Categoria: Mães, pais & bebês

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  • Resguardo pós-parto: o que é, quanto tempo dura e principais cuidados

    Resguardo pós-parto: o que é, quanto tempo dura e principais cuidados

    Depois de uma longa gravidez, não é apenas o bebê que precisa de cuidados no dia a dia. O resguardo pós-parto, conhecido como puerpério, é justamente a fase em que o corpo da mãe entra em processo de recuperação: o útero precisa voltar ao tamanho original, os hormônios passam por uma reorganização significativa e a cicatrização interna ocorre de forma gradual.

    As recomendações vão desde o descanso até receber orientações sobre quando retomar as relações sexuais, manter o acompanhamento médico e cuidar também da saúde emocional. É um período que exige paciência, atenção aos sinais do próprio corpo e, principalmente, uma rede de apoio presente.

    O que é o resguardo pós-parto e quanto tempo dura?

    O resguardo pós-parto, também chamado de puerpério, é o período de recuperação do corpo da mulher depois do nascimento do bebê. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é a fase em que o organismo vai voltando, aos poucos, ao que era antes da gravidez (pré-gravídica).

    A maioria dos ginecologistas costuma recomendar um período de resguardo entre cerca de 42 e 60 dias após o nascimento do bebê. O tempo é importante porque o útero ainda está se recuperando e precisa cicatrizar adequadamente antes da retomada completa das atividades.

    O que muda no corpo no pós-parto?

    A maioria das mudanças que aconteceram durante a gestação tende a regredir naturalmente no resguardo. Segundo Andreia, a principal exceção é a mama, que não volta exatamente ao que era antes, pois se desenvolve de forma mais completa durante a gravidez e, principalmente, com a amamentação.

    Durante a gestação, também ocorre aumento de até 40% do volume sanguíneo — além de maior retenção de líquidos, que o organismo elimina gradualmente o excesso. Algumas manchas na pele e linhas que surgiram nesse período tendem a clarear com o passar dos meses, embora nem sempre desapareçam totalmente.

    A região genital também passa por mudanças importantes, principalmente o útero:

    • Em condições normais, o útero tem tamanho parecido com o de uma pera, com volume entre 90 e 120 ml;
    • Durante a gravidez, ele pode chegar a três ou quatro litros;
    • No puerpério, ocorre a contração progressiva até o retorno ao tamanho habitual.

    Depois do parto e da saída da placenta, fica no útero uma área chamada ferida placentária, que corresponde ao local onde a placenta estava fixada. A região permanece aberta, precisa parar de sangrar e cicatrizar, e o fechamento ocorre naturalmente por meio das contrações do próprio útero.

    Quando o órgão se contrai, diminui de tamanho e comprime os vasos sanguíneos que estavam abertos, ajudando a interromper o sangramento.

    A amamentação também ajuda muito na fase, pois quando o bebê mama, o corpo libera um hormônio chamado ocitocina, que estimula a contração do útero e facilita a saída do leite. Por isso, a amamentação é importante tanto para a alimentação do bebê quanto para a recuperação da mãe.

    O que pode e o que não pode fazer no resguardo

    Uma vez que o corpo está em um processo intenso de cicatrização interna, são necessários cuidados no resguardo para evitar complicações.

    O que pode fazer

    • Descansar sempre que possível, principalmente nos primeiros dias;
    • Levantar e caminhar de forma leve, conforme orientação médica, para ajudar na circulação;
    • Retomar atividades do dia a dia aos poucos, como tomar banho sozinha, se alimentar normalmente e dar pequenas voltas;
    • Iniciar caminhadas leves após cerca de 15 dias, se houver liberação médica;
    • Amamentar livremente, pois a amamentação ajuda o útero a se contrair e favorece a recuperação;
    • Manter acompanhamento médico, comparecendo à consulta de revisão pós-parto.

    O que não é recomendado

    • Ter relações sexuais antes de cerca de 40 a 45 dias, pois o útero ainda está em cicatrização e há maior risco de infecção;
    • Fazer exercícios intensos ou levantar peso, principalmente após cesariana;
    • Ignorar sinais de alerta, como febre, dor intensa, sangramento em grande quantidade ou odor forte nas secreções;
    • Deixar de cuidar da saúde emocional, caso apareça tristeza intensa ou desânimo que não melhora.

    Durante o puerpério, principalmente quando existe amamentação exclusiva no peito, Andreia explica que pode acontecer a amenorreia da lactação. Isso significa que a menstruação pode parar por um tempo e, na maioria dos casos, a ovulação também não acontece.

    É uma forma natural de o corpo evitar uma nova gravidez logo após o parto. Mesmo assim, não é um método totalmente seguro. A ovulação pode acontecer antes mesmo da primeira menstruação voltar. Por isso, quando houver retomada das relações sexuais, o ideal é usar um método contraceptivo adequado, com orientação médica.

    Cuidados com a cicatriz de cesárea no resguardo

    A cicatrização correta da cesárea é importante para evitar infecções, dor prolongada, abertura dos pontos e outras complicações, e isso envolve alguns cuidados importantes, como:

    • Lavar a região diariamente durante o banho com água e sabonete neutro. Não usar produtos ou pomadas sem orientação médica;
    • Secar bem a cicatriz após o banho, com toalha limpa e sem esfregar;
    • Manter a região seca, evitando umidade, suor e roupas muito apertadas. Prefira roupas leves, como peças de algodão;
    • Evitar esforço físico intenso, exercícios abdominais, peso e movimentos bruscos nas primeiras semanas;
    • Proteger do sol, usando protetor solar ou mantendo a área coberta, para evitar escurecimento da cicatriz;
    • Fazer acompanhamento médico, especialmente nas primeiras semanas, para avaliar a cicatrização e possíveis alterações.

    Nas primeiras semanas, a cicatriz costuma ficar avermelhada, um pouco elevada, endurecida e sensível, o que é esperado. Com o passar do tempo, a tendência é clarear e ficar menos perceptível, mas a cicatrização completa pode levar mais de um ano.

    Aspectos emocionais no resguardo pós-parto

    Além da recuperação física, Andreia lembra que a parte emocional também passa por muitas mudanças após o nascimento do bebê. Fatores como alterações hormonais, cansaço, noites mal dormidas e adaptação à nova rotina podem mexer (e muito) com o humor.

    Nos primeiros dias, muitas mulheres sentem maior sensibilidade, vontade de chorar sem motivo claro, ansiedade ou insegurança. A condição, conhecida como blues puerperal, costuma ser temporária e, na maioria dos casos, melhora com o passar das semanas, principalmente quando existe apoio familiar e descanso adequado.

    Veja alguns cuidados para ter com a saúde mental no período:

    • Priorizar o sono: dormir sempre que o bebê dormir ajuda a reduzir o cansaço e a instabilidade emocional;
    • Dividir as tarefas da casa: limpeza, comida e organização podem ficar com o parceiro, familiares ou rede de apoio;
    • Aceitar ajuda sem culpa: alguém pode segurar o bebê, levar comida ou ajudar na rotina;
    • Tomar um pouco de sol diariamente: cerca de 15 minutos já ajudam no humor e no sono;
    • Conversar sobre sentimentos: falar com o parceiro, amigas ou familiares pode aliviar a ansiedade;
    • Evitar cobrança por perfeição: adaptação leva tempo, e nem todos os dias serão fáceis;
    • Manter alimentação regular: ficar muitas horas sem comer pode aumentar irritação e cansaço;
    • Observar a duração dos sintomas: o baby blues costuma melhorar em 2 a 3 semanas; caso a tristeza continue ou piore, é importante avisar o médico.

    Como diferenciar o baby blues de depressão pós-parto?

    A depressão pós-parto é um quadro de tristeza profunda e persistente que pode surgir nas semanas ou meses após o nascimento do bebê. Ao contrário do baby blues, que costuma ser leve e passageiro, a depressão costuma surgir mais tardiamente, entre três e quatro semanas após o parto, e apresenta sintomas mais intensos e profundos.

    A condição pode se manifestar a partir de sintomas como:

    • Tristeza profunda e persistente;
    • Desânimo ou falta de energia;
    • Irritabilidade ou ansiedade frequente;
    • Dificuldade para dormir, mesmo quando o bebê dorme;
    • Falta de interesse pelas atividades do dia a dia;
    • Sensação de culpa ou incapacidade;
    • Dificuldade de conexão com o bebê.

    Mulheres com histórico de depressão, durante ou antes da gestação, ou com doenças autoimunes, como tireoidite de Hashimoto, apresentam maior risco e devem ser acompanhadas de perto por médico especialista, segundo Andreia. A depressão pós-parto pode ser tratada com acompanhamento psicológico, apoio familiar e, quando necessário, uso de remédios.

    Quando procurar o médico imediatamente no resguardo?

    No puerpério, se os seguintes sinais surgirem, o ideal é procurar atendimento médico o quanto antes:

    • Febre acima de 38 °C ou calafrios;
    • Sangramento muito intenso, com coágulos grandes ou aumento repentino do fluxo;
    • Dor forte e persistente no abdômen, na pelve ou na cicatriz;
    • Secreção com mau cheiro vaginal ou na cicatriz da cesárea;
    • Vermelhidão, inchaço, dor ou saída de pus na cicatriz;
    • Dor ou ardor ao urinar;
    • Inchaço intenso nas pernas, dor ou falta de ar;
    • Dor forte nas mamas, vermelhidão ou febre (pode indicar mastite);
    • Tristeza intensa, desespero, pensamentos negativos ou dificuldade de cuidar do bebê.

    As complicações podem surgir nas primeiras seis semanas, por isso qualquer alteração deve ser avaliada por um médico.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Por que não pode ter relação no resguardo?

    Porque o colo do útero ainda está dilatado e existe uma ferida interna onde a placenta estava grudada. O contato íntimo pode levar bactérias para dentro do útero, causando uma infecção grave chamada endometrite.

    2. Posso lavar o cabelo no dia que chegar em casa?

    Sim, pois não há qualquer restrição científica sobre lavar o cabelo ou tomar banho completo. O importante é secar bem o corpo e, em caso de cesárea, secar a cicatriz com uma toalha limpa ou gaze.

    3. É normal sentir cólica enquanto o bebê mama?

    Sim. A sucção do bebê libera ocitocina, hormônio que faz o útero contrair para voltar ao tamanho normal e evitar hemorragias. É um sinal de que o corpo está funcionando bem.

    4. O que são os “lóquios” e quanto tempo duram?

    Os lóquios são secreções vaginais normais do pós-parto, compostas por sangue, muco e tecido uterino, que indicam a cicatrização do local onde a placenta estava inserida.

    O sangramento dura, em média, de 3 a 6 semanas, evoluindo de um fluxo intenso e vermelho vivo (primeiros dias) para tonalidades rosadas, acastanhadas e, finalmente, amareladas ou brancas.

    5. Quando pode voltar a dirigir?

    Em partos normais, após 15 dias, se não houver dor. Na cesárea, recomenda-se esperar 20 a 30 dias, pois movimentos bruscos no pedal podem causar dor ou afetar os pontos da cirurgia.

    6. Pode pintar o cabelo no resguardo?

    A maioria dos médicos recomenda esperar pelo menos 15 a 30 dias e priorizar tinturas sem amônia, especialmente se estiver amamentando, para evitar a absorção de substâncias químicas pelo bebê.

