Categoria: Doenças & Condições

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  • Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer 

    Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer 

    Apesar de ser uma infecção conhecida há séculos e contar com diagnóstico simples e tratamento eficaz, a sífilis voltou a crescer de forma preocupante nos últimos anos. A doença, que é sexualmente transmissível e também pode ser passada da mãe para o bebê durante a gestação, continua representando um desafio importante para a saúde pública.

    Fatores como a percepção inadequada do risco, o estigma associado às infecções sexualmente transmissíveis e a desigualdade no acesso a testes e tratamento ajudam a explicar o aumento dos casos. Curiosamente, o período da pandemia de covid-19 marcou uma redução temporária nos registros, atribuída ao aumento da testagem e do diagnóstico.

    O que é a sífilis?

    A sífilis é uma doença bacteriana causada pela bactéria Treponema pallidum, tendo o ser humano como seu único hospedeiro. Trata-se de uma infecção sexualmente transmissível, que também pode ser transmitida de mãe para filho durante a gravidez.

    Atualmente, a sífilis é prevenível, tratável e rastreada rotineiramente no pré-natal, o que torna o diagnóstico precoce uma ferramenta fundamental para evitar complicações, especialmente na gestação.

    Principais sintomas

    A sífilis pode se manifestar de diferentes formas ao longo do tempo, sendo classificada em quatro fases principais.

    Sífilis primária

    Caracteriza-se pelo surgimento do cancro duro, uma úlcera indolor na região genital, geralmente acompanhada de linfonodos aumentados próximos ao local da lesão.

    Sífilis secundária

    Surge cerca de 6 a 8 semanas após a fase primária e pode causar:

    • Lesões cutâneas;
    • Alopecia;
    • Sintomas sistêmicos, como febre e fraqueza.

    Sífilis terciária

    Pode ocorrer anos após a infecção inicial e apresentar manifestações graves, incluindo:

    • Sintomas neurológicos;
    • Comprometimento ósseo;
    • Aneurismas.

    Sífilis latente e neurossífilis

    A fase latente é assintomática. A sífilis também pode evoluir para neurossífilis, que varia desde formas assintomáticas até quadros graves, como demência.

    Sífilis congênita

    Em gestantes não tratadas adequadamente, pode ocorrer sífilis congênita, resultando em anormalidades no recém-nascido.

    Causas

    A sífilis é causada pela infecção pelo Treponema pallidum, que se multiplica no organismo após a transmissão.

    Formas de transmissão

    • Relações sexuais desprotegidas;
    • Transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gestação).

    A infecção pode ocorrer mesmo em pessoas com histórico prévio de sífilis, especialmente quando associada a fatores de risco como múltiplos parceiros sexuais e condições que comprometem o sistema imunológico.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da sífilis é realizado por meio de exames de sangue que detectam a presença de anticorpos contra a bactéria.

    Exames laboratoriais

    • Testes sorológicos para detecção de anticorpos;
    • Recomenda-se a confirmação com mais de um teste positivo.

    Outros métodos diagnósticos

    A bacterioscopia de campo escuro pode identificar diretamente a bactéria. Em casos de suspeita de neurossífilis, é indicada a punção liquórica para análise do líquor.

    A história clínica e a avaliação de fatores de risco são fundamentais para interpretação adequada dos exames.

    Tratamento

    O tratamento da sífilis é realizado, na maioria dos casos, com penicilina, sendo a Benzetacil a medicação mais utilizada.

    Tratamento conforme a fase

    A quantidade de doses e a duração do tratamento variam conforme o estágio da infecção.

    Nos casos de comprometimento do sistema nervoso, pode ser necessária a penicilina cristalina, que apresenta melhor penetração no sistema nervoso central.

    Prevenção

    A prevenção da sífilis envolve:

    • Uso de preservativos nas relações sexuais;
    • Testagem regular em grupos de risco;
    • Acompanhamento pré-natal adequado para gestantes.

    Essas medidas são fundamentais para reduzir a transmissão e evitar complicações, especialmente a sífilis congênita.

    O que esperar

    Quando tratada adequadamente, a sífilis apresenta bom prognóstico, com altas taxas de cura e ausência de sequelas na maioria dos casos.

    Porém, a falta de tratamento pode levar a complicações graves e comprometer significativamente a qualidade de vida, podendo causar sequelas permanentes. O acompanhamento periódico após o tratamento é essencial para avaliar a resposta terapêutica e a necessidade de retratamento.

    Veja também: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes sobre sífilis

    1. A sífilis tem cura?

    Sim. Quando tratada corretamente, a sífilis apresenta alta taxa de cura.

    2. A sífilis pode voltar após o tratamento?

    A infecção pode ocorrer novamente se houver nova exposição ao Treponema pallidum.

    3. Toda sífilis apresenta sintomas?

    Não. A fase latente é assintomática e pode passar despercebida sem testagem.

    4. Gestantes devem fazer teste para sífilis?

    Sim. O rastreio é realizado rotineiramente no pré-natal.

    5. A sífilis não tratada pode causar sequelas?

    Sim. A evolução para formas terciárias ou neurossífilis pode causar danos permanentes.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

  • O que é febre reumática? Cardiologista explica os sintomas, tratamentos e se tem cura

    O que é febre reumática? Cardiologista explica os sintomas, tratamentos e se tem cura

    Comum em crianças e adolescentes, a amigdalite bacteriana é uma infecção de garganta causada pela bactéria Streptococcus do grupo A, sendo transmitida através de gotículas respiratórias, como tosse e espirro, compartilhamento de alimentos e bebidas, além do contato com superfícies contaminadas.

    Como os sintomas tendem a melhorar em poucos dias, é frequente que a infecção seja tratada apenas com remédios para dor e febre. Porém, sem o uso adequado de antibióticos, a bactéria não é completamente eliminada do organismo e pode causar complicações sérias, como a febre reumática.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender como a complicação se manifesta, as formas de tratamento e as principais medidas para prevenir. Confira!

    O que é febre reumática?

    A febre reumática aguda (FRA) é uma doença inflamatória autoimune que surge como complicação de uma infecção de garganta (como a amigdalite bacteriana) causada por uma bactéria chamada Streptococcus do grupo A, conhecida como estreptococo.

    De acordo com Juliana, quando a infecção não recebe tratamento correto com antibióticos, o organismo pode reagir de forma inadequada e passar a atacar partes do próprio corpo, principalmente o coração, as articulações, a pele e o sistema nervoso.

    Vale ressaltar que ela não é uma infecção que atinge diretamente o coração. Ela se desenvolve porque o sistema imunológico, ao tentar eliminar a bactéria da garganta, produz anticorpos que confundem estruturas do próprio organismo com o microrganismo — o que é conhecido como mimetismo molecular.

    Como consequência, ocorre a inflamação em tecidos saudáveis, principalmente nas válvulas do coração, podendo causar lesões permanentes.

    Qualquer criança que tem infecção de garganta pode ter febre reumática?

    A resposta é não. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, apenas algumas pessoas têm predisposição para desenvolver a doença.

    Muitas crianças apresentem infecções de garganta com frequência, especialmente nos primeiros anos de vida, mas isso, por si só, não significa que irão desenvolver febre reumática.

