Autor: Dra. Flávia Alexandra Guerrero

  • Espondilite anquilosante: o que é, sintomas, tratamentos e se é grave

    Espondilite anquilosante: o que é, sintomas, tratamentos e se é grave

    Você já ouviu falar em espondilite anquilosante? A doença, caracterizada por uma inflamação crônica nas articulações da coluna e da pelve, pode causar sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.

    Apesar de ser mais frequente em homens jovens, entre 20 e 40 anos, ela também pode acometer mulheres e pessoas de outras faixas etárias, com sintomas que variam de acordo com cada organismo, podendo ser leves e intermitentes ou causar dor constante e rigidez intensa. Entenda mais detalhes sobre a doença, a seguir.

    O que é espondilite anquilosante?

    A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações próximas, como as do quadril e da pelve. Sendo autoimune, ela acontece quando o sistema imunológico ataca, por engano, as próprias articulações e tecidos saudáveis.

    A inflamação costuma começar nas articulações da pelve e progredir para outras regiões da coluna. Com o tempo, o processo inflamatório pode levar à formação de pontes ósseas entre as vértebras, tornando a coluna menos flexível — um processo conhecido como anquilose.

    Apesar da coluna ser a área mais afetada, a doença também pode atingir outras articulações, como ombros, quadris, joelhos e tornozelos.

    Causas da espondilite anquilosante

    A presença do gene HLA-B27 está fortemente associada à doença, sendo encontrada em grande parte dos pacientes diagnosticados. No entanto, sua presença isolada não é suficiente para causar o problema, já que muitas pessoas com o gene nunca desenvolvem sintomas.

    A doença também depende da influência de fatores ambientais, que podem atuar como gatilhos em pessoas geneticamente predispostas. Alguns exemplos incluem infecções intestinais ou urinárias prévias, além de alterações na microbiota intestinal, que podem estimular o sistema imunológico e desencadear o processo inflamatório característico da doença.

    Quais os sintomas da espondilite anquilosante?

    Os sintomas da espondilite anquilosante costumam se desenvolver de forma lenta e progressiva, sendo eles:

    • Dor lombar crônica, normalmente na parte inferior das costas e nas nádegas, que surge após períodos de imobilidade (como ao acordar);
    • Sensação de travamento da coluna ao acordar, que pode durar mais de 30 minutos;
    • Dores nas articulações, especialmente quadris, ombros e joelhos;
    • Fadiga constante, devido ao processo inflamatório crônico;
    • Redução da mobilidade da coluna devido a fusão das vértebras que pode acontecer com o tempo, levando à rigidez permanente;
    • Em alguns casos, pode haver dor nos calcanhares, inflamação nos olhos (uveíte) ou dor torácica devido ao comprometimento das articulações entre costelas e coluna.

    “Na espondilite, dizemos que o paciente tem uma dor inflamatória, em que a dor predomina no período da manhã, com rigidez prolongada, e melhora ao longo do dia conforme o indivíduo se movimenta”, explica a reumatologista Flávia Alexandra Guerrero.

    Como é feito o diagnóstico de espondilite anquilosante?

    O diagnóstico da espondilite anquilosante é feito por um médico reumatologista, com base nos sintomas, exame físico e exames complementares. O especialista começa observando sinais como dor nas costas que piora em repouso, melhora com o movimento e vem acompanhada de rigidez matinal prolongada.

    Durante a consulta, o médico avalia a mobilidade da coluna e verifica se há dor ao pressionar determinadas articulações, como as sacroilíacas, localizadas na região inferior das costas. Os sinais ajudam a identificar se há alguma inflamação.

    À partir de uma suspeita clínica, Flávia aponta que o médico pode solicitar exames como radiografia, tomografia ou ressonância magnética, que mostram inflamações e possíveis alterações na coluna e nas articulações.

    Também são realizados exames de sangue para verificar a presença do gene HLA-B27, que está presente em grande parte dos casos, e medir substâncias que indicam inflamação no corpo, como PCR e VHS. O histórico familiar é considerado importante, já que a doença pode ter origem genética.