    7. Por que sinto tanto suor à noite?

    É a sudorese puerperal. O corpo está eliminando o excesso de líquido retido durante a gravidez e lidando com a queda drástica de estrogênio. É normal e passageiro.

    Confira: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

  • Trombofilia na gravidez: o que é, sintomas e qual exame detecta

    Trombofilia na gravidez: o que é, sintomas e qual exame detecta

    A trombofilia é uma condição caracterizada por uma maior tendência do organismo à formação de coágulos sanguíneos, chamados de trombos. Em condições normais, após cumprir a função de conter um sangramento, os coágulos são gradualmente dissolvidos pelas proteínas do sistema fibrinolítico, permitindo o restabelecimento adequado do fluxo sanguíneo.

    Quando o quadro está presente na gravidez, que por si só já é considerada um estado pró-coagulante, ocorre a associação de dois fatores que favorecem a coagulação. A combinação pode elevar ainda mais o risco de formação de trombos e, consequentemente, exigir um acompanhamento médico mais cuidadoso.

    Afinal, o que é trombofilia na gravidez?

    A trombofilia na gravidez consiste em uma tendência aumentada à formação de coágulos, durante um período em que o próprio organismo já se encontra naturalmente mais propenso à coagulação.

    Mas afinal, como ocorre a formação de trombose? O sangue possui um sistema de coagulação que funciona como um mecanismo de proteção. Quando existe uma lesão em um vaso sanguíneo, as plaquetas se dirigem ao local e se agregam, formando um tampão inicial.

    Em seguida, entram em ação proteínas da coagulação que reforçam esse tampão, formando um coágulo capaz de estancar o sangramento. Após a cicatrização do vaso, outro sistema do organismo, chamado sistema fibrinolítico, atua dissolvendo gradualmente esse coágulo, permitindo a normalização do fluxo sanguíneo.

    Em casos de trombose, o processo não acontece de forma adequada. O coágulo se forma dentro de um vaso sem a presença de uma lesão que justifique essa coagulação. Isso pode levar à obstrução parcial ou total da circulação sanguínea, prejudicando a oxigenação e a nutrição dos tecidos.

    Por que a gestação aumenta o risco?

    Durante a gestação, o corpo naturalmente aumenta a capacidade de coagulação como um mecanismo de proteção contra sangramentos no parto, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Isso ocorre porque o organismo se prepara para o momento do nascimento, quando existe a possibilidade de perda sanguínea significativa.

    Além do aumento dos fatores de coagulação, acontece também uma redução relativa dos mecanismos naturais anticoagulantes e uma diminuição da atividade do sistema fibrinolítico, responsável por dissolver os coágulos. As mudanças tornam o sangue mais propenso à coagulação ao longo de toda a gravidez.

    Para completar, o crescimento do útero passa a comprimir as veias da pelve e dos membros inferiores, dificultando o retorno do sangue ao coração. A circulação mais lenta favorece a estase sanguínea, condição que pode contribuir para a formação de trombos, especialmente quando existe alguma predisposição, como na trombofilia.

    Quais os tipos de trombofilia na gravidez?

    A trombofilia pode ser hereditária ou adquirida, de acordo com Andreia.

    Na forma hereditária, existe uma alteração genética herdada dos pais que interfere no sistema de coagulação do sangue, deixando-o mais propenso à formação de coágulos. Normalmente, o organismo mantém um equilíbrio entre os mecanismos que estimulam e os que controlam a coagulação.

    Quando ocorre essa alteração genética, o equilíbrio pode ser prejudicado, favorecendo a coagulação excessiva.

    Na trombofilia adquirida, a pessoa não apresenta trombofilia inicialmente, mas pode desenvolvê-la ao longo da vida. Algumas infecções virais, por exemplo, podem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos que interferem na coagulação, provocando esse desequilíbrio.

    Por isso, um exame feito em um determinado momento pode apresentar resultado normal, mas alterações podem aparecer com o passar do tempo. É uma condição que pode mudar ao longo da vida, o que torna importante a avaliação médica e o acompanhamento conforme cada situação.

    Quais as causas de trombofilia na gravidez?

    As principais alterações genéticas associadas ao desenvolvimento da trombofilia hereditária incluem mutações e deficiências que interferem diretamente no sistema de coagulação, aumentando a predisposição à formação de trombos. De acordo com Andreia, as mais frequentes incluem:

    • Mutação do fator V de Leiden;
    • Mutação da protrombina;
    • Deficiência de antitrombina III;
    • Deficiência de proteína C;
    • Deficiência de proteína S;
    • Hiper-homocisteinemia.

    A forma adquirida mais conhecida é a síndrome antifosfolípide, caracterizada pela formação de anticorpos anticardiolipina e anticoagulante lúpico.

    Sintomas de trombofilia na gravidez

    A trombofilia na gravidez muitas vezes não provoca sintomas diretos, principalmente quando ainda não ocorreu a formação de trombos. Em muitos casos, a suspeita surge apenas após exames ou diante de complicações gestacionais.

    Quando investigar a trombofilia?

    O ideal é que a investigação ocorra antes da gestação, especialmente quando existe histórico familiar de trombose ou episódio prévio na própria paciente. Dessa forma, o tratamento pode ser iniciado de maneira precoce, segundo Andreia.

    Também vale procurar atendimento médico nas seguintes situações:

    • Abortos de repetição ou perdas gestacionais sem causa definida;
    • Óbito fetal tardio ou complicações placentárias, como insuficiência placentária;
    • Pré-eclâmpsia grave ou restrição de crescimento fetal sem explicação clara;
    • Planejamento de gestação em mulheres com fatores de risco conhecidos.

    Na prática, muitas pacientes não apresentam antecedentes, e os exames não são solicitados de rotina, já que possuem custo elevado e indicação mais direcionada a grupos de maior risco. Em muitos casos, a investigação acaba acontecendo somente após o surgimento de complicações obstétricas.

    Possíveis complicações na gravidez

    Nem toda gestante com trombofilia apresentará complicações. No entanto, Andreia aponta que o risco tende a ser maior do que na população geral devido à associação de fatores que favorecem a formação de trombos durante a gestação. Entre alguns dos principais riscos, é possível destacar:

    • Trombose na gestante, principalmente nos membros inferiores: a trombofilia aumenta a chance de formação de coágulos nas veias, sobretudo nas pernas. A condição pode causar dor, inchaço, sensação de peso e, se não tratada, pode evoluir para complicações mais graves;
    • Aborto de repetição: ocorre normalmente no primeiro trimestre, quando pequenos coágulos impedem que o embrião se fixe ou receba nutrientes;
    • Óbito fetal tardio: perda do bebê após a 20ª semana, muitas vezes causada por infartos placentários (áreas da placenta que morrem por falta de sangue);
    • Restrição de crescimento fetal (RCF): o bebê não recebe nutrientes e oxigênio suficientes, nascendo com peso muito abaixo do esperado para a idade gestacional;
    • Pré-eclâmpsia: a má formação dos vasos placentários devido à trombofilia pode causar um aumento severo da pressão arterial da mãe, colocando ambos em risco;
    • Descolamento prematuro de placenta (DPP): a formação de trombos nos vasos que ligam a placenta ao útero pode causar o seu descolamento antes da hora, gerando hemorragia e risco de vida imediato;
    • Insuficiência placentária: a placenta “envelhece” precocemente e deixa de cumprir sua função de troca de gases e nutrientes.

    Qual exame detecta a trombofilia na gravidez?

    O diagnóstico da trombofilia é realizado por meio de exames de sangue específicos que avaliam o funcionamento do sistema de coagulação e identificam alterações capazes de aumentar o risco de formação de trombos.

    No caso da trombofilia adquirida, o organismo produz anticorpos que interferem no processo normal de coagulação. Os exames mais comuns são:

    • Anticoagulante lúpico;
    • Anticardiolipina IgG e IgM.

    Já nas trombofilias hereditárias, em que alterações genéticas transmitidas pelos pais que podem favorecer a coagulação excessiva, a investigação pode incluir:

    • Mutação do fator V de Leiden;
    • Mutação da protrombina;
    • Dosagem de antitrombina III;
    • Dosagem de proteína C;
    • Dosagem de proteína S;
    • Avaliação dos níveis de homocisteína.

    Em algumas situações, principalmente nas formas adquiridas, os resultados podem variar ao longo do tempo. Um exame normal não exclui totalmente a possibilidade de alterações futuras, o que pode justificar acompanhamento médico conforme o histórico clínico.

    Tratamento da trombofilia durante a gravidez

    Durante a gravidez, os anticoagulantes orais não são indicados devido ao risco de malformações fetais. Mesmo anticoagulantes mais recentes ainda não possuem evidências suficientes de segurança para uso rotineiro nesse período.

    Por isso, o tratamento costuma ser feito com heparina, geralmente a enoxaparina aplicada por injeção sob a pele. O medicamento é considerado seguro na gestação e ajuda a evitar a formação de trombos, principalmente na placenta, o que contribui para um bom funcionamento placentário e para o desenvolvimento saudável do bebê.

    Em alguns casos, o médico também pode indicar o uso de ácido acetilsalicílico, principalmente quando existe síndrome antifosfolípide.

    Cuidados no parto

    O principal risco do uso de anticoagulantes é o sangramento, então os remédios podem ser suspensos antes do parto. De acordo com Andreia, o ácido acetilsalicílico costuma ser suspenso por volta de 36 semanas de gestação, porque seu efeito dura mais tempo no organismo. Já a heparina tem ação mais curta e normalmente é suspensa cerca de 24 horas antes do parto.

    Quando o parto é programado, fica mais fácil controlar a suspensão dos medicamentos. O parto vaginal não é contraindicado e, muitas vezes, pode até ter menor risco de sangramento que a cesariana. Ainda assim, pela necessidade de planejamento, a cesariana acaba sendo escolhida em alguns casos.

    Também é importante ter cuidado com a anestesia, principalmente a peridural ou a raquidiana, porque pode haver risco de sangramento se o anticoagulante não tiver sido suspenso corretamente. Em situações de urgência, podem ser utilizados fatores de coagulação ou plasma para reverter o efeito dos anticoagulantes e garantir mais segurança para a gestante.

    Quais são os cuidados no puerpério em casos de trombofilia?

    O puerpério, período que começa logo após o parto, é considerado uma fase de maior risco para trombose. Isso acontece porque o organismo ainda permanece em estado pró-coagulante, além da recuperação do parto, das alterações hormonais e da possível redução da mobilidade nos primeiros dias.

    Por isso, alguns cuidados são importantes, especialmente para quem tem trombofilia, como:

    • Manter o uso correto dos anticoagulantes (quando prescritos): muitas mulheres precisam continuar a anticoagulação após o parto por algumas semanas. O tempo e a dose dependem da avaliação médica individual;
    • Evitar ficar muito tempo parada: levantar, caminhar e movimentar as pernas ajudam a melhorar a circulação e reduzem o risco de trombose. Mesmo após cesárea, a mobilização precoce costuma ser recomendada, conforme orientação médica;
    • Hidratação adequada: beber água regularmente ajuda a manter o sangue menos viscoso e favorece a circulação;
    • Observar sinais de trombose: inchaço, dor ou vermelhidão nas pernas, falta de ar súbita ou dor no peito devem ser avaliados rapidamente;
    • Comparecer às consultas de acompanhamento: o seguimento médico no pós-parto é essencial para ajustar medicações, avaliar riscos e orientar a recuperação;
    • Planejamento contraceptivo adequado: Alguns anticoncepcionais hormonais podem aumentar o risco de trombose. Por isso, a escolha do método deve ser feita com orientação médica.

