Categoria: Doenças & Condições

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  • Laringite (crupe): como reconhecer e como tratar 

    Laringite (crupe): como reconhecer e como tratar 

    A laringite é uma inflamação da laringe, região da garganta localizada após as amígdalas e essencial para a passagem do ar e para a voz. Na maioria das vezes, ela ocorre por infecção, principalmente viral, e é uma das doenças respiratórias mais comuns na infância.

    Em crianças pequenas, a laringite pode causar sintomas bem característicos, como a tosse “ladrante” e o estridor (um som agudo ao puxar o ar). Já em adultos, costuma aparecer com mais frequência entre os 18 e 40 anos, geralmente associada a infecções respiratórias ou irritações locais.

    Apesar de ser frequentemente autolimitada, a laringite pode gerar desconforto respiratório em alguns casos e exigir avaliação médica.

    O que é laringite

    A laringite é a inflamação da laringe, estrutura que faz parte das vias aéreas superiores e fica na garganta, após a região das amígdalas.

    Quando a laringe inflama, ocorre um inchaço local que pode:

    • Alterar a voz;
    • Causar tosse característica;
    • Dificultar a passagem do ar, especialmente em crianças (que têm vias aéreas mais estreitas).

    Na maioria dos casos, a causa é infecciosa.

    Causas da laringite

    A laringite pode ser classificada em infecciosa e não infecciosa.

    Laringite infecciosa (mais comum)

    É a forma mais frequente e ocorre principalmente por vírus, como:

    • Vírus sincicial respiratório;
    • Rinovírus;
    • Influenza.

    A infecção bacteriana é menos comum e geralmente acontece após uma infecção viral, sendo causada principalmente por:

    • Streptococcus pneumoniae;
    • Haemophilus influenzae;
    • Moraxella catarrhalis.

    Como a infecção viral se instala

    Na maioria das vezes, o vírus entra inicialmente pela mucosa do nariz e da boca. Com a progressão do quadro, ele se espalha para a laringe, provocando inflamação local e estreitamento da passagem de ar.

    Laringite não infecciosa

    Pode acontecer mesmo sem infecção e está relacionada a fatores como:

    • Trauma local;
    • Abuso vocal;
    • Alergias;
    • Refluxo;
    • Asma;
    • Fatores ambientais (tabagismo passivo e poluição).

    Sintomas de laringite: como se manifesta

    Os sintomas geralmente começam como um quadro respiratório comum e evoluem conforme a inflamação atinge a laringe.

    Os sinais iniciais costumam ser:

    • Corrimento nasal;
    • Congestão nasal.

    Com o avanço, podem surgir:

    • Tosse;
    • Febre;
    • Estridor (som agudo ao inspirar).

    Tosse “ladrante” e estridor: sinais típicos do crupe

    A tosse da laringite pode ser descrita como ladrante, por lembrar o som de um latido. Isso ocorre devido à inflamação da laringe e ao estreitamento local.

    Quando surge o estridor, ele pode vir acompanhado de sinais de dificuldade de passagem de ar, como:

    • Aumento da frequência respiratória;
    • Desconforto respiratório;
    • Inspiração prolongada (o paciente “puxa o ar” por mais tempo).

    Quanto tempo dura a laringite?

    A maioria dos casos é autolimitada, com melhora em 1 a 3 dias após o início dos sintomas. Em alguns pacientes, pode durar até cerca de 1 semana.

    Porém, se houver sinais de piora respiratória, pode ser necessária intervenção e até internação, dependendo da gravidade.

    Diagnóstico

    Na maior parte das vezes, o diagnóstico é clínico, baseado na história e nos sintomas típicos (especialmente tosse ladrante e estridor).

    • A maioria dos casos não precisa de exames de imagem;
    • Testes virológicos podem confirmar o agente, mas geralmente não são necessários.

    Exames costumam ser reservados para situações em que há dúvida diagnóstica ou suspeita de complicações.

    Tratamento da laringite (crupe)

    O tratamento varia de acordo com a gravidade do quadro.

    Casos leves (tratamento em casa)

    Em casos leves, o tratamento pode ser feito em domicílio com foco no alívio dos sintomas, como:

    • Medicações para controle de sintomas;
    • Uso de corticóides, conforme orientação médica;

    Medidas para umidificar as vias aéreas incluem:

    • Inalação de vapor de água;
    • Uso de umidificadores;
    • Evitar exposição ao ar frio.

    Além disso, é fundamental orientar a família ou o paciente sobre sinais de alarme.

    Sinais de alerta: quando procurar atendimento urgente

    É importante buscar avaliação médica se houver:

    • Estresse ou agitação importante;
    • Dificuldade para respirar;
    • Cianose (lábios ou pele azulados);
    • Palidez;
    • Tosse intensa e muito frequente;
    • Febre alta persistente;
    • Ausência de melhora nas primeiras 72 horas.

    Casos moderados a graves

    Quadros moderados a graves podem exigir tratamento em ambiente hospitalar, com:

    • Corticoides;
    • Nebulização com epinefrina;
    • Observação após o tratamento inicial, para avaliar resposta e risco de piora.

    Confira: Conjuntivite: o que é, sintomas, tipos e tratamentos

    Perguntas frequentes sobre laringite

    1. Laringite é sempre causada por vírus?

    Não. A maioria é viral, mas pode haver causa bacteriana, geralmente após infecção viral, além de causas não infecciosas.

    2. O que é estridor?

    É um som agudo ao puxar o ar (inspiração), indicando que a passagem de ar está mais estreita por inflamação na laringe.

    3. Tosse “ladrante” significa crupe?

    É um sinal muito típico de laringite/crupe, especialmente em crianças, mas sempre deve ser avaliado junto com outros sintomas.

    4. Laringite melhora sozinha?

    Na maioria dos casos, sim. Costuma melhorar em 1 a 3 dias, podendo durar até 1 semana.

    5. Quando a laringite é perigosa?

    Quando há dificuldade respiratória, aumento da frequência respiratória, estridor importante, cianose, palidez ou piora progressiva.

    6. Precisa fazer raio-x ou tomografia?

    Geralmente não. A maioria dos casos é diagnosticada clinicamente e não precisa de exames de imagem.

    7. Qual o tratamento para casos graves?

    Casos moderados a graves podem precisar de corticoides, nebulização com epinefrina e observação hospitalar.

    Leia mais: Dor de garganta, febre e placas: pode ser amigdalite?

  • Cisticercose: veja as consequências da doença causada pelas larvas da tênia

    Cisticercose: veja as consequências da doença causada pelas larvas da tênia

    A cisticercose é uma doença parasitária causada pela larva da tênia Taenia solium e está fortemente associada a condições precárias de saneamento básico e higiene. Ela é considerada um importante problema de saúde pública em diversas regiões do mundo, incluindo áreas da África, América Latina e Ásia.

    Em muitos desses locais, a cisticercose é uma das principais causas de primeiras crises convulsivas em adultos, especialmente quando atinge o sistema nervoso central, quadro conhecido como neurocisticercose. Compreender como ocorre a transmissão é bem importante para se manter longe da doença e evitar complicações potencialmente graves.

    O que é cisticercose

    A cisticercose é uma infecção causada pela forma larval da Taenia solium, chamada cisticerco. Diferentemente da teníase — quando o verme adulto vive no intestino —, na cisticercose as larvas se instalam em diferentes tecidos do corpo humano.

    Os locais mais frequentemente acometidos são:

    • Sistema nervoso central;
    • Músculos;
    • Olhos;
    • Tecido subcutâneo.

    A gravidade da doença depende do local atingido, do número de cisticercos e da intensidade da resposta inflamatória do organismo.

