Categoria: Mães, pais & bebês

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  • Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Em casos de emergências médicas, como condições que colocam a vida do paciente em risco, costuma ser necessária uma cirurgia imediata para evitar complicações graves, independentemente da fase da vida da pessoa. Mas o que acontece quando essas situações ocorrem durante a gravidez?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, quando se trata de uma emergência, a decisão sempre envolve avaliar os riscos e os benefícios, tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Quando não há como esperar, a equipe médica avalia o momento da gestação, o tipo de cirurgia e as condições clínicas da gestante para reduzir ao máximo os riscos. Sempre que possível, o procedimento é planejado, mas, em situações urgentes, ele pode ser feito em qualquer fase da gravidez.

    É seguro realizar uma cirurgia durante a gravidez?

    A cirurgia pode ser realizada durante a gravidez quando há indicação, especialmente em situações de urgência ou emergência. Nesses casos, não operar pode trazer mais riscos do que o próprio procedimento.

    Em casos de emergência, a prioridade é a saúde da mãe, porque o bem-estar materno está diretamente ligado à segurança do bebê. Quando a gestante está estável, as chances da gestação evoluir bem são maiores.

    Quando a cirurgia na gravidez pode ser necessária?

    A cirurgia durante a gravidez costuma ser indicada em situações que não podem esperar, como aponta Andreia:

    • Trauma com sangramento interno (abdômen agudo hemorrágico): são situações graves, com risco de vida, que exigem intervenção rápida para controlar o sangramento;
    • Apendicite aguda: é a inflamação do apêndice que pode evoluir com complicações se não for tratada rapidamente;
    • Colecistite aguda: consiste em uma inflamação da vesícula biliar causada por cálculos. A presença de cálculos isoladamente não indica cirurgia, mas a inflamação sim;
    • Obstrução intestinal: é o bloqueio no intestino que impede a passagem do conteúdo intestinal;
    • Torções (como torção de ovário ou intestinal): comprometem a circulação local e podem levar à perda do órgão se não tratadas;
    • Problemas vasculares: são alterações que afetam o fluxo sanguíneo e podem causar isquemia;
    • Hérnia encarcerada: quando parte do intestino fica presa e não retorna para a posição normal, com risco de comprometimento da circulação e morte do tecido.

    A cirurgia também pode ser necessária em casos de infecções graves ou quando há comprometimento de algum órgão. Nesses cenários, agir rapidamente evita complicações maiores.

    Como o tempo de gestação influencia a cirurgia?

    A equipe médica avalia com cuidado o estágio da gestação e adapta o procedimento para cada fase, sempre pensando na segurança da mãe e do bebê.

    1. Primeiro trimestre

    A realização de cirurgias é evitada no primeiro trimestre da gravidez, pois o bebê ainda está formando os órgãos, então há mais cautela com os medicamentos e com o estresse da cirurgia, que podem interferir no desenvolvimento.

    Ainda assim, quando há urgência, o procedimento é realizado com monitoramento rigoroso por ultrassom, segundo Andreia.

    2. Segundo trimestre

    O segundo trimestre costuma ser a fase mais segura para realizar cirurgias, quando há possibilidade de planejamento. O bebê já passou pela fase inicial de formação, e Andreia explica que o risco de aborto ou de parto prematuro é menor em comparação com os outros períodos.

    3. Terceiro trimestre

    No terceiro trimestre, o principal cuidado é com o risco de parto prematuro. O útero também está maior, o que pode dificultar alguns tipos de cirurgia, principalmente na região abdominal. Por isso, o procedimento exige ainda mais planejamento e experiência da equipe.

    Tipos de anestesia usados com gestantes

    Sempre que possível, Andreia esclarece que a preferência é pela anestesia regional, pois ela reduz a exposição do bebê aos medicamentos.

    Ainda assim, a anestesia geral pode ser necessária em casos de emergências complexas, o que exige um monitoramento rigoroso para garantir que a oxigenação e a circulação da mãe estejam perfeitas, já que isso influencia diretamente o aporte de oxigênio para o bebê.

    Como o bebê é monitorado durante o procedimento?

    O monitoramento do bebé durante uma cirurgia de emergência depende da idade gestacional, pois a forma como o feto responde ao estímulo e a sua viabilidade mudam ao longo da gravidez.

    De acordo com Andreia, antes das 24 semanas, o acompanhamento é feito via ultrassom antes e depois do procedimento. Depois disso, ​​ já é possível realizar a cardiotocografia, que avalia os batimentos cardíacos e o bem-estar fetal.

    A partir de aproximadamente 24 semanas, o bebê já tem alguma chance de sobreviver fora do útero com suporte de UTI neonatal. Em casos de sofrimento fetal, pode ser necessário antecipar o parto.

    Segundo a ginecologista, durante toda a cirurgia, é fundamental garantir uma boa oxigenação e uma boa circulação materna, pois isso influencia diretamente o fornecimento de oxigênio e nutrientes para o bebê.

    Cuidados para reduzir riscos no pós-operatório

    Para garantir que a gestação continue com segurança após a cirurgia, são necessários alguns cuidados, como:

    • Estabilidade da mãe: manter uma boa oxigenação e circulação é o mais importante, porque o bebê depende disso;
    • Controle de contrações: em alguns casos, podem ser usados medicamentos para evitar contrações e reduzir o risco de parto prematuro;
    • Maturação pulmonar do bebê: se houver risco de parto antecipado, a mãe pode receber medicação para ajudar no desenvolvimento dos pulmões do bebê;
    • Prevenção de trombose: como a cirurgia e a gravidez aumentam o risco, são adotadas medidas para evitar a formação de coágulos.

    No geral, tudo é pensado para proteger a mãe e o bebê ao mesmo tempo, com uma equipe preparada e um acompanhamento próximo em todas as etapas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. A anestesia geral pode prejudicar a formação do bebê?

    No primeiro trimestre, há maior cautela, mas as anestesias modernas são seguras. Sempre que possível, prefere-se a anestesia regional para reduzir a exposição fetal.

    2. O bebê sente dor durante a cirurgia da mãe?

    Não. Os medicamentos anestésicos que a mãe recebe também garantem que o bebê não sinta desconforto durante o procedimento.

    3. Pode-se fazer cirurgia por vídeo (laparoscopia) em gestantes?

    Sim, a laparoscopia é frequentemente preferida por ser menos invasiva, permitindo uma recuperação mais rápida e menos manipulação do útero.

    4. Uma cirurgia pode causar aborto ou parto prematuro?

    Existe um risco aumentado, especialmente se houver infecção ou inflamação grave no abdômen, mas a equipe utiliza medicamentos para inibir contrações e proteger a gestação.

    5. Grávidas podem operar hérnias?

    Apenas se a hérnia estiver “encarcerada” (presa), o que pode interromper a circulação do intestino. Caso contrário, a recomendação é aguardar o nascimento.

    6. Posso amamentar logo após uma cirurgia de emergência?

    Se o bebê nascer nesse período, a amamentação depende da estabilidade da mãe e dos medicamentos usados, mas geralmente é estimulada assim que a mãe desperta.

    7. Grávidas podem usar dreno após a cirurgia?

    Sim, grávidas podem usar dreno após uma cirurgia, caso o procedimento seja estritamente necessário. Isso não prejudica o bebê e ajuda na recuperação mais rápida da gestante.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Gravidez na adolescência: principais riscos para mãe e bebê, cuidados e como prevenir

    Gravidez na adolescência: principais riscos para mãe e bebê, cuidados e como prevenir

    O Brasil está entre os países com maiores taxas de gravidez na adolescência no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 44 bebês nascem por hora de mães adolescentes (de 10 a 19 anos), totalizando mais de 400 mil casos por ano.

    As taxas são mais elevadas nas regiões Norte e Nordeste, frequentemente associadas à vulnerabilidade social, à baixa escolaridade e à falta de acesso à educação sexual. Em muitos casos, a falta de conhecimento sobre o próprio corpo e sobre como utilizar métodos contraceptivos corretamente coloca jovens meninas em situações de risco que poderiam ser evitadas.

    A realidade não afeta apenas a saúde das mães e bebês, com maiores riscos de complicações como parto prematuro, anemia e baixo peso ao nascer, mas também compromete a educação, a vida social e as oportunidades futuras das adolescentes.

    O que aumenta o risco de gravidez na adolescência?

    Diversos fatores contribuem para a gravidez e o parto na adolescência, segundo a Organização Mundial da Saúde:

    • Casamento infantil, que reduz a autonomia da adolescente sobre o próprio corpo;
    • Baixas perspectivas de educação e emprego, fazendo com que a maternidade seja vista como alternativa;
    • Dificuldade de acesso e falta de informações sobre métodos contraceptivos;
    • Falta de autonomia ou recursos financeiros para obter métodos contraceptivos;
    • Estigma ou vergonha ao buscar métodos de prevenção;
    • Leis e políticas restritivas que dificultam o acesso de adolescentes a contraceptivos;
    • Abuso sexual infantil;
    • Violência sexual fora de relações afetivas;
    • Violência física ou sexual por parceiro íntimo;
    • Desigualdade de gênero, que aumenta a vulnerabilidade das meninas.

    Segundo a OMS, milhões de meninas em todo o mundo engravidam antes dos 18 anos, muitas vezes em contextos de vulnerabilidade social, falta de acesso à informação e ausência de apoio adequado. Os fatores não atuam de forma isolada, mas costumam acontecer juntos, o que aumenta o risco de uma gravidez não planejada.

    Impactos da gestação no desenvolvimento da adolescente

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a adolescência é uma fase de desenvolvimento, tanto físico quanto psicológico.

    A adolescente já convive com diversas transformações hormonais, instabilidade emocional e formação de personalidade, e uma gravidez pode trazer impactos importantes para a saúde, rotina e para os planos de vida.

    Além das questões físicas, a adolescente ainda está em processo de construção da identidade, dos planos e da autonomia da própria vida, e a maternidade pode antecipar responsabilidades para as quais ela, muitas vezes, ainda não se sente preparada.

    A gravidez também também pode implicar o abandono de projetos, o afastamento do grupo social e a sensação de isolamento. Sentimentos de ansiedade, culpa e depressão pós-parto são mais frequentes entre mães jovens, especialmente quando há falta de suporte familiar ou do parceiro, que, em muitos casos, também é adolescente.

    Para se ter uma ideia, dados do IBGE apontam que mães adolescentes têm menor probabilidade de concluir o ensino médio e maior chance de permanecer em situação de pobreza na vida adulta — um ciclo que, sem intervenção, tende a se repetir nas gerações seguintes.

    Riscos e complicações na gravidez na adolescência

    O corpo de uma adolescente está menos preparado para suportar uma gestação, o que aumenta a incidência de complicações, como:

    • Parto prematuro (quando o bebê nasce antes do tempo);
    • Pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez);
    • Anemia;
    • Infecções;
    • Deficiências nutricionais;
    • Maior necessidade de intervenções médicas;
    • Dificuldades no trabalho de parto.

    Já para o bebê, os riscos estão ligados, principalmente, ao fato do corpo da mãe ainda está em desenvolvimento, como:

    • Nascimento prematuro (antes das 37 semanas);
    • Baixo peso ao nascer;
    • Maior necessidade de internação neonatal;
    • Dificuldades respiratórias ao nascer;
    • Maior risco de infecções;
    • Atrasos no desenvolvimento (em alguns casos).

    A mortalidade materna é proporcionalmente mais alta nessa faixa etária do que entre mulheres adultas, e os bebês nascidos de mães adolescentes apresentam maior risco de baixo peso ao nascer e de mortalidade infantil.