    Com acompanhamento adequado e atenção aos cuidados, o puerpério costuma ser seguro mesmo em mulheres com trombofilia.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Ter trombofilia significa que terei uma trombose?

    Não necessariamente. A trombofilia é um fator de risco, não uma sentença. Muitas mulheres descobrem a condição e, com o tratamento adequado, nunca chegam a ter um evento trombótico (como TVP).

    2. As injeções de heparina prejudicam o bebê?

    Não, a heparina não atravessa a barreira placentária. Ela age apenas no sangue da mãe para garantir que o fluxo para a placenta continue livre de coágulos.

    3. Pode tomar anticoncepcional se tiver trombofilia?

    Métodos que contêm estrogênio são estritamente contraindicados para quem tem trombofilia, pois aumentam drasticamente o risco de trombose. O ideal são métodos de progesterona isolada ou DIU de cobre/prata.

    4. O que fazer para diminuir os riscos naturalmente?

    Manter o peso controlado, não fumar (o cigarro é o pior inimigo da circulação), manter-se hidratada e praticar atividades físicas regulares para auxiliar o retorno venoso.

    5. Quais são os sinais de alerta de uma trombose venosa profunda (TVP)?

    Os sintomas frequentes ocorrem geralmente em apenas uma das pernas: inchaço repentino, dor que parece uma cãibra forte, vermelhidão e calor na região afetada (comumente na panturrilha).

    6. Como diferenciar um inchaço comum da gravidez de uma trombose?

    O inchaço gestacional normal costuma ser bilateral (nas duas pernas) e melhora ao elevar os pés. A trombose quase sempre é unilateral e a dor é persistente, não melhorando com o repouso.

    7. O que é a embolia pulmonar e como ela se relaciona com a trombose?

    A embolia ocorre quando um pedaço do coágulo da perna se solta e viaja até os pulmões. Os sintomas são falta de ar súbita, dor no peito ao respirar e tosse seca. É uma emergência médica.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Doenças mais comuns em crianças em idade escolar e como agir 

    Doenças mais comuns em crianças em idade escolar e como agir 

    A volta às aulas é um momento importante para o desenvolvimento das crianças, mas, depois de algumas semanas, também costuma marcar um aumento expressivo de viroses e infecções. Salas fechadas, contato próximo, compartilhamento de objetos e hábitos de higiene ainda em formação criam o cenário ideal para a circulação de vírus e bactérias.

    Febre, tosse, dor de garganta, diarreia ou manchas na pele passam a fazer parte da rotina de muitas famílias nesse período. Embora a maioria dessas doenças seja leve, reconhecer os quadros mais comuns ajuda os pais a agir corretamente, proteger a criança e evitar surtos dentro das escolas.

    Por que as doenças aumentam na volta às aulas?

    O aumento de infecções nesse período acontece por vários fatores combinados:

    • Aglomeração de crianças em ambientes fechados;
    • Contato físico frequente (brincadeiras, abraços, troca de objetos);
    • Sistema imunológico ainda em desenvolvimento;
    • Higiene das mãos nem sempre feita da melhor maneira;
    • Circulação simultânea de diferentes vírus sazonais.

    Esse conjunto facilita a transmissão de doenças respiratórias, gastrointestinais e de pele.

    Principais doenças para ficar atento na volta às aulas

    Adenovírus

    O adenovírus é um dos vírus mais comuns nesse período. Ele pode causar diferentes quadros, como:

    • Resfriado e dor de garganta;
    • Febre;
    • Conjuntivite viral (olhos vermelhos e secreção);
    • Diarreia e vômitos.

    É altamente contagioso, resistente no ambiente e se espalha facilmente em escolas e creches.

    Doença mão-pé-boca

    Muito comum em crianças pequenas, especialmente em creches e educação infantil.

    Principais sinais:

    • Febre;
    • Feridas dolorosas na boca;
    • Bolhas ou manchas nas mãos, pés e região das fraldas.

    É causada por vírus (principalmente Coxsackie) e se transmite facilmente pelo contato direto e pelas mãos.

    Gripe (Influenza)

    O vírus influenza, causador da gripe, costuma circular mais em determinados períodos do ano, mas surtos podem ocorrer com a retomada das aulas.

    Sintomas comuns:

    • Febre alta de início súbito;
    • Dores no corpo;
    • Tosse;
    • Cansaço intenso.

    A vacinação anual é a principal forma de prevenção e é recomendada para crianças.

    Covid-19

    Embora hoje apresente, na maioria das crianças, quadros leves, a covid-19 ainda circula e pode causar surtos em ambientes escolares.

    Sintomas mais frequentes:

    • Febre;
    • Coriza;
    • Tosse;
    • Dor de garganta;
    • Dor de cabeça;
    • Diarreia (em alguns casos).

    Crianças com sintomas devem ser avaliadas e afastadas temporariamente da escola, conforme orientação médica.

    Resfriados comuns (rinovírus)

    Os resfriados são extremamente frequentes na volta às aulas.

    • Coriza;
    • Espirros;
    • Tosse leve;
    • Congestão nasal.

    Apesar de benignos, são muito contagiosos e se espalham rapidamente entre as crianças.

    Gastroenterites virais

    Viroses intestinais também são comuns, especialmente em crianças menores.

    • Diarreia;
    • Vômitos;
    • Dor abdominal;
    • Febre.

    O maior risco é a desidratação, principalmente em bebês e crianças pequenas.

    Infecções de garganta (amigdalites)

    Podem ser virais ou bacterianas. As bacterianas, especialmente por estreptococo, merecem atenção pelo risco de complicações.

    • Dor intensa ao engolir;
    • Febre;
    • Placas esbranquiçadas nas amígdalas;
    • Ínguas no pescoço.

    O que os pais devem fazer ao identificar sintomas?

    Levar ou não a criança para a escola?

    De forma geral, a criança não deve ir à escola se apresentar:

    • Febre;
    • Vômitos ou diarreia;
    • Dor intensa;
    • Mal-estar importante;
    • Conjuntivite com secreção;
    • Lesões ativas de mão-pé-boca.

    Mesmo sintomas leves podem evoluir, além de facilitar o contágio de outras crianças.

    Quando procurar avaliação médica?

    Os pais devem buscar orientação médica se houver:

    • Febre persistente por mais de 2–3 dias;
    • Dificuldade para respirar;
    • Sinais de desidratação;
    • Prostração;
    • Dor intensa ou piora progressiva dos sintomas.

    Crianças pequenas e aquelas com doenças crônicas exigem atenção redobrada.

    Quando a criança pode voltar às aulas?

    Em geral, a criança pode retornar quando:

    • Estiver sem febre há pelo menos 24 horas;
    • Não apresentar vômitos ou diarreia;
    • Estiver com bom estado geral;
    • Não houver risco elevado de transmissão ativa.

    A liberação pode variar conforme a doença, por isso a orientação médica é tão importante.

    Como prevenir doenças na volta às aulas

    • Lavar as mãos com água e sabão com frequência;
    • Ensinar as crianças a não levar as mãos ao rosto;
    • Manter vacinação em dia (especialmente gripe e covid-19);
    • Enviar a criança doente para casa, evitando forçar a ida à escola;
    • Higienizar lancheiras, garrafas e materiais escolares;
    • Estimular boa hidratação e alimentação equilibrada.

    Essas ações protegem a criança e toda a comunidade escolar.

    Confira: Rotavírus: o que é, como se manifesta e por que a vacina é tão importante

    Perguntas frequentes sobre doenças na volta às aulas

    1. É normal a criança ficar doente logo no início das aulas?

    Sim. O aumento do contato com outras crianças facilita a exposição a novos vírus.

    2. Criança com conjuntivite precisa se afastar da escola?

    Sim, principalmente quando há secreção, pois é altamente contagiosa.

    3. Antibiótico ajuda a evitar transmissão?

    Não. Antibióticos só são indicados em infecções bacterianas específicas.

    4. A vacinação ajuda mesmo?

    Sim. Vacinas reduzem formas graves, complicações e surtos escolares.

    5. Quanto tempo essas viroses costumam durar?

    A maioria melhora em 5 a 7 dias, dependendo do vírus.

    6. Manter a criança em casa ajuda a evitar surtos?

    Sim. O afastamento temporário é uma das medidas mais eficazes para reduzir transmissão.

    Leia mais: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Adenovírus: conheça o vírus comum que preocupa na volta às aulas 

    Adenovírus: conheça o vírus comum que preocupa na volta às aulas 

    Febre, dor de garganta, olhos vermelhos ou diarreia. Em épocas de volta às aulas, esses sintomas costumam preocupar pais e responsáveis e, muitas vezes, o motivo é uma infecção por adenovírus. Trata-se de um vírus comum, especialmente em crianças, e que se espalha com facilidade em ambientes coletivos, como escolas e creches.

    Na maioria dos casos, a infecção é leve e autolimitada. Ainda assim, por ser um vírus capaz de causar sintomas respiratórios, gastrointestinais e até oculares, o adenovírus merece atenção.

    O que é o adenovírus

    O adenovírus é um grupo de vírus da família Adenoviridae, com dezenas de sorotipos diferentes. Eles têm a capacidade de infectar vários tecidos do corpo humano, principalmente:

    • Vias respiratórias;
    • Olhos (conjuntiva);
    • Trato gastrointestinal;
    • Trato urinário (mais raramente).

    A infecção por adenovírus é uma das causas mais frequentes de virose infantil, especialmente em crianças menores de 5 anos, embora adolescentes e adultos também possam ser infectados.

    Por que o adenovírus aumenta com a volta às aulas?

    A circulação do adenovírus tende a aumentar em períodos de maior convivência entre crianças. A volta às aulas cria um cenário ideal para transmissão porque envolve:

    • Contato próximo e prolongado;
    • Compartilhamento de brinquedos, materiais escolares e objetos;
    • Higiene das mãos nem sempre adequada;
    • Crianças pequenas levando as mãos à boca, nariz e olhos com frequência.

    Além disso, o adenovírus é resistente no ambiente e consegue sobreviver por horas em superfícies, o que facilita a disseminação em salas de aula.

    Como ocorre a transmissão

    A transmissão do adenovírus acontece de várias formas:

    • Contato direto com secreções respiratórias (tosse, espirro, saliva);
    • Contato com superfícies contaminadas, seguido de mãos nos olhos, nariz ou boca;
    • Via fecal-oral, especialmente nos quadros gastrointestinais;
    • Água contaminada, como piscinas sem cloração adequada.

    Por isso, surtos podem acontecer em escolas, creches, academias e até ambientes hospitalares.

    Principais sintomas do adenovírus

    Os sintomas variam conforme o sorotipo do vírus e o órgão mais afetado. Uma mesma criança pode apresentar mais de um tipo de manifestação.

    Sintomas respiratórios (os mais comuns)

    • Febre;
    • Coriza;
    • Tosse;
    • Dor de garganta;
    • Congestão nasal;
    • Rouquidão.

    Em alguns casos, pode causar quadros como faringite, amigdalite, bronquiolite ou pneumonia, especialmente em crianças pequenas.

    Sintomas oculares

    • Olhos vermelhos;
    • Ardor ou sensação de areia nos olhos;
    • Lacrimejamento;
    • Secreção ocular.

    O adenovírus é uma das principais causas de conjuntivite viral, que costuma ser altamente contagiosa.

    Sintomas gastrointestinais

    • Diarreia;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos;
    • Febre associada.

    Esses quadros são mais comuns em crianças menores e podem levar à desidratação se não houver atenção à hidratação.

    Outros sintomas possíveis

    • Mal-estar;
    • Dor no corpo;
    • Aumento de gânglios no pescoço;
    • Cansaço.

    Quando os pais devem ficar mais atentos

    Na maioria das vezes, a infecção por adenovírus evolui bem e melhora sozinha em alguns dias. No entanto, é importante procurar avaliação médica se a criança apresentar:

    • Febre alta persistente por mais de 3 dias;
    • Dificuldade para respirar ou respiração acelerada;
    • Recusa persistente de líquidos;
    • Sinais de desidratação (pouca urina, boca seca, sonolência excessiva);
    • Dor intensa nos olhos ou piora importante da conjuntivite;
    • Prostração ou piora do estado geral.

    Crianças pequenas, imunossuprimidas ou com doenças crônicas precisam de acompanhamento médico mais próximo.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do adenovírus é, na maioria das vezes, clínico, baseado nos sintomas e no contexto epidemiológico (por exemplo, outros casos na escola).

    Em situações específicas, podem ser solicitados exames, como:

    • Testes virais em secreção respiratória;
    • Exames de fezes, nos quadros gastrointestinais;
    • Exames laboratoriais em casos mais graves ou hospitalizados.

    Na prática, a identificação exata do vírus nem sempre é necessária, pois não muda o tratamento na maioria dos casos.

    Tratamento: o que fazer em casa

    Não existe tratamento antiviral específico para adenovírus em pessoas saudáveis. O cuidado é sintomático, focado em aliviar os sintomas e evitar complicações.

    • Repouso;
    • Boa hidratação;
    • Controle de febre e dor, conforme orientação médica;
    • Lavagem nasal com soro fisiológico nos sintomas respiratórios;
    • Higiene ocular adequada nos casos de conjuntivite.

    Antibióticos não são indicados, pois o adenovírus é um vírus, e não uma bactéria.

    Prevenção: como reduzir o risco de transmissão

    • Lavar as mãos com água e sabão com frequência;
    • Ensinar as crianças a não levar as mãos aos olhos, boca e nariz;
    • Não compartilhar objetos pessoais;
    • Manter crianças sintomáticas em casa, quando possível;
    • Higienizar brinquedos e superfícies;
    • Evitar piscinas sem controle adequado de cloro.

    Essas medidas ajudam não só contra o adenovírus, mas contra várias viroses comuns da infância.

    Leia mais: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre adenovírus

    1. Adenovírus é perigoso?

    Na maioria das crianças saudáveis, não. Geralmente causa infecção leve e autolimitada, mas pode ser mais grave em bebês, imunossuprimidos ou em casos raros de acometimento pulmonar.

    2. Adenovírus é o mesmo que gripe?

    Não. A gripe é causada pelo vírus Influenza. O adenovírus pode causar sintomas parecidos, mas é um vírus diferente.

    3. Adenovírus dá conjuntivite?

    Sim. Ele é uma das causas mais comuns de conjuntivite viral, geralmente muito contagiosa.

    4. Criança com adenovírus pode ir à escola?

    Em caso de febre, mal-estar importante, diarreia ou conjuntivite ativa, o ideal é manter a criança em casa para recuperação e para evitar transmissão.

    5. Existe vacina contra adenovírus?

    Não há vacina disponível para uso rotineiro na população geral. A prevenção depende principalmente de medidas de higiene.

    6. Quanto tempo duram os sintomas?

    Em geral, de 5 a 7 dias, podendo se estender um pouco mais em alguns casos.

    7. Adultos também pegam adenovírus?

    Sim. Adultos podem se infectar, geralmente com quadros mais leves, mas ainda assim podem transmitir o vírus.

    Confira: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    A fertilização in vitro, também chamada de FIV, é uma das principais técnicas de reprodução assistida e consiste na fecundação do óvulo pelo espermatozoide em laboratório, seguida da transferência do embrião para o útero.

    Ela pode ser indicada em diferentes situações, como infertilidade masculina, alterações hormonais e até idade materna mais avançada.

    Para entender como a técnica funciona, as taxas de sucesso e quanto custa no Brasil, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é fertilização in vitro (FIV)?

    A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida em que a fecundação (ou seja, a união do espermatozoide com o óvulo) acontece em laboratório, de forma controlada.

    Segundo a ginecologista Andreia, o objetivo é formar embriões que depois são transferidos para o útero, o que pode aumentar as chances de gravidez quando existem questões que dificultam a gestação natural.

    A médica explica que a indicação da fertilização in vitro normalmente ocorre depois da investigação das causas da infertilidade, já que alguns problemas podem ser tratados e permitir a gravidez de forma natural.

    Quando o tratamento inicial não resolve a situação, costumam ser testadas técnicas mais simples, como a indução da ovulação ou a inseminação artificial. Se os métodos não funcionarem, a FIV passa a ser considerada uma alternativa mais avançada.

    Como a fertilização in vitro é feita?

    A fertilização in vitro (FIV) acontece em etapas bem organizadas, como um passo a passo. O processo envolve desde a preparação do corpo até a formação do embrião e a confirmação da gravidez. Entenda como funciona:

    1. Estimulação ovariana

    O tratamento de FIV começa com a estimulação dos ovários, segundo Andreia. A paciente utiliza hormônios, normalmente injetáveis e, às vezes, combinados com medicamentos orais, para estimular a produção de vários óvulos no mesmo ciclo — diferente do ciclo natural, em que normalmente apenas um óvulo é liberado.

    A fase costuma durar entre 8 e 14 dias, em que o crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassonografias e exames hormonais. Quando atingem o tamanho ideal, aplica-se uma medicação para finalizar o amadurecimento dos óvulos e programar a coleta.

    2. Coleta dos óvulos

    Cerca de 34 a 36 horas após a medicação final, acontece a coleta dos óvulos, também chamada de punção folicular. O procedimento é feito por via vaginal, com uma agulha guiada por ultrassom.

    A paciente fica sedada para que seja mais confortável, não há cortes na pele e o processo costuma durar entre 15 e 20 minutos. Depois da coleta, os óvulos são encaminhados ao laboratório para avaliação.

    3. Coleta dos espermatozoides

    No mesmo dia, ocorre a coleta do sêmen do parceiro ou o uso de amostra de banco de sêmen, quando necessário. Na maioria das vezes, a coleta é feita por masturbação.

    Em situações específicas, pode ser necessária a retirada direta dos espermatozoides dos testículos ou do epidídimo. No laboratório, o material é preparado para selecionar os espermatozoides com melhor qualidade.

    4. Fertilização em laboratório

    Com óvulos e espermatozoides prontos, acontece a fecundação, que pode ser feita de duas formas, segundo Andreia:

    • FIV convencional: óvulos e espermatozoides ficam juntos em uma placa, permitindo a fecundação espontânea;
    • ICSI: um espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo, técnica usada principalmente quando há fator masculino importante ou uso de óvulos congelados.

    Depois disso, os especialistas acompanham quais óvulos foram fecundados e começaram a se desenvolver como embriões.

    5. Desenvolvimento dos embriões

    Os embriões ficam em incubadoras especiais, com temperatura e condições controladas. O desenvolvimento é monitorado todos os dias.

    Geralmente, os embriões são acompanhados até o estágio de blastocisto, entre o 5º e o 7º dia após a fecundação. Em alguns casos, podem ser feitos testes genéticos antes da transferência. Os embriões mais adequados são então escolhidos.

    6. Transferência embrionária e teste de gravidez

    Na transferência embrionária, um ou mais embriões são colocados no útero com um cateter fino. O procedimento é rápido, normalmente não precisa de anestesia e segue critérios médicos relacionados à idade, qualidade embrionária e histórico do casal.

    Se existirem embriões viáveis excedentes, eles podem ser congelados para uso futuro. Depois da transferência, Andreia explica que o recomendado é esperar cerca de 10 a 14 dias para fazer o exame de sangue beta-hCG, que confirma se houve implantação e início da gravidez.

    Os cuidados antes, durante e depois da FIV

    Antes do início do tratamento, costuma ser feita uma avaliação médica completa, com exames hormonais, investigação de infecções, análise da saúde reprodutiva e revisão do histórico clínico. Eles são importantes para entender se existem fatores que possam interferir na fertilidade ou no sucesso do procedimento.

    Segundo Andreia, são realizados os seguintes exames antes da FIV:

    • Exames hormonais para avaliar a função reprodutiva;
    • Investigação de infecções que possam interferir na fertilidade ou na gestação;
    • Ultrassom transvaginal para análise do útero e dos ovários;
    • Histerossalpingografia para avaliação das tubas uterinas;
    • Espermograma para análise da qualidade do sêmen no parceiro;
    • Avaliação clínica geral, incluindo histórico de saúde e doenças pré-existentes.

    Também é importante manter o peso adequado, suspender o tabagismo e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. Normalmente, pode ser necessária a suplementação de ácido fólico.

    Após a transferência embrionária, a continuidade do acompanhamento médico continua sendo necessário para favorecer a implantação do embrião e o início adequado da gestação. O profissional pode recomendar evitar esforço físico nos primeiros dias, ficar em repouso e realizar o exame de beta-hCG no período indicado para confirmação da gravidez.

    Já após a transferência do embrião para o útero, a recomendação habitual envolve repouso relativo nas primeiras horas ou dias, sem necessidade de imobilização prolongada. A rotina leve costuma ser liberada conforme orientação médica.

    Se o teste de gravidez apresentar resultado positivo e a evolução inicial ocorrer de forma satisfatória, a gestação passa a ser acompanhada no pré-natal habitual.

    Qual é a taxa de sucesso da fertilização in vitro?

    A taxa de sucesso da fertilização in vitro (FIV) pode variar bastante, de acordo com a idade da mulher, a causa da infertilidade, a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, além do histórico clínico de cada pessoa.

    De acordo com Andreia, em mulheres com menos de 35 anos, as taxas de sucesso costumam variar entre 40% e 50% por ciclo, com redução progressiva após os 40 anos.

    Também é importante considerar que as chances podem aumentar após mais de uma tentativa. Em alguns casos, a taxa acumulada de sucesso após três ciclos pode ultrapassar 60%, especialmente em pacientes mais jovens.

    Todo o processo costuma durar entre um mês e um mês e meio por tentativa, e, em alguns casos, são necessários vários ciclos até que a gestação seja alcançada.

    Diferenças entre a fertilização in vitro e a inseminação artificial

    A fertilização in vitro (FIV) e a inseminação artificial são técnicas de reprodução assistida usadas quando há dificuldade para engravidar, mas elas funcionam de formas diferentes e têm indicações específicas. A principal diferença está no local onde ocorre a fecundação e na complexidade do procedimento.

    • Na inseminação artificial: o sêmen é preparado em laboratório e introduzido diretamente no útero para facilitar o encontro com o óvulo. Aqui, a fecundação ocorre naturalmente dentro do corpo da mulher, tornando o processo mais simples e menos invasivo;
    • Já na FIV: os óvulos são coletados e fertilizados em ambiente laboratorial, e somente após a formação do embrião é que ocorre a transferência para o útero. Por ser mais complexa, a FIV é geralmente indicada quando outros métodos falham ou em casos de infertilidade mais severos.

    A escolha entre os métodos depende da causa da infertilidade, da idade da paciente e da avaliação médica individual.

    Quando a fertilização in vitro pode ser indicada?

    A fertilização in vitro costuma ser indicada quando há fatores ligados à fertilidade feminina, masculina ou ao casal que tornam a gravidez natural mais difícil, além de outras situações específicas que podem interferir na concepção.

    Entre os fatores femininos que podem indicar a FIV, é possível destacar:

    • Alterações nas tubas uterinas, como obstrução, ausência ou sequelas de infecções pélvicas e hidrossalpinge;
    • Endometriose severa;
    • Baixa reserva ovariana ou idade materna mais avançada;
    • Distúrbios ovulatórios de difícil controle;
    • Falência ovariana prematura;
    • Histórico de abortos de repetição;
    • Necessidade de testes genéticos nos embriões.

    Já entre os fatores masculinos, estão:

    • Baixa concentração de espermatozoides;
    • Alterações importantes na motilidade ou na morfologia dos espermatozoides;
    • Azoospermia, com necessidade de retirada dos espermatozoides diretamente dos testículos;
    • Situações após vasectomia, quando existe desejo de paternidade;
    • Necessidade de técnicas complementares, como a ICSI, para melhorar a fecundação.

    A fertilização in vitro também pode ser recomendada para:

    • Casais formados por mulheres, com possibilidade de gestação compartilhada e uso de sêmen de doador;
    • Casais masculinos, com uso de óvulos doados e útero de substituição, conforme as normas médicas vigentes.

    Em todos os casos, a indicação deve ser feita após avaliação especializada, considerando a história clínica, os exames e os objetivos reprodutivos de cada pessoa ou casal.

    Existem riscos (ou efeitos colaterais) da FIV?

    A estimulação hormonal utilizada na fertilização in vitro pode causar algumas reações relacionadas ao aumento dos níveis hormonais e aos próprios procedimentos envolvidos, como aponta Andreia:

    • Distensão abdominal;
    • Cólicas;
    • Retenção de líquidos;
    • Sensibilidade mamária;
    • Alterações de humor;
    • Síndrome da hiperestimulação ovariana, condição rara, mas potencialmente grave, que exige acompanhamento médico próximo;
    • Pequenos sangramentos ou desconfortos após a punção ovariana, procedimento considerado seguro, mas que pode apresentar riscos pontuais.

    Quanto custa a fertilização in vitro no Brasil?

    Um ciclo completo de fertilização in vitro (FIV) no Brasil costuma ter custo médio entre R$ 20 mil e R$ 45 mil.

    O valor pode variar conforme o preço dos medicamentos, que geralmente representam parte significativa do tratamento, além do uso de técnicas adicionais, como ICSI, testes embrionários ou outros procedimentos laboratoriais, e também da clínica escolhida.

    Em situações mais complexas, que exigem recursos extras ou múltiplas etapas, o custo total pode ultrapassar R$ 80 mil.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Existe uma idade limite para fazer a FIV?

    No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda a idade máxima de 50 anos para a mulher. Acima disso, o tratamento só é permitido com autorização médica específica e avaliação de riscos de saúde.

    2. Bebês de FIV são saudáveis como os de gestação natural?

    Sim, não há evidências científicas de que a técnica aumente o risco de malformações. Eles se desenvolvem exatamente da mesma forma.

    3. O tratamento de FIV dói?

    A etapa mais sensível é a punção folicular (coleta de óvulos), mas ela é realizada sob sedação leve, então a paciente dorme e não sente dor. As injeções hormonais diárias são subcutâneas, com agulhas bem finas, semelhantes às de insulina.

    4. Posso escolher o sexo do bebê na FIV?

    No Brasil, a seleção de sexo por motivos sociais é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Ela só é permitida em casos raros para evitar a transmissão de doenças genéticas ligadas ao sexo (como a hemofilia).

    5. Posso trabalhar normalmente durante o processo?

    Na maioria dos dias, sim. O afastamento costuma ser necessário apenas no dia da punção folicular e, às vezes, um pequeno repouso no dia da transferência embrionária.

    6. Posso usar óvulos de uma doadora (Ovodoação)?

    Sim. No Brasil, a doação deve ser anônima (exceto em casos de parentesco de até 4º grau) e não pode ter caráter comercial. É a principal alternativa para mulheres com menopausa precoce ou baixa reserva ovariana.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Quanto tempo demora para engravidar? Obstetra esclarece

    Quanto tempo demora para engravidar? Obstetra esclarece

    Se você está tentando engravidar, é normal a expectativa vir acompanhada de ansiedade depois de interromper o método contraceptivo — e mesmo uma pequena demora pode te levar a acreditar que existe algum problema. Mas, na prática, o processo reprodutivo depende de vários fatores que variam entre pessoas, ciclos e fases da vida.

    Mesmo em condições ideais, a concepção pode não acontecer imediatamente, e o tempo necessário para ter um bebê pode ser maior do que você imagina. Por isso, saber o que é considerado normal ajuda a reduzir a angústia e a identificar o momento adequado para procurar uma avaliação médica. Vamos entender mais, a seguir!

    Quanto tempo demora para engravidar?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é considerado normal conseguir engravidar de forma natural dentro de um ano para quem tem menos de 35 anos. Isso acontece porque a chance mensal varia e, muitas vezes, o corpo precisa de tempo para ajustar ovulação, qualidade dos gametas e outros fatores.

    A maioria dos casais saudáveis concebe nos primeiros seis meses de tentativas, sobretudo quando há relações frequentes ao longo do ciclo menstrual e uma rotina reprodutiva sem fatores de risco. Mas, para mulheres acima dos 35 anos, o tempo de espera recomendado é menor porque a reserva ovariana costuma cair de forma mais acelerada a partir dessa faixa etária.

    Com o passar dos anos, o número de óvulos disponíveis diminui e a qualidade também se altera, o que reduz as chances por ciclo e pode aumentar a dificuldade para engravidar.

    Por que a fertilidade cai com o passar do tempo?

    A fertilidade diminui com o passar do tempo porque o organismo muda de maneira natural. A mulher nasce com todos os óvulos que terá durante a vida, e a reserva tende a diminuir mês após mês. A queda fica ainda mais acelerada e evidente após os 35 anos, já que a qualidade dos óvulos também passa por alterações que dificultam a fecundação.

    As mudanças naturais do corpo tornam alterações genéticas mais comuns com o passar dos anos, o que pode aumentar o risco de perdas gestacionais muito no início. No corpo masculino, isso também acontece, só que de maneira mais lenta: o volume do sêmen diminui aos poucos, os espermatozoides passam a se mover com menos rapidez e a qualidade dessas células é afetada pela idade.

    Vale apontar que a saúde também interfere na fertilidade, e condições como endometriose, miomas, alterações da tireoide, hipertensão, diabetes e inflamações silenciosas são mais frequentes com o envelhecimento. O acúmulo de hábitos como tabagismo, álcool em excesso, noites mal dormidas, estresse crônico e sedentarismo também afeta o sistema reprodutivo.

    Qual é a probabilidade de engravidar em cada ciclo?

    A chance média de concepção em cada ciclo varia entre 15% a 20% para mulheres jovens e sem problemas de fertilidade. A gravidez só acontece quando vários passos do corpo funcionam juntos no momento certo, como ovulação, encontro do óvulo com o espermatozoide e implantação no útero. Se qualquer uma dessas etapas não ocorre como deveria, as chances de engravidar diminuem.

    Mesmo em mulheres férteis, alguns ciclos podem ocorrer sem ovulação, e a funcionalidade das tubas nem sempre é totalmente previsível, mesmo quando estão permeáveis.

    Se houver relação sexual no período fértil, os espermatozoides precisam atravessar o muco cervical, alcançar o útero e seguir até as tubas, onde encontrarão o óvulo. Nessa etapa também existem variáveis: o muco pode não estar adequado, os espermatozoides podem não chegar ao óvulo ou não conseguir penetrá-lo para realizar a fecundação.

    É por isso que médicos consideram um período de seis meses a um ano, e não um único ciclo. Com o passar do tempo, várias tentativas aumentam a chance da gravidez acontecer.

    Não consigo engravidar naturalmente, o que pode ser?

    Não conseguir engravidar naturalmente é mais comum do que parece e pode ter várias explicações. De acordo com Andreia, entre as causas que podem influenciar na fertilidade, 40% são exclusivamente femininas, 40% exclusivamente masculinas e 20% envolvem ambos os parceiros. Também existe a chamada infertilidade inexplicada, quando nenhum exame consegue apontar um motivo claro.

    O tempo necessário para engravidar varia conforme idade, frequência das relações e, sobretudo, estilo de vida, que influencia diretamente a qualidade dos gametas.

    Entre os hábitos que prejudicam a fertilidade:

    • Tabagismo;
    • Má alimentação;
    • Sedentarismo;
    • Consumo frequente de álcool.

    Fatores masculinos incluem:

    • Caxumba com orquite;
    • Varicocele;
    • Torção testicular prévia ou atrofia;
    • Infecções urogenitais não tratadas;
    • Exposição a calor excessivo na região escrotal;
    • Uso de anabolizantes;
    • Distúrbios hormonais;
    • Doenças crônicas como diabetes e hipertensão grave.

    Fatores femininos incluem:

    • Infecções pélvicas (clamídia e gonorreia);
    • Doença inflamatória pélvica;
    • Endometriose;
    • Síndrome dos ovários policísticos;
    • Adenomiose;
    • Miomas submucosos;
    • Distúrbios da tireoide;
    • Hiperprolactinemia;
    • Doenças autoimunes;
    • Menopausa precoce.

    Quando procurar avaliação médica durante as tentativas?

    • Menores de 35 anos: após 12 meses sem sucesso;
    • 35 a 39 anos: após 6 meses;
    • 40 anos ou mais: avaliação imediata.

    A investigação só deve ser feita após o período recomendado de tentativas. Se houver dúvidas sobre período fértil ou frequência das relações, uma consulta inicial com ginecologista ou urologista pode ajudar.

    Como é feita a investigação?

    Na mulher:

    • Exames hormonais;
    • Ultrassom transvaginal;
    • Histerossalpingografia.

    No homem:

    • Espermograma (avalia quantidade, morfologia e motilidade).

    O especialista também avalia rotina, hábitos e histórico de saúde.

    Tratamentos para infertilidade

    Medidas iniciais:

    • Mudança de hábitos;
    • Ajuste de peso;
    • Suplementação orientada;
    • Indução da ovulação.

    Baixa complexidade:

    • Relação programada;
    • Inseminação intrauterina.

    Alta complexidade:

    • Fertilização in vitro (FIV);
    • Injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).

    Todos os métodos devem ser orientados por médico. Tentativas caseiras são contraindicadas e oferecem riscos.

    Leia também: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    Perguntas frequentes

    Tentativas mensais contam desde quando?

    Contam quando há relações frequentes, especialmente no período fértil.

    Ciclos regulares mudam o tempo de espera?

    Com ciclos regulares, mantém-se a orientação de tentar por até um ano antes de investigar.

    Anticoncepcional altera o prazo?

    A fertilidade geralmente retorna em poucas semanas.

    Sobrepeso interfere?

    Sim. Pode afetar hormônios e ovulação.

    Após remover o DIU, quanto tempo para engravidar?

    A fertilidade retorna imediatamente.

    Quantos dias depois da menstruação posso engravidar?

    No período fértil, geralmente entre 10 e 14 dias em ciclos de 28 dias.

    Como saber o dia exato da concepção?

    Não é possível determinar exatamente. A estimativa é feita com base na última menstruação e no ultrassom inicial.

    Confira: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

  • Sedentarismo na infância: quais os principais riscos para o coração? 

    Sedentarismo na infância: quais os principais riscos para o coração? 

    Sabia que os cuidados com a saúde do coração devem começar ainda na infância? Movimento, brincadeiras, alimentação equilibrada e sono adequado ajudam o organismo da criança a se desenvolver de maneira mais saudável. Quando a rotina infantil se torna sedentária, algumas mudanças silenciosas podem surgir no metabolismo, nos vasos sanguíneos e no próprio coração.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, o sedentarismo na infância é definido principalmente pelo equilíbrio entre o nível de atividade física, ou seja, o quanto a criança se movimenta, e o comportamento sedentário, que corresponde ao tempo em repouso ou diante de telas, como celular, televisão, tablet e videogame.

    Diferentemente dos adultos, a avaliação na infância varia conforme a idade, porque acompanha o desenvolvimento físico, motor e neurológico da criança. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é considerado sedentarismo na infância?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria consideram sedentária a criança que não atinge a quantidade mínima de atividade física indicada para a própria faixa etária. As recomendações incluem:

    • Bebês: devem se movimentar várias vezes ao longo do dia, com brincadeiras, tempo no chão e estímulo à exploração corporal;
    • Crianças entre 1 e 2 anos: precisam acumular pelo menos 180 minutos diários de movimentação, de qualquer intensidade;
    • Crianças entre 3 e 5 anos: também devem atingir cerca de 180 minutos por dia, incluindo pelo menos 60 minutos de atividade moderada a vigorosa;
    • Crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos: devem realizar no mínimo 60 minutos diários de atividade física com intensidade pelo menos moderada.

    O sedentarismo, nessa fase, não envolve apenas a falta de exercício, mas também o excesso de atividades de baixo gasto energético, como permanecer sentado, deitado ou muito tempo diante de telas.

    Sedentarismo na infância já pode afetar a saúde do coração?

    Mesmo durante os primeiros anos de vida, a falta de movimento pode provocar alterações no organismo que aumentam o risco cardiovascular no futuro. Segundo estudos, o processo de formação de placas de gordura nas artérias, conhecido como aterosclerose, pode começar ainda na infância.

    Quando a criança se movimenta pouco, o coração tende a ficar menos eficiente, os vasos sanguíneos podem perder parte da elasticidade e surgem condições como aumento de peso, colesterol alterado e pressão mais elevada.

    Além disso, hábitos criados na infância costumam continuar na vida adulta, o que pode favorecer obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças cardiovasculares ao longo dos anos.

    Alterações metabólicas começam ainda na infância?

    As principais alterações metabólicas que podem surgir ainda na infância incluem, segundo Juliana:

    • Resistência insulínica: o corpo passa a produzir mais insulina para manter o nível de açúcar estável no sangue, o que pode sobrecarregar o pâncreas e aumentar o risco de diabetes;
    • Dislipidemia: alterações nos níveis de colesterol, com aumento dos triglicerídeos, redução do colesterol HDL (considerado protetor) e aumento do LDL (associado a maior risco cardiovascular);
    • Inflamação sistêmica: quando o sedentarismo se associa ao excesso de peso, o tecido adiposo libera substâncias inflamatórias que podem agredir o revestimento das artérias e favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Riscos do sedentarismo infantil para o coração

    O sedentarismo na infância pode trazer problemas importantes para a saúde do coração mesmo quando a criança ainda parece saudável. A falta de movimento reduz a capacidade do coração, favorece alterações metabólicas e pode aumentar o risco de doenças cardíacas ao longo da vida.

    Entre alguns dos principais riscos, é possível destacar:

    • Maior probabilidade de sobrepeso e obesidade desde cedo;
    • Alterações no colesterol e nos triglicerídeos;
    • Tendência ao aumento da pressão arterial;
    • Maior risco de resistência à insulina e diabetes;
    • Início precoce do acúmulo de gordura nas artérias;
    • Inflamação do organismo que prejudica os vasos sanguíneos;
    • Redução do condicionamento físico e da eficiência cardíaca;
    • Aumento do risco de doenças cardiovasculares na vida adulta.

    Segundo Juliana, o tempo excessivo diante de telas, como televisão, videogames e celulares, é atualmente um dos maiores preditores de sedentarismo.

    Além da redução do movimento, o excesso de telas costuma estar associado ao consumo de alimentos ultraprocessados, lanches calóricos e hábitos alimentares menos adequados. Também pode provocar privação de sono, o que desregula hormônios relacionados à fome, ao estresse e ao crescimento infantil.

    Alimentação na infância também influencia o risco cardiovascular futuro?

    O paladar e os hábitos alimentares começam a se formar na infância, e muitas preferências adquiridas na fase costumam acompanhar a pessoa ao longo da vida. Por isso, Juliana aponta que a qualidade da alimentação infantil tem impacto direto na saúde cardiovascular futura.

    O consumo frequente de sódio, presente em salgadinhos, embutidos e alimentos ultraprocessados, assim como o excesso de açúcar, comum em refrigerantes, doces e bebidas artificiais, pode favorecer o aumento da pressão arterial, o acúmulo de gordura visceral, a resistência à insulina e outras alterações metabólicas. Com o tempo, as condições aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

    Como fazer a criança se movimentar mais na infância?

    Segundo o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, incentivar movimento desde cedo ajuda no desenvolvimento físico, emocional e cardiovascular. Algumas dicas podem ajudar, como:

    • Priorizar brincadeiras ativas, como correr, pular, dançar, andar de bicicleta ou jogar bola;
    • Estimular tempo ao ar livre sempre que possível, em parques, praças ou quintal;
    • Reduzir tempo de telas e criar limites claros para celular, TV, videogame e tablet;
    • Participar das atividades junto com a criança, já que o exemplo familiar influencia muito;
    • Incentivar esportes ou atividades físicas que despertem interesse e prazer;
    • Variar atividades para evitar monotonia e manter motivação;
    • Organizar rotina com horários para movimento, sono e lazer ativo;
    • Valorizar deslocamentos ativos, como caminhar até locais próximos quando possível;
    • Evitar longos períodos sentados, incentivando pausas para se mexer;
    • Criar ambiente seguro e estimulante para brincadeiras dentro ou fora de casa.

    Também é importante manter acompanhamento pediátrico regular, com avaliação do peso, da altura, do crescimento e do desenvolvimento global da criança. Ele ajuda a identificar precocemente possíveis alterações relacionadas à saúde cardiovascular, ao metabolismo e ao estilo de vida.

    Confira: Importância de controlar o açúcar na infância e quais doenças previne

    Perguntas frequentes

    1. Crianças podem ter pressão alta?

    Sim, pois o sedentarismo, aliado à má alimentação, é uma das principais causas de hipertensão infantil. O excesso de peso força o coração a trabalhar muito mais do que o necessário.

    2. Como saber se meu filho é considerado sedentário?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como sedentária a criança que não pratica ao menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa.

    3. Existe algum sinal visível de que o coração da criança está sobrecarregado?

    Cansaço excessivo em brincadeiras leves, falta de ar desproporcional ao esforço e palpitações são sinais de alerta que exigem consulta médica.

    4. Crianças podem fazer musculação?

    Sim, desde que supervisionada e adaptada à idade. O foco não é hipertrofia (músculos grandes), mas o fortalecimento muscular que auxilia no metabolismo e protege as articulações.

    5. Quando devo levar meu filho ao cardiologista pediátrico?

    Se houver histórico familiar de doenças cardíacas precoces, se a criança apresentar obesidade, pressão alta ou se você pretende matriculá-la em esportes competitivos.

    6. A partir de qual idade deve-se medir a pressão arterial de uma criança?

    A recomendação atual é que a pressão seja aferida anualmente em todas as consultas de rotina a partir dos 3 anos de idade, ou antes, se houver fatores de risco (como prematuridade ou doenças renais).

    Leia mais: Puberdade precoce: o que é, por que acontece e os sintomas (em meninos e meninas)

  • Cardiopatia congênita: conheça os tipos e as consequências para a saúde

    Cardiopatia congênita: conheça os tipos e as consequências para a saúde

    A cardiopatia congênita, também conhecida como doença cardíaca congênita, consiste em um ou mais problemas na estrutura do coração presentes desde a gravidez.

    As alterações podem afetar o funcionamento do órgão de maneiras diferentes, variando desde quadros leves, que muitas vezes não causam sintomas imediatos, até situações mais complexas, que exigem acompanhamento médico desde os primeiros dias de vida.

    No Brasil, aproximadamente 28,7 mil crianças nascem com uma cardiopatia congênita todos os anos. Na prática, isso significa que, a cada 100 bebês que nascem, cerca de um apresenta uma cardiopatia congênita — o que indica a importância do acompanhamento pré-natal e da atenção logo nos primeiros dias de vida.

    O que são doenças cardíacas congênitas?

    As doenças cardíacas congênitas são malformações que afetam a estrutura ou a função do coração, surgindo devido a alguma alteração no desenvolvimento do órgão durante as primeiras semanas da gestação, de acordo com a cardiologista Juliana Soares.

    Nesse período, o coração do bebê ainda está em formação, de modo que qualquer interferência no processo pode resultar em mudanças anatômicas ou funcionais que variam desde alterações leves até quadros mais complexos, com necessidade de acompanhamento médico desde os primeiros meses de vida.

    O momento em que os sintomas aparecem pode variar. Nos casos de cardiopatias congênitas leves, a criança pode passar toda a infância sem apresentar sintomas, e a condição tende a ser identificada apenas no final da infância ou até na vida adulta. Já nos casos mais graves, o diagnóstico pode ser feito ainda no período intrauterino ou imediatamente após o nascimento.

    Importante: para que uma condição seja considerada uma doença cardíaca congênita, a alteração precisa obrigatoriamente ocorrer durante a gestação. Se uma doença cardíaca aparece depois devido ao envelhecimento ou infecções, ela é considerada “adquirida”.

    Como o coração do bebê se forma na gestação?

    A formação do coração do bebê começa normalmente por volta da terceira semana após a fecundação. No início, surge uma estrutura simples que vai se desenvolvendo aos poucos até formar as cavidades, as válvulas e os vasos sanguíneos responsáveis pela circulação do sangue. Já no primeiro trimestre, o coração costuma estar formado e em funcionamento.

