Autor: Dra. Maysa Seabra Cendoroglo

  • Terceira idade: como a socialização ajuda a prevenir demência? 

    Terceira idade: como a socialização ajuda a prevenir demência? 

    Cuidar da alimentação, praticar atividade física e manter as consultas médicas em dia não são as únicas medidas necessárias para envelhecer com qualidade de vida.

    No dia a dia, manter uma vida social ativa, conversar com amigos e conviver com diferentes gerações são hábitos que estimulam diferentes áreas do cérebro e ajudam a preservar as funções cognitivas ao longo dos anos.

    Segundo Maysa Seabra Cendoroglo, médica geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a sociabilização e a capacidade de adaptação são fatores determinantes para a longevidade saudável. O contato frequente funciona como um exercício para a mente, ajudando a proteger o cérebro, a manter a memória ativa e a diminuir o risco de demências, como o Alzheimer.

    De acordo com a especialista, o convívio entre diferentes gerações, que reúne avós, filhos, netos e bisnetos, promove uma troca de experiências que dá mais sentido à vida e faz com que o idoso se sinta valorizado e parte da sociedade. O isolamento, por outro lado, diminui os estímulos que o cérebro precisa e acelera a perda das capacidades mentais.

    Como a convivência estimula o cérebro?

    A convivência social estimula o cérebro a partir de atividades simples que fazem parte do dia a dia, como conversar, ouvir histórias, lembrar de acontecimentos, interpretar expressões faciais, compartilhar emoções e responder a perguntas.

    Quando você conversa com alguém, o cérebro precisa realizar uma série de tarefas complexas em poucos segundos:

    • Atenção e escuta ativa: é preciso focar no que a outra pessoa está dizendo e ignorar os barulhos ao redor;
    • Processamento de linguagem: o cérebro decodifica o significado das palavras, o tom de voz e até as expressões faciais do outro;
    • Memória de curto e longo prazo: você precisa lembrar do início da conversa para fazer sentido e buscar memórias antigas para responder ou contar uma história;
    • Raciocínio e tomadas de decisão: o cérebro planeja a resposta e decide o momento certo de falar.

    “Quando você interage com outra pessoa, você tem estímulos cognitivos que exercitam o seu cérebro, que te trazem propósito, fazem com que você se sinta mais integrado na sociedade, se sinta com valores reconhecidos”, explica Maysa.

    Além disso, interagir com as pessoas libera neurotransmissores como a dopamina e a ocitocina, que reduzem os hormônios do estresse, como o cortisol. Uma vez que o estresse crônico danifica as células cerebrais, a convivência atua como um escudo protetor para a saúde da mente.

    O isolamento social pode acelerar a demência?

    O isolamento social pode acelerar o surgimento e a progressão da demência, uma vez que a falta de contato com outras pessoas priva o cérebro dos estímulos diários necessários para se manter ativo, funcionando de forma semelhante ao enfraquecimento de um músculo que deixa de ser exercitado.

    Além do desuso da mente, a solidão crônica aumenta os níveis de estresse, o que eleva a produção de cortisol. O excesso do hormônio provoca uma inflamação que machuca as células cerebrais ao longo do tempo.

    O isolamento também é o principal gatilho para a depressão na terceira idade, uma doença que diminui o tamanho do hipocampo, a área do cérebro responsável por armazenar memórias.

    Por fim, o idoso que vive isolado costuma perder o autocuidado. Ele tende a se movimentar menos, a se alimentar mal e a descuidar do tratamento de problemas como pressão alta e diabetes. Um estilo de vida sedentário prejudica a circulação de sangue no cérebro, aumentando o risco tanto do Alzheimer quanto da demência vascular.

