Autor: Dra. Daniella Romanholi

  • Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida? Endocrinologista explica

    Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida? Endocrinologista explica

    A semaglutida e a tirzepatida, princípios ativos de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, atuam no organismo imitando a ação de hormônios naturais liberados pelo intestino após a alimentação, que participam do controle da fome e dos níveis de glicose no sangue.

    Com isso, eles ajudam a reduzir o apetite, aumentar a sensação de saciedade e melhorar o controle glicêmico ao longo do dia.

    Mas afinal, qual a diferença entre eles? A semaglutida e a tirzepatida pertencem a uma nova geração de tratamentos metabólicos, mas se diferenciam principalmente pela quantidade de receptores que conseguem ativar no corpo. Vamos entender mais, a seguir.

    Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida?

    A principal diferença entre a semaglutida e a tirzepatida está na forma como cada uma atua nos hormônios que regulam o metabolismo.

    A semaglutida é um análogo do GLP-1, de modo que atua imitando a ação de um único hormônio ligado ao controle da fome e da glicose.

    Já a tirzepatida, segundo a endocrinologista Daniella Romanholi, é considerada uma medicação de ação dupla, pois atua tanto no GLP-1 quanto no GIP, outro hormônio intestinal que também participa da regulação do metabolismo.

    Na prática, isso significa que a tirzepatida pode ter um efeito mais amplo sobre o controle do apetite e da glicemia. De acordo com estudos, o tratamento com a tirzepatida pode apresentar uma maior redução de peso em comparação com a semaglutida, mas a resposta pode variar de acordo com cada organismo.

    Como cada uma atua no organismo?

    Semaglutida

    A semaglutida atua estimulando receptores de GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após a alimentação. Segundo Daniella, o GLP-1 envia sinais de saciedade ao cérebro, o que contribui para a redução da fome ao longo do dia.

    Ela também diminui o ritmo de esvaziamento do estômago, fazendo com que o alimento permaneça por mais tempo no trato digestivo, o que prolonga a sensação de saciedade.

    Por fim, o princípio ativo estimula a liberação de insulina de forma dependente da glicose, então a ação ocorre principalmente quando os níveis de açúcar estão mais elevados. Ao mesmo tempo, há uma redução na liberação de glucagon, hormônio que aumenta a glicemia. Como resultado, ocorre um controle mais estável dos níveis de açúcar ao longo do dia, com menor risco de picos glicêmicos.

    Tirzepatida

    A tirzepatida, por outro lado, age no organismo imitando a ação de dois hormônios naturais liberados pelo intestino após a alimentação: o GLP-1 e o GIP. Ambos fazem parte do grupo das incretinas, substâncias que auxiliam na regulação da glicose no sangue e no apetite.

    O GIP, assim como o GLP-1, também estimula a produção de insulina após a alimentação e pode potencializar o efeito do hormônio no controle da glicemia. Além disso, ele está relacionado ao metabolismo energético, podendo influenciar a forma como o organismo utiliza e armazena os nutrientes.

    Na realidade, isso pode resultar em uma redução mais significativa do apetite, melhor controle da glicose e, em muitos casos, maior perda de peso, sempre dependendo da resposta individual de cada pessoa.

    Quais são os efeitos colaterais?

    A semaglutida e a tirzepatida apresentam efeitos colaterais semelhantes, principalmente porque atuam nos mesmos sistemas do organismo. Os mais comuns incluem:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Constipação;
    • Sensação de estômago cheio;
    • Redução do apetite.

    Na maioria das situações, os sintomas são leves a moderados e tendem a melhorar com o tempo, conforme o corpo se acostuma com os medicamentos. Segundo Daniella, um fator interessante é que a tirzepatida costuma causar menos náusea do que a semaglutida, porque o GIP ajuda a equilibrar esse efeito.

    Se a pessoa apresentar sinais como dor abdominal intensa e persistente, vômitos frequentes, dificuldade de respirar ou sintomas de desidratação, é importante procurar avaliação médica o quanto antes para investigar a causa e evitar complicações.

    Quem pode usar cada um?

    A semaglutida e a tirzepatida são indicadas para adultos com diabetes tipo 2 e para pessoas com obesidade ou sobrepeso, especialmente quando há outras condições associadas, como hipertensão, colesterol elevado ou resistência à insulina.