    Tratamentos de espondilite anquilosante

    O tratamento de espondilite anquilosante é feito com o objetivo de controlar a inflamação, aliviar a dor e preservar a mobilidade da coluna e das articulações. Como se trata de uma doença crônica e sem cura, o tratamento deve ser contínuo e acompanhado por um reumatologista.

    Durante muitos anos, o tratamento era baseado apenas no uso de medicamentos anti-inflamatórios e em exercícios físicos para garantir a manutenção da mobilidade de coluna, de acordo com Flávia Alexandra. Mas com o avanço da medicina, surgiram novas opções que mudaram o tratamento da doença e melhoraram muito a qualidade de vida dos pacientes.

    Hoje, o tratamento combina diferentes abordagens, como:

    • Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): reduzem a dor e a inflamação, sendo geralmente a primeira escolha no início da doença;
    • Drogas imunobiológicas: como os inibidores do fator de necrose tumoral (TNF) e das interleucinas (IL-17), que atuam diretamente no sistema imunológico, diminuindo a atividade inflamatória e retardando a progressão da doença;
    • Fisioterapia: fundamental para manter a postura correta, melhorar a flexibilidade e preservar a amplitude dos movimentos da coluna e das articulações;
    • Atividade física regular: exercícios como alongamento, natação e pilates ajudam a reduzir a rigidez e fortalecer a musculatura de apoio da coluna;
    • Analgésicos e infiltrações: usados em fases de dor intensa ou crises inflamatórias localizadas;
    • Acompanhamento médico periódico: permite ajustar as medicações, avaliar a resposta ao tratamento e prevenir possíveis efeitos colaterais.

    Com o acompanhamento constante, a maioria dos pacientes consegue controlar bem os sintomas, realizar todas as atividades diárias e levar uma vida ativa.

    Espondilite anquilosante tem cura?

    A espondilite anquilosante não tem cura, mas o tratamento contribui para aliviar os sintomas, controlar a inflamação, retardar a progressão da doença e manter a melhor qualidade de vida e função possível.

    “Nos últimos 20-25 anos, novas medicações permitiram um tratamento mais adequado da doença, permitindo um controle das manifestações clínicas da doença e impedindo/retardando a sua progressão. Este novo cenário tem permitido que os pacientes com esta patologia tenham uma boa qualidade de vida e menor número de sequelas no futuro”, complementa Flávia.

    É possível prevenir a espondilite anquilosante?

    A espondilite anquilosante não pode ser prevenida, pois está relacionada a fatores genéticos e ao funcionamento do sistema imunológico, que acabam fugindo do controle da pessoa.

    No entanto, é possível reduzir o impacto da doença e evitar complicações com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, além de medidas como:

    • Manter acompanhamento médico regular com reumatologista;
    • Praticar atividade física com orientação profissional;
    • Cuidar da postura no dia a dia e durante o sono;
    • Evitar o tabagismo, que piora a inflamação e a rigidez;
    • Seguir corretamente o tratamento indicado pelo médico;
    • Adotar alimentação equilibrada e manter o peso adequado.

    Quando procurar atendimento médico?

    É importante procurar atendimento médico ao perceber dor ou rigidez persistente nas costas que dura mais de três meses e melhora com o movimento, mas piora com o repouso. Os sinais podem indicar inflamação e precisam ser avaliados por um reumatologista.

    Também é fundamental buscar ajuda quando houver:

    • Dor intensa ou contínua, mesmo com o uso de medicamentos;
    • Rigidez prolongada ao acordar, que demora a passar;
    • Dificuldade para se mover ou curvar a coluna;
    • Cansaço constante e sem causa aparente.

    Como saber se a doença está piorando?

    Os principais sinais de progressão da doença são a persistência da dor e da rigidez, mesmo com o tratamento adequado. “Isso deve ser sinal de atenção e ser compartilhado com o médico que acompanha o paciente, uma vez que deve ser checado se não há outros motivos para a manutenção da dor além da própria doença”, finaliza Flávia Alexandra.

    Veja também: Doenças autoimunes: 10 sinais para você ficar atento
    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/doencas-autoimunes/

    Perguntas frequentes

    Quem pode ter espondilite anquilosante?

