Categoria: Doenças & Condições

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  • Melanoma: o que é e como identificar o tipo mais perigoso de câncer de pele

    Melanoma: o que é e como identificar o tipo mais perigoso de câncer de pele

    O câncer de pele é o tumor mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. No entanto, o melanoma representa apenas 4% das neoplasias malignas da pele, embora seja considerado o tipo mais grave por causa da alta capacidade de se espalhar rapidamente para outros órgãos.

    O risco associado ao melanoma não está apenas na sua ocorrência, mas no comportamento agressivo das células tumorais. Mesmo lesões pequenas podem desenvolver metástases precoces, exigindo diagnóstico rápido e tratamento imediato. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é melanoma?

    O melanoma é um tipo de câncer de pele que se desenvolve a partir dos melanócitos, células responsáveis por produzir melanina, o pigmento que dá cor à pele. Ele pode surgir em pintas já existentes ou aparecer como uma nova lesão na pele.

    A principal causa está ligada à exposição excessiva à radiação ultravioleta, principalmente sem proteção adequada.

    De acordo com o oncologista Thiago Chadid, a preocupação maior com esse tipo de tumor é o comportamento altamente agressivo: as células têm grande capacidade de se espalhar rapidamente pela pele e alcançar vasos sanguíneos e linfáticos, favorecendo metástases precoces.

    Em situações raras, uma pinta que deu origem ao melanoma pode regredir sozinha. Nesses casos, o paciente pode apresentar metástases mesmo sem que o tumor primário seja encontrado. A lesão inicial some, mas as células malignas já disseminadas continuam a se multiplicar. O oncologista explica que é um fenômeno pouco comum em outros cânceres de pele, mas que pode ocorrer no melanoma por causa da sua biologia particular.

    O que diferencia o melanoma de outros câncer de pele?

    A principal diferença entre o melanoma e outros cânceres de pele, como o carcinoma basocelular e o espinocelular, está na célula de origem.

    O carcinoma basocelular surge das células basais, localizadas na camada mais profunda da epiderme; o espinocelular aparece nas células escamosas, que produzem queratina. Já o melanoma se desenvolve nos melanócitos, responsáveis pela pigmentação da pele.

    Por causa dessa origem, a análise cuidadosa das pintas, usando critérios como o ABCDE, é especialmente importante para identificar o melanoma. Os carcinomas, por outro lado, tendem a se manifestar como feridas que não cicatrizam, manchas elevadas ou lesões com aspecto perolado.

    Muitas vezes, essas lesões são confundidas com “pintas casquinhas”, embora representem processos completamente diferentes.

    Quais os sintomas do melanoma?

    O melanoma nem sempre causa sintomas no início, e por isso a observação da pele é tão importante. Na maioria dos casos, o sinal mais comum é uma pinta que muda — no tamanho, na forma, na cor ou na textura. Porém, outros sinais podem surgir e merecem atenção.

    Os principais sintomas incluem:

    • Aparição de uma nova pinta com aspecto diferente das demais;
    • Mudança em uma pinta já existente, ficando maior, irregular ou mais escura;
    • Assimetria, quando metade da pinta não se parece com a outra;
    • Bordas irregulares, mal definidas ou serrilhadas;
    • Cores variadas na mesma pinta, como marrom, preto, cinza, vermelho ou branco;
    • Diâmetro maior que 6 mm, embora melanomas pequenos também existam;
    • Evolução rápida, quando a pinta cresce, muda de cor ou começa a se transformar em semanas ou meses;
    • Sangramento, coceira ou dor, sinais que podem indicar inflamação ou avanço da lesão;
    • Aspecto elevado, nodular ou brilhante, especialmente em melanomas mais agressivos.

    Segundo Thiago, o melanoma aparece com mais frequência nas áreas expostas ao sol, como couro cabeludo, face, tronco e costas, já que a radiação ultravioleta é o principal fator desencadeador.

    Ainda assim, o tumor pode surgir em regiões pouco expostas ou totalmente protegidas da luz, como palma das mãos, planta dos pés e unhas — situações em que fatores genéticos costumam ter papel mais relevante.

    Pintas congênitas, presentes desde o nascimento, também podem carregar risco aumentado e precisam de acompanhamento regular.

    Existem, inclusive, casos raros de melanoma em locais sem qualquer exposição solar, como a esclera (parte branca dos olhos) ou o trato gastrointestinal, normalmente ligados a predisposições genéticas ou síndromes hereditárias.

    O que aumenta o risco de melanoma?

    A exposição solar sem proteção é o principal fator de risco do melanoma, porque os raios ultravioleta provocam danos diretos no DNA dos melanócitos, estimulando mutações que podem levar à formação do tumor.

    Contudo, outros fatores também podem aumentar o risco do câncer de pele, como:

    • Queimaduras solares na infância, que aumentam o risco ao longo da vida;
    • Uso de câmaras de bronzeamento artificial, já proibidas no Brasil;
    • Pele clara, com menor produção de melanina;
    • Presença de muitas pintas ou pintas atípicas;
    • Histórico familiar de melanoma;
    • Síndromes genéticas que aumentam predisposição.

    Diagnóstico de melanoma

    O diagnóstico de melanoma é feito principalmente pela avaliação clínica da pele, complementada por exames específicos quando necessário. Quanto mais cedo o diagnóstico é estabelecido, maiores são as chances de cura, já que o tumor pode se espalhar rapidamente.

    O processo começa na consulta com o dermatologista, que examina toda a pele em busca de pintas suspeitas, observando forma, cor, tamanho, bordas e qualquer mudança recente na aparência da lesão.

    A investigação é aprofundada com a dermatoscopia, exame que utiliza um aparelho capaz de ampliar e iluminar a pinta, permitindo visualizar estruturas internas que não são perceptíveis a olho nu. Nesse momento, o médico também aplica os critérios clínicos ABCDE, usados para identificar sinais de alerta:

    • A: Assimetria;
    • B: Bordas irregulares;
    • C: Cores variadas;
    • D: Diâmetro maior que 6 mm (embora melanomas menores existam);
    • E: Evolução, quando a pinta muda rapidamente.

    Quando há suspeita de melanoma, a confirmação é feita por meio de biópsia, que consiste na retirada total ou parcial da lesão para análise no laboratório. O patologista examina o material para determinar se há células malignas e avalia informações importantes, como profundidade e grau de invasão.

    Se o diagnóstico for confirmado, exames adicionais podem ser solicitados para verificar se o tumor se espalhou, como ultrassom de linfonodos, tomografia, ressonância magnética ou PET-CT, dependendo do caso.

    Como é feito o tratamento do melanoma?

    O tratamento do melanoma é definido conforme o estágio da doença, ou seja, o quanto o tumor cresceu e se espalhou. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de cura e mais simples costuma ser o manejo.

    O primeiro passo é a cirurgia para remover a lesão, feita com margem de segurança ao redor da pinta suspeita. Isso é importante porque o melanoma pode formar extensões microscópicas que não são visíveis a olho nu. Com o diagnóstico de melanoma, muitas vezes é necessário retornar para ampliar a margem cirúrgica, garantindo a retirada completa do tumor.

    Quando a profundidade é maior ou há suspeita de disseminação, pode ser indicada a biópsia do linfonodo sentinela, que verifica se o tumor já começou a se espalhar para os gânglios linfáticos.

    Se existir risco de recidiva após a cirurgia, é utilizado o tratamento adjuvante, que hoje envolve principalmente a imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar células tumorais remanescentes.

    Nos casos em que o melanoma já se disseminou para outros órgãos, o tratamento costuma incluir a imunoterapia e terapias alvo, usadas quando o tumor apresenta mutações específicas, como a mutação BRAF, permitindo usar medicamentos direcionados para bloquear sinais de crescimento tumoral.

    É possível prevenir o melanoma?

    A prevenção do melanoma começa com a proteção solar diária e o acompanhamento regular com dermatologista. Quem teve muita exposição ao sol na infância ou adolescência, especialmente quem cresceu nos anos 80 e 90, quando o uso de protetor era menos comum, deve ter ainda mais cuidado, porque queimaduras repetidas aumentam o risco ao longo da vida.

    Também é importante lembrar que pintas de nascença nem sempre são totalmente seguras. Algumas podem ter risco maior e precisam ser observadas de perto ou até removidas preventivamente, de acordo com a avaliação médica.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

    Perguntas frequentes

    1. Por que o melanoma é considerado tão grave?

    A gravidade do melanoma está na facilidade com que ele se espalha pelo corpo. Diferente de outros cânceres de pele, o tumor pode atingir vasos sanguíneos e linfáticos mesmo quando ainda é pequeno.

