Autor: Dra. Brianna Nicoletti

  • Alergia a níquel de bijuterias: por que acontece, como tratar e se tem cura

    Alergia a níquel de bijuterias: por que acontece, como tratar e se tem cura

    Vermelhidão, coceira e pequenas bolhas após usar um brinco novo? Esses sintomas podem parecer estranhos para quem já está acostumado a usar bijuterias, mas são sinais clássicos de alergia a níquel — uma das causas mais comuns de dermatite de contato no mundo.

    O níquel está presente em muitos objetos do dia a dia — de bijuterias a botões, zíperes e até cosméticos. Em pessoas predispostas, o contato repetido com o metal provoca uma reação inflamatória que tende a se tornar crônica, mesmo com pequenas quantidades de exposição.

    Mas afinal, o que fazer? A seguir, a alergista e imunologista Brianna Nicoletti explica como é feito o tratamento, quais alternativas são seguras e como diferenciar a alergia de uma simples irritação.

    O que é o níquel?

    Segundo Brianna, o níquel (ou sulfato de níquel) é um metal resistente, versátil e brilhante, amplamente utilizado em ligas metálicas. É popular por ser barato, durável e aumentar a vida útil de produtos metálicos.

    Ele está presente em uma série de objetos cotidianos:

    • Brincos e piercings metálicos;
    • Correntes, pulseiras e anéis prateados;
    • Fechos de colares e zíperes de roupas;
    • Botões de calça e fivelas de cinto;
    • Relógios e armações de óculos;
    • Cosméticos (sombras, batons, tinturas de cabelo).

    Nos cosméticos, o níquel não é adicionado de propósito: ele surge como impureza de pigmentos metálicos, especialmente em maquiagens com tons dourados, acinzentados ou cintilantes. Mesmo em quantidades mínimas, pode sensibilizar peles predispostas.

    Por que algumas pessoas têm alergia a níquel nas bijuterias?

    A alergia ocorre quando o sistema imunológico reconhece o níquel como uma substância estranha. Os íons do metal penetram nas camadas da pele e se ligam a proteínas locais, desencadeando uma inflamação com vermelhidão, coceira e bolhas.

    Curiosamente, a sensibilidade pode surgir após anos de uso de bijuterias com níquel. Isso acontece porque o corpo cria uma “memória imunológica” — e, a partir daí, mesmo uma exposição mínima é suficiente para causar reação. É por isso que a alergia tende a ser crônica.

    Quais são os sintomas da alergia a níquel?

    Os sintomas da alergia a níquel aparecem geralmente entre 12 e 48 horas após o contato. As áreas mais afetadas são as que têm contato direto com o metal — lóbulo das orelhas, pescoço, dedos e pulsos. Os principais sinais incluem:

    • Coceira intensa e persistente;
    • Vermelhidão e sensação de calor;
    • Descamação e ressecamento da pele;
    • Pequenas bolhas que podem liberar líquido;
    • Crostas ou fissuras em casos crônicos.

    Nos casos prolongados, a pele pode engrossar, escurecer e ficar sensível. Já nas alergias causadas por cosméticos, as lesões podem surgir em locais como pálpebras, rosto, couro cabeludo e mãos.

    Importante: mesmo após remover o acessório, a reação pode persistir por alguns dias até a recuperação completa da pele.

    Como diferenciar alergia a níquel de outras irritações?

    Nem toda vermelhidão causada por bijuteria é uma alergia verdadeira. Às vezes, trata-se apenas de uma irritação mecânica (pelo atrito) ou química (por suor ou produtos de limpeza). Veja as diferenças:

    Tipo de reação Causa Características Duração
    Irritação simples Atrito, suor, produtos químicos Ardência e vermelhidão local Melhora após remover o acessório
    Alergia (dermatite de contato) Reação imunológica ao níquel Coceira, bolhas e inflamação persistente Dura dias ou semanas, mesmo sem o acessório

    Diagnóstico da alergia a níquel

    O diagnóstico é clínico, baseado na história e nas lesões observadas. Para confirmar, o dermatologista pode solicitar o teste de contato (patch test), no qual pequenas quantidades de substâncias alérgicas — incluindo o níquel — são aplicadas nas costas do paciente.

    Após 48 e 72 horas, o médico verifica se houve inflamação na área. O resultado confirma a alergia e orienta medidas de prevenção.

    Como tratar a alergia a níquel

    Ao notar coceira intensa e vermelhidão, o primeiro passo é retirar o acessório e lavar a região com água e sabão neutro. Depois, aplique um hidratante para restaurar a barreira cutânea.

    De acordo com Brianna, o tratamento geralmente inclui pomadas com corticoide por curto período. Em casos mais graves, o dermatologista pode indicar inibidores de calcineurina, curativos de barreira ou antibióticos, se houver infecção.

    Tenho alergia a níquel. O que posso usar?

    O níquel está em muitos acessórios, mas existem alternativas seguras. Prefira peças de aço cirúrgico, titânio, ouro 18k (não folheado) ou prata 925 de boa procedência, certificando-se de que a liga não contenha traços de níquel.

    Nos cosméticos, escolha produtos com selo “nickel-tested” ou “low-nickel”. Prefira fórmulas sem fragrância e com poucos ingredientes, que reduzem o risco de irritação.

    Mantenha a pele hidratada com cremes ricos em ceramidas e evite usar acessórios por longos períodos, especialmente em dias quentes, pois o suor aumenta a liberação do metal.

    Quando procurar ajuda médica urgente

    Procure um médico se houver:

    • Inchaço intenso, dor ou calor no local;
    • Presença de pus ou secreção amarelada;
    • Lesões que não cicatrizam;
    • Coceira que se espalha pelo corpo.

    Esses sinais podem indicar infecção secundária ou outras doenças de pele, como eczema atópico.

    Confira: Será que é urticária? Conheça as características dessa doença

    Alergia a níquel tem cura?

    A alergia ao níquel tende a ser crônica. O tratamento se baseia em evitar a exposição e controlar os sintomas. Em casos específicos, o dermatologista pode considerar estratégias complementares, mas a dessensibilização não é rotina, pois o manejo é preventivo e evitativo.

    “Um alerta prático: se a dermatite aparece em pálpebras ou rosto e você não usa bijuterias, pense em maquiagens, esmaltes e tinturas como fontes ocultas. Leve seus produtos à consulta — isso ajuda no diagnóstico e na escolha de alternativas seguras”, orienta Brianna.

    Perguntas frequentes sobre alergia a níquel

    1. Posso usar bijuterias se aplicar esmalte transparente por cima?

    Passar esmalte sobre brincos, anéis ou pulseiras cria apenas uma barreira temporária. Com o tempo, o atrito e o suor removem a camada, permitindo o contato com o metal novamente. É uma solução paliativa; o ideal é usar metais hipoalergênicos.

    2. É verdade que o suor aumenta a liberação de níquel?

    Sim. O suor contém sais e ácidos que facilitam a liberação de íons de níquel das ligas metálicas, aumentando a chance de reação alérgica. Por isso, evite usar bijuterias durante o calor, ao dormir ou durante atividades físicas.

    3. Como saber se uma bijuteria contém níquel?

    Não é possível identificar visualmente. Algumas lojas informam na embalagem ou site. Outra opção é usar kits de teste para níquel, vendidos em farmácias, que mudam de cor ao entrar em contato com o metal.

    4. O uso de celular ou notebook metálico pode causar alergia?

    Sim, especialmente em pessoas muito sensíveis. O contato prolongado com aparelhos metálicos pode causar dermatite nas mãos ou bochechas. Use capas protetoras e películas para evitar o contato direto.

    5. Quais alimentos contêm níquel e podem piorar a alergia?

    Alguns alimentos possuem altos teores naturais de níquel e, em pessoas sensíveis, podem agravar os sintomas. Entre eles:

    • Chocolate e cacau;
    • Nozes, amêndoas e castanhas;
    • Feijão, lentilha e ervilha;
    • Aveia e trigo integral;
    • Espinafre e couve;
    • Chá preto e café instantâneo.

    Esses alimentos não causam alergia em todas as pessoas, mas quem tem dermatite sistêmica por níquel pode precisar restringi-los sob orientação médica.

    Leia também: Alergia à poeira doméstica: por que acontece e como aliviar os sintomas?

  • Será que é urticária? Conheça as características dessa doença

    Será que é urticária? Conheça as características dessa doença

    Você sabia que, ao longo da vida, uma em cada quatro pessoas apresenta pelo menos um episódio de urticária? A condição é relativamente comum e pode surgir em qualquer idade, provocando manchas vermelhas, elevadas e com coceira intensa.

    Em muitos casos, ela dura poucas horas e desaparece sem deixar marcas, mas também pode se tornar crônica, persistindo por semanas ou até anos. Para entender como ela é causada e as medidas de tratamento, conversamos com a alergista e imunologista Brianna Nicoletti. Confira!

    O que é urticária?