    Transmissão: diferença entre teníase e cisticercose

    Um ponto fundamental para entender a doença é diferenciar teníase de cisticercose. Embora ambas envolvam a Taenia solium, elas acontecem de formas distintas.

    Como ocorre a teníase

    A teníase ocorre quando a pessoa ingere carne de porco mal cozida que contém cisticercos. Após a ingestão:

    • Os cisticercos se fixam no intestino;
    • Evoluem para vermes adultos;
    • Passam a liberar ovos nas fezes humanas.

    Esses ovos contaminam o ambiente. Os porcos ingerem água ou alimentos contaminados e os ovos se alojam em seus músculos, reiniciando o ciclo do parasita.

    Como ocorre a cisticercose

    A cisticercose não ocorre pelo consumo de carne de porco. Ela acontece quando o ser humano ingere ovos da Taenia solium, eliminados nas fezes de pessoas com teníase.

    Essa ingestão pode ocorrer por meio de:

    • Água contaminada;
    • Alimentos contaminados;
    • Mãos sujas e higiene inadequada.

    Após a ingestão:

    • Os ovos eclodem no intestino;
    • As larvas atravessam a parede intestinal;
    • Disseminam-se pela corrente sanguínea;
    • Alojam-se em diferentes tecidos do corpo.

    Em resumo:

    • Ingestão de cisticercos leva à teníase;
    • Ingestão de ovos de tênia causa a cisticercose.

    Sintomas da cisticercose

    A fase inicial da cisticercose costuma ser assintomática. Isso ocorre porque, inicialmente, os cisticercos causam pouca inflamação nos tecidos.

    Os sintomas geralmente surgem quando:

    • Os cisticercos morrem;
    • Ocorre resposta inflamatória intensa;
    • Há compressão de estruturas importantes.

    Neurocisticercose (forma mais grave)

    A neurocisticercose ocorre quando os cisticercos atingem o sistema nervoso central e é a forma mais comum e mais grave da doença.

    Os principais sintomas incluem:

    • Crises convulsivas (manifestação mais frequente);
    • Dor de cabeça persistente;
    • Náuseas e vômitos;
    • Aumento da pressão intracraniana;
    • Alterações cognitivas ou comportamentais;
    • Déficits neurológicos focais.

    Em alguns casos, pode ocorrer hidrocefalia e risco de morte se não houver tratamento adequado.

    Outras formas de apresentação

    • Muscular: nódulos indolores ou dor muscular;
    • Subcutânea: pequenos caroços sob a pele;
    • Ocular: alterações visuais e risco de perda da visão.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da cisticercose depende da forma clínica e do órgão acometido.

    Na suspeita de neurocisticercose, os principais exames são:

    • Tomografia computadorizada (TC);
    • Ressonância magnética (RM).

    Esses exames permitem avaliar:

    • Número de lesões;
    • Localização;
    • Fase evolutiva dos cisticercos.

    Exames laboratoriais também podem auxiliar, como:

    • Testes sorológicos para detecção de anticorpos;
    • Exames de sangue para avaliação geral.

    O contexto clínico e epidemiológico, como histórico de saneamento inadequado e crises convulsivas sem causa prévia, é essencial para o diagnóstico.

    Tratamento

    O tratamento da cisticercose varia de acordo com:

    • Localização dos cisticercos;
    • Número de lesões;
    • Presença de sintomas;
    • Intensidade da inflamação.

    Tratamento medicamentoso

    Pode incluir:

    • Antiparasitários, como albendazol ou praziquantel;
    • Corticosteroides, para reduzir a inflamação causada pela morte dos cisticercos;
    • Anticonvulsivantes, quando há crises epilépticas.

    Em algumas situações, o uso de antiparasitários pode não ser indicado de imediato, principalmente quando o risco inflamatório é elevado.

    Tratamento cirúrgico

    Pode ser necessário em casos específicos, como:

    • Hidrocefalia;
    • Compressão de estruturas vitais;
    • Cisticercos oculares.

    O tratamento deve sempre ser individualizado e acompanhado por equipe especializada.

    Prevenção: como evitar a cisticercose

    A prevenção da cisticercose baseia-se principalmente em higiene e saneamento.

    As principais medidas incluem:

    • Lavar bem as mãos antes das refeições e após usar o banheiro;
    • Consumir água tratada;
    • Higienizar adequadamente os alimentos;
    • Evitar defecação a céu aberto;
    • Identificar e tratar pessoas com teníase;
    • Cozinhar bem a carne de porco (prevenção da teníase).

    Essas ações interrompem o ciclo do parasita e reduzem significativamente a incidência da doença.

    Confira: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre cisticercose

    1. Comer carne de porco causa cisticercose?

    Não. Carne de porco mal cozida causa teníase, não cisticercose.

    2. Como uma pessoa pega cisticercose?

    Pela ingestão de ovos da Taenia solium presentes em água, alimentos ou mãos contaminadas.

    3. Qual é o sintoma mais comum da neurocisticercose?

    Crises convulsivas, especialmente em adultos sem histórico prévio de epilepsia.

    4. A cisticercose pode ser assintomática?

    Sim. Muitas pessoas só apresentam sintomas quando ocorre inflamação tardia.

    5. A cisticercose tem cura?

    Sim. Com diagnóstico e tratamento adequados, muitos pacientes evoluem bem.

    6. É uma doença contagiosa?

    Não diretamente. Mas pessoas com teníase eliminam ovos nas fezes, contaminando o ambiente.

    7. Como evitar novos casos?

    Higiene das mãos, água tratada, saneamento básico e tratamento de portadores de teníase.

    Veja também: 8 doenças que você pode pegar por não lavar bem frutas e verduras

  • Dor de garganta, febre e placas: pode ser amigdalite? 

    Dor de garganta, febre e placas: pode ser amigdalite? 

    Dor de garganta intensa, febre e dificuldade para engolir estão entre as queixas mais comuns em consultórios e prontos-socorros, especialmente em crianças e adolescentes. Em muitos desses casos, o diagnóstico é amigdalite, uma inflamação das amígdalas que pode ter causas diferentes e evoluções variadas.

    Embora na maioria das vezes seja uma condição simples e autolimitada, algumas amigdalites exigem atenção especial, principalmente quando têm origem bacteriana. Reconhecer os sinais, entender quando o antibiótico é necessário e saber identificar possíveis complicações é fundamental para evitar problemas futuros.

    O que é amigdalite

    A amigdalite é uma infecção das amígdalas, estruturas localizadas nas laterais da orofaringe (fundo da garganta). Elas fazem parte do sistema imunológico e atuam como uma linha de defesa contra microrganismos inalados ou ingeridos.

    A maior parte dos casos é causada por vírus, mas infecções bacterianas também podem ocorrer e merecem atenção especial, principalmente pelo risco de complicações quando não tratadas adequadamente.

    Causas: viral ou bacteriana?

    A amigdalite pode ser causada por vírus ou bactérias, sendo essa distinção importante para definir o tratamento.

    Amigdalite viral (mais comum)

    Cerca de 70% das amigdalites são causadas por vírus. Entre os mais frequentes estão:

    • Vírus sincicial respiratório (VSR);
    • Adenovírus;
    • Vírus Epstein-Barr (EBV).

    Esses quadros costumam ser autolimitados e melhoram com medidas de suporte, sem necessidade de antibióticos.

    Amigdalite bacteriana

    É menos comum, mas clinicamente relevante, especialmente quando causada por estreptococos. As principais bactérias envolvidas são:

    • Estreptococos (principal agente);
    • Haemophilus influenzae;
    • Staphylococcus aureus.

    Nesses casos, o uso de antibiótico pode ser necessário para reduzir o risco de complicações e acelerar a recuperação.