    No caso do controle do peso, Daniella explica que a indicação costuma ser feita para pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² quando existem doenças associadas.

    A avaliação considera não apenas o peso, mas também o histórico de saúde, os hábitos de vida e as tentativas anteriores de emagrecimento.

    Como escolher entre semaglutida e tirzepatida?

    A escolha entre a semaglutida e a tirzepatida depende de uma série de fatores, que precisam ser avaliados por um profissional da saúde. No caso de pessoas com diabetes tipo 2, ambas podem ser utilizadas para melhorar o controle glicêmico.

    Em alguns casos, a tirzepatida pode ser considerada quando há necessidade de um controle mais intensivo da glicose ou quando a resposta à semaglutida não foi suficiente, sempre com avaliação individual.

    Por isso, o uso deve ser sempre orientado por um médico, que pode avaliar os benefícios e os possíveis riscos para cada pessoa, definir a melhor opção e acompanhar a evolução ao longo do tratamento. Nunca se automedique!

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Qual delas emagrece mais rápido?

    Estudos clínicos mostram que a tirzepatida tende a promover uma perda de peso maior e mais rápida em comparação à semaglutida, devido à sua ação em dois receptores hormonais diferentes. Contudo, isso pode variar dependendo da resposta do organismo.

    2. A tirzepatida é mais segura que a semaglutida?

    Ambas possuem perfis de segurança semelhantes e foram aprovadas por órgãos rigorosos (como ANVISA e FDA). A segurança depende da avaliação médica das contraindicações de cada paciente.

    3. Posso trocar Ozempic por Mounjaro?

    Sim, a troca é possível, mas deve ser feita exclusivamente sob orientação médica para ajustar as doses equivalentes e monitorar a adaptação do organismo.

    4. Qual o nome comercial da tirzepatida?

    O nome comercial mais conhecido da tirzepatida é o Mounjaro (fabricado pela Eli Lilly).

    5. Qual o nome comercial da semaglutida?

    Os nomes comerciais mais comuns são Ozempic (para diabetes), Wegovy (específico para obesidade) e Rybelsus (oral).

    6. Elas interferem na absorção de outros remédios?

    Sim. Como ambas retardam o esvaziamento do estômago, tanto a semaglutida quanto a tirzepatida pode atrasar a absorção de medicamentos orais, como anticoncepcionais. Consulte o médico sobre isso.

    7. Posso usar semaglutida e tirzepatida ao mesmo tempo?

    Não. Elas agem em caminhos semelhantes e a combinação aumenta o risco de efeitos colaterais graves sem nenhum benefício clínico comprovado.

    8. É necessário fazer dieta enquanto usa Ozempic ou Mounjaro?

    Sim! Eles são apenas ferramentas que facilitam a adesão à dieta. Sem um déficit calórico e uma alimentação equilibrada, além da prática de atividades físicas, a perda de peso será menor e o risco de recuperar o peso após parar o tratamento é muito alto.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Pode usar análogos de GLP-1 para sempre? Saiba quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro

    Pode usar análogos de GLP-1 para sempre? Saiba quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro

    O tratamento com os análogos de GLP-1, como semaglutida ou tirzepatida, atua diretamente nos mecanismos que regulam o apetite, a saciedade e o metabolismo, te ajudando a reduzir a ingestão alimentar de forma mais natural e sustentável.

    Por isso, eles são indicados especialmente em casos de obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde, como hipertensão e diabetes tipo 2.

    Em algumas semanas, já é possível notar os primeiros resultados na perda de peso, o que pode levantar uma dúvida comum: afinal, por quanto tempo é necessário manter a aplicação das injeções? Segundo a endocrinologista Daniella Romanholi, a resposta depende de cada caso e deve ser individualizada, sempre com o acompanhamento de um médico.

    Quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro?

    A duração do tratamento com semaglutida ou tirzepatida pode variar de acordo com o perfil de cada pessoa. O tempo de uso depende especialmente de três fatores: a causa do ganho de peso, a resposta ao tratamento e a presença de outras condições de saúde.

