Categoria: Doenças & Condições

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  • Refluxo silencioso: o que é, principais sintomas e como identificar 

    Refluxo silencioso: o que é, principais sintomas e como identificar 

    A sensação de queimação no peito após comer é um dos principais sintomas de refluxo gastroesofágico. Porém, nem sempre a doença se apresenta dessa forma. Em alguns casos, o ácido chega à garganta e às vias respiratórias sem provocar azia. É o chamado refluxo silencioso, condição mais difícil de identificar e que pode comprometer a voz e a saúde da garganta.

    Nesse tipo de refluxo, os sintomas incluem tosse persistente, rouquidão ou sensação de bolo na garganta — sinais que muitas pessoas não relacionam ao estômago. A seguir, veja como reconhecer, diagnosticar e tratar a condição.

    O que é refluxo silencioso?

    O refluxo silencioso é uma forma de doença do refluxo gastroesofágico em que o conteúdo ácido do estômago alcança a garganta e pode atingir as vias respiratórias. Como não causa queimação no peito, é frequentemente confundido com outros problemas e o diagnóstico costuma ser adiado.

    Segundo a gastroenterologista Lívia Guimarães, o termo “silencioso” se refere justamente à ausência de sintomas clássicos, sendo substituídos por incômodos mais vagos.

    Sintomas e como identificar o refluxo silencioso

    • Rouquidão;
    • Tosse crônica;
    • Sensação de bolo na garganta;
    • Pigarro frequente;
    • Dor de garganta recorrente;
    • Dificuldade para engolir;
    • Mau hálito.

    Os sintomas podem surgir após refeições ou à noite, quando a posição deitada facilita o retorno do ácido. Como não há azia, muitos pacientes não associam os sinais ao sistema digestivo.

    Leia também: Dor no peito: aprenda a diferenciar quando é um problema do coração

    Como diferenciar de problemas respiratórios

    Tosse e pigarro também aparecem em alergias, mas há diferenças:

    • Alergias: associadas a coceira, espirros e secreção nasal clara, com gatilhos ambientais como poeira e pólen;
    • Refluxo silencioso: piora após refeições ou à noite e pode causar alterações na voz.

    A observação dos momentos em que os sintomas aparecem ajuda a levantar suspeitas, mas apenas exames médicos confirmam o diagnóstico.

    Como é feito o diagnóstico

    O processo inclui avaliação clínica e exames complementares. Entre eles:

    • Laringoscopia: permite visualizar as pregas vocais, mas não é conclusiva;
    • Impedâncio-pHmetria esofágica de 24h: considerado padrão-ouro, mede o retorno de ácido (ou de conteúdo não ácido) até a garganta.

    Como tratar o refluxo silencioso

    O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. As principais medidas incluem:

    • Perda de peso;
    • Refeições menores e mais frequentes;
    • Evitar álcool, cafeína e comidas gordurosas;
    • Não se deitar logo após comer;
    • Atividade física regular;
    • Boa hidratação.

    Se mudanças de hábitos não forem suficientes, medicamentos para reduzir a produção de ácido ou melhorar o esvaziamento gástrico podem ser prescritos. Casos resistentes podem exigir cirurgia, como a fundoplicatura, que reforça a barreira entre estômago e esôfago.

    Hábitos que ajudam a prevenir crises

    • Evitar refeições grandes antes de dormir;
    • Reduzir cafeína, álcool e alimentos gordurosos;
    • Manter o peso saudável;
    • Beber bastante água;
    • Dormir com a cabeceira da cama elevada.

    Confira: Azia constante: o que pode ser e como melhorar

    O refluxo silencioso pode trazer complicações?

    Sim. Quando não tratado, pode causar lesões nas vias respiratórias, inflamações crônicas na laringe e até aumentar o risco de alterações pré-cancerosas, alerta a especialista.

    Perguntas frequentes sobre refluxo silencioso

    1. O refluxo silencioso pode piorar à noite ou ao deitar?

    Sim. A posição deitada favorece o retorno do ácido, intensificando tosse, pigarro e rouquidão.

    2. Existe relação entre refluxo silencioso e perda de apetite?

    Sim. A condição pode causar náuseas e dor ao engolir, levando à diminuição da ingestão de alimentos e até emagrecimento involuntário.

    3. O tratamento é o mesmo que para o refluxo comum?

    De forma geral, sim: ajustes alimentares, mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos. Mas, no refluxo silencioso, o foco é também proteger a garganta.

    4. O refluxo silencioso afeta mais adultos ou crianças?

    Embora mais comum em adultos, também pode ocorrer em bebês e crianças, com sintomas como engasgos, infecções de ouvido e até crises de asma infantil.

    5. O refluxo silencioso pode provocar falta de ar?

    Sim. O ácido pode atingir as vias aéreas, irritando os brônquios e causando estreitamento, o que leva à sensação de falta de ar — muitas vezes confundida com asma.

    Leia mais: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

  • Glúten e doença celíaca: o que você precisa saber 

    Glúten e doença celíaca: o que você precisa saber 

    Nos últimos anos, o glúten virou uma das palavras mais comentadas quando o assunto é alimentação. Ele está presente em pães, massas, bolos e biscoitos — ou seja, em muitos dos alimentos que fazem parte do cardápio do dia a dia. Para a maioria das pessoas, o consumo não traz problemas. Mas, para quem tem algumas condições de saúde, como a doença celíaca, o glúten pode se tornar um desafio.

    O que pouca gente sabe é que, além da doença celíaca, existem outras questões  relacionadas ao consumo dessa proteína, como a alergia ao trigo e a chamada sensibilidade ao glúten não celíaca. Cada uma delas tem mecanismos distintos, sintomas específicos e formas próprias de diagnóstico e tratamento.

    O que é o glúten

    O glúten é um composto formado principalmente por duas proteínas — a gliadina e a glutenina. Ele está presente em cereais como trigo, centeio, aveia e cevada, além de qualquer preparação feita com esses grãos.

    O consumo de glúten pode estar relacionado a diferentes doenças gastrointestinais, chamadas glúten-relacionadas: alergia ao trigo, doença celíaca e sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC).

    Alergia ao trigo

    A alergia ao trigo é uma reação alérgica do sistema imunológico a proteínas do trigo, principalmente às gliadinas. Os sintomas incluem:

    • Coceira, inchaço, erupções na pele, falta de ar e até anafilaxia;
    • Desenvolvimento rápido, minutos ou horas após a ingestão;
    • Possibilidade de sintomas gastrointestinais, mas sem causar dano permanente ao intestino.

    Sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC)

    A SGNC ainda não tem mecanismo definido, mas apresenta características próprias:

    • Sintomas parecidos com os da doença celíaca;
    • Melhora com a retirada do glúten e retorno dos sintomas quando ele é reintroduzido;
    • O diagnóstico só deve ser feito após descartar alergia ao trigo e doença celíaca.

    Doença celíaca

    Entre as condições relacionadas ao glúten, a doença celíaca é a mais séria, pois causa danos permanentes ao intestino e complicações graves se não for tratada. É uma doença autoimune induzida pelo glúten em pessoas geneticamente suscetíveis. O sistema imunológico reage contra as proteínas do glúten e inflama a mucosa intestinal, achatando as vilosidades — estruturas responsáveis por absorver nutrientes.

    Como consequência, ocorre má absorção de nutrientes e várias complicações clínicas.

    Leia também: 10 alimentos para aumentar a imunidade (e como incluir na dieta)

    Causas e fatores de risco

    A doença celíaca resulta da combinação de predisposição genética, fatores imunológicos e ambientais (principalmente o consumo de glúten). Entre os fatores de risco estão:

    • Histórico familiar;
    • Doenças autoimunes, como diabetes tipo 1 e dermatite herpetiforme;
    • Síndrome do intestino irritável;
    • Síndromes genéticas como Down e Turner;
    • Fadiga crônica.

    Principais sintomas

    • Diarreia;
    • Emagrecimento;
    • Fraqueza e mal-estar;
    • Inchaço e gases;
    • Baixa estatura;
    • Mudança de humor;
    • Anemia.

    Complicações possíveis

    • Anemia por deficiência de ferro ou ácido fólico;
    • Osteoporose e osteomalácia;
    • Jejunite ulcerativa;
    • Linfoma do intestino delgado;
    • Carcinomas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito com:

    • Exames de sangue: avaliam anticorpos específicos;
    • Biópsia intestinal: confirma os danos e avalia as vilosidades intestinais.

    Tratamento

    Não existe cura medicamentosa. O único tratamento eficaz é a dieta sem glúten, de forma permanente e rigorosa.

    • A retirada do glúten melhora os sintomas e a absorção de nutrientes;
    • O acompanhamento com nutricionista é essencial;
    • Pode ser necessária reposição de vitaminas e minerais como ferro, cálcio e ácido fólico.

    Perguntas frequentes sobre glúten e doença celíaca

    1. Glúten faz mal para todo mundo?

    Não. Apenas pessoas com alergia ao trigo, doença celíaca ou SGNC precisam evitá-lo.

    2. A doença celíaca tem cura?

    Não. O único tratamento é a retirada total e permanente do glúten da dieta.

    3. É possível ter sintomas de doença celíaca sem dano ao intestino?

    Sim. Isso pode acontecer na SGNC, quando os sintomas desaparecem sem glúten e retornam com a reintrodução.

    4. Crianças podem desenvolver doença celíaca?

    Sim. A doença pode aparecer em qualquer idade, inclusive na infância.

    5. Quem tem doença celíaca pode consumir produtos “sem glúten” do mercado?

    Sim, mas é importante verificar os rótulos para evitar contaminação cruzada.

    6. Qual exame confirma a doença celíaca?

    A combinação de exames de sangue (anticorpos específicos) e biópsia intestinal.

    7. Posso retirar o glúten por conta própria para ver se me sinto melhor?

    Não é recomendado. Isso pode atrapalhar o diagnóstico correto. A retirada deve ser feita apenas sob orientação médica.

    Leia também: Como montar um prato saudável para todas as refeições?

  • Tratamento da depressão em 2025: o que tem de novo 

    Tratamento da depressão em 2025: o que tem de novo 

    O tratamento da depressão tem evoluído rapidamente nos últimos anos. Em 2025, novas opções surgem para pessoas que já tentaram diferentes antidepressivos sem sucesso, além de alternativas específicas para situações como a depressão pós-parto.

    Essas inovações trazem esperança, mas é importante lembrar: os pilares do tratamento continuam sendo o acompanhamento médico, em que o psiquiatra define a melhor estratégia, a psicoterapia e os cuidados com o estilo de vida.

    O psiquiatra Luiz Dieckmann explica o que há de novo no tratamento da depressão em 2025.

    Escetamina em spray nasal: agora como tratamento único

    A escetamina em spray nasal já vinha sendo usada em casos de depressão resistente, mas precisava ser associada a outro antidepressivo oral.

    A novidade é que, em janeiro de 2025, ela foi aprovada nos Estados Unidos para uso como monoterapia, ou seja, pode ser prescrita sozinha. “Antes era necessário combiná-la com outro antidepressivo oral. Essa mudança abre novas possibilidades para pacientes que já tentaram vários remédios sem melhora”, conta o médico.

    Leia mais: O que é depressão e quais são os principais sintomas

    Psilocibina: psicodélicos no radar

    A psilocibina, substância presente em alguns cogumelos, ganhou destaque em 2025. Em junho, um estudo de fase 3 mostrou que uma única sessão, associada à psicoterapia, trouxe melhora significativa em pessoas com depressão resistente.

    “A psilocibina ainda não foi aprovada, mas o resultado reforça o potencial dos psicodélicos no tratamento, desde que usados em ambiente controlado”, detalha Dieckmann.

    Zuranolona: foco na depressão pós-parto

    Para mulheres com depressão pós-parto, uma novidade importante é a zuranolona, primeira medicação oral aprovada especificamente para essa condição. Ela foi aprovada em 2023 e, em 2025, já está disponível em alguns países.

    Essa opção representa um avanço, já que até então o tratamento era feito apenas com antidepressivos convencionais, sem foco específico nesse tipo de depressão.

    Veja também: O que é ansiedade e por que ela está aumentando

    Dextrometorfano + bupropiona: antidepressivo de ação mais rápida

    Outra combinação que ganhou espaço é a de dextrometorfano com bupropiona. Trata-se de um antidepressivo oral que age mais rápido do que os tradicionais e traz melhora em menos tempo para algumas pessoas.

    Essa rapidez pode ser decisiva em quadros graves, onde esperar semanas para o efeito dos antidepressivos comuns é um desafio.

    O que muda na prática?

    As novidades de 2025 ampliam as alternativas de tratamento. Agora, quem não responde aos antidepressivos convencionais tem opções como:

    • Escetamina em spray nasal, agora aprovada como monoterapia;
    • Psilocibina, ainda em estudo, mas com resultados promissores;
    • Zuranolona, voltada à depressão pós-parto;
    • Dextrometorfano associado à bupropiona, de ação mais rápida.

    Ainda assim, Dieckmann reforça: essas inovações não substituem os pilares do cuidado — acompanhamento médico regular, psicoterapia de qualidade e atenção ao estilo de vida.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes sobre o tratamento da depressão em 2025

    1. O que é depressão resistente?

    É quando o paciente não apresenta melhora mesmo após tentar diferentes antidepressivos convencionais.

    2. O que muda com a escetamina em spray nasal?

    Em 2025, ela passou a ser aprovada como monoterapia, podendo ser usada sozinha em casos de depressão resistente.

    3. A psilocibina já pode ser usada no tratamento da depressão?

    Ainda não. Apesar de estudos de fase 3 mostrarem bons resultados, a psilocibina não tem aprovação clínica.

    4. A zuranolona está disponível no Brasil?

    Por enquanto não. A zuranolona está disponível apenas em alguns países, sendo a primeira medicação oral aprovada para depressão pós-parto.

    5. O que é a combinação de dextrometorfano com bupropiona?

    É um antidepressivo oral de ação mais rápida, indicado quando a resposta imediata é importante.

    6. Esses novos medicamentos substituem a psicoterapia?

    Não. A psicoterapia segue sendo um pilar essencial do tratamento, mesmo com os avanços farmacológicos.

    7. Quem pode ter acesso a essas novidades?

    O acesso depende da aprovação em cada país e, principalmente, da indicação médica. Apenas o psiquiatra pode avaliar a melhor opção em cada caso.

    Confira: Depressão adolescente: sinais e como ajudar com empatia

  • 5 coisas para fazer hoje e proteger o coração contra o infarto 

    5 coisas para fazer hoje e proteger o coração contra o infarto 

    O infarto continua sendo uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo, mas grande parte desses episódios pode ser evitada. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein, mudanças no estilo de vida têm impacto direto na redução do risco de infarto.

    São pequenas escolhas no dia a dia que já fazem uma enorme diferença para manter o coração saudável. Confira cinco dicas simples.