    A urticária é uma condição de pele caracterizada pelo surgimento súbito de lesões chamadas pápulas urticariformes. Elas aparecem como vergões avermelhados, elevados e que coçam bastante. De acordo com Brianna, podem surgir em minutos, mudar de lugar no corpo e desaparecer em até 24 horas, sem deixar marcas ou cicatrizes.

    Em alguns casos, a urticária vem acompanhada de angioedema, que é o inchaço mais profundo da pele e das mucosas — como nos lábios, pálpebras e língua. Ela pode ser mais desconfortável e até assustar, embora nem sempre represente risco grave.

    Quais os tipos de urticária?

    • Urticária aguda: quando os sintomas duram menos de seis semanas. Normalmente, está ligada a alergias alimentares, medicamentos, infecções virais ou picadas de insetos;
    • Urticária crônica: quando persiste por mais de seis semanas, com crises recorrentes. Em boa parte dos casos, não há um gatilho específico identificado.

    O que causa urticária?

    As causas variam conforme o tipo. Segundo Brianna, casos de urticária aguda podem ser desencadeados por:

    • Infecções virais (principal motivo em crianças);
    • Medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios;
    • Alimentos, incluindo oleaginosas, frutos do mar, leite e ovos;
    • Picadas de insetos;
    • Agentes físicos, como frio, calor ou pressão na pele.

    Já a urticária crônica pode surgir devido a:

    • Mecanismos autoimunes;
    • Doenças da tireoide;
    • Infecções crônicas;
    • Alterações hormonais;
    • Estresse e fatores emocionais;
    • Estímulos físicos, como calor, frio, sol, pressão e exercício.

    Vale apontar que, na maioria dos casos crônicos, não é encontrado um gatilho definido. Ou seja, o organismo reage de forma descontrolada, liberando histamina e causando os sintomas, sem uma causa aparente.

    A urticária é contagiosa?

    Não, a urticária não é uma doença contagiosa. Ela não passa de pessoa para pessoa por contato físico, beijo, abraço ou compartilhamento de objetos.

    Em alguns casos, ela pode estar relacionada a infecções virais — mas nesse caso, o que pode ser transmitido é o vírus (como o de uma gripe), não a urticária em si.

    Sintomas da urticária

    • Manchas vermelhas e elevadas (pápulas) que surgem e desaparecem rapidamente;
    • Coceira intensa, que pode piorar à noite ou em situações de calor;
    • Sensação de ardor ou queimação nas áreas afetadas;
    • Lesões que aparecem em uma região e depois somem, surgindo em outros locais;
    • Inchaço localizado (angioedema), especialmente em pálpebras, lábios, mãos, pés ou genitais.

    Em crises mais graves, a urticária pode vir acompanhada de dificuldade para respirar, dor abdominal ou tontura — sinais que exigem atendimento médico imediato.

    Estresse pode causar urticária?

    Sim, em algumas situações, a tensão emocional pode desencadear ou agravar as crises. “O estresse psicológico aumenta a liberação de neuropeptídeos e histamina pelos mastócitos, podendo precipitar ou intensificar as crises — principalmente na urticária crônica”, explica Brianna.

    Fatores como privação de sono e ansiedade também podem contribuir para o aparecimento ou agravamento do quadro. Mudanças no estilo de vida, incluindo técnicas de controle do estresse, exercícios físicos e boa higiene do sono, ajudam a controlar os sintomas.

    Como é feito o diagnóstico de urticária?

    O diagnóstico é clínico, baseado na observação das lesões e na história do paciente. O médico avalia como e quando as lesões aparecem, se há associação com alimentos, medicamentos ou fatores ambientais e a duração dos sintomas.

    Não é necessário fazer exames laboratoriais, segundo Brianna, a menos que exista suspeita de uma condição de base, como doenças da tireoide ou infecções crônicas.

    Testes alérgicos só costumam ser solicitados se houver forte suspeita de alergia alimentar ou medicamentosa — principalmente nos casos de urticária aguda. Já na crônica, os testes raramente trazem respostas úteis.

    Como tratar a urticária?

    O tratamento é feito, inicialmente, com o uso diário de anti-histamínicos de segunda geração, que ajudam a controlar a coceira e as manchas na pele sem causar sono. Se a melhora não for suficiente, o médico pode aumentar até quatro vezes a dose padrão, de acordo com Brianna.

    Nos casos em que a urticária não responde ao tratamento, existem opções mais avançadas, como o omalizumabe e outros medicamentos que agem diretamente no sistema imunológico. A ciclosporina também pode ser usada, sempre com acompanhamento médico.

    Além dos remédios, é muito importante identificar e evitar os gatilhos que causam as crises, além de cuidar do estresse e do sono, que influenciam no controle da doença.

    É possível prevenir a urticária?

    Nem sempre é possível prevenir, mas há medidas que ajudam a reduzir o risco de crises ou minimizar sua frequência. O primeiro passo é identificar e evitar os gatilhos. Outras recomendações:

    • Evitar calor excessivo, banhos muito quentes e exposição prolongada ao sol;
    • Reduzir ou suspender o consumo de bebidas alcoólicas;
    • Controlar o estresse com técnicas de relaxamento, atividade física regular e boa higiene do sono;
    • Manter alimentação equilibrada, priorizando alimentos naturais. Considerar reduzir itens que frequentemente pioram as crises, como embutidos, enlatados, corantes artificiais, refrigerantes, sucos artificiais, frutos do mar, ovos e chocolate.

    Urticária é grave?

    Na maioria dos casos, a urticária não é grave e não causa complicações. No entanto, em alguns pacientes — especialmente com urticária crônica — a condição pode estar relacionada a doenças mais sérias, como:

    • Doenças autoimunes (tireoidite de Hashimoto, lúpus, síndrome de Sjögren);
    • Infecções crônicas (Helicobacter pylori, hepatites virais, HIV);
    • Neoplasias hematológicas (linfomas, leucemias, mastocitose sistêmica);
    • Distúrbios da tireoide e mastocitose.

    Além disso, casos em que a urticária vem acompanhada de angioedema na garganta ou dificuldade respiratória são considerados emergências médicas, exigindo atendimento imediato.

    Confira: Entenda como funciona a alergia alimentar e o que fazer

    Perguntas frequentes

    1. A urticária em bebês é comum?

    Sim. A urticária pode afetar pessoas de todas as idades, inclusive bebês e crianças pequenas. Nos primeiros anos de vida, a causa mais comum é a reação a infecções virais, mas também pode estar relacionada a alimentos (como leite e ovo), picadas de insetos e, em casos mais raros, a remédios.

    As lesões são semelhantes às dos adultos: vergões vermelhos, elevados e pruriginosos. Em bebês, a coceira pode causar irritabilidade e choro. Procure atendimento se houver inchaço de boca, língua ou dificuldade respiratória.

    2. A urticária pode aparecer durante a gravidez?

    Sim. A gestação envolve alterações hormonais e imunológicas que podem favorecer o surgimento ou a piora da urticária. Apesar de normalmente benigna, a gestante deve ser acompanhada por médico para ajustar o tratamento com segurança. Anti-histamínicos de segunda geração podem ser usados, sempre com prescrição.

    3. Estou com urticária, quando devo ir ao médico?

    Busque urgência se apresentar:

    • Dificuldade para respirar;
    • Inchaço em boca, língua ou garganta;
    • Dor abdominal intensa, vômitos ou tontura;
    • Lesões que duram mais de 24 horas no mesmo local e deixam manchas residuais (pode indicar vasculite).

    4. A urticária pode deixar cicatrizes?

    Não. Uma característica da urticária é o desaparecimento das lesões em até 24 horas, sem marcas. Persistência no mesmo local por mais de um dia, com manchas roxas ou marrons, sugere outro problema e deve ser investigada.

    5. Existe relação entre urticária e alimentação?

    Sim, mas não em todos os casos. Na urticária aguda, alimentos como frutos do mar, leite, ovos, amendoim, nozes e chocolate podem desencadear crises. Na crônica, a relação é menos clara. Algumas pessoas melhoram ao reduzir corantes, conservantes e ultraprocessados. Observe relações diretas e converse com o médico.

    6. Quem tem urticária pode beber álcool?

    O álcool pode agravar os sintomas por aumentar a vasodilatação e potencializar a liberação de histamina, além de interagir com medicamentos. Prefira moderação ou evite.

    7. Existe risco de urticária virar câncer?

    Não. A urticária não evolui para câncer. Raramente, pode ser manifestação secundária de doenças hematológicas, mas isso é incomum e corresponde a uma minoria dos casos de urticária crônica.

    Veja também: Alergia à poeira doméstica: por que acontece e como aliviar os sintomas?

  • Alergia à poeira doméstica: por que acontece e como aliviar os sintomas?

    Alergia à poeira doméstica: por que acontece e como aliviar os sintomas?

    Se você é alérgico à poeira, sabe como ela pode atrapalhar o dia a dia: espirros, tosse e nariz entupido costumam aparecer — principalmente durante a faxina. A poeira acumulada em móveis, cortinas, roupas de cama e até no ar carrega ácaros, fungos, restos de pele e outros microrganismos que irritam o sistema respiratório e podem desencadear crises de rinite, asma ou dermatite.