    Sintomas mais comuns

    Os sintomas mais frequentes da amigdalite incluem:

    • Dor de garganta;
    • Dificuldade para engolir líquidos e sólidos, devido à dor;
    • Febre;
    • Tosse (mais comum em causas virais);
    • Dor de cabeça;
    • Mal-estar e cansaço;
    • Aumento dos linfonodos (ínguas), especialmente no pescoço.

    Ao exame da garganta, é comum observar:

    • Amígdalas aumentadas;
    • Vermelhidão local;
    • Aspecto inflamado e mais frágil.

    Placas esbranquiçadas nas amígdalas: o que significam?

    A presença de placas esbranquiçadas é frequentemente associada à amigdalite bacteriana, mas é importante destacar que:

    • Alguns vírus, como o Epstein-Barr, também podem causar placas;
    • A ausência de placas não exclui infecção bacteriana.

    Por isso, diferenciar amigdalite viral e bacteriana apenas pelos sintomas e exame físico pode ser difícil.

    Complicações possíveis

    Embora muitos casos evoluam bem, a amigdalite pode levar a complicações, principalmente quando há infecção bacteriana não tratada ou tratada de forma inadequada.

    1. Febre reumática

    Pode surgir entre 2 e 4 semanas após uma amigdalite bacteriana, especialmente por estreptococos. Pode causar:

    • Febre;
    • Dores no corpo;
    • Artrite (dor e inflamação nas articulações).

    Além disso, pode provocar comprometimento cardíaco, com lesões nas válvulas, especialmente na valva mitral.

    2. Glomerulonefrite pós-estreptocócica

    Complicação relacionada à infecção por estreptococos, caracterizada por inflamação dos rins após a infecção.

    3. Complicações locais

    Infecções mal controladas podem evoluir com:

    • Abscessos;
    • Otite;
    • Mastoidite;
    • Sinusite.

    Essas situações podem exigir exames de imagem e tratamentos mais intensivos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da amigdalite é geralmente clínico, baseado em:

    • Sintomas relatados
    • Exame físico da garganta e do pescoço

    Quando pedir exames?

    Exames laboratoriais são mais úteis quando há suspeita de infecção bacteriana, especialmente por estreptococo, como:

    • Teste rápido para estreptococo;
    • Cultura de secreção da garganta (padrão ouro).

    Se houver suspeita de complicações locais, podem ser necessários exames de imagem, como tomografia.

    Tratamento

    O tratamento depende da causa da amigdalite.

    Amigdalite viral

    O tratamento é de suporte, focado no alívio dos sintomas, incluindo:

    • Controle da dor e da febre;
    • Hidratação adequada;
    • Repouso.

    Amigdalite bacteriana

    Quando há confirmação ou forte suspeita de causa bacteriana, é indicado o uso de antibióticos, como:

    • Amoxicilina;
    • Penicilina.

    Em caso de alergia, podem ser utilizadas alternativas como:

    • Azitromicina;
    • Claritromicina.

    O objetivo do antibiótico é reduzir a duração dos sintomas e, principalmente, prevenir complicações como a febre reumática.

    Cirurgia: quando tirar as amígdalas?

    Em pacientes selecionados, especialmente com episódios recorrentes e frequentes, pode ser considerada a amigdalectomia. A decisão deve ser individualizada e feita com avaliação médica.

    Confira: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Perguntas frequentes sobre amigdalite

    1. Amigdalite é sempre causada por bactéria?

    Não. Cerca de 70% dos casos são causados por vírus.

    2. Placas brancas na garganta sempre indicam antibiótico?

    Não. Placas podem ocorrer tanto em amigdalites bacterianas quanto virais, como nas infecções pelo vírus Epstein-Barr.

    3. Como saber se a amigdalite é viral ou bacteriana?

    Nem sempre é possível diferenciar apenas pelos sintomas. Testes rápidos ou cultura de secreção ajudam na confirmação.

    4. Quais são os sinais de alerta para complicações?

    Febre persistente, piora da dor, dificuldade para engolir ou abrir a boca, dor de ouvido intensa, inchaço no pescoço e sinais de abscesso devem ser avaliados.

    5. Amigdalite pode causar problemas no coração?

    Sim. Em alguns casos de amigdalite bacteriana por estreptococo, pode ocorrer febre reumática, com comprometimento das válvulas cardíacas.

    6. Amigdalite pode voltar com frequência?

    Sim. Algumas pessoas apresentam episódios repetidos, e em casos selecionados pode-se indicar cirurgia.

    7. Antibiótico ajuda na amigdalite viral?

    Não. Antibióticos não tratam vírus e só devem ser usados quando há indicação médica.

    Veja também: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

    Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

    Você já ouviu falar em dispareunia? O termo é usado para descrever a dor que surge durante a relação sexual, podendo aparecer no início da penetração ou mais profundamente, dependendo da causa.

    É um problema relativamente comum, mas que precisa ser avaliado por um profissional da saúde, uma vez que pode estar relacionado a diferentes alterações do organismo, desde alterações hormonais e infecções até condições ginecológicas mais complexas.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as principais causas, como é feito o diagnóstico e quando procurar um médico.

    Quais os tipos de dor na relação sexual?

    A dor na relação sexual pode se manifestar de formas diferentes, variando conforme a região afetada e a causa do problema. Segundo Andreia, os tipos de dispareunia mais comuns são:

    Dispareunia de superfície

    A dispareunia de superfície é um tipo de dor na relação sexual que ocorre no início da penetração ou logo ao toque na entrada da vagina. A mulher costuma relatar ardor, queimação, incômodo, sensação de ferimento ou dor localizada na região mais externa da vagina durante a penetração.

    Dispareunia de profundidade

    A dispareunia de profundidade é a dor que surge durante a penetração profunda, normalmente sentida no fundo da vagina, e não no início da relação sexual.

    Muitas mulheres descrevem a dor como uma cólica, pressão ou desconforto interno, que pode piorar em determinadas posições.

    Ela acontece devido à movimentação dos órgãos pélvicos durante a penetração profunda. Quando existe alguma alteração nesses órgãos, uma movimentação que normalmente seria indolor passa a causar dor.

    A dispareunia de profundidade sempre deve ser investigada, especialmente quando é intensa, frequente ou acontece em qualquer posição.

    O que pode ser a dor na relação sexual?

    A dor na relação sexual pode acontecer por diferentes questões, dependendo do tipo.

    Segundo Andreia, as causas de dispareunia de superfície estão relacionadas a fatores que afetam a mucosa da vagina. A dor pode surgir desde a entrada da vagina ou durante a penetração inicial, devido a:

    • Fissuras na entrada da vagina;
    • Lesões traumáticas locais;
    • Verrugas ou outras lesões que causem atrito ou machucado;
    • Inflamação da mucosa vaginal por infecções vaginais;
    • Redução dos níveis de estrogênio, como ocorre na pós-menopausa;
    • Atrofia genital, com perda da elasticidade e do turgor da mucosa vaginal.

    Nesses casos, o exame físico costuma ser suficiente para identificar ao menos uma causa sindrômica da dor, o que orienta a investigação e o tratamento.

    Por outro lado, a dispareunia de profundidade está relacionada a alterações nos órgãos internos da pelve, como colo do útero, útero e ovários. As causas mais frequentes incluem:

    • Infecções ou inflamações pélvicas, como a doença inflamatória pélvica;
    • Tumorações;
    • Endometriose;
    • Miomatose uterina;
    • Cisto de ovário;
    • Abscesso de ovário.

    Existem ainda as causas funcionais de dor na relação sexual, como o vaginismo, caracterizado por uma hipercontratura muscular que provoca dor intensa durante a penetração. Também há pacientes com hipersensibilidade na região.