    1. Mantenha uma alimentação equilibrada

    O prato é um dos maiores aliados (ou vilões) do coração. Prefira frutas, legumes, verduras, grãos integrais, leguminosas e peixes. Reduza frituras, ultraprocessados, excesso de sal e açúcar.

    A dieta mediterrânea é apontada em estudos como uma das mais protetoras contra doenças cardiovasculares.

    2. Faça atividade física diariamente

    Não tem como fugir: movimentar o corpo ajuda a controlar pressão, colesterol, glicemia e peso. O ideal é acumular pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana, segundo a OMS. Caminhar, pedalar, nadar ou dançar já valem. O importante é começar.

    3. Não fume

    O tabagismo é um dos maiores fatores de risco para infarto. As substâncias químicas do cigarro danificam as artérias e favorecem o acúmulo de placas de gordura.

    Parar de fumar pode reduzir o risco de infarto pela metade em poucos anos. Se necessário, procure ajuda para abandonar o cigarro. Atualmente, há diversos tratamentos contra o vício.

    4. Controle pressão, colesterol e glicose

    Esses parâmetros, muitas vezes silenciosos, dizem muito sobre a saúde do coração. Fazer exames com frequência ajuda a identificar alterações cedo e tratar antes de complicações.

    Saiba mais: Por que controlar o diabetes é tão importante para o coração

    5. Cuide do sono e do estresse

    Dormir mal e viver sob estresse constante prejudicam o coração. O sono ruim eleva a pressão arterial, enquanto o estresse estimula hábitos nocivos, como comer em excesso ou fumar.

    Procure dormir de 7 a 8 horas por noite. Para lidar com o estresse, aposte em meditação, alongamentos, pausas durante o dia e momentos de lazer.

    Leia também: Quando a falta de ar pode ser sinal de problema no coração

    Perguntas frequentes sobre prevenção do infarto

    1. O risco de infarto aumenta só com a idade?

    A idade é um fator relevante, mas hábitos ruins podem antecipar o risco de infarto em pessoas jovens.

    2. Existe exame específico para prever infarto?

    Não há um único exame para prever o infarto. O médico avalia pressão, colesterol, glicemia, ECG e, em alguns casos, exames de imagem para estimar o risco.

    3. Quem tem histórico familiar de infarto pode evitar a doença?

    Sim. Apesar da genética pesar, hábitos saudáveis reduzem bastante o risco.

    4. O risco de infarto é igual para homens e mulheres?

    Não. Homens jovens têm risco maior, mas após a menopausa o risco das mulheres se iguala ou até supera o dos homens, por isso é importante sempre fazer acompanhamento médico e ter hábitos saudáveis.

    5. Quem já teve um infarto pode evitar que aconteça de novo?

    Sim. Mudanças no estilo de vida, uso correto dos medicamentos e acompanhamento regular reduzem bastante as chances de um novo evento.

    6. Exercícios intensos aumentam o risco de infarto?

    Não, desde que a pessoa passe por avaliação médica antes. A atividade física regular protege o coração. O maior risco está em sedentários que fazem esforço repentino sem preparo.

    Confira também: Infarto em mulheres: sintomas silenciosos que merecem atenção

  • Gordura no fígado: conheça os sintomas e como tratar essa doença 

    Gordura no fígado: conheça os sintomas e como tratar essa doença 

    Nos últimos anos, a doença hepática gordurosa não alcoólica, popularmente chamada de gordura no fígado, ganhou destaque nas consultas médicas. Isso porque os casos têm aumentado junto com o crescimento da obesidade, da síndrome metabólica e de seus componentes, como diabetes e hipertensão.

    Muitas vezes silenciosa, a condição costuma ser descoberta em exames de rotina. Mesmo assim, exige acompanhamento e mudanças de estilo de vida para evitar complicações graves, como cirrose e até câncer de fígado.

    O que é a gordura no fígado?

    A doença hepática gordurosa não alcoólica é um espectro de doenças do fígado caracterizadas pelo depósito de gordura dentro das células hepáticas. Dentro desse grupo estão:

    • Esteatose simples: apenas acúmulo de gordura, sem inflamação;
    • Esteato-hepatite não alcoólica: já apresenta inflamação e pode evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular.

    Causas da doença hepática gordurosa não alcoólica

    A gordura no fígado é considerada multifatorial, ou seja, pode surgir por diferentes razões combinadas. Está fortemente ligada à síndrome metabólica, que inclui:

    • Obesidade abdominal;
    • Diabetes tipo 2;
    • Pressão alta;
    • Colesterol alto (dislipidemia);
    • Triglicérides elevados.

    Um dos pontos centrais é a resistência à insulina, quando o corpo não consegue usar o hormônio de forma adequada, o que aumenta o depósito de gordura no fígado e pode gerar inflamação.

    Em situações menos comuns, a condição pode estar associada a uso de certos medicamentos, drogas, exposição a toxinas, nutrição parenteral prolongada, desnutrição, perda de peso rápida ou cirurgias intestinais específicas.

    Leia também: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

    Sintomas mais comuns

    Na maioria dos casos, a gordura no fígado não provoca sintomas. Quando presentes, os sinais podem incluir:

    • Fadiga;
    • Desconforto ou dor no abdome superior direito;
    • Indigestão (dispepsia).

    Em exames clínicos, é comum observar aumento da circunferência abdominal e gordura visceral. Em alguns pacientes, pode aparecer acantose nigricans (manchas escuras na pele), associada à resistência insulínica.

    Como é feito o diagnóstico?

    Por ser assintomática no início, a condição é geralmente identificada em exames de rotina. Entre os principais exames estão:

    • Exames laboratoriais: alteração de enzimas hepáticas e triglicérides;
    • Ultrassom abdominal: mais usado por ser acessível e capaz de indicar graus de esteatose;
    • Biópsia hepática: indicada em casos graves ou suspeita de esteato-hepatite, para avaliar a extensão do dano.

    Confira: 10 coisas para fazer hoje e ganhar mais anos de vida

    Tratamento

    Não existe medicamento específico para curar a gordura no fígado. O tratamento é baseado em mudanças de estilo de vida:

    • Adotar uma alimentação equilibrada;
    • Praticar atividade física regular;
    • Manter peso saudável;
    • Reduzir ou evitar bebidas alcoólicas.

    Alguns pacientes podem receber suporte com vitamina E ou medicamentos para controlar colesterol e resistência insulínica.

    Como prevenir gordura no fígado

    A prevenção está ligada a hábitos saudáveis, como:

    • Praticar atividade física;
    • Manter alimentação equilibrada;
    • Controlar obesidade abdominal, pressão alta, diabetes e triglicérides;
    • Realizar consultas médicas periódicas.

    Perguntas frequentes sobre gordura no fígado

    1. Gordura no fígado sempre dá sintomas?

    Não. A maioria dos casos é assintomática e descoberta em exames de rotina.

    2. A gordura no fígado pode virar cirrose?

    Sim. Se não tratada, pode evoluir para esteato-hepatite, fibrose e até cirrose.

    3. O consumo de álcool causa gordura no fígado?

    Não. O consumo excessivo de álcool leva à doença hepática alcoólica, que é diferente. Porém, quem já tem gordura no fígado deve evitar álcool.

    4. Como saber se a gordura no fígado é grave?

    Somente o médico pode avaliar por meio de exames laboratoriais, ultrassom ou biópsia.

    5. Perder peso ajuda no tratamento?

    Sim. A perda de peso gradual e saudável é uma das principais formas de reduzir a gordura hepática.

    6. Crianças podem ter gordura no fígado?

    Sim. Embora mais comum em adultos, também pode ocorrer em crianças com obesidade ou síndrome metabólica.

    7. Existe remédio que cura a gordura no fígado?

    Não. O tratamento é baseado em mudanças de estilo de vida, com possíveis medicamentos de suporte conforme indicação médica.

    Leia também: Alimentação saudável: o que é, benefícios e como ter

  • Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer 

    Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer 

    As drogas ilícitas não dão trégua ao coração. Em alguns casos, os efeitos são quase imediatos e podem ser fatais. Substâncias como cocaína e crack aceleram os batimentos, elevam a pressão arterial e aumentam o risco de arritmias. O resultado pode ser um infarto fulminante, mesmo em quem nunca teve histórico de problemas cardíacos.

    O uso frequente dessas substâncias também cobra um preço alto: pressão alta crônica, sobrecarga do sistema cardiovascular e maior risco de acidente vascular cerebral (AVC). Para se ter uma ideia, estudos mostram que a cocaína está ligada a cerca de um quarto dos infartos em pessoas com menos de 45 anos.

    Como as drogas afetam o coração

    Coração saudável e drogas ilícitas não combinam. Além da dependência química, cada substância provoca danos específicos ao sistema cardiovascular.

    Cocaína, crack e anfetaminas

    Essas drogas estimulantes aceleram o ritmo cardíaco (taquicardia), elevam a pressão e aumentam o risco de arritmias perigosas. Também podem causar vasoespasmo, um aperto súbito nas artérias, que reduz o fluxo de sangue para o coração.

    “Essa combinação de espasmo na artéria, pressão elevada e coração acelerado pode levar a um infarto fulminante e morte mesmo em pessoas jovens e sem histórico de doenças cardíacas. Em quem já tem doença no coração, o risco é ainda maior”, alerta a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein.

    Maconha recreativa

    Apesar da fama de mais leve, a maconha também oferece riscos. Pode aumentar a pressão, favorecer arritmias, prejudicar a circulação e facilitar a formação de coágulos. Tudo isso eleva o risco de infarto e AVC.

    “É importante ressaltar que a maconha é diferente da canabis medicinal”, explica a médica.

    “Enquanto a maconha como droga tem elevadas quantidades de THC (tetrahidrocanabinol), responsável pelos efeitos psicotrópicos da droga e também por grande parte dos efeitos nocivos sobre o sistema cardiovascular, a canabis medicinal possui concentração mais elevada de CBD (canabidiol) que tem propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e ansiolíticas”, conta.

    Álcool associado a drogas ilícitas

    O combo álcool com drogas potencializa o perigo. No caso da mistura de cocaína com álcool, o corpo forma compostos químicos que elevam ainda mais o risco de inflamação, arritmias e infarto.

    Drogas injetáveis (heroína)

    Substâncias como heroína, quando aplicadas por via injetável, aumentam o risco de infecções graves no coração. Isso ocorre porque bactérias presentes nas seringas podem atingir as válvulas cardíacas, causando uma condição chamada endocardite.

    “O consumo de drogas é um perigo real para o coração. As drogas podem provocar danos irreversíveis independente de idade ou antecedentes cardiovasculares”, alerta a especialista.

    Leia mais: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

    Doenças cardíacas relacionadas ao uso de drogas

    • Miocardite: inflamação do músculo cardíaco, que pode evoluir para cardiomiopatia (enfraquecimento do coração) e levar à insuficiência cardíaca;
    • Endocardite: infecção que atinge a camada interna do coração (endocárdio) e suas válvulas. Além de danificar as válvulas, pode gerar coágulos que se deslocam para o cérebro (AVC) ou pulmões (embolia pulmonar).

    Quem tem mais risco de endocardite?

    A endocardite pode afetar qualquer pessoa, como aquelas que usam drogas ilícitas, mas alguns grupos são ainda mais vulneráveis:

    • Pessoas com doenças nas válvulas cardíacas;
    • Quem tem cardiopatias congênitas;
    • Pessoas com histórico de febre reumática;
    • Indivíduos que passaram por procedimentos odontológicos, como extração de dentes;
    • Pessoas com imunidade baixa ou que usam dispositivos como marcapassos.

    Perguntas frequentes sobre drogas e coração

    1. É verdade que a cocaína pode causar infarto em pessoas jovens?

    Sim. A cocaína pode provocar infarto fulminante mesmo em pessoas sem doenças cardíacas prévias.

    2. A maconha faz mal para o coração?

    Sim. A maconha recreativa pode aumentar a pressão arterial, o risco de arritmias, infarto e AVC. É diferente da cannabis medicinal, que tem outra composição e uso controlado.

    3. O que é vasoespasmo?

    É um estreitamento súbito das artérias, que reduz o fluxo sanguíneo para o coração. Ele é comum após o uso de drogas como cocaína e crack.

    4. Drogas injetáveis podem causar doenças no coração?

    Sim. O uso de drogas injetáveis aumenta o risco de endocardite infecciosa, uma infecção grave das válvulas cardíacas.

    5. Misturar drogas com álcool aumenta os riscos?

    Sim. A combinação potencializa os efeitos nocivos e aumenta muito as chances de inflamação, arritmias e infarto fulminante.

    6. O que é miocardite?

    É uma inflamação do músculo cardíaco, que pode ser causada pelo uso de drogas e evoluir para insuficiência cardíaca.

    7. Quem já tem problema no coração corre mais risco com o uso de drogas?

    Sim. Pessoas com doenças cardíacas pré-existentes são ainda mais vulneráveis e podem sofrer complicações fatais.

    Leia também: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

  • Entenda a diferença entre tumor benigno e maligno 

    Entenda a diferença entre tumor benigno e maligno 

    Quando alguém recebe a notícia de que tem um tumor, o primeiro pensamento quase sempre é o mesmo: câncer. O medo é natural, já que a palavra carrega um peso enorme. Mas nem todo tumor significa malignidade.

    Por isso, é importante entender a diferença entre tumor benigno e maligno. Existem os tumores benignos, que têm um comportamento bem diferente e, em muitos casos, não oferecem o mesmo risco de vida que os malignos. A confusão acontece porque os dois envolvem o crescimento de células fora do padrão, mas as consequências são diferentes.

    Compreender essa questão é importante para diminuir a ansiedade diante de um diagnóstico e também para buscar o tratamento certo. Enquanto alguns tumores podem ser curados apenas com cirurgia, outros exigem acompanhamento constante e terapias mais complexas.

    Para esclarecer essas questões, conversamos com o oncologista Thiago Chadid, que explica de forma clara como distinguir um tumor benigno de um maligno e quais cuidados cada caso exige.

    O que é um tumor benigno?

    O tumor benigno é formado por um crescimento desordenado de células, mas que permanece restrito ao local onde surgiu. Ele pode até aumentar bastante de tamanho, mas não invade outros tecidos nem se espalha para órgãos distantes.

    “Pode até crescer bastante, mas se for retirado cirurgicamente, está curado”, explica o oncologista.

    Isso não significa, no entanto, que um tumor benigno nunca represente risco. “Se um tumor benigno crescer no cérebro, por exemplo, pode comprimir estruturas vitais e ser letal. Mas ele não se espalha para outros órgãos”, conta o médico.

    O que caracteriza um tumor maligno?

    O tumor maligno, por sua vez, tem a capacidade de invadir outros tecidos e se espalhar pelo corpo, o que se chama de metástase.

    “A partir do momento em que ele consegue lançar células na circulação sanguínea ou invadir outro órgão, é considerado maligno”, afirma o especialista.

    Esse comportamento invasivo torna o tumor maligno mais agressivo e com necessidade de acompanhamento e tratamento rápido.

