Autor: Dr. Thiago Chadid

  • Síndrome de Li-Fraumeni: conheça a condição que aumenta o risco de câncer

    Síndrome de Li-Fraumeni: conheça a condição que aumenta o risco de câncer

    Você já ouviu falar na síndrome de Li-Fraumeni? Embora seja rara no mundo, a condição é muito mais comum no Sul e no Sudeste do Brasil. Ela é marcada por uma alteração no gene TP53, conhecido como “gene guardião” por atuar na proteção do DNA contra danos que podem levar ao surgimento de tumores.

    A mutação compromete esse sistema de defesa natural, facilitando o acúmulo de alterações genéticas ao longo da vida e aumentando o risco de vários tipos de câncer, muitos deles surgindo ainda na idade adulta jovem.

    Segundo o oncologista Thiago Chadid, a condição ganhou destaque no país por causa de um fenômeno genético chamado efeito fundador, associado a um ancestral português que teria transmitido a mutação para milhares de descendentes a partir do século XVIII.

    Por causa dessa herança, muitas famílias podem carregar a alteração sem saber, vivendo com risco aumentado para vários tipos de câncer, como tumores de mama, tumores do sistema nervoso central, sarcomas e outros.

    Afinal, o que é a síndrome de Li-Fraumeni?

    A síndrome de Li-Fraumeni é uma condição genética rara caracterizada por uma mutação no gene TP53, um gene fundamental para proteger o DNA das células contra danos que podem causar tumores.

    Conforme explica Thiago, o TP53 atua como um sensor de dano no DNA: quando surge uma mutação, ele identifica o problema, tenta corrigir o defeito e, se a célula estiver muito comprometida, ativa mecanismos que levam à morte celular programada, impedindo que uma célula defeituosa continue se multiplicando e se transforme em câncer.

    Quando o TP53 não funciona corretamente, o organismo perde parte da sua capacidade de reparar erros genéticos ou eliminar células defeituosas antes que elas se transformem em tumores.

    Quando a pessoa nasce com uma mutação herdada do pai ou da mãe no gene TP53, e ocorre perda de função nas duas cópias do gene, o organismo fica sem esse sistema de proteção. O DNA passa a acumular mutações com muito mais facilidade ao longo da vida, e células alteradas conseguem escapar dos mecanismos naturais de defesa e evoluir para tumores.

    Por isso, a síndrome de Li-Fraumeni aumenta de forma significativa o risco de vários tipos de câncer em idades mais precoces.

    Como a síndrome de Li-Fraumeni é transmitida?

    A síndrome de Li-Fraumeni é transmitida de forma hereditária, por meio de uma mutação no gene TP53 que passa de geração em geração.

    A transmissão ocorre em um padrão chamado autossômico dominante, o que significa que:

    • Um único gene alterado já é suficiente para aumentar o risco de câncer;
    • Qualquer filho de um indivíduo com a mutação tem 50% de chance de herdar a alteração;
    • Tanto homens quanto mulheres podem transmitir a mutação igualmente.

    Quando a pessoa recebe a cópia alterada do pai ou da mãe, ela já nasce com parte da função do TP53 comprometida. Ao longo da vida, basta que a segunda cópia do gene sofra mutação espontânea para que se perca totalmente o mecanismo de proteção do DNA, aumentando a probabilidade de tumores.

    Por isso, famílias com história de vários cânceres em idades jovens, ou tumores considerados raros antes dos 40 anos, costumam ser investigadas para essa mutação.

    Quais tumores a síndrome pode causar?

    De acordo com Thiago, a pessoa pode desenvolver tumores em diferentes órgãos, muitas vezes mais cedo do que o esperado para a população geral. Entre os locais mais frequentemente afetados, destacam-se:

    • Mama;
    • Trato gastrointestinal;
    • Pulmão;
    • Sistema nervoso central;
    • Glândulas endócrinas, como adrenal;
    • Outros sítios, incluindo ossos e tecidos moles.

    Também pode ocorrer mais de um tumor primário ao longo da vida na mesma pessoa, resultado direto da incapacidade do organismo de impedir que novas mutações se acumulem e originem novos cânceres.

    Os tumores associados à síndrome de Li-Fraumeni tendem a ser mais agressivos, uma vez que acumulam um número maior de mutações e apresentam mais mecanismos de resistência.

    Quando o câncer reúne muitas alterações genéticas, o comportamento das células tumorais torna-se mais imprevisível: o tumor cria rotas alternativas para continuar crescendo, mesmo diante do tratamento, dribla terapias que miram um único alvo e, com frequência, apresenta respostas menos duradouras a determinadas drogas.

    Por que o câncer aparece mais cedo na síndrome de Li-Fraumeni?

    A manifestação costuma ser mais precoce porque, sem o gene guardião funcionando bem, os danos que se acumulam ao longo dos anos não são reparados de modo adequado. A rotina atual, marcada por exposição à radiação, hábitos alimentares irregulares, sedentarismo, tabagismo e outros fatores ambientais, intensifica ainda mais o impacto da predisposição genética.

    Thiago explica que, enquanto uma pessoa sem mutação costuma desenvolver câncer com maior frequência após os 60 ou 70 anos, alguém com síndrome de Li-Fraumeni pode apresentar tumores significativos já na faixa dos 20, 30 ou 40 anos.

    Como é feito o diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni?

    O diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni é feito por meio de avaliação clínica, história familiar detalhada e testes genéticos, que confirmam a presença de mutação no gene TP53.

    De forma geral, o processo envolve:

    • Investigação da história pessoal e familiar de câncer, especialmente quando há tumores em idades jovens, múltiplos cânceres na mesma pessoa ou tipos de câncer característicos da síndrome;
    • Avaliação por especialista em genética, que analisa padrões familiares, identifica critérios clínicos (como os critérios clássicos ou critérios de Chompret) e determina se há indicação para exame;
    • Teste genético específico para o gene TP53, realizado a partir de amostra de sangue ou saliva, que confirma ou descarta a presença da mutação;
    • Aconselhamento genético, etapa fundamental antes e depois do teste, para orientar sobre implicações médicas, emocionais e familiares do diagnóstico.

    Segundo Thiago, quando a mutação é confirmada, a família deve ser orientada de forma cuidadosa, e outros parentes podem ser indicados a realizar o teste, sempre com apoio de aconselhamento genético para esclarecer riscos, implicações e estratégias de acompanhamento.

    Cuidados com a síndrome de Li-Fraumeni

    A síndrome de Li-Fraumeni não possui, por enquanto, um protocolo único e rígido seguido por todos os serviços de saúde. A ideia é reduzir ao máximo fatores que aumentem o acúmulo de mutações ao longo da vida. As principais orientações incluem:

    • Evitar a exposição ao cigarro;
    • Redução ou suspensão do álcool;
    • Manter uma alimentação saudável, com alimentos pouco processados e ricos em fibras;
    • Prática regular de atividade física;
    • Proteção da pele contra radiação ultravioleta;
    • Realização periódica de consultas e exames de rastreamento, conforme idade e histórico familiar.

    A proposta é diminuir a exposição a fatores que estimulam danos ao DNA e, ao mesmo tempo, identificar qualquer alteração o mais cedo possível.

    É possível prevenir a síndrome de Li-Fraumeni?

    A prevenção absoluta não é possível, já que se trata de uma alteração herdada. Ainda assim, a combinação de vigilância constante, diagnóstico precoce e escolhas de estilo de vida mais saudáveis pode reduzir o impacto da predisposição e aumentar as chances de identificar tumores em estágios iniciais, quando o tratamento tende a ser mais eficaz.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    Qual é a causa genética da síndrome de Li-Fraumeni?

    A causa principal é uma mutação no gene TP53, um gene supressor tumoral. O TP53 é conhecido como “guardião do genoma”, porque detecta danos no DNA das células e impede que elas se transformem em câncer.

    A síndrome de Li-Fraumeni é sempre hereditária?

    Na maioria dos casos (cerca de 70% a 80%), sim, a síndrome é herdada dos pais (mutação germinativa). No entanto, em uma pequena porcentagem dos casos, a mutação pode surgir espontaneamente no indivíduo (mutação de novo), sem histórico familiar aparente.

    Quem deve fazer o teste genético?

    Pessoas com vários familiares com câncer em idade jovem, com tumores raros antes dos 40 anos ou quem já teve mais de um câncer primário. O ideal é realizar com apoio de aconselhamento genético.

    Por que a mutação no TP53 aumenta o risco de tantos tipos de câncer diferentes?

    O TP53 é um gene central para a proteção do DNA. Quando ele falha, qualquer célula do corpo fica mais vulnerável a acumular mutações e evoluir para um tumor. Por isso, a síndrome não se restringe a um órgão específico: músculos, ossos, glândulas, cérebro e vários tecidos podem ser afetados.

    É possível ter uma vida normal mesmo com a síndrome?

    Sim! Apesar do risco, muitas pessoas com síndrome de Li-Fraumeni levam vidas longas, produtivas e com boa qualidade de vida. O grande diferencial é o acompanhamento próximo, a realização de rastreamentos adequados e a adoção de hábitos protetores.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Melanoma: o que é e como identificar o tipo mais perigoso de câncer de pele

    Melanoma: o que é e como identificar o tipo mais perigoso de câncer de pele

    O câncer de pele é o tumor mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. No entanto, o melanoma representa apenas 4% das neoplasias malignas da pele, embora seja considerado o tipo mais grave por causa da alta capacidade de se espalhar rapidamente para outros órgãos.

    O risco associado ao melanoma não está apenas na sua ocorrência, mas no comportamento agressivo das células tumorais. Mesmo lesões pequenas podem desenvolver metástases precoces, exigindo diagnóstico rápido e tratamento imediato. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é melanoma?

    O melanoma é um tipo de câncer de pele que se desenvolve a partir dos melanócitos, células responsáveis por produzir melanina, o pigmento que dá cor à pele. Ele pode surgir em pintas já existentes ou aparecer como uma nova lesão na pele.

    A principal causa está ligada à exposição excessiva à radiação ultravioleta, principalmente sem proteção adequada.

    De acordo com o oncologista Thiago Chadid, a preocupação maior com esse tipo de tumor é o comportamento altamente agressivo: as células têm grande capacidade de se espalhar rapidamente pela pele e alcançar vasos sanguíneos e linfáticos, favorecendo metástases precoces.

    Em situações raras, uma pinta que deu origem ao melanoma pode regredir sozinha. Nesses casos, o paciente pode apresentar metástases mesmo sem que o tumor primário seja encontrado. A lesão inicial some, mas as células malignas já disseminadas continuam a se multiplicar. O oncologista explica que é um fenômeno pouco comum em outros cânceres de pele, mas que pode ocorrer no melanoma por causa da sua biologia particular.

    O que diferencia o melanoma de outros câncer de pele?

    A principal diferença entre o melanoma e outros cânceres de pele, como o carcinoma basocelular e o espinocelular, está na célula de origem.

    O carcinoma basocelular surge das células basais, localizadas na camada mais profunda da epiderme; o espinocelular aparece nas células escamosas, que produzem queratina. Já o melanoma se desenvolve nos melanócitos, responsáveis pela pigmentação da pele.

    Por causa dessa origem, a análise cuidadosa das pintas, usando critérios como o ABCDE, é especialmente importante para identificar o melanoma. Os carcinomas, por outro lado, tendem a se manifestar como feridas que não cicatrizam, manchas elevadas ou lesões com aspecto perolado.

    Muitas vezes, essas lesões são confundidas com “pintas casquinhas”, embora representem processos completamente diferentes.

    Quais os sintomas do melanoma?

    O melanoma nem sempre causa sintomas no início, e por isso a observação da pele é tão importante. Na maioria dos casos, o sinal mais comum é uma pinta que muda — no tamanho, na forma, na cor ou na textura. Porém, outros sinais podem surgir e merecem atenção.

    Os principais sintomas incluem:

    • Aparição de uma nova pinta com aspecto diferente das demais;
    • Mudança em uma pinta já existente, ficando maior, irregular ou mais escura;
    • Assimetria, quando metade da pinta não se parece com a outra;
    • Bordas irregulares, mal definidas ou serrilhadas;
    • Cores variadas na mesma pinta, como marrom, preto, cinza, vermelho ou branco;
    • Diâmetro maior que 6 mm, embora melanomas pequenos também existam;
    • Evolução rápida, quando a pinta cresce, muda de cor ou começa a se transformar em semanas ou meses;
    • Sangramento, coceira ou dor, sinais que podem indicar inflamação ou avanço da lesão;
    • Aspecto elevado, nodular ou brilhante, especialmente em melanomas mais agressivos.