    Com alguns cuidados simples é possível reduzir os sintomas e ganhar qualidade de vida. Entenda!

    Por que a poeira doméstica causa alergia?

    A “poeira” não é só o pó visível: trata-se de uma mistura de partículas microscópicas, como:

    • Restos de pele humana e de animais;
    • Fragmentos de insetos (ex.: baratas);
    • Esporos de mofo;
    • Poluentes que entram pelas janelas;
    • Ácaros e seus resíduos (fezes e partes do corpo).

    Segundo a alergista e imunologista Brianna Nicoletti, em pessoas predispostas essa exposição ativa uma resposta IgE-mediada. O organismo libera histamina, gerando inflamação nas mucosas do nariz, garganta e olhos; casos mais intensos alcançam os brônquios e agravam a asma.

    Qual o papel dos ácaros na alergia à poeira?

    Os ácaros são os maiores vilões. As proteínas de suas fezes e dos próprios corpos são potentes alérgenos. Eles penetram e se acumulam em:

    • Tapetes e carpetes;
    • Cortinas grossas;
    • Sofás e estofados;
    • Colchões e travesseiros.

    Ambientes quentes e úmidos favorecem sua proliferação (≈20–25 °C e umidade > 60%). Com o tempo, esses locais viram “reservatórios”, dificultando o controle.

    Sintomas mais comuns de alergia a poeira

    • Espirros em sequência (frequentes ao acordar);
    • Nariz entupido ou coriza clara;
    • Coceira em nariz, garganta e olhos;
    • Olhos vermelhos e lacrimejando;
    • Tosse seca persistente;
    • Chiado e falta de ar em asmáticos;
    • Lesões de pele em quem tem dermatite atópica sensível a ácaros.

    Atenção: se os sintomas durarem > 2 semanas, forem recorrentes em faxinas/troca de roupa de cama/lugares fechados, procure avaliação médica.

    Cuidados domésticos para reduzir poeira e ácaros

    Limpeza adequada

    • Use pano levemente úmido ou aspirador com filtro HEPA (evite varrer a seco);
    • Aspire sofás, poltronas, colchões e cantos com regularidade.

    Controle da umidade

    • Mantenha a umidade entre 40% e 50% (ventile a casa diariamente);
    • Conserte infiltrações e trate mofo em paredes/teto.

    Redução de reservatórios de poeira

    • Prefira superfícies lisas e fáceis de limpar;
    • Troque tapetes felpudos, cortinas pesadas e bichos de pelúcia por alternativas laváveis.

    Higienização da roupa de cama

    • Lave lençóis e fronhas semanalmente em água quente (≥ 54 °C);
    • Evite colchões/travesseiros muito antigos e enchimentos naturais (penas/lã);
    • Faça trocas regulares da roupa de cama.

    Capas antiácaro

    Capas para colchões e travesseiros, com trama fechada, funcionam como barreira física e reduzem sintomas, especialmente em rinite/asma frequentes.

    Purificadores de ar ajudam?

    Sim, com ressalvas. Modelos com HEPA reduzem partículas suspensas (benefício mais notável em quartos fechados). Não substituem a limpeza nem o controle de umidade e o efeito clínico é modesto. Evite ionizadores/ozonizadores (irritantes).

    Confira: 5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

    Como é feito o tratamento da alergia a poeira?

    • Anti-histamínicos: aliviam espirros e coceira;
    • Corticoides nasais: reduzem inflamação;
    • Broncodilatadores: em asma, para abrir as vias aéreas;
    • Imunoterapia (dessensibilização): microdoses do alérgeno por injeções ou via sublingual, conforme indicação médica.

    O plano terapêutico deve ser individualizado, considerando histórico, intensidade dos sintomas e condições associadas (rinite, asma, dermatite).

    Perguntas frequentes sobre alergia a poeira doméstica

    1. O que são ácaros?

    São microrganismos que vivem em colchões, travesseiros, tapetes e estofados, alimentando-se de restos de pele. Suas fezes e fragmentos provocam resposta inflamatória intensa em pessoas sensíveis.

    2. Crianças têm mais risco?

    Sim. O sistema imune ainda está em desenvolvimento e a exposição é maior (brincadeiras no chão, pelúcias, objetos na boca). Reforce limpeza e ventilação dos quartos.

    3. Como diferenciar alergia de resfriado?

    Resfriado (vírus) dura 7–10 dias e pode ter febre/secreção amarelada. Alergia pode durar semanas/meses, com coriza clara, espirros em salva, coceira e sem febre.

    4. Qual aspirador é melhor?

    Com HEPA (retém até 99,97% das partículas < 0,3 μm). Aspiradores comuns podem devolver partículas finas ao ar e piorar sintomas.

    5. Existe cura definitiva?

    Não para a predisposição genética, mas é possível controlar muito bem os sintomas com medidas ambientais, medicamentos e, em alguns casos, imunoterapia.

    6. Como manter os sintomas sob controle?

    • Ventile a casa diariamente;
    • Aspire 2x/semana com HEPA e passe pano úmido;
    • Controle a umidade (desumidificadores quando preciso);
    • Lave roupa de cama semanalmente em água quente;
    • Use capas antiácaro e evite acumuladores de poeira;
    • Faça lavagem nasal diária com soro fisiológico.

    7. Por que piora à noite?

    Colchões, travesseiros e roupas de cama concentram ácaros; o contato prolongado durante o sono intensifica espirros, obstrução e tosse.

    8. Máscara ajuda em ambientes empoeirados?

    Sim. Máscaras com filtro (PFF2/N95) reduzem a inalação de poeira/ácaros durante faxinas, mudanças e locais com muita poeira ou poluição.

    Leia mais: Vacina para alergia: entenda como funciona a imunoterapia

  • Asma alérgica: o que é, sintomas, tratamentos e remédios

    Asma alérgica: o que é, sintomas, tratamentos e remédios

    Você sabe o que é asma alérgica? A condição, que é comum durante a infância e adolescência, acontece quando o organismo reage de forma exagerada a substâncias normalmente inofensivas, como poeira, pólen, mofo ou pelos de animais. Isso causa inflamação das vias aéreas, deixando a respiração mais difícil.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a asma afeta mais de 260 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a estimativa é que cerca de 20 milhões de brasileiros convivam com a doença, sendo a asma alérgica uma das formas mais comuns.

    Apesar de crônica, a condição pode ser controlada a partir de acompanhamento médico, tratamento adequado e mudanças no estilo de vida. Entenda mais, a seguir.

    O que causa a asma alérgica?

    A asma alérgica, também chamada de asma atópica, é desencadeada quando o sistema imunológico identifica como perigosa uma substância inofensiva, chamada de alérgeno. Ao entrar em contato com o agente, o corpo reage liberando substâncias químicas que causam inflamação nos brônquios e estreitamento das vias respiratórias.

    Entre alguns dos principais alérgenos, estão:

    • Ácaros da poeira doméstica, encontrados em colchões, travesseiros, cortinas e tapetes;
    • Mofo e umidade, que são comuns em casas pouco arejadas;
    • Pelos e epitélio de animais de estimação, como gatos, cães e até roedores;
    • Cheiros fortes, como perfumes, produtos de limpeza, tintas e solventes;
    • Fumaça de cigarro;
    • Poluição do ar;
    • Pólen.

    Além dos alérgenos clássicos, alguns alimentos podem provocar reações em pessoas sensíveis, como leite, ovos, frutos do mar, amendoim e nozes. Eles são menos comuns do que alérgenos inalados, mas crises causadas por alimentos podem ser mais graves.

    Quais os sintomas de asma alérgica?

    Os sintomas da asma alérgica podem variar de pessoa para pessoa. De acordo com a alergista e imunologista Brianna Nicoletti, eles podem variar ao longo do tempo e tendem a surgir ou piorar em situações específicas, como exposição a alérgenos, prática de esforço físico, contato com ar frio ou durante infecções respiratórias.

    Os sinais mais comuns incluem:

    • Falta de ar;
    • Chiado no peito (som semelhante a um assobio ao respirar);
    • Tosse persistente, especialmente à noite ou de manhã cedo;
    • Aperto no peito;
    • Respiração rápida e cansada.

    Se a pessoa também tiver rinite ou outras alergias, podem surgir sintomas como coriza constante, coceira nos olhos, nariz entupido e irritação na pele.

    Além disso, em situações mais graves, quando o alérgeno é ingerido (por exemplo, alimentos), os sintomas podem evoluir para:

    • Urticária;
    • Inchaço nos lábios, rosto ou língua;
    • Dificuldade para engolir;
    • Anafilaxia: uma reação alérgica grave, que exige atendimento médico imediato.

    Como diferenciar a falta de ar da asma alérgica de outras condições?

    A falta de ar é um sintoma que pode estar presente em diversas doenças respiratórias e cardíacas — então, para evitar confusão, é importante estar atento a alguns sinais.

