gestação varia bastante de pessoa para pessoa.

    Mas, no geral, alguns sintomas costumam ser esperados, como:

    1. Dores nas costas e na virilha

    As dores nas costas e na virilha costumam surgir por causa das mudanças corporais, crescimento do útero e deslocamento dos órgãos pélvicos.

    No final da gestação, Andreia explica que ocorre aumento da curvatura lombar devido ao crescimento abdominal, além de maior frouxidão das articulações pelo acúmulo de líquidos.

    Segundo a ginecologista, medidas como fisioterapia, exercícios na água e fortalecimento muscular podem ajudar a aliviar as dores. Em alguns casos, o uso de analgésicos pode ser indicado pelo médico.

    Quando não é normal?

    É importante procurar atendimento se a dor nas costas for muito intensa e que irradia para o abdômen, acompanhada de febre ou ardor ao urinar — o que pode indicar infecção urinária ou cálculos renais.

    2. Cólicas e contrações

    As cólicas leves podem aparecer principalmente no início, devido à adaptação do útero. Já no final da gestação, contrações irregulares e sem dor intensa costumam ser as chamadas contrações de treinamento (Braxton Hicks), que preparam o corpo para o parto.

    Quando não é normal?

    É importante procurar avaliação quando as cólicas ficam fortes, persistentes ou vêm acompanhadas de sangramento, perda de líquido ou dor intensa.

    Contrações que seguem um ritmo (a cada 5 ou 10 minutos, por exemplo), dolorosas e que aumentam de frequência também merecem atenção, pois podem indicar início de trabalho de parto.

    3. Náuseas e vômitos

    As náuseas e vômitos são frequentes, sobretudo no primeiro trimestre, normalmente ligadas às alterações hormonais, principalmente ao aumento da progesterona. Na maioria das vezes são leves e melhoram com alimentação fracionada e alguns cuidados simples.

    Segundo Andreia, a orientação costuma ser fazer refeições menores várias vezes ao dia, cerca de seis ou sete, com intervalos de duas horas e meia a três horas. Em vez de grandes refeições, divide-se o que já se consumia ao longo do dia.

    Em alguns casos, Andreia aponta que também pode surgir hipersalivação, aquela sensação de saliva excessiva que antecede o enjoo, mesmo que a gestante não vomite.

    Quando não é normal?

    Vômitos são muito frequentes, que impedem a alimentação, causam perda de peso ou sinais de desidratação, como fraqueza intensa, tontura ou urina muito escura, precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

    Nesses casos, Andreia explica que pode ser necessária internação para hidratação venosa, medicação intravenosa e reposição de vitaminas. A condição é chamada hiperêmese gravídica e requer acompanhamento médico.

    4. Inchaço

    O volume de sangue no corpo da gestante aumenta em cerca de 50%, o que facilita a retenção de líquidos, então é comum notar os pés e tornozelos levemente inchados ao final do dia, especialmente no verão ou após longos períodos em pé.

    Nesses casos, o recomendado é elevar as pernas sempre que possível, evitar ficar muito tempo na mesma posição, manter boa hidratação ao longo do dia e, quando indicado pelo médico, usar meias de compressão.

    Quando não é normal?

    Em caso de inchaço súbito e acentuado no rosto e nas mãos, vale procurar um médico. Se o inchaço vier acompanhado de dor de cabeça persistente ou visão embaçada, pode ser um sinal de pré-eclâmpsia (pressão alta na gestação).

    5. Tontura

    O sistema circulatório trabalha em dobro na gravidez, o que pode afetar a pressão arterial. Por isso, é comum ter tonturas leves ao levantar rápido demais causadas por estresse ou falta de sono.

    Na maioria das vezes, os sintomas melhoram com hidratação adequada, alimentação regular, descanso e mudanças simples de hábito, como levantar devagar e evitar longos períodos em pé.

    Quando não é normal?

    A tontura passa a merecer atenção quando é intensa, frequente ou vem acompanhada de outros sintomas, como dor de cabeça forte, visão embaçada, palpitações, falta de ar, desmaios ou aumento da pressão arterial.

    Nessas situações, é importante procurar the médico para investigar possíveis alterações circulatórias ou outras condições que precisam de acompanhamento.

    6. Dor de cabeça

    A dor de cabeça pode ocorrer, especialmente em quem já possui histórico de enxaqueca, segundo Andreia. Nesses casos, alguns analgésicos, como dipirona ou paracetamol, podem ser usados na gravidez, conforme orientação médica.

    Quando não é normal?

    A dor de cabeça intensa, repentina, que não melhora com medicação ou associada à pressão alta exige avaliação rápida para descartar complicações hipertensivas.

    7. Queda de pressão

    A queda de pressão é relativamente comum, principalmente no segundo trimestre. A circulação passa por adaptações importantes, o que pode causar sensação de fraqueza, escurecimento da visão ao levantar rápido ou mal-estar passageiro.

    De acordo com Andreia, medidas como meias de compressão, hidratação adequada, evitar longos períodos em pé e ambientes quentes ajudam a prevenir quedas de pressão. Ao sentir tontura, o ideal é sentar ou deitar para evitar desmaio.

    Quando não é normal?

    A queda de pressão merece avaliação quando provoca desmaios, tonturas muito frequentes, palpitações, falta de ar ou sensação intensa de fraqueza.

    Também é importante investigar se os episódios passam a interferir na alimentação, na hidratação ou nas atividades do dia a dia, pois podem indicar necessidade de acompanhamento mais próximo.

    Quando ir ao pronto-socorro?

    Durante a gravidez, alguns sintomas precisam de avaliação urgente, pois podem indicar complicações que precisam de atendimento rápido. Por isso, é importante ir ao pronto-socorro no surgimento dos seguintes sintomas:

    • Sangramento vaginal em qualquer fase da gestação;
    • Perda de líquido pela vagina, principalmente se contínua;
    • Contrações regulares, fortes ou dolorosas antes do tempo esperado;
    • Dor abdominal intensa ou persistente;
    • Dor de cabeça forte que não melhora com analgésico simples;
    • Visão embaçada, pontos brilhantes ou escurecimento visual;
    • Inchaço súbito no rosto, mãos ou olhos;
    • Vômitos intensos com dificuldade para se alimentar ou beber líquidos;
    • Febre persistente;
    • Falta de ar, palpitações ou dor no peito;
    • Desmaio ou tontura intensa;
    • Diminuição ou ausência de movimentos do bebê após período em que já eram percebidos regularmente.

    Na dúvida, o mais seguro sempre é buscar avaliação médica. O atendimento precoce ajuda a proteger a saúde do bebê e da mãe.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Por que sinto uma dor aguda na virilha quando me viro na cama?

    Isso geralmente é a dor no ligamento redondo. Eles sustentam o útero e, ao fazer movimentos bruscos, se esticam como um elástico, causando uma pontada rápida, mas inofensiva.

    2. Dor ciática na gravidez é comum?

    Sim, pois o peso da barriga e a mudança na postura podem comprimir o nervo ciático, causando dor que começa na lombar, passa pelo glúteo e desce pela perna.

    3. Como saber se a contração é de treinamento ou de parto?

    A de treinamento (Braxton Hicks) é irregular, indolor e passa quando você muda de posição. A de parto é rítmica (a cada 5 minutos, por exemplo), aumenta de intensidade e não para, mesmo que você descanse.

    4. Sentir pressão na vagina é sinal de que o bebê vai nascer?

    No final da gestação, o bebê encaixa na pelve, o que causa uma sensação de pressão e “choques” no colo do útero. Se não houver outros sintomas, é apenas o corpo se preparando.

    5. Por que minhas gengivas sangram tanto ao escovar os dentes?

    A gengivite gravídica ocorre devido ao aumento do volume sanguíneo e às alterações hormonais que tornam os tecidos da boca mais sensíveis e vascularizados. É normal, mas requer acompanhamento do dentista.

    6. Como diferenciar o corrimento normal da perda de líquido amniótico?

    O corrimento costuma ser viscoso e deixa uma mancha no fundo da calcinha. O líquido amniótico é fluido como água, geralmente transparente ou levemente esbranquiçado, e costuma molhar a calcinha de forma contínua, não parando mesmo que você troque a peça.

    7. É normal sentir o rosto ou as bochechas muito quentes (fogachos)?