    Para que a doença apareça, é necessário existir uma predisposição, que é herdada dos pais e já está presente desde o nascimento da criança.

    Segundo Juliana, a doença acomete principalmente crianças e adolescentes na faixa etária dos 5 aos 15 anos de idade. Ela é mais rara em adultos e também em crianças muito pequenas, menores de 3 anos.

    Quais os sintomas da febre reumática?

    A febre reumática costuma aparecer semanas depois da dor de garganta, quando a infecção já até melhorou. Os principais sintomas incluem:

    • Febre;
    • Dores e inchaço nas articulações;
    • Cansaço;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Batimentos irregulares;
    • Movimentos involuntários do corpo;
    • Manchas ou caroços na pele.

    Vale destacar que nem todos os sintomas aparecem juntos. Algumas pessoas só percebem quando o coração já está comprometido.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da febre reumática é feito por uma combinação de avaliação clínica e exames, com base nos critérios diagnósticos conhecidos como critérios de Jones, conforme explica Juliana.

    A cardiologista explica que eles consideram sinais e sintomas da doença, como comprometimento do coração, presença de sopro cardíaco, artrite, coreia, nódulos subcutâneos e eritema marginado.

    Além da avaliação clínica, alguns exames ajudam a confirmar o diagnóstico e a avaliar a gravidade da doença, como:

    • VHS e PCR, que indicam a presença de inflamação no organismo;
    • ASLO (antiestreptolisina O), que mostra se houve infecção recente pelo estreptococo;
    • Ecocardiograma, usado para avaliar se existem lesões nas válvulas do coração.

    A presença da bactéria não é obrigatória para fechar o diagnóstico, mas os exames ajudam a confirmar a infecção prévia e a identificar possíveis complicações no coração.

    Tratamentos da febre reumática

    O tratamento da febre reumática envolve controlar a inflamação, aliviar os sintomas e, principalmente, evitar danos permanentes ao coração.

    Primeiro de tudo, é necessário eliminar a bactéria estreptococo do organismo, mesmo quando a dor de garganta já desapareceu.

    Para isso, são utilizados antibióticos, principalmente a penicilina benzatina (benzetacil), aplicada por injeção. Em pessoas alérgicas à penicilina, podem ser usados antibióticos por via oral.

    Para controlar a inflamação e a dor, são usados remédios anti-inflamatórios, como o ácido acetilsalicílico ou outros anti-inflamatórios. Em casos com comprometimento cardíaco mais importante, o médico pode indicar corticoides para reduzir a inflamação do coração.

    Juliana ainda ressalta que uma parte fundamental do tratamento é a prevenção secundária. Quem já teve febre reumática apresenta alto risco de desenvolver novas crises após outra infecção de garganta pelo estreptococo.

    Por isso, é indicado o uso regular de antibiótico por longo período, normalmente a penicilina benzatina aplicada a cada 21 ou 28 dias.

    Febre reumática tem cura?

    A febre reumática pode ser controlada e, em muitos casos, os sintomas desaparecem completamente com o tratamento correto. Portanto, a doença em si pode ser considerada curável quando o quadro inflamatório é tratado de forma adequada e não ocorrem novos surtos.

    Porém, quando há comprometimento do coração, especialmente das válvulas cardíacas, as lesões podem ser permanentes. A inflamação pode cicatrizar deixando as válvulas deformadas, o que pode causar problemas cardíacos ao longo da vida, como sopros, insuficiência cardíaca ou necessidade de cirurgia no futuro.

    Por que a febre reumática é tão perigosa?

    A febre reumática é perigosa porque pode causar danos que acompanham a pessoa por toda a vida, principalmente no coração. Entre os riscos, é possível destacar:

    • Lesões nas válvulas do coração, que podem ficar deformadas e não funcionar corretamente;
    • Dificuldade na circulação do sangue, levando a cansaço, falta de ar e inchaço;
    • Risco de insuficiência cardíaca, quando o coração não consegue bombear sangue de forma eficiente;
    • Possibilidade de novos surtos, já que cada nova infecção de garganta pelo estreptococo pode reativar a doença;
    • Agravamento progressivo das lesões cardíacas, pois cada crise pode danificar ainda mais as válvulas.

    Além do coração, a febre reumática também pode causar dor intensa nas articulações, alterações na pele e movimentos involuntários, o que prejudica a qualidade de vida. Sem tratamento e acompanhamento adequados, a doença pode evoluir para complicações graves.

    A febre reumática pode ser evitada?

    A prevenção da febre reumática depende principalmente do cuidado correto com as infecções de garganta, segundo Juliana. As principais medidas incluem:

    • Procurar atendimento médico sempre que houver dor de garganta acompanhada de febre, pus nas amígdalas ou ínguas no pescoço;
    • Realizar o tratamento com antibiótico quando houver indicação médica para infecção por estreptococo;
    • Usar o antibiótico pelo tempo completo, mesmo quando os sintomas melhorarem antes do fim do tratamento;
    • Não interromper o tratamento por conta própria;
    • Manter boa higiene, como lavar as mãos com frequência e evitar contato próximo com pessoas com infecção de garganta;
    • Evitar ambientes muito fechados e com aglomeração, que facilitam a transmissão da bactéria;
    • Manter acompanhamento médico em crianças e adolescentes com infecções de garganta frequentes.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

    Perguntas frequentes

    1. A febre reumática ainda é comum hoje em dia?

    Isso depende muito do acesso ao tratamento da infecção de garganta. Em países mais desenvolvidos, a febre reumática é rara, porque as pessoas conseguem atendimento médico e antibióticos com rapidez.

    No Brasil e em outros países em desenvolvimento, a doença ainda aparece com frequência. Muitas vezes, a pessoa não consegue atendimento a tempo, não inicia o antibiótico corretamente ou interrompe o tratamento antes do fim, o que aumenta o risco de desenvolver febre reumática.

    2. Quanto tempo depois da infecção aparecem os sintomas?

    Os sintomas da febre reumática costumam surgir de uma a três semanas depois da infecção de garganta. Nesse período, a dor na garganta já pode ter sumido, o que faz muita gente nem desconfiar da relação. Mesmo sem dor na garganta, a inflamação já está acontecendo dentro do corpo.

    3. Por que o coração é o órgão mais afetado?

    As válvulas cardíacas possuem proteínas muito parecidas com as do estreptococo. Por causa disso, os anticorpos produzidos contra a bactéria também atacam essas estruturas, provocando inflamação e cicatrização. O processo pode comprometer o funcionamento do coração de forma permanente.

    4. A febre reumática pode matar?

    Em casos graves, principalmente quando há comprometimento intenso do coração, a doença pode levar a insuficiência cardíaca, arritmias e outras complicações que colocam a vida em risco.

    5. A febre reumática passa de uma pessoa para outra?

    A febre reumática não é contagiosa, mas a bactéria da garganta é. Por isso, uma criança infectada pode transmitir o estreptococo para outra, que pode desenvolver a doença se não houver tratamento.

    6. A febre reumática pode causar necessidade de cirurgia no coração?

    Em casos graves, sim. Quando as válvulas ficam muito deformadas, pode ser necessário realizar cirurgia para corrigir ou trocar a válvula afetada.