    A doença costuma se manifestar entre os 20 e 40 anos de idade, sendo mais frequente em homens. Porém, mulheres também podem desenvolvê-la, muitas vezes de forma mais leve e com sintomas menos típicos, o que pode atrasar o diagnóstico.

    Existe um forte componente genético, e pessoas que têm familiares com o mesmo problema apresentam maior risco de desenvolver a doença.

    A dor causada pela espondilite é diferente das dores comuns nas costas?

    A dor causada pela espondilite anquilosante é chamada de dor inflamatória e é diferente da dor mecânica, que surge por esforço físico ou má postura. A dor inflamatória piora com o repouso, especialmente durante a noite, e melhora com o movimento. Ela também costuma vir acompanhada de rigidez matinal e pode irradiar para glúteos e coxas. Já a dor mecânica aumenta com o movimento e tende a aliviar com o descanso.

    A alimentação influencia na espondilite anquilosante?

    Não há uma dieta específica para tratar a espondilite anquilosante, mas uma alimentação equilibrada auxilia no controle da inflamação. O consumo regular de alimentos ricos em ômega-3 (como peixes e sementes), além de frutas, legumes e grãos integrais, tem efeito anti-inflamatório natural.

    Por outro lado, o excesso de açúcares, ultraprocessados e bebidas alcoólicas pode piorar o quadro inflamatório. Manter o peso corporal adequado também é importante para reduzir a sobrecarga nas articulações.

    Quem tem espondilite anquilosante pode trabalhar normalmente?

    Na maioria das vezes, sim. Com o tratamento adequado, o paciente pode continuar suas atividades profissionais, mas funções que exigem esforço físico intenso ou longos períodos em pé ou sentado podem precisar de ajustes. Pausas para alongamento, uso de cadeiras ergonômicas e atenção à postura ajudam a prevenir dor e rigidez.

    A espondilite anquilosante pode causar deformidade na coluna?

    Quando a inflamação não é controlada, pode ocorrer a fusão gradual das vértebras, deixando a coluna mais rígida e inclinada para a frente — quadro conhecido como cifose ou postura encurvada.

    A complicação tende a surgir em pessoas que não fazem tratamento ou interrompem o uso das medicações. Com acompanhamento médico e fisioterapia, é possível prevenir ou reduzir significativamente o risco.

    Quem tem espondilite pode engravidar?

    A espondilite anquilosante não impede a gravidez, mas o planejamento deve ser feito com orientação médica, pois alguns medicamentos usados no tratamento precisam ser suspensos antes da gestação. O acompanhamento conjunto de reumatologista e obstetra é importante para garantir a segurança da mãe e do bebê.

    Veja também: Artrite psoriásica: quando a psoríase atinge as articulações
    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/artrite-psoriasica/

  • Artrite ou artrose? Conheça as diferenças entre as doenças  

    Artrite ou artrose? Conheça as diferenças entre as doenças  

    Dor nas articulações, rigidez e inchaço são sintomas que podem surgir tanto em quadros de artrose quanto de artrite. Apesar das similaridades, as condições têm origens e progressão diferentes — e exigem alguns cuidados específicos.

    A artrose está relacionada ao desgaste da cartilagem que reveste as articulações, sendo mais frequente a partir dos 50 anos de idade. A artrite, por outro lado, acontece quando há um processo inflamatório nas articulações, podendo ter diferentes causas, como infecções, doenças autoimunes, reações metabólicas ou até traumatismos.

    Nesse contexto, é ideal entender se é artrite ou artrose, como elas se manifestam, o diagnóstico e as medidas de tratamento, uma vez que ambas podem prejudicar diretamente a qualidade de vida. Entenda mais, a seguir!

    O que é artrite?

    A artrite é o nome dado a qualquer inflamação nas articulações, que são as áreas onde os dois ossos se encontram — como joelhos, punhos, tornozelos e dedos, por exemplo. De acordo com a reumatologista Flávia Alexandra Guerrero, a artrite pode estar relacionada tanto a doenças autoimunes quanto a quadros infecciosos.