    Aparência e diagnóstico: como diferenciar?

    De acordo com o oncologista, não existe um sinal clínico definitivo mostre a diferença entre tumor benigno e maligno. “O crescimento rápido, por exemplo, pode estar presente nos dois tipos, embora seja mais sugestivo de malignidade”.

    Em alguns casos, porém, a aparência ajuda a diferenciar. “Em termos de aparência, o tumor benigno tende a ser encapsulado, redondinho, enquanto o maligno é irregular, enraizado”, explica o especialista.

    Mas ele alerta que isso não é uma regra absoluta. “Existem tumores benignos que parecem malignos nas imagens. Só a biópsia confirma o diagnóstico correto”.

    Ou seja, a avaliação médica e os exames são fundamentais para diferenciar com segurança.

    Confira: Imunoterapia: a estratégia que transforma o corpo em arma contra o câncer

    Tumor benigno pode virar maligno?

    Alguns tipos de tumor benigno podem, sim, evoluir para maligno. “Alguns tumores benignos permanecem assim para sempre, porque a mutação celular não permite que evoluam. Outros, porém, podem sofrer alterações e se transformar em malignos. Isso depende do tipo e da natureza do tumor”, explica o médico.

    Por isso, mesmo tumores benignos não devem ser considerados inofensivos. “Em muitos casos, precisam ser retirados cirurgicamente para evitar riscos futuros de malignização”, detalha o oncologista.

    Perguntas frequentes sobre tumor benigno e maligno

    1. Todo tumor é câncer?

    Não. Nem todo tumor é maligno. Muitos tumores são benignos e não se espalham para outros órgãos, mas ainda assim precisam ser avaliados pelo médico e, muitas vezes, removidos por meio de uma cirurgia.

    2. Tumor benigno pode virar maligno?

    Sim, em alguns casos específicos. O oncologista Thiago Chadid explica que isso depende do tipo de tumor, por isso a biópsia é sempre importante para o acompanhamento.

    3. Tumor benigno precisa ser tratado?

    Na maioria das vezes, sim. Mesmo não se espalhando, um tumor benigno pode crescer e causar problemas dependendo da localização, como no cérebro ou em órgãos vitais.

    4. Qual é a principal diferença entre tumor benigno e maligno?

    O benigno cresce apenas no local onde surgiu, enquanto o maligno invade tecidos vizinhos e pode se espalhar pelo corpo (metástase).

    5. Como o médico descobre se o tumor é benigno ou maligno?

    O exame definitivo é a biópsia, que analisa o tecido em laboratório. Imagens de exames podem dar pistas, mas só a análise das células confirma.

    6. O tumor maligno sempre é agressivo?

    Sim, por definição ele é mais perigoso porque pode se espalhar para outros órgãos. Porém, cada tipo de câncer tem um comportamento diferente e o tratamento varia de acordo com o caso.

    Leia mais: 7 sintomas iniciais de câncer que não devem ser ignorados

  • Imunoterapia: a estratégia que transforma o corpo em arma contra o câncer 

    Imunoterapia: a estratégia que transforma o corpo em arma contra o câncer 

    Nos últimos anos, a imunoterapia deixou de ser apenas uma promessa de laboratório para se tornar uma das maiores revoluções no tratamento do câncer. Essa terapia abriu caminho para resultados melhores em tumores até então de difícil controle, como o melanoma e o câncer de pulmão, e trouxe novas perspectivas a médicos e pacientes em todo o mundo.

    Em paralelo, também despertou debates sobre custos, acesso e sobre como selecionar os pacientes que realmente vão se beneficiar dessa estratégia. Mas afinal, o que diferencia a imunoterapia dos tratamentos tradicionais, como a quimioterapia e a radioterapia? Quais são seus limites e até onde ela pode avançar nos próximos anos?

    O oncologista Thiago Chadid explica em detalhes como a imunoterapia funciona e o que já se sabe sobre sua eficácia.

    O que é imunoterapia e como ela se diferencia da quimioterapia

    A imunoterapia é uma modalidade de tratamento, uma linha de terapias. Para entender a diferença para a quimioterapia, é preciso olhar para os métodos tradicionais.

    “A quimioterapia age diretamente nas células do câncer. Em alguns casos, faz com que elas morram. Em outros, impede que continuem se multiplicando”, explica o oncologista.

    Além da quimioterapia, existem os chamados medicamentos alvo, que bloqueiam sinais internos usados pelas células para crescer, e os biológicos, que funcionam como uma espécie de trava nos receptores das células, explica o médico.

    Já a imunoterapia age de um jeito diferente, porque não vai direto nas células do câncer, ela age no sistema de defesa do próprio corpo. Para entender melhor, o câncer muitas vezes consegue enganar essas células de defesa e se esconder delas.

    “É como se o tumor colocasse uma capa de invisibilidade, usando proteínas que confundem o sistema imunológico”, explica o médico. Os principais “truques” usados pelo câncer são duas proteínas chamadas CTLA-4 e PD-L1, que funcionam como botões de liga e desliga para as defesas do organismo.

    A imunoterapia age justamente bloqueando essas proteínas, ou seja, tira a “capa” que esconde o câncer. Assim, as células de defesa do próprio corpo conseguem voltar a reconhecer os tumores como inimigos e passam a atacá-los.

    Em quais tipos de câncer a imunoterapia funciona melhor

    Os resultados da imunoterapia não foram iguais em todos os tumores. “Em tumores como melanoma e câncer de pulmão, a resposta foi impressionante. Já em pâncreas ou vias biliares, não funcionou bem”, conta o médico.

    Isso acontece porque a eficácia depende da diferença entre a célula tumoral e a normal.

    “Quanto mais diferente, mais fácil do sistema imunológico reconhecer e atacar. Em alguns casos, como no câncer de mama, o tumor se parece demais com a célula normal, e aí a imunoterapia não funciona”.

    Outro desafio é o ambiente tumoral. “Há tumores que secretam substâncias no tecido ao redor deles que ‘paralisam’ as células de defesa, como se fosse um gás paralisante”, explica.

    Leia também: 7 sintomas iniciais de câncer que não devem ser ignorados

    Imunoterapia isolada ou em combinação com a quimioterapia?

    A resposta depende do tipo de tumor. “Em alguns tumores, como melanoma e certos tipos de câncer de pulmão ou de rim, só a imunoterapia já é suficiente para o tratamento”, explica Chadid.

    Mas há casos em que a combinação com quimioterapia é essencial. “A quimioterapia destrói células tumorais e libera proteínas que ajudam o sistema imunológico a reconhecer melhor o que é câncer. Então, às vezes, só tirar o ‘disfarce’ do tumor não basta, é preciso também dar pistas ao sistema imunológico”.

    Hoje, essa associação é bastante usada em tumores ginecológicos (endométrio, colo de útero e ovário), além de câncer de bexiga e alguns casos de câncer de rim.

    Efeitos colaterais da imunoterapia

    Os efeitos colaterais são bem diferentes da quimioterapia.

    “Como a imunoterapia tira o freio do sistema imunológico, os efeitos adversos são reações autoimunes. O sistema de defesa do corpo pode atacar células saudáveis por engano”, diz o médico.

    Entre eles estão:

    • Pneumonite (inflamação do pulmão);
    • Nefrite (inflamação nos rins);
    • Tireoidite (inflamação na tireoide);
    • Colite (inflamação no intestino grosso);
    • Diabetes.

    “A frequência varia, mas em geral é baixa: pneumonite aparece em 2% a 5% dos casos, tireoidite em menos de 1%. Ou seja, são raros, mas quando acontecem precisam ser tratados”, alerta.

    O tratamento, nesses casos, envolve a suspensão temporária da imunoterapia e uso de corticoides. “Em casos muito graves, ela precisa ser suspensa definitivamente”.

    Leia também: Como cuidar do coração durante o tratamento do câncer

    Perguntas frequentes sobre imunoterapia contra o câncer

    1. O que é imunoterapia?

    É uma forma de tratamento que estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas.

    2. Em quais tipos de câncer a imunoterapia é mais eficaz?

    Segundo o oncologista Thiago Chadid, funciona melhor em melanoma e câncer de pulmão, enquanto tem baixa eficácia em tumores como pâncreas ou vias biliares.

    3. A imunoterapia pode ser usada sozinha?

    Sim, em alguns tumores, como melanoma e alguns tipos de câncer de pulmão. Em outros, é combinada com quimioterapia ou, se for o caso, não se usa.

    4. Quais são os efeitos colaterais da imunoterapia?

    Podem ocorrer reações autoimunes, como inflamação no pulmão, intestino, tireoide e rins.

    Confira: Saiba em quais situações você deve procurar um oncologista

  • Refluxo gastroesofágico: conheça as causas, sintomas e como tratar 

    Refluxo gastroesofágico: conheça as causas, sintomas e como tratar 

    Imagine sentir uma queimação que sobe do estômago até a garganta depois de uma refeição normal. A sensação pode parecer comum, mas a depender da frequência e de outros sinais associados, pode indicar um quadro de refluxo gastroesofágico.

    A condição, que ocorre quando o ácido gástrico retorna para o esôfago, pode causar não apenas azia, mas tosse persistente, rouquidão, pigarro e até dor no peito. Saber identificar os sintomas é importante para prevenir complicações.

    Afinal, o que é refluxo gastroesofágico e como ele acontece?

    O refluxo gastroesofágico é uma condição em que o conteúdo do estômago, especialmente o ácido gástrico, retorna para o esôfago, o tubo que liga a boca ao estômago.

    De acordo com a gastroenterologista Lívia Guimarães, isso acontece porque o esfíncter esofágico inferior — a válvula que separa as duas estruturas — não consegue se fechar de maneira eficiente, permitindo que o ácido, e às vezes até a bile, suba em direção à garganta.

    Em alguns casos, a falha pode estar ligada também à motilidade do esôfago ou a um atraso no esvaziamento do estômago.

    De forma simples, é como se a porta que deveria abrir para a passagem dos alimentos e fechar logo em seguida ficasse entreaberta. Assim, o suco gástrico, altamente ácido, retorna ao esôfago, cuja mucosa não tem defesa suficiente contra a agressão.

    O contato repetido é o que provoca a sensação de queimação e, a longo prazo, pode levar a inflamações e até complicações de saúde.

    Quais os sintomas mais comuns de refluxo?

    A queimação no peito, também conhecida como azia, é o sintoma mais comum do refluxo. Ela começa na boca do estômago e pode se irradiar até a garganta, causando desconforto intenso, especialmente após refeições maiores ou ao se deitar.

    No entanto, há outros sinais importantes que devem servir de alerta, como:

    • Regurgitação de alimento ou líquido ácido, com gosto amargo na boca;
    • Dor no peito;
    • Tosse seca persistente, especialmente à noite ou ao se deitar;
    • Rouquidão e pigarro, especialmente após refeições ou ao se deitar.

    Quais os fatores de risco do refluxo?

    De acordo com a gastroenterologista Lívia Guimarães, alguns hábitos e condições de saúde aumentam as chances de desenvolver refluxo. Entre eles estão:

    • Sobrepeso e obesidade;
    • Alimentação rica em gorduras e ultraprocessados, que dificultam a digestão;
    • Refeições muito volumosas, que sobrecarregam o sistema digestivo;
    • Tabagismo;
    • Consumo excessivo de álcool, café e refrigerantes, que estimulam o ácido estomacal;
    • Gravidez;
    • Uso de certos medicamentos, como ansiolíticos.

    Como é feito o diagnóstico de refluxo?

    O diagnóstico inicial do refluxo geralmente é feito com base na história clínica e nos sintomas relatados pelo paciente. “Geralmente, conseguimos identificar o quadro pela avaliação clínica. Em casos persistentes ou com sinais de alerta, podem ser indicados exames como endoscopia digestiva alta e pHmetria esofágica”, aponta Lívia Guimarães.

    Os exames ajudam a avaliar se há inflamações no esôfago, medir a acidez que retorna do estômago e verificar a função do esfíncter esofágico inferior.

    Tratamento de refluxo

    1. Mudanças no estilo de vida

    Grande parte dos pacientes apresenta melhora significativa com alguns ajustes na rotina. Entre as orientações médicas mais eficazes estão:

    • Comer porções menores e mais fracionadas ao longo do dia;
    • Evitar se deitar logo após as refeições;
    • Reduzir alimentos gordurosos, ultraprocessados, cafeína, álcool e refrigerantes;
    • Manter um peso saudável;
    • Elevar a cabeceira da cama em alguns centímetros;
    • Identificar possíveis intolerâncias alimentares.

    Além disso, como destaca a gastroenterologista, “exercícios respiratórios diafragmáticos podem ajudar no controle do refluxo, pois fortalecem o esfíncter esofágico inferior e reduzem os episódios, especialmente quando associados às medidas dietéticas e posturais.”

    2. Uso de remédios para refluxo

    Quando as mudanças de hábitos não são suficientes, pode ser necessário o uso de remédios que reduzem a acidez, segundo Lívia Guimarães. Alguns deles incluem:

    • Inibidores da bomba de prótons (IBPs), conhecidos como prazóis;
    • Bloqueadores do receptor H2, como a famotidina;
    • Bloqueadores ácidos competitivos de potássio, como a vonoprazana.

    Segundo o Ministério da Saúde, além de controlar a acidez, alguns medicamentos também ajudam a melhorar a motilidade do esôfago, facilitando o esvaziamento do estômago.

    Leia também: Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Quando a cirurgia para refluxo é necessária?

    A cirurgia é indicada quando os remédios e as mudanças de hábitos não conseguem controlar o refluxo ou quando a pessoa depende de medicação contínua sem melhora significativa.

    Ela também pode ser indicada em casos de hérnia de hiato ou complicações mais graves, como o esôfago de Barrett, que aumenta o risco de câncer, de acordo com a gastroenterologista.

    O Ministério da Saúde aponta que a cirurgia pode ser feita por técnica convencional ou laparoscópica e, normalmente, envolve a confecção de uma válvula antirrefluxo.

    O procedimento é especialmente recomendado em pacientes com hérnia de hiato ou com esofagite grave — quando a acidez constante do suco gástrico começa a alterar as células do esôfago, aumentando o risco de tumores malignos.

    Quais complicações podem surgir se o refluxo não for tratado?

    Se o refluxo não for tratado corretamente, pode trazer consequências mais sérias ao longo do tempo. A gastroenterologista Lívia Guimarães alerta que a irritação constante causada pelo ácido pode provocar esofagite grave, inflamação que machuca a parede do esôfago.

    Em alguns casos, surgem úlceras ou até o estreitamento do esôfago, que dificulta a passagem dos alimentos e causa dor ao engolir. Quando o quadro se torna crônico, pode aparecer o chamado esôfago de Barrett, uma alteração nas células do esôfago que aumenta o risco de câncer.

    Perguntas frequentes sobre refluxo

    1. O refluxo pode causar dor no peito parecida com a de um problema cardíaco?

    Sim, a dor torácica intensa causada pelo refluxo pode imitar a angina ou até um infarto. De acordo com estudos, a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) corresponde a cerca de 30% dos casos de dor torácica não cardíaca. Por isso, toda dor no peito deve ser investigada com atenção.

    2. Existe relação entre refluxo e ansiedade ou estresse emocional?

    Sim, o refluxo pode estar ligado à ansiedade e ao estresse. Quando a pessoa está ansiosa, o corpo produz mais ácido no estômago e os sintomas do refluxo podem piorar. Além disso, o estresse aumenta a sensibilidade: a queimação ou dor acabam sendo sentidas de forma mais intensa.

    Um estudo clínico mostrou que pacientes com refluxo e ansiedade apresentaram melhora quando o tratamento juntou remédio para reduzir o ácido e um medicamento para ansiedade. Isso significa que, em alguns casos, tratar a saúde emocional ajuda também a controlar quadros de refluxo.

    3. O refluxo pode causar mau hálito ou prejudicar os dentes?

    Sim. Estudos mostram que pessoas com refluxo gastroesofágico têm mais chances de sofrer erosão dentária. Isso acontece porque o ácido do estômago, em contato frequente com a boca, desgasta o esmalte e pode levar à perda da estrutura do dente.

    4. Dormir de lado realmente ajuda a reduzir os episódios de refluxo?

    Dormir de lado, especialmente no lado esquerdo, pode ajudar a reduzir os episódios de refluxo. Isso acontece porque, nessa posição, o estômago fica abaixo do esôfago, dificultando o retorno do ácido gástrico. Já deitar do lado direito ou de barriga para cima pode facilitar a subida do conteúdo do estômago, aumentando o desconforto.

    5. Crianças e bebês também podem ter refluxo?

    O refluxo fisiológico é comum em bebês, especialmente até os 12 meses de vida, porque o esfíncter esofágico ainda está imaturo. A maioria melhora espontaneamente após o primeiro ano. Casos persistentes ou acompanhados de perda de peso exigem avaliação médica.

    6. Quem tem refluxo precisa cortar totalmente café, chocolate e álcool?

    Não necessariamente. Quem tem refluxo não precisa cortar totalmente café, chocolate e álcool, mas é importante observar como o corpo reage a esses alimentos. Em alguns casos, eles podem relaxar o esfíncter esofágico inferior e estimular a produção de ácido, favorecendo os episódios de azia e queimação.

    Uma vez que cada organismo responde de formas diferentes, a recomendação é reduzir o consumo, evitar exageros e fazer testes individuais, sempre acompanhado de orientação médica.

    Leia também: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

  • Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta 

    Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta 

    Se você nunca sentiu dor nas costas, pode ser apenas uma questão de tempo: 8 em cada 10 pessoas vão enfrentar ao menos um episódio significativo de dor lombar ao longo da vida, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

    Na maioria das vezes, o incômodo está ligado ao estilo de vida e pode ser aliviado a partir de mudanças simples de hábitos. No entanto, quando a dor surge de forma repentina, é muito intensa, não melhora com repouso ou vem acompanhada de outros sintomas, pode indicar alguma condição de saúde mais séria.

    Mas afinal, quando procurar atendimento médico? A neurocirugiã Ana Camila Gandolfi, do Hospital São Paulo, esclarece quando a dor nas costas é preocupante.

    Afinal, o que causa dor nas costas?

    A região das costas é formada por uma estrutura complexa — ossos, músculos, articulações, discos intervertebrais, nervos e ligamentos. Por isso, qualquer desequilíbrio, seja por má postura, esforço físico exagerado ou até estresse emocional, pode resultar em dor e atrapalhar a realização de atividades diárias.

    Normalmente, o desconforto costuma estar relacionado a situações do dia a dia, como:

    • Passar muitas horas sentado diante do computador;
    • Carregar peso de forma errada;
    • Acúmulo de estresse e tensão emocional;
    • Falta de atividade física;
    • Lesões leves após esforço intenso.

    Nesses casos, a dor tende a melhorar em poucos dias com medidas simples, como repouso, aplicação de calor na região, alongamentos leves e, se necessário, uso de analgésicos comuns. Quando isso não acontece e ela surge acompanhada de outros sintomas, pode ser momento de procurar atendimento médico.

    Quando a dor nas costas pode ser preocupante?

    Segundo a neurocirurgiã Ana Camila Gandolfi, observar as características da dor nas costas é muito importante para identificar se ela pode indicar algo mais grave. A especialista destaca alguns sinais que exigem atenção imediata:

    • Dificuldade motora: perda de força em mãos, pés ou pernas associadas à dor;
    • Dor que acorda à noite: diferente da dor que já impede o sono, é aquela que desperta a pessoa durante a noite;
    • Febre acompanhando a dor: pode indicar a presença de uma infecção;
    • Dificuldade respiratória: quando surge junto da dor nas costas;
    • Alterações neurológicas: como perda de sensibilidade ou quando um simples toque é interpretado pelo corpo como dor.

    Nesses casos, a recomendação é não adiar a consulta médica. Apenas uma avaliação profissional com exames específicos pode identificar a causa e indicar o tratamento adequado.

    Quais problemas estão associados à dor nas costas?

    Uma dor nas costas que persiste por mais de quatro semanas e está acompanhada de outros sintomas, pode indicar condições mais sérias, como:

    1. Doenças respiratórias

    Infecções como pneumonia e pleurisia (inflamação da membrana que envolve os pulmões) podem provocar dor na região torácica das costas. Isso acontece porque os pulmões inflamados aumentam o esforço da musculatura durante a respiração — causando desconforto e dor que pode piorar ao tossir ou inspirar fundo.

    2. Infecção renal

    Os rins ficam localizados na parte inferior das costas, e quando há uma infecção (chamada pielonefrite), é comum que a dor lombar apareça de forma persistente e intensa, muitas vezes em apenas um dos lados.

    O quadro costuma vir acompanhado de febre alta, calafrios, mal-estar, enjoo e alterações na urina, como cheiro forte, ardência ao urinar ou até presença de sangue. Se não tratada, a infecção pode se espalhar para a corrente sanguínea, causando complicações sérias.

    3. Pedra nos rins

    As pedras nos rins, ou cálculos renais, são uma das causas mais comuns de dor lombar súbita e muito forte, chamada cólica renal. A dor costuma surgir de forma inesperada, em ondas, e pode irradiar para a virilha, abdômen inferior e até órgãos genitais. Além disso, podem aparecer sintomas como náusea, vômito, suor excessivo, vontade frequente de urinar e presença de sangue na urina.

    4. Dor ciática

    O nervo ciático é o maior do corpo humano e percorre da lombar até os pés. Quando ele sofre compressão, geralmente por hérnia de disco ou desgaste da coluna, pode causar uma dor que começa na lombar e irradia para glúteos, pernas e até os pés. Além da dor em queimação ou fisgada, é comum a presença de formigamento, dormência e até perda de força muscular.

    5. Hérnia de disco

    A hérnia de disco acontece quando o disco intervertebral, que funciona como uma espécie de “amortecedor” entre as vértebras, se desloca e acaba comprimindo os nervos da coluna. Isso causa dor intensa, normalmente na região lombar ou cervical, que pode irradiar para braços ou pernas.

    Além da dor, o quadro pode causar rigidez, formigamento, dormência e perda de força muscular, dificultando até atividades simples, como se abaixar, subir escadas ou carregar objetos. Em casos mais graves, a hérnia pode limitar bastante a mobilidade e exigir tratamento especializado.

    6. Artrose

    Também chamada de osteoartrite da coluna, a artrose é o desgaste progressivo das articulações ao longo do tempo. É mais comum em pessoas acima dos 50 anos, mas pode aparecer antes em quem sobrecarrega a coluna por fatores como má postura, obesidade ou esforços repetitivos.

    O problema provoca dor crônica, rigidez ao acordar ou após longos períodos parado, estalos e limitação de movimentos.

    7. Abscesso

    Os abscessos próximos à coluna ocorrem quando há acúmulo de pus causado por uma infecção bacteriana. Além da dor persistente e localizada, podem provocar febre, calafrios e mal-estar geral.

    Dependendo da gravidade, a infecção pode comprometer nervos e estruturas importantes da coluna, exigindo tratamento com antibióticos e, em alguns casos, drenagem cirúrgica de urgência. Por isso, é fundamental uma avaliação médica.

    8. Infarto (casos raros)

    Embora mais conhecido pela dor no peito, o infarto também pode irradiar para a região das costas, especialmente entre as escápulas. Quando a dor aparece junto de falta de ar, suor frio, náusea ou pressão no peito, é preciso procurar ajuda médica imediata.

    Como diferenciar dor comum de dor preocupante?

    Nem sempre é fácil distinguir uma dor passageira de uma dor que exige mais atenção, mas alguns sinais podem ajudar a fazer essa diferenciação:

    Dores comuns Dores que merecem atenção
    Melhoram com repouso, alongamentos leves e analgésicos simples. Não aliviam com repouso ou tratamento caseiro e pioram progressivamente.
    Estão associadas ao esforço físico, má postura ou sedentarismo. Pioram à noite ou atrapalham o sono.
    Tendem a desaparecer em poucos dias ou, no máximo, em uma a duas semanas. Persistem por várias semanas ou se intensificam ao longo do tempo.
    Não estão associadas a sintomas sistêmicos. Vêm acompanhadas de febre, perda de peso inexplicável, alterações neurológicas (formigamento, dormência, perda de força) ou incontinência urinária/intestinal.

    Como é feita a investigação?

    Quando a dor nas costas levanta suspeita de algo mais sério, o médico começa a investigação com uma avaliação detalhada — ou seja, uma conversa para entender como a dor começou, a intensidade, duração, fatores que pioram ou aliviam e o histórico de saúde do paciente.

    Também são avaliados hábitos de vida, como prática de exercícios, postura no trabalho e histórico familiar de doenças.

    Em seguida, é realizado um exame físico, onde o especialista observa postura, força muscular, reflexos, sensibilidade e amplitude de movimentos. Isso ajuda a diferenciar se a dor é de origem muscular, nervosa, óssea ou até relacionada a outros órgãos.

    Dependendo do quadro, podem ser solicitados exames complementares, como:

    • Raio-X: útil para identificar fraturas, alterações ósseas e artrose;
    • Ressonância magnética: indicada para avaliar discos intervertebrais, hérnias, nervos e tecidos moles com mais precisão;
    • Tomografia computadorizada: detalha melhor estruturas ósseas e pode ser usada em casos de trauma;
    • Exames laboratoriais: ajudam a investigar infecções, doenças renais, inflamatórias ou sistêmicas que possam estar ligadas à dor.

    Importante destacar que os exames vão depender muito da hipótese diagnóstica: pode ser um exame de imagem, um exame de sangue, uma radiografia do pulmão, do rim ou da coluna. Isso varia conforme a avaliação médica, de acordo com Ana Camila Gandolfi.

    Como prevenir dores nas costas?

    Nem sempre é possível evitar completamente o surgimento de dores nas costas, especialmente quando associadas a predisposição genética e doenças crônicas. No entanto, adotar certos hábitos no dia a dia pode reduzir bastante o risco e até aliviar crises quando elas surgem. Alguns deles incluem:

    • Manter boa postura: sentar-se com a coluna ereta, os pés apoiados no chão e os ombros relaxados; evite ficar curvado por longos períodos;
    • Fortalecer a musculatura: praticar atividades físicas regularmente, principalmente exercícios que fortaleçam abdômen, costas e glúteos;
    • Alongar com frequência: incluir alongamentos leves na rotina, especialmente após longos períodos sentado ou em pé;
    • Cuidar do peso corporal: manter alimentação equilibrada e exercícios para reduzir a sobrecarga na coluna;
    • Evitar carregar peso de forma incorreta: para levantar objetos pesados, dobre os joelhos e mantenha a carga próxima ao corpo.

    Por fim, é fundamental estar atento aos sinais que o corpo dá. Se a dor nas costas aparecer com frequência, não melhorar em alguns dias ou vier acompanhada de outros sintomas (formigamento, febre, perda de força, alterações urinárias), é hora de procurar um médico.

    Perguntas frequentes sobre dor nas costas

    1. Dor nas costas pode ser causada por estresse?

    Sim. O estresse emocional provoca tensão muscular, especialmente na região do pescoço e da lombar. Quando ela é constante, a contração pode causar dor, rigidez e até dor de cabeça. Muitas vezes, o incômodo diminui com técnicas de relaxamento, prática de atividade física, sono adequado e acompanhamento psicológico, se necessário.

    2. Dor nas costas pode estar ligada ao coração?

    Sim, em casos raros. O infarto, por exemplo, pode irradiar dor para a região das costas, principalmente entre as escápulas. Ela geralmente vem acompanhada de pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea e mal-estar. Nesses casos, é uma emergência médica e exige atendimento imediato.

    3. Grávidas sentem mais dor nas costas?

    Sim, pois a gestação altera o centro de gravidade do corpo, aumenta o peso e relaxa ligamentos por conta das mudanças hormonais — o que sobrecarrega a coluna. O resultado é dor lombar frequente, especialmente no final da gravidez. Alongamentos, fisioterapia e exercícios leves podem ajudar, sempre com orientação médica.

    4. O colchão influencia na dor nas costas?

    Sim. O ideal é escolher um colchão que mantenha o alinhamento natural da coluna, nem muito mole nem excessivamente duro. O recomendado é, se possível, trocar o colchão a cada 8 a 10 anos. O travesseiro também deve ser adequado à posição em que você dorme.

    5. Exercício físico ajuda ou piora a dor nas costas?

    Durante crises de dor intensa, o esforço físico exagerado pode piorar o quadro. No entanto, a prática regular de atividade física é uma das principais formas de prevenção, pois fortalece os músculos que dão suporte à coluna e melhora a flexibilidade.

    Atividades como pilates, yoga, caminhada, natação e musculação com orientação profissional podem ser incluídas na rotina.

    6. Caminhar ajuda na dor lombar?

    Caminhadas leves e regulares estimulam a circulação sanguínea, aliviam a rigidez muscular e fortalecem a região lombar e abdominal. É uma atividade segura e acessível para a maioria das pessoas, mas deve ser feita sem sobrecarga e em ritmo confortável.

    7. Como aliviar a dor nas costas?

    O alívio depende da causa, mas em casos simples, medidas como compressa morna, alongamento leve, hidratação, pausas para se movimentar e repouso relativo já ajudam. Em situações mais persistentes, podem ser necessários remédios, fisioterapia ou até procedimentos médicos.

    8. Como diferenciar dor nas costas de dor no pulmão?

    A dor nas costas geralmente piora com movimentos ou esforço físico e pode ser muscular ou nervosa. Já a dor causada por problemas pulmonares (como pneumonia ou pleurisia) costuma estar associada a falta de ar, tosse, febre e piora ao respirar fundo. Nesses casos, é essencial procurar atendimento médico.