    Riscos emocionais e sociais

    A gravidez na adolescência também pode trazer impactos significativos no campo emocional e social, como ansiedade, medo, insegurança e sensação de sobrecarga. A maternidade exige disponibilidade emocional, estabilidade e capacidade de cuidado que ainda estão em formação nessa fase da vida.

    Quando a jovem não conta com uma rede de apoio e um ambiente de acolhimento, os riscos para a saúde mental e para o convívio social aumentam consideravelmente, como:

    • Ansiedade e insegurança: causadas pelas incertezas sobre o futuro e as novas responsabilidades;
    • Sobrecarga emocional: sensação de esgotamento ao tentar conciliar a própria juventude com os cuidados do bebê;
    • Depressão pós-parto: maior incidência em mães adolescentes devido ao estresse e isolamento;
    • Transtornos de humor: agravados pela pressão social e mudanças hormonais;
    • Evasão escolar: muitas adolescentes se afastam dos estudos por vergonha, pressão institucional ou pela dificuldade prática de conciliar a rotina escolar com a maternidade;
    • Isolamento social: o círculo de amizades tende a diminuir, enfraquecendo o senso de pertencimento e as referências típicas da idade;
    • Restrição ao ambiente doméstico: a jovem pode acabar confinada aos cuidados da casa e do filho, o que aprofunda sua vulnerabilidade.

    O acolhimento familiar e escolar é o fator principal para reduzir os riscos, assegurando que a adolescente continue tendo perspectivas de futuro e suporte emocional no dia a dia.

    Como é feito o pré-natal na adolescência?

    O pré-natal na adolescência segue os mesmos cuidados de qualquer gestação, mas precisa de uma atenção mais próxima e acolhedora. O acompanhamento deve começar o quanto antes, idealmente no primeiro trimestre, e inclui, no mínimo, seis consultas ao longo da gestação, sendo a primeira antes da 12ª semana

    Durante as consultas, são realizados exames laboratoriais, ultrassonografias, monitoramento do ganho de peso, controle da pressão arterial e avaliação do desenvolvimento fetal. Por conta da maior suscetibilidade a complicações como anemia, pré-eclâmpsia e parto prematuro, o cuidado costuma ser ainda mais rigoroso do que em gestações de mulheres adultas.

    O pré-natal também inclui a atualização da carteira de vacinação, a orientação sobre alimentação adequada e a suplementação de vitaminas, como ácido fólico e ferro, que são importantes para a saúde da mãe e do bebê.

    Cuidados além do pré-natal

    Para além do cuidado com a saúde, Andreia explica que também é importante cuidar do lado emocional e da realidade em que a adolescente vive.

    A jovem precisa se sentir acolhida e segura para falar sobre medos, dúvidas e dificuldades, e um espaço de escuta contribui para fortalecer a confiança no acompanhamento e ajudar na tomada de decisões mais conscientes ao longo da gestação.

    Muitas vezes, é nesse momento que surgem questões delicadas, como conflitos familiares, inseguranças em relação à maternidade ou até situações de vulnerabilidade que precisam de atenção.

    O acompanhamento multidisciplinar, com psicólogo, assistente social, nutricionista e, quando necessário, educador social, também permite identificar vulnerabilidades que vão além da saúde física, como situações de violência doméstica, ausência de suporte familiar ou dificuldade de acesso à documentação e benefícios sociais.

    Muitas vezes, pequenas intervenções, como orientação sobre direitos, encaminhamento para serviços públicos ou apoio emocional, já fazem uma grande diferença no dia a dia da jovem. Quando há acolhimento, orientação e suporte, as chances de uma gestação mais tranquila e segura aumentam, tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Como prevenir a gravidez na adolescência?

    As principais formas de prevenção da gravidez na adolescência envolvem medidas sobre educação sexual, métodos contraceptivos e apoio familiar e social.

    Atualmente, a camisinha (feminina e masculina) é um dos métodos contraceptivos mais acessíveis e pode ser retirada gratuitamente em qualquer unidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de prevenir uma gestação, ela é o único método que protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, HPV, gonorreia e herpes genital.

    Além da camisinha, existem outros métodos contraceptivos que podem ser utilizados para aumentar a proteção, como:

    Métodos contraceptivos de longa duração (LARC)

    Os métodos de longa duração são os mais recomendados para adolescentes pela Organização Mundial da Saúde (OMS). São eles:

    • DIU (cobre ou hormonal): oferece proteção por 5 a 10 anos e pode ser revertido a qualquer momento;
    • Implante subdérmico: consiste em um pequeno bastão inserido sob a pele do braço que libera hormônios gradualmente por 3 anos.

    Andreia aponta que métodos que não dependem do uso diário costumam ser mais seguros na prática, porque não precisam ser lembrados todos os dias.

    Métodos de curta duração

    Os métodos de curta duração são aqueles que dependem do uso frequente ou da lembrança da jovem, como tomar um comprimido todos os dias ou trocar o método em intervalos curtos.

    Por isso, podem ter uma eficácia menor na prática, especialmente quando há esquecimentos ou uso incorreto. Entre os mais comuns, é possível destacar:

    • Pílula anticoncepcional: comprimido tomado todos os dias, no mesmo horário, para evitar falhas;
    • Adesivo contraceptivo: colado na pele e trocado uma vez por semana, liberando hormônios de forma contínua;
    • Anel vaginal: colocado dentro da vagina e trocado mensalmente, permanecendo por três semanas seguidas;
    • Injeção hormonal: aplicada mensalmente ou a cada três meses, dependendo do tipo, com ação prolongada sem necessidade de uso diário

    Apesar de funcionarem bem quando usados corretamente, os métodos precisam de atenção e regularidade. Por isso, é importante escolher aquele que melhor se encaixa na rotina, sempre com orientação de um profissional de saúde.

    Educação sexual como medida de prevenção

    A educação sexual é uma das principais medidas para prevenir casos de gravidez na adolescência, além de ajudar crianças e adolescentes a conhecerem o próprio corpo, entenderem limites e desenvolverem a noção de consentimento.

    Mais do que apenas oferecer informação, Andreia explica que é fundamental criar espaços de diálogo, nos quais adolescentes se sintam à vontade para tirar dúvidas e conversar abertamente sobre o tema, sem medo ou julgamento.

    Nas escolas, o mais comum é a educação reprodutiva, que aborda como ocorre a gravidez, o uso de métodos contraceptivos e a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Ela também orienta quanto às seguintes questões:

    • Uso de preservativo (masculino ou feminino), que previne tanto a gravidez quanto às infecções sexualmente transmissíveis;
    • Uso combinado de preservativo com outro método contraceptivo, aumentando a proteção;
    • Vacinação contra o HPV;
    • Acompanhamento ginecológico após o início da vida sexual.

    Apesar de muito importantes para a saúde pública, o diálogo sobre educação sexual é igualmente necessário para falar sobre relações saudáveis, respeito, limites e autocuidado.

    Com acesso a informações claras e acolhimento, os adolescentes conseguem fazer escolhas mais conscientes e seguras, desenvolvendo mais autonomia sobre o próprio corpo e a própria vida.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O que é considerado gravidez na adolescência?

    É a gestação em meninas de 10 a 19 anos, classificada pela OMS como um problema de saúde pública devido aos riscos ampliados para a saúde materna e infantil.

    2. Quais os primeiros sinais de gravidez na adolescência?

    Os sinais são os mesmos de uma gestação adulta: atraso menstrual, mamas sensíveis, náuseas matinais, cansaço excessivo e variações de humor. Em adolescentes, o atraso pode ser confundido com a irregularidade hormonal comum da idade.

    3. É possível engravidar na primeira relação sexual?

    Sim, se a adolescente estiver em seu período fértil e houver penetração sem proteção, a gravidez pode ocorrer independentemente de ser a primeira vez.

    4. O que é período fértil?

    É a fase do ciclo menstrual, cerca de 14 dias após a menstruação, em que a ovulação acontece e a concepção é mais provável.

    5. O teste de farmácia é confiável para adolescentes?

    Sim, os testes de farmácia modernos têm alta precisão (cerca de 99%) se feitos após pelo menos um dia de atraso menstrual.

    6. Menor de idade pode ir ao ginecologista sozinha?

    Sim. De acordo com o Código de Ética Médica no Brasil, adolescentes têm direito ao sigilo e à privacidade, podendo ser atendidas sozinhas se demonstrarem maturidade para entender sua situação de saúde.

    7. Tomar pílula do dia seguinte evita gravidez sempre?

    Não. A pílula do dia seguinte é um método de emergência e sua eficácia diminui com o passar das horas. Ela não deve substituir os métodos contraceptivos regulares.

    8. É normal a menstruação atrasar na adolescência sem ser gravidez?

    Sim. Nos primeiros anos após a menarca (primeira menstruação), o ciclo pode ser irregular devido à imaturidade do eixo hormonal. No entanto, se houve relação sexual, o teste é indispensável.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Janela fértil: o que é e como calcular para quem quer engravidar? 

    Janela fértil: o que é e como calcular para quem quer engravidar? 

    Ao longo do ciclo menstrual, ocorre uma série de mudanças hormonais que preparam o corpo para uma possível gravidez. os hormônios atuam de forma coordenada para estimular o amadurecimento do óvulo e preparar o útero para a implantação.

    Durante esse processo, existe um período específico em que a fertilidade aumenta significativamente: a janela fértil.

    A ovulação marca o ponto central do intervalo, momento em que o ovário libera o óvulo, que permanece viável por cerca de 24 horas. Como os espermatozoides podem sobreviver no organismo por até cinco dias, o período em que a gravidez pode ocorrer é ampliado.

    Se você está planejando ter um bebê, ou mesmo deseja conhecer melhor o próprio corpo e evitar uma gravidez não planejada, entender como a janela fértil funciona pode te ajudar a tomar decisões mais conscientes ao longo do ciclo.

    O que é janela fértil?

    A janela fértil é o período do ciclo menstrual em que as chances de engravidar são maiores. Ela acontece ao redor da ovulação, que é o momento em que o ovário libera um óvulo pronto para ser fecundado.

    Mesmo que o óvulo sobreviva por apenas cerca de 24 horas, os espermatozoides podem permanecer vivos no organismo por até cinco dias, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Por isso, a janela fértil não se limita a um único dia, mas a um intervalo que inclui alguns dias antes da ovulação e, em alguns casos, o dia seguinte.

    Na prática, isso significa que relações sexuais que acontecem alguns dias antes da ovulação ainda podem resultar em gravidez, já que os espermatozoides podem permanecer no trato reprodutivo aguardando a liberação do óvulo.

    Como calcular a janela fértil?

    O cálculo da janela fértil gira em torno do dia da ovulação. Como o óvulo sobrevive por cerca de 24 horas e os espermatozoides podem permanecer vivos por até 5 dias, o período fértil não se limita a um único dia, mas inclui alguns dias antes e o próprio dia da ovulação.

    Para calcular, o primeiro passo é entender a duração do ciclo menstrual, que corresponde ao intervalo entre o primeiro dia de uma menstruação e o dia anterior da próxima. A partir dessa duração, é possível estimar o momento da ovulação, que normalmente acontece cerca de 14 dias antes da próxima menstruação. Por exemplo:

    • Ciclo de 28 dias, a ovulação tende a ocorrer por volta do 14º dia;
    • Ciclo de 30 dias, por volta do 16º;
    • Ciclo de 31 dias, por volta do 17º dia.

    A partir disso, a janela fértil é calculada voltando cerca de 5 dias a partir da data da ovulação e incluindo o próprio dia em que ela ocorre. Assim, em um ciclo de 31 dias, por exemplo, a janela fértil costuma ficar entre o 12º e o 17º dia do ciclo. Andreia lembra que a contagem sempre começa no primeiro dia da menstruação, que é considerado o dia 1.