    Segundo Thiago, o melanoma aparece com mais frequência nas áreas expostas ao sol, como couro cabeludo, face, tronco e costas, já que a radiação ultravioleta é o principal fator desencadeador.

    Ainda assim, o tumor pode surgir em regiões pouco expostas ou totalmente protegidas da luz, como palma das mãos, planta dos pés e unhas — situações em que fatores genéticos costumam ter papel mais relevante.

    Pintas congênitas, presentes desde o nascimento, também podem carregar risco aumentado e precisam de acompanhamento regular.

    Existem, inclusive, casos raros de melanoma em locais sem qualquer exposição solar, como a esclera (parte branca dos olhos) ou o trato gastrointestinal, normalmente ligados a predisposições genéticas ou síndromes hereditárias.

    O que aumenta o risco de melanoma?

    A exposição solar sem proteção é o principal fator de risco do melanoma, porque os raios ultravioleta provocam danos diretos no DNA dos melanócitos, estimulando mutações que podem levar à formação do tumor.

    Contudo, outros fatores também podem aumentar o risco do câncer de pele, como:

    • Queimaduras solares na infância, que aumentam o risco ao longo da vida;
    • Uso de câmaras de bronzeamento artificial, já proibidas no Brasil;
    • Pele clara, com menor produção de melanina;
    • Presença de muitas pintas ou pintas atípicas;
    • Histórico familiar de melanoma;
    • Síndromes genéticas que aumentam predisposição.

    Diagnóstico de melanoma

    O diagnóstico de melanoma é feito principalmente pela avaliação clínica da pele, complementada por exames específicos quando necessário. Quanto mais cedo o diagnóstico é estabelecido, maiores são as chances de cura, já que o tumor pode se espalhar rapidamente.

    O processo começa na consulta com o dermatologista, que examina toda a pele em busca de pintas suspeitas, observando forma, cor, tamanho, bordas e qualquer mudança recente na aparência da lesão.

    A investigação é aprofundada com a dermatoscopia, exame que utiliza um aparelho capaz de ampliar e iluminar a pinta, permitindo visualizar estruturas internas que não são perceptíveis a olho nu. Nesse momento, o médico também aplica os critérios clínicos ABCDE, usados para identificar sinais de alerta:

    • A: Assimetria;
    • B: Bordas irregulares;
    • C: Cores variadas;
    • D: Diâmetro maior que 6 mm (embora melanomas menores existam);
    • E: Evolução, quando a pinta muda rapidamente.

    Quando há suspeita de melanoma, a confirmação é feita por meio de biópsia, que consiste na retirada total ou parcial da lesão para análise no laboratório. O patologista examina o material para determinar se há células malignas e avalia informações importantes, como profundidade e grau de invasão.

    Se o diagnóstico for confirmado, exames adicionais podem ser solicitados para verificar se o tumor se espalhou, como ultrassom de linfonodos, tomografia, ressonância magnética ou PET-CT, dependendo do caso.

    Como é feito o tratamento do melanoma?

    O tratamento do melanoma é definido conforme o estágio da doença, ou seja, o quanto o tumor cresceu e se espalhou. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de cura e mais simples costuma ser o manejo.

    O primeiro passo é a cirurgia para remover a lesão, feita com margem de segurança ao redor da pinta suspeita. Isso é importante porque o melanoma pode formar extensões microscópicas que não são visíveis a olho nu. Com o diagnóstico de melanoma, muitas vezes é necessário retornar para ampliar a margem cirúrgica, garantindo a retirada completa do tumor.

    Quando a profundidade é maior ou há suspeita de disseminação, pode ser indicada a biópsia do linfonodo sentinela, que verifica se o tumor já começou a se espalhar para os gânglios linfáticos.

    Se existir risco de recidiva após a cirurgia, é utilizado o tratamento adjuvante, que hoje envolve principalmente a imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar células tumorais remanescentes.

    Nos casos em que o melanoma já se disseminou para outros órgãos, o tratamento costuma incluir a imunoterapia e terapias alvo, usadas quando o tumor apresenta mutações específicas, como a mutação BRAF, permitindo usar medicamentos direcionados para bloquear sinais de crescimento tumoral.

    É possível prevenir o melanoma?

    A prevenção do melanoma começa com a proteção solar diária e o acompanhamento regular com dermatologista. Quem teve muita exposição ao sol na infância ou adolescência, especialmente quem cresceu nos anos 80 e 90, quando o uso de protetor era menos comum, deve ter ainda mais cuidado, porque queimaduras repetidas aumentam o risco ao longo da vida.

    Também é importante lembrar que pintas de nascença nem sempre são totalmente seguras. Algumas podem ter risco maior e precisam ser observadas de perto ou até removidas preventivamente, de acordo com a avaliação médica.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

    Perguntas frequentes

    1. Por que o melanoma é considerado tão grave?

    A gravidade do melanoma está na facilidade com que ele se espalha pelo corpo. Diferente de outros cânceres de pele, o tumor pode atingir vasos sanguíneos e linfáticos mesmo quando ainda é pequeno.

    Por crescer e se disseminar rápido, se torna mais difícil de controlar em fases avançadas. Por outro lado, quando é descoberto no início, as chances de cura são altas.

    2. Crianças podem ter melanoma?

    Sim, mas é raro. Quando acontece, costuma estar ligado a fatores genéticos, histórico familiar ou pintas de nascença com características diferentes. Por isso, pintas grandes ou irregulares em crianças devem ser avaliadas e acompanhadas por especialistas.

    3. Melanoma tem cura?

    Sim, quando o melanoma é diagnosticado no início, as chances de cura são muito altas. A maior dificuldade está nos casos mais avançados, quando o câncer já se espalhou.

    4. Melanoma pode aparecer nas unhas?

    Sim, o melanoma subungueal pode aparecer como uma faixa escura na unha, que vai crescendo ao longo do tempo. Muitas vezes, é confundido com hematoma, fungo ou machucado, o que pode atrasar o diagnóstico.

    Se a faixa escura for irregular, aumentar de tamanho ou vier acompanhada de sangramento na cutícula, é importante buscar investigação médica.

    5. Melanoma pode voltar após o tratamento?

    Mesmo depois da remoção completa da lesão, ainda existe risco de o melanoma voltar, especialmente quando o tumor era mais profundo ou tinha maior chance de se espalhar. Por isso, é fundamental manter o acompanhamento regular com o dermatologista e o oncologista.

    6. Quando devo procurar um dermatologista?

    Procure um dermatologista sempre que notar:

    • Uma nova pinta diferente das outras;
    • Mudança rápida em tamanho, cor ou formato;
    • Mancha que sangra ou não cicatriza;
    • Coceira persistente ou dor na região;
    • Também é importante realizar avaliação anual da pele, mesmo sem sintomas, especialmente para quem tem fatores de risco

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

  • Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

    Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

    Sendo o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil, atrás apenas do câncer de mama e próstata, o câncer colorretal se forma no intestino grosso, a partir do crescimento anormal de células na parede interna do intestino, formando pólipos — pequenas lesões benignas que, com o tempo, podem sofrer mutações e se tornar malignas.

    Por ter um crescimento lento, o rastreamento permite detectar alterações no intestino ainda em fase inicial, aumentando as chances de tratamento e recuperação. Vamos entender, a seguir, como a doença se manifesta e quais exames são importantes para o diagnóstico.

    O que é câncer colorretal?

    O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, é um tipo de tumor que se forma no intestino grosso, especialmente no cólon ou no reto. Ele costuma surgir a partir de pequenos pólipos — lesões benignas que se desenvolvem na parede interna do intestino.

    Com o tempo, o cardiologista Thiago Chadid explica que o pólipo pode evoluir. Primeiro, surge o pólipo hiperplásico, que é uma pequena elevação benigna e sem risco de virar câncer. Depois, ele pode se transformar em um adenoma, um tipo de pólipo que já tem potencial de se tornar maligno. O adenoma pode variar em gravidade — quanto mais alterações ele apresenta nas células, maior é o risco de evoluir para um câncer colorretal (adenocarcinoma).

    Quando o adenoma é pouco diferenciado (grau 3), o risco de progressão é alto, indicando que o tumor está prestes a se tornar invasivo. Também existem mutações genéticas que aumentam a probabilidade de desenvolvimento do câncer de intestino, podendo ser hereditárias ou adquiridas ao longo da vida.

    Por ter uma evolução mais lenta, é possível detectar e tratar ainda em estágios iniciais por meio de exames preventivos, como a colonoscopia, que permite visualizar o interior do intestino e remover pólipos antes que se tornem perigosos.

    Quais as causas do câncer colorretal?

    O câncer de intestino é causado por um conjunto de fatores que aumentam as chances de mutações no DNA das células do cólon e do reto, como:

    • Alimentação rica em carne vermelha e embutidos (como salsicha, bacon e presunto);
    • Baixo consumo de frutas, verduras, legumes e fibras;
    • Sedentarismo e falta de atividade física regular;
    • Excesso de peso e obesidade;
    • Consumo frequente de bebidas alcoólicas;
    • Tabagismo;
    • Idade acima de 50 anos;
    • Histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos;
    • Doenças inflamatórias intestinais, como colite ulcerativa e doença de Crohn;
    • Alterações genéticas hereditárias (como síndrome de Lynch e polipose adenomatosa familiar).

    Pessoas com diverticulite têm mais risco de câncer de intestino?

    A resposta é não! De acordo com Thiago, a presença de divertículos, pequenas bolsas que se formam na parede do intestino, não aumenta o risco de câncer. Eles podem inflamar e causar diverticulite, mas a inflamação não tem relação com o surgimento de pólipos ou tumores.

    Os divertículos são pequenas bolsas que se projetam para fora da parede intestinal, enquanto os pólipos são elevações que crescem para dentro do intestino. Por isso, são alterações distintas, com origens e comportamentos completamente diferentes.

    Sintomas do câncer colorretal

    O câncer colorretal normalmente não apresenta sintomas nos estágios iniciais, mas com o avanço do tumor, eles começam a surgir de forma mais evidente. De acordo com Thiago, os sintomas variam de acordo com a localização do tumor.

    No lado direito, os sinais costumam ser mais discretos:

    • Alterações no hábito intestinal, como prisão de ventre alternando com diarreia leve;
    • Cólicas;
    • Sensação de inchaço;
    • Sangramento oculto.

    Já no lado esquerdo, eles são mais evidentes:

    • Sangue nas fezes (vermelho vivo ou escuro);
    • Dor ou desconforto abdominal frequente;
    • Perda de peso sem motivo aparente;
    • Febre;
    • Infecções intestinais recorrentes;
    • Fezes mais finas e afiladas.

    Como é feito o diagnóstico de câncer colorretal?

    O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos e laboratoriais que permitem observar o interior do intestino e identificar alterações.

    Os principais exames incluem:

    • Colonoscopia: exame principal para visualizar o intestino e remover pólipos.
    • Exame de sangue oculto nas fezes: identifica pequenas quantidades de sangue.
    • Biópsia: feita durante a colonoscopia para confirmar células cancerígenas.

    Exames complementares como tomografia e ressonância podem ser solicitados para avaliar a extensão do tumor.

    Rastreamento de câncer colorretal

    O rastreamento é fundamental, principalmente para pessoas entre 50 e 75 anos — ou a partir dos 45 anos, segundo sociedades médicas.

    A frequência depende do tipo de pólipo encontrado. Em casos de alto risco, o controle deve ser feito em um ano.

    Exame de sangue oculto nas fezes substitui a colonoscopia?

    Não. Ele é um exame de triagem. Um resultado positivo indica a necessidade de colonoscopia.

    Como é feito o tratamento de câncer colorretal?

    O tratamento depende do estágio e da localização do tumor. As principais abordagens incluem:

    • Cirurgia — tratamento principal;
    • Quimioterapia — antes ou depois da cirurgia;
    • Radioterapia — especialmente para tumores de reto;
    • Terapias-alvo e imunoterapia — indicadas em casos específicos.

    Câncer colorretal tem cura?

    Sim — especialmente quando diagnosticado precocemente. A taxa de sobrevida em cinco anos pode chegar a 90%.

    Câncer de intestino costuma gerar metástases com frequência?

    Isso depende da localização do tumor. Tumores do cólon esquerdo e reto alto costumam metastatizar para o fígado; tumores do reto baixo, para o pulmão.

    Metástases isoladas podem, em alguns casos, ser tratadas com cirurgia ou ablação.

    É possível prevenir o câncer colorretal?

