Autor: Dra. Gabriela Barreto

  • Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

    Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

    Sabia que quase 40% da população mundial convive com algum tipo de dor de cabeça? O sintoma costuma surgir em diferentes momentos da rotina, principalmente em fases de estresse ou cansaço físico e mental. Nesses casos, o corpo reage mudando o fluxo de sangue no cérebro, aumentando a tensão muscular e liberando substâncias que intensificam a dor.

    Normalmente, o incômodo não indica nenhum problema de saúde, mas quando ele dura mais de três dias durante o mês e muda de padrão, pode ser necessário investigar alguma condição mais séria. Conversamos com a médica de família e comunidade Gabriela Barreto para entender quando é necessário procurar ajuda médica. Confira!

    O que pode causar dor de cabeça constante?

    A dor de cabeça constante pode ser causada por diferentes fatores, desde alterações benignas até condições de saúde que merecem atenção médica. Em geral, o quadro pode ser causado por:

    Cefaleia primária

    A dor de cabeça primária é aquela que não é causada por outra doença, e não há nenhuma alteração estrutural metabólica, estrutural ou outro fator que a explique. Em episódios frequentes, existem dois tipos principais, sendo eles:

    • Enxaqueca: surge por alterações no funcionamento das vias nervosas e dos vasos sanguíneos do cérebro. Segundo Gabriela, ela causa uma dor pulsátil, moderada a forte, geralmente em um lado da cabeça — e pode vir acompanhada de náuseas, sensibilidade à luz e ao som, e piorar com esforço físico. Em algumas pessoas, há sinais prévios chamados “aura”, como visão embaçada ou pontos luminosos;
    • Cefaleia de tensão (dor de cabeça tensional): é o tipo mais comum de dor e costuma ser leve a moderada, com sensação de aperto ou pressão ao redor do crânio, como se algo comprimisse a cabeça de maneira contínua. O quadro costuma estar associado a tensão muscular, estresse, noites mal dormidas e má postura, fatores que aumentam a rigidez na musculatura do pescoço.

    “Fatores como estresse emocional, noites mal dormidas, jejum prolongado, excesso de cafeína ou certos alimentos (como chocolates, queijos curados e bebidas alcoólicas) podem desencadear ou piorar crises de dor de cabeça, especialmente em indivíduos predispostos”, complementa Gabriela.

    Cefaleias secundárias

    As dores de cabeça secundárias são aquelas que aparecem por causa de algum fator identificável, isto é, uma condição clínica que provocou o sintoma. Diferentemente das cefaleias primárias, que surgem sem ligação com alguma doença, as secundárias aparecem como consequência de um problema específico do organismo.

    Entre as causas secundárias que podem causar dor de cabeça mais frequente na rotina, é possível destacar:

    • Problemas de visão, como astigmatismo e miopia, ainda mais quando a pessoa realiza atividades que exigem esforço visual prolongado, como leitura, uso de telas ou direção;
    • Sinusites e outras infecções respiratórias, que geram sensação de pressão na testa, nas maçãs do rosto e atrás dos olhos, piorando ao abaixar a cabeça ou ao acordar;
    • Crises de pressão alta, principalmente quando os níveis sobem de maneira abrupta, causando dor intensa na região da nuca ou sensação de peso na cabeça;
    • Desidratação, jejum prolongado e noites de sono ruins, que reduzem o aporte de energia para o cérebro e aumentam a sensibilidade à dor;
    • Traumas na cabeça, mesmo leves, que podem desencadear dor persistente por dias ou semanas e requerem avaliação médica;
    • Doenças neurológicas ou infecções mais graves, como meningite, hemorragias e tumores, que são menos comuns mas precisam ser identificadas rapidamente quando há outros sintomas associados.

    A dor costuma melhorar quando a causa de origem é tratada, fato o que torna o diagnóstico correto importante para a escolha do melhor tratamento.

    Excesso de analgésicos pode piorar a dor de cabeça?