    A ginecologista aponta que, como o ciclo pode variar de um mês para o outro, a orientação mais comum é manter relações sexuais a cada 2 ou 3 dias, o que aumenta as chances de que haja espermatozoides viáveis durante a ovulação, sem gerar ansiedade com cálculos exatos.

    Sinais do corpo durante a janela fértil

    Durante a janela fértil, o corpo costuma apresentar alguns sinais naturais que indicam que a ovulação está próxima ou acontecendo, como:

    • Aumento do muco cervical, que fica mais transparente, elástico e escorregadio, semelhante à clara de ovo;
    • Aumento da libido;
    • Leve dor ou desconforto na parte inferior do abdômen (dor do meio);
    • Aumento discreto da temperatura corporal basal após a ovulação;
    • Resultado positivo nos testes hormonais de LH;
    • Possível sensibilidade nas mamas.

    Quantos dias dura a janela fértil?

    A janela fértil costuma durar entre 5 e 6 dias ao longo do ciclo menstrual, pois os espermatozoides podem sobreviver por até 5 dias dentro do organismo e o óvulo vive cerca de 24 horas após a ovulação

    Por isso, a janela fértil inclui:

    • Os 3 a 5 dias antes da ovulação;
    • O dia da ovulação;
    • E, em alguns casos, até 1 dia depois

    Na prática, mesmo que a ovulação aconteça em um único dia, o período fértil é mais longo por causa da sobrevivência dos espermatozoides.

    Como aumentar as chances de engravidar na janela fértil?

    Para aumentar as chances de engravidar durante a janela fértil, é importante alinhar o momento das relações com o período em que o corpo está mais propício à fecundação, além de adotar alguns cuidados simples no dia a dia, como:

    • Ter relações de 2 a 3 dias antes da ovulação, e não apenas no dia exato;
    • Manter uma frequência regular, preferencialmente em dias alternados (dia sim, dia não);
    • Observar o muco cervical, que fica transparente, elástico e semelhante à clara de ovo;
    • Utilizar testes de ovulação para identificar o aumento do hormônio LH;
    • Evitar lubrificantes comuns que podem prejudicar a mobilidade dos espermatozoides;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes como ácido fólico e zinco;
    • Reduzir o estresse, já que ele pode interferir no equilíbrio hormonal.

    No geral, para quem está tentando engravidar, Andreia recomenda manter relações regulares por alguns meses antes de iniciar uma investigação. A chance de gravidez por ciclo, mesmo em condições ideais, gira em torno de 25%, então é normal que leve algum tempo para acontecer.

    Quem toma anticoncepcional tem uma janela fértil?

    Pessoas que tomam anticoncepcional hormonal corretamente não tem janela fértil, pois os métodos como a pílula, o adesivo, o anel vaginal e a injeção inibem a ovulação. Sem a liberação do óvulo, não existe o período fértil como ocorre em um ciclo natural.

    Além disso, os métodos também deixam o muco cervical mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides, e alteram o revestimento do útero, reduzindo as chances de implantação.

    No entanto, vale apontar que se o anticoncepcional não for usado corretamente, seja por esquecer comprimidos, tomar fora do horário ou interromper o uso, pode acontecer a ovulação. Nesses casos, existe risco de gravidez, mas não se trata de uma “janela fértil” previsível como em ciclos naturais.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Como calcular a janela fértil em um ciclo de 28 dias?

    Em um ciclo regular de 28 dias, a ovulação geralmente ocorre no 14º dia. A janela fértil compreende os 3 dias antes e os 3 dias depois dessa data.

    2. É possível engravidar fora da janela fértil?

    Biologicamente, não. A gravidez só ocorre se houver um óvulo disponível. No entanto, como a ovulação pode atrasar ou adiantar, é difícil ter 100% de certeza de quando a janela termina.

    3. O teste de ovulação de farmácia é confiável?

    Sim, ele é bastante preciso ao detectar o aumento do hormônio LH, que acontece cerca de 24 a 36 horas antes da ovulação.

    4. Quantas vezes devo ter relação na janela fértil para engravidar?

    O recomendado é manter relações em dias alternados (dia sim, dia não). Isso garante um bom estoque de espermatozoides sem diminuir a qualidade do sêmen.

    5. O que acontece com o corpo se o óvulo não for fecundado?

    O óvulo se desintegra, os níveis de hormônios caem e o revestimento do útero é descartado, resultando na menstruação.

    6. A amamentação impede a janela fértil?

    Nem sempre. Embora a amamentação exclusiva possa inibir a ovulação em algumas mulheres, ela não é um método contraceptivo garantido. A janela fértil pode retornar a qualquer momento.

    7. O que é a temperatura basal e como ela indica a janela fértil?

    A temperatura basal é a temperatura do corpo logo ao acordar. Após a ovulação, ela sobe cerca de 0,3°C a 0,5°C devido à progesterona. Ela não avisa quando a janela começa, mas confirma que a ovulação já ocorreu.

    8. É possível ovular duas vezes no mesmo mês?

    Sim, mas isso acontece em um intervalo de 24 horas (o que pode gerar gêmeos bivitelares). O corpo não inicia um novo processo de ovulação dias depois, pois os hormônios da segunda fase do ciclo impedem uma nova liberação de óvulos.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • O que é citomegalovirose e quando ela preocupa

    O que é citomegalovirose e quando ela preocupa

    A citomegalovirose é uma infecção causada pelo citomegalovírus (CMV), um vírus bastante comum que pertence à família dos herpesvírus, a mesma do herpes simples e do vírus da varicela.

    Apesar de o nome parecer desconhecido para muitas pessoas, a infecção é bastante frequente. Estimativas indicam que grande parte da população entra em contato com o vírus ao longo da vida.

    Na maioria dos casos, a infecção passa despercebida e não causa sintomas importantes. Ainda assim, existem situações específicas em que a citomegalovirose merece mais atenção. Entenda mais abaixo.

    O que é o citomegalovírus?

    O citomegalovírus é um vírus que pode infectar diferentes células do organismo.

    Depois da primeira infecção, o vírus permanece no corpo em estado latente, ou seja, inativo. Isso é semelhante ao que acontece com outros vírus da família herpes.

    Na maioria das pessoas saudáveis, o sistema imunológico mantém o vírus sob controle.

    Como ocorre a transmissão?

    O citomegalovírus pode ser transmitido por contato com fluidos corporais, como:

    • Saliva;
    • Urina;
    • Sangue;
    • Secreções genitais;
    • Leite materno.

    A transmissão pode ocorrer, por exemplo, em situações de:

    • Contato próximo entre pessoas;
    • Relações sexuais;
    • Transfusão de sangue;
    • Transplante de órgãos;
    • Transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez.

    Quais são os sintomas da citomegalovirose?

    Na maioria das pessoas saudáveis, a infecção não causa sintomas. Quando aparecem, os sinais podem ser semelhantes aos de uma gripe ou mononucleose.

    Sintomas mais comuns

    Entre os sintomas possíveis estão:

    • Febre;
    • Cansaço;
    • Dor de garganta;
    • Aumento de gânglios (ínguas);
    • Dores musculares.

    Esses sintomas costumam desaparecer espontaneamente.

    Infecção silenciosa

    Muitas pessoas descobrem que já tiveram contato com o vírus apenas por meio de exames laboratoriais.

    Isso acontece porque a infecção frequentemente ocorre sem sintomas perceptíveis, ou se parece com um resfriado comum.

    Quem deve se preocupar mais com a citomegalovirose?

    Embora geralmente seja uma infecção leve, algumas pessoas precisam de atenção especial.

    Gestantes

    A infecção por citomegalovírus durante a gravidez pode ser transmitida para o bebê.

    Em alguns casos, isso pode causar citomegalovirose congênita, que pode levar a complicações como:

    • Perda auditiva;
    • Problemas neurológicos;
    • Atraso no desenvolvimento.

    Por isso, gestantes devem receber orientação médica sobre prevenção.

    Pessoas com imunidade comprometida

    Pessoas com sistema imunológico enfraquecido podem desenvolver formas mais graves da doença.

    Isso envolve:

    • Pacientes transplantados;
    • Pessoas em tratamento oncológico;
    • Pessoas vivendo com HIV avançado.

    Nesses casos, o vírus pode afetar órgãos como pulmões, olhos e trato gastrointestinal.

    Recém-nascidos

    Bebês infectados durante a gestação podem apresentar sintomas ao nascer ou desenvolver complicações posteriormente.

    Por isso, o acompanhamento pediátrico é importante quando há suspeita de infecção.

    Como prevenir a infecção?

    Não existe vacina disponível para o citomegalovírus.

    Algumas medidas simples podem reduzir o risco de transmissão:

    • Lavar as mãos com frequência;
    • Evitar compartilhar utensílios;
    • Ter cuidado com contato com secreções de crianças pequenas;
    • Adotar práticas sexuais seguras.

    Essas medidas são especialmente importantes para gestantes.

    Existe tratamento?

    Na maioria das pessoas saudáveis, a citomegalovirose não requer tratamento específico. O organismo costuma controlar o vírus naturalmente.

    Em casos mais graves, principalmente em pacientes imunossuprimidos, podem ser utilizados medicamentos antivirais específicos.

    Veja mais: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes sobre citomegalovirose

    1. Citomegalovirose é comum?

    Sim. Muitas pessoas entram em contato com o vírus ao longo da vida.

    2. A infecção sempre causa sintomas?

    Não. Muitas vezes é assintomática.

    3. Citomegalovírus é perigoso?

    Para pessoas saudáveis geralmente não, mas pode ser preocupante na gravidez e em pessoas imunossuprimidas.

    4. Existe vacina contra citomegalovírus?

    Atualmente não há vacina disponível.

    5. Como saber se já tive citomegalovírus?

    Exames de sangue podem detectar anticorpos contra o vírus.

    6. A infecção pode voltar?

    O vírus pode permanecer latente no organismo e reativar em algumas situações.

    7. Gestantes devem fazer exames para citomegalovírus?

    A avaliação depende da orientação médica e do contexto clínico.

    Confira: 9 mitos e verdades sobre analgesia de parto normal (e quando ela é indicada)

  • Mastite: o que é, sintomas, o que causa e como tratar

    Mastite: o que é, sintomas, o que causa e como tratar

    Dor na mama, vermelhidão na pele, sensação de calor local e febre estão entre alguns dos principais sintomas da mastite, uma inflamação da mama que pode surgir especialmente durante o período de amamentação.

    Ela é relativamente comum no puerpério, especialmente nas primeiras semanas após o parto, quando o processo de adaptação da lactação ainda está acontecendo.

    A mastite lactacional é uma condição que pode afetar a amamentação, devido à dor, ao desconforto e ao processo inflamatório na mama. Em alguns casos, o incômodo é tão grande que a mãe acaba interrompendo o aleitamento antes do tempo recomendado.

    Afinal, o que é mastite lactacional?

    A mastite é uma inflamação do tecido da mama que pode surgir durante o período de amamentação. A condição costuma aparecer quando há acúmulo de leite na mama ou quando bactérias conseguem entrar no tecido mamário.

    Normalmente, a entrada ocorre por meio de fissuras ou pequenas feridas no mamilo, que são relativamente comuns nos primeiros quinze dias de aleitamento, fase em que a mama ainda está se adaptando à sucção do bebê.

    Durante a amamentação, a região do mamilo fica mais sensível e exposta ao atrito constante. Por esse motivo, pequenas lesões podem surgir com facilidade, criando uma porta de entrada para micro-organismos. Quando bactérias conseguem penetrar na mama, podem desencadear um processo inflamatório que causam os sintomas.

