Categoria: Doenças & Condições

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  • Síndrome metabólica: por que é mais comum em mulheres acima de 40 anos

    Síndrome metabólica: por que é mais comum em mulheres acima de 40 anos

    Diretamente associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e metabólicas, a síndrome metabólica envolve uma série de alterações que, ao longo do tempo, podem comprometer o funcionamento do organismo, afetando o coração, a circulação e o metabolismo.

    Elas costumam ocorrer de forma conjunta e estão relacionadas ao acúmulo de gordura abdominal, à inflamação crônica e à dificuldade no controle do açúcar e das gorduras no sangue. Como evolui de maneira silenciosa, a síndrome metabólica muitas vezes passa despercebida e é identificada apenas em exames de rotina.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para explicar o que é a condição, quais fatores contribuem para seu desenvolvimento e por que ela representa um risco relevante para a saúde.

    O que é síndrome metabólica?

    A síndrome metabólica é uma condição marcada pela associação de alterações metabólicas que ocorrem de forma simultânea e aumentam de maneira significativa o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, além de diabetes tipo 2.

    A condição está relacionada à presença de fatores como acúmulo de gordura abdominal, pressão arterial elevada, níveis elevados de açúcar no sangue, triglicerídeos altos e colesterol HDL baixo, conhecido como colesterol bom.

    As alterações estão ligadas à resistência à insulina e ao acúmulo de gordura visceral, que provocam um estado de inflamação crônica no organismo.

    Na maioria dos casos, a síndrome se desenvolve de forma silenciosa, sem sintomas claros nas fases iniciais, o que faz com que muitas pessoas só descubram a condição em exames de rotina.

    Quais fatores estão por trás do desenvolvimento da síndrome metabólica?

    O desenvolvimento da síndrome metabólica está ligado à combinação de fatores que afetam o metabolismo e o equilíbrio do organismo ao longo do tempo, como:

    • Acúmulo de gordura abdominal, especialmente a gordura visceral;
    • Resistência à insulina, que dificulta o controle do açúcar no sangue;
    • Alimentação rica em açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados;
    • Sedentarismo e baixa prática de atividade física;
    • Ganho de peso e obesidade;
    • Alterações hormonais, como as que ocorrem com o envelhecimento;
    • Predisposição genética;
    • Estresse crônico e noites mal dormidas.

    Os fatores normalmente atuam juntos, desequilibrando o metabolismo, aumentando a inflamação no organismo e sobrecarregando o coração e os vasos sanguíneos, o que facilita o desenvolvimento da síndrome metabólica com o passar do tempo.

    Como a síndrome metabólica aumenta o risco de infarto e AVC?

    A síndrome metabólica consiste em alterações que mantêm o organismo em um estado constante de inflamação. A gordura abdominal, em especial, libera substâncias inflamatórias que afetam diretamente o funcionamento dos vasos sanguíneos, conforme explica Juliana.

    Com o tempo, o processo contribui para o enrijecimento das artérias e facilita a formação de placas de colesterol, prejudicando a circulação do sangue. Isso aumenta de forma significativa o risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC. Além disso, a inflamação e as alterações metabólicas podem deixar o sangue mais espesso, favorecendo a formação de coágulos.

    Juliana também destaca que a síndrome metabólica aumenta de forma importante o risco de desenvolver diabetes, podendo elevar essa chance em até cinco vezes em comparação com quem não tem a condição, o que agrava ainda mais os riscos para a saúde do coração.

    Por que ela é mais comum em mulheres após os 40 anos?

    O aumento da incidência da síndrome metabólica nas mulheres, especialmente após os 40 anos, está diretamente relacionado às alterações hormonais que ocorrem ao longo da menopausa, de acordo com Juliana. A queda nos níveis do hormônio estrogênio é o principal fator responsável por esse aumento do risco.

    O estrogênio desempenha um papel importante na proteção do sistema cardiovascular das mulheres, atuando como um vasodilatador natural. Ele torna os vasos sanguíneos mais flexíveis e também auxilia na distribuição da gordura pelo corpo. Enquanto o estrogênio está presente, há uma tendência ao acúmulo de gordura nas coxas e nos quadris.

    Com a diminuição do estrogênio, no entanto, a gordura passa a se acumular com mais intensidade na região abdominal, levando ao aumento da gordura visceral, que é metabolicamente ativa e prejudicial ao organismo, resultando em um processo inflamatório crônico.

    Além disso, a cardiologista ressalta que essa alteração hormonal também reduz o metabolismo, o que contribui para a perda de massa muscular e facilita o ganho de peso, mesmo sem mudanças significativas na dieta.

    A reposição hormonal pode interferir no risco?

    A terapia de reposição hormonal não é indicada para reduzir o risco cardiovascular e é contraindicada em pacientes com alto risco cardiovascular.

    Segundo a cardiologista, o tratamento é feito para reduzir os sintomas relacionados à menopausa, principalmente os sintomas vasomotores. Existe uma janela de tempo ideal para sua realização, sendo recomendado que seja iniciada logo no início do processo da menopausa ou, no máximo, até 10 anos depois.

    Quando bem indicada, pode contribuir para a melhora do bem-estar geral da mulher, da disposição e da qualidade de vida, fatores que ajudam no estado geral de saúde. Contudo, Juliana ressalta que ela não é recomendada para tratar ou prevenir a síndrome metabólica.

    Sintomas da síndrome metabólica

    Na maioria das vezes, a síndrome metabólica é uma condição silenciosa. Segundo Juliana, alterações como colesterol elevado ou aumento da gordura visceral não costumam provocar sintomas claros no dia a dia, o que faz com que muitas pessoas não percebam o problema nas fases iniciais.

    Mesmo assim, alguns sinais podem servir de alerta e merecem atenção, como:

    • Aumento da circunferência abdominal;
    • Aumento da cintura;
    • Cansaço frequente ou sensação de fadiga constante;
    • Inchaço no corpo;
    • Maior retenção de líquidos.

    A presença dos sinais não confirma o diagnóstico, mas indica a necessidade de avaliação médica e acompanhamento mais cuidadoso da saúde metabólica.

    Quais exames ajudam a identificar precocemente a síndrome metabólica?

    A avaliação da síndrome metabólica é feita de forma clínica, com a realização de exames simples, que ajudam a identificar alterações metabólicas importantes. Os principais incluem:

    • Medida da circunferência abdominal;
    • Medida da pressão arterial;
    • Colesterol total;
    • Colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim;
    • Colesterol HDL, conhecido como colesterol bom;
    • Triglicerídeos;
    • Glicemia de jejum;
    • Insulina de jejum;
    • Hemoglobina glicada.

    É possível controlar ou reverter a síndrome metabólica?

    Como a condição está fortemente ligada ao estilo de vida, é possível controlar e até reverter a síndrome metabólica a partir de hábitos mais saudáveis, como:

    • Alimentação equilibrada, com redução de açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados;
    • Prática regular de atividade física;
    • Redução do sedentarismo no dia a dia;
    • Perda e manutenção do peso corporal adequado;
    • Melhora da qualidade do sono;
    • Controle do estresse;
    • Uso correto das medicações prescritas, quando necessário.

    Com acompanhamento médico e cuidados contínuos, muitas pessoas conseguem sair do quadro de síndrome metabólica, reduzindo de forma importante o risco de diabetes, infarto, AVC e outras complicações ao longo do tempo.

    Leia mais: Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona

    Perguntas frequentes

    1. A síndrome metabólica é uma doença?

    Não exatamente. A síndrome metabólica não é uma doença única, mas um conjunto de alterações que, quando presentes ao mesmo tempo, aumentam significativamente o risco de problemas graves de saúde ao longo do tempo, como infarto, AVC e diabetes tipo 2.

    2. Quem tem mais risco de desenvolver síndrome metabólica?

    Pessoas com excesso de peso, especialmente gordura abdominal, sedentárias, com alimentação inadequada, histórico familiar de doenças cardiovasculares, diabetes ou alterações hormonais têm maior risco. Ele também aumenta com a idade.

    3. Qual a relação entre síndrome metabólica e gordura abdominal?

    A gordura abdominal, especialmente a visceral, é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias no organismo. Isso interfere no funcionamento dos vasos sanguíneos e no controle do açúcar e das gorduras no sangue, contribuindo diretamente para a síndrome metabólica.

    4. Crianças e adolescentes podem ter síndrome metabólica?

    Podem, especialmente quando há obesidade infantil, sedentarismo e alimentação inadequada. A presença da síndrome metabólica em fases precoces da vida aumenta o risco de doenças cardiovasculares na idade adulta.