    Em casos de asma alérgica, Brianna aponta que é possível observar que:

    • A falta de ar geralmente vem acompanhada de chiado no peito e tosse;
    • Os sintomas melhoram após o uso de broncodilatadores (medicações inalatórias);
    • Pode haver piora durante a noite, esforço físico ou contato com alérgenos.

    Já em outras condições, como doenças cardíacas ou DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), a falta de ar tem características diferentes: além de não responder tão bem ao broncodilatador, ela pode estar associada a inchaço nas pernas, dor no peito ou histórico de tabagismo prolongado.

    Leia também: 5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico de asma alérgica é feito por um médico, geralmente pneumologista ou alergista, a partir de uma avaliação clínica, histórico de sintomas e exames complementares.

    Segundo Brianna, entre os exames que ajudam na identificação da condição, estão:

    • Espirometria: mede a quantidade de ar que entra e sai dos pulmões, verificando se existe obstrução das vias aéreas;
    • Pico de fluxo expiratório: teste simples para acompanhar a variação da respiração ao longo do tempo;
    • Testes alérgicos (cutâneos ou IgE específica): ajudam a identificar quais alérgenos desencadeiam as crises;
    • Exames de inflamação tipo 2: como FeNO e eosinofilia, que ajudam a mostrar quando a asma tem origem alérgica.

    Como é feito o tratamento de asma alérgica?

    O tratamento da asma alérgica é feito para controlar a inflamação dos pulmões, aliviar os sintomas e evitar crises. De acordo com Brianna e o Ministério da Saúde, os principais cuidados são:

    1. Remédios de controle

    O uso de corticoides inalatórios é a forma mais eficaz de reduzir a inflamação das vias aéreas. Em alguns casos, podem ser combinados com o formoterol, um broncodilatador de ação prolongada. Eles devem ser utilizados de forma contínua, mesmo em períodos sem sintomas, pois ajudam a manter a doença sob controle.

    2. Remédios para aliviar os sintomas

    Os remédios broncodilatadores de curta duração são usados em situações de crise, quando há falta de ar ou chiado no peito. Eles promovem melhora rápida da respiração, mas não substituem o tratamento clínico indicado pelo médico.

    3. Evitar gatilhos e tratar comorbidades

    Identificar e reduzir o contato com alérgenos como poeira, mofo, pólen e pelos de animais é um dos principais passos para evitar crises. Além disso, Brianna destaca que o tratamento de condições associadas, como rinite alérgica e dermatite atópica, pode melhorar significativamente o controle da asma.

    4. Imunoterapia (vacinas de alergia)

    Em alguns casos, a imunoterapia sublingual (SLIT) ou subcutânea (SCIT) pode ser indicada. O tratamento consiste na aplicação gradual de doses do alérgeno, ajudando o organismo a desenvolver tolerância. A abordagem pode reduzir os sintomas, a frequência das crises e até a necessidade de remédio.

    Asma alérgica tem cura?

    Segundo explica a alergista Brianna Nicoletti, a asma é uma doença crônica, o que significa que ela não tem cura. Contudo, algumas pessoas podem passar anos sem sintomas ou com sintomas muito leves — isso é chamado de remissão clínica. Mesmo assim, existe a chance de a doença voltar, por isso é importante manter o acompanhamento médico.

    Perguntas frequentes

    1. Posso praticar atividade física mesmo tendo asma alérgica?

    Sim! A prática regular de exercícios físicos é recomendada, pois melhora a capacidade pulmonar e fortalece o organismo. O ideal é conversar com o médico para ajustar o tratamento e, se necessário, usar a medicação preventiva antes das atividades. Alguns esportes, como natação, costumam ser bem tolerados.

    2. A asma alérgica pode piorar à noite?

    Sim. Muitas pessoas percebem que a tosse e o chiado ficam mais intensos durante a madrugada — e isso pode estar relacionado à posição de dormir, à exposição a ácaros nos travesseiros ou ao maior contato com poeira acumulada no quarto. Algumas medidas simples no dia a dia, como trocar a roupa de cama semanalmente e manter o ambiente limpo, ajudam com os sintomas.

    3. O cigarro pode piorar a asma alérgica?

    Com certeza. A fumaça do cigarro é um dos principais irritantes das vias respiratórias, mesmo para pessoas que não têm asma. Em pessoas alérgicas, ela aumenta as crises e reduz o efeito dos medicamentos. Por isso, evitar o tabagismo ativo e passivo é uma das recomendações mais importantes no tratamento.

    4. O que fazer em caso de crise de asma alérgica?

    Durante uma crise, a pessoa deve usar imediatamente o medicamento de alívio prescrito pelo médico, geralmente o broncodilatador inalatório. É importante manter a calma, sentar-se ereto para facilitar a respiração e evitar esforço físico.

    Se não melhorar após o uso da medicação ou se os sintomas forem muito intensos, é fundamental procurar atendimento de emergência.

    5. A asma alérgica pode desaparecer com o tempo?

    Em algumas pessoas, principalmente crianças e adolescentes, os sintomas podem diminuir ou até desaparecer por alguns anos, o que é conhecido como remissão clínica. No entanto, como a asma é crônica, existe sempre a possibilidade de os sintomas voltarem em algum momento da vida.

    6. Mudanças climáticas influenciam na asma alérgica?

    O frio intenso, a mudança repentina de temperatura e até períodos de baixa umidade podem agravar os sintomas de asma. Por isso, é comum que as crises aumentem durante o inverno ou em dias muito secos.

    7. Existe relação entre rinite e asma alérgica?

    Pessoas com rinite alérgica têm maior chance de desenvolver asma, já que ambas as condições estão ligadas ao mesmo mecanismo inflamatório das vias respiratórias. Além disso, tratar a rinite é fundamental para melhorar o controle da asma, pois elas compartilham os mesmos gatilhos, como poeira, mofo, pólens e pelos de animais.

    Quando a rinite está bem controlada, a frequência e a intensidade das crises de asma tendem a diminuir, facilitando o tratamento.

    8. Qual a diferença entre bronquite e asma alérgica?

    A bronquite é a inflamação dos brônquios, que pode ser aguda (curta duração) ou crônica (geralmente em fumantes). Já a asma alérgica é uma doença crônica de origem alérgica, caracterizada por crises repetidas de falta de ar e chiado, que melhoram com tratamento específico.

    Leia também: Asma infantil: sintomas, diagnóstico e tratamento

  • Rinite alérgica ou resfriado: conheça as diferenças entre eles e como identificar 

    Rinite alérgica ou resfriado: conheça as diferenças entre eles e como identificar 

    Tanto a rinite alérgica quanto o resfriado comum afetam o sistema respiratório e apresentam sintomas parecidos — como nariz escorrendo, espirros e congestão nasal. Apesar disso, é importante entender que cada condição tem causas diferentes e, por isso, exige cuidados específicos.

    Para esclarecer as diferenças de rinite alérgica ou resfriado, os sintomas e entender quando é preciso procurar ajuda médica, consultamos a médica alergista e imunologista Brianna Nicoletti. Confira, a seguir!

    O que é rinite alérgica?

    A rinite alérgica é uma inflamação da mucosa do nariz causada por uma reação exagerada do sistema imunológico a substâncias consideradas inofensivas, como poeira, pólen, mofo, pelos de animais ou ácaros.

    Como ela não é causada por vírus nem por bactéria, a rinite não é contagiosa. É uma condição crônica que pode aparecer em certas épocas do ano (como na primavera, quando há muito pólen no ar) ou ser contínua, acontecendo ao longo de todo o ano.

    De acordo com Brianna Nicoletti, os principais sintomas da rinite alérgica são:

    • Espirros em sequência;
    • Coceira no nariz, olhos e garganta;
    • Coriza clara e aquosa;
    • Obstrução nasal (nariz entupido);
    • Olhos avermelhados;
    • Lacrimejamento;
    • Prurido (coceira intensa nos olhos).

    Os sintomas costumam piorar em ambientes fechados, empoeirados, com ar-condicionado ou em épocas do ano com maior concentração de pólen, quando a exposição ao alérgeno é maior. É por isso que a rinite alérgica pode aparecer de forma recorrente, mas tende a aliviar quando são tomados cuidados com o ambiente.

    Como é feito o tratamento de rinite alérgica?

    A maneira mais simples de tratar a rinite alérgica é evitar o contato com alérgenos, sendo importante manter a casa sempre limpa e ventilada, trocar roupas de cama com frequência, retirar poeira de móveis e evitar o acúmulo de objetos que favoreçam ácaros e mofo, bichos de pelúcia ou livros expostos.

    A lavagem nasal com soro fisiológico também é fundamental para limpar as vias respiratórias, diminuindo a obstrução e removendo partículas que irritam a mucosa. Mas, quando os sintomas são mais intensos, o médico pode indicar o uso de remédios, como antialérgicos (anti-histamínicos) e corticoides nasais, que controlam a inflamação e reduzem os espirros, a coriza e a coceira.