    Leia mais: Meningite bacteriana: veja tipos, sintomas e como se prevenir

  • Dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço: saiba mais sobre a meningite viral 

    Dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço: saiba mais sobre a meningite viral 

    Febre, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço costumam acender um alerta imediato para uma condição grave: a meningite. Embora a forma bacteriana seja mais conhecida pela gravidade, existe um tipo mais frequente e, na maioria dos casos, menos agressivo, que é a meningite viral.

    Com o avanço dos programas de vacinação e a consequente redução da meningite bacteriana, a meningite viral passou a ser a principal causa de inflamação das meninges. Ainda assim, seus sintomas exigem atenção e avaliação médica, já que o quadro inicial pode se confundir com outras formas da doença.

    O que é a meningite viral?

    A meningite viral é a infecção da meninge, a membrana que envolve e protege o sistema nervoso central, causada por diferentes tipos de vírus, levando à inflamação dessas estruturas.

    As meninges desempenham um papel essencial na proteção do cérebro e da medula espinhal, formando um espaço preenchido por um líquido chamado líquor, que ajuda a amortecer impactos e proteger o sistema nervoso. A inflamação desse espaço é responsável pelos sintomas característicos da meningite.

    Principais sintomas

    Os sintomas da meningite viral são semelhantes aos da meningite bacteriana, embora, em geral, apresentem evolução mais lenta.

    Sintomas mais comuns

    • Febre;
    • Dor de cabeça;
    • Enjoo;
    • Vômitos;
    • Rigidez no pescoço.

    Diferenças em relação à meningite bacteriana

    Ao contrário da forma bacteriana, alterações importantes do estado mental, como sonolência extrema e coma, são menos frequentes na meningite viral.

    Durante a avaliação clínica, é comum o paciente relatar contato com pessoas infectadas, viagens recentes ou outras situações associadas a infecções virais.

    Causas

    Os vírus mais frequentemente associados à meningite viral são os enterovírus, mas outros agentes também podem estar envolvidos.

    Vírus que podem causar meningite viral

    • Enterovírus;
    • Vírus do herpes;
    • Varicela zoster;
    • HIV;
    • Citomegalovírus.

    Formas de transmissão

    A infecção pode ocorrer por diferentes vias, dependendo do vírus envolvido, como:

    • Picadas de insetos;
    • Contato com gotículas respiratórias;
    • Relações sexuais.

    Após a infecção inicial, o vírus pode alcançar o sistema nervoso pela corrente sanguínea ou por nervos, atingindo o espaço subaracnóide, onde circula o líquor, desencadeando a inflamação das meninges.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da meningite viral é suspeitado a partir dos sintomas associados ao histórico de possíveis exposições virais.

    Avaliação inicial

    Exames de sangue, incluindo culturas, são realizados inicialmente para excluir meningite bacteriana, que precisa ser descartada com rapidez.

    Punção liquórica

    A punção liquórica é um exame fundamental, realizado com anestesia local, que permite a coleta do líquor para análise.

    • O líquor normal é transparente;
    • Na meningite bacteriana, o líquor costuma ter aspecto purulento;
    • Na meningite viral, o líquor geralmente permanece mais claro.

    A análise do líquor avalia a proporção de células, níveis de proteínas e sinais inflamatórios, além de testes complementares conforme a suspeita clínica.

    Tratamento

    O tratamento da meningite viral é, na maioria dos casos, sintomático e de suporte.

    Medidas de suporte

    • Medicamentos para dor e febre, como dipirona;
    • Antieméticos para controle de enjoo;
    • Hidratação endovenosa, quando necessário.

    A maior parte dos pacientes apresenta resolução espontânea dos sintomas em 1 a 2 semanas, sem necessidade de tratamento específico.

    Uso inicial de antibióticos

    No início do quadro, devido ao risco de meningite bacteriana, é comum iniciar antibioticoterapia empírica até que essa causa seja descartada.

    Antivirais

    Nos casos de meningite causada por herpes ou varicela zoster, pode ser indicado o uso do antiviral aciclovir.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

    Perguntas frequentes sobre meningite viral

    1. A meningite viral é menos grave que a bacteriana?

    Em geral, sim. A meningite viral costuma ter evolução mais lenta e menos complicações graves.

    2. Os sintomas são diferentes da meningite bacteriana?

    São semelhantes, mas alterações graves do estado mental são menos comuns na forma viral.

    3. A meningite viral precisa de antibiótico?

    Inicialmente, antibióticos podem ser usados até que a meningite bacteriana seja excluída.

    4. Quanto tempo dura a meningite viral?

    Na maioria dos casos, os sintomas melhoram em 1 a 2 semanas.

    5. Sempre é necessário usar antivirais?

    Não. Antivirais são indicados apenas em casos específicos, como infecção por herpes ou varicela zoster.

    Leia mais: Meningite bacteriana: veja tipos, sintomas e como se prevenir

  • Cotovelo de tenista (epicondilite lateral): a lesão afeta também quem não joga tênis 

    Cotovelo de tenista (epicondilite lateral): a lesão afeta também quem não joga tênis 

    Dor persistente no lado externo do cotovelo, dificuldade para segurar objetos simples e incômodo ao realizar movimentos repetitivos são queixas comuns no consultório médico. Embora muita gente associe esses sintomas apenas à prática esportiva, especialmente ao tênis, a epicondilite lateral pode afetar também pessoas que nunca pegaram em uma raquete.

    Conhecida popularmente como cotovelo de tenista, essa condição está relacionada ao uso excessivo e repetitivo do braço e do antebraço, seja no esporte, no trabalho ou em atividades do dia a dia. Apesar de não ser uma lesão grave, pode causar dor significativa e limitar a rotina se não for tratada da maneira certa.

    O que é a epicondilite lateral?

    A epicondilite lateral, comumente chamada de cotovelo de tenista, é uma lesão do tendão localizado próximo ao epicôndilo lateral do cotovelo.

    Essa condição surge devido ao esforço repetido e frequente, o que leva a um processo de inflamação crônica e fibrose local. O epicôndilo lateral é a região do cotovelo onde tendões e nervos se conectam.

    Embora seja mais conhecida entre praticantes de esportes que exigem movimentos repetitivos do cotovelo, como o tênis, outros fatores de risco também estão associados, como tabagismo, obesidade e a faixa etária entre 40 e 50 anos.

    Principais sintomas

    O quadro clínico da epicondilite lateral é caracterizado principalmente por dor localizada, que costuma ser progressiva.

    Como a dor se manifesta

    • Dor na parte lateral do cotovelo;
    • Início geralmente de 1 a 3 dias após atividades repetitivas;
    • Intensidade variável, de leve a intensa;
    • Piora com esforço físico;
    • Melhora com repouso.

    A dor pode interferir nas atividades diárias, como segurar objetos, escrever ou realizar tarefas manuais.

    O que geralmente não ocorre

    Na maioria dos casos, a dor não é acompanhada de sintomas neurológicos, como formigamento ou perda de força, o que ajuda a diferenciar a epicondilite de outras condições do cotovelo.

    Causas

    A principal causa da epicondilite lateral é a sobrecarga frequente do tendão, provocada por movimentos repetitivos.