    Outros benefícios da socialização na terceira idade

    Além de proteger o cérebro contra a demência, manter uma vida social ativa contribui para:

    • Reduzir o estresse ao diminuir os níveis de cortisol, hormônio que, em excesso, acelera o envelhecimento do organismo;
    • Melhorar a qualidade do sono, já que a convivência ajuda a reduzir a ansiedade e favorece o relaxamento;
    • Incentivar a prática de atividade física, como caminhadas, alongamentos e exercícios em grupo;
    • Fortalecer a imunidade, tornando o organismo mais preparado para combat combat infecções;
    • Ajudar a prevenir a depressão ao reduzir a solidão e aumentar o sentimento de pertencimento;
    • Estimular o autocuidado, favorecendo hábitos como uma alimentação equilibrada, o uso correto dos medicamentos e os cuidados com a saúde.

    Como ajudar o idoso a ser mais sociável no dia a dia?

    Para incentivar o idoso a socializar mais no dia a dia, é preciso respeitar as preferências, a rotina e as limitações dele, sem cobranças ou pressão. O mais importante é encontrar atividades que tragam prazer e façam sentido para aquela pessoa. Veja algumas dicas:

    • Incentive os encontros em família, com almoços, visitas e momentos de conversa entre avós, filhos, netos e bisnetos;
    • Peça para o idoso contar histórias, ensinar uma receita, um jogo ou alguma habilidade que aprendeu ao longo da vida, valorizando a experiência e o conhecimento acumulados;
    • Use a tecnologia para manter contato com familiares e amigos que moram longe por meio de chamadas de vídeo ou mensagens;
    • Procure centros de convivência para a terceira idade, que costumam oferecer oficinas, cursos, jogos, atividades culturais e oportunidades para fazer novas amizades;
    • Estimular a prática de atividade física em grupo, como caminhadas, hidroginástica, dança ou alongamento, unindo os benefícios do exercício ao convívio social;

    Segundo Maysa, a família também pode considerar o acompanhamento psicológico, quando necessário. A terapia de apoio ajuda o idoso a lidar com as perdas, as mudanças e as dificuldades do dia a dia, aumentando a autoestima e a confiança para que ele se sinta seguro e motivado a participar da vida social.

    Quando procurar ajuda?

    É hora de procurar a ajuda de um geriatra, psicólogo ou psiquiatra quando notar as seguintes mudanças de comportamento no idoso:

    • Passar a evitar o contato com amigos e familiares, recusando convites e deixando de participar de conversas e encontros;
    • Perder o interesse por atividades que antes davam prazer, como cuidar das plantas, cozinhar, ler, assistir à TV ou fazer artesanato;
    • Apresentar mudanças de humor, como tristeza frequente, desânimo, irritação ou falta de vontade de interagir com outras pessoas;
    • Esquecer informações com mais frequência, repetir as mesmas perguntas, ter dificuldade para encontrar palavras ou ficar confuso em relação ao tempo e ao lugar;
    • Descuidar da própria saúde, esquecendo de tomar os medicamentos, pulando refeições, perdendo peso sem explicação ou deixando de cuidar da higiene pessoal.

    Quanto mais cedo a avaliação médica for realizada, maiores são as chances de identificar a causa dos sintomas e iniciar o tratamento mais adequado, para que o idoso mantenha a autonomia e a qualidade de vida pelo maior tempo possível.

    Confira: Esquecimento ou algo além? Saiba reconhecer os primeiros sinais de demência

    Perguntas frequentes

    1. A partir de qual idade uma pessoa é considerada idosa?

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a terceira idade começa aos 60 anos em países em desenvolvimento (como o Brasil) e aos 65 anos em países desenvolvidos.

    2. Idosos tímidos ou introvertidos correm mais risco de ter declínio cognitivo?

    Não necessariamente, pois ser introvertido é um traço de personalidade. O risco está no isolamento social forçado ou na solidão sofrida, onde o idoso perde o contato com o mundo externo e deixa de exercitar a mente.

    3. Quais são os primeiros sinais de que o isolamento está prejudicando a mente do idoso?

    Apatia, irritabilidade ao ser contrariado, esquecimento de palavras simples durante uma conversa, repetição das mesmas histórias em curto espaço de tempo e descuido com a higiene pessoal.