    5. O consumo de álcool interfere na síndrome metabólica?

    O consumo excessivo de álcool favorece o ganho de peso, eleva os triglicerídeos e prejudica o controle metabólico, contribuindo para a piora da síndrome metabólica.

    6. A síndrome metabólica pode voltar após ser controlada?

    Se os cuidados com alimentação, atividade física e acompanhamento médico forem deixados de lado, as alterações metabólicas podem retornar. Por isso, o controle precisa ser contínuo ao longo da vida.

    Confira: Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular

  • Doenças renais hereditárias podem surgir até em jovens

    Doenças renais hereditárias podem surgir até em jovens

    Algumas doenças dos rins não surgem ao longo da vida por hábitos ou outras condições de saúde: elas já estão programadas no código genético. As chamadas doenças renais hereditárias são raras, mas podem causar impacto progressivo na função dos rins, muitas vezes desde a infância ou juventude.

    Embora nem sempre sejam facilmente reconhecidas, essas condições merecem atenção especial, principalmente quando há histórico familiar de doença renal, início precoce dos sintomas ou evolução rápida para insuficiência renal.

    O que são doenças renais hereditárias?

    As doenças renais hereditárias são um grupo de condições raras que afetam os rins e se desenvolvem a partir de mutações em um ou mais genes. Essas alterações genéticas comprometem a estrutura ou o funcionamento renal e levam a manifestações clínicas variadas.

    Em muitos casos, acontece perda progressiva da função dos rins, podendo evoluir para insuficiência renal crônica e necessidade de diálise ou transplante. Existem diversas doenças dentro desse grupo. Conheça, a seguir, algumas das mais relevantes.

    Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF) familiar

    A glomeruloesclerose segmentar e focal é um conjunto de doenças caracterizadas por lesões nos glomérulos, que são as estruturas responsáveis pela filtração do sangue e pela formação da urina.

    A glomeruloesclerose segmentar e focal é uma causa importante de doença renal terminal em adultos e também uma das principais indicações de diálise em crianças. Ela pode ser adquirida ou genética, e diversos genes já foram associados à forma hereditária, com diferentes padrões de herança.

    Principais manifestações da glomeruloesclerose segmentar e focal

    • Proteinúria (excesso de proteínas na urina);
    • Hematúria (sangue na urina);
    • Pressão alta;
    • Piora progressiva da função renal, com possível evolução para insuficiência renal e diálise.

    Diagnóstico da glomeruloesclerose segmentar e focal familiar

    Testes genéticos não são recomendados de rotina, pois não existe um único gene responsável pela doença. A suspeita é maior em pacientes que:

    • Começam com sintomas em idade jovem;
    • Têm familiares com diagnóstico de glomeruloesclerose segmentar e focal;
    • Não respondem ao tratamento convencional com corticoides.

    Doença de Fabry

    A doença de Fabry é uma condição genética rara causada pela deficiência parcial ou total da enzima alfa-galactosidase A, responsável pela degradação de determinados lipídeos.

    A falta dessa enzima leva ao acúmulo de gorduras em vários tecidos, e isso provoca inflamação, fibrose e perda progressiva da função de órgãos, principalmente rins, coração e sistema nervoso.

    Manifestações renais da doença de Fabry

    • Redução da taxa de filtração glomerular;
    • Aumento da eliminação de proteínas na urina;
    • Evolução para insuficiência renal crônica em fases avançadas.

    Outras manifestações da doença de Fabry

    • Neurológicas: AVC, dores neuropáticas, formigamentos;
    • Cardíacas: cardiomiopatia hipertrófica, arritmias, distúrbios de condução;
    • Outros sintomas: diminuição do suor, diarreia, dor abdominal, febre e alterações oculares.

    Diagnóstico da doença de Fabry

    O diagnóstico é feito por:

    • Dosagem da atividade da enzima alfa-galactosidase A;
    • Testes genéticos;
    • Biópsias de tecidos acometidos, em casos selecionados.

    Síndrome de Alport

    A síndrome de Alport é uma doença genética que compromete a produção do colágeno tipo IV, essencial para a estrutura dos rins, olhos e ouvido interno.

    Na maioria dos casos, a herança é ligada ao cromossomo X, o que explica a maior gravidade nos homens, pelo fato de eles possuírem apenas um cromossomo X.

    Importância clínica da síndrome de Alport

    É uma causa frequente de doença renal avançada em adolescentes e adultos jovens.

    Principais manifestações

    • Renais: nefrite com hematúria, pressão alta e inchaço nas pernas;
    • Auditivas: perda auditiva progressiva;
    • Oculares: alterações da retina e da córnea.

    Diagnóstico da síndrome de Alport

    A suspeita surge em pacientes jovens com nefrite associada a sintomas auditivos e oculares. A confirmação é feita por testes genéticos e biópsia renal.

    Doença renal policística autossômica dominante

    A doença renal policística autossômica dominante é a causa genética mais comum de doença renal crônica. Ela responde por cerca de 6% a 10% dos pacientes em hemodiálise nos Estados Unidos.

    É causada por mutações nos genes PKD1 e PKD2, que participam da estrutura das células renais.

    Características da doença

    A principal característica é a formação de cistos renais, que aumentam em número e tamanho ao longo do tempo, comprometendo a função dos rins.

    Pacientes com mutações no gene PKD1 tendem a apresentar sintomas mais precoces e quadros mais graves do que aqueles com mutações no PKD2.

    Principais sintomas

    • Pressão alta;
    • Hematúria;
    • Proteinúria;
    • Perda progressiva da função renal.

    Diagnóstico da doença renal policística

    O diagnóstico é frequentemente feito em pacientes assintomáticos com histórico familiar, por meio de:

    • Ultrassonografia;
    • Ressonância magnética.

    Testes genéticos são reservados para casos duvidosos ou apresentações atípicas.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre doenças renais hereditárias

    1. Doenças renais hereditárias são sempre graves?

    Não necessariamente, mas muitas evoluem de forma progressiva e exigem acompanhamento contínuo.

    2. Todas as pessoas com essas doenças precisam de diálise?

    Não. Algumas mantêm função renal por muitos anos, enquanto outras evoluem mais rapidamente.

    3. Histórico familiar aumenta o risco?

    Sim. A presença de familiares afetados é um dos principais sinais de alerta.

    4. Testes genéticos são sempre necessários?

    Não. Eles são indicados apenas em situações específicas, conforme cada doença.

    5. Essas doenças podem afetar outros órgãos?

    Sim. Algumas, como Fabry e Alport, afetam coração, sistema nervoso, olhos e audição.

    6. Existe prevenção?

    Não há prevenção genética, mas o diagnóstico precoce ajuda a retardar complicações.

    7. O acompanhamento médico faz diferença?

    Sim. O seguimento regular pode retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença 

    Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença 

    A medicina vive uma das maiores transformações no tratamento da obesidade. Novos medicamentos, capazes de modificar a forma como o corpo lida com a fome e o metabolismo, vêm ganhando destaque. Entre eles estão os agonistas hormonais, como a semaglutida (Ozempic/Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro/Zepbound).

    Alguns desses medicamentos, popularmente conhecidos como “canetinhas”, surgiram no tratamento do diabetes tipo 2, mas ganharam versões específicas para o controle da obesidade. Ao agirem sobre os hormônios da saciedade, mostraram resultados impressionantes sobre a redução do peso corporal.

    Como funcionam os remédios para obesidade?

    Os remédios para obesidade imitam substâncias naturalmente produzidas no intestino, principalmente o hormônio GLP-1 e, no caso da tirzepatida, também o GIP. Eles atuam em diferentes frentes:

    • Aumentam a sensação de saciedade
    • Reduzem o apetite
    • Retardam o esvaziamento do estômago

    Na prática, o paciente sente menos fome, come menos e mantém níveis de glicose mais estáveis. Isso acontece porque essas drogas agem diretamente na biologia do apetite, e não apenas no comportamento alimentar.

    Para quem convive com obesidade, o corpo tende a “defender” o peso, dificultando a manutenção dos resultados de dietas tradicionais. Os agonistas hormonais ajudam a contornar essa resistência, reequilibrando os mecanismos cerebrais ligados à fome e ao prazer de comer.

    Quem pode usar remédios para obesidade e quais são os cuidados necessários

    Esses remédios para obesidade são indicados para pessoas com IMC igual ou superior a 30, ou a partir de 27 quando há doenças associadas, como hipertensão, apneia do sono ou diabetes tipo 2. A aplicação é feita por injeção subcutânea, geralmente uma vez por semana, e deve sempre ser acompanhada por um médico.