    Esses movimentos geram microlesões no tendão, que, ao longo do tempo, comprometem sua função. Como consequência, podem ocorrer:

    • Alterações estruturais do tendão;
    • Endurecimento;
    • Perda de elasticidade;
    • Formação de calcificações.

    Esse processo explica por que a dor tende a ser persistente quando o estímulo repetitivo não é interrompido.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da epicondilite lateral é clínico, baseado na avaliação médica.

    Avaliação durante a consulta

    O médico realiza manobras específicas que reproduzem a dor e ajudam a identificar a tendinopatia, além de considerar o histórico de sobrecarga ou movimentos repetitivos.

    Exames de imagem

    • Ultrassonografia: avalia as condições anatômicas do tendão;
    • Radiografia: útil para excluir alterações ósseas, como artrite ou fraturas;
    • Ressonância magnética: indicada em casos de dor crônica, especialmente para avaliar necessidade de cirurgia.

    Tratamento

    O tratamento da epicondilite lateral começa, na maioria dos casos, de forma conservadora.

    Medidas iniciais

    • Redução ou interrupção temporária da atividade que causa dor;
    • Fisioterapia;
    • Compressas geladas após o exercício.

    Uso de medicamentos

    • Analgésicos;
    • Anti-inflamatórios, quando indicados.

    Se não houver melhora com essas medidas, pode-se considerar:

    • Otimização do uso de anti-inflamatórios;
    • Injeções locais de corticoides.

    Cirurgia

    A cirurgia é reservada para casos com perda significativa de função ou falha do tratamento conservador.

    Retorno ao esporte

    O principal objetivo do tratamento é permitir o retorno às atividades esportivas sem dor e sem limitações.

    O paciente deve receber orientação sobre:

    • Respeitar limites durante a recuperação;
    • Corrigir a técnica dos movimentos;
    • Adotar medidas preventivas durante a prática esportiva.

    Essas estratégias ajudam a reduzir o risco de novas lesões.

    Confira: 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

    Perguntas frequentes sobre epicondilite lateral

    1. Epicondilite lateral só ocorre em quem joga tênis?

    Não. Apesar do nome “cotovelo de tenista”, a condição pode acontecer em qualquer pessoa que realize movimentos repetitivos com o braço.

    2. A dor aparece imediatamente após o esforço?

    Geralmente, a dor surge de 1 a 3 dias após atividades repetitivas.

    3. A epicondilite causa formigamento ou perda de força?

    Normalmente não. A ausência de sintomas neurológicos é uma característica comum.

    4. O diagnóstico precisa de exames de imagem?

    Nem sempre. O diagnóstico é clínico, mas exames podem ser usados para complementar a avaliação ou excluir outras causas.

    5. Sempre é necessário cirurgia?

    Não. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador. A cirurgia é indicada apenas em situações específicas.

    6. É possível voltar ao esporte após o tratamento?

    Sim. Com tratamento adequado e orientação correta, o retorno ao esporte costuma acontecer sem dor.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

  • Dermatomiosite: uma doença autoimune rara que exige atenção precoce

    Dermatomiosite: uma doença autoimune rara que exige atenção precoce

    Manchas avermelhadas na pele, dificuldade para subir escadas ou levantar objetos simples do dia a dia podem parecer sinais desconectados à primeira vista. No entanto, quando esses sintomas surgem juntos e evoluem de forma progressiva, podem indicar uma condição rara e que merece atenção médica: a dermatomiosite.

    Trata-se de uma doença autoimune que afeta músculos e pele, com impacto direto na força, na mobilidade e na qualidade de vida. Embora pouco frequente, a dermatomiosite exige diagnóstico cuidadoso e acompanhamento contínuo, inclusive pela sua associação com outras complicações no corpo.

    O que é a dermatomiosite?

    A dermatomiosite é uma doença autoimune rara caracterizada pela combinação de fraqueza muscular e lesões avermelhadas na pele, especialmente em áreas expostas ao sol.

    Essa condição é classificada como uma miopatia inflamatória, ou seja, uma doença muscular causada por inflamação. O processo ocorre devido à ação de autoanticorpos, que são anticorpos produzidos pelo próprio organismo e que, por um mau funcionamento do sistema imunológico, passam a atacar as células do próprio corpo.

    Além das manifestações musculares e cutâneas, a dermatomiosite pode cursar com comprometimento pulmonar, cardiovascular e gastrointestinal. Um ponto importante no manejo da doença é sua associação com neoplasias, já que parte dos pacientes pode apresentar câncer concomitante, inclusive ainda não diagnosticado no momento da identificação da dermatomiosite.

    Principais sintomas

    Os sintomas da dermatomiosite podem variar em intensidade e envolvem diferentes sistemas do corpo.

    Sintomas cutâneos

    Caracterizam-se por lesões avermelhadas na pele, que podem ser sensíveis à luz solar e causar coceira. Essas manchas aparecem com maior frequência em áreas expostas, como:

    • Face;
    • Pescoço;
    • Membros superiores e inferiores.

    Sintomas musculoesqueléticos

    A fraqueza muscular é o sintoma predominante da doença. Ela costuma afetar músculos proximais e pode dificultar atividades como:

    • Subir escadas;
    • Carregar objetos;
    • Levantar-se de uma cadeira.

    Sintomas respiratórios

    Alguns pacientes desenvolvem doença intersticial pulmonar, que compromete a função dos pulmões e pode causar:

    • Falta de ar, principalmente aos esforços;
    • Tosse.

    Sintomas gastrointestinais

    A fraqueza muscular também pode afetar o trato digestivo, levando a:

    • Dificuldade para engolir;
    • Refluxo gastroesofágico.

    Causas

    A dermatomiosite não possui uma causa única claramente definida, mas está associada a fatores genéticos que aumentam a predisposição ao seu desenvolvimento.

    A doença geralmente se inicia após a exposição a um gatilho ambiental, que pode incluir:

    • Infecções, como influenza ou HIV;
    • Uso de determinados medicamentos, como anti-inflamatórios, antibióticos e corticoides.

    Esses gatilhos levam a lesões nos vasos da musculatura, desencadeando uma resposta autoimune. Como consequência, ocorre uma reação inflamatória local que compromete músculos, pele e, em alguns casos, outros órgãos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da dermatomiosite é frequentemente suspeitado com base nos sintomas clínicos, mas requer confirmação por exames complementares, devido ao caráter inespecífico das manifestações iniciais.

    Exames laboratoriais

    Exames de sangue podem mostrar aumento das enzimas musculares, indicando inflamação e destruição das fibras musculares. Também é possível realizar a dosagem de anticorpos associados à dermatomiosite, que podem ou não estar presentes.

    Avaliação neuromuscular

    A eletroneuromiografia pode ser utilizada para avaliar a fraqueza muscular e auxiliar na confirmação diagnóstica.

    Avaliação pulmonar e rastreio de neoplasias

    Para investigar possíveis complicações pulmonares, são indicados exames de imagem, como radiografia de tórax ou tomografia, sendo esta última mais sensível para identificar pneumopatias intersticiais.

    Devido à associação entre dermatomiosite e câncer, é fundamental realizar exames de imagem regulares para rastreamento de neoplasias.