    4. Cuidar de um animal de estimação reduz os impactos do isolamento social?

    Os pets são ótimos para o afeto e ajudam a dar senso de rotina e propósito, reduzindo a solidão. No entanto, eles não substituem a troca cognitiva que só acontece na interação entre humanos

    5. Qual médico a família deve procurar caso o idoso esteja muito isolado e esquecido?

    O médico ideal é o geriatra, que fará uma avaliação global da saúde física e mental do idoso. Se necessário, ele atuará em conjunto com um psicólogo ou neuropsicólogo.

    6. Morar sozinho na terceira idade aumenta o risco de demência?

    Morar sozinho aumenta o risco apenas se houver isolamento. Se o idoso tiver uma rotina ativa, sair de casa, receber visitas e mantiver contato com a comunidade, a independência de morar sozinho não prejudica a saúde mental.

    Leia também: É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

  • Suplementação: o perigo de dar vitaminas para idosos sem prescrição médica

    Suplementação: o perigo de dar vitaminas para idosos sem prescrição médica

    A perda gradual de massa muscular e de força ao longo dos anos é uma condição natural conhecida como sarcopenia, que costuma acelerar consideravelmente após os cinquenta anos de idade. Na tentativa de combater o processo, algumas famílias tendem a recorrer ao uso de suplementos alimentares para manter a autonomia dos idosos.

    No entanto, o uso dos produtos por conta própria e sem orientação médica apresenta riscos graves que podem comprometer o funcionamento de órgãos vitais.

    Segundo Maysa Seabra Cendoroglo, médica geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o organismo na terceira idade processa as substâncias de forma diferente, já que os rins e o fígado também passam pelo processo de envelhecimento e toleram menos as sobrecargas.

    Por isso, mesmo suplementos considerados seguros podem causar efeitos indesejados quando utilizados sem necessidade ou em doses inadequadas. “Quanto mais a pessoa envelhece, mais individualizada é a necessidade de você fazer uma prescrição para ela”, aponta Maysa.

    Por que a suplementação sem orientação é perigosa para o idoso?

    A suplementação sem orientação médica é perigosa para o idoso porque o organismo na terceira idade processa as substâncias de forma completamente diferente de um adulto jovem. Com o passar dos anos, os órgãos passam por um envelhecimento natural, o que altera o ritmo de absorção, filtragem e eliminação de nutrientes.

    Quando o idoso consome vitaminas ou shakes proteicos por conta própria, o corpo não consegue expelir o excesso, causando uma sobrecarga que pode provocar uma doença renal, segundo Maysa.

    Além do risco de sobrecarga, o consumo exagerado de nutrientes pode causar toxicidade, conhecida como hipervitaminose. Por exemplo, vitaminas como a A, D e K não são eliminadas facilmente pela urina e acumulam-se no organismo, provocando desde tonturas e náuseas até a calcificação perigosa de artérias.

    Por fim, há também o risco das interações medicamentosas, já que muitos idosos tomam remédios contínuos para pressão ou diabetes, e alguns minerais presentes nos suplementos podem cortar ou anular o efeito dessas medicações.

    O risco de mascarar problemas de saúde mais sérios

    A perda de força, o emagrecimento e a diminuição da massa muscular nem sempre são apenas consequência do envelhecimento e podem estar relacionados a doenças que precisam de tratamento específico, como anemias, alterações na tireoide e até problemas gastrointestinais.

    Quando o idoso começa a tomar suplementos por conta própria, sem passar por uma avaliação médica, existe o risco de aliviar temporariamente alguns sintomas e adiar o diagnóstico da verdadeira causa do problema. Ao mesmo tempo, a doença preexistente pode continuar evoluindo de maneira silenciosa.

    Vitaminas em excesso: quais os efeitos colaterais na terceira idade?

    Como os rins e o fígado dos idosos têm uma capacidade reduzida de filtrar e eliminar os excessos, o consumo exagerado e sem controle de vitaminas pode causar complicações como:

    1. Excesso de cálcio e vitamina D

    O consumo excessivo desses nutrientes pode aumentar os níveis de cálcio no sangue. Como consequência, pode favorecer a formação de pedras nos rins, causar alterações no ritmo cardíaco e aumentar o risco de calcificação dos vasos sanguíneos, especialmente quando há suplementação sem indicação médica.

