Autor: Dra. Ana Gandolfi

  • Cirurgia de coluna: 5 condições em que ela pode ser necessária 

    Cirurgia de coluna: 5 condições em que ela pode ser necessária 

    A dor na coluna é um dos problemas de saúde mais comuns da atualidade e, normalmente, está associada a hábitos de vida inadequados, como a má postura, o sedentarismo e até mesmo a sobrecarga física causada por esforços repetitivos.

    Na maioria dos casos, o tratamento conservador, que envolve o uso de remédios e fisioterapia, é suficiente para controlar os sintomas e devolver qualidade de vida ao paciente. Porém, em situações mais graves, pode ser necessária a realização de uma cirurgia de coluna para corrigir o problema.

    Para entender melhor as indicações de cirurgia, como funciona e os cuidados, conversamos com uma especialista e reunimos algumas orientações práticas a seguir.

    Quais condições podem exigir uma cirurgia de coluna?

    A primeira coisa a entender é que nem toda dor nas costas é motivo para cirurgia. Na verdade, a grande maioria das dores melhora sem necessidade de intervenção cirúrgica. Ainda assim, existem algumas condições em que a cirurgia pode ser indicada, sempre com avaliação cuidadosa e individualizada pelo médico.

    1. Hérnia de disco

    A hérnia de disco é uma das causas mais frequentes de indicação de cirurgia de coluna, de acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, da Escola Paulista de Medicina. A condição ocorre quando o disco intervertebral, que funciona como uma espécie de almofada entre as vértebras, se desloca ou se rompe.

    Quando isso acontece, ele pode pressionar os nervos próximos e gerar uma série de sintomas, como dor intensa na coluna — que muitas vezes se irradia para braços ou pernas, além de formigamento, perda de sensibilidade e até fraqueza muscular.

    “Normalmente, se o quadro é apenas de dor e conseguimos um bom controle com analgésicos, mesmo que sejam aplicados localmente e não apenas pela boca, conseguimos dispensar a cirurgia. Já nos casos em que há um déficit de sensibilidade persistente ou um déficit motor, realmente precisamos recorrer a ela”, explica a especialista.

    2. Estenose da coluna

    A estenose da coluna acontece quando o canal vertebral, por onde passam a medula espinhal e os nervos, fica mais estreito do que o normal. O estreitamento pode ser provocado por artrose, espessamento de ligamentos, hérnias de disco ou até pelo crescimento de pequenas projeções ósseas.

    Quando o espaço se reduz, os nervos acabam sendo comprimidos, o que provoca uma série de sintomas, como dor lombar ou cervical, dificuldade para caminhar longas distâncias, sensação de peso nas pernas, formigamento, dormência e até fraqueza muscular.

    3. Traumas e fraturas

    Acidentes de carro, quedas de grande impacto ou traumas durante a prática esportiva podem provocar fraturas e instabilidade na coluna. Quando isso acontece, existe o risco de comprometimento da medula espinhal e dos nervos, o que pode causar dor intensa, perda de movimentos ou até paralisia.

    Nessas situações, muitas vezes a cirurgia precisa ser realizada de forma emergencial. O objetivo principal é estabilizar a coluna rapidamente, corrigir a fratura e evitar danos neurológicos permanentes, permitindo que a pessoa tenha melhores condições de recuperação.

    4. Tumores ou infecções

    Embora sejam causas menos frequentes, tumores e infecções podem comprometer a estrutura óssea da coluna ou pressionar diretamente os nervos e a medula. Nessas situações, a cirurgia pode ser indicada para remover a lesão, aliviar os sintomas e, ao mesmo tempo, estabilizar a coluna, prevenindo complicações mais graves.

    5. Deformidades da coluna

    Alterações como escoliose, cifose ou outras deformidades podem, nos casos mais graves, exigir tratamento cirúrgico. A correção é considerada principalmente quando a curvatura interfere na respiração, prejudica a postura ou provoca dor intensa e incapacitante.

    O objetivo da cirurgia é alinhar a coluna, melhorar a função e oferecer mais qualidade de vida ao paciente.

    Quando a cirurgia de coluna é realmente necessária?

    A cirurgia de coluna só é necessária em situações específicas, que não melhoram com o tratamento conservador — como remédios e fisioterapia. Na maioria dos casos, mesmo quem tem hérnia de disco ou outras alterações consegue controlar os sintomas sem precisar operar.