    Segundo Andreia, essas alterações podem estar relacionadas a aspectos traumáticos ou psíquicos, que precisam ser consideradas.

    Quando procurar um médico?

    O médico deve ser procurado sempre que a dor durante a relação sexual for frequente, persistente ou causar desconforto significativo. A dor no sexo não deve ser considerada normal, mesmo quando ocorre apenas em algumas posições ou em momentos específicos.

    A avaliação médica é especialmente importante quando a dor surge de forma repentina, piora com o tempo, acontece em qualquer posição, vem acompanhada de sangramento, corrimento, ardor intenso, cólicas persistentes ou alterações no ciclo menstrual.

    Ela também merece atenção quando a dor interfere no desejo sexual, provoca medo da relação ou impacta a qualidade de vida e o bem-estar emocional.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da dispareunia é feito por meio de avaliação clínica e conversa sobre os sintomas. O médico procura entender quando a dor surge, se aparece no início ou na penetração profunda, além da intensidade, frequência, posições que pioram ou aliviam o desconforto e a presença de outros sintomas associados.

    Em seguida, é realizado o exame ginecológico, que permite avaliar a região da vulva, da vagina e do colo do útero, identificando sinais de inflamação, infecção, lesões, ressecamento ou alterações da mucosa. No caso da dispareunia de superfície, muitas vezes o exame físico já ajuda a identificar a causa.

    Quando há suspeita de dispareunia de profundidade ou de alterações nos órgãos internos, o diagnóstico pode incluir exames complementares, como ultrassom pélvico transvaginal ou ressonância magnética da pelve.

    Em algumas situações, também pode ser necessário investigar fatores funcionais ou emocionais, como alterações musculares, hipersensibilidade ou impacto psicológico, garantindo uma avaliação completa e um diagnóstico mais preciso.

    Tratamento da dor na relação sexual

    O tratamento da dor na relação sexual depende diretamente da causa do problema, que é identificada durante a avaliação médica. Entre algumas abordagens, é possível destacar:

    • Uso de medicamentos ou cremes vaginais específicos para tratar infecções vaginais e reduzir inflamações;
    • Tratamentos voltados ao ressecamento ou à atrofia vaginal, como o uso de estrogênio local para melhorar a elasticidade da mucosa;
    • Cremes cicatrizantes e regeneradores indicados para fissuras, irritações ou lesões traumáticas;
    • Medicamentos hormonais ou tratamento cirúrgico em casos de endometriose, miomas uterinos ou cistos ovarianos;
    • Fisioterapia do assoalho pélvico para tratar alterações musculares, como o vaginismo e a dor associada à contração involuntária;
    • Acompanhamento psicológico quando a dor está relacionada a fatores emocionais, traumáticos ou ao impacto na vida sexual.

    Com o tratamento adequado, é possível reduzir a dor, melhorar a função sexual e preservar a qualidade de vida.

    A importância de procurar ajuda médica

    Antes de tudo, vale ressaltar que a dor durante a relação sexual não é normal e não deve fazer parte da vida íntima. Diversas mulheres sentem desconforto ou vergonha de falar sobre o assunto e, em alguns casos, a dor é normalizada, ignorada ou suportada em silêncio por medo, culpa ou falta de informação.

    No entanto, a dor costuma ser um sinal de que algo não está bem no organismo, seja por alterações físicas, hormonais, inflamatórias ou emocionais. Quando não investigada, além de persistir, pode impactar o desejo, a autoestima, os relacionamentos e a saúde emocional.

    Por isso, não hesite em procurar um médico para entender o que está acontecendo. O sexo deve ser uma experiência de prazer, conexão e bem-estar, nunca de dor ou sofrimento.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O que é vaginismo e como ele causa dor?

    O vaginismo é uma contração involuntária dos músculos da vagina, que dificulta ou impede a penetração, causando dor intensa. Ele pode estar relacionado a fatores físicos, emocionais ou traumáticos e costuma exigir abordagem multidisciplinar.

    2. Aspectos emocionais podem causar dor na relação sexual?

    Sim. Ansiedade, medo, experiências traumáticas, histórico de abuso ou conflitos emocionais podem aumentar a tensão muscular e a sensibilidade, contribuindo para a dor durante a relação sexual.

    3. Quando a dor na relação sexual se torna um sinal de alerta?

    A dor se torna um sinal de alerta quando é intensa, frequente, piora com o tempo, ocorre em qualquer posição ou vem acompanhada de sangramento, corrimento anormal, febre ou alterações menstruais.

    4. Lubrificantes ajudam a aliviar a dor?

    Podem ajudar, especialmente quando a causa está relacionada ao ressecamento vaginal. No entanto, o uso de lubrificantes não substitui a investigação da causa da dor e não resolve problemas mais complexos.

    5. Qual remédio tomar quando sente dor na relação?

    Não existe um único remédio indicado para todos os casos de dor na relação sexual, e o tratamento depende da causa. Em algumas situações, podem ser usados cremes vaginais, antibióticos, antifúngicos, hormônios locais ou medicamentos para controle da dor, mas apenas com a orientação de um médico. Não se automedique!

    6. Quem tem endometriose pode ter relação sexual?

    Sim, pode. No entanto, muitas mulheres com endometriose sentem dor durante a relação sexual, especialmente na penetração profunda. O tratamento adequado da doença ajuda a reduzir a dor e a melhorar a qualidade da vida sexual, permitindo relações mais confortáveis.

    Leia mais: 7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

  • Brucelose: saiba mais sobre a infecção ligada ao leite cru 

    Brucelose: saiba mais sobre a infecção ligada ao leite cru 

    A brucelose, também conhecida como febre do Mediterrâneo, é uma doença infecciosa transmitida de animais para humanos e ainda pouco lembrada fora dos ambientes rurais. No entanto, ela pode causar sintomas persistentes e comprometer diversos órgãos, especialmente quando o diagnóstico é tardio ou o tratamento não é realizado de forma adequada.

    A infecção costuma estar associada ao consumo de leite e derivados não pasteurizados ou ao contato direto com animais infectados. Por isso, a brucelose deve sempre ser considerada diante de quadros de febre prolongada, sudorese noturna e dores articulares, principalmente em pessoas com histórico ocupacional ou alimentar compatível.

    O que é brucelose?

    A brucelose é uma infecção bacteriana causada por espécies do gênero Brucella, transmitida de animais para humanos. Pode se manifestar de forma aguda ou evoluir para quadros crônicos, com sintomas duradouros e risco de complicações.

    Trata-se de uma zoonose relevante do ponto de vista de saúde pública, especialmente em regiões onde há consumo de produtos de origem animal sem pasteurização adequada.

    Onde a brucelose é mais comum

    Existem áreas consideradas endêmicas para a doença, incluindo:

    • Países da região do Mediterrâneo;
    • Oriente Médio;
    • Ásia e Índia;
    • África;
    • Algumas regiões da América Central e da América do Sul.

    Como acontece a transmissão

    A transmissão da brucelose ocorre principalmente de duas formas.

    1. Ingestão de leite e derivados não pasteurizados (forma mais comum)

    A principal via de contaminação é o consumo de produtos feitos com leite cru, como:

    • Leite;
    • Queijos;
    • Manteiga;
    • Sorvetes artesanais produzidos com leite não pasteurizado.

    Os principais animais envolvidos na transmissão são:

    • Vacas;
    • Ovelhas;
    • Cabras;
    • Camelos;
    • Porcos.

    2. Contaminação ocupacional por contato com secreções de animais

    Outra forma importante de transmissão ocorre por contato direto com secreções de animais infectados, como:

    • Sangue;
    • Urina;
    • Leite.

    Esse tipo de exposição é mais comum em pessoas que trabalham com criação ou manejo de animais, como:

    • Fazendeiros;
    • Pastores;
    • Veterinários.