    Por crescer e se disseminar rápido, se torna mais difícil de controlar em fases avançadas. Por outro lado, quando é descoberto no início, as chances de cura são altas.

    2. Crianças podem ter melanoma?

    Sim, mas é raro. Quando acontece, costuma estar ligado a fatores genéticos, histórico familiar ou pintas de nascença com características diferentes. Por isso, pintas grandes ou irregulares em crianças devem ser avaliadas e acompanhadas por especialistas.

    3. Melanoma tem cura?

    Sim, quando o melanoma é diagnosticado no início, as chances de cura são muito altas. A maior dificuldade está nos casos mais avançados, quando o câncer já se espalhou.

    4. Melanoma pode aparecer nas unhas?

    Sim, o melanoma subungueal pode aparecer como uma faixa escura na unha, que vai crescendo ao longo do tempo. Muitas vezes, é confundido com hematoma, fungo ou machucado, o que pode atrasar o diagnóstico.

    Se a faixa escura for irregular, aumentar de tamanho ou vier acompanhada de sangramento na cutícula, é importante buscar investigação médica.

    5. Melanoma pode voltar após o tratamento?

    Mesmo depois da remoção completa da lesão, ainda existe risco de o melanoma voltar, especialmente quando o tumor era mais profundo ou tinha maior chance de se espalhar. Por isso, é fundamental manter o acompanhamento regular com o dermatologista e o oncologista.

    6. Quando devo procurar um dermatologista?

    Procure um dermatologista sempre que notar:

    • Uma nova pinta diferente das outras;
    • Mudança rápida em tamanho, cor ou formato;
    • Mancha que sangra ou não cicatriza;
    • Coceira persistente ou dor na região;
    • Também é importante realizar avaliação anual da pele, mesmo sem sintomas, especialmente para quem tem fatores de risco

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

  • Neuralgia do Trigêmeo: entenda mais sobre a ‘pior dor do mundo’

    Neuralgia do Trigêmeo: entenda mais sobre a ‘pior dor do mundo’

    Descrita muitas vezes como “a pior dor do mundo”, a neuralgia do trigêmeo é um dos quadros de dor facial mais intensos e incapacitantes na medicina. O impacto na rotina é profundo, pois atividades simples como falar, mastigar ou até sentir o vento no rosto podem desencadear crises fortes, de início súbito e muito dolorosas.

    Embora seja uma condição rara, a neuralgia do trigêmeo merece atenção porque pode evoluir com piora progressiva e exige diagnóstico especializado.

    O que é a neuralgia do trigêmeo?

    A neuralgia do trigêmeo é uma condição crônica marcada por episódios de dor intensa e súbita, descrita como choques elétricos, e que atinge regiões inervadas pelo nervo trigêmeo.

    Esse nervo é responsável pela sensibilidade e parte dos movimentos da face, como mandíbula, maxila e região ao redor dos olhos.

    A dor costuma ocorrer de um lado do rosto e é mais frequente em mulheres e pessoas acima de 50 anos.

    Principais sintomas

    A neuralgia do trigêmeo se manifesta por crises de dor facial muito intensa. Entre os sinais mais característicos estão:

    • Dor aguda, em choque ou pontadas;
    • Início abrupto, com pico logo nos primeiros segundos;
    • Duração de segundos a poucos minutos;
    • Dor localizada em bochechas, mandíbula, maxila, dentes, gengivas, lábios ou região dos olhos;
    • Possível dor residual mais leve após a crise.

    A frequência dos episódios varia bastante: alguns pacientes têm poucas crises por dia, enquanto outros apresentam muitos episódios ao longo de horas.

    Causas

    A dor geralmente é causada pela compressão do nervo trigêmeo, muitas vezes por vasos sanguíneos próximos à sua origem no crânio. Outras causas possíveis são:

    • Tumores cerebrais que comprimem o nervo;
    • Ativação anormal do nervo trigêmeo;
    • AVC que afeta a área de origem do nervo (menos comum).

    Fatores de risco:

    • Pressão alta;
    • Enxaqueca;
    • Esclerose múltipla.

    Gatilhos que costumam desencadear crises:

    • Tocar o rosto;
    • Falar;
    • Mastigar;
    • Escovar os dentes;
    • Sentir vento frio;
    • Dar risada.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, ou seja, feito em consultório por um médico, baseado na descrição da dor e no padrão das crises. Para identificar a causa, especialmente compressões ou lesões estruturais, exames de imagem são muito importantes.

    Exames que podem ser solicitados

    • Ressonância magnética (mais eficaz para avaliar compressão do nervo);
    • Tomografia ou angiotomografia, quando a ressonância magnética não é possível.

    Tratamento

    O tratamento é direcionado a reduzir a frequência e a intensidade das crises, com foco tanto em prevenção quanto em alívio imediato.

    Tratamento com remédios (primeira escolha)

    Os medicamentos mais usados são:

    • Carbamazepina
    • Oxcarbazepina

    Outras opções podem ser indicadas em casos específicos.

    Terapeutas de resgate

    Utilizadas em crises intensas:

    • Lidocaína;
    • Fenitoína;
    • Sumatriptano.

    Opções cirúrgicas

    Indicadas quando a pessoa não responde ao tratamento com remédios (casos refratários).

    Prognóstico: o que esperar da condição

    O prognóstico varia, pois muitos pacientes conseguem períodos prolongados sem dor, enquanto outros apresentam crises recorrentes que impactam significativamente a qualidade de vida.

    O acompanhamento com neurologista é essencial para ajustar o tratamento e melhorar o controle dos sintomas.

    Confira: Dor de cabeça: quando é normal e quando é sinal de alerta

    Perguntas frequentes sobre neuralgia do trigêmeo

    1. A neuralgia do trigêmeo é curável?

    Não há cura definitiva, mas muitos pacientes têm excelente controle dos sintomas com medicamentos ou cirurgia.

    2. A dor sempre ocorre do mesmo lado?

    Na maioria dos casos, sim. A neuralgia é tipicamente unilateral.

    3. A neuralgia do trigêmeo está relacionada à enxaqueca?

    Não diretamente, mas pessoas com enxaqueca têm maior risco de desenvolver a condição.

    4. Escovar os dentes pode desencadear crises?

    Sim. Estímulos leves, como falar, mastigar ou tocar a face, podem provocar dor.

    5. Como diferenciar dor de dente de neuralgia do trigêmeo?

    A neuralgia provoca dor súbita, elétrica e muito intensa, diferente da dor contínua típica de problemas dentários.

    6. Quais exames confirmam a doença?

    A ressonância magnética ajuda a identificar causas estruturais, mas o diagnóstico é essencialmente clínico.

    7. Quando a cirurgia é indicada?

    Quando o paciente não responde aos medicamentos ou tem efeitos colaterais importantes.

    Veja mais: Dor de cabeça tensional: como aliviar o tipo mais comum de dor de cabeça

  • Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

    Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

    A esclerodermia, também chamada de esclerose sistêmica, é uma doença autoimune rara que chama atenção pela maneira como altera o corpo: tecidos que deveriam ser flexíveis tornam-se rígidos, como se desenvolvessem uma espécie de “cicatriz interna”.

    Apesar de incomum, quem tem a condição precisa ter um acompanhamento especializado, já que pode atingir desde a pele até pulmões, coração e rins.

    O que é esclerose sistêmica (esclerodermia)?

    A esclerose sistêmica é uma doença reumática rara que afeta o tecido conectivo, responsável por sustentar e ligar órgãos do corpo. O principal processo dessa doença autoimune é a fibrose, ou seja, o endurecimento progressivo dos tecidos, que pode atingir pele, vasos sanguíneos e órgãos internos.

    Principais formas da doença

    • Esclerodermia localizada: acomete pele e tecido subcutâneo.
    • Esclerose sistêmica limitada: espessamento cutâneo principalmente em extremidades.
    • Esclerose sistêmica difusa: comprometimento mais amplo da pele e maior risco de envolvimento de órgãos internos.

    A doença é mais comum em mulheres entre 40 e 50 anos e tem maior prevalência em pessoas descendentes de povos africanos.

    Como ocorre em outras doenças autoimunes, o sistema imunológico passa a atacar o tecido conectivo, gerando inflamação e levando à fibrose, um processo semelhante ao de cicatrização, o que deixa o tecido espesso e rígido.