    Ela pode afetar uma ou várias articulações, e surgir em qualquer faixa etária, dependendo da causa. Alguns tipos são transitórios, enquanto outros, como a artrite reumatoide, têm evolução crônica e exigem tratamento contínuo.

    No geral, existem mais de 100 tipos de artrite, mas os mais comuns incluem:

    • Artrite reumatoide: doença autoimune em que o sistema imunológico ataca as próprias articulações, causando inflamação crônica, dor e deformidades, principalmente nas mãos e nos punhos;
    • Artrite psoriásica: ocorre em pessoas com psoríase (doença de pele) e provoca inflamação nas articulações, rigidez matinal e dor, afetando com frequência dedos e coluna;
    • Gota (artrite gotosa): causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações, normalmente atinge o dedão do pé e causa crises de dor intensa, inchaço e calor local;
    • Artrite séptica: provocada por uma infecção bacteriana dentro da articulação, que exige tratamento imediato com antibióticos para evitar danos permanentes;
    • Artrite reativa: aparece após infecções intestinais, urinárias ou genitais, como resposta exagerada do sistema imunológico, geralmente afetando joelhos e tornozelos.

    Quais são os principais sintomas da artrite?

    • Dor e inchaço nas articulações;
    • Rigidez, especialmente pela manhã ou após períodos de repouso;
    • Dificuldade de movimentar a articulação afetada;
    • Calor e vermelhidão no local.

    De acordo com Flávia, no caso da artrite, muitas vezes o paciente se queixa de piora da dor após períodos prolongados de repouso, inclusive com sensação de rigidez após esse tempo de imobilização.

    O que é artrose?

    A artrose, também chamada de osteoartrite, é uma doença degenerativa caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que recobre as extremidades dos ossos.

    Com a cartilagem comprometida, o atrito entre os ossos aumenta, resultando em dor, rigidez e limitação de movimento. A doença é mais comum em pessoas acima de 50 anos, mas pode aparecer em jovens após lesões ou uso excessivo de determinadas articulações.

    A artrose está relacionada especialmente ao envelhecimento, sobrepeso, atividades de alto impacto e predisposição genética.

    Quais são os principais sintomas da artrose?

    • Dor que melhora com repouso;
    • Estalos nas articulações;
    • Redução da amplitude de movimento;
    • Rigidez matinal que dura menos de 30 minutos.

    A artrose também pode provocar deformidades, mas elas surgem de forma mais lenta, relacionadas ao desgaste crônico.

    Principais diferenças entre artrite e artrose

    Característica Artrite Artrose
    Causa Processo inflamatório nas articulações, que pode ter origem infecciosa, autoimune ou metabólica Desgaste da cartilagem (degenerativa)
    Idade mais comum Pode ocorrer em qualquer idade, dependendo do tipo e da causa É mais comum após os 50 anos de idade
    Sintomas principais Dor que piora com repouso, rigidez matinal prolongada, inchaço, calor e vermelhidão Dor que piora com esforço, rigidez curta, estalos
    Evolução Pode ser aguda (curta duração) ou crônica (persistente) Progressiva, ligada ao envelhecimento
    Exames Exames de sangue (marcadores inflamatórios) e imagem (radiografias, ultrassom) Exames de imagem (radiografias, ressonância)
    Tratamento Anti-inflamatórios, analgésicos, fisioterapia e abordagens específicas conforme a causa (antibióticos, imunossupressores, etc.) Analgésicos, anti-inflamatórios, fisioterapia, controle do peso

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico diferencial entre artrite e artrose deve ser feito por um médico especialista, normalmente o reumatologista, em alguns casos com apoio do ortopedista. O processo começa com a avaliação clínica: o médico ouve as queixas do paciente, analisa os sintomas e realiza um exame físico detalhado das articulações.

    A partir da análise inicial, o especialista levanta a hipótese de artrite ou artrose e solicita exames complementares para confirmar, como:

    • Exames de imagem (radiografias, ultrassonografias, tomografias ou ressonâncias) — importantes para mostrar o desgaste da articulação;
    • Exames de sangue, que ajudam a identificar marcadores inflamatórios.