    Já em casos persistentes ou de difícil controle, pode ser indicada a imunoterapia. É um tratamento em que a pessoa recebe pequenas doses da substância que causa a alergia, de forma controlada e progressiva. Com o tempo, o corpo aprende a reagir melhor ao agente, diminuindo a intensidade e a frequência das crises.

    O que é um resfriado comum?

    O resfriado é uma infecção viral leve das vias respiratórias superiores, causada principalmente por vírus como o rinovírus. É bastante comum e pode afetar pessoas de todas as idades, especialmente em períodos de mudança de clima ou em ambientes fechados, onde o contágio é facilitado. Por ser uma condição autolimitada, ela geralmente melhora sozinha em 7 a 10 dias.

    Entre os principais sintomas, é possível apontar:

    • Nariz entupido com secreção que pode mudar de cor;
    • Dor de garganta leve a moderada;
    • Espirros ocasionais;
    • Tosse persistente;
    • Mal-estar e cansaço;
    • Febre baixa em alguns casos.

    A transmissão ocorre por gotículas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar, além do contato com superfícies contaminadas. Por isso, hábitos simples como lavar bem as mãos, manter os ambientes ventilados e evitar contato próximo com pessoas infectadas são fundamentais para reduzir o risco de infecção.

    Como é feito o tratamento de resfriado comum?

    O tratamento do resfriado é feito para aliviar os sintomas e, na maioria dos casos, o próprio organismo se recupera em cerca de uma semana. O recomendado é beber bastante água, manter uma alimentação leve e nutritiva e descansar o suficiente para fortalecer o sistema imunológico.

    A lavagem do nariz com soro fisiológico também traz alívio aos sintomas, desobstruindo as vias respiratórias. Quando há febre ou dor, podem ser usados analgésicos e antitérmicos indicados pelo médico.

    Importante: antibióticos não devem ser utilizados em casos de resfriado, porque essa é uma infecção causada por vírus, e eles atuam apenas contra bactérias. Ou seja, eles não têm efeito sobre o agente responsável pelo resfriado. O uso inadequado de antibióticos, sem orientação médica, pode trazer consequências sérias à saúde.

    Rinite alérgica ou resfriado: quais as diferenças?

    Características Rinite alérgica Resfriado comum
    Causa Reação do sistema imunológico a alérgenos (poeira, pólen, pelos de animais, mofo) Infecção viral das vias respiratórias superiores
    Início dos sintomas Súbito, logo após contato com o alérgeno Gradual, alguns dias após exposição ao vírus
    Fatores desencadeantes Poeira, ácaros, pólen, mofo, pelos de animais Contato com pessoas infectadas, ambientes fechados
    Febre É raro acontecer Pode ocorrer febre baixa
    Contágio Não é contagiosa Altamente contagioso
    Secreção nasal Clara, aquosa e persistente Espessa, podendo ficar amarelada ou esverdeada

    Como é feito o diagnóstico da rinite alérgica ou resfriado?

    O diagnóstico costuma ser feito a partir da história clínica associada ao exame físico, explica Brianna.

    Na rinite alérgica, os sintomas mais característicos são coceira no nariz, espirros em sequência, coriza clara e, muitas vezes, sinais de conjuntivite alérgica, como olhos vermelhos e lacrimejantes. Já no resfriado comum, o quadro geralmente vem acompanhado de dor de garganta, mal-estar e, em alguns casos, febre baixa.

    Quanto aos exames, o resfriado pode mostrar alterações laboratoriais, como provas inflamatórias elevadas e mudanças no hemograma, especialmente no número de glóbulos brancos.

    No caso da rinite alérgica, o diagnóstico pode ser confirmado por um alergista, por meio de testes cutâneos (prick test) ou pela dosagem de IgE específica no sangue, que ajudam a identificar a sensibilidade do organismo aos principais alérgenos.

    Riscos do atraso no diagnóstico

    O principal risco de confundir as duas condições é que pode levar a erros no tratamento. Enquanto o resfriado é uma infecção viral autolimitada, que melhora sozinha em alguns dias, a rinite alérgica exige acompanhamento contínuo, incluindo o uso de medicamentos, higiene nasal e cuidados para evitar a exposição aos alérgenos.

    “Se o paciente acha que tem ‘resfriados de repetição’, mas na verdade tem rinite, pode abusar de descongestionantes nasais ou antibióticos desnecessários, trazendo risco de efeito colateral e resistência bacteriana”, explica Brianna.

    Além disso, quando o diagnóstico demora a ser feito, a rinite não tratada pode gerar complicações, como sinusite de repetição, otite, agravamento da asma e distúrbios do sono. Eles afetam diretamente a qualidade de vida e o desempenho no trabalho ou na escola. Alguns grupos são ainda mais vulneráveis a esses riscos, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

    Quando procurar um alergista?

    É recomendável buscar avaliação com um alergista quando os sintomas persistem por mais de 2 a 4 semanas, atrapalham o sono, os estudos ou o trabalho, ou ainda quando as crises são muito frequentes e recorrentes. Também é importante procurar o especialista se houver suspeita de asma associada.

    De acordo com a alergista Brianna Nicoletti, ele é o profissional indicado para confirmar o diagnóstico, orientar medidas de controle ambiental, prescrever a medicação adequada e, quando necessário, indicar a imunoterapia — conhecida como vacina para alergia.

    É o único tratamento capaz de atuar diretamente na causa da doença, ajudando a reduzir a sensibilidade do organismo aos alérgenos ao longo do tempo.

    Perguntas frequentes sobre rinite alérgica ou resfriado

    1. Quais são os sintomas mais comuns da rinite alérgica?

    Os sintomas típicos são espirros frequentes, coceira no nariz, olhos ou garganta, coriza clara e nariz entupido. Muitas vezes também aparece conjuntivite alérgica, com olhos vermelhos, lacrimejando e com prurido. Os sinais tendem a se repetir sempre que há contato com o alérgeno e melhoram quando a exposição é evitada.

    2. Quais são os principais sintomas do resfriado?

    O resfriado geralmente começa com dor de garganta leve, seguida de nariz entupido, secreção nasal mais espessa (que pode ficar amarelada ou esverdeada), espirros ocasionais e tosse. Em alguns casos, pode haver febre baixa, mal-estar e dor no corpo. Apesar do desconforto, os sintomas costumam desaparecer em até 10 dias.

    3. A rinite alérgica causa febre?

    Não, a rinite alérgica não costuma provocar febre, pois não é uma infecção. Se a pessoa apresenta febre junto com os sintomas nasais, é mais provável que esteja com um resfriado, gripe ou outra infecção respiratória.

    4. O que pode piorar os sintomas da rinite alérgica?

    Ambientes fechados, empoeirados, com ar-condicionado, presença de mofo ou épocas do ano com alta concentração de pólen costumam intensificar os sintomas. O contato direto com animais ou perfumes fortes também pode desencadear crises em algumas pessoas.

    5. O que pode piorar os sintomas do resfriado?

    O resfriado tende a ser mais incômodo quando o sistema imunológico está enfraquecido, seja por falta de descanso, estresse, má alimentação ou baixa hidratação. Ficar em locais fechados e com aglomeração também favorece a transmissão e o agravamento dos sintomas.

    6. Como prevenir um resfriado?

    Como o resfriado é causado por vírus transmitidos pelo ar e por superfícies contaminadas, a melhor forma de prevenção é adotar hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência, evitar levar as mãos ao rosto e não compartilhar copos, talheres ou objetos pessoais.

    Além disso, é fundamental manter o sistema imunológico forte, a partir de um estilo de vida saudável: alimentação rica em frutas, verduras e legumes, prática regular de atividade física, sono de qualidade e controle do estresse.

    7. O uso de descongestionantes nasais é seguro?

    O uso deve ser feito com cautela e sempre por tempo limitado. Os descongestionantes nasais podem aliviar a obstrução, mas quando usados em excesso causam efeito rebote, isto é, o nariz volta a entupir com mais intensidade. O uso prolongado também pode trazer riscos para a pressão arterial e o coração. No caso da rinite, o tratamento deve ser feito com medicamentos específicos, orientados pelo médico.

    8. Existe cura para a rinite alérgica?

    A rinite alérgica não tem cura definitiva, uma vez que é uma condição crônica, mas pode ser controlada. Com medidas de prevenção, uso de medicamentos adequados e, em casos selecionados, imunoterapia (vacina para alergia), é possível reduzir significativamente a frequência e a intensidade das crises.

    9. Qual a diferença entre gripe e resfriado?

    O resfriado é uma infecção viral mais leve e autolimitada, que geralmente causa coriza, espirros, nariz entupido, dor de garganta leve e mal-estar moderado, melhorando sozinho em poucos dias.

    Já a gripe é uma doença causada pelo vírus influenza e costuma ser mais intensa, provocando febre alta, dores no corpo, cansaço extremo, tosse seca e dor de cabeça forte.

    Ela também pode levar a complicações mais sérias, como pneumonia, principalmente em crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas — e exige um tratamento médico cuidadoso.