    No início, o tratamento começa com doses menores, ajustadas gradualmente para reduzir efeitos adversos como náusea, constipação ou desconforto abdominal. Esses sintomas são comuns nas primeiras semanas e tendem a diminuir com o tempo.

    O uso deve ser supervisionado, pois a interrupção costuma levar à recuperação do peso perdido, já que o organismo retoma seus mecanismos naturais de defesa contra o emagrecimento.

    As contraindicações incluem histórico de carcinoma medular de tireoide, gravidez, amamentação e doenças renais ou hepáticas graves. Em mulheres que utilizam anticoncepcional oral, o médico pode recomendar outro método temporariamente, pois alguns desses medicamentos reduzem a absorção do hormônio nas fases iniciais do tratamento.

    Novas gerações: o futuro do tratamento com remédios

    O avanço não para. Laboratórios já testam versões orais de remédios para obesidade e combinações de moléculas com potencial ainda maior. Um exemplo é o orforglipron, um GLP-1 em comprimido que mostrou resultados semelhantes aos das injeções, com perdas de até 14% do peso corporal em 36 semanas.

    Outra promessa é a retatrutida, que combina três hormônios — GLP-1, GIP e glucagon — e já apresentou reduções superiores a 20% do peso corporal em cerca de um ano de uso. A CagriSema, que une cagrilintida e semaglutida, também se destaca por aumentar a saciedade e melhorar o controle da glicose com boa tolerância gastrointestinal.

    Essas inovações indicam que o futuro do tratamento da obesidade passa por abordagens cada vez mais personalizadas, equilibrando eficácia e segurança.

    Lista de remédios para obesidade atuais

    Abaixo está um resumo dos principais medicamentos usados atualmente e dos que ainda estão em estudo:

    • Semaglutida (Wegovy/Ozempic): agonista do GLP-1 que reduz o apetite e retarda o esvaziamento gástrico; pode levar à perda de até 15% do peso corporal em 68 semanas
    • Tirzepatida (Zepbound/Mounjaro): age nos hormônios GLP-1 e GIP, ampliando a saciedade e o controle glicêmico; pode reduzir entre 20% e 22% do peso corporal
    • Orlistat (Xenical/Alli): bloqueia cerca de 30% da gordura ingerida, resultando em perda média de 5% a 10% do peso
    • Naltrexona-bupropiona (Contrave): atua no sistema nervoso central, reduzindo o apetite e o desejo por alimentos calóricos
    • Fentermina-topiramato (Qsymia): combinação que pode gerar perda de até 10% do peso corporal
    • Orforglipron (em estudo): GLP-1 oral com reduções médias de 9% a 14% do peso
    • Retatrutida (em estudo): agonista triplo com perdas de até 24% do peso corporal em um ano
    • CagriSema (em estudo): combinação que apresentou redução entre 15% e 17% do peso em 32 semanas

    Apesar da eficácia, o tratamento deve sempre ser associado a mudanças de estilo de vida e acompanhado por um médico.

    Alimentação e atividade física: aliados indispensáveis

    A base do tratamento da obesidade continua sendo o estilo de vida. A redução calórica moderada, associada a uma alimentação equilibrada, melhora significativamente os resultados. O objetivo é perder entre 0,5 e 1 kg por semana, priorizando alimentos naturais, proteínas magras, fibras e gorduras boas.

    A prática de exercícios regulares, como caminhada, ciclismo ou natação por 150 a 300 minutos semanais, potencializa o efeito dos medicamentos e ajuda a preservar a massa muscular. O treino de força, pelo menos duas vezes por semana, é essencial para evitar perda muscular.

    O papel do acompanhamento psicológico e da cirurgia

    O tratamento da obesidade também envolve o aspecto comportamental. O acompanhamento psicológico ajuda a identificar gatilhos emocionais e a lidar com a fome não física, reduzindo recaídas.

    Quando medicamentos e mudanças de estilo de vida não são suficientes, a cirurgia bariátrica permanece indicada para pessoas com IMC acima de 40, ou acima de 35 com doenças associadas. Ainda assim, o avanço dos medicamentos tem reduzido a necessidade de cirurgia em muitos casos.

    Veja também: O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Perguntas e respostas

    1. O que diferencia os novos medicamentos para obesidade dos tratamentos antigos?

    Eles atuam diretamente nos hormônios da saciedade, controlando a fome e retardando o esvaziamento do estômago.

    2. Quem pode usar os remédios para obesidade?

    Pessoas com IMC acima de 30, ou a partir de 27 quando há doenças associadas, sempre com acompanhamento médico.

    3. Quais são os medicamentos mais usados atualmente?

    Semaglutida e tirzepatida são os principais, além de outras opções clássicas e novas moléculas em estudo.

    4. O que acontece se a pessoa parar o tratamento?

    O reganho de peso é comum, pois o corpo retoma os mecanismos naturais de defesa contra o emagrecimento.

    5. Esses medicamentos substituem dieta e exercício?

    Não. Eles funcionam melhor quando associados a alimentação equilibrada e atividade física regular.

    6. A cirurgia bariátrica ainda é necessária?

    Sim, em casos específicos, embora os novos medicamentos tenham reduzido essa necessidade em muitos pacientes.

    Confira: 6 dicas para quem está começando a usar canetas emagrecedoras

  • 6 sintomas que você não imagina que podem ser refluxo 

    6 sintomas que você não imagina que podem ser refluxo 

    Quando pensamos em refluxo, a primeira imagem que vem à cabeça é a sensação clássica de azia: aquela queimação que sobe do estômago para a garganta. Mas há um tipo de refluxo que passa despercebido, porque não causa queimação nenhuma. Ele irrita a garganta, altera a voz, provoca tosse e, muitas vezes, é confundido com alergias respiratórias.

    É o refluxo silencioso, uma condição em que o ácido do estômago alcança a parte alta do esôfago e até as vias aéreas, sem causar a azia típica, o que torna o diagnóstico mais difícil.

    Veja alguns dos sinais do refluxo silencioso.

    1. Tosse seca persistente, especialmente à noite

    A tosse crônica é um dos sintomas mais frequentes do refluxo silencioso. Isso acontece porque pequenas quantidades de ácido atingem a garganta e irritam as vias respiratórias, principalmente quando a pessoa se deita.

    Muitos confundem essa tosse com alergia porque ela não vem acompanhada de azia. Por isso, refluxo raramente é a suspeita inicial.

    Se a tosse piora à noite ou após refeições, é um sinal importante para investigar.

    2. Rouquidão ao acordar

    O ácido gástrico irrita as cordas vocais, deixando a voz mais grossa, fraca ou falhando pela manhã. Esse é um dos primeiros sinais do refluxo silencioso porque a laringe é muito sensível à acidez.

    3. Sensação de bolo na garganta

    É a sensação de que há algo parado na garganta, mesmo sem nada ali. Isso ocorre porque a irritação ácida causa pequenas inflamações na região, levando o corpo a interpretar como um “nó” ou “caroço”. Esse sintoma é muito característico do refluxo silencioso.

    4. Pigarro contínuo

    O pigarro não é apenas um incômodo, mas muitas vezes é um reflexo de defesa da garganta tentando limpar resíduos ácidos. Ele costuma aparecer:

    • Depois de refeições;
    • Ao deitar-se;
    • Ao acordar.

    Quando o pigarro se torna diário e sem causa aparente, refluxo deve ser considerado.

    5. Dor de garganta recorrente

    A exposição repetida ao ácido irrita a mucosa da garganta, causando:

    • Dor ao falar;
    • Desconforto ao engolir;
    • Sensação de garganta áspera.

    Ao contrário de uma infecção, essa dor tende a ser crônica e não melhora apenas com medicamentos comuns.

    6. Mau hálito persistente

    O retorno ácido altera o pH da boca e aumenta a chance de ter mau hálito, mesmo com boa higiene bucal.

    Também pode ocorrer pequena regurgitação ácida com gosto amargo, outro indicativo discreto, mas típico, de refluxo.

    Por que o refluxo silencioso acontece?

    Os mecanismos são os mesmos do refluxo gastroesofágico comum, porém com sintomas diferentes.

    Esfíncter esofágico inferior enfraquecido

    A válvula entre esôfago e estômago não fecha adequadamente.

    Aumento da pressão abdominal

    Sobrepeso, refeições grandes e gravidez aumentam o risco.

    Alimentos gatilho

    Café, álcool, refrigerantes, frituras e ultraprocessados.

    Refluxo chega mais alto, para a garganta

    Por isso, sintomas respiratórios são mais comuns do que a queimação típica.

    Como diferenciar refluxo silencioso de alergias respiratórias?

    Alergia costuma vir com:

    • Espirros;
    • Coceira;
    • Nariz escorrendo;
    • Piora com poeira e ambientes fechados.

