Você já deve saber que o excesso de umidade e a pouca ventilação em ambientes fechados facilitam a proliferação de mofo, um tipo de fungo que se manifesta através de manchas escuras em paredes, teto e móveis.
Em locais abafados, eles encontram condições ideais para se multiplicar, liberando partículas microscópicas que podem irritar as vias respiratórias, principalmente em pessoas com alergias ou doenças respiratórias.
A reação acontece porque o mofo libera esporos, que são pequenas sementes invisíveis que flutuam no ar. Ao serem inalados, o sistema imunológico de pessoas sensíveis identifica as partículas como invasores, desencadeando um processo inflamatório que afeta o nariz, os olhos e os pulmões.
Afinal, o que é mofo e por que causa sintomas alérgicos?
O mofo, também chamado de bolor, é um tipo de fungo que cresce em ambientes úmidos e pouco ventilados, aparecendo como manchas escuras ou esverdeadas em paredes, tetos, móveis e até em roupas. Ele se desenvolve com facilidade em locais abafados, principalmente quando existe umidade acumulada.
Durante o crescimento, o mofo libera partículas microscópicas chamadas esporos, que ficam suspensas no ar. Quando inaladas, o organismo reconhece as partículas como uma ameaça e passa a reagir de forma exagerada.
Consequentemente, o corpo libera substâncias inflamatórias, como a histamina, que provocam a dilatação dos vasos sanguíneos e aumentam a produção de muco nas vias respiratórias, desencadeando os sintomas típicos de alergia.
Em quem já tem doenças respiratórias, como rinite ou asma, a exposição ao mofo também pode intensificar inflamações nas vias aéreas e favorecer o aparecimento de crises.
Quais sintomas o mofo pode desencadear?
A reação ao mofo pode se manifestar de diferentes formas, dependendo da sensibilidade da pessoa e do tempo de exposição. Os sinais mais comuns incluem:
- Espirros frequentes;
- Coriza;
- Nariz entupido;
- Coceira no nariz, na garganta ou nos olhos;
- Tosse seca;
- Irritação na garganta.
Em pacientes asmáticos, a alergista e imunologista Brianna Nicoletti explica que a exposição a fungos pode desencadear sintomas como tosse, chiado e dificuldade respiratória. Quando a exposição ao mofo acontece por muito tempo, os sintomas podem se tornar mais persistentes, afetando o conforto respiratório e a qualidade do sono.
“Mesmo pessoas sem diagnóstico prévio de alergia podem apresentar sintomas em ambientes com mofo. Isso ocorre porque os fungos podem provocar irritação das vias respiratórias e inflamação das mucosas”, complementa Brianna.
Como diferenciar a alergia ao mofo de um resfriado?
Diferente do resfriado, a alergia ao mofo não costuma causar febre ou dores no corpo. Além disso, os sintomas alérgicos tendem a piorar significativamente quando a pessoa entra em ambientes fechados e úmidos, melhorando ao sair para locais arejados.
Doenças agravadas pelo mofo
Entre as condições que podem ser agravadas pelo contato com mofo, é possível destacar:
- Rinite alérgica: o mofo pode desencadear crises com espirros, coriza, nariz entupido e coceira no nariz e nos olhos;
- Asma: pessoas com asma podem apresentar piora dos sintomas, como falta de ar, chiado no peito e tosse;
- Sinusite: a presença de fungos no ambiente pode irritar as vias respiratórias e favorecer inflamações nos seios da face;
- Dermatite alérgica: em alguns casos, o contato com fungos também pode causar irritação ou coceira na pele.
A exposição prolongada a ambientes com mofo também pode causar irritação na garganta, tosse persistente e desconforto respiratório, principalmente em crianças, idosos e pessoas com maior sensibilidade a alergias.
Como saber se o mofo está afetando a saúde respiratória?
Alguns sinais podem indicar que a presença de mofo no ambiente está afetando a saúde, principalmente quando os sintomas aparecem ou pioram dentro de casa ou em determinado local. Entre eles, Brianna aponta:
- Piora dos sintomas ao entrar em um ambiente específico;
- Melhora do desconforto ao sair do local;
- Presença de cheiro forte e característico de mofo;
- Manchas de umidade ou pontos escuros nas paredes, teto ou móveis.
Como identificar mofo “escondido” em casa?