    Leia também: 5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

  • Entenda como funciona a alergia alimentar e o que fazer

    Entenda como funciona a alergia alimentar e o que fazer

    Imagine descobrir que algo tão simples quanto um copo de leite, um pedaço de pão ou uma mordida em um camarão pode colocar sua vida em risco. Para milhões de pessoas no mundo, esta é uma realidade.

    A alergia alimentar é uma condição que vai muito além de uma dor de estômago. Ela pode causar reações alérgicas graves, que ameaçam a vida e exige cuidados rigorosos, vigilância constante e, muitas vezes, mudanças profundas na rotina.

    Quando a comida se torna um gatilho perigoso

    Para quem não sabe o que é alergia alimentar, ela é uma reação do sistema imunológico a uma proteína presente em um determinado alimento. Para quem vive com essa condição, até mesmo uma quantidade mínima do alimento alergênico pode desencadear sintomas leves, moderados ou até mesmo graves. A anafilaxia, por exemplo, é uma reação alérgica muito grave e que pode levar a morte se não tratada imediatamente.

    “O corpo identifica essa proteína como uma ameaça e libera substâncias inflamatórias, como a histamina”, explica Brianna Nicoletti, médica alergista e imunologista.

    Estima-se que até 8% das crianças e 3% dos adultos no mundo sofram com algum tipo de alergia alimentar, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estudos apontam para quantidade semelhante, com aumento de diagnóstico principalmente na infância.

    Mas não confunda. Há diferença entre alergia alimentar e intolerância alimentar. Diferentemente da alergia, ela não envolve o sistema imunológico, ou seja, trata-se de uma dificuldade em digerir ou metabolizar um componente do alimento, como ocorre com a lactose presente no leite. Os sintomas geralmente são digestivos, mais leves e não colocam a vida em risco.

    Conheça os diferentes tipos de alergia alimentar

    A alergia alimentar pode se manifestar de maneiras diferentes e, por isso, os médicos classificam em três tipos:

    Alergia alimentar IgE-mediada

    É a forma mais comum e também a que pode trazer reações mais graves. Os sintomas aparecem muito rápido, logo após comer o alimento, e podem se manifestar com manchas vermelhas na pele, inchaço nos lábios ou olhos, vômito, chiado no peito ou até uma reação mais séria, que é a anafilaxia.

    Alergia alimentar não IgE-mediada

    Nesse caso, a reação acontece de forma mais lenta, e pode levar algumas horas ou até dias para surgir. É mais comum em bebês e crianças pequenas e, muitas vezes, é mais difícil suspeitar qual é o alimento que está fazendo mal. Os sintomas costumam afetar o sistema digestivo, com sangue nas fezes, refluxo ou recusa alimentar.

    Formas mistas

    São aquelas alergias que envolvem os dois tipos anteriores e podem se manifestar como alergias de pele ou inflamação no esôfago.

    Veja também: Alergia alimentar: dicas para comer fora com segurança

    Os principais alimentos que mais causam alergia alimentar são:

    • Leite de vaca;
    • Ovo;
    • Amendoim;
    • Castanhas;
    • Nozes;
    • Peixes;
    • Frutos do mar;
    • Soja;
    • Trigo.

    “Estes são responsáveis por mais de 90% das reações alérgicas alimentares graves no mundo”, alerta Brianna.

    Entenda a contaminação cruzada

    Alimentos industrializados como barras de cereais, chocolates, molhos prontos e produtos de padaria podem trazer um risco extra, mesmo que não tenham o ingrediente em si.

    Isso acontece por causa da contaminação cruzada, quando pequenas partículas de um alimento alergênico entram em contato com outros produtos durante o preparo, o armazenamento ou o transporte.

    “Basta uma partícula mínima do alimento para provocar reação em pacientes sensíveis”, destaca a médica.

    A contaminação cruzada por alérgenos ocorre, por exemplo, quando um utensílio, equipamento ou superfície que foi usado para manipular leite, ovo, amendoim ou outros alimentos alergênicos entra em contato com outros alimentos sem a devida limpeza.

    Mesmo que o ingrediente alergênico não esteja listado na embalagem, traços dele podem estar presentes, e isso já representa um risco real para quem tem alergia alimentar.

    Sintomas que exigem atenção

    A alergia alimentar pode surgir em qualquer fase da vida. Embora mais comum na infância, é possível se tornar alérgico na vida adulta, mesmo sem ter tido algum episódio anterior. “Frutos do mar, castanhas e aditivos são os mais associados às alergias de início tardio”, explica a especialista.

    Os sinais mudam de acordo com o tipo de alergia. De maneira geral, os principais sintomas são:

    • Coceira;
    • Manchas vermelhas na pele (conhecidas por urticária);
    • Inchaço;
    • Dor abdominal;
    • Vômito;
    • Diarreia, dificuldade para respirar e queda da pressão arterial podem indicar uma reação alérgica, e é preciso correr para o hospital.

    “Dificuldade para respirar, rouquidão repentina e tontura sugerem anafilaxia, reação alérgica grave que é uma urgência médica”, reforça Brianna.

    Nas formas não IgE-mediadas, aquelas em que os sintomas demoram até dias para aparecer, os sinais podem ser vômitos, diarreia com sangue, prisão de ventre muito intensa, recusa para se alimentar e até problemas de crescimento, quando se trata de crianças.

    A alergista explica que o principal a se fazer é observar a frequência, a relação do tempo entre o consumo do alimento e os sintomas, e se eles aparecem depois de ingerir o mesmo alimento.

    “A avaliação com um médico alergista é essencial para diferenciar alergia, intolerância, alterações da flora intestinal (disbiose), infecções ou outras causas”, recomenda.

    Fazer um diário alimentar, registrando os alimentos ingeridos e os sintomas é uma maneira de conseguir pistas sobre o alimento que está fazendo mal. Há também testes de alergia feitos por meio de exames de sangue ou pela exposição da pele a determinados alérgenos. O diagnóstico nunca deve ser feito com base apenas em sintomas isolados.

    Leia mais: Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

  • Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

    Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

    Se você já teve algum sintoma depois de comer algum alimento e já considerou riscá-lo do cardápio para sempre sem antes ouvir o que um médico tem a dizer, saiba que essa não é a melhor saída. A melhor coisa a se fazer é procurar um médico para fazer o diagnóstico de alergia alimentar e, se for realmente o caso, seguir um tratamento para evitar os sintomas.

    “Nem toda dor de barriga ou coceira tem relação com alergia alimentar”, explica a médica alergista e imunologista Brianna Nicoletti. Por isso, não é prudente sair eliminando leite, ovo ou trigo ou outros alimentos por conta própria.

    Lista de sintomas de alergia alimentar

    É bom saber qual são os principais sintomas de alergia alimentar, e quais deles são leves, moderados ou graves.

    Sintomas leves de alergia alimentar

    • Coceira na pele ou na boca
    • Manchas vermelhas e coceira em alguma parte do corpo
    • Mal-estar leve na barriga

    Sintomas moderados de alergia alimentar

    • Vômito
    • Diarreia
    • Manchas vermelhas e coceira em todo o corpo

    Sintomas graves de alergia alimentar

    • Dificuldade para respirar
    • Inchaço no rosto ou garganta
    • Queda de pressão
    • Desmaio

    Quando procurar ajuda médica

    Se ao comer algum alimento você nota sintomas como os já descritos, é importante procurar um médico alergista. O diagnóstico da alergia alimentar depende de uma boa conversa com o especialista, da análise dos sintomas, do uso de diário alimentar e, se necessário, de exames específicos.

    Exames para diagnóstico de alergia alimentar

    Os exames mais comuns para diagnosticar alergia alimentar são o teste cutâneo, conhecido por prick test, a dosagem do anticorpo IgE específica no sangue e, em situações mais controladas, o chamado teste de provocação oral, feito em ambiente médico, com todo o cuidado que o caso pede.

    Tratamento: exclusão ou reintrodução segurança

    Quando o diagnóstico de alergia alimentar é confirmado e se trata de uma alergia IgE-mediada, tipo que costuma causar reações mais rápidas e intensas, o tratamento para a alergia alimentar é direto: excluir completamente o alimento e qualquer traço dele. Isso significa atenção até aos mínimos detalhes, como panelas sujas, colheres com restos de alimento e até migalhas.

    “Alguns pacientes precisam evitar contaminação cruzada de alimentos e ter sempre à disposição adrenalina autoinjetável”, orienta Brianna.

    A adrenalina autoinjetável é um tipo de medicamento usado em emergências para tratamento de alergia alimentar. Ela é prescrita por um médico e vem em um dispositivo que lembra uma caneta. Basta um clique para aplicar a dose certa de adrenalina, geralmente na coxa.

    É um recurso simples, mas que pode fazer toda a diferença em casos de reações graves, como a anafilaxia, quando a pessoa apresenta inchaço, falta de ar, queda de pressão e risco real à vida.

    Pessoas com risco de reações alérgicas graves devem ter esse tipo de medicação sempre por perto. Saber quando e como usá-la é parte essencial do plano de segurança, e o médico é o especialista que orienta como e quando fazer a aplicação.