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Praticar atividade física;
    • Manter o peso adequado;
    • Basear a alimentação em alimentos naturais;
    • Evitar ultraprocessados;
    • Comer frutas, verduras e legumes diariamente;
    • Reduzir consumo de carnes vermelhas;
    • Não fumar;
    • Evitar álcool.

    Veja também: Câncer: quais os principais fatores de risco?

    Perguntas frequentes

    Como o câncer colorretal se forma?

    O processo começa com mutações nas células do intestino, que formam pólipos. Alguns tipos podem evoluir para câncer.

    Como é feito o exame de colonoscopia?

    É realizado com um tubo flexível com câmera. Pode remover pólipos durante o exame. É feito sob sedação.

    O que significa ter pólipos no intestino?

    Pólipos são lesões benignas, mas alguns podem se tornar câncer. Removê-los reduz drasticamente o risco.

    Pessoas com intestino preso têm mais risco?

    A constipação não causa câncer, mas hábitos associados a ela podem aumentar o risco.

    O câncer colorretal causa perda de apetite?

    Sim. Pode ocorrer pela ação do tumor, pelo tratamento ou pelo impacto emocional.

    Veja mais: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

    Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

    Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de câncer, é normal que alguns termos médicos passem a fazer parte do dia a dia, mesmo que nunca tenham feito sentido antes. A cura certamente é uma das palavras que mais despertam expectativas e ansiedade, mas você sabe o que significa remissão do câncer?

    As dúvidas costumam aparecer ao longo do processo, mas saber o significado de cura ou remissão do câncer ajuda a compreender melhor cada etapa do tratamento e tornar a sua jornada menos assustadora. Conversamos com o oncologista Thiago Chadid para esclarecer as principais dúvidas, a seguir.

    Afinal, cura e remissão do câncer são a mesma coisa?

    Antes de detalhar cada definição, vale esclarecer que a distinção não é apenas semântica. Na oncologia, cura e remissão não significam a mesma coisa quando se fala em câncer — e cada termo descreve um estágio diferente do controle da doença e indica níveis distintos de segurança em relação ao futuro.

    Eles devem ser usados com cuidado, uma vez que influenciam a forma como o paciente entende o tratamento, o que esperar dos próximos meses e como será o acompanhamento médico.

    O que significa remissão do câncer?

    A remissão do câncer significa que não há sinais detectáveis da doença no momento, embora não seja possível afirmar que o tumor está definitivamente curado.

    De acordo com Thiago, durante o acompanhamento, o paciente realiza exames como tomografia, PET-CT, ressonância ou marcadores sanguíneos, e todos mostram ausência de atividade tumoral.

    A doença não está mais visível, não está crescendo e não provoca sintomas, mas ainda existe a possibilidade de que células remanescentes, invisíveis aos métodos de diagnóstico, possam voltar a se multiplicar.

    De maneira geral, existem dois tipos principais de remissão no câncer, definidos de acordo com o quanto a doença diminuiu ou desapareceu nos exames:

    • Remissão parcial ocorre quando o tumor reduz de tamanho ou quando há diminuição importante da atividade da doença, mas ainda restam sinais detectáveis nos exames. Pode representar uma queda de 30%, 50% ou mais no volume tumoral, dependendo do protocolo usado para avaliar cada caso. Ela indica resposta significativa ao tratamento, mas não completa;
    • Remissão completa acontece quando não há sinais detectáveis do câncer nos exames de imagem, exames laboratoriais ou avaliação clínica. Mesmo assim, não se usa o termo “cura” de imediato, porque ainda pode existir risco de retorno, especialmente nos primeiros anos. Por isso, o acompanhamento continua de forma rigorosa.

    Por que remissão não significa ausência total de risco?

    A remissão não significa ausência total de risco porque o organismo pode ainda abrigar células tumorais microscópicas que não aparecem em exames de imagem ou de sangue.

    Mesmo quando o tratamento elimina toda a doença visível, ainda pode haver células dispersas, adormecidas ou em quantidade tão pequena que nenhum método atual consegue detectar. A ciência não possui marcadores capazes de garantir que todo vestígio celular foi eliminado.

    Segundo Thiago, tumores agressivos podem recidivar nos primeiros anos após o tratamento, por isso, se o paciente permanece sem doença por cerca de cinco anos, considera-se que o risco de retorno se tornou muito baixo — podendo, em alguns casos, usar o termo “cura”.

    Já tumores indolentes, de crescimento lento, podem recidivar após 10, 15 ou até 20 anos, motivo pelo qual não existe um marco claro de cura. Nesses casos, mesmo após anos sem sinais da doença, o paciente permanece em remissão e segue em acompanhamento periódico com o médico.

    O que significa cura do câncer?

    A cura do câncer significa que não há sinais da doença no organismo após um longo período de acompanhamento médico. De forma geral, ela indica que o tratamento funcionou e que o risco do tumor voltar se tornou muito baixo, quase nulo, de acordo com o padrão de cada tipo de câncer.

    É um termo usado com cuidado porque alguns tumores (especialmente indolentes) podem demorar anos para mostrar recidiva, por isso o paciente continua em vigilância e acompanhamento mesmo depois de bons resultados.

    De acordo com Thiago Chadid, os oncologistas consideram que um paciente está curado se ele permanecer em remissão completa por um período de cinco anos ou mais após o término do tratamento. Após esse tempo, o risco de o câncer retornar (recidiva) diminui consideravelmente, embora não seja totalmente eliminado.

    A possibilidade de cura varia muito dependendo do tipo de câncer, do estágio em que foi diagnosticado (diagnósticos precoces têm chances significativamente maiores) e das características individuais do paciente e do tumor.

    Por que a cura depende do tipo de câncer?

    Primeiro, é importante entender que o termo “câncer” é um nome usado para mais de 200 doenças diferentes. A cura depende do tipo de tumor porque eles possuem um comportamento próprio. Alguns crescem rápido, outros evoluem de forma lenta, e cada um responde ao tratamento de um jeito.

    A agressividade também se relaciona com o grau de diferenciação celular: quanto mais as células se parecem com as normais, maior a chance de tratamento eficaz.

    Alguns pontos ajudam a entender por que isso varia tanto:

    • Biologia e velocidade de crescimento: tumores agressivos têm alta taxa de mutação, invadem outros órgãos cedo e dificultam a cura, enquanto tumores lentos permitem intervenções efetivas;
    • Localização: quando o tumor está em áreas acessíveis, como pele, a remoção é mais simples; quando está em regiões delicadas, como cérebro, a cirurgia completa se torna mais difícil;
    • Resposta ao tratamento: certos cânceres, como alguns linfomas e leucemias, respondem muito bem à quimioterapia; outros, como alguns sarcomas, apresentam maior resistência;
    • Existência de alvos moleculares: terapias modernas funcionam melhor quando o tumor tem mutações específicas que podem ser bloqueadas por medicamentos;
    • Diagnóstico precoce: quando detectado cedo por exames de rastreamento, o tumor costuma estar limitado ao local de origem, aumentando muito as chances de cura.

    Como saber se há cura ou remissão do câncer?

    A diferença entre cura e remissão é identificada principalmente por meio de acompanhamento contínuo, exames de imagem e exames laboratoriais, como:

    • Tomografia computadorizada;
    • Ressonância magnética;
    • PET-CT, que identifica áreas com maior atividade metabólica;
    • Ultrassom, quando indicado;
    • Exames de sangue, como marcadores tumorais, quando fazem sentido para aquele tipo de tumor;
    • Biópsias de controle, em contextos específicos.

    Na remissão, os exames mostram redução importante do tumor ou ausência temporária de sinais da doença, mas o período de observação ainda é curto para garantir estabilidade definitiva. O médico avalia o comportamento do tumor ao longo dos meses para confirmar se o controle se mantém.

    A cura só pode ser considerada após muitos anos de exames sem alterações. Cada tipo de câncer tem um intervalo diferente para essa confirmação, porque alguns tumores têm risco de retorno mais tardio do que outros. Durante esse período, o paciente mantém o acompanhamento para verificar se há qualquer sinal mínimo de atividade tumoral.

    Como lidar emocionalmente com a remissão prolongada?

    A remissão é um período que pode durar vários anos, então é normal oscilar entre confiança e insegurança, especialmente antes de consultas e exames de rotina.

    Por isso, cuidar da saúde emocional durante esse período ajuda a recuperar tranquilidade e criar mais segurança no dia a dia, e alguns passos simples podem ajudar:

    • Procurar apoio psicológico para organizar pensamentos, aliviar medo e a insegurança e diminuir preocupações repetitivas;
    • Falar com amigos ou familiares para não carregar tudo sozinha e reduzir a sensação de peso emocional;
    • Manter uma rotina saudável, com momentos de lazer, descanso e atividades que tragam bem-estar;
    • Lembrar que exames de acompanhamento servem para proteção, não para gerar medo;
    • Celebrar cada mês ou ano com bons resultados, entendendo que períodos longos de controle mostram que o tratamento funcionou.

    Confira: Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)

    Perguntas frequentes

    Quais sinais podem indicar que o câncer voltou?

    Os sintomas variam de acordo com o tipo de tumor, mas alguns sinais exigem atenção, como dores persistentes, alterações respiratórias, perda de peso sem explicação, fadiga extrema, nódulos novos, sangramentos incomuns, mudanças no intestino ou na bexiga e aumento de linfonodos.

    No entanto, muitas recidivas são detectadas apenas em exames de rotina, antes de causar sintomas. Por isso o acompanhamento regular é tão importante.

    O que acontece quando o câncer recidiva? Existe tratamento?

    A recidiva do câncer não significa o fim das possibilidades de tratamento. Na verdade, a oncologia moderna oferece diversas opções, como imunoterapia, terapias-alvo, quimioterapia, radioterapia avançada, novos medicamentos orais e abordagens cirúrgicas.

    O tratamento depende do local da recidiva e do histórico do paciente. Em muitos casos é possível controlar novamente a doença e alcançar outra fase de remissão. O tratamento pode mudar, mas as chances de boas respostas continuam existindo.

    O que significa câncer indolente?

    O termo câncer indolente descreve tumores que evoluem muito lentamente e apresentam baixo risco de crescimento ou disseminação. Eles podem permanecer estáveis por anos, sem causar sintomas ou exigir tratamento imediato.

    Em alguns casos, o médico opta pela “vigilância ativa”, que consiste em acompanhar o paciente com exames regulares, intervindo apenas se houver mudanças significativas.

    Esse tipo de câncer, embora ainda seja câncer, tem comportamento mais previsível e menor potencial de causar complicações rápidas, permitindo que muitas pessoas levem uma vida normal durante a observação.

    O que caracteriza um câncer agressivo?

    Um câncer agressivo é aquele que cresce rapidamente, tende a formar metástases com mais facilidade e exige intervenção imediata. O comportamento está ligado ao tipo de célula tumoral, às mutações presentes e ao nível de divisão celular.

    Contudo, vale destacar que o câncer ser agressivo não significa que ele não é passível de controle e tratamento, mas sim que ele demanda uma abordagem mais intensiva, como combinações de quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou cirurgias amplas. O acompanhamento também é mais rígido e frequente, já que o risco de retorno também pode ser maior.

    Por que alguns cânceres crescem devagar e outros evoluem rapidamente?

    A velocidade de crescimento do câncer depende das características biológicas do tumor, como o tipo de célula envolvida, as mutações genéticas presentes, a capacidade de enganar o sistema imune e a forma como o tumor utiliza nutrientes.

    Os tumores indolentes têm ritmo lento de multiplicação e menor capacidade de invadir tecidos, enquanto tumores agressivos apresentam mecanismos que favorecem replicação rápida e expansão. Alguns fatores hereditários, hormônios, inflamação crônica e características individuais do paciente também influenciam esse comportamento.

    Leia mais: Câncer agressivo: o que significa e quais fatores determinam

  • Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros 

    Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros 

    O diagnóstico de carcinoma basocelular é, infelizmente, algo comum no Brasil. Apesar de muitas vezes parecer inofensivo, é necessário ter atenção e diagnóstico precoce. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma, categoria que inclui o carcinoma basocelular (CBC) e o espinocelular, representa aproximadamente 30% de todos os tumores malignos no país, com centenas de milhares de casos por ano. 

    Dentro desse grupo, o carcinoma basocelular é o tipo mais comum e corresponde a cerca de 70% a 80% dos cânceres de pele não melanoma. Ele cresce lentamente e raramente se espalha para outros órgãos, mas pode causar destruição local importante se não tratado. Por isso, reconhecer os sinais e entender como prevenir é bem importante. 

    O que é o carcinoma basocelular? 