    Sintomas da brucelose

    A brucelose pode se manifestar de forma aguda ou crônica, com sintomas que variam conforme o tempo de evolução da doença e os órgãos acometidos.

    Brucelose aguda

    Na fase aguda, a bactéria pode atingir a circulação e se espalhar pelo organismo, alcançando órgãos como o fígado e o baço.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Febre;
    • Mal-estar;
    • Sudorese noturna;
    • Dores articulares.

    No exame físico feito pelo médico, pode ser observado:

    • Aumento do fígado e do baço (hepatomegalia e esplenomegalia).

    Possíveis complicações na fase aguda

    A brucelose pode comprometer diversos órgãos e sistemas.

    1. Forma osteoarticular (mais comum)

    • Artrite;
    • Dores articulares;
    • Acometimento frequente das articulações sacroilíacas (região lombar baixa).

    2. Forma geniturinária (segunda mais comum)

    • Em homens: epididimite e/ou orquite;
    • Em mulheres: abscessos tubo-ovarianos.

    3. Complicações neurológicas

    • Meningite;
    • Encefalite;
    • Abscesso cerebral.

    4. Outras manifestações menos comuns

    • Lesões de pele;
    • Acometimento cardíaco;
    • Alterações oculares;
    • Envolvimento pulmonar;
    • Doenças intra-abdominais.

    Brucelose crônica

    A forma crônica é definida quando os sintomas persistem por mais de 1 ano.

    Mesmo com tratamento adequado, cerca de 5 a 15% dos casos podem apresentar recaídas, especialmente nos primeiros 6 meses após o término da terapia.

    Diagnóstico

    A suspeita de brucelose deve ser considerada em pacientes com:

    • Febre;
    • Mal-estar;
    • Sudorese noturna;
    • Dores articulares.

    Isso deve ser observado principalmente quando há histórico de consumo de leite ou derivados não pasteurizados ou exposição ocupacional a animais ou secreções.

    Como confirmar o diagnóstico

    O diagnóstico definitivo pode ser feito por meio de:

    • Culturas de bactérias, com a observação crescimento do microrganismo;
    • Dosagem de anticorpos no sangue.

    Exames laboratoriais também ajudam a:

    • Avaliar complicações;
    • Monitorar função hepática e outros parâmetros.

    Exames de imagem

    São úteis especialmente na avaliação de comprometimento osteoarticular, podendo incluir:

    • Radiografia;
    • Tomografia da articulação suspeita.

    Tratamento da brucelose

    O tratamento é feito com antibióticos e deve ser seguido corretamente, pois a interrupção precoce aumenta o risco de recaída.

    O esquema clássico envolve:

    • Doxiciclina por 6 semanas, associada a estreptomicina ou gentamicina nos primeiros 14 a 21 dias.

    Outros esquemas podem ser utilizados, porém apresentam menor eficácia. A duração e a combinação dos antibióticos variam conforme:

    • Gravidade do quadro;
    • Presença de complicações;
    • Órgãos acometidos.

    Prevenção: como evitar a brucelose

    Para a população geral

    • Ferver ou pasteurizar o leite cru antes do consumo;
    • Evitar leite e derivados não pasteurizados.

    Para quem trabalha com animais

    • Uso de equipamentos de proteção individual (EPIs);
    • Evitar contato direto com sangue, urina e outros fluidos.

    Existe vacina para humanos?

    Não. Atualmente não existe vacina disponível para humanos. No entanto, a vacinação de animais de criação ajuda a reduzir a circulação da bactéria e contribui para a prevenção coletiva.

    Confira: 8 doenças que você pode pegar por não lavar bem frutas e verduras

    Perguntas frequentes sobre brucelose

    1. Brucelose é uma doença grave?

    Pode ser. Embora muitos casos respondam bem ao tratamento, a brucelose pode causar complicações articulares, neurológicas e em outros órgãos.

    2. Qual é a principal forma de transmissão?

    O consumo de leite e derivados não pasteurizados é a forma mais comum.

    3. Quais sintomas mais sugerem brucelose?

    Febre persistente, mal-estar, sudorese noturna e dores articulares, especialmente com histórico de leite cru ou contato com animais.

    4. A brucelose pode virar doença crônica?

    Sim. Quando os sintomas duram mais de 1 ano, a infecção é considerada crônica.

    5. O tratamento dura quanto tempo?

    O esquema mais comum envolve doxiciclina por 6 semanas, podendo haver associação com outros antibióticos no início.

    6. A brucelose pode voltar após o tratamento?

    Sim. Cerca de 5 a 15% dos pacientes podem apresentar recaída, especialmente nos primeiros 6 meses.

    7. Como prevenir brucelose em casa?

    Evite consumir leite cru e derivados sem pasteurização. Prefira sempre produtos regularizados.

    Veja mais: Intoxicação alimentar por alimentos crus: como se proteger

  • Tétano ainda existe: por que ferimentos simples podem virar um risco grave 

    Tétano ainda existe: por que ferimentos simples podem virar um risco grave 

    Mesmo com vacina disponível gratuitamente no Brasil, o tétano ainda é uma doença que existe, é grave e associada a ferimentos aparentemente simples, como cortes, perfurações e lesões contaminadas. A infecção não é transmitida de pessoa para pessoa, mas pode evoluir rapidamente para quadros graves quando a imunização não está em dia.

    A redução dos casos observada nas últimas décadas está diretamente ligada à ampliação da cobertura vacinal e à aplicação de doses de reforço ao longo da vida. Ainda assim, pessoas com esquema vacinal incompleto continuam sob risco, especialmente após ferimentos contaminados, reforçando a importância da prevenção e do atendimento médico precoce.

    O que é o tétano?

    O tétano é uma infecção grave do sistema nervoso causada pela toxina produzida pela bactéria Clostridium tetani. Trata-se de uma doença não contagiosa, que pode acometer pessoas de qualquer idade e apresenta alta letalidade quando não tratada adequadamente.

    Agente e fisiopatologia

    A bactéria Clostridium tetani é formadora de esporos e está presente no solo, em poeira, material orgânico, entulhos e superfícies metálicas. Após entrar no organismo por uma ferida, a bactéria pode produzir a toxina tetânica (tetanospasmina).

    Essa toxina atua no sistema nervoso ao bloquear neurotransmissores responsáveis pelo relaxamento muscular. Como consequência, surgem rigidez intensa e espasmos musculares dolorosos, que caracterizam o quadro clínico do tétano.

    Como se adquire o tétano?

    A infecção ocorre quando os esporos da bactéria entram no organismo por meio de feridas na pele, como:

    • Cortes e lacerações;
    • Perfurações por pregos, arames ou farpas;
    • Queimaduras;
    • Feridas com tecido desvitalizado;
    • Picadas ou lesões contaminadas.

    É importante esclarecer que a ferrugem, por si só, não causa tétano — ela apenas pode estar associada a ambientes onde os esporos estão presentes.

    Fatores que aumentam o risco

    • Vacinação incompleta ou falta de reforços vacinais;
    • Extremos de idade, ou seja, crianças e idosos;
    • Imunossupressão;
    • Diabetes;
    • Uso de drogas injetáveis.

    Sintomas do tétano

    O período de incubação costuma variar de 5 a 15 dias. Quanto menor esse intervalo, maior tende a ser a gravidade da doença.

    Formas clínicas

    Tétano localizado

    Contratura muscular próxima ao local da ferida. Pode evoluir para formas mais graves.

    Tétano cefálico

    Relacionado a ferimentos na cabeça ou pescoço, com comprometimento de nervos cranianos, causando dificuldade para engolir, trismo e paralisia facial.