    Importante: apesar de mais comum em mulheres que estão amamentando (mastite lactacional), ela também pode ocorrer em mulheres fora do período pós-parto e, raramente, em homens.

    Causas mais comuns da mastite lactacional

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a mastite pode surgir porque a região da mama ainda não está acostumada com o estímulo mecânico provocado pela sucção do bebê. Além disso, a saliva do recém-nascido possui um pH mais ácido, e o mamilo permanece constantemente exposto ao atrito e ao trauma causados pela amamentação.

    Como consequência, atrito e a acidez da saliva podem gerar pequenas rachaduras ou feridas nos mamilos, que funcionam como porta de entrada para bactérias, que podem ter origem na:

    • Pele da mulher, principalmente bactérias dos grupos Staphylococcus e Streptococcus;
    • Boca do bebê, incluindo cepas anaeróbias presentes na saliva do recém-nascido.

    Ao mesmo tempo, um quadro de ingurgitamento mamário (acúmulo excessivo de leite) pode causar uma inflamação interna. Quando a mama fica muito cheia e dura, os alvéolos (onde o leite é produzido) podem sofrer pequenas rupturas.

    As lesões liberam substâncias inflamatórias no corpo para tentar reparar o tecido, o que causa dor e inchaço. Se uma bactéria penetra em uma mama que já está inflamada pelo leite parado, Andreia aponta que a infecção se desenvolve muito mais rápido devido ao maior fluxo sanguíneo na região.

    Quais os tipos de mastite lactacional?

    De maneira geral, existem dois tipos principais de mastite, segundo Andreia.

    O primeiro é a mastite intersticial, em que as bactérias presentes na pele da mãe entram na mama por meio de fissuras no mamilo e causam infecção nos tecidos ao redor da glândula mamária. A manifestação costuma surgir mais cedo e aparece como uma área avermelhada, dolorida e relativamente bem localizada na mama.

    O segundo tipo é a mastite parenquimatosa, em que as bactérias presentes na boca do bebê podem entrar pelos ductos do leite e se instalar no interior da glândula mamária. Como a infecção ocorre em uma região mais profunda, nem sempre existem sinais visíveis na parte externa da mama.

    Muitas mulheres relatam dor profunda ou dor ao movimentar o braço, devido ao envolvimento da região do músculo peitoral. Também podem surgir sintomas gerais no corpo, como febre, mal-estar e sensação semelhante a um quadro gripal.

    Sintomas de mastite

    Os sintomas da mastite podem ser divididos entre sinais locais (na mama) e sistêmicos (no corpo todo). A intensidade e o tipo de sintoma variam conforme a região da mama afetada e o estágio da inflamação.

    Sinais inflamatórios na mama

    • Dor intensa na mama;
    • Sensação de calor na região;
    • Vermelhidão na pele;
    • Inchaço ou aumento do volume da mama;
    • Sensibilidade ou endurecimento da mama.

    Sintomas da mastite intersticial (inflamação ao redor das glândulas)

    • Área avermelhada bem delimitada na mama;
    • Dor localizada na região afetada;
    • Sensibilidade ao toque.

    Sintomas da mastite parenquimatosa (inflamação dentro da glândula mamária)

    • Dor profunda na mama;
    • Dor que pode irradiar para o braço ou para o peito;
    • Febre alta;
    • Calafrios;
    • Mal-estar generalizado;
    • Sensação semelhante a um quadro de gripe.

    Quando ir ao médico?

    É importante procurar atendimento médico na seguintes situações:

    • Os sintomas de leite empedrado não melhorarem após cerca de 24 horas de esvaziamento frequente da mama;
    • Surgir febre, calafrios ou sensação de grande cansaço e prostração;
    • A pele da mama ficar muito vermelha, brilhante ou quente;
    • Aparecer um ponto com pus ou área muito dolorida, o que pode indicar formação de abscesso;
    • A dor for intensa a ponto de dificultar ou impedir a amamentação.

    A avaliação profissional precoce ajuda a controlar a inflamação, reduzir a dor e evitar complicações durante a amamentação.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é especialmente clínico e costuma ser realizado pelo ginecologista, mastologista ou obstetra por meio de um exame físico, no qual o profissional observa sinais como aumento da temperatura local, presença de áreas endurecidas, dor e regiões de vermelhidão.

    Ele também analisa o histórico da amamentação, investigando a presença de fissuras no mamilo, dificuldades na pega do bebê ou episódios recentes de empedramento da mama.

    Com base na avaliação clínica, o médico também identifica o tipo de mastite, verificando se o processo inflamatório é mais superficial ou mais profundo. A diferenciação é importante para definir a melhor abordagem de tratamento e escolher o antibiótico mais adequado.

    Tratamento de mastite

    O tratamento pode variar de acordo com o tipo de mastite, segundo Andreia. Na maioria das situações, o objetivo é reduzir a inflamação, aliviar a dor e evitar que o quadro evolua para uma infecção mais grave.

    Uma das medidas mais importantes é manter o esvaziamento frequente da mama, seja por meio da amamentação ou da retirada manual do leite. O esvaziamento contribui para diminuir o acúmulo de leite, reduz a pressão dentro da mama e contribui para a melhora da inflamada.

    Além disso, o médico pode recomendar algumas medidas de cuidado, como:

    • Uso de analgésicos ou anti-inflamatórios para aliviar dor e desconforto;
    • Compressas mornas antes da amamentação para facilitar a saída do leite;
    • Compressas frias após a mamada para reduzir o inchaço;
    • Correção da pega do bebê durante a amamentação, quando necessário.

    Quando há infecção bacteriana, o tratamento inclui antibióticos prescritos pelo médico. Na mastite intersticial, Andreia explica que costumam ser indicados medicamentos que atuam contra bactérias da pele, como cefalosporinas.

    Já na mastite parenquimatosa, pode ser necessário usar antibióticos que combatem bactérias da boca do bebê, como a clindamicina.

    Em situações mais raras, a mastite pode evoluir para um abscesso mamário, que é uma coleção de pus dentro da mama, formada quando a infecção evolui de forma mais agressiva ou quando há atraso no diagnóstico e tratamento.

    Quando isso acontece, Andreia aponta que pode ser necessário realizar drenagem do local. Em algumas situações, é feita apenas uma punção para retirar o líquido acumulado. Em outras, pode ser colocado um pequeno dreno, chamado pigtail, que permanece na região para permitir a drenagem contínua.

    Quem tem mastite pode continuar amamentando?

    Na maioria dos casos, a amamentação pode e deve continuar mesmo durante o tratamento da mastite, pois manter a mama sendo esvaziada com frequência ajuda a reduzir o acúmulo de leite, aliviar a inflamação e acelerar a recuperação.

    A suspensão temporária da amamentação costuma ser indicada apenas em algumas situações específicas, como durante o uso de algum antibiótico que não seja compatível com a amamentação ou em casos de complicações, como um abscesso na mama. Mesmo assim, apenas um profissional de saúde pode avaliar cada caso e orientar a melhor decisão.

    Quando a amamentação direta estiver muito dolorosa ou não for possível naquele momento, pode ser recomendado retirar o leite manualmente ou com a ajuda de uma bomba. A medida ajuda a manter a mama esvaziada, evita o acúmulo de leite e mantém a produção até que a amamentação possa acontecer normalmente novamente.

    Como prevenir a inflamação nas mamas?

    Durante o aleitamento, alguns cuidados simples podem ajudar a proteger a mama e reduzir o risco de inflamação, como:

    • Cuidado com fissuras no mamilo, tratando pequenas feridas logo no início para evitar a entrada de bactérias;
    • Uso de lanolina para hidratar a região, ajudando a proteger a pele do mamilo e favorecer a cicatrização;
    • Uso de terapias como laser ou LED, que podem ajudar a reduzir inflamação e acelerar a cicatrização das fissuras;
    • Orientação adequada sobre a técnica de amamentação, garantindo que o bebê faça uma pega correta na mama;
    • Prevenção do ingurgitamento mamário, mantendo o esvaziamento frequente das mamas por meio da amamentação ou da retirada do leite quando necessário.

    Com orientação adequada e alguns cuidados no dia a dia, é possível reduzir bastante o risco de mastite durante a amamentação.

    Leia mais: APLV: o que é, sintomas e quando desconfiar da condição em um bebê

    Perguntas frequentes

    1. O bebê pode rejeitar o leite da mama com mastite?

    Pode acontecer. Às vezes, o leite da mama inflamada fica com um sabor levemente mais salgado devido ao aumento de sódio e cloreto. Se o bebê rejeitar, tente fazer a ordenha manual ou com bomba para garantir o esvaziamento.

    2. Como diferenciar o leite empedrado da mastite?

    O leite empedrado (ingurgitamento) é o acúmulo de leite que deixa a mama dura e dolorida. A mastite é quando esse quadro evolui para uma inflamação ou infecção, apresentando vermelhidão intensa, calor local e, muitas vezes, febre e mal-estar gripal.

    3. Existe algum remédio caseiro para curar a mastite?

    Não existe cura caseira para mastite infecciosa, a condição precisa de antibióticos. Porém, medidas caseiras como repouso, beber muita água e esvaziar a mama frequentemente são essenciais para o sucesso do tratamento médico.

    4. Posso usar compressa quente na mama inflamada?

    A compressa morna pode ser usada antes da mamada para ajudar o leite a fluir. No entanto, o uso excessivo pode aumentar o inchaço (edema). Após a mamada, alguns médicos recomendam compressas frias para reduzir a inflamação e a dor.

    5. O que é a apojadura e por que ela causa dor?

    A apojadura é a descida do leite, que ocorre cerca de 72 horas após o parto. A mama enche rapidamente porque os hormônios da placenta diminuem, liberando a produção plena de leite. Se a mama não for esvaziada, pode haver dor e ingurgitamento.

    6. Se eu tiver mastite em uma mama, posso amamentar na outra?

    Com certeza. Se a dor na mama afetada estiver insuportável, você pode amamentar normalmente na mama saudável e usar a ordenha (manual ou bomba) na mama com mastite até que a dor diminuia.

    7. Quem já teve mastite uma vez pode ter de novo?

    Sim, mulheres que tiveram mastite em uma gestação têm maior predisposição em lactações futuras. Isso pode ocorrer por características anatômicas dos ductos ou por áreas que cicatrizaram e ficaram mais sensíveis.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Durante a gestação, algumas substâncias, produtos e medicamentos que costumavam fazer parte do dia a dia da mulher podem representar riscos para o desenvolvimento do bebê.

    Por causa das mudanças no organismo e da formação dos órgãos do feto, determinados componentes podem atravessar a placenta e interferir no processo.

    Neste guia, você vai entender o que grávidas não podem usar durante a gestação, quais produtos devem ser evitados e quais cuidados ajudam a proteger a saúde da mãe e do bebê ao longo de toda a gravidez. Dá uma olhada!

    Por que alguns produtos comuns podem ser perigosos na gravidez?

    O principal problema associado ao uso de alguns produtos durante a gestação está relacionado à permeabilidade da placenta. A placenta funciona como uma barreira de proteção entre a mãe e o bebê, só que ela não é totalmente capaz de impedir a passagem de todas as substâncias.

    Muitos medicamentos, compostos químicos e até algumas substâncias presentes em cosméticos podem atravessar a placenta e chegar à circulação do feto. Quando isso acontece, esses componentes podem interferir no desenvolvimento do bebê, especialmente durante as fases em que os órgãos e sistemas ainda estão em formação.

    Dependendo da substância e do momento da gestação, a exposição pode aumentar o risco de malformações ou até causar alterações no funcionamento dos órgãos, afetar o crescimento do bebê ou provocar complicações para a gravidez.