    O carcinoma basocelular é um câncer de pele que se origina nas células basais, localizadas na camada mais profunda da epiderme. É um câncer que tem origem na exposição cumulativa (e intermitente) ao sol (ou radiação UV) ao longo da vida, especialmente em pessoas de pele mais clara. 

    Embora seja considerado o tipo menos agressivo de câncer de pele, ele ainda é um tumor maligno e não deve ser ignorado, pois pode crescer e invadir tecidos próximos, como cartilagem, músculos e até ossos, dependendo da localização. 

    Fatores de risco 

    Algumas coisas aumentam o risco de desenvolver carcinoma basocelular: 

    • Exposição solar intensa ou cumulativa, principalmente ao longo da vida; 
    • Pele clara, olhos claros, cabelos claros; 
    • Histórico pessoal ou familiar de câncer de pele; 
    • Uso frequente de câmaras de bronzeamento UV (que hoje são proibidas no Brasil); 
    • Ter muitas pintas, sinais ou sardas; 
    • Estar acima dos 40 anos; 
    • Cicatrizes antigas ou áreas da pele previamente lesionadas. 

    Sinais e sintomas: como identificar 

    O carcinoma basocelular costuma se manifestar como: 

    Lesões típicas 

    • Pérolas na pele: pequenas elevações brilhantes, translúcidas ou rosadas; 
    • Feridas que não cicatrizam, durando mais de 4 semanas; 
    • Lesões que sangram facilmente; 
    • Manchas rosadas ou avermelhadas que descamam; 
    • Pequenos nódulos com vasinhos visíveis (telangiectasias); 
    • Lesões enegrecidas que podem ser confundidas com pintas, mas que mudam com o tempo. 

    O carcinoma basocelular costuma aparecer principalmente em áreas expostas ao sol, como: 

    • Rosto; 
    • Nariz; 
    • Orelhas; 
    • Pescoço; 
    • Couro cabeludo careca; 
    • Ombros; 
    • Dorso das mãos. 

    É comum que a pessoa não sinta dor, por isso muitos adiam a busca por ajuda. 

    Diagnóstico 

    O diagnóstico é feito por avaliação dermatológica e confirmado por biópsia. 

    O dermatoscópio, aparelho usado pelo dermatologista, ajuda a identificar padrões característicos da lesão. Em alguns casos, exames de imagem podem ser usados para lesões maiores ou mais profundas. 

    Tratamento 

    O tratamento depende do tamanho, da localização e do tipo histológico do tumor. As opções são: 

    Cirurgia (a mais comum e eficaz) 

    • Excisão cirúrgica: remove o tumor com margem de segurança. 
    • Cirurgia de Mohs: técnica mais precisa, indicada para áreas nobres do rosto, recidivas ou tumores agressivos. 

    Tratamentos não cirúrgicos 

    • Curetagem e eletrocoagulação (casos pequenos); 
    • Crioterapia (congelamento); 
    • Terapia fotodinâmica; 
    • Cremes imunomoduladores (como imiquimode) em lesões muito superficiais; 
    • Radioterapia para casos específicos. 

    Com diagnóstico precoce, o índice de cura é superior a 95%. 

    Prevenção: o que realmente funciona 

    Proteção solar diária 

    • Use protetor com FPS 30 ou mais; 
    • Reaplique a cada 2 horas; 
    • Evite sol das 10h às 16h. 

    Hábitos que reduzem o risco 

    • Use chapéu, óculos escuros e roupas com proteção UV; 
    • Faça autoexame da pele; 
    • Consulte um dermatologista ao menos 1 vez ao ano. 

    Pessoas com risco elevado 

    Devem ter acompanhamento mais frequente, especialmente quem já teve câncer de pele. 

    Expectativa e qualidade de vida 

    A maior parte das pessoas com carcinoma basocelular tem excelente resultado quando trata precocemente. O risco aumenta apenas quando a lesão é ignorada por meses ou anos. 

    Com seguimento certo, exames regulares e proteção solar contínua, a chance de complicações é mínima. 

    Confira: Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)

    Perguntas frequentes sobre carcinoma basocelular 

    1. Carcinoma basocelular é câncer? 

    Sim, é um tipo de câncer de pele. É o mais comum e o menos agressivo, mas precisa de tratamento. 

    2. Ele se espalha para outros órgãos? 

    É extremamente raro. O risco maior é destruição local se não for tratado. 

    3. Toda ferida que não cicatriza pode ser câncer? 

    Não sempre, mas é um sinal de alerta. Deve ser avaliada por um dermatologista. 

    4. Protetor solar realmente previne câncer de pele? 

    Sim. Reduz significativamente o risco de carcinoma basocelular e outras lesões causadas pelo sol. 

    5. Quem já teve carcinoma basocelular pode ter de novo? 

    Sim. O risco é maior após o primeiro diagnóstico. Por isso o acompanhamento anual é tão importante. 

    6. É preciso fazer quimioterapia? 

    Quase nunca. O tratamento costuma ser local, principalmente cirúrgico. 

    7. Lesões pequenas podem ser graves? 

    Podem crescer e invadir estruturas vizinhas com o tempo. Mesmo lesões pequenas devem ser tratadas. 

    Veja mais: Câncer agressivo: o que significa e quais fatores determinam

  • Câncer agressivo: o que significa e quais fatores determinam

    Câncer agressivo: o que significa e quais fatores determinam

    Quando o assunto é câncer agressivo, é comum associar o termo a uma sentença definitiva — algo que não pode ser controlado. No entanto, na medicina, a expressão tem um significado mais técnico e precisa ser entendida com calma.

    O termo “agressivo” não quer dizer, necessariamente, que o câncer não tem tratamento, mas sim que apresenta um comportamento biológico mais rápido e imprevisível do que outros tipos.

    Para entender como ele é caracterizado e quais fatores determinam esse perfil, conversamos com o oncologista Thiago Chadid. Confira!

    O que define um “câncer agressivo”?

    Na oncologia, dizer que um câncer é “agressivo” significa que o tumor cresce rápido e se espalha com facilidade, de acordo com Thiago. Em termos simples, as células cancerígenas se dividem e se espalham rapidamente, invadindo tecidos vizinhos e, em alguns casos, alcançando outras partes do corpo (metástase) em menos tempo do que o esperado.

    A agressividade está relacionada à biologia do tumor, que pode variar bastante de um paciente para outro. Alguns tumores crescem de forma lenta, permanecendo localizados por meses ou anos, enquanto outros apresentam comportamento acelerado, mesmo em estágios iniciais.

    A análise da agressividade é feita por meio de exames histopatológicos e moleculares, que permitem observar características como:

    • Taxa de proliferação celular (Índice Ki-67): o Ki-67 é uma proteína presente em células de divisão. Um índice Ki-67 elevado indica que as células estão se multiplicando rapidamente, o que normalmente está associado a tumores mais agressivos;
    • Grau histológico: avalia o quanto as células cancerosas se diferenciam das células normais do tecido de origem. Um grau baixo (bem diferenciado) aponta que as células se parecem mais com as normais e o tumor tende a ser menos agressivo. Já um grau alto (pouco ou indiferenciado) indica que células são muito anormais e o tumor tende a ser mais agressivo;
    • Presença de mutações genéticas: análises moleculares identificam alterações no DNA que podem conferir ao tumor características de maior agressividade, como um crescimento acelerado ou resistência a certos tratamentos;
    • Marcadores tumorais específicos: incluem proteínas ou outras substâncias que podem ser medidas e que fornecem informações prognósticas (como o futuro da doença) e preditivas (como o tumor responderá a um tratamento específico). Exemplos incluem os receptores hormonais (como estrogênio e progesterona) e o HER2 no câncer de mama, que influenciam diretamente o plano de tratamento.

    Thiago ainda ressalta que agressividade é diferente de estágio. Um tumor pode ser biologicamente agressivo e, mesmo assim, ter ótimo prognóstico se for diagnosticado em fase inicial. Por outro lado, um tumor com baixo grau de agressividade pode ter prognóstico ruim caso seja diagnosticado em estágio avançado, com metástase ou invasão extensa.

    A agressividade está ligada ao tamanho do tumor?

    A agressividade nem sempre está associada ao tamanho do tumor, afinal um pequeno pode ser altamente agressivo, enquanto outro, grande, pode crescer lentamente e não apresentar risco imediato de metástase.

    O tamanho do tumor é apenas um dos critérios avaliados no estadiamento do câncer. O que realmente define a agressividade é o comportamento biológico — isto é, como as células se multiplicam, interagem e resistem ao tratamento.

    Vamos a um exemplo:

    • Um câncer de mama triplo negativo tende a ser mais agressivo, mesmo que detectado em tamanho reduzido;
    • Já alguns cânceres de próstata podem permanecer indolentes (sem sintomas e com crescimento lento) por anos, sem necessidade de intervenção imediata.

    Portanto, a avaliação da agressividade depende de uma combinação de fatores clínicos, laboratoriais e genéticos, e não apenas das dimensões do tumor.

    Quais tipos de câncer são considerados mais agressivos?

    Cada tipo de câncer tem suas particularidades, e até dentro de uma mesma categoria há variações no comportamento. Alguns evoluem devagar e permanecem controlados por muito tempo, enquanto outros se desenvolvem de forma acelerada e tendem a se espalhar com mais facilidade.

    Entre os que costumam ter uma progressão mais rápida e maior risco de metástase, é possível apontar:

    • Câncer de pâncreas: costuma ser diagnosticado tardiamente, pois no início provoca poucos sintomas. É um dos tumores com maior capacidade de invadir tecidos vizinhos e de formar metástases precoces;
    • Câncer de pulmão de pequenas células: apresenta multiplicação acelerada das células e alto risco de se espalhar para outros órgãos logo nas fases iniciais, exigindo tratamento intensivo;
    • Câncer de fígado (hepatocarcinoma): tende a evoluir de forma rápida, especialmente em pessoas com doenças hepáticas crônicas, como cirrose ou hepatite viral;
    • Câncer de mama triplo negativo: por não ter receptores hormonais nem a proteína HER2, responde menos a terapias específicas e costuma crescer de forma mais veloz, exigindo quimioterapia como base do tratamento;
    • Leucemias agudas: provocam uma produção descontrolada de células imaturas na medula óssea, comprometendo rapidamente a formação normal do sangue e exigindo início imediato do tratamento;
    • Glioblastoma multiforme: é um tumor cerebral de crescimento rápido, com alto risco de reaparecimento mesmo após cirurgia e tratamento complementar.

    Um câncer agressivo é sinônimo de incurável?

    O diagnóstico de um câncer agressivo não significa ausência de cura. Na prática, ele indica apenas que o tumor cresce e se espalha mais rápido, exigindo um tratamento ágil e bem direcionado. Isso não elimina as chances de controle ou cura, apenas torna o acompanhamento mais intenso.

    Com o avanço da medicina oncológica, existem diversas formas eficazes de combater tumores agressivos, de acordo com o tipo e o estágio da doença, como:

    • Quimioterapia combinada: utiliza diferentes medicamentos para atingir as células cancerígenas em várias fases do ciclo celular, ajudando a desacelerar ou interromper sua multiplicação. É uma das principais estratégias para tumores de crescimento rápido;
    • Terapias-alvo: agem de forma precisa sobre mutações específicas que alimentam o crescimento do tumor, bloqueando os mecanismos que permitem que ele se desenvolva e se espalhe;
    • Imunoterapia: estimula e fortalece o sistema imunológico do paciente, permitindo que o próprio corpo reconheça e destrua as células cancerígenas de forma mais eficiente;
    • Radioterapia: utiliza doses controladas de radiação para destruir células tumorais em áreas localizadas, reduzindo o risco de recidiva. Pode ser usada antes ou depois da cirurgia, ou associada a outros tratamentos;
    • Cirurgia oncológica: busca remover completamente o tumor e os tecidos afetados, quando isso é possível e seguro. Ela costuma ser combinada a outras terapias para garantir melhor resultado e prevenir o retorno da doença.

    Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento contínuo, mesmo um câncer classificado como agressivo pode ser controlado e ter um bom prognóstico.

    Como saber se o câncer está avançando rapidamente?

    Os sintomas variam conforme o tipo de câncer, mas alguns sinais podem indicar avanço rápido:

    • Crescimento visível de nódulos ou massas;
    • Dor persistente e de difícil controle;
    • Perda de peso involuntária;
    • Cansaço extremo;
    • Febre sem causa aparente;
    • Alterações em exames de sangue ou imagem em curto intervalo.

    Os indícios não confirmam sozinhos a agressividade, mas exigem avaliação médica imediata.