    No entanto, existem algumas situações em que a cirurgia passa a ser indicada:

    • Déficit motor persistente: quando o paciente perde força em algum membro (como braço ou perna) e a fraqueza não melhora. Isso indica que o nervo está sendo comprimido de forma importante;
    • Déficit de sensibilidade persistente: quando há perda de sensibilidade que não regride com o tratamento clínico;
    • Dor intratável: quando a dor é tão intensa que não melhora mesmo com o uso de analgésicos potentes, fisioterapia ou outras medidas.

    Nessas situações, a cirurgia tem como objetivo aliviar a compressão nervosa, de modo que a dor costuma melhorar imediatamente após o procedimento, a força muscular tende a se recuperar em dias a semanas, e a sensibilidade, em semanas a meses.

    É importante lembrar que cada caso é avaliado individualmente pelo médico, que considera não apenas os sintomas neurológicos e de dor, mas também as condições clínicas gerais do paciente para garantir segurança no procedimento.

    Veja também: Hérnia de disco: o que é, causas, sintomas e como tratar

    Como funcionam as cirurgias minimamente invasivas na coluna?

    Segundo a neurocirurgiã Ana Gandolfi, as cirurgias minimamente invasivas na coluna são realizadas com cortes menores, tanto na pele quanto na musculatura — o que reduz o trauma cirúrgico.

    Com o trauma cirúrgico menor, a tendência é ter menos dor no pós-operatório, menor sangramento e tempo de internação. A recuperação também tende a ser mais rápida, e o paciente geralmente consegue retomar atividades do dia a dia e iniciar a fisioterapia em menos tempo quando comparado a uma cirurgia tradicional.

    A abordagem é especialmente indicada em casos como hérnia de disco, estenose (estreitamento do canal da coluna) ou pequenas instabilidades vertebrais. Nessas situações, a cirurgia minimamente invasiva pode oferecer os mesmos resultados de uma cirurgia aberta tradicional, mas com menor impacto físico e emocional para o paciente.

    Avaliação pré-operatória da cirurgia de coluna

    Antes de recomendar a cirurgia, o médico avalia não só o quadro neurológico (perda de força, sensibilidade, intensidade da dor), mas também as condições clínicas gerais da pessoa. Muitas vezes, é necessário passar por uma consulta com um clínico geral ou anestesista para a chamada avaliação pré-anestésica.

    O preparo é fundamental para verificar se o paciente tem condições de ser submetido ao procedimento com segurança. Dependendo do caso, podem ser pedidos exames laboratoriais, de imagem e cardíacos, além de ajustes em medicamentos de uso contínuo.

    Pós-operatório: quais os principais cuidados?

    A recuperação após a cirurgia de coluna depende de vários fatores, como idade da pessoa, estado físico antes da cirurgia e tipo de procedimento realizado, segundo Ana Gandolfi. Ela aponta algumas orientações:

    • Em casos de cirurgia para hérnia de disco, em cerca de 15 dias o paciente já apresenta melhora significativa, voltando a se movimentar quase que normalmente;
    • É recomendado evitar carregar peso por pelo menos 30 dias. Após o período, já é possível retomar atividades do dia a dia, inclusive academia, de forma gradual;
    • Em cirurgias mais complexas, como a fixação (artrodese com parafusos), o tempo de recuperação é maior e depende da extensão e localização da intervenção.

    Em todos os casos, o acompanhamento médico e a fisioterapia são fundamentais para garantir uma boa cicatrização e prevenir complicações.

    Quais os riscos da cirurgia de coluna?

    Apesar de a cirurgia de coluna ser considerada segura quando bem indicada, alguns riscos ainda precisam ser levados em conta. Como explica a neurocirurgiã Ana Gandolfi, existe a possibilidade de ocorrer uma lesão acidental durante o procedimento, o que poderia levar à piora dos sintomas — embora seja uma complicação menos frequente.

    Outro risco é a fístula liquórica, que acontece quando o líquido natural que circula entre o cérebro e a coluna vaza durante ou após a operação. Se esse escape for percebido ainda na cirurgia, pode ser corrigido no mesmo momento, garantindo boa recuperação do paciente.