    O uso excessivo de analgésicos comuns, como dipirona, paracetamol ou ibuprofeno, pode levar ao quadro conhecido como cefaleia por uso excessivo de medicação, de acordo com Gabriela, no qual a dor se torna cada vez mais frequente, intensa e difícil de controlar.

    Quando o organismo passa a depender do alívio rápido proporcionado pelo remédio, instala-se um ciclo de melhora momentânea seguida de retorno rápido do incômodo, o que estimula novas doses e aumenta ainda mais a sensibilidade à dor. O ideal, em qualquer situação, é que o analgésico seja usado com moderação.

    Quando procurar ajuda médica?

    Segundo Gabriela Barreto, alguns sinais podem indicar que a dor está ligada a causas secundárias mais graves, exigindo avaliação rápida. Quando um desses sinais aparece, a orientação é buscar um pronto-atendimento sem demora:

    • Dor de cabeça que surge de forma súbita e muito intensa geralmente descrita como “a pior dor da vida”;
    • Dor que acorda a pessoa durante a noite ou piora progressivamente;
    • Dor após traumatismo craniano;
    • Dor associada a alterações na visão, fala, força ou sensibilidade;
    • Dor acompanhada de vômitos persistentes, febre alta, rigidez no pescoço ou confusão mental;
    • Início após os 50 anos de idade

    “Quando a dor muda de padrão, surge de forma súbita e intensa, ou vem acompanhada de outros sintomas neurológicos, é importante buscar avaliação médica para exclusão de alguma condição mais séria”, aponta Gabriela.

    Como é feita a investigação de dor de cabeça constante?

    A investigação de dor de cabeça constante começa com uma conversa detalhada entre o paciente e o médico. O profissional pergunta quando a dor surgiu, com que frequência aparece, quanto dura, onde dói e se há sintomas associados, como náuseas, tontura ou sensibilidade à luz e ao som. Ele também pode perguntar sobre o uso frequente de analgésicos, que pode agravar o quadro.

    Depois disso, o exame físico ajuda a identificar sinais de tensão muscular, problemas na coluna cervical, alterações neurológicas ou indícios de sinusite. Em muitos casos, a avaliação inicial já é suficiente para definir o tipo de dor e orientar o tratamento.

    De acordo com Gabriela, o uso de exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, é indicado apenas quando há sinais de alerta, mudança no padrão habitual da dor, ou quando há suspeita de causas secundárias.

    Como aliviar a dor de cabeça?

    A melhor forma de aliviar a dor de cabeça depende da causa, mas algumas medidas simples costumam ajudar a reduzir o desconforto no dia a dia, como:

    • Aplicar compressas frias na testa ou na nuca para reduzir a inflamação e aliviar a tensão;
    • Descansar em um ambiente silencioso, arejado e com pouca luz, o que diminui a sensibilidade a estímulos;
    • Beber água ao longo do dia para manter a hidratação e evitar crises relacionadas à desidratação;
    • Fazer refeições regulares, sem longos períodos de jejum, para estabilizar os níveis de energia;
    • Alongar pescoço, ombros e parte superior das costas após muitas horas sentado ou diante de telas;
    • Ajustar a iluminação do ambiente e diminuir o brilho de celulares, computadores e televisões;
    • Realizar pausas frequentes durante atividades que exigem foco visual ou postura fixa;
    • Manter uma rotina de sono regular, com horários definidos para dormir e acordar;
    • Praticar técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação, para reduzir o estresse.

    Em alguns momentos, o uso de analgésicos simples pode ajudar, mas ele deve ser pontual e sempre orientado por um médico, evitando que o quadro piore. Não se automedique!

    Veja mais: Dor de cabeça é sintoma de aneurisma cerebral? Saiba como identificar

    Perguntas frequentes

    O que diferencia a enxaqueca da dor de cabeça comum?

    A enxaqueca é uma condição neurológica, normalmente mais forte e incapacitante, com dor pulsátil que pode durar horas ou dias. Ela costuma vir acompanhada de náuseas, vômitos e sensibilidade intensa à luz, aos sons e a cheiros.

    Já a dor de cabeça comum, como a cefaleia de tensão, tende a ser mais leve ou moderada, com sensação de pressão ao redor da cabeça. Enquanto a enxaqueca tem gatilhos específicos e crises recorrentes, a dor de tensão costuma surgir por estresse, postura inadequada e tensão muscular.

    O uso de telas pode causar dor de cabeça?

    O uso prolongado de computadores, celulares e tablets exige esforço visual contínuo e aumenta a tensão nos músculos ao redor dos olhos. Quando a pessoa passa horas sem pausas, com brilho excessivo ou má iluminação, a fadiga ocular aparece, causando dor na testa e nas têmporas.

    Algumas dicas podem ajudar nesses casos, como ajustar a iluminação, reduzir o brilho e fazer pausas a cada 30 a 40 minutos.

    Dor de cabeça pode ter relação com o período menstrual?

    Sim, pois a queda de estrogênio que acontece antes da menstruação pode sensibilizar os vasos sanguíneos e aumentar as chances de enxaqueca. Inclusive, muitas mulheres relatam crises mensais mais fortes e duradouras. Em alguns casos, ajustes hormonais ou estratégias preventivas podem ajudar.

    Dor de cabeça ao acordar é comum?

    Sim, muitas pessoas sentem dor logo ao acordar, e isso pode ocorrer por diferentes motivos, como noites mal dormidas, bruxismo, apneia do sono, postura inadequada ao dormir, desidratação e estresse.

    Quando a dor aparece quase todos os dias ao acordar, é importante investigar problemas respiratórios noturnos ou distúrbios do sono, que têm impacto direto no padrão da dor.

    Beber café pode provocar dor de cabeça?

    A cafeína presente no café é estimulante e, quando consumida em excesso, pode levar à vasoconstrição seguida de vasodilatação, mecanismo que desencadeia a dor de cabeça. Em pessoas que já têm sensibilidade, várias xícaras de café, energéticos ou chás escuros podem piorar o quadro.

    O que pode desencadear uma crise de enxaqueca?

    A enxaqueca pode ser engatilhada por diversos fatores, que variam de pessoa para pessoa. Os mais comuns incluem:

    • Estresse emocional;
    • Noites mal dormidas;
    • Jejum prolongado;
    • Álcool;
    • Certos alimentos;
    • Variações hormonais;
    • Cheiros fortes;
    • Luz intensa;
    • Mudanças climáticas;
    • Uso excessivo de analgésicos.

    Quanto tempo dura uma crise de enxaqueca?

    Uma crise de enxaqueca pode durar horas ou até três dias, dependendo da intensidade, dos gatilhos e do tratamento. Algumas pessoas conseguem interromper a crise no início com medidas simples no dia a dia, mas outras necessitam de medicação específica, indicada por um médico.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

  • Uso nocivo de álcool: 10 sinais de alerta e como a família pode ajudar

    Uso nocivo de álcool: 10 sinais de alerta e como a família pode ajudar

    Quando o consumo de bebidas alcoólicas se torna frequente e excessivo no dia a dia, o organismo passa a conviver com alterações que, normalmente, passam despercebidas no início.

    Em casos de uso nocivo de álcool, também chamado de binge drinking, o contato constante com a substância pode desencadear desgaste físico, piora do sono, irritação gástrica e queda de energia — além de mudanças no humor e concentração que afetam as tarefas simples, relações pessoais e até o rendimento no trabalho.

    Com o tempo, quando o uso de álcool continua por muito tempo, o cérebro se adapta à presença constante da bebida e cria uma tolerância, fazendo a pessoa precisar de doses maiores para sentir o mesmo efeito. Isso pode evoluir para uma dependência alcóolica, uma doença crônica e multifatorial, e um dos transtornos mentais mais comuns relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas.

    Uso nocivo de álcool e dependência de álcool são a mesma coisa?

    O uso nocivo de álcool e a dependência alcoólica não são a mesma coisa, mas fazem parte do mesmo conjunto de problemas relacionados ao consumo.

    Quando uma pessoa apresenta uso nocivo, ela já bebe de um jeito que causa prejuízos na saúde, na rotina, no humor e nos relacionamentos, mas ainda mantém algum grau de controle sobre quando e quanto consome.