    De acordo com Daniella, em situações em que o ganho de peso está ligado a um fator pontual, como uma gestação, um período de estresse intenso ou mudanças na rotina, o uso pode ser indicado temporariamente para a pessoa retornar ao peso anterior.

    Após a perda de peso e a retomada de hábitos saudáveis, alguns pacientes conseguem suspender a medicação com acompanhamento médico.

    Por outro lado, em casos de obesidade de longa data, em que existe uma tendência biológica ao ganho de peso, o tratamento pode ser mais prolongado. A obesidade é considerada uma doença crônica e, assim como outras condições, pode precisar de um cuidado contínuo para manter os resultados ao longo do tempo.

    Então, é possível usar para sempre?

    Em alguns casos, sim. Quando a obesidade é crônica e existe risco de reganho de peso, o uso pode ser prolongado ou até contínuo, de forma semelhante ao tratamento de outras doenças, como hipertensão ou diabetes.

    O que acontece ao interromper o uso?

    Quando o uso de medicamentos como Ozempic ou Mounjaro é interrompido, Daniella explica que um dos principais efeitos é o retorno gradual do apetite. Os remédios agem enquanto estão presentes no organismo, ajudando a aumentar a saciedade e reduzir a fome. Sem eles o corpo volta a funcionar como antes do tratamento, o que pode levar a:

    • Aumento da fome ao longo do dia;
    • Redução da sensação de saciedade nas refeições;
    • Maior dificuldade em controlar as porções;
    • Tendência ao reganho de peso.

    Em muitas pessoas, acontece a recuperação parcial ou total do peso perdido, especialmente quando ela não consegue manter uma rotina de hábitos saudáveis durante o tratamento.

    Também vale apontar que, durante o emagrecimento, pode ocorrer a perda de massa muscular, principalmente quando não há o consumo adequado de proteínas nem a prática de exercícios de força. Segundo Daniella, como a massa muscular influencia diretamente o gasto calórico em repouso, a redução pode facilitar ainda mais o ganho de peso com a interrupção do medicamento.

    Com isso, pode surgir o conhecido efeito sanfona, em que a pessoa perde e ganha peso repetidamente ao longo do tempo.

    Em cada ciclo, o corpo tende a perder a massa muscular durante o emagrecimento e recuperar principalmente gordura quando o peso volta a subir. Daniella aponta que o processo pode desacelerar o metabolismo progressivamente, tornando cada nova tentativa de emagrecimento mais difícil.

    É possível evitar o reganho do peso?

    A resposta é sim, desde que a interrupção do remédio seja feita com acompanhamento médico e de maneira gradual. Algumas medidas incluem:

    • Redução gradual da medicação: o médico pode diminuir a dose ou espaçar as aplicações aos poucos, o que ajuda o corpo a se adaptar sem provocar picos de fome;
    • Cuidado com o metabolismo: durante o emagrecimento, a pessoa pode perder massa muscular. Por isso, a prática de exercícios de força e o consumo adequado de proteínas são importantes para manter o metabolismo mais ativo;
    • Manutenção dos hábitos: o período de uso do medicamento deve servir para ajustar a rotina alimentar. Quando o tratamento termina, os hábitos precisam já fazer parte do dia a dia;
    • Apoio emocional: em muitos casos, o acompanhamento psicológico ajuda a lidar com a relação com a comida, evitando que a alimentação volte a ser uma forma de compensar emoções.

    Como os remédios imitam hormônios naturais do corpo, parar de usar de forma abrupta pode aumentar a fome e diminuir o gasto de energia, facilitando o ganho de peso.

    Existem riscos no uso prolongado de Ozempic ou Mounjaro?

    Os análogos de GLP-1 são considerados seguros quando bem indicados e acompanhados, mas o uso contínuo precisa de monitoramento. Os efeitos mais comuns são gastrointestinais, principalmente no início ou após aumento de dose:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia ou constipação;
    • Sensação de estômago cheio.

    Os estudos de longo prazo ainda são limitados, e o uso indevido sem supervisão médica pode aumentar riscos cardiovasculares e metabólicos, como desidratação, alterações na função renal e desequilíbrios eletrolíticos, especialmente em casos de vômitos e diarreia frequentes.