    No entanto, em alguns casos o vazamento só se manifesta no pós-operatório, até mesmo quando o paciente já está em casa. Nesse caso, ele precisa ser internado novamente, seja para uma nova abordagem surgica ou para um procedimento que auxilie na cicatrização, impedindo que o líquido continue saindo.

    E as vantagens da cirurgia de coluna?

    A cirurgia de coluna, quando bem indicada, traz benefícios importantes e perceptíveis para qualidade de vida da pessoa que sofria com dor ou limitações. De acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, muitos pacientes acordam sem a dor intensa que sentiam anteriormente, o que representa um grande alívio imediato.

    Além disso, quando o déficit motor não é completo, a força muscular tende a se recuperar de forma gradual, em questão de dias a semanas. Já a sensibilidade, embora seja um pouco mais lenta, também costuma melhorar progressivamente — geralmente ao longo de semanas a meses.

    Ao mesmo tempo, o paciente também recupera a autonomia no dia a dia e a melhora funcional permite retomar atividades simples, como caminhar, trabalhar e se exercitar de maneira segura.

    Confira: Má postura pode causar lesões na coluna? Saiba como corrigir a postura

    Perguntas frequentes sobre cirurgia de coluna

    1. Quem tem hérnia de disco sempre precisa operar?

    Não. A maioria das pessoas com hérnia de disco melhora apenas com tratamento clínico, que inclui remédios, fisioterapia, repouso e ajustes na rotina.

    A cirurgia só é indicada quando as medidas não funcionam ou quando o paciente apresenta perda de força ou sensibilidade em braços ou pernas. Isso acontece porque a hérnia pode comprimir os nervos da coluna.

    2. O problema pode voltar depois da cirurgia?

    Pode. A cirurgia melhora o quadro atual, mas não impede que o problema volte em outro ponto da coluna ou até no mesmo local. O desgaste natural, a idade e o sedentarismo podem favorecer o aparecimento de novas hérnias ou outras condições.

    Por isso, mesmo depois da cirurgia, é fundamental manter cuidados no dia a dia, como praticar exercícios físicos, fortalecer a musculatura que sustenta a coluna, controlar o peso e evitar esforços excessivos.

    3. Quanto tempo preciso ficar internado após a cirurgia de coluna?

    Na maioria das cirurgias simples, como a de hérnia de disco, o paciente costuma ficar internado de um a dois dias.

    Já em cirurgias mais complexas, como as de fixação com parafusos, o tempo de internação pode ser maior, variando de quatro a cinco dias, dependendo da evolução. A duração exata depende do tipo de cirurgia, da gravidade da condição e do estado de saúde do paciente.

    4. Posso dirigir depois da cirurgia de coluna?

    Não imediatamente. O recomendado é esperar entre duas e quatro semanas antes de voltar a dirigir (ou o tempo recomendado pelo médico), pois a coluna ainda está em processo de cicatrização. Tentar dirigir antes desse período pode trazer riscos, como abrir a cicatriz, causar dor ou até comprometer a recuperação.

    O tempo exato depende do tipo de cirurgia e da resposta de cada paciente. Por isso, o ideal é conversar com o médico na consulta de retorno para confirmar quando será seguro voltar ao volante.

    5. A fisioterapia é obrigatória após a cirurgia de coluna?

    Sim, na maioria dos casos. A fisioterapia ajuda a recuperar a força, melhorar a postura e acelerar a volta às atividades. Ela também reduz o risco de o problema voltar.

    O início da fisioterapia e o tipo de exercício variam conforme a cirurgia feita, mas geralmente começam algumas semanas depois do procedimento, quando o médico libera.

    6. A cirurgia de coluna deixa cicatriz grande?

    Depende da técnica utilizada. Nas cirurgias tradicionais, a cicatriz costuma ter alguns centímetros, variando de acordo com a extensão da área operada. Já nas cirurgias minimamente invasivas, feitas com cortes pequenos de cerca de dois a três centímetros, a marca na pele é muito menor.

    Além da questão estética, essas técnicas menos invasivas também costumam permitir uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.

    Leia também: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

  • Má postura pode causar lesões na coluna? Saiba como corrigir a postura  

    Má postura pode causar lesões na coluna? Saiba como corrigir a postura  

    Você já reparou na sua postura? Manter os ombros caídos, a cabeça inclinada para frente e a coluna curvada são detalhes que passam despercebidos no dia a dia, mas podem trazer dores incômodas que afetam a qualidade de vida.