    Refluxo silencioso costuma piorar:

    • Após comer;
    • Ao deitar;
    • No dia seguinte ao consumo de café, álcool ou gordura;
    • Após refeições volumosas.

    Quando sintomas respiratórios se repetem sem causa clara, refluxo deve ser investigado.

    Quando procurar um médico?

    • Tosse há mais de 8 semanas;
    • Rouquidão constante;
    • Dificuldade para engolir;
    • Dor de garganta frequente;
    • Sensação de falta de ar;
    • Piora ao deitar.

    O diagnóstico pode incluir laringoscopia e pHmetria de 24 horas (padrão-ouro).

    Tratamento: o que realmente funciona

    Ajustes no estilo de vida

    • Evitar refeições volumosas;
    • Não deitar imediatamente após comer (esperar 2 a 3 horas);
    • Reduzir cafeína, álcool e frituras;
    • Elevar a cabeceira da cama;
    • Manter peso saudável;
    • Hidratação adequada.

    Medicamentos

    Direcionados a reduzir a acidez e melhorar o esvaziamento gástrico, como os inibidores da bomba de prótons, sempre com indicação médica.

    Cirurgia

    Indicada em casos resistentes ou com hérnia de hiato importante.

    Veja mais: Refluxo gastroesofágico: conheça as causas, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre refluxo silencioso

    1. Refluxo silencioso pode existir sem azia?

    Sim, esse é justamente o diferencial da condição.

    2. Tosse seca pode ser refluxo mesmo sem dor no estômago?

    Pode, e é mais comum do que se imagina.

    3. Dormir de lado ajuda?

    Dormir do lado esquerdo pode reduzir episódios de refluxo.

    4. Refluxo silencioso causa falta de ar?

    Sim, o ácido pode irritar as vias aéreas.

    5. Quem tem refluxo precisa cortar café ou chocolate?

    Não necessariamente, mas reduzir pode ajudar. Isso varia de pessoa para pessoa.

    Veja também: Endoscopia: como é o exame que vê o estômago por dentro

  • 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

    5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

    Dor nas costas não é normal, mas é tão comum que muita gente normaliza o desconforto e adia a busca por ajuda. Porém, nem toda dor é igual. Algumas melhoram com descanso ou mudanças de postura; outras persistem, limitam movimentos e podem indicar algo mais sério, como uma hérnia de disco.

    Esse tipo de problema ocorre quando o disco intervertebral, que funciona como um amortecedor entre as vértebras, sofre desgaste ou ruptura. O material interno pode se deslocar e comprimir nervos importantes, o que causa dor intensa, formigamento, fraqueza e limitação funcional.

    1. Dor que irradia para a perna ou para o braço

    Quando a dor nas costas deixa de ficar localizada e começa a descer pela perna ou se espalhar pelo braço, é um indicativo de compressão nervosa, um dos sinais mais comuns de hérnia de disco.

    2. Formigamento ou dormência persistentes

    Sabe aquela sensação de choquinho, formigamento ou área dormente? Quando acontece de forma contínua, sempre no mesmo trajeto, é um alerta de que o nervo pode estar sofrendo compressão.

    A dormência não é normal quando:

    • Dura dias ou semanas;
    • Piora com determinados movimentos;
    • Compromete a sensibilidade de áreas específicas do braço ou da perna.

    3. Dor intensa que não melhora com repouso

    Dores musculares comuns tendem a melhorar com alongamento leve, compressas mornas ou descanso.

    Já a dor causada por hérnia de disco costuma ser:

    • Mais profunda e incapacitante;
    • Agravada por espirrar, tossir ou fazer esforço;
    • Resistente a analgésicos simples;
    • Presente por semanas.

    A persistência e a intensidade da dor são sinais importantes de alerta.

    4. Perda de força: o sinal mais grave

    A perda de força é o sintoma mais sério e indica comprometimento neurológico.

    Essa fraqueza pode aparecer como:

    • Dificuldade para levantar o pé (pé caído);
    • Dificuldade de segurar objetos;
    • Sensação de “perna bamba”;
    • Incapacidade de manter firmeza nas mãos.

    Quando a perda de força surge, a avaliação médica deve ser imediata, pois pode ser necessário fazer cirurgia em até 24 horas para evitar sequelas.

    5. Sintomas que duram semanas ou pioram com o tempo

    Uma dor passageira não costuma ser motivo de preocupação, mas se os sintomas durarem mais de algumas semanas, reaparecerem com frequência, se tornarem mais intensos e limitarem atividades do dia a dia, é importante investigar a possibilidade de hérnia de disco.

    O diagnóstico precoce evita que o problema evolua para quadros mais graves.

    Quando procurar atendimento urgente

    Alguns sinais exigem avaliação médica imediata:

    • Perda de força;
    • Perda de sensibilidade importante;
    • Dificuldade para andar;
    • Alterações urinárias ou intestinais;
    • Dor extrema e incapacitante.

    Esses quadros podem exigir cirurgia ou manejo rápido para evitar danos neurológicos permanentes.

    Como é feito o diagnóstico

    O primeiro passo é o exame clínico: avaliação da força, reflexos e sensibilidade. Se houver suspeita de hérnia de disco, os principais exames são:

    • Ressonância magnética: o mais completo, mostra disco, nervos e grau de compressão;
    • Tomografia: útil para ver estruturas ósseas;
    • Exames neurológicos complementares.

    É importante lembrar que muitas pessoas apresentam hérnias nos exames sem sintomas, e nesses casos não é necessário tratar. É o quadro clínico que define a conduta.

    Tratamento: sempre é cirurgia?

    Na maioria das vezes, não. O tratamento conservador costuma ser eficaz e envolve:

    • Analgésicos e anti-inflamatórios;
    • Fisioterapia e fortalecimento;
    • Mudanças de postura e ergonomia;
    • Controle do peso;
    • Técnicas complementares (pilates, hidroterapia, acupuntura).

    A cirurgia é indicada principalmente quando:

    • Há perda de força;
    • A dor é intratável;
    • Há risco neurológico;
    • A compressão é severa e persistente.

    Veja também: Hérnia de disco: o que é, causas, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre hérnia de disco

    1. Hérnia de disco pode aparecer sem dor?

    Sim. Muitas pessoas têm hérnias assintomáticas.

    3. A hérnia desaparece sozinha?

    Em alguns casos, o organismo reabsorve parte do material extravasado.

    4. Quando preciso operar?

    Principalmente em casos de perda de força, dor intratável ou risco neurológico.

    5. Exercícios pioram a hérnia?

    Não. Desde que bem orientados, fortalecem a coluna e ajudam na recuperação.

    6. Obesidade aumenta o risco?

    Sim, porque sobrecarrega a região lombar.

    7. Postura inadequada causa hérnia?

    Contribui, mas geralmente é a soma de fatores.

    Confira: Como carregar peso sem prejudicar a coluna?

  • Espondilite anquilosante: o que é, sintomas, tratamentos e se é grave

    Espondilite anquilosante: o que é, sintomas, tratamentos e se é grave

    Você já ouviu falar em espondilite anquilosante? A doença, caracterizada por uma inflamação crônica nas articulações da coluna e da pelve, pode causar sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.

    Apesar de ser mais frequente em homens jovens, entre 20 e 40 anos, ela também pode acometer mulheres e pessoas de outras faixas etárias, com sintomas que variam de acordo com cada organismo, podendo ser leves e intermitentes ou causar dor constante e rigidez intensa. Entenda mais detalhes sobre a doença, a seguir.

    O que é espondilite anquilosante?

    A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações próximas, como as do quadril e da pelve. Sendo autoimune, ela acontece quando o sistema imunológico ataca, por engano, as próprias articulações e tecidos saudáveis.

    A inflamação costuma começar nas articulações da pelve e progredir para outras regiões da coluna. Com o tempo, o processo inflamatório pode levar à formação de pontes ósseas entre as vértebras, tornando a coluna menos flexível — um processo conhecido como anquilose.

    Apesar da coluna ser a área mais afetada, a doença também pode atingir outras articulações, como ombros, quadris, joelhos e tornozelos.

    Causas da espondilite anquilosante

    A presença do gene HLA-B27 está fortemente associada à doença, sendo encontrada em grande parte dos pacientes diagnosticados. No entanto, sua presença isolada não é suficiente para causar o problema, já que muitas pessoas com o gene nunca desenvolvem sintomas.

    A doença também depende da influência de fatores ambientais, que podem atuar como gatilhos em pessoas geneticamente predispostas. Alguns exemplos incluem infecções intestinais ou urinárias prévias, além de alterações na microbiota intestinal, que podem estimular o sistema imunológico e desencadear o processo inflamatório característico da doença.