    Principais sintomas

    A esclerose sistêmica pode se manifestar de formas muito diferentes entre os pacientes. Entre os sinais mais comuns estão:

    Fenômeno de Raynaud

    Presente em cerca de 95% dos casos, costuma ser o primeiro sintoma. A circulação das mãos e pés se altera com frio ou estresse, fazendo os dedos ficarem pálidos ou arroxeados.

    Também pode ocorrer em pessoas sem doenças reumatológicas (cerca de 15% da população geral).

    Sintomas cutâneos

    São os mais marcantes:

    • Inchaço e vermelhidão iniciais
    • Espessamento progressivo da pele
    • Rigidez e perda da elasticidade

    Essas alterações variam conforme o tipo de esclerodermia e podem dificultar movimentos.

    Sintomas musculoesqueléticos

    • Dores articulares
    • Dores musculares
    • Contraturas e tendinites
    • Limitação de movimentos devido ao endurecimento da pele

    Sintomas gastrointestinais

    Muito frequentes e variados:

    • Dificuldade de abrir a boca
    • Boca seca
    • Dificuldade para engolir
    • Refluxo gastroesofágico
    • Esvaziamento gástrico lento, com distensão e sensação de saciedade precoce
    • Constipação

    Sintomas pulmonares

    Representam a principal causa de mortalidade.

    Decorrem principalmente de:

    • Fibrose pulmonar
    • Pressão alta pulmonar

    Sintomas:

    • Falta de ar
    • Cansaço
    • Tosse
    • Dor no peito

    Casos avançados podem exigir oxigênio suplementar.

    Sintomas cardíacos

    Menos frequentes, mas graves:

    • Pericardite
    • Arritmias
    • Derrame pericárdico
    • Dilatação cardíaca secundária à pressão alta pulmonar

    Sintomas renais

    O quadro mais importante é a Crise Renal Esclerodérmica, marcada por:

    • Aumento súbito da pressão arterial
    • Piora rápida da função renal
    • Urina espumosa ou com sangue

    Causas

    A esclerose sistêmica não tem causa única, mas resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais.

    Fatores genéticos

    • Histórico familiar de doenças autoimunes
    • Presença de certos marcadores genéticos

    Fatores ambientais

    Podem atuar como gatilhos:

    • Infecções virais (citomegalovírus, Epstein-Barr, parvovírus B19)
    • Exposição à sílica
    • Contato com solventes orgânicos

    A combinação desses fatores é considerada essencial para o início da doença.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, feito em consultório médico, baseado na avaliação detalhada dos sintomas, exame físico e exames complementares.

    Exames que auxiliam

    • Autoanticorpos específicos: ajudam a definir subtipo e entender o que esperar da doença.
    • Exames de sangue: anemia é comum; outras alterações dependem do órgão afetado.
    • Espirometria: identifica padrão restritivo em casos de fibrose pulmonar.
    • Endoscopia digestiva: avalia refluxo e alterações no esôfago ou estômago.

    Tratamento

    A esclerose sistêmica não tem cura, mas o tratamento adequado controla sintomas, reduz complicações e melhora a qualidade de vida.

    Imunossupressores

    São a base do tratamento, por reduzirem a atividade autoimune e retardarem a evolução da fibrose. A escolha depende do padrão de acometimento de cada paciente.

    Tratamentos direcionados por manifestação

    • Medicações para refluxo
    • Tratamento da hipertensão pulmonar
    • Cuidados com a pele
    • Fisioterapia para manter mobilidade
    • Tratamento específico do fenômeno de Raynaud

    O cuidado sempre deve ser individualizado e exige seguimento regular.

    Veja também: Diabetes autoimune latente do adulto (LADA): o ‘tipo 1,5’ do diabetes

    Perguntas frequentes sobre esclerose sistêmica

    1. Esclerose sistêmica tem cura?

    Não. Mas o tratamento adequado controla a doença e pode evitar complicações.

    2. Esclerodermia e esclerose sistêmica são a mesma coisa?

    O termo “esclerodermia” é amplo; inclui formas localizadas e sistêmicas. A esclerose sistêmica é o tipo que pode afetar órgãos internos.

    3. O fenômeno de Raynaud sempre significa esclerodermia?

    Não. Ele ocorre em até 15% da população geral sem doenças autoimunes.

    4. A doença sempre afeta órgãos internos?

    Não. Depende da forma: a esclerose sistêmica difusa tem maior risco; a localizada geralmente não afeta órgãos.

    5. O que causa o endurecimento da pele?

    A produção excessiva de colágeno, resultado da inflamação autoimune.

    6. A doença é hereditária?

    Não é hereditária no sentido clássico, mas há predisposição genética.

    7. O tratamento sempre usa imunossupressores?

    Na maioria dos casos sim, mas a escolha depende do tipo e da gravidade da doença.

    Veja mais: Doenças autoimunes: 10 sinais para você ficar atento

  • Pneumonia por pneumococo: o que é e quando suspeitar dessa bactéria 

    Pneumonia por pneumococo: o que é e quando suspeitar dessa bactéria 

    A pneumonia por pneumococo continua sendo uma das infecções respiratórias mais relevantes. Mesmo com o avanço da vacinação, que reduziu muitos dos casos graves, a bactéria Streptococcus pneumoniae permanece como a principal agente causadora de pneumonias adquiridas na comunidade que necessitam de internação.

    A doença pode surgir de forma repentina, evoluindo com febre alta, tosse e dificuldade para respirar. Em pacientes mais vulneráveis, como crianças pequenas, idosos e pessoas com imunidade reduzida, o quadro pode se tornar grave rapidamente, e exige início imediato do tratamento.

    O que é a pneumonia por pneumococo?

    A pneumonia por pneumococo é uma infecção pulmonar causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae. Ela é historicamente a causa mais comum de pneumonia grave, muitas vezes exigindo internação hospitalar.

    Apesar da queda na incidência graças à vacinação, o pneumococo ainda é o agente mais frequente desse tipo de pneumonia.

    Os fatores de risco são:

    • Crianças e idosos;
    • Infecções virais prévias;
    • Tabagismo;
    • Etilismo;
    • Doenças pulmonares crônicas;
    • Imunossupressão;
    • Esplenectomia (remoção do baço).

    Como ela surge?

    O pneumococo é uma bactéria exclusiva do ser humano, transmitida principalmente por partículas respiratórias.

    A pneumonia se desenvolve quando secreções contaminadas da nasofaringe (nariz e garganta) são aspiradas para os pulmões, especialmente durante o sono ou em pessoas com reflexo de tosse comprometido.

    Quando a bactéria atinge os alvéolos, provoca uma reação inflamatória intensa, o que leva a um acúmulo de líquido inflamatório e forma as “manchas” vistas na radiografia.

    Lesões e destruição de alvéolos são raras.

    Principais sintomas

    Os sintomas seguem o padrão clássico de uma pneumonia bacteriana e podem variar de leve a muito grave.

    Sintomas comuns:

    • Febre súbita;
    • Calafrios;
    • Tosse;
    • Dor no peito ao respirar;
    • Catarro purulento.

    Em quadros moderados a graves:

    • Taquicardia;
    • Pressão baixa;
    • Alteração do nível de consciência;
    • Falta de ar importante.

    Em casos extremos, o paciente pode precisar de ventilação mecânica e internação em UTI.

    Possíveis complicações:

    • Empiema (pus na pleura);
    • Bacteremia (bactéria no sangue);
    • Meningite.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é baseado em alguns critérios.

    Avaliação clínica

    História dos sintomas e exame físico.

    Exames de imagem

    Radiografia de tórax é o exame inicial e costuma mostrar áreas de consolidação. A tomografia pode ser usada em casos específicos.

    Confirmação laboratorial

    • Cultura de escarro;
    • Cultura de sangue.

    Exames de sangue podem mostrar:

    • Leucocitose;
    • Anemia.

    Na prática, a combinação dos sintomas e da radiografia geralmente confirma o diagnóstico.

    Tratamento

    O tratamento baseia-se no início imediato de antibióticos eficazes contra o pneumococo.

    Não se deve esperar os resultados dos exames para começar o tratamento.

    Após a identificação do germe e do padrão de resistência, os antibióticos podem ser ajustados pelo médico.

    Esse início rápido é essencial para evitar complicações, especialmente em pacientes mais vulneráveis.

    Prevenção

    A principal forma de prevenção é a vacinação pneumocócica, disponível:

    • No SUS, dentro do calendário nacional;
    • Em clínicas privadas de vacinação.

    A vacina reduz casos graves, internações e complicações associadas ao pneumococo.

    Confira: Quando o alimento vai pelo caminho errado: entenda a pneumonia aspirativa

    Perguntas frequentes sobre pneumonia por pneumococo

    1. A pneumonia por pneumococo é contagiosa?

    A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, mas desenvolver pneumonia depende de fatores individuais e de imunidade.

    2. A pneumonia pneumocócica sempre é grave?

    Não. Muitos casos são leves, mas pode evoluir rapidamente em grupos de risco.

    3. Como saber se é uma pneumonia por pneumococo ou viral?

    Somente o médico pode diferenciar, com base nos sintomas, exames de imagem e, quando necessário, exames laboratoriais.

    4. A vacina impede totalmente a doença?

    Não impede todos os casos, mas reduz muito o risco de formas graves e complicações.

    5. Quem deve tomar a vacina pneumocócica?

    Crianças, idosos, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas, conforme calendário do SUS ou recomendação médica.

    6. Precisa repetir raio-X após o tratamento?

    Geralmente não. As imagens podem demorar semanas a normalizar, mesmo após a cura clínica.

    Leia mais: Pneumonia em crianças: o que causa, sintomas e como tratar

  • Trombose e embolia pulmonar são a mesma coisa? Conheça as diferenças

    Trombose e embolia pulmonar são a mesma coisa? Conheça as diferenças

    Ao contrário do que muitos pensam, a coagulação do sangue é um processo natural do organismo, responsável por conter sangramentos e permitir a cicatrização de ferimentos. Quando você corta o dedo, por exemplo, o corpo reage formando um coágulo que interrompe o sangramento. O problema é quando esse mecanismo ocorre sem motivo, dentro de uma veia saudável.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio, quando o sangue coagula sem necessidade e bloqueia o vaso, ocorre um quadro de trombose, que pode provocar dor, inchaço e vermelhidão, principalmente nas pernas. E, em alguns casos, esse coágulo pode se soltar e seguir pela corrente sanguínea até o pulmão, onde bloqueia a passagem do sangue — é o que chamamos de embolia pulmonar.

    Apesar de estarem diretamente relacionadas, trombose e embolia pulmonar não são a mesma coisa e saber identificar as diferenças é importante para reconhecer os sinais de alerta e procurar ajuda a tempo. Entenda mais, a seguir!

    O que é trombose?

    A trombose ocorre quando um coágulo sanguíneo se forma em uma ou mais veias, impedindo o fluxo normal do sangue. O tipo mais comum é a Trombose Venosa Profunda (TVP), que costuma afetar as pernas, coxas e panturrilhas.

    Em alguns casos, o coágulo é pequeno e o próprio corpo consegue dissolvê-lo naturalmente. Mas, em situações mais sérias, o trombo pode crescer, causar inchaço, dor e até se desprender, viajando até órgãos vitais — o que resulta em uma embolia.

    A trombose costuma surgir após cirurgias, longos períodos de imobilização, gravidez, uso de anticoncepcionais hormonais ou presença de doenças crônicas. Ainda assim, qualquer pessoa pode desenvolver o problema quando existe predisposição genética ou a combinação de fatores de risco.

    Quais são os tipos de trombose?

    A trombose pode ser aguda ou crônica, dependendo da evolução do coágulo e da resposta do organismo:

    • Trombose aguda: ocorre de forma repentina e pode se resolver naturalmente, já que o corpo possui mecanismos para dissolver o trombo. Quando isso acontece sem sequelas, o paciente recupera a circulação normal;
    • Trombose crônica: acontece quando, durante a dissolução do coágulo, a estrutura das válvulas das veias é danificada. Isso compromete o retorno do sangue, gerando inchaço persistente, escurecimento da pele, varizes e, em casos mais avançados, feridas.

    Sintomas de trombose

    Em alguns casos, a trombose se desenvolve de forma silenciosa, sem sintomas, principalmente nas fases inicias. Mas quando os sintomas aparecem, é importante agir rápido. Os mais comuns incluem:

    • Dor ou sensação de peso na perna (geralmente em apenas um lado);
    • Calor e vermelhidão local;
    • Inchaço que piora com o passar do dia;
    • Endurecimento da musculatura da panturrilha.

    A condição também é conhecida como “trombose do viajante”, porque pode surgir após longos períodos sentado, como em viagens de avião, ônibus ou carro. Nessas situações, a falta de movimentação faz com que o sangue circule mais devagar nas pernas, favorecendo a formação de coágulos.

    Por isso, o problema é relativamente comum em pessoas que passam muitas horas em voos internacionais ou trabalham em posições fixas.

    O que é embolia pulmonar?

    A embolia pulmonar é uma condição potencialmente fatal que ocorre quando um coágulo bloqueia uma ou mais artérias do pulmão, dificultando a passagem do sangue e a oxigenação do corpo. Isso aumenta a pressão sobre o coração e pode levar à insuficiência cardíaca ou parada cardiorrespiratória.

    Na maioria dos casos, a embolia pulmonar ocorre como consequência direta da trombose venosa profunda — quando um coágulo se forma nas veias das pernas e, posteriormente, se desprende, migrando até os pulmões.

    O tromboembolismo venoso é a terceira principal causa de morte cardiovascular, ficando atrás apenas do infarto e do AVC. A gravidade da embolia depende do tamanho e da quantidade de artérias pulmonares obstruídas. Quando a obstrução é grande, a primeira manifestação pode ser parada cardíaca e morte súbita, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

    Sintomas de embolia pulmonar

    Os sintomas da embolia pulmonar variam conforme a extensão do bloqueio, mas alguns sinais merecem atenção imediata, como:

    • Falta de ar súbita (mesmo em repouso);
    • Dor no peito, que piora ao tossir, espirrar ou inspirar fundo;
    • Tosse com sangue;
    • Tontura, palpitação e desmaio;
    • Batimentos acelerados;
    • Febre e suor excessivo;
    • Dor ou inchaço nas pernas (indicando trombose associada).

    Em 25% dos casos graves, a embolia pulmonar se manifesta diretamente como uma parada cardíaca — e, nesses casos, é muito importante que o atendimento médico seja imediato.

    O que aumenta os riscos de trombose e embolia pulmonar?

    Qualquer pessoa pode desenvolver coágulos, mas alguns fatores aumentam muito as chances. Entre os principais:

    • Ficar muito tempo parado (viagens longas, repouso hospitalar ou pós-cirurgia);
    • Cirurgias grandes, principalmente ortopédicas, ginecológicas ou oncológicas;
    • Uso de anticoncepcionais hormonais ou terapia de reposição hormonal;
    • Gravidez e pós-parto;
    • Varizes e insuficiência venosa;
    • Tabagismo;
    • Obesidade e sedentarismo;
    • Idade avançada;
    • Histórico familiar de trombose;
    • Câncer ou quimioterapia;
    • Doenças cardíacas e distúrbios de coagulação.

    Durante a gestação, por exemplo, o peso do bebê e as mudanças hormonais dificultam o retorno do sangue das pernas, favorecendo a formação de trombos. Já os anticoncepcionais aumentam o risco por alterarem a viscosidade do sangue.

    Trombose e embolia pulmonar: quais as diferenças?

    Trombose Embolia pulmonar
    Definição Formação de um coágulo sanguíneo (trombo) dentro de uma veia, normalmente nas pernas Bloqueio de uma ou mais artérias do pulmão causado por um coágulo que se desprendeu da trombose
    Causa principal Cirurgias, imobilização prolongada, uso de anticoncepcionais, gestação tabagismo e obesidade Deslocamento de um coágulo formado na trombose venosa profunda até o pulmão
    Local mais comum Veias profundas das pernas e coxas Artérias pulmonares
    Sintomas principais Dor, inchaço, calor e vermelhidão na perna (geralmente em apenas um lado) Falta de ar súbita, dor no peito, tosse com sangue, palpitação e tontura
    Risco imediato Pode evoluir para uma embolia se o coágulo se desprender Pode causar insuficiência respiratória e morte súbita

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico de trombose e embolia pulmonar começa com a avaliação dos sintomas e do histórico do paciente. No caso da trombose venosa profunda, o médico observa sinais como dor, inchaço, calor e vermelhidão na perna. Depois, costuma pedir um exame de ultrassom com doppler, de acordo com Marcelo, que mostra se há algum coágulo bloqueando a circulação nas veias.

    Já a embolia pulmonar é mais grave e costuma causar falta de ar repentina, dor no peito e sensação de desmaio. O diagnóstico envolve exames de imagem, como tomografia do tórax, que mostra se há um coágulo obstruindo as artérias do pulmão. De acordo com o cirurgião vascular, o ultrassom não é capaz de alcançar o pulmão.

    Tratamentos para trombose e embolia pulmonar

    O tratamento precisa começar imediatamente após o diagnóstico, pois quanto antes for iniciado, menores os riscos de complicações.

    Trombose

    No caso da trombose, o principal objetivo é impedir o crescimento do coágulo e evitar que ele se desprenda, o que poderia causar uma embolia pulmonar. Segundo Marcelo, é feito o uso de anticoagulantes, que impedem a formação de novos coágulos.

    Alguns pacientes podem precisar de filtros na veia cava, a principal veia do abdômen, que funcionam como uma barreira para evitar que coágulos das pernas cheguem aos pulmões. O uso de meias de compressão também é uma medida importante, pois melhora a circulação nas pernas, reduz o inchaço e ajuda no retorno venoso.

    Embolia pulmonar

    Quando o quadro evolui para uma embolia pulmonar, o tratamento se torna uma emergência. O uso de anticoagulantes continua sendo a principal abordagem, mas em doses mais altas, para impedir a formação de novos coágulos e facilitar a dissolução dos existentes.

    Em casos críticos, são usados trombolíticos, medicamentos capazes de dissolver o coágulo rapidamente, restabelecendo o fluxo de sangue para o pulmão. Em situações extremas, quando o trombo é volumoso e o paciente corre risco de vida, pode ser necessário realizar cateterismo ou cirurgia para remover o bloqueio.

    Em pacientes de alto risco, especialmente internados por longos períodos, os anticoagulantes podem ser administrados de forma profilática (ou seja, preventiva) para evitar a formação de trombos. No entanto, ele alerta que o uso desses medicamentos deve sempre ocorrer sob supervisão médica rigorosa, já que o uso inadequado pode causar sangramentos importantes.

    É possível prevenir?

    A melhor forma de evitar tanto a trombose quanto a embolia pulmonar é manter o corpo em movimento e cultivar hábitos saudáveis, como:

    • Levantar-se e andar a cada 1 hora se ficar muito tempo sentado;
    • Fazer alongamentos nas pernas, especialmente em viagens longas;
    • Usar meias elásticas, com orientação médica, para melhorar o retorno venoso;
    • Beber bastante água e evitar álcool em excesso;
    • Controlar o peso e parar de fumar;
    • Praticar atividades físicas regularmente.

    Por fim, é fundamental aprender a reconhecer sinais como dor repentina na perna, inchaço, calor local ou falta de ar súbita. Procurar ajuda médica imediata diante desses sintomas é a melhor forma de evitar que um quadro de trombose evolua para uma embolia pulmonar.

    Confira: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    A trombose pode acontecer em pessoas jovens e saudáveis?

    Sim! Apesar de ser mais comum em idosos, gestantes ou pessoas com doenças crônicas, a trombose também pode atingir jovens aparentemente saudáveis. O risco aumenta quando há longos períodos de imobilidade — como passar horas estudando ou jogando sentado, viagens longas, ou mesmo durante o uso de anticoncepcionais hormonais.

    Além disso, fatores genéticos, como a predisposição à hipercoagulabilidade (tendência do sangue a coagular mais facilmente), podem causar trombose em pessoas sem outros problemas de saúde.

    Uma trombose superficial pode virar uma embolia pulmonar?

    É bem raro, mas pode acontecer. A trombose superficial se forma em veias logo abaixo da pele, geralmente associada a varizes. Por estar mais próxima da superfície, ela costuma ter menor risco de gerar êmbolos (fragmentos de coágulo que se deslocam).

    No entanto, se a inflamação alcançar veias mais profundas e houver comunicação entre elas, o trombo pode migrar para o sistema venoso profundo e, dali, para o pulmão. Por isso, até tromboses aparentemente leves merecem avaliação médica.

    Viagens longas realmente causam trombose?

    Sim, podem causar trombose pois ficar sentado por muitas horas, especialmente com os joelhos dobrados e pouca movimentação, dificulta o retorno do sangue das pernas para o coração. A falta de mobilidade facilita a formação de coágulos — daí o nome “trombose do viajante”.

    O risco aumenta em voos internacionais, motoristas de longa distância e passageiros de ônibus ou carros que passam horas sem se levantar. O ideal é se movimentar a cada 1 ou 2 horas, fazer rotações nos tornozelos e manter boa hidratação durante o trajeto.

    O que é síndrome pós-trombótica?

    É uma complicação que pode surgir meses após uma trombose venosa profunda. Mesmo com o coágulo dissolvido, as válvulas das veias podem ficar danificadas, dificultando o retorno do sangue. O resultado é inchaço persistente, dor, sensação de peso nas pernas e escurecimento da pele.

    Em casos avançados, surgem feridas difíceis de cicatrizar. O uso de meias elásticas e o acompanhamento com angiologista ajudam a controlar o problema.

    Por que o anticoncepcional aumenta o risco de trombose?

    O anticoncepcional aumenta o risco de trombose principalmente por causa do estrogênio, um dos hormônios presentes na maioria das pílulas combinadas. Ele altera o equilíbrio natural do sangue, aumentando a produção de proteínas que favorecem a coagulação e reduzindo outras que ajudam a dissolver coágulos. O resultado é um sangue mais “espesso”, com maior tendência a formar trombos dentro das veias — especialmente nas pernas.

    Além disso, o estrogênio pode afetar as paredes dos vasos sanguíneos, deixando-as mais suscetíveis à inflamação e ao acúmulo de coágulos. Por isso, o uso de anticoncepcionais hormonais deve sempre ser avaliado de forma individual, levando em conta o histórico familiar, a idade e o estilo de vida da pessoa.

    Leia mais: Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

  • A dor nas costas te acompanha? Entenda mais sobre lombalgia e veja o que fazer 

    A dor nas costas te acompanha? Entenda mais sobre lombalgia e veja o que fazer 

    A lombalgia, popularmente conhecida como dor na parte baixa das costas, está entre as queixas de saúde mais frequentes no Brasil e no mundo. Ela pode surgir de forma repentina, após um esforço maior, ou aparecer aos poucos, comprometendo atividades simples do dia a dia, como amarrar o sapato, levantar da cama ou ficar sentado por muito tempo.

    Embora seja comum, a lombalgia nem sempre tem uma causa única e, na maioria das vezes, não é grave. Ainda assim, entender seus sinais, saber identificar quando a dor representa um alerta e conhecer as opções de tratamento ajuda a evitar limitações e manter uma vida mais ativa e funcional.

    O que é lombalgia?

    A lombalgia é o nome dado à dor na região lombar, a parte baixa das costas. A intensidade varia de leve a incapacitante, e ela pode afetar adultos de qualquer idade.

    Por que a lombalgia acontece?

    A coluna lombar reúne estruturas importantes, como ossos, músculos, articulações, discos, ligamentos e nervos, e sustenta grande parte do peso do corpo. Por isso, diferentes fatores podem causar dor na região.

    Principais causas:

    • Esforço físico excessivo
    • Postura ruim
    • Sedentarismo
    • Movimentos repetitivos
    • Carregar peso de forma incorreta
    • Tensão muscular

    Na maioria dos casos, trata-se de distensão muscular ou sobrecarga articular, condições que costumam melhorar com cuidados simples.

    Como é a dor?

    A lombalgia pode se manifestar como:

    • Dor localizada na parte baixa das costas
    • Sensação de peso, queimação ou rigidez
    • Piora ao ficar sentado muito tempo ou ao carregar peso
    • Melhora com descanso ou mudança de posição

    Quando a dor irradia para a perna, descendo pela coxa até o pé, pode indicar irritação de nervo, como ocorre na dor no nervo ciático.

    Sinais de alerta

    Procure atendimento médico rápido se houver:

    • Febre
    • Perda de força nas pernas
    • Formigamento ou perda de sensibilidade na região genital
    • Incontinência urinária ou fecal
    • Trauma importante
    • História de câncer
    • Perda de peso inexplicada
    • Dor muito intensa e incapacitante

    Diagnósticos diferenciais

    A lombalgia pode ter diversas causas. Entre as principais:

    1. Causas músculo-esqueléticas (mais comuns)

    • Distensão muscular
    • Entorse ligamentar
    • Espasmo muscular
    • Artrose da coluna
    • Hérnia de disco
    • Degeneração dos discos intervertebrais

    2. Compressão ou irritação de nervos

    • Ciatalgia
    • Estenose do canal vertebral
    • Hérnia de disco com compressão nervosa

    3. Problemas articulares da coluna

    • Sacroileíte
    • Facetopatia

    4. Causas não relacionadas à coluna

    • Cálculo renal
    • Infecção urinária
    • Endometriose
    • Aneurisma de aorta abdominal
    • Pancreatite

    Diagnóstico

    O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na história e no exame físico. Exames de imagem (raio-X, tomografia, ressonância) são usados apenas quando há sinais de alerta, dor que não passa e suspeita de causas específicas.

    Tratamento

    O cuidado com a lombalgia inclui abordagens com uso de remédios e sem uso deles.

    Medidas gerais

    • Descanso relativo
    • Correções posturais
    • Ajustes na movimentação
    • Compressas mornas

    Fisioterapia

    • Alongamentos
    • Fortalecimento
    • Orientações posturais

    Atividade física

    • Caminhadas
    • Pilates
    • Musculação ou exercícios de fortalecimento com supervisão

    Medicamentos

    Com indicação médica:

    • Analgésicos
    • Anti-inflamatórios
    • Relaxantes musculares (em casos selecionados)

    Tratamentos específicos

    • Hérnia de disco: fisioterapia, analgesia; cirurgia em casos selecionados
    • Ciatalgia: medidas para descompressão nervosa
    • Causas não lombares: tratamento específico conforme a doença que causou a dor

    Prevenção

    • Fazer atividade física regular
    • Manter boa postura no trabalho
    • Fazer pausas durante longos períodos sentado
    • Evitar carregar peso de forma errada
    • Fortalecer abdômen e musculatura lombar

    Quando buscar atendimento médico?

    • Dor por mais de 4 semanas
    • Dor que piora mesmo com cuidados
    • Presença de sinais de alerta
    • Dor irradiada com dormência ou fraqueza
    • Febre, alteração urinária ou dor súbita intensa

    Leia mais: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

    Perguntas frequentes sobre lombalgia

    1. A lombalgia sempre significa problema na coluna?

    Não. Em muitos casos, a dor é muscular. Outras doenças, como cálculos renais ou endometriose, também podem causar dor lombar.

    2. Preciso fazer ressonância sempre que tenho dor nas costas?

    Não. A maioria dos casos melhora sem exames. Eles só são necessários quando há sinais de alerta ou dor persistente.

    3. Trabalhar sentado piora a lombalgia?

    Pode piorar, principalmente se houver má postura ou longos períodos sem pausas.

    4. Exercício faz bem para quem tem lombalgia?

    Sim. Atividade física regular fortalece a musculatura e reduz o risco de novas crises.

    5. A dor no nervo ciático é a mesma coisa que lombalgia?

    Não. A lombalgia é dor na região lombar; a dor no nervo ciático é dor irradiada pela perna devido à irritação do nervo ciático.

    6. Compressa quente ou fria?

    Geralmente quente para relaxar a musculatura. Mas o médico ou fisioterapeuta pode orientar conforme a causa.

    7. Lombalgia pode virar algo grave?

    Na maioria das vezes, não. Mas sinais de alerta exigem avaliação médica imediata.

    Leia também: O que é e como aliviar a dor no nervo ciático

  • Pneumonia adquirida na comunidade: entenda como se pega e quando procurar ajuda 

    Pneumonia adquirida na comunidade: entenda como se pega e quando procurar ajuda 

    A pneumonia adquirida na comunidade é uma das infecções respiratórias mais comuns no Brasil e no mundo, e continua sendo uma das principais causas de internação, especialmente entre idosos e pessoas com outras doenças crônicas.

    Todos os anos, hospitais registram milhares de casos que se desenvolvem fora do ambiente hospitalar, muitos deles leves, mas outros com potencial para causar complicações graves.

    Nos últimos anos, a ampliação do acesso às vacinas contra influenza, pneumococo e covid-19 ajudou a reduzir parte das infecções e de suas complicações. Ainda assim, reconhecer os sintomas cedo e buscar atendimento adequado é importante para evitar que a doença se agrave e também para garantir o tratamento certo.

    O que é pneumonia adquirida na comunidade?

    A pneumonia adquirida na comunidade é uma infecção pulmonar aguda que acontece fora do ambiente hospitalar. Pode variar de quadros leves, tratados em casa, até formas graves que exigem internação e até cuidados em UTI.

    Fatores de risco mais comuns

    • Idade acima de 65 anos
    • Doenças pulmonares
    • Insuficiência cardíaca
    • AVC
    • Diabetes
    • Desnutrição
    • Imunossupressão
    • Tabagismo
    • Consumo excessivo de álcool

    Microrganismos mais frequentes

    A pneumonia adquirida na comunidade pode ser causada por vírus ou bactérias.

    Bactérias típicas

    • Streptococcus pneumoniae (pneumococo), ainda o agente mais comum
    • Haemophilus influenzae
    • Moraxella catarrhalis

    Bactérias atípicas

    • Legionella
    • Mycoplasma

    Vírus respiratórios comuns

    • Influenza
    • Coronavírus
    • Vírus sincicial respiratório (VSR)

    Mesmo com a vacinação reduzindo casos de pneumococo, ele continua sendo o principal agente.

    Principais sintomas

    Sintomas pulmonares

    • Tosse (com ou sem catarro)
    • Falta de ar
    • Dor no peito ao respirar
    • Respiração acelerada
    • Queda da saturação de oxigênio

    Sintomas sistêmicos

    • Febre (o mais comum)
    • Calafrios
    • Cansaço
    • Redução do apetite
    • Coração acelerado (taquicardia)
    • Em casos graves: pressão baixa e sonolência

    Em idosos

    • Os sintomas podem ser diferentes e menos evidentes, com:
    • Confusão mental
    • Queda do estado geral
    • Queixas respiratórias menos claras

    Diagnóstico

    O diagnóstico começa pela avaliação clínica, com base nos sintomas.

    Exames de imagem

    • Radiografia de tórax: primeiro exame, geralmente suficiente para identificar consolidações
    • Tomografia de tórax: usada quando é necessária uma avaliação mais detalhada

    A combinação de sintomas e exames de imagem costuma confirmar a pneumonia.

    Tratamento

    A gravidade do quadro define o tratamento. Os médicos usam critérios específicos que ajudam a decidir se a pessoa pode ficar em casa ou precisa de internação.

    Tratamento em casa

    Para casos leves:

    • Antibióticos orais
    • Medicamentos para aliviar sintomas

    Internação no hospital

    Indicada para quadros moderados ou graves:

    • Antibióticos intravenosos
    • Hidratação
    • Suporte respiratório

    Casos graves (UTI)

    • Podem exigir:
    • Intubação
    • Tratamento de sepse

    Repetição de exames

    Após a cura, não é necessário repetir radiografia ou tomografia, pois as alterações pulmonares podem demorar a desaparecer.

    Prevenção

    Para reduzir o risco de pneumonia e de suas complicações, recomenda-se:

    • Parar de fumar
    • Vacinar-se contra a gripe (influenza)
    • Vacinar-se contra a covid-19
    • Vacinar-se contra os pneumococos

    Leia também: Pneumonia silenciosa em crianças: conheça as características da doença

    Perguntas frequentes sobre pneumonia adquirida na comunidade

    1. pneumonia adquirida na comunidade é contagiosa?

    A infecção pode ser transmitida por gotículas respiratórias, dependendo do agente causador.

    2. Pneumonia viral e bacteriana têm sintomas diferentes?

    Elas podem ser muito parecidas. A definição exata depende dos exames e do quadro clínico.

    3. Toda pneumonia precisa de antibiótico?

    Não. Pneumonias virais não exigem antibiótico, mas essa definição deve ser feita pelo médico.

    4. Tosse persistente após a cura é normal?

    Sim. Pode permanecer por dias ou semanas, mas é sempre importante comunicar o médico desse sintoma.

    5. Quem precisa de internação?

    Geralmente idosos, pessoas com comorbidades e pacientes com sintomas graves ou sinais de complicação.

    6. As vacinas realmente ajudam a prevenir pneumonia adquirida na comunidade?

    Sim. Elas reduzem tanto a ocorrência quanto a gravidade da doença.

    Leia mais: Quando o alimento vai pelo caminho errado: entenda a pneumonia aspirativa

  • Aneurisma de aorta abdominal: o que é, sintomas e quando operar 

    Aneurisma de aorta abdominal: o que é, sintomas e quando operar 

    O aneurisma de aorta abdominal é uma doença que costuma passar despercebida por muito tempo. Muitas pessoas só descobrem a dilatação da principal artéria do corpo durante exames de rotina, já que os sintomas, quando aparecem, geralmente indicam que o aneurisma está maior ou crescendo rapidamente. Isso torna o diagnóstico precoce essencial, especialmente em grupos de risco, como fumantes e homens acima dos 65 anos.

    Apesar de parecer assustador, hoje existem formas eficazes de monitoramento e tratamento, incluindo procedimentos minimamente invasivos que reduzem o risco de ruptura, uma emergência médica grave. Entender como a condição se desenvolve e quando é necessário intervir pode fazer toda a diferença.

    O que é o aneurisma de aorta abdominal?

    O aneurisma de aorta abdominal é uma dilatação da aorta na região abdominal que ultrapassa 50% do diâmetro normal da artéria. Ele costuma atingir a parte inferior da aorta, logo abaixo das artérias renais.

    Algumas características importantes:

    • O aneurisma cresce progressivamente ao longo do tempo
    • A velocidade de crescimento varia: aneurismas grandes crescem mais rápido
    • O risco de ruptura aumenta conforme o diâmetro aumenta
    • Rupturas são situações graves e exigem atendimento emergencial.

    Causas e fatores de risco

    O aneurisma ocorre devido ao enfraquecimento da parede da artéria, tornando-a mais suscetível à dilatação.

    Principais causas:

    • Aterosclerose (acúmulo de placas de gordura): a causa mais comum
    • Pressão alta
    • Traumas
    • Infecções da parede arterial
    • Doenças autoimunes

    Fatores de risco mais importantes:

    • Idade entre 65 e 80 anos
    • Sexo masculino
    • Histórico familiar
    • Tabagismo (um dos fatores mais determinantes)
    • Presença de aneurismas em outras artérias

    Maior risco de ruptura quando:

    • O aneurisma ultrapassa 5,5 cm
    • A pessoa é tabagista ativa
    • Há pressão alta descontrolada
    • O aneurisma cresce mais de 0,5 cm ao ano

    Principais sintomas

    A maioria dos aneurismas é assintomática.

    Quando os sintomas aparecem, podem incluir:

    • Massa pulsátil no abdome
    • Dor abdominal profunda
    • Dor irradiando para costas ou laterais do abdome

    Em caso de ruptura:

    • Dor abdominal ou lombar intensa e súbita
    • Queda da pressão arterial
    • Mal-estar importante

    Essa é uma emergência médica com alto risco de morte e requer cirurgia imediata.

    Rastreio: quem deve fazer?

    Como muitos aneurismas não dão sintomas, o rastreio é fundamental para pessoas de maior risco.

    A U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) recomenda:

    • Homens fumantes ou ex-fumantes entre 65 e 75 anos: realizar um ultrassom abdominal para rastreamento

    Para mulheres, o rastreio não é de rotina devido à menor prevalência da doença, mas pode ser considerado caso exista:

    • Histórico familiar
    • Tabagismo
    • Outras comorbidades associadas

    A decisão deve ser compartilhada entre paciente e médico.

    Diagnóstico

    O diagnóstico pode ser feito:

    • Casualmente: ao realizar exames de imagem por outros motivos.
    • Em avaliação clínica: quando há sintomas como dor abdominal ou massa pulsátil.

    Exames utilizados

    • Ultrassonografia abdominal: primeira escolha para rastreio e acompanhamento
    • Tomografia abdominal: detalha tamanho e forma do aneurisma, importante para planejamento cirúrgico
    • Exames laboratoriais: podem indicar anemia em casos de ruptura

    Sinal clássico de ruptura:

    Tríade clínica:

    • Dor abdominal/lombar intensa
    • Queda da pressão arterial
    • Massa pulsátil

    Nesses casos, não é necessário aguardar exames: o tratamento é cirúrgico imediato.

    Tratamento

    O tratamento depende do tamanho, dos sintomas e da velocidade de crescimento.

    Pacientes assintomáticos

    Indicado para aneurismas menores que 5,5 cm:

    • Acompanhamento regular com exames
    • Aspirina e estatinas para controle do colesterol
    • Controle rigoroso da pressão arterial
    • Parar de fumar
    • Incentivo à atividade física

    Tratamento cirúrgico

    Indicado para:

    • Aneurismas maiores que 5,5 cm em homens
    • Aneurismas maiores que 5,0 cm em mulheres
    • Crescimento acelerado
    • Aneurismas associados a outras dilatações arteriais

    Opções cirúrgicas:

    Cirurgia aberta:

    • Reparo direto da aorta
    • Realizada com anestesia geral

    Endoprótese (EVAR):

    • Menos invasiva
    • Introdução da prótese pela região pélvica
    • Geralmente indicada para pacientes com maior risco cirúrgico

    Ruptura de aneurisma

    • Cirurgia de emergência
    • Pode ser aberta ou por endoprótese
    • Prognóstico depende da rapidez do atendimento

    Leia também: Por que a pressão arterial aumenta no frio? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes sobre aneurisma de aorta abdominal

    1. O aneurisma sempre rompe?

    Não. Muitos permanecem estáveis por anos, desde que monitorados.

    2. Quem fuma tem mais risco?

    Sim. O tabagismo é um dos fatores mais importantes para formação e ruptura de aneurismas.

    3. É possível sentir o aneurisma?

    Às vezes. Alguns pacientes relatam sensação pulsátil no abdome.

    4. Ultrassom detecta todos os casos?

    Sim. É o exame ideal para rastreio e acompanhamento.

    5. Após a cirurgia, o aneurisma pode voltar?

    Pode ocorrer dilatação em outros segmentos, por isso o acompanhamento é contínuo.

    6. Mulheres também podem ter aneurisma?

    Sim, mas é menos comum. O limite para indicação cirúrgica é menor que o dos homens.

    7. Aneurisma pequeno precisa de cirurgia?

    Não. O acompanhamento periódico é suficiente na maioria dos casos.

    Confira: Dor no ombro esquerdo pode ser infarto? Saiba como identificar

  • Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

    Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

    Sendo o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil, atrás apenas do câncer de mama e próstata, o câncer colorretal se forma no intestino grosso, a partir do crescimento anormal de células na parede interna do intestino, formando pólipos — pequenas lesões benignas que, com o tempo, podem sofrer mutações e se tornar malignas.

    Por ter um crescimento lento, o rastreamento permite detectar alterações no intestino ainda em fase inicial, aumentando as chances de tratamento e recuperação. Vamos entender, a seguir, como a doença se manifesta e quais exames são importantes para o diagnóstico.

    O que é câncer colorretal?

    O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, é um tipo de tumor que se forma no intestino grosso, especialmente no cólon ou no reto. Ele costuma surgir a partir de pequenos pólipos — lesões benignas que se desenvolvem na parede interna do intestino.

    Com o tempo, o cardiologista Thiago Chadid explica que o pólipo pode evoluir. Primeiro, surge o pólipo hiperplásico, que é uma pequena elevação benigna e sem risco de virar câncer. Depois, ele pode se transformar em um adenoma, um tipo de pólipo que já tem potencial de se tornar maligno. O adenoma pode variar em gravidade — quanto mais alterações ele apresenta nas células, maior é o risco de evoluir para um câncer colorretal (adenocarcinoma).

    Quando o adenoma é pouco diferenciado (grau 3), o risco de progressão é alto, indicando que o tumor está prestes a se tornar invasivo. Também existem mutações genéticas que aumentam a probabilidade de desenvolvimento do câncer de intestino, podendo ser hereditárias ou adquiridas ao longo da vida.

    Por ter uma evolução mais lenta, é possível detectar e tratar ainda em estágios iniciais por meio de exames preventivos, como a colonoscopia, que permite visualizar o interior do intestino e remover pólipos antes que se tornem perigosos.

    Quais as causas do câncer colorretal?

    O câncer de intestino é causado por um conjunto de fatores que aumentam as chances de mutações no DNA das células do cólon e do reto, como:

    • Alimentação rica em carne vermelha e embutidos (como salsicha, bacon e presunto);
    • Baixo consumo de frutas, verduras, legumes e fibras;
    • Sedentarismo e falta de atividade física regular;
    • Excesso de peso e obesidade;
    • Consumo frequente de bebidas alcoólicas;
    • Tabagismo;
    • Idade acima de 50 anos;
    • Histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos;
    • Doenças inflamatórias intestinais, como colite ulcerativa e doença de Crohn;
    • Alterações genéticas hereditárias (como síndrome de Lynch e polipose adenomatosa familiar).

    Pessoas com diverticulite têm mais risco de câncer de intestino?

    A resposta é não! De acordo com Thiago, a presença de divertículos, pequenas bolsas que se formam na parede do intestino, não aumenta o risco de câncer. Eles podem inflamar e causar diverticulite, mas a inflamação não tem relação com o surgimento de pólipos ou tumores.

    Os divertículos são pequenas bolsas que se projetam para fora da parede intestinal, enquanto os pólipos são elevações que crescem para dentro do intestino. Por isso, são alterações distintas, com origens e comportamentos completamente diferentes.

    Sintomas do câncer colorretal

    O câncer colorretal normalmente não apresenta sintomas nos estágios iniciais, mas com o avanço do tumor, eles começam a surgir de forma mais evidente. De acordo com Thiago, os sintomas variam de acordo com a localização do tumor.

    No lado direito, os sinais costumam ser mais discretos:

    • Alterações no hábito intestinal, como prisão de ventre alternando com diarreia leve;
    • Cólicas;
    • Sensação de inchaço;
    • Sangramento oculto.

    Já no lado esquerdo, eles são mais evidentes:

    • Sangue nas fezes (vermelho vivo ou escuro);
    • Dor ou desconforto abdominal frequente;
    • Perda de peso sem motivo aparente;
    • Febre;
    • Infecções intestinais recorrentes;
    • Fezes mais finas e afiladas.

    Como é feito o diagnóstico de câncer colorretal?

    O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos e laboratoriais que permitem observar o interior do intestino e identificar alterações.

    Os principais exames incluem:

    • Colonoscopia: exame principal para visualizar o intestino e remover pólipos.
    • Exame de sangue oculto nas fezes: identifica pequenas quantidades de sangue.
    • Biópsia: feita durante a colonoscopia para confirmar células cancerígenas.

    Exames complementares como tomografia e ressonância podem ser solicitados para avaliar a extensão do tumor.

    Rastreamento de câncer colorretal

    O rastreamento é fundamental, principalmente para pessoas entre 50 e 75 anos — ou a partir dos 45 anos, segundo sociedades médicas.

    A frequência depende do tipo de pólipo encontrado. Em casos de alto risco, o controle deve ser feito em um ano.

    Exame de sangue oculto nas fezes substitui a colonoscopia?

    Não. Ele é um exame de triagem. Um resultado positivo indica a necessidade de colonoscopia.

    Como é feito o tratamento de câncer colorretal?

    O tratamento depende do estágio e da localização do tumor. As principais abordagens incluem:

    • Cirurgia — tratamento principal;
    • Quimioterapia — antes ou depois da cirurgia;
    • Radioterapia — especialmente para tumores de reto;
    • Terapias-alvo e imunoterapia — indicadas em casos específicos.

    Câncer colorretal tem cura?

    Sim — especialmente quando diagnosticado precocemente. A taxa de sobrevida em cinco anos pode chegar a 90%.

    Câncer de intestino costuma gerar metástases com frequência?

    Isso depende da localização do tumor. Tumores do cólon esquerdo e reto alto costumam metastatizar para o fígado; tumores do reto baixo, para o pulmão.

    Metástases isoladas podem, em alguns casos, ser tratadas com cirurgia ou ablação.

    É possível prevenir o câncer colorretal?

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Praticar atividade física;
    • Manter o peso adequado;
    • Basear a alimentação em alimentos naturais;
    • Evitar ultraprocessados;
    • Comer frutas, verduras e legumes diariamente;
    • Reduzir consumo de carnes vermelhas;
    • Não fumar;
    • Evitar álcool.

    Veja também: Câncer: quais os principais fatores de risco?

    Perguntas frequentes

    Como o câncer colorretal se forma?

    O processo começa com mutações nas células do intestino, que formam pólipos. Alguns tipos podem evoluir para câncer.

    Como é feito o exame de colonoscopia?

    É realizado com um tubo flexível com câmera. Pode remover pólipos durante o exame. É feito sob sedação.

    O que significa ter pólipos no intestino?

    Pólipos são lesões benignas, mas alguns podem se tornar câncer. Removê-los reduz drasticamente o risco.

    Pessoas com intestino preso têm mais risco?

    A constipação não causa câncer, mas hábitos associados a ela podem aumentar o risco.

    O câncer colorretal causa perda de apetite?

    Sim. Pode ocorrer pela ação do tumor, pelo tratamento ou pelo impacto emocional.

    Veja mais: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Artrite psoriásica: quando a psoríase atinge as articulações

    Artrite psoriásica: quando a psoríase atinge as articulações

    A artrite psoriásica tem chamado cada vez mais atenção de especialistas e pacientes, especialmente porque muitas pessoas convivem com a psoríase por anos sem imaginar que a inflamação da pele também pode atingir articulações e tendões.

    A doença surge em pessoas que já têm psoríase ou que apresentam predisposição genética para desenvolvê-la. Nem todos com psoríase terão artrite psoriásica, mas entre 20% e 30% podem apresentar inflamação nas articulações, tendões e outras estruturas. A boa notícia é que hoje existem diversas terapias eficazes para controlar a progressão e aliviar os sintomas.

    O que é artrite psoriásica?

    A artrite psoriásica é uma inflamação autoimune que afeta articulações, tendões e outros tecidos, aparecendo em pessoas que têm psoríase, uma doença que causa manchas vermelhas e descamação na pele. É mais comum em adultos e tem forte influência genética.

    Quando o processo inflamatório ultrapassa a pele e chega às articulações, aparecem dor, inchaço e rigidez, sintomas que podem variar de leves a mais intensos.

    Principais sintomas

    Artrite

    Inchaço, dor e rigidez articular, geralmente envolvendo poucas articulações no início. Pode afetar dedos, joelhos, tornozelos, entre outras regiões.

    Tendinite

    Inflamação nos tendões, especialmente os envolvidos em movimentos repetitivos.

    Dactilite

    Inchaço importante dos dedos das mãos ou dos pés, o que gera um aspecto de “dedo em salsicha”.

    Lesões nas unhas

    Unhas irregulares, quebradiças, com manchas ou descolamento.

    Alterações oculares

    Pode causar uveíte, que provoca dor, vermelhidão, sensibilidade à luz e visão borrada.

    Causas

    A doença resulta da combinação entre predisposição genética e fatores ambientais.

    Predisposição genética

    Histórico familiar de psoríase ou artrite psoriásica aumenta o risco.

    Gatilhos ambientais

    Infecções, estresse físico ou emocional podem desencadear o processo inflamatório. Após o gatilho, o sistema imune passa a agir de forma exagerada e promove inflamação contínua na pele, nos tendões e nas articulações.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no histórico de psoríase.

    Exames úteis

    • Exames de sangue: mostram inflamação e ausência de anticorpos de outras doenças reumatológicas (a artrite psoriásica é soronegativa).
    • Exames de imagem: raio-X, ressonância ou tomografia revelam desgaste articular e inflamação.
    • Análise do líquido articular: ajuda a descartar infecções ou outras artrites.

    Tratamento

    Medidas não medicamentosas

    • Fisioterapia
    • Exercícios físicos
    • Parar de fumar
    • Compressas mornas

    Casos leves

    Anti-inflamatórios podem controlar dor e inchaço.

    Casos moderados a graves

    Podem exigir:

    • Imunossupressores
    • Terapias biológicas

    Cirurgia

    Indicada quando há lesão articular grave ou ruptura de tendões.

    Seguimento

    O acompanhamento contínuo com reumatologista é essencial para:

    • Ajustar o tratamento
    • Monitorar efeitos colaterais
    • Evitar danos permanentes nas articulações
    • Prevenir complicações sistêmicas

    Com tratamento adequado, a maioria das pessoas consegue manter autonomia e qualidade de vida.

    Veja mais: Psoríase: entenda a doença de pele que vai muito além da aparência

    Perguntas frequentes sobre artrite psoriásica

    1. A artrite psoriásica tem cura?

    Não. Mas pode ser controlada com tratamento contínuo.

    2. Toda pessoa com psoríase desenvolve artrite psoriásica?

    Não. Apenas 20% a 30% dos pacientes evoluem para artrite.

    3. A doença é igual à artrite reumatoide?

    Não. São doenças diferentes, com mecanismos e tratamentos distintos.

    4. Exercícios fazem mal?

    Não. Atividade física orientada ajuda a reduzir dor e rigidez, desde que bem indicada pelo médico.

    5. O estresse piora a doença?

    Sim. Pode aumentar a inflamação e desencadear crises.

    6. Como saber se a dor na articulação é causada pela psoríase?

    O reumatologista avalia sintomas, exames e histórico clínico para fazer o diagnóstico.

    7. A doença pode afetar os olhos?

    Sim. A uveíte é uma complicação possível e precisa de tratamento rápido.

    Confira: Artrite ou artrose? Conheça as diferenças entre as doenças