    O binge drinking, também chamado de Beber Pesado Episódico (BPE), é definido pela Organização Mundial da Saúde como ingestão de 60 g ou mais de álcool puro, o equivalente a cerca de 4 doses, em pelo menos uma ocasião no último mês.

    Já a dependência alcoólica é um quadro mais grave, em que o consumo passa a ser guiado por necessidade, não apenas por vontade. A pessoa sente forte desejo de beber, precisa de doses maiores para ter o mesmo efeito e pode apresentar tremores, suor frio, irritabilidade e ansiedade quando tenta parar. O álcool vira prioridade no dia a dia e interfere em diversas áreas da vida.

    A OMS define dependência como um conjunto de mudanças comportamentais, cognitivas e físicas que surgem após uso repetido de álcool e tornam o consumo cada vez mais difícil de controlar. No Brasil, estima-se que 1,4% da população conviva com algum grau de dependência alcoólica, segundo dados de 2018.

    Quando saber que o uso de álcool não é mais social?

    O consumo de álcool deixa de ser social e passa a ser um padrão de risco quando a bebida começa a ocupar espaço maior do que deveria na rotina. De acordo com a médica de família e comunidade, Gabriela Barreto, isso pode ser observado nas seguintes situações:

    • Quando a pessoa usa a bebida como forma de escape ou para lidar com emoções;
    • Quando precisa beber para relaxar ou “desligar” após o dia;
    • Quando há dificuldade de parar ou controlar a quantidade ingerida;
    • Quando o álcool começa a interferir nas relações pessoais, no trabalho ou na saúde.

    Também é possível notar mudanças no comportamento, como ressacas intensas, apagões, faltas no trabalho, conflitos familiares ou piora da saúde física e mental. A partir do momento em que a bebida deixa de ser eventual e passa a interferir no bem-estar, no desempenho diário e nas relações, o consumo já não é considerado social e merece atenção profissional.

    “Não existe um nível totalmente seguro de álcool para o organismo, pois mesmo pequenas quantidades diárias podem ser prejudiciais se o consumo for constante”, explica a especialista.

    Quais são os principais sinais de alerta do uso nocivo de álcool?

    Os sinais do uso nocivo de álcool podem ser discretos no início, mas costumam se tornar evidentes com o passar do tempo. Gabriela aponta os principais sinais comportamentais:

    • Afastamento social ou troca de círculos de amizade;
    • Mudanças de humor (irritabilidade, impulsividade, ansiedade ou depressão);
    • Beber sozinho ou em horários inadequados;
    • Negligência com responsabilidades no trabalho, nos estudos ou em casa;
    • Mentiras ou tentativas de esconder o consumo.

    Já os sinais físicos incluem:

    • Alterações no sono e no apetite;
    • Alterações de memória e lapsos após beber;
    • Cansaço frequente e queda no desempenho diário;
    • Tremores nas mãos, sudorese excessiva ou palpitações;
    • Em casos mais avançados, sinais de lesão hepática, como pele e olhos amarelados.

    Quando o uso de álcool continua por muito tempo e vai ficando mais intenso, o cérebro começa a se adaptar à presença constante da bebida. Com isso, surge a tolerância, que é a necessidade de beber quantidades maiores para sentir o mesmo efeito de antes.

    Depois, pode aparecer a dependência fisiológica, que faz o corpo reagir mal quando a pessoa tenta parar, causando sintomas de abstinência. A partir daí, beber deixa de ser uma escolha e vira uma compulsão, com perda de controle, marcando a passagem do uso nocivo para a dependência alcoólica.

    Como o consumo frequente afeta a saúde do corpo?

    Mesmo quando a pessoa ainda acredita ter controle, o consumo frequente do álcool afeta o corpo e a saúde mental de diversas formas. A curto prazo, Gabriela explica que a bebida afeta a coordenação, o raciocínio e o autocontrole — aumentando o risco de acidentes, episódios de violência e intoxicações.