    Sim, as ondas de calor não são exclusivas da menopausa. O aumento do metabolismo e as mudanças hormonais na gravidez dilatam os vasos sanguíneos, causando esses episódios de calor súbito e vermelhidão no rosto.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Enteroviroses: o que são e por que infectam tantas crianças 

    Enteroviroses: o que são e por que infectam tantas crianças 

    As enteroviroses são um conjunto de infecções causadas por vírus do gênero Enterovirus, da família Picornaviridae. Esses vírus têm grande capacidade de circulação na população e podem infectar o trato gastrointestinal e respiratório, com possibilidade de disseminação para outros órgãos.

    Muito comuns em todo o mundo, as enteroviroses afetam principalmente crianças, mas também podem acometer adultos. A maioria dos casos evolui de forma leve ou até assintomática, porém algumas infecções podem causar quadros mais graves, como meningite viral, inflamação do músculo cardíaco e manifestações neurológicas.

    O que são enteroviroses

    As enteroviroses incluem doenças causadas por diferentes tipos de enterovírus, como:

    • Coxsackievírus;
    • Echovírus;
    • Enterovírus humanos não-poliomielíticos;
    • Vírus da poliomielite, em regiões onde ainda há circulação.

    Esses vírus têm em comum a capacidade de se replicar inicialmente no trato gastrointestinal após infecção, principalmente pela via fecal-oral, e causar manifestações clínicas variadas.

    A infecção pode começar pelo contato com fezes contaminadas, água ou alimentos infectados. Em algumas situações, também ocorre disseminação por secreções respiratórias.

    Como as enteroviroses são transmitidas

    A principal forma de transmissão das enteroviroses é a via fecal-oral, ou seja, pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes que contêm o vírus. Pequenas quantidades virais já são suficientes para causar infecção.

    Outras formas de transmissão incluem:

    • Gotículas respiratórias ou contato com secreções de pessoas infectadas;
    • Superfícies contaminadas e mãos não higienizadas adequadamente.

    Essa combinação explica por que as enteroviroses se espalham com facilidade em creches, escolas e ambientes com grande circulação de crianças.

    Sintomas das enteroviroses

    Os sintomas variam conforme o tipo de enterovírus e a resposta do organismo da pessoa infectada.

    Sintomas inespecíficos

    Muitos casos cursam com manifestações leves ou até ausência de sintomas, especialmente em adultos. Os sinais mais comuns são:

    • Febre;
    • Mal-estar geral;
    • Dor de cabeça;
    • Náuseas;
    • Dor corporal.

    Esses sintomas podem se confundir facilmente com outras infecções virais comuns.

    Quadros respiratórios

    Alguns enterovírus causam infecções do trato respiratório superior, principalmente em crianças, com sintomas como:

    • Coriza;
    • Tosse;
    • Dor de garganta.

    Doenças específicas associadas

    Em uma parcela menor dos casos, podem ocorrer manifestações mais graves, como:

    • Meningite viral: cefaleia intensa, febre e rigidez de nuca;
    • Encefalite: inflamação do cérebro, com confusão mental e alterações neurológicas;
    • Miocardite e pericardite: inflamação do músculo cardíaco ou das membranas que envolvem o coração;
    • Doenças cutâneas e exantemas, incluindo a síndrome mão-pé-boca, mais comum na infância.

    Diagnóstico

    O diagnóstico das enteroviroses é baseado na avaliação clínica e no contexto epidemiológico, sendo complementado por exames laboratoriais quando necessário.

    Exames laboratoriais

    Os exames mais utilizados são:

    • PCR (reação em cadeia da polimerase) para detecção do RNA viral em fezes, líquor, sangue ou secreções respiratórias;
    • Cultura viral e sorologia, que podem ser úteis em investigações epidemiológicas ou para identificação do tipo viral, mas não são necessárias na maioria dos casos.

    A indicação dos exames depende da gravidade do quadro e da suspeita de complicações.

    Tratamento e cuidados

    Não existe tratamento antiviral específico para a maioria das enteroviroses. Por isso, o manejo é basicamente de suporte, com foco no alívio dos sintomas e na prevenção de complicações.

    As principais medidas incluem:

    • Hidratação adequada;
    • Controle da febre e da dor com analgésicos ou antipiréticos;
    • Repouso;
    • Monitoramento clínico, especialmente de sinais neurológicos ou cardíacos.

    Em casos de meningite viral ou outras complicações, pode ser necessária internação e suporte clínico avançado.

    Prevenção

    Como não há vacinas disponíveis para todos os enterovírus, com exceção da poliomielite, incluída no calendário vacinal, a prevenção baseia-se principalmente em medidas de higiene:

    • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão;
    • Garantir saneamento básico adequado;
    • Consumir água tratada;
    • Evitar contato próximo com pessoas infectadas durante surtos.

    Essas medidas reduzem de forma significativa a transmissão fecal-oral e respiratória.

    Confira: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre enteroviroses

    1. Enteroviroses são contagiosas?

    Sim. A transmissão fecal-oral e respiratória facilita a disseminação, principalmente entre crianças.

    2. Todas as enteroviroses são graves?

    Não. A maioria causa sintomas leves ou nenhum sintoma, embora possam ocorrer formas graves.

    3. Existe vacina para enteroviroses?

    A única vacina amplamente disponível é contra a poliomielite. Para os demais enterovírus, ainda não há imunização específica.

    4. Crianças adoecem mais?

    Sim. Crianças em idade pré-escolar e escolar são mais afetadas devido ao contato próximo e à imunidade ainda em desenvolvimento.

    5. Como prevenir a infecção?

    Com higiene adequada das mãos, saneamento básico e consumo de água tratada.

    6. Enteroviroses podem ser fatais?

    Casos graves são raros, mas podem ocorrer quando há acometimento do sistema nervoso central ou do coração.

    7. Quando procurar atendimento médico?

    Se houver sinais de meningite, dificuldade respiratória, dor no peito, confusão mental ou piora rápida do quadro.

    Veja também: Piolhos (pediculose): o que são e como tratar corretamente

  • Alergia infantil: quando suspeitar e quais sinais você deve ficar atento

    Alergia infantil: quando suspeitar e quais sinais você deve ficar atento

    As crianças nem sempre conseguem explicar o que estão sentindo no dia a dia, o que pode tornar complicado identificar problemas de saúde — incluindo alergias, como dermatite atópica, rinite alérgica ou alergia alimentar.

    Em muitos casos, os sinais aparecem de forma sutil e acabam sendo confundidos com reações comuns da infância.

    “As alergias na infância são comuns e fazem parte do dia a dia de muitas famílias. Nem todo sintoma é alergia, mas alguns sinais merecem atenção especial”, aponta a alergista e imunologista Brianna Nicoletti. Vamos entender mais, a seguir.

    Quando desconfiar de alergia infantil?

    Os sintomas de alergia em bebês e crianças podem variar, mas normalmente envolvem a pele, o sistema respiratório e o trato gastrointestinal.

    Na pele

    • Manchas vermelhas ou placas avermelhadas;
    • Coceira persistente;
    • Ressecamento intenso da pele;
    • Feridas ou lesões que não cicatrizam com facilidade.

    De acordo com Brianna, a dermatite atópica costuma ser uma das primeiras manifestações alérgicas da infância. Em muitos bebês, ela surge nos primeiros meses de vida, com placas avermelhadas, coceira intensa e pele muito seca, principalmente no rosto, dobras dos braços e pernas

    “Ela pode ser o primeiro passo do que chamamos de ‘marcha atópica’, um percurso em que algumas crianças evoluem, ao longo dos anos, para rinite, asma ou alergias alimentares”, explica a especialista.

    No sistema respiratório

    • Espirros repetidos;
    • Nariz entupido sem presença de febre;
    • Coriza clara e frequente;
    • Tosse persistente;
    • Chiado no peito.

    Os sinais levantam a suspeita de doenças alérgicas como rinite e asma. “Quando esses sintomas se repetem ao longo do ano ou pioram em ambientes específicos, como casa com poeira ou presença de animais, a alergia se torna ainda mais provável”, complementa Brianna.

    No trato gastrointestinal

    • Vômitos repetidos;
    • Diarreia persistente;
    • Presença de sangue ou muco nas fezes;
    • Barriga inchada ou distensão abdominal;
    • Recusa alimentar ou dificuldade para se alimentar.

    A suspeita de alergia alimentar aumenta quando os sintomas surgem logo após o consumo de um alimento específico.

    Como diferenciar uma alergia infantil de uma infecção?