    Tétano generalizado (forma mais comum e grave)

    Caracteriza-se por:

    • Trismo (mandíbula travada);
    • Rigidez do pescoço;
    • Espasmos faciais (“risus sardonicus”);
    • Rigidez abdominal e torácica;
    • Espasmos intensos e dolorosos, que podem causar fraturas;
    • Insuficiência respiratória.

    Sem tratamento adequado, essa forma pode evoluir rapidamente para óbito.

    O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais e sintomas, sem necessidade de exames laboratoriais específicos para confirmação.

    Rastreio e diagnóstico

    A avaliação inclui:

    • Verificação do histórico vacinal;
    • Análise do tipo e do tempo do ferimento;
    • Exame físico focado em rigidez muscular e espasmos;
    • Monitoramento respiratório e hemodinâmico.

    Exames complementares podem ser solicitados conforme a gravidade do quadro, com foco no suporte clínico.

    Tratamento do tétano

    Medidas iniciais e cuidados locais

    • Limpeza rigorosa da ferida com água e sabão;
    • Retirada de tecido desvitalizado (desbridamento), quando indicado;
    • Busca imediata por atendimento médico diante de suspeita.

    Tratamento hospitalar

    • Neutralização da toxina: administração de soro antitetânico (imunoglobulina específica);
    • Controle da infecção: antibioticoterapia, como metronidazol, e cirurgia quando necessária;
    • Suporte clínico: controle da dor e dos espasmos, proteção das vias aéreas e monitoramento em UTI nos casos graves;
    • Vacinação: iniciar ou completar o esquema vacinal mesmo durante o tratamento, para garantir imunidade futura.

    Prevenção do tétano

    A principal forma de prevenção é a vacinação antitetânica.

    • Na infância: esquema com vacina pentavalente (2, 4 e 6 meses) e reforços aos 15 meses e 4 anos;
    • Em adultos: reforço com vacina dT a cada 10 anos;
    • Em ferimentos contaminados: reforço se a última dose tiver sido há mais de 5 anos;
    • Em feridas sujas com esquema incompleto: considerar soro antitetânico conforme protocolo.

    A vacina é disponibilizada gratuitamente pelo SUS nas Unidades Básicas de Saúde.

    O tétano é uma doença grave, potencialmente fatal, mas totalmente prevenível. A manutenção da vacinação ao longo da vida, a realização dos reforços e o cuidado adequado com feridas são muito importantes para evitar novos casos. Diante de qualquer lesão com risco de contaminação, a orientação é limpar a ferida e procurar um serviço de saúde para avaliação imediata.

    Confira: Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

    Perguntas frequentes sobre tétano

    1. O tétano é uma doença contagiosa?

    Não. O tétano não é transmitido de pessoa para pessoa; a infecção ocorre apenas por meio de ferimentos contaminados.

    2. Ferrugem causa tétano?

    Não. A ferrugem não causa a doença; o risco depende da presença da bactéria no ambiente e da falta de vacinação adequada.

    3. Quem já teve tétano fica imune?

    Não. A infecção não garante imunidade. A vacinação continua sendo necessária mesmo após a doença.

    4. A vacina antitetânica precisa de reforço?

    Sim. Em adultos, o reforço é recomendado a cada 10 anos.

    5. Todo ferimento precisa de soro antitetânico?

    Não. O uso do soro depende do tipo de ferimento e do histórico vacinal da pessoa.

    Veja também: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

  • Olhos vermelhos: o que pode ser e quando ir ao médico

    Olhos vermelhos: o que pode ser e quando ir ao médico

    Quem nunca acordou com os olhos um pouco vermelhos ou sentiu aquela irritação depois de um dia longo? A vermelhidão nos olhos é um sintoma muito comum e, na maioria das vezes, está ligada a cansaço, poeira ou uma irritação leve que se resolve sozinha.

    Contudo, é muito importante ficar atento a alguns sinais de alerta para entender quando a vermelhidão nos olhos deixa de ser um incômodo passageiro e se torna uma urgência médica. Entenda mais, a seguir.

    O que pode causar a vermelhidão nos olhos?

    As causas mais comuns de olhos vermelhos no dia a dia estão, na maioria das vezes, relacionadas a alterações da superfície ocular. Entre as principais, o oftalmologista Marcus Vinicius Takatsu aponta:

    • Conjuntivites (virais, bacterianas ou alérgicas), que costumam provocar vermelhidão associada a secreção, coceira, ardência ou sensação de areia nos olhos;
    • Síndrome do olho seco, frequentemente relacionada ao uso prolongado de telas, ambientes com ar-condicionado, vento ou poluição, causando irritação e hiperemia ocular;
    • Blefarite, inflamação crônica das bordas das pálpebras, que pode causar olhos vermelhos, ardência, sensação de peso e desconforto visual.

    A vermelhidão também pode decorrer de uma hemorragia subconjuntival, provocada pelo rompimento de pequenos vasos sanguíneos superficiais. A condição se manifesta como uma mancha vermelha intensa no olho, geralmente indolor e sem prejuízo da visão.

    Ela costuma ocorrer após esforços físicos, como tosse, espirros, vômitos ou levantamento de peso, além de traumas leves, como esfregar os olhos. Em alguns casos, pode estar associada ao uso de medicamentos, como aspirina e anticoagulantes, bem como a condições sistêmicas, incluindo hipertensão arterial e diabetes.

    Quando a vermelhidão nos olhos é preocupante?

    A vermelhidão nos olhos se torna preocupante quando surge de forma súbita, é intensa ou vem acompanhada de outros sinais e sintomas que podem indicar condições oculares mais graves, como:

    • Dor ocular profunda, diferente de simples ardência ou sensação de areia;
    • Fotofobia intensa, com grande desconforto à exposição à luz;
    • Redução da acuidade visual, mesmo que discreta ou de início súbito.

    Também é motivo de alerta quando a vermelhidão aparece após trauma ocular, exposição a produtos químicos, uso inadequado de lentes de contato ou quando não melhora após alguns dias, mesmo com cuidados básicos.

    “É necessário uma avaliação do oftalmologista para saber se é benigna ou está associado a alguma doença”, esclarece Marcus.

    Quando a vermelhidão nos olhos pode indicar glaucoma agudo ou uveíte?

    Tanto o glaucoma agudo de ângulo fechado quanto a uveíte são condições sérias onde a vermelhidão não é o único sintoma e costuma ser acompanhada de sinais de alarme bem definidos, como Marcus aponta:

    • Glaucoma agudo: olho muito vermelho, pupila dilatada e que quase não reage à luz, aspecto opaco ou sem brilho na córnea, dor forte no olho, podendo vir acompanhada de náuseas, além de visão embaçada com halos coloridos ao redor das luzes;
    • Uveíte anterior: olho vermelho principalmente ao redor da íris, pupila pequena, sensibilidade intensa à luz e dor no olho, que pode piorar ao tocar ou ao movimentar os olhos.

    Ambas as condições são consideradas emergências oftalmológicas e não devem ser confundidas com causas comuns e benignas de olho vermelho. A presença de dor intensa, alterações no tamanho ou na reação da pupila, sensibilidade exagerada à luz ou diminuição da visão indica a necessidade de avaliação oftalmológica imediata.

    Quem tem conjuntivite alérgica precisa de acompanhamento oftalmológico?

    Na maioria dos casos, a conjuntivite alérgica não representa risco direto para a visão. Ainda assim, o acompanhamento oftalmológico é fundamental para confirmar o diagnóstico, indicar o tratamento mais adequado e ajustar a terapia conforme a intensidade e a frequência dos sintomas.