    No organismo, o álcool sobrecarrega o fígado, altera o funcionamento do estômago e do intestino, prejudica o sono, enfraquece o sistema imunológico e aumenta o risco de problemas como:

    • Doenças hepáticas (como hepatite alcoólica e cirrose);
    • Alterações neurológicas e cognitivas, com perda de memória e atenção;
    • Maior risco de depressão e ansiedade;
    • Hipertensão arterial e problemas cardíacos;
    • Maior propensão a cânceres, especialmente de fígado, boca, esôfago e mama.

    Com o tempo, o corpo passa a tolerar doses maiores, o que facilita o aumento do consumo e amplia ainda mais os danos físicos.

    Impacto do álcool na saúde mental

    Além dos problemas que o álcool pode causar ao organismo, a saúde mental também é afetada gradualmente — e os efeitos podem aparecer mesmo quando o consumo parece controlado, o que torna o processo ainda mais difícil de reconhecer no dia a dia.

    O uso frequente de bebidas alcoólicas altera os neurotransmissores ligados ao humor, reduzindo a estabilidade emocional e deixando o corpo mais sensível à sintomas como irritabilidade, ansiedade e mudanças bruscas de humor. A rotina passa a oscilar mais, e situações simples podem causar reações intensas, como choro fácil, perda de paciência e sensação constante de sobrecarga.

    Ao mesmo tempo, o álcool também dificulta a capacidade de lidar com emoções de forma natural, de modo que a pessoa começa a usar a bebida como válvula de escape para relaxar, dormir ou aliviar a tensão depois de situações estressantes. Isso cria um ciclo de consumo ainda mais difícil de quebrar e, com o tempo, qualquer mudança ou emoção mais forte pode se tornar um gatilho para beber.

    Também vale destacar que o álcool prejudica os processos cognitivos, tornando a memória mais falha, diminuindo a concentração e deixando a tomada de decisões mais impulsivas. Como consequência, isso pode comprometer o desempenho no trabalho, interferir em relações afetivas e mexer diretamente com a autoestima da pessoa.

    Como a família pode ajudar uma pessoa com dependência alcoólica?

    Quando uma pessoa querida está passando por uma situação difícil com o álcool, a postura da família precisa ser acolhedora, aberta ao diálogo e livre de julgamentos, para que ela não se sinta criticada ou envergonhada. A ideia é mostrar preocupação genuína, deixando claro que a intenção não é apontar erros, e sim entender o que está acontecendo e oferecer apoio.

    Gabriela dá algumas sugestões para abordar alguém com empatia e cuidado:

    • Evitar discutir ou ameaçar, o objetivo é abrir espaço para o diálogo;
    • Escolher um momento calmo, quando a pessoa não estiver sob efeito do álcool;
    • Oferecer ajuda concreta, como marcar uma consulta ou acompanhar em um serviço de saúde;
    • Falar com empatia, usando frases como “estou preocupado com você” em vez de acusações;
    • E não tentar resolver sozinho, o suporte profissional é essencial.

    A partir daí, a família pode sugerir ajuda profissional e se oferecer para acompanhar consultas, sempre reforçando que ninguém precisa enfrentar esse processo sozinho. “Na verdade, o apoio da família pode ser o fator decisivo para que a pessoa aceite buscar tratamento”, complementa a médica.

    Quais tratamentos estão disponíveis para quem deseja parar o álcool?

    No Brasil, existem diversas formas de tratamento para o uso nocivo e dependência de álcool e a maioria pode ser feita de forma ambulatorial, sem a necessidade de internação. São cuidados estruturados e contínuos, pensados para ajudar a pessoa a recuperar estabilidade, entender seus gatilhos e construir uma relação mais saudável com o próprio corpo e com as emoções.

    Entre algumas das abordagens, é possível destacar:

    • Acompanhamento médico e psicológico, para avaliar a saúde, orientar cada etapa e oferecer apoio emocional;
    • Terapia individual ou em grupo, que ajuda a entender o que alimenta o consumo, a lidar com sentimentos difíceis e a criar novas estratégias para o dia a dia;
    • Medicamentos quando necessário, indicados por um médico, para diminuir sintomas de abstinência e reduzir a fissura por álcool;
    • Grupos de apoio, que oferecem acolhimento, troca de experiências e sensação de pertencimento, o que faz muita diferença no processo;
    • Participação da família, que fortalece o tratamento e ajuda a construir um ambiente mais seguro e compreensivo para a pessoa.

    De acordo com Gabriela, a internação é indicada apenas em situações mais delicadas, como abstinência grave, risco de complicações clínicas ou falta de suporte social. Nesses casos, o ambiente hospitalar oferece proteção, cuidados intensivos e acompanhamento constante até que a pessoa esteja estável para continuar o tratamento fora do hospital.

    Leia também: Trabalho noturno: conheça os riscos para a saúde do coração

    Perguntas frequentes

    Quando procurar ajuda profissional para parar de beber?

    É importante buscar ajuda profissional quando a bebida começa a causar problemas na rotina e você não consegue parar ou diminuir por conta própria. Isso inclui se o álcool afeta o trabalho, os relacionamentos, a saúde física ou mental, ou se você sente uma necessidade forte (compulsão) de beber e apresenta sintomas de abstinência ao tentar parar.

    Não espere a situação se agravar! Procurar ajuda cedo é um sinal de força e o primeiro passo para o tratamento.

    O álcool pode piorar ansiedade e depressão?

    Sim, o álcool pode piorar a ansiedade e a depressão a longo prazo, mesmo que inicialmente pareça aliviar os sintomas.

    O álcool é um depressor do sistema nervoso central, então quando o efeito passa, ele pode levar a uma piora do humor e da ansiedade (o chamado “efeito rebote”), pois interfere no equilíbrio químico do cérebro. O uso regular e excessivo pode, inclusive, desencadear ou agravar quadros de ansiedade e depressão já existentes.

    O que são apagões alcoólicos?

    Os apagões alcoólicos, ou blackouts, são períodos de tempo em que uma pessoa estava acordada e ativa, mas não consegue se lembrar do que aconteceu, mesmo que outras pessoas digam que ela interagiu normalmente.

    Eles são causados pelo rápido aumento da concentração de álcool no sangue, o que impede o cérebro de transferir memórias do curto prazo para o longo prazo (ou seja, de formar novas lembranças). Isso é um sinal de intoxicação grave e de que o álcool está afetando perigosamente o cérebro.

    Bebidas “mais fracas”, como vinho ou cerveja, também podem causar problemas?

    Sim, elas podem causar os mesmos problemas de saúde e dependência que bebidas com maior teor alcoólico (como destilados). O que importa é a quantidade total de álcool puro consumida ao longo do tempo.

    Uma taça grande de vinho ou uma lata de cerveja podem conter a mesma quantidade de álcool que uma dose de destilado. O consumo excessivo e regular de qualquer tipo de bebida alcoólica sobrecarrega o corpo e o cérebro, levando a doenças e dependência.

    Existe um limite seguro para beber?

    Não existe um limite de consumo de álcool totalmente seguro, já que qualquer quantidade pode aumentar riscos à saúde, incluindo doenças crônicas e alguns tipos de câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que não há nível de consumo considerado livre de risco.

    A recomendação mais saudável é manter ingestão mínima ou nenhuma ingestão de álcool, principalmente para pessoas com condições crônicas. Além disso, nunca é seguro dirigir após beber, mesmo em pequenas quantidades.

    O que é considerado consumo excessivo de álcool?

    O consumo excessivo de álcool é, em geral, definido como beber muitas doses em pouco tempo ou manter uma quantidade alta de bebida ao longo da semana. A OMS define o binge drinking como ingestão de 60 g ou mais de álcool puro, cerca de 4 doses, em pelo menos uma ocasião no último mês.

    No Brasil, o Ministério da Saúde aponta limites diferentes para cada sexo: para mulheres, o consumo de 4 ou mais doses em uma ocasião já é considerado abusivo; para homens, o limite é a partir de 5 doses.

    Leia mais: Metanol em bebidas: saiba o que fazer na suspeita de intoxicação