    Tratamento

    O tratamento da dermatomiosite envolve uma abordagem combinada.

    Fisioterapia é indicada para reabilitação e recuperação funcional, especialmente na fase aguda da doença.

    A terapia medicamentosa mais utilizada é baseada em corticoides, com doses ajustadas de acordo com a gravidade do quadro clínico.

    O tratamento deve ser monitorado de perto, considerando a natureza autoimune da doença e o risco de efeitos adversos relacionados às medicações.

    Leia mais: Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

    Perguntas frequentes sobre dermatomiosite

    1. Dermatomiosite é uma doença rara?

    Sim. Trata-se de uma doença autoimune rara.

    2. A dermatomiosite afeta apenas os músculos?

    Não. Além dos músculos, a doença pode causar lesões na pele e envolver pulmões, coração e trato gastrointestinal.

    3. Lesões de pele sempre aparecem na dermatomiosite?

    As manifestações cutâneas são comuns e fazem parte do quadro típico da doença.

    4. Dermatomiosite tem relação com câncer?

    Sim. Existe uma associação importante entre dermatomiosite e neoplasias, o que exige investigação cuidadosa.

    5. Como é feito o diagnóstico da dermatomiosite?

    O diagnóstico envolve avaliação clínica, exames de sangue, eletroneuromiografia e exames de imagem, além do rastreamento de câncer.

    6. A dermatomiosite tem tratamento?

    Sim. O tratamento inclui fisioterapia e uso de corticoides, com acompanhamento médico contínuo.

    Confira: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

  • Sarcopenia: a perda muscular que compromete a autonomia com a idade

    Sarcopenia: a perda muscular que compromete a autonomia com a idade

    Com o passar dos anos, é natural que o corpo sofra transformações, algumas visíveis, outras nem tanto. Entre essas mudanças, a perda de massa muscular costuma acontecer de forma discreta, e afeta força, equilíbrio e autonomia, muitas vezes sem que a pessoa perceba de imediato.

    A sarcopenia é uma condição cada vez mais reconhecida na medicina justamente por esse impacto gradual, mas profundo, na qualidade de vida, especialmente entre os idosos. Identificá-la precocemente é muito importante para tratar a tempo e reduzir riscos como quedas, dependência funcional e complicações de saúde.

    O que é a sarcopenia?

    A sarcopenia é uma condição caracterizada pela perda de massa muscular, acompanhada da redução da força e do desempenho físico. Ela é mais comum em idosos e faz parte da chamada síndrome de fragilidade, que aumenta o risco de quedas e complicações, embora nem todas as pessoas com sarcopenia sejam consideradas frágeis.

    A condição pode ocorrer em indivíduos de qualquer peso, afetando tanto pessoas com peso adequado quanto aquelas com sobrepeso ou obesidade. Trata-se de um problema relevante, pois está associado ao aumento da mortalidade, à perda de independência e à dificuldade para realizar atividades cotidianas.

    Principais sintomas

    Os principais sintomas da sarcopenia incluem:

    • Perda progressiva de força muscular;
    • Redução do peso corporal associada à perda muscular.

    Com o avanço da condição, os pacientes costumam se tornar mais dependentes e passam a apresentar diminuição da funcionalidade, tendo dificuldade para realizar tarefas que antes eram feitas com facilidade no dia a dia.

    Causas

    O principal fator desencadeador da sarcopenia é o processo natural de envelhecimento, também chamado de senescência. Esse processo pode ser agravado por diversos fatores, entre eles:

    • Sedentarismo;
    • Obesidade;
    • Resistência à insulina;
    • Diabetes;
    • Dieta pobre em proteínas.

    Além disso, algumas doenças crônicas impactam negativamente a massa muscular, como enfisema pulmonar, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, diabetes, HIV e câncer.

    Existe ainda uma preocupação crescente com o uso de medicamentos para perda de peso, como os análogos do GLP-1 (Ozempic e Mounjaro), que podem levar à sarcopenia quando utilizados sem acompanhamento nutricional adequado.

    A redução calórica excessiva pode resultar em perda muscular. Apesar de relatos na literatura, não há recomendações formais contra esses medicamentos, e mais estudos são necessários para esclarecer melhor os riscos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da sarcopenia é realizado por meio da combinação de ferramentas de triagem e avaliações clínicas.

    Questionários de triagem

    Existe um questionário utilizado pelos médicos para identificar sinais de sarcopenia relatados pelo próprio paciente.

    Avaliação da força muscular

    Testes como a preensão palmar e o teste de levantar-se e sentar-se de uma cadeira repetidas vezes são amplamente utilizados para medir a força muscular.

    Avaliação da massa muscular

    Exames como ressonância magnética, tomografia e bioimpedância podem ser utilizados para avaliar a quantidade e a qualidade da massa muscular, embora não sejam métodos convencionais para o diagnóstico inicial.

    Tratamento

    O tratamento da sarcopenia é baseado principalmente em:

    • Dieta adequada, com aporte nutricional suficiente;
    • Exercícios de resistência, voltados para o ganho de massa muscular.

    O acompanhamento por uma equipe multidisciplinar é fundamental para abordar tanto o estímulo ao aumento muscular quanto a suplementação nutricional adequada, de acordo com as necessidades individuais.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

    Perguntas frequentes sobre sarcopenia

    1. A sarcopenia afeta apenas pessoas muito magras?

    Não. A sarcopenia pode ocorrer em pessoas com peso normal, sobrepeso ou obesidade.

    2. Toda pessoa idosa desenvolve sarcopenia?

    Não necessariamente, mas o risco aumenta com o envelhecimento.

    3. Sarcopenia é o mesmo que fragilidade?

    Não. A sarcopenia faz parte da síndrome de fragilidade, mas nem todos os pacientes com sarcopenia são considerados frágeis.

    4. Quais doenças podem piorar a perda muscular?

    Condições como enfisema pulmonar, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, diabetes, HIV e câncer podem contribuir para a sarcopenia.

    5. Medicamentos para emagrecer podem causar sarcopenia?

    Há relatos de associação quando usados sem acompanhamento nutricional adequado, mas ainda não existem recomendações formais contra seu uso.

    6. A sarcopenia tem tratamento?

    Sim. O tratamento envolve alimentação adequada e exercícios de resistência, com acompanhamento profissional.

    Confira: 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

  • TDPM: entenda o transtorno disfórico pré-menstrual e como identificar os sintomas

    TDPM: entenda o transtorno disfórico pré-menstrual e como identificar os sintomas

    Você já ouviu falar em transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)? Considerada uma forma mais grave da tensão pré-menstrual (TPM), ela é marcada por sintomas que podem interferir de forma significativa na rotina, nos relacionamentos pessoais, na vida social e no desempenho profissional.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender o que diferencia o TDPM da TPM comum, quais são os principais sinais de alerta, como o diagnóstico é feito e quais são as opções de tratamento disponíveis para aliviar os sintomas.

    O que é transtorno disfórico pré-menstrual?

    O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma condição caracterizada por sintomas emocionais e psicológicos intensos que estão diretamente relacionados ao ciclo menstrual. Ele surge na fase final do ciclo, após a ovulação, período conhecido como fase lútea, e desaparece com o início da menstruação ou nos primeiros dias do sangramento.