    A perda de peso rápida e sem acompanhamento também pode causar a perda de massa muscular, o que afeta diretamente o metabolismo e pode dificultar a manutenção do peso ao longo do tempo. Em alguns casos, também pode acontecer a formação de pedras na vesícula, principalmente quando o emagrecimento ocorre de forma muito acelerada.

    Também é importante lembrar que nem todas as pessoas podem usar os medicamentos. As pessoas com histórico de pancreatite, com doenças específicas da tireoide ou com problemas gastrointestinais precisam de uma avaliação médica antes de iniciar o uso.

    Quando o médico pode recomendar a interrupção?

    O médico pode recomendar a interrupção do Ozempic ou do Mounjaro em algumas situações específicas, como:

    • O objetivo do tratamento foi alcançado e a pessoa consegue manter uma rotina saudável com alimentação equilibrada e atividade física regular;
    • O ganho de peso teve uma causa pontual, como uma gestação, um período de estresse ou uma mudança de rotina;
    • Há efeitos colaterais persistentes, como náuseas intensas, vômitos frequentes ou dor abdominal importante;
    • Surgem sinais de complicações, como suspeita de pancreatite, problemas na vesícula ou alterações nos exames;
    • O medicamento não está trazendo o resultado esperado mesmo com o uso correto;
    • Existe alguma contraindicação, como histórico de pancreatite ou doenças específicas da tireoide.

    Vale ressaltar que você nunca deve iniciar ou interromper o uso de análogos de GLP-1 sem orientação médica. Apenas um profissional pode determinar a dosagem segura, avaliar contraindicações e realizar o desmame correto para evitar riscos para a saúde.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo leva para o Ozempic começar a fazer efeito?

    Os níveis de açúcar no sangue começam a baixar nos primeiros dias, mas a perda de peso significativa costuma ser percebida após as primeiras 4 semanas, conforme a dose é ajustada.

    2. O uso prolongado de GLP-1 vicia o organismo?

    Não causa dependência química (vício), mas como a obesidade é crônica, o corpo pode precisar do estímulo contínuo para manter o peso, assim como na hipertensão.

    3. Posso usar Ozempic apenas para perder 2 ou 3 quilos?

    Não, o medicamento é indicado para casos de obesidade ou sobrepeso com complicações de saúde, não para fins puramente estéticos e de curto prazo.

    4. É normal parar de perder peso depois de alguns meses de uso?

    Sim, pode ocorrer o chamado “platô”. Nesses casos, o médico avalia se é necessário ajustar a dose ou mudar a estratégia alimentar e de exercícios.

    5. O que acontece se eu esquecer de aplicar na data certa?

    Se o atraso for de até 5 dias, aplique assim que lembrar. Se passar disso, pule a dose e retome no dia habitual da semana seguinte.

    6. É seguro usar análogos de GLP-1 durante a gravidez?

    Não, o uso deve ser interrompido pelo menos 2 meses antes de tentar engravidar, pois pode afetar o desenvolvimento do feto.

    7. É necessário fazer exames de sangue periódicos durante o uso prolongado?

    Sim, o médico normalmente solicita exames de função renal, hepática, amilase e lipase (pâncreas), além de monitorar os níveis de glicose e vitaminas.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

  • Medicamentos para emagrecer: quem não pode usar os análogos de GLP-1? 

    Medicamentos para emagrecer: quem não pode usar os análogos de GLP-1? 

    Não é novidade que o uso de qualquer medicamento precisa ser orientado por um profissional de saúde, e não seria diferente com os análogos de GLP-1, também conhecidos como canetas emagrecedoras.

    Apesar dos resultados de Ozempic e Mounjaro na perda de peso e no controle da glicemia, eles não são indicados para todo mundo, de acordo com a endocrinologista Daniella Romanholi.

    Por serem remédios que alteram processos metabólicos e hormonais complexos, existem contraindicações e grupos de risco que podem ter complicações graves ao usá-los sem a devida orientação médica, como pancreatite ou problemas renais.

    Como funcionam as canetas emagrecedoras?

    No organismo, os princípios ativos das canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, funcionam imitando a ação de um hormônio natural chamado GLP-1, que é liberado pelo intestino após as refeições e atua diretamente na regulação da fome e da glicose no sangue.