    Quais os sintomas da espondilite anquilosante?

    Os sintomas da espondilite anquilosante costumam se desenvolver de forma lenta e progressiva, sendo eles:

    • Dor lombar crônica, normalmente na parte inferior das costas e nas nádegas, que surge após períodos de imobilidade (como ao acordar);
    • Sensação de travamento da coluna ao acordar, que pode durar mais de 30 minutos;
    • Dores nas articulações, especialmente quadris, ombros e joelhos;
    • Fadiga constante, devido ao processo inflamatório crônico;
    • Redução da mobilidade da coluna devido a fusão das vértebras que pode acontecer com o tempo, levando à rigidez permanente;
    • Em alguns casos, pode haver dor nos calcanhares, inflamação nos olhos (uveíte) ou dor torácica devido ao comprometimento das articulações entre costelas e coluna.

    “Na espondilite, dizemos que o paciente tem uma dor inflamatória, em que a dor predomina no período da manhã, com rigidez prolongada, e melhora ao longo do dia conforme o indivíduo se movimenta”, explica a reumatologista Flávia Alexandra Guerrero.

    Como é feito o diagnóstico de espondilite anquilosante?

    O diagnóstico da espondilite anquilosante é feito por um médico reumatologista, com base nos sintomas, exame físico e exames complementares. O especialista começa observando sinais como dor nas costas que piora em repouso, melhora com o movimento e vem acompanhada de rigidez matinal prolongada.

    Durante a consulta, o médico avalia a mobilidade da coluna e verifica se há dor ao pressionar determinadas articulações, como as sacroilíacas, localizadas na região inferior das costas. Os sinais ajudam a identificar se há alguma inflamação.

    À partir de uma suspeita clínica, Flávia aponta que o médico pode solicitar exames como radiografia, tomografia ou ressonância magnética, que mostram inflamações e possíveis alterações na coluna e nas articulações.

    Também são realizados exames de sangue para verificar a presença do gene HLA-B27, que está presente em grande parte dos casos, e medir substâncias que indicam inflamação no corpo, como PCR e VHS. O histórico familiar é considerado importante, já que a doença pode ter origem genética.

    Tratamentos de espondilite anquilosante

    O tratamento de espondilite anquilosante é feito com o objetivo de controlar a inflamação, aliviar a dor e preservar a mobilidade da coluna e das articulações. Como se trata de uma doença crônica e sem cura, o tratamento deve ser contínuo e acompanhado por um reumatologista.

    Durante muitos anos, o tratamento era baseado apenas no uso de medicamentos anti-inflamatórios e em exercícios físicos para garantir a manutenção da mobilidade de coluna, de acordo com Flávia Alexandra. Mas com o avanço da medicina, surgiram novas opções que mudaram o tratamento da doença e melhoraram muito a qualidade de vida dos pacientes.

    Hoje, o tratamento combina diferentes abordagens, como:

    • Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): reduzem a dor e a inflamação, sendo geralmente a primeira escolha no início da doença;
    • Drogas imunobiológicas: como os inibidores do fator de necrose tumoral (TNF) e das interleucinas (IL-17), que atuam diretamente no sistema imunológico, diminuindo a atividade inflamatória e retardando a progressão da doença;
    • Fisioterapia: fundamental para manter a postura correta, melhorar a flexibilidade e preservar a amplitude dos movimentos da coluna e das articulações;
    • Atividade física regular: exercícios como alongamento, natação e pilates ajudam a reduzir a rigidez e fortalecer a musculatura de apoio da coluna;
    • Analgésicos e infiltrações: usados em fases de dor intensa ou crises inflamatórias localizadas;
    • Acompanhamento médico periódico: permite ajustar as medicações, avaliar a resposta ao tratamento e prevenir possíveis efeitos colaterais.

    Com o acompanhamento constante, a maioria dos pacientes consegue controlar bem os sintomas, realizar todas as atividades diárias e levar uma vida ativa.

    Espondilite anquilosante tem cura?

    A espondilite anquilosante não tem cura, mas o tratamento contribui para aliviar os sintomas, controlar a inflamação, retardar a progressão da doença e manter a melhor qualidade de vida e função possível.

    “Nos últimos 20-25 anos, novas medicações permitiram um tratamento mais adequado da doença, permitindo um controle das manifestações clínicas da doença e impedindo/retardando a sua progressão. Este novo cenário tem permitido que os pacientes com esta patologia tenham uma boa qualidade de vida e menor número de sequelas no futuro”, complementa Flávia.

    É possível prevenir a espondilite anquilosante?

    A espondilite anquilosante não pode ser prevenida, pois está relacionada a fatores genéticos e ao funcionamento do sistema imunológico, que acabam fugindo do controle da pessoa.

    No entanto, é possível reduzir o impacto da doença e evitar complicações com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, além de medidas como:

    • Manter acompanhamento médico regular com reumatologista;
    • Praticar atividade física com orientação profissional;
    • Cuidar da postura no dia a dia e durante o sono;
    • Evitar o tabagismo, que piora a inflamação e a rigidez;
    • Seguir corretamente o tratamento indicado pelo médico;
    • Adotar alimentação equilibrada e manter o peso adequado.

    Quando procurar atendimento médico?

    É importante procurar atendimento médico ao perceber dor ou rigidez persistente nas costas que dura mais de três meses e melhora com o movimento, mas piora com o repouso. Os sinais podem indicar inflamação e precisam ser avaliados por um reumatologista.

    Também é fundamental buscar ajuda quando houver:

    • Dor intensa ou contínua, mesmo com o uso de medicamentos;
    • Rigidez prolongada ao acordar, que demora a passar;
    • Dificuldade para se mover ou curvar a coluna;
    • Cansaço constante e sem causa aparente.

    Como saber se a doença está piorando?

    Os principais sinais de progressão da doença são a persistência da dor e da rigidez, mesmo com o tratamento adequado. “Isso deve ser sinal de atenção e ser compartilhado com o médico que acompanha o paciente, uma vez que deve ser checado se não há outros motivos para a manutenção da dor além da própria doença”, finaliza Flávia Alexandra.

    Veja também: Doenças autoimunes: 10 sinais para você ficar atento
    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/doencas-autoimunes/

    Perguntas frequentes

    Quem pode ter espondilite anquilosante?

    A doença costuma se manifestar entre os 20 e 40 anos de idade, sendo mais frequente em homens. Porém, mulheres também podem desenvolvê-la, muitas vezes de forma mais leve e com sintomas menos típicos, o que pode atrasar o diagnóstico.

    Existe um forte componente genético, e pessoas que têm familiares com o mesmo problema apresentam maior risco de desenvolver a doença.

    A dor causada pela espondilite é diferente das dores comuns nas costas?

    A dor causada pela espondilite anquilosante é chamada de dor inflamatória e é diferente da dor mecânica, que surge por esforço físico ou má postura. A dor inflamatória piora com o repouso, especialmente durante a noite, e melhora com o movimento. Ela também costuma vir acompanhada de rigidez matinal e pode irradiar para glúteos e coxas. Já a dor mecânica aumenta com o movimento e tende a aliviar com o descanso.

    A alimentação influencia na espondilite anquilosante?

    Não há uma dieta específica para tratar a espondilite anquilosante, mas uma alimentação equilibrada auxilia no controle da inflamação. O consumo regular de alimentos ricos em ômega-3 (como peixes e sementes), além de frutas, legumes e grãos integrais, tem efeito anti-inflamatório natural.

    Por outro lado, o excesso de açúcares, ultraprocessados e bebidas alcoólicas pode piorar o quadro inflamatório. Manter o peso corporal adequado também é importante para reduzir a sobrecarga nas articulações.

    Quem tem espondilite anquilosante pode trabalhar normalmente?

    Na maioria das vezes, sim. Com o tratamento adequado, o paciente pode continuar suas atividades profissionais, mas funções que exigem esforço físico intenso ou longos períodos em pé ou sentado podem precisar de ajustes. Pausas para alongamento, uso de cadeiras ergonômicas e atenção à postura ajudam a prevenir dor e rigidez.

    A espondilite anquilosante pode causar deformidade na coluna?

    Quando a inflamação não é controlada, pode ocorrer a fusão gradual das vértebras, deixando a coluna mais rígida e inclinada para a frente — quadro conhecido como cifose ou postura encurvada.

    A complicação tende a surgir em pessoas que não fazem tratamento ou interrompem o uso das medicações. Com acompanhamento médico e fisioterapia, é possível prevenir ou reduzir significativamente o risco.

    Quem tem espondilite pode engravidar?