    No TDPM, as alterações de humor são mais marcantes e podem incluir irritabilidade extrema, tristeza profunda, ansiedade, sensação de perda de controle emocional, dificuldade de concentração e impacto importante na vida social, profissional e nos relacionamentos.

    Qual a diferença entre a TDPM e TPM?

    A principal diferença entre a TPM comum e o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual está na gravidade, na frequência e no impacto dos sintomas na vida da mulher, segundo Andreia.

    Na TPM, os sintomas físicos costumam ser mais predominantes, embora os emocionais também possam estar presentes. Já no transtorno disfórico, os sintomas emocionais e psicológicos são mais intensos do que os físicos e podem ser incapacitantes.

    Andreia aponta que ele é reconhecido como um diagnóstico psiquiátrico e faz parte do manual que classifica os transtornos mentais. Nesses casos, os sintomas vão além de um simples desconforto e causam sofrimento importante.

    Fatores de risco para a TDPM

    Os principais fatores de risco associados ao transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) incluem:

    • Maior sensibilidade hormonal: mulheres com TDPM tendem a reagir de forma mais intensa às oscilações hormonais naturais do ciclo menstrual;
    • Predisposição genética: histórico familiar de TDPM pode elevar o risco;
    • Histórico de transtornos de humor: depressão, ansiedade ou outros transtornos emocionais, pessoais ou familiares, aumentam a vulnerabilidade;
    • Alterações na serotonina: níveis reduzidos desse neurotransmissor, ligado ao humor e à sensação de bem-estar, estão associados ao surgimento dos sintomas;
    • Tabagismo: embora as evidências não sejam conclusivas, fumar pode contribuir para o risco;
    • Disforia de gênero: mulheres com disforia de gênero apresentam risco aumentado para o desenvolvimento do transtorno.

    Quais os sintomas do TDPM?

    Os sintomas do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) são, em geral, mais emocionais e psicológicos do que físicos e costumam surgir na fase que antecede a menstruação, desaparecendo com o início do sangramento. Os principais incluem:

    • Irritabilidade intensa ou explosões de raiva;
    • Tristeza profunda, sensação de vazio ou desesperança;
    • Ansiedade acentuada ou tensão constante;
    • Mudanças bruscas de humor;
    • Sensação de perda de controle emocional;
    • Dificuldade de concentração;
    • Cansaço intenso ou falta de energia;
    • Alterações do sono, como insônia ou sono excessivo;
    • Diminuição do interesse por atividades do dia a dia;
    • Sensação de sobrecarga emocional.

    Também podem ocorrer sintomas físicos, como inchaço, sensibilidade nas mamas, dores de cabeça e alterações do apetite, mas eles costumam ser secundários em relação aos sintomas emocionais.

    Como é feito o diagnóstico de TDPM?

    O diagnóstico do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é clínico, ou seja, feito a partir da conversa detalhada com a paciente, sem necessidade de exames laboratoriais. O principal critério é a relação dos sintomas com o ciclo menstrual.

    Para confirmar o diagnóstico, é observado se os sintomas surgem de forma repetida na fase que antecede a menstruação e melhoram ou desaparecem com o início do sangramento. Também é avaliada a intensidade dos sintomas e o impacto na rotina, nos relacionamentos e na vida profissional.

    Tratamento de transtorno disfórico pré-menstrual

    O tratamento do transtorno disfórico pré-menstrual depende da intensidade dos sintomas e do impacto na vida da mulher. Em muitos casos, Andreia aponta que ele envolve o uso de antidepressivos e outras medicações que ajudam a controlar os sintomas emocionais, como irritabilidade intensa, ansiedade e tristeza profunda.

    Além dos medicamentos, é importante adotar algumas mudanças no estilo de vida, como:

    • Manter uma alimentação equilibrada;
    • Ter uma rotina de sono adequada e regular;
    • Praticar atividade física de forma regular;
    • Reduzir o estresse no dia a dia;
    • Observar o próprio ciclo menstrual para identificar períodos de maior sensibilidade;
    • Evitar situações ou hábitos que piorem os sintomas nesse período.

    Segundo Andreia, existem casos extremos em que mulheres apresentam ideação suicida associada ao período pré-menstrual, o que exige intervenção imediata e, em situações específicas, até internação.

    Quando procurar ajuda médica?

    É importante procurar ajuda de um médico quando os sintomas começam a atrapalhar a rotina e a qualidade de vida. Assim, fique atenta especialmente se você perceber:

    • Irritabilidade muito intensa ou crises de raiva;
    • Tristeza profunda ou sensação constante de desânimo;
    • Ansiedade forte ou sensação de tensão o tempo todo;
    • Mudanças de humor que afetam os relacionamentos;
    • Dificuldade para trabalhar, estudar ou manter a rotina;
    • Sensação de perda de controle emocional;
    • Pensamentos de autolesão ou suicídio.

    O acompanhamento ajuda a identificar o problema, orientar o tratamento correto e oferecer suporte para atravessar o período com mais bem-estar.

    Perguntas frequentes

    Quais remédios podem ser usados no tratamento?

    Em muitos casos, são utilizados antidepressivos e outras medicações voltadas para o controle dos sintomas emocionais, sempre com acompanhamento médico.

    O TDPM pode surgir em qualquer idade?

    O TDPM costuma aparecer durante a vida reprodutiva, após o início dos ciclos menstruais. Ele pode se manifestar ainda na juventude ou surgir mais tarde, dependendo da sensibilidade individual às oscilações hormonais.

    O uso de anticoncepcional ajuda no TDPM?

    Em alguns casos, o anticoncepcional pode ajudar ao reduzir as oscilações hormonais do ciclo. No entanto, a resposta varia de mulher para mulher, e a indicação deve ser avaliada individualmente.

    Psicoterapia ajuda no tratamento do TDPM?

    Ajuda, sim. A psicoterapia pode auxiliar no controle emocional, na identificação de gatilhos e no desenvolvimento de estratégias para lidar melhor com os sintomas.

    O TDPM tem cura?

    O TDPM não tem uma cura definitiva, mas tem tratamento. Com acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas e melhorar muito a qualidade de vida.

    A TPM é considerada uma doença?

    Não, a TPM não é uma doença, mas um conjunto de sintomas ligados às mudanças hormonais do ciclo menstrual. Ela só se torna um problema quando os sintomas passam a causar sofrimento importante.

    Quando a TPM merece atenção médica?

    Quando os sintomas são muito intensos, persistentes ou começam a atrapalhar a rotina, o trabalho ou os relacionamentos, é importante procurar avaliação médica.

  • Hipercalemia: potássio alto no sangue pode colocar o coração em risco 

    Hipercalemia: potássio alto no sangue pode colocar o coração em risco 

    O potássio é um mineral essencial para o funcionamento do organismo, especialmente para os músculos e o coração. No entanto, quando seus níveis no sangue ficam acima do normal, o equilíbrio do corpo pode ser seriamente comprometido.

    A hipercalemia é uma alteração que muitas vezes não causa sintomas no início, mas que pode evoluir rapidamente para arritmias graves e até risco de morte se não for identificada e tratada adequadamente.