    A má postura é comum especialmente para pessoas que trabalham muitas horas na frente do computador, do celular ou em atividades sedentárias. Quando combinada a hábitos prejudiciais, como falta de atividade física, excesso de peso e pouco fortalecimento muscular, o risco de dores crônicas e sobrecargas aumenta significativamente.

    Mas afinal, como corrigir a má postura? Para responder a essa pergunta, conversamos com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, da Escola Paulista de Medicina, que explicou o que realmente funciona na prática para manter a coluna alinhada e saudável.

    O que é ter uma má postura?

    De forma geral, a má postura é o desalinhamento da coluna e do corpo em relação à posição considerada saudável. Em vez de manter uma posição neutra, em que a coluna fica ereta, os ombros alinhados e o peso bem distribuído, a má postura sobrecarrega determinadas regiões do corpo — como lombar, pescoço e ombros.

    A má postura pode ocorrer em diversas situações, como:

    • Sentar de forma incorreta em frente ao computador;
    • Dormir em posições desconfortáveis;
    • Andar curvado;
    • Carregar bolsas ou mochilas muito pesadas de um lado só;
    • Usar calçados inadequados.

    Por que a má postura acontece?

    Uma pessoa pode ter má postura por uma combinação de fatores, como:

    • Uso excessivo das tecnologias modernas: celular, computador e videogames exigem que a pessoa fique muito tempo olhando para baixo ou inclinado para frente;
    • Sedentarismo: a falta de exercícios físicos reduz a força abdominal, da lombar e até da região cervical, aumentando a chance de desalinhamentos;
    • Estresse e tensão emocional: é comum encolher os ombros e projetar o corpo para frente em situações de ansiedade e estresse. A postura, além de física, é também reflexo do estado emocional;
    • Móveis inadequados: cadeiras sem apoio, mesas muito baixas ou muito altas e até colchões desgastados contribuem para posições erradas.

    Quais são os principais sinais de má postura?

    Nem sempre a pessoa percebe que tem má postura, mas existem sinais que podem ser notados no corpo, como:

    • Dores frequentes no pescoço, ombros e costas;
    • Enrijecimento da musculatura;
    • Dor de cabeça;
    • Ombros caídos para frente;
    • Barriga projetada;
    • Cansaço excessivo ao longo do dia.

    Como identificar a sua postura no dia a dia?

    Uma dica para identificar se você possui má postura é observar-se diante do espelho ou pedir que alguém tire uma foto sua de perfil, em pé. Na postura correta:

    • A cabeça deve estar alinhada com os ombros, sem ficar projetada para frente;
    • Os ombros ficam retos, não caídos;
    • A coluna mantém curvas naturais (cervical, torácica e lombar), sem exagero;
    • O quadril está alinhado, sem inclinar para frente ou para trás.

    Outra forma de perceber é durante tarefas simples: ao sentar, ao dirigir ou ao pegar objetos no chão. Se nesses momentos você sempre curvar a coluna ou apoiar todo o peso em uma só perna, é um sinal de que a postura está incorreta.

    Má postura pode causar lesões na coluna?

    De acordo com Ana Gandolfi, a má postura, por si só, não provoca lesões estruturais na coluna. O que pode acontecer é o surgimento de dores e desconfortos quando a pessoa permanece muito tempo na mesma posição, especialmente sentada ou olhando para baixo no celular.

    No entanto, pesquisas apontam que a má postura é um fator de risco que pode, ao longo do tempo, contribuir para o surgimento ou agravamento de problemas na coluna — especialmente quando combinada a hábitos como sedentarismo, excesso de peso, falta de fortalecimento muscular e longas jornadas sentado sem pausas.

    Com o passar dos anos, a sobrecarga nas articulações, nos discos intervertebrais e na musculatura pode favorecer o aparecimento de dores crônicas, tensão no pescoço e nos ombros e até hérnia de disco em pessoas predispostas.

    Como corrigir a má postura no dia a dia

    Manter o corpo alinhado envolve uma série de pequenos ajustes na rotina, para que a boa postura se torne um hábito natural. Alguns deles incluem:

    1. Preste atenção na postura quando estiver sentado

    Pessoas que trabalham em escritórios ou fazem home office passam a maior parte do tempo sentados, então é importante fazer algumas adaptações no ambiente de trabalho.