    Segundo Daniella, o hormônio envia sinais ao cérebro de que o corpo já recebeu alimento suficiente, ajudando a controlar o apetite no dia a dia.

    Com o uso do medicamento, a pessoa passa a sentir menos fome ao longo do dia e maior saciedade nas refeições, o que torna mais fácil reduzir a quantidade de comida sem ter a sensação constante de restrição. Como o esvaziamento do estômago também fica mais lento, a endocrinologista explica que a digestão acontece de forma mais gradual, prolongando a sensação de estômago cheio por mais tempo.

    Para completar, os análogos de GLP-1 atuam no controle da glicose no sangue, estimulando a liberação de insulina quando necessário e ajudando a evitar picos de açúcar. Por isso, eles foram inicialmente desenvolvidos para o tratamento de diabetes tipo 2.

    Quem não pode usar Ozempic e Mounjaro?

    As principais contraindicações das canetas emagrecedoras são:

    Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT)

    O carcinoma medular de tireoide é um tipo raro de câncer que se desenvolve nas células da tireoide responsáveis pela produção de hormônios específicos. Aqui, a contraindicação dos análogos de GLP-1 existe por um motivo de segurança.

    Em estudos realizados com roedores, os pesquisadores observaram que os medicamentos da classe podem estimular alterações nas células da tireoide, especialmente nas chamadas células C, justamente aquelas envolvidas nesse tipo de câncer.

    Até o momento, não existem evidências conclusivas de que o mesmo efeito aconteça em humanos, mas, por precaução, o uso não é recomendado para pessoas que apresentam maior risco, como quem já teve diagnóstico de carcinoma medular de tireoide ou quem tem casos da doença na família.

    Síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2)

    A NEM 2 é uma condição genética rara, em que a pessoa tem maior risco de desenvolver tumores em glândulas hormonais, incluindo a tireoide. Quem convive com a síndrome já apresenta uma predisposição aumentada para o carcinoma medular de tireoide. Por isso, Daniella aponta que o uso de análogos de GLP-1 não é indicado.

    Gestantes e mulheres em fase de amamentação

    Não existem estudos de segurança suficientes que garantam que a semaglutida ou a tirzepatida não causem malformações fetais ou passem pelo leite materno. A recomendação é interromper o uso pelo menos dois meses antes de tentar engravidar, para garantir que a substância tenha sido totalmente eliminada do organismo.

    Diabetes tipo 1

    Diferente do diabetes tipo 2, no tipo 1 o organismo perdeu a capacidade de produzir insulina. Como o mecanismo de ação de remédios como Ozempic e Mounjaro depende de um pâncreas funcional para estimular a liberação hormonal, eles não são capazes de substituir a insulina e, por isso, são contraindicados para diabetes tipo 1.

    Hipersensibilidade aos componentes da fórmula

    A hipersensibilidade é uma contraindicação básica para qualquer medicamento. No caso dos análogos de GLP-1, a pessoa não deve usar se tiver alergia à semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou à tirzepatida (Mounjaro), ou a qualquer outro componente da fórmula.

    Em casos mais graves, pode ocorrer uma reação alérgica grave (anafilaxia), que exige atendimento imediato. Por isso, se já houve reação a esse tipo de medicamento, o uso não é indicado.

    Situações que exigem cautela e avaliação médica

    Não são contraindicações absolutas, mas são situações em que o uso precisa ser feito com mais cuidado e sempre com acompanhamento médico:

    Histórico de pancreatite

    A pancreatite é uma inflamação no pâncreas, que pode causar dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. Como os análogos de GLP-1 atuam diretamente no sistema digestivo e no próprio pâncreas, o uso poderia aumentar o risco de uma nova inflamação.

    Por isso, quem já teve pancreatite precisa de uma avaliação mais cuidadosa antes de iniciar o tratamento.

    Doenças gastrointestinais graves (como gastroparesia)

    Uma das formas de ação do GLP-1 é deixar a digestão mais lenta, fazendo com que o estômago demore mais para esvaziar e aumentando a sensação de saciedade.

    Se a pessoa já possui o esvaziamento gástrico lento, como em quadros de gastroparesia, o medicamento pode paralisar o trato digestivo, causando náuseas crônicas, vômitos persistentes e obstruções.