    Mas nem todo caso exige medidas tão rígidas. Em quadros mais leves ou em alergias não IgE-mediadas, que são aquelas que demoram mais para causar sintomas e geralmente afetam o sistema digestivo, pode ser possível fazer um tratamento de alergia alimentar e voltar a comer o alimento aos poucos, com acompanhamento de um médico.

    Existem também estudos que investigam formas de dessensibilização: o organismo vai sendo exposto a quantidades muito pequenas do alimento, por via oral ou por adesivos na pele, com a intenção de reduzir a resposta alérgica. Essas técnicas ainda estão em fase de pesquisa, mas os resultados são bem animadores.

    Alergia alimentar tem cura?

    A cura depende do tipo de alergia. Algumas, como as causadas por leite de vaca, ovo, trigo e soja, costumam desaparecer com o tempo, especialmente nas crianças. Já outras, como a alergia a castanhas, amendoim e frutos do mar, tendem a acompanhar a pessoa pela vida toda.

    “O acompanhamento regular permite identificar o momento certo para reintroduzir o alimento ou iniciar o tratamento”, afirma Brianna. Por isso, manter o seguimento com o alergista é tão importante, mesmo que os sintomas pareçam estar controlados.

    Impactos emocionais e apoio psicológico

    Viver com alergia alimentar não se resume cuidar do prato. O medo de uma reação, a insegurança em festas ou a sensação de ser “diferente” podem gerar ansiedade, principalmente em crianças. O impacto emocional da alergia pode afetar a qualidade de vida da criança, do adulto e da família envolvida.

    O apoio psicológico ajuda os alérgicos a lidarem com esses sentimentos. E a informação é uma grande amiga. “Empoderar a criança com informação, envolver a escola e ter um plano de segurança claro faz toda a diferença”, recomenda a especialista.

    Como ter mais segurança no dia a dia

    Coisas simples são capazes de fazer muita diferença na rotina de quem vive com alergia alimentar. Pulseiras de identificação, cartões que explicam qual é a alergia e os alimentos proibidos são formas práticas para o dia a dia. Ne caso de crianças, lancheiras seguras também trazem tranquilidade. Conversar com a escola, com os cuidadores e com familiares sobre os cuidados necessários é bem importante.

    “A educação é a chave para promover autonomia, tranquilidade e segurança ao paciente alérgico”, conclui Brianna.

    Os casos de anafilaxia alimentar estão entre os principais motivos de atendimento de emergência em crianças. Por isso, quanto mais conscientização, prevenção e preparo, maiores as chances de evitar sustos. Com atenção, apoio e cuidado, é possível ter uma vida ativa, social e, claro, saborosa, mesmo com alergia alimentar.

    Perguntas Frequentes sobre Alergia Alimentar

    1. Quais são os sintomas de alergia alimentar?

    Os sintomas variam de leves (coceira, manchas vermelhas na pele) a graves (falta de ar, inchaço, anafilaxia). Eles geralmente surgem pouco tempo depois de comer o alimento.

    2. Quanto tempo demora para aparecer os sintomas?

    Os sintomas podem surgir em poucos minutos ou até algumas horas, dependendo do tipo de alergia.

    3. Qual a diferença entre alergia e intolerância alimentar?

    A alergia envolve o sistema imunológico e pode causar reações muito graves. Já a intolerância está ligada à digestão e costuma provocar sintomas mais leves e gastrointestinais.

    4. Como usar a adrenalina autoinjetável?

    Deve ser aplicada na coxa, conforme orientação médica, ao primeiro sinal de uma reação alérgica grave. A pessoa deve ser levada imediatamente ao hospital, mesmo após a aplicação.

    5. A alergia alimentar pode aparecer na idade adulta?

    Sim. Embora muitas alergias comecem na infância, é possível desenvolver alergia alimentar na vida adulta.

    Se você desconfia de uma alergia alimentar, agende uma consulta com um alergista especializado e compartilhe este guia com quem precisa saber mais sobre os sintomas, diagnóstico e tratamento.

    Leia mais: Alergia alimentar: dicas para comer fora com segurança

  • Alergia alimentar: dicas para comer fora com segurança 

    Alergia alimentar: dicas para comer fora com segurança 

    Quem convive com alergia alimentar sabe o pesadelo que é sair para comer fora. Afinal, quando não se sabe exatamente como a comida foi preparada, cada refeição fora de casa pode virar uma situação de risco. Mesmo pequenas quantidades do alimento alergênico podem desencadear reações fortes, por isso é fundamental se precaver antes de fazer um pedido no restaurante ou se servir em um buffet.

    Um dos primeiros passos é sempre avisar o estabelecimento da sua condição. Diga claramente que você tem alergia e qual alimento precisa evitar. Use frases simples e objetivas, como: “tenho alergia a ovo e não posso ter contato com nenhum prato que contenha ovo ou tenha sido preparado com utensílios que tiveram contato com ovo”. Assim, você aumenta as chances de ser compreendido e protegido.

    Também vale observar o comportamento da equipe do restaurante se você tem alergia alimentar. Se o local não parece saber lidar com esse tipo de informação ou passa insegurança sobre os ingredientes, o melhor é não arriscar, afinal, contaminação cruzada em restaurante é algo comum.

    “Se houver dúvida sobre os ingredientes, o ideal é não consumir”, afirma a alergologista e imunologista Brianna Nicoletti.

    Em locais com grande movimento, como buffets, padarias ou lanchonetes, a chance de contaminação cruzada é ainda maior, principalmente quando os alimentos são preparados ou servidos com os mesmos utensílios.

    Uma boa alternativa para quem não quer abrir mão de momentos sociais e comer fora com alergia alimentar é levar um lanche seguro de casa, e isso vale para adultos e crianças. Ter algo pronto e confiável à mão ajuda a evitar situações desconfortáveis e traz paz e segurança alimentar na hora da refeição.

    Cuidados com rótulos e ingredientes

    Quando for comprar alimentos prontos, embutidos, temperos ou produtos de panificação, leia o rótulo antes com calma. Desde 2022, por uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os alimentos industrializados precisam trazer com clareza na embalagem a presença de ingredientes alergênicos como leite, ovos, soja, trigo, peixes, crustáceos, amendoim e castanhas.

    Mas aqui tem mais um ponto de atenção. Mesmo que o alimento não tenha o ingrediente alergênico na composição, ele pode ter sido feito em equipamentos que também processam esses alérgenos. Nesses casos, é comum aparecer no rótulo a frase “pode conter traços de…”.

    Essa informação é importante e deve ser levada muito a sério para quem vai comer fora com alergia alimentar, especialmente por quem já teve reações alérgicas fortes, como aquelas que provocam falta de ar e ameaçam a vida.

    “A contaminação cruzada pode provocar anafilaxia em pessoas sensíveis, mesmo com mínimas quantidades do alérgeno”, alerta Brianna. Por isso, ignorar esse aviso no rótulo pode colocar a saúde em risco.

    Leia mais: Vacina para alergia: entenda como funciona a imunoterapia

    Sinais de alerta para alergia alimentar em bebês e crianças

    Os primeiros sinais de alergia alimentar podem surgir logo nos primeiros meses de vida, durante a amamentação ou com a introdução alimentar. Coceira ao redor da boca, vômitos frequentes, diarreia de repetição, recusa alimentar e irritabilidade depois de mamar são sintomas que merecem ser comunicados ao pediatra ou ao alergista.

    “Nessa fase, os sinais podem ser sutis, por isso o acompanhamento com alergista é essencial”, orienta a médica.

    À medida que a criança cresce e passa a frequentar a escola, o cuidado precisa ser maior. Professores, cuidadores e a equipe da cantina devem estar cientes da alergia e saber como agir em caso de emergência.

    “Planos de ação com o uso de medicação emergencial devem ser entregues à equipe escolar”, reforça Brianna. Assim, todos ficam mais preparados, e os pais, mais tranquilos.

    Como manter uma vida social ativa com alergia alimentar

    Apesar dos desafios, quem tem alergia alimentar pode, sim, sair, viajar, se divertir e aproveitar bons momentos à mesa. O segredo está na informação, no planejamento e em aprender dicas de segurança alimentar.

    Explicar a condição da maneira mais clara possível, fazer escolhas conscientes e ter alternativas de alimentos seguros à mão ajuda a diminuir os riscos e a ansiedade.

    Dependendo do tipo de alergia, o médico alergista pode indicar ter uma medicação de emergência por perto. Nesses casos, a adrenalina autoinjetável, que interrompe sintomas que podem levar à morte, precisa acompanhar a pessoa por todos os lugares, especialmente em restaurantes, festas ou viagens. Consulte um alergista.

    Perguntas frequentes sobre alergia alimentar fora de casa

    Quais ingredientes estão no prato?

    É essencial perguntar isso antes de fazer o pedido. Confirme todos os ingredientes, mesmo os aparentemente inofensivos, como molhos e temperos.

    Como o alimento é preparado?