    Primeiro, procure ajustar a cadeira de modo que suas costas fiquem totalmente apoiadas no encosto. Os pés devem tocar o chão, e se isso não for possível, utilize um apoio para mantê-los firmes. Os joelhos precisam formar um ângulo de 90 graus, assim como os cotovelos quando você digita, sempre com os ombros relaxados.

    Em relação ao computador, Ana Gandolfi aponta que o ideal é deixar o teclado mais para o fundo da mesa, de forma que o cotovelo fique apoiado. Usar apenas a mão apoiada, com o cotovelo suspenso, aumenta o risco de dor cervical, dor no braço e problemas de postura — especialmente para quem passa muitas horas no computador.

    A altura da mesa também faz diferença: o ideal é que os cotovelos permaneçam dobrados a 90 graus, com os ombros soltos e relaxados durante a digitação.

    2. Ajuste a postura ao usar o celular

    O hábito de curvar a cabeça para baixo várias vezes ao dia para usar o celular cria sobrecarga no pescoço. Uma forma simples de evitar isso é levar o aparelho até a altura dos olhos, em vez de abaixar o rosto. Isso mantém o alinhamento natural entre cabeça e coluna, reduzindo tensões desnecessárias.

    “A grande questão é que nessa posição a gente não consegue ficar muito tempo; na verdade, o ideal seria passar menos tempo no celular”, aponta Ana.

    3. Mantenha o corpo alinhado em pé

    Quando estiver em pé, lembre-se de abrir os ombros, direcionando-os para baixo e para trás, como se quisesse afastá-los das orelhas. O peso precisa ser distribuído igualmente entre as duas pernas, sem apoiar apenas um lado.

    Uma boa dica é imaginar um fio puxando a cabeça em direção ao teto. Isso ajuda a alongar a coluna naturalmente e melhora a postura sem rigidez.

    4. Fortaleça os músculos e alongue-se

    A má postura costuma aparecer porque a musculatura responsável por sustentar o corpo está fraca. Para corrigir, é importante fortalecer o chamado “core” — região do abdômen e lombar. Exercícios como prancha e ponte podem ajudar nesse sentido.

    Para quem sente incômodo na lombar, exercícios simples de mobilização do quadril e de relaxamento da coluna lombar podem ser feitos em casa, sem necessidade de academia.

    Além do fortalecimento, pausas rápidas para esticar pescoço, ombros e costas aliviam a tensão acumulada e aumentam a flexibilidade. De acordo com Ana, quem trabalha o dia inteiro sentado no computador deve, a cada uma hora ou uma hora e meia, levantar-se — nem que seja para ir ao banheiro, de preferência o mais distante, ou caminhar dois a três minutos, pegar um café ou lavar o rosto.

    5. Preste atenção ao seu jeito de dormir

    Dormir de bruços pode forçar a coluna e o pescoço, por isso o ideal é deitar de lado, com um travesseiro entre os joelhos, ou de barriga para cima, com apoio embaixo dos joelhos para aliviar a lombar. Um colchão firme e um travesseiro de altura adequada fazem toda a diferença.

    6. Evite carregar peso de forma errada

    Carregar peso do jeito errado pode acabar com a postura, já que mochilas pesadas em um ombro só, bolsas grandes ou até sacolas de mercado puxam o corpo para o lado e deixam a coluna torta. O ideal é dividir o peso entre os dois lados ou usar mochilas com alças largas e bem ajustadas, reduzindo o impacto sobre a coluna.

    Quando precisar levantar algo mais pesado, segure perto do corpo, dobre os joelhos e use a força das pernas em vez de curvar a coluna. Assim, você protege a lombar e evita dores.

    Quando procurar ajuda profissional?

    Nem sempre os ajustes do dia a dia são suficientes. É importante procurar um médico ou fisioterapeuta quando:

    • A dor é constante e não melhora com repouso;
    • Existe limitação de movimentos;
    • Há formigamento ou dormência em braços e pernas;
    • A postura anormal é visível e causa incômodo.

    Um médico pode indicar tratamentos específicos, como fisioterapia, por exemplo.