    O papel do diagnóstico precoce

    Independentemente do tipo ou da agressividade do câncer, o diagnóstico precoce é o fator que mais influencia no sucesso do tratamento. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controle e de cura.

    Manter os exames em dia, observar sintomas que persistem e conhecer o histórico familiar são atitudes que fazem diferença. Programas de rastreamento, como mamografia, exame de próstata, colonoscopia e Papanicolau, permitem detectar alterações ainda no início, antes que se tornem invasivas ou causem sintomas.

    Por isso, mantenha sempre os exames de rotina em dia e procure atendimento médico ao notar qualquer alteração no corpo que persista por mais de algumas semanas. Pequenas mudanças, como um nódulo, sangramento inesperado, perda de peso sem explicação ou dor contínua, devem ser investigadas.

    Leia também: Quais os principais fatores de risco para câncer?

    Perguntas frequentes

    Câncer agressivo é o mesmo que câncer avançado?

    Não! O termo “agressivo” se refere à velocidade com que o tumor cresce e se multiplica, enquanto “avançado” indica o estágio da doença, ou seja, o quanto ela se espalhou.

    Um câncer pode ser agressivo, mas estar em fase inicial, da mesma forma que um câncer de crescimento lento pode ser descoberto em estágio avançado. Assim, os dois conceitos são diferentes e exigem abordagens distintas.

    Todo câncer agressivo forma metástase?

    Nem sempre. Na verdade, apesar do câncer agressivo ter maior potencial para se espalhar, nem todos desenvolvem metástases — e isso depende da biologia do tumor, do tempo até o diagnóstico e da resposta ao tratamento.

    Quando a doença é identificada precocemente, é possível conter o avanço e evitar que as células afetem outros órgãos.

    Qual é a diferença entre prevenção e rastreamento do câncer?

    A prevenção significa adotar medidas para reduzir o risco de desenvolver a doença, como não fumar, manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas regularmente. Já o rastreamento consiste em realizar exames regulares em pessoas sem sintomas, com o objetivo de detectar o câncer em fases iniciais.

    Enquanto a prevenção atua para evitar o aparecimento da doença, o rastreamento possibilita o diagnóstico precoce, quando as chances de cura são muito maiores.

    É verdade que o câncer pode voltar depois de tratado?

    Sim, e isso é chamado de recidiva. Pode acontecer meses ou anos após o tratamento, dependendo do tipo de câncer, do estágio inicial e da resposta ao tratamento. Essa é uma das razões de que, mesmo após o fim do tratamento, o paciente deve manter um acompanhamento regular com um especialista.

    O que posso fazer hoje para reduzir meu risco de câncer no futuro?

    Adotar hábitos saudáveis no dia a dia é uma das melhores maneiras de prevenir o câncer e outras condições crônicas. Isso envolve medidas como:

    • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
    • Manter uma alimentação rica em frutas, legumes e grãos integrais;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Proteger-se do sol e usar sempre filtro solar;
    • Manter o peso adequado;
    • Realizar exames preventivos de acordo com a idade e o histórico de saúde, como mamografia e papanicolau;
    • Evitar a exposição a agentes cancerígenos no trabalho;
    • Manter o calendário vacinal atualizado.

    Os cuidados ajudam a reduzir significativamente o risco de desenvolver câncer, fortalecem o organismo e contribuem para uma vida mais saudável e equilibrada.

    Confira: Câncer de próstata: veja por que você precisa ficar de olho

  • Câncer de próstata: veja por que você precisa ficar de olho

    Câncer de próstata: veja por que você precisa ficar de olho

    Sendo o segundo tumor mais comum em homens no Brasil, atrás somente do câncer de pele não melanoma, o câncer de próstata costuma surgir de forma silenciosa, sem causar sintomas nas fases iniciais. Por crescer mais lentamente, ele tende a passar despercebido ao longos dos anos — e, em muitos casos, o diagnóstico só é feito durante exames de rotina

    Quando é identificado ainda no início, o tratamento tende a ser menos agressivo e apresenta altas taxas de sucesso, evitando complicações e preservando a qualidade de vida. Entenda mais, a seguir.

    O que é câncer de próstata e como se desenvolve?

    O câncer de próstata é um tumor maligno que se origina nas células da glândula prostática, situada logo abaixo da bexiga e responsável por produzir parte do fluido seminal. A doença costuma surgir a partir de alterações genéticas que fazem as células prostáticas perderem o controle sobre o próprio ciclo de vida: deixam de morrer no ritmo esperado, passam a se multiplicar sem limite e formam um tumor.

    Na maior parte dos casos, o crescimento acontece de forma lenta e silenciosa, e muitos homens sequer apresentam sintomas ao longo dos anos.

    O processo normalmente começa com lesões microscópicas, chamadas de neoplasias intraepiteliais, que podem evoluir ao longo de anos até virar um tumor detectável. Durante a progressão, alterações no DNA das células vão se acumulando, favorecendo a expansão do tecido doente.

    O que causa câncer na próstata?

    As causas do câncer de próstata não são únicas ou conhecidas, mas a doença apresenta alguns fatores de risco importantes, como:

    • Idade: com o passar do tempo, o organismo acumula mutações naturais, e a capacidade de reparar danos no DNA diminui, favorecendo o surgimento de células malignas. Por isso, o risco de câncer de próstata cresce de maneira expressiva após os 50 anos;
    • Histórico familiar: homens com parentes de primeiro grau que tiveram a doença, como pai ou irmão, apresentam risco maior de desenvolver câncer de próstata
    • Sobrepeso e obesidade: o excesso de gordura corporal favorece inflamação crônica e alterações metabólicas que podem aumentar a probabilidade de tumores mais agressivos, além de dificultar a detecção em fases iniciais;
    • Tabagismo: substâncias tóxicas presentes no cigarro estão associadas a maior risco de neoplasias em geral, incluindo tumores prostáticos mais avançados;
    • Alimentação rica em gorduras saturadas: consumo frequente de carnes gordurosas, frituras e ultraprocessados pode contribuir para inflamação sistêmica e acúmulo de danos celulares;
    • Exposição ocupacional a substâncias químicas: contato prolongado com derivados do petróleo, pesticidas e compostos industriais pode elevar o risco em alguns grupos profissionais.

    Segundo o oncologista Thiago Chadid, com o passar dos anos, com a queda progressiva da testosterona e o envelhecimento natural do organismo, a próstata costuma aumentar de tamanho, o que é algo normal.

    As células podem apenas aumentar e se multiplicar sem mutações (quadro de hiperplasia benigna) ou podem sofrer mutações durante o envelhecimento, originando o adenocarcinoma (câncer de próstata).

    Sintomas de câncer de próstata

    Na fase inicial, o câncer de próstata tem uma evolução silenciosa e, na maioria dos casos, não apresenta sintomas. Quando isso acontece, o Ministério da Saúde aponta que podem surgir sinais semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (hiperplasia benigna prostática), como:

    • Dificuldade de urinar;
    • Demora em começar e terminar de urinar;
    • Sangue na urina;
    • Diminuição do jato de urina;
    • Necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

    Na fase avançada, o tumor pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.

    Como é feito o diagnóstico de câncer de próstata?

    O diagnóstico é feito por um médico urologista a partir de uma avaliação clínica e exames clínicos, laboratoriais e de imagem. O médico inicia pela análise de sintomas, histórico familiar, idade e fatores de risco. A partir daí, ele solicita exames capazes de identificar alterações na glândula mesmo antes do aparecimento de sinais clínicos, como:

    • PSA: exame de sangue que mede o antígeno prostático específico, proteína produzida pela próstata que pode subir diante de inflamação, hiperplasia benigna ou tumor;
    • Ultrassom de próstata: exame utilizado para avaliar tamanho, textura e possíveis áreas suspeitas, além de servir como guia para procedimentos complementares;
    • Toque retal: exame clínico que permite avaliar consistência, presença de nódulos ou regiões endurecidas incompatíveis com padrão normal.

    Para confirmar o câncer de próstata é preciso fazer uma biópsia prostática, em que pequenos fragmentos de tecido são retirados da glândula com auxílio de agulhas finas guiadas por ultrassom ou ressonância magnética, para serem analisados em laboratório. A biópsia é indicada caso seja encontrada alguma alteração no exame de PSA ou no toque retal.

    A partir de que idade os exames de rastreamento são indicados?

    O acompanhamento preventivo normalmente começa entre 50 e 55 anos, período em que o risco de alterações prostáticas aumenta de forma significativa. Contudo, homens com maior vulnerabilidade, como aqueles com histórico familiar de câncer de próstata ou homens negros, devem iniciar a avaliação mais cedo, por volta dos 45 anos, conforme orientação da Sociedade Brasileira de Urologia.

    Em situações específicas, quando o histórico familiar é muito forte ou há suspeita de predisposição genética, o urologista pode sugerir início ainda mais precoce, próximo dos 40 anos, sempre após avaliação individualizada.

    O rastreamento costuma envolver PSA e, quando indicado, ultrassonografia de próstata ou toque retal, mas a decisão final sobre quais exames realizar e com que frequência deve ser tomada em conjunto com o médico, considerando riscos, benefícios e perfil clínico de cada paciente.

    Importante: o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendam o rastreamento do câncer de próstata em homens sem sinais ou sintomas. A decisão sobre investigar ou não deve ser tomada após compreender riscos e benefícios, sempre em diálogo com um profissional de saúde de confiança.

    O rastreamento é anual?

    De acordo com Thiago, o intervalo anual costuma ser suficiente para identificar alterações, porque mais de 90% dos tumores crescem de forma lenta. Existem exceções, pois tumores muito agressivos podem evoluir mais rápido, mas são raros.

    Mesmo assim, o homem deve ficar atento a sinais como sangue na urina, jato fraco, esforço para iniciar a micção, sensação de bexiga cheia após urinar e dor ao urinar ou evacuar. Quando os sintomas aparecem, é importante procurar o médico logo.

    Grau de agressividade: como funciona a escala de Gleason?

    A escala de Gleason é um sistema usado para medir a agressividade do câncer de próstata. O patologista analisa o tumor no microscópio, identifica dois padrões de crescimento celular e atribui notas de 1 a 5 para cada padrão. A soma gera o escore final, que varia de 2 a 10: quanto maior o valor, mais agressivo costuma ser o tumor.

    De acordo com Thiago Chadid, o câncer de próstata tem diferentes graus de agressividade — e a escala de Gleason é fundamental para distinguir esses padrões. Quando o tumor é bem diferenciado, as células ainda se parecem com o tecido normal, então ele recebe notas mais baixas na escala de Gleason, geralmente até 6 ou 7, e tende a crescer mais devagar.

    Quando é pouco diferenciado ou indiferenciado, as células perdem quase totalmente o padrão normal, crescem mais rápido e costumam ter Gleason 9 ou 10. Notas 7 e 8 representam uma faixa intermediária.

    A classificação importa porque se relaciona ao comportamento do PSA. A hiperplasia prostática benigna, por exemplo, costuma elevar bastante o PSA, que normalmente fica entre 2 e 4 ng/mL. Assim, quando um homem de 60 ou 70 anos apresenta PSA de 6, 8 ou 10, é preciso investigar se o motivo é benigno ou maligno. Tumores bem diferenciados (que costumam ser menos agressivos) podem produzir bastante PSA, o que ajuda a diferenciar alterações benignas de malignas.

    Já os tumores mais agressivos, os indiferenciados, muitas vezes não produzem PSA e podem aparecer com valores muito baixos, até próximos de zero. Nesses casos, o exame de toque retal é fundamental e permite detectar tumores agressivos que não elevam PSA e crescem de forma silenciosa.

    Como é feito o tratamento de câncer de próstata?

    O tratamento do câncer de próstata é definido de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença, o grau de agressividade pela escala de Gleason e o estado geral de saúde do paciente. A idade também pesa na escolha, segundo Thiago, porque o câncer se comporta de formas diferentes ao longo da vida, assim como a expectativa de vida e a capacidade de lidar com efeitos colaterais.