    A espondilite anquilosante não impede a gravidez, mas o planejamento deve ser feito com orientação médica, pois alguns medicamentos usados no tratamento precisam ser suspensos antes da gestação. O acompanhamento conjunto de reumatologista e obstetra é importante para garantir a segurança da mãe e do bebê.

    Veja também: Artrite psoriásica: quando a psoríase atinge as articulações
    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/artrite-psoriasica/

  • Quando o intestino inflama: o que é a retocolite ulcerativa 

    Quando o intestino inflama: o que é a retocolite ulcerativa 

    A diarreia com sangue, a dor abdominal frequente e a sensação constante de urgência para ir ao banheiro não costumam ser encaradas como algo normal. Quando esses sintomas se repetem ou persistem, podem indicar uma doença inflamatória intestinal que exige acompanhamento médico contínuo: a retocolite ulcerativa.

    Apesar de não ter cura, a retocolite ulcerativa pode ser controlada. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e seguimento regular, muitas pessoas conseguem manter boa qualidade de vida e longos períodos sem sintomas.

    O que é a retocolite ulcerativa?

    A retocolite ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta a mucosa do intestino grosso. A inflamação começa no reto e pode se estender de forma contínua por todo o cólon.

    Trata-se de uma condição sem cura definitiva, mas com tratamento voltado para o controle da inflamação, redução das crises e prevenção de complicações. A doença atinge homens e mulheres de forma semelhante, com maior incidência entre os 20 e 40 anos e um segundo pico em idosos.

    Outro ponto importante é o aumento do risco de câncer colorretal, especialmente em pessoas com doença de longa duração, o que torna o acompanhamento regular indispensável.

    Principais sintomas

    Os sintomas estão relacionados à inflamação da mucosa intestinal e podem variar de intensidade.

    Sintomas intestinais mais comuns

    • Diarreia com sangue, com ou sem muco;
    • Dor abdominal;
    • Febre;
    • Perda de peso.

    Os sintomas costumam surgir de forma gradual e evoluem em fases de crise, intercaladas com períodos de remissão, quando o paciente pode ficar assintomático.

    Manifestações fora do intestino

    • Uveíte e esclerite (olhos);
    • Artrite (articulações);
    • Eritema nodoso (lesões na pele).

    Complicações possíveis

    • Sangramento intestinal importante;
    • Colite fulminante;
    • Perfuração do intestino.

    O que causa a retocolite ulcerativa?

    A retocolite ulcerativa não tem uma causa única definida. Sabe-se que existe um componente genético importante, com maior risco em pessoas que têm familiares com doenças inflamatórias intestinais.

    Além disso, fatores como alterações da microbiota intestinal e respostas imunológicas inadequadas contribuem para o desenvolvimento da inflamação crônica no intestino grosso.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado na história clínica, nos sintomas e em exames complementares.

    Exames iniciais

    • Exames de fezes, para descartar infecções intestinais;
    • Exames de sangue, que podem mostrar sinais de inflamação.

    Exame padrão-ouro

    A colonoscopia com biópsia é o exame mais importante. Ela permite:

    • Visualizar a inflamação contínua do intestino;
    • Diferenciar a retocolite de outras doenças, como a doença de Crohn;
    • Afastar câncer colorretal.

    Exames de imagem, como tomografia, podem auxiliar, mas não substituem a colonoscopia.

    Tratamento da retocolite ulcerativa

    O tratamento depende da extensão e da gravidade da doença.

    Tratamento inicial

    • Medicamentos anti-inflamatórios intestinais, como sulfassalazina;
    • Corticoides, por via oral ou retal, durante as crises.

    Escalonamento do tratamento

    Se não houver melhora em cerca de duas semanas, podem ser indicados imunossupressores mais potentes.

    Cirurgia

    Em situações específicas, como:

    • Sangramento importante;
    • Perfuração;
    • Colite fulminante;
    • Falha do tratamento medicamentoso.

    A cirurgia para retirada do intestino grosso pode ser necessária e tem caráter curativo.

    O que esperar

    Na maioria dos casos, a perspectiva para os primeiros 10 anos após o diagnóstico é boa, com muitos pacientes permanecendo em remissão, ou seja, sem atividade da doença.

    Apesar da baixa mortalidade, a doença pode impactar a qualidade de vida. Por isso, é importante ter acompanhamento regular com gastroenterologista e realizar colonoscopias periódicas para rastreio de câncer colorretal.

    Leia mais: Colonoscopia: o exame que avalia o intestino

    Perguntas frequentes sobre retocolite ulcerativa

    A retocolite ulcerativa tem cura?

    Não. A doença é crônica, mas pode ser controlada com tratamento adequado.

    Retocolite ulcerativa é a mesma coisa que doença de Crohn?

    Não. Ambas são doenças inflamatórias intestinais, mas apresentam padrões diferentes de acometimento.

    Quem tem retocolite sempre tem diarreia com sangue?

    Não necessariamente. O sintoma é comum, mas pode variar conforme a fase da doença.

    A doença aumenta o risco de câncer?

    Sim. O risco de câncer colorretal é maior, especialmente em casos de longa duração.

    A cirurgia resolve o problema?

    Em casos indicados, a cirurgia pode ser curativa, pois remove o intestino grosso afetado.

    A alimentação influencia?

    A alimentação não causa a doença, mas pode ajudar a controlar os sintomas durante as crises.

    É possível levar uma vida normal?

    Sim. Com acompanhamento adequado, muitos pacientes vivem bem e sem sintomas por longos períodos.

    Leia mais: Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

  • Pressão alta nos pulmões: entenda o que é hipertensão pulmonar  

    Pressão alta nos pulmões: entenda o que é hipertensão pulmonar  

    A falta de ar que surge aos poucos, o cansaço que não melhora com o descanso e até episódios de tontura podem parecer sintomas inespecíficos. Mas, em alguns casos, esses sinais silenciosos escondem uma condição séria: a hipertensão pulmonar.

    Trata-se de uma doença em que a pressão dentro das artérias dos pulmões aumenta de forma anormal, e isso sobrecarrega o coração e compromete a oxigenação do organismo. Quando não diagnosticada e tratada da maneira certa, pode evoluir para insuficiência cardíaca e trazer riscos importantes à saúde.

    O que é a hipertensão pulmonar?

    A hipertensão pulmonar é uma doença caracterizada pelo aumento da pressão arterial na artéria pulmonar, vaso responsável por levar o sangue do coração aos pulmões para oxigenação.

    Com o aumento dessa pressão, o lado direito do coração precisa fazer mais força para bombear o sangue. Ao longo do tempo, isso leva ao espessamento (hipertrofia) e à dilatação das câmaras direitas, reduzindo a capacidade do coração de funcionar adequadamente e podendo evoluir para insuficiência cardíaca direita.

    Principais sintomas da hipertensão pulmonar

    Nos estágios iniciais, a hipertensão pulmonar pode causar sintomas leves ou até passar despercebida. Com a progressão da doença, os sinais tornam-se mais evidentes.

    Sintomas mais comuns

    • Falta de ar aos esforços;
    • Cansaço excessivo;
    • Tontura ou vertigem.

    Sintomas em fases mais avançadas

    • Dor no peito durante atividades físicas;
    • Desmaios;
    • Inchaço nas pernas;
    • Aumento do volume abdominal por acúmulo de líquido.

    Outros sintomas podem aparecer conforme a doença de base que levou à hipertensão pulmonar.

    Quais são as causas da hipertensão pulmonar?

    A hipertensão pulmonar é classificada em cinco grupos principais, de acordo com sua causa.

    Grupo 1: Hipertensão arterial pulmonar

    Pode ser:

    • De causa desconhecida (idiopática);
    • Genética;
    • Associada ao uso de drogas ou toxinas;
    • Secundária a doenças hepáticas, reumatológicas, cardiopatias congênitas ou esquistossomose.

    Grupo 2: Doenças do lado esquerdo do coração

    Inclui insuficiência cardíaca e doenças das válvulas cardíacas.

    Grupo 3: Doenças pulmonares e hipóxia

    Relacionada a doenças como enfisema e doenças pulmonares intersticiais.

    Grupo 4: Obstruções das artérias pulmonares

    Como ocorre no tromboembolismo pulmonar crônico.

    Grupo 5: Mecanismos multifatoriais ou pouco esclarecidos

    Casos em que a causa não é totalmente definida ou envolve vários fatores.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico deve ser suspeitado em pessoas com falta de ar progressiva ou sem causa aparente, cansaço persistente e episódios de desmaio.