    O que é a hipercalemia?

    A hipercalemia, também chamada de hiperpotassemia, é a condição caracterizada pelo aumento dos níveis de potássio no sangue, com valores superiores a 5,5 mEq/L.

    Uma preocupação inicial na avaliação desse achado é a possibilidade de pseudohipercalemia, um falso aumento do potássio que pode ocorrer por conta da destruição de células durante a coleta do sangue.

    A hipercalemia pode ter múltiplas causas e está frequentemente associada a fatores de risco como doença renal crônica, diabetes, idade avançada e insuficiência cardíaca. O aumento do potássio pode ocorrer por maior ingestão na dieta, redução da excreção pelos rins ou liberação excessiva devido à destruição celular.

    Causas

    A hipercalemia pode se manifestar por diferentes mecanismos:

    Acidose metabólica

    A acidose provoca desequilíbrio iônico, favorecendo a saída do potássio do interior das células para o sangue.

    Aumento da ingestão de potássio

    Mais comum em pacientes com doenças renais, que não conseguem excretar adequadamente o potássio. Alimentos como abacate, nozes e batatas devem ser consumidos com cautela nesses casos.

    Destruição celular

    Situações como rabdomiólise, hemólise e síndrome de lise tumoral levam à liberação excessiva de potássio para a corrente sanguínea.

    Redução da excreção renal

    É frequentemente observada em pacientes com comprometimento da função dos rins.

    Deficiência de insulina e hiperglicemia

    No diabetes descontrolado, a falta de insulina impede a entrada do potássio nas células, elevando sua concentração no sangue.

    Uso de medicamentos

    Alguns fármacos, como diuréticos poupadores de potássio, podem contribuir para o aumento dos níveis séricos.

    Principais sintomas

    Os sintomas da hipercalemia são bastante variáveis. Em alguns casos, o paciente pode não apresentar queixas.

    Os sinais iniciais incluem fraqueza muscular, que geralmente começa nas pernas e pode progredir para tronco e braços.

    Alterações no eletrocardiograma e o surgimento de arritmias cardíacas podem ocorrer conforme os níveis de potássio se elevam. Além disso, podem estar presentes sinais relacionados às doenças de base, como inchaço nas pernas em pacientes com doença renal ou icterícia em casos associados à hemólise.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da hipercalemia é feito por meio da dosagem de potássio no sangue.

    O eletrocardiograma (ECG) é um exame complementar fundamental para avaliar possíveis repercussões cardíacas do aumento do potássio.

    Exames adicionais, laboratoriais ou de imagem, podem ser solicitados conforme a suspeita da causa subjacente.

    Tratamento

    O tratamento da hipercalemia tem como objetivo principal corrigir a causa e reduzir rapidamente os níveis de potássio, prevenindo complicações cardíacas.

    Em casos leves, ajustes no tratamento e medidas conservadoras podem ser suficientes. Na maioria das situações, utilizam-se:

    • Medicamentos que aumentam a excreção de potássio, como a furosemida;
    • Insulina associada à glicose, para facilitar a entrada do potássio nas células.

    Em quadros graves ou de difícil controle, pode ser necessária a diálise para remoção do excesso de potássio.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes sobre hipercalemia

    1. Hipercalemia sempre causa sintomas?

    Não. Em alguns casos, o paciente pode não apresentar sintomas, especialmente em elevações leves.

    2. Potássio alto pode ser erro de exame?

    Sim. A pseudohipercalemia pode ocorrer devido à destruição celular durante a coleta de sangue.

    3. Quais doenças aumentam o risco de hipercalemia?

    Doença renal crônica, diabetes, insuficiência cardíaca e idade avançada são fatores de risco importantes.

    4. A hipercalemia pode afetar o coração?

    Sim. O aumento do potássio pode causar alterações no eletrocardiograma e arritmias graves.

    5. A alimentação pode causar hipercalemia?

    Pode contribuir, especialmente em pessoas com dificuldade de excretar potássio pelos rins.

    6. Quando a diálise é necessária?

    Em casos graves ou quando o excesso de potássio não responde às medidas clínicas.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Hemorragia digestiva baixa: sangue nas fezes nunca deve ser ignorado 

    Hemorragia digestiva baixa: sangue nas fezes nunca deve ser ignorado 

    Encontrar sangue nas fezes é sempre um sinal de alerta. Embora nem todo sangramento intestinal represente uma condição grave, a hemorragia digestiva baixa pode estar associada a diferentes doenças do intestino grosso e precisa ser investigada com atenção.

    Dependendo da causa e da intensidade da perda sanguínea, o quadro pode variar desde episódios leves e autolimitados até situações que exigem internação, transfusão de sangue e procedimentos invasivos.

    O que é a hemorragia digestiva baixa?

    A hemorragia digestiva baixa é definida como a perda de sangue cuja origem está localizada na porção colorretal do trato gastrointestinal, ou seja, no intestino grosso.

    Essa condição pode estar relacionada a diversas doenças e deve sempre ser avaliada com cuidado, já que pode levar a complicações como anemia e instabilidade clínica, dependendo do volume de sangue perdido.

    Principais sintomas

    O sintoma mais característico da hemorragia digestiva baixa é a presença de sangue nas fezes.

    Sangue vivo nas fezes

    A principal queixa dos pacientes é a eliminação de sangue vivo, visível ao evacuar, o que geralmente indica sangramento mais distal no intestino grosso.

    Fezes escurecidas (melena)

    Dependendo da localização do sangramento, as fezes podem se tornar escurecidas e apresentar odor forte, devido à digestão do sangue.

    A gravidade dos sintomas varia conforme a intensidade do sangramento, e pode ir de episódios leves até quadros mais graves, com repercussões clínicas importantes.

    Causas

    As causas da hemorragia digestiva baixa podem ser divididas em diferentes grupos.

    Causas anatômicas

    • Diverticulose: presença de divertículos no intestino grosso que podem sangrar;
    • Hemorróidas: sangramentos geralmente associados à passagem de fezes ressecadas.

    Causas vasculares

    • Angiodisplasias: malformações dos vasos sanguíneos intestinais que aumentam o risco de sangramento.

    Causas inflamatórias

    • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa;
    • Infecções intestinais (enterites), que deixam a mucosa mais fragilizada.

    Neoplasias

    • Câncer colorretal, que pode causar desde sangramentos discretos e imperceptíveis até hemorragias volumosas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da hemorragia digestiva baixa é considerado quando o paciente apresenta sangue vivo nas fezes ou melena.

    A investigação deve sempre buscar a causa do sangramento, levando em conta o histórico clínico e a presença de comorbidades.

    Exames laboratoriais

    • Hemograma, para avaliar anemia secundária à perda de sangue;
    • Testes de coagulação, especialmente em pacientes que utilizam anticoagulantes.

    Exames endoscópicos e de imagem

    • Colonoscopia, exame essencial para identificar a causa do sangramento e que também pode ter função terapêutica;
    • Angiografia, indicada quando a colonoscopia não consegue identificar a origem do sangramento.

    Tratamento

    O tratamento da hemorragia digestiva baixa depende da gravidade do sangramento e de sua causa.