    Entre as abordagens utilizadas, orientadas pelo médico, é possível destacar:

    • Cirurgia (prostatectomia radical): é indicada principalmente para pacientes jovens ou para tumores de alto risco. É um procedimento eficaz, mas pode deixar sequelas como disfunção erétil e incontinência urinária, ainda mais quando o tumor já ocupa área extensa da glândula;
    • Radioterapia: funciona como alternativa menos invasiva, mas pode causar inflamações crônicas da bexiga e do reto. Após radioterapia, não é possível operar a região, pois os tecidos ficam endurecidos e perdem elasticidade, dificultando intervenções no futuro;
    • Bloqueio hormonal (castração química): é o tratamento inicial padrão para tumores avançados, e reduz drasticamente a testosterona, o que desacelera o tumor. A queda hormonal provoca sintomas semelhantes aos da menopausa: calor (fogachos), pele seca, instabilidade de humor, alterações intestinais e boca seca. Há também a opção de orquiectomia, retirada cirúrgica dos testículos, mais comum no SUS;
    • Quimioterapia: é usada apenas nas linhas mais avançadas, quando a doença já ultrapassou limites locais ou não responde ao bloqueio hormonal. É uma etapa mais intensa, reservada para situações de progressão;
    • Imunoterapia: utilizada em casos selecionados, principalmente quando há alterações genéticas específicas ou quando o tumor não responde às terapias convencionais. Ela estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar células malignas, podendo ser combinada a outros tratamentos conforme avaliação médica.

    Vale lembrar que a decisão é individualizada e leva em conta vários fatores que o urologista analisa para escolher o tratamento mais seguro e adequado para cada pessoa, sempre buscando controlar a doença sem prejudicar a qualidade de vida.

    Câncer de próstata tem cura?

    Quando diagnosticado ainda no início, o câncer de próstata pode chegar a 90% de chance de cura, segundo estudos. Thiago explica que é considerado cura quando, após o tratamento, o paciente passa 5 anos sem qualquer evidência da doença. O conceito vale principalmente para tumores mais agressivos e de evolução rápida.

    Já tumores indolentes, como alguns de mama e próstata, podem voltar após 10, 15 ou até 20 anos. Por isso, nesses casos, é mais usado o termo remissão: ausência de doença ativa, mas sem tempo suficiente para afirmar cura definitiva.

    Quando procurar ajuda médica?

    Alguns sintomas exigem avaliação urgente, pois podem indicar complicações graves:

    • Febre ou sinais de infecção;
    • Tosse com secreção espessa;
    • Diarreia com sangue;
    • Vômitos com sangue;
    • Sangramento nasal ou retal em volume significativo (mais que uma colher de sopa);
    • Inchaço repentino em pernas, braços, rosto ou peito, que pode indicar trombose;
    • Dor intensa em membro inchado;
    • Palidez extrema, tontura, desmaios;
    • Boca seca e sinais de desidratação;
    • Diarreia intensa (mais de cinco episódios ao dia).

    É possível prevenir o câncer de próstata?

    A melhor forma de reduzir o risco de câncer de próstata é adotar hábitos mais saudáveis ao longo da vida, como:

    • Alimentação equilibrada: uma dieta rica em verduras, legumes, frutas, grãos integrais e peixes ajuda a reduzir inflamações e proteger as células da próstata. O consumo de carnes vermelhas gordurosas, frituras e ultraprocessados deve ser limitado, pois favorecem ganho de peso e piora metabólica;
    • Manutenção do peso adequado: o sobrepeso e obesidade aumentam o risco de tumores mais agressivos. Controlar peso por meio de alimentação balanceada e atividade física regular, além de reduzir o risco, também contribui para melhorar a saúde em geral;
    • Atividade física regular: praticar exercícios ao menos 150 minutos por semana melhora a imunidade, reduz inflamação, ajuda no controle hormonal e contribui para o equilíbrio metabólico, fatores que influenciam diretamente o risco de câncer;
    • Evitar tabagismo: o cigarro está associado a tumores mais agressivos e maior mortalidade. Parar de fumar reduz risco de várias doenças e melhora o prognóstico mesmo em quem já recebeu diagnóstico de câncer;
    • Redução de álcool em excesso: consumo exagerado pode aumentar inflamação e favorecer alterações celulares;
    • Atenção ao histórico familiar: homens com familiares de primeiro grau diagnosticados devem iniciar acompanhamento mais cedo, por volta dos 45 anos, ou ainda antes em situações específicas;
    • Controle de comorbidades: hipertensão, diabetes e colesterol elevado contribuem para inflamação crônica, que pode influenciar a saúde da próstata. Tratar essas condições ajuda a reduzir riscos.

    Acompanhamento médico individualizado: a avaliação com o médico de confiança é importante para decidir quando e como investigar, considerando idade, histórico familiar e fatores de risco. Em alguns casos, PSA e toque retal são indicados após decisão compartilhada;

    Evitar sedentarismo e rotina estressante sem controle: o estresse crônico pode impactar hormônios e sistema imunológico. Técnicas de relaxamento, sono adequado e equilíbrio entre trabalho e descanso contribuem para saúde global.

    Leia também: Câncer: quais os principais fatores de risco?

    Perguntas frequentes

    1. Homens com câncer de próstata podem ter relações sexuais?

    Homens com câncer de próstata podem ter relações sexuais, pois a próstata não é responsável pela ereção. Contudo, durante o tratamento, dependendo da resposta de cada pessoa, ele pode apresentar alguns problemas, como na ereção ou na libido.

    Por isso, é importante que o paciente converse abortamento com o médico para encontrar maneiras de lidar com a situação e adaptar a vida sexual — o que inclui focar em mais intimidade e comunicação, e explorar tratamentos auxiliares para a disfunção erétil. Em alguns casos, o homem recupera a função sexual ao longo do tempo.

    2. A atividade física reduz a chance de desenvolver câncer de próstata?

    A prática regular de exercícios fortalece o sistema imune, melhora a circulação, reduz a inflamação e ajuda no equilíbrio hormonal, aspectos importantes para manter a próstata saudável.

    Além disso, ela previne obesidade e melhora a composição corporal, fatores ligados a tumores mais agressivos. Atividades como caminhadas, musculação, natação, ciclismo e pilates já trazem benefícios quando realizados ao menos 150 minutos por semana.

    3. Beber álcool em excesso prejudica a próstata?

    O consumo excessivo de álcool está ligado a inflamação crônica e pior funcionamento do sistema imune. As bebidas alcoólicas também favorecem ganho de peso, piora metabólica e aumento de gordura abdominal, fatores que agravam risco de alterações prostáticas.

    4. O que é próstata?

    A próstata é uma glândula localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. Ela tem tamanho semelhante ao de uma noz e produz parte do líquido que compõe o sêmen, ajudando na proteção e no transporte dos espermatozoides. Com o avanço da idade, tende a aumentar de volume, o que pode causar sintomas urinários.

    5. O câncer de próstata é comum?

    O câncer de próstata é um dos tumores mais frequentes em homens, sobretudo após os 50 anos, sendo o segundo mais comum em homens no Brasil. O risco aumenta com o envelhecimento, histórico familiar e algumas condições metabólicas. A maioria cresce de forma lenta, mas há tumores agressivos que exigem diagnóstico precoce.

    6. Além do câncer de próstata, quais outros problemas podem acometer a próstata?

    A próstata pode apresentar diversos problemas ao longo da vida. A hiperplasia prostática benigna, por exemplo, causa aumento da glândula e sintomas como jato fraco, dificuldade para urinar e sensação de esvaziamento incompleto.

    Também podem ocorrer inflamações, como prostatites bacterianas ou não bacterianas, que provocam dor pélvica, desconforto ao urinar e febre em alguns casos.

    7. Quando a avaliação com urologista deve começar?

    Para homens sem fatores de risco, a discussão sobre exames costuma começar entre 50 e 55 anos. Para quem tem histórico familiar de primeiro grau ou pertence a grupos com maior risco, o acompanhamento inicia por volta de 45 anos. A decisão de realizar PSA ou toque retal é tomada após conversa sobre riscos e benefícios, sempre de forma individualizada.

    Veja mais: Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)

  • Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)

    Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)

    Nos últimos anos, pesquisas em universidades e centros científicos ao redor do mundo têm mostrado resultados animadores no desenvolvimento de vacina contra câncer. Diferente das vacinas convencionais, que atuam prevenindo infecções ao expor o corpo a fragmentos ou versões enfraquecidas de vírus e bactérias, essas novas terapias são criadas para tratar tumores já existentes ou evitar que a doença volte — usando as próprias células do paciente para ativar o sistema imunológico e fazer com que ele reconheça e combata o câncer.

    O oncologista Thiago Chadid explica que o processo é bastante complexo: o sangue do paciente é coletado, as células tumorais são isoladas e os cientistas identificam nelas marcadores genéticos específicos. A partir disso, é criado um vetor viral (um vírus modificado em laboratório) que carrega essa informação genética.

    O vírus é injetado em células do próprio paciente, modificando o DNA delas para que o sistema imunológico aprenda a reconhecer e combater o tumor. Depois, essas células modificadas são reintroduzidas no corpo — e é isso que chamamos de vacina personalizada.

    Como uma vacina funciona normalmente?

    As vacinas tradicionais funcionam apresentando ao corpo uma amostra inofensiva do agente causador da doença (seja um fragmento de vírus, bactéria ou proteína), estimulando o sistema imunológico a produzir uma resposta de defesa. Ele cria uma memória imunológica — de modo que o corpo aprende a reconhecer o invasor e reage rapidamente se ele aparecer de novo.

    No caso da vacina contra câncer, a ideia é semelhante, mas em vez de vírus ou bactérias, ela ensina o corpo a atacar células tumorais. O imunizante pode conter neoantígenos, moléculas específicas que aparecem nas células cancerígenas, mas não nas saudáveis. Assim, o sistema imune aprende a identificá-las como ameaças e a destruí-las.

    A seguir, veja algumas das vacinas que estão em desenvolvimento e sendo testadas em estudos clínicos e experimentais.

    Vacina universal do câncer

    Um dos avanços recentes mais notáveis decorre do conceito de uma vacina universal contra o câncer. Em 2024, pesquisadores publicaram na revista Nature Biomedical Engineering um estudo mostrando uma vacina experimental baseada em RNA mensageiro (mRNA) que, quando combinada com imunoterapia, eliminou tumores resistentes em ratos.

    A proposta, no geral, é criar um imunizante que funcione contra diferentes tipos de tumores, usando o mesmo princípio das vacinas de Covid-19. O mRNA carrega instruções genéticas que fazem as células do corpo produzirem proteínas que simulam o comportamento do tumor. Isso desperta o sistema imunológico, que aprende a reconhecer e atacar essas proteínas anormais.

    Nos testes, a vacina aumentou a eficácia da imunoterapia e conseguiu eliminar completamente tumores que até então não respondiam a tratamentos convencionais. Apesar de ainda estar em fase experimental, a pesquisa abre caminho para uma geração de vacinas que podem tratar múltiplos tipos de câncer com um único mecanismo molecular.

    Vacina bacteriana para câncer colorretal avançado e melanoma

    Cientistas da Universidade Columbia criaram uma vacina composta por bactérias probióticas geneticamente modificadas que educam o sistema imunológico a destruir células cancerígenas.

    Segundo o estudo, publicado na revista Nature, as bactérias foram programadas para produzir neoantígenos tumorais, fazendo com que o sistema imune ataque as células com essas proteínas — e poupe as células normais. Em modelos de ratos com câncer colorretal avançado e melanoma, a vacina eliminou o crescimento dos tumores e impediu metástases, mantendo as áreas saudáveis intactas.

    O mais interessante é que a vacina usa o comportamento natural das bactérias, que migram e se instalam dentro dos tumores, onde há menos oxigênio. Isso permite uma resposta imunológica direta no coração do tumor.

    De acordo com o pesquisador Nicholas Arpaia, da Columbia, a terapia foi projetada para ser segura e personalizada: as bactérias são rapidamente eliminadas se não encontrarem o tumor, reduzindo o risco de efeitos adversos. Agora, o próximo passo será testar a técnica em humanos.

    Vacina contra o câncer de pele

    Chamada de mRNA-4157 (V940), a vacina contra o câncer de pele está sendo desenvolvida pela Moderna em parceria com a MSD (Merck). O imunizante, feito com a tecnologia de RNA mensageiro, está sendo testado em pacientes com melanoma avançado.

    Nos estudos de fase 2, a vacina combinada com o medicamento Keytruda (pembrolizumabe), uma imunoterapia amplamente usada, reduziu em 44% o risco de recidiva ou morte em comparação com o tratamento isolado.

    Cada dose é feita sob medida, com base nas mutações específicas encontradas no tumor do paciente. Ela induz o corpo a reconhecer essas mutações e a eliminar células que as contenham.

    Vacina contra o câncer de pâncreas

    O Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK) está testando uma vacina de mRNA para tratar o câncer de pâncreas. O imunizante é feito de forma personalizada, com base nas características de cada paciente — e tem como objetivo reduzir o risco de o câncer voltar após a cirurgia para remover o tumor.