    O que deve ser evitado na gravidez?

    1. Medicamentos

    Nenhum medicamento deve ser usado por conta própria na gravidez, pois mesmo remédios comuns podem trazer riscos para o bebê, já que muitas substâncias conseguem atravessar a placenta.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é necessário evitar:

    • Anti-inflamatórios não hormonais: ibuprofeno, naproxeno e cetoprofeno, pois podem causar o fechamento precoce do canal arterial e hipertensão pulmonar no feto;
    • Remédios classificados como categoria D ou X: substâncias com evidências de risco ou contraindicação absoluta, como a talidomida (causadora de focomelia) e o propiltiouracil (que afeta a tireoide do bebê);
    • Antibióticos de classes contraindicadas: medicamentos que atravessam a placenta e podem interferir no desenvolvimento do bebê (devem ser substituídos por opções seguras prescritas pelo médico);
    • Remédios para pressão arterial sem indicação: especialmente os inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), que podem causar alterações na formação dos rins do feto.

    Como identificar medicamentos seguros?

    Andreia explica que uma forma importante de orientação é consultar a bula do medicamento. Toda bula possui uma seção chamada categoria de risco na gravidez, que indica o nível de risco que determinada substância pode representar para o feto.

    A classificação possui cinco categorias: A, B, C, D e X. Cada uma indica o nível de segurança ou de risco para o bebê.

    • Categoria A: inclui medicamentos considerados seguros e que, muitas vezes, são até recomendados durante a gravidez. Um exemplo são os suplementos vitamínicos, como o ácido fólico, fundamental para o fechamento do tubo neural do bebê;
    • Categoria B: também é considerada segura para uso na gestação, com estudos que não demonstram risco significativo para o bebê;
    • Categoria C: indica que não existem dados suficientes para afirmar se o medicamento é seguro ou não. Nesses casos, o uso deve ser feito com cautela e apenas quando realmente necessário;
    • Categoria D: existem evidências de risco para o feto, então o medicamento só deve ser utilizado em situações muito específicas e sempre com supervisão médica;
    • Categoria X: representa contraindicação absoluta durante a gravidez, pois já existem evidências científicas de que a substância pode causar danos graves ao feto.

    Um exemplo de medicamento da categoria D é o propiltiouracil, usado para tratar hipertireoidismo. Quando a gestante apresenta essa condição, Andreia esclarece que é necessário controlar a doença, porque o descontrole também pode trazer riscos para a gravidez.

    No entanto, o medicamento pode atravessar a placenta e afetar a tireoide do bebê, que normalmente não apresenta o problema. Por isso, quando necessário, ele pode ser utilizado em doses menores e com acompanhamento rigoroso, incluindo ultrassonografias para avaliar a tireoide fetal.

    2. Produtos de beleza

    Certos cosméticos e procedimentos estéticos também precisam de cuidado durante a gravidez, principalmente quando têm substâncias que podem ser absorvidas pela pele. Por isso, Andreia recomenda evitar:

    Cremes com retinol ou substâncias de alta absorção

    Os produtos dermatológicos com retinol ou derivados da vitamina A devem ser evitados. As substâncias podem ser absorvidas pela pele e, em alguns casos, estão associadas a riscos para o desenvolvimento do bebê.

    Tinturas de cabelo com metais pesados

    Algumas tinturas capilares podem conter metais pesados, como chumbo ou mercúrio. Por precaução, muitas vezes recomenda-se evitar esse tipo de produto ou optar por tonalizantes, que costumam ter fórmulas mais suaves.

    Procedimentos estéticos

    Procedimentos estéticos mais invasivos, como aplicações injetáveis ou tratamentos dermatológicos intensos, geralmente não são recomendados durante a gravidez. Além da falta de evidências de segurança, o corpo da gestante passa por mudanças hormonais que podem alterar a resposta da pele.

    Maquiagens de procedência duvidosa

    O uso de maquiagens costuma ser considerado seguro na gravidez, mas você deve evitar produtos de origem desconhecida ou sem registro sanitário.

    Algumas fórmulas podem conter excesso de conservantes, fragrâncias ou metais pesados, substâncias que podem causar irritações na pele ou aumentar o risco de exposição a compostos potencialmente prejudiciais. Sempre que possível, o ideal é optar por marcas confiáveis e produtos dermatologicamente testados.

    3. Cigarro e exposição à fumaça

    O tabagismo pode prejudicar a circulação de oxigênio e nutrientes entre a mãe e o bebê, o que pode afetar o desenvolvimento fetal.

    Entre os possíveis efeitos estão o aumento do risco de aborto espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer e problemas respiratórios no recém-nascido. Além disso, bebês expostos ao cigarro durante a gravidez podem ter maior chance de apresentar dificuldades respiratórias e infecções nos primeiros meses de vida.

    Importante: mesmo quando a gestante não fuma, conviver com pessoas que fumam ou permanecer em ambientes com fumaça pode trazer riscos. O ideal é evitar locais onde haja cigarro e manter o ambiente sempre livre de fumaça.

    4. Cafeína em excesso

    Quando ingerida em grandes quantidades, a cafeína pode atravessar a placenta e chegar ao bebê, que ainda não tem o organismo totalmente preparado para metabolizar a substância. O recomendado é limitar o consumo de bebidas que contêm cafeína, como café, chá-preto, chá-verde, refrigerantes à base de cola e bebidas energéticas.

    5. Fitoterápicos

    Os fitoterápicos são feitos a partir de plantas e, mesmo sendo naturais, possuem substâncias ativas que podem provocar reações no corpo, assim como acontece com os medicamentos tradicionais. Na gravidez, várias das substâncias não foram suficientemente estudadas, então não é possível garantir a segurança de vários fitoterápicos para a gestante e para o bebê.

    Além disso, algumas plantas podem estimular contrações uterinas, alterar a pressão arterial ou interferir no funcionamento de órgãos importantes durante a gestação. Por isso, o uso de fitoterápicos deve ser feito apenas com orientação médica.

    Chás com efeito medicinal

    Os chás preparados com plantas medicinais podem conter substâncias ativas capazes de provocar efeitos no organismo. Na gestação, algumas dessas plantas podem estimular contrações uterinas, alterar a pressão arterial ou interferir no desenvolvimento do bebê.

    A concentração dos compostos também pode variar muito de acordo com a forma de preparo, o que torna difícil controlar a quantidade ingerida, então o consumo frequente não é indicado sem orientação médica.

    Entre alguns dos chás que devem ser evitados, é possível destacar:

    • Chá de canela;
    • Chá de arruda;
    • Chá de boldo;
    • Chá de sene;
    • Chá de hibisco;
    • Chá de losna;
    • Chá de carqueja.

    Em caso de dúvida sobre qualquer tipo de chá ou planta medicinal, o mais seguro é sempre conversar com um profissional de saúde antes do consumo.

    O que fazer se usar algo proibido por engano?

    Se você utilizou algum medicamento ou produto da lista de contraindicados por descuido, mantenha a calma. O risco para o bebê depende de vários fatores, como a dosagem, o tempo de exposição e a idade gestacional.

    Nesses casos, siga algumas orientações:

    • Interromper o uso imediatamente, suspendendo o consumo ou a aplicação do produto assim que perceber o erro;
    • Consultar o obstetra e informar exatamente o que foi usado, a quantidade e por quanto tempo, para que o médico possa avaliar o risco real;
    • Identificar a substância, tendo em mãos a bula do medicamento ou o rótulo do cosmético para facilitar a análise médica;
    • Verificar a categoria de risco, permitindo que o médico consulte ferramentas e referências para saber se será necessário realizar exames extras, como uma ultrassonografia mais detalhada;
    • Evitar a automedicação para tentar corrigir o erro, já que o uso de outra substância sem orientação médica pode aumentar o risco.

    Na maioria das vezes, o uso isolado e acidental de substâncias de baixo risco, como alguns cremes ou um único comprimido de anti-inflamatório, não causa danos imediatos. Mesmo assim, a avaliação médica é importante para garantir a segurança da gestante e do bebê.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Probióticos são permitidos na gravidez?

    Sim, normalmente são considerados seguros para uso durante a gestação.

    2. Onde vejo se o remédio é seguro para o bebê?

    A forma mais rápida é consultar a seção “Categoria de Risco na Gravidez” na bula ou perguntar diretamente ao médico.

    3. Grávida pode usar protetor solar comum?

    Sim, o uso de protetor solar é indispensável, pois a pele da gestante tem maior tendência a manchas (melasma), mas prefira os indicados para o seu tipo de pele.

    4. Grávida pode usar hidratante com vitamina C?

    Sim. Diferente do retinol, a vitamina C tópica costuma ser segura e ajuda a prevenir manchas durante a gestação.

    5. Remédio para acne (uso tópico) é liberado?

    A maioria deve ser evitada, especialmente os que contêm ácido salicílico em altas concentrações ou derivados de vitamina A. Consulte o dermatologista antes.

    6. Grávida pode usar repelente?

    Sim, o uso é fundamental para prevenir doenças como o Zika vírus. Prefira repelentes aprovados pela ANVISA para uso em gestantes.

    7. Pode fazer tatuagem ou micropigmentação?

    Não é recomendado durante a gestação devido ao risco de infecções, reações alérgicas e à presença de metais pesados nas tintas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • APLV: o que é, sintomas e quando desconfiar da condição em um bebê

    APLV: o que é, sintomas e quando desconfiar da condição em um bebê

    Uma das alergias alimentares mais comuns da infância, a APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca) afeta cerca de 350 mil crianças no Brasil, principalmente bebês e crianças nos primeiros anos de vida.

    Apesar de frequentemente confundida com a intolerância à lactose, ela não tem relação com a digestão do açúcar do leite, mas sim com uma reação do sistema imunológico às proteínas presentes no leite de vaca.

    Quando a criança com APLV consome leite de vaca ou alimentos que contêm derivados do leite, o organismo identifica aquelas proteínas como uma ameaça e reage contra elas. Como resultado, podem surgir diferentes sintomas, que variam de leves a mais intensos e afetam a pele, o sistema digestivo e até o sistema respiratório.

    O que é a APLV?

    A APLC é uma reação específica do sistema imunológico às proteínas presentes no leite de vaca, como a caseína, a alfa-lactoalbumina e a beta-lactoglobulina. Na presença da alergia, o organismo da criança reconhece aquelas proteínas como se fossem uma ameaça e inicia uma resposta de defesa, o que provoca diferentes sintomas no corpo.

    De acordo com a nutricionista Mariana del Bosco, a condição ocorre principalmente em bebês e crianças pequenas, porque está relacionada a uma imaturidade tanto do trato gastrointestinal quanto do sistema imunológico.

    A reação pode atingir diversos órgãos, sendo mais comum no sistema digestivo, na pele e nas vias respiratórias, causando sintomas que podem variar de acordo com o tipo de reação imunológica envolvida.

    Quais os sintomas do APLV?

    A alergia alimentar pode ocorrer por três mecanismos imunológicos diferentes, de acordo com Mariana. Cada um apresenta características próprias, incluindo o tipo de reação do organismo e o momento em que os sintomas aparecem depois do consumo do alimento.

    Alergia não mediada por IgE

    Na alergia não mediada por IgE, não existe participação direta do anticorpo IgE. Por isso, muitas vezes a alergia não aparece nos exames de sangue, já que o organismo não produz níveis detectáveis do anticorpo.

    Nesse tipo de reação, o processo acontece por meio da liberação de citocinas inflamatórias, substâncias que provocam inflamação no organismo. Os sintomas costumam surgir de forma tardia, podendo aparecer muitas horas ou até alguns dias depois do consumo de leite de vaca ou de alimentos que contêm proteína do leite.