    Perguntas frequentes

    1. Crianças podem desenvolver problemas por má postura?

    Sim, e cada vez mais cedo, uma vez que uso de celular e tablet por longos períodos, além do peso excessivo das mochilas escolares, favorece alterações na postura infantil. Como o corpo da criança ainda está em desenvolvimento, alguns maus hábitos podem causar dores e outros problemas.

    Por isso, é fundamental orientar os pequenos sobre a forma correta de sentar, limitar o tempo em frente às telas e garantir que a mochila não ultrapasse 10% do peso corporal.

    2. Ficar sentado o dia inteiro é sempre prejudicial?

    Ficar sentado em si não é um problema, desde que seja em posição correta, com pausas frequentes. A questão é a combinação de muito tempo sentado, má postura e ausência de movimento — que causa rigidez, fraqueza muscular e dores. O ideal é ajustar a cadeira, manter os pés bem apoiados, a tela na altura dos olhos e fazer pequenas pausas a cada hora.

    3. Pilates ajuda a melhorar a postura?

    Sim! O pilates é uma das atividades mais recomendadas para quem deseja melhorar a postura, porque trabalha fortalecimento do core (músculos do abdômen e lombar), alongamento e consciência corporal.

    A combinação dá suporte à coluna, melhora o equilíbrio e ajuda a manter o alinhamento natural do corpo. Com a prática regular, é possível reduzir dores, corrigir hábitos incorretos e até prevenir o retorno de problemas posturais.

    4. O uso de salto alto causa má postura?

    O salto alto altera o centro de gravidade do corpo, forçando a lombar e projetando o quadril para frente, o que pode gerar desequilíbrios, dores e tensão muscular. Usar salto ocasionalmente não costuma trazer grandes problemas, mas o uso diário e prolongado favorece a má postura.

    Uma dica é alternar com calçados baixos e confortáveis, além de fortalecer as pernas e alongar panturrilhas e quadris para compensar.

    5. A má postura pode ser genética?

    Não exatamente. Na verdade, o que existe são predisposições genéticas a alterações como escoliose.

    Já a má postura está mais ligada aos hábitos do dia a dia: mesmo quem não tem essa predisposição pode ter problemas se ficar muito tempo em posições erradas. Por outro lado, quem tem tendência genética pode reduzir os impactos mantendo bons hábitos posturais e praticando exercícios.

  • Ciática: o que é e como aliviar a dor no nervo ciático

    Ciática: o que é e como aliviar a dor no nervo ciático

    A dor no nervo ciático, também conhecida como dor ciática ou ciatalgia, é uma das dores mais comuns que afetam a coluna e os membros inferiores. Ela pode surgir de repente, irradiando da lombar até a perna — e, devido a intensidade, pode interferir em atividades simples, como caminhar, sentar ou dormir.

    Para esclarecer dúvidas sobre a ciática, as causas, sintomas e tratamentos, conversamos com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, da Escola Paulista de Medicina.

    O que é nervo ciático?

    O nervo ciático é o maior e mais espesso nervo do corpo humano. Ele começa na parte inferior da coluna vertebral, passa pelas nádegas e desce pela parte de trás de cada perna até os pés. Ele é responsável por grande parte dos membros inferiores, transmitindo informações sensoriais e motoras entre a medula e as pernas e pés.

    Por ser tão longo e desempenhar várias funções importantes, o nervo ciático está sujeito a diferentes formas de alteração, compressão ou inflamação, que podem provocar desde sinais leves até crises intensas e incapacitantes.

    O nervo ciático é fundamental para os movimentos do dia a dia, como levantar da cadeira, agachar, subir escadas, caminhar e manter o equilíbrio. Por isso, qualquer problema nele afeta diretamente a rotina e a qualidade de vida.

    O que causa dor no nervo ciático?

    A causa mais comum da dor no nervo ciático é a compressão de suas raízes na coluna lombar, que pode ser provocada pelos seguintes fatores:

    • Hérnia de disco: é a causa mais frequente da dor no nervo ciático, e ocorre quando o material gelatinoso dentro de um disco que fica entre as vértebras da coluna (que funciona como um amortecedor) se desgasta ou se rompe, fazendo com que seu material interno pressione a raiz do nervo ciático;
    • Estenose espinhal: é o estreitamento do canal espinhal na região lombar, que pode comprimir os nervos, incluindo o ciático. Isso geralmente ocorre em pessoas mais velhas;
    • Síndrome do piriforme: o músculo piriforme, localizado nas nádegas, pode ter espasmos e pressionar o nervo ciático, que passa por baixo ou através dele;
    • Lesões ou fraturas: traumas na coluna ou na pelve podem danificar ou comprimir o nervo;
    • Tumores: embora menos comum, um tumor na coluna vertebral pode crescer e exercer pressão sobre o nervo ciático.