    Os resultados do ensaio clínico de fase 1, publicados na revista Nature, indicam que a vacina terapêutica contra o câncer foi capaz de ativar células imunológicas específicas do tumor, que permaneceram ativas no organismo por quase quatro anos em alguns pacientes.

    Além disso, aqueles que apresentaram resposta imune à vacina tiveram menor risco de recidiva após três anos de acompanhamento, em comparação com os que não responderam ao tratamento. Se comprovada, a abordagem pode aumentar significativamente a sobrevida de pacientes com câncer pancreático em estágios iniciais.

    Vacina contra o câncer de cabeça e pescoço

    Outro estudo liderado pelo MSK está testando uma vacina terapêutica para cânceres de cabeça e pescoço causados pelo HPV. Os tumores se originam de uma infecção viral, o que torna a vacina especialmente estratégica.

    O imunizante é baseado em proteínas virais expressas nas células infectadas que se tornam cancerígenas. A ideia é ensinar o sistema imune a reconhecer essas proteínas e eliminá-las, destruindo as células doentes.

    No futuro, essa vacina do câncer pode complementar o papel preventivo da vacina contra HPV, agindo como uma forma de tratamento para quem já desenvolveu o câncer. Os ensaios clínicos iniciais mostram respostas imunes positivas e segurança adequada, o que reforça o potencial da abordagem.

    Vacina personalizada contra câncer de intestino

    Em junho de 2024, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) iniciou os primeiros testes com vacinas personalizadas contra o câncer de intestino, também utilizando a tecnologia do mRNA.

    O processo começa com a análise genética do tumor de cada paciente. A partir daí, os cientistas identificam mutações exclusivas e criam uma vacina sob medida. Cada imunizante é único, fabricado de acordo com o “perfil genético” do câncer daquela pessoa.

    O primeiro paciente a receber a vacina foi Elliot Pfebve, de 55 anos, em um hospital na cidade de Birmingham. A expectativa é que a tecnologia reduza as chances de o câncer voltar após cirurgia ou tratamento convencional.

    Vacina contra o câncer renal

    Pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, ligado à Harvard Medical School, divulgaram resultados iniciais de uma vacina personalizada para câncer renal em estágio III e IV.

    O estudo, publicado na Nature, incluiu nove pacientes com carcinoma renal de células claras, todos com alto risco de recorrência. A vacina foi administrada após cirurgia, com o objetivo de eliminar células tumorais remanescentes.

    Todos os pacientes permaneceram sem sinais de câncer por mais de 40 meses após o tratamento. A vacina foi feita com base em neoantígenos extraídos do próprio tumor, permitindo que o sistema imunológico reconhecesse e destruísse células com a mesma assinatura genética.

    Terapias combinadas contra o câncer

    Nos últimos anos, pesquisadores têm avançado não apenas na criação de novas vacinas terapêuticas contra o câncer, mas também na forma de potencializá-las por meio de terapias combinadas.

    Uma vacina sozinha pode não ser suficiente para conter o crescimento tumoral, especialmente em casos de câncer avançado. À medida que os tumores se desenvolvem, eles passam a produzir moléculas que inibem ativamente o sistema imunológico, bloqueando a ação das células de defesa.

    Por isso, cientistas têm apostado em combinar vacinas com imunoterapias, como os inibidores de ponto de controle imunológico — medicamentos que “liberam os freios” do sistema de defesa. Remédios como o Keytruda (pembrolizumabe) atuam impedindo que as células tumorais se escondam, permitindo que o sistema imunológico as ataque com mais força.

    Os avanços em sequenciamento genético também estão ajudando a identificar neoantígenos, proteínas anormais criadas pelas mutações das células cancerígenas. Esses alvos específicos permitem desenvolver vacinas mais precisas, capazes de estimular o sistema imune de forma direcionada e duradoura.

    Com essa combinação, o tratamento se torna mais inteligente: o corpo aprende a reconhecer, atacar e lembrar do tumor — reduzindo as chances de recidiva.

    O que esperar para os próximos anos?

    Apesar da maioria dos estudos ainda estar em fases iniciais, os resultados têm sido consistentes, seguros e cheios de potencial.

    Os próximos passos envolvem ampliar os testes clínicos em humanos e avaliar a combinação das vacinas com tecnologias de RNA mensageiro junto a tratamentos já consolidados, como a imunoterapia. A proposta é unir diferentes estratégias para aumentar a eficácia e reduzir as chances de o câncer voltar.

    Por enquanto, o oncologista Thiago Chadid explica que essa tecnologia apresenta melhores resultados em cânceres hematológicos. Nos tumores sólidos, o desafio é maior porque o tumor cria uma espécie de barreira protetora, chamada estroma, que dificulta o acesso da vacina.

    As pesquisas atuais buscam entender como romper esse “escudo”, permitindo que o tratamento atinja diretamente as células tumorais.

    Confira: Metástase: o que é, sintomas, como surge e se tem cura

    Perguntas frequentes

    O que são vacinas terapêuticas contra o câncer?

    As vacinas terapêuticas são imunizantes desenvolvidos não para prevenir o câncer, mas para tratar pacientes que já têm a doença. Elas estimulam o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células tumorais, identificando-as por meio de proteínas específicas chamadas neoantígenos — presentes apenas nas células cancerígenas. Assim, o corpo aprende a reconhecer o tumor e pode impedir que ele cresça ou volte a aparecer.

    Qual é a diferença entre vacinas preventivas e vacinas terapêuticas?

    As vacinas preventivas evitam o surgimento de um câncer causado por um agente infeccioso, como o HPV (responsável pelo câncer de colo de útero) e a hepatite B (que pode causar câncer de fígado). Já as vacinas terapêuticas são usadas em pacientes que já têm a doença, com o objetivo de ativar o sistema imune para combater o tumor ou reduzir as chances de ele retornar após o tratamento.

    O que é imunoterapia?

    A imunoterapia é um tipo de tratamento que estimula o próprio sistema imunológico a combater o câncer. Diferente da quimioterapia, que ataca diretamente as células tumorais, a imunoterapia fortalece as defesas naturais do corpo, permitindo que ele mesmo destrua as células doentes.

    Há diferentes categorias de imunoterápicos, entre elas os inibidores de ponto de verificação imunológico, que removem os mecanismos de bloqueio do sistema imunológico, permitindo uma resposta mais intensa contra as células tumorais.

    As vacinas contra o câncer podem substituir a quimioterapia ou a radioterapia?

    Não. As vacinas terapêuticas não substituem os tratamentos convencionais, mas podem complementá-los. A ideia é que sejam usadas em conjunto com terapias já estabelecidas, como imunoterapia, quimioterapia ou cirurgia, para aumentar a eficácia e reduzir o risco de recidiva.

    Apesar de ainda estarem em fase de testes para o tratamento de tumores, as vacinas personalizadas têm potencial para proporcionar uma abordagem mais precisa e eficaz, com menor risco de efeitos colaterais em comparação aos tratamentos convencionais.

    Vacinas contra o câncer podem ser usadas para prevenir a doença?

    Algumas, sim. As vacinas preventivas já são realidade e têm um papel importante na redução de certos tipos de câncer, como é o caso da vacina contra o HPV, que previne cânceres de colo do útero, ânus, garganta e pênis, e da vacina contra hepatite B, que ajuda a evitar o câncer de fígado.

    Já as vacinas terapêuticas ainda estão sendo estudadas e visam tratar o câncer já existente, não preveni-lo.

    Leia mais: Câncer: quais os principais fatores de risco?

  • Câncer: quais os principais fatores de risco?

    Câncer: quais os principais fatores de risco?

    O câncer é uma das principais causas de morte em todo o mundo: a cada ano 8,2 milhões de pessoas morrem devido à doença. Ela é resultado de uma combinação de fatores internos, como predisposição genética, condições imunológicas e alterações hormonais, e de fatores externos, como poluição, tabagismo, radiação e exposição a agentes infecciosos.

    Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% dos casos de câncer estão associados a fatores externos. Isso significa que, em grande parte, a doença está ligada a comportamentos e exposições ambientais que podem ser evitados ou controlados.

    Mas o que é um fator de risco?

    Um fator de risco é qualquer característica, exposição ou hábito que aumenta a chance de uma pessoa saudável desenvolver uma doença. Eles podem ser ambientais, hereditários ou comportamentais.

    Vale lembrar que um mesmo fator pode aumentar o risco de várias doenças ao mesmo tempo. O tabagismo e a obesidade, por exemplo, estão relacionados não apenas ao câncer, mas também a doenças cardiovasculares e respiratórias.

    Além disso, nem sempre a exposição a um fator de risco resulta em câncer imediato. Muitas vezes, os efeitos só aparecem após anos de exposição contínua, como no caso do tabaco, da radiação solar ou da poluição.

    Quais os fatores de risco do câncer?

    Poluição e exposição ambiental

    A poluição atmosférica é um dos maiores problemas da saúde pública no Brasil. Ela contém uma série de substâncias cancerígenas, como material particulado fino, óxidos de nitrogênio e compostos voláteis.

    Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) publicado na revista Environmental Research, por exemplo, apontou que uma hora de trânsito em São Paulo equivale a fumar cinco cigarros.

    Além da poluição do ar, a exposição constante a fumaça, vapores e gases tóxicos pode causar irritação nas vias respiratórias, reduzir a capacidade pulmonar e aumentar as chances de desenvolver câncer de pulmão.

    Então, mesmo pessoas que nunca fumaram, mas trabalham em ambientes de trabalho com presença de produtos químicos, poeiras industriais, metais pesados ou solventes, estão vulneráveis a danos respiratórios significativos ao longo do tempo.

    Alimentação não saudável

    De acordo com pesquisas, 60% a 70% dos casos de câncer estão diretamente relacionados ao estilo de vida — incluindo uma alimentação inadequada. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, que são ricos em açúcares, gorduras, aditivos químicos e conservantes, favorece o aumento da inflamação no organismo e o risco de mutações celulares.

    Isso porque eles passam por processos industriais que modificam suas propriedades naturais, liberando substâncias nocivas que podem comprometer a saúde intestinal e favorecer o aparecimento de tumores.

    O oncologista Thiago Chadid também destaca a dieta pobre em fibras como fator de risco, uma vez que as fibras alimentam a microbiota intestinal, que, equilibrada, atua como fator protetivo contra neoplasias. Para adultos saudáveis, a recomendação é consumir de 25 g a 30 g de fibras por dia — o equivalente a, no mínimo, cinco porções de frutas e vegetais.

    Fatores genéticos

    A herança genética é responsável por apenas 5% a 10% de todos os casos de câncer, de acordo com o Ministério da Saúde. No entanto, quando mutações genéticas específicas estão presentes em uma família, o risco pode ser muito elevado.

    As alterações podem comprometer os mecanismos naturais de reparo do DNA ou dificultar a detecção precoce de células tumorais, permitindo que mutações evoluam para câncer.

    Normalmente, casos de câncer hereditário apresentam histórico familiar de diagnósticos em diferentes gerações. Hoje, existem testes genéticos que permitem identificar mutações associadas, como os genes BRCA1 e BRCA2 no câncer de mama e ovário.

    Radiação

    A radiação faz parte do dia a dia e pode ter efeitos diferentes no corpo, dependendo do tipo e da intensidade da exposição.

    As radiações ionizantes, como os raios X e a radioatividade, são as que merecem maior atenção. Elas possuem energia suficiente para alterar o DNA das células, o que, segundo o Ministério da Saúde, eleva o risco de desenvolver câncer.

    Por outro lado, as radiações não ionizantes (como a solar) não têm a mesma capacidade de alterar os átomos – mas podem causar danos a longo prazo quando em excesso. A exposição prolongada ao sol, por exemplo, é o principal fator de risco para o câncer de pele, o tipo de câncer mais comum no Brasil e no mundo, representando cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país.

    Contaminação ambiental

    Quando ocorre uma contaminação ambiental, o ar, a água, o solo ou até os alimentos podem ser afetados por substâncias tóxicas, como metais pesados, agrotóxicos, resíduos industriais, esgoto ou radiação. Ao serem inaladas, elas podem causar danos e alterações genéticas nas células dos pulmões, facilitando o surgimento do câncer de pulmão.

    O oncologista Thiago Chadid relembrou um caso que ocorreu em Paulínia, em São Paulo, após vazamentos de refinaria, que resultaram em contaminação do solo e da água. Os moradores da região apresentaram aumento de casos de câncer hematológico e de tumores sólidos.

    Nesses casos, a exposição a poluentes ambientais é difícil de medir e muitas vezes só é detectada após anos de convivência em áreas afetadas.

    Obesidade

    De acordo com o Ministério da Saúde, o sobrepeso, obesidade e ganho de peso na fase adulta estão associados a diversos tipos de câncer, incluindo mama, próstata, rim, intestino e ovário.