    Os sintomas costumam atingir principalmente o sistema digestivo, como:

    • Cólicas frequentes;
    • Diarreia;
    • Presença de sangue ou muco nas fezes;
    • Refluxo ou vômitos;
    • Distensão abdominal;
    • Irritabilidade após as mamadas.

    Alergia mediada por IgE

    Na alergia mediada por IgE, o anticorpo imunoglobulina E (IgE) participa diretamente da reação alérgica. Na maior parte dos casos, a presença do anticorpo pode ser identificada em exames laboratoriais.

    Uma exceção pode ocorrer em bebês muito pequenos, pois a quantidade do anticorpo no sangue ainda pode ser baixa e difícil de detectar.

    Nesse tipo de alergia, os sintomas aparecem de forma imediata, normalmente poucos minutos após o contato com o alimento, sendo eles:

    • Urticária (placas vermelhas na pele);
    • Coceira intensa;
    • Inchaço nos lábios, pálpebras ou rosto;
    • Vômitos logo após a ingestão;
    • Chiado no peito ou dificuldade para respirar.

    Nos casos mais graves, pode ocorrer anafilaxia, uma reação alérgica grave que envolve mais de um sistema do organismo e pode causar:

    • Dificuldade respiratória;
    • Queda da pressão arterial;
    • Tontura ou mal-estar;
    • Alterações cardiovasculares;
    • Risco de choque

    De acordo com Mariana, a APLV também pode se manifestar apenas com sintomas de pele, como a dermatite atópica. No entanto, ela também pode estar associada a outros alérgenos, inclusive não alimentares, como alérgenos de contato.

    Os sintomas respiratórios isolados normalmente não são típicos da alergia à proteína do leite de vaca. O sistema respiratório pode reagir a proteínas alimentares, mas quando os sintomas respiratórios aparecem sozinhos, é mais provável que estejam relacionados a outro tipo de alérgeno, como os aeroalérgenos.

    Alergia mista

    Na alergia mista, ocorre a participação de dois mecanismos imunológicos ao mesmo tempo: o anticorpo IgE e as citocinas inflamatórias. Como consequência, os sintomas podem apresentar características tanto das reações imediatas quanto das tardias.

    Nesse tipo de alergia, podem surgir manifestações como:

    • Dermatite atópica;
    • Coceira e lesões na pele;
    • Inflamação crônica no trato digestivo;
    • Refluxo persistente;
    • Dificuldade para ganhar peso;
    • Irritabilidade frequente em bebês.

    Importante apontar que o diagnóstico e o acompanhamento devem sempre ser feitos por um pediatra ou alergista. O profissional avalia os sintomas, orienta quais alimentos precisam ser retirados da alimentação e acompanha a criança ao longo do crescimento para verificar como a alergia evolui.

    Qual a diferença entre APLV e intolerância à lactose?

    Apesar de muitas vezes serem confundidas, a APLV e a intolerância à lactose são condições diferentes. A APLV acontece quando o sistema imunológico reage contra as proteínas presentes no leite, como se fossem uma ameaça.

    Já na intolerância à lactose, o organismo não produz quantidade suficiente de lactase, a enzima responsável por digerir o açúcar do leite. Quando a lactose não é digerida corretamente, ela fermenta no intestino e provoca sintomas como enjoo, dor abdominal, diarreia e gases.

    Ou seja, na APLV existe uma reação imunológica, enquanto na intolerância à lactose existe uma dificuldade de digestão.

    Em quem cada condição é mais comum?

    A intolerância à lactose é mais comum em crianças mais velhas, adolescentes, adultos e idosos, segundo Mariana, porque muitas pessoas têm uma predisposição genética chamada não persistência da lactase, condição em que a produção da enzima diminui ao longo da vida.

    A intolerância também pode surgir de forma secundária, quando aparece como consequência de outra condição de saúde, como doença inflamatória intestinal ou doença celíaca. Nesses casos, o intestino inflamado reduz temporariamente a produção da lactase. Quando a inflamação é tratada, a produção da enzima pode voltar ao normal.

    A APLV, por outro lado, é mais comum em bebês e crianças pequenas, principalmente nos primeiros anos de vida, período em que o sistema imunológico e o sistema digestivo ainda estão em desenvolvimento.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da alergia à proteína do leite de vaca é feito por um pediatra ou alergista, a partir de uma avaliação clínica completa, em que o profissional analisa os sintomas do bebê, a história alimentar e também o histórico de alergias na família.

    Quando existe suspeita de APLV, o profissional normalmente orienta uma dieta de exclusão, que consiste em retirar o leite de vaca e todos os derivados da alimentação por um período de duas a seis semanas:

    • Se o bebê usa fórmula infantil, o leite é substituído por fórmulas especiais;
    • Se o bebê é amamentado, a mãe precisa retirar leite e derivados da própria alimentação.

    Durante o período, Mariana aponta que é observado se os sintomas desaparecem. Caso haja melhora, o próximo passo é realizar o teste de provocação oral, que consiste em reintroduzir o leite na alimentação.

    O objetivo do teste é verificar se os sintomas voltam após o consumo do leite. Se os sintomas reaparecerem, o diagnóstico de APLV é confirmado e o leite precisa ser novamente retirado da dieta.

    O diagnóstico pode ser mais desafiador em bebês muito pequenos, porque alguns sintomas da alergia podem se confundir com manifestações comuns da fase inicial da vida, como cólicas e fezes mais líquidas. A presença de sangue nas fezes, por exemplo, costuma ser um sinal mais sugestivo de alergia.

    Como tratar a APLV?

    O tratamento da APLV consiste principalmente na retirada completa das proteínas do leite de vaca da alimentação da criança. Isso significa evitar leite de vaca e todos os alimentos que contêm derivados do leite.

    A forma de conduzir o tratamento depende da alimentação do bebê:

    • Quando o bebê usa fórmula infantil, o pediatra pode indicar fórmulas especiais, desenvolvidas para crianças com alergia alimentar. Entre as opções estão as fórmulas extensamente hidrolisadas ou as fórmulas à base de aminoácidos, que reduzem o risco de reação alérgica;
    • Quando o bebê é amamentado, a mãe precisa retirar da própria alimentação o leite de vaca e todos os derivados, como queijo, manteiga, iogurte e outros produtos que contenham proteína do leite. Isso acontece porque pequenas quantidades das proteínas podem passar para o leite materno.

    Durante o tratamento, também é importante ler os rótulos dos alimentos, já que muitos produtos industrializados podem conter ingredientes derivados do leite.

    Alimentos que podem conter derivados do leite

    A proteína do leite de vaca pode estar presente em muitos alimentos além do leite líquido, como:

    • Leite em pó;
    • Leite condensado;
    • Leite evaporado;
    • Creme de leite;
    • Manteiga;
    • Margarina com leite;
    • Iogurte;
    • Queijos (de todos os tipos);
    • Requeijão;
    • Coalhada.

    Também é comum encontrar derivados do leite em diversos alimentos industrializados, como:

    • Bolos e misturas prontas para bolo;
    • Pães e pães de forma;
    • Biscoitos e cookies;
    • Chocolates e bombons;
    • Sorvetes;
    • Sobremesas lácteas;
    • Cereais matinais;
    • Purê de batata instantâneo;
    • Molhos prontos;
    • Sopas industrializadas;
    • Alimentos empanados;
    • Alguns embutidos, como salsicha e presunto.

    Como ler rótulos e evitar o “leite oculto”?

    A legislação brasileira exige que todos os ingredientes estejam listados no rótulo do alimento. Na presença de APLV, é importante observar se aparecem termos relacionados às proteínas do leite, como:

    • Caseína;
    • Caseinato de sódio ou de cálcio;
    • Soro de leite;
    • Proteína do soro do leite (whey);
    • Lactoalbumina;
    • Lactoglobulina;
    • Leite em pó;
    • Leite condensado;
    • Creme de leite.

    No Brasil, os rótulos também precisam trazer um aviso sobre os principais alergênicos alimentares. Normalmente, a informação aparece logo abaixo da lista de ingredientes, como “contém leite” e “contém derivados de leite”.

    O que a criança com APLV pode comer?

    Mesmo com a restrição do leite de vaca e todos os alimentos que contêm proteína do leite, é possível manter uma alimentação variada e saudável, adequada para o crescimento da criança. Diversos alimentos naturais não contêm proteína do leite e podem fazer parte da rotina alimentar da criança, como:

    • Frutas;
    • Verduras e legumes;
    • Arroz;
    • Feijão e outras leguminosas, como lentilha e grão-de-bico;
    • Carnes, frango e peixe;
    • Ovos;
    • Batata, mandioca e inhame;
    • Macarrão sem leite na composição;
    • Pães e bolos preparados sem leite ou derivados.

    Também existem bebidas vegetais que podem ser utilizadas em preparações, como arroz, aveia, coco e amêndoas.

    No caso de bebês que utilizam fórmula infantil, o pediatra pode indicar fórmulas especiais, como as extensamente hidrolisadas ou as fórmulas à base de aminoácidos, desenvolvidas para crianças com alergia alimentar.

    Crianças com APLV podem continuar mamando?

    Bebês com APLV podem e devem continuar mamando. O leite materno é o melhor alimento para a saúde e desenvolvimento do pequeno, e o diagnóstico não exige o desmame.

    A mãe deve apenas realizar uma dieta de exclusão total de leite e derivados, evitando alimentos que contenham proteínas do leite, sob orientação de um pediatra ou nutricionista.

    APLV tem cura?

    Na maioria das situações, a APLV é uma condição passageira. Com o acompanhamento médico adequado, muitas crianças passam a tolerar novamente a proteína do leite de vaca com o passar do tempo.

    Algumas começam a apresentar tolerância por volta do primeiro ano de vida. Outras desenvolvem essa tolerância apenas mais tarde, até cerca dos cinco anos. No entanto, vale reforçar que cada caso é único e o tempo e a evolução da APLV variam de criança para criança.

    Leia mais: Alergia infantil: quando suspeitar e quais sinais você deve ficar atento

    Perguntas frequentes

    1. Bebê que mama apenas no peito pode tener APLV?

    Sim, as proteínas do leite de vaca consumidas pela mãe podem passar para o bebê através do leite materno. Nesses casos, a mãe precisa fazer uma dieta de exclusão rigorosa.

    2. Leite sem lactose serve para quem tem APLV?

    Não, o leite sem lactose apenas retira o açúcar (carboidrato), mas mantém as proteínas intactas. Para quem tem APLV, o leite zero lactose causa a mesma reação alérgica que o leite comum.

    3. Quanto tempo demora para os sintomas sumirem após tirar o leite?

    Normalmente, os sintomas começam a melhorar em 3 a 5 dias, mas a inflamação intestinal total pode levar até 2 a 4 semanas para desaparecer completamente após a exclusão total da proteína.

    4. APLV pode causar baixo peso e dificuldade de crescimento?

    Sim, a inflamação constante no intestino impede a absorção correta de nutrientes, o que pode levar ao déficit de ganho de peso e estatura se não for tratada.

    5. Criança com APLV pode tomar vacina da gripe ou tríplice viral?

    Sim, pois algumas vacinas utilizam proteína do ovo, não do leite. No entanto, é importante avisar ao posto de saúde, pois raríssimas vacinas podem conter traços de gelatina ou lactose, embora raramente causem reações em alérgicos à proteína.