    Casos leves

    Pacientes com baixo risco de complicações podem ser tratados de forma ambulatorial, com acompanhamento médico.

    Casos moderados a graves

    Pacientes com sangramentos significativos ou maior risco devem ser internados para:

    • Hidratação venosa;
    • Oxigenoterapia, se necessário;
    • Correção de alterações metabólicas.

    Transfusão e procedimentos

    • Transfusão sanguínea pode ser necessária em casos de anemia grave ou perda intensa de sangue;
    • Colonoscopia e endoscopia podem ser utilizadas tanto para diagnóstico quanto para tratamento durante o exame.

    O manejo final será direcionado à causa do sangramento, podendo envolver observação clínica, uso de remédios específicos ou cirurgia, conforme o quadro.

    Leia mais: Vomitou sangue? Pode ser hemorragia digestiva alta

    Perguntas frequentes sobre hemorragia digestiva baixa

    1. Hemorragia digestiva baixa é sempre grave?

    Não. A gravidade depende da causa e do volume de sangue perdido. Alguns casos são leves e autolimitados.

    2. Sangue vivo nas fezes sempre indica hemorragia digestiva baixa?

    É o sinal mais comum, mas a investigação médica é necessária para confirmar a origem e a causa.

    3. Hemorróidas podem causar esse tipo de sangramento?

    Sim. Hemorróidas são uma das causas anatômicas mais frequentes de hemorragia digestiva baixa.

    4. Câncer colorretal pode causar sangramento intestinal?

    Sim. O câncer colorretal pode causar desde sangramentos discretos até hemorragias volumosas.

    5. A colonoscopia serve apenas para diagnóstico?

    Não. Além de identificar a causa, a colonoscopia pode permitir tratamento do sangramento durante o exame.

    6. Sempre é necessário internação?

    Não. Pacientes com sangramentos leves e baixo risco podem ser tratados ambulatorialmente.

    7. A transfusão de sangue é comum nesses casos?

    Ela é indicada apenas quando há anemia grave ou perda significativa de sangue.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Nem toda hepatite é causada por vírus: saiba mais sobre a hepatite autoimune 

    Nem toda hepatite é causada por vírus: saiba mais sobre a hepatite autoimune 

    Nem toda inflamação do fígado é causada por vírus, álcool ou medicamentos. Em alguns casos, o próprio sistema imunológico passa a atacar as células hepáticas, dando origem a uma condição chamada hepatite autoimune.

    Apesar de pouco conhecida, essa é uma doença crônica que pode evoluir silenciosamente por anos, sendo descoberta apenas em exames de rotina. Quando não diagnosticada e acompanhada corretamente, pode levar a fibrose, cirrose e falência hepática, o que reforça a importância do reconhecimento precoce.

    O que é a hepatite autoimune?

    A hepatite autoimune é uma doença crônica caracterizada pela inflamação do fígado causada pela ação inadequada do sistema imunológico, que passa a produzir autoanticorpos contra as próprias células hepáticas. Esse processo inflamatório contínuo pode levar à lesão do fígado e à formação de fibrose ao longo do tempo.

    A condição pode surgir em qualquer idade, mas é mais frequente em mulheres, com dois picos de incidência: um em torno dos 20 anos e outro por volta dos 50 anos.

    Principais sintomas

    Os sintomas da hepatite autoimune variam amplamente, indo desde quadros assintomáticos até manifestações graves de insuficiência hepática.

    Quadros assintomáticos

    Muitos pacientes não apresentam sintomas e recebem o diagnóstico de forma incidental, durante exames de rotina que mostram elevação das enzimas do fígado ou alterações em exames de imagem.

    Sintomas iniciais ou agudos

    Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem:

    • Cansaço;
    • Icterícia (pele e olhos amarelados);
    • Dor abdominal.

    Sintomas em fases avançadas

    Em estágios mais avançados, especialmente quando há cirrose, podem surgir:

    • Ascite (acúmulo de líquido no abdômen);
    • Confusão mental e sonolência;
    • Sangramentos;
    • Aumento do fígado.

    A hepatite autoimune também pode estar associada a outras doenças autoimunes, como artrites e doenças da tireoide.

    Causas

    A hepatite autoimune não possui uma causa única definida. Acredita-se que ela surja em pessoas com predisposição genética, após a exposição a algum gatilho ambiental.

    Entre os fatores associados estão:

    • Infecções virais, como sarampo, hepatites virais, herpes e varicela-zóster;
    • Uso de alguns medicamentos, como metildopa, nitrofurantoína e diclofenaco.

    Esses gatilhos podem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos que atacam o fígado, gerando inflamação persistente e fibrose hepática.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da hepatite autoimune deve ser considerado em qualquer paciente com sinais de doença hepática, seja aguda ou crônica.

    Investigação inicial

    O primeiro passo é excluir causas mais comuns de doença do fígado, como:

    • Doenças metabólicas;
    • Infecções;
    • Consumo excessivo de álcool.

    Exames laboratoriais

    Os exames de sangue geralmente mostram:

    • Elevação das transaminases;
    • Presença de autoanticorpos específicos.

    Biópsia hepática

    A biópsia pode confirmar o diagnóstico, mas nem sempre é necessária. Em muitos casos, o diagnóstico é feito com base no conjunto de sintomas, exames laboratoriais e presença de autoanticorpos.

    Tratamento

    O tratamento da hepatite autoimune deve ser conduzido por um hepatologista e envolve acompanhamento a longo prazo.

    Medidas gerais

    • Suspensão do consumo de álcool;
    • Vacinação contra hepatite A e B;
    • Imunizações adicionais, como pneumococo, influenza e covid-19.

    Quando tratar

    Pacientes assintomáticos geralmente não precisam de tratamento imediato, apenas acompanhamento regular. Já aqueles com sintomas ou alterações laboratoriais importantes iniciam tratamento com remédios.

    Tratamento com remédios

    O tratamento é feito com corticoides, com dose e duração individualizadas. Em pacientes com risco aumentado de efeitos colaterais, pode ser associado um imunossupressor.

    Confira: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre hepatite autoimune

    1. A hepatite autoimune tem cura?

    Não. Trata-se de uma doença crônica, mas o tratamento adequado pode controlar a inflamação e evitar a progressão para cirrose.

    2. A doença pode ficar silenciosa por anos?

    Sim. Muitos pacientes são assintomáticos e descobrem a doença em exames de rotina.

    3. Homens também podem ter hepatite autoimune?

    Sim, embora a doença seja mais comum em mulheres.

    4. Quem tem hepatite autoimune pode consumir álcool?

    Não. O consumo de álcool deve ser evitado, pois pode acelerar a progressão da doença.

    5. A hepatite autoimune é contagiosa?

    Não. Ela não é causada por vírus transmissíveis e não passa de pessoa para pessoa.

    6. É necessário tratamento para toda a vida?

    Nem sempre. Alguns pacientes podem suspender a medicação sob supervisão médica, mas o acompanhamento é contínuo.

    7. A doença pode evoluir para cirrose?

    Sim, principalmente se não for diagnosticada e tratada adequadamente.

    Leia mais: Hepatite A: o que é, como se transmite e como prevenir