    Doença renal ou risco de desidratação

    Os análogos de GLP-1 não são diretamente tóxicos para os rins em todos os pacientes, mas os efeitos colaterais comuns, como vômitos e diarreia intensos, podem aumentar o risco de desidratação. Em quem já possui a função renal comprometida, isso pode levar a uma insuficiência renal aguda súbita.

    Uso junto com insulina ou sulfonilureias (risco de hipoglicemia)

    Quando os análogos de GLP-1 são usados junto com outros medicamentos que também diminuem a glicose, como a insulina ou as sulfonilureias, aumenta o risco de hipoglicemia, que é a queda do açúcar no sangue. Os sintomas podem incluir:

    • Tontura;
    • Fraqueza;
    • Suor frio;
    • Tremor;
    • Confusão.

    Nesses casos, o médico costuma ajustar as doses dos outros medicamentos para evitar o risco.

    Quando procurar um médico imediatamente?

    Sintomas como náuseas leves e desconforto abdominal são comuns no início do tratamento, mas alguns sinais indicam complicações graves que não devem ser ignoradas:

    • Dor abdominal intensa e persistente, principalmente na parte superior do abdômen, que pode ir para as costas e vir com vômitos frequentes, pode indicar pancreatite aguda;
    • Alterações na urina ou inchaço nas pernas, como urinar menos, urina escura ou inchaço nos pés e tornozelos, podem ser sinais de problema nos rins por desidratação;
    • Problemas de visão, como visão embaçada ou mudança repentina, precisam de avaliação, principalmente em pessoas com diabetes;
    • Sintomas de reação alérgica grave, como dificuldade para respirar, inchaço no rosto, lábios, língua ou garganta, além de coceira com manchas vermelhas pelo corpo;
    • Alterações no ritmo cardíaco, como sensação de coração acelerado ou batimentos irregulares mesmo em repouso;
    • Mudanças intensas de humor, como ansiedade forte, tristeza profunda ou pensamentos negativos, devem ser comunicadas ao médico o quanto antes.

    Sempre que algum dos sintomas aparecer, a orientação é não ignorar e buscar avaliação médica o quanto antes.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre Ozempic e Mounjaro?

    O Ozempic contém semaglutida (imita o GLP-1). O Mounjaro contém tirzepatida, que imita dois hormônios (GLP-1 e GIP), o que pode potencializar a perda de peso.

    2. Por que as canetas emagrecedoras causam náuseas?

    Porque elas diminuem a velocidade com que o estômago se esvazia. A comida fica mais tempo no órgão, o que pode gerar desconforto, náuseas e até vômitos.

    3. Posso beber álcool usando Ozempic ou Mounjaro?

    Não é recomendado, pois o álcool pode irritar o estômago e aumentar o risco de hipoglicemia ou inflamação no pâncreas (pancreatite) durante o tratamento.

    4. O remédio causa o “rosto de Ozempic”?

    O termo se refere à aparência mais abatida ou flácida do rosto após uma perda de peso muito rápida. Não é um efeito do remédio em si, mas do emagrecimento acelerado.

    5. Quanto tempo demora para começar a emagrecer?

    Os efeitos na saciedade são imediatos, mas a perda de peso significativa costuma ser notada após as primeiras 4 semanas, quando as doses são ajustadas.

    6. Onde devo aplicar a injeção?

    A aplicação é subcutânea (embaixo da pele) na região do abdômen, coxa ou parte superior do braço.

    7. O que fazer se eu esquecer uma dose?

    Se o atraso for de até 5 dias, aplique assim que lembrar. Se passar de 5 dias, pule a dose e retorne ao cronograma normal na semana seguinte.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Análogos de GLP-1: como armazenar os medicamentos corretamente? 

    Análogos de GLP-1: como armazenar os medicamentos corretamente? 

    Se você está em tratamento com os medicamentos análogos de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” (Ozempic ou Mounjaro), já deve saber que elas precisam de alguns cuidados no armazenamento para manter a eficácia ao longo do tempo.