    “A conjuntivite alérgica crônica leva a criança/adulto a coçar os olhos. O ato mecânico de coçar é o principal fator de risco ambiental para o desenvolvimento e progressão do ceratocone (ectasia da córnea), que pode levar à necessidade de transplante de córnea. Tratar a alergia é prevenir a cegueira por ceratocone”, explica Marcus.

    A avaliação médica também é importante para evitar o uso inadequado de colírios e orientar medidas de controle dos fatores desencadeantes, contribuindo para um melhor controle da condição.

    O uso de colírios pode aliviar a vermelhidão nos olhos?

    O uso de colírios ajuda a aliviar a vermelhidão nos olhos, desde que o colírio seja adequado para a causa do problema. No entanto, nem todo colírio é seguro para uso indiscriminado. De acordo com Marcus, colírios vasoconstritores, que “branqueiam” os olhos de forma rápida, podem mascarar doenças, causar efeito rebote e piorar a vermelhidão com o uso prolongado.

    Já colírios com antibióticos ou corticoides só devem ser utilizados com orientação médica, pois o uso inadequado pode agravar infecções, aumentar a pressão ocular ou provocar outras complicações.

    Por isso, apenas o oftalmologista pode avaliar o que está provocando a vermelhidão e indicar o produto mais seguro e eficaz para cada caso.

    Quando a vermelhidão nos olhos exige avaliação médica imediata?

    É fundamental procurar um pronto atendimento oftalmológico sempre que surgirem os seguintes sinais de alerta:

    • Dor ocular moderada a intensa, principalmente quando persistente ou de início súbito;
    • Perda de visão súbita ou redução importante da acuidade visual;
    • Histórico de trauma ocular, incluindo pancadas, acidentes ou contato com substâncias químicas;
    • Alterações na pupila, como deformidade, tamanho irregular ou ausência de reação à luz;
    • Presença de mancha branca na córnea, que pode indicar úlcera corneana;
    • Vermelhidão ocular em usuários de lentes de contato, situação associada a maior risco de infecções graves, como as causadas por Pseudomonas ou Acanthamoeba.

    Veja mais: Tempo seco pode piorar as alergias? Saiba o que fazer para se proteger

    Perguntas frequentes

    1. O uso excessivo de telas pode causar vermelhidão nos olhos?

    O uso prolongado de computadores, celulares e tablets reduz a frequência do piscar, o que favorece o ressecamento da superfície ocular. Isso leva à irritação e à dilatação dos vasos, resultando em olhos vermelhos, ardência e sensação de areia.

    2. Vermelhidão nos olhos pode estar relacionada ao uso de maquiagem?

    Sim, produtos vencidos, de baixa qualidade ou mal removidos podem causar irritação, alergias e inflamação da superfície ocular, resultando em vermelhidão. A higiene adequada dos olhos e dos pincéis de maquiagem é fundamental.

    3. Com que frequência é importante consultar um oftalmologista?

    Mesmo sem sintomas, a consulta oftalmológica regular é importante para avaliar a saúde dos olhos e detectar alterações precocemente. Em adultos, é recomendado uma avaliação periódica, especialmente após os 40 anos. Pessoas com doenças crônicas, histórico familiar de glaucoma ou uso de lentes de contato podem precisar de acompanhamento mais frequente.

    4. A exposição ao sol pode prejudicar os olhos?

    Sim, a exposição prolongada à radiação ultravioleta pode aumentar o risco de catarata, degeneração macular e pterígio. O uso de óculos de sol com proteção UV adequada é uma medida importante de prevenção.

    5. Quais cuidados simples ajudam a manter a saúde dos olhos?

    Manter boa higiene ocular, evitar coçar os olhos, usar colírios apenas com orientação médica, proteger os olhos do sol, descansar a visão ao longo do dia e realizar consultas oftalmológicas regulares são medidas simples que ajudam a manter a saúde dos olhos.

    Confira: Como identificar problemas de visão no dia a dia? Veja os principais sinais

  • Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

    Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

    As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, e uma parte delas está diretamente associada a problemas bucais.

    Quando existe infecções dentárias ou na gengiva, as bactérias podem entrar na corrente sanguínea e alcançar outros órgãos, inclusive o coração — facilitando o surgimento de inflamações no organismo.

    Para entender essa relação e quais sinais de alerta para ficar atento, conversamos com a cardiologista Juliana Soares e esclarecemos tudo, a seguir.

    Qual a relação entre os problemas bucais e doenças cardíacas?

    Existem dois principais mecanismos pelos quais a saúde bucal pode impactar a saúde cardiovascular. O primeiro acontece pela via das bactérias.

    De acordo com Juliana, a boca é uma região altamente vascularizada e abriga uma grande quantidade de microrganismos. Quando existe uma infecção ou inflamação, essas bactérias podem entrar na corrente sanguínea e chegar ao coração. Lá, elas podem se fixar, principalmente nas válvulas cardíacas, causando uma infecção chamada endocardite.

    O segundo caminho é através da inflamação. As doenças gengivais crônicas mantêm o organismo em estado inflamatório contínuo, com liberação de substâncias que circulam pelo sangue e não ficam restritas à boca.

    Com o tempo, essa inflamação generalizada favorece a formação e a instabilidade de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC.

    Quais os tipos de problemas bucais que estão ligados a doenças cardíacas?

    Uma vez que alguns problemas bucais favorecem a entrada de bactérias na corrente sanguínea e mantêm o organismo em estado inflamatório, elas estão mais associadas a doenças do coração.

    A principal é a periodontite, segundo Juliana, uma infecção que acomete as gengivas e, com a progressão, destrei o tecido mole e o osso responsáveis pela sustentação dos dentes.

    Nesse quadro, formam-se bolsas entre dentes e gengivas, com grande acúmulo de bactérias e inflamação crônica, facilitando a passagem de microrganismos para o sangue.

    Outra condição que pode ser destacada são as infecções na raiz do dente, como abscessos dentários não tratados, que funcionam como focos ativos de infecção.

    As bactérias presentes nas lesões podem alcançar a corrente sanguínea e atingir o coração, aumentando o risco de complicações cardíacas.

    Pessoas com doenças cardíacas precisam de cuidados especiais?

    Devido ao maior risco de complicações infecciosas, pessoas com próteses cardíacas ou doenças do coração, especialmente cardiopatias congênitas, precisam de atenção redobrada com a higiene bucal.

    Segundo a cardiologista, as bactérias presentes na boca podem entrar na corrente sanguínea e se fixar com mais facilidade em válvulas artificiais e próteses cardíacas, favorecendo o desenvolvimento de endocardite.

    Em casos de cardiopatias congênitas, alterações na estrutura do coração também podem facilitar essa fixação bacteriana.

    Entre alguns dos principais cuidados, é possível destacar:

    • Escovação adequada dos dentes, realizada pelo menos duas vezes ao dia, com atenção especial à linha da gengiva, para reduzir o acúmulo de bactérias e prevenir inflamações;
    • Uso diário de fio dental, fundamental para remover resíduos e placa bacteriana entre os dentes, regiões onde a escova não alcança;
    • Consultas regulares ao dentista, permitindo a identificação precoce de infecções, gengivite ou periodontite, antes que se tornem focos de inflamação sistêmica;
    • Tratamento imediato de infecções bucais, como abscessos, cáries profundas ou inflamações gengivais, evitando que bactérias atinjam a corrente sanguínea;
    • Uso preventivo de antibióticos antes de procedimentos dentários invasivos, quando indicado pelo médico ou dentista, principalmente em casos de manipulação gengival ou cirurgias odontológicas.

    Também é importante ir ao dentista com regularidade para fazer limpezas, tratar problemas na gengiva e identificar sinais que podem estar ligados a outras doenças do organismo.

    Quais os sinais de alerta para ficar de olho?

