Categoria: Doenças & Condições

isParent

  • Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

    Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

    No Brasil, o câncer de mama é o tipo de tumor maligno mais comum em mulheres, depois do não-melanoma — e responde por aproximadamente 28% de todos os novos casos de câncer entre elas. Ele também pode ocorrer em homens, mas é bastante raro e representa menos de 1% dos casos totais da doença.

    Ele pode ser descoberto ainda no começo, na maioria dos casos, o que aumenta as chances de fazer um tratamento mais leve e com bons resultados. Logo, compreender como a doença se manifesta e os principais sintomas é importante para o diagnóstico precoce. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é câncer de mama?

    O câncer de mama é uma doença que resulta da multiplicação anormal e descontrolada das células da mama, que formam um tumor capaz de invadir tecidos vizinhos e, em casos mais graves, se espalhar para outros órgãos.

    De acordo com o oncologista Thiago Chadid, a glândula mamária pode ser comparada a uma árvore: os dutos lactíferos seriam os “troncos”, e os lóbulos, onde o leite é produzido, seriam as “copas”. As alterações genéticas podem surgir em qualquer parte desta estrutura, dando origem a diferentes tipos de tumores.

    Nesse sentido, nem todos os tumores mamários são iguais! Existem tumores que crescem de forma lenta e localizada, com bom prognóstico, e outros que evoluem rapidamente e exigem tratamento mais intenso. Por isso, cada paciente tem um tipo de câncer de mama com características próprias — o que justifica a importância de uma avaliação individualizada.

    Tipos de câncer de mama

    Existem diversos tipos e subtipos de câncer de mama, e cada um apresenta características próprias, como local de origem, velocidade de crescimento e resposta ao tratamento.

    A principal divisão é entre os tumores invasivos (ou infiltrantes), que se espalham para tecidos próximos, e os não invasivos (ou in situ), que permanecem restritos ao local de origem.

    A diferenciação é importante porque influencia diretamente a escolha do tratamento e o prognóstico.

    Carcinoma ductal

    O carcinoma ductal é o tipo mais comum, representando cerca de 80% dos casos de câncer de mama. Ele se origina nos dutos mamários, canais que conduzem o leite até o mamilo.

    Quando está em fase inicial, ainda restrito ao ducto, recebe o nome de carcinoma ductal in situ (CDIS). Nessa fase, o tumor ainda não invadiu tecidos vizinhos e tem altas chances de cura.

    Já o carcinoma ductal invasivo ocorre quando as células anormais rompem as paredes do ducto e começam a infiltrar o tecido mamário. Ele costuma ser mais agressivo e requer tratamento combinado, com cirurgia, quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, hormonioterapia.

    Carcinoma lobular

    O carcinoma lobular representa cerca de 10% dos casos, e surge nos lóbulos, pequenas glândulas produtoras de leite.

    O carcinoma lobular in situ (CLIS), apesar do nome, não é considerado propriamente um câncer, e sim um marcador de risco aumentado. Ele indica que há maior probabilidade de desenvolver câncer em uma ou ambas as mamas no futuro.

    Já o carcinoma lobular invasivo tende a ser mais discreto nas imagens e, por isso, pode ser diagnosticado um pouco mais tarde. Em compensação, tem comportamento mais lento e costuma responder bem à hormonioterapia, quando há receptores hormonais positivos.

    Câncer de mama triplo negativo

    O câncer de mama triplo negativo é aquele que não apresenta receptores de estrogênio, progesterona nem da proteína HER2. Ele corresponde a 10% a 15% dos casos e tende a ser mais agressivo e de crescimento rápido.

    Também afeta com maior frequência mulheres mais jovens e, em alguns casos, está associado a mutações hereditárias, como as do gene BRCA1.

    Câncer de mama inflamatório

    O câncer de mama inflamatório é um tipo raro e agressivo de câncer invasivo. Ele acontece quando as células cancerígenas bloqueiam os vasos linfáticos da pele, fazendo com que a mama fique vermelha, inchada e quente, como se estivesse inflamada. A pele pode ficar mais grossa e com aparência de casca de laranja.

    Esse tipo de câncer costuma crescer rápido e pode ser confundido com uma infecção na mama, o que atrasa o diagnóstico. Ele representa de 1% a 5% dos casos e precisa de tratamento rápido, normalmente com quimioterapia, cirurgia e radioterapia.

    Tipos menos incidentes de câncer de mama

    • Doença de Paget: começa nos ductos mamários e se espalha para a pele do mamilo e da aréola. É rara, representando entre 1% e 3% dos casos;
    • Angiossarcoma: representa menos de 1% dos casos de câncer de mama, e surge nas células que revestem os vasos sanguíneos ou linfáticos. Em alguns casos, aparece após radioterapia nessa região;
    • Tumor filoide: muito raro, desenvolve-se no estroma (tecido conjuntivo) da mama. A maioria é benigna, mas alguns podem se tornar malignos.

    Sintomas do câncer de mama

    O sintoma mais comum do câncer de mama é o aparecimento de um nódulo (caroço) na mama, geralmente duro, irregular e indolor. Mas nem sempre o tumor provoca dor — por isso, a ausência dela não significa que está tudo bem.

    Outros sinais para ficar atenta(o):

    • Alterações na pele da mama, que pode ficar vermelha, inchada ou com aspecto de casca de laranja;
    • Retração ou inversão do mamilo;
    • Secreção espontânea pelo mamilo (transparente, rosada ou com sangue);
    • Feridas, descamações ou úlceras no mamilo;
    • Dor local persistente;
    • Inchaço ou caroços nas axilas;
    • Diferença no tamanho ou formato das mamas.

    Os sinais nem sempre indicam câncer, pois existem doenças benignas que causam sintomas semelhantes. No entanto, qualquer alteração suspeita deve ser avaliada por um médico o quanto antes.

    Quais os fatores de risco para o câncer de mama?

    O desenvolvimento do câncer de mama envolve uma combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais. Segundo o INCA, os principais fatores de risco são:

    Comportamentais e ambientais

    • Obesidade e sobrepeso após a menopausa;
    • Sedentarismo;
    • Consumo regular de bebidas alcoólicas;
    • Exposição frequente a radiações ionizantes (raios X e tomografias).

    Reprodutivos e hormonais

    • Primeira menstruação antes dos 12 anos;
    • Não ter tido filhos;
    • Primeira gravidez após os 30 anos;
    • Menopausa após os 55 anos;
    • Uso prolongado de anticoncepcionais orais;
    • Terapia de reposição hormonal por mais de cinco anos.

    Genéticos e hereditários

    • Histórico de câncer de mama ou de ovário em familiares de primeiro grau (mãe, irmã, filha), principalmente antes dos 50 anos;
    • Alterações herdadas nos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam o risco da doença.

    Ter um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa terá câncer de mama, mas indica que ela deve redobrar o cuidado com os exames preventivos e manter hábitos saudáveis.

    Diagnóstico de câncer de mama

    O diagnóstico começa com avaliação clínica. Ao identificar um nódulo ou alteração suspeita, o médico solicita exames de imagem — como mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética.

    A confirmação se faz por biópsia, com análise microscópica do tecido suspeito. O patologista identifica tipo tumoral e características como receptores hormonais e HER2. Quando necessário, exames como FISH e painéis genéticos ajudam a definir a melhor terapia.

    Diagnóstico precoce é determinante: quanto mais cedo o tumor é descoberto, maiores as chances de cura e menor a necessidade de tratamentos agressivos.

    Para quem a mamografia é indicada?

    A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda exame anual a partir de 40 anos. Já o SUS orienta:

    • 40 a 49 anos: disponível, fora do rastreamento populacional. Realiza-se por solicitação médica ou iniciativa da paciente;
    • 50 a 74 anos: rastreamento bienal (a cada dois anos), mesmo sem sintomas;
    • Acima de 74 anos: decisão individualizada conforme saúde e expectativa de vida.

    Quem tem familiar de primeiro grau com câncer de mama deve iniciar o rastreamento 10 anos antes da idade do diagnóstico desse familiar.

    Como é feito o tratamento de câncer de mama?

    O tratamento é individualizado, considerando tipo/estágio do tumor, receptores hormonais, risco de metástase e condições clínicas.

    • Tratamento local: cirurgia (parcial ou total) e, muitas vezes, radioterapia;
    • Tratamento sistêmico: quimioterapia, hormonioterapia, terapias-alvo e imunoterapia.

    Quando o tumor é grande, pode-se iniciar com terapia sistêmica (neoadjuvante) para reduzir o tamanho e permitir cirurgia mais conservadora. Em doença metastática, o tratamento sistêmico é essencial para controle e alívio de sintomas.

    Nem todas as pacientes precisam de quimioterapia. Testes genômicos (como Oncotype DX e MammaPrint) ajudam a selecionar quem realmente se beneficiará, evitando toxicidades desnecessárias.

    Leia também: Metástase: o que é, sintomas, como surge e se tem cura

    Cuidados e acompanhamento do câncer de mama

    Após o tratamento, o seguimento varia conforme o subtipo:

    • HER2 positivo ou triplo negativo: monitorados por ~5 anos; sem recidiva nesse período, considera-se cura;
    • Receptor hormonal positivo: bom prognóstico, porém risco de recidiva tardia — seguimento prolongado com consultas e exames periódicos.

    Fisioterapia e reabilitação

    A cirurgia pode afetar músculos, nervos e mobilidade do ombro/ braço (especialmente com retirada de linfonodos). A fisioterapia oncológica auxilia na recuperação, previne e trata linfedema, melhora circulação e postura e favorece a autonomia no dia a dia.

    Cuidado da autoestima

    Queda de cabelo, cicatrizes e mastectomia impactam a autoimagem. Busque estratégias que tragam conforto (lenços, turbantes, laces ou visual natural), atividades prazerosas e rede de apoio. Se houver tristeza persistente, insônia ou ansiedade, procure suporte psicológico/psiquiátrico.

    Sexualidade durante o tratamento

    Mudanças físicas e emocionais podem reduzir o desejo. Respeite seu tempo, reconecte-se ao corpo de forma gentil e converse com o(a) parceiro(a). A terapia pode ajudar a lidar com fatores emocionais e a redescobrir o prazer.

    Reconstrução mamária e alternativas

    A reconstrução restaura a forma e aparência da mama após mastectomia ou cirurgia conservadora, contribuindo para autoestima e equilíbrio corporal. Onde o acesso cirúrgico é limitado, próteses externas são alternativa segura e confortável até que a reconstrução seja possível.

    Câncer de mama tem cura?

    Sim, especialmente quando diagnosticado precocemente. Mesmo em casos avançados, as terapias atuais permitem controle da doença e anos de vida com qualidade.

    É possível prevenir o câncer de mama?

    Não há prevenção absoluta, mas é possível reduzir o risco. Segundo o INCA, até 28% dos casos poderiam ser evitados com:

    • Manter o peso corporal adequado;
    • Praticar atividades físicas regularmente;
    • Evitar bebidas alcoólicas;
    • Amamentar pelo maior tempo possível;
    • Não fumar e evitar o tabagismo passivo.

    Leia também: Autoexame: como detectar precocemente diferentes tipos de câncer

    Perguntas frequentes sobre câncer de mama

    1. O câncer de mama sempre causa dor?

    Na maioria das vezes, não. O nódulo inicial costuma ser indolor. A ausência de dor não exclui doença; alterações devem ser avaliadas por médico.

    2. O câncer de mama pode aparecer em mulheres jovens?

    Sim. Embora mais comum após os 50 anos, pode ocorrer em jovens, sobretudo com histórico familiar ou mutações genéticas (BRCA1/2). Nesses casos, o rastreamento pode começar antes dos 40.

    3. A reconstrução da mama é obrigatória após a mastectomia?

    Não. É uma decisão pessoal, conforme tipo de cirurgia, condições clínicas e desejo da paciente. Próteses externas são opção segura quando a reconstrução não é imediata.

    4. A reposição hormonal aumenta o risco de câncer de mama?

    Pode aumentar, sobretudo com terapia combinada (estrogênio + progesterona) por períodos prolongados (>5 anos). A decisão deve ser individualizada e acompanhada por ginecologista, com mamografias regulares.

    5. O que é radioterapia?

    Terapia local com radiação para eliminar células remanescentes e reduzir recidiva, frequentemente indicada após cirurgias conservadoras ou em tumores/agressividade maiores. Sessões diárias por algumas semanas, indolor.

    6. Posso fazer atividades físicas durante o tratamento?

    Sim, com orientação médica. Exercícios leves a moderados (caminhada, ioga, alongamento, pilates) melhoram disposição, controlam peso e reduzem efeitos colaterais. Respeite seus limites.

    7. Como lidar com a menopausa induzida pelo tratamento?

    Há estratégias seguras: lubrificantes vaginais, roupas leves, técnicas de relaxamento e acompanhamento médico. Converse com o oncologista sobre opções adequadas para o seu caso.

    8. O que é câncer de mama metastático?

    É quando células do tumor mamário se espalham para outros órgãos (ossos, pulmões, fígado, cérebro). Mesmo à distância, mantém as características do câncer de mama e é tratado como tal.

    Confira: 7 sintomas iniciais de câncer que não devem ser ignorados

  • Quando o corpo ataca a própria tireoide: entenda a síndrome de Hashimoto 

    Quando o corpo ataca a própria tireoide: entenda a síndrome de Hashimoto 

    A síndrome de Hashimoto é uma doença autoimune em que o próprio sistema de defesa do corpo passa a atacar a glândula tireoide, responsável por produzir hormônios que regulam o metabolismo.

    Com o tempo, essa inflamação leva à redução da atividade da tireoide, provocando o chamado hipotireoidismo. É uma condição crônica, mais comum em mulheres entre 30 e 50 anos, mas que pode acontecer em qualquer idade.

    O que é a síndrome de Hashimoto

    Na síndrome de Hashimoto, também chamada de tireoidite de Hashimoto, o sistema imunológico identifica erroneamente as células da tireoide como inimigas e começa a produzir anticorpos que atacam a glândula.

    Essa agressão contínua causa inflamação e, aos poucos, destrói o tecido tireoidiano, o que impacta na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que são substâncias essenciais para manter o corpo com energia, regular o peso, a temperatura e até o humor.

    Causas e fatores de risco

    As causas exatas ainda não são totalmente compreendidas, mas sabe-se que a síndrome de Hashimoto envolve uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais.

    Entre os principais fatores de risco estão:

    • Predisposição genética: histórico familiar de doenças autoimunes, como diabetes tipo 1, lúpus ou vitiligo;
    • Sexo feminino: mulheres têm até 10 vezes mais chance de desenvolver a doença;
    • Alterações hormonais: a doença pode aparecer após a gravidez (tireoidite pós-parto);
    • Excesso de iodo: suplementação inadequada pode desencadear ou agravar o quadro;
    • Estresse e infecções virais: podem funcionar como gatilhos em pessoas predispostas a ter a doença.

    Sintomas da síndrome de Hashimoto

    Os sintomas variam conforme o grau de comprometimento da tireoide. No início, podem ser sutis ou até inexistentes, então muita gente nem nota. À medida que a glândula perde sua função, o corpo desacelera e os sintomas aparecem.

    Os sinais mais comuns são:

    • Cansaço constante e sono excessivo;
    • Ganho de peso sem explicação;
    • Queda de cabelo e pele seca;
    • Sensação de frio mesmo em dias quentes;
    • Inchaço no rosto e nas pálpebras;
    • Constipação (intestino preso);
    • Alterações de humor, como tristeza e irritabilidade;
    • Dificuldade de concentração e memória;
    • Menstruação irregular.

    Em alguns casos pode acontecer um aumento do volume da tireoide, conhecido como bócio, que pode ser percebido como um pequeno caroço no pescoço.

    Como é feito o diagnóstico da síndrome de Hashimoto

    O diagnóstico é confirmado por meio de exames de sangue que avaliam os níveis dos hormônios tireoidianos (T3, T4 e TSH) e dos anticorpos antitireoidianos — especialmente o anti-TPO (antiperoxidase tireoidiana), que costuma estar elevado na doença.

    O ultrassom da tireoide também pode ser solicitado pelo médico para observar o tamanho e a textura da glândula.

    Tratamento da síndrome de Hashimoto

    Não existe cura para a síndrome de Hashimoto, mas o tratamento é simples e eficaz. O objetivo é repor os hormônios que a tireoide deixou de produzir.

    O médico endocrinologista prescreve a levotiroxina, uma versão sintética do hormônio T4. A dose é ajustada individualmente, com base nos exames e sintomas.

    Além do remédio, é importante:

    • Fazer acompanhamento periodicamente com o médico;
    • Tomar o hormônio em jejum, sempre no mesmo horário;
    • Evitar automedicação e suplementos sem orientação;
    • Manter alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e proteínas magras.

    Síndrome de Hashimoto tem cura?

    Não. A síndrome de Hashimoto é uma doença crônica, o que significa que o tratamento precisa ser contínuo. Com o uso correto da medicação e acompanhamento médico, porém, a pessoa pode levar uma vida absolutamente normal, com energia e qualidade de vida.

    Quando procurar um médico

    Procure um endocrinologista se você notar sintomas como cansaço persistente, ganho de peso inexplicável, queda de cabelo ou irregularidade menstrual. Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, mais simples é o controle e menor o risco de complicações.

    Veja mais: Nódulos na tireoide: quando se preocupar e como diferenciar benignos de malignos

    Perguntas frequentes sobre a síndrome de Hashimoto

    1. A síndrome de Hashimoto é a mesma coisa que hipotireoidismo?

    Não exatamente. O Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo, mas nem todo hipotireoidismo é causado por Hashimoto.

    2. Quem tem Hashimoto pode engravidar?

    Sim, mas é importante manter o tratamento e acompanhamento médico. O controle hormonal é essencial para uma gestação saudável.

    3. A alimentação influencia a doença?

    Sim. O excesso de iodo e o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados podem prejudicar o controle. É recomendável uma dieta equilibrada.

    4. O glúten deve ser cortado?

    Algumas pessoas relatam melhora dos sintomas sem glúten, especialmente se têm sensibilidade, mas não há consenso científico de que isso seja obrigatório.

    5. O tratamento é para sempre?

    Na maioria dos casos, sim. Como a glândula perde a capacidade de produzir hormônios, é necessário repor continuamente.

    6. Existe risco de complicações?

    Sim, se não for tratada, a doença pode causar hipotireoidismo grave, com risco para coração, metabolismo e fertilidade.

    7. Hashimoto pode causar depressão?

    Sim. A falta dos hormônios tireoidianos atinge o humor e pode contribuir para sintomas de depressão, que costumam melhorar com o tratamento.

    Leia também: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

  • Artrite ou artrose? Conheça as diferenças entre as doenças  

    Artrite ou artrose? Conheça as diferenças entre as doenças  

    Dor nas articulações, rigidez e inchaço são sintomas que podem surgir tanto em quadros de artrose quanto de artrite. Apesar das similaridades, as condições têm origens e progressão diferentes — e exigem alguns cuidados específicos.

    A artrose está relacionada ao desgaste da cartilagem que reveste as articulações, sendo mais frequente a partir dos 50 anos de idade. A artrite, por outro lado, acontece quando há um processo inflamatório nas articulações, podendo ter diferentes causas, como infecções, doenças autoimunes, reações metabólicas ou até traumatismos.

    Nesse contexto, é ideal entender se é artrite ou artrose, como elas se manifestam, o diagnóstico e as medidas de tratamento, uma vez que ambas podem prejudicar diretamente a qualidade de vida. Entenda mais, a seguir!

    O que é artrite?

    A artrite é o nome dado a qualquer inflamação nas articulações, que são as áreas onde os dois ossos se encontram — como joelhos, punhos, tornozelos e dedos, por exemplo. De acordo com a reumatologista Flávia Alexandra Guerrero, a artrite pode estar relacionada tanto a doenças autoimunes quanto a quadros infecciosos.

    Ela pode afetar uma ou várias articulações, e surgir em qualquer faixa etária, dependendo da causa. Alguns tipos são transitórios, enquanto outros, como a artrite reumatoide, têm evolução crônica e exigem tratamento contínuo.

    No geral, existem mais de 100 tipos de artrite, mas os mais comuns incluem:

    • Artrite reumatoide: doença autoimune em que o sistema imunológico ataca as próprias articulações, causando inflamação crônica, dor e deformidades, principalmente nas mãos e nos punhos;
    • Artrite psoriásica: ocorre em pessoas com psoríase (doença de pele) e provoca inflamação nas articulações, rigidez matinal e dor, afetando com frequência dedos e coluna;
    • Gota (artrite gotosa): causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações, normalmente atinge o dedão do pé e causa crises de dor intensa, inchaço e calor local;
    • Artrite séptica: provocada por uma infecção bacteriana dentro da articulação, que exige tratamento imediato com antibióticos para evitar danos permanentes;
    • Artrite reativa: aparece após infecções intestinais, urinárias ou genitais, como resposta exagerada do sistema imunológico, geralmente afetando joelhos e tornozelos.

    Quais são os principais sintomas da artrite?

    • Dor e inchaço nas articulações;
    • Rigidez, especialmente pela manhã ou após períodos de repouso;
    • Dificuldade de movimentar a articulação afetada;
    • Calor e vermelhidão no local.

    De acordo com Flávia, no caso da artrite, muitas vezes o paciente se queixa de piora da dor após períodos prolongados de repouso, inclusive com sensação de rigidez após esse tempo de imobilização.

    O que é artrose?

    A artrose, também chamada de osteoartrite, é uma doença degenerativa caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que recobre as extremidades dos ossos.

    Com a cartilagem comprometida, o atrito entre os ossos aumenta, resultando em dor, rigidez e limitação de movimento. A doença é mais comum em pessoas acima de 50 anos, mas pode aparecer em jovens após lesões ou uso excessivo de determinadas articulações.

    A artrose está relacionada especialmente ao envelhecimento, sobrepeso, atividades de alto impacto e predisposição genética.

    Quais são os principais sintomas da artrose?

    • Dor que melhora com repouso;
    • Estalos nas articulações;
    • Redução da amplitude de movimento;
    • Rigidez matinal que dura menos de 30 minutos.

    A artrose também pode provocar deformidades, mas elas surgem de forma mais lenta, relacionadas ao desgaste crônico.

    Principais diferenças entre artrite e artrose

    Característica Artrite Artrose
    Causa Processo inflamatório nas articulações, que pode ter origem infecciosa, autoimune ou metabólica Desgaste da cartilagem (degenerativa)
    Idade mais comum Pode ocorrer em qualquer idade, dependendo do tipo e da causa É mais comum após os 50 anos de idade
    Sintomas principais Dor que piora com repouso, rigidez matinal prolongada, inchaço, calor e vermelhidão Dor que piora com esforço, rigidez curta, estalos
    Evolução Pode ser aguda (curta duração) ou crônica (persistente) Progressiva, ligada ao envelhecimento
    Exames Exames de sangue (marcadores inflamatórios) e imagem (radiografias, ultrassom) Exames de imagem (radiografias, ressonância)
    Tratamento Anti-inflamatórios, analgésicos, fisioterapia e abordagens específicas conforme a causa (antibióticos, imunossupressores, etc.) Analgésicos, anti-inflamatórios, fisioterapia, controle do peso

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico diferencial entre artrite e artrose deve ser feito por um médico especialista, normalmente o reumatologista, em alguns casos com apoio do ortopedista. O processo começa com a avaliação clínica: o médico ouve as queixas do paciente, analisa os sintomas e realiza um exame físico detalhado das articulações.

    A partir da análise inicial, o especialista levanta a hipótese de artrite ou artrose e solicita exames complementares para confirmar, como:

    • Exames de imagem (radiografias, ultrassonografias, tomografias ou ressonâncias) — importantes para mostrar o desgaste da articulação;
    • Exames de sangue, que ajudam a identificar marcadores inflamatórios.

    Como é feito o tratamento de artrite?

    Na artrite, é necessário identificar a causa exata da inflamação, já que o tratamento depende diretamente da origem do problema, de acordo com Flávia. Existem vários tipos de artrite, e cada um deles exige uma abordagem específica:

    • Artrite autoimune: acontece quando o sistema imunológico ataca as próprias articulações, como na artrite reumatoide. O tratamento é feito com imunossupressores e anti-inflamatórios para controlar a inflamação e evitar danos permanentes;
    • Artrite infecciosa: surge quando vírus, bactérias ou fungos atingem a articulação, causando infecção e dor intensa. O tratamento depende do agente causador e pode incluir antibióticos, antivirais ou antifúngicos, além de drenagem do líquido articular em alguns casos;
    • Artrite metabólica: ocorre pelo acúmulo de substâncias, como o ácido úrico na gota ou cristais de cálcio na condrocalcinose. O tratamento envolve controlar essas substâncias no sangue, aliviar a dor e prevenir novas crises inflamatórias.

    De acordo com Flávia, se a artrite não for adequadamente tratada, ao longo do tempo o processo inflamatório vai degradando as estruturas articulares e podendo levar a um quadro de artrose — que é justamente a degeneração da cartilagem que reveste as extremidades dos ossos dentro da articulação.

    Como é feito o tratamento de artrose?

    A artrose não tem cura, mas existem diversas abordagens para controlar os sintomas, melhorar a mobilidade e retardar o avanço da doença, como:

    • Uso de analgésicos e anti-inflamatórios: em fases de dor intensa, podem ser prescritos pelo médico para aliviar o desconforto e ajudar a manter a funcionalidade no dia a dia;
    • Fisioterapia: fundamental para fortalecimento muscular, melhora da flexibilidade e prevenção da rigidez articular. Exercícios supervisionados ajudam a proteger as articulações, reduzir a dor e aumentar a independência do paciente;
    • Controle do peso corporal: manter o peso adequado reduz a sobrecarga sobre as articulações que sustentam o corpo, como joelhos, quadris e coluna;
    • Atividade física adaptada: exercícios de baixo impacto, como hidroginástica, pilates, yoga e caminhadas leves, são recomendados para estimular a circulação, fortalecer os músculos e preservar a amplitude dos movimentos, sem causar sobrecarga;
    • Cirurgia: quando o desgaste é muito avançado e os outros tratamentos não trazem alívio, pode ser necessária a substituição da articulação por uma prótese (como prótese de joelho ou quadril).

    Além de tratar os sintomas, o reumatologista ou ortopedista orienta o paciente sobre hábitos de vida e terapias complementares que ajudam a preservar as articulações no longo prazo.

    Como prevenir a artrite ou a artrose?

    As medidas de prevenção da artrite e da artrose são bem parecidas, já que ambas afetam as articulações e compartilham fatores de risco em comum. O foco principal é manter as articulações saudáveis e evitar tanto inflamações quanto desgastes.

    No caso da artrite, o objetivo é prevenir processos inflamatórios, enquanto na artrose é necessário reduzir o desgaste da cartilagem que ocorre com o tempo.

    Por isso, cuidar do corpo no dia a dia faz toda a diferença, com cuidados como:

    • Manter o peso adequado;
    • Praticar atividades físicas regulares de baixo impacto, como natação, caminhada e bicicleta;
    • Fortalecer a musculatura e evitar sobrecarga nas articulações;
    • Evitar o sedentarismo, mantendo o corpo ativo e as articulações em movimento;
    • Alimentar-se bem, com foco em alimentos ricos em cálcio, vitamina D e ômega-3;
    • Fazer acompanhamento médico.

    Veja também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes sobre diferença entre artrite e artrose

    1. Quais articulações são mais afetadas pela artrose?

    A artrose pode atingir qualquer articulação do corpo, mas joelhos, quadris, mãos e coluna são os locais mais comuns. Isso ocorre porque essas regiões sofrem maior sobrecarga mecânica ao longo da vida, seja pelo peso corporal, pelo esforço repetitivo ou por traumas prévios.

    Por isso, pacientes costumam sentir dor ao andar, subir escadas ou mesmo realizar movimentos simples com as mãos.

    2. Qual a diferença entre dor da artrose e dor muscular?

    A dor da artrose tem algumas características próprias. Primeiro, ela piora ao longo do dia, conforme a articulação é usada, e costuma melhorar com o repouso. A pessoa também pode apresentar rigidez articular, estalos e até deformidades com o passar do tempo, o que ajuda a diferenciar.

    Em contrapartida, a dor muscular normalmente aparece após esforço físico ou em casos de má postura e tende a aliviar mais rapidamente com descanso ou alongamento.

    3. Quando a cirurgia é indicada para artrose?

    A cirurgia costuma ser indicada quando os tratamentos conservadores já não oferecem alívio suficiente. Em muitos casos, o paciente apresenta dor intensa, dificuldade para andar ou perda significativa da função articular.

    Nesses casos, uma das opções é a prótese articular, especialmente em joelhos e quadris. A cirurgia é capaz de devolver a mobilidade e melhorar a qualidade de vida, mas é reservada para situações mais avançadas.

    4. A artrose pode aparecer em jovens?

    A artrose é mais comum em pessoas com mais de 50 anos de idade, mas pode surgir em pessoas jovens — especialmente quando há fatores predisponentes, como lesões articulares repetidas, prática de esportes de alto impacto sem preparo adequado, sobrepeso desde cedo ou histórico familiar.

    Em alguns casos, a presença de doenças que afetam a cartilagem, como displasias ou alterações congênitas, também podem favorecer o aparecimento precoce da artrose.

    5. Quem tem artrose precisa parar de trabalhar?

    A artrose não significa, necessariamente, o afastamento das atividades profissionais. Na verdade, a necessidade de parar ou adaptar o trabalho depende da gravidade dos sintomas e do tipo de atividade desempenhada.

    Pessoas com funções que exigem esforço físico intenso ou movimentos repetitivos podem precisar de ajustes, pausas mais frequentes ou até reabilitação. Já em casos leves e controlados, é perfeitamente possível continuar trabalhando normalmente, desde que a pessoa mantenha acompanhamento com um médico.

    6. A artrose pode virar câncer?

    Não, a artrose não pode se transformar em câncer. Ela é uma doença degenerativa das articulações, caracterizada pelo desgaste da cartilagem e pela formação de alterações ósseas secundárias. Já o câncer é uma proliferação anormal e descontrolada de células, com comportamento completamente diferente.

    A artrose não aumenta o risco de câncer e não tem qualquer relação direta com doenças oncológicas.

    Confira: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

  • Doenças da vesícula biliar: quando os cálculos viram problema 

    Doenças da vesícula biliar: quando os cálculos viram problema 

    Você já sentiu uma dor súbita no lado direito da barriga depois de comer algo gorduroso? Para muitas pessoas, esse sintoma é o primeiro aviso de que há algo errado na vesícula biliar, um órgão muito importante para o processo de digestão.

    Ao longo dos anos, o acúmulo de colesterol e sais pode provocar a formação de cálculos (pedras), desencadeando cólicas, inflamações e complicações que demandam atenção médica imediata.

    Com o avanço das tecnologias de imagem e das técnicas cirúrgicas, o diagnóstico e tratamento das doenças da vesícula estão mais avançados. A seguir, você vai entender as principais doenças, os sintomas e as formas de tratamento que fazem a diferença.

    O que é a vesícula biliar

    A vesícula biliar é um pequeno órgão em forma de pera que fica logo abaixo do fígado. Ela tem a função de armazenar e concentrar a bile, um líquido produzido pelo fígado que auxilia na digestão das gorduras.

    Quando a vesícula não consegue manter colesterol e sais solubilizados na bile, podem surgir cálculos biliares (popularmente chamadas “pedras”). Esses cálculos podem causar uma série de problemas ao órgão e ao sistema biliar.

    Principais doenças da vesícula biliar

    1. Colelitíase / Cólica biliar

    A colelitíase refere-se à presença de pedras na vesícula, e a cólica biliar é a dor típica que elas causam.

    • A dor aparece no lado direito superior do abdômen ou no meio da barriga, e pode irradiar para as costas ou para o ombro direito;
    • Geralmente surge após refeições gordurosas, mas também pode aparecer espontaneamente;
    • A dor aumenta gradualmente, atinge o pico em até uma hora e pode durar algumas horas;
    • Se persistir por mais de 6 horas, pode indicar complicações mais graves, como inflamação da vesícula;
    • Sintomas associados incluem náuseas e vômitos.

    Fatores de risco:

    • Sexo feminino (cerca de 3 vezes mais comum);
    • Colesterol e triglicérides elevados;
    • Obesidade;
    • Dietas pobres em fibras e hábitos intestinais lentos.

    2. Colecistite aguda (inflamação da vesícula)

    É a complicação mais frequente das pedras. Acontece quando um cálculo obstrui o canal da vesícula, provocando inflamação ou até infecção.

    Sintomas principais:

    • Dor intensa e contínua no lado direito do abdômen por mais de 6 horas;
    • Náuseas, vômitos e febre.

    Diagnóstico:

    • Exame físico: dor à palpação específica durante respiração profunda;
    • Exames laboratoriais: hemograma, marcadores hepáticos, bilirrubinas;
    • Ultrassonografia abdominal.

    Tratamento:

    • Jejum e hidratação por via endovenosa;
    • Analgésicos para alívio da dor;
    • Antibióticos (em caso de infecção);
    • Cirurgia (colecistectomia) programada.

    3. Coledocolitíase (pedra no canal biliar)

    Acontece quando uma pedra migra da vesícula para o ducto colédoco, canal que leva a bile ao intestino.

    Sintomas:

    • Dor tipo cólica semelhante à cólica biliar;
    • Icterícia flutuante (pele e olhos amarelados);
    • Urina escura e fezes claras.

    Diagnóstico:

    • Colangiopancreatografia retrógrada (CPRE), um exame endoscópico que permite visualizar e remover a pedra;
    • Colecistectomia posterior para prevenir recorrência do problema.

    4. Colangite (infecção das vias biliares)

    A obstrução dos dutos biliares pode facilitar a infecção bacteriana, o que pode levar a uma colangite.

    Sintomas:

    • Febre;
    • Dor no lado direito do abdômen;
    • Icterícia (pele e olhos amarelados);
    • Em casos graves, pode acontecer confusão mental e queda de pressão.

    Diagnóstico:

    • Avaliação clínica pelo médico, com histórico e sinais;
    • Exames laboratoriais de sangue: hemograma, função hepática, bilirrubinas;
    • Exames de imagem, como colangiografia ou ultrassonografia.

    Tratamento:

    • Antibióticos;
    • Correção da obstrução (remoção da pedra ou drenagem);
    • Programar colecistectomia.

    Diagnóstico das doenças da vesícula biliar

    O diagnóstico geralmente segue estas etapas:

    • Ultrassonografia abdominal: exame simples, sem radiação, muito eficaz para visualizar cálculos ou inflamações;
    • Exames laboratoriais: hemograma, função hepática, bilirrubinas, entre outros;
    • Exames específicos para obstrução: CPRE ou colangiografia quando houver suspeita de pedra no canal biliar ou colangite.

    Tratamentos disponíveis

    Analgésicos para controle da dor, enquanto se aguarda investigação ou cirurgia.

    Quando há complicações ou sintomas expressivos, a colecistectomia (remoção da vesícula) é indicada — frequentemente realizada por cirurgia videolaparoscópica.

    Em casos de colecistite aguda, além dos tratamentos já descritos, inclui-se: jejum, hidratação endovenosa, antibióticos e cirurgia posterior.

    Para coledocolitíase, além da cirurgia, pode ser usada CPRE para remoção da pedra no canal biliar.

    No caso de colangite, além do uso de antibióticos, deve-se resolver a obstrução para prevenir novas infecções, seguido da cirurgia definitiva.

    Leia mais: Novas metas de colesterol em 2025: valores mais rígidos para proteger seu coração

    Perguntas frequentes sobre doenças da vesícula biliar

    1. Toda pedra na vesícula biliar causa dor?

    Não. Muitas pessoas têm cálculos silenciosos, sem sintomas. A dor surge quando a pedra obstrui passagem ou causa inflamação.

    2. A vesícula biliar é essencial?

    Não. Ao removê-la, o corpo pode continuar a digestão da gordura com adaptações no fluxo da bile.

    3. Como é feita a cirurgia de retirada da vesícula biliar (colecistectomia)?

    Na maioria dos casos, é feita por laparoscopia, técnica minimamente invasiva com recuperação mais rápida.

    4. Posso prevenir as pedras da vesícula biliar?

    Sim, manter uma dieta rica em fibras, peso saudável, evitar excesso de gordura saturada e acompanhar o colesterol.

    5. A colangite é uma emergência?

    Sim. A combinação de febre, dor e icterícia é chamada de tríade de Charcot e exige atendimento imediato.

    6. Após a retirada da vesícula, posso comer gordura normalmente?

    Sim, mas em quantidades moderadas. O corpo se adapta, mas pode haver desconforto se exagerar.

    Confira: Intolerância à lactose: o que comer no dia a dia?

  • Intoxicação alimentar por alimentos crus: como se proteger

    Intoxicação alimentar por alimentos crus: como se proteger

    Você já saiu para comer fora ou preparou uma refeição em casa e, pouco tempo depois, começou a sentir náusea, dor abdominal ou diarreia? Esses sinais podem indicar uma intoxicação alimentar, problema que atinge milhões de brasileiros todos os anos e que muitas vezes está ligado ao consumo de alimentos crus ou mal higienizados.

    Embora na maioria dos casos os sintomas sejam leves, a intoxicação alimentar pode evoluir para quadros graves, especialmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa. Entender como ela acontece, quais são os principais riscos e como prevenir é importante para agir rápido e evitar complicações.

    O que é intoxicação alimentar?

    A intoxicação alimentar acontece quando ingerimos alimentos ou bebidas contaminados por microrganismos, como bactérias, vírus ou parasitas, ou substâncias tóxicas naturais ou químicas.

    Há, porém, diferença entre infecção alimentar e intoxicação alimentar:

    • Na infecção alimentar: o microrganismo se instala e multiplica no corpo após a ingestão;
    • Na intoxicação alimentar: já ingerimos toxinas prontas produzidas por microrganismos ou contaminantes, sem necessidade de multiplicação.

    O perigo dos alimentos crus sem higiene

    Consumir carnes ou peixes crus (como sushis, ceviches, carpaccios) exige extremo cuidado. Sem higienização, eles podem estar contaminados por:

    • Bactérias patogênicas: salmonella, escherichia coli (E.coli), vibrio, listeria, que vivem no intestino de animais e podem contaminar a carne;
    • Parasitas: certos helmintos podem resistir se o alimento não for bem tratado;
    • Toxinas e micotoxinas: fungos que crescem em carne armazenada em condições inadequadas podem produzir substâncias que não se eliminam só com calor;
    • Contaminação cruzada: utensílios usados com carnes cruas que depois tocam outros alimentos prontos podem transmitir microrganismos que provocam intoxicação alimentar.

    A questão é que a aparência ou o cheiro do alimento nem sempre denunciam a contaminação, pois muitas vezes a comida parece normal ao paladar.

    O que acontece no corpo durante a intoxicação?

    Depois de consumir o alimento contaminado, o organismo reage e os sintomas geralmente começam entre 30 minutos e poucas horas depois da ingestão, mas podem se estender por dias.

    O sistema digestivo tenta eliminar o agente nocivo. Para isso, intensifica movimentos intestinais, provoca vômito e diarreia para expulsar o microrganismo ou a toxina.

    Se a intoxicação evoluir ou o contaminante for particularmente agressivo, podem ocorrer complicações em rins, fígado, sistema nervoso ou falência de múltiplos órgãos.

    Sintomas de intoxicação alimentar

    Os sinais variam de leves a graves. Os mais comuns são:

    • Náuseas e vômitos;
    • Dor abdominal e cólicas;
    • Diarreia (às vezes com sangue ou muco);
    • Febre;
    • Mal-estar e fraqueza;
    • Desidratação (secura na boca, sede intensa, pouco xixi).

    Sintomas mais alarmantes que exigem atenção médica imediata incluem sangue nas fezes, febre muito alta, sinais de choque ou falência de órgãos.

    Diagnóstico e tratamento

    O diagnóstico da intoxicação alimentar costuma ser clínico. O médico avalia os sintomas, o histórico alimentar recente e os sinais de desidratação. Para confirmar, exames laboratoriais de fezes, sangue e cultura microbiana podem ser solicitados, assim se poderá saber qual o agente que causou a intoxicação.

    O tratamento consiste em:

    • Repouso e hidratação: fundamental repor líquidos e eletrólitos;
    • Dieta leve: alimentos de fácil digestão, evitar gorduras, laticínios e cafeína;
    • Medicamentos sob orientação médica: medicamentos para náusea e vômitos, para diarreia (com precaução) e antibióticos, se houver infecção confirmada;
    • Casos graves podem requerer internação e hidratação endovenosa, aquela feita por soro.

    Veja também: Intolerância à lactose: o que comer no dia a dia?

    Prevenção: como evitar intoxicação alimentar

    Algumas medidas simples podem ajudar a evitar uma intoxicação alimentar. Veja:

    • Lavar bem as mãos com água e sabão antes de preparar alimentos e após usar o banheiro;
    • Manter superfícies, utensílios e tábuas de cozinha limpas e higienizadas;
    • Separar carnes cruas de alimentos prontos, pois isso evita a contaminação cruzada;
    • Cozinhar carnes, ovos e peixes em temperatura adequada até que estejam bem cozidos, pois isso já elimina boa parte dos microrganismos ruins;
    • Evitar consumo de carne crua de procedência duvidosa;
    • Armazenar alimentos em condições adequadas de temperatura (o ideal é refrigerar ou congelar);
    • Consumir alimentos dentro do prazo de validade e evitar conservar por muito tempo.

    Perguntas frequentes sobre intoxicação alimentar

    1. Comer sushi ou ostras é seguro?

    Sim, se o estabelecimento respeitar normas de higiene, origem e refrigeração rigorosa. Mas há risco maior se esses produtos não forem tratados ou manipulados corretamente.

    2. Posso reconhecer comida estragada pelo cheiro ou aparência?

    Nem sempre. Alimentos contaminados nem sempre apresentam odor, cor ou sabor alterados.

    3. Quanto tempo demoram os sintomas para aparecer?

    Os sintomas da intoxicação alimentar podem aparecer entre 30 minutos e até alguns dias, dependendo do agente envolvido.

    4. Quando devo procurar atendimento médico?

    Se houver sangue nas fezes, febre alta, desidratação ou sintomas persistentes por mais de 48 horas.

    5. Intoxicação alimentar pode matar?

    Sim, especialmente em grupos vulneráveis (crianças, idosos, imunodeprimidos). Alguns agentes e toxinas podem causar falência de órgãos severa.

    6. Tomar antibiótico por conta própria ajuda?

    Não. Uso errado pode piorar ou prolongar o quadro. A decisão de usar antibióticos deve ser feita por médico com base no agente identificado.

    Leia também: 10 alimentos ricos em fibras para regular o intestino

  • Intoxicação por metanol: saiba mais sobre os antídotos 

    Intoxicação por metanol: saiba mais sobre os antídotos 

    Depois dos recentes casos de intoxicação por metanol registrados no país, o alerta acendeu para os riscos das bebidas adulteradas e também para a urgência de acesso ao tratamento correto. O metanol, substância altamente tóxica usada indevidamente na fabricação de destilados ilegais, pode causar cegueira e morte se não houver intervenção rápida.

    O tratamento da intoxicação por metanol precisa acontecer rápido e com muita precisão, pois é preciso bloquear a ação da enzima que transforma a substância em compostos ainda mais tóxicos e, em casos graves, recorrer à hemodiálise.

    Recentemente, o Brasil deu um passo importante, ao liberar a fabricação de etanol farmacêutico e ampliar o acesso ao fomepizol, o antídoto mais eficaz contra o metanol. Entenda como esses medicamentos funcionam.

    Por que o metanol é perigoso

    O metanol em si deprime o sistema nervoso, mas o grande problema é o metabolismo: a enzima álcool desidrogenase (ADH) transforma metanol em formaldeído e depois em ácido fórmico, responsável por acidose metabólica severa, lesão do nervo óptico (risco de cegueira) e falência de órgãos.

    O antídoto busca impedir essa conversão e remover tóxicos do organismo.

    O que é o antídoto e como ele funciona

    Existem dois antídotos que atuam inibindo a enzima álcool desidrogenase e freando a formação de ácido fórmico:

    • Fomepizol: antídoto de escolha quando disponível, por eficácia, forma simples de administrar e menos efeitos colaterais. Pode, em apresentações precoces e sem gravidade, evitar ou postergar a hemodiálise. O Brasil passou a importar o fomepizol de forma emergencial;
    • Etanol farmacêutico: também inibe a enzima álcool desidrogenase e compete com o metanol, mas pode causar embriaguez, hipoglicemia e exige monitorização mais intensa. Ainda assim, é uma opção muito útil quando o fomepizol não está disponível.

    Bicarbonato de sódio e ácido folínico/folato: além do antídoto, o tratamento pode incluir suporte clínico com bicarbonato de sódio para corrigir a acidose e ácido folínico/folato para acelerar a metabolização do formiato.

    Quando é preciso fazer hemodiálise?

    A hemodiálise remove rapidamente metanol e formiato, além de corrigir a acidose grave. Em geral, é indicada quando há acidose metabólica significativa, lesão de órgão-alvo, como alteração visual, níveis muito altos de metanol ou agravamento, apesar do antídoto.

    O que o Brasil está fazendo agora

    • Distribuição nacional de antídotos: o Ministério da Saúde iniciou a distribuição de ampolas de etanol farmacêutico para estados solicitantes e vem ampliando o número de estados atendidos;
    • Produção e oferta: a Anvisa liberou a fabricação nacional do etanol farmacêutico para uso como antídoto e autorizou a importação de fomepizol, o que dá aos médicos mais opções de tratamento;

    Isso importa porque o fomepizol é preferível quando disponível, pois é mais eficaz que o etanol farmacêutico.

    Veja também: Energético faz mal à saúde? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes sobre intoxicação por metanol e o uso de antídoto

    1. Qual é o antídoto principal para metanol?

    O fomepizol é preferido por segurança e manejo simples; o etanol farmacêutico é alternativa eficaz quando fomepizol não está disponível. Ambos inibem a ADH e impedem a formação do ácido fórmico.

    2. O antídoto cura a intoxicação?

    Ele interrompe o metabolismo tóxico. Em casos graves, ainda pode ser preciso hemodiálise para remover metanol/formiato e corrigir a acidose.

    3. Por que dar ácido folínico/folato?

    Porque acelera a conversão do formiato, que é muito tóxico, em produtos inofensivos, e isso ajuda na reversão da acidose e na proteção da visão.

    4. Quando a hemodiálise é indicada em casos de intoxicação por metanol?

    Na presença de acidose metabólica marcante, sinais de toxicidade ocular ou neurológica, níveis altos de metanol ou piora clínica.

    5. O que o Brasil disponibiliza hoje?

    O Ministério da Saúde está distribuindo etanol farmacêutico e, mais recentemente, também está importando fomepizol.

    6. Posso prevenir intoxicação por metanol tomando etanol após beber algo suspeito?

    Não. Isso pode mascarar sintomas. Se você suspeita ter ingerido bebida adulterada, procure atendimento imediato.

    7. Por que o metanol aparece em bebidas?

    Por adulteração (para baratear) ou falhas em processos artesanais ou ilegais.

    Leia também: Metanol em bebidas: saiba o que fazer na suspeita de intoxicação

  • Recidiva do câncer: por que ele pode voltar após o tratamento?

    Recidiva do câncer: por que ele pode voltar após o tratamento?

    Após meses de tratamento, seja por cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, a remissão do câncer costuma ser acompanhada de sentimentos de alívio e vitória. Apesar disso, é comum (e totalmente compreensível) ficar apreensivo com a possibilidade de o câncer retornar.

    O fenômeno, conhecido como recidiva, ocorre quando a doença retorna meses ou até anos depois do término do tratamento. Não é algo raro de acontecer, e por isso é importante que pacientes e familiares compreendam por que ocorre, quais fatores estão envolvidos e quais são as melhores formas de lidar com a possibilidade. Entenda mais, a seguir.

    O que é a recidiva do câncer?

    A recidiva do câncer é o termo médico usado para descrever o retorno da doença após o fim do tratamento inicial. Ela pode aparecer no mesmo local onde o tumor surgiu, em tecidos próximos ou em órgãos distantes. Quando a doença retorna, ela mantém o nome do câncer original, mesmo que apareça em outro órgão.

    Por exemplo, se uma pessoa tratou câncer de mama e, anos depois, células cancerígenas aparecem nos pulmões, ainda será considerado câncer de mama com metástase pulmonar, e não um câncer de pulmão primário. Esse detalhe é particularmente importante porque o comportamento biológico e o tratamento dependem da origem inicial do tumor.

    Vale ressaltar que a recidiva não significa necessariamente que o tratamento anterior não deu certo. Ela é, na verdade, consequência de um processo natural do câncer, uma vez que células microscópicas podem permanecer no corpo mesmo depois de terapias agressivas.

    Por esse motivo é tão importante manter o acompanhamento mesmo após a remissão, pois a recidiva pode acontecer meses ou até anos após o término do tratamento.

    Como e por que a recidiva acontece?

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, o corpo humano é formado por trilhões de células, e um tumor de apenas 1 cm³ já pode conter cerca de 1 bilhão de células cancerígenas. Mesmo com exames avançados, é praticamente impossível detectar células isoladas ou pequenos grupos de células que sobrevivem após o tratamento.

    Segundo o oncologista Thiago Chadid, as células residuais são chamadas de micrometástases, e podem permanecer “congeladas” por meses ou até anos. Mas, por algum gatilho, como baixa imunidade, estresse, infecção, covid-19, cigarro ou radiação, podem voltar a se multiplicar de forma descontrolada, originando um novo tumor.

    Quais os tipos de recidiva do câncer?

    A recidiva pode se manifestar de diferentes formas, sendo elas:

    • Recidiva local: acontece quando o tumor aparece novamente exatamente no mesmo local onde surgiu o câncer inicial. Por exemplo, um câncer de pele tratado volta no mesmo ponto da cicatriz;
    • Recidiva regional: nesses casos, o câncer retorna em linfonodos próximos ao local original. Um exemplo é um câncer de mama que se manifesta novamente nos linfonodos da axila;
    • Recidiva metastática distante (metástase): o câncer se instala em órgãos ou tecidos distantes do local inicial. É o tipo mais grave, pois pode atingir pulmões, fígado, ossos ou cérebro.

    É possível saber se o câncer vai voltar?

    Atualmente, não existe uma maneira de saber se, depois da remissão, o câncer vai retornar. Segundo a SBCO, em alguns tipos de tumores, existem algoritmos que estimam a chance de recidiva, mas ainda se tratam de cálculos imprecisos, incapazes de determinar com certeza o risco individual de cada paciente.

    O que se sabe é que, quando o câncer é mais agressivo, de crescimento rápido ou que já se espalhou para outras regiões do corpo, a probabilidade de recidiva é maior. O acompanhamento contínuo aumenta a chance de detectar precocemente qualquer sinal de retorno da doença, o que faz diferença no tratamento.

    De acordo com Thiago, adota-se o período de cinco anos como referência para acompanhar o risco de retorno do câncer. No entanto, há exceções, sobretudo em tumores indolentes, que apresentam crescimento mais lento e podem recidivar após esse intervalo.

    Como é feito o diagnóstico e tratamento da recidiva do câncer?

    O diagnóstico da recidiva normalmente acontece durante as consultas de retorno ao oncologista. Os exames de imagem (como tomografia, ressonância magnética e PET-CT) e exames laboratoriais continuam sendo as principais medidas de detecção do câncer.

    Em alguns casos, dependendo do tipo de tumor, o paciente pode notar alguns sinais de alerta, como:

    • Dor persistente;
    • Fadiga extrema;
    • Perda de peso sem causa aparente;
    • Novos nódulos ou alterações na pele.

    O tratamento depende do tipo e localização da recidiva, além do histórico do paciente. Algumas células tumorais podem se tornar resistentes aos medicamentos utilizados anteriormente, exigindo mudanças de estratégia.

    Mas, segundo Thiago, quando o câncer retorna no mesmo local, normalmente se trata de um resíduo tumoral que não foi completamente eliminado. Nesses casos, a cirurgia ou a radioterapia costumam ser as opções mais indicadas, pois ainda existe uma chance significativa de cura.

    Já a metástase indica que as células tumorais se disseminaram para outras partes do corpo, o que torna o tratamento mais complexo. As abordagens, dependendo do tipo e da localização do câncer, podem incluir quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo, imunoterapia, terapia hormonal ou cirurgia.

    Leia mais: Entenda a diferença entre tumor benigno e maligno

    É possível prevenir o retorno do câncer?

    Não é possível prevenir completamente a recidiva do câncer, mas existem medidas que reduzem os riscos, como:

    • Alimentação equilibrada: uma dieta rica em frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras ajuda a manter o peso corporal saudável e fornece nutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo. O excesso de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gorduras saturadas e aditivos químicos, deve ser evitado;
    • Atividade física regular: praticar exercícios de forma constante, mesmo que em intensidade moderada, como caminhadas, natação ou bicicleta, contribui para controlar a obesidade, aumentar a imunidade e reduzir inflamações;
    • Controle do estresse: o impacto emocional do câncer é enorme, e viver em constante estado de tensão enfraquece o sistema imunológico. Estratégias como meditação, ioga, respiração consciente ou acompanhamento psicológico ajudam a reduzir a ansiedade, melhorar o sono e trazer mais equilíbrio à rotina;
    • Acompanhamento multidisciplinar: contar com nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos garante uma atenção integral ao corpo e à mente, fortalecendo o paciente como um todo. Ter uma rede de apoio contribui para a adesão ao tratamento e para a melhora da qualidade de vida;
    • Evitar fatores de risco: abandonar o tabagismo e reduzir o consumo de álcool são medidas fundamentais para prevenir a doença. Se proteger contra a radiação solar excessiva e manter as vacinas em dia, como as contra HPV e hepatite B, também faz toda diferença.

    Apesar das medidas não garantirem que o câncer nunca volte, elas fortalecem o organismo, aumentam a resposta ao tratamento e promovem qualidade de vida — permitindo que o paciente se sinta mais confiante no processo de recuperação.

    Confira: Exames de rotina para prevenir câncer: conheça os principais

    Perguntas frequentes sobre recidiva do câncer

    1. O câncer que volta é mais agressivo do que o primeiro?

    Nem sempre. Na verdade, o comportamento da recidiva depende do tipo de câncer e da forma como ele evolui no organismo. Em alguns casos, o tumor pode se manifestar de maneira semelhante ao inicial; em outros, pode apresentar características mais resistentes aos medicamentos utilizados anteriormente, exigindo novas medidas de tratamento.

    2. Quanto tempo depois do tratamento o câncer pode voltar?

    Não existe um tempo fixo. A recidiva do câncer pode ocorrer em meses, anos ou até décadas depois do tratamento inicial. Há relatos de pacientes que tiveram o retorno da doença até 20 anos após entrarem em remissão.

    Assim, o acompanhamento médico periódico deve ser contínuo, mesmo depois de muito tempo sem sinais de câncer. Exames de rotina e consultas de acompanhamento são fundamentais para detectar precocemente qualquer alteração.

    3. O câncer que volta é considerado um novo câncer?

    Não, a recidiva é o reaparecimento do mesmo câncer tratado anteriormente. Mesmo que ele surja em outra parte do corpo, continua sendo considerado do mesmo tipo do tumor original. Por exemplo, um câncer de mama que volta nos ossos ainda é classificado como câncer de mama metastático.

    Já um segundo câncer primário é quando o paciente desenvolve outro tipo de tumor, independente do primeiro.

    4. O paciente em remissão precisa fazer exames para o resto da vida?

    Na maioria dos casos, sim. O acompanhamento médico deve ser constante, mesmo depois de anos sem sinais da doença. A frequência dos exames pode diminuir com o tempo, mas dificilmente o paciente deixa de ser monitorado completamente.

    Isso é necessário porque a recidiva pode acontecer a qualquer momento — inclusive após longos períodos de silêncio da doença.

    5. O que fazer para lidar emocionalmente com o medo da recidiva?

    O medo de que o câncer retorne é muito comum entre pacientes oncológicos e pode comprometer o sono, a concentração e a qualidade de vida, então é muito importante falar abertamente sobre os sentimentos com o médico e procurar apoio psicológico.

    Existem grupos de apoio e terapia individual que contribuem para transformar a ansiedade em algo mais manejável. Cuidar da saúde emocional é tão importante quanto cuidar do corpo, pois o equilíbrio mental fortalece a resiliência e aumenta a confiança no tratamento.

    6. Por que algumas pessoas têm recidiva e outras não?

    A diferença está ligada a diversos fatores, como o tipo de câncer, o estágio em que foi diagnosticado, a resposta individual ao tratamento e até a genética do paciente. Além disso, fatores externos, como estilo de vida e exposição a substâncias nocivas, também influenciam.

    Em alguns casos, mesmo com todos os cuidados possíveis, pequenas células malignas podem permanecer no organismo e voltar a se multiplicar. Portanto, não há uma causa única, e sim vários fatores que influenciam se a doença vai voltar ou não.

    Veja também: Metástase: o que é, sintomas, como surge e se tem cura

  • Hanseníase: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

    Hanseníase: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

    Com sintomas que acometem principalmente a pele e os nervos periféricos, a hanseníase é uma doença infecciosa e crônica que afeta cerca de 30 mil brasileiros por ano, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

    Apesar do histórico de preconceito e estigmas, a hanseníase é uma doença curável, cujo tratamento está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Quando iniciado logo nos primeiros sintomas, ele interrompe a transmissão e evita sequelas permanentes — de modo que a pessoa pode levar uma vida normal, trabalhar, estudar e manter suas relações sociais plenamente.

    Para entender os principais detalhes sobre a doença, conversamos com a médica de família e comunidade, Lilian Ramaldes. Confira, a seguir.

    O que é hanseníase?

    A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, também chamada de bacilo de Hansen. O microrganismo atinge principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo causar alterações na sensibilidade, na força muscular e, em casos avançados, deformidades físicas.

    Ela é uma condição de evolução lenta, com um período de incubação que pode variar de dois a sete anos — em alguns casos, ultrapassando uma década. Por isso, o diagnóstico pode ser tardio, especialmente quando os sintomas iniciais são sutis e confundidos com outras condições dermatológicas e neurológicas.

    Aliás, a hanseníase não afeta apenas a pele: o comprometimento dos nervos pode provocar dormência, formigamento, perda de sensibilidade ao calor, ao toque ou à dor, o que aumenta o risco de ferimentos e infecções secundárias.

    Atenção ao nome

    Apesar de ter sido conhecida historicamente como “lepra”, termo que carregou forte conotação discriminatória ao longo dos séculos, o nome oficial adotado no Brasil é hanseníase, em referência ao médico norueguês Gerhard Armauer Hansen, que descobriu o agente causador da doença em 1873.

    O que causa a hanseníase?

    O agente responsável pela hanseníase é o Mycobacterium leprae, uma bactéria de crescimento lento e que tem predileção por áreas do corpo mais frias, como mãos, pés, orelhas, nariz e rosto. A infecção ocorre quando o bacilo penetra no organismo e se instala na pele ou nos nervos periféricos.

    Vale apontar que qualquer pessoa pode entrar em contato com a bactéria, mas nem todo mundo adoece, uma vez que o desenvolvimento da hanseníase depende da resposta imunológica individual.

    Apenas uma parte das pessoas expostas desenvolve a infecção, e o risco aumenta diante de fatores genéticos, condições de vida precárias, desnutrição e baixa imunidade.

    Tipos de hanseníase

    A hanseníase é classificada de acordo com a forma como o sistema imunológico reage à infecção pelo Mycobacterium leprae:

    • Hanseníase paucibacilar (PB): é a forma inicial e mais leve da doença, em que o paciente apresenta até cinco lesões de pele, normalmente com diminuição da sensibilidade no local, e os exames baciloscópicos são negativos (ou seja, há poucos ou nenhum bacilo visível). O organismo consegue controlar parcialmente a infecção;
    • Hanseníase multibacilar (MB): é a forma mais avançada e contagiosa, caracterizada por mais de cinco lesões na pele, comprometimento de nervos periféricos e exames baciloscópicos positivos (com grande quantidade de bacilos). As lesões tendem a ser mais extensas, simétricas e podem causar deformidades se não tratadas precocemente.

    Como ocorre a transmissão da hanseníase?

    A transmissão da hanseníase acontece por meio das vias aéreas superiores, quando uma pessoa doente, na forma contagiante da doença e ainda sem tratamento, elimina o bacilo ao tossir, espirrar ou falar.

    Contudo, Lilian esclarece que não é fácil pegar hanseníase: é necessário contato próximo e prolongado com uma pessoa não tratada, normalmente dentro do mesmo domicílio.

    Assim, familiares e conviventes diretos de pacientes com hanseníase multibacilar (forma em que há grande quantidade de bacilos) são considerados o principal grupo de risco.

    Já os pacientes com forma paucibacilar, que apresentam poucos bacilos, não representam risco de transmissão significativa. A partir do início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença, tornando-se não contagiante.

    O M. leprae sobrevive pouco tempo fora do corpo humano, e não há evidências de transmissão por insetos, água, solo ou objetos. Além disso, a doença também não é transmitida por toque, abraço, aperto de mão, nem por compartilhamento de roupas, pratos ou talheres. Logo, não há risco no convívio social, escolar ou profissional com alguém que já esteja em tratamento.

    Sintomas de hanseníase

    Os sintomas da hanseníase variam de acordo com a forma clínica e a resposta imunológica de cada pessoa, mas alguns sinais são comuns e devem ser observados com atenção, como aponta o Ministério da Saúde:

    • Manchas na pele (brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas), com alteração da sensibilidade ao calor, ao frio, à dor ou ao tato;
    • Áreas com diminuição de pelos e suor, especialmente nas regiões das manchas;
    • Formigamento, dormência ou fisgadas em mãos, pés, orelhas e rosto;
    • Diminuição ou ausência de força muscular, dificultando segurar objetos ou caminhar;
    • Nódulos ou caroços avermelhados e dolorosos;
    • Espessamento de nervos periféricos, perceptível ao toque;
    • Ferimentos ou queimaduras sem dor, devido à perda de sensibilidade.

    Os sintomas normalmente aparecem de forma lenta e progressiva. De acordo com Lilian, a falta de sensibilidade é um sinal de alerta: “a pele pode ter uma aparência simples, mas perde a capacidade de sentir calor, frio ou dor”, complementa a médica.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da hanseníase é clínico e deve ser feito por um dermatologista. Durante o exame físico, ele realiza uma avaliação completa, examinando cuidadosamente a pele e testando a sensibilidade térmica, tátil e dolorosa nas áreas suspeitas de lesão.

    Além disso, o profissional também verifica o espessamento dos nervos periféricos e possíveis sinais de comprometimento motor. Quando há dúvida, podem ser solicitados exames complementares, como:

    • Baciloscopia: análise de amostras da pele para detectar a presença do bacilo;
    • Histopatologia: biópsia de pele ou nervo para avaliar alterações características;
    • Exames eletrofisiológicos: indicados para investigar o comprometimento neural.

    O diagnóstico em crianças requer uma atenção especial, pois os sintomas podem ser sutis e difíceis de interpretar. A identificação de casos infantis costuma indicar transmissão ativa dentro do ambiente familiar — o que reforça a importância da investigação dos contatos.

    Como é feito o tratamento da hanseníase?

    O tratamento da hanseníase é gratuito e está disponível em todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele é feito com um conjunto de medicamentos conhecido como Poliquimioterapia Única (PQT-U), que combina rifampicina, dapsona e clofazimina.

    O tratamento varia de acordo com o tipo de hanseníase, de modo que a hanseníase paucibacilar normalmente tem duração de 6 meses de tratamento, enquanto a multibacilar dura cerca de 12 meses.

    As doses são administradas mensalmente sob supervisão de um profissional de saúde, e as demais tomadas são realizadas em casa. Com o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença imediatamente, podendo levar vida normal — trabalhar, estudar e conviver socialmente sem nenhuma restrição.

    Durante o acompanhamento, o profissional de saúde também orienta sobre cuidados com a pele, prevenção de ferimentos e exercícios simples que ajudam a preservar a força muscular e a sensibilidade.

    Hanseníase tem cura?

    Sim, a hanseníase tem cura. Segundo Lilian, com o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença imediatamente — e é possível evitar sequelas irreversíveis nos nervos e deformidades físicas.