    2. Excesso de vitamina A

    O uso prolongado de doses elevadas de vitamina A pode aumentar o risco de perda de massa óssea, favorecendo o desenvolvimento de osteoporose e fraturas, principalmente em idosos. Além disso, pode causar toxicidade no fígado, provocando sintomas como náuseas, tontura, dor de cabeça e queda de cabelo.

    3. Excesso de vitamina C

    Apesar de ser eliminada pela urina, o consumo frequente de doses muito altas de vitamina C pode aumentar o risco de formação de cálculos renais em pessoas predispostas e provocar desconfortos gastrointestinais, como cólicas, diarreia e azia.

    4. Excesso de vitamina B6

    O uso prolongado de altas doses de vitamina B6 pode causar neuropatia periférica, caracterizada por sintomas como formigamento, dormência e sensação de queimação nas mãos e nos pés. Em casos mais graves, também pode comprometer o equilíbrio e dificultar a caminhada.

    5. Excesso de ferro

    O ferro só deve ser suplementado quando há deficiência comprovada, pois o excesso pode se acumular em órgãos como fígado, coração e pâncreas, causando lesões ao longo do tempo e aumentando o risco de problemas como cirrose, alterações cardíacas e diabetes.

    Quando o idoso realmente precisa tomar suplementos?

    A necessidade de suplementação só deve ser confirmada após uma avaliação clínica e, quando necessário, a realização de exames laboratoriais solicitados por um médico ou nutricionista.

    Com base nos resultados, o profissional consegue identificar possíveis deficiências nutricionais, como baixos níveis de vitamina D, vitamina B12 ou ferro, e indicar o suplemento mais adequado, na dose e pelo tempo necessários para corrigir a deficiência com segurança.

    Além da deficiência comprovada, a suplementação também pode ser indicada em situações que dificultam a ingestão ou a absorção dos nutrientes, como em casos de:

    • Perda importante de apetite;
    • Dificuldades para mastigar ou engolir os alimentos;
    • Doenças que comprometem a absorção intestinal;
    • Após cirurgias no estômago ou no intestino.

    Em todas as situações, o acompanhamento profissional é importante para garantir que a suplementação realmente traga benefícios e não represente riscos para a saúde do idoso.

    Confira: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

    Perguntas frequentes

    1. Quais os sintomas de que o idoso está sofrendo com excesso de vitaminas?

    Os sinais mais comuns de hipervitaminose incluem náuseas, tonturas, cansaço inexplicável, formigamento nas mãos e pés, além de alterações nos exames de função renal.

    2. Suplementos podem cortar o efeito dos remédios de uso contínuo?

    Sim, certos minerais e vitaminas interagem com medicamentos para pressão, diabetes, coração e anticoagulantes, anulando o efeito do remédio ou potencializando seus riscos.

    3. Vitaminas para o cérebro funcionam contra a perda de memória?

    Não há comprovação científica de que polivitamínicos comerciais previnam o Alzheimer. A perda de memória deve ser investigada por um médico para tratar a causa exata.

    4. Shakes industriais podem substituir as refeições principais do idoso?

    Não, eles devem funcionar apenas como um complemento. Substituir o almoço ou jantar por shakes reduz o estímulo da mastigação e pode causar desequilíbrios nutricionais a longo prazo.

    5. Por que a falta de vitamina B12 é tão comum em idosos?

    Porque o estômago do idoso produz menos ácido e uma substância chamada fator intrínseco, essenciais para absorver a B12 dos alimentos. A carência causa anemia e formigamentos, mas a dose da reposição deve ser calculada pelo médico.