    Como é feito o tratamento de artrite?

    Na artrite, é necessário identificar a causa exata da inflamação, já que o tratamento depende diretamente da origem do problema, de acordo com Flávia. Existem vários tipos de artrite, e cada um deles exige uma abordagem específica:

    • Artrite autoimune: acontece quando o sistema imunológico ataca as próprias articulações, como na artrite reumatoide. O tratamento é feito com imunossupressores e anti-inflamatórios para controlar a inflamação e evitar danos permanentes;
    • Artrite infecciosa: surge quando vírus, bactérias ou fungos atingem a articulação, causando infecção e dor intensa. O tratamento depende do agente causador e pode incluir antibióticos, antivirais ou antifúngicos, além de drenagem do líquido articular em alguns casos;
    • Artrite metabólica: ocorre pelo acúmulo de substâncias, como o ácido úrico na gota ou cristais de cálcio na condrocalcinose. O tratamento envolve controlar essas substâncias no sangue, aliviar a dor e prevenir novas crises inflamatórias.

    De acordo com Flávia, se a artrite não for adequadamente tratada, ao longo do tempo o processo inflamatório vai degradando as estruturas articulares e podendo levar a um quadro de artrose — que é justamente a degeneração da cartilagem que reveste as extremidades dos ossos dentro da articulação.

    Como é feito o tratamento de artrose?

    A artrose não tem cura, mas existem diversas abordagens para controlar os sintomas, melhorar a mobilidade e retardar o avanço da doença, como:

    • Uso de analgésicos e anti-inflamatórios: em fases de dor intensa, podem ser prescritos pelo médico para aliviar o desconforto e ajudar a manter a funcionalidade no dia a dia;
    • Fisioterapia: fundamental para fortalecimento muscular, melhora da flexibilidade e prevenção da rigidez articular. Exercícios supervisionados ajudam a proteger as articulações, reduzir a dor e aumentar a independência do paciente;
    • Controle do peso corporal: manter o peso adequado reduz a sobrecarga sobre as articulações que sustentam o corpo, como joelhos, quadris e coluna;
    • Atividade física adaptada: exercícios de baixo impacto, como hidroginástica, pilates, yoga e caminhadas leves, são recomendados para estimular a circulação, fortalecer os músculos e preservar a amplitude dos movimentos, sem causar sobrecarga;
    • Cirurgia: quando o desgaste é muito avançado e os outros tratamentos não trazem alívio, pode ser necessária a substituição da articulação por uma prótese (como prótese de joelho ou quadril).

    Além de tratar os sintomas, o reumatologista ou ortopedista orienta o paciente sobre hábitos de vida e terapias complementares que ajudam a preservar as articulações no longo prazo.

    Como prevenir a artrite ou a artrose?

    As medidas de prevenção da artrite e da artrose são bem parecidas, já que ambas afetam as articulações e compartilham fatores de risco em comum. O foco principal é manter as articulações saudáveis e evitar tanto inflamações quanto desgastes.

    No caso da artrite, o objetivo é prevenir processos inflamatórios, enquanto na artrose é necessário reduzir o desgaste da cartilagem que ocorre com o tempo.

    Por isso, cuidar do corpo no dia a dia faz toda a diferença, com cuidados como:

    • Manter o peso adequado;
    • Praticar atividades físicas regulares de baixo impacto, como natação, caminhada e bicicleta;
    • Fortalecer a musculatura e evitar sobrecarga nas articulações;
    • Evitar o sedentarismo, mantendo o corpo ativo e as articulações em movimento;
    • Alimentar-se bem, com foco em alimentos ricos em cálcio, vitamina D e ômega-3;
    • Fazer acompanhamento médico.

    Veja também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes sobre diferença entre artrite e artrose

    1. Quais articulações são mais afetadas pela artrose?

    A artrose pode atingir qualquer articulação do corpo, mas joelhos, quadris, mãos e coluna são os locais mais comuns. Isso ocorre porque essas regiões sofrem maior sobrecarga mecânica ao longo da vida, seja pelo peso corporal, pelo esforço repetitivo ou por traumas prévios.