    De acordo com Brianna, nas infecções, os sintomas costumam surgir de forma mais intensa e vêm acompanhados de sintomas como:

    • Febre;
    • Mal-estras geral;
    • Cansaço;
    • Duração limitada, com melhora progressiva ao longo dos dias.

    Um exemplo comum é o nariz escorrendo após uma gripe, que melhora gradualmente conforme a infecção passa.

    Nas alergias, o quadro costuma ser diferente, pois:

    • Não há febre;
    • Os sintomas se repetem ou permanecem por longos períodos;
    • Nariz entupido ou escorrendo pode durar semanas ou meses;
    • Tosse e chiado aparecem de forma persistente, fora de quadros infecciosos.

    Um nariz entupido que dura meses e não vem acompanhado de febre costuma indicar uma alergia, e não infecção. O mesmo vale para tosse e chiado no peito que continuam mesmo depois de uma gripe ou virose já ter passado.

    Quando procurar um alergologista?

    A consulta com um alergologista é indicada quando os sintomas se tornam frequentes, persistentes ou mais intensos, interferindo no bem-estar e na rotina da criança. Entre alguns dos sinais, é possível destacar:

    • Crises respiratórias repetidas, como tosse, chiado ou falta de ar;
    • Dermatite intensa ou de difícil controle;
    • Suspeita de alergia alimentar;
    • Uso constante de medicamentos, sem melhora satisfatória;
    • Histórico familiar importante de alergias.

    A avaliação médica ajuda a identificar a causa dos sintomas e a orientar o tratamento mais adequado, trazendo mais qualidade de vida para a criança.

    Como confirmar a alergia?

    A confirmação de uma alergia é feita por avaliação médica, geralmente com um alergologista. É feita uma conversa detalhada sobre os sintomas da criança, quando surgem, com que frequência aparecem e se há relação com alimentos, poeira, animais, medicamentos ou outros fatores do dia a dia.

    Após a avaliação, o especialista pode solicitar alguns exames, como:

    • Teste cutâneo de puntura (prick test): pequenas quantidades de substâncias alergênicas são aplicadas na pele para observar se ocorre reação local;
    • Dosagem de IgE específica no sangue: exame que identifica sensibilização a alimentos, ácaros, pólens, pelos de animais e outros alérgenos;
    • IgE total: avalia o nível geral de imunoglobulina E, que pode estar elevado em pessoas alérgicas;
    • Teste de exclusão e reintrodução alimentar: retirada temporária do alimento suspeito e reintrodução controlada, sempre com acompanhamento médico;
    • Teste de provocação oral, em ambiente hospitalar, quando há necessidade de confirmar alergia alimentar de forma segura.

    A escolha dos exames depende da idade da criança, dos sintomas apresentados e da suspeita clínica.

    Sinais de alerta para ir ao pronto-socorro imediatamente

    No dia a dia, é fundamental que os pais prestem atenção em alguns sinais, que podem indicar uma reação alérgica grave (anafilaxia) e precisam de atendimento de emergência, com:

    • Inchaço dos lábios, da língua ou do rosto;
    • Dificuldade para respirar ou falta de ar;
    • Chiado intenso no peito;
    • Palidez ou aspecto muito abatido;
    • Sonolência excessiva ou confusão;
    • Queda de pressão;
    • Vômitos repetidos após ingerir um alimento ou após picada de inseto.

    Quanto mais cedo o socorro, maiores são as chances de evitar complicações para o pequeno.

    Confira: Entenda como funciona a alergia alimentar e o que fazer

    Perguntas frequentes

    1. O bebê pode ter alergia ao leite materno?

    Não, o bebê não tem alergia ao leite da mãe, mas sim a proteínas que a mãe consome (como as do leite de vaca, ovo ou soja) e que passam para o leite materno.

    2. Intolerância à lactose é o mesmo que alergia ao leite?

    Não, a alergia é uma reação do sistema imune à proteína. A intolerância é uma dificuldade do sistema digestivo em processar o açúcar do leite (lactose). Bebês raramente têm intolerância à lactose.

    3. Com qual idade se pode fazer testes de alergia?

    Testes de sangue (IgE específica) ou de picada na pele (Prick Test) podem ser feitos em qualquer idade, mas a interpretação em bebês muito pequenos deve ser feita com cautela pelo especialista.

    4. A introdução alimentar tardia evita alergias?

    Atualmente, a recomendação é não adiar. Introduzir alimentos potencialmente alergênicos entre os 6 e 9 meses, enquanto ainda há amamentação, pode criar uma “janela de tolerância”.

    5. O que fazer em caso de uma reação grave (choque anafilático)?

    Deve-se buscar o pronto-socorro imediatamente. Crianças com histórico de reações graves devem portar sempre uma caneta aplicadora de adrenalina autoinjetável.

    6. O sabão em pó das roupas pode causar alergia?

    Sim, mas geralmente é uma dermatite de contato. Os perfumes e corantes dos produtos de limpeza irritam a pele sensível. O ideal é usar sabões neutros (tipo coco) e enxaguar bem as roupas.

    7. Como lidar com a escola em caso de alergia alimentar severa?

    A escola deve ter um plano de ação escrito pelo médico, cópia da receita e treinamento para os professores. É essencial ter um kit de emergência e avisar todos os pais da turma para evitar o envio de certos alimentos em festinhas.

    Veja também: Alergias em crianças: como a escola deve lidar?

  • Primeira consulta ginecológica: quando deve acontecer e como é feita

    Primeira consulta ginecológica: quando deve acontecer e como é feita

    O desenvolvimento das mamas, a chegada da menstruação e as alterações hormonais são algumas das principais mudanças que ocorrem na puberdade — e, com elas, a importância da orientação, da prevenção e do cuidado contínuo com a saúde feminina.

    É comum ter dúvidas sobre o funcionamento do corpo, o ciclo menstrual, a higiene íntima, que podem ser orientadas na primeira consulta ginecológica. Diferente do que a maioria das jovens imagina, não se trata apenas de exames ou do início da vida sexual, mas de um cuidado que te ajuda a conhecer o próprio corpo.

    Mas afinal, quando a primeira consulta deve acontecer? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andréia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas sobre o momento e como ele é conduzido.

    Quando deve acontecer a primeira consulta ginecológica?

    A primeira consulta ginecológica deve acontecer, de preferência, no início da puberdade, quando surgem as primeiras mudanças no corpo, como o desenvolvimento das mamas ou a chegada da menstruação.

    Além disso, com o início da menstruação, a adolescente já passa a ter uma vida reprodutiva, o que torna ainda mais necessário o acompanhamento ginecológico com foco em orientação e prevenção.

    Mesmo na ausência de problemas, a consulta ajuda a esclarecer informações, promover o autoconhecimento e identificar precocemente qualquer alteração.

    E quando ela deve ocorrer antes?

    A primeira consulta ginecológica deve acontecer antes da puberdade sempre que surgirem sinais que não são esperados para a idade, como corrimento vaginal persistente, inflamações na região vulvar ou sangramentos genitais em crianças pequenas, que devem ser investigados por um médico.

    Ainda, em casos de suspeita de puberdade precoce, a consulta ginecológica pode ser necessária para investigar as causas, acompanhar o desenvolvimento e orientar a família.

    Nesses casos, o atendimento não tem relação com vida reprodutiva ou sexualidade, mas com o cuidado da saúde e do desenvolvimento infantil.

    Como é conduzida a primeira consulta ginecológica?

    Segundo Andreia, a primeira consulta ginecológica é, antes de tudo, um momento de acolhimento, orientação e escuta. O foco principal é orientar, prevenir e esclarecer dúvidas, sempre respeitando a idade, o desenvolvimento e a realidade de cada jovem.

    Logo no início da consulta, o ginecologista costuma abordar temas importantes, como:

    • Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs);
    • Cuidados com a saúde íntima e com a função sexual;
    • Métodos contraceptivos, quando indicado;
    • Espaço aberto para tirar dúvidas e receber orientações.

    Além das conversas iniciais, a consulta também inclui a avaliação de alguns fatores, como:

    1. Função menstrual

    Uma das etapas da consulta é a avaliação do ciclo menstrual, em que o médico investiga a idade da primeira menstruação, a regularidade do ciclo, o intervalo entre as menstruações, a duração e a quantidade do fluxo — além da presença de cólicas e de sinais de tensão pré-menstrual.