    Além dessas condições, a neurocirurgiã Ana Gandolfi aponta que pessoas com fraqueza muscular, especialmente na região glútea, ou algumas condições — como gestantes ou pacientes que perderam peso muito rápido — tendem a desenvolver um processo inflamatório no nervo ciático, o que aumenta a dor.

    “Qualquer dor que seja decorrente de um processo inflamatório próximo ao nervo é muito intensa”, complementa a especialista.

    Quais os sintomas de ciática?

    O principal sintoma da ciática é a dor que irradia da região lombar ou glútea para a parte de trás da perna, podendo chegar até o pé. Ela apresenta algumas características típicas, como:

    • Pode ser em choque, fisgada ou queimação;
    • Muitas vezes piora ao permanecer sentado por muito tempo;
    • Aumenta ao espirrar, tossir ou fazer esforço;
    • Em alguns casos, vem acompanhada de formigamento, dormência ou fraqueza muscular.

    É importante destacar que nem toda dor na lombar é ciática. A ciática é um tipo específico de dor, que segue o trajeto do nervo ciático. Por isso, a avaliação médica é fundamental para diferenciar de outras dores lombares comuns.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da dor no nervo ciático é feito por um médico, geralmente um ortopedista ou neurocirurgião, e envolve inicialmente uma avaliação médica – para entender sobre os sintomas, os fatores de risco e o histórico médico do paciente.

    Depois, o especialista realiza o exame físico, verificando reflexos, força muscular, sensibilidade e movimentos que desencadeiam dor.

    Em muitos casos, só a avaliação clínica já é suficiente para direcionar o tratamento. Mas exames de imagem podem ser necessários para confirmar a causa, como:

    • Ressonância magnética: é o exame mais eficaz para visualizar a compressão do nervo ciático, pois oferece imagens detalhadas dos tecidos moles, como discos intervertebrais, músculos e o próprio nervo;
    • Tomografia computadorizada: útil em casos de suspeita de fraturas ou alterações ósseas;
    • Raio-X: geralmente não é suficiente para diagnosticar a causa da dor ciática, mas pode ajudar a identificar problemas ósseos, como osteófitos (bicos de papagaio).

    Vale ressaltar que a escolha do exame depende da suspeita clínica. Só pedir uma ressonância da coluna, sem analisar o paciente como um todo, pode mostrar alterações que não explicam a dor. Por isso, o diagnóstico correto precisa juntar o exame físico detalhado com os exames de imagem certos.

    Como é feito o tratamento de dor ciática?

    O tratamento da dor ciática depende da gravidade e da causa dos sintomas. Mas, na maioria dos casos, um tratamento conservador é suficiente para aliviar a dor, reduzir a inflamação e fortalecer a musculatura para prevenir novas crises.

    Entre algumas das abordagens, é possível apontar:

    • Remédios, como analgésicos e anti-inflamatórios, para aliviar a dor e a inflamação. Em casos mais graves, pode ser usadas injeções de analgésicos ou corticosteroides para reduzir a dor e o inchaço ao redor do nervo;
    • Fisioterapia, que ajuda a fortalecer os músculos que dão suporte à coluna, melhoram a flexibilidade e corrigem a postura, o que alivia a pressão sobre o nervo;
    • Compressas frias nas primeiras 48 horas podem ajudar a diminuir a inflamação. Depois disso, compressas quentes podem relaxar os músculos e aumentar o fluxo sanguíneo na área, aliviando a dor;
    • Exercícios leves, como caminhada e natação, podem ser benéficos. Alongamentos suaves, como os de yoga, também ajudam a manter a flexibilidade e a mobilidade.

    Quando a cirurgia é necessária?

    De acordo com Ana, a indicação de cirurgia geralmente surge quando a dor não melhora, mesmo com o uso adequado da medicação em dose máxima e sob acompanhamento médico, ou quando o paciente apresenta perda de força, especialmente no pé.