    Por isso, pacientes costumam sentir dor ao andar, subir escadas ou mesmo realizar movimentos simples com as mãos.

    2. Qual a diferença entre dor da artrose e dor muscular?

    A dor da artrose tem algumas características próprias. Primeiro, ela piora ao longo do dia, conforme a articulação é usada, e costuma melhorar com o repouso. A pessoa também pode apresentar rigidez articular, estalos e até deformidades com o passar do tempo, o que ajuda a diferenciar.

    Em contrapartida, a dor muscular normalmente aparece após esforço físico ou em casos de má postura e tende a aliviar mais rapidamente com descanso ou alongamento.

    3. Quando a cirurgia é indicada para artrose?

    A cirurgia costuma ser indicada quando os tratamentos conservadores já não oferecem alívio suficiente. Em muitos casos, o paciente apresenta dor intensa, dificuldade para andar ou perda significativa da função articular.

    Nesses casos, uma das opções é a prótese articular, especialmente em joelhos e quadris. A cirurgia é capaz de devolver a mobilidade e melhorar a qualidade de vida, mas é reservada para situações mais avançadas.

    4. A artrose pode aparecer em jovens?

    A artrose é mais comum em pessoas com mais de 50 anos de idade, mas pode surgir em pessoas jovens — especialmente quando há fatores predisponentes, como lesões articulares repetidas, prática de esportes de alto impacto sem preparo adequado, sobrepeso desde cedo ou histórico familiar.

    Em alguns casos, a presença de doenças que afetam a cartilagem, como displasias ou alterações congênitas, também podem favorecer o aparecimento precoce da artrose.

    5. Quem tem artrose precisa parar de trabalhar?

    A artrose não significa, necessariamente, o afastamento das atividades profissionais. Na verdade, a necessidade de parar ou adaptar o trabalho depende da gravidade dos sintomas e do tipo de atividade desempenhada.

    Pessoas com funções que exigem esforço físico intenso ou movimentos repetitivos podem precisar de ajustes, pausas mais frequentes ou até reabilitação. Já em casos leves e controlados, é perfeitamente possível continuar trabalhando normalmente, desde que a pessoa mantenha acompanhamento com um médico.

    6. A artrose pode virar câncer?

    Não, a artrose não pode se transformar em câncer. Ela é uma doença degenerativa das articulações, caracterizada pelo desgaste da cartilagem e pela formação de alterações ósseas secundárias. Já o câncer é uma proliferação anormal e descontrolada de células, com comportamento completamente diferente.

    A artrose não aumenta o risco de câncer e não tem qualquer relação direta com doenças oncológicas.

    Confira: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

  • Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

    Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

    Causada por alterações no sistema imunológico ou um quadro infeccioso, a artrite reumatoide é uma doença crônica que afeta mais de 2 milhões de brasileiros, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Nos casos mais graves, pode haver perda de mobilidade e até o comprometimento de órgãos como pulmões, coração e vasos sanguíneos.

    Conversamos com a reumatologista Flavia Alexandra Guerrero para entender como a doença se manifesta, os primeiros sintomas e os principais meios de tratamento disponíveis atualmente.

    O que é artrite reumatoide?

    A artrite reumatoide é uma doença autoimune inflamatória crônica em que o próprio sistema imunológico, que deveria proteger o corpo contra infecções, passa a atacar tecidos saudáveis — em especial as articulações.

    De acordo com Flávia, o processo começa com a produção de autoanticorpos, que desencadeiam uma inflamação persistente. Ela, por sua vez, provoca sintomas como dor, inchaço e, ao longo do tempo, pode levar à deformidade articular.

    Além disso, vale apontar que a artrite reumatoide é caracterizada por uma evolução crônica. Ela não se manifesta de maneira súbita, como ocorre em uma lesão, mas se desenvolve progressivamente ao longo de semanas ou meses.

    As articulações mais afetadas costumam ser as das mãos, punhos e pés, com um padrão específico de simetria — ou seja, geralmente ambos os lados do corpo são comprometidos.