    Os análogos de GLP-1, sendo compostos por substâncias sensíveis a variações de temperatura, luz e manuseio, podem perder a estabilidade quando não são armazenados corretamente, o que compromete o efeito esperado do tratamento e, em alguns casos, até a segurança do uso.

    Na prática, isso significa que deixar a caneta exposta ao calor, ao sol ou a mudanças bruscas de temperatura pode reduzir a potência do medicamento, mesmo que ele ainda esteja dentro do prazo de validade.

    Por que o armazenamento correto é importante para o tratamento?

    O princípio ativo dos análogos de GLP-1 é composto por proteínas extremamente sensíveis a variações ambientais. Quando a caneta é exposta a temperaturas acima de 30°C ou ao congelamento, as moléculas sofrem um processo de desnaturação, o que significa que o remédio perde a estrutura química original e, consequentemente, a capacidade de agir no organismo.

    Isso faz com que a dose aplicada não produza o efeito esperado no controle do apetite ou da glicemia, o que compromete diretamente o progresso do tratamento.

    Além disso, a conservação inadequada coloca em risco a segurança biológica do paciente, pois o calor excessivo e a exposição direta à luz podem acelerar a degradação dos conservantes presentes na fórmula.

    Sem a proteção, o líquido pode se tornar um meio propício para a proliferação de microrganismos ou sofrer alterações químicas que aumentam o risco de reações adversas no local da aplicação, como irritações severas ou infecções.

    Como armazenar a caneta emagrecedora antes do primeiro uso?

    Antes de iniciar o uso, a caneta deve ser mantida sob refrigeração adequada para preservar a estabilidade do medicamento:

    • Guardar na geladeira, em temperatura entre 2 °C e 8 °C;
    • Manter na embalagem original, para proteger da luz e de variações externas;
    • Armazenar na parte interna da geladeira, onde a temperatura é mais estável;
    • Evitar deixar na porta, pois há maior oscilação térmica;
    • Não posicionar próximo ao congelador;
    • Não congelar em nenhuma hipótese.

    O congelamento é um dos principais riscos do armazenamento dos análogos de GLP–1, pois quando acontece, mesmo que por pouco tempo, pode alterar a estrutura do remédio e comprometer totalmente a eficácia. Nesses casos, a recomendação é não utilizar a caneta e fazer o descarte adequado.

    Dica: ao chegar da farmácia, certifique-se de retirar a caneta da sacola e colocá-la na geladeira o mais rápido possível, evitando que ela fique exposta ao calor ambiente por períodos prolongados antes de ser refrigerada.

    Como guardar a caneta após aberta (em uso)?

    Se você já começou a usar o medicamento, existem duas possibilidades seguras de armazenamento: manter na geladeira, entre 2 °C e 8 °C, ou manter em temperatura ambiente controlada, normalmente abaixo de 30 °C.

    Na prática, muitas pessoas optam por deixar fora da geladeira para facilitar o uso no dia a dia, já que a aplicação com o medicamento menos frio pode ser mais confortável. Ainda assim, o mais importante não é o local em si, mas evitar extremos de temperatura a partir de alguns cuidados:

    • Sempre manter a caneta tampada, protegida da luz;
    • Evitar exposição ao calor, como locais próximos ao fogão, bolsa fechada ao sol ou carro;
    • Não deixar em ambientes com variações bruscas de temperatura;
    • Não armazenar em locais úmidos ou com risco de contato com líquidos.

    Sobre o tempo de uso, vale destacar que cada medicamento tem um limite específico, que pode ser verificado na bula. O Ozempic, por exemplo, pode ser utilizado por até 6 semanas após aberto. Já o Mounjaro pode permanecer fora da geladeira por até 21 dias, desde que abaixo de 30 °C.

    Passado o período, o remédio pode perder a estabilidade, mesmo sem alteração visível.

    Cuidados que você deve ter com a agulha

    O uso incorreto pode causar entupimento da agulha, vazamento do medicamento, aplicação incompleta da dose e até mesmo infecções. Por isso, alguns cuidados são recomendados:

    • Utilizar uma agulha nova em cada aplicação;
    • Nunca reutilizar a agulha, mesmo que pareça em bom estado;
    • Não tentar recolocar a tampa interna, para evitar acidentes;
    • Descartar a agulha imediatamente após o uso;
    • Não utilizar agulhas tortas, danificadas ou com sinais de contaminação;
    • Nunca compartilhar a caneta ou a agulha com outras pessoas.