    6. Qual é o perigo de dar cápsulas de ômega-3 sem indicação para o idoso?

    O ômega-3 em altas doses tem efeito anticoagulante. Se o idoso já toma remédios para afinar o sangue (como AAS ou varfarina), o uso do suplemento sem controle aumenta o risco de sangramentos e hemorragias perigosas.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

  • Reserva funcional: 5 hábitos que ajudam você a viver mais e melhor

    Reserva funcional: 5 hábitos que ajudam você a viver mais e melhor

    Você já ouviu falar no termo reserva funcional? De maneira geral, é a capacidade que o corpo desenvolve para enfrentar o envelhecimento, doenças, cirurgias ou períodos de maior estresse sem perder a independência e a qualidade de vida.

    Na prática, é como se a reserva fosse uma poupança biológica de saúde: quanto maior ela for, mais preparado o organismo estará para lidar com os desafios naturais do passar dos anos. A geriatra Maysa Seabra Cendoroglo, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, explica que ela começa a ser formada e gasta desde o momento em que nascemos.

    “Se você faz escolhas boas, positivas, vai gastar menos dessas reservas e chegar a idades mais avançadas com um potencial melhor. Se, na verdade, faz escolhas ruins, mais precocemente vai ficar sem reserva”, explica a especialista.

    Como funciona a reserva funcional?

    A reserva funcional funciona como um mecanismo de compensação e proteção do próprio organismo. Todos os órgãos e sistemas, como o coração, os pulmões, os rims, os músculos e até o cérebro, possuem uma capacidade de funcionamento muito maior do que aquela necessária para realizar as atividades básicas do dia a dia, como caminhar, tomar banho, subir escadas ou respirar em repouso.

    A reserva permite justamente que o organismo responda melhor quando enfrenta situações que demandam um esforço maior. Quanto maior ela for, maior tende a ser a capacidade de recuperação do corpo e menores são as chances de perder a autonomia após um problema de saúde.

    Ao longo da vida, o organismo passa naturalmente por mudanças que reduzem a força muscular, a capacidade cardiorrespiratória, a densidade óssea e até algumas funções cognitivas. Contudo, a velocidade pode variar de uma pessoa para outra e está diretamente relacionada aos hábitos de vida.

    Por que a reserva funcional é importante para a longevidade?

    A reserva funcional ajuda a determinar se os anos a mais de vida serão vividos com independência ou com limitações. A ideia não é apenas esticar o tempo de vida, mas garantir chegar na terceira idade com disposição para manter a própria rotina e a autonomia.

    Uma boa reserva funcional permite que o idoso continue realizando tanto as atividades básicas, como levantar da cama, tomar banho, se vestir e se alimentar sozinho, quanto tarefas mais complexas, como fazer compras, cozinhar, administrar o próprio dinheiro, dirigir ou utilizar o transporte público.

    Além de preservar a independência, a reserva funcional também ajuda o organismo a enfrentar melhor os efeitos do envelhecimento. Mesmo em quadros de diabetes ou hipertensão, por exemplo, um corpo mais preparado costuma responder melhor ao tratamento, se recuperar com mais facilidade após cirurgias ou internações e sofrer menos impacto na qualidade de vida.

    Sinais de que a sua reserva funcional pode estar baixa

    O corpo costuma dar pequenos sinais de alerta no dia a dia de que a reserva funcional está ficando baixa, como:

    • Cansaço excessivo para realizar tarefas simples, como subir escadas, carregar compras ou caminhar pequenas distâncias;
    • Recuperação mais lenta após gripes, resfriados ou outras doenças comuns;
    • Perda de força muscular, dificuldade para levantar da cadeira ou redução do equilíbrio;
    • Falta de ar durante atividades leves ou até mesmo ao conversar e caminhar;
    • Dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação de raciocínio mais lento;
    • Sono que não traz sensação de descanso, com cansaço mesmo após uma noite inteira dormindo;
    • Cicatrização lenta de cortes, arranhões e hematomas, que demoram mais para desaparecer.

    Como aumentar e preservar a reserva funcional

    A genética influencia apenas cerca de 30% da longevidade, e os outros 70% estão relacionados aos hábitos de vida. As escolhas feitas todos os dias ajudam a construir (ou a reduzir) a reserva funcional ao longo dos anos.