    Existem fatores de risco para a artrite reumatoide?

    A artrite reumatoide surge da interação entre predisposição genética e fatores ambientais. De acordo com Flávia, o principal fator de risco ambiental é o tabagismo, uma vez que o cigarro modifica o sistema imunológico, favorecendo a produção de autoanticorpos que desencadeiam a inflamação articular.

    Outros fatores também podem estar relacionados, como:

    • Histórico familiar da doença;
    • Infecções prévias que estimulam o sistema imunológico;
    • Exposição a substâncias tóxicas;
    • Alterações hormonais (a doença é mais comum em mulheres).

    Nem todos os fatores de risco podem ser controlados, mas parar de fumar é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a probabilidade da doença e melhorar a resposta ao tratamento.

    Quais são os sintomas da artrite reumatoide?

    Os sintomas da artrite reumatoide são discretos e podem ser confundidos com outras condições de saúde, então é necessário ter atenção. Segundo Flávia, os primeiros sinais costumam ser:

    • Dor persistente nas articulações das mãos, punhos e pés;
    • Inchaço (edema) articular;
    • Rigidez matinal que dura mais de 30 minutos;
    • Dificuldade para fechar as mãos ou realizar tarefas simples.

    A dor da artrite reumatoide é inflamatória, ou seja, piora quando a pessoa está em repouso por longos períodos. É comum acordar pela manhã com rigidez articular e dificuldade para movimentar os dedos. Após algumas horas de atividade, os sintomas tendem a melhorar, mas retornam no dia seguinte.

    A especialista ainda alerta que a artrite reumatoide, apesar de acometer principalmente as articulações, também pode atingir outros órgãos — como pulmão e nervos periféricos, provocando sintomas como fadiga intensa, febre baixa e perda de peso não intencional.

    Como é feito o diagnóstico da artrite reumatoide?

    O diagnóstico da artrite reumatoide é feito por um médico reumatologista, a partir de uma avaliação clínica, que inclui uma análise detalhada das queixas do paciente e um exame físico. Para confirmar o quadro, o médico pode solicitar alguns exames, como:

    • Exames de sangue: que procuram marcadores específicos, como fator reumatoide e anticorpo anti-CCP;
    • Exames de imagem: como radiografia, ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética, que permitem visualizar inflamação e erosões articulares.

    O processo também é importante para diferenciar a artrite reumatoide de outras doenças reumatológicas, como lúpus, gota ou espondiloartrites.

    Tratamento da artrite reumatoide

    O tratamento da artrite reumatoide varia de acordo com o estágio da doença, a atividade e gravidade.

    De acordo com Flávia, a abordagem é feita com remédios imunossupressores, que reduzem a atividade do sistema imunológico, controlando a inflamação. Em alguns casos, também podem ser indicados medicamentos biológicos, que atuam de forma mais direcionada no processo autoimune.

    No caso dos corticoides, a reumatologista explica que eles geralmente são indicados no início do tratamento ou durante recaídas da doença, sendo utilizados até que o imunossupressor comece a fazer efeito.

    Em alguns casos, pode haver indicação de tratamento cirúrgico. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, as opções incluem a sinovectomia, indicada quando a sinovite persiste mesmo após o tratamento clínico, além de procedimentos como artrodese ou artroplastia total, usados quando as articulações já estão mais comprometidas.

    Mudanças na rotina

    Além da medicação, o tratamento deve envolver algumas mudanças no estilo de vida, como:

    • Atividade física regular: ajuda a controlar a inflamação, fortalece a musculatura ao redor das articulações e contribui para preservar a mobilidade;
    • Alimentação equilibrada: o recomendado é reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e priorizar opções ricas em nutrientes com efeito anti-inflamatório, como frutas, verduras, peixes e oleaginosas;
    • Fisioterapia e terapia ocupacional: fundamentais para preservar a função articular, melhorar a postura, ensinar estratégias de proteção das articulações e adaptar atividades do dia a dia, evitando sobrecarga;
    • Parar de fumar: já que o cigarro está diretamente associado ao agravamento dos sintomas e pode comprometer a eficácia dos medicamentos.