    Exames mais utilizados

    • Ecocardiograma transtorácico: exame inicial para estimar a pressão da artéria pulmonar e avaliar alterações do coração. Valores de pressão sistólica da artéria pulmonar acima de 35 mmHg em adultos jovens e 40 mmHg em idosos sugerem hipertensão pulmonar;
    • Eletrocardiograma: avaliação rápida da função cardíaca;
    • Espirometria e exames de imagem do tórax: análise da função pulmonar;
    • Exames laboratoriais: investigação de doenças reumatológicas e esquistossomose.

    Tratamento da hipertensão pulmonar

    O tratamento envolve uma combinação de medidas clínicas e medicamentosas, adaptadas à causa e à gravidade da doença.

    Medidas gerais

    • Restrição de sódio na dieta em pacientes com insuficiência cardíaca;
    • Exercícios físicos orientados;
    • Oxigenoterapia, quando indicada.

    Tratamento medicamentoso

    • Vasodilatadores, como bloqueadores de canais de cálcio e sildenafila;
    • Anticoagulantes em casos de tromboembolismo pulmonar;
    • Diuréticos para reduzir inchaço nas pernas e acúmulo de líquido abdominal.

    O acompanhamento em centros especializados é fundamental para o melhor controle da doença.

    Leia também: Pressão alta e rins: como proteger a saúde renal

    Perguntas frequentes sobre hipertensão pulmonar

    Hipertensão pulmonar é a mesma coisa que pressão alta comum?

    Não. A hipertensão pulmonar afeta as artérias dos pulmões, enquanto a pressão alta comum envolve as artérias do corpo como um todo.

    A hipertensão pulmonar tem cura?

    Depende da causa. Em muitos casos, não há cura, mas o tratamento pode controlar os sintomas e retardar a progressão da doença.

    Falta de ar sempre significa hipertensão pulmonar?

    Não. A falta de ar tem muitas causas. Por isso, a avaliação médica é essencial para identificar a origem do sintoma.

    Quem tem hipertensão pulmonar pode fazer exercícios?

    Sim, desde que orientado por um médico. A atividade física adequada pode trazer benefícios.

    A doença pode evoluir para insuficiência cardíaca?

    Sim. Se não tratada, a hipertensão pulmonar pode levar à insuficiência cardíaca direita.

    Confira: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

  • Síndrome de Li-Fraumeni: conheça a condição que aumenta o risco de câncer

    Síndrome de Li-Fraumeni: conheça a condição que aumenta o risco de câncer

    Você já ouviu falar na síndrome de Li-Fraumeni? Embora seja rara no mundo, a condição é muito mais comum no Sul e no Sudeste do Brasil. Ela é marcada por uma alteração no gene TP53, conhecido como “gene guardião” por atuar na proteção do DNA contra danos que podem levar ao surgimento de tumores.

    A mutação compromete esse sistema de defesa natural, facilitando o acúmulo de alterações genéticas ao longo da vida e aumentando o risco de vários tipos de câncer, muitos deles surgindo ainda na idade adulta jovem.

    Segundo o oncologista Thiago Chadid, a condição ganhou destaque no país por causa de um fenômeno genético chamado efeito fundador, associado a um ancestral português que teria transmitido a mutação para milhares de descendentes a partir do século XVIII.

    Por causa dessa herança, muitas famílias podem carregar a alteração sem saber, vivendo com risco aumentado para vários tipos de câncer, como tumores de mama, tumores do sistema nervoso central, sarcomas e outros.

    Afinal, o que é a síndrome de Li-Fraumeni?

    A síndrome de Li-Fraumeni é uma condição genética rara caracterizada por uma mutação no gene TP53, um gene fundamental para proteger o DNA das células contra danos que podem causar tumores.

    Conforme explica Thiago, o TP53 atua como um sensor de dano no DNA: quando surge uma mutação, ele identifica o problema, tenta corrigir o defeito e, se a célula estiver muito comprometida, ativa mecanismos que levam à morte celular programada, impedindo que uma célula defeituosa continue se multiplicando e se transforme em câncer.

    Quando o TP53 não funciona corretamente, o organismo perde parte da sua capacidade de reparar erros genéticos ou eliminar células defeituosas antes que elas se transformem em tumores.

    Quando a pessoa nasce com uma mutação herdada do pai ou da mãe no gene TP53, e ocorre perda de função nas duas cópias do gene, o organismo fica sem esse sistema de proteção. O DNA passa a acumular mutações com muito mais facilidade ao longo da vida, e células alteradas conseguem escapar dos mecanismos naturais de defesa e evoluir para tumores.

    Por isso, a síndrome de Li-Fraumeni aumenta de forma significativa o risco de vários tipos de câncer em idades mais precoces.

    Como a síndrome de Li-Fraumeni é transmitida?

    A síndrome de Li-Fraumeni é transmitida de forma hereditária, por meio de uma mutação no gene TP53 que passa de geração em geração.

    A transmissão ocorre em um padrão chamado autossômico dominante, o que significa que:

    • Um único gene alterado já é suficiente para aumentar o risco de câncer;
    • Qualquer filho de um indivíduo com a mutação tem 50% de chance de herdar a alteração;
    • Tanto homens quanto mulheres podem transmitir a mutação igualmente.

    Quando a pessoa recebe a cópia alterada do pai ou da mãe, ela já nasce com parte da função do TP53 comprometida. Ao longo da vida, basta que a segunda cópia do gene sofra mutação espontânea para que se perca totalmente o mecanismo de proteção do DNA, aumentando a probabilidade de tumores.

    Por isso, famílias com história de vários cânceres em idades jovens, ou tumores considerados raros antes dos 40 anos, costumam ser investigadas para essa mutação.

    Quais tumores a síndrome pode causar?

    De acordo com Thiago, a pessoa pode desenvolver tumores em diferentes órgãos, muitas vezes mais cedo do que o esperado para a população geral. Entre os locais mais frequentemente afetados, destacam-se:

    • Mama;
    • Trato gastrointestinal;
    • Pulmão;
    • Sistema nervoso central;
    • Glândulas endócrinas, como adrenal;
    • Outros sítios, incluindo ossos e tecidos moles.

    Também pode ocorrer mais de um tumor primário ao longo da vida na mesma pessoa, resultado direto da incapacidade do organismo de impedir que novas mutações se acumulem e originem novos cânceres.

    Os tumores associados à síndrome de Li-Fraumeni tendem a ser mais agressivos, uma vez que acumulam um número maior de mutações e apresentam mais mecanismos de resistência.

    Quando o câncer reúne muitas alterações genéticas, o comportamento das células tumorais torna-se mais imprevisível: o tumor cria rotas alternativas para continuar crescendo, mesmo diante do tratamento, dribla terapias que miram um único alvo e, com frequência, apresenta respostas menos duradouras a determinadas drogas.

    Por que o câncer aparece mais cedo na síndrome de Li-Fraumeni?

    A manifestação costuma ser mais precoce porque, sem o gene guardião funcionando bem, os danos que se acumulam ao longo dos anos não são reparados de modo adequado. A rotina atual, marcada por exposição à radiação, hábitos alimentares irregulares, sedentarismo, tabagismo e outros fatores ambientais, intensifica ainda mais o impacto da predisposição genética.

    Thiago explica que, enquanto uma pessoa sem mutação costuma desenvolver câncer com maior frequência após os 60 ou 70 anos, alguém com síndrome de Li-Fraumeni pode apresentar tumores significativos já na faixa dos 20, 30 ou 40 anos.

    Como é feito o diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni?

    O diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni é feito por meio de avaliação clínica, história familiar detalhada e testes genéticos, que confirmam a presença de mutação no gene TP53.

    De forma geral, o processo envolve:

    • Investigação da história pessoal e familiar de câncer, especialmente quando há tumores em idades jovens, múltiplos cânceres na mesma pessoa ou tipos de câncer característicos da síndrome;
    • Avaliação por especialista em genética, que analisa padrões familiares, identifica critérios clínicos (como os critérios clássicos ou critérios de Chompret) e determina se há indicação para exame;
    • Teste genético específico para o gene TP53, realizado a partir de amostra de sangue ou saliva, que confirma ou descarta a presença da mutação;
    • Aconselhamento genético, etapa fundamental antes e depois do teste, para orientar sobre implicações médicas, emocionais e familiares do diagnóstico.

    Segundo Thiago, quando a mutação é confirmada, a família deve ser orientada de forma cuidadosa, e outros parentes podem ser indicados a realizar o teste, sempre com apoio de aconselhamento genético para esclarecer riscos, implicações e estratégias de acompanhamento.