    Para ajudar a fortalecer a reserva funcional, vale a pena adotar algumas medidas, como:

    1. Pratique atividade física regularmente

    Com o envelhecimento, a perda de massa muscular acontece de forma natural. O processo acelera sem estímulos, aumentando o risco de fragilidade e perda de autonomia.

    O que fazer: combine exercícios de força, como musculação ou pilates, com atividades aeróbicas. O treino deve respeitar a condição física e evoluir de forma gradual para fortalecer músculos, coração e pulmões.

    2. Tenha uma alimentação equilibrada

    Uma alimentação variada fornece os nutrientes necessários para manter músculos, ossos e órgãos saudáveis. Já os suplementos só devem ser utilizados quando houver indicação de um profissional de saúde.

    O que fazer: priorize frutas, verduras, legumes, grãos, leguminosas e proteínas de qualidade, reduzindo o consumo de alimentos ultraprocessados. Também é importante consumir proteínas em quantidade adequada para preservar a massa muscular, sempre com orientação quando necessário.

    3. Mantenha o cérebro e a vida social ativos

    A reserva funcional também depende da saúde do cérebro. No cotidiano, aprender coisas novas e manter contato com outras pessoas ajuda a preservar a memória, o raciocínio e reduz o risco de isolamento.

    O que fazer: leia, faça jogos de raciocínio, aprenda uma nova habilidade, participe de grupos e cultive os relacionamentos. Conviver com pessoas de diferentes idades também traz benefícios para a saúde física e mental.

    4. Controle o estresse

    O estresse constante favorece processos inflamatórios e o chamado estresse oxidativo, que acelera o desgaste das células e pode comprometer a reserva funcional.

    O que fazer: reserve momentos para descansar e encontre estratégias que ajudem a aliviar as tensões do dia a dia, como atividades relaxantes, exercícios físicos, meditação e acompanhamento psicológico, quando necessário.

    5. Cuide da qualidade do sono

    Durante o tempo de sono, o organismo recupera os tecidos, fortalece o sistema imunológico e regula diversos processos importantes para a saúde. Com o envelhecimento, é comum que o sono fique mais leve e fragmentado, mas isso não significa que deva ser deixado de lado.

    O que fazer: mantenha horários regulares para dormir, evite o uso de telas antes de deitar e procure ajuda médica caso tenha dificuldade para dormir ou acorde cansado com frequência. Um sono de qualidade é necessário para preservar a reserva funcional e envelhecer com mais saúde.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

    Perguntas frequentes

    1. Existe uma idade certa para começar a cuidar da reserva?

    Sim, o momento ideal é desde o nascimento. A reserva é formada e gasta continuamente, por isso, hábitos saudáveis desde a juventude fazem toda a diferença no futuro.

    2. É possível aumentar a reserva funcional depois dos 60 anos?

    Com certeza. O corpo responde positivamente a estímulos, como exercícios de força e boa nutrição, em qualquer fase da vida.

    3. Suplementos são necessários para aumentar a reserva?

    Não necessariamente. A maioria das pessoas consegue o que precisa na alimentação. Os suplementos devem ser prescritos apenas por médicos ou nutricionistas após avaliação individual.

    4. Onde buscar ajuda para avaliar minha reserva atual?

    O médico geriatra é o profissional mais indicado para realizar uma avaliação completa e orientar estratégias específicas para o seu caso.

    5. Terapia ajuda a melhorar a reserva funcional?

    Sim, principalmente a terapia de apoio. Ela ajuda o idoso a lidar com o estresse e as dificuldades do dia a dia, diminuindo o impacto emocional negativo no organismo.

    6. A reabilitação física funciona mesmo em idades muito avançadas?

    Funciona. Desde que o idoso queira e passe por fisioterapia adequada, o corpo demonstra uma capacidade fantástica de resiliência e recuperação, mesmo após internações graves ou cirurgias.

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