    Isso ajuda a identificar se o ciclo está dentro do esperado ou se existe alguma alteração que precise ser investigada.

    2. Antecedentes obstétricos

    Em pacientes que já engravidaram, Andreia aponta que também são avaliados os antecedentes obstétricos, como o número de gestações, a forma como ocorreram as gestações anteriores, o histórico de parto e a amamentação.

    Em adolescentes ou em pacientes sem histórico gestacional, essa etapa não faz parte da consulta.

    3. Antecedentes sexuais

    Quando faz sentido para a idade e para a realidade da paciente, o médico também conversa sobre a vida sexual, abordando questões como:

    • Idade da primeira relação;
    • Uso de preservativo;
    • Utilização de métodos contraceptivos;
    • Presença de dor ou sangramento durante as relações;
    • Possíveis alterações do desejo sexual.

    Caso a paciente informe que é virgem, essa parte da consulta não é realizada, e o atendimento segue focado em outros cuidados com a saúde.

    4. Anamnese geral

    Além das questões ginecológicas, a primeira consulta também inclui uma conversa mais ampla sobre a saúde como um todo. O médico costuma perguntar sobre doenças que a paciente já teve, cirurgias, uso de medicamentos, alergias, hábitos do dia a dia e histórico de doenças na família.

    Tudo isso ajuda a entender melhor o contexto de saúde de cada pessoa e permite orientar os cuidados de forma mais individual.

    Como é feito o exame ginecológico?

    O exame ginecológico é feito de forma simples, respeitando a idade, o histórico e o conforto da paciente. Andreia explica que, em adolescentes que nunca tiveram relação sexual, não é realizado exame ginecológico interno.

    Nesses casos, o médico avalia apenas a parte externa da região íntima e observa o desenvolvimento da puberdade, o que ajuda a entender em que fase a adolescente se encontra, se a menstruação deve surgir em breve e o que é esperado para naquele momento do crescimento.

    Quando a adolescente já iniciou a vida sexual ou está próxima disso, a consulta também inclui orientações sobre métodos contraceptivos e prevenção, sempre de acordo com a idade e a necessidade de cada paciente.

    Exame físico em quem nunca teve relação sexual

    Em pacientes que nunca tiveram relação sexual, é realizado o exame físico geral e o exame ginecológico dos órgãos genitais externos.

    Segundo Andreia, são avaliados o surgimento e desenvolvimento de pelos na área genital, o desenvolvimento mamário e a presença de lesões na vulva. Também é observada a integridade do hímen, para identificar possíveis alterações.

    Por exemplo, um hímen imperfurado pode causar dificuldade no escoamento da menstruação. Já um hímen microperfurado pode não provocar alterações menstruais, mas pode causar dificuldade na vida sexual.

    Também é examinada a região perianal, observando a presença de lesões, verrugas ou manchas.

    Exame físico em quem já teve relação sexual

    Pacientes que já tiveram relação sexual passam pela avaliação dos órgãos genitais externos e internos. A avaliação interna é feita por meio do exame especular, conhecido popularmente como “bico de pato”, que permite visualizar o colo do útero, o aspecto das paredes vaginais e a presença de corrimento.

    Além disso, pode ser realizado o toque vaginal, que permite avaliar o útero e os ovários, observando tamanho, superfície e a presença de possíveis tumorações.

    Exames preventivos e HPV

    Os exames preventivos, em geral, não são realizados na primeira consulta ginecológica, salvo em situações específicas, segundo Andréia.

    Atualmente, o rastreamento do câncer do colo do útero é feito, preferencialmente, por meio de testes biomoleculares para o HPV, seguindo as orientações do Ministério da Saúde.

    O teste para HPV é considerado mais preciso, pois consegue identificar com maior sensibilidade o risco de lesões que podem evoluir para câncer. Ele também ajuda a evitar biópsias desnecessárias e reduz a chance de deixar passar alterações importantes.

    Assim, o exame de Papanicolau passa a ter um papel complementar, sendo indicado principalmente quando o resultado para HPV é positivo.

    Por fim, vale lembrar que esses exames são indicados apenas para pacientes que já iniciaram a vida sexual.

    Orientações sobre higiene íntima na primeira consulta ginecológica

    A consulta ginecológica também inclui orientações sobre higiene íntima, sexualidade e autocuidado, sempre de forma individualizada.

    De maneira geral, não existem regras rígidas, mas algumas recomendações costumam ser feitas, como aponta Andreia:

    • Preferência por sabonetes neutros para a higiene íntima;
    • Uso de roupas e tecidos que não abafem nem aumentem o calor na região;
    • Utilização de protetor diário de calcinha apenas se houver conforto e ausência de sintomas, já que ele não é proibido quando não causa irritações.

    O mesmo vale para o uso de biquíni úmido. Enquanto algumas pessoas conseguem ficar com a peça molhada por mais tempo sem problemas, outras podem apresentar irritações em poucas horas.

    Por isso, as orientações devem sempre considerar como o próprio corpo reage e a experiência individual de cada paciente.

    Afinal, o que você deve perguntar na primeira consulta?

    Para te ajudar na primeira consulta e diminuir o receio, vale a pena anotar algumas dúvidas em um caderno ou no celular antes da consulta. Ter essas perguntas em mãos ajuda a aproveitar melhor o atendimento e a não esquecer assuntos importantes.

    Algumas sugestões de perguntas incluem:

    • O que é considerado normal no meu ciclo menstrual;
    • Quando devo me preocupar com atrasos, dores ou alterações no fluxo;
    • Como deve ser feita a higiene íntima no dia a dia;
    • O que é corrimento normal e quando ele deixa de ser esperado;
    • Quando é indicado usar métodos contraceptivos e quais são as opções;
    • Como se prevenir de infecções sexualmente transmissíveis;
    • Quando será necessário realizar exames ginecológicos;
    • Quais sinais indicam que devo procurar o ginecologista novamente.

    Lembre-se que a consulta é um espaço de conversa e acolhimento, então não existem perguntas bobas ou inadequadas. Quanto mais aberta for a troca, maior será a segurança para cuidar da própria saúde.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. É preciso estar depilada para a consulta?

    Não. O ginecologista é um profissional de saúde, não de estética. Os pelos são naturais e não atrapalham o exame ou a avaliação da saúde íntima.

    2. Pode ir ao médico se estiver menstruada?

    Depende. Se for apenas uma conversa, não há problema, mas se houver necessidade de exame físico ou coleta de preventivo, a menstruação pode interferir nos resultados. O ideal é marcar para uma semana após o término do ciclo.

    3. Precisa levar algum acompanhante?

    Se você for menor de idade, deve ir acompanhada por um responsável legal. No entanto, você tem o direito de ter um momento a sós com o médico para conversar com mais privacidade.

    4. A primeira consulta com o ginecologista dói?

    Não. Na maioria das vezes, a primeira consulta é apenas uma conversa. Se houver exame físico, ele é feito com delicadeza. O desconforto costuma ser mais causado pelo nervosismo do que pelo procedimento em si.

    5. Minha menstruação é muito irregular, isso é grave?

    Nos primeiros dois ou três anos após a primeira menstruação, é comum que o ciclo seja irregular enquanto o corpo ajusta os hormônios. O médico avaliará se está dentro do esperado.

    6. Com que frequência é importante voltar ao ginecologista?

    Geralmente, uma vez por ano para exames de rotina. Se houver alguma queixa específica (dor, coceira ou irregularidade), você deve retornar antes.

    7. O que é o exame Papanicolau?

    É uma raspagem suave de células do colo do útero para detectar precocemente o câncer ou lesões. Ele só é indicado para quem já iniciou a vida sexual.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Roséola: entenda doença que causa febre e manchas no corpo do bebê 

    Roséola: entenda doença que causa febre e manchas no corpo do bebê 

    A roséola, também chamada de exantema súbito, é uma infecção viral comum na infância, causada principalmente pelos vírus Herpesvírus humano tipo 6 (HHV-6) e Herpesvírus humano tipo 7 (HHV-7). Ela acomete sobretudo bebês entre 6 meses e 1 ano de idade, sendo que cerca de 90% dos casos ocorrem antes dos 2 anos.

    Na maioria das vezes, trata-se de uma doença benigna e autolimitada, com um padrão clínico bastante característico: primeiro surge febre alta por alguns dias e, após a queda abrupta da febre, aparecem manchas avermelhadas na pele. Esse comportamento ajuda a diferenciar a roséola de outras doenças exantemáticas da infância.

    O que é roséola

    A roséola é uma infecção viral típica da primeira infância. Após a exposição ao vírus, ocorre multiplicação inicial nas glândulas salivares, seguida da disseminação pelo organismo.

    O período de incubação costuma ser de aproximadamente 9 a 10 dias até o início dos sintomas. A maioria das crianças desenvolve imunidade duradoura após a infecção.

    Como acontece a transmissão

    A transmissão ocorre de forma simples e cotidiana, principalmente em ambientes com contato próximo entre crianças e adultos.

    As principais formas de transmissão são:

    • Contato com saliva;
    • Aerossóis respiratórios;
    • Compartilhamento de objetos levados à boca.

    Mesmo em famílias com bons hábitos de higiene, a roséola pode ocorrer, pois é uma infecção extremamente comum na infância.

    Sintomas da roséola

    A roséola apresenta um curso clínico clássico, dividido em duas fases bem definidas.

    Fase febril (primeira fase)

    A doença geralmente começa com febre alta, que dura de 3 a 5 dias e pode ultrapassar 40 °C em alguns casos.

    Durante essa fase, a criança pode apresentar:

    • Irritabilidade;
    • Mal-estar;
    • Conjuntivite;
    • Otite;
    • Corrimento nasal;
    • Tosse;
    • Diarreia e vômitos;
    • Aumento de linfonodos, principalmente no pescoço.

    Em muitos bebês, a febre alta é o principal — e às vezes o único — sinal inicial da doença.

    Defervescência e aparecimento do rash (segunda fase)

    Após alguns dias, ocorre a defervescência, ou seja, a febre desaparece de forma súbita. Logo em seguida, surge o rash cutâneo, característico da roséola.

    Esse rash é composto por:

    • Manchas avermelhadas;
    • Início no tronco e no pescoço;
    • Progressão para face e extremidades.

    As manchas costumam durar 1 a 2 dias, podendo desaparecer em poucas horas. Geralmente não causam coceira e não deixam marcas na pele.

    A roséola é perigosa?

    Na grande maioria dos casos, a roséola evolui de forma benigna e se resolve espontaneamente, sem deixar sequelas.

    No entanto, algumas complicações podem ocorrer, principalmente associadas à febre alta ou ao envolvimento neurológico, como:

    • Convulsões febris (a complicação mais comum);
    • Meningite;
    • Encefalite;
    • Púrpura trombocitopênica (rara).

    Essas situações são incomuns, mas exigem avaliação médica imediata.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da roséola é clínico, baseado na combinação de:

    • Idade da criança;
    • História de febre alta prolongada;
    • Desaparecimento súbito da febre;
    • Aparecimento do rash típico.

    Quando pedir exames?

    Na maioria dos casos, não são necessários exames laboratoriais ou de imagem. Eles são reservados para:

    • Quadros atípicos;
    • Suspeita de complicações;
    • Dúvidas no diagnóstico diferencial com outras doenças exantemáticas.

    Tratamento

    Não existe tratamento específico para a roséola, pois a doença é autolimitada.

    As medidas recomendadas são de suporte, como:

    • Controle da febre com antitérmicos;
    • Hidratação adequada;
    • Repouso.

    Antibióticos não têm indicação, já que se trata de uma infecção viral.

    Prevenção

    Não há vacina específica contra a roséola. A prevenção baseia-se em medidas gerais de higiene, como:

    • Lavar as mãos com água e sabão;
    • Evitar compartilhar objetos pessoais;
    • Manter brinquedos e utensílios limpos.

    Mesmo com essas medidas, a infecção é muito comum na infância e, na maioria das vezes, faz parte do amadurecimento do sistema imunológico.

    Confira: Sarampo: conheça os sinais e veja o que fazer em caso de contato

    Perguntas frequentes sobre roséola

    1. Roséola é a mesma coisa que sarampo ou rubéola?

    Não. Apesar das manchas na pele, são doenças diferentes, com causas e evolução distintas.

    2. Toda febre alta em bebê é roséola?

    Não. A roséola é comum, mas outras infecções também podem causar febre alta.

    3. O rash da roséola causa coceira?

    Geralmente não provoca coceira nem desconforto.

    4. A criança pode ter convulsão?

    Pode, principalmente convulsão febril associada à febre alta.

    5. É necessário afastar a criança da creche?

    Durante a fase febril, sim. Após melhora clínica, a criança pode retornar.

    6. A roséola deixa sequelas?

    Não. Na maioria dos casos, a recuperação é completa.

    7. Adultos podem ter roséola?

    É raro, pois a maioria das pessoas já teve contato com o vírus na infância.

    Veja mais: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Piolhos (pediculose): o que são e como tratar corretamente

    Piolhos (pediculose): o que são e como tratar corretamente

    A infestação por piolhos, chamada de pediculose capitis, é causada pelo parasita Pediculus humanus capitis, que vive no couro cabeludo e se alimenta de sangue humano. Trata-se de uma condição bastante comum, especialmente entre crianças em idade escolar, mas que pode afetar pessoas de qualquer idade.

    Os piolhos não voam nem pulam. A principal forma de transmissão ocorre pelo contato direto cabeça a cabeça com uma pessoa infestada. O compartilhamento de objetos pessoais, como pentes, bonés e travesseiros, pode contribuir de forma menos frequente para a disseminação.

    O que é pediculose

    A pediculose capitis é a infestação dos cabelos e do couro cabeludo por piolhos. Esses parasitas passam todo o seu ciclo de vida no hospedeiro humano e depositam ovos, chamados de lêndeas, que ficam firmemente aderidos aos fios de cabelo.

    O ciclo de vida do piolho inclui:

    • Ovo (lêndea): firmemente grudado ao fio de cabelo;
    • Ninfa: forma jovem do piolho;
    • Adulto: capaz de se reproduzir e iniciar novas infestações.

    Uma fêmea pode depositar vários ovos por dia, o que explica por que a pediculose tende a persistir quando não tratada corretamente.

    Como ocorre a transmissão

    A transmissão dos piolhos acontece quase sempre por contato direto cabeça a cabeça, especialmente entre crianças que brincam próximas umas das outras ou compartilham espaços com contato físico frequente.

    A transmissão por objetos é menos comum, pois:

    • Os piolhos sobrevivem fora do couro cabeludo por pouco tempo (geralmente menos de dois dias);
    • As lêndeas não eclodem longe do hospedeiro humano.

    Sintomas da pediculose

    Os sinais mais comuns da infestação incluem:

    • Coceira intensa no couro cabeludo, causada pela reação à saliva do piolho;
    • Sensação de algo se movimentando nos cabelos;
    • Irritação, feridas ou crostas devido ao ato de coçar;
    • Presença visível de piolhos vivos ou lêndeas, especialmente na nuca e atrás das orelhas.

    Em algumas pessoas, principalmente na primeira infestação, a coceira pode demorar semanas para surgir, pois o organismo precisa se sensibilizar ao parasita.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da pediculose é feito por observação direta do couro cabeludo e dos fios de cabelo.

    O método mais eficaz é o uso de pente fino, passado cuidadosamente mecha a mecha, com boa iluminação, para identificar piolhos vivos ou lêndeas.

    Tratamento eficaz

    O tratamento deve combinar medidas medicamentosas e mecânicas, com o objetivo de eliminar piolhos e lêndeas.

    Produtos pediculicidas

    Os medicamentos mais utilizados são loções ou shampoos à base de:

    • Permetrina;
    • Piretrinas.

    Esses produtos atuam paralisando e eliminando os piolhos adultos. Em casos de falha terapêutica ou resistência, outras opções podem ser consideradas, como a ivermectina, conforme orientação médica.

    Uso do pente fino

    O pente fino deve ser utilizado diariamente após a lavagem dos cabelos, pois ajuda a remover:

    • Lêndeas aderidas aos fios;
    • Piolhos que não foram eliminados pelos produtos químicos.

    Repetição do tratamento

    Pode ser necessária uma nova aplicação do pediculicida entre 7 e 14 dias após a primeira, para eliminar piolhos que tenham surgido a partir de lêndeas remanescentes.

    Prevenção

    Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de infestação ou reinfestação:

    • Evitar contato direto cabeça a cabeça, especialmente em ambientes escolares;
    • Não compartilhar objetos pessoais, como pentes, escovas, bonés e travesseiros;
    • Inspecionar regularmente o couro cabeludo de crianças em idade escolar com pente fino.

    A lavagem de itens de uso recente, como lençóis e chapéus, também contribui para reduzir o risco de reinfestação.

    O que não fazer em caso de piolhos

    Algumas práticas devem ser evitadas, pois não são eficazes e podem causar danos à saúde:

    • Não usar produtos caseiros sem comprovação, como vinagre, maionese, azeite ou querosene;
    • Não aplicar calor excessivo diretamente na cabeça (secador quente, ferro), pois pode causar queimaduras;
    • Não esmagar piolhos com as unhas, já que isso não elimina as lêndeas;
    • Evitar afastar a criança da escola sem tratamento, pois isso não impede a transmissão;
    • Não confiar apenas em shampoos comuns ou lavagem frequente, pois piolhos sobrevivem mesmo em cabelos limpos.

    O que esperar

    Com tratamento adequado e persistente, a maioria dos casos de pediculose é resolvida em poucas semanas. A associação entre pediculicida tópico e remoção mecânica com pente fino aumenta significativamente as chances de sucesso.

    Reinfestações podem ocorrer, por isso é fundamental monitorar contatos próximos e repetir o tratamento quando indicado.

    Veja também: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre piolhos

    1. Piolhos são sinal de falta de higiene?

    Não. A infestação não está relacionada à higiene e pode ocorrer em qualquer pessoa.

    2. Piolhos pulam ou voam?

    Não. Eles apenas rastejam durante o contato direto.

    3. Todos da casa precisam de tratamento?

    Somente quem estiver infestado, mas contatos próximos devem ser examinados.

    4. Lavar o cabelo todos os dias elimina piolhos?

    Não. A lavagem comum não elimina piolhos nem lêndeas.

    5. Tratamento com óleo ou maionese funciona?

    Não há evidências científicas consistentes de eficácia.

    6. Piolhos podem voltar após o tratamento?

    Sim, se houver novo contato com pessoas infestadas ou permanência de lêndeas.

    7. Quando procurar atendimento médico?

    Quando houver sinais de infecção no couro cabeludo, coceira intensa ou falha do tratamento mesmo após repetição correta.

    Confira: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Gravidez silenciosa: por que acontece, sintomas e riscos da falta de acompanhamento pré-natal

    Gravidez silenciosa: por que acontece, sintomas e riscos da falta de acompanhamento pré-natal

    Conhecida como gravidez oculta, a gravidez silenciosa é uma situação rara em que a mulher não percebe que está grávida, ou porque não apresenta os sintomas mais típicos, como náuseas, ou porque eles são tão leves que acabam sendo confundidos com outras condições.

    Diferente do que se imagina, o corpo costuma dar diversos sinais quando uma gravidez está acontecendo. No entanto, uma combinação de fatores hormonais, ausência de sintomas clássicos e o estado emocional da gestante pode dificultar o descobrimento da gravidez, principalmente nos primeiros meses.

    A situação pode ser um risco tanto para a mãe quanto para o bebê, uma vez que não há um acompanhamento pré-natal adequado para avaliar a saúde dos dois.

    “Gravidez silenciosa” não existe na medicina

    O termo se tornou popular nas redes sociais e em relatos de casos curiosos, mas, segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, academicamente ele não é reconhecido.

    Na prática clínica, quando uma gestação chega próxima ao parto sem que a mulher tenha consciência dela, os médicos tratam o evento sob uma perspectiva emocional e psicológica.

    Na maioria dos casos, Andreia aponta que ocorre um quadro de negação da gravidez. Não é um transtorno psiquiátrico, mas uma forma de defesa da mente diante de uma gestação não planejada, não desejada ou que provoca conflitos profundos em relação ao parceiro.

    Nesses casos, o corpo pode até indicar uma gravidez, mas o cérebro “bloqueia” a percepção deles, sendo um quadro que deve ser trabalhado em psicoterapia.

    O que pode dificultar o descobrimento da gravidez?

    A gravidez silenciosa se manifesta de formas diferentes em cada mulher. Apesar de incomum, a condição pode estar relacionada a fatores individuais que acabam mascarando sinais comuns da gestação, como enjoos, sensibilidade nas mamas e cólicas abdominais.

    De acordo com Andreia, o bebê humano é grande em relação ao corpo da mãe, então é muito raro que ele não seja perceptível fisicamente. Ainda assim, alguns fatores podem contribuir para que a gravidez passe despercebida por um período, como:

    1. Primeira gravidez

    Em mulheres na primeira gravidez, a percepção dos movimentos do bebê costuma demorar mais, já que ainda não existe familiaridade com as sensações provocadas pelo feto em desenvolvimento.

    Nos primeiros meses, os movimentos podem ser leves e facilmente confundidos com gases, contrações intestinais ou cólicas, o que dificulta o reconhecimento da gestação.

    2. Ciclos menstruais irregulares

    A ausência de menstruação é um dos principais sintomas de gravidez. O sangramento acontece quando o útero elimina o revestimento interno preparado para receber um embrião que não foi fecundado.

    Quando a gestação acontece, o processo é interrompido, pois o organismo passa a manter a produção hormonal necessária até a formação completa da placenta, geralmente ao fim do primeiro trimestre.

    No entanto, mulheres que convivem com ciclos irregulares podem não estranhar a ausência de sangramento e demorar a suspeitar da gravidez. A condição, conhecida como amenorreia secundária, por ser causada por ansiedade e estresse, uso inadequado de anticoncepcionais ou condições hormonais, como síndrome dos ovários policísticos.

    3. Presença de sangramento

    Em alguns casos, a mulher pode apresentar sangramentos recorrentes e confundir com a menstruação. Porém, durante a gestação, a perda de sangue podem acontecer por diferentes razões e não indicam a presença de um ciclo menstrual ativo:

    • Sangramento de nidação: surge no início da gestação, quando o embrião se fixa na parede do útero. o processo pode provocar um pequeno sangramento, geralmente leve e de curta duração;
    • Gravidez ectópica: ocorre quando o óvulo fecundado se desenvolve fora do útero, mais frequentemente nas trompas. Além de sangramento, pode causar dor e requer acompanhamento médico;
    • Hematoma subcoriônico: acontece quando há um acúmulo de sangue entre o saco gestacional e a parede do útero, provocando sangramentos leves ou moderados. Na maioria dos casos, o hematoma é reabsorvido com o tempo e a gestação segue normalmente;
    • Hematoma placentário: ocorre quando há um pequeno descolamento entre a placenta e o útero, formando uma área de sangramento. Dependendo do tamanho e da localização, pode causar desde sangramentos leves até quadros que exigem maior atenção;
    • Placenta de inserção baixa: acontece quando a placenta se fixa em uma região mais baixa do útero, próxima ao colo. A posição pode favorecer episódios de sangramento ao longo da gestação, especialmente no segundo e terceiro trimestres, já que o útero cresce e essa área sofre mais tensão.

    Segundo Andreia, para que exista menstruação, é necessário que o ciclo hormonal esteja ativo, algo que não ocorre fisiologicamente durante a gravidez.

    Mesmo nos raros casos em que surgem sangramentos ao longo da gestação, eles normalmente não seguem um padrão regular. Quando há relatos de sangramento mensal, isso deve ser considerado um sinal de alerta.

    4. Sintomas típicos ausentes ou confundidos

    Quanto maior a produção do hormônio beta-hCG pela placenta, maior tende a ser a intensidade dos sintomas da gravidez. Contudo, algumas mulheres produzem quantidades menores desse hormônio ou reagem de forma diferente às alterações hormonais, o que faz com que sinais comuns sejam mais leves.

    Quando isso acontece, os sintomas podem ser facilmente confundidos com estresse, cansaço, mudanças na rotina ou outros problemas de saúde, atrasando a suspeita da gestação.

    De forma inconsciente, negar a possibilidade da gravidez também pode influenciar no processo — ainda mais se a gestação não foi planejada ou desejada.

    Vale apontar que isso não significa que o bebê não esteja se desenvolvendo. Na verdade, o organismo apenas reage de forma diferente às alterações hormonais da gestação.

    Sintomas de gravidez silenciosa (que você não deve ignorar)

    Mesmo pequenos sinais devem levantar suspeita de gravidez, segundo Andreia, especialmente:

    • Atraso menstrual, mesmo em mulheres com ciclos irregulares;
    • Sensibilidade ou aumento das mamas;
    • Náuseas leves ou desconforto no estômago;
    • Sonolência excessiva ou cansaço fora do habitual;
    • Alterações no apetite ou no paladar;
    • Inchaço abdominal persistente;
    • Mudanças de humor sem causa aparente

    Na presença de qualquer um dos sinais, vale fazer um teste de gravidez para esclarecer a situação e, em caso de resultado positivo, procurar atendimento médico o quanto antes.

    O pré-natal é muito importante para avaliar a saúde da mulher e do bebê ao longo da gestação.

    Riscos de não perceber a gravidez no início

    Quando a gravidez não é identificada logo nos primeiros meses, a rotina costuma seguir normalmente, o que pode incluir hábitos e situações que não são indicados, como:

    • Uso de medicamentos que não são indicados durante a gravidez;
    • Consumo de álcool, cigarro ou outras substâncias sem saber da gestação;
    • Falta de exames importantes para avaliar o desenvolvimento do bebê;
    • Não uso de suplementos indicados, como o ácido fólico;
    • Maior risco de complicações que poderiam ser prevenidas com orientação médica.

    Para completar, quando o pré-natal não é feito, a mulher não recebe informações importantes sobre alimentação, uso de vitaminas, vacinas e cuidados do dia a dia, além de perder a chance de acompanhar de perto a saúde do bebê ao longo da gravidez.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. É possível estar grávida e a barriga não crescer?

    Sim, em casos muito raros. Isso depende da estrutura física da mulher, da posição do útero e do bebê, e também de fatores psicológicos que influenciam a postura e a percepção do corpo.

    2. O teste de farmácia ou de sangue pode falhar nesses casos?

    Os testes de gravidez, tanto o de farmácia quanto o de sangue, costumam ser confiáveis quando realizados no momento adequado, mas podem falhar se forem feitos muito cedo, antes de o organismo produzir quantidade suficiente do hormônio beta-hCG.

    3. Posso menstruar durante a gravidez?

    Não é possível menstruar durante a gravidez, pois, do ponto de vista fisiológico, a menstruação corresponde à descamação do endométrio, que é o revestimento interno do útero.

    Quando a gestação acontece, o tecido é mantido justamente para proteger e sustentar o desenvolvimento do bebê, o que impede a ocorrência da menstruação.

    4. Por que algumas mulheres não sentem enjoos?

    A sensibilidade ao hormônio beta-hCG pode variar, de modo que algumas produzem menos hormônio ou simplesmente têm um organismo que reage de forma mais discreta à gestação.

    5. O que é a “pseudociese” e como ela se diferencia da gravidez silenciosa?

    A pseudociese é a gravidez psicológica, onde a mulher apresenta sintomas sem estar grávida. A gravidez silenciosa é o oposto: há um feto, mas a mulher não percebe os sintomas. Ambas envolvem componentes emocionais profundos.

    6. O que causa sangramento na gravidez se não é menstruação?

    Pode ser o sangramento de nidação (implantação do embrião), hematomas no útero ou problemas na placenta. Qualquer sangramento deve ser relatado ao médico.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    O consumo de álcool, mesmo em situações sociais, pode atrapalhar os planos de quem está planejando ter filhos. Isso acontece porque o álcool interfere no equilíbrio hormonal, pode afetar a ovulação e dificultar a regularidade do ciclo menstrual — que são fatores importantes para a fertilidade feminina.

    E as bebidas alcóolicas não afetam apenas as mulheres, sabia? O consumo também pode impactar a fertilidade dos homens, interferindo na produção e na qualidade dos espermatozoides.

    Mas será que existe uma quantidade segura de álcool quando a ideia é engravidar? Para tirar essa dúvida, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Como o álcool afeta a fertilidade?

    O consumo de álcool pode interferir na fertilidade tanto de mulheres quanto de homens, especialmente quando acontece de forma frequente ou em grandes quantidades.

    Na fertilidade feminina

    Nas mulheres, o álcool pode afetar diretamente o equilíbrio hormonal, necessário para a ovulação e para a regularidade do ciclo menstrual. O consumo frequente pode aumentar o número de ciclos sem ovulação, reduzindo as chances de gravidez.

    Além disso, o álcool pode prejudicar a qualidade do endométrio, tecido responsável por receber o embrião. Quando esse tecido não está saudável, a implantação se torna mais difícil, mesmo quando a ovulação ocorre normalmente.

    Na fertilidade masculina

    Nos homens, o álcool interfere na produção de testosterona e pode reduzir a quantidade e a qualidade dos espermatozoides. Isso inclui diminuição da concentração, da motilidade e alterações na forma dos espermatozoides, fatores importantes para a fecundação.

    O consumo excessivo também pode afetar a função sexual, levando a dificuldades de ereção e redução da libido, o que pode dificultar ainda mais a concepção.

    Período pré-concepcional e gestação

    Durante a metabolização no fígado, o álcool libera toxinas e radicais livres, substâncias que, segundo Andreia, causam danos às células e comprometem o funcionamento normal do organismo.

    Elas interferem no desenvolvimento adequado dos tecidos, prejudicam processos celulares importantes e aceleram o envelhecimento celular, o que pode impactar diretamente a saúde reprodutiva e outras funções do corpo.

    No período pré-concepcional, o consumo de álcool pode desregular hormônios, aumentar a chance de ciclos sem ovulação e comprometer a qualidade do endométrio, que é o tecido responsável por receber o embrião. Isso reduz as chances de a gravidez acontecer de forma natural.

    Já durante a gestação, os riscos são ainda maiores, uma vez que tudo que a gestante consome também chega ao bebê. Mesmo pequenas doses de álcool podem afetar o desenvolvimento fetal, especialmente do sistema nervoso central.

    Por isso, a orientação durante a gravidez é evitar completamente o consumo de álcool, priorizando a saúde da mãe e do bebê desde o início.

    Quais os riscos do consumo de álcool na gravidez?

    Durante a gravidez, o álcool é capaz de atravessar a placenta, fazendo com que o feto seja exposto às mesmas substâncias ingeridas pela mãe, inclusive toxinas que podem prejudicar o desenvolvimento.

    Um dos principais riscos é a síndrome alcoólica fetal, condição associada ao consumo frequente e elevado de álcool. Ela pode causar problemas como:

    • Alterações no desenvolvimento do sistema nervoso central;
    • Atraso no crescimento físico do bebê;
    • Dificuldades de aprendizagem ao longo da infância;
    • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor;
    • Alterações comportamentais e cognitivas.

    Além disso, o consumo de álcool durante a gestação também está associado a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e outras complicações que podem afetar a saúde do bebê a curto e longo prazo.

    Existe quantidade segura de álcool?

    Não existe uma quantidade segura de álcool, especialmente durante a gravidez. As evidências científicas mostram que qualquer quantidade pode oferecer riscos, já que o álcool atravessa a placenta e chega diretamente ao bebê, podendo afetar o desenvolvimento, principalmente do sistema nervoso.

    De acordo com Andreia, no período de planejamento da gravidez, o efeito do álcool é considerado dose-dependente, ou seja, quanto maior a quantidade e a frequência do consumo, maior o risco para a fertilidade.

    Mesmo assim, não há um limite totalmente seguro estabelecido, de modo que a recomendação mais prudente para quem deseja engravidar é reduzir ao máximo ou suspender o consumo de álcool.

    E depois da gravidez?

    Durante a amamentação, o álcool ingerido pela mãe passa para o leite materno e pode ser consumido pelo bebê, já que o organismo do recém-nascido ainda não consegue metabolizar a substância de forma adequada.

    O consumo frequente ou em grandes quantidades pode interferir no sono, no comportamento e no desenvolvimento do bebê, além de reduzir a produção de leite em algumas mulheres, de acordo com estudos. Por isso, a orientação geral é evitar o consumo de álcool durante a amamentação.

    Quando suspender o álcool ao planejar uma gestação?

    Se você planeja engravidar, a recomendação é suspender o consumo de álcool pelo menos três meses antes de engravidar, segundo Andreia.

    O período é importante porque permite que o organismo se recupere dos efeitos do álcool, ajudando a regular os hormônios, melhorar a qualidade dos óvulos e favorecer um ambiente uterino mais saudável para a implantação do embrião.

    Na maioria dos casos, os impactos do álcool sobre a fertilidade tendem a ser reversíveis após a interrupção do consumo, principalmente quando não há uso frequente ou em grandes quantidades. Ainda assim, a ginecologista aponta que podem existir sequelas irreversíveis em uma parcela pequena das pacientes.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    Como o álcool interfere no ciclo menstrual?

    O álcool pode elevar os níveis de estrogênio e testosterona, o que desregula os picos de LH e FSH, importantes para a ovulação, podendo causar ciclos anovulatórios (sem óvulo).

    Parei de beber hoje, quanto tempo leva para o corpo “limpar”?

    Para os homens, o ciclo de produção de novos espermatozoides leva cerca de 72 a 90 dias. Para as mulheres, o impacto hormonal pode começar a ser revertido no ciclo seguinte à abstinência.

    Qual o efeito do álcool no leite materno?

    O álcool passa livremente do sangue para o leite materno, mantendo concentrações semelhantes em ambos. Ele pode alterar o odor e o sabor do leite, levando à rejeição pelo bebê, além de reduzir a produção de leite ao inibir o reflexo de ejeção (ocitocina).

    No pequeno, pode causar sonolência excessiva, irritabilidade e até atrasos no desenvolvimento motor.

    Quanto tempo o álcool leva para sair do leite materno?

    O tempo de eliminação depende do peso da mãe e da quantidade ingerida. Em média, o organismo leva de 2 a 3 horas para eliminar uma dose padrão (uma taça de vinho ou uma lata de cerveja).

    O nível de álcool no leite cai conforme o nível no sangue diminui; portanto, “bombear e descartar” o leite não acelera a saída do álcool do organismo.

    Beber durante a amamentação pode afetar o ganho de peso do bebê?

    Sim, o consumo regular de álcool pela lactante pode reduzir a ingestão de leite pelo bebê em até 20% em cada mamada, o que pode comprometer o ganho de peso e o crescimento saudável.

    O álcool ajuda o bebê a dormir melhor?

    Não. Embora o álcool tenha efeito sedativo inicial, ele fragmenta o sono do bebê. O lactente acorda mais vezes, tem um sono de menor qualidade e pode apresentar sonolência excessiva de forma perigosa (letargia).

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir 

    Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir 

    As verminoses, também conhecidas como parasitoses intestinais, estão entre as infecções mais comuns no Brasil e em muitos países do mundo. Elas estão diretamente relacionadas a condições de saneamento básico, acesso à água potável e hábitos de higiene no dia a dia, e afetam principalmente crianças, mas também adultos.

    Apesar de na maioria das vezes serem tratáveis, as verminoses podem causar sintomas persistentes e impactos importantes na saúde, como anemia, perda de peso e prejuízo no crescimento infantil. Por isso, entender como essas infecções acontecem e como preveni-las é fundamental para reduzir reinfecções e proteger toda a família.

    O que são verminoses

    Verminoses são doenças causadas por parasitas, principalmente vermes intestinais (helmintos) e alguns protozoários, que também costumam ser incluídos nesse grupo de infecções parasitárias. Esses organismos entram no corpo humano e passam a viver no intestino, alimentando-se de nutrientes ou causando inflamação local.

    Entre os parasitas mais frequentemente associados às verminoses estão:

    • Ascaris lumbricoides (lombriga);
    • Enterobius vermicularis (oxiúros);
    • Ancylostoma duodenale e Necator americanus (ancilostomídeos, conhecidos como “amarelão”);
    • Taenia (tênia ou “solitária”);
    • Giardia lamblia (giardíase, um protozoário bastante comum).

    Como as verminoses são transmitidas

    A transmissão das verminoses ocorre principalmente pela ingestão de ovos, larvas ou cistos presentes no ambiente, na água ou nos alimentos contaminados.

    As formas mais comuns de transmissão são:

    • Consumo de água não tratada ou contaminada;
    • Ingestão de alimentos mal lavados, especialmente frutas e verduras;
    • Mãos sujas após usar o banheiro ou brincar no chão;
    • Contato direto com solo contaminado, como andar descalço;
    • Falta de saneamento básico, com fezes descartadas de forma inadequada.

    Algumas verminoses, como a oxiuríase (oxiúros), espalham-se com facilidade dentro de casa e em escolas, pois os ovos podem ficar nas unhas, roupas de cama, toalhas e superfícies, o que aumenta o risco de reinfecção.

    Principais sintomas das verminoses

    Os sintomas variam conforme o tipo de parasita, a quantidade de vermes no organismo e o estado de saúde da pessoa. Em muitos casos, a infecção pode ser silenciosa, principalmente no início.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos;
    • Diarreia ou constipação;
    • Gases e distensão abdominal;
    • Perda de apetite;
    • Perda de peso;
    • Cansaço e fraqueza;
    • Coceira anal (muito frequente nos oxiúros);
    • Irritabilidade e sono agitado, sobretudo em crianças.

    Verminoses podem causar anemia?

    Sim. Algumas verminoses, especialmente as causadas por ancilostomídeos (“amarelão”), podem provocar perda crônica de sangue no intestino, levando à anemia. Isso pode causar palidez, fraqueza e queda no rendimento escolar.

    Quando suspeitar em crianças

    Em crianças, além dos sintomas intestinais, é comum observar:

    • Dificuldade de ganho de peso;
    • Barriga inchada;
    • Falta de disposição;
    • Alterações no apetite;
    • Coceira anal intensa;
    • Bruxismo (ranger de dentes durante o sono).

    Diagnóstico

    O diagnóstico das verminoses é feito com base nos sintomas, no histórico de exposição e confirmado por exames laboratoriais.

    Os principais exames são:

    • Exame parasitológico de fezes (EPF);
    • Pesquisa de ovos e parasitas, muitas vezes com coleta em mais de um dia;
    • Testes específicos em casos suspeitos de giardíase ou outros parasitas.

    Tratamento e cuidados

    O tratamento das verminoses é feito com medicamentos antiparasitários, escolhidos de acordo com o parasita suspeito ou identificado. Em geral, os medicamentos são eficazes, mas o sucesso do tratamento depende também de medidas para evitar reinfecção.

    As principais orientações são:

    • Seguir corretamente a prescrição médica;
    • Tratar contatos domiciliares quando indicado, especialmente em casos de oxiúros;
    • Reforçar a higiene das mãos e das unhas;
    • Lavar roupas íntimas, lençóis e toalhas com frequência;
    • Manter o banheiro limpo e higienizado.

    Quando há anemia ou desnutrição associada, pode ser necessário suporte nutricional e reposição de ferro, conforme orientação médica.

    Prevenção: como evitar verminoses no dia a dia

    A prevenção é a medida mais importante e envolve hábitos simples e contínuos:

    • Lavar as mãos com água e sabão antes das refeições e após usar o banheiro;
    • Manter unhas curtas e limpas;
    • Lavar bem frutas e verduras;
    • Consumir água filtrada, fervida ou tratada;
    • Evitar andar descalço em locais com terra úmida ou suspeita de contaminação;
    • Evitar alimentos crus de procedência duvidosa.

    Em comunidades com maior incidência, ações coletivas como saneamento básico, acesso à água tratada e educação em saúde reduzem significativamente os casos.

    Leia mais: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

    Perguntas frequentes sobre verminoses

    1. Verminose sempre causa sintomas?

    Não. Muitas pessoas podem estar infectadas e não apresentar sintomas, especialmente nas fases iniciais.

    2. Coceira anal é sinal de verme?

    Sim, é um sintoma muito sugestivo de oxiúros, principalmente quando piora à noite.

    3. Verminoses podem passar de uma pessoa para outra?

    Sim. Algumas, como a oxiuríase, espalham-se facilmente no ambiente doméstico e escolar.

    4. Exame de fezes sempre detecta vermes?

    Nem sempre. Em alguns casos, é necessário repetir a coleta em dias diferentes para aumentar a chance de identificar ovos ou parasitas.

    5. Precisa tomar remédio para vermes todo ano?

    Depende do risco e da orientação médica. Em regiões de alto risco, pode ser indicado tratamento periódico; em áreas de baixo risco, o uso deve ser individualizado.

    6. Andar descalço pode causar verminose?

    Sim. Alguns parasitas, como os ancilostomídeos, conseguem penetrar pela pele.

    7. Como evitar reinfecção após o tratamento?

    Além do uso correto do medicamento, é essencial reforçar higiene das mãos, limpeza de roupas de cama e cuidados com água e alimentos.

    Veja também: 8 doenças que você pode pegar por não lavar bem frutas e verduras