    Peça detalhes sobre o modo de preparo e onde o prato é feito, isso ajuda a identificar possíveis alérgenos.

    Os utensílios são compartilhados com outros alimentos?

    Essa informação ajuda a avaliar se há risco de contaminação cruzada com o alérgeno que você precisa evitar.

    Há risco de contaminação cruzada?

    Se o estabelecimento não puder garantir que o alimento está livre de traços do alérgeno, é mais seguro escolher outro local ou consumir algo que você levou de casa.

    Leia mais: Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

  • 5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

    5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

    Se é só entrar em casa e você já começa a espirrar, sentir o nariz entupido ou até mesmo se coçar, pode ser alergia. E o mais curioso é que o que está te fazendo mal pode nem ser visível.  

    A médica alergista e imunologista Brianna Nicoletti explica que alguns dos principais causadores de alergia estão bem perto da gente, escondidos nos colchões, nos tapetes e até nos nossos bichinhos de estimação. Veja quais são eles e o que fazer para se sentir melhor. 

    Causas de alergia dentro de casa? 

    1. Ácaros da poeira doméstica 

    Esses micro-organismos se alimentam de restos de pele humana e preferem ambientes quentes e mal ventilados, como colchão, travesseiro e sofá. Eles não picam, mas suas fezes e partes do corpo soltam proteínas que causam alergia em muita gente.  

    O resultado? Alergia dentro de casa com espirros ao acordar, nariz entupido, coceira nos olhos e até crises de asma em pessoas alérgicas. 

    2. Mofo (fungos) 

    O cheiro de “coisa guardada” pode ser sinal de mofo. Ele aparece em ambientes úmidos e mal ventilados, como banheiros, armários e atrás dos móveis. 

    O mofo libera esporos no ar que, ao serem inalados, provocam crises de rinite, asma e até sinusite de repetição. Em pessoas com imunidade baixa, o risco de infecção respiratória aumenta.  

    3. Animais de estimação 

    Mesmo em casas bem limpas e cuidadas, pets como cães e gatos podem ser uma das causas de alergias. Isso acontece porque eles liberam pelos, pequenos flocos de pele morta e saliva, que contêm proteínas capazes de desencadear alergia.  

    Essas partículas finíssimas ficam suspensas no ar e se acumulam nos tecidos presentes na casa, como sofá, roupa de cama, tapete, e provocam sintomas respiratórios, irritação nos olhos e na pele de quem é sensível, mesmo sem contato direto com o animal.  

    “Para quem adora animais, a boa notícia é que a imunoterapia ajuda muito”, acrescenta Brianna, referindo-se às vacinas para alergia, tratamento que pode aumentar a tolerância do organismo aos alérgenos dos pets (veja mais sobre imunoterapia) – Criar um hyperlink para o conteúdo sobre imunoterapia. 

    4. Baratas 

    As baratas também podem provocar alergia. Partículas do corpo e das fezes desses insetos ficam no ar e desencadeiam sintomas como rinite e asma. 

    Manter a casa limpa, sem restos de comida ou lixo acumulado, e com a dedetização em dia é essencial para não ter infestações e uma maneira de como evitar alergias. 

    5. Pólen trazido de fora 

    O pólen das flores entra em casa pelas janelas, roupas ou cabelos. Circulando dentro do ambiente, ele pode causar espirros e coceira nos olhos em quem tem alergia sazonal. 

    O problema se intensifica na primavera e em dias de muito vento, quando o ar externo está cheio dessas micropartículas.

    Leia mais: Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

    Como diminuir os alérgenos em casa 

    Mesmo que não seja possível eliminar 100% dos alérgenos do ambiente, alguns hábitos diminuem bastante a exposição a eles dentro de casa. Brianna recomenda uma série de medidas simples para tornar o lar mais amigável para quem é alérgico. 

    Limpeza úmida 

    Limpe a casa frequentemente com pano úmido em vez de varrer ou usar espanador a seco. Assim você evita levantar poeira e espalhar partículas pelo ar. 

    Aspirador com filtro 

    Use aspiradores de pó equipados com filtro HEPA ou com reservatório de água. Diferentemente dos aspiradores comuns, que podem devolver parte da poeira ao ar, esses aparelhos conseguem reter as partículas finas de poeira, ácaros e fungos e são mais eficientes para quem tem alergia. 

    Roupas de cama lavadas 

    Lave semanalmente as roupas de cama (fronhas, lençóis, cobertores) em água quente, em torno de 60 °C, se possível. Use sabão neutro ou produtos hipoalergênicos e evite amaciantes com cheiro forte. A água quente ajuda a eliminar os ácaros presentes nos tecidos. 

    Roupas guardadas 

    Peças de inverno que ficam muito tempo no armário acumulam pó e ácaros. Antes de usá-las, lave-as ou ao menos deixe-as arejar ao sol. Uma dica é guardar casacos e cobertores em sacos plásticos ou capas durante o tempo em que não estiverem em uso, para protegê-los do pó. 

    Capas antiácaro 

    Encape colchões e travesseiros com capas protetoras impermeáveis, conhecidas como capas antiácaro. Elas impedem que os ácaros penetrem (ou saiam) desses itens, o que facilita a limpeza e reduz a exposição. 

    Menos tapetes e pelúcias 

    Embora aconchegantes, esses objetos são campeões em acumular poeira. Fuja de tapetes felpudos, cortinas pesadas e bichos de pelúcia, principalmente no quarto de quem tem alergia. Se não for possível, ao menos lave-os regularmente.  

    Ventilação e sol 

    Deixe os ambientes da casa bem ventilados e, se possível, expostos à luz do sol diariamente. 

    Abrir janelas por algumas horas por dia ajuda a dispersar alérgenos que estão no ar e reduz a umidade excessiva do ar, enquanto a luz solar direta tem efeito antimofo natural em superfícies. 

    Controle de umidade 

    Monitore a umidade relativa do ar dentro de casa. Considera-se como ideal o nível de 50% de umidade relativa. 

    Acima de 60% é considerado muito úmido e é o que o mofo precisa para se proliferar. Nesses casos, use desumidificadores elétricos ou produtos antimofo nos cômodos para manter a umidade sob controle. 

    Purificadores de ar 

    Considere usar um purificador de ar com filtro HEPA no quarto ou na sala para remover alérgenos que ficam suspensos no ar, como pólen, ácaros e esporos de mofo.  

    Esses aparelhos podem ajudar a melhorar a qualidade do ar, mas não substituem a boa limpeza. 

    Eles não conseguem eliminar ácaros já acumulados em colchões, tapetes e cortinas, por exemplo, nem “sugar” todo o pó do ambiente. Utilize-os como complemento e mantenha a limpeza da casa em dia. 

    Produtos de limpeza adequados 

    Produtos com cheiros muito fortes, como desinfetantes perfumados, ceras, sprays e aerossóis em geral, podem irritar as vias respiratórias de quem tem alergia.  

    Prefira produtos de limpeza neutros ou versões hipoalergênicas sem fragrância. 

    Ao limpar a casa, evite sprays quando possível e mantenha os cômodos bem arejados. Abrir as janelas durante e após a faxina ajuda a dissipar qualquer odor ou resíduo químico no ar. 

    Lavagem nasal e acompanhamento médico  

    A lavagem nasal diária com soro fisiológico é simples e eficaz para aliviar os sintomas da rinite. Ela ajuda a remover os alérgenos e a limpar as vias respiratórias. 

    E lembre-se: seguir o tratamento indicado pelo seu alergista é fundamental. Um ambiente limpo, aliado ao tratamento correto, é o melhor caminho para viver com mais conforto e menos crises de alergia. 

    Perguntas frequentes sobre alergias em casa 

    1. Como saber se estou com alergia ou apenas resfriado? 

    Os sintomas podem ser parecidos, mas a alergia costuma ser persistente e não vem acompanhada de febre ou mal-estar. Se você espirra ou sente o nariz entupido sempre nos mesmos ambientes ou horários, pode ser alergia. 

    2. Tapetes e cortinas realmente pioram a alergia? 

    Sim. Esses itens acumulam poeira, ácaros e pelos com facilidade. Se não forem lavados com frequência, podem desencadear ou piorar os sintomas alérgicos. 

    3. Trocar o travesseiro ajuda mesmo? 

    Sim. Travesseiros antigos acumulam ácaros e alérgenos. O ideal é trocá-los a cada dois anos e usar capas impermeáveis para facilitar a limpeza. 

    4. Posso ter alergia ao meu pet mesmo sem contato direto? 

    Pode sim. As proteínas alergênicas dos animais ficam no ar e se espalham pela casa. Mesmo sem pegar no animal, é possível inalar essas partículas e ter a reação alérgica. 

    5. É possível eliminar totalmente os alérgenos de casa? 

    Não totalmente, mas dá para reduzir muito. Com uma boa rotina de limpeza, controle de umidade e ajustes simples no ambiente, os sintomas podem melhorar bastante. 

    Leia mais: Vacina para alergia: entenda como funciona a imunoterapia