Nem sempre o mofo é visível como aquelas manchas pretas ou esverdeadas na parede. Em alguns casos, o fungo cresce em locais escuros e mal ventilados, liberando esporos no ar sem que você perceba. Se você apresenta sintomas alérgicos constantes apenas quando está em casa, vale investigar os seguintes sinais:
- Cheiro característico de mofo ou “cheiro de guardado”, causado por substâncias liberadas pelos fungos;
- Odor persistente em armários, quartos ou cômodos específicos, mesmo quando o local parece limpo;
- Estufamento de tinta ou de papel de parede, que pode indicar umidade dentro da parede;
- Rodapés de madeira soltos, inchados ou escurecidos;
- Manchas amareladas ou de umidade no teto;
- Presença de mofo atrás de móveis grandes, como guarda-roupas e cabeceiras encostadas na parede;
- Acúmulo de umidade dentro de aparelhos de ar-condicionado e umidificadores;
- Mofo embaixo de pias e tanques, principalmente quando existem pequenos vazamentos;
- Sinais de umidade no fundo de gavetas, armários ou caixas de papelão, que absorvem água com facilidade.
Dica: se os espirros, a coceira nos olhos ou a tosse melhoram quando você sai de casa e pioram assim que você entra no quarto ou na sala, é um sinal de que o alérgeno está presente naquele ambiente, mesmo que invisível.
O que fazer para acabar com o mofo?
Como os fungos se desenvolvem com facilidade em ambientes úmidos e pouco ventilados, algumas mudanças simples na rotina da casa podem ajudar a eliminar o problema e reduzir o risco de crises, como:
- Manter os ambientes da casa bem ventilados, abrindo janelas sempre que possível para permitir a circulação de ar;
- Permitir a entrada de luz natural nos cômodos, pois a luz ajuda a reduzir a umidade;
- Identificar e corrigir infiltrações, vazamentos em paredes, telhados, pias ou encanamentos;
- Limpar manchas de mofo nas paredes e superfícies com produtos adequados, como água sanitária diluída ou soluções antifungo;
- Evitar o acúmulo de umidade em banheiros, cozinhas e áreas de serviço;
- Afastar móveis grandes alguns centímetros da parede para facilitar a ventilação;
- Não guardar roupas, livros ou objetos ainda úmidos em armários ou gavetas;
- Realizar limpeza e manutenção periódica de aparelhos de ar-condicionado e desumidificadores.
Quando é necessário procurar um médico?
Na maioria dos casos, os sintomas causados pela exposição ao mofo são leves e melhoram quando a pessoa se afasta do ambiente com umidade ou quando o problema é resolvido. Mas, nas seguintes situações, vale procurar um médico para realizar uma avaliação adequada:
- Sintomas respiratórios que persistem por vários dias;
- Crises frequentes de espirros, coriza ou nariz entupido;
- Tosse constante ou irritação na garganta;
- Chiado no peito ou dificuldade para respirar;
- Piora de quadros de rinite, asma ou sinusite já diagnosticados.
A consulta com um médico pode ajudar a entender o que está causando os sintomas, indicar o tratamento mais adequado e orientar sobre cuidados que ajudam a diminuir o contato com fatores que podem desencadear alergias dentro de casa.
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Perguntas frequentes
1. O mofo pode causar febre?
Normalmente, a alergia ao mofo não causa febre. Se houver febre, pode ser sinal de uma infecção secundária, como sinusite bacteriana ou pneumonia, ou uma reação inflamatória mais grave, como a pneumonite por hipersensibilidade.
2. O mofo pode causar manchas na pele?
Sim. Além de problemas respiratórios, o contato com o mofo ou seus esporos pode causar dermatite de contato, resultando em manchas vermelhas, descamação e coceira intensa na pele.
3. É perigoso dormir em um quarto com mofo?
Sim, pois durante o sono, a exposição aos esporos é prolongada e a respiração fica mais lenta, facilitando a entrada das partículas nas vias aéreas inferiores e agravando crises noturnas de tosse e falta de ar.
4. Aspirar o mofo com aspirador comum resolve?
Não é recomendado, a menos que o aspirador tenha filtro HEPA. Os aspiradores comuns podem expelir os esporos menores de volta para o ar, espalhando a contaminação por todo o ambiente.
5. Purificadores de ar ajudam contra o mofo?
Ajudam a filtrar os esporos que já estão no ar, mas não resolvem o problema se o foco do mofo na parede ou no móvel não for removido.
6. Tintas antimofo funcionam?
Elas contêm fungicidas que ajudam a prevenir o surgimento, mas não resolvem o problema se houver um vazamento ou infiltração ativa por trás da parede.
7. Por quanto tempo os sintomas duram após a limpeza do ambiente?
No geral, os sintomas começam a melhorar entre 24h a 48h após a remoção do foco e a ventilação do local. Se os sintomas persistirem, pode haver mofo escondido ou a necessidade de tratamento medicamentoso.
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