    Como transportar a caneta emagrecedora em viagens?

    Durante viagens, é preciso manter a temperatura o mais estável possível e proteger o medicamento de extremos. Veja algumas dicas que podem te ajudar:

    • Utilizar uma bolsa térmica para ajudar a manter a temperatura;
    • Evitar contato direto com gelo, para não correr risco de congelamento;
    • Proteger da luz solar direta;
    • Não deixar em locais muito quentes, como carro fechado;
    • Evitar locais muito frios ou com risco de congelamento.

    No caso de viagens de avião, o ideal é levar o medicamento sempre na bagagem de mão, pois o compartimento de carga pode atingir temperaturas muito baixas, aumentando o risco de congelamento.

    Quando descartar a caneta emagrecedora?

    Mesmo que ainda tenha remédio na caneta, existem situações em que você precisa realizar o descarte para garantir a segurança do tratamento, como:

    • O prazo de uso após abertura for ultrapassado;
    • Houve congelamento, mesmo que por pouco tempo;
    • Ficou exposta a temperaturas inadequadas por tempo prolongado;
    • Apresenta alteração no aspecto, como líquido turvo ou diferente do padrão.

    Para o descarte, as agulhas devem ser colocadas em recipientes resistentes, como embalagens rígidas de plástico, para evitar acidentes e perfurações. Depois disso, o material deve ser levado a pontos de coleta adequados, como farmácias, drogarias ou unidades de saúde, que possuem descarte apropriado para resíduos perfurocortantes.

    A importância do acompanhamento médico no uso de GLP-1

    Como qualquer outro tratamento médico, o uso de análogos de GLP-1 precisa de acompanhamento de um profissional do início ao fim.

    Hoje, não é incomum ver pessoas iniciando o tratamento com análogos de GLP-1 sem receita ou orientação médica, o que não é indicado. De acordo com a endocrinologista Daniella Romanholi, o uso inadequado das medicações pode levar à perda de massa muscular, à desaceleração do metabolismo e à dificuldade de manter o peso a longo prazo.

    Nem todas as pessoas têm indicação para o uso, por isso apenas um médico pode avaliar, de forma individualizada, se o tratamento é adequado, considerando o histórico de saúde, o índice de massa corporal e a presença de outras condições associadas.

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    Perguntas frequentes

    1. Posso guardar a caneta emagrecedora na porta da geladeira?

    Não é recomendado. A porta sofre grandes variações de temperatura toda vez que é aberta. O ideal é guardar nas prateleiras centrais ou na gaveta de verduras.

    2. Como saber se a caneta emagrecedora estragou?

    Observe o líquido dentro da caneta: ele deve ser límpido e incolor. Se estiver turvo, com partículas ou com coloração alterada, não utilize.

    3. Por que devo retirar a agulha após a aplicação?

    Deixar a agulha acoplada pode causar vazamento do medicamento, entrada de bolhas de ar e contaminação do líquido.

    4. Esqueci minha caneta fora da geladeira a noite toda, e agora?

    Se a temperatura ambiente não ultrapassou 30°C, ela ainda pode ser usada, mas o prazo de validade passa a ser de apenas 30 dias a partir desse momento.

    5. Posso usar uma caixa térmica com gelo comum para transportar a caneta?

    Sim, mas com cuidado. O gelo comum derrete e pode molhar a embalagem. O ideal é envolver a caneta em um pano ou plástico bolha para que ela não fique em contato direto com o gelo, evitando o risco de congelamento acidental.

    6. Existe algum problema em guardar a caneta perto de alimentos com cheiro forte?

    Desde que a caneta esteja dentro da caixa original e com a tampa, não há interferência química. No entanto, por higiene, recomenda-se mantê-la em uma prateleira isolada ou dentro de um pote organizador limpo.

    7. É normal o líquido da caneta emagrecedora ficar com uma bolha de ar?

    Sim, uma pequena bolha de ar não afeta a qualidade do medicamento nem o armazenamento. O importante é que o líquido continue transparente e sem partículas sólidas.

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