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  • Ataque Isquêmico Transitório: o ‘mini-AVC’ que não pode ser ignorado 

    Ataque Isquêmico Transitório: o ‘mini-AVC’ que não pode ser ignorado 

    O ataque isquêmico transitório (AIT) é um evento neurológico causado por uma interrupção temporária do fluxo sanguíneo para o cérebro. Apesar de os sintomas desaparecerem rapidamente, muitas vezes em poucos minutos, ele não deve ser encarado como algo leve.

    Isso porque o AIT é um dos principais sinais de alerta para o risco de acidente vascular cerebral (AVC). Identificar o problema e agir rapidamente pode ser decisivo para evitar complicações mais graves nos dias ou semanas seguintes.

    O que é o ataque isquêmico transitório

    O ataque isquêmico transitório ocorre quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é bloqueado temporariamente.

    Essa interrupção costuma ser causada por:

    • Pequenos coágulos sanguíneos;
    • Placas de gordura (aterosclerose) nas artérias.

    Com a redução do fluxo sanguíneo, o cérebro recebe menos oxigênio e nutrientes, o que provoca sintomas neurológicos.

    A principal característica do ataque isquêmico transitório é que a circulação se restabelece rapidamente, e os sintomas desaparecem completamente.

    Principais sintomas do AIT

    Os sintomas são semelhantes aos do AVC e aparecem de forma súbita.

    Entre os mais comuns estão:

    • Fraqueza ou perda de força em um lado do corpo;
    • Dormência em face, braço ou perna;
    • Dificuldade para falar ou compreender a fala;
    • Perda súbita da visão ou visão turva;
    • Tontura ou dificuldade de equilíbrio.

    Mesmo que os sintomas desapareçam, é essencial procurar atendimento médico imediatamente.

    Por que o ataque isquêmico transitório é um sinal de alerta

    Embora os sintomas sejam temporários, o ataque isquêmico transitório indica que existe um problema na circulação cerebral.

    Após um episódio, o risco de AVC aumenta significativamente.

    Entre os pontos mais importantes:

    • Parte dos pacientes pode ter um AVC nas primeiras 48 horas;
    • O risco permanece elevado nas semanas seguintes.

    Por isso, o AIT é considerado uma emergência médica.

    Quais são os fatores de risco

    Os fatores de risco são semelhantes aos do AVC e estão relacionados à saúde cardiovascular.

    Entre os principais estão:

    • Hipertensão arterial;
    • Diabetes;
    • Colesterol elevado;
    • Tabagismo;
    • Fibrilação atrial;
    • Obesidade e sedentarismo.

    Controlar esses fatores é fundamental para reduzir o risco de novos eventos.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e na avaliação médica.

    Além disso, podem ser solicitados exames para investigar a causa.

    Entre eles:

    • Tomografia ou ressonância magnética do cérebro;
    • Ultrassom doppler das artérias do pescoço;
    • Eletrocardiograma;
    • Ecocardiograma;
    • Exames laboratoriais.

    Esses exames ajudam a identificar alterações nos vasos sanguíneos ou no coração.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento tem como principal objetivo prevenir um AVC.

    As medidas variam conforme a causa identificada, podendo incluir:

    • Uso de medicamentos antiplaquetários, como aspirina;
    • Controle rigoroso da pressão arterial;
    • Tratamento do colesterol elevado;
    • Controle do diabetes;
    • Uso de anticoagulantes em casos específicos.

    Além disso, mudanças no estilo de vida são fundamentais.

    Entre elas:

    • Parar de fumar;
    • Manter alimentação equilibrada;
    • Praticar atividade física regularmente.

    Em alguns casos, podem ser indicados procedimentos para tratar obstruções nas artérias.

    Leia também: Score de risco cardiovascular ajuda a prevenir infarto e AVC? Saiba como é feito o cálculo

    Perguntas frequentes sobre ataque isquêmico transitório

    1. O ataque isquêmico transitório é um tipo de AVC?

    Não exatamente. Ele causa sintomas semelhantes, mas sem lesão permanente no cérebro.

    2. Os sintomas desaparecem completamente?

    Sim. No AIT, os sintomas costumam desaparecer em minutos ou poucas horas.

    3. Mesmo assim é necessário procurar atendimento médico?

    Sim. O ataque isquêmico transitório é um alerta importante e deve ser investigado rapidamente.

    4. Quem tem ataque isquêmico transitório sempre terá um AVC?

    Não, mas o risco aumenta sem tratamento adequado.

    5. Quais são os sintomas mais comuns?

    Fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de visão e alterações de equilíbrio.

    6. O tratamento é feito com medicamentos?

    Na maioria dos casos, sim. Medicamentos ajudam a reduzir o risco de novos eventos.

    7. É possível prevenir novos episódios?

    Sim. O controle dos fatores de risco reduz significativamente as chances de recorrência.

    Veja mais: Chip da beleza pode causar AVC? Conheça os principais riscos dos implantes hormonais

  • Cisto no ovário: sintomas, o que causa, como tratar e qual o melhor remédio

    Cisto no ovário: sintomas, o que causa, como tratar e qual o melhor remédio

    O cisto no ovário é uma alteração relativamente comum no sistema reprodutor feminino, afetando cerca de uma em cada três mulheres em algum momento da vida. Eles ocorrem principalmente em mulheres em idade reprodutiva (15 a 35 anos) e pré-menopausa.

    A maioria dos casos é benigno e desaparece espontaneamente sem necessidade de tratamento, mas dependendo do tipo, do tamanho ou das características da lesão, pode ser necessário acompanhamento médico para descartar possíveis complicações.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer o que causa o cisto no ovário, como é feito o diagnóstico e em que casos ele pode ser maligno. Confira!

    O que é cisto no ovário?

    O cisto no ovário é uma estrutura semelhante a uma pequena bolsa cheia de líquido que se forma dentro ou na superfície do ovário. Na maioria dos casos, é uma alteração benigna que surge como parte do funcionamento normal do ciclo menstrual, e pode aparecer na fase reprodutiva da mulher.

    Durante a ovulação, acontece a formação de um folículo que pode assumir o aspecto de um pequeno cisto. A estrutura costuma desaparecer naturalmente após algumas semanas, sem causar qualquer problema ou sintoma.

    Mas, em situações menos comuns, podem surgir cistos considerados complexos, que apresentam estruturas internas, septações ou componentes sólidos. Nesses casos, existe a necessidade de investigação mais detalhada, pois alguns cistos complexos podem estar associados a tumores ovarianos, incluindo formas malignas.

    Tipos de cistos ovarianos

    Os cistos ovarianos podem ser classificados de acordo com a origem e as características observadas no ultrassom. Andreia aponta os seguintes:

    1. Cisto folicular (fisiológico)

    O cisto folicular é um dos tipos mais comuns de cisto no ovário e está diretamente ligado ao funcionamento normal do ciclo menstrual. Durante cada ciclo, um folículo se desenvolve no ovário para liberar um óvulo no momento da ovulação.

    Quando o folículo cresce, mas não se rompe no momento esperado, o líquido permanece em seu interior e forma um pequeno cisto.

    Frequentemente, o cisto folicular não provoca sintomas e desaparece espontaneamente no ciclo menstrual seguinte.

    2. Cisto de corpo lúteo

    O cisto do corpo lúteo aparece após a ovulação. O folículo que liberou o óvulo sofre modificações e passa a produzir progesterona para sustentar uma possível gestação, segundo Andreia.

    Em alguns casos, o corpo lúteo pode se fechar e acumular líquido ou até pequenas quantidades de sangue em seu interior, formando um cisto temporário, que desaparece espontaneamente após algum tempo.

    3. Cisto hemorrágico

    O cisto hemorrágico ocorre quando há sangramento dentro de um cisto funcional, como um cisto folicular ou de corpo lúteo. O sangue acumulado altera o aspecto do cisto no ultrassom e pode provocar dor abdominal ou pélvica.

    Apesar de causar desconforto em alguns casos, ele costuma se resolver naturalmente ao longo de algumas semanas, à medida que o organismo reabsorve o sangue presente no interior da estrutura.

    4. Endometrioma

    O endometrioma é um tipo de cisto associado à endometriose, uma doença em que o tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, cresce fora do local habitual.

    Quando o tecido se desenvolve dentro do ovário, pode formar um cisto que acumula sangue antigo, frequentemente chamado de “cisto de chocolate” devido ao aspecto escuro do conteúdo. Apesar de benigno, o endometrioma pode causar dor pélvica, cólicas intensas e, em alguns casos, dificuldades para engravidar.

    5. Cistos benignos não fisiológicos

    Existem também cistos que não fazem parte do ciclo hormonal normal, mas que ainda são considerados benignos. Eles podem surgir por diferentes motivos e, muitas vezes, apresentam crescimento mais lento.

    Dependendo do tamanho, das características observadas no ultrassom e da presença de sintomas, o médico pode indicar apenas acompanhamento periódico ou, em alguns casos, a retirada cirúrgica da lesão.

    7. Tumores borderline

    Os tumores borderline são lesões ovarianas que apresentam baixo potencial de malignidade. Elas não são consideradas câncer invasivo, mas possuem características celulares que exigem maior atenção e acompanhamento médico.

    Os tumores podem crescer e causar alterações no organismo, como aumento do volume abdominal ou presença de líquido na cavidade abdominal. O tratamento normalmente envolve avaliação especializada e, em muitos casos, cirurgia.

    8. Tumores ovarianos malignos

    Os tumores malignos do ovário são menos frequentes quando comparados aos cistos benignos, mas precisam de uma investigação cuidadosa e tratamento adequado.

    Elas podem apresentar componentes sólidos, estruturas internas complexas ou alterações específicas nos exames de imagem. Quando há suspeita de malignidade, o médico pode solicitar exames complementares e indicar cirurgia para confirmação diagnóstica e tratamento, de acordo com Andreia.

    Quais os sintomas de cisto no ovário?

    O cisto no ovário normalmente não provoca sintomas e costuma ser identificado em exames de rotina. Quando os sinais aparecem, eles tendem a estar relacionados ao aumento do tamanho do cisto ou a complicações. Os principais incluem:

    • Dor pélvica ou abdominal;
    • Sensação de pressão ou peso na região inferior do abdômen;
    • Distensão abdominal;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Alterações no ciclo menstrual;
    • Dor súbita e intensa quando ocorre ruptura do cisto;
    • Dor aguda associada à torção do ovário;
    • Náuseas ou mal-estar em casos de complicação.

    Segundo Andreia, os sintomas podem aparecer especialmente quando o cisto se rompe, quando cresce muito e provoca efeito de massa (distende o abdômen pela presença de um volume grande) ou, eventualmente, quando ocorre a torção do ovário.

    O que causa o cisto no ovário?

    A causa mais comum do cisto no ovário está relacionada ao próprio processo de ovulação. Durante o ciclo menstrual, os ovários formam folículos que contêm os óvulos. Em algumas situações, o folículo pode não romper ou pode se fechar após a ovulação, acumulando líquido e formando um cisto.

    Além do processo natural de ovulação, o cisto no ovário também pode surgir associado a algumas condições de saúde ou alterações no organismo, como:

    • Alterações hormonais: podem interferir no funcionamento normal do ciclo menstrual e favorecer a formação de cistos ovarianos, principalmente quando há irregularidade na ovulação;
    • Endometriose: ocorre quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Quando esse tecido se desenvolve dentro do ovário, pode formar um cisto chamado endometrioma;
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP): é uma condição hormonal caracterizada pela presença de múltiplos pequenos cistos nos ovários, associada a alterações hormonais que podem afetar a ovulação.
    • Inflamações pélvicas: podem atingir os ovários e favorecer o surgimento de cistos ou outras alterações nas estruturas reprodutivas;
    • Tumores ovarianos benignos ou malignos, em situações mais raras.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do cisto no ovário é feito principalmente por meio do ultrassom pélvico ou transvaginal, de acordo com Andreia. O exame permite visualizar os ovários e identificar a presença de estruturas císticas.