    Contudo, a especialista reforça que é fundamental identificar com precisão a origem do problema para definir o tratamento correto.

    Confira: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Como aliviar a dor no nervo ciático?

    Além do tratamento médico, alguns hábitos ajudam a aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida, como:

    • Fortalecer a musculatura glútea e abdominal: exercícios de baixo impacto, como pilates, yoga e caminhadas leves, reduzem a sobrecarga da coluna e mantêm o nervo protegido;
    • Adotar boa postura: evite permanecer muitas horas na mesma posição. Ao sentar, mantenha a coluna ereta, e ao levantar peso, faça movimentos corretos para não sobrecarregar a lombar;
    • Controlar o peso corporal: o excesso de peso aumenta a pressão sobre a coluna, mas perder peso muito rápido também prejudica, pois enfraquece a sustentação muscular;
    • Investir em hábitos de vida saudáveis: dormir bem, manter uma alimentação equilibrada e reduzir o estresse ajudam a diminuir processos inflamatórios e a prevenir crises de dor.

    É possível prevenir a dor no nervo ciático?

    Nem sempre é possível prevenir totalmente a ciática, mas adotar alguns cuidados reduz bastante o risco de desenvolver o problema. Entre eles:

    • Praticar atividade física regularmente, com foco no fortalecimento muscular;
    • Cuidar da postura ao sentar, levantar e carregar peso;
    • Manter um peso saudável, evitando tanto o excesso quanto a perda muito rápida;
    • Investir em ergonomia, especialmente para quem trabalha muitas horas sentado;
    • Consultar um médico ao perceber sinais persistentes, como dor irradiada, formigamento ou fraqueza nas pernas.

    Segundo Ana, a prevenção também envolve olhar para grupos de risco, como gestantes, pacientes que perderam peso rápido ou têm fraqueza muscular — e investir em fortalecimento e avaliação médica.

    Perguntas frequentes sobre dor ciática

    1. A dor ciática é considerada uma doença?

    Não. É importante deixar claro que a dor ciática é um sintoma de outra condição, como hérnia de disco, síndrome do piriforme, alterações musculares, inflamações ou até processos infecciosos. Por isso, o tratamento não deve focar apenas em aliviar a dor, mas em investigar a causa do problema.

    2. Onde dói quando o nervo ciático está inflamado?

    A dor geralmente começa na lombar ou no glúteo e segue o trajeto do nervo, descendo pela parte de trás da coxa e podendo chegar até a panturrilha, tornozelo e planta do pé.

    A dor pode ser sentida como choque, fisgada, queimação ou até sensação de facada. Muitas vezes piora quando a pessoa está sentada por muito tempo, tosse ou faz esforço.

    3. A dor ciática pode afetar as duas pernas ao mesmo tempo?

    Na maioria das vezes, a ciática afeta apenas uma perna. Isso acontece porque a compressão geralmente ocorre em apenas uma raiz nervosa da coluna lombar.

    No entanto, em casos mais raros, como em estenose de canal lombar avançada ou grandes hérnias de disco centrais, a dor pode se manifestar nos dois lados, causando desconforto bilateral.

    4. Dor ciática e dor lombar são a mesma coisa?

    Não. A dor lombar é um termo genérico para qualquer dor na região baixa das costas. Já a dor ciática é uma dor que pode se iniciar na região lombar, mas que segue o trajeto do nervo ciático.

    5. A ciática pode surgir em pessoas jovens?

    É mais comum a partir dos 30 ou 40 anos, mas jovens também podem ter crises de ciática, principalmente atletas ou pessoas que treinam sem orientação, gestantes ou quem passa muitas horas sentado em má postura.

    6. O que posso fazer em casa para aliviar a dor ciática?

    Algumas medidas podem ajudar a aliviar a dor enquanto a pessoa aguarda a consulta médica:

    • Aplicar calor local (bolsa de água morna);
    • Alongamentos leves da lombar e glúteos;
    • Evitar longos períodos sentado;
    • Dormir em colchão firme, de lado, com travesseiro entre os joelhos.

    Mas é fundamental procurar atendimento médico se a dor persistir por mais de alguns dias.

    Leia também: Hérnia de disco: o que é, causas, sintomas e como tratar