    Alguns sinais podem indicar uma inflamação na boca e higiene bucal inadequada, como:

    • Sangramento gengival frequente, principalmente durante a escovação ou o uso do fio dental;
    • Gengivas inchadas, muito avermelhadas ou retraídas;
    • Dentes amolecidos ou com sensação de mobilidade;
    • Mau hálito persistente, mesmo após a higiene bucal.

    Além dos sinais bucais, também é importante atenção a sintomas gerais, como dor na região da mandíbula e/ou que irradia para o peito, ombro ou braço.

    Em alguns casos, esse tipo de dor pode estar ligado a um problema no coração, como o infarto, sendo necessário procurar ajuda médica o quanto antes.

    Perguntas frequentes

    Sangramento na gengiva pode indicar infecção?

    Sim, um sangramento frequente costuma ser sinal de inflamação gengival e pode indicar gengivite ou periodontite.

    Infecção na boca pode se espalhar pelo corpo?

    Sim, bactérias da boca podem entrar na corrente sanguínea e atingir outros órgãos, como coração, pulmões e articulações.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Como prevenir infecções bucais?

    Algumas medidas ajudam na prevenção, como escovação correta, uso diário de fio dental, consultas regulares ao dentista e tratamento precoce de cáries.

    Fumar aumenta o risco de infecções bucais?

    Sim, o tabagismo reduz a defesa natural da gengiva, dificulta a cicatrização e favorece o acúmulo de bactérias na boca. Com isso, aumenta o risco de infecções, inflamações gengivais e problemas mais graves, como periodontite e perda dentária.

    Quantas vezes por dia é preciso escovar os dentes?

    O ideal é escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia, principalmente após as refeições e antes de dormir.

    Trocar a escova de dentes com que frequência?

    A troca deve ser feita a cada três meses ou antes, caso as cerdas estejam desgastadas.

    Quando procurar ajuda médica?

    Sempre que houver dor persistente, inchaço, sangramento frequente, pus, mau hálito constante ou febre associada a problemas na boca.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Raiva humana: por que a prevenção precisa ser imediata 

    Raiva humana: por que a prevenção precisa ser imediata 

    A raiva humana é uma das doenças infecciosas mais graves conhecidas, com taxa de letalidade extremamente elevada após o início dos sintomas. Apesar de ser prevenível por meio de medidas simples e eficazes, como vacinação e uso de soro antirrábico, ainda causa mortes quando o risco não é reconhecido a tempo.

    Transmitida principalmente pela saliva de animais infectados, a raiva exige atenção imediata após mordidas, arranhaduras ou contato da saliva com feridas ou mucosas. O reconhecimento precoce da exposição e a profilaxia pós-exposição são decisivos para evitar a progressão da doença.

    O que é a raiva humana?

    A raiva humana é uma doença viral aguda que acomete o sistema nervoso central. O agente causador é o vírus da raiva, pertencente à família Rhabdoviridae, do gênero Lyssavirus.

    Após o período de incubação, a doença evolui rapidamente para manifestações neurológicas graves e, na ausência de profilaxia adequada antes do início dos sintomas, quase sempre leva à morte.

    Como ocorre a transmissão da raiva?

    A transmissão da raiva ocorre por meio do contato da saliva de um animal infectado com a pele lesionada ou mucosas. As formas mais comuns de exposição incluem:

    • Mordedura (principal via de transmissão em áreas urbanas, especialmente por cães e gatos);
    • Lambedura sobre feridas abertas ou mucosas;
    • Arranhaduras contaminadas com saliva.

    Em áreas rurais e silvestres, morcegos e outros mamíferos selvagens representam importantes fontes de infecção. O risco de transmissão depende do tipo de contato, da profundidade da lesão, do local afetado e da condição clínica do animal agressor.

    Como identificar um animal com raiva?

    Animais infectados costumam apresentar alterações comportamentais, como agressividade súbita ou apatia. Outros sinais frequentes incluem:

    • Salivação excessiva, muitas vezes com aspecto espumoso;
    • Dificuldade para andar, devido à paralisia progressiva;
    • Convulsões.

    Nem todos os animais apresentam todos esses sinais, mas mudanças bruscas de comportamento associadas à salivação e paralisia são altamente sugestivas. Em humanos, após o início dos sintomas, a evolução costuma ser quase sempre fatal.

    Sintomas da raiva humana

    A evolução clínica da raiva em humanos ocorre em etapas:

    • Período de incubação: geralmente varia de semanas a meses, dependendo do local da lesão;
    • Fase prodrômica: sintomas inespecíficos, como mal-estar, febre baixa, dor de cabeça, náuseas, irritabilidade e perda de apetite;
    • Fase neurológica: convulsões, hiperexcitabilidade, espasmos musculares, salivação intensa, dor ao engolir e episódios de hidrofobia (espasmos desencadeados ao tentar ingerir líquidos). Pode ocorrer também aerofobia.

    Após o início dos sintomas neurológicos, a progressão para coma e morte geralmente acontece em poucos dias, entre 2 e 7 dias.

    O que fazer após mordida ou arranhadura? (manejo pós-exposição)

    Qualquer exposição suspeita deve ser avaliada imediatamente por um profissional de saúde. As principais medidas incluem:

    • Lavagem imediata da ferida: lavar abundantemente com água e sabão por vários minutos e aplicar antisséptico;
    • Avaliação clínica do risco: considerar tipo de exposição, local da lesão e condição do animal agressor;
    • Profilaxia pós-exposição (PEP): iniciar vacinação antirrábica conforme os protocolos vigentes;
    • Uso de soro antirrábico: indicado em exposições de alto risco, como mordidas profundas, lesões em face, mãos, pescoço ou contato com mucosas, especialmente se o animal estiver doente, desaparecer ou morrer;
    • Observação do animal doméstico por 10 dias: se permanecer saudável, em exposições leves, a vacinação pode ser suspensa conforme avaliação médica.

    Em situações de risco significativo, não se deve aguardar exames laboratoriais para iniciar a profilaxia.

    Diagnóstico

    O diagnóstico definitivo da raiva em humanos é feito por exames laboratoriais específicos, como a detecção do vírus em tecidos ou secreções. No entanto, esses exames raramente interferem na decisão de iniciar a profilaxia, que deve ser baseada na avaliação clínica e epidemiológica.

    Em animais, exames confirmatórios podem ser realizados, mas a observação clínica por 10 dias continua sendo uma estratégia fundamental para orientar a conduta.

    Tratamento da raiva humana

    Após o início dos sintomas, não existe tratamento eficaz capaz de reverter a doença de forma padronizada. Há relatos raros de sobrevivência com protocolos experimentais intensivos, mas a prevenção continua sendo a única estratégia comprovadamente eficaz.

    Pacientes sintomáticos recebem apenas tratamento de suporte em ambiente hospitalar, geralmente em unidades de terapia intensiva.

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    Perguntas frequentes sobre raiva humana

    1. A raiva humana tem cura?

    Não. Após o início dos sintomas, a raiva quase sempre evolui para óbito. Por isso, a prevenção após a exposição é fundamental.

    2. Toda mordida de animal transmite raiva?

    Não. O risco depende do tipo de animal, do estado de saúde dele, da profundidade da lesão e do local afetado.

    3. É preciso tomar vacina mesmo se a ferida for pequena?

    Sim, dependendo da avaliação médica. Mesmo feridas pequenas podem representar risco, especialmente em regiões como face, mãos e mucosas.

    4. Posso esperar para ver se o animal adoece antes de procurar ajuda?

    Não. A avaliação médica deve ser imediata. Em muitos casos, a decisão sobre vacinação não pode esperar.

    5. A raiva pode ser transmitida por arranhão?

    Sim. Arranhaduras contaminadas com saliva de animal infectado também representam risco.

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