    Além de detectar o cisto, o ultrassom ajuda a avaliar:

    • Tamanho;
    • Formato;
    • Conteúdo interno;
    • Espessura da parede;
    • Presença de estruturas sólidas.

    As características ajudam o médico a diferenciar cistos benignos de lesões que necessitam de investigação adicional. Em alguns casos, podem ser solicitados exames complementares, como exames laboratoriais ou ressonância magnética.

    Na suspeita de cistos malignos, a ginecologista explica que é necessário uma uma biópsia com exame anatomopatológico para confirmar o diagnóstico. A partir da avaliação microscópica do material, é possível determinar se a lesão é benigna, borderline ou maligna, além de orientar o tratamento mais adequado para cada caso.

    Tratamento de cisto no ovário

    O tratamento depende do tipo de cisto, do tamanho, dos sintomas apresentados e da idade da paciente. Segundo Andreia, muitos cistos desaparecem espontaneamente e apenas necessitam de acompanhamento com exames periódicos.

    Quando o cisto apresenta características benignas e não causa sintomas, o médico pode optar apenas pela observação.

    Em situações específicas, pode ser necessário tratamento medicamentoso ou cirurgia para retirada do cisto, principalmente quando há crescimento progressivo, dor intensa ou suspeita de malignidade.

    Quando a cirurgia é indicada?

    A cirurgia pode ser indicada quando existem sinais que sugerem risco ou quando o cisto provoca sintomas importantes:

    • Cistos grandes, principalmente quando ultrapassam cerca de 5 a 10 cm;
    • Dor pélvica persistente ou intensa associada ao cisto;
    • Ruptura do cisto com sangramento importante;
    • Torção do ovário, situação de urgência que causa dor intensa;
    • Características suspeitas no ultrassom, como partes sólidas, septações espessas ou projeções internas;
    • Suspeita de tumor ovariano, quando há risco de malignidade.

    A cirurgia também pode ser considerada quando o cisto interfere na fertilidade ou quando está relacionado a doenças como a endometriose.

    Frequentemente, o procedimento é feito por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva realizada com pequenas incisões no abdômen. Em casos mais complexos ou quando existe suspeita de câncer, pode ser necessário um procedimento cirúrgico mais amplo.

    Remédio para desmanchar o cisto no ovário

    Não existe um medicamento que literalmente “desmanche” o cisto ovariano já formado. O próprio organismo tende a reabsorver o cisto naturalmente ao longo de alguns ciclos menstruais.

    O uso de anticoncepcionais hormonais pode ser indicado em algumas situações, para impedir a ovulação e reduzir a formação de novos cistos funcionais. Mas, em todo caso, a indicação do remédio depende sempre da avaliação médica.

    Cisto no ovário impede a gravidez?

    Os cistos no ovário não costumam impedir a gravidez, uma vez que vários são fisiológicos e fazem parte do funcionamento normal do ciclo menstrual.

    Algumas condições associadas aos cistos podem afetar a fertilidade, como a endometriose e a síndrome dos ovários policísticos. Mas ainda assim, muitas mulheres com as condições conseguem engravidar com acompanhamento médico adequado e tratamento quando necessário.

    É possível evitar o cisto no ovário?

    Nem sempre é possível evitar a formação de cistos no ovário, pois muitos deles surgem naturalmente durante o ciclo menstrual, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco ou facilitar a identificação precoce:

    • Realizar consultas ginecológicas regulares;
    • Fazer exames de rotina, como o ultrassom pélvico ou transvaginal quando indicado;
    • Utilizar métodos contraceptivos hormonais quando recomendados pelo médico, pois eles podem impedir a ovulação e diminuir a formação de cistos funcionais;
    • Tratar condições hormonais ou ginecológicas que possam favorecer o surgimento de cistos.

    O acompanhamento médico é importante para avaliar cada caso individualmente e indicar a melhor abordagem quando necessário.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. Cisto no ovário é perigoso?

    Não na maioria das vezes. A maior parte é funcional e desaparece sozinha. O perigo surge se o cisto for muito grande, houver suspeita de malignidade ou se ele causar a torção do ovário

    2. Qual o tamanho de um cisto no ovário que precisa de cirurgia?

    Geralmente, cistos maiores que 5 a 10 centímetros, ou aqueles que apresentam características sólidas e crescem rapidamente, têm indicação cirúrgica.

    3. Quem tem cisto no ovário pode ter relação sexual?

    Sim, mas se o cisto for grande, a relação pode causar desconforto ou dor (dispareunia). Em casos de cistos volumosos, há um risco pequeno de ruptura durante o ato.

    4. O que acontece se o cisto no ovário romper?

    A ruptura causa uma dor súbita e aguda no baixo ventre. Em alguns casos, o corpo reabsorve o líquido, mas em outros, pode haver sangramento interno, exigindo observação médica imediata.

    5. Quem tem cisto no ovário pode tomar anticoncepcional?

    Sim, o anticoncepcional é frequentemente usado para evitar que novos cistos se formem, embora ele não trate o cisto que já está presente. Mas a prescrição deve ser feita apenas por um médico.

    6. O cisto no ovário pode virar câncer com o tempo?

    Um cisto benigno dificilmente se transforma em câncer. O que acontece é que um tumor pode ser confundido com um cisto simples no início, por isso o acompanhamento com exames de imagem é vital.

    7. Quem tem cisto no ovário pode fazer exercícios físicos?

    Na maioria dos casos, sim. No entanto, se o cisto for volumoso (acima de 5 cm), médicos recomendam evitar atividades de alto impacto ou saltos, devido ao risco de torção ovariana.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Infecções recorrentes: quando isso sai do normal? 

    Infecções recorrentes: quando isso sai do normal? 

    Ter uma infecção de vez em quando faz parte da vida. Resfriados, gripes, infecções urinárias e episódios de candidíase podem acontecer em diferentes momentos, especialmente quando há maior exposição a vírus, bactérias ou fungos.

    O sinal de alerta aparece quando essas infecções passam a se repetir com frequência. Em alguns casos, isso pode estar relacionado a fatores comuns, como sono ruim, estresse, contato frequente com microrganismos ou hábitos do dia a dia. Em outros, pode indicar problemas de saúde que merecem investigação. Saber quando isso foge do esperado ajuda a procurar avaliação médica no momento certo.

    O que são infecções recorrentes

    Infecções recorrentes são episódios repetidos de uma mesma infecção, ou de infecções diferentes, em um intervalo relativamente curto de tempo.

    Em geral, esse quadro passa a chamar atenção quando:

    • O mesmo tipo de infecção acontece várias vezes ao longo do ano;
    • A pessoa tem dificuldade para se recuperar completamente;
    • Os episódios ocorrem com pouco intervalo entre si.

    Dependendo da frequência, da gravidade e do tipo de infecção, pode ser necessário investigar se existe algum fator predisponente.

    Tipos de infecções recorrentes que merecem atenção

    Algumas infecções, quando aparecem repetidamente, costumam justificar uma avaliação médica mais detalhada.

    1. Infecção urinária recorrente

    A infecção urinária recorrente é relativamente comum, especialmente em mulheres.

    Em geral, ela costuma ser considerada recorrente quando ocorre:

    • Duas ou mais vezes em seis meses;
    • Três ou mais vezes em um ano.

    As possíveis causas são:

    • Alterações anatômicas do trato urinário;
    • Relação sexual frequente sem medidas preventivas;
    • Alterações hormonais;
    • Presença de cálculos urinários.

    Em alguns casos, exames adicionais podem ser necessários para identificar a causa.

    2. Infecções respiratórias frequentes

    Resfriados, sinusites, otites ou pneumonias repetidas podem merecer investigação, principalmente quando os episódios são frequentes ou mais graves do que o esperado.

    Entre as possíveis causas estão:

    • Alergias respiratórias;
    • Tabagismo;
    • Exposição frequente a ambientes contaminados;
    • Alterações do sistema imunológico.

    Em crianças pequenas isso pode ser mais comum, mas em adultos episódios repetidos costumam merecer mais atenção.

    3. Infecções de pele recorrentes

    Infecções bacterianas da pele, como furúnculos e abscessos, também podem indicar a presença de fatores predisponentes quando se repetem.

    Entre as causas possíveis estão:

    • Diabetes não diagnosticado;
    • Problemas de higiene ou irritação constante da pele;
    • Colonização por certas bactérias.

    Nessas situações, pode ser necessário avaliar fatores metabólicos ou infecciosos associados.

    4. Candidíase de repetição

    A candidíase recorrente, especialmente em mulheres, pode acontecer por diferentes motivos.

    Entre os fatores associados estão:

    • Uso frequente de antibióticos;
    • Alterações hormonais;
    • Diabetes;
    • Alterações da microbiota vaginal.

    Quando os episódios são frequentes, a avaliação médica ajuda a investigar o que pode estar favorecendo a infecção.

    Quais problemas de saúde podem estar por trás

    Embora muitas infecções recorrentes tenham causas simples, em alguns casos elas podem ser o sinal de um problema mais amplo.

    Entre as condições que podem estar relacionadas estão:

    • Diabetes mellitus, que pode favorecer infecções urinárias, cutâneas e fúngicas;
    • Doenças que afetam o sistema imunológico;
    • Uso de medicamentos imunossupressores;
    • Deficiências nutricionais importantes;
    • Doenças crônicas que alteram a resposta do organismo.

    Por isso, quando as infecções são frequentes, incomuns ou difíceis de tratar, é importante investigar.

    Quando procurar avaliação médica

    Nem toda infecção repetida indica um problema grave. Ainda assim, alguns sinais sugerem que a situação merece atenção médica.

    Entre eles estão:

    • Infecções que ocorrem muitas vezes no mesmo ano;
    • Episódios mais graves do que o esperado;
    • Necessidade frequente de antibióticos;
    • Infecções que demoram muito para melhorar;
    • Presença de outros sintomas, como perda de peso ou cansaço persistente.

    Nessas situações, o médico pode solicitar exames laboratoriais, exames de imagem ou outras avaliações complementares para identificar a causa.

    É sempre sinal de imunidade baixa?

    Não necessariamente.

    Muitas vezes, o que parece imunidade baixa está relacionado a outros fatores, como:

    • Maior exposição a microrganismos;
    • Sono inadequado;
    • Estresse;
    • Tabagismo;
    • Presença de doenças crônicas;
    • Uso de medicamentos que interferem na resposta imune.

    Ou seja, infecções recorrentes podem ter causas variadas, e nem sempre significam uma doença imunológica.

    Dá para prevenir infecções recorrentes?

    Em muitos casos, sim.

    A prevenção depende da causa, mas algumas medidas podem ajudar:

    • Identificar e tratar fatores predisponentes;
    • Controlar doenças crônicas, como diabetes;
    • Melhorar hábitos de sono, alimentação e atividade física;
    • Evitar tabagismo;
    • Seguir corretamente os tratamentos prescritos;
    • Manter acompanhamento médico quando indicado.

    Quando a causa é reconhecida, costuma ser possível reduzir a frequência dos episódios.

    Confira: Nem toda infecção precisa de antibiótico e você precisa entender o porquê

    Perguntas frequentes sobre infecções recorrentes

    1. Ter muitas infecções significa imunidade baixa?

    Nem sempre. Fatores ambientais, exposição a microrganismos e hábitos de vida também podem influenciar.

    2. Infecção urinária frequente é normal?

    Não é incomum, especialmente em mulheres, mas quando ocorre várias vezes por ano pode exigir investigação.

    3. Infecções respiratórias repetidas são preocupantes?

    Dependendo da frequência e da gravidade, podem justificar avaliação médica para investigar possíveis causas.

    4. Diabetes pode causar infecções recorrentes?

    Sim. O diabetes pode favorecer infecções urinárias, de pele e fúngicas.

    5. Quando devo procurar um médico por infecções repetidas?

    Quando as infecções são frequentes, graves, difíceis de tratar ou aparecem associadas a outros sintomas.

    6. Problemas no sistema imunológico podem causar infecções recorrentes?

    Sim. Algumas doenças ou medicamentos podem comprometer a resposta imunológica do organismo.

    7. É possível prevenir infecções recorrentes?

    Em muitos casos, sim. Identificar a causa e adotar medidas preventivas pode reduzir a frequência das infecções.

    Veja mais: Imunodeficiências primárias: conheça a doença que deixa a pessoa mais suscetível a infecções

  • Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva no mundo. A condição ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste internamente o útero, cresce fora do local habitual, podendo provocar dor pélvica, alterações menstruais e dificuldades para engravidar.

    A doença se manifesta de formas diferentes em cada mulher e, em alguns casos, pode evoluir para formas mais complexas, como o endometrioma, um tipo de cisto que se forma no ovário a partir do acúmulo de tecido endometrial e sangue antigo, frequentemente associado à endometriose ovariana.

    Em muitos casos, o endometrioma é identificado durante exames de imagem, como o ultrassom, e pode surgir tanto em mulheres com sintomas quanto em pacientes que realizam investigação ginecológica de rotina.

    O que é endometrioma e como ele se forma?

    O endometrioma, popularmente conhecido como “cisto de chocolate”, é um tipo específico de cisto no ovário que surge como uma complicação da endometriose. Ele se desenvolve quando células semelhantes ao tecido endometrial se implantam na superfície ou no interior dos ovários e passam a responder aos estímulos hormonais do ciclo menstrual.

    A cada ciclo menstrual, as células também sofrem sangramento, assim como ocorre com o endométrio dentro do útero. No entanto, por estarem fora do local habitual, o sangue não encontra saída e se acumula progressivamente, formando uma cavidade preenchida por um líquido espesso, de coloração escura.

    Com o passar do tempo, o cisto pode crescer e comprimir o tecido ovariano saudável ao redor, reduzindo a reserva de folículos e prejudicando a função do ovário. Em casos mais avançados, o endometrioma pode afetar os dois ovários simultaneamente, agravando ainda mais o impacto sobre a fertilidade.

    Causas do endometrioma

    As causas exatas do endometrioma ainda não são completamente entendidas, mas acredita-se que o problema esteja relacionado aos mesmos mecanismos que levam ao desenvolvimento da endometriose.

    Uma delas é a menstruação retrógrada, um processo em que parte do sangue menstrual retorna pelas tubas uterinas e chega à cavidade pélvica. Os fragmentos de tecido endometrial podem se fixar nos ovários e passar a responder aos hormônios do ciclo menstrual.

    Com o tempo, os sangramentos repetidos desses focos podem levar ao acúmulo de sangue antigo dentro do ovário, formando o cisto característico do endometrioma.

    Além da menstruação retrógrada, outros fatores também podem estar envolvidos no surgimento da condição, como:

    • Predisposição genética;
    • Alterações no sistema imunológico;
    • Processos inflamatórios na região pélvica;
    • Fatores hormonais.

    A presença de endometriose é considerada o principal fator associado ao desenvolvimento do endometrioma.

    Quais os sintomas do endometrioma?

    O endometrioma nem sempre causa sintomas, especialmente no início. Mas, quando eles aparecem, costumam estar relacionadas à própria endometriose e ao processo inflamatório provocado pela doença. Os mais comuns incluem:

    • Dor pélvica (dor na parte baixa da barriga);
    • Cólica menstrual forte, que pode piorar com o tempo;
    • Dor durante ou após a relação sexual;
    • Dificuldade para engravidar;
    • Sensação de peso ou pressão na parte inferior do abdômen;
    • Inchaço abdominal em alguns casos.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, em alguns casos, o cisto pode romper ou causar torção do ovário, causando uma dor súbita e muito intensa no abdômen. Nessas situações, a especialista explica que a paciente deve procurar atendimento médico rapidamente.

    Como é feito o diagnóstico do endometrioma?

    O diagnóstico do endometrioma costuma ser feito por meio da ultrassonografia pélvica ou transvaginal, que é um exame de imagem bastante utilizado na avaliação ginecológica.

    De acordo com Andreia, o endometrioma é considerado um cisto de ovário complexo, porque não corresponde a um cisto simples relacionado à ovulação. Ele possui um conteúdo espesso formado por sangue antigo, resultado dos sangramentos repetidos do tecido endometrial fora do útero.

    Por isso, o cisto apresenta características muito típicas no ultrassom, o que permite ao médico levantar uma forte suspeita diagnóstica durante o exame. Em muitos casos, apenas a ultrassonografia já é suficiente para identificar o cisto e orientar o acompanhamento.

    Depois da identificação, a abordagem do médico, seja apenas acompanhamento ou tratamento, depende de fatores como o tipo de cisto, o tamanho da lesão e os sintomas apresentados pela paciente.

    Qual o tratamento de endometrioma?

    O tratamento do endometrioma depende de fatores como tamanho do cisto, os sintomas apresentados e o desejo de engravidar da mulher.

    Quando o endometrioma é pequeno e não provoca sintomas importantes, o médico pode optar apenas pelo acompanhamento periódico com ultrassom. Nesse caso, o objetivo é observar se o cisto permanece estável ou se apresenta crescimento ao longo do tempo.

    Para mulheres que não estão tentando engravidar, pode ser indicado tratamento hormonal, normalmente com pílula anticoncepcional ou outros métodos hormonais. Ele ajuda a reduzir a atividade da endometriose e pode controlar os sintomas, como dor pélvica e cólicas intensas.

    Quando a cirurgia é indicada?

    De acordo com Andreia, a cirurgia é indicada em algumas situações específicas, como:

    • O endometrioma tem mais de 6 cm de diâmetro;
    • Há ruptura do cisto, causando dor aguda intensa;
    • A paciente está tentando engravidar, especialmente quando há indicação de cirurgia para tratar a endometriose;
    • O tratamento clínico não apresenta resposta adequada;
    • Existem sintomas persistentes, como dor pélvica importante.

    Durante o procedimento, o objetivo principal é retirar o cisto e preservar ao máximo o tecido saudável do ovário. Como o endometrioma é uma doença benigna, a retirada completa do ovário costuma ser evitada sempre que possível.

    Endometrioma pode voltar após o tratamento?

    Mesmo após uma cirurgia bem realizada, se a paciente voltar a menstruar, Andreia explica que existe risco de formação de um novo endometrioma. Isso acontece porque a condição está relacionada à endometriose, que pode continuar ativa ao longo dos ciclos hormonais.

    Durante a gravidez, por exemplo, o eixo hormonal fica temporariamente bloqueado e a menstruação não ocorre, o que reduz a chance de recorrência naquele período.

    Mas, depois do retorno dos ciclos menstruais, o risco volta a existir. A realização de um tratamento prévio não impede completamente o reaparecimento da doença. A endometriose tende a deixar de evoluir apenas após a chegada da menopausa.

    Endometrioma pode virar câncer?

    O endometrioma é uma condição benigna, não sendo considerada um câncer. Na grande maioria dos casos, o cisto permanece benigno ao longo do tempo e não evolui para um tumor maligno.

    Mas, em casos extremamente raros, o endometrioma pode se transformar em câncer de ovário, especificamente tipos como o carcinoma de células claras ou endometrioide. A situação é incomum e costuma estar associada a fatores como idade mais avançada, presença de endometriose de longa duração ou alterações suspeitas observadas em exames de imagem.

    Por isso, é necessário manter o acompanhamento ginecológico regular, com avaliação clínica e realização de exames de imagem, o que permite observar o comportamento do cisto ao longo do tempo, identificar possíveis mudanças e definir, quando necessário, o tratamento mais indicado.

    Endometrioma tem cura?

    O endometrioma pode ser tratado e removido, principalmente por meio de cirurgia quando há indicação. No entanto, ele está ligado à endometriose, uma condição crônica que pode reaparecer ao longo do tempo.

    Mesmo após a retirada do cisto, existe a possibilidade de surgirem novos focos de endometriose ou de ocorrer a formação de outro endometrioma, especialmente se a paciente continuar menstruando.

    Por esse motivo, o tratamento do endometrioma costuma ter como objetivo controlar os sintomas, evitar a progressão da doença e preservar a função dos ovários, especialmente em mulheres que desejam engravidar.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a diferença exata entre endometriose e endometrioma?

    A endometriose é a doença onde o tecido endometrial cresce fora do útero. O endometrioma é uma consequência específica da doença: é um cisto que se forma nos ovários quando o tecido se instala ali. Portanto, quem tem endometrioma tem, obrigatoriamente, endometriose.

    2. Por que o endometrioma é chamado de “cisto de chocolate”?

    Porque o sangue acumulado dentro do cisto não tem para onde sair. Com o tempo, ele oxida e se torna marrom e espesso, ficando com o aspecto visual de chocolate derretido.

    3. É possível ter endometrioma e não sentir nenhuma dor?

    Sim. Algumas mulheres descobrem o cisto por acaso em exames de rotina. O tamanho do cisto nem sempre é proporcional à dor: cistos pequenos podem doer muito e cistos grandes podem ser silenciosos.

    4. Quem tem endometrioma pode engravidar naturalmente?

    Sim, é possível. Porém, o endometrioma pode dificultar a gestação por afetar a qualidade dos óvulos, impedir a ovulação ou causar obstruções nas tubas. Muitas mulheres precisam de ajuda especializada ou cirurgia prévia.

    5. A cirurgia para retirar o endometrioma prejudica a reserva ovariana?

    Existe esse risco. Ao retirar a cápsula do cisto, uma parte do tecido ovariano saudável (e seus óvulos) pode ser removida junto. Por isso, a decisão cirúrgica deve ser muito bem planejada, especialmente se a mulher deseja engravidar.

    6. Quem tem endometrioma pode praticar exercícios físicos?

    Sim, o exercício libera endorfinas (analgésicos naturais) e ajuda a reduzir os níveis de estrogênio no corpo. No entanto, durante crises de dor, atividades leves como ioga e caminhada são as mais recomendadas.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

  • Paralisia de Bell: por que um lado do rosto pode paralisar de repente 

    Paralisia de Bell: por que um lado do rosto pode paralisar de repente 

    A paralisia de Bell é a forma mais comum de paralisia facial periférica e provoca fraqueza súbita dos músculos de um lado do rosto. A condição ocorre quando o nervo facial, responsável pelos movimentos da face, é afetado por inflamação.

    O início costuma ser rápido, muitas vezes ao longo de poucas horas ou dias. Embora a situação possa causar grande preocupação, especialmente pelo aspecto repentino da fraqueza facial, a maioria dos casos apresenta boa recuperação quando reconhecida e tratada precocemente.

    O que é paralisia de Bell

    A paralisia de Bell é uma condição caracterizada por fraqueza ou paralisia súbita dos músculos de um lado da face.

    Ela ocorre devido ao comprometimento do nervo facial (sétimo par craniano), que controla diversas funções importantes.

    Entre elas estão:

    • Movimentos dos músculos da face;
    • Produção de lágrimas;
    • Produção de saliva;
    • Parte da percepção do paladar.

    A doença é considerada idiopática, o que significa que na maioria dos casos não é possível identificar uma causa específica.

    Estima-se que a paralisia de Bell represente cerca de metade de todos os casos de paralisia facial periférica, com incidência anual entre 12 e 50 casos por 100 mil pessoas.

    Embora possa ocorrer em qualquer idade, alguns grupos apresentam risco um pouco maior.

    Entre eles estão:

    • Gestantes, especialmente no terceiro trimestre ou logo após o parto;
    • Pessoas com diabetes.

    O que causa a paralisia de Bell

    A paralisia de Bell ocorre quando há inflamação do nervo facial.

    Esse nervo passa por um canal ósseo estreito dentro do crânio. Quando ocorre inflamação e inchaço, o espaço reduzido pode comprimir o nervo e prejudicar a condução dos impulsos nervosos.

    Diversos fatores podem estar associados ao quadro.

    Entre os mais frequentemente citados estão infecções virais, como:

    • Vírus herpes simplex tipo 1;
    • Vírus varicela-zoster;
    • Citomegalovírus;
    • Vírus Epstein-Barr;
    • Adenovírus;
    • Influenza;
    • Coxsackie vírus;
    • SARS-CoV-2.

    Além das infecções, outros fatores também podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

    Entre eles estão:

    • Alterações microvasculares associadas ao diabetes;
    • Mudanças hormonais e imunológicas durante a gestação;
    • Retenção de líquidos que pode aumentar a compressão do nervo.

    Em alguns casos, também foi sugerida a possibilidade de predisposição genética.

    Sintomas da paralisia de Bell

    O principal sintoma é a fraqueza súbita de um lado do rosto, que geralmente se desenvolve em poucas horas ou até cerca de três dias.

    Como o nervo facial controla diversos músculos da face, diferentes sinais podem surgir.

    Entre os mais comuns estão:

    • Queda de um lado da boca;
    • Dificuldade de sorrir ou mostrar os dentes;
    • Incapacidade de fechar completamente o olho do lado afetado;
    • Dificuldade de levantar a sobrancelha;
    • Desaparecimento do sulco entre nariz e boca.

    Uma característica importante da paralisia de Bell é que tanto a parte superior quanto inferior da face ficam comprometidas.

    Isso ajuda a diferenciar a condição de algumas causas centrais de paralisia facial, como o acidente vascular cerebral, que geralmente preserva os músculos da testa.

    Outros sintomas também podem ocorrer porque o nervo facial possui funções sensoriais e autonômicas.

    Entre eles estão:

    • Dor atrás da orelha antes ou no início dos sintomas;
    • Alteração do paladar nos dois terços anteriores da língua;
    • Sensibilidade aumentada a sons (hiperacusia);
    • Redução da produção de lágrimas;
    • Diminuição da salivação.

    Os sintomas podem piorar por alguns dias até atingir um ponto máximo e, depois, estabilizar.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico da paralisia de Bell é principalmente clínico, baseado nos sintomas e no exame físico.

    Durante a avaliação, o médico costuma analisar:

    • Fraqueza facial unilateral;
    • Envolvimento da parte superior e inferior do rosto;
    • Início súbito dos sintomas.

    Durante o exame físico podem ser solicitados alguns movimentos faciais para avaliar o funcionamento do nervo.

    Entre eles:

    • Fechar os olhos com força;
    • Levantar as sobrancelhas;
    • Franzir a testa;
    • Mostrar os dentes;
    • Assobiar.

    Na maioria dos casos típicos, exames complementares não são necessários.

    No entanto, investigação adicional pode ser indicada quando existem sinais atípicos.

    Entre eles:

    • Fraqueza facial bilateral;
    • Presença de outros sintomas neurológicos;
    • Febre ou sinais sistêmicos;
    • Lesões ou vesículas no ouvido;
    • Piora progressiva por mais de três semanas;
    • Ausência de melhora após alguns meses.

    Nessas situações podem ser realizados exames como ressonância magnética, exames laboratoriais ou estudos eletrofisiológicos.

    Entre os diagnósticos diferenciais estão:

    • Síndrome de Ramsay Hunt;
    • Doença de Lyme;
    • Infecções do ouvido médio;
    • Tumores;
    • Doenças inflamatórias;
    • Acidente vascular cerebral.

    Tratamento da paralisia de Bell

    O tratamento tem como objetivo principal reduzir a inflamação do nervo facial e proteger o olho do lado afetado.

    Na maioria dos casos, o tratamento envolve:

    • Uso de corticoides;
    • Proteção do olho afetado;
    • Acompanhamento médico.

    Os corticoides são considerados o tratamento principal, especialmente quando iniciados nas primeiras 72 horas após o início dos sintomas. Em alguns casos, podem ser associados medicamentos antivirais.

    Outro aspecto fundamental é a proteção do olho. Como muitos pacientes não conseguem fechar completamente a pálpebra do lado afetado, pode ocorrer ressecamento da córnea.

    As medidas utilizadas são:

    • Uso de colírios lubrificantes;
    • Pomadas oftálmicas;
    • Proteção ocular durante o sono.

    Em alguns pacientes também pode ser indicada fisioterapia facial para auxiliar na recuperação dos movimentos.

    Prognóstico e recuperação

    A maioria das pessoas apresenta melhora gradual ao longo das semanas ou meses seguintes.

    A recuperação depende de alguns fatores.

    Entre eles:

    • Gravidade inicial da paralisia;
    • Rapidez no início do tratamento;
    • Condições de saúde do paciente.

    Em muitos casos ocorre recuperação completa da função facial.

    Veja mais: Síndrome de Guillain-Barré: quando a fraqueza surge de forma rápida

    Perguntas frequentes sobre paralisia de Bell

    1. A paralisia de Bell aparece de repente?

    Sim. Os sintomas costumam surgir rapidamente, geralmente em poucas horas ou dias.

    2. A paralisia de Bell pode ser confundida com AVC?

    Pode. Por isso, qualquer fraqueza facial súbita deve ser avaliada por um médico.

    3. A doença tem cura?

    Na maioria dos casos ocorre recuperação completa ou quase completa.

    4. Quanto tempo dura a paralisia de Bell?

    A melhora costuma começar em algumas semanas, mas a recuperação total pode levar meses.

    5. Exercícios faciais ajudam na recuperação?

    Em alguns casos, fisioterapia facial pode ajudar a recuperar os movimentos.

    6. A paralisia de Bell pode voltar?

    É possível, mas a recorrência é relativamente rara.

    7. Gestantes podem ter paralisia de Bell?

    Sim. A condição é um pouco mais comum durante o final da gestação ou logo após o parto.

    Veja mais: Chip da beleza pode causar AVC? Conheça os principais riscos dos implantes hormonais

  • Alergia à penicilina: quais antibióticos podem substituir? 

    Alergia à penicilina: quais antibióticos podem substituir? 

    A penicilina está entre os antibióticos mais utilizados no mundo e faz parte do tratamento de diversas infecções bacterianas. No entanto, algumas pessoas desenvolvem reações alérgicas a medicamentos dessa família.

    A suspeita de alergia à penicilina é relativamente comum. Curiosamente, muitos pacientes que acreditam ser alérgicos não apresentam alergia verdadeira quando investigados com testes específicos. Entender como essa alergia ocorre e quais são as alternativas terapêuticas ajuda a evitar riscos e ampliar as opções de tratamento.

    O que é alergia à penicilina

    A alergia à penicilina é uma reação do sistema imunológico contra antibióticos da família das penicilinas.

    Entre os medicamentos dessa classe estão:

    • Penicilina benzatina;
    • Penicilina cristalina;
    • Amoxicilina;
    • Ampicilina.

    Quando ocorre alergia, o sistema imunológico reconhece o medicamento como uma substância estranha e desencadeia uma reação inflamatória.

    As reações podem ser classificadas em dois tipos principais:

    • Reações imediatas, que surgem minutos ou poucas horas após o uso;
    • Reações tardias, que aparecem horas ou dias depois.

    Na maioria das vezes os sintomas são leves, mas em alguns casos pode ocorrer anafilaxia, uma reação grave que exige atendimento médico imediato.

    Por que a alergia acontece

    A alergia ocorre quando o organismo produz anticorpos contra componentes do antibiótico ou contra substâncias formadas durante o metabolismo do medicamento.

    Essa resposta imunológica pode provocar diferentes manifestações clínicas.

    Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver alergia:

    • Histórico prévio de reação alérgica a antibióticos;
    • Presença de outras doenças alérgicas, como rinite ou asma;
    • Uso repetido de penicilinas ao longo da vida.

    Em alguns casos, sintomas atribuídos à alergia podem na verdade ser efeitos adversos do medicamento ou manifestações da própria infecção.

    Sintomas da alergia à penicilina

    Os sintomas podem variar bastante de intensidade.

    Entre os mais comuns estão:

    • Manchas vermelhas na pele;
    • Coceira;
    • Urticária;
    • Inchaço nos lábios ou pálpebras;
    • Náuseas ou vômitos.

    Em reações mais graves podem ocorrer:

    • Dificuldade para respirar;
    • Chiado no peito;
    • Queda da pressão arterial;
    • Tontura ou desmaio.

    Esses sinais podem indicar anafilaxia, uma emergência médica.

    Também podem ocorrer reações tardias, como erupções cutâneas que aparecem dias após o início do antibiótico.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico da alergia à penicilina é baseado principalmente na história clínica do paciente.

    O médico costuma avaliar:

    • Qual antibiótico foi utilizado;
    • Quanto tempo após o uso os sintomas apareceram;
    • Quais sintomas ocorreram;
    • Se houve necessidade de atendimento médico.

    Em alguns casos, podem ser realizados exames específicos.

    Entre os principais estão:

    • Testes cutâneos;
    • Testes de provocação controlada.

    Esses testes são realizados em ambiente médico especializado, pois existe risco de reação alérgica.

    A investigação é importante porque muitas pessoas carregam o diagnóstico de alergia por anos sem realmente serem alérgicas, o que pode limitar opções de tratamento.

    Quem tem alergia à penicilina pode tomar amoxicilina?

    A amoxicilina pertence à mesma família das penicilinas.

    Por isso, em pessoas com alergia confirmada à penicilina, o uso de amoxicilina geralmente deve ser evitado, pois existe risco de reação cruzada.

    No entanto, em muitos casos a suposta alergia não é confirmada quando investigada adequadamente.

    Quando existe dúvida, testes alergológicos podem ajudar a confirmar ou excluir o diagnóstico. Se a alergia for confirmada, o médico normalmente opta por antibióticos de outras classes.

    Quais são as alternativas de antibióticos?

    A escolha do antibiótico alternativo depende do tipo de infecção e do perfil do paciente.

    1. Macrolídeos

    Entre os exemplos estão:

    • Azitromicina;
    • Claritromicina.

    São frequentemente utilizados em infecções respiratórias.

    2. Tetraciclinas

    Entre os exemplos está a doxiciclina.

    Podem ser usadas em diferentes tipos de infecções bacterianas.

    3. Fluoroquinolonas

    Entre os exemplos estão:

    • Levofloxacino;
    • Ciprofloxacino.

    São antibióticos de amplo espectro utilizados em infecções específicas.

    4. Sulfonamidas

    Entre os exemplos estão:

    • Sulfametoxazol-trimetoprima.

    Podem ser usados em algumas infecções urinárias e respiratórias.

    5. Cefalosporinas

    Algumas cefalosporinas podem ser utilizadas com cautela em pacientes com alergia leve à penicilina.

    Isso ocorre porque o risco de reação cruzada é relativamente baixo em muitas situações, mas a decisão deve sempre ser avaliada pelo médico.

    Como é o tratamento da alergia à penicilina

    O tratamento depende da gravidade da reação.