    O excesso de gordura corporal provoca resistência à insulina, inflamação crônica, alteração na produção hormonal e outros processos que favorecem mutações celulares. Ele também compromete a resposta imunológica, diminuindo a capacidade do corpo de identificar e eliminar células tumorais.

    Álcool

    O álcool é classificado como uma substância cancerígena pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). O risco de desenvolver a doença aumenta conforme cresce o consumo — e não existe uma dose considerada segura. Ele está associado a diferentes tipos de câncer, como os de boca, faringe, esôfago, estômago, intestino, fígado e pulmão.

    Isso acontece porque o etanol, presente em todas as bebidas alcoólicas, é transformado no corpo em uma substância chamada acetaldeído, que é altamente tóxica e cancerígena. Ela ataca diretamente o DNA das células, causando danos e mutações que podem levar ao crescimento descontrolado de um tumor. Inclusive, Thiago ressalta que mesmo beber “socialmente” pode ser prejudicial.

    Agrotóxicos

    Os agrotóxicos são substâncias químicas, físicas ou biológicas usadas para controlar pragas, doenças e plantas daninhas em lavouras, pastagens e outros ecossistemas. Apesar do uso regulado por lei no Brasil, estudos científicos apontam que a exposição está associada a diversos tipos de câncer, como leucemia, linfoma não-Hodgkin, câncer de cérebro, de mama, de próstata e digestivo.

    De acordo com Thiago, o risco depende especialmente do tipo de substância, da forma de contato e até da fruta consumida. Frutas de casca fina, como morangos, tendem a acumular mais resíduos, enquanto as de casca grossa apresentam menor risco, por exemplo.

    Sedentarismo

    O sedentarismo favorece a obesidade, reduz a imunidade e aumenta processos inflamatórios no organismo, sendo um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de câncer.

    Desse modo, é indispensável limitar hábitos sedentários, como assistir à televisão e usar por muito tempo o celular, e adotar mais atividades físicas no dia a dia. Elas ajudam a equilibrar os hormônios, fortalecer a imunidade, melhorar o funcionamento do intestino e controlar o peso.

    A recomendação geral é de pelo menos 30 minutos de exercício moderado por dia, mas mesmo em menor tempo já traz benefícios para a saúde e para a prevenção do câncer. O mais importante é se manter ativo, escolhendo uma atividade que você goste de praticar.

    Tabagismo

    O tabagismo é a principal causa evitável de câncer no mundo. Ele está ligado a mais de 15 tipos de câncer, incluindo pulmão, boca, esôfago, estômago e bexiga.

    A fumaça do cigarro contém mais de 7 mil substâncias tóxicas, muitas delas comprovadamente cancerígenas. O tabagismo passivo também representa risco, já que não fumantes expostos à fumaça inalam as mesmas toxinas.

    Infecções

    Alguns vírus e bactérias estão diretamente associados ao câncer, como é o caso do Papilomavírus Humano (HPV), responsável por até 70% dos casos de câncer do colo do útero. Além dele, outros agentes infecciosos também representam riscos, como os vírus da hepatite B e C, associados ao câncer de fígado, e a bactéria Helicobacter pylori, ligada ao câncer de estômago.

    Nesses casos, a vacinação contra HPV e hepatite, que está disponível gratuitamente no SUS, é a medida mais eficaz de prevenção. Manter exames de rotina também é fundamental para detectar lesões precocemente.

    É possível prevenir o câncer?

    Nem todos os casos de câncer podem ser evitados, mas cerca de 60% a 70% poderiam ser prevenidos com mudanças de hábitos. Isso implica não fumar, manter o peso corporal adequado, praticar atividades físicas, ter uma alimentação equilibrada e rica em frutas e vegetais, evitar o consumo de álcool e proteger-se da exposição solar.

    Ah, e também é fundamental realizar exames de rastreamento, como mamografia, papanicolau e colonoscopia, que aumentam as chances de diagnóstico precoce. Detectar a doença em estágios iniciais contribui para um tratamento mais eficaz e aumenta as chances de cura.

    Veja mais: Exames de rotina para prevenir câncer: conheça os principais

    Perguntas frequentes

    1. Se meus pais tiverem câncer, eu também terei?

    Não necessariamente, pois apenas 5% a 10% dos casos de câncer estão ligados a fatores genéticos herdados. Isso significa que ter histórico familiar aumenta o risco, mas não garante que a doença vai se manifestar.

    Muitas vezes, hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, exercícios físicos regulares e abandono do tabagismo, podem neutralizar parte da predisposição. Testes genéticos também podem identificar mutações específicas e auxiliar na prevenção personalizada.

    2. Radiação de exames médicos aumenta o risco de câncer?

    Exames como radiografias e tomografias utilizam radiação ionizante em doses muito baixas, geralmente seguras quando feitas sob indicação médica. No entanto, a exposição excessiva e repetida pode acumular riscos. Por isso, médicos avaliam a real necessidade de cada exame antes de solicitar.

    3. Existe uma quantidade segura de álcool para consumo?

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, não existe dose segura de álcool. Mesmo pequenas quantidades aumentam o risco de câncer, em especial de boca, garganta, esôfago, fígado e intestino.

    O consumo combinado com tabaco potencializa ainda mais os efeitos cancerígenos. Portanto, a recomendação mais segura é reduzir ao máximo ou evitar completamente o consumo de bebidas alcoólicas.

    4. O estresse pode causar câncer?

    O estresse em si não é considerado um fator de risco direto para o câncer. No entanto, o estresse crônico pode enfraquecer o sistema imunológico, aumentar a inflamação no organismo e induzir comportamentos de risco, como má alimentação, tabagismo, abuso de álcool e sedentarismo, que, por sua vez, aumentam a probabilidade da doença.

    Portanto, ainda que indiretamente, o estresse pode contribuir para um ambiente mais favorável ao surgimento da doença.

    5. O câncer é contagioso?

    Não, o câncer não é uma doença transmissível de uma pessoa para outra. O que pode ser transmitido são os vírus e bactérias que aumentam o risco da doença, como o HPV e o vírus da hepatite. Por isso, vacinas e cuidados com a saúde sexual são medidas importantes de prevenção. Mas o tumor em si, as células cancerígenas, não são contagiosas em nenhuma circunstância.

    6. O bronzeamento artificial em câmaras aumenta o risco de câncer?

    Com certeza! As câmaras de bronzeamento artificial emitem radiação ultravioleta em níveis muito superiores aos encontrados no sol, de modo que a exposição intensa e concentrada danifica o DNA das células da pele, aumentando significativamente o risco de câncer de pele, especialmente o melanoma, que é a forma mais agressiva da doença.

    Por isso, a utilização, o fabrico e a comercialização de câmaras de bronzeamento artificial são proibidos no Brasil desde 2009 pela Anvisa.

    Veja também: Câncer ocupacional: o que é e quais as profissões de risco?

  • Mamografia no SUS pode ser feita a partir dos 40 anos: veja como era e como fica

    Mamografia no SUS pode ser feita a partir dos 40 anos: veja como era e como fica

    A mamografia é um dos exames mais importantes para a saúde da mulher. Realizada com um aparelho de raio X, permite identificar alterações sutis nas mamas — como nódulos e microcalcificações — antes mesmo de serem perceptíveis ao toque. Esse diagnóstico precoce é essencial para detectar o câncer de mama em estágios iniciais, quando as chances de cura são muito maiores.

    Com o avanço da tecnologia, o exame tornou-se mais rápido, preciso e confortável. Hoje, existem versões digitais e tridimensionais (3D), que oferecem imagens mais nítidas e detalhadas, tornando a mamografia um dos pilares da prevenção e do autocuidado feminino.

    Como o exame surgiu e evoluiu

    Os primeiros aparelhos de mamografia produziam imagens simples, em preto e branco. Com o tempo, surgiram os equipamentos digitais, que oferecem melhor qualidade e armazenamento eletrônico, e a mamografia 3D (tomossíntese), que cria imagens em camadas e facilita a detecção de pequenas alterações.

    Esses avanços aumentaram a precisão e o conforto do exame, reduzindo diagnósticos equivocados e ampliando a eficácia na detecção precoce do câncer de mama.

    Tipos de mamografia

    • Mamografia convencional: utiliza filme radiográfico para registrar as imagens;
    • Mamografia digital: usa sensores eletrônicos, com melhor qualidade e armazenamento digital;
    • Mamografia 3D (tomossíntese): cria imagens em camadas e permite visualizar detalhes milimétricos, aumentando a precisão diagnóstica.

    Quando a mamografia é indicada

    O exame é indicado tanto para rastreamento preventivo quanto para investigação de sintomas.

    Prevenção (rastreamento)

    Em geral, deve ser feita a partir dos 40 anos e repetida anualmente ou a cada dois anos até os 74 anos. Mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou outros fatores de risco podem iniciar o rastreamento mais cedo, conforme orientação médica.

    Investigação de sintomas

    A mamografia também é indicada em casos de:

    • Presença de nódulo, dor ou secreção mamilar;
    • Alterações percebidas no autoexame;
    • Assimetria entre as mamas.

    Preparação para o exame

    • Agende o exame na primeira quinzena após o ciclo menstrual, quando as mamas estão menos sensíveis;
    • Evite desodorantes, cremes, talcos e perfumes nas axilas e mamas no dia do exame;
    • Leve exames anteriores para comparação;
    • Use roupas de duas peças (como calça e blusa) para facilitar o procedimento.

    Como o exame é feito

    Durante o exame, a mulher permanece de pé, de frente para o aparelho. O técnico posiciona a mama sobre uma placa de acrílico e a comprime por alguns segundos, etapa necessária para espalhar o tecido mamário e obter imagens nítidas com menor dose de radiação.

    São feitas duas incidências por mama, registrando ângulos diferentes. O procedimento dura poucos minutos e pode causar leve desconforto, mas não deve provocar dor intensa. Após o exame, as imagens são analisadas por um radiologista, que emite o laudo com o resultado.

    Possíveis achados no exame

    A mamografia pode identificar:

    • Nódulos;
    • Cistos mamários;
    • Microcalcificações (pequenos depósitos de cálcio);
    • Alterações suspeitas que podem exigir biópsia.

    Nem toda alteração é sinal de câncer. Muitas são benignas e apenas precisam de acompanhamento médico regular.

    Contraindicações e limitações

    • Não deve ser realizada durante a gravidez, exceto em situações de extrema necessidade e com proteção adequada;
    • Em mulheres abaixo dos 35 anos, o tecido mamário mais denso pode dificultar a leitura — nesses casos, o médico pode indicar ultrassonografia como alternativa.

    Possíveis desconfortos e riscos

    A mamografia é segura, com baixa exposição à radiação. Os principais incômodos possíveis são:

    • Leve dor ou sensibilidade durante a compressão;
    • Pequenos hematomas (raros);
    • Ansiedade antes do exame, que pode ser reduzida com explicações da equipe médica.

    Após o exame

    A paciente pode retomar suas atividades imediatamente. Os resultados ficam prontos em poucos dias. Se houver alterações, o médico pode solicitar exames complementares, como ultrassonografia ou biópsia.

    A importância da mamografia

    Realizar a mamografia regularmente é uma das formas mais eficazes de detectar o câncer de mama precocemente, muitas vezes antes de qualquer sintoma. O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e permite tratamentos menos agressivos.

    Veja também: Autoexame: como detectar precocemente diferentes tipos de câncer

    Perguntas frequentes sobre mamografia

    1. A mamografia dói?

    Pode causar leve desconforto durante a compressão, mas a dor é passageira e depende da sensibilidade individual.

    2. Com que frequência devo fazer o exame?

    Em geral, a partir dos 40 anos, anualmente ou a cada dois anos. Mulheres com risco aumentado devem seguir orientação médica.

    3. A mamografia pode causar câncer por causa da radiação?

    Não. A dose de radiação é muito baixa e considerada segura.

    4. É preciso fazer mamografia antes dos 40 anos?

    Apenas se houver histórico familiar de câncer de mama ou recomendação médica específica.

    5. Posso fazer mamografia durante a amamentação?

    Não é o ideal, pois as mamas estão mais sensíveis e o exame pode ser menos preciso.

    6. A mamografia substitui o autoexame?

    Não. O autoexame ajuda a conhecer o próprio corpo, mas não substitui os exames de imagem recomendados.

    7. O que fazer se o resultado der alterado?

    Não se assuste. Muitas alterações são benignas. O médico indicará os exames complementares adequados para confirmar o diagnóstico.

    Leia também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar