Categoria: Doenças & Condições

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  • Barriguinha que não vai embora? Pode ser diástase abdominal 

    Barriguinha que não vai embora? Pode ser diástase abdominal 

    A diástase abdominal é uma condição muito comum, especialmente no período pós-parto, mas ainda pouco compreendida por grande parte das pessoas. Ela ocorre quando os músculos da parte da frente do abdômen se afastam além do normal, criando um espaço entre eles. Esse afastamento pode gerar alterações estéticas, desconforto e até impactar a postura e o equilíbrio corporal.

    Apesar de ser frequentemente associada à maternidade, a diástase também pode aparecer em homens e mulheres que nunca engravidaram. Saber identificar os sinais, entender por que ela acontece e buscar ajuda profissional são passos importantes para evitar complicações e recuperar a força do core de forma segura.

    O que é a diástase abdominal?

    A diástase dos músculos retos abdominais é o afastamento anormal das duas bandas musculares que formam a parede frontal do abdômen. Esse afastamento acontece quando a linha alba, uma faixa de tecido conjuntivo que une esses músculos, fica enfraquecida e alongada.

    Por que isso acontece?

    A causa mais comum é a gravidez. Conforme o útero cresce, a parede abdominal precisa se alongar para acomodar o bebê, o que pode afinar e fragilizar a linha alba. Depois do parto, esses músculos nem sempre voltam totalmente à posição original.

    Outros fatores também contribuem:

    • Obesidade;
    • Perda rápida de peso;
    • Fraqueza natural dos tecidos;
    • Postura inadequada ou esforço excessivo;
    • Pode ocorrer em homens, embora seja mais comum em mulheres.

    Como identificar

    O sinal mais comum é um abaulamento no centro da barriga, especialmente quando ocorre aumento da pressão abdominal, como ao tossir, levantar da cama ou durante alguns exercícios.

    A aparência pode ser de uma “barriguinha” persistente, mesmo em pessoas magras ou fisicamente ativas. A diástase em si não costuma gerar dor, mas pode contribuir para:

    • Desconforto abdominal;
    • Dores lombares;
    • Sensação de instabilidade no tronco.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito com exame físico, avaliando a distância entre os músculos retos. Considera-se diástase quando:

    • A separação é maior que 2 cm, ou
    • Há abaulamento evidente à contração abdominal.

    Para confirmar o quadro e avaliar melhor a parede abdominal, o médico pode solicitar:

    • Ultrassom de parede abdominal;
    • Tomografia (quando necessário)

    Esses exames também ajudam a identificar a presença de hérnias associadas.

    Tratamento

    A boa notícia: a maior parte dos casos melhora sem cirurgia.

    Tratamento conservador (primeira escolha)

    • Fisioterapia especializada;
    • Exercícios específicos para fortalecimento profundo do core;
    • Reeducação postural;
    • Movimentos que não aumentem a pressão abdominal (evitar abdominais tradicionais).

    Nos casos leves, a melhora pode acontecer com o tempo, o fortalecimento adequado ou até de forma espontânea.

    Quando a cirurgia é indicada

    • Há separação muito grande;
    • Existe dor importante ou limitação funcional;
    • Há hérnia associada;
    • Não há melhora após tratamento conservador.

    O procedimento reconstrói a parede abdominal e aproxima novamente os músculos.

    Pode voltar ao normal?

    Sim. A recuperação depende:

    • Do tamanho da separação;
    • Do tempo desde o início da diástase;
    • Da adesão ao tratamento.

    Mas é importante lembrar que a diástase pode retornar com futuras gestações ou esforço excessivo que aumente a pressão abdominal.

    Como prevenir

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Controlar o ganho de peso na gravidez;
    • Manter postura adequada;
    • Fortalecer o core antes e depois da gestação;
    • Evitar levantar peso de forma incorreta;
    • Praticar exercícios orientados por profissionais capacitados

    Quando procurar um profissional

    Consulte um médico ou fisioterapeuta se você notar:

    • Abaulamento persistente na barriga;
    • Sensação de fraqueza no core;
    • Dificuldade de estabilizar o tronco;
    • Dor lombar associada;
    • Suspeita de hérnia.

    O diagnóstico precoce facilita o tratamento e melhora a função abdominal.

    Veja mais: Exercícios para fortalecer a coluna: o guia completo para proteger sua postura e prevenir dores

    Perguntas frequentes sobre diástase abdominal

    1. Toda gestante terá diástase?

    Não. É comum, mas não acontece com todas as mulheres.

    2. A diástase causa dor?

    Ela não causa dor diretamente, mas pode contribuir para desconforto, dor lombar e instabilidade.

    3. Posso treinar normalmente com diástase?

    Pode, mas com adaptações. Alguns exercícios pioram o quadro, e a orientação de um profissional é essencial.

    4. Só cirurgia resolve a diástase?

    Na maioria dos casos, não. A fisioterapia é eficaz para muitos pacientes.

    5. Homens podem ter diástase?

    Sim. Embora mais comum em mulheres, homens também podem desenvolver o problema.

    6. Diástase e hérnia são a mesma coisa?

    Não. Mas podem ocorrer juntas.

    7. Quanto tempo leva para melhorar?

    Depende do caso. Com tratamento adequado, muitas pessoas veem melhora em semanas a meses.

    Leia mais: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

  • Obesidade infantil: o que é, causas e como prevenir

    Obesidade infantil: o que é, causas e como prevenir

    Você sabia que a obesidade infantil é um fator de risco importante para doenças crônicas na vida adulta, como diabetes tipo 2 e hipertensão? No Brasil, uma em cada três crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos está acima do peso, segundo levantamento nacional com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS). A taxa de sobrepeso nessa faixa etária cresceu quase 9% em dez anos.

    A exposição prolongada ao excesso de gordura corporal na infância pode desencadear uma série de problemas de saúde mais cedo, além de causar outras complicações a curto e longo prazo — afetando o desenvolvimento físico e psicológico da criança. Vamos entender mais, a seguir!

    O que é obesidade infantil?

    A obesidade infantil é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, acima do recomendado para a idade e altura, em crianças de até 12 anos de idade.

    A condição acontece quando o corpo recebe mais calorias do que gasta, o que pode ocorrer em uma alimentação rica em ultraprocessados e aliada ao pouco movimento no dia a dia, o grande tempo sentado e o uso excessivo de telas — que fazem o corpo armazenar gordura com facilidade.

    Quais os tipos de obesidade infantil?

    A obesidade infantil pode ser classificada de duas formas principais pela causa:

    Exógena: é causada pela soma de ambiente alimentar desregulado, consumo alto de ultraprocessados, bebidas açucaradas e rotina com pouco movimento. A criança vive em um ambiente que facilita comer muito e gastar pouco;

    Endógena: é provocada por alterações internas do organismo. A criança pode ter distúrbios hormonais (como problemas de tireoide ou síndrome de Cushing) ou usar remédios que favorecem ganho de peso, como corticoides.

    A obesidade infantil também pode ser dividida pela gravidade, medida pelo IMC para idade e sexo:

    • Sobrepeso, aparece quando o IMC está acima do percentil 85 e abaixo do percentil 95;
    • Obesidade, aparece quando o IMC está acima do percentil 95;
    • Obesidade grave (ou obesidade mórbida) costuma ser usada quando o IMC está em 40 kg/m² ou mais, refletindo acúmulo muito elevado de gordura corporal.

    O que causa a obesidade em crianças?

    A obesidade é uma doença multifatorial, o que significa que ela é influenciada por uma série de fatores biológicos, comportamentais e sociais, como:

    Alimentação inadequada

    O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados é uma das principais causas do acúmulo excessivo de gordura corporal em crianças.

    Refrigerantes, biscoitos, salgadinhos e fast food, por exemplo, são ricos em calorias, gorduras saturadas, açúcar e sódio — mas pobres em nutrientes, como fibras, vitaminas e minerais. Com o tempo, o desequilíbrio favorece o ganho de peso e prejudica o desenvolvimento adequado do organismo.

    Além disso, o consumo frequente desses produtos altera o paladar infantil, fazendo com que a criança prefira alimentos muito doces, salgados ou gordurosos, e rejeite opções mais naturais, como frutas, verduras e legumes.

    Sedentarismo

    O sedentarismo em crianças é caracterizado por longos períodos de inatividade, como assistir televisão, jogar videogame ou usar o celular. O comportamento ficou cada vez mais comum nos últimos anos, com o avanço da tecnologia e a redução das brincadeiras ao ar livre, o que faz com que as crianças gastem menos energia do que consomem.

    Quando a baixa movimentação é somada com uma alimentação rica em ultraprocessados e pobre em nutrientes, o resultado é o acúmulo de gordura corporal e o aumento do peso. O sedentarismo também interfere no desenvolvimento muscular, na coordenação motora e na saúde emocional, podendo causar irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração.

    A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças e adolescentes realizem pelo menos 60 minutos de atividade física por dia, incluindo brincadeiras, esportes e jogos.

    Fatores genéticos e hormonais

    As crianças filhas de pais com obesidade têm maior predisposição genética a desenvolver o mesmo quadro, já que herdam genes que influenciam o metabolismo, o apetite e a forma como o corpo armazena gordura.

    Além da herança genética, o ambiente familiar também tem grande impacto: hábitos alimentares inadequados, pouca prática de atividade física e rotina sedentária tendem a ser reproduzidos pelas crianças.

    Para complementar, distúrbios hormonais, como hipotireoidismo, síndrome de Cushing e resistência à insulina podem interferir no metabolismo, diminuindo o gasto energético e favorecendo o ganho de peso.

    Fatores emocionais

    Não é incomum que algumas crianças utilizem a comida como uma forma de compensar sentimentos de tristeza, ansiedade, solidão ou até tédio. O comportamento, conhecido como “fome emocional”, faz com que o alimento se torne uma válvula de escape para lidar com emoções difíceis.

    Com o tempo, isso pode gerar um ciclo de dependência: a criança come para se sentir melhor, mas logo sente culpa ou desconforto, o que leva a novos episódios de compulsão alimentar.

    Sono inadequado

    O sono inadequado na infância altera o equilíbrio hormonal e o funcionamento do metabolismo, aumentando o risco de obesidade. Durante o sono, o corpo regula hormônios importantes relacionados ao apetite, como a leptina (que sinaliza saciedade) e a grelina (que estimula a fome).

    Quando a criança dorme pouco, há uma redução da leptina e um aumento da grelina, o que faz com que ela sinta mais fome e tenha maior tendência a consumir alimentos calóricos e ultraprocessados.

    Crianças que dormem mal também tendem a ficar mais irritadas, dispersas e cansadas durante o dia, o que reduz a disposição para se movimentar, praticar esportes ou brincar, aumentando o comportamento sedentário e, consequentemente, o risco de obesidade.

    Por que a obesidade infantil tem crescido tanto nos últimos anos?

    A obesidade infantil no Brasil é um problema de saúde pública crescente, com cerca de um em cada três crianças entre 5 e 9 anos estando acima do peso. Para se ter uma ideia, pela primeira vez na história, o excesso de peso grave superou a desnutrição como a maior forma de má nutrição infantil, de acordo com dados do Fundo das Nações Unidas.

    Mas afinal, por que isso está acontecendo? De acordo com a nutricionista Mariana Del Bosco, o país vive uma realidade com ambientes cada vez mais obesogênicos. As crianças estão mais sedentárias, a questão da segurança tende a impedir atividade física e há uma enorme oferta de alimentos de alta densidade energética.

    O consumo de ultraprocessados cresceu, e os produtos têm alto teor de açúcar e gordura que aumentam a ingestão calórica e o risco de a obesidade aparecer.

    “Todas as esferas da sociedade têm o seu papel. O governo, por exemplo, com políticas que poderiam proteger as crianças, com regulamentação de rotulagem e de publicidade para produtos de criança; a escola, promovendo uma cantina mais saudável, podendo ser um ambiente de educação alimentar e nutricional; as indústrias fazendo uma comunicação clara, melhorando a qualidade de produtos, e a família com uma parcela dessa responsabilização”, explica a nutricionista.

    Sintomas de obesidade infantil

    A obesidade infantil pode se desenvolver de forma gradual, e nem sempre o quadro é percebido de imediato pelos pais. O principal sintoma é o acúmulo excessivo de gordura corporal, além de sinais como:

    • Aumento rápido de peso desproporcional ao crescimento da altura;
    • Acúmulo de gordura em regiões como abdômen, braços, coxas e rosto;
    • Roupas apertando com frequência ou necessidade de trocar de tamanho fora do padrão esperado para a idade;
    • Falta de fôlego ou cansaço durante atividades simples, como subir escadas ou correr;
    • Dores nas articulações, especialmente joelhos e tornozelos, devido à sobrecarga do peso.

    A criança também pode apresentar sinais comportamentais e emocionais, como:

    • Preferência por alimentos ultraprocessados e rejeição a frutas, verduras e refeições caseiras;
    • Sedentarismo e desinteresse por atividades físicas;
    • Uso excessivo de telas (celular, TV, videogame);
    • Baixa autoestima e isolamento social, muitas vezes por causa de bullying;
    • Alterações de humor, ansiedade e compulsão alimentar.

    Riscos da obesidade infantil

    O excesso de gordura corporal na infância pode causar diversos problemas de saúde ainda nessa fase e aumentar o risco de doenças graves na vida adulta. Entre os principais riscos, é possível destacar:

    • Diabetes tipo 2;
    • Colesterol e triglicerídeos elevados;
    • Hipertensão arterial;
    • Doenças cardiovasculares precoces;
    • Problemas respiratórios, como apneia do sono;
    • Alterações hormonais e puberdade precoce;
    • Dores nas articulações e deformidades ósseas;
    • Esteatose hepática (gordura no fígado);
    • Dificuldades de locomoção e baixa resistência física;
    • Transtornos alimentares e ansiedade;
    • Baixa autoestima e isolamento social;
    • Maior probabilidade de obesidade na vida adulta.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da obesidade infantil é feito pelos pediatras através da avaliação do peso, da altura e outros fatores ligados ao crescimento e à composição corporal da criança. O principal parâmetro utilizado é o Índice de Massa Corporal (IMC), cujo valor é comparado com curvas de crescimento específicas para idade e sexo, de acordo com Mariana.

    Além do IMC, a avaliação pode incluir também composição corporal, percentual de gordura, circunferências e análise do padrão alimentar. Em muitos casos, são solicitados exames complementares, como:

    • Glicemia e insulina;
    • Colesterol total e frações (HDL, LDL);
    • Triglicerídeos;
    • Função hepática (TGO, TGP);
    • Função tireoidiana.

    Vale ressaltar que o diagnóstico não se baseia apenas em números e é fundamental compreender o contexto alimentar, o nível de atividade física e fatores emocionais e sociais que podem estar contribuindo para o ganho de peso.

    Nesse contexto, Mariana explica que o pediatra está na linha de frente dessa triagem, porque acompanha peso e estatura pelo menos uma vez por ano. A observação da curva de crescimento é um dos sinais mais precoces: mesmo antes de cruzar as linhas de sobrepeso ou obesidade, a tendência de subida já é alerta de risco e já justifica avaliação mais detalhada.

    Tratamento de obesidade infantil

    O tratamento da obesidade infantil deve ser sempre individualizado e supervisionado por profissionais de saúde, envolvendo médico, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo. O objetivo principal não é apenas a perda de peso, mas a mudança de hábitos e a promoção de um estilo de vida saudável que possa ser mantido a longo prazo.

    Ele envolve uma série de medidas, como:

    Alimentação equilibrada: basear as refeições em alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras. Deve-se reduzir o consumo de ultraprocessados, refrigerantes, doces e fast-food;

    Rotina alimentar estruturada: manter horários regulares para as refeições e evitar “beliscar” o tempo todo. Fazer as refeições à mesa, sem distrações como TV ou celular, ajuda a reconhecer quando está satisfeito;

    Atividade física diária: incentivar pelo menos 60 minutos de movimento por dia, incluindo brincadeiras, esportes e atividades ao ar livre. O objetivo é aumentar o gasto energético e fortalecer músculos e ossos;

    Uso de medicamentos (em casos específicos): indicado apenas sob orientação médica, quando há doenças associadas ou obesidade grave que não responde a outras medidas;

    Sono adequado: a privação de sono desequilibra os hormônios da fome (grelina e leptina) e favorece o ganho de peso;

    Redução do tempo de tela: limitar o uso de televisão, celular e videogame a no máximo duas horas por dia, conforme recomendação da OMS;

    Apoio psicológico: ajudar a criança a lidar com sentimentos de ansiedade, frustração e baixa autoestima que podem levar à compulsão alimentar.

    Segundo Mariana, se a criança entra na puberdade com peso adequado, o risco de manter obesidade na vida adulta diminui de forma significativa. Por isso, o cuidado precisa começar assim que o risco aparece, e não apenas quando o problema já está instalado.

    Dieta restritiva é necessária no tratamento de obesidade infantil?

    A dieta restritiva não é indicada no tratamento da obesidade infantil. A criança precisa comer bem para crescer, se desenvolver e construir relação saudável com o alimento. De acordo com Mariana, o foco não é cortar alimentos de forma rígida, mas melhorar a qualidade do que está na rotina da família.

    A orientação nutricional busca organizar o entorno: o que entra no carrinho de supermercado, o que está disponível em casa, como a família faz as refeições e como o alimento aparece no dia a dia.

    Assim, a rotina será mais equilibrada, com mais alimentos nutritivos e menos ultraprocessados, sem comprometer o desenvolvimento do pequeno. A inclusão de indulgências eventuais, como um sorvete no fim de semana ou uma festinha, faz parte do plano. O resultado vem da mudança sustentada de comportamento, e não de restrição radical.

    Quanto de atividade física para crianças é recomendado?

    De acordo com o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, as recomendações variam conforme a idade e o estágio de desenvolvimento da criança:

    • Crianças de até 1 ano: pelo menos 30 minutos por dia em posição de bruços (“de barriga para baixo”), distribuídos ao longo do dia, em diferentes momentos;
    • Crianças de 1 a 2 anos: pelo menos 3 horas por dia de atividades físicas de qualquer intensidade, divididas ao longo do dia;
    • Crianças de 3 a 5 anos: pelo menos 3 horas por dia de atividades físicas de qualquer intensidade, sendo no mínimo 1 hora de intensidade moderada a vigorosa.

    A atividade física para crianças pode acontecer principalmente por meio de jogos, brincadeiras e movimentos espontâneos, mas também pode envolver atividades mais estruturadas, como aulas de educação física, escolinhas de esportes e natação — sempre supervisionadas por pais, responsáveis ou professores.

    Alguns exemplos de atividades por faixa etária:

    • Até 1 ano: brincadeiras que estimulem movimentos como rolar, engatinhar, sentar, puxar, empurrar, equilibrar-se e alcançar objetos;
    • De 1 a 2 anos: atividades que envolvam andar, correr, pular, escalar, lançar e segurar bolas, girar e equilibrar-se;
    • De 3 a 5 anos: jogos e brincadeiras como caminhar, correr, chutar, saltar, arremessar e atravessar obstáculos. Nessa fase, a criança também pode participar de esportes, danças, ginástica, lutas e deslocamentos ativos (a pé ou de bicicleta, sempre acompanhada por um adulto).

    Confira: Como montar um prato saudável em buffets? Veja algumas dicas

    É possível prevenir a obesidade infantil?

    A obesidade infantil pode ser prevenida, principalmente com hábitos saudáveis adotados desde os primeiros anos de vida. A prevenção começa em casa, com o exemplo dos pais, e deve envolver alimentação equilibrada, prática de atividade física e um ambiente emocional saudável. Veja alguns cuidados:

    • Oferecer frutas, verduras, legumes, grãos integrais e alimentos naturais no dia a dia, evitando ultraprocessados, refrigerantes, doces e fast-food;
    • Manter horários regulares, comer à mesa e evitar distrações como TV e celular durante as refeições.
    • Manter a amamentação exclusiva e em livre demanda até os 6 meses, o que ajuda a regular o apetite e reduzir o risco de obesidade futura;
    • Crianças maiores de 6 meses devem beber água antes, durante e após a atividade física.
    • Estimular brincadeiras ativas, esportes e atividades ao ar livre diariamente, como caminhadas, corridas, danças e ginásticas;
    • Reduzir o tempo em frente à televisão, computador e celular a no máximo duas horas por dia.

    Quanto mais cedo os hábitos forem incorporados à rotina familiar, maiores serão as chances de a criança crescer saudável e manter um peso adequado na vida adulta.

    Leia também: Delivery saudável: nutricionista dá dicas para escolher bem

    Perguntas frequentes

    Como saber se meu filho está acima do peso?

    O peso isolado não é suficiente para avaliar a obesidade infantil. O pediatra utiliza o IMC (peso dividido pela altura ao quadrado) e compara com curvas de crescimento específicas para cada faixa etária. Quando o valor ultrapassa o percentil 97, a criança é considerada obesa.

    O acúmulo de gordura no abdômen, os hábitos alimentares, o nível de atividade física e o histórico familiar também entram na avaliação. Por isso, manter acompanhamento regular com o especialista é importante para identificar fatores de risco de forma precoce.

    A obesidade infantil tem cura?

    Sim, é possível reverter o quadro de obesidade infantil com mudanças de estilo de vida. Na infância, o organismo ainda está em formação, o que facilita o controle do peso quando há intervenção precoce.

    O tratamento envolve alimentação equilibrada, estímulo à atividade física e acompanhamento médico e nutricional. O foco não é apenas emagrecer, mas adotar hábitos que possam ser mantidos por toda a vida.

    Quando procurar ajuda profissional?

    Os pais devem procurar um pediatra ou nutricionista quando perceberem ganho de peso acelerado, cansaço, falta de disposição para brincar ou sinais de baixa autoestima.

    Mesmo em casos leves, o acompanhamento profissional é importante para evitar que o quadro se agrave. Quanto mais cedo o diagnóstico e a orientação, maiores as chances de sucesso.

    A obesidade infantil pode continuar na vida adulta?

    Sim! Pesquisas mostram que cerca de 70% das crianças com obesidade se tornam adultos obesos, principalmente quando o problema não é tratado precocemente. Isso aumenta o risco de desenvolver doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Assim, a infância é a fase mais importante para agir e tratar a condição.

    A amamentação ajuda a prevenir a obesidade infantil?

    Sim, pois o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade ajuda a regular o apetite da criança e favorece o desenvolvimento de um metabolismo saudável. O leite materno contém todos os nutrientes necessários e estimula o bebê a reconhecer os sinais de fome e saciedade, o que reduz o risco de obesidade no futuro.

    Crianças obesas podem praticar qualquer tipo de esporte?

    Sim, desde que respeitadas suas condições físicas e sob orientação de um profissional. Esportes como natação, caminhada, ciclismo e dança são boas opções, pois reduzem o impacto nas articulações e estimulam o prazer pelo movimento.

    O mais importante é que a criança se divirta e mantenha a regularidade, sem sentir que o exercício é uma punição.

    Veja mais: Fome emocional: o que é, sintomas e como controlar

  • Diabetes MODY: o tipo raro que muita gente tem sem saber

    Diabetes MODY: o tipo raro que muita gente tem sem saber

    Embora pouco conhecido, o diabetes MODY vem ganhando atenção entre especialistas porque muitas pessoas convivem com ele sem saber. Como costuma surgir na adolescência ou no início da vida adulta, é comum que seja confundido com diabetes tipo 1 ou tipo 2, o que pode levar a tratamentos inadequados.

    A diferença é que, no MODY, a causa está em alterações genéticas específicas que afetam a capacidade das células do pâncreas de produzir insulina.

    Reconhecer essa forma rara de diabetes é importante para o paciente e para toda a família. Por ser hereditário e transmitido de forma autossômica dominante (ou seja, basta um dos pais ter a mutação), o diagnóstico correto ajuda a orientar parentes, escolher o tratamento ideal e prever riscos a longo prazo.

    O que é o diabetes MODY?

    O diabetes MODY (do inglês Maturity-Onset Diabetes of the Young) é um diabetes raro e hereditário, causado por alterações em um único gene, por isso é chamado de diabetes monogênico.

    Essas mutações afetam o funcionamento das células beta do pâncreas, que são responsáveis por produzir insulina. Assim como em outros tipos de diabetes, o organismo tem dificuldade em regular a glicose no sangue, mas o mecanismo por trás do problema é diferente.

    O diabetes MODY costuma surgir antes dos 25 anos, pode atingir várias pessoas da mesma família e, por ser leve em alguns casos, muitas vezes passa despercebido por anos.

    Pontos importantes sobre o diabetes MODY:

    • Não há autoanticorpos destruindo o pâncreas (como no tipo 1);
    • Geralmente não há resistência à insulina (como no tipo 2);
    • Não costuma causar cetoacidose.

    Por que o diabetes MODY acontece?

    A causa está em mutações hereditárias que prejudicam como o pâncreas percebe a glicose e libera insulina. Mais de 14 mutações diferentes já foram identificadas, cada uma com seu comportamento, idade típica de início e resposta ao tratamento.

    Como o MODY se diferencia de outros tipos de diabetes

    Tipo de diabetes O que acontece Autoanticorpos? Resistência à insulina?
    Tipo 1 O sistema imunológico destrói o pâncreas Sim Não
    Tipo 2 O corpo não usa a insulina corretamente Não Sim
    MODY Mutação genética afeta a produção de insulina Não Geralmente não

    Quem pode ter diabetes MODY?

    • Menos de 5% das pessoas com diabetes têm o MODY;
    • Ocorre em famílias com vários casos de diabetes em jovens, muitas vezes em pessoas magras.
    • É transmitido de pai/mãe para filho com 50% de chance.

    Sintomas do diabetes MODY

    Parecidos com os de qualquer diabetes:

    • Sede aumentada;
    • Urinar mais vezes;
    • Perda de peso;
    • Visão embaçada;
    • Infecções de repetição.

    Mas alguns casos, como o diabetes MODY 2, podem quase não causar sintomas e ser descobertos apenas em exames.

    Principais tipos de diabetes MODY

    MODY 3 (HNF1A)

    • Mais comum;
    • Surge entre 20 e 25 anos;
    • Progressivo: o pâncreas perde capacidade de liberar insulina;
    • Responde muito bem a sulfonilureias.

    MODY 2 (GCK)

    • Causado por alteração na glicocinase;
    • Glicose levemente elevada e estável;
    • Geralmente não precisa de remédios;
    • Exige atenção especial na gestação.

    MODY 1 (HNF4A)

    • Semelhante ao MODY 3;
    • Pode causar maior peso ao nascer e hipoglicemia neonatal;
    • Boa resposta a sulfonilureias.

    MODY 5 (HNF1B)

    • Atinge outros órgãos: rins, fígado e genitais;
    • Pode exigir insulina;
    • Requer acompanhamento com nefrologista.

    Outros tipos

    Incluem MODY 4, 6, 12 e 13, alguns relacionados a diabetes neonatal ou hipoglicemia na infância.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico depende de suspeita clínica bem feita. Sinais que levantam hipótese:

    • Diagnóstico antes dos 25 anos;
    • Vários parentes com diabetes jovem;
    • Paciente magro;
    • Ausência de autoanticorpos;
    • Produção de insulina preservada (peptídeo C normal).

    Quando a suspeita é forte, o médico solicita teste genético, que confirma o subtipo e orienta o tratamento.

    Tratamento

    O tratamento depende do tipo de mutação:

    Tipo de diabetes MODY Tratamento
    MODY 2 Geralmente não precisa de medicamentos
    MODY 1 e 3 Excelente resposta às sulfonilureias
    MODY 5 Costuma precisar de insulina; acompanhamento dos rins

    Em todos os casos:

    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física;
    • Controle regular da glicose;
    • Acompanhamento médico.

    Na gravidez, o acompanhamento deve ser ainda mais atento.

    Prognóstico

    • MODY 2: leve, raramente causa complicações;
    • MODY 1 e 3: risco semelhante ao tipo 1/2 se mal controlados;
    • MODY 5: maior risco de problemas renais.

    Com acompanhamento adequado, a maioria das pessoas tem vida longa e saudável.

    Por que o diagnóstico importa?

    Porque o tratamento muda completamente. E, por ser hereditário, outros membros da família podem ter diabetes MODY sem saber.

    Veja também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

    Perguntas frequentes sobre diabetes MODY

    1. O diabetes MODY é comum?

    Não. Representa menos de 5% dos casos de diabetes.

    2. Diabetes MODY é a mesma coisa que diabetes tipo 1?

    Não. No diabetes MODY não há autoanticorpos destruindo o pâncreas.

    3. Como descobrir se tenho diabetes MODY?

    O diagnóstico é confirmado por teste genético, solicitado quando há suspeita clínica.

    4. Quem tem diabetes MODY sempre precisa usar insulina?

    Depende do subtipo. Alguns respondem bem a comprimidos; outros precisam de insulina.

    5. Diabetes MODY pode causar cetoacidose?

    É raro. Diferente do diabetes tipo 1, o MODY normalmente não evolui com cetoacidose.

    6. Crianças podem ter diabetes MODY?

    Sim. Ele costuma aparecer antes dos 25 anos e pode surgir ainda na infância.

    7. Diabetes MODY tem cura?

    Não, mas tem tratamento eficaz e controle adequado evita complicações.

    8. Familiares precisam fazer exame?

    Sim. Como é hereditário, parentes de primeiro grau devem ser avaliados.

    Veja mais: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

  • Como diferenciar dengue de gripe e covid-19? 

    Como diferenciar dengue de gripe e covid-19? 

    Febre, dor no corpo, mal-estar, dor de cabeça. Com sintomas tão semelhantes, não é raro ficar em dúvida: será dengue, gripe ou covid-19? As três doenças circulam com frequência no Brasil e, muitas vezes, aparecem nas mesmas épocas do ano.

    Apesar de compartilharem sinais parecidos, a origem e o comportamento dessas infecções são diferentes, o que muda o tratamento e os cuidados necessários. Saber identificar essas diferenças é importante para evitar complicações e buscar ajuda médica no momento certo.

    O que as três doenças têm em comum

    Tanto a dengue quanto a gripe e a covid-19 são doenças virais que causam febre, dor no corpo, dor de cabeça e cansaço. Nos primeiros dias, elas podem parecer idênticas, especialmente quando há surtos de dengue e aumento de casos respiratórios ao mesmo tempo.

    Mas há coisas que diferem a dengue de gripe ou covid-19:

    • O modo de transmissão: picada do mosquito no caso da dengue e vírus respiratórios no caso da gripe e covid-19;
    • O tipo de sintoma predominante, que costuma indicar qual sistema do corpo está mais afetado.

    Dengue: febre alta e dor intensa no corpo

    A dengue é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti e costuma começar de forma abrupta, com febre alta (acima de 38,5 °C), forte dor no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, cansaço intenso e, em muitos casos, manchas vermelhas pelo corpo.

    Outros sinais comuns são náusea, falta de apetite e dor abdominal. Não há sintomas respiratórios importantes, como tosse ou coriza, o que ajuda a distinguir da gripe e da covid-19.

    Se aparecerem manchas roxas, sangramento nasal ou nas gengivas, vômitos persistentes ou tontura, é preciso procurar atendimento imediatamente, pois podem ser sinais de alerta para formas graves da doença, como a dengue hemorrágica.

    Gripe: sintomas respiratórios e intensos

    A gripe, causada pelo vírus influenza, geralmente se manifesta com febre, bastante dor no corpo, tosse seca, coriza, garganta irritada e cansaço. A febre costuma durar de 2 a 4 dias, e os sintomas respiratórios predominam.

    É comum a melhora espontânea em até uma semana, embora em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas a gripe possa evoluir para complicações como pneumonia. Vacinar-se anualmente é a principal forma de prevenção.

    Covid-19: sintomas variados e perda de olfato

    A covid-19, causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, pode se manifestar de formas muito diferentes, desde quadros leves, semelhantes a um resfriado simples, até casos graves com falta de ar.

    Os sintomas mais típicos são:

    • Febre ou sensação febril;
    • Tosse seca;
    • Dor de garganta;
    • Cansaço e dor muscular;
    • Perda de olfato e paladar (anosmia e ageusia);
    • Em casos graves, falta de ar e saturação baixa de oxigênio.

    Diferentemente da dengue, a covid-19 afeta principalmente o sistema respiratório.

    Como diferenciar os sintomas

    Sintoma principal Dengue Gripe (Influenza) Covid-19
    Febre Alta e súbita Alta, mas por poucos dias Pode ou não ocorrer
    Dor no corpo Intensa, inclusive nas articulações Moderada a intensa Variável
    Dor atrás dos olhos Comum Rara Rara
    Tosse e coriza Raras Frequentes Frequentes
    Manchas na pele Possíveis Não Raras
    Falta de ar Em casos graves Possível em idosos Pode ocorrer, especialmente entre não vacinados
    Perda de olfato/paladar Não Rara Comum
    Transmissão Picada do mosquito Aedes aegypti Gotículas respiratórias Gotículas e aerossóis
    Exame de confirmação Sorologia ou PCR para dengue Teste rápido de influenza Teste rápido para covid-19 ou RT-PCR

    Diagnóstico e exames

    Mesmo com sinais típicos, o diagnóstico deve ser confirmado por exames, já que é comum haver confusão entre as doenças, especialmente nos primeiros dias.

    O médico pode solicitar:

    • Testes rápidos de dengue (NS1 ou IgM/IgG);
    • RT-PCR ou teste de antígeno para covid-19;
    • Teste de influenza (em casos de síndrome gripal).

    O acompanhamento é fundamental para evitar o uso incorreto de medicamentos — como o AAS e anti-inflamatórios, que são perigosos em casos de dengue.

    Veja também: Dengue hemorrágica: quando os sintomas indicam alerta máximo

    Quando procurar um médico

    Procure atendimento se houver:

    • Febre alta que dura mais de 48 horas;
    • Dor abdominal intensa ou vômitos;
    • Dificuldade para respirar;
    • Manchas vermelhas ou roxas na pele;
    • Sangramento nasal ou nas gengivas;
    • Cansaço extremo ou tontura.

    Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas devem ter atenção redobrada.

    Na dúvida, procure atendimento médico e realize o teste indicado — é o melhor caminho para o diagnóstico correto e o tratamento seguro.

    Confira: Veja por que você pode pegar dengue até quatro vezes

    Perguntas frequentes

    1. Dengue e covid-19 podem acontecer ao mesmo tempo?

    Sim. É possível ter as duas infecções simultaneamente, o que torna o quadro mais grave e exige acompanhamento hospitalar.

    2. Posso tomar remédios para dor ou febre em qualquer uma das três doenças?

    Não. Em caso de suspeita de dengue, evite AAS e anti-inflamatórios. Prefira paracetamol ou dipirona, conforme orientação médica.

    3. As manchas vermelhas na pele indicam sempre dengue?

    Não necessariamente, mas são mais características da dengue. O médico pode solicitar exames para confirmar.

    4. A perda de olfato é exclusiva da covid-19?

    É mais típica da covid-19, mas pode ocorrer em outras infecções virais, embora seja menos comum.

    5. Quanto tempo dura cada doença?

    A dengue dura de 7 a 10 dias, a gripe cerca de 5 a 7, e a covid-19 pode persistir por duas semanas ou mais, dependendo do caso.

    6. Existe vacina para todas as doenças?

    Sim, para gripe e covid-19 há vacinas amplamente disponíveis. Para dengue, a vacina é indicada em situações específicas e conforme faixa etária.

    7. Quando devo ir ao pronto-socorro?

    Se houver sinais de gravidade, como sangramentos, falta de ar, confusão mental ou febre persistente por mais de 48 horas.

    Leia mais: Por que não pode tomar AAS com dengue?

  • Apendicite aguda: como reconhecer os sintomas e quando correr para o hospital 

    Apendicite aguda: como reconhecer os sintomas e quando correr para o hospital 

    A apendicite aguda é uma das emergências abdominais mais frequentes no mundo e uma das principais causas de cirurgia de urgência. Ela acontece quando o apêndice, um pequeno tubo localizado no lado inferior direito do abdome, inflama rapidamente, o que provoca dor e risco de complicações graves se não for tratada a tempo.

    Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum entre os 5 e 45 anos, especialmente em jovens adultos. Reconhecer os sinais cedo e buscar atendimento médico imediato faz toda a diferença para evitar a evolução para quadros graves, como perfuração e infecção generalizada.

    Por que a apendicite acontece

    A apendicite geralmente começa quando o interior do apêndice (o lúmen) fica obstruído, dificultando a saída do muco produzido no local. Várias situações podem causar essa obstrução:

    • Fecalitos (fezes endurecidas);
    • Aumento do tecido linfático;
    • Parasitas;
    • Pequenos tumores.

    Quando o conteúdo não consegue sair, aumenta a pressão dentro do apêndice. Isso prejudica a circulação de sangue e oxigênio no tecido, levando à inflamação, infecção e até necrose.

    Além disso, bactérias do intestino podem se multiplicar no local, agravando o quadro. Se não for tratada rapidamente, o apêndice pode romper, liberando pus e bactérias na cavidade abdominal — uma situação grave chamada peritonite.

    Quem pode ter apendicite

    A apendicite pode ocorrer em qualquer pessoa, mas é um pouco mais frequente em homens.

    • Crianças: costuma estar ligada ao aumento do tecido linfático do apêndice;
    • Adultos: o mais comum é o bloqueio por fezes endurecidas ou pequenas massas benignas.

    O que acontece no corpo durante a apendicite

    No início, a dor costuma ser difusa, muitas vezes em volta do umbigo. Com o avanço da inflamação, ela se desloca e se intensifica no lado inferior direito do abdome, onde o apêndice está localizado.

    Outras manifestações são:

    • Febre;
    • Náuseas e vômitos;
    • Falta de apetite;
    • Inchaço abdominal;
    • Mal-estar geral.

    Em quadros graves, pode haver formação de abscesso ou perfuração, aumentando muito o risco de complicações.

    Sinais e sintomas

    Os sinais mais típicos de apendicite são:

    • Dor abdominal que começa perto do umbigo e migra para o lado inferior direito;
    • Náuseas e vômitos;
    • Febre leve a moderada;
    • Falta de apetite;
    • Inchaço ou desconforto abdominal;
    • Diarreia ou constipação.

    Crianças pequenas e idosos podem ter sintomas menos típicos, o que dificulta o diagnóstico e torna a avaliação médica ainda mais importante.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico começa com um exame clínico detalhado. O médico pressiona áreas específicas do abdome para avaliar sensibilidade, como no ponto de McBurney, localizado entre o umbigo e o quadril direito.

    Exames complementares ajudam a confirmar:

    • Exames de sangue: detectam sinais de infecção;
    • Ultrassom abdominal: útil especialmente em crianças e gestantes;
    • Tomografia computadorizada (TC): é o exame mais preciso para identificar inflamação e complicações;
    • Ressonância magnética: usada em casos selecionados.

    Esses exames permitem diferenciar apendicite simples (não complicada) de casos graves (com pus, perfuração ou abscesso).

    Tratamento da apendicite

    O tratamento clássico é a cirurgia para retirada do apêndice, chamada apendicectomia.

    Hoje, a técnica mais utilizada é a laparoscopia, que faz pequenas incisões e usa uma câmera para guiar o procedimento. Isso reduz a dor pós-operatória e acelera a recuperação.

    Tratamento com antibióticos

    Estudos recentes sugerem que alguns casos leves (sem perfuração) podem ser tratados apenas com antibióticos, evitando a cirurgia. Mas isso só é indicado quando:

    • Exames de imagem confirmam que não houve rompimento;
    • Não há pus ou complicações;
    • O paciente tem acompanhamento médico rigoroso.

    Ainda há debate sobre essa abordagem, e ela não substitui a cirurgia em casos moderados ou graves.

    Casos complicados

    Se houver perfuração, abscesso ou peritonite, o tratamento cirúrgico é obrigatório. Pode ser necessário:

    • Uso de drenos;
    • Antibióticos mais potentes;
    • Internação prolongada.

    Recuperação e cuidados após o tratamento

    A recuperação varia conforme a gravidade e o tipo de tratamento.

    Após cirurgia laparoscópica, a alta costuma ocorrer em poucos dias e a dor tende a ser leve e melhora rapidamente.

    Cuidados recomendados:

    • Evitar esforço físico intenso nas primeiras semanas;
    • Manter alimentação leve;
    • Usar os medicamentos prescritos corretamente;
    • Retornar às consultas de acompanhamento.

    Quando procurar ajuda médica

    Procure atendimento urgente se houver:

    • Dor abdominal que piora rapidamente;
    • Dor que começa no umbigo e migra para o lado direito;
    • Febre com dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos persistentes;
    • Dificuldade para andar ou se mexer devido à dor.

    A apendicite é comum, mas pode evoluir rapidamente. A avaliação precoce evita complicações e salva vidas.

    Veja mais: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

    Perguntas frequentes sobre apendicite

    1. A apendicite pode melhorar sozinha?

    Não. Sem tratamento, o risco de perfuração é alto.

    2. Toda dor do lado direito é apendicite?

    Não. Outras condições podem causar dor nessa região, por isso é importante avaliação médica.

    3. Após tirar o apêndice, posso ter problemas digestivos?

    Não. A vida segue normalmente, sem impacto na digestão.

    4. Crianças pequenas têm sintomas diferentes?

    Sim, muitas vezes menos típicos, o que dificulta o diagnóstico.

    5. Antibiótico pode substituir a cirurgia?

    Em alguns casos muito leves, sim, mas apenas com confirmação por exames e acompanhamento médico rigoroso.

    6. O apêndice pode inflamar mais de uma vez?

    Não. Uma vez removido, não volta a inflamar.

    7. Quanto tempo demora para voltar às atividades normais?

    Geralmente de 1 a 3 semanas após cirurgia por via laparoscópica.

    Leia mais: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

  • Alopécia androgenética: o que é e por que acontece 

    Alopécia androgenética: o que é e por que acontece 

    A queda de cabelo padrão, também chamada de alopécia androgenética, é o tipo mais comum de perda capilar tanto em homens quanto em mulheres. Ela costuma aparecer aos poucos e provoca um afinamento progressivo dos fios, até que os cabelos mais grossos se transformam em fios cada vez mais delicados.

    Embora seja uma condição benigna, o impacto emocional pode ser grande. Muitas pessoas relatam desconforto com a própria aparência, dificuldade de aceitar as mudanças e até prejuízo na autoestima. A boa notícia é que hoje existem diversas opções de tratamento que ajudam a estabilizar a queda e recuperar a densidade dos fios.

    Causas genéticas e hormonais

    A alopécia androgenética tem forte influência genética, mas a manifestação varia de pessoa para pessoa. Isso acontece porque ela envolve vários genes e porque fatores epigenéticos — pequenas mudanças no modo como os genes se expressam — também podem desempenhar papel importante.

    Nos homens, há uma relação clara com o gene do receptor de andrógeno (AR). Esse receptor responde aos hormônios masculinos, especialmente à di-hidrotestosterona (DHT), um derivado da testosterona com maior afinidade pelos receptores. A ligação da DHT desencadeia uma cascata de sinais que leva ao afinamento dos fios.

    Já nas mulheres, a situação é mais complexa. A genética tem papel importante, mas podem existir influências hormonais e metabólicas ainda não totalmente compreendidas.

    Como a queda evolui e as diferenças entre homens e mulheres

    A alopécia androgenética é uma condição progressiva. Sem tratamento, tende a avançar ao longo dos anos, embora o couro cabeludo permaneça saudável, sem inflamação ou descamação.

    Nos homens

    • O início geralmente ocorre após a puberdade;
    • As áreas mais afetadas são a frente, as têmporas e o topo da cabeça (vértex);
    • Esse padrão é dividido em estágios pela escala de Hamilton-Norwood.

    Nas mulheres

    • A queda é mais difusa, principalmente na região central e superior do couro cabeludo;
    • A linha frontal costuma ser preservada;
    • A perda total dos fios é rara, mas há redução importante da densidade.

    Diagnóstico: como saber se é queda de cabelo padrão

    O diagnóstico é feito por um dermatologista, com base na história clínica, no exame físico e na análise da distribuição da rarefação capilar.

    O médico pode:

    • Avaliar o histórico familiar;
    • Examinar hábitos de vida (alimentação, estresse, medicamentos);
    • Usar um dermatoscópio, que amplia os fios e identifica miniaturização;
    • Solicitar exames de sangue para avaliar hormônios, função da tireoide, níveis de ferro e vitaminas (especialmente em mulheres).

    Em casos duvidosos, uma biópsia do couro cabeludo pode ser indicada para confirmar o diagnóstico.

    Tratamento: o que pode ser feito

    O tratamento deve ser individualizado, considerando a causa, o grau da queda e o perfil do paciente. O objetivo é interromper a progressão e estimular o crescimento de novos fios.

    As principais opções são:

    1. Medicamentos tópicos

    São aplicados diretamente no couro cabeludo e ajudam a melhorar a circulação local e estimular o folículo.

    2. Medicamentos orais

    Devem ser usados somente com orientação médica, pois exigem acompanhamento e podem ter efeitos colaterais.

    3. Terapias complementares

    Podem potencializar os resultados, como:

    • Microagulhamento com fatores de crescimento;
    • Laser de baixa intensidade;
    • PRP (plasma rico em plaquetas), que utiliza substâncias presentes no próprio sangue do paciente.

    4. Transplante capilar

    Indicado quando a perda é extensa. Fios da região da nuca — mais resistentes à queda — são transplantados para áreas calvas. Os resultados são naturais e duradouros quando o procedimento é realizado por especialistas.

    Cuidados diários que fazem diferença

    Além dos tratamentos, pequenos hábitos ajudam a proteger os fios:

    • Mantenha uma alimentação equilibrada;
    • Reduza o estresse sempre que possível;
    • Lave adequadamente o couro cabeludo;
    • Evite penteados muito apertados;
    • Não interrompa o tratamento sem orientação, pois a queda pode voltar.

    Aspectos emocionais

    A perda de cabelo pode afetar muito mais do que a aparência. Muitas pessoas relatam baixa autoestima, insegurança, estresse e isolamento social. O acompanhamento médico e, quando necessário, apoio psicológico fazem parte de um tratamento completo e humanizado.

    Confira: Queda de cabelo ou alopecia? Saiba quando investigar

    Perguntas frequentes sobre queda de cabelo padrão

    1. A queda de cabelo padrão tem cura?

    Não, mas pode ser controlada. Os tratamentos estabilizam a queda e estimulam o crescimento.

    2. A queda de cabelo em mulheres é igual à dos homens?

    Não. Nas mulheres, a queda é mais difusa e a linha frontal geralmente é preservada.

    3. Estresse causa queda de cabelo padrão?

    O estresse não causa a alopécia androgenética, mas pode piorar a queda.

    4. Transplante capilar resolve definitivamente?

    Ele melhora muito a densidade, mas a tendência genética continua. Por isso, o tratamento deve ser mantido.

    5. Vitaminas ajudam na queda de cabelo padrão?

    Ajudam apenas se houver deficiência. Por isso, exames podem ser necessários.

    6. O uso de boné provoca calvície?

    Não. Bonés não causam queda de cabelo.

    7. Quanto tempo leva para o tratamento fazer efeito?

    Em geral, de 3 a 6 meses para notar melhora, dependendo do tratamento escolhido.

    Veja mais: Queda de cabelo: o que causa e quando é preocupante?

  • Febre amarela: o que é, como se transmite e como se proteger 

    Febre amarela: o que é, como se transmite e como se proteger 

    A febre amarela é uma das doenças virais mais antigas registradas na história e, mesmo hoje, ainda causa surtos em alguns países da América do Sul e da África. Transmitida pela picada de mosquitos infectados, a doença pode ir de um quadro leve até formas graves que afetam o fígado, os rins e outros órgãos.

    O nome “amarela”, inclusive, vem de um dos sinais clínicos mais marcantes: a icterícia, que deixa a pele e os olhos amarelados.

    Com a circulação de mosquitos como o Aedes aegypti, especialmente em áreas urbanas, e a proximidade cada vez maior entre cidades e regiões de mata, a febre amarela continua sendo uma preocupação de saúde pública. A boa notícia é que existe uma vacina altamente eficaz e medidas simples ajudam a prevenir a infecção.

    Como acontece a transmissão

    A febre amarela é transmitida pela picada de mosquitos infectados, principalmente:

    • Aedes aegypti (áreas urbanas);
    • Haemagogus (áreas de mata).

    Existem dois ciclos de transmissão:

    1. Febre amarela silvestre

    Mosquitos que vivem em florestas picam macacos infectados e, em seguida, pessoas que circulam nesses locais, como trabalhadores rurais, agricultores e viajantes.

    2. Febre amarela urbana

    Acontece quando uma pessoa infectada é picada por um mosquito em área urbana. Esse mosquito infecta outras pessoas.

    É importante dizer que a doença não passa de pessoa para pessoa — sempre depende da picada do mosquito.

    Onde a doença ainda existe

    Graças à vacinação, grandes surtos diminuíram, mas a febre amarela ainda ocorre em:

    • Regiões da América do Sul, incluindo o Brasil;
    • Diversas áreas da África.

    A doença pode afetar pessoas de qualquer idade, mas costuma ser mais perigosa para crianças pequenas e idosos, que têm sistema imunológico mais vulnerável.

    Período de incubação e transmissibilidade

    Após a picada do mosquito, o vírus leva de 3 a 6 dias para causar sintomas.

    A viremia (período em que o vírus circula no sangue humano) começa entre 24 e 48 horas antes dos sintomas e vai até aproximadamente o quinto dia de doença.

    Sintomas da febre amarela

    Muitas pessoas têm sintomas leves, semelhantes aos de uma gripe:

    • Febre alta;
    • Dor de cabeça;
    • Calafrios;
    • Dores musculares (especialmente nas costas);
    • Náuseas e vômitos;
    • Cansaço e mal-estar.

    Formas graves (15% dos casos)

    A doença pode evoluir rapidamente e causar:

    • Icterícia (pele e olhos amarelados);
    • Vômitos, às vezes com sangue;
    • Sangramentos (nariz, boca, urina);
    • Confusão mental;
    • Pressão baixa;
    • Redução da urina;
    • Falência de fígado e rins.

    A febre amarela grave pode ter mortalidade de 20% a 50% sem atendimento intensivo. Apareceu qualquer um desses sinais? Procure atendimento imediatamente.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico combina:

    • Histórico do paciente (incluindo viagens e vacinação);
    • Avaliação clínica;
    • Exames de sangue que identificam o vírus ou anticorpos;
    • Exames que avaliam fígado, rins e presença de sangramentos.

    Tratamento da febre amarela

    Não existe antiviral específico para a febre amarela. O tratamento é de suporte, com medidas como:

    • Hidratação;
    • Controle da febre;
    • Monitoramento hospitalar;
    • Cuidados intensivos nos casos graves.

    Prevenção: a melhor forma de se proteger

    1. Vacina contra febre amarela

    A vacina é segura e muito eficaz. Uma única dose protege por toda a vida. É indicada para pessoas a partir de 9 meses de idade, exceto em casos especiais, como:

    • Alergia grave a ovo;
    • Mulheres que amamentam bebês menores de 6 meses;
    • Pessoas em quimioterapia ou radioterapia;
    • Imunossuprimidos.

    Em caso de dúvida, consulte um profissional de saúde.

    2. Evitar picadas de mosquito

    • Use camisas de manga comprida e calças;
    • Aplique repelente nas áreas expostas;
    • Durma com mosquiteiros ou telas nas janelas;
    • Elimine água parada (vasos, pneus, baldes, caixas d’água).

    Essas medidas ajudam a prevenir tanto febre amarela quanto outras arboviroses, como dengue, zika e chikungunya.

    O que esperar da doença e como é a recuperação

    A maioria das pessoas melhora completamente, mas nos casos graves a recuperação pode levar semanas. A mortalidade é elevada quando há falência de órgãos.

    O aumento de surtos em alguns países ocorre por fatores como:

    • Baixa cobertura vacinal;
    • Urbanização próxima a áreas de mata;
    • Mudanças climáticas que favorecem mosquitos.

    Manter a vacinação em dia é fundamental para proteger toda a comunidade.

    Veja mais: Veja por que você pode pegar dengue até quatro vezes

    Perguntas frequentes sobre febre amarela

    1. A vacina contra febre amarela é segura?

    Sim. É uma das vacinas mais eficazes do mundo e protege por toda a vida após uma dose.

    2. Quem não pode tomar a vacina?

    Bebês menores de 9 meses, gestantes (em alguns casos), imunossuprimidos e pessoas com alergia grave ao ovo.

    3. A febre amarela passa de pessoa para pessoa?

    Não. Só ocorre pela picada de mosquitos infectados.

    4. A febre amarela é a mesma coisa que dengue?

    Não. São vírus diferentes, embora alguns mosquitos transmissores sejam os mesmos.

    5. Se eu tive febre amarela uma vez, posso pegar de novo?

    Não. A infecção natural confere imunidade permanente.

    6. A febre amarela sempre é grave?

    A maioria dos casos é leve, mas formas graves podem ser fatais sem atendimento.

    7. Preciso tomar vacina antes de viajar?

    Sim, se o destino for área com recomendação de vacinação.

    Veja mais: Dengue no Brasil: por que a doença volta todo ano

  • Albinismo: o que é, por que acontece e quais cuidados são essenciais 

    Albinismo: o que é, por que acontece e quais cuidados são essenciais 

    O albinismo é uma condição genética rara que acompanha a pessoa desde o nascimento e afeta principalmente a cor da pele, dos cabelos e dos olhos. Muita gente reconhece o albinismo pelas características físicas, como pele muito clara e cabelos quase brancos, mas a condição vai além da aparência: ela também envolve particularidades da visão e uma sensibilidade maior ao sol.

    Apesar das diferenças, pessoas com albinismo podem levar uma vida longa, saudável e plena. Com informação correta, cuidados com a pele, acompanhamento oftalmológico e proteção solar, é possível manter a saúde em dia e prevenir complicações.

    O que é o albinismo?

    O albinismo é uma condição genética em que há diminuição ou ausência de melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos olhos e aos cabelos.

    A melanina é produzida por células chamadas melanócitos. Quando há uma alteração genética que impede seu funcionamento, o corpo não consegue produzir pigmento normalmente.

    Existem diferentes tipos:

    • Albinismo oculocutâneo (AOC): afeta pele, cabelos e olhos;
    • Albinismo ocular (AO): afeta apenas os olhos;
    • Formas sindrômicas: associadas a outras condições genéticas.

    Além das alterações de pigmentação, pessoas com albinismo geralmente apresentam características específicas na visão.

    Por que o albinismo acontece

    O albinismo é causado por mutações genéticas herdadas dos pais, que interferem na produção de melanina. Mesmo quando o número de melanócitos é normal, eles não funcionam adequadamente.

    A melanina não é apenas um pigmento. Ela também:

    • Protege contra raios ultravioleta (UV);
    • Reduz o risco de queimaduras e câncer de pele;
    • Contribui para o desenvolvimento adequado dos olhos e nervos ópticos.

    Por isso, pessoas com albinismo podem nascer com alterações na formação dos olhos, o que impacta a acuidade visual.

    Cada tipo de albinismo está ligado a um gene específico, o que explica por que algumas pessoas têm sintomas mais leves e outras, mais intensos.

    Achados físicos mais comuns

    As características variam bastante de pessoa para pessoa, mas alguns sinais são frequentes.

    Na pele e nos cabelos

    • Pele muito clara, que queima facilmente no sol;
    • Cabelos brancos, loiros, dourados ou ruivos, dependendo do tipo;
    • Sobrancelhas e cílios com pouco pigmento.

    Nos olhos

    • Fotofobia: sensibilidade aumentada à luz;
    • Nistagmo: movimento involuntário dos olhos, comum nos primeiros meses de vida;
    • Estrabismo: desalinhamento dos olhos;
    • Baixa acuidade visual: dificuldade para enxergar detalhes ao longe ou de perto;
    • Íris e retina mais claras: deixando os olhos com tons azulados, acinzentados ou rosados.

    A intensidade desses achados depende do tipo de albinismo.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico geralmente ocorre nos primeiros meses de vida, idealmente durante as consultas pediátricas. Os profissionais observam:

    • A coloração da pele e dos cabelos;
    • O comportamento visual da criança;
    • Possíveis movimentos oculares anormais.

    O oftalmologista e o dermatologista complementam a avaliação, e exames genéticos podem confirmar o tipo específico, embora nem sempre sejam necessários.

    Cuidados essenciais no albinismo

    Não existe cura, mas o manejo adequado permite manter a saúde e evitar complicações.

    Cuidados com a pele

    • Evitar sol entre 10h e 16h;
    • Usar protetor solar FPS 30 ou mais diariamente, reaplicando a cada 2 horas;
    • Roupas de proteção e chapéus de aba larga;
    • Óculos escuros com proteção UV;
    • Acompanhamento dermatológico e autoexame frequente da pele.

    Pessoas com albinismo têm risco maior de câncer de pele, por isso a proteção solar é indispensável.

    Cuidados com os olhos

    • Consultas oftalmológicas regulares;
    • Óculos ou lentes especiais que reduzem sensibilidade e corrigem problemas de visão;
    • Adaptações escolares: letras maiores, contraste adequado, lugar prioritário em sala;
    • Cirurgia ocular em casos selecionados para corrigir estrabismo.

    Qualidade de vida

    Com os cuidados corretos, pessoas com albinismo têm expectativa de vida normal. Os principais desafios são a sensibilidade ao sol e as questões visuais, que podem ser manejadas com acompanhamento médico.

    É importante, também, combater o preconceito: em algumas regiões do mundo, indivíduos com albinismo ainda enfrentam discriminação. Informação e empatia são essenciais para garantir inclusão, respeito e apoio.

    Leia também: Por que o bebê fica amarelinho? Entenda tudo sobre a icterícia neonatal

    Perguntas frequentes sobre albinismo

    1. Albinismo tem cura?

    Não. É uma condição genética, mas os sintomas podem ser controlados com cuidados adequados.

    2. Pessoas com albinismo enxergam muito mal?

    Elas têm alterações visuais variáveis. Com óculos, lentes especiais e acompanhamento, muitas conseguem bom desempenho visual.

    3. É possível prevenir o albinismo?

    Não, porque é herdado geneticamente.

    4. Quem tem albinismo pode tomar sol?

    Sim, desde que com proteção rigorosa: protetor solar, roupas adequadas e evitar horários de maior radiação.

    5. Pessoas com albinismo precisam de adaptações na escola?

    Em muitos casos, sim. Letras maiores, contraste adequado e posição favorável em sala ajudam na leitura.

    6. Toda pessoa com albinismo tem nistagmo?

    É muito comum, mas a intensidade varia. O oftalmologista orienta o manejo adequado.

    Veja mais: 5 testes obrigatórios que devem ser feitos no recém-nascido

  • Escorbuto: o que a falta de vitamina C faz no corpo e como evitar 

    Escorbuto: o que a falta de vitamina C faz no corpo e como evitar 

    O escorbuto é uma doença antiga, conhecida desde os tempos das grandes navegações, quando marinheiros passavam meses sem frutas e verduras frescas. A causa era simples, mas grave: a falta de vitamina C (ácido ascórbico), nutriente essencial para o bom funcionamento do corpo.

    Embora pareça algo do passado, o escorbuto ainda pode acontecer hoje. Casos isolados surgem em pessoas com dietas muito restritivas ou desequilibradas, como idosos, indivíduos com doenças que dificultam a absorção de nutrientes, alcoólatras, ou pessoas em situação de desnutrição. A boa notícia é que é uma condição fácil de prevenir e de tratar, desde que seja reconhecida a tempo.

    O que é a vitamina C e por que ela é importante

    A vitamina C é essencial para várias funções do organismo. Veja o que ela pode fazer:

    • Ajuda na formação do colágeno, proteína que dá firmeza à pele, gengivas, ossos e vasos sanguíneos;
    • Atua como antioxidante, pois protege as células contra o envelhecimento e os radicais livres;
    • Melhora a cicatrização de feridas;
    • Aumenta a absorção do ferro presente nos alimentos;
    • Fortalece o sistema imunológico, ajudando a prevenir infecções.

    Como o corpo humano não produz nem armazena vitamina C em grandes quantidades, é preciso consumi-la todos os dias por meio da alimentação.

    Causas do escorbuto

    O escorbuto ocorre quando o organismo passa semanas ou meses sem receber vitamina C suficiente. Entre as principais causas estão:

    • Dieta pobre em frutas e vegetais frescos, especialmente laranja, limão, acerola, kiwi, morango e goiaba;
    • Alcoolismo, que prejudica a absorção e o uso da vitamina C;
    • Transtornos alimentares, como anorexia;
    • Doenças intestinais que dificultam a absorção de nutrientes (como doença de Crohn);
    • Dietas restritivas prolongadas, comuns em idosos ou crianças com alimentação limitada.

    Mesmo em países desenvolvidos, o escorbuto pode surgir em quem consome muitos ultraprocessados e quase nenhuma fruta ou verdura.

    O que acontece no corpo quando falta vitamina C

    A vitamina C é fundamental para a produção de colágeno, uma espécie de “cola” que mantém os tecidos firmes e saudáveis. Quando ela falta, os vasos sanguíneos ficam frágeis, a cicatrização piora e os tecidos perdem resistência.

    Os efeitos são:

    • Sangramentos na pele e nas gengivas;
    • Dores musculares e ósseas;
    • Fraqueza e irritabilidade;
    • Feridas que demoram a cicatrizar;
    • Pele seca, cabelos quebradiços e unhas fracas.

    Com o tempo, a deficiência prolongada pode comprometer todo o organismo e causar sintomas graves.

    Sintomas do escorbuto

    Os sintomas costumam surgir entre 1 e 3 meses após o início da deficiência. Entre os sinais mais comuns estão:

    • Cansaço e fraqueza;
    • Irritabilidade e mal-estar;
    • Dores musculares e articulares;
    • Sangramento nas gengivas e mau hálito;
    • Dentes amolecidos ou que caem;
    • Manchas roxas e vermelhas na pele (pequenos sangramentos);
    • Feridas que cicatrizam lentamente.

    Escorbuto em crianças

    Em bebês e crianças pequenas, o escorbuto pode ocorrer quando há ausência de frutas e vegetais frescos na dieta, ou, por exemplo, quando o leite é fervido por muito tempo (o calor destrói a vitamina C).

    Os sintomas são:

    • Irritabilidade e choro fácil;
    • Fraqueza e falta de apetite;
    • Dor ao se movimentar, devido à inflamação nas articulações;
    • Dificuldade em mexer braços ou pernas, aparentando paralisia.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito com base em:

    • Histórico alimentar e sintomas do paciente;
    • Exame físico, que pode mostrar sangramentos, gengivas inflamadas e manchas na pele;
    • Exames de sangue, que confirmam os baixos níveis de vitamina C.

    Em crianças, exames de imagem como radiografias podem mostrar alterações ósseas típicas da doença.

    Tratamento

    O tratamento do escorbuto é simples: consiste em repor a vitamina C por meio de suplementos e de uma alimentação rica em frutas e verduras frescas.

    A melhora costuma ocorrer em poucos dias, e a recuperação completa leva de duas a três semanas.

    Os alimentos mais ricos em vitamina C são:

    • Acerola;
    • Caju;
    • Goiaba;
    • Kiwi;
    • Laranja;
    • Limão;
    • Morango;
    • Manga;
    • Mamão;
    • Abacaxi;
    • Brócolis;
    • Couve;
    • Pimentão.

    Não deixe de ler: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

    Prevenção do escorbuto

    A melhor forma de evitar o escorbuto é manter uma alimentação variada e colorida, com frutas e verduras todos os dias.

    Algumas orientações simples ajudam muito:

    • Consuma frutas cítricas diariamente;
    • Evite ferver demais alimentos ricos em vitamina C (o calor destrói parte do nutriente);
    • Prefira alimentos in natura e minimamente processados;
    • Em casos específicos, como idosos, fumantes ou pessoas com doenças intestinais, o médico pode indicar suplementos vitamínicos.

    Com pequenas mudanças na rotina alimentar, dá para prevenir completamente o escorbuto e fortalecer o organismo.

    Confira: Vitamina B6: saiba mais sobre a importância dela no cérebro e metabolismo das proteínas

    Perguntas frequentes sobre escorbuto

    1. O que causa o escorbuto?

    O escorbuto é causado pela falta prolongada de vitamina C, geralmente devido a uma alimentação pobre em frutas e verduras frescas.

    2. O escorbuto ainda existe hoje?

    Sim, embora seja raro. Pode ocorrer em pessoas com dietas restritivas, alcoolismo, desnutrição ou doenças que dificultam a absorção de nutrientes.

    3. Quais os primeiros sinais da falta de vitamina C?

    Cansaço, fraqueza, irritabilidade, gengivas inflamadas e manchas roxas na pele são sinais de alerta.

    4. O escorbuto é contagioso?

    Não. É uma doença carencial, causada apenas pela deficiência de vitamina C.

    5. Quanto tempo leva para aparecer o escorbuto?

    Os sintomas costumam surgir entre 1 e 3 meses após o início da deficiência.

    6. Como é feito o tratamento?

    Com a reposição de vitamina C (suplementos e alimentação adequada). A melhora é rápida e completa.

    7. Quais alimentos são mais ricos em vitamina C?

    Acerola, goiaba, caju, kiwi, laranja, morango, mamão, brócolis e couve são excelentes fontes.

    8. É possível prevenir o escorbuto apenas com alimentação?

    Sim. Uma dieta equilibrada, rica em frutas e verduras, é suficiente para prevenir a doença.

    Leia também: O que acontece no corpo quando falta vitamina A

  • Cigarro eletrônico (vape): conheça os riscos para o coração 

    Cigarro eletrônico (vape): conheça os riscos para o coração 

    Você já deve ter ouvido falar em cigarro eletrônico, também chamado de vape. O visual moderno, os sabores variados e a ideia de serem uma alternativa “mais leve” ao cigarro comum contribuíram para a popularização dos dispositivos, principalmente entre os jovens.

    No entanto, estudos mostram que eles podem causar danos importantes à saúde, especialmente ao coração, aos pulmões e aos vasos sanguíneos. “Muitos acreditam que o vape é apenas ‘vapor de água e sabor’, mas isso é um engano perigoso. O líquido (e-liquid) contém um coquetel químico complexo”, explica o cardiologista Pablo Cartaxo.

    Entenda, a seguir, como os cigarros eletrônicos funcionam, o que realmente está presente no vapor inalado e por que seu uso representa um risco sério para o coração.

    O que são cigarros eletrônicos e como funcionam?

    Os cigarros eletrônicos são dispositivos que aquecem um líquido (conhecido como e-liquid ou juice) para gerar vapor. Ele normalmente contém as seguintes substâncias, apontadas por Pablo:

    • Nicotina: presente na maioria dos dispositivos, muitas vezes em concentrações superiores às do cigarro comum;
    • Solventes (propilenoglicol e glicerina vegetal): quando aquecidos a altas temperaturas, podem formar substâncias tóxicas e inflamatórias, como o formaldeído;
    • Partículas ultrafinas: o vapor inalado contém partículas finas que penetram profundamente nos pulmões, alcançam a corrente sanguínea e provocam inflamação nos vasos. O processo, chamado disfunção endotelial, é o primeiro passo para o desenvolvimento da aterosclerose (formação de placas nas artérias);
    • Aromatizantes: muitos aditivos usados para dar sabor são seguros apenas para ingestão, não para inalação, e podem aumentar a toxicidade e a inflamação nas vias respiratórias e no sistema cardiovascular.

    Ao contrário do cigarro tradicional, o vape não produz fumaça nem cinzas, o que cria a falsa impressão de segurança. O usuário inala o vapor, que passa pelos pulmões e chega rapidamente à corrente sanguínea, levando a nicotina e outras substâncias ao cérebro e ao coração.

    O mecanismo é bastante simples: uma bateria aquece uma resistência metálica (coil), que vaporiza o líquido armazenado no reservatório. O resultado é uma névoa que imita o ato de fumar, mas com compostos químicos que continuam sendo nocivos à saúde.

    Como os cigarros eletrônicos afetam o coração?

    A nicotina e as substâncias químicas tóxicas presentes no vapor do cigarro eletrônico interferem no funcionamento dos vasos sanguíneos, na pressão arterial e no ritmo cardíaco.

    Segundo Pablo, a nicotina age diretamente sobre o sistema nervoso simpático, provocando uma descarga de adrenalina que eleva de forma aguda a pressão arterial e a frequência cardíaca. Em pessoas com hipertensão ou outras doenças cardíacas, esses episódios repetidos de estresse sobre o coração e os vasos são extremamente prejudiciais e podem desestabilizar o quadro clínico.

    “A descarga de adrenalina e a estimulação do sistema nervoso simpático causadas pela nicotina podem funcionar como um gatilho para arritmias cardíacas, especialmente em pessoas já predispostas.”, aponta o cardiologista.

    Uma revisão publicada em 2023 na Expert Review of Cardiovascular Therapy também destacou que os vapores inalados contêm substâncias tóxicas que provocam disfunção endotelial, estresse oxidativo e inflamação, processos que favorecem o acúmulo de placas de gordura, condição chamada aterosclerose, que pode, a longo prazo, resultar em infarto agudo do miocárdio.

    Cigarros eletrônicos são mais seguros do que cigarros tradicionais?

    Apesar das diferenças na maneira como funcionam, os cigarros eletrônicos e os tradicionais são igualmente perigosos para a saúde e expõem o corpo a substâncias tóxicas capazes de causar inflamação, alterar a pressão arterial e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

    O cigarro comum produz fumaça pela combustão do tabaco, liberando mais de 7 mil compostos químicos — entre eles o alcatrão, o monóxido de carbono e metais pesados, todos comprovadamente cancerígenos e lesivos ao coração.

    O cigarro eletrônico, por outro lado, aquece um líquido que contém nicotina, solventes e aromatizantes, criando um aerossol inalado diretamente para os pulmões. Apesar de eliminar os produtos da combustão, o vapor contém partículas ultrafinas e aldeídos tóxicos que entram na corrente sanguínea e afetam as células endoteliais (camada que reveste os vasos), provocando uma disfunção endotelial que pode guiar para a formação de placas de gorduras nas artérias (aterosclerose).

    “O problema dos vapes é que a entrega de nicotina pode ser muito mais alta e rápida, especialmente com os dispositivos mais novos que usam sais de nicotina, o que aumenta o potencial de dependência e o estresse sobre o sistema cardiovascular”, complementa Pablo.

    Por que o cigarro eletrônico é tão perigoso para jovens?

    O impacto do vape sobre adolescentes é especialmente preocupante por três motivos principais:

    • Dependência precoce: o cérebro jovem ainda está em desenvolvimento. A exposição a altas doses de nicotina altera áreas ligadas à atenção, memória e controle de impulsos, tornando a dependência mais intensa e duradoura;
    • Porta de entrada: estudos mostram que adolescentes que usam vape têm mais chances de migrar para o cigarro tradicional;
    • Dano cardiovascular precoce: a inflamação e o enrijecimento das artérias começam cedo e se acumulam ao longo da vida, aumentando o risco de infartos e AVCs precoces na vida adulta.

    Em muitos casos, jovens usam o vape diariamente sem perceber que estão inalando níveis altíssimos de nicotina, superiores aos de um maço de cigarros comum. Isso explica a crescente epidemia de dependência e sintomas de abstinência entre adolescentes.

    E os riscos dos cigarros eletrônicos vão além do coração. Uma revisão sistemática publicada em 2021 no periódico Nicotine & Tobacco Research mostrou que o uso de vapes entre adolescentes e jovens adultos está fortemente associado a problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão, impulsividade e maior risco de comportamento suicida.

    O estudo analisou mais de mil artigos e encontrou evidências consistentes de que o vape está relacionado a padrões de estresse e dependência psicológica, criando um ciclo de uso precoce e prolongado.

    E quanto aos fumantes que migram para o cigarro eletrônico?

    Não é incomum que pessoas fumantes acreditem que mudar para o vape seja um passo para abandonar o vício. O cigarro é o maior e mais documentado inimigo da saúde vascular, mas isso não torna o cigarro eletrônico mais seguro.

    “É trocar um risco conhecido por um risco novo, mas já comprovadamente perigoso. O vape não tem os produtos da combustão, mas introduz os riscos das partículas ultrafinas e dos solventes. Para o coração, o dano da nicotina e da inflamação vascular está presente e é grave em ambos os produtos”, esclarece Pablo.

    No Brasil, a Anvisa mantém proibidas desde 2009 a venda, importação e propaganda dos dispositivos, com base na ausência de comprovação científica de segurança e na presença de substâncias tóxicas e potencialmente cancerígenas nos líquidos utilizados.

    “O objetivo final para a sua saúde deve ser viver livre de ambos. As sociedades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, não recomendam o vape como um método para parar de fumar”, complementa o cardiologista.

    Como parar de fumar?

    Se o objetivo é parar de fumar, seja o cigarro comum ou eletrônico, o primeiro passo é procurar ajuda médica e não tentar enfrentar isso sozinho. A dependência da nicotina é forte, e reconhecer que é preciso ajuda já demonstra bastante coragem e vontade de mudar.

    O médico pode avaliar o seu grau de dependência, indicar o tratamento mais adequado e, acima de tudo, acompanhar de perto cada fase do processo. Hoje, existem tratamentos seguros e eficazes que reduzem os sintomas da abstinência e tornam a caminhada mais leve.

    A combinação de apoio psicológico e uso de medicamentos é a mais recomendada, porque cuida do corpo e da mente ao mesmo tempo — ajudando a lidar com a vontade de fumar e com as emoções que surgem ao longo do caminho. Falar com familiares, amigos ou grupos de apoio também faz toda a diferença, especialmente nos momentos em que o desânimo ou a vontade de desistir aparecem.

    Também é importante mudar os hábitos de vida, o que inclui praticar atividade física, investir em uma alimentação equilibrada e dormir bem à noite. Aos poucos, o corpo se recupera, o fôlego melhora, o paladar volta, e a sensação de bem-estar cresce a cada dia sem cigarro ou vape.

    Leia mais: Câncer ocupacional: o que é e quais as profissões de risco?

    Perguntas frequentes sobre cigarro eletrônico

    1. O uso de vapes pode causar infarto ou AVC?

    Sim! Pesquisas recentes apontam que exposição contínua a substâncias como nicotina e acroleína pode favorecer o estreitamento e a formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose), elevando significativamente o risco de doenças cardíacas, infartos e AVC. Isso pode acontecer mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis.

    2. O vape pode ajudar a parar de fumar?

    Não! Na verdade, estudos comprovam que o cigarro eletrônico não é eficaz para parar de fumar. Em muitos casos, os usuários acabam consumindo os dois produtos ao mesmo tempo, o chamado uso duplo, e permanecem dependentes da nicotina.

    O método mais seguro e comprovado para abandonar o cigarro continua sendo o tratamento clínico e psicológico indicado por profissionais de saúde.

    3. Existe algum tipo de cigarro eletrônico seguro?

    Até o momento, nenhum estudo comprovou que exista um cigarro eletrônico realmente seguro. Mesmo os dispositivos que afirmam não conter nicotina podem liberar substâncias irritantes e tóxicas. A única maneira de eliminar o risco é não usar nenhum tipo de produto inalável que contenha nicotina ou solventes químicos.

    4. O uso de vape pode causar dependência emocional?

    Sim, a dependência da nicotina não é apenas física — ela envolve também uma série de aspectos emocionais e comportamentais. O hábito de segurar o dispositivo, a rotina de uso e a associação com momentos de prazer ou relaxamento reforçam a ligação emocional com o produto.

    Por isso, o processo de parar exige apoio psicológico e estratégias de substituição, para que a pessoa aprenda novas formas de lidar com o estresse e a ansiedade.

    5. O que acontece no corpo logo após usar um cigarro eletrônico?

    Minutos após a inalação do vapor, a nicotina ativa o sistema nervoso simpático, liberando adrenalina e noradrenalina. Elas provocam aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e contração dos vasos sanguíneos.

    Para completar, as partículas químicas e metais presentes no vapor entram na corrente sanguínea e iniciam um processo de inflamação e estresse oxidativo, que, repetido ao longo do tempo, pode danificar o coração e os vasos.

    6. Grávidas podem usar cigarros eletrônicos?

    Não, o uso de vape durante a gestação é extremamente perigoso! A nicotina atravessa a placenta e pode prejudicar o desenvolvimento cerebral e pulmonar do bebê, além de aumentar o risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e complicações cardiovasculares no feto. O vapor também contém substâncias tóxicas que afetam diretamente a oxigenação do sangue materno.

    Veja mais: Câncer: quais os principais fatores de risco?