    O acompanhamento médico também deve ser constante para ajustar a medicação e o tratamento conforme a evolução de cada paciente.

    Como prevenir a artrite reumatoide?

    Por se tratar de uma doença autoimune, a artrite reumatoide não pode ser totalmente prevenida. Ainda assim, adotar um estilo de vida saudável ajuda a reduzir o risco de agravamento e, sobretudo, a melhorar o controle da doença. Algumas medidas importantes incluem:

    • Não fumar;
    • Manter uma rotina de atividades físicas, como natação, hidroginástica, pilates e alongamentos;
    • Ter uma alimentação balanceada, com menor consumo de ultraprocessados, dando preferência a alimentos naturais e ricos em nutrientes;
    • Controlar fatores de estresse, através de técnicas de relaxamento, sono adequado e equilíbrio emocional.

    Existe cura para artrite reumatoide?

    Não existe cura definitiva para a artrite reumatoide, mas com tratamento adequado, é possível alcançar a chamada remissão da doença — quando o paciente não apresenta sintomas, não tem sinais de inflamação e pode levar uma vida normal.

    Complicações da artrite reumatoide

    A artrite reumatoide não tratada pode trazer consequências graves para a saúde e para a qualidade de vida do paciente. Por ser uma doença inflamatória crônica, o processo evolui de forma progressiva, causando danos permanentes às articulações.

    De acordo com Flávia, quando a doença não é tratada desde o início, ela pode levar à destruição irreversível das articulações, deformidades e perda de função. Isso significa dificuldade para realizar tarefas simples do dia a dia, como segurar objetos, caminhar ou até mesmo vestir uma roupa sozinho.

    “Então, quanto mais precoce for o início desse tratamento, maior a chance de eu garantir que o meu paciente vai ter uma preservação da funcionalidade daquela articulação no futuro”, finaliza a reumatologista.

    Leia também: Alongamentos simples para aliviar dores musculares: veja quando e como praticar

    Perguntas frequentes sobre artrite reumatoide

    1. Artrite reumatoide e artrose são a mesma coisa?

    Não. A artrite reumatoide é uma doença autoimune inflamatória, em que o sistema imunológico ataca o próprio corpo, provocando uma inflamação crônica.

    Já a artrose, também chamada de osteoartrite, é um desgaste mecânico da cartilagem articular, que geralmente ocorre com o envelhecimento ou com sobrecarga repetitiva das articulações.

    2. A artrite reumatoide só atinge pessoas idosas?

    Não. Ao contrário da artrose, que é mais comum em pessoas acima dos 50 anos, a artrite reumatoide pode surgir em qualquer fase da vida adulta. Na maioria dos casos, ela aparece entre os 30 e 50 anos, e é mais frequente em mulheres.

    3. Artrite reumatoide pode afetar órgãos além das articulações?

    Sim! Apesar de afetar principalmente as articulações, a artrite reumatoide pode comprometer outros órgãos em casos avançados, como pulmões, coração, nervos periféricos, olhos e vasos sanguíneos.

    Isso aumenta o risco de complicações graves, como doenças cardiovasculares e problemas respiratórios. Por isso, o acompanhamento médico deve ser contínuo e integral.

    4. Crianças podem ter artrite reumatoide?

    Quando ocorre em crianças e adolescentes, a condição recebe o nome de artrite idiopática juvenil. Ela compartilha características semelhantes à artrite reumatoide em adultos, como inflamação e rigidez articular, mas possui particularidades no diagnóstico e no tratamento. A causa é desconhecida, mas há uma predisposição genética e uma alteração no sistema imune.

    Nesses casos, é fundamental o acompanhamento especializado, pois o impacto sobre o crescimento e o desenvolvimento físico pode ser significativo.

    5. A artrite reumatoide é hereditária?

    A doença não é herdada diretamente, mas existe uma predisposição genética. Isso significa que pessoas com histórico familiar de artrite reumatoide têm maior risco de desenvolver a condição, principalmente se houver fatores ambientais associados, como o tabagismo.

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