    6. O leite de soja é seguro para bebês com APLV?

    Para bebês menores de 6 meses, a soja não é recomendada como substituto principal, pois é um forte alérgeno e pode causar reações cruzadas. Após os 6 meses, o uso deve ser avaliado pelo alergista

    Confira: Café da manhã sem lactose: saiba o que comer numa dieta saudável

  • Cicatriz da cesárea: 4 cuidados essenciais pós-parto (e sinais de alerta)

    Cicatriz da cesárea: 4 cuidados essenciais pós-parto (e sinais de alerta)

    Depois de um parto cesárea, existe uma série de cuidados necessários para evitar problemas, em especial com a cicatriz. A cicatrização adequada ajuda a prevenir infecções, dor persistente, abertura dos pontos e até complicações internas, como a abertura dos pontos antes do tempo e a formação de abscessos.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quais cuidados realmente fazem diferença no pós-operatório e quais sinais exigem atenção médica imediata. Confira!

    Como são feitos os pontos da cesariana?

    Na cesariana, o fechamento do corte é feito com cuidado e por etapas. Como a cirurgia atravessa várias camadas do abdômen, o médico primeiro sutura as partes internas, como o útero e a musculatura, e só depois fecha a pele.

    Na maioria das vezes, Andreia explica que o fechamento da pele é feito com pontos intradérmicos, que ficam “por dentro” da pele e não aparecem externamente. O fio utilizado costuma ser bem fino, quase invisível, e absorvível — isto é, o próprio corpo o reabsorve com o tempo, sem necessidade de retirar os pontos depois.

    Em alguns casos, o médico pode optar por pontos externos ou pelo uso de cola cirúrgica. A cola forma uma espécie de película protetora sobre o corte e vai se soltando sozinha ao longo dos dias. A escolha da técnica depende da avaliação do profissional e das características da pele de cada mulher.

    Quais os cuidados com a cicatriz da cesárea nas primeiras semanas?

    Nas primeiras semanas após a cesárea, a cicatriz fica avermelhada, elevada, endurecida e com sensibilidade, localizando-se na linha do biquíni (cerca de 10 cm). Em alguns casos, a cicatriz da cesárea pode ser vertical (feita da região pubiana em direção ao umbigo), embora seja menos comum atualmente.

    Nesse período, é importante manter alguns cuidados simples, como:

    1. Realize a higiene adequada todos os dias

    Segundo Andreia, a região deve ser lavada durante o banho, com água corrente e sabonete neutro. Não é necessário utilizar produtos específicos, antissépticos ou soluções especiais, salvo recomendação médica.

    A especialista também ressalta que não se deve aplicar corticoides, anti-inflamatórios tópicos ou outras substâncias sem orientação profissional.

    Após a lavagem, é importante secar bem a área com uma toalha limpa, dando leves toques, sem esfregar. A fricção excessiva pode sensibilizar a pele, que ainda está em processo de recuperação.

    2. Mantenha a cicatriz seca

    A umidade é um dos principais fatores que favorecem a proliferação de bactérias. Por isso, depois do banho, a região precisa estar completamente seca antes de vestir a roupa.

    O uso de roupas leves, preferencialmente de algodão, ajuda a evitar abafamento, suor excessivo e atrito sobre a cicatriz. As peças muito apertadas podem causar desconforto e aumentar a sensibilidade local.

    3. Evite atividades físicas intensas

    Durante a cesariana, Andreia explica que várias camadas são suturadas, incluindo a aponeurose, que é uma camada fibrosa resistente que recobre o músculo. A região pode ficar sensível a esforços intensos no período inicial.

    Por isso, vale evitar esforços intensos, exercícios abdominais, levantamento de peso ou movimentos bruscos que podem gerar tensão excessiva na região, o que aumenta o risco de dor, abertura de pontos ou alargamento da cicatriz.

    4. Usar o protetor solar na cicatriz

    A exposição ao sol pode escurecer a cicatriz, pois se trata de uma pele em processo de regeneração. Andreia recomenda o uso de protetor solar sobre a região e, sempre que possível, mantê-la coberta pela roupa, especialmente na praia ou na piscina.

    Com o tempo, a cicatriz tende a clarear. Com seis meses a um ano já está bastante clara, mas a cicatrização completa pode levar mais de um ano.

    Avaliação médica nas primeiras semanas

    Com 15 dias, Andreia aponta que já existe uma cicatrização inicial adequada, e é possível avaliar se houve soltura de pontos, abertura de algum trecho ou saída de secreção. Ainda assim, a cicatriz está em fase inicial de evolução.

    O que é normal na cicatriz da cesárea?

    Após a cesárea, a cicatriz passa por um processo natural de cicatrização que pode durar meses. Durante o período, é normal que a cicatriz da cesárea fique avermelhada, inchada, endurecida e com coceira nas primeiras semanas, evoluindo para uma cor mais clara com o tempo, muitas vezes ficando dormente ou com formigamento.

    Também pode haver uma leve sensação de repuxamento na região, principalmente ao se levantar, caminhar ou fazer movimentos mais amplos com o tronco. Isso acontece porque os tecidos internos ainda estão em fase de reorganização e cicatrização, algo esperado depois de uma cirurgia abdominal como a cesárea.

    Possíveis alterações no processo de cicatrização da pele

    Durante a cicatrização da cesárea, algumas alterações podem ocorrer e, na maioria das vezes, fazem parte da resposta natural do organismo.

    Uma das alterações mais comuns é a cicatriz hipertrófica, segundo Andreia, que fica mais elevada e endurecida, porém limitada à área do corte. Ela pode estar relacionada à tensão da pele, à resposta inflamatória individual ou à forma como o tecido cicatrizou.

    Em muitos casos, há uma melhora progressiva com o tempo, embora algumas situações precisem de acompanhamento.

    Também pode ocorrer a cicatriz quelóide, que ultrapassa os limites da incisão original e apresenta crescimento mais exuberante do tecido cicatricial. Andreia explica que a alteração está relacionada principalmente à predisposição genética e é mais frequente em pessoas com pele mais escura.

    Nesses casos, pode ser necessário tratamento específico, como infiltrações com corticoide ou outras abordagens indicadas pelo médico.

    Sinais de alerta para ficar atenta

    É importante procurar atendimento médico caso surjam sinais que indiquem possível infecção, como:

    • Saída de pus;
    • Vermelhidão intensa;
    • Aumento da dor;
    • Sensação de calor na região;
    • Febre.

    Também pode ocorrer a formação de seroma, segundo Andreia, que é o acúmulo de líquido claro sob a pele. Nem sempre ele indica uma infecção, mas precisa ser avaliado por um profissional para evitar complicações.

    De forma geral, a cicatriz deve permanecer plana, sem inchaço, calor excessivo ou secreção. Diante de qualquer alteração significativa, é fundamental procurar um serviço de saúde para fazer uma avaliação.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo demora para a cicatriz da cesárea fechar por fora?

    A camada externa da pele costuma fechar entre 7 a 10 dias. No entanto, a cicatrização completa dos tecidos internos (músculos e útero) leva de 6 a 12 meses.

    2. Quando pode voltar a dirigir depois da cesárea?

    Normalmente após 15 a 21 dias. O ponto principal é não sentir dor ao pisar no freio bruscamente e ter mobilidade para girar o tronco. Por isso, consulte o seu médico antes.

    3. Os pontos da cesárea caem sozinhos?

    Depende da técnica. Atualmente, muitos cirurgiões usam fios absorvíveis que o corpo absorve em algumas semanas. Se forem pontos externos tradicionais ou grampos, eles devem ser retirados pelo médico entre 8 e 12 dias.

    4. Qual a melhor posição para dormir após a cesárea?

    De barriga para cima ou de lado, com um travesseiro entre os joelhos e outro apoiando a barriga. Dormir de bruços não é recomendado nas primeiras semanas.

    5. Quando pode ter relações sexuais novamente?

    A recomendação padrão é aguardar o fim do puerpério (quarentena), cerca de 40 dias, para garantir que o colo do útero esteja fechado e a cicatrização interna avançada.

    6. Quantas camadas de tecido são cortadas na cesárea?

    São cortadas 7 camadas: pele, tela subcutânea (gordura), fáscia (capa do músculo), músculo (que é afastado), peritônio parietal, peritônio visceral e, por fim, o útero.

    7. Posso passar hidratante ou óleo diretamente na cicatriz recém-fechada?

    Apenas após a liberação médica, normalmente após 15 ou 20 dias. Antes disso, o excesso de umidade de cremes pode amolecer os tecidos e favorecer a abertura dos pontos ou a proliferação de fungos.

    8. Quanto tempo depois da cesárea posso engravidar novamente com segurança?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um intervalo de 18 a 24 meses. O tempo é necessário para que a cicatriz no útero recupere sua elasticidade total, reduzindo o risco de ruptura uterina em uma futura gestação.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • 9 mitos e verdades sobre analgesia de parto normal (e quando ela é indicada)

    9 mitos e verdades sobre analgesia de parto normal (e quando ela é indicada)

    A decisão sobre como lidar com a dor durante o parto é pessoal e envolve encontrar um equilíbrio entre o conforto da mãe, a segurança do bebê e o progresso do trabalho de parto.

    A analgesia existe para tornar a experiência do parto mais confortável, sem necessariamente interferir na participação ativa da mulher naquele momento. Uma vez que cada gestação é única, a indicação pode variar conforme a evolução do parto, a intensidade da dor e também a preferência da gestante.

    Para entender melhor como a analgesia de parto funciona, quando costuma ser indicada e quais informações realmente fazem sentido, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Qual a diferença entre anestesia e analgesia?

    A diferença entre a anestesia e a analgesia está principalmente no grau de bloqueio da dor e da sensibilidade.

    A analgesia tem como objetivo reduzir ou aliviar a dor, mas sem eliminar totalmente a sensibilidade nem os movimentos. No parto normal, por exemplo, a analgesia costuma permitir que a mulher continue sentindo o corpo, consiga se movimentar e faça força quando necessário, só com menos dor.

    Já a anestesia provoca um bloqueio mais completo, que pode incluir dor, sensibilidade e até movimento, dependendo do tipo e da dose. Na cesariana, por exemplo, a anestesia é usada para que a mulher não sinta dor durante o procedimento cirúrgico.

    Mitos e verdades sobre analgesia no parto normal

    1. A anestesia faz o trabalho de parto parar

    Mito! Antigamente, eram utilizadas doses mais altas que realmente podiam reduzir a intensidade das contrações uterinas e até prolongar o trabalho de parto.

    Hoje, a técnica de “baixa dose” (low-dose) permite manter o útero funcionando normalmente, preservando as contrações necessárias para a progressão do parto, enquanto reduz principalmente a dor mais intensa.

    2. A gestante pode perder a capacidade de fazer força

    Verdade, mas é controlável. Em alguns casos, a sensibilidade pode diminuir a ponto de a mulher não perceber claramente o “reflexo de puxo”.

    No entanto, a equipe médica consegue orientar o momento adequado para fazer força, e o efeito da analgesia pode ser ajustado durante o período expulsivo para favorecer a participação ativa da mulher no parto.

    3. A analgesia causa dor nas costas para sempre

    Mito. A dor no local da picada é comum por 2 ou 3 dias. As dores crônicas nas costas após o parto normalmente estão ligadas à postura durante a gravidez, ganho de peso ou esforço físico, e não à agulha da anestesia.

    4. A medicação passa para o bebê e o deixa sonolento

    Mito. Na analgesia de parto, especialmente na técnica peridural (epidural), a medicação permanece concentrada no espaço ao redor da medula espinhal e praticamente não entra na corrente sanguínea materna. Logo, a quantidade que chega ao bebê é insignificante.

    5. Existe um “momento certo” (dilatação mínima) para pedir

    Mito. De acordo com Andreia, como a dor é um critério muito subjetivo, a analgesia pode acontecer em momentos diferentes do parto, dependendo de cada paciente.