    Durante as semanas seguintes, o órgão continua amadurecendo para acompanhar o crescimento do bebê. Como se trata de um processo muito delicado, qualquer alteração pode interferir no desenvolvimento normal. Por isso, o acompanhamento pré-natal e a realização dos exames recomendados são importantes para avaliar se o coração está se formando de maneira adequada.

    Quais os tipos de cardiopatia congênita?

    As doenças cardíacas congênitas costumam ser classificadas em dois grupos principais: as cardiopatias congênitas cianóticas e as cardiopatias congênitas acianóticas.

    Segundo Juliana, as cardiopatias cianóticas são aquelas que causam deficiência na oxigenação do sangue, levando a uma coloração azulada da pele. Já as cardiopatias acianóticas apresentam alterações menos evidentes na oxigenação e são as mais comuns.

    Entre as cardiopatias congênitas acianóticas mais frequente, é possível destacar:

    • Comunicação interventricular: presença de um orifício na parede que separa os ventrículos;
    • Comunicação interatrial: abertura na parede que separa os átrios;
    • Persistência do canal arterial: canal que deveria se fechar após o parto, mas permanece aberto.

    Entre as cardiopatias cianóticas, a mais conhecida é a tetralogia de Fallot, caracterizada por quatro alterações estruturais no coração que comprometem a função cardiovascular. Elas dificultam a oxigenação adequada do sangue, levando ao quadro de cianose. São elas:

    • Comunicação interventricular (CIV);
    • Estenose da artéria pulmonar;
    • Dextroposição da aorta (deslocamento da aorta para a direita);
    • Hipertrofia do ventrículo direito.

    Juliana complementa que outra cardiopatia congênita relativamente comum é a coartação da aorta, caracterizada por um estreitamento da aorta após a sua emergência, o que dificulta o fluxo adequado do sangue.

    O que pode causar uma cardiopatia congênita?

    Na maioria dos casos, Juliana explica que a cardiopatia congênita ocorre sem causa definida. No entanto, alguns fatores aumentam o risco:

    • Histórico familiar de cardiopatia congênita;
    • Alterações genéticas específicas, como a síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21);
    • Exposição materna a fatores de risco durante a gestação, como diabetes mal controlado, consumo de álcool, uso de algumas medicações e infecções como rubéola.

    Os fatores não determinam obrigatoriamente a doença, mas aumentam a probabilidade de ocorrência.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico pode ocorrer em diferentes momentos, desde a gestação até depois do nascimento do bebê. A identificação precoce permite o acompanhamento adequado e, quando necessário, o início do tratamento o quanto antes.

    Durante o pré-natal, é realizado o ecocardiograma fetal, um exame capaz de identificar diversas cardiopatias a partir de aproximadamente a 20ª semana de gestação. Ele avalia a estrutura e o funcionamento do coração do bebê ainda no útero.

    Após o nascimento, é feita a oximetria de pulso, conhecida como teste do coraçãozinho, exame obrigatório antes da alta da maternidade para detectar cardiopatias congênitas críticas.

    Segundo Juliana, se houver suspeita clínica posteriormente, pode ser feito um ecocardiograma transtorácico no bebê. Sinais como um sopro cardíaco, o cansaço durante a mamada ou a coloração arroxeada dos lábios podem indicar a necessidade de investigação mais detalhada.

    Tratamento das doenças cardíacas congênitas

    O tratamento das cardiopatias congênitas é individualizado e depende do tipo da alteração, da gravidade do quadro e da idade do paciente.

    Em algumas situações, principalmente nos casos mais leves, pode ocorrer um fechamento espontâneo de pequenas comunicações no coração, sem necessidade de intervenção imediata, sendo indicado apenas o acompanhamento regular com o cardiologista.

    Em outros casos, o tratamento pode envolver o uso de medicamentos para controlar sintomas e melhorar o funcionamento do coração ou procedimentos minimamente invasivos, como o cateterismo cardíaco, no qual dispositivos são inseridos geralmente pela região da virilha para corrigir comunicações entre as cavidades do coração sem a necessidade de cirurgia aberta.

    De acordo com Juliana, a cirurgia costuma ser indicada nos casos mais complexos, quando existe necessidade de correção estrutural mais ampla para evitar complicações graves, preservar a função cardíaca e reduzir o risco de morte.

    Acompanhamento cardiológico ao longo da vida

    Mesmo após uma cirurgia bem-sucedida e na ausência de sintomas, Juliana explica que o acompanhamento médico regular é fundamental, pois podem surgir sequelas tardias ou alterações nas estruturas cardíacas ao longo do tempo.

    De forma geral, crianças com defeitos leves ou que passaram por uma correção adequada costumam ter uma vida próxima do normal, incluindo uma alimentação saudável e a prática de atividade física. Uma alimentação equilibrada ajuda a evitar a obesidade e os problemas metabólicos, que podem sobrecarregar um coração mais sensível.

    A atividade física costuma ser incentivada na maioria dos casos. Porém, algumas condições mais graves ou associadas a arritmias podem exigir restrições a esportes competitivos ou de alto impacto. O cardiologista pediátrico é o profissional responsável por orientar, de forma individualizada, qual nível de esforço é mais seguro para cada criança.

    É possível prevenir as doenças cardíacas congênitas?

    A prevenção das doenças cardíacas congênitas nem sempre é possível, já que muitas delas surgem durante a formação do coração do bebê sem uma causa definida. Mesmo assim, alguns cuidados durante a gestação podem ajudar a reduzir riscos e favorecer um desenvolvimento mais saudável do coração fetal, como:

    • Acompanhamento pré-natal regular para monitorar a saúde da mãe e do bebê;
    • Controle adequado do diabetes materno, quando presente;
    • Vacinação recomendada antes ou durante a gestação, conforme orientação médica;
    • Orientação médica sobre o uso de medicamentos durante a gravidez;
    • Evitar o consumo de álcool, cigarro e outras substâncias nocivas;
    • Manutenção de uma alimentação equilibrada durante a gestação;
    • Uso correto do ácido fólico, conforme indicação profissional;
    • Realização dos exames pré-natais recomendados.

    Quando suspeitar de um problema cardíaco congênito no bebê?

    A suspeita de um problema cardíaco congênito pode surgir ainda durante a gestação ou após o nascimento, principalmente quando alguns sinais chamam a atenção da família ou do pediatra.

    Nem sempre os sintomas aparecem logo, mas observar mudanças no comportamento, na respiração ou na coloração da pele do bebê ajuda na identificação precoce. Os principais sinais incluem:

    • Dificuldade para mamar ou cansaço excessivo durante a mamada;
    • Respiração rápida ou esforço para respirar;
    • Coloração arroxeada nos lábios, na língua ou nas extremidades;
    • Baixo ganho de peso ou dificuldade para crescer;
    • Suor excessivo, principalmente durante a alimentação;
    • Presença de sopro cardíaco identificado pelo pediatra.

    Na presença de qualquer um dos sinais, a avaliação com um pediatra ou um cardiologista pediátrico é necessário para esclarecer a causa e garantir o acompanhamento adequado.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Toda cardiopatia congênita precisa de cirurgia?

    Não. Algumas condições, como pequenos furos no coração (comunicação interventricular ou interatrial), podem fechar sozinhos conforme a criança cresce. Outras são monitoradas apenas com medicamentos.

    2. É possível corrigir o defeito sem abrir o peito?

    Sim, através do cateterismo intervencionista. Um tubo fino é inserido por um vaso sanguíneo (geralmente na virilha) até o coração para fechar buracos ou abrir válvulas entupidas, evitando uma cirurgia de grande porte.

    3. O que é o “Teste do Coraçãozinho”?

    É um exame de triagem obrigatório realizado nas primeiras 24 a 48 horas de vida. Um sensor mede a oxigenação no braço e na perna do bebê para detectar precocemente cardiopatias graves que podem não apresentar sintomas imediatos.

    4. A doença pode voltar depois de operada?

    A malformação anatômica é corrigida, mas o paciente pode desenvolver sequelas ou precisar de novos procedimentos ao longo da vida (como a troca de uma válvula). Por isso, o acompanhamento deve ser constante.

    5. Pacientes com cardiopatia congênita podem ser vacinados normalmente?

    Sim, e é altamente recomendado. O calendário vacinal deve estar em dia, incluindo a vacina contra a gripe e o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), pois infecções pulmonares podem ser muito graves para essas pessoas.

    6. Quem tem cardiopatia congênita pode fazer tatuagem ou piercing?

    É preciso ter muita cautela, pois o risco de infecção na pele que pode migrar para o coração é real. O cardiologista deve ser consultado antes, e o local escolhido para o procedimento deve seguir normas rigorosas de esterilização.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Síndrome de Down: informação, cuidado e inclusão 

    Síndrome de Down: informação, cuidado e inclusão 

    O nascimento de uma criança com síndrome de Down costuma vir acompanhado de muitas dúvidas. O que exatamente significa esse diagnóstico? Quais serão os desafios? Como será o desenvolvimento ao longo da vida? Informações claras e baseadas em evidências são muito importantes para acolher famílias e combater preconceitos.

    A síndrome de Down é uma condição genética causada pela presença de uma cópia extra — total ou parcial — do cromossomo 21. Essa alteração, chamada trissomia 21, influencia o desenvolvimento físico e intelectual e pode estar associada a algumas condições de saúde específicas.

    No entanto, cada pessoa com síndrome de Down é única, com habilidades, características e potencial próprios.

    O que é a síndrome de Down?

    A síndrome de Down ocorre principalmente devido à trissomia do cromossomo 21, ou seja, a presença de três cromossomos 21 em vez de dois.

    Essa alteração geralmente acontece por um erro na divisão celular durante a formação do óvulo ou do espermatozoide. Na maioria dos casos:

    • Não é herdada diretamente dos pais;
    • Ocorre de forma espontânea;
    • Está associada ao aumento da idade materna, mas pode ocorrer em qualquer gestação.

    O cromossomo extra interfere no desenvolvimento do organismo desde o início da formação embrionária, afetando crescimento, sistema nervoso e diversos órgãos.

    Principais características clínicas

    As manifestações variam amplamente entre as pessoas.

    1. Características físicas

    Algumas características podem estar presentes ao nascimento:

    • Olhos amendoados com prega epicântica;
    • Ponte nasal mais achatada;
    • Baixo tônus muscular (hipotonia);
    • Estatura mais baixa;
    • Dedos curtos;
    • Prega palmar única em algumas crianças.

    Nem todas as pessoas apresentam todos esses sinais.

    2. Desenvolvimento neurológico e cognitivo

    A maioria das pessoas com síndrome de Down apresenta deficiência intelectual de grau leve a moderado.

    Pode haver:

    • Atraso no desenvolvimento motor;
    • Atraso na fala;
    • Dificuldades específicas de aprendizagem;
    • Maior tempo para aquisição de algumas habilidades.

    Com estimulação precoce, muitas crianças desenvolvem boa autonomia.

    3. Condições de saúde associadas

    Há maior risco de algumas condições médicas, como:

    • Defeitos congênitos do coração;
    • Alterações gastrointestinais;
    • Doença celíaca;
    • Hipotireoidismo;
    • Apneia obstrutiva do sono;
    • Infecções respiratórias mais frequentes;
    • Risco aumentado de leucemia na infância.

    Por isso, o acompanhamento médico regular é essencial.

    Como é feito o diagnóstico?

    Diagnóstico pré-natal

    Durante a gestação, a suspeita pode surgir por:

    • Ultrassonografia com marcadores sugestivos;
    • Testes de triagem bioquímicos maternos;
    • Teste pré-natal não invasivo (NIPT).

    A confirmação é feita por exames diagnósticos como:

    • Amniocentese;
    • Biópsia de vilosidades coriônicas;
    • Análise cromossômica fetal.

    Diagnóstico após o nascimento

    Após o parto, o diagnóstico é frequentemente suspeitado pelas características físicas e confirmado por exame de cariótipo, que demonstra a trissomia 21.

    Acompanhamento e cuidados ao longo da vida

    Não existe cura para a síndrome de Down, pois não se trata de uma doença, mas de uma condição genética.

    O acompanhamento envolve equipe multidisciplinar e pode incluir:

    • Estimulação precoce;
    • Fonoaudiologia;
    • Fisioterapia;
    • Acompanhamento cardiológico;
    • Monitoramento da tireoide;
    • Avaliação auditiva e oftalmológica regular;
    • Apoio pedagógico e inclusão escolar.

    O objetivo é promover desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.

    Expectativa de vida e prognóstico

    Com os avanços no diagnóstico precoce e no tratamento das condições associadas, a expectativa de vida das pessoas com síndrome de Down aumentou significativamente nas últimas décadas.

    Hoje, muitos indivíduos alcançam a vida adulta com boa qualidade de vida, inserção social e participação ativa na comunidade.

    Confira: Remédios na gravidez: o que pode e o que não pode tomar?

    Perguntas frequentes sobre síndrome de Down

    1. A síndrome de Down é uma doença?

    Não. É uma condição genética causada por alteração cromossômica.

    2. Todas as pessoas com síndrome de Down são iguais?

    Não. Existe grande variabilidade nas habilidades, personalidade e saúde.

    3. Pode ser diagnosticada antes do nascimento?

    Sim, por meio de exames de triagem e testes genéticos confirmatórios.

    4. É hereditária?

    Na maioria dos casos, não. Apenas formas raras, como translocações, podem ter componente familiar.

    5. Pessoas com síndrome de Down podem trabalhar?

    Sim. Muitas trabalham, estudam e vivem de forma independente, dependendo do nível de suporte necessário.

    6. Existe tratamento para melhorar o desenvolvimento?

    Sim. Estimulação precoce e acompanhamento multidisciplinar fazem grande diferença.

    7. A idade materna influencia o risco?

    Sim, o risco aumenta com a idade materna, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária.

    Veja mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar 

    Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar 

    No fim de 2025, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), agora oferecida gratuitamente pelo SUS. O imunizante é indicado principalmente para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, sem limite de idade para a mãe.

    O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos, sendo uma das principais causas de internação nessa fase.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender qual o melhor momento para tomar a vacina, se ela é segura durante a gestação e as possíveis reações adversas. Confira!

    O que é o VSR (vírus sincicial respiratório)?

    O vírus sincicial respiratório (VSR) é um dos principais causadores de infecções nas vias respiratórias, podendo afetar nariz, garganta, brônquios e pulmões.

    Ele pode infectar pessoas de qualquer idade, mas costuma ser a principal causa de bronquiolite e pneumonia em bebês e crianças pequenas.

    Na maioria dos adultos e crianças maiores saudáveis, a infecção costuma provocar sintomas parecidos com resfriado, como coriza, tosse, febre leve e mal-estar.

    Já em recém-nascidos, prematuros, idosos e pessoas com doenças pulmonares ou baixa imunidade, o quadro pode ser mais intenso, com falta de ar, chiado no peito e necessidade de acompanhamento médico.

    Por que ele é perigoso para bebês?

    O vírus sincicial respiratório tem a capacidade de fundir células infectadas, formando grandes massas celulares que prejudicam o funcionamento normal das vias respiratórias.

    Em bebês, as vias aéreas são naturalmente mais estreitas e sensíveis, de modo que quando ocorre uma inflamação associada ao excesso de muco, esses pequenos canais podem obstruir com facilidade, dificultando a passagem do ar e tornando a respiração mais trabalhosa.

    Por consequência, o bebê pode apresentar chiado no peito, respiração acelerada, dificuldade para mamar, cansaço e, em casos mais intensos, queda na oxigenação.

    Isso aumenta o risco de bronquiolite, pneumonia e necessidade de internação, principalmente nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.

    Como funciona a vacina do VSR na gravidez?

    A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer uma proteína do vírus chamada proteína F, usada por ele para entrar nas células.

    As vacinas mais recentes, como Abrysvo e a Arexvy, conseguem manter essa proteína em um formato mais vulnerável, chamado pré-fusão, o que facilita a produção de anticorpos eficazes contra a infecção.

    Quando aplicada na gestação, o organismo da mãe produz anticorpos que atravessam a placenta e chegam ao bebê. Assim, o recém-nascido já nasce com uma proteção inicial, especialmente importante nos primeiros meses de vida, fase em que o risco de bronquiolite e complicações respiratórias costuma ser maior.

    Após o nascimento, Andreia explica que a amamentação continua oferecendo anticorpos, ajudando na proteção inicial. Do ponto de vista do bebê, isso é chamado de imunização passiva, pois os anticorpos foram produzidos pelo organismo materno.

    Quanto tempo dura a proteção do bebê?

    A proteção costuma durar principalmente nos primeiros meses de vida, período em que o bebê é mais vulnerável às infecções respiratórias. Segundo Andreia, mesmo que o pequeno entre em contato com o vírus, a tendência é desenvolver um quadro mais leve, com menor risco de internação.

    Em geral, a proteção é mais significativa nos primeiros seis meses de vida, fase em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Com o passar dos meses, os anticorpos maternos diminuem naturalmente, porque foram produzidos pelo corpo da mãe e não pelo sistema imunológico do bebê.

    Quando tomar a vacina do VSR na gravidez?

    A recomendação costuma ser a vacinação a partir de cerca de 28 semanas de gestação. Segundo Andreia, entre 28 e 34 semanas costuma ser uma janela bastante favorável, pois aumenta a chance de o bebê já nascer com anticorpos circulantes.

    Quando a vacina é aplicada muito próxima ao parto, parte do benefício intrauterino pode ser menor, embora ainda exista proteção após o nascimento, especialmente por meio da amamentação.

    Ainda assim, cada gestação deve ser avaliada individualmente. Mesmo quando o prazo ideal já passou, pode haver benefício, por isso a orientação médica continua sendo fundamental.

    Intervalo com outras vacinas

    Existe a recomendação de manter um intervalo mínimo de cerca de 15 dias entre a vacina contra o VSR e a DTPa (difteria, tétano e coqueluche), que faz parte do calendário da gestante. Andreia explica que a orientação ajuda a garantir uma boa resposta do sistema imunológico e a evitar sobreposição de reações.

    Outras vacinas importantes nesse período incluem gripe, covid e hepatite B, dependendo do histórico vacinal de cada gestante. O esquema final pode variar conforme cada caso, por isso a orientação médica é sempre importante.

    Existe alternativa à vacina VSR?

    Além da vacinação durante a gestação, existe a possibilidade de usar anticorpos monoclonais diretamente no bebê após o nascimento. Eles não são uma vacina, mas uma forma de proteção temporária contra o vírus sincicial respiratório.

    Os anticorpos funcionam como uma defesa pronta, ajudando a reduzir o risco de infecção grave e internações, principalmente em bebês mais vulneráveis, como prematuros ou crianças com problemas respiratórios e cardíacos.

    No entanto, a proteção tem duração limitada, já que o organismo do bebê não produz esses anticorpos por conta própria.

    Quando não há contraindicação, a vacinação materna costuma ser a primeira escolha, pois protege o recém-nascido desde o nascimento e ainda traz benefício para a gestante. A decisão final deve sempre ser feita com orientação médica, considerando cada caso.

    Quais os efeitos colaterais mais comuns?

    Os efeitos colaterais da vacina contra o VSR costumam ser leves e semelhantes aos de outras vacinas. A reação mais frequente é dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação, que normalmente melhora em poucos dias.

    Também podem surgir sintomas gerais leves, como cansaço, dor muscular, dor de cabeça ou febre baixa. Em alguns casos, a pessoa pode sentir mal-estar passageiro ou sintomas parecidos com um resfriado leve.

    As reações mais intensas são raras, mas mesmo assim, qualquer sintoma persistente ou diferente do esperado deve ser avaliado por um profissional de saúde.

    Quais as vacinas da VSR disponíveis?

    A principal e única vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) recomendada e disponível para gestantes no Brasil é a Abrysvo, fabricada pela Pfizer.

    Ela está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) pelo SUS, mas também pode ser encontrada em clínicas particulares e grandes redes de farmácias.

    Para outros públicos, como idosos, existem vacinas específicas contra o VSR disponíveis, como a Arexvy (GSK), mas a indicação pode variar. Por isso, a avaliação individual com um profissional de saúde continua sendo fundamental.

    Perguntas frequentes

    1. A gestante corre risco ao pegar VSR?

    Normalmente, em adultos saudáveis, o VSR causa apenas um resfriado. No entanto, em gestantes, as alterações no sistema imunológico e na capacidade pulmonar podem tornar qualquer infecção respiratória mais desconfortável e, em casos raros, evoluir para pneumonia.

    2. A vacina é feita de vírus vivo?

    Não, a vacina disponível para gestantes (Abrysvo) é de proteína recombinante (não viva). Ela contém apenas uma parte da estrutura do vírus, o que significa que é impossível contrair a doença através da vacina.

    3. Preciso de pedido médico para vacinar?

    No SUS, o cartão de pré-natal atualizado que comprove a idade gestacional costuma ser suficiente. Na rede particular, algumas clínicas podem solicitar o pedido do seu obstetra.

    4. Se eu já tive VSR antes, preciso tomar a vacina?

    Sim, pois a imunidade natural após uma infecção por VSR é temporária e não garante que você terá anticorpos suficientes para proteger o bebê na próxima gestação.

    5. Tive um bebê prematuro antes de conseguir me vacinar. O que fazer?

    Se o parto ocorrer antes da janela de vacinação ou antes de completar 14 dias da aplicação, o bebê pode não ter recebido anticorpos suficientes. Nesse caso, o pediatra pode recomendar o uso do Nirsevimabe (um anticorpo pronto) diretamente na criança logo após o nascimento.

    6. Tomei a vacina na gravidez anterior. Preciso tomar de novo nesta gestação?

    Sim. Assim como a vacina da gripe e a dTpa (coqueluche), é recomendado tomar uma nova dose a cada gestação para garantir que os níveis de anticorpos estejam no auge para serem transferidos ao novo bebê.

    7. A vacina contra VSR substitui a vacina da gripe?

    Não, pois são vírus diferentes. A vacina do VSR protege especificamente contra o Vírus Sincicial Respiratório, enquanto a da gripe protege contra o vírus Influenza. Ambas são fundamentais no pré-natal.