    Cuidados com a síndrome de Li-Fraumeni

    A síndrome de Li-Fraumeni não possui, por enquanto, um protocolo único e rígido seguido por todos os serviços de saúde. A ideia é reduzir ao máximo fatores que aumentem o acúmulo de mutações ao longo da vida. As principais orientações incluem:

    • Evitar a exposição ao cigarro;
    • Redução ou suspensão do álcool;
    • Manter uma alimentação saudável, com alimentos pouco processados e ricos em fibras;
    • Prática regular de atividade física;
    • Proteção da pele contra radiação ultravioleta;
    • Realização periódica de consultas e exames de rastreamento, conforme idade e histórico familiar.

    A proposta é diminuir a exposição a fatores que estimulam danos ao DNA e, ao mesmo tempo, identificar qualquer alteração o mais cedo possível.

    É possível prevenir a síndrome de Li-Fraumeni?

    A prevenção absoluta não é possível, já que se trata de uma alteração herdada. Ainda assim, a combinação de vigilância constante, diagnóstico precoce e escolhas de estilo de vida mais saudáveis pode reduzir o impacto da predisposição e aumentar as chances de identificar tumores em estágios iniciais, quando o tratamento tende a ser mais eficaz.

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    Perguntas frequentes

    Qual é a causa genética da síndrome de Li-Fraumeni?

    A causa principal é uma mutação no gene TP53, um gene supressor tumoral. O TP53 é conhecido como “guardião do genoma”, porque detecta danos no DNA das células e impede que elas se transformem em câncer.

    A síndrome de Li-Fraumeni é sempre hereditária?

    Na maioria dos casos (cerca de 70% a 80%), sim, a síndrome é herdada dos pais (mutação germinativa). No entanto, em uma pequena porcentagem dos casos, a mutação pode surgir espontaneamente no indivíduo (mutação de novo), sem histórico familiar aparente.

    Quem deve fazer o teste genético?

    Pessoas com vários familiares com câncer em idade jovem, com tumores raros antes dos 40 anos ou quem já teve mais de um câncer primário. O ideal é realizar com apoio de aconselhamento genético.

    Por que a mutação no TP53 aumenta o risco de tantos tipos de câncer diferentes?

    O TP53 é um gene central para a proteção do DNA. Quando ele falha, qualquer célula do corpo fica mais vulnerável a acumular mutações e evoluir para um tumor. Por isso, a síndrome não se restringe a um órgão específico: músculos, ossos, glândulas, cérebro e vários tecidos podem ser afetados.

    É possível ter uma vida normal mesmo com a síndrome?

    Sim! Apesar do risco, muitas pessoas com síndrome de Li-Fraumeni levam vidas longas, produtivas e com boa qualidade de vida. O grande diferencial é o acompanhamento próximo, a realização de rastreamentos adequados e a adoção de hábitos protetores.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Infecções podem afetar as válvulas do coração: saiba o que é endocardite infecciosa

    Infecções podem afetar as válvulas do coração: saiba o que é endocardite infecciosa

    A endocardite infecciosa é uma condição rara, mas potencialmente fatal, que afeta diretamente o coração. Apesar de pouco conhecida pelo público geral, ela exige atenção médica imediata, já que pode agravar rapidamente e causar danos irreversíveis às válvulas cardíacas e a outros órgãos.

    Mais comum em pessoas idosas e em pacientes com doenças prévias ou dispositivos cardíacos, a endocardite infecciosa está frequentemente relacionada a infecções bacterianas que alcançam a corrente sanguínea. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são decisivos para reduzir o risco de complicações e mortalidade.

    O que é a endocardite infecciosa?

    A endocardite infecciosa é uma inflamação das válvulas cardíacas, geralmente causada por bactérias, sendo os casos por fungos mais raros.

    Ela ocorre com maior frequência em homens idosos e em pessoas com fatores de risco, como:

    • Próteses valvares
    • Dispositivos cardíacos implantáveis
    • Doenças valvulares prévias
    • Hemodiálise
    • Pressão alta
    • Diabetes

    A infecção compromete o funcionamento normal das válvulas do coração e pode levar a complicações sistêmicas graves.

    Causas

    A maioria dos casos de endocardite infecciosa é causada por bactérias, principalmente:

    • Estreptococos
    • Estafilococos
    • Enterococos

    A doença se desenvolve quando há uma lesão prévia nas válvulas cardíacas, o que facilita a adesão de microrganismos. Esses agentes podem entrar na corrente sanguínea por diferentes vias, como:

    • Procedimentos dentários
    • Cirurgias
    • Uso de substâncias injetáveis
    • Presença de dispositivos médicos

    Após a adesão das bactérias à válvula lesionada, forma-se uma estrutura chamada vegetação, que prejudica o funcionamento da válvula e pode liberar pequenos fragmentos (microêmbolos). Esses microêmbolos podem obstruir vasos sanguíneos menores, causando inflamação e interrupção do fluxo sanguíneo em diferentes órgãos.

    Principais sintomas

    Os sintomas da endocardite infecciosa variam conforme a gravidade da infecção e resultam tanto da presença de bactérias no sangue (bacteremia) quanto do comprometimento das válvulas cardíacas.

    Os sinais mais comuns incluem:

    • Febre
    • Calafrios
    • Mal-estar geral
    • Fadiga

    Com a progressão da doença, pode surgir:

    • Aparecimento de um novo sopro cardíaco
    • Piora de um sopro já existente

    Em casos mais avançados, o paciente pode apresentar:

    • Dor no peito
    • Falta de ar intensa
    • Desconforto respiratório mesmo em repouso

    Lesões características

    Algumas alterações cutâneas podem surgir, como:

    • Lesões de Janeway: manchas indolores nas palmas das mãos e plantas dos pés
    • Nódulos de Osler: nódulos avermelhados e dolorosos nos dedos

    Quando os microêmbolos atingem o sistema nervoso central, podem ocorrer complicações graves, como:

    • Abscessos cerebrais
    • Acidente vascular cerebral (AVC)
    • Meningite

    Diagnóstico

    O diagnóstico da endocardite infecciosa é feito pela associação dos sintomas com os achados do exame físico feito pelo médico e exames complementares.

    O principal exame é o ecocardiograma, que permite avaliar o funcionamento do coração e identificar vegetações nas válvulas.

    Tipos de ecocardiograma

    • Ecocardiograma transtorácico: mais acessível e geralmente o primeiro a ser realizado;
    • Ecocardiograma transesofágico: mais sensível, porém mais invasivo.

    Além disso, a hemocultura é fundamental para identificar o microrganismo causador da infecção e orientar o tratamento antibiótico.

    Em casos de dor torácica, pode ser solicitado um eletrocardiograma, principalmente para descartar outras condições, como infarto.

    Tratamento

    O tratamento da endocardite infecciosa baseia-se no uso de antimicrobianos intravenosos.

    Assim que há suspeita clínica da doença, inicia-se a antibioticoterapia empírica, sem aguardar os resultados das hemoculturas, com foco nos microrganismos mais comuns.

    Após a identificação do agente infeccioso e do antibiograma, o esquema antibiótico é ajustado conforme a sensibilidade do microrganismo.

    Tratamento cirúrgico

    A troca da válvula acometida pode ser necessária nos casos de:

    • Insuficiência valvar grave;
    • Infecções extensas;
    • Embolizações frequentes.

    Prognóstico

    O prognóstico da endocardite infecciosa varia conforme:

    • O microrganismo envolvido;
    • A rapidez do diagnóstico;
    • A presença de insuficiência cardíaca.

    Infecções causadas por estafilococos e associadas a insuficiência cardíaca costumam apresentar maior mortalidade.

    Nos casos mais leves, quando tratados adequadamente, os pacientes podem evoluir bem e não apresentar sequelas permanentes.

    Leia também: Trabalho noturno: conheça os riscos para a saúde do coração

    Perguntas frequentes sobre endocardite infecciosa

    1. A endocardite infecciosa é contagiosa?

    Não. Ela não é transmitida de pessoa para pessoa.

    2. Procedimentos dentários podem causar endocardite?

    Sim, especialmente em pessoas com válvulas cardíacas doentes ou próteses valvares.

    3. Toda endocardite precisa de cirurgia?

    Não. Muitos casos são tratados apenas com antibióticos, mas a cirurgia pode ser necessária em situações específicas.

    4. Quanto tempo dura o tratamento?

    O tratamento com antibióticos costuma durar várias semanas, geralmente em ambiente hospitalar.

    5. A doença pode voltar?

    Sim, especialmente se os fatores de risco persistirem.

    6. Quem já teve endocardite precisa de cuidados especiais?

    Sim. O acompanhamento cardiológico regular é fundamental.

    7. A endocardite pode levar à morte?

    Sim, principalmente se não for diagnosticada e tratada precocemente.

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