    Após a cura, o paciente pode levar uma vida normal, mas é importante manter o acompanhamento para prevenir complicações, especialmente nas pessoas que já apresentaram algum grau de comprometimento neural.

    Complicações da hanseníase

    Quando não tratada precocemente, a hanseníase pode evoluir para complicações graves. As principais estão relacionadas ao dano neural e às reações imunológicas inflamatórias:

    • Complicações diretas: ocorrem devido à presença do bacilo em grandes quantidades, especialmente em pacientes multibacilares, resultando em lesões extensas na pele e em outros tecidos;
    • Complicações neurais: surgem da lesão dos nervos periféricos, levando à perda de sensibilidade, deformidades nas mãos e nos pés e limitação funcional;
    • Complicações reacionais: são respostas inflamatórias do sistema imunológico, que podem provocar dor, inchaço e vermelhidão, geralmente durante o tratamento.

    As alterações, quando não tratadas, podem comprometer atividades básicas da vida diária e impactar o bem-estar emocional e social.

    É possível prevenir a hanseníase?

    Sim, é possível prevenir a hanseníase por meio do diagnóstico precoce e do tratamento imediato das pessoas infectadas, o que ajuda a interromper a cadeia de transmissão.

    Além disso, a vacinação com a BCG em contatos próximos e a busca por atendimento médico ao notar manchas na pele com perda de sensibilidade são medidas fundamentais para evitar novos casos e controlar a disseminação da doença.

    Estigma e preconceito

    Por muitos anos, a hanseníase foi cercada por medo e exclusão. Pacientes eram submetidos ao isolamento compulsório, afastados da família, do trabalho e da vida em comunidade.

    Apesar de a ciência já ter provado que a hanseníase tem cura, não é transmitida por contato simples e o tratamento é gratuito e eficaz, o estigma e o preconceito ainda provocam sofrimento, vergonha e, consequentemente, atraso no diagnóstico, afastando as pessoas do convívio social, da escola e do emprego.

    É fundamental compreender que, durante o tratamento, a pessoa com hanseníase não transmite mais o bacilo e pode levar uma vida completamente normal — trabalhar, estudar, conviver socialmente e manter seus relacionamentos sem qualquer restrição.

    Em qualquer situação, o foco deve estar no acolhimento, na informação e no respeito, jamais em atitudes discriminatórias que violem direitos do outro.

    O Brasil é uma referência mundial no controle da hanseníase e possui legislação que proíbe linguagem discriminatória contra pessoas que possuem hanseníase. Casos de preconceito podem ser denunciados à ouvidoria do SUS ou pelo Disque Saúde 136.

    Confira: Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

    Perguntas frequentes sobre hanseníase

    1. Quanto tempo demora para a hanseníase aparecer depois da infecção?

    O período entre o contato com o bacilo e o aparecimento dos primeiros sintomas é longo. Na maioria dos casos, a hanseníase leva de dois a sete anos para se manifestar, mas há registros de períodos mais curtos (menos de dois anos) e mais longos (acima de dez).

    A variação depende da resposta do sistema imunológico de cada pessoa e da carga de bacilos a que foi exposta. Como o Mycobacterium leprae se multiplica muito lentamente, a doença pode permanecer silenciosa por vários anos antes de causar manchas ou alterações de sensibilidade.

    Assim, a vigilância constante e o exame de contatos próximos de pessoas doentes são medidas fundamentais para o diagnóstico precoce.

    2. Como saber se a mancha na pele é hanseníase ou outro problema?

    A principal diferença para ficar atento é a alteração de sensibilidade, pois nas áreas afetadas pela hanseníase, a pessoa não sente calor, dor ou toque. Além disso, as manchas geralmente têm bordas nítidas, podem ser esbranquiçadas, avermelhadas ou acastanhadas e não coçam.

    Já alergias, micoses e outras doenças de pele costumam causar coceira, descamação e incômodo, o que não ocorre nas lesões hansênicas.

    O ideal é procurar uma unidade de saúde para avaliação clínica. O exame é rápido, indolor e fundamental para confirmar ou descartar o diagnóstico.

    3. Uma pessoa com hanseníase precisa se afastar do trabalho ou da escola?

    Não, quem está em tratamento pode continuar suas atividades normalmente. Logo após a primeira dose dos medicamentos, a pessoa deixa de transmitir a doença e não há risco para colegas, professores, amigos ou familiares.

    O afastamento só é indicado quando há complicações físicas que impeçam o desempenho das atividades, e mesmo nesses casos o suporte médico e social busca manter a inclusão e o retorno rápido à rotina. A hanseníase (e nenhuma outra condição de saúde) não deve ser motivo de exclusão, pois é tratável e não se transmite por contato cotidiano.

    4. A hanseníase pode voltar depois da cura?

    Quando o tratamento é realizado corretamente, a hanseníase não volta. O que pode acontecer em alguns casos são reações hansênicas, que são respostas do sistema imunológico aos restos do bacilo morto. Elas não indicam retorno da doença, mas sim uma inflamação passageira.

    As reações podem ocorrer durante o tratamento ou até meses depois da alta e precisam ser acompanhadas por profissionais de saúde, pois podem causar dor, febre, vermelhidão e nódulos dolorosos. O controle é simples e não há necessidade de reiniciar o esquema de poliquimioterapia.

    5. Como cuidar da pele durante o tratamento da hanseníase?

    Durante o tratamento, a pele pode ficar mais seca e sensível, então é importante aplicar cremes ou óleos neutros logo após o banho, quando a pele ainda está úmida, para ajudar a reter a umidade.

    É recomendável evitar produtos com álcool, perfumes fortes ou corantes, que podem irritar a pele. Banhos muito quentes também devem ser evitados, pois ressecam ainda mais. Nas áreas com perda de sensibilidade, deve-se observar atentamente se há ferimentos, bolhas ou queimaduras, já que a pessoa pode se machucar sem perceber.

    Leia também: ‘Doença do beijo’: sintomas e tratamento da mononucleose infecciosa

  • Cansaço, dor e nevoeiro mental: como reconhecer a fibromialgia 

    Cansaço, dor e nevoeiro mental: como reconhecer a fibromialgia 

    Cansaço constante, dores espalhadas pelo corpo e noites mal dormidas são queixas comuns de quem vive com fibromialgia, uma condição crônica que afeta milhões de pessoas, principalmente mulheres. Mais do que uma simples dor muscular, trata-se de uma síndrome complexa, que interfere no sono, na memória e no bem-estar.

    Apesar de ainda não ter uma cura específica, a boa notícia é que há tratamento. Com diagnóstico correto e um plano de cuidado que combina exercícios, apoio psicológico e acompanhamento médico, é possível reduzir a dor, recuperar a energia e melhorar a qualidade de vida.

    O que é fibromialgia

    A fibromialgia (FM) é uma síndrome caracterizada por dor muscular crônica e difusa, que afeta diversas partes do corpo. É mais frequente em mulheres e costuma vir acompanhada de fadiga intensa, sono não reparador, dificuldades de memória e concentração (chamadas de “nevoeiro mental”), ansiedade e depressão.

    Esses sintomas podem dificultar as tarefas rotineiras e atrapalhar a vida profissional e social.

    Quais são as causas da fibromialgia

    Ainda não existe uma única causa identificada, mas a fibromialgia parece acontecer quando o sistema nervoso central amplifica os sinais de dor — ou seja, estímulos leves passam a ser percebidos como dolorosos.

    Entre os fatores que participam desse processo estão:

    • Alterações nos neurotransmissores, substâncias que transmitem sinais no cérebro;
    • Predisposição genética;
    • Estresse prolongado;
    • Infecções;
    • Problemas hormonais;
    • Lesões ou doenças inflamatórias prévias.

    Como a fibromialgia se manifesta

    Os sintomas variam, mas os mais comuns são:

    • Dor generalizada e contínua, em forma de dor muscular ou sensação de “queimação”;
    • Fadiga intensa, mesmo após dormir por longas horas;
    • Sono não reparador, com sensação de cansaço ao acordar;
    • Dificuldade de memória e concentração (“nevoeiro mental”);
    • Alterações de humor, como ansiedade e depressão;
    • Sensibilidade aumentada ao toque, com pontos dolorosos espalhados pelo corpo.

    A condição pode surgir gradualmente ou após um fator desencadeante, como trauma físico, infecção ou estresse intenso.

    Problemas associados

    A fibromialgia frequentemente aparece junto com outras síndromes de sensibilidade aumentada, como:

    • Síndrome do intestino irritável;
    • Bexiga hiperativa;
    • Enxaqueca crônica;
    • Dores na face (ATM);
    • Sensibilidade a cheiros fortes ou produtos químicos.

    Também é comum a associação com transtornos de humor, como ansiedade e depressão.

    Diagnóstico da fibromialgia

    O diagnóstico é clínico, feito pelo médico com base nos sintomas e no exame físico.

    De modo geral, considera-se fibromialgia quando há:

    • Dor difusa em várias regiões do corpo por mais de três meses;
    • Sensibilidade aumentada ao toque em diferentes áreas (os chamados tender points).

    Os exames de sangue e imagem costumam ser normais. O médico, no entanto, pode solicitar alguns testes para descartar outras doenças, como:

    • Exames de tireoide;
    • Marcadores de inflamação;
    • Dosagem de cálcio;
    • Avaliação da força muscular e, em alguns casos, pesquisa de infecções relacionadas.

    Tratamento: como aliviar os sintomas

    Não existe uma cura única para a fibromialgia, mas há muitas formas de controle. O tratamento é individualizado e combina medidas não medicamentosas, uso criterioso de medicamentos e apoio psicológico.

    1. Medidas não medicamentosas (fundamentais)

    • Educação sobre a doença: entender o que é a fibromialgia ajuda a lidar melhor com os sintomas;
    • Exercícios regulares: atividades leves, como caminhada, hidroginástica, alongamentos e exercícios aeróbicos, trazem grande alívio. O ideal é começar devagar e aumentar aos poucos;
    • Fisioterapia e reabilitação: ajudam a melhorar o movimento e a força muscular;
    • Tratamento do sono: manter rotinas fixas e adotar higiene do sono; o médico pode orientar ajustes ou terapias complementares;
    • Terapias psicológicas: a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e técnicas de manejo do estresse reduzem o sofrimento emocional e melhoram o funcionamento;
    • Pacing (ritmo): aprender a dosar as atividades e intercalar períodos de descanso ajuda a evitar pioras bruscas de dor e cansaço.

    2. Medicamentos

    O uso de medicamentos deve sempre ser feito com orientação médica, avaliando benefícios e riscos. Podem ser indicadas:

    • Analgésicos;
    • Antidepressivos, que ajudam na regulação da dor e do humor;
    • Relaxantes musculares, para aliviar a rigidez.

    A escolha depende do perfil e das necessidades do paciente.

    Dicas práticas para o dia a dia

    • Mantenha horários regulares de sono e evite telas antes de dormir;
    • Faça atividade física regular, mesmo que leve;
    • Pratique relaxamento, como respiração, alongamento ou meditação;
    • Divida as tarefas e respeite os limites do corpo;
    • Busque apoio psicológico e, se possível, participe de grupos de apoio;
    • Converse com o médico sobre todos os sintomas e medicamentos usados.

    Confira: Alongamentos simples para aliviar dores musculares: veja quando e como praticar

    Perguntas frequentes sobre fibromialgia

    1. Fibromialgia é uma doença reumatológica ou psicológica?

    É uma síndrome de amplificação da dor, com origem no sistema nervoso central. Pode ter impacto físico e emocional, mas não é apenas psicológica.

    2. Quem tem fibromialgia sente dor o tempo todo?

    A dor costuma ser constante, mas varia de intensidade conforme o estresse, o sono e o nível de atividade física.

    3. A fibromialgia tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas com tratamento adequado é possível controlar os sintomas e viver bem.

    4. O exercício físico piora a fibromialgia?

    Não. Quando feito de forma leve e progressiva, o exercício reduz a dor e melhora o sono e o humor.

    5. É possível trabalhar com fibromialgia?

    Sim, com ajustes de rotina e acompanhamento médico, a maioria das pessoas pode manter suas atividades normais.

    6. Remédios para depressão ajudam na fibromialgia?

    Sim. Alguns antidepressivos atuam também nos mecanismos da dor, melhorando o controle dos sintomas.

    7. O que piora a fibromialgia?

    Estresse, sono ruim, sedentarismo e excesso de esforço estão entre os principais fatores de piora.

    Leia também: Fisioterapia preventiva: cuidar antes da dor aparecer pode mudar sua saúde

  • Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

    Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

    Causada por alterações no sistema imunológico ou um quadro infeccioso, a artrite reumatoide é uma doença crônica que afeta mais de 2 milhões de brasileiros, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Nos casos mais graves, pode haver perda de mobilidade e até o comprometimento de órgãos como pulmões, coração e vasos sanguíneos.

    Conversamos com a reumatologista Flavia Alexandra Guerrero para entender como a doença se manifesta, os primeiros sintomas e os principais meios de tratamento disponíveis atualmente.

    O que é artrite reumatoide?

    A artrite reumatoide é uma doença autoimune inflamatória crônica em que o próprio sistema imunológico, que deveria proteger o corpo contra infecções, passa a atacar tecidos saudáveis — em especial as articulações.

    De acordo com Flávia, o processo começa com a produção de autoanticorpos, que desencadeiam uma inflamação persistente. Ela, por sua vez, provoca sintomas como dor, inchaço e, ao longo do tempo, pode levar à deformidade articular.

    Além disso, vale apontar que a artrite reumatoide é caracterizada por uma evolução crônica. Ela não se manifesta de maneira súbita, como ocorre em uma lesão, mas se desenvolve progressivamente ao longo de semanas ou meses.

    As articulações mais afetadas costumam ser as das mãos, punhos e pés, com um padrão específico de simetria — ou seja, geralmente ambos os lados do corpo são comprometidos.

    Existem fatores de risco para a artrite reumatoide?

    A artrite reumatoide surge da interação entre predisposição genética e fatores ambientais. De acordo com Flávia, o principal fator de risco ambiental é o tabagismo, uma vez que o cigarro modifica o sistema imunológico, favorecendo a produção de autoanticorpos que desencadeiam a inflamação articular.

    Outros fatores também podem estar relacionados, como:

    • Histórico familiar da doença;
    • Infecções prévias que estimulam o sistema imunológico;
    • Exposição a substâncias tóxicas;
    • Alterações hormonais (a doença é mais comum em mulheres).

    Nem todos os fatores de risco podem ser controlados, mas parar de fumar é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a probabilidade da doença e melhorar a resposta ao tratamento.

    Quais são os sintomas da artrite reumatoide?

    Os sintomas da artrite reumatoide são discretos e podem ser confundidos com outras condições de saúde, então é necessário ter atenção. Segundo Flávia, os primeiros sinais costumam ser:

    • Dor persistente nas articulações das mãos, punhos e pés;
    • Inchaço (edema) articular;
    • Rigidez matinal que dura mais de 30 minutos;
    • Dificuldade para fechar as mãos ou realizar tarefas simples.

    A dor da artrite reumatoide é inflamatória, ou seja, piora quando a pessoa está em repouso por longos períodos. É comum acordar pela manhã com rigidez articular e dificuldade para movimentar os dedos. Após algumas horas de atividade, os sintomas tendem a melhorar, mas retornam no dia seguinte.

    A especialista ainda alerta que a artrite reumatoide, apesar de acometer principalmente as articulações, também pode atingir outros órgãos — como pulmão e nervos periféricos, provocando sintomas como fadiga intensa, febre baixa e perda de peso não intencional.

    Como é feito o diagnóstico da artrite reumatoide?

    O diagnóstico da artrite reumatoide é feito por um médico reumatologista, a partir de uma avaliação clínica, que inclui uma análise detalhada das queixas do paciente e um exame físico. Para confirmar o quadro, o médico pode solicitar alguns exames, como:

    • Exames de sangue: que procuram marcadores específicos, como fator reumatoide e anticorpo anti-CCP;
    • Exames de imagem: como radiografia, ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética, que permitem visualizar inflamação e erosões articulares.

    O processo também é importante para diferenciar a artrite reumatoide de outras doenças reumatológicas, como lúpus, gota ou espondiloartrites.

    Tratamento da artrite reumatoide

    O tratamento da artrite reumatoide varia de acordo com o estágio da doença, a atividade e gravidade.

    De acordo com Flávia, a abordagem é feita com remédios imunossupressores, que reduzem a atividade do sistema imunológico, controlando a inflamação. Em alguns casos, também podem ser indicados medicamentos biológicos, que atuam de forma mais direcionada no processo autoimune.

    No caso dos corticoides, a reumatologista explica que eles geralmente são indicados no início do tratamento ou durante recaídas da doença, sendo utilizados até que o imunossupressor comece a fazer efeito.

    Em alguns casos, pode haver indicação de tratamento cirúrgico. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, as opções incluem a sinovectomia, indicada quando a sinovite persiste mesmo após o tratamento clínico, além de procedimentos como artrodese ou artroplastia total, usados quando as articulações já estão mais comprometidas.

    Mudanças na rotina

    Além da medicação, o tratamento deve envolver algumas mudanças no estilo de vida, como:

    • Atividade física regular: ajuda a controlar a inflamação, fortalece a musculatura ao redor das articulações e contribui para preservar a mobilidade;
    • Alimentação equilibrada: o recomendado é reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e priorizar opções ricas em nutrientes com efeito anti-inflamatório, como frutas, verduras, peixes e oleaginosas;
    • Fisioterapia e terapia ocupacional: fundamentais para preservar a função articular, melhorar a postura, ensinar estratégias de proteção das articulações e adaptar atividades do dia a dia, evitando sobrecarga;
    • Parar de fumar: já que o cigarro está diretamente associado ao agravamento dos sintomas e pode comprometer a eficácia dos medicamentos.

    O acompanhamento médico também deve ser constante para ajustar a medicação e o tratamento conforme a evolução de cada paciente.

    Como prevenir a artrite reumatoide?

    Por se tratar de uma doença autoimune, a artrite reumatoide não pode ser totalmente prevenida. Ainda assim, adotar um estilo de vida saudável ajuda a reduzir o risco de agravamento e, sobretudo, a melhorar o controle da doença. Algumas medidas importantes incluem:

    • Não fumar;
    • Manter uma rotina de atividades físicas, como natação, hidroginástica, pilates e alongamentos;
    • Ter uma alimentação balanceada, com menor consumo de ultraprocessados, dando preferência a alimentos naturais e ricos em nutrientes;
    • Controlar fatores de estresse, através de técnicas de relaxamento, sono adequado e equilíbrio emocional.

    Existe cura para artrite reumatoide?

    Não existe cura definitiva para a artrite reumatoide, mas com tratamento adequado, é possível alcançar a chamada remissão da doença — quando o paciente não apresenta sintomas, não tem sinais de inflamação e pode levar uma vida normal.

    Complicações da artrite reumatoide

    A artrite reumatoide não tratada pode trazer consequências graves para a saúde e para a qualidade de vida do paciente. Por ser uma doença inflamatória crônica, o processo evolui de forma progressiva, causando danos permanentes às articulações.

    De acordo com Flávia, quando a doença não é tratada desde o início, ela pode levar à destruição irreversível das articulações, deformidades e perda de função. Isso significa dificuldade para realizar tarefas simples do dia a dia, como segurar objetos, caminhar ou até mesmo vestir uma roupa sozinho.

    “Então, quanto mais precoce for o início desse tratamento, maior a chance de eu garantir que o meu paciente vai ter uma preservação da funcionalidade daquela articulação no futuro”, finaliza a reumatologista.

    Leia também: Alongamentos simples para aliviar dores musculares: veja quando e como praticar

    Perguntas frequentes sobre artrite reumatoide

    1. Artrite reumatoide e artrose são a mesma coisa?

    Não. A artrite reumatoide é uma doença autoimune inflamatória, em que o sistema imunológico ataca o próprio corpo, provocando uma inflamação crônica.

    Já a artrose, também chamada de osteoartrite, é um desgaste mecânico da cartilagem articular, que geralmente ocorre com o envelhecimento ou com sobrecarga repetitiva das articulações.

    2. A artrite reumatoide só atinge pessoas idosas?

    Não. Ao contrário da artrose, que é mais comum em pessoas acima dos 50 anos, a artrite reumatoide pode surgir em qualquer fase da vida adulta. Na maioria dos casos, ela aparece entre os 30 e 50 anos, e é mais frequente em mulheres.

    3. Artrite reumatoide pode afetar órgãos além das articulações?

    Sim! Apesar de afetar principalmente as articulações, a artrite reumatoide pode comprometer outros órgãos em casos avançados, como pulmões, coração, nervos periféricos, olhos e vasos sanguíneos.

    Isso aumenta o risco de complicações graves, como doenças cardiovasculares e problemas respiratórios. Por isso, o acompanhamento médico deve ser contínuo e integral.

    4. Crianças podem ter artrite reumatoide?

    Quando ocorre em crianças e adolescentes, a condição recebe o nome de artrite idiopática juvenil. Ela compartilha características semelhantes à artrite reumatoide em adultos, como inflamação e rigidez articular, mas possui particularidades no diagnóstico e no tratamento. A causa é desconhecida, mas há uma predisposição genética e uma alteração no sistema imune.

    Nesses casos, é fundamental o acompanhamento especializado, pois o impacto sobre o crescimento e o desenvolvimento físico pode ser significativo.

    5. A artrite reumatoide é hereditária?

    A doença não é herdada diretamente, mas existe uma predisposição genética. Isso significa que pessoas com histórico familiar de artrite reumatoide têm maior risco de desenvolver a condição, principalmente se houver fatores ambientais associados, como o tabagismo.

    Confira: 5 atividades físicas para quem tem problemas na coluna