    Nos casos leves, o manejo pode incluir:

    • Suspensão do antibiótico;
    • Uso de anti-histamínicos;
    • Acompanhamento médico.

    Nas reações graves, como anafilaxia, pode ser necessário:

    • Administração de adrenalina;
    • Oxigênio;
    • Medicamentos intravenosos;
    • Observação hospitalar.

    Após uma reação alérgica confirmada, é importante informar sempre aos profissionais de saúde sobre a alergia antes de receber novos medicamentos.

    Em alguns casos específicos, quando a penicilina é o melhor tratamento disponível, pode ser realizado um procedimento chamado dessensibilização, no qual pequenas doses do medicamento são administradas progressivamente sob supervisão médica.

    Confira: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

    Perguntas frequentes sobre alergia à penicilina

    1. Quem tem alergia à penicilina pode tomar amoxicilina?

    Geralmente não. A amoxicilina pertence à mesma família e pode causar reação cruzada.

    2. Muitas pessoas acreditam ser alérgicas sem realmente serem?

    Sim. Estudos mostram que grande parte dos pacientes rotulados como alérgicos não apresenta alergia verdadeira.

    3. Como saber se sou realmente alérgico?

    A avaliação médica e, em alguns casos, testes alergológicos podem confirmar ou excluir o diagnóstico.

    4. Quais antibióticos podem substituir a penicilina?

    Depende da infecção, mas macrolídeos, tetraciclinas, fluoroquinolonas e algumas cefalosporinas podem ser utilizados.

    5. A alergia à penicilina pode desaparecer com o tempo?

    Em alguns casos, sim. A sensibilidade pode diminuir ao longo dos anos.

    6. O que fazer se tiver reação alérgica ao antibiótico?

    Suspender o medicamento e procurar avaliação médica imediatamente.

    7. Existe tratamento quando a penicilina é necessária?

    Sim. Em situações específicas pode ser realizada dessensibilização sob supervisão médica.

    Veja também: Nem toda infecção precisa de antibiótico e você precisa entender o porquê

  • Sarcopenia: o que é, sintomas, tratamento e se tem cura 

    Sarcopenia: o que é, sintomas, tratamento e se tem cura 

    A perda gradual de massa muscular, da força e da capacidade física é uma condição que atinge mais de 28 milhões de idosos no Brasil e pode impactar diretamente a autonomia, a mobilidade e a qualidade de vida ao longo do envelhecimento, tornando as tarefas simples do dia a dia cada vez mais difíceis.

    Conhecida como sarcopenia, ela está associada ao aumento do risco de quedas, fraturas, hospitalizações e perda da independência funcional. E, apesar de mais comum em idosos a partir dos 60 anos, vale apontar que pessoas jovens com doenças crônicas ou hábitos sedentários extremos também podem desenvolver o problema.

    Afinal, o que é sarcopenia?

    A sarcopenia é uma condição caracterizada pela perda progressiva e generalizada da massa, força e qualidade dos músculos. Na prática, ela acontece quando o organismo passa a perder mais músculo do que consegue reconstruir.

    Com o avanço da idade, acontecem mudanças hormonais, diminuição da atividade física, menor ingestão de proteínas e alterações metabólicas que favorecem a redução da massa muscular.

    Como o músculo é fundamental para o equilíbrio, a locomoção e a realização das tarefas diárias, a condição pode comprometer a autonomia e aumentar o risco de quedas e lesões.

    Vale apontar que é normal o corpo humano perder massa muscular naturalmente por volta dos 30 ou 40 anos de idade, mas a sarcopenia não deve ser confundida com o envelhecimento comum.

    Ela é um processo acelerado que compromete a funcionalidade da pessoa e, em termos práticos, significa que o músculo perde a capacidade de gerar potência e resistência, e não apenas diminui de tamanho.

    Por que acontece?

    A sarcopenia acontece por uma combinação de fatores biológicos, estilo de vida e alterações hormonais que desequilibram o processo natural entre a formação e a degradação das fibras musculares. Os principais incluem:

    Envelhecimento natural e alterações hormonais

    Com o avanço da idade, o corpo reduz progressivamente a produção de hormônios anabólicos, como a testosterona, o estrogênio e o hormônio do crescimento (GH).

    Os hormônios funcionam como sinais biológicos que estimulam a manutenção e o aumento da massa muscular. Com a diminuição desses estímulos, o tecido muscular tende a sofrer atrofia gradual.

    Além disso, ocorre a perda de unidades motoras, neurônios responsáveis por transmitir os comandos do cérebro aos músculos — o que leva à morte de fibras musculares por falta de estímulo nervoso adequado.

    Sedentarismo

    O músculo é um tecido metabolicamente ativo e, por isso, precisa de energia para ser mantido. Quando ele não é utilizado com frequência, o organismo passa a economizar recursos e reduz sua estrutura muscular.

    O sedentarismo é considerado um dos principais fatores de risco para a sarcopenia, já que a ausência de exercícios resistidos, como a musculação, diminui o estímulo mecânico necessário para a síntese de novas proteínas musculares.

    Alimentação inadequada e baixa ingestão de proteínas

    As proteínas dos alimentos são quebradas em pequenas partes chamadas aminoácidos, que funcionam como “blocos de construção” do músculo.

    Com o avanço da idade ou na presença de algumas doenças, o corpo pode ter mais dificuldade para aproveitar a proteína consumida, situação conhecida como resistência anabólica.

    Quando a alimentação tem pouca proteína (como carnes, ovos, leite, leguminosas ou fontes equivalentes), o organismo passa a retirar nutrientes do próprio músculo para manter funções importantes, o que favorece a perda de massa muscular.

    Inflamação crônica e doenças associadas

    Algumas doenças crônicas, como diabetes, obesidade, insuficiência renal e câncer, podem manter o corpo em um estado constante de inflamação. Nessa situação, o organismo libera substâncias inflamatórias que aceleram a quebra das fibras musculares.

    No caso do diabetes, por exemplo, a resistência à insulina dificulta a entrada de nutrientes nas células do músculo, prejudicando a sua recuperação e manutenção ao longo do tempo.

    Estresse oxidativo

    No envelhecimento, as células acumulam danos causados pelos chamados radicais livres, processo conhecido como estresse oxidativo. Ele prejudica o funcionamento das mitocôndrias, que são responsáveis por produzir energia dentro das células musculares.

    Quando a produção de energia diminui, o músculo perde força, resistência e capacidade de funcionamento, o que contribui para a sua deterioração gradual.

    Uso de agonistas GLP-1 (Mounjaro) e risco de sarcopenia

    Os agonistas do receptor GLP-1, como o tirzepatida (Mounjaro), são medicamentos que atuam reduzindo o apetite, aumentando a saciedade e melhorando o controle da glicose, o que pode levar a uma perda de peso significativa em um período relativamente curto.

    No entanto, junto com a redução da gordura corporal, pode acontecer também perda de massa muscular, especialmente quando o emagrecimento acontece de forma rápida ou sem acompanhamento nutricional e físico adequado. Isso configura um risco real de sarcopenia induzida.

    De maneira geral, quando o organismo recebe menos energia e proteína do que precisa, ele também utiliza o tecido muscular como fonte energética. Como os agonistas GLP-1 diminuem bastante o apetite, algumas pessoas passam a ingerir quantidades insuficientes de proteínas e calorias, favorecendo a perda muscular.

    Como evitar?

    O uso de qualquer medicamento deve ser feito apenas com supervisão médica, que é capaz de orientar maneiras de prevenir a perda de massa muscular e tornar o processo de emagrecimento mais saudável. Isso envolve medidas como:

    • Garantir ingestão adequada de proteínas: mesmo com menor fome, é importante priorizar alimentos ricos em proteína, como ovos, carnes, peixes, laticínios, leguminosas e fontes vegetais proteicas, ajudando a preservar a massa magra;
    • Praticar exercícios de força regularmente: atividades como musculação, pilates resistido ou exercícios funcionais estimulam o músculo e sinalizam ao organismo que aquela estrutura precisa ser mantida;
    • Evitar restrições alimentares excessivas: reduções calóricas muito severas aumentam o risco de o corpo utilizar músculo como fonte de energia;
    • Acompanhar a composição corporal: avaliar apenas o peso na balança não é suficiente. O ideal é monitorar a proporção entre massa muscular e gordura corporal ao longo do tratamento;
    • Contar com acompanhamento multiprofissional: o suporte de médico, nutricionista e educador físico ajuda a ajustar alimentação, treino e evolução do tratamento de forma segura.

    Quais os sintomas de sarcopenia?

    O sintoma mais comum da sarcopenia é a fraqueza muscular, mas também podem surgir:

    • Perda de resistência física;
    • Dificuldade em realizar atividades diárias;
    • Caminhando devagar;
    • Dificuldade para subir escadas;
    • Falta de equilíbrio e quedas;
    • Diminuição do tamanho muscular.

    A sarcopenia também pode afetar pessoas com alto índice de massa corporal (IMC), em uma condição chamada obesidade sarcopênica. Pessoas com obesidade e sarcopenia têm um risco maior de complicações do que aquelas com obesidade ou sarcopenia isoladamente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da sarcopenia é feito por meio de uma avaliação simples que analisa três pontos principais: a força muscular, a quantidade de músculo no corpo e o desempenho físico da pessoa.

    A força costuma ser medida pelo aperto da mão, utilizando um aparelho chamado dinamômetro, que avalia o nível de força das mãos e dos braços. Já a massa muscular pode ser analisada por exames específicos, como DEXA (densitometria de corpo inteiro) e bioimpedância elétrica.

    O desempenho físico normalmente é avaliado pela velocidade da caminhada, o que contribui para determinar se a sarcopenia é grave.

    Quando a sarcopenia não é identificada a tempo, aumenta o risco de desequilíbrios, quedas, perda da independência, internações e outros problemas que podem comprometer seriamente a saúde e a qualidade de vida da pessoa idosa.

    Como é feito o tratamento de sarcopenia?

    O tratamento da sarcopenia tem como objetivo recuperar a força, melhorar a disposição física e ajudar a pessoa a manter a independência nas atividades do dia a dia. Na maioria das vezes, o cuidado envolve mudanças no estilo de vida, como:

    • Exercícios de força: atividades que trabalham a força muscular, como musculação, exercícios com elásticos ou treinos orientados, ajudam o músculo a ficar mais forte novamente. O ideal é praticar com orientação profissional, respeitando os limites de cada pessoa;
    • Alimentação com boa quantidade de proteína: é importante incluir alimentos como carnes, ovos, leite e derivados, feijão, lentilha e grão-de-bico na alimentação diária. Em alguns casos, o nutricionista pode indicar suplementos para ajudar a atingir a quantidade necessária;
    • Reposição de vitaminas quando necessário: algumas vitaminas e minerais, como a vitamina D e a vitamina B12, são importantes para a saúde muscular. Quando há deficiência, o médico pode recomendar reposição após avaliação por exames;
    • Controle de doenças associadas: problemas de saúde como diabetes, obesidade e doenças cardíacas podem acelerar a perda muscular. Manter as condições controladas também faz parte do tratamento.

    A pessoa com sarcopenia também deve manter um acompanhamento profissional regular, com profissionais como médico, nutricionista e fisioterapeuta. Ele permite avaliar a evolução da força muscular, ajustar a alimentação, adaptar os exercícios e identificar precocemente qualquer dificuldade que possa surgir ao longo do tratamento.

    Quando iniciado de forma precoce e mantido de maneira regular, o tratamento pode desacelerar a perda muscular e permitir um envelhecimento mais saudável e ativo, preservando a autonomia, a mobilidade e a qualidade de vida

    Riscos e complicações da sarcopenia

    A sarcopenia não afeta apenas a força muscular e, com o passar do tempo, a perda de músculo pode trazer consequências para a saúde e para a qualidade de vida, especialmente quando não é identificada e tratada precocemente.

    Se não for identificada e tratada adequadamente, ela pode causar:

    • Risco de quedas, que são uma das principais causas de fraturas e internações em pessoas idosas. Uma simples perda de estabilidade ao caminhar ou levantar pode resultar em lesões importantes;
    • Perda da independência, de modo que atividades comuns do dia a dia, como levantar da cadeira, subir escadas, carregar compras ou tomar banho sozinho, podem se tornar difíceis;
    • Redução na velocidade da caminhada e a resistência física, levando à diminuição da movimentação diária;
    • Maior dificuldade de recuperação após doenças, cirurgias ou períodos de repouso prolongado. A internação pode acelerar ainda mais a perda de massa muscular;
    • Piora das doenças crônicas, pois a redução da massa muscular interfere no metabolismo do organismo, podendo dificultar o controle do diabetes, favorecer o aumento da gordura corporal e elevar o risco cardiovascular.

    A sensação de fraqueza, o medo de cair e a limitação física também podem levar ao isolamento social, à redução das atividades de lazer e à piora do bem-estar emocional da pessoa idosa.

    É possível prevenir a sarcopenia?

    É possível prevenir a sarcopenia e, quanto mais cedo os cuidados começam, maiores são as chances de preservar a força muscular e a independência ao longo do envelhecimento.

    A perda muscular faz parte do processo natural da idade, mas ela pode ser desacelerada e, em muitos casos, evitada com hábitos saudáveis mantidos de forma regular, como:

    • Praticar exercícios de força regularmente, como musculação, pilates, exercícios com elásticos ou treino funcional;
    • Manter uma alimentação equilibrada, com boa ingestão de proteínas ao longo do dia;
    • Evitar o sedentarismo, reduzindo o tempo sentado e mantendo o corpo em movimento diariamente;
    • Controlar doenças crônicas, como diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares;
    • Manter um peso corporal adequado;
    • Priorizar um sono de boa qualidade;
    • Realizar consultas médicas periódicas para acompanhamento da saúde;
    • Avaliar e corrigir possíveis deficiências nutricionais, como vitamina D e vitamina B12, quando necessário.

    Sarcopenia tem cura?

    A sarcopenia pode ser tratada e, em muitos casos, revertida, principalmente quando é identificada precocemente. O músculo é um tecido adaptável, capaz de recuperar força e massa em qualquer fase da vida, inclusive na velhice.

    No entanto, a melhora não acontece com um único tratamento e depende da manutenção de hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios de força, uma alimentação adequada em proteínas e o controle de doenças associadas.

    Quanto mais cedo o cuidado começa, maiores são as chances de recuperar a funcionalidade e manter a autonomia no dia a dia.

    Confira: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Sarcopenia é o mesmo que osteoporose?

    Não. A sarcopenia é a perda de massa e força nos músculos, enquanto a osteoporose é a perda de densidade nos ossos. Ambas costumam acontecer juntas no envelhecimento, aumentando o risco de fraturas.

    2. Quais são os primeiros sinais de alerta?

    Os sinais mais comuns são sentir as pernas pesadas ao subir escadas, cansaço excessivo após caminhadas curtas, perda de equilíbrio e redução da força para abrir potes ou carregar sacolas.

    3. Whey protein ajuda no tratamento?

    Sim, o whey protein é uma proteína de rápida absorção que ajuda a bater a meta diária de proteínas, especialmente para idosos que têm pouco apetite ou dificuldade de mastigação.

    4. Creatina é segura para idosos com sarcopenia?

    Sim, desde que o uso seja feito com orientação médica. A creatina ajuda na hidratação da célula muscular e fornece energia rápida para os treinos de força.

    5. O uso de corticoides pode causar sarcopenia?

    Sim, o uso prolongado de medicamentos corticoides é um fator de risco, pois eles estimulam a quebra de proteínas musculares para gerar energia (catabolismo).

    6. Quanto tempo demora para recuperar o músculo perdido?

    Com treino e dieta corretos, os primeiros ganhos de força aparecem em 4 a 6 semanas, mas mudanças visíveis na massa muscular costumam levar de 3 a 4 meses.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Erisipela: veja o que é, sintomas e como é feito o tratamento

    Erisipela: veja o que é, sintomas e como é feito o tratamento

    Vermelhidão intensa na pele, dor, inchaço e febre alta são apenas alguns dos sintomas da erisipela, uma infecção bacteriana da pele que afeta principalmente as pernas, mas que também pode surgir no rosto, nos braços ou em outras partes do corpo.

    A doença costuma aparecer de forma rápida e bem visível, por isso a procura por atendimento médico deve acontecer o quanto antes, para evitar que a infecção aumente ou se espalhe. Para entender como é causada, se é contagiosa e tratamento, conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio. Confira, a seguir.

    O que é erisipela?

    A erisipela é uma infecção bacteriana da pele que atinge as camadas mais superficiais, além dos vasos linfáticos. Ela é normalmente causada pela bactéria Streptococcus pyogenes, que entra no organismo através de pequenas aberturas na pele, muitas vezes quase imperceptíveis, como:

    • Micoses entre os dedos (frieiras);
    • Cortes ou arranhões;
    • Picadas de insetos;
    • Úlceras nas pernas.

    A infecção pode surgir em qualquer parte do corpo, mas aparece com mais frequência nas pernas devido aos problemas de circulação, ao inchaço ou às pequenas lesões que costumam ocorrer nessa região. Em alguns casos, ela também pode afetar o rosto ou membros superiores, de acordo com Marcelo.

    Quem tem mais risco de ter erisipela?

    As causas da erisipela estão relacionadas principalmente à entrada de bactérias na pele, normalmente através de pequenas lesões que muitas vezes passam despercebidas. Além das lesões na pele e micoses (especialmente nos pés), os fatores que facilitam o surgimento da erisipela incluem:

    • Problemas de circulação, pois a má circulação sanguínea e o inchaço nas pernas aumentam o risco, uma vez que dificultam a defesa natural do organismo na região;
    • Diabetes, que pode prejudicar a cicatrização e a imunidade, favorecendo o desenvolvimento da infecção;
    • Sistema imunológico enfraquecido, seja por doenças crônicas, uso de alguns medicamentos ou situações que reduzem a imunidade;
    • Sobrepeso e obesidade, que podem favorecer o inchaço nas pernas e a dificuldade de circulação, aumentando o risco.

    Em pessoas com diabetes, imunidade baixa ou flora bacteriana alterada, Marcelo explica que os quadros tendem a ser mais graves.

    Quais os sintomas da erisipela?

    Os sintomas da erisipela costumam aparecer de forma rápida e podem causar bastante desconforto. Como se trata de uma infecção bacteriana da pele, os sinais geralmente são visíveis e acompanhados de sintomas gerais no corpo. No início, a pessoa pode apresentar:

    • Febre alta (acima de 38°C);
    • Calafrios e tremores;
    • Mal-estar intenso, náuseas ou vômitos;
    • Sudorese;
    • Aumento dos gânglios da virilha (as chamadas ínguas);
    • Dor de cabeça.

    Depois, conforme a infecção evolui, aparecem sintomas mais específicos no local afetado, como:

    • Vermelhidão na pele, que fica brilhante, quente ao toque e com bordas;
    • Dor e sensibilidade;
    • Inchaço na pele, causando sensação de peso ou pressão;
    • Sensação de calor na região;
    • Bolhas ou manchas escuras.

    Se houver suspeita de erisipela, a procura por atendimento médico deve ser rápida, pois o tratamento precoce com antibióticos ajuda a evitar a piora da infecção e possíveis complicações.

    Erisipela é contagiosa?

    A erisipela não costuma ser contagiosa. Apesar de ser causada por uma bactéria, a infecção normalmente surge quando o microrganismo entra na pele por meio de um corte, uma rachadura, uma frieira ou qualquer outra pequena lesão. Não é comum desenvolver erisipela apenas por estar próximo ou conviver com alguém que esteja com o problema.

    O que acontece, na maioria das vezes, é que a própria bactéria, que já pode estar presente na pele, aproveita uma porta de entrada para causar a infecção. Por isso, o foco maior deve ser o cuidado com a pele e com pequenas lesões, e não com o afastamento da pessoa com erisipela.

    Diagnóstico da erisipela

    O diagnóstico da erisipela é feito, na maioria das vezes, por meio da avaliação clínica. O médico observa os sinais na pele, como a vermelhidão intensa, o inchaço, o calor local e as bordas bem definidas da lesão, além de considerar sintomas como febre, calafrios e mal-estar.

    Durante a consulta, também são feitas perguntas sobre o início dos sintomas, a presença de feridas, micoses, cortes recentes ou doenças como diabetes e problemas de circulação, que podem aumentar o risco da infecção.

    Na maioria das vezes, não são necessários exames de sangue ou de imagem para diagnosticar a erisipela simples. No entanto, o médico pode solicitá-los quando o quadro está mais grave ou quando o paciente apresenta outras condições de saúde, como diabetes.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento da erisipela é feito principalmente com o uso de antibióticos por via oral e, na maioria dos casos, pode ser realizado em casa, com acompanhamento médico e atenção aos sintomas. Em situações mais graves, especialmente em idosos ou pacientes com doenças associadas, Marcelo explica que pode ser necessário antibiótico injetável.

    Para aliviar os sintomas, o médico também pode prescrever o uso de analgésicos e antitérmicos, para controlar a dor e a febre, e anti-inflamatórios, para reduzir o inchaço mais rápido, dependendo da avaliação médica.

    Importante: nunca interrompa o tratamento antes do prazo indicado, mesmo que a mancha desapareça, pois isso ajuda a evitar o retorno da infecção e o agravamento do quadro.

    Cuidados com o local da infecção

    Os cuidados com a região afetada pela erisipela ajudam a aliviar a dor, reduzir o inchaço e favorecer a recuperação. Além do uso do antibiótico indicado pelo médico, algumas medidas simples fazem bastante diferença no dia a dia, como:

    • Evitar esforços e caminhadas prolongadas, principalmente quando a infecção está nas pernas. O excesso de movimento pode aumentar o inchaço e a inflamação;
    • Manter a perna elevada, acima do nível do coração, sempre que possível. A posição ajuda o sistema linfático a drenar o excesso de líquido, diminuindo o inchaço e a dor latejante;
    • Lavar a área afetada com água e sabão neutro, sem esfregar ou fazer pressão;
    • Quando indicadas, as compressas frias com soro fisiológico podem aliviar a sensação de calor e o desconforto local.

    Também é necessário cuidar de frieiras, cortes, rachaduras ou feridas com pomadas adequadas, como antifúngicas ou cicatrizantes, para evitar que a bactéria volte a penetrar na pele.

    Quando é necessário cirurgia de erisipela?

    A maioria dos casos de erisipela pode ser tratada apenas com antibiótico e repouso, mas quando a infecção se espalha ou causa danos graves aos tecidos, pode ser necessária uma cirurgia para remover e drenar grandes áreas necróticas e com pus, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Se você ou alguém próximo estiver tratando uma erisipela, fique alerta aos sinais de alerta, como:

    • Aparecimento de bolhas com sangue ou de cor arroxeada;
    • Pele ficando preta ou acinzentada;
    • Dor que não melhora nem um pouco com analgésicos fortes;
    • Sensação de “estalo” ou crepitação ao apertar a pele (como se houvesse ar por baixo).

    É possível prevenir a erisipela?

    A prevenção da erisipela envolve principalmente cuidados com a pele, controle de doenças associadas e atenção a fatores que facilitam a entrada de bactérias. Algumas medidas importantes incluem:

    • Manter a pele limpa e bem cuidada;
    • Evitar feridas, cortes, traumas e picadas de insetos;
    • Tratar micoses e problemas de pele, como o pé de atleta;
    • Cuidar da circulação e reduzir o inchaço nas pernas;
    • Manter o diabetes bem controlado;
    • Seguir orientação médica para descolonização da pele, quando indicado;
    • Em casos de erisipela repetição, pode ser indicada penicilina benzatina intramuscular a cada 21 dias, conforme avaliação médica. Nunca tome remédios sem orientação de um profissional!

    Complicações da erisipela

    A falta de tratamento ou o atraso no diagnóstico pode levar a complicações sérias da erisipela, pois a infecção pode se espalhar rapidamente e atingir camadas mais profundas da pele.

    Quando não tratada de forma adequada, a condição pode evoluir com aumento da área de vermelhidão, dor mais intensa e inchaço acentuado. Em alguns casos, pode ocorrer a formação de bolhas ou abscessos, além do comprometimento dos vasos linfáticos, o que favorece o surgimento de inchaço crônico na região afetada.

    Em situações mais graves, a bactéria pode alcançar a corrente sanguínea, provocando um quadro de infecção generalizada, conhecida como sepse, que exige atendimento médico imediato.

    Por isso, o tratamento da erisipela deve começar o quanto antes para garantir que a bactéria seja eliminada antes de causar danos irreversíveis.

    Veja também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

    Perguntas frequentes

    1. Erisipela e celulite infecciosa são a mesma coisa?

    Não. A erisipela atinge as camadas mais superficiais da pele e tem bordas bem definidas, enquanto a celulite atinge a gordura profunda e é mais espalhada.

    2. Quanto tempo dura o tratamento?

    Normalmente entre 7 a 14 dias de antibiótico. A melhora dos sintomas costuma vir em 48h, mas o remédio deve ser tomado até o fim.

    3. O que acontece se eu não tratar?

    A infecção pode se espalhar para o sangue (septicemia), causar abscessos ou destruir os vasos linfáticos, deixando a perna permanentemente inchada (elefantíase).

    4. Existe algum alimento que ajuda ou piora a erisipela?

    Não há um alimento que cause a doença, mas recomenda-se uma dieta com pouco sal para não aumentar a retenção de líquidos e o inchaço.

    5. A erisipela deixa cicatrizes ou manchas?

    Em casos leves, a pele apenas descama e volta ao normal. Em casos com bolhas ou feridas, pode haver escurecimento da pele (hiperpigmentação) ou cicatrizes. Hidratar bem a pele após a cura ajuda a minimizar esses efeitos.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Lesão na medula espinhal: o que é, o que pode causar e se tem cura

    Lesão na medula espinhal: o que é, o que pode causar e se tem cura

    A medula espinhal é parte do sistema nervoso central e conecta o cérebro ao resto do corpo, levando, entre outros, os comandos de movimento e trazendo as informações de sensibilidade.

    Quando ocorre alguma lesão nessa estrutura, como em acidentes automobilísticos ou ferimentos por arma de fogo ou branca etc, a comunicação entre o cérebro e as partes do corpo abaixo do nível da lesão pode ficar prejudicada ou até mesmo interrompida.

    Afinal, o que é a lesão na medula espinhal?

    Uma lesão na medula espinhal acontece quando existe algum dano no tecido nervoso que fica dentro da coluna vertebral e que funciona como a principal ponte de comunicação entre o cérebro e o corpo.

    A medula espinhal é responsável por levar os comandos do cérebro para os músculos e outros órgãos, permitindo os movimentos, e também por trazer informações do corpo para o cérebro, como dor, temperatura, toque e posição do corpo.

    Quando existe alguma lesão nessa estrutura, a comunicação pode falhar ou até parar completamente, afetando o movimento, a sensibilidade e várias funções autônomas do organismo.

    Para se ter uma ideia, dependendo do local onde a lesão acontece, a pessoa pode apresentar fraqueza ou paralisia somente nas pernas, ou em ambos, além de perda parcial ou total da sensibilidade. Também podem surgir alterações no funcionamento da bexiga, do intestino, da função sexual e, nos casos mais altos da coluna, até dificuldades respiratórias.

    Quanto mais acima a lesão acontece, maior tende a ser o impacto no corpo, porque mais áreas ficam abaixo do ponto lesionado.

    Tipos de lesão medular

    De acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, existem dois tipos de lesão na medula espinhal, sendo elas:

    Lesão completa

    Na lesão completa, não existe nenhuma função preservada abaixo do nível da lesão. Isso inclui ausência total de movimento, sensibilidade e controle esfincteriano — tanto anal quanto vesical.

    A classificação é feita principalmente com base no exame neurológico, embora os exames de imagem também contribuam para a avaliação.

    Lesão incompleta

    Na lesão incompleta, ainda existe alguma preservação das funções abaixo do nível da lesão. Isso significa que a pessoa pode manter certo grau de movimento, sensibilidade ou controle de esfíncteres.

    O quadro pode variar bastante: desde uma perda parcial de força apenas nas pernas até comprometimento tanto dos braços quanto das pernas. É muito raro ocorrer prejuízo somente nos braços sem afetar as pernas, porque a medula primeiro libera nervos para os membros superiores e, mais abaixo, libera nervos para os membros inferiores.

    Por isso, quando a lesão acontece acima da saída dos nervos dos membros superiores, costuma haver repercussão tanto nos braços quanto nas pernas. Já quando a lesão ocorre abaixo da região, normalmente o impacto se limita aos membros inferiores. Além da localização, a intensidade da lesão também influencia diretamente o grau de comprometimento funcional.

    De acordo com Ana Gandolfi, qualquer função preservada abaixo do nível da lesão, mesmo que mínima, já caracteriza uma lesão incompleta.

    Quais são as causas mais comuns de lesão medular?

    As causas mais comuns de lesão medular estão relacionadas principalmente a traumas, segundo Ana, que podem ocorrer em situações como:

    • Acidentes automobilísticos;
    • Quedas;
    • Mergulho em águas rasas;
    • Ferimentos por arma de fogo;
    • Ferimentos por arma branca.

    Além dos traumas, existem causas não traumáticas, que são menos frequentes, como tumores na coluna ou na própria medula, infecções, doenças inflamatórias, alterações degenerativas da coluna e problemas vasculares que comprometem a circulação da medula.

    Quais os primeiros sintomas de lesão medular?

    Os primeiros sintomas de uma lesão medular podem variar conforme o local e a gravidade do dano, mas geralmente envolvem alterações no movimento, na sensibilidade e em algumas funções do corpo. Se ela foi causada por um trauma, os sintomas imediatos podem ser:

    • Fraqueza ou perda de força nos braços, nas pernas ou nos dois;
    • Dormência, formigamento ou perda de sensibilidade em alguma parte do corpo;
    • Dor intensa na coluna, no pescoço ou nas costas após trauma;
    • Dificuldade para andar ou perda do equilíbrio;
    • Paralisia parcial ou total abaixo do nível da lesão;
    • Perda do controle da bexiga ou do intestino;
    • Alterações na respiração (principalmente em lesões cervicais);
    • Sensação de choque ou queimação ao longo da coluna ou dos membros.

    Qualquer um dos sinais após um trauma deve ser avaliado com urgência, porque o atendimento rápido pode fazer diferença importante na evolução e na recuperação.

    No entanto, se a causa da lesão não foi traumática, os sintomas tendem a surgir de forma gradual, sendo eles:

    • Formigamento ou “choques”, com sensação de agulhadas que descem pela coluna ou irradiam para os braços e as pernas, podendo indicar compressão nervosa;
    • Perda de coordenação, como tropeçar com frequência, deixar objetos caírem das mãos ou ter dificuldade para abotoar uma camisa;
    • Alterações na bexiga e no intestino, incluindo urgência súbita para urinar, incontinência ou prisão de ventre persistente sem causa aparente;
    • Fraqueza progressiva, com sensação de pernas “pesadas” ou cansaço excessivo ao subir escadas;
    • Disfunção sexual, com mudanças repentinas na sensibilidade genital ou dificuldade de ereção.

    Como é feito o diagnóstico?

    Segundo a neurocirurgiã, o primeiro cuidado ao atender um paciente com suspeita de lesão medular é manter a coluna bem estabilizada, para evitar movimentos que possam agravar uma fratura ou piorar uma lesão que ainda não foi totalmente avaliada. Nesse momento, todo cuidado faz diferença para proteger a medula e reduzir possíveis complicações.

    Depois de estabilizar a pessoa, é importante realizar um exame neurológico completo. Nessa avaliação, os profissionais analisam a força muscular, a sensibilidade e o controle de funções como a bexiga e o intestino, porque as informações ajudam a entender a gravidade da lesão e orientar os próximos passos.

    Na sequência, são necessários exames de imagem, conforme Ana aponta:

    • Tomografia computadorizada, utilizada principalmente para identificar fraturas e alterações ósseas com rapidez;
    • Ressonância magnética, que avalia melhor as partes moles, como os ligamentos, a própria medula espinhal e as raízes nervosas.

    A ressonância é especialmente importante quando existe possibilidade de cirurgia, porque ajuda no planejamento do procedimento.

    Como é feito o tratamento da lesão medular?

    O tratamento começa já no atendimento inicial, com a estabilização da coluna para evitar que a lesão piore ou cause novos danos. Em muitos casos, Ana explica que é necessária uma cirurgia para descomprimir a medula, ou seja, retirar estruturas como fragmentos ósseos, discos ou outras estruturas que quando deslocadas podem estar pressionando o tecido nervoso.

    Em algumas situações, também é preciso estabilizar a coluna com parafusos e hastes, garantindo mais firmeza à estrutura e reduzindo o risco de novas lesões.

    Quando existe indicação cirúrgica, o ideal é que o procedimento seja realizado o mais rápido possível, porque a rapidez no tratamento pode influenciar diretamente nas chances de recuperação e no início mais precoce da reabilitação.

    Depois da fase inicial, são adotadas algumas medidas de tratamento, como:

    Fisioterapia intensiva

    A fisioterapia é uma das partes mais importantes do tratamento de lesão medular, e ajuda na recuperação da força muscular, na melhora da mobilidade e na prevenção de complicações, como rigidez das articulações, perda muscular e problemas respiratórios.

    O trabalho é feito de forma gradual e contínua, respeitando os limites da pessoa e estimulando ao máximo o potencial de recuperação. Para que o tratamento fisioterápico seja instituído, no entanto, se houver instabilidade na coluna pelao trauma, a mesma coluna já deve ter sido estabilizada cirurgicamente.

    Terapia ocupacional

    A terapia ocupacional tem como foco a adaptação às atividades do dia a dia. Basicamente, o profissional ajuda o paciente a reaprender tarefas como se vestir, se alimentar e realizar a higiene pessoal, além de orientar sobre adaptações no ambiente doméstico ou profissional.

    A terapia é importante para promover autonomia e independência, mesmo diante de limitações físicas.

    Acompanhamento médico multidisciplinar

    O tratamento da lesão medular envolve uma equipe de diferentes especialistas, e dependendo das necessidades, podem participar urologistas, fisiatras, psicólogos, entre outros profissionais.

    O acompanhamento contribui para cuidar de questões como controle da bexiga e do intestino, saúde emocional, dor crônica e prevenção de complicações clínicas.

    Reabilitação contínua

    A reabilitação precisa acontecer de forma contínua, principalmente durante o primeiro ano após a lesão, que costuma ser o período em que ocorre a maior parte da recuperação. É um processo que exige tempo, paciência e constância, tanto da equipe de saúde quanto da própria pessoa em tratamento.

    O acompanhamento regular e o envolvimento ativo no processo fazem muita diferença, porque ajudam a aproveitar ao máximo o potencial de recuperação e a melhorar a qualidade de vida no dia a dia.

    É possível recuperar?

    A recuperação é possível, exceto nos casos de secção completa da medula, quando há interrupção total do tecido medular.

    Mesmo nos casos mais graves, Ana explica que o paciente deve ser tratado com a perspectiva de recuperação. Isso implica realizar a cirurgia o mais cedo possível, estabilizar a coluna quando necessário e iniciar a reabilitação intensiva o quanto antes.

    O tempo até a cirurgia e o início precoce da reabilitação influenciam diretamente no grau de recuperação.

    Lesão na medula tem cura?

    Atualmente, ainda não existe uma cura definitiva que regenere completamente os nervos da medula espinhal para devolver todas as funções perdidas. Diferente da pele ou dos ossos, as células do sistema nervoso central (neurônios) têm uma capacidade de regeneração extremamente limitada.

    Atualmente, um dos estudos mais promissores e recentes no Brasil para a reversão da lesão medular é o desenvolvimento da polilaminina, um medicamento experimental brasileiro que parece ter demonstrado potencial para regenerar conexões neurais e restaurar alguns movimentos. No entanto, ele ainda está em fases iniciais dos testes clínicos e serão necessários mais estudos para avaliar se realmente pode ajudar nesses casos.

    Veja também: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

    Perguntas frequentes

    1. Toda lesão na medula causa paralisia total?

    Não. Isso depende se a lesão é completa (interrupção total de sinais) ou incompleta (onde restam algumas vias nervosas). Em lesões incompletas, a pessoa pode manter parte dos movimentos e da sensibilidade

    2. Qual a diferença entre paraplegia e tetraplegia?

    A tetraplegia ocorre quando a lesão é na região cervical (pescoço), afetando braços, tronco e pernas. A paraplegia ocorre em lesões torácicas ou lombares, afetando apenas as pernas e a parte inferior do tronco.

    3. O que é o choque medular?

    É um estado temporário logo após o trauma, onde todas as funções abaixo da lesão param de funcionar (reflexos, sensibilidade e movimentos), como se houvesse uma desligamento da função medular Só após o fim do choque medular (horas ou dias) é que o médico consegue determinar a gravidade real da lesão.

    4. O que causa os espasmos nas pernas de quem não se move?

    Sem o controle do cérebro, os reflexos da medula ficam “exagerados”, fazendo com que os músculos se contraiam sozinhos diante de qualquer estímulo ou até por mudança de temperatura.

    5. Existe cirurgia para consertar a medula?

    As cirurgias atuais servem para estabilizar a coluna (com pinos e placas) ou descomprimir a medula. Ainda não existe uma cirurgia que “costure” os nervos rompidos para que voltem a funcionar.

    6. Como a lesão medular afeta a temperatura do corpo?

    A lesão pode interromper o controle do sistema nervoso sobre o suor e a dilatação dos vasos. Isso faz com que a pessoa tenha dificuldade em se resfriar no calor ou se aquecer no frio, ficando muito dependente da temperatura externa.

    Leia também: Polilaminina: o que se sabe sobre a substância que está sendo estudada para lesão medular?

  • Polilaminina: o que se sabe sobre a substância que está sendo estudada para lesão medular?

    Polilaminina: o que se sabe sobre a substância que está sendo estudada para lesão medular?

    Estudada no Brasil há quase três décadas, a polilaminina voltou a ganhar destaque como uma possível alternativa no tratamento de lesões medulares. Desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a partir da laminina, proteína encontrada naturalmente no corpo humano, a molécula recebeu autorização da Anvisa, no início do ano, para iniciar a fase 1 dos testes clínicos.

    Ainda em estágio inicial de pesquisa, a molécula retirada da placenta humana é modificada em laboratório e vem sendo investigada principalmente para casos de lesão medular completa recente, associados à perda de movimentos.

    Apesar da repercussão nas redes sociais e do interesse pela ciência nacional, a substância ainda precisa passar por etapas rigorosas para confirmar segurança e eficácia. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é a poliamina e qual sua relação com a medula?

    A laminina é um composto frequentemente encontrado em placentas humanas, uma proteína naturalmente produzida pelo organismo e envolvida na organização dos tecidos. A polilaminina é uma forma mais estável da proteína desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio, na UFRJ.

    De acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, a proposta terapêutica parte da ideia de que a substância possa funcionar como um suporte estrutural, capaz de criar um ambiente mais favorável para a regeneração neuronal, especialmente em áreas lesionadas do sistema nervoso.

    A estratégia da polilaminina, é ,no momento, está centrada nas lesões agudas, ou seja, que aconteceram recentemente, quando há rompimento do neurônio ou do axônio — a extensão responsável por conduzir o impulso nervoso.

    A proposta consiste em administrar a polilaminina para formar um arcabouço (estrutura de sustentação) que facilite o processo regenerativo. Vale destacar que a substância não regenera o neurônio por si só, ela apenas cria condições estruturais que podem permitir que a regeneração aconteça.

    Como a substância atua no corpo?

    Após uma lesão na medula espinhal, os axônios, que são prolongamentos dos neurônios responsáveis pela condução dos impulsos nervosos, podem se romper, e o próprio organismo forma uma cicatriz que dificulta a reconexão dessas estruturas.

    A proposta é que, quando aplicada diretamente no local da lesão medular, a substância forme uma estrutura de suporte que ajude a criar um ambiente mais favorável para a regeneração das fibras nervosas.

    O que os estudos sugerem até agora é apenas um potencial efeito de suporte ao processo regenerativo, algo que ainda precisa ser confirmado por pesquisas clínicas mais amplas e controladas em humanos.

    Como o estudo está sendo feito?

    A pesquisa sobre a polilaminina ainda está em fase inicial (chamado fase 1) e segue o caminho tradicional de desenvolvimento e testes de medicamentos. Ela é liderada pela professora, pesquisadora e bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a parceria do laboratório farmacêutico brasileiro Cristália.

    Até o momento, os resultados disponíveis vieram principalmente de estudos experimentais (modelo animal) e de um número pequeno de pacientes, o que significa que ainda não é possível afirmar eficácia ou segurança de forma definitiva.

    O processo científico exige etapas progressivas, com avaliação rigorosa antes que qualquer substância possa se tornar um medicamento aprovado.

    Testes em cães

    Os primeiros resultados considerados promissores vieram de estudos em modelos animais, incluindo ratos e cães com lesão medular aguda.

    Nessas pesquisas, a substância foi aplicada diretamente na área lesionada com o objetivo de criar um suporte estrutural que facilitasse a regeneração das fibras nervosas. Parte dos animais apresentou melhora motora, o que motivou o avanço das investigações e a busca por testes em humanos.

    No entanto, vale apontar que os resultados não garantem que o mesmo efeito ocorra em pessoas. Muitos tratamentos funcionam em modelos animais e depois não demonstram eficácia clínica.

    Testes em voluntários

    Depois dos testes em animais, entre 2018 e 2023, um estudo preliminar foi realizado com oito pacientes com lesão medular aguda. Alguns apresentaram evolução funcional, enquanto outros tiveram recuperação mais significativa dos movimentos.

    No entanto, os dados ainda não passaram por revisão por pares, que é uma etapa fundamental para validação científica, e o número reduzido de participantes impede conclusões definitivas. Além disso, lesões medulares variam muito em gravidade e resposta individual, o que dificulta generalizações.

    Importante: como a pesquisa envolveu um número limitado de participantes e o artigo ainda não teve publicação definitiva, os resultados ainda não permitem concluir a segurança e/ou a eficácia da substância.

    Até o momento, também não há evidências científicas que sustentem o uso da polilaminina em lesões medulares crônicas, ou seja, em pacientes que convivem com a paralisia há mais tempo.

    O que diz a Anvisa?

    No início do ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início da fase 1 dos ensaios clínicos com a polilaminina. A fase tem como principal objetivo avaliar a segurança da substância em humanos, normalmente com grupos pequenos e monitoramento rigoroso.

    Segundo Ana Gandolfi, o estudo de fase 1 contempla apenas pacientes com lesão aguda. A injeção deve ocorrer nas primeiras 72 horas após o trauma, e pacientes com lesão crônica não fazem parte do protocolo neste momento.

    Caso os resultados sejam positivos, a pesquisa ainda precisa avançar para as fases 2 e 3, que analisam eficácia, doses adequadas e possíveis efeitos adversos em populações maiores.

    O que ainda falta para virar medicamento?

    Para que a polilaminina possa ser considerada um tratamento estabelecido, será necessário concluir todas as fases dos ensaios clínicos:

    • Fase 1: avaliação inicial de segurança em pequeno grupo de pacientes;
    • Fase 2: análise preliminar de eficácia e definição de doses;
    • Fase 3: confirmação de eficácia e segurança em grupos maiores;
    • Registro sanitário: etapa final para liberação da comercialização.

    Somente após o processo completo será possível afirmar, com base científica sólida, se a substância pode ou não se tornar um tratamento eficaz para lesões medulares.

    Por que especialistas pedem cautela?

    Pesquisadores e médicos destacam que os achados atuais são promissores, porém ainda insuficientes para justificar o uso clínico da substância. Muitos tratamentos apresentam bons resultados iniciais em modelos experimentais, mas não se confirmam em estudos com humanos.

    De acordo com Ana, dos oito pacientes incluídos no estudo, três foram a óbito. Não se sabe se as mortes tiveram relação com a substância ou com outros fatores.

    Há também preocupação com a criação de expectativas irreais entre pacientes e familiares. A evolução após lesão medular depende de diversos fatores, como gravidade do trauma, tempo até a cirurgia, qualidade da reabilitação e resposta individual do organismo.

    É preciso manter cautela diante de qualquer proposta terapêutica que promete uma cura, independentemente da doença. Existe o chamado efeito placebo, como explica Ana: o simples fato de saber que está recebendo um tratamento pode gerar melhora subjetiva.

    Isso não significa que a substância tenha, de fato, provocado a recuperação, mas sim que fatores psicológicos e emocionais podem influenciar a percepção dos sintomas.

    Por isso, antes de atribuir a recuperação a uma nova terapia, é fundamental aguardar evidências científicas mais consistentes, por meio de pesquisas controladas e com acompanhamento ao longo do tempo.

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    Perguntas frequentes

    1. O tratamento com poliaminina já está disponível nos hospitais?

    Não, a polilaminina ainda está em fase de pesquisa e não foi aprovada como tratamento disponível nos hospitais.

    2. Qual a diferença entre poliamina e células-tronco?

    As células-tronco visam substituir células mortas ou criar novas células. Já a poliamina foca em dar arcabouço para que os neurônios que já existem regenerem..

    3. Ela funciona para lesões antigas?

    Até o momento, não há evidência científica de eficácia em lesões medulares crônicas.

    4. Por que algumas pessoas já estão usando a substância?

    Em alguns casos, houve acesso por decisões judiciais ou uso compassivo, fora de ensaios clínicos formais.

    5. Existe chance de recuperação após uma lesão medular?

    Sim, especialmente em lesões incompletas e quando há cirurgia precoce e reabilitação adequada. A recuperação varia de pessoa para pessoa.

    6. Por que a cirurgia precoce é importante?

    Porque pode reduzir a compressão da medula, limitar o dano e, estabilizar a coluna, e aumentando as chances de recuperação funcional.

    7. A medula espinhal se regenera naturalmente?

    A regeneração no sistema nervoso central é limitada. Por isso, a recuperação depende de diversos fatores, como extensão do dano e tratamento adequado.

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