    A decisão é individual e deve considerar o conforto materno. Não é necessário esperar atingir 4 ou 5 cm de dilatação se a gestante estiver com dor intensa ou sofrimento — o importante é que ela já esteja em trabalho de parto ativo e com avaliação médica adequada.

    6. Nem toda mulher consegue tomar a anestesia.

    Verdade. Existem contraindicações raras, como distúrbios de coagulação graves, infecções ativas nas costas ou algumas cirurgias prévias na coluna que impedem o acesso ao espaço epidural.

    Nesses casos, a equipe médica avalia alternativas para controle da dor e acompanha o parto com atenção redobrada.

    7. Analgesia pode ser aplicada novamente no final do parto

    Verdade. Na fase final do parto, quando ocorre a distensão do períneo e a cabeça do bebê já está saindo, Andreia aponta que o anestesista pode complementar a analgesia para aliviar a dor nessa região, que é diferente da dor das contrações.

    Em alguns casos, realiza-se um duplo bloqueio: além da peridural, utiliza-se uma raquianestesia em dose muito baixa, direcionada principalmente ao períneo. Isso acontece porque a raquianestesia pode bloquear fibras motoras, e a ideia é evitar que a paciente perca a motricidade.

    8. É impossível caminhar após tomar a anestesia

    Mito. Com a técnica da walking epidural, a dose é ajustada para bloquear a dor (fibras sensitivas), mas preservar o movimento das pernas (fibras motoras), permitindo que a mulher mude de posição.

    9. Analgesia pode afetar as contrações uterinas

    Verdade. Segundo Andreia, a analgesia pode provocar um pequeno desequilíbrio entre adrenalina e noradrenalina, o que pode influenciar as contrações uterinas. Com o alívio da dor, muitas vezes o corpo relaxa e o útero pode até contrair melhor.

    Em algumas situações, isso pode favorecer a evolução do parto. Já em outras, as contrações podem ficar um pouco mais lentas.

    Por isso, o obstetra acompanha as contrações de perto para garantir que elas continuem eficazes e não prejudiquem o andamento do trabalho de parto. Quando necessário, pode ser utilizada ocitocina para manter contrações adequadas em cada fase do parto.

    Quando a analgesia no parto normal é indicada?

    A analgesia no parto normal é indicada, principalmente, quando a mulher sente que a dor está forte demais e que os métodos naturais, como o banho quente, a massagem ou a bola, não estão mais dando conta de trazer alívio.

    Se você está em trabalho de parto e percebe que chegou ao seu limite, tem o direito de pedir ajuda com a medicação.

    Além da vontade da mãe, os médicos também podem indicar a analgesia em algumas situações para ajudar o parto a evoluir melhor, como nos casos de cansaço intenso ou dificuldade para relaxar.

    Às vezes, a dor impede o descanso ou o relaxamento, o que pode até interferir na evolução do trabalho de parto. O alívio da dor pode ajudar o corpo a responder melhor às contrações e tornar o processo mais tranquilo.

    Como a analgesia é aplicada?

    A analgesia de parto é aplicada no chamado espaço peridural, que fica ao redor da medula espinhal, conforme explica Andreia. O medicamento é administrado nessa região para bloquear principalmente as fibras responsáveis pela dor, sem necessariamente afetar a sensibilidade ou os movimentos.

    Para fazer o procedimento, o anestesista realiza uma punção na região lombar e introduz um cateter fino no espaço peridural. Por meio do cateter, o analgésico é liberado de forma gradual e contínua com a ajuda de uma bomba de infusão, que administra pequenas quantidades do medicamento ao longo do trabalho de parto.

    Andreia ressalta que o controle da dose e da velocidade de infusão é fundamental. Se a medicação for administrada em quantidade muito alta ou rapidamente, pode haver maior perda de sensibilidade ou até de movimento. Por isso, o objetivo é aliviar a dor sem impedir a participação ativa da mulher no parto.

    Existem contraindicações?

    A analgesia no parto normal é contraindicada em algumas situações pouco comuns, como:

    • Uso de anticoagulantes ou alterações importantes da coagulação, que aumentam o risco do procedimento;
    • Desvios acentuados na coluna ou cirurgias prévias na região, que podem dificultar a passagem do cateter.

    Nem sempre essas situações impedem a analgesia, mas podem deixar o procedimento um pouco mais delicado. Por isso, cada caso precisa ser avaliado com cuidado pela equipe médica.

    Perguntas frequentes

    1. A analgesia pode atrasar o parto?

    Ela pode prolongar um pouquinho a fase final (de 15 a 30 minutos), mas, por outro lado, pode acelerar a dilatação inicial ao relaxar uma mãe que estava muito tensa pela dor.

    2. Se eu tomar a analgesia, ainda vou sentir as contrações?

    Você vai sentir a barriga endurecer e uma pressão, mas a dor aguda e “cortante” desaparece. A ideia é tirar o sofrimento, mas manter a sensação do seu corpo trabalhando.

    3. Qual a diferença entre peridural e raquianestesia?

    A raqui é uma picada única, age rápido (em 2-5 minutos), mas dura menos tempo. A peridural usa um cateter (um tubinho fino) que fica nas costas para mandar remédio o tempo todo, durando quantas horas o parto precisar.

    4. E se eu tiver tatuagem nas costas?

    Na maioria das vezes, não é problema. O anestesista tenta introduzir a agulha em um espaço sem tinta, ou faz um pequeno corte milimétrico na pele para a agulha não levar tinta para dentro.

    5. Pode tomar a analgesia se tiver escoliose?

    Pode, mas é importante avisar ao médico. A coluna torta pode dificultar um pouco o acesso ao espaço correto, mas o anestesista experiente consegue realizar o procedimento com segurança.

    6. A analgesia interfere na amamentação na primeira hora?

    Não. Como a medicação quase não passa para o bebê e a mãe permanece acordada e alerta, o contato pele a pele e a amamentação logo após o nascimento acontecem normalmente.

    7. Quanto tempo demora para o efeito passar totalmente após o parto?

    Normalmente, entre 1 a 2 horas após a última dose. Você sentirá um formigamento nas pernas conforme a sensibilidade volta ao normal, e logo já poderá levantar e tomar banho (com ajuda, por segurança).

  • Febre não é inimiga: saiba quando tratar e quando observar 

    Febre não é inimiga: saiba quando tratar e quando observar 

    Poucos sintomas assustam tanto quanto a febre, especialmente quando aparece em crianças. Ver o termômetro marcar 38 °C ou 39 °C pode gerar ansiedade imediata e a sensação de que algo grave está acontecendo. Mas será que toda febre é perigosa? E será que ela precisa ser tratada sempre?

    A febre, na verdade, é um mecanismo natural de defesa do organismo. Na maioria das vezes, ela faz parte da resposta do corpo contra infecções comuns e melhora sozinha. Entender quando apenas observar e quando agir ajuda a evitar tanto o medo excessivo quanto o uso desnecessário de medicamentos.

    O que é febre?

    A febre é o aumento da temperatura corporal acima do que é considerado normal, geralmente acima de 37,8 °C a 38 °C, dependendo do método de medição.

    Ela acontece quando o cérebro ajusta o “termostato interno” em resposta a alguma agressão ao organismo, como:

    • Infecções virais;
    • Infecções bacterianas;
    • Processos inflamatórios;
    • Reações a medicamentos;
    • Algumas doenças autoimunes (quando o sistema imune ataca o próprio corpo).

    É importante dizer que a febre não é uma doença. É um sinal de que algo está acontecendo no organismo.

    Por que a febre acontece?

    A febre faz parte da resposta do sistema imunológico. Durante uma infecção, o corpo libera substâncias inflamatórias (chamadas citocinas) que atuam no cérebro e elevam a temperatura corporal.

    Esse aumento pode trazer benefícios, como:

    • Dificultar a multiplicação de microrganismos;
    • Melhorar a ação das células de defesa;
    • Indicar que o sistema imunológico está ativo.

    Ou seja, em muitos casos, a febre é uma resposta útil do organismo.

    É preciso ter medo da febre?

    Na maior parte das situações, não.

    Existe até um termo chamado “febrefobia”, que descreve o medo excessivo da febre. Muitas pessoas acreditam que qualquer febre pode causar dano grave, mas isso não é verdade.

    A intensidade da febre nem sempre reflete a gravidade da doença. Por exemplo:

    • Infecções virais simples podem causar febre alta;
    • Doenças mais graves podem ocorrer com febre baixa ou até sem febre.

    O mais importante é observar o estado geral da pessoa, ou seja, comportamento, hidratação, respiração e nível de consciência, e não apenas o número no termômetro.

    É preciso medicar a febre sempre?

    Não. Nem toda febre precisa ser tratada com antitérmico (medicamento para baixar a temperatura).

    O objetivo do tratamento não é normalizar o número no termômetro, mas sim melhorar o conforto.

    Pode-se considerar medicar quando há:

    • Desconforto importante;
    • Dor associada;
    • Irritabilidade ou mal-estar;
    • Dificuldade para dormir ou se alimentar;
    • Doenças crônicas que exigem controle mais rigoroso.

    Se a pessoa está ativa, hidratada e relativamente bem, muitas vezes é possível apenas observar.

    O que fazer quando há febre?

    Algumas medidas simples ajudam:

    • Manter boa hidratação;
    • Usar roupas leves;
    • Evitar excesso de agasalho;
    • Garantir repouso;
    • Monitorar a temperatura.

    Antitérmicos podem ser usados quando necessário, sempre respeitando dose e intervalo corretos e com orientação médica.

    Quando a febre é sinal de alerta?

    Embora geralmente benigna, a febre exige avaliação médica em algumas situações.

    Sinais de alerta:

    • Bebês menores de 3 meses com febre;
    • Febre persistente por vários dias;
    • Dificuldade para respirar;
    • Sonolência excessiva ou alteração importante do comportamento;
    • Rigidez de nuca;
    • Convulsão;
    • Dor intensa localizada;
    • Manchas pelo corpo que não desaparecem à pressão;
    • Sinais de desidratação (boca seca, pouca urina);
    • Piora do estado geral.

    Nesses casos, é importante procurar atendimento médico imediatamente.

    Febre alta faz mal ao cérebro?

    Esse é um dos medos mais comuns.

    Febre causada por infecções comuns raramente provoca dano cerebral. Complicações neurológicas geralmente estão relacionadas à doença de base, e não apenas ao valor da temperatura.

    Convulsões febris (crises associadas à febre em algumas crianças) podem ocorrer, mas na maioria dos casos são benignas e não deixam sequelas.

    Confira: Doenças mais comuns em crianças em idade escolar e como agir

    Perguntas frequentes sobre febre

    1. Febre sempre significa infecção?

    Não. Embora seja a causa mais comum, também pode ocorrer em inflamações, doenças autoimunes e reações a medicamentos.

    2. Posso alternar antitérmicos?

    Apenas com orientação profissional, pois o uso inadequado aumenta o risco de erro de dose.

    3. Banho frio ajuda?

    Não é recomendado. Pode causar tremores e aumentar ainda mais a temperatura. Banho morno pode aliviar o desconforto.

    4. Devo acordar a criança para dar antitérmico?

    Nem sempre. Se a criança está dormindo confortavelmente, geralmente não é necessário acordá-la apenas para medicar.

    5. Febre muito alta sempre é grave?

    Não necessariamente. O mais importante é o estado geral da pessoa.

    6. É melhor tratar a causa ou só a febre?

    O ideal é identificar e tratar a causa quando necessário. O antitérmico é usado principalmente para aliviar o desconforto.

    7. Toda febre precisa de antibiótico?

    Não. A maioria das febres é causada por vírus e não precisa de